Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Set 28, 2017 8:51 am

— Temos outro assunto, guardião.
É que os nossos virão para cá, em boa parte, em corpos que, para nós, são densos — considerados, é claro, os parâmetros dimensionais e materiais em cada um dos mundos.
A grande maioria, porém, virá em corpos espirituais.
Precisamos de ajuda para o transporte dessas criaturas.
Não será fácil vencer as grandes distâncias entre mundos.
— Podemos recorrer ao auxílio de outros povos, nobre Mnar.
Caso enfrentem essas distâncias siderais sozinhos, demorarão muito tempo, milhares de anos para chegar aqui, no terceiro mundo deste sistema.
Mas existe uma tecnologia muito avançada em outros mundos, daqueles que chamamos de povos auxiliares.
Eles conseguem, com naves feitas de matéria etérica adensada na proporção certa, movimentar-se nas trilhas energéticas que rasgam o espaço em todos os recantos da galáxia.
Uma vez nessas trilhas, a velocidade passa a ser ultraluz, ou seja, milhares de vezes a velocidade da luz.
Assim conseguirão trazer em menos tempo os milhões de degredados para o terceiro planeta desse sistema.
De qualquer forma, não será uma tarefa fácil, pois termos de transportá-los em etapas.
Impossível fazê-lo de uma única vez; não há naves suficientes.
— Creio que será melhor assim, também por outros aspectos, caro guardião.
Em etapas, haverá tempo de os primeiros imigrantes se adaptarem ao ambiente novo, formarem as primeiras colónias e depois receberem os demais, que virão aos poucos.
Creio que poderemos demorar uns 10 mil anos deste mundo até que todos tenham vindo para cá.
— Um tempo relativamente curto, amigo do Cocheiro.
Que são 1o mil anos-Tiamat?
Que venham os nossos hóspedes.
Faremos de tudo para auxiliá-los.
Milhares de anos depois, os continentes de Lêmur e Axtlan exibiam um primor de cultura e técnica que dificilmente se diria ser fruto do conhecimento dos annunakis, que chegaram primeiro.
Embora fossem raças parecidas, todos humanóides, conviveriam ali por longo tempo.
Até que um dia se confrontassem...
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Set 28, 2017 8:51 am

NAS REGIÕES PRÓXIMAS à superfície planetária, a densidade das partículas alcançou níveis muito perigosos.
As formas mentais irradiadas por seres em constante ebulição mental e descontrole emocional fizeram com que trevas imensas tomassem conta de vastas regiões do submundo.
Havia constantes disputas pelo domínio das regiões astralinas.
Grupos de seres que alegavam mais inteligência buscavam prevalecer, escravizando os mais fracos da própria espécie.
Formaram-se facções de poder, conluios e alianças entre os mais perversos seres degredados.
Evidentemente, nada disso passou despercebido pelos maiorais.
— Não posso permitir que passe mais tempo sem tomar uma medida urgente — falou a voz do número 1 numa audiência programada entre seus ministros principais.
Tragam perante mim os chefes principais dos espectros que vieram arrastados connosco.
Quero também conversar pessoalmente com os ministros religiosos do miserável planeta destruído.
Eles foram arrastados para cá junto com seus amigos e governantes.
Tenho de me impor perante eles; precisam saber quem é o ditador deste mundo, de uma vez por todas.
— Como pretende fazer para convencê-los de seu poderio?
Como obedecerão, se nem ao menos nós sabemos sua identidade?
— Essa é a força do meu poder: não saberem quem sou — falou a voz quase mecânica e gutural, que repercutiu pelo salão e nas mentes dos seis outros maiorais.
— Onde você se esconde, majestade do abismo?
Onde será seu reduto?
Será mesmo neste mundo ou no mais profundo dos infernos imaginados pelas criaturas mais vis?
— Isso não lhes diz respeito.
Quero apenas que façam a minha vontade, ou até mesmo o seu poder será questionado aqui, no miserável terceiro mundo.
Ou se unem definitivamente a mim ou serão aniquilados pelos poderes de Miguel e sua política infame.
Ainda duvidam de meu poder?
Duvidam de que posso mais que todos vocês juntos?
— Sabemos do que é capaz.
Mas será que será capaz de enfrentar a oposição de toda essa legião de seres degredados?
Terá realmente o poder de enfrentar as mais astutas inteligências que vieram para cá e que querem, por sua vez, elevar-se ao poder, formar coalizões e dominar este mundo?
— Saberão, em breve, até onde meu poder alcança.
Vão, tragam os espectros miseráveis.
Eles acabaram sendo tragados pelas energias desencadeadas em seu mundo e foram arrastados, como nós, para este miserável terceiro planeta.
Quero-os aqui. Já!
A voz calou-se de repente, ignorando as palavras dos outros maiorais.
Os seis emissários do poder supremo dos dragões saíram pelos redutos do submundo, a fim de trazer perante o maioral os mais cruéis representantes de uma raça cujo mundo fora destruído.
Eram um povo diferente, tanto os espectros quanto os famigerados sacerdotes do culto estranho que um dia dominou aquele planeta.
Depois de vagarem durante algum tempo pelas regiões abismais, os daimons trataram de submeter os representantes daquele povo ao seu poder mental, utilizando-se de técnicas avançadas de manipulação mental.
Regressaram arrastando-os pelo solo pegajoso do submundo, mas, junto com eles, veio quase um exército de seres que os seguiam de perto, aqueles que mais crueldade traziam estampada em suas faces e identidade energética.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Set 28, 2017 8:51 am

O grupo de aproximadamente 400 espíritos brigava entre si, todos disputando o poder, o domínio e quem seria o mais cruel entre eles.
De um momento para outro, o silêncio tomou conta do ambiente no qual se reuniam.
Parecia que as mentes haviam recebido alguma influência externa, dificilmente compreendida pelos próprios seres do abismo.
Os seis maiorais sabiam o que estava ali em andamento, e que estavam sendo sondados pela mente maquiavélica e inumana do número 1 — ou melhor, daquele ser inominável, que pretendia a supremacia entre todos os representantes do poder nas regiões abissais.
Somente transcorrida mais de uma hora é que uma voz se pronunciou.
Luzes estranhas precederam a aparição.
Serpentes aladas pareciam cruzar o ambiente, formando um estranho signo acima das cabeças dos presentes.
Os seis maiorais já conheciam o símbolo do dragão.
A luz, uma mistura de vermelho, amarelo e negro, vibrava no ambiente e formava uma espécie de registro mental que interferia na capacidade de raciocínio dos mais de 400 espíritos que para ali foram conduzidos.
Instalou-se um clima emocional deveras tenso, pois o medo parecia arrancar de dentro das criaturas algum tipo de emoção das mais violentas e, ao mesmo tempo, deixava se acentuarem as mais vis paixões.
Tal situação constituía algo muito comum na presença da entidade, aquele que se intitulava o deus, o maioral dentre os maiorais.
Foi no auge desses acontecimentos que a voz se manifestou, de maneira tão audível que parecia proveniente do âmago dos presentes, inclusive dos demais daimons.
A voz repercutia dentro de cada um:
— Sei que desejam o poder neste mundo e que daqui jamais sairão, sem que seja concedida permissão de um poder superior, que desafia a todos nós.
Mas se quiserem dominar, se têm como meta obter tudo o que querem, seja pela força ou
pela violência, devem se submeter à minha vontade, pois aqui, neste mundo, eu sou deus e não há nenhum outro que possa fazer jus a esse nome.
Não somente ao nome, como à posição de dominador supremo.
Um rebuliço de vozes, impropérios e palavrões se ouviu, partindo da assembleia agitada, em franco desequilíbrio.
Alguns espectros avançaram sobre os espíritos dos degenerados sacerdotes, como se estes fossem presas suas, alimento para sua sede de energias.
Imediatamente os daimons entraram em acção.
Usando de sua capacidade de persuasão mental, dos poderes e habilidades de suas mentes adestradas, suspenderam os seres rebeldes até o tecto, fazendo-os rodopiar em torno do próprio corpo para, em seguida, chocar-se estrondosamente contra o solo.
Caíram rugindo e grasnando como animais pré-históricos, daqueles encontrados nas pradarias e pântanos do terceiro planeta.
Sem que o maioral interferisse, os seis penetraram nas almas cheias de ódio e fizeram com que imagens e seres dos mais bizarros e medonhos, fruto de seus medos mais profundos, pudessem surgir nas telas da memória de cada um.
O pavor se estampou nos semblantes.
Os daimons utilizavam das crenças dos seres trevosos contra eles próprios.
Rugiam no chão, chorando e gritando, como se estivessem loucos.
Os demais se aquietaram imediatamente, com medo de que com eles acontecesse a mesma situação.
Os seis maiorais, que antes haviam desejado ver como o número 1 se imporia diante de tamanha assembleia de seres dos mais vis dentre os deportados, sem dúvida haviam concorrido para o sucesso da empreitada.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Set 28, 2017 8:52 am

E a voz novamente ressoou na escuridão de suas almas tenebrosas:
— Observem atrás de vocês!... — falou o maioral, direccionando a atenção de todos, inclusive dos seis ministros, para o lado oposto.
Em meio às luzes exóticas que riscavam o espaço e às imagens das serpentes que formavam o símbolo dos maiorais, de repente se abriu um rasgo de natureza energética, por onde entraram mais de 600 seres, entre cientistas, pesquisadores estrategistas e os melhores técnicos da raça dos annunakis, rebeldes da mais alta patente diante do poderio dos dragões.
— Nossos conterrâneos! — falou o número 2 em poder.
Que pretende o maioral?
— Vejam vocês que estes representam a maior força de combate que eu possuo neste mundo.
São seres que para cá vieram e me auxiliaram em muitos eventos patrocinados por mim, em que promovi a destruição e a morte de milhões de seres.
São minha elite intelectual — e um a um adentraram no ambiente, cada qual envolvido em uma aura que dificilmente revelava a capacidade daquelas almas rebeldes, das mais comprometidas entre os degredados.
Estavam mergulhados num estágio de dominação mental tamanho, que mal conseguiam caminhar.
Algo medonho havia acontecido com eles, como se ainda não houvessem saído do estado de dormência mental a que foram induzidos durante a viagem de degredo.
— Estão sob meu comando hipnótico.
São meus aliados predilectos e constituem a elite científica do mundo de onde viemos.
Todos se puseram em silêncio, sem conseguir perceber o que o maioral desejava, afinal, com aquela demonstração de autoritarismo, que ninguém compreendeu, nem mesmo os seis outros maiorais.
Ali se reuniam também os maiores representantes das regiões trevosas do novo mundo, seres realmente cruéis e sanguinários.
De tal maneira eram cruéis que não poderiam conviver mais proximamente da maioria dos degredados, sob pena de causar um grau de desequilíbrio dificilmente passível de controle, até mesmo por parte dos guardiões.
— Não quero tomar o seu tempo precioso — falou a voz inarticulada do demónio mais vil daquelas paragens.
Imediatamente após essas palavras, os mais de 600 seres que ali chegaram por último foram suspensos em pequenos grupos e começaram a girar em torno dos 6 maiorais, dos espectros e dos sacerdotes presentes.
Giravam cada vez mais velozmente.
De um momento para outro, começaram a gritar, e sua aparência logo se deformou mais e mais.
Severo inchaço acometeu as cabeças e os corpos de matéria etérica, que alcançaram um processo de degradação tão misterioso que nem mesmo os outros maiorais compreendiam integralmente.
Tudo indicava que o número 1 intentava fazer-se respeitado por meio do terror que era capaz de infligir a qualquer criatura que se interpusesse entre ele e sua sede de poder.
Alguns daqueles annunakis começaram a explodir diante dos olhos atentos da multidão de criaturas vis.
Mesmo os seis maiorais gritavam, atónitos diante da ruína de seus conterrâneos; corriam de um lado para outro, temendo que com eles pudesse suceder algo equivalente.
Outros literalmente derretiam, e o líquido viscoso e nauseabundo, com um odor característico das regiões inferiores, vertia das placas de matéria pútrida que caíam ao solo.
Um show de horror e da mais absoluta falta de qualquer consideração à criatura vivente.
Tratava-se da mais bárbara e pérfida demonstração de desprezo para com um ser vivo da criação, para com um ser da própria espécie.
Enquanto isso, uma gargalhada sinistra invadia as mentes, em meio aos gritos e loucuras de todos, inclusive dos seis maiorais, que a tudo assistiam, em meio ao pavor e descontrole emocional.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Set 28, 2017 8:52 am

Os horrores mais profundos, que estavam de alguma maneira latentes na memória espiritual de cada um, ganhavam vida do modo mais insano e horripilante possível.
Todos conheceram a dimensão da treva da alma do maioral.
Agora, até mesmo os outros maiorais se submeteriam definitivamente ao seu poder audacioso e pretensioso.
Ninguém ali, nenhum deles ousaria sequer tentar se erguer contra um demónio assim, dos mais vis e, ao mesmo tempo, inteligentes, de uma inteligência demoníaca, como o maioral, o príncipe dos infernos.
O inferno ali era algo palpável, completamente visível, impossível de negar.
E a gargalhada era demoníaca.
Depois de muito gritar, do medo acachapante que solapara suas almas, os espectros conseguiram escapar daquela região, secundados pelos sacerdotes, que correram apavorados, sem saber para onde ir nem o que fazer.
Os seis daimons, por sua vez, quedaram-se, agachados num canto qualquer, choramingando e implorando por suas vidas miseráveis, que, a partir daquele momento, estariam totalmente sob o comando do inumano ser das profundezas abissais.
Toda pretensa fibra, toda ameaça de resistência ao magnânimo número 1 ruía naquele fatídico dia, que ficaria para sempre assinalado naquelas almas hediondas.
De volta à base, incrustada num recanto do submundo, o maioral número i caminhava entre centenas de corpos que construíra, corpos artificiais, que ficavam na região mais ignota do abismo, tão profunda quanto as profundezas das trevas de sua alma.
Caminhava elegante, graciosamente.
Os cabelos negros pareciam ter vida própria, com mechas que lhe caíam até as espáduas e ondulavam, movimentando-se como cobras, deixando à mostra a face do ser medonho.
Nas feições, parecia um anjo das estrelas; na intimidade, o mais vil dos demónios jamais encontrado pelos terráqueos.
A entidade banhava o rosto num líquido incandescente, que mais parecia o produto de algum vulcão que se derramara naqueles recantos obscuros do mundo-prisão.
Levantou o rosto sinistro num sorriso angelical e foi passando e tocando em cada um dos mais de 500 corpos dependurados em esquifes à sua frente.
De repente, perdeu o sorriso irónico, que não combinava com seus traços angelicais.
Uma solidão imensa ameaçou querer invadir sua alma.
Estava sozinho mais uma vez.
Era o dominador implacável, mas também refém inescapável de uma solidão infinita.
Num compartimento ao lado, avistava os mais de 600 corpos mentais degenerados de seres de sua raça, os quais mantinha em cativeiro.
— Formarão um computador biológico de grande potencial.
Servirão a meus desígnios neste estado alterado de suas personalidades; uma união de consciências que posso consultar e de cujo conhecimento, arquivado durante milénios, desde já me aposso.
Ninguém mais conhece os meus planos, mantidos no mais absoluto sigilo — e forçando uma situação, conseguiu rir um riso, uma gargalhada sórdida, um misto de horror e ódio.
Maldito Todo-Poderoso!
Verá do que sou capaz!...
Com a mão direita em riste, esbracejou:
Subirei às mais altas nuvens, nas estrelas farei o meu trono.
Serei semelhante ao Altíssimo...
Tendo como resposta apenas o silêncio, saiu.
Lacrou o recinto, que somente ele sabia onde se encontrava, nos recantos escuros e sombrios do submundo.
Pensava consigo mesmo:
— Nenhum outro poder há senão o meu neste mundo.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 29, 2017 10:12 am

Sou o supremo senhor de todos os reinos.
Os sacerdotes serão meus magos negros, os principais entre tantos outros; os espectros, meus aliados, minha polícia secreta.
Obedecerão somente a mim e a ninguém mais.
Jamais se esquecerão de quem os governa.
Esses e quaisquer outros pretendentes ao poder ouvirão e sentirão o império da minha vontade.
Subiu das regiões sombrias para ver as obras dos homens.
Ali, entre os seres que construíram a primeira civilização dos novos humanos, ergueu-se como deus e anunciou, ladeado por seus emissários, os donos do poder no submundo:
— Eu sou a luz celestial, o filho de Anu e o regente da casa real.
As palavras só poderiam ser compreendidas por quem fosse descendente directo da dinastia real, pelos eleitos e povos que vieram do espaço.
Dificilmente um ouvido mortal ouviria essas palavras; muito menos ainda, seria capaz de entendê-las.
Foram gravadas em tábuas de pedra e argila, em folhas de metal, e somente depois de muito tempo seriam lidas, guardadas e, ainda assim, dificilmente compreendidas.
O ser abismai voltou a reunir sua multidão de seres convertidos em servos fiéis, de uma fidelidade baseada no medo, no terror e na insegurança.
— De agora em diante, vocês serão minha legião de magos e dominadores, ministros que ensinarão outros, seus iguais, as leis e os métodos de dominar e manipular não só fluidos e seres da natureza, mas mentes, convicções e emoções dos habitantes deste mundo desgraçado.
Ensinarei a vocês os segredos adormecidos no tempo e serão meus emissários — falava a voz que repercutia no pensamento da turba de magos, que pela primeira vez se reuniam sem guerrear, apavorados com a força sobre-humana do ditador mais astuto do submundo.
O número 2 em poder assumiu a situação:
— Cada qual de vocês reúna sua própria legião.
Recrutem os seres mais perigosos e sem escrúpulos, dentre os quais elegerão sete principais a serem treinados.
Cada um dos sete encontrará mais sete vilões, cruéis entre os cruéis. Seleccionem aqueles que consigam se superar e vencer a qualquer custo a crueldade alheia.
Tragam-nos e os faremos para todo o sempre os mais bem treinados, os maiores conhecedores de certas leis do mundo oculto.
Nós mesmos os coroaremos, perante seus iguais, como comandantes em chefe, principados do mal.
— Quando estiverem prontos — arrematou o número 3 dos maiorais —, sairão pelo mundo e farão adeptos entre todos os degredados.
Dividiremos o planeta em 10 quadrantes e ergueremos as cidades do poder, governadas directamente pela tirania dos cruéis e deserdados, e aqui formaremos nosso império.
Em breve, chegarão outros mais; deverão estar a postos para a grande guerra entre os magos, pois vencerá quem por nós for treinado.
Quem se submeter ao nosso ensino e à nossa política será investido da coroa de principado, e ninguém abaixo de nós jamais o poderá questionar.
— Os maiorais provocaram uma debandada dos seres horrendos, todos atrás de adeptos, seres os mais perniciosos e maldosos entre os que foram deportados, até encontrarem cada mago representante seu, formando o colegiado de sete ministros que pudessem ser treinados directamente pelos mais vis inimigos da nova humanidade.
— Enquanto isso, os guardiões do planeta se preparavam para receber as novas levas de seres que viriam extraditados para Tiamat.
Uma ligação estreita se fez necessária entre os arquitectos da nova civilização e os seres que guardavam os destinos das humanidades reunidas naquele recanto da galáxia.
Um grande cometa surgia nos céus do novo mundo, e uma nova história começaria ali, escrita por dois povos que se uniriam ao longo dos milénios a fim de superar seus limites, suas intrigas e solucionar o que fosse possível sobre a terra nova, onde pisariam durante a noite intensa dos séculos no porvir.
— Até aquele momento, nem Enki e nem Enlil sabiam que, por trás dos acontecimentos do novo mundo, havia uma inteligência tão astuta e tão medonha como esta que agora tentava assumir o poder nas regiões mais profundas.
Somente Enki era capaz de sondar o imponderável e antever, por via psíquica, os tempos difíceis que se avizinhavam.
Intuitivamente, também captava que algo de muito grave se passava com seu irmão.
Rendia-se, enfim, às evidências de que havia muito mais em andamento do que se supunha atéUm grande cometa surgia nos céus do novo mundo, e uma nova história começaria ali, escrita por dois povos que se uniriam ao longo dos milénios a fim de superar seus limites, suas intrigas e solucionar o que fosse possível sobre a terra nova, onde pisariam durante a noite intensa dos séculos no porvir.
— Até aquele momento, nem Enki e nem Enlil sabiam que, por trás dos acontecimentos do novo mundo, havia uma inteligência tão astuta e tão medonha como esta que agora tentava assumir o poder nas regiões mais profundas.
Somente Enki era capaz de sondar o imponderável e antever, por via psíquica, os tempos difíceis que se avizinhavam.
Intuitivamente, também captava que algo de muito grave se passava com seu irmão.
Rendia-se, enfim, às evidências de que havia muito mais em andamento do que se supunha até Um grande cometa surgia nos céus do novo mundo, e uma nova história começaria ali, escrita por dois povos que se uniriam ao longo dos milénios a fim de superar seus limites, suas intrigas e solucionar o que fosse possível sobre a terra nova, onde pisariam durante a noite intensa dos séculos no porvir.
— Até aquele momento, nem Enki e nem Enlil sabiam que, por trás dos acontecimentos do novo mundo, havia uma inteligência tão astuta e tão medonha como esta que agora tentava assumir o poder nas regiões mais profundas.
Somente Enki era capaz de sondar o imponderável e antever, por via psíquica, os tempos difíceis que se avizinhavam.
Intuitivamente, também captava que algo de muito grave se passava com seu irmão.
Rendia-se, enfim, às evidências de que havia muito mais em andamento do que se supunha até ali.


Última edição por Ave sem Ninho em Sex Set 29, 2017 10:13 am, editado 2 vez(es)
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 29, 2017 10:12 am

aNAIS DAS ERAS REMOTAS (EXTRACTO) BASE DOS GUARDIÕES DA HUMANIDADE SÉCULOS MAIS TARDE, novo surto de progresso se fez presente na nova morada das estrelas, no terceiro mundo do sistema.
Foi então, num instante em que tudo parecia caminhar, que, no mundo astral, manifestou-se um dos mais trágicos embates entre magos negros e príncipes das trevas daquela era.
A primeira guerra entre os seres da maldade de Capela e os annunakis rebeldes, a qual passou para os anais da história do mundo astral como um dos eventos mais trágicos de todos os tempos, contribuiu para o afundamento de um dos mais importantes continentes das eras remotas.
Foi uma guerra travada com as armas da magia, empregando-se energias etéreas e manipulação da natureza por meio dos elementais, além de técnicas e aparatos de hábeis cientistas da escuridão.
Hostes de inteligências as mais sombrias disputavam sua parcela de domínio sobre o novo planeta.
Durante centenas de anos, o mundo sombrio se enfrentou com suas armas mais poderosas — a força da mente, as manipulações de seres vivos através do domínio emocional, mental e fluídico —, e o mundo conheceu uma época na qual os problemas de ordem psíquica atingiram o ápice de sua manifestação.
De um lado, os deportados do Cocheiro queriam a todo custo estabelecer as bases de seu reinado num mundo que odiavam, mas do qual não conseguiam mais sair por vontade própria.
Utilizavam os recursos mais avançados de que dispunham em matéria de técnica e ciência, que temiam perder ou, pelo menos, esquecer, devido ao imperativo de mergulharem na carne, através dos processos de reencarnação ou corporificação, como era conhecido na época.
Os céus dos continentes eram riscados pelos elementos da natureza em turbulência, enquanto um grupo selecto de magos, organizados pelos outrora dominadores dos eventos do Cocheiro, reunia-se para formar uma frente de combate.
Durante esse evento, canalizavam forças mentais a fim de manipular o povo, transformando-o em suas baterias energéticas vivas, as quais lhes permitiam agir sobre os elementos fluídicos do planeta.
Serviram-se de energias primitivas e violentas para gerar e difundir correntes mentais inferiores, promovendo o surgimento da magia negra, em larga escala, no terceiro mundo do Sistema Solar.
De outra parte, os annmakis rebeldes, os mais inteligentes, os que desenvolveram o mal numa escala amedrontadora, conheciam mais profundamente o sistema de vida de Tiamat, pois chegaram antes ao mundo do desterro.
Não arredavam pé da ideia de que o orbe lhes pertencia.
Baseavam-se no facto de que as primeiras expedições ao planeta haviam sido
realizadas por indivíduos de sua raça estelar, bem como no conhecimento de que as primeiras levas de deserdados chegaram quando os humanóides nem sequer haviam desenvolvido a inteligência.
Uma vez que foram eles os primeiros — segundo acreditavam — a manipular o código genético dos habitantes do terceiro mundo, arvoraram-se deuses.
Eram liderados pelos mais inomináveis verdugos do mundo oculto, os quais tiveram tempo suficiente para aprimorar o conhecimento e treinar os vis serviçais da escuridão, seus asseclas, manipuladores de vontades, mentes e fluidos do planeta primitivo. Grupos numerosos de seres vampiros fortaleceram-se nesse ínterim, completando as legiões do mal organizado.
As primeiras organizações de magos negros, de magos dominados ou que se renderam à crueldade sem limite dos daimons, remonta a esse período, que a história humana não regista nem dispõe de elementos para pesquisar.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 29, 2017 10:14 am

Os annunakis tinham acesso a energias mais densas, porque haviam realizado um mapeamento de imensas paisagens e regiões do mundo extrafísico.
Muito antes da chegada dos novos habitantes do espaço, já conheciam os elementos astrais constituintes do globo, portanto deles se valeram no grande conflito que determinou o afundamento de um reino portentoso e o início de outra era no condomínio espiritual do planeta.
A guerra foi levada a cabo não somente no plano imponderável, no invisível.
Como todos os seres na dimensão das formas são mais ou menos sensíveis aos pensamentos, emoções e intenções dos verdadeiros artífices ou autores dos eventos nos bastidores da vida, os desafios, lutas e disputas na superfície do planeta acabaram por sacudir, efectivamente, as balizas da civilização de seres corporificados.
Os grandes colégios de magos ingressaram no combate, causando repercussão vibratória nas partes física e astral do planeta.
Como consequência, houve enorme perda de qualidade energética e espiritual na estrutura do novo mundo.
Nessa guerra, na qual se empregaram forças da natureza, elementos e elementais naturais e artificiais, bem como energias que permanecerão desconhecidas pelos habitantes da chamada era moderna, o planeta conheceu o combate mais acirrado das eras remotas.
Como prémio das lutas inglórias, assistiu-se à destruição de templos sagrados e palácios, à derrocada de deuses e homens e à ruína do sistema de vida de continentes inteiros, onde havia florescido uma civilização tão grandiosa.
O resultado das energias ali desencadeadas, dos embates de forças malignas que se libertaram e do ódio dificilmente aplacado de reis, magos e senhores da ciência da escuridão, fez com que determinado elemento do espaço fosse atraído vibratoriamente.
Um bólide, uma grande rocha que vagava pelo sistema, passou a rumar em direcção ao terceiro mundo, onde eclodia a guerra.
Muitos dos seres vencidos naquelas batalhas, entre magos, cientistas e outros miseravelmente transformados em escravos, ainda vivem nas dez cidades do poder, guardadas a sete chaves pelos mais implacáveis senhores da guerra, os chefes de legião.
Os guardiões do sistema tiveram grande trabalho a fim de preservar ao máximo as obras da civilização e conseguir inspirar os magos brancos, depositários dos ensinamentos sagrados e da sabedoria, a fugir em seus barcos para diversos recantos do planeta.
Embarcações amplas, mas também outras menores, singraram os mares do mundo com seus pergaminhos sagrados, guardados pelos magos brancos.
Deixando para trás os horrores de uma guerra que demoraria a terminar, desembarcaram nas praias de outros continentes, de outras terras, e dirigiram-se às montanhas e terras longínquas.
Lá fundaram colégios iniciáticos e templos de sabedoria, onde magos comprometidos se pudessem se dedicar à preservação da ciência original, à disseminação dos novos ensinamentos e à formação de discípulos que pudessem legar à posteridade a memória desses eventos.
Como parte de sua missão, objectivavam reunir uma casta de seres, seleccionados durante os processos iniciáticos, que atestassem verdadeiro compromisso com o bem da humanidade.
Enquanto boa parte desses emissários ainda se distanciava dos eventos catastróficos da grande guerra de magos e deuses decaídos, grande tremor se fez sentir num dos continentes envolvidos na batalha.
Uma estrela desceu do céu, rasgando a escuridão da noite, e balançou para sempre as estruturas físicas e psíquicas, a contraparte astral e energética do mundo antigo.
Levou aquela civilização ao fundo dos mares, como atestado da frivolidade e da futilidade das batalhas entre poderes e domínios, que traziam como prémio inglório a morte, a decepção e a destruição de um povo orgulhoso, bem como de seus prepotentes dominadores.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 29, 2017 10:14 am

Depois do impacto, viam-se esquadras destroçadas, boiando sobre as águas revoltas, com o que restava do povo exaurido e oprimido por seus ditadores do abismo, que o manipulavam movidos pela sede de dominar a civilização e a natureza indomável, de um mundo vivo e vibrante de vida.
Os dirigentes do mundo, atrás da película sensível que separa as duas realidades, conduziram a população que se salvara aos recantos mais longínquos do planeta, dispersando-a e fomentando o surgimento de novas comunidades.
Adaptada a novos ambientes, floresceria novamente a humanidade, que recomeçaria sua trajectória sob novos auspícios,
sob a esperança de dias melhores.
A partir daí, novos seres do espaço vieram integrar a enorme falange de seres que recomeçaria, nas terras do novo mundo, sua trajectória evolutiva.
Com a permissão dos governadores solares, os céus do planeta foram marcados por luzes do espaço, barcos celestiais, trazendo seres de Órion, Sirius, Antares e da longínqua Andrómeda, entre outras terras do espaço.
Alheio à vontade das inteligências sombrias, o mundo recebeu em seu seio mais de 20 tipos humanos distintos, de seres das estrelas redivivos nos corpos físicos dos povos do planeta ou, então, entre os habitantes invisíveis.
Miscigenaram- -se, conforme o objectivo superior, integrando-se numa única raça.
No momento oportuno, quando a ampulheta do tempo escoar-se totalmente, os redimidos retornarão a seus mundos de origem ou, quem sabe, serão novamente redireccionados, deportados e alocados em novas terras do espaço, onde, um dia, contarão a história do paraíso perdido e da morada de deuses e homens.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 29, 2017 10:14 am

A LUA REFLECTIA OS RAIOS do Sol enquanto era observada por um homem num recanto qualquer de Tiamat.
Ele se perguntava sobre aquela imagem luminosa que via durante muitas noites, ora redonda, ora em outros formatos.
Ele não sabia, mas o lado do satélite que lhe era invisível apresentava uma vida palpitante, que atestava a actuação de forças do universo dificilmente compreendidas pelos mortais que habitavam a superfície do planeta.
Do lado oculto do satélite natural, de onde se avistavam nuvens e algumas formações geológicas, Tiamat era visto apenas parcialmente, em formato análogo àquele que a lua nova apresenta para o observador terreno.
A Lua, elemento outrora capturado do espaço inter-mundos pelo magnetismo e pela gravidade do planeta, milénios depois, formaria o sistema Terra-Lua, o qual algum astronauta, aproximando-se, poderia ver como dois planetas irmãos.
Desde eras remotas, esse satélite serve de base às inteligências extrafísicas que ajudam a administrar os destinos de Tiamat.
Além disso, constitui um ponto estratégico que facilita o trânsito de outras inteligências extraterrestres — que estejam na posse do corpo físico, ainda que de natureza subtil — até a Terra ou desta rumo ao espaço sideral, como uma espécie de trampolim.
Sempre foi a Lua o mais importante ponto de apoio, em diversas ocasiões, no contacto com seres de outros mundos, desde a época em que vieram os eloins, a casta considerada sagrada entre os annunakis, em processo de degredo.
Suas missões: aprimorar as condições de vida, modificar as estruturas da raça nascente e fazer prosperar e crescer uma nova civilização na superfície do planeta.
Mesmo antes dessas épocas remotas, milhares de anos antes de Tiamat haver sido descoberto e catalogado nos mapas estelares de certos povos da galáxia, o orbe fora visitado pelos antigos. Os semeadores de vida, aqueles que levaram aos oceanos do planeta as sementes, as moléculas de vida, deixaram nos seres do novo mundo a marca ou a memória energética que ainda hoje está impressa na estrutura do DNA.
Todos trazem essa marca; todo ser humano tem em si inscrito o selo da humanidade que provêm das estrelas.
Os semeadores testemunharam o nascer dos hominídeos, seres ainda infantis na escala do progresso, mas com potencial para desenvolver as faculdades anímicas e espirituais que caracterizariam o novo tipo humano que emergiria ao longo dos séculos vindouros.
Assim como em algum dia vieram, nas noites perdidas no tempo, partiram.
Foram-se sem deixar vestígios; aliás, seus vestígios até hoje não foram descobertos pela humanidade moderna deste início de terceiro milénio — pelo menos não ainda.
Rastros dos pioneiros, entretanto, persistem soterrados sob milhares de toneladas de gelo; seus monumentos fabulosos permanecem enterrados nos polos do planeta, como a atestar às gerações vindouras, quando atingirem a maturidade, que sua origem está nas estrelas.
E será às estrelas que irão em algum dia, quando estiverem preparadas para respeitar a morada planetária que habitam.
A Lua, a irmã sideral da Terra, guarda lá seus enigmas.
Muitos deles, conhecidos, embora não inteiramente compreendidos por uma elite de cientistas e representantes do novo homem a qual se julga no direito de esconder certas verdades.
Considerando-se apenas a parte física do satélite lunar, erguem-se monumentos e laboratórios, alguns, observados e registados nas proximidades das diversas crateras da face oculta, embora ainda não admitidos oficialmente.
Construcções abandonadas há milénios atestam, em muitas partes da Via Láctea, a presença dos pioneiros, os semeadores de vida.
Somente o futuro será capaz de ditar o momento oportuno em que as evidências de tais edificações serão levadas a público, de maneira a despertar a atenção dos filhos da Terra para sua procedência divina, sua origem cósmica.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 29, 2017 10:14 am

Enquanto isso, na parte etérica e astral da Lua, actividade incessante se desenrola, oculta aos olhares dos homens que habitam a superfície do planeta, o qual se vê brilhando como uma pérola azul, logo abaixo do firmamento lunar.
Ocupados com conflitos intestinos e guerras insalubres, com querelas de ordem pessoal, disputas de poder e manipulações mentais e emocionais, os humanos desconhecem o que se passa, mesmo quando ocasionalmente observam, acima de suas cabeças, o brilho reflectido pelo astro.
Há muito que o romantismo associado à Lua deixou de preencher espíritos e convidar olhos mortais à contemplação; estes a fitam vez ou outra, de longe.
Não obstante, um mistério ainda a envolve; um véu imaginário permanece ocultando sua verdadeira realidade.
Por detrás do limiar sensível que separa os mundos ou os universos, que convivem em dimensões paralelas, há vida, há actividade, há seres, humanos e não humanos, humanóides e de outras raças; há seres espirituais, energéticos, etéricos e materiais — embora segundo um conceito de materialidade mais amplo do que aquele acanhadamente estabelecido pelos homens a partir de sua morada terrena.
Descendo mais de 10 andares no subsolo lunar, entre rochas, dimensões e percepções, ali se encontra uma importante base dos guardiões, incrustada nos fluidos mais ou menos materiais, mais ou menos subtis, mais ou menos etéricos.
Vigoram ali certas leis da física que desafiariam os mais experientes cientistas do planeta.
Leis talvez desconhecidas fazem com que elementos de natureza distinta convivam num mesmo espaço dimensional, sem se anularem, sem se autodestruírem, demonstrando, aos olhos atentos de quem estuda a ciência universal, que a vida além da Terra guarda intricados processos, progressos e tecnologia, que permanecem — e por muito tempo permanecerão — inexplorados pelos mais brilhantes habitantes da Crosta.
— Levante, Raul!
Acorde para a vida fora da matéria.
O homem mexia-se lentamente, ora para um lado, ora para outro, como se o corpo físico fosse para ele apenas uma referência necessária para apoiar-se e alçar voo rumo a novas fronteiras, a novas ideias e a um universo diferente daquele em que se movimentava com seu escafandro denominado corpo físico.
Sentia-se como numa rede, balançando-se de um lado para outro.
A impressão ocasionada pelo cérebro físico, o qual ameaçava afrouxar em alguma medida os laços que o prendiam à mente, era a de que estaria totalmente oco.
Um fenómeno largamente conhecido desde épocas da Antiguidade das civilizações humanas produzia-se no interior de si mesmo.
Sua mente assumia o controle completo da situação, de maneira que o corpo não poderia significar mais do que um instrumento, um amparo a partir do qual decolaria e voaria além de tudo aquilo que impressionava os sentidos humanos.
Para trás ficariam as dores, as lutas mundanas, as decepções emocionais e as tribulações da vida cotidiana.
O sujeito erguia-se meio preguiçoso, lento, até recobrar plenamente a consciência, que estava prestes a readquirir a maior parte de sua lucidez e suas habilidades.
Impulsionado pelo influxo do pensamento de um espírito mais experiente, porém tão humano e perfectível como ele próprio, o agente erguia-se sobre o próprio leito, observando o corpo deitado sobre a cama.
— Preparado para mais uma tarefa? — indagou o guardião ao seu lado, chamando a atenção para o trabalho que teriam pela frente.
— Vejo o corpo ali deitado e fico pensando...
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 29, 2017 10:15 am

— Não pense muito, rapaz, pois a nave dos guardiões o espera para algo mais interessante e estudos mais urgentes.
Não temos muito tempo.
Como que ignorando o amigo que o visitava e convidava ao trabalho, o homem retomou seus pensamentos:
“Graças a Deus que não sou esse corpo aí.
É incrível como as pessoas confundem a carcaça com a realidade e como, consequentemente, se decepcionam mais e mais ainda...”.
— Vamos, Raul!
Irmina e mais alguns amigos desdobrados nos aguardam mais além.
Temos pouco tempo para a próxima janela.
Raul voltou-se imediatamente para o amigo guardião e, olhando-o fixamente nos olhos, percebendo-lhe a seriedade, questionou:
— Meu Deus, homem!
Será que você não tem o mínimo de sensibilidade?
Será que não pode compartilhar comigo este momento especial?
Deus me livre de trabalhar assim como você.
Relaxe! Veja se descontrai um pouco...
O guardião permaneceu calado, e esse gesto, em si, já foi uma mensagem inarticulada.
Afinal, na outra dimensão, a além-física, também se pode comunicar através do pensamento.
Embora nem todos consigam tal proeza, para um guardião superior da categoria daquele que falava com o rapaz ali desdobrado, isso era absolutamente trivial.
Raul reagiu:
— Está bem, mal-humorado!
Eu vou, eu vou...
E onde está Irmina?
— Ela e os outros estão aguardando junto ao mar.
Iremos para lá em um aerobus convencional, mas lá precisaremos nos transferir a uma nave maior.
É urgente, eu garanto.
— Mal-humorado! — resmungou Raul, enquanto saía em direcção à rua.
De que adianta ser desencarnado, um ser de outra dimensão, se não tem nenhum senso de humor e nenhuma sensibilidade?
Adianta? Adianta?
Claro que não!...
Ambos se deslocaram até as proximidades onde o pequeno aerobus dos guardiões aguardava com mais dois outros espíritos.
Um deles, nitidamente preocupado com o que se passava consigo, via-se em meio a seres que antes nem imaginava existirem.
Assim que adentraram o ambiente, o guardião Kiev apresentou o novo integrante aos demais:
— Este é Zecharia, Raul!
— E aí, Zeca?
Como vai? — Raul tentou ser amigável, mas só conseguiu um olhar de reprovação do guardião.
Felizmente, o convidado não entendeu o vocabulário empregado por Raul.
Ele ficou quieto.
Olhando para o homem, que os encarava com um olhar bastante desconfiado, falou:
— Estes são Raul e Irmina, que irão connosco.
Piquem tranquilos, que tudo será rápido, e nossa viagem será prazerosa, pelo menos a viagem em si.
A observação de Kiev pareceu ter sido recebida pelos três de maneira mais intensa do que ele pôde supor.
A nova empreitada parecia um mistério.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 29, 2017 10:15 am

Kiev não dera nenhum sinal sobre o lugar aonde estariam indo.
Mas também, Irmina e Raul jamais perguntariam. Morreriam de curiosidade, mas não perguntariam.
— Não têm curiosidade em saber sobre nossa missão? — perguntou o guardião, tentando estabelecer uma comunicação mínima entre os participantes da excursão.
— Quanto a mim, não! — desta vez, era Raul quem estava mal-humorado.
— Nem a mim! — respondeu Irmina, como que compartilhando com Raul seu estado de espírito, embora Kiev soubesse que era apenas uma brincadeira de ambos.
Tentavam a todo custo esconder seus pensamentos para que não fossem percebidos pelo guardião.
— E quanto a você, caro Zecharia?
Deseja alguma explicação?
— Estou habituado com o inusitado, meu amigo.
Mas esses dois aqui ao lado talvez ultrapassem minha capacidade de absorver o incomum — apontou para Irmina e Raul, que fingiam não lhe dar ouvidos.
Sabiam disfarçar muito bem, ainda que estivessem o tempo todo atentos ao que ocorria e morrendo de curiosidade quanto ao destino da empreitada.
— São viventes desdobrados, não se preocupe!
Eles são parceiros nossos de longa data.
Não fazem mal a ninguém.
Irmina olhou para Kiev com um olhar de secreta discordância.
— Bem, pelo menos não fazem nenhum estrago que não tenha por trás um objectivo maior ou um planeamento mais elaborado para ajudar a humanidade.
Raul deu um riso discreto, e somente Irmina pôde captar o motivo daquela reacção.
Kiev procurava dissimular ao máximo o acentuado sotaque russo, mas, ao tentar, parecia mais caricatural.
Era um tipo de militar, um guardião superior, mas nunca conseguia ser hábil nos disfarces.
Soava estranho para todos ali.
Entrementes, chegaram ao local onde estava estacionada uma nave maior dos guardiões.
Havia outras pessoas ali, tais como os espíritos responsáveis pelo transporte, que demonstravam estar ocupados, indo de um lado para outro, com uma inquietação maior que o normal, o que talvez se devesse à presença de passageiros ilustres.
Pousaram ao lado da nave principal, que tinha mais ou menos 50m de diâmetro e um aspecto diferente do das demais com as quais Irmina e Raul estavam habituados.
Apresentava um formato quase esférico, ou melhor, ovalado, e contavam-se diversos compartimentos.
— Entremos logo, meus amigos.
Vocês são aguardados em nosso comando.
Irmina olhou novamente para Raul, como que a indagar aonde iriam. Havia um quê de mistério no ar.
Um guardião, na verdade, um técnico da nave, pediu de maneira enfática:
— Dirijam-se, por favor, ao compartimento de animação, onde serão conduzidos a um estágio de sono profundo para o salto.
— Salto? Sono profundo?
O que isso significa? — perguntou Irmina baixinho para seu amigo Raul.
— Você, Zecharia, queira acompanhar Dimitri.
Ele o conduzirá para junto dos demais.
Agora as coisas haviam ficado mesmo nebulosas para os agentes.
Como o tal Zecharia seria conduzido para outro ambiente enquanto eles ficariam trancafiados em algum lugar onde deveriam adormecer?
Dormir fora do corpo?
Que significava tudo aquilo?
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 29, 2017 10:15 am

Não tiveram tempo de externar sua desconfiança, nem ao menos de fazer perguntas.
Uma mão forte os arrancou de seus pensamentos e os levou até determinado compartimento da nave quase oval.
Ao que parecia, havia urgência por parte dos guardiões, que, no tempo disponível para esclarecer dúvidas, ficaram calados.
Com efeito, fazia-se necessário correr contra o tempo, mas Raul e Irmina não sabiam a respeito.
Apenas se deixaram conduzir para um ambiente totalmente diferente de outros aos quais estavam acostumados.
A sala era ampla.
Contava com muitos nichos — espécie de recipiente feito de vidro, cristal ou material semelhante —, cada qual, com aproximadamente 2m de altura e o,8om de largura.
Dentro deles, parecia haver um gás.
Na frente, eram ovalados, e viam-se tubos e fios que partiam de cima e de baixo dos receptáculos.
— Não se preocupem, amigos.
É um tipo de composto para vocês se preservarem durante o transporte.
Terão de ficar durante um pouco de tempo adormecidos, mas, logo depois, acordarão para participar connosco de uma reunião bastante interessante.
Irmina e Raul constataram que não havia nada a fazer no momento.
Confiaram no guardião que os assistia e se entregaram ao seu comando.
Adormeceram na câmara de preservação, como a chamara o agente superior.
Nem sequer viram a nave dos guardiões alçar voo, muito menos aonde ela se dirigia.
Quando acordaram, estavam num ambiente totalmente diferente.
Porque tiveram de ser preservados naquela câmara?
Não tinham resposta ainda, e, pelo que parecia, demoraria até que a obtivessem.
No entanto, foram tomados de perplexidade diante do que viram.
Diversas galerias, paredes cobertas com aparelhos de uma técnica que ignoravam e grupos de espíritos que iam e vinham, caminhando rapidamente, como se algo muito importante estivesse por acontecer.
Foi Watab, o guardião africano, quem os recebeu e os conduziu a partir de então:
— Venham, amigos.
Jamar espera por vocês e também por outros guardiões e agentes.
O lugar era imenso, uma espécie de laboratório de aspecto quase futurista, não fossem a disposição dos aparelhos e um ar retro, que dava uma aparência um tanto diferente a tudo.
Era definitivamente uma base dos guardiões, mas onde?
Irmina e Raul não tinham nenhuma indicação a respeito.
Olharam para todos os lados, mas não conseguiram divisar nada que pudesse lhes dar uma pista da localização daquele que mais parecia um laboratório de experiências extrafísicas.
Aparelhos diversos distribuíam-se em painéis à sua frente; cadeiras de formato anatómico espalhavam-se por todos os lados, embora de modo sutilmente organizado.
Decerto o ambiente havia sido preparado para algo incomum, algum acontecimento.
Olhando para cima, Raul apontou, chamando a atenção de Irmina:
— Olhe, mulher!
Veja aquelas galerias.
Que coisa mais estranha!...
Irmina olhou curiosa e pôde observar que havia gente por trás dos vidros, mas não se podia ver com clareza de quem se tratava.
— Olhe, Raul.
Ali... — apontou para determinada direcção, a outra galeria, diferente das demais, mas ainda ao lado destas.
Percebiam-se vultos atrás das imensas janelas de puro cristal.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 29, 2017 10:15 am

Mas eram vultos disformes; parecia que a silhueta das pessoas se movia em câmara lenta, e seu aspecto, em meio aos gases que enchiam o local vizinho, era algo incomum.
Raul e Irmina foram chamados a se acomodar em duas cadeiras mais afastadas, em torno das quais um anteparo energético os envolveria numa redoma de vibração superior.
Todavia, esse campo de força não cercearia seus movimentos nem impediria que entrassem em relação com as demais pessoas no ambiente.
Jamar assumiu seu lugar numa cadeira, juntamente com Anton, o guardião superior.
Um a um, entraram e instalaram-se os visitantes e os convidados.
A maioria Raul e Irmina não conheciam, contudo, puderam divisar as figuras de Ranieri,
Júlio Verne, Dante12 e o estranho que lhes fora apresentado com o nome de Zecharia, além de mim e alguns outros aos quais fomos apresentados.
Embora se comportasse como um militar da mais alta patente, Watab não deixava de lado seu faro felino; parecia estar com as antenas psíquicas projectadas em todas as direcções, atentas ao mais leve sinal de perigo.
Um grupo de cinco guardiões estava de prontidão na sala, toda ela, envolvida em campos de força potentíssimos.
Jamar tomou a palavra diante de todos:
— Meus amigos, vocês foram convidados a este experimento porque de alguma forma contribuíram para o desfecho de uma história milenar.
Refiro-me à história dos dragões e dos que vieram para a Terra em tempos imemoriais.
O que virilha logo em seguida nos deixou ao mesmo tempo perplexos e satisfeitos, devido à curiosidade aguçada que era perceptível no ambiente.
— Como bem sabem, em alguns lances do nosso combate contra as forças do abismo, vários espectros, seres que servem directamente aos daimons, capitularam e pediram abrigo aos guardiões.
Dentre eles, alguns poucos ofereceram-se, oportunamente, para compartilhar suas memórias connosco, de maneira que pudéssemos incrementar nossa visão acerca do grande xadrez cósmico e, quem sabe, compreender melhor certos pormenores dos lances que determinaram o degredo de um dos primeiros povos a ser deportado para a Terra.
Recentemente, nossos técnicos em psicologia extrafísica e exoplanetária conseguiram chegar a um estágio bastante avançado no que concerne a recuperar as lembranças de um dos mais representativos e antigos chefes de legião dos ditadores.
Eis que os chamamos para, juntos, assistirmos à história de um povo, ao nascimento de nossa civilização, dentre outros elementos compartilhados pelo espectro, que logo adentrará o ambiente.
Raul e Irmina se entreolharam, agradecidos e, ao mesmo tempo, cheios de curiosidade quanto ao que viria em seguida.
— Convidamos especialmente alguns cientistas que, na última residência física, contribuíram muitíssimo com novas descobertas, as quais em breve poderão ser mais apreciadas e valorizadas pelos irmãos encarnados.
Um deles é o amigo Zecharia, profundo conhecedor de línguas antigas, desde o hebraico até as línguas semíticas.
Logo após sua chegada à nossa dimensão, demonstrou supremo interesse em confirmar os estudos que desenvolvera e procurou aprofundar-se na arqueologia espiritual e energética.
Pelo conjunto de seu trabalho, julgamos que seja uma das personalidades mais capacitadas a avaliar o resultado de nossos experimentos com o espectro.
Albert, renomado pesquisador da ciência universal — como prefere ser chamado —, é outro convidado, grande conhecedor de nosso sistema de trabalho.
Acreditamos que também nos poderá auxiliar, e brevemente vocês entenderão porquê.
Enquanto Jamar apresentava um a um, Raul abaixou-se na poltrona e cochichou com Irmina:
— Meu Deus, mulher!
Somos gafanhotos perto dessa gente aqui.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 29, 2017 10:15 am

Estou sem graça; nem sei como me comportar...
— Ora, Raul, deixe de ser tão besta assim; parece que está acometido da síndrome de U... — Irmina evitou pronunciar a palavra completa, pois sabia que Raul a compreenderia.
— Como você se sente diante de tanta gente graúda?
— Poderosa, lindíssima! Maravilhosa, insubstituível!
— Você não presta mesmo!
— É, mas, como você sempre me diz...
— Sem mim, nada podeis fazer! — e não aguentaram, dando uma risada simultaneamente.
Por um instante, Jamar interrompeu a apresentação e olhou na direcção de ambos, sabendo muito bem o que pensavam e conversavam.
Eles entenderam o gesto firme do guardião.
Anton evitou encará-los. Sem que pudessem prever, Jamar apontou os dois e disse:
— Estes são nossos agentes ainda na posse de corpos físicos.
Na verdade, são parceiros nossos, juntamente com outros tantos espalhados pelo mundo.
Irmina e Raul não esperavam por essa.
Ficaram vermelhos de vergonha, pois não imaginavam ser introduzidos directamente pelo guardião superior.
Engoliram em seco.
Jamar percebeu o constrangimento de ambos e deu um sorriso meio forçado.
— São nossos colaboradores e nunca fugiram do confronto em favor dos ideais da nova humanidade.
Abdicam de sua vida privada e familiar, enfrentam batalhas desafiadoras e se entregam de tal forma às lutas pela transformação do planeta que se expuseram não apenas a críticas e tentativas de frustrar seu trabalho, mas a ameaças à sua própria integridade física em função de sua dedicação.
Convidei-os pessoalmente, como reconhecimento à sua dedicação incondicional.
Raul e Irmina choraram.
Não puderam conter as lágrimas, apesar da vergonha que sentiam, pois sabiam que não passavam de simples colaboradores, sobretudo em meio à elite ali reunida.
Era nítido que Jamar falara de coração e que sua amizade e seu reconhecimento eram genuínos.
Diante de tantas personalidades tão capacitadas, silenciaram, sem que soubessem como se portar.
Raul olhou para Irmina, e ela entendeu o jeito esquivo do amigo.
Quedaram-se em silêncio.
Após vários comentários a respeito dos convidados e dos participantes do experimento, Watab tomou a palavra:
— Espero que todos se sintam à vontade em nosso meio.
Temos à disposição projectores holográficos que estarão ligados directamente à mente do espectro.
Trata-se de uma tecnologia cedida por amigos que logo conhecerão.
Tudo que o espectro rememorar será projectado em tomo de vocês, em todos os ângulos possíveis.
Caso encontrem dificuldade em visualizar as projecções, poderão se conectar a um dispositivo ao lado da poltrona de vocês, e, assim, elas serão transferidas directamente à mente de cada um, evitando-se o esforço para absorver os detalhes através de imagens puramente externas.
Ângelo Inácio é nosso repórter, no sentido de que irá compilar as informações e dar-lhes escopo compreensível, num formato mais ou menos linear, caso seja possível.
Watab parou por algum tempo, deixando que os convidados se movimentassem e se familiarizassem com os equipamentos de transmissão e projecção holográfica.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 29, 2017 10:16 am

Em seguida, continuou:
— Pedimos uma atenção especial por parte de nossos cientistas convidados e da equipe técnica, pois não sabemos exactamente quais serão as reacções do espectro diante do mergulho no próprio passado.
Recomenda-se toda a cautela, mas não queremos perder essa oportunidade.
Sabemos que muito foi escrito sobre o assunto, e pesquisadores sérios debruçaram-se em investigações de diversas fontes ao redor do mundo.
Ainda assim, estamos diante de uma chance extraordinária:
presenciar o depoimento de alguém que foi ele mesmo um dos que vivenciaram o degredo; apreender impressões directamente da fonte — suas memórias pessoais — sobre aqueles tempos que marcaram o início de nossa caminhada no solo planetário. Ademais, o próprio sujeito que compartilha as lembranças o faz sem nenhum tipo de coacção mental ou moral; pelo contrário, ofereceu-se voluntariamente.
Decerto, conheceremos pormenores que nos permitirão, aliando outros elementos de que já dispomos, preencher lacunas a fim de esclarecer o xadrez cósmico e muitos lances de nossa história, da história de um mundo e de vários mundos.
A respiração de todos estava ofegante, e não terminava ali a surpresa.
Anton levantou-se logo em seguida, depois de reverente silêncio, e disse poucas palavras:
— Quero agora convidar alguns amigos que, desde algum tempo, têm diligentemente contribuído com a organização de guardiões da humanidade — visivelmente emocionado, apontou para determinada direcção, onde se abriu um portal na estrutura do lugar.
Aqui, na Lua, estabeleceu-se há bastante tempo um grupo de amigos das estrelas, seres de outros mundos que nos auxiliam no processo de transmigração.
Raul olhou Irmina boquiaberto, e ninguém conseguiria dizer qual dos dois estava mais comovido.
Zecharia Sitchin levantou-se num salto, quase chorando ao ouvir Anton anunciar, a um só tempo, que estavam no satélite lunar e ainda receberiam visitantes do espaço.
Soluçava baixinho, embargando a voz.
Raul não se conteve e deixou as lágrimas caírem.
Concomitantemente a isso, o portal do quartel-general dos guardiões abriu-se e entraram seres de diferentes aspectos.
Três deles eram muito altos; mediam algo em torno de 3m.
Com olhos vivos, como pérolas negras, embora de aparência inconstante; quem os observasse veria cores se misturando, modificando-se de tempos em tempos.
A cabeça chamava a atenção:
embora de formato cónico, o rosto em si era perfeitamente humano, com leves características próprias de sua raça.
Dois outros tinham feição semelhante, porém, diferiam na estatura.
De peles alvíssimas, eram mais altos do que o ser humano comum, tendo entre 2m e 2,10m de altura cada.
Também chamava a atenção o formato de cone sobre as cabeças.
Marcas na face remetiam a algum tipo de mutação que talvez tivessem experimentado, segundo me pareceu.
Quase deslizavam sobre o chão do local onde nos encontrávamos, em movimentos que, para nós, os humanos, talvez lembrassem o bailar de pássaros.
A boca não diferia consideravelmente da boca do homem terráqueo.
Braços e membros inferiores longilíneos exibiam uma elegância que causaria inveja aos exemplares mais belos da raça humana actual.
Com efeito, havia algo de muito humano neles.
Ou éramos nós que nos parecíamos com eles?
Não saberia dizer.
De qualquer maneira, a conformação externa dos representantes daquela raça, os de tamanho menor, denotava densidade maior em relação aos três anteriores; quase pareciam encarnados.
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Ave sem Ninho

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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 29, 2017 10:16 am

Será que poderiam ser?
Se assim fosse, por que a diferença tão marcante entre seres da mesma espécie?
Uns, de formato energético, etérico ou espiritual tão delicado e menos denso, e outros, tão belos quanto os primeiros, porém, menores e com densidade molecular claramente maior.
Não sei se estava preparado para saber a resposta nem mesmo se procurava por respostas.
Apenas constatava os fatos, anotando tudo.
— Estes são nossos amigos da espécie Homo capensis.
Também são conhecidos como annunakis.
Espécie capensis; raça dos annunakis!
Era demais para a maioria de nós.
Zecharia teve uma vertigem e precisou ser auxiliado por Kiev, que se mantivera, até então, quieto em seu lugar, sem se pronunciar.
O guardião segurou-o pelos braços e o conduziu à poltrona de onde se levantara.
Ele tremia todo. Kiev tocou-lhe a cabeça suavemente, realizando uma transfusão magnética, porém, não logrou estancar-lhe as lágrimas.
Somente aos poucos, Zecharia aquietou-se, porém, continuava com seu espírito sobressaltado, abalado.
Tivera ali uma das maiores provas, jamais revelada após décadas e décadas de estudos.
Deparara-se com os mesmos elementos que pesquisara ao longo de sua vida; estava frente a frente com eles, sobre os quais havia falado em inúmeros seminários pelo mundo.
Nunca esperaria encontrar aqueles seres pessoalmente.
Jamar olhou para ele e sorriu discretamente.
Logo depois, entraram seres bem diferentes.
Eram menores, bem menores, com mais ou menos de 1,50m a i,6om de altura, porém, tinham também traços humanóides.
Com cabeças mais proeminentes, vestiam-se com um traje tão delicado e de um tecido tão finíssimo que se confundia com a própria pele.
Era como se o traje pudesse protegê-los de alguma influência externa.
Mãos graciosas, embora com formato bem diferente, como se os dedos fossem unidos por uma cartilagem, aparentando haver menos dedos do que na mão humana.
Os corpos eram mais densos, porém menores, delicados, embora firmes, sugerindo uma maleabilidade extraordinária e uma força desproporcional à delicadeza de suas formas.
Olhos protuberantes, de uma negritude belíssima; ligeiramente puxados, recordavam de maneira muito distante o tipo oriental terrestre.
O olhar era muito humano, e os olhos estavam proporcionalmente esculpidos no crânio avantajado.
Cabeça completamente calva, embora, em uma observação atenta, pudesse se notar uma penugem bem suave, que poderia passar despercebida à pessoa comum.
Outros seres adentraram o mesmo ambiente.
Entre eles, dois enormes, verdadeiros gigantes.
Sem dúvida, representavam o povo dos espectros, fosse de que parte do universo viessem.
Sua aparência poderia inspirar medo caso não estivessem ali a convite dos guardiões.
Com certeza, os dois eram antigos representantes dos daimons, ou dragões.
Com cabelos brancos, eram totalmente albinos.
Na verdade, pareciam sem cor; a palidez só era comparável à de pessoas acometidas de agressiva enfermidade e submetidas a prolongado tratamento de saúde.
Perdera-se o viço da pele, que era estranhamente opaca.
Caminhavam de modo totalmente diferente dos demais.
Embora conservassem aparência humanóide, apresentavam-se como seres bem materiais, pois a densidade de sua pele, de seus corpos energéticos, lembrava o aspecto de antigos guerreiros.
Não demonstravam nenhum tipo de elegância.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 29, 2017 10:16 am

Ao contrário, davam a entender que, para eles, esse quesito não era importante.
Seus olhos esbranquiçados tinham traços de cor lilás e rajadas vermelhas.
Chamaram-me especialmente a atenção os dentes:
pareciam quebrados ou, quem sabe, seria essa uma característica da espécie.
Eram como pontas que pareciam sobressair amarelecidas de suas bocas, com um hálito diferente, quase incómodo.
Vestiam-se com trajes que, ante os demais, pareciam bizarros.
Lembravam roupas de couro misturadas a algum tecido grosso, mas de tal forma arranjadas sobre seus corpos que o único paralelo seriam as vestimentas de guerreiros primitivos de antigas lendas.
Enfim, eram o oposto dos demais.
Lá em cima — Jamar apontou as galerias logo no alto, o mesmo lugar para onde Irmina e Raul olharam ao chegarem — estão cientistas de outras raças, raças que não respiram o mesmo tipo de ar comum à Terra e aos mundos de onde vêm estes nossos amigos.
Todos os nossos convidados já passaram por processos de reurbanização em seus orbes, em épocas que, para nós, remontam à eternidade.
Alguns deles, mais de uma vez no mesmo mundo.
Estão aqui a fim de ouvir e ver os relatos do espectro que se ofereceu para colaborar connosco.
Como não queremos prolongar muito mais nosso tempo, passaremos aos experimentos extra-físicos, às memórias do nosso novo colaborador.
Mais tarde, os amigos do espaço estarão à disposição para eventuais perguntas e, quem sabe, informações mais pormenorizadas.
Jamar se dirigiu ao local onde estava o técnico, enquanto, de perfil, deu um sinal a Raul e Irmina.
Eles entenderam que não poderiam se aproximar.
Mesmo assim, conhecendo seu amigo Raul, Jamar pediu mentalmente a Kiev que colocasse dois ou três guardiões de prontidão ao lado dos dois.
De maneira nenhuma poderiam se expor vibratoriamente aos espectros, a despeito de estes terem se oferecido para colaborar em troca da preservação da memória de seu povo e sua história.
Todas as medidas possíveis foram tomadas, uma vez que se conhecia muito bem a natureza daqueles seres que, no passado, foram expatriados para a Terra.
O nome das criaturas era impronunciável.
Seu povo havia descoberto a navegação espacial muito antes de os hominídeos da Terra aprenderem a manipular o fogo.
Porém, devido ao tipo sombrio, à sua característica bélica e guerreira, aos poucos, foram se degenerando, até perderem por completo o conhecimento.
Por haverem migrado por diversas vezes a diferentes mundos da periferia da Via Láctea, desenvolveram especial capacidade de adaptar-se a ambientes hostis.
O que significaria isso
em sua totalidade somente com o tempo saberíamos, depois de muita conversa com os representantes do império desumano dos daimons.
Dois técnicos acomodaram um dos espectros na poltrona, enquanto, sobre ele, descia um tipo de capacete que se conectava com o biocomputador dos guardiões.
Tratava-se de um equipamento aperfeiçoado até por amigos de outros mundos.
Nele armazenavam-se informações que seriam cruzadas em tempo real com os demais arquivos no banco de dados e que, em velocidade ultraluz, seriam transmitidas a bases localizadas em pontos estratégicos por todo o planeta.
Grande número de espíritos interessados estava a postos nesses centros dos guardiões superiores, à espera do que viria a ocorrer.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 29, 2017 10:16 am

Passados cinco minutos de preparo, com todos sentados em suas poltronas anatómicas e devidamente conectados aos aparelhos de transmissão e recepção de ondas mentais, teve início o mergulho no passado.
Todo o processo era diferente do que ocorrera com Jamar em outra ocasião, quando mergulhou em lembranças do passado de um dos filhos das estrelas.13
Muitos sons, imagens, paisagens e personagens desfilaram nas telas mentais da fera que se deitara sobre a poltrona.
As chamadas feras nada mais eram do que seres de uma espécie tão primitiva e com uma índole tão guerreira, animalesca, que desconheciam os conceitos de civilidade mais básicos, comuns à maior parte dos povos do universo.
Não obstante, sua natureza era a de vampiros energéticos.
Não se sabia, até aquele momento, o que determinara tal característica, mas se estava a caminho de descobrir.
Os representantes dessa raça primitiva ali presentes haviam se rendido depois da derrocada do número 2 dos daimons.14
Queriam a todo custo manter viva na memória a história de seu povo, pois, segundo falaram — e era a mais pura verdade —, para destruir um povo, basta destruir sua história.
Os guardiões ofereceram ajuda, comprometendo-se a manter em segurança os registos de toda a história dessa legião de seres.
Quem sabe algum dia pudessem ser reconduzidos a seus mundos originais?
Na Terra, seu tempo havia passado; lá, não teriam como reencarnar.
Seu destino inescapável era serem uma vez mais expatriados, como os próprios dragões, rumo a mundos os mais primitivos.
Reconheciam plenamente esse facto e, não obstante, ofereceram suas lembranças, arquivadas desde os tempos do degredo que lhes trouxera à antiga terra de Tiamat.
Afinal, como os mais leais servidores dos maiorais, detinham informações em sua memória espiritual que, por certo, seriam úteis àqueles que defendiam os ideais do Cordeiro.
O degredo fora meticulosamente recordado pelo ser medonho.
As imagens, desde o momento em que os annunakis chegaram às bordas do Sistema Solar, foram compartilhadas com riqueza de detalhes — embora ele não tivesse vivenciado, pessoalmente, todos os episódios.
Depois, cenas da destruição do quinto planeta, então habitado por bilhões de seres, os quais perderam suas vidas enquanto assistiam à derrocada de sua civilização e ao colapso de seu orbe original para sempre.
Não ficariam abandonados no espaço nem no tempo, evidentemente, mas seriam absorvidos em mundos diferentes e no próprio alvorecer da Terra, quando muitos para cá vieram.
As imagens se revezavam uma a uma, porém, havia hiatos, e a história parecia não fazer sentido à primeira vista.
Teríamos de juntar as peças, pois o relato era exibido de maneira não linear, isto é, não obedecia necessariamente à ordem cronológica.
Havia lacunas, mas, pelo que fora exposto, muito ficou esclarecido quanto ao surgimento da vida nos primórdios de Tiamat.
Intrigas políticas, manipulações genéticas, guerra entre famílias siderais, disputa entre irmãos e uma verdadeira saga dos seres do espaço até que se estabelecessem definitivamente na Terra.
Com o passar dos séculos, muitos deles se miscigenaram com a raça autóctone, a ponto de, na actualidade, diversos povos conviverem sob o tecto da mesma morada sideral sem que se saiba quem é da Terra ou não.
Afinal de contas, a origem não importa, desde que todos estejam dispostos a aprender, corrigir-se e reeducar-se.
Conhecer elementos da história do planeta é algo que enriquece bastante e ilumina vários aspectos do grande conflito a que se assiste na Crosta, tanto quanto dos eventos que marcam as civilizações extrafísicas, os seres que vivem e convivem nas outras dimensões da vida.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 30, 2017 9:30 am

Chega-se a um denominador comum quando se percebem as artimanhas das trevas, os jogos de força e domínio entre os habitantes mais perspicazes e perigosos do submundo.
Em suma, a história dos espíritos da Terra se entrelaça nos milénios sem fim à história dos filhos das estrelas.
Entendem-se, a partir de então, personagens tão enigmáticos quanto Melquisedec, Noé, Enoque, Aquenáton15, entre outros.
Mediante o conhecimento compartilhado por indivíduos que viveram os primeiros momentos do degredo cósmico rumo à Terra, pode-se vislumbrar o que nos aguarda em um futuro bem próximo.
Como resta evidente, o que vem transcrito nestas páginas não é tudo; está bem longe de sê-lo.
A história dos nephilins e da origem da civilização terrena pode ser bem mais detalhada e o será, no momento oportuno.
Neste ensaio, em vez de simples respostas, levantam-se inúmeras perguntas.
Somente uma mente aberta, como a de um livre pensador, conseguirá aprofundar o histórico da vida terrestre e dos espíritos que formam a Terra.
Quando terminou a primeira parte das recordações arquivadas no cérebro extrafísico do espectro, ele acordou — exausto.
Ao que indicava, o mergulho no passado, induzido pelos guardiões e os técnicos sob o império da vontade do espírito voluntário, provocara-lhe severa descompensação energética.
Ele abriu os olhos uivando e chorando.
Lágrimas de comoção genuína, de desespero e, ao mesmo tempo, de saudade desciam-lhe a foce macilenta.
O outro ser da mesma espécie achegou-se a ele e o repreendeu bruscamente.
Para eles, demonstrar emoções era sinónimo de fraqueza.
Para nós, de sensibilidade, ao menos naquele caso.
Era um sinal de que o antigo comandante de legião, uma das potestades que abandonara seu trono, seu poderio, estava em vias de mudar intimamente.
Ele não conseguia reprimir o remorso, a dor emocional, o arrependimento.
Derramara-se por inteiro ali, à frente de todos, numa demonstração inequívoca de que algo estava em curso em seu interior.
Como não podia deixar de ser, isso foi levado em conta pelos guardiões ao analisarem aquele caso em particular.
Apesar dos avanços e de tudo o mais, restavam muitas dúvidas a serem esclarecidas e lacunas a serem preenchidas.
Terminada a primeira parte do experimento, Jamar tomou a palavra:
— Por enquanto, senhores e amigos, queremos deixá-los à vontade em nosso ambiente na Lua terrestre.
A não ser que nossos amigos viventes sintam necessidade urgente, todos poderão permanecer aqui por mais um tempo, e, quem sabe, nossos amigos do espaço poderão auxiliá-los com algumas observações.
Não seria fácil a conversa com seres de formação cultural tão distinta, contudo, eles já estavam há bastante tempo no satélite natural, interagindo com os guardiões.
Também estiveram, desde o início de nossa história, em contacto com a humanidade terrena, de modo que nos conheciam bastante bem, muito melhor do que nós a eles, sem dúvida.
Um burburinho se fez entre nós, os participantes daquela experiência.
Jamar e Anton nos observavam de longe, deixando-nos a sós com os visitantes do espaço.
Antes, havia feito um convite especial a Zecharia para dirigir-se a outro compartimento, juntamente com Albert e Júlio Verne, onde poderia usufruir mais tranquilamente da presença de um dos annunakis.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 30, 2017 9:30 am

Certamente, teria muitas perguntas a formular e, ali, ainda estava sob o impacto dos acontecimentos.
Seu espírito se mantinha abalado, embora gozasse de um nível de satisfação incompreensível para nós.
Jamar o acompanharia; levaria também os espectros, para, mais tarde, em outra ocasião, trazê-los de volta.
Os demais visitantes do espaço permaneceram no ambiente, e todos se reuniram em torno deles.
Watab colocou ordem nos acontecimentos, sugerindo uma espécie de entrevista a fim de favorecer a comunicação precisa e satisfatória connosco, tanto dos annunakis quanto dos demais visitantes.
Fiquei incumbido de seleccionar as perguntas, enquanto os membros das comitivas do espaço se instalaram numa espécie de palco improvisado no centro do salão onde nos encontrávamos, suficientemente afastados dos instrumentos que tinham sido ligados ao espectro.
Raul e Irmina ficaram mais à vontade assim que os espectros foram retirados do ambiente.
Kiev relaxou a guarda em torno de ambos, deixando-os mais livres.
Raul chorava copiosamente.
Quando se aproximou de um dos seres do espaço, pareceu que havia entrado numa espécie de transe, de tal intensidade que não conseguimos tirá-lo imediatamente daquele estado.
Não podíamos avaliar suas emoções.
Watab fez sinal para que respeitássemos seu momento.
Irmina foi solidária e ficou o tempo todo ao lado do amigo, amparando-o.
Deve estar sob intenso choque — comentei com Watab.
— Deixemos nosso amigo.
Depois você saberá o que se passou.
Por ora, vamos concentrar nossas atenções nos amigos das estrelas.
Depois de certo tempo organizando e compilando as perguntas dos presentes juntamente com Ranieri, Watab deu-me autorização para formulá-las.
Mal sabia como começar, pois a situação era inusitada.
Havia muitas emoções no ar, principalmente depois de termos ouvido e visto tudo o que o espectro partilhara.
Não restava dúvida de que era muita informação para um período tão diminuto. Um dos capensis se retirara, a convite de Jamar, para confabular com Zecharia.
Os demais ficaram, à excepção dos espectros.
Queria externar nossa profunda simpatia e nosso mais profundo respeito e consideração pelos visitantes do espaço.
Embora os guardiões já tenham contacto com vocês há muito tempo, um encontro pessoal como esse somente foi possível agora. Sentimo-nos honrados em poder compartilhar este momento, o qual devemos ao convite do caríssimo Jamar.
Os seres, embora de povos diferentes, olharam para nós de maneira tão tranquila e serena que quase detonaram emoções mais vibrantes, e, por pouco, não conseguiríamos deter as lágrimas que ameaçavam cair em nossa face.
Aliás, todos se sentiam assim.
Os visitantes pareciam esboçar um sorriso.
Um deles falou-nos, tentando ao máximo usar termos de nosso vocabulário e expressões que fizessem sentido para nós:
— Bem-aventurados todos, irmãos da Terra.
Para nós, é um momento importante este, no qual podemos afinar nossos pensamentos de maneira a nos compreendermos mutuamente.
Trémulo, aproximei-me, dominado pela emoção.
Respirei profundamente, e, apesar disso, as palavras saíram de minha boca de modo a traduzir meu estado emocional.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 30, 2017 9:30 am

Mesmo que antes tivesse tido alguma experiência em evento semelhante, a comoção era inevitável.
Naquele momento, eu também era médium dos demais espíritos, pois traduzia seus pensamentos:
— Temos inúmeras perguntas a serem feitas, mas compreendemos a urgência das actividades e, por isso mesmo, procuramos condensá-las e seleccioná-las, tendo em vista o que acabamos de presenciar no que tange às projecções sobre o degredo. Notamos que vocês apresentam aparência diferente.
Embora da mesma espécie, a qual denominam de Homo capensis, uns têm estatura maior, outros apresentam-se menores e, ainda assim, não condizem com a altura mediana da humanidade terrena.
Poderiam nos dar uma explicação para esse facto?
Os seres se entreolharam; um gentilmente esperando que o outro pudesse falar, mas um de estatura menor apresentou-se, auxiliando-nos em nossas dúvidas:
— Os humanos desenvolveram, no planeta Terra, diversos traços que os distinguem de acordo com a etnia a que pertencem.
Vocês têm, por exemplo, os caucasianos, de epiderme clara; há os negros, predominantes no continente que denominam África; na porção oriental da Ásia, veem-se os chamados amarelos; dentre outros tipos comuns ao seu mundo, embora pertençam todos ao mesmo tronco humano.
Em nosso planeta, não ocorreu dessa forma a diferenciação entre os povos.
Ao longo do processo evolutivo, manifestaram-se variações em outras características.
Aspectos anatómicos, geográficos e linguísticos concorreram para o desenvolvimento dos nossos corpos.
Em linhas gerais, os de maior altura apresentam menor propensão ao exercício do que vocês classificariam como paranormalidade.
Os demais apresentam certas faculdades mais ou menos desenvolvidas.
A capacidade de dedicar-se de modo simultâneo a diferentes linhas de pensamento, que podem ser completamente independentes, é produto de um sub-cérebro que se aprimorou ao longo dos milénios de nosso tempo-padrão.
Tivemos mais dois tipos humanóides em nosso mundo, mas que, desde eras remotas, vêm apresentando um factor de inibição de suas faculdades psíquicas.
Hoje, são poucos entre nós os que pertencem a esse tipo curioso.
“Em nosso passado, na época em que os nossos conterrâneos vieram para Tiamat, ao qual vocês chamam Terra, havia muitas disputas entre as castas de nosso planeta.
Àquele tempo, os de estatura mais baixa, como eu, éramos considerados subdesenvolvidos, impressão agravada pelo facto de que nossos corpos também diferiam em termos de densidade.
Os corpos físicos de nosso planeta apresentam características diversas entre si.
Os nascidos de seres com corpos mais desenvolvidos, maiores em tamanho, apresentam um tipo de matéria que vocês, em seu mundo, classificariam como etérico, embora com ligeira diferença no grau de materialidade em relação à matéria etérica encontrada em seu mundo.
Ao longo de milénios, em nossas observações nos sistemas com os quais temos contacto mais estreito, notamos que a matéria bruta tem diversos graus de densidade.
A depender das leis físicas e hiperenergéticas ali reinantes, encontram-se diversos graus de materialidade entre os habitantes.
Isso ocorre em nosso planeta, talvez devido à excentricidade de sua órbita em tomo do Sol, como também à espécie de forças gravitacionais que reinam em nosso bioma.
Além disso, como a trajectória em tomo da estrela transcorre muitíssimo distante do astro principal, na maior parte do shar, ou ano solar, ficamos sujeitos
a certas radiações do espaço profundo.
Nosso planeta, em tudo, é muitíssimo diferente do seu mundo.
“Portanto, quando nossos conterrâneos foram expatriados para cá, havia essa segregação de castas.
Ainda hoje, persistem entre nós certas diferenças, porém, elas existem mais em termos de especialidade técnica e científica e menos na aparência externa.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 30, 2017 9:30 am

Vieram primeiro os seres do nosso povo que tinham corpos mais densos, análogos aos dos atuais habitantes de Tiamat.
Logo em seguida, vieram os de corpos mais subtis; embora materiais, de uma matéria menos densa.
Persistiram aqui as diferenças de classes e clãs, sendo que os de estatura menor inicialmente serviram como escravos àqueles de estatura maior, os quais foram considerados reis divinos nos albores de sua história.”
— Então vocês realmente vieram para nosso planeta em corpos físicos?
— Exactamente, senão não haveria como interagirmos num mundo de tal densidade material.
A matéria existe em diversos graus de densidade.
A matéria física, como a conhecem, existe em uma gradação incrível, e o mesmo ocorre com as matérias etérica e astral.
O que aconteceu foi que, com o passar dos milénios, aqueles que vieram em corpos físicos diferenciados, por assim dizer — ou seja, em corpos de matéria mais etérica, embora diferente daquela que vocês conhecem —, começaram a sofrer a acção da natureza do seu mundo.
Não há como permanecer tanto tempo imerso numa atmosfera tão densa, em meio a fluidos da categoria vista em Tiamat, sem absorver os elementos dispersos na atmosfera e no ambiente astralino.
Além disso, devido à radiação solar na intensidade incidida aqui e a determinadas energias derivadas, os corpos sofreram um tipo de mutação ao longo das gerações, à medida que o tempo foi passando. Aos corpos meramente etéricos, que, para nós, já denotam notável nível de materialidade, agregaram-se elementos dispersos na atmosfera.
Assistiu-se, como resultado, a um processo de gradual adensamento dos organismos, mesmo nas castas que os tinham mais subtis.
A matéria de ambos os mundos misturou-se gradativamente; logo os corpos materiais dos que aqui ficaram pouco diferiam, no tocante à densidade, daqueles aqui desenvolvidos a partir das experiências genéticas.
O que não sabemos é se esse fenómeno foi programado por alguma das consciências cósmicas, que determinam a evolução dos mundos e dos seres, ou se foi acidental.
Também não é claro se tudo foi parte de um processo natural ou de alguma interferência externa.
De qualquer maneira, o efeito foi irreversível para quem viveu naquelas épocas remotas.
Esse facto acabou pondo fim à disputa decorrente dos diferentes graus de materialidade, às diferenças na altura de nossos povos ou às diferenças no aspecto externo de nossos ancestrais.
Para os annunakis que vieram no degredo, isso ocasionou grande impacto, atenuando nuances sociais entre castas de seres.
Em relação aos terrestres, talvez nem tenham notado, pois, quando sua civilização chegou ao ponto de construir suas primeiras cidades-estado, as transformações já haviam acontecido, e, daí em diante, já não se viam tantas diferenças ou diferenças tão marcantes.
Essa assimilação da matéria planetária, algo incomum na história de nosso povo, ainda hoje intriga os cientistas de nossa raça.
Ainda não observamos em outro lugar nada parecido com o que ocorreu connosco aqui, em seu mundo.
Isso não significa que não haja outros eventos dessa espécie.
Pelo que nossos cientistas deduzem da história primitiva, há milhares de anos, seu mundo e outros no espaço, inclusive o nosso, receberam a visita de civilizações mais antigas e foram por elas influenciados.
Assim se promovem a disseminação da vida no universo e o natural surgimento e o aprimoramento de civilizações.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 30, 2017 9:31 am

Caso não houvesse ocorrido uma interferência de seres do espaço em seu mundo, provavelmente a Terra teria outro tipo de vida inteligente, diferente do actual tronco humano.
Foram as interferências genéticas que definiram o tipo actual.
Ao longo dos milénios, houve intervenções tanto na genética das formas de vida do planeta, com efeito até sobre as culturas, como se viu, quanto em eventos cósmicos, que provocaram mudanças significativas no campo electromagnético de seu mundo.
Tais alterações definiram novos parâmetros ambientais e, por conseguinte, afectaram até a estrutura etérica do planeta — positivamente, a nosso ver.
São esses eventos que transformaram Tiamat num imenso laboratório vivo da natureza, a qual respondeu com ainda maior número de mutações, o que acabou por influenciar a genética também dos seres que para cá vieram e foram compelidos a aqui permanecer pelos milénios sem fim.
Cada vez mais frágeis em sua estrutura fisio-etérica, os seres do nosso mundo e de outros que vieram logo depois acabaram por se adaptar ao ambiente novo, de sorte que seus corpos também sofreram várias mutações.
As radiações do Sol, combinadas a factores como estrutura atmosférica, assimilação de elementos da natureza terrestre e mudança da inclinação do eixo planetário — que deu origem a novas estruturas magnéticas e energéticas —, modificaram a composição genética dos seres conhecidos como annunakis.
De modo geral, isso não é relatado nas crónicas, nos relatos antigos, talvez por falta de vocabulário adequado.
Não obstante, tais transformações mais íntimas da matéria rarefeita e da matéria bruta ocorreram concomitantemente aos períodos de manipulação genética dos hominídeos.
Após as lutas iniciais por se estabelecerem no Mar da Lonjura, nas cidades construídas por nosso povo e, mais tarde, destruídas pela força da natureza, pelas geleiras das eras glaciais, os annunakis encontraram a criatura mais adequada para insuflar à nova programação
genética. Por meio da modificação e da alteração da estrutura original desses seres, surgiu no mundo o ser humano actual.
Enfim, ambos os povos, nós e a humanidade terrestre, acabamos por nos influenciar mutuamente, de maneira que, hoje, todos os humanos terráqueos trazem, impressa em seu DNA, a marca das estrelas, o código genético de irmãos do espaço.
— Desculpe-nos insistir sobre este tema, mas um dos seus nos deu algumas referências e gostaríamos de saber a visão de outro ser da mesma espécie a respeito do assunto.
Quando falam de consciências cósmicas, o que exactamente querem dizer?
— Falamos de super-consciências, de associações de seres que, em todos os momentos de sua história planetária, vocês nunca conheceram e de cuja existência nem ao menos desconfiam.
O que mais se aproxima dessa concepção de super-consciência a que nos referimos é o termo que empregam para definir o Cristo Cósmico.
Para nós, as super-consciências evoluíram durante eras infindáveis e, hoje, organizam a vida nas ilhas cósmicas.
Talvez uma imagem ainda inconcebível para muitos de vocês, espiritualistas, seja o mais apropriado para exprimir o significado do termo super-consciência:
trata-se de um organismo de pura mente, formado por toda uma raça, ou seja, um ser colectivo.
É o máximo que se aproxima da ideia de super-consciência, esse ser que vive numa dimensão muito mais profunda do universo e tem acesso a vários outros universos.
Essas consciências cósmicas, segundo nossa visão, são os grandes responsáveis evolutivos pelo desenvolvimento da vida nas galáxias, bem como pela organização social, política e espiritual dos mundos que têm sob sua jurisdição.
Talvez pudéssemos comparar essas super-consciências ao conceito que denominam Deus, embora para nós o significado do termo Deus seja algo ainda maior e mais profundo do que o de consciências cósmicas ou super-consciências.
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