Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 02, 2017 10:08 am

Com o passar do tempo, realizaram-se diversas modificações na estrutura das pirâmides, até porque, nossas naves não mais dependem dessas estruturas para seu abastecimento; hoje, dispomos de meios mais eficazes.
A nave que nos conduzia subiu velozmente ao céu do planeta vermelho e, então, dirigiu-se às bordas do Sistema Solar.
Como ainda não havíamos atingido o local onde adentraríamos as trilhas energéticas, pouco a pouco, passamos por regiões do espaço as quais só víramos mencionadas em estudos e relatórios.
Passamos pelo primeiro cinturão, uma espécie de anel de protecção que envolvia os planetas interiores, para, logo após, os pilotos fazerem uma manobra e sobrevoarem o cinturão de asteróides, o que restou do quinto planeta do sistema na contagem a partir do Sol.
O comandante da nave fez questão de diminuir a velocidade a fim de observarmos os escombros daquele mundo.
Certa angústia tomou conta de alguns de nós, algo semelhante ao que acontece quando alguém visita, nos dias atuais, lugares que foram campos de concentração nazista ou memoriais nas cidades destruídas por ocasião do lançamento de bombas atómicas, entre outros monumentos.
Havia história ali, exalada por aquelas ruínas siderais, e irradiavam-se vibrações no entorno.
Era como se ouvíssemos, mesmo tanto tempo depois, os gritos e os gemidos de milhões de pessoas, a agonia de seres cujas vidas foram ceifadas no passado, há muitos milhares de anos.
Ainda nos dias atuais — comentou um dos seres do espaço —, determinados povos de nosso convívio fazem excursões a esta região do seu Sistema Solar.
É como visitar o passado.
Além da simples reflexão, algumas comunidades desenvolveram tecnologia capaz de produzir fenómeno semelhante ao que vocês denominam psicometria, isto é, o conhecimento sobre o passado a partir de objectos que “testemunharam” os acontecimentos.
Durante a investigação, experimentam algo similar ao que ocorre com certos sensitivos, ou seja, percebem em cada escombro, em cada pedaço de pedra que se transformou em asteróide, um clamor, uma identidade energética que ficou registada na história, indelevelmente.
Assim, relatam com mais propriedade o que pode se suceder com povos que não desistem de suas guerras.
Depois de um silêncio que incomodava, o annunaki resolveu comentar:
— Ocorre um fato que merece cuidado especial por parte de vocês, terrestres, e também por parte dos guardiões.
Muitas ondas de rádio, originadas sobretudo desde a Primeira Guerra Mundial, e com intensidade crescente ao longo dos demais conflitos sangrentos que vem ocorrendo na Terra, são captadas no espaço.
Emissões de outros meios de comunicação que também se propagam através de ondas são rotineiramente interceptadas.
Existem bases próximas à Terra que operam como torres transmissoras, retransmitindo os eventos que lá se desenrolam.
Portanto, inteligências alienígenas não só ouvem, mas vêem imagens do que ocorre.
— Imagino até que podem ser interceptadas por inteligências que não saberão se tais mensagens ou imagens ocorrem no tempo actual ou advêm do passado — falou Watab, preocupado.
— Esse é um risco muito grande a que nos expomos, meus amigos.
Alguns povos são muito imprevisíveis em sua conduta.
Existem planetas inteiros de povos guerreiros que atingiram um avanço tecnológico notável, mas que ainda possuem um ímpeto conquistador.
— O que ocorre embaixo ocorre em cima, numa proporção maior... — comentou Jamar, pensativo.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 02, 2017 10:08 am

— Exactamente, amigos! Tudo o que se passa na Terra também se passa numa proporção mais ampla na galáxia, no universo.
Tememos que, em futuro não muito distante, devido às vibrações emitidas pela Terra, possam ser atraídas para lá criaturas de semelhante índole.
— Certamente, seria um desastre para a civilização — falou Albert, também pensativo.
Sobrevoamos o cinturão de asteróides, e, logo em seguida, a nave tomou a direcção dos planetas exteriores.
Avistamos Ganimedes e Europa, duas das luas de Júpiter, e, mais ao fundo, apareceu Titã, satélite de Saturno.
Assim que passamos pelo cinturão, a nave que nos transportava aumentou a velocidade, e só pudemos observar de longe as luas dos planetas gigantes.
Não obstante, o ser de estatura pequena e pele acinzentada comentou:
— Nos satélites avistados por vocês e conhecidos como Europa, Ganimedes, ou Ganimedes, e Titã, existem bases siderais.
Digamos que, para quem vem de fora do Sistema Solar, são as primeiras bases onde se pode abastecer e programar a aproximação à Terra.
Por isso, têm grande importância.
Principalmente Ganimedes e Titã, que abrigam laboratórios de duas raças auxiliares.
Dedicam-se a estudar como prestar ajuda a seu mundo na eventualidade de uma hecatombe nuclear, sobretudo considerando-se o cenário de destruição do planeta.
Titã apresenta algumas peculiaridades que favorecem essa investigação.
Ganimedes, em certa ocasião, já foi utilizado por uma ou outra raça de seres interessados exclusivamente em pesquisas científicas.
Chegaram até a levar pessoas de seu mundo, que foram abduzidas.
Com o tempo, conseguimos desarticular esses laboratórios, pois julgamos uma atitude impensável ou inadmissível da parte de inteligências desenvolvidas.
Alguns de sua espécie, conseguimos resgatar e reencaminhá-los ao seu mundo, depois de eliminarmos de suas mentes boa parcela do que recordavam.
Tal raça, que assim procede ainda hoje, conta com dois ou três representantes em seu planeta; um deles mantém contacto com um dos governos terrenos, trocando informações e tecnologia — lamentavelmente.
A nave modificou inteiramente a forma como se deslocava no espaço.
Atingiu altíssima velocidade, e, logo em seguida, ultrapassamos o cinturão de Kuiper, para além da órbita de Neptuno.
A uma distância de mais de 30 mil UA21 em relação ao Sol, rompemos esse cinturão de asteróides externo, num plano superior.
A visão era estonteante.
Jamar fixou sua visão no entorno, como que absorvendo tudo.
Albert e Zecharia levantaram-se ao mesmo tempo, aproximando-se de Jamar; pareciam extasiados.
Juntamente com o cinturão de detritos cósmicos, poeira e rochas, que vagava formando um tipo de protecção a biliões de quilómetros do Sol, divisávamos uma radiação que envolvia o perímetro do Sistema Solar.
Algo provavelmente de difícil detecção por meio de aparelhos feitos pelo homem no século actual.
Essa radiação, de natureza hiperenergética, fazia com que todo o Sistema Solar ficasse envolto numa aura dourada, reflexo das energias poderosas ali presentes.
Era algo admirável de se ver e, como não podia deixar de ser, atraía a atenção dos dois cientistas a bordo.
Mas tudo se passou um pouco rápido demais.
Logo à frente, foi avistado um fenómeno que canalizou todas as atenções.
Era como um redemoinho feito de pura energia; aos nossos olhos, parecia sumamente perigoso, pelo menos para os que nunca havíamos observado tal acontecimento.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 02, 2017 10:08 am

O redemoinho lembrava uma cobra gigante.
Revolvia-se, serpenteava em torno de si próprio, embora no comprimento parecesse fixo, imóvel.
Irradiava um tipo de energia diferente de tudo o que conhecíamos e havíamos visto até então.
Via-se somente uma borda, como a abertura de um funil, enquanto o outro lado perdia-se na escuridão do espaço, formando uma espécie de rasgo no universo talvez, através do qual o fenómeno desaparecia repentinamente.
Seria aquilo um buraco negro?
Facto é que engolia, por assim dizer, o próprio redemoinho e absorvia igualmente a matéria finíssima dispersa no espaço à volta.
À medida que nos aproximávamos, os neófitos sentíamos um calafrio na barriga.
Era algo maravilhoso e descomunal.
Relâmpagos pareciam emergir da fenda que constituía a abertura daquela estrutura absolutamente intrigante.
Uma espécie de vento, provocado pelo constante movimento de energias titânicas e ignotas, vinha de encontro à nave dos seres que nos convidaram para a excursão por mundos desconhecidos.
Confesso que, por um instante, esqueci-me de já não possuir um corpo físico e tive medo de morrer em meio a tantas forças inauditas.
Era algo completamente indescritível pelo vocabulário terrestre, de maneira técnica.
Zecharia e Albert aproximaram-se dos instrumentos de medição da nave etérica e, junto com cientistas do outro mundo, começaram a observar e ponderar os valores apresentados pelos painéis daquele veículo.
— Desliguem todos os motores! — veio a ordem do comandante annunaki.
Devemos penetrar com tudo desligado e, ao saímos do outro lado, iniciar automaticamente o programa que nos levará ao destino final.
Sentem-se todos e fechem os olhos.
Mirando um dos condutores do veículo, falou apressadamente:
Feche todas as escotilhas.
Escuridão total!
Era necessário esse procedimento, devido à extrema luminosidade provocada pelo fenómeno, principalmente assim que o adentrássemos.
Estávamos diante do tão falado buraco de verme ou de minhoca; para aqueles seres, apenas trilhas energéticas.
— Como sabem que esse fenómeno nos levará exactamente ao local aonde pretendem ir? — perguntou Jamar repentinamente, enquanto a nave se movimentava cegamente e balançava suavemente na entrada do redemoinho de energias poderosas.
— Há séculos, existem pesquisas nesse sentido, guardião.
Muitos cientistas de diferentes povos mapearam diversos fenómenos, diversas trilhas energéticas, e, assim, dispomos de uma espécie de guia, que nos indica para onde aponta o funil cósmico.
Isso permite a locomoção entre mundos quando é necessário utilizá-la.
Jamar calou-se, pois, tão logo a nave adentrou definitivamente o redemoinho, assistimos a um facto extraordinário, ao menos para nós, os iniciantes naquele processo.
Então era assim que se sentiam os espíritos transportados pelo espaço em processos de transmigração?
O sacolejar suave da nave etérica pareceu eterno.
Uma eternidade em apenas alguns minutos, mas, em nossa mente, a impressão era de muita demora, imagens e nuvens de energia trespassavam a nave velozmente, de um lado para outro.
Tudo aquilo assemelhava-se a um sonho, porém, com imensos e coloridos véus indizíveis, que faziam balançar a estrutura etérica do comboio que nos transportava.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 02, 2017 10:09 am

Sons estranhos advinham de nossa mente, mas, ao mesmo tempo, de todos os lugares.
Tudo demorou não mais do que alguns minutos.
Não soube precisar, pois estávamos absortos no fenómeno.
Em meio a tudo, pairava o silêncio.
A nave como que se desmaterializou por completo, e todos nos sentíamos como que transparentes.
Havia um quê de respeito no ar, quase um sentimento de reverência ante um fenómeno tão inusitado quanto inexplicável, tanto para nós como para os seres que nos conduziam.
De súbito, fomos efectivamente catapultados a outro recanto do universo.
Em altíssima velocidade, víamos passarem estrelas, nebulosas e planetas de poeira cósmica, até que outra configuração de estrelas agora se tornava visível a todos.
— Ligar telas de popa! — determinou o comandante annunaki.
Assistimos a uma verdadeira fornalha de energias pipocar em forma de relâmpagos, num rasgo dimensional de grande proporção.
A abertura do funil cósmico, da trilha energética, tem alguns milhares de quilómetros de diâmetro.
É possível passar de uma só vez com uma verdadeira frota de veículos físicos e etéricos, incluindo asteróides e outros objectos capturados no entorno, que é imediatamente arremessada a outra área do espaço.
— Isso não pode ser perigoso para alguns mundos? — perguntou Albert.
— O universo não é exactamente um mar de tranquilidade, meu amigo.
Ao contrário daquilo em que muitos querem crer, as evidências não deixam margem à dúvida:
a natureza é violenta; existe perigo por todos os lados.
Depende de cada povo a maneira como enxerga esse perigo.
Para nós, constitui um desafio à inteligência não apenas entender o funcionamento das trilhas de energia, mas constatar que até mesmo luas inteiras e pequenos planetas às vezes são tragados gravitacionalmente por esses buracos no espaço, sendo lançados a outras dimensões e outros universos.
Isso que vocês chamam de perigo consiste num dos objectos de estudo dos mais cobiçados pelos seres que se debruçam sobre o compêndio da ciência sideral.
É um atractivo particular para quem quer entender as leis universais, as leis da natureza e como elas operam além dos limites dos mundos c dos planetas.
A nave dos filhos das estrelas deslocava-se em velocidade alucinante espaço afora.
— Estabelecer rota determinada — falou à equipe o comandante annunaki, mudando de conversa repentinamente.
Rumo à nuvem escura, à região de poeira cósmica.
Dirigindo-se novamente a Jamar e aos demais convidados, esclareceu:
— Estamos muito mais na periferia da galáxia do que se encontram seu planeta ou o nosso.
Quase no limiar entre a Via Láctea e o nada teórico, o vazio aparente do espaço que existe entre as ilhas cósmicas ou galáxias.
Isso quer dizer que nos encontramos a mais de 30 mil anos-luz de distância de seu mundo natal.
Um sentimento estranho me dominou por completo.
Olhei para os demais, e, talvez com excepção de Dimitri, Watab e Jamar, os demais espíritos comuns talvez tivessem a mesma sensação diante do desconhecido.
Realmente, não havia como o homem comum do nosso planeta aceitar de imediato a existência de seres do espaço, de outros mundos e de viagens a distâncias inconcebíveis, a bordo de naves que, na Terra, não passavam de ficção.
A ciência terrena estava para a ciência daqueles seres assim como os aparatos tecnológicos do século XVI estavam para os do século XXI: a diferença era abismal.
A nave continuou se deslocando, agora, mais devagar.
Podíamos sentir alguma coisa, algum impacto de elementos diferentes na estrutura externa da nave etérica.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 02, 2017 10:09 am

— São partículas de matéria dispersas nesta região do espaço.
Trata-se de um tipo de poeira que se choca contra a estrutura da nave.
Ao mesmo tempo, essas partículas têm uma natureza material, física e também etérica e astral.
O que sentimos resulta do impacto de ambas, por isso, temos de reduzir nossa velocidade aos poucos, até adentrarmos o sistema dos proscritos.
Meu coração batia forte, e somente olhei para Jamar, como que procurando ajuda.
Ele estava de pé junto a Watab e olhou-me de volta, fazendo um gesto significativo com o olhar.
Acalmei meu espírito, mas confesso que não era nada fácil enfrentar aquele mundo desconhecido e rumar a um espaço totalmente diferente daquele a que estava habituado; mais, diferente de tudo quanto concebera até então.
Locomover-me cm meio ao plano extrafísico de meu planeta de origem era uma coisa, entretanto, aventurar-me em mundos outros — em outra galáxia! —, a dezenas de milhares de anos-luz, ou fosse lá qual distância fosse, era uma reviravolta que custava â minha mente aquiescer.
— Vamos conhecer o futuro lar de alguns dos degredados da Terra — disse Jamar, cheio de emoção.
Isso facilitará muito para os guardiões no momento em que vivemos.
Uma aula prática como essa jamais pensei ser possível, ao menos por ora.
Conhecer de perto tanto o meio de transporte quanto o destino dos espíritos da Terra fazia com que pudéssemos conhecer intimamente os medos, os desafios e o que aguardava esses irmãos nossos de humanidade.
A nave aproximou-se de um sistema solar de apenas cinco planetas.
Pelo menos, era o que conseguíamos ver nas telas de proa da nave.
Era um sistema singular, em quase nada semelhante ao nosso conhecido Sistema Solar.
A estrela central era vermelha, de um vermelho forte, carmim.
A luminosidade projectada deixava aquela região do espaço imersa numa mescla de luzes que lhe dava uma aparência estranha.
Foi localizado um dos mundos, o qual estava envolto numa atmosfera espessa.
De longe, era possível ver relâmpagos e algum tipo de ventania, que soprava as compactas nuvens de um lado para outro.
— Este é um dos mundos dos proscritos — falou um dos cinzentos.
Vocês devem se preparar, pois a atmosfera e muito pesada, dificultando-nos a locomoção.
Vestiremos trajes de protecção dotados de equipamentos de voo artificiais.
Vejam os instrumentos de medição.
Evidentemente, não entendi nada do que lia.
Eram letras e números escritos num idioma que jamais vira, expressando cálculos que ultrapassavam em muito a minha modesta aritmética.
Para minha surpresa, pareceu que Jamar já havia recebido algum ensinamento a respeito daquilo.
Foi ele que nos explicou:
— Rajadas de ventos de mais de 150km/h em determinados lugares da superfície.
Clima de estufa, semelhante ao do planeta Vénus de nosso sistema.
Montanhas e pântanos espalhados por todos os continentes; existem sete massas de terra que podemos chamar de continentes.
Vegetação uniforme nos polos, mas, na maioria, é de tipo que nos é desconhecido.
A fauna é extremamente perigosa, com grande variedade de feras selvagens.
Enfim, um inferno vivo para os padrões da Terra, embora repleto de vida.
— Não obstante, existe aqui uma população de mais de um milhão de habitantes, que vive próxima aos pântanos e em dois continentes, abrigada em algumas cavernas falou um annunaki.
Não se assustem com eles; não nos poderão ver.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 02, 2017 10:09 am

Pensei que pousaríamos na nave ovalada, mas o comandante resolveu que ela ficaria em órbita no planeta, pois poderia sofrer alguma avaria se descesse naquele mundo.
Fomos conduzidos até um hangar, onde havia mais de 20 pequenos veículos.
Partimos todos no maior deles.
Ao descermos entre as nuvens, nunca havia sentido tamanho desconforto.
Ao mesmo tempo, uma angústia me dominava, a ponto de Jamar colocar a mão direita no meu ombro e no dos outros companheiros mais inexperientes, dando-nos maior tranquilidade.
A pequena nave balançava em meio ao vendaval.
Aterrissamos com sensível dificuldade, bem próximo a um dos pântanos de um continente escolhido aleatoriamente.
Assim que saímos da nave, o espanto foi geral entre os espíritos da Terra.
Um odor horrível tomava conta de todo o lugar, e, acima de nós, as nuvens eram vermelhas, e não brancas como em nosso mundo.
Montanhas cobertas de uma espécie de poeira vermelha ou ferrugem faziam contraste com uma vegetação primitiva.
Havia rastros no chão, como se animais caminhassem arrastando-se, sem rumo claro.
Não me senti confortável, de modo algum.
Era um mundo verdadeiramente selvagem, primitivo; ao mesmo tempo, era como uma viagem ao passado geológico da Terra, ao menos, não havia como não traçar o paralelo.
Gritos horríveis se ouviam no meio de algo que se assemelhava a uma floresta, porém com árvores que em nada lembravam as terrenas.
Os troncos eram ressequidos, apesar da umidade do pântano; erguiam-se serpenteando à nossa frente e pareciam sugar todo o líquido acumulado no solo.
Espinhos pontiagudos, bem maiores que os de cactos, faziam parte de quase todas as espécies vegetais que víamos ali.
Havia folhas, mas eram grotescas, de uma cor que se aproximava da mistura do verde-musgo com o lilás.
Tudo soava de extremo mau gosto; a estética horripilante era um choque sem precedentes.
Meu ímpeto era fugir, ver-me livre daquela paisagem o quanto antes.
Inevitável não imaginar o que se passaria no íntimo daqueles que, em um futuro não tão distante, seriam banidos da Terra, quando se vissem confinados àquele lugar.
Uma espécie de líquen parecia cobrir o chão.
Gritos e urros provinham de animais selvagens.
De repente, uma criatura enorme pulou entre nós, causando espanto e assustando-nos, os espíritos da terra.
Pulei alto e dei um grito de horror. O cinzento me socorreu, enquanto os demais riam de mim.
Albert inadvertidamente saltou para o tronco de uma árvore estranha, e esta reagiu rapidamente, envolvendo-o com galhos que, agora, pareciam ter vida própria, como se a árvore também tivesse autonomia de movimentos e uma vida que dificilmente entenderíamos.
O annunaki liberou o cientista terreno.
Fiquei grudado em Jamar e Watab e mal me mexia.
Ambos analisavam tudo e colectavam dados para futuros estudos.
Embora estivéssemos em dimensões diferentes, o animal que avançara sobre nós, uma verdadeira fera, era capaz de nos enxergar, mas sem entender o que éramos.
Aliás, aquele mundo parecia obra de um louco; nada combinava ali. Tudo era absolutamente bizarro e de uma selvageria incomum.
A fera tinha oito patas.
Isso mesmo, oito patas, com pés que lembravam os de macacos terrenos, mas num nível muito mais grotesco.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 02, 2017 10:09 am

O conjunto não combinava.
A cabeça era algo descomunal.
Dois olhos dispostos assimetricamente pareciam olhar não para frente, mas para os lados, e, no meio deles, algo estranho, como se fosse outro olho em formação, inacabado.
Dentes? Meu Deus!
Aquilo era uma cria dos dragões, com certeza.
Duas fileiras de dentes pontiagudos e um líquido horripilante e gosmento que vertia da boca bizarra completavam a imagem de um monstro para qualquer filme de terror.
Mas não parou ali o show de horrores.
Outros animais apareceram e ficaram em nosso entorno; pareciam nos sondar.
Eram todos ainda muito mais estranhos que a primeira fera.
Não sei qual era mais surreal.
— Não esperam encontrar neste sistema e neste mundo nada que se assemelhe ao que conhecem na Terra, certo? — perguntou o cinzento, olhando para mim, Albert e Zecharia.
Estamos a mais de 30 mil anos-luz de lá, e, de modo análogo, nada neste quadrante do universo se compara ao que temos em nenhum dos nossos orbes...
Não se esqueçam de que estão num mundo selvagem.
E mais: os animais aqui são extremamente sensíveis; alguns deles desenvolveram até um tipo de sexto sentido, que lhes permite perceber o perigo, bem como coisas que os seres, digamos, humanóides deste planeta ainda não conseguem detectar.
Caminhamos juntos, saindo dali e deixando os animais ao longe.
Somente nos seguia um deles, a fera que apareceu primeiro, rosnando e babando, embora não nos atacasse.
Todos usávamos um traje de protecção, de acordo com a espécie de cada um, ou seja, o mundo de origem ditava a cada indivíduo a protecção adequada à sua configuração física.
— O cheiro que o incomoda, Sr. Ângelo disse-me o annunaki —, é de gases expelidos do interior do planeta.
Trata-se de uma mistura daquilo que vocês conhecem como amoníaco com outros gases alheios a natureza terrena.
A superfície do planeta é composta, na maior parte, por óxidos de ferro, o que proporciona a coloração vermelha do relevo, combinados a um mineral que desconhecem, pois não há similar em seu mundo.
Esse elemento emite permanentemente um tipo de radiação que afecta de modo acentuado a fauna e a flora no planeta.
Além disso, encontram-se em abundância o silício e alguns metais pesados, embora não haja ouro nem prata, por exemplo, tampouco rochas que são abundantes na Terra, como o basalto.
Mais ao sul, existem grandes vulcões em actividade.
Mas deixemos a natureza física para depois.
O que mais importa vocês estão prestes a conhecer.
Caminhamos com imensa dificuldade, como se nosso peso houvesse aumentado sensivelmente.
— É a gravidade do planeta — falou Jamar, olhando um instrumento que lhe fora dado pelo annunaki.
Aqui parece que as leis da natureza conforme as conhecemos não têm validade.
De repente, vimos saindo de algumas cavernas e, mais tarde, de alguns buracos próximos aos pântanos seres que mais pareciam répteis.
Lembravam nossas lagartixas, mas em proporção gigante.
Tinham mais ou menos de 1,50m a 1,70m de altura e caminhavam sobre duas patas, enquanto duas outras pareciam atrofiadas; quem sabe fizessem o papel de mãos ainda em desenvolvimento.
Os olhos eram protuberantes, e as cabeças, proeminentes, sem haver nenhum pelo sobre o corpo.
Andavam em bandos, com movimentos coordenados, mais ou menos como se dá com certos cardumes.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 02, 2017 10:10 am

O ser cinzento nos explicou:
— Eis aqui o tipo humanóide deste planeta, a espécie na qual se desenvolveu a inteligência.
Ou seja, eles são os humanos deste orbe.
Arregalei os olhos desmesuradamente.
Olhei para Zecharia, e ele não esboçou qualquer reacção.
Albert e Watab aproximaram-se de uma das criaturas, interessados em observá-la.
Jamar trazia um aparelho na mão, que mais parecia um scanner, e começou a passá-lo em torno do corpo do ser reptiliano.
— São ovíparos; reproduzem-se de maneira diferente da dos humanos terráqueos — observou.
Os seres eram muito esquisitos.
Comunicavam-se numa linguagem que soava bastante rudimentar, entretanto, era preciso considerar que não os conhecíamos profundamente.
Imagino como nossa linguagem era vista pelo cinzento ou pelos annunakis; também éramos primitivos para eles.
Jamar ficou pensativo por um longo tempo, enquanto observávamos os seres humanos reptilianos.
Não havia nada similar em nosso mundo, na Terra.
Foi um choque para mim.
O annunaki socorreu-me com alguma explicação:
— Não nos deparamos em todos os mundos com a mesma escala evolutiva.
Em cada um, a evolução elegeu uma espécie diferente.
Quer dizer, existem mundos em que o quadro é muito semelhante, mas isso não é a regra; a regra é a diferença.
São forças cegas da natureza, coordenadas apenas pelos semeadores de vida, que retornam de tempos em tempos àqueles orbes que são úteros cósmicos a fim de verificar quais espécies são compatíveis com o desenvolvimento da vida inteligente.
Neste planeta, foram os répteis que se sobressaíram no processo de selecção das espécies.
Todavia, para as consciências cósmicas e os semeadores, o que importa não são a forma, a aparência ou mesmo nosso modelo de beleza ou nossas referências estéticas.
Ao contrário, é a alma, a consciência elaborada neste ou naquele corpo, a qual fomentará o crescimento da civilização planetária e, depois, o sideral.
Isso e tudo no universo.
O próprio nome universo já aponta nesse sentido: unidade na diversidade.
Fiz que tinha entendido e fiquei calado.
De repente, Jamar se pronunciou, depois de algumas reflexões:
— Da para entender agora por que, no processo de degredo, os espíritos advindos da Terra não podem ser alojados todos em um único mundo.
Em função da necessidade de inter-prisões cármicas, a localização dos espíritos deportados será ditada por grupos de sintonia, com necessidades semelhantes, isto é, seres afins, que serão conduzidos, em conjunto, a planetas distintos.
Olhamos todos para ele, enquanto seguíamos o grupo de répteis humanóides até o lugar onde pareciam se reunir em bandos ou criar uma comunidade.
Era uma aldeia, uma proto cidade; formada por construções feitas com uma espécie de barro moldado em troncos de árvores, erguia-se com relativa organização.
Algo primitivo, mas organizado.
Um dos répteis, todo adereçado, fazia o papel de líder daquela comunidade, segundo nossa impressão.
Havia um senso de disciplina, e todos os seres humanóides ali pareciam reverenciar aquele que exibia o adereço envolvendo o corpo.
O annunaki falou, depois de algum tempo:
— É a reunião do clã deles.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 02, 2017 10:10 am

Evoluíram a ponto de formarem comunidades inteiras, e esta é apenas uma delas.
Em alguns lugares do planeta, existem construções e vilarejos maiores, que, em certa medida, se assemelham a cidades da época medieval terrestre.
Jamar observava e tudo registrava em seu equipamento, enquanto Watab e os demais se achegavam as criaturas, procurando analisar seu psiquismo, conforme instrução do guardião.
— Nosso grande desafio, neste momento especial que antecede o degredo dos espíritos da Terra — falou ele —, é exactamente determinar os grupos cármicos, ou famílias espirituais, de seres com afinidades entre si ou, quem sabe, com necessidades semelhantes de aprendizado.
Conhecer alguns mundos para onde serão transferidos os seres terrestres nos facilitará identificar quais tipos de experiências e quais processos reeducativos cada grupo de espíritos deverá encontrar.
Não podemos correr o risco de enviá-los todos para o mesmo endereço sideral, uma vez que existe grande variedade de seres, de crimes contra a humanidade e de necessidades cármicas.
Com efeito, conhecer este e outros mundos em semelhante processo evolutivo nos será extremamente favorável, a fim de concluirmos a selecção compatível com cada grupo espiritual.
Ajudará até mesmo a determinar qual tipo de transporte será utilizado na condução de milhões de almas para cada qual desses mundos primitivos.
Após mais algumas observações, antes de regressarmos à nave para visitar outro mundo, Jamar acrescentou, após uma breve conversa com dois dos extraterrestres que auxiliavam os guardiões:
— É possível entender, a partir da observação deste planeta, que os exilados ou imigrantes demorarão vários e vários milénios para se adaptar à forma de sobrevivência neste ambiente, que lhes será hostil.
Afinal, a atmosfera compõe-se de gases pesados e é bastante densa, o ambiente da crosta é húmido em demasia, primitivo em todo sentido, e com animais de uma selvageria desafiadora.
Não terão tempo suficiente, durante milénios, para o desenvolvimento da inteligência e das faculdades do pensamento, pois estarão ocupados, em tempo integral, com a luta para sobreviver.
O cerne de suas vidas serão a sobrevivência e a segurança, que lhes consumirão todos os esforços.
Por vários milénios, terão de lutar arduamente para se alimentar.
Embora a fauna e a flora sejam abundantes, segundo as observações de nossos aparelhos, a maioria das plantas é carnívora, e boa parte apresenta grau de toxidade capaz de envenenar os seres reptilianos.
Então, restarão a eles muito trabalho e o esforço hercúleo de desbravar seu próprio mundo a fim de conservar e fazer florescer sua civilização.
Sem dúvida, é um mundo apropriado a espíritos que trataram o meio ambiente de maneira desrespeitosa, provocando larga destruição ao sistema de vida na Terra, tenha sido para fazer fortuna a qualquer preço, tenha sido envenenando paisagens inteiras em nome de guerras e conflitos diversos.
— Assim como para os políticos e os governos que, podendo fazer algo para preservar ou recuperar o ambiente físico do planeta, omitiram-se e consentiram, em troca de negociatas com corporações, indústrias e magnatas que visavam apenas ao ganho, ao arrepio de qualquer ética, em detrimento do ambiente onde viviam e de tudo quanto há.
Ver-se na iminência de reencarnar em seres de forma reptiliano deverá produzir um impacto formidável em suas mentes e em seu psiquismo, pois tendem a se julgar os melhores, os mais espertos e inteligentes do planeta.
Seus valores serão revolvidos, dos pés à cabeça — acentuou Watab.
Jamar olhou para o annunaki, dando a entender que já dispunha dos elementos necessários ao estudo daquele mundo.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 02, 2017 10:11 am

Retornamos lentamente para o lugar onde a pequena nave nos aguardava.
Assim que saímos da comunidade de seres reptilianos, duas feras semelhantes às primeiras nos farejaram e nos seguiram; detinham uma visão extrafísica muitíssimo acurada, semelhante ao que se vê em alguns animais na Terra.
Entramos na câmara da pequena aeronave e deixamos o estranho mundo carmim e fétido para trás.
Do alto, ainda pudemos observar ao longe aquilo que o ser das estrelas mencionara, isto é, outras cidades maiores espalhadas no pequeno continente.
Vapores escuros e avermelhados subiam na atmosfera, e, ao nos despedirmos do ar pesado daquele mundo, lembramo-nos uma vez mais dos muitos espíritos da Terra que, num futuro próximo, teriam de aprender a chamar aquele orbe de lar.
Partimos do planeta exactamente alguns minutos antes de um dos espíritos das estrelas transmitir um alarme.
Duas naves alienígenas aproximavam-se do local.
O planeta fora detectado por outros visitantes do espaço.
O que viria a seguir era uma incógnita.
O cinzento nos falou, alertando para os eventos próximos:
— Seres de um sistema binário próximo detectaram vida neste mundo.
Detêm relativo desenvolvimento intelectual e científico, porém são pesquisadores sem nenhum escrúpulo.
Felizmente, ainda não dominam as viagens estelares através das trilhas energéticas, senão, poderiam muito bem alcançar sistemas mais distantes.
Com certeza, interferirão no sistema de vida da humanidade de reptilianos.
O que sucederá somente os terrestres deportados conhecerão quando aqui chegarem, oportunamente.
Talvez tenham de conviver com um mundo colonizado, com uma nova cultura imposta pelos invasores.
Mas isso só o tempo dirá.
Navegador — ordenou o annunaki —, tire-nos deste sistema urgentemente.
Não queremos nenhuma espécie de contacto com os irmãos das estrelas que se aproximam.
Vamos para nosso próximo alvo.
A nave acelerou e deixou para trás um rastro energético que aquele povo recém-chegado ao sistema ainda não tinha condições de detectar.
A aceleração nos levou para longe de Lagar, como apelidamos aquele orbe, em alusão ao aspecto de lagarto dos seres vivos inteligentes que o habitavam — um mundo onde um terráqueo encarnado provavelmente não conseguiria sobreviver.
A nave envolveu-se num tipo de energia para nós desconhecido. Pensei que fosse um campo de força, mas não.
— Dispomos de um recurso, já há alguns milénios de seu tempo, que nos faculta envolver a nave etérica em energias de uma dimensão superior.
Isso permite que ultrapassemos a velocidade da luz, embora ainda fiquemos muitíssimo aquém da velocidade desenvolvida no interior das trilhas energéticas.
Entretanto, como evitamos o uso destas perto de mundos povoados, somente por meio dessa tecnologia podemos nos deslocar entre sistemas próximos, senão, levaríamos séculos ou milénios do padrão de tempo terreno.
— Pelo jeito, vocês se encontram a anos-luz, em matéria de conhecimento, em relação ao que temos na Terra, não é mesmo? — perguntou Albert, interessado.
— Se você considerar que, há vários milénios, mais de 500 mil dos seus anos terrestres, nosso povo já viajava entre os mundos...
Já naquela época, mantínhamos contacto regular com povos de n planetas diferentes.
Imagine, então, o desenvolvimento tecnológico e espiritual acumulado desde a ocasião.
Basta analisar o progresso de sua civilização até o fim do século XIX e, por outro lado, o que conseguiram evoluir somente no século XX.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 02, 2017 10:11 am

Este último período representou um salto significativo, num ritmo inegavelmente muito maior do que o que se tinha visto até ali.
Algo equivalente ocorre com todas as civilizações da galáxia, guardadas as devidas proporções.
O annunaki calou-se repentinamente, dando maior atenção ao período de viagem pela frente.
Passou alguns escritos para o navegador, que era de uma raça diferente um ser muitíssimo magro, com mãos terminando em três dedos, porém de uma destreza física extraordinária.
Quando andava, seus joelhos movimentavam-se em posição contrária à dos annunakis e dos humanos da Terra, isto é, as pernas dobravam-se para trás, como as de canguru.
Com isso, era capaz de dar saltos impressionantes, embora, ao caminhar, conservasse extrema elegância.
O navegador programou o veículo e seguimos adiante rumo ao novo mundo, não muito distante.
Aproximamo-nos mais vagarosamente desta vez do que ao chegarmos ao planeta dos reptilianos.
O cinzento nos explicou os motivos:
— Este mundo já está em franco desenvolvimento industrial, e já conseguem detectar objectos no espaço com sua tecnologia.
Embora ainda não dominem a navegação espacial, seus instrumentos são relativamente sensíveis.
Não nos atacariam, mas nossa presença, uma vez revelada, poderia causar certo tumulto nas comunidades deste mundo.
Por isso, buscaremos ser discretos.
A nave parou ao dobro da distância que ficara antes, em relação ao planeta Lagar.
A forma como descemos ao mundo também foi diferente.
Enquanto vestíamos os trajes de protecção, o comando da nave entrou em contacto com os guardiões daquele globo requerendo permissão para estudos daquele ambiente físico.
O annunaki teve de dar muitas explicações antes de obtê-la, pois se tratava de um orbe com uma estrutura política deveras complexa.
Sob a condução de um comando local de guardiões, fomos levados dentro de um comboio oferecido por eles.
Descemos à atmosfera extremamente rarefeita do planeta.
Um dos guardiões, ali chamados apenas de vigilantes, explicou:
— Há milénios, segundo a contagem de tempo terrena, os habitantes deste orbe atravessam uma situação altamente complexa neste recanto da galáxia.
Foram colonizados, ou melhor, convertidos por um povo alienígena que se julga dono da verdade.
Timidamente, no início, seus representantes vieram visitar esta comunidade planetária, mas o objectivo real era pregar sua versão de uma verdade religiosa.
Consideram-se missionários de um suposto deus a quem adoram em seu mundo e arrogam-se a missão de convencer tantas civilizações quanto possível, amealhando adeptos para submeterem-se á deidade que os rege.
Na verdade, já pesquisamos o que se passa em seu planeta de origem.
A suposta deidade não passa da união de seres com enorme poder de persuasão, a qual subjuga a população há milénios, fazendo-a crer que se trata de um poder superior, supremo e transcendental.
Por meio da adoração e do fanatismo religioso, o qual embota o raciocínio, obtém sujeição ao governo teocrático e exige tributos constantes de seus súbditos.
Obriga-os a pagar ou entregar, a título de oferenda, elementos preciosos de seu mundo, principalmente determinado metal precioso e certo cristal capaz de ampliar as forças mentais.
Trata-se de toda uma civilização planetária sujeita a um ardiloso processo de hipnose colectiva.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 02, 2017 10:11 am

Continuou o sentinela:
— Aqui onde estamos, o desenvolvimento industrial ficou paralisado por milénios, pois a casta de sacerdotes repudia e, no limite, impede qualquer desenvolvimento científico mais expressivo.
Naturalmente, os dirigentes que se dizem sacerdotes do “deus charlatão” não querem o desenvolvimento intelectual da população, pois manter o povo na ignorância é a melhor forma de dominar suas consciências.
Esse mecanismo, aliado à liderança carismática e à manipulação emocional da massa, é capaz de acarretar enormes prejuízos e protelar indefinidamente o progresso.
É lamentável. No mundo inteiro, a religião única é a própria lei imposta pelas autoridades teocráticas.
Uma vez desobedecidas as directrizes desse sistema de crenças, a punição imediata é a morte inapelável, sem qualquer direito de defesa ou contestação.
À menor ameaça, condenações exemplares asseguram a obediência e a servidão por meio do medo, fantasiado de reverência ao seu deus e fidelidade religiosa.
É uma tirania de consternar qualquer um.
A boa notícia é que tem ganhado corpo, nos dois continentes do planeta, a formação de grupos de resistência contra essa situação política extrema em que vivem.
Sobre essas consciências, de uma lucidez incipiente, é que as forças superiores têm tentado actuar, mas sabemos que a semeadura será bastante longa.
Engoli a seco.
Nem nos piores sonhos poderia cogitar algo assim em proporções planetárias.
Aquele mundo era um pouco maior do que o nosso planeta Marte, porém com uma atmosfera pobre, pois o desenvolvimento industrial
inconsequente, do ponto de vista ambiental, e, principalmente, as guerras em nome da conversão da população afectaram seriamente sua camada de protecção.
Tão logo ultrapassamos as nuvens negras que cobriam as cidades — aliás, que cidades estranhas eram aquelas! —, avistamos os acampamentos, os tumultuados aglomerados de construções em meio a fábricas que despejavam, directamente na atmosfera do planeta, fumara tóxica r espessa de suas chaminés, conforme deduzi serem aquelas torres imensas.
Havia fuligem por todo lado. Pousamos próximo a um amontoado de casas e pavilhões que não pareciam obedecer a qualquer projecto urbanístico; ao contrário, tudo lembrava a ocupação irregular das cidades terrenas, fruto de invasão, porém era algo ainda mais caótico e generalizado.
Como nossa nave era de uma matéria mais rarefeita — embora do próprio planeta —, cedida pelos vigilantes do sistema, não pôde ser vista.
Descemos e nos dirigimos a um ajuntamento de pessoas, de seres daquele mundo. Meu Deus!
E eu pensando que já havia visto coisa estranha no planeta Lagar.
Os seres quase todos usavam máscaras.
Respirar ali era um luxo.
O ar era por demais poluído, com partículas pesadas suspensas na atmosfera, a despeito de ser rarefeita, o que tornava o ato de respirar quase doloroso para aquelas criaturas.
— Aqui, todos têm de pagar tributo pelo ar que respiram.
É a lei imposta pelos donos do planeta.
Ao mesmo tempo, obedecem a uma rígida lei que estabelece um toque de recolher a fim de evitar muito movimento e desperdício de ar, segundo postula a norma vigente.
O povo quase não conhece o que significa lazer; muito trabalho, o tempo todo, sob o pretexto de manterem um ambiente viável à preservação da vida.
A taxa de fecundidade foi reduzida drasticamente, devido ao controle da população que os dominadores do sistema julgaram instituir.
Todas as cidades têm um sistema de governo forjado pela casta religiosa, e, acima desses governos locais, existe um tipo de priorado que coordena tudo, uma espécie de cúria sagrada a qual define os destinos do povo nos mínimos detalhes.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 02, 2017 10:12 am

Esse priorado determina desde o que as pessoas podem ter ou usufruir e a quantidade de mantimentos necessários para cada ser até quanto e em que período podem viajar em seu próprio mundo, além de regular o investimento de cada um em sua qualidade de vida.
Enfim, é uma escravidão consentida e ministrada em nome de um sistema religioso incompreensível; uma tirania em elevado grau, na qual um supergoverno centralizador concentra toda a riqueza e a autoridade e cassou, há muito, tudo que se assemelhava a liberdades individuais.
O estado aqui é a culminância do povo, a razão de ser dos cidadãos — não que a ideia de cidadania seja difundida —, e não o contrário, isto é, o princípio de que o estado é remunerado pelo indivíduo, por meio dos tributos, para lhe servir.
A elite desse partido teocrático ensandecido é o único núcleo que conhece a realidade por trás do mito do suposto deus.
Eles guardam há séculos o segredo neste mundo.
A aparência dos seres, em linhas gerais, lembrava a silhueta dos humanos da Terra no que tange a forma humanóide.
Entretanto, o aspecto era muito diverso do dos seres humanos terrestres no que concerne a disposição dos membros inferiores e superiores.
Algo não combinava ali.
Não havia harmonia no conjunto, principalmente na região da cabeça, muitíssimo achatada, com olhos dispostos de maneira lateral, e não na frente, embora conseguissem se mexer constantemente e enxergar por quase todos os lados.
A boca era apenas um rasgo fino, com alguns poucos dentes à mostra, e exalava um hálito desagradabilíssimo.
A estatura média era de cerca de 1,30m, mas notamos alguns seres um pouco maiores.
As pernas eram arqueadas para os lados.
Algo semelhante a escamas cobria a pele grossa, de onde minava um líquido que nos pareceu pegajoso.
Acima de tudo, importava notar que o tipo humano da Terra não é, de modo algum, o padrão de vida e de beleza do universo.
Para eles, nós, talvez, fôssemos as criaturas mais bizarras que poderiam conhecer. Não consegui distinguir seres masculinos e femininos.
Aliás, eu próprio não conseguia diferenciar claramente um habitante do outro, embora devessem existir diferenças básicas entre eles.
Para nós, no entanto, perceber isso era absolutamente impossível; todos se pareciam.
Não obstante o conhecimento técnico conquistado, em certa medida, como o da Terra no início da revolução industrial, a sociedade parecia parada no tempo.
Ainda utilizavam animais os mais exóticos, segundo nossa óptica, como principal meio de transporte.
— Aqui — falou um annunaki —, a reprodução, como todo o resto, é estritamente regulada.
Os dominadores do sistema não desejam que a população passe de certo número.
O controle torna-se mais fácil, entre outras razões, porque desde cedo a prole é tirada de seus pais por um período mais ou menos longo, sendo submetida por mestres a rígida educação padronizada.
Mais tarde, as crias “adestradas” são devolvidas.
É incrível o poder de coerção social alcançado a partir do aniquilamento de uma das mais elementares instituições humanas: a família.
Aqui, em nome do “bem da sociedade”, esmaga-se o individualismo, massifica-se a ideologia religiosa e escravocrata e, assim, assegura-se o domínio
perene da tirania estatal.
Os mais velhos, aqueles que não prestam mais serviços à comunidade, são obrigados a entrar nas câmaras de transformação.
Para a multidão ignorante, eles são transferidos a regiões distantes do planeta, onde são cuidados pelos educadores do povo.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 02, 2017 10:12 am

Realmente, acreditam mesmo que assim se dê o destino deles.
Porém, na verdade...
— Na verdade — assumiu a conversa o vigilante —, são cremados, ou “higienizados”, como se diz neste mundo.
Nunca mais vêem os seus parentes os que deixaram de ser produtivos na comunidade.
— Meu Deus, isso é uma aberração abominável!... — exclamei.
Albert arrematou com um pensamento que definia muito bem as coisas mais aterradoras que nossa mente podia conceber:
— Tudo que a mente imagina existir realmente existe, em algum lugar do universo.
A mente humana é incapaz de imaginar aquilo que não existe.
Respiramos fundo ao percebermos o que acontecia ali, naquele mundo dominado por um povo estranho, manipulador — e manipulado — e, sobretudo, dotado de um poder hipnótico incrivelmente grande, cuja elite era de assassinos sanguinários, genocidas maquiavélicos e tiranos por natureza, campeões da crueldade.
Jamar suspirou e colocou os braços em torno dos ombros dos amigos Watab e Dimitri, que permaneceu calado por longo tempo, talvez chocado por demais com tudo o que via à sua volta.
Aquele era um mundo onde a loucura predominava sobre a sensatez, onde o governo prevalecia sobre o indivíduo.
Mesmo com tudo sendo de um primitivismo bárbaro e de uma vilania aterradora, entreolhamo-nos os terráqueos por um instante, porque o quadro tinha evidente par na história terrena do século XX.
Era impossível não estabelecer o paralelo e contemplar a sabedoria divina — ainda que às vezes amarga —, uma vez que restara evidente o género de afinidade que fizera com que aquele planeta, sujeito a uma forma de estatismo tão diabólica, fosse eleito para receber uma parte dos degredados.
Jamar chorou de verdade ao presenciar a situação daquele povo e por saber que boa parcela da população de espíritos da Terra viria a compor aquela humanidade.
— Ah! Se pudessem saber da realidade que os aguarda! — pronunciou o guardião, com lágrimas nos olhos.
Se tributassem sequer o mínimo de credibilidade à lei de acção e reacção, uma simples lei da física, talvez alcançassem, por dedução, o que inevitavelmente os aguarda num futuro bem próximo.
Depois de pouco tempo, Jamar falou para nós, enquanto os filhos das estrelas aguardavam em silêncio nossa reacção:
— Meus amigos, reparem que, segundo podemos inferir a partir do que vimos e dos relatos do sentinela, este planeta tem uma sociedade mais desenvolvida do que o mundo anterior que visitamos, que Ângelo apelidou de Lagar.
Contudo, existe aqui uma situação grave, intricada, complexa. Temos uma formação cultural servil, imposta por um sistema teocrático; uma casta sacerdotal que se vale do misticismo religioso; um sistema forjado e manipulado por uma suposta deidade, criada e mantida por uma cúpula de interesses os mais escusos.
A população, que pouco a pouco desperta, aspira à liberdade, que mal concebe, e começa a se agrupar em movimentos de resistência contra o domínio das consciências e a manipulação da fé da multidão em prol dos interesses de uma elite que se perpetua no poder. Estão longe, muito longe de respirar a liberdade dos povos mais desenvolvidos.
“Trata-se de um mundo estagnado, que paralisou a marcha do progresso e gira em torno de uma pseudo-verdade imposta.
Não se trata propriamente de um mundo primitivo ou primário, mas de uma civilização de seres escravizados pela pior forma de dominação: o sequestro do livre-arbítrio e da capacidade de raciocinar livremente.
São verdadeiros manipuladores e falsos profetas que governam essa nau de amargura e brutalidade.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 02, 2017 10:13 am

Quão caros são valores como a liberdade de se expressar em conformidade com seus anseios mais íntimos?
Aqui, não se conhecem nem sequer os rudimentos da liberdade verdadeira, que terá de ser conquistada, nem mesmo a liberdade de se expressar através dos meios mais comuns, que está assegurada na maior parte das nações da Terra, embora não ao abrigo de ameaças.
Assistimos a um regime de escravidão total, mas no qual a escravidão física é apenas um componente, uma consequência; a escravidão mais perversa e duradoura é de ordem mental, espiritual.”
Jamar respirou fundo e parece que não teve forças para concluir a síntese que fazia.
Watab assumiu a palavra:
— Justamente para este mundo, é provável que venham aqueles humanos que abusaram do poder religioso, os fundamentalistas, os dominadores de mentes através de dogmas religiosos, que promoveram a morte de consciências e a morte de milhares de pessoas devido a suas convicções religiosas eivadas de fanatismo.
Do mesmo modo, os religiosos que não admitem ser questionados e aproveitam sua versão da verdade para desmerecer aqueles que pensam diferentemente, para espalhar mentiras sobre os representantes do bem ou os que patrocinam o progresso e a evolução.
Ainda, aqueles que levaram multidões à loucura e ao suicídio físico ou espiritual; aqueles que se mataram em nome da religião, como os homens-bomba, suicidas conscientes que, ao detonarem a própria alma, ceifaram a vida de outras pessoas.
Como não mencionar os ditadores e os tiranos, que se arvoraram a determinar aspectos da vida privada e íntima, como o exercício da sexualidade, a educação da prole, o acesso à cultura, entre tantos assuntos, punindo severamente a transgressão a seus desmandos.
Acima de tudo, virão os que impuseram um regime ou religião de medo e terror, patrocinando as formas de terrorismo mais perversas no mundo.
Como se vê, a estrutura espiritual e social deste planeta condiz com as necessidades de aprendizado de muitos habitantes do nosso planeta Terra.
— Como fica claro, pode-se perceber que nem todos irão para o mesmo mundo e por que assim se dará.
Há diversas moradas na casa do Pai, porém, cada uma delas guarda peculiaridades próprias ao estágio evolutivo de seus habitantes e suas necessidades de aprendizado.
Neste orbe, a duras penas, as pessoas aprendem a respeitar o direito de liberdade e expressão, o direito de cada um adorar a divindade que escolher da forma como escolher.
Ou seja, reaprendem a valorizar a liberdade real.
Jamar não quis prosseguir mais.
Vamos, amigos das estrelas.
Precisamos visitar pelo menos mais dois mundos.
Essa excursão muito me auxiliou e a meus amigos guardiões a sabermos direccionar, com muito mais propriedade, os espíritos degredados de nosso mundo.
Esse conhecimento nos auxiliará a separar o joio do joio, ou seja, a fazer uma selecção dos espíritos da Terra de acordo com a afinidade de grupos e pessoas.
Antes de adentrarmos a aeronave dos sentinelas do planeta, um deles ofereceu a Jamar:
— Conservamos muitas informações gravadas em nossos bancos de dados e gostaríamos de ofertá-las a vocês, espíritos da Terra.
Acredito que terão muitos elementos para estudar, o que os ajudará no momento de avaliarem o tipo psicológico daqueles que serão deportados para cá.
Certamente, o estudo psicológico dos que aqui convivem, tanto entre os viventes quanto entre a população extracorpórea, dará a vocês bastantes elementos para os momentos de triagem e selecção.
— Ficamos gratos, vigilante.
Ao mesmo tempo, transmitiremos a vocês a relação dos tipos humanos de nosso mundo, oportunamente.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Out 03, 2017 10:30 am

Assim, não serão pegos de surpresa quando eles aqui aportarem.
Estabeleceremos, assim, uma parceria que muito nos auxiliara.
— Se desejar, meu amigo guardião da Terra, ofereço-me para ir com vocês a seu mundo ou a sua base a fim de auxiliá-los no processo selectivo desse tipo psicológico especial que virá para cá.
Ao mesmo tempo, trarei informações preciosas para os vigilantes deste mundo, a fim de que se preparem para receber os proscritos.
Jamar olhou significativamente para o annunaki e para Watab.
— Por nós, está tudo bem, amigo da Terra — informou o annunaki.
Nossa nave comporta mais alguns tripulantes, e será uma honra conhecer mais uma cultura de nossa ilha cósmica.
Com tudo preparado, o vigilante apenas certificou-se da permissão de seus superiores, que, seguramente, já sabiam da breve onda migratória com destino a seu planeta.
Assim, a partir daquele momento, o vigilante passou a ser um membro da expedição.
Os apontamentos e as experiências a respeito daquele mundo de ordem social teocrática foram todos armazenados no banco de dados da nave dos viajantes das estrelas para, depois, serem transferidos para o supercérebro artificial incrustado na base lunar.
Com a presença do vigilante daquele sistema, por certo, mais dados seriam colectados.
Assim, os técnicos e os cientistas do espírito que estagiavam na Lua, sob o comando de Anton, oportunamente poderiam estudá-los, com calma.

17 Tanto a pirâmide de Akapana quanto o templo de Kalasasaya integram o sírio arqueológico da Cidade do Sol, tida como capital da civilização pré-inca Tiwanaku, cujo império se estendeu, a partir do sudeste do lago Titicaca, no sudoeste da Bolívia, ao que hoje corresponde ao norte do Chile c ao sudeste do Peru Embora se situe seu domínio entre os séculos V e XI, há quem defenda que a civilização remonte, na verdade, a 10 mil anos a.C. ou mais, hipótese que parece ser reforçada pelo personagem.

18 Cf. Ex 32:9-13.
19 Cf. Gn 6:6-7.
20 Cf. Ex 32:14.
21 A unidade astronómica (UA OU AU) é uma unidade de distância.
Refere-se aproximadamente, à distância média entre a Terra e o Sol.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Out 03, 2017 10:30 am

E NAVE PARTIU PARA UM NOVO ALVO.
Naquela região da periferia da Via Láctea, os sistemas solares eram mais afastados uns dos outros.
As estrelas, mesmo as solitárias, ficavam distantes entre si, o que, por um lado, facilitava a navegação, pois a nave estaria naturalmente ao abrigo ou menos susceptível à atracção gravitacional potentíssima dessas estrelas.
Por outro lado, havia uma dificuldade real: é que os sistemas da periferia da galáxia não estavam todos devidamente catalogados.
Isso se mostrava um empecilho efectivo, pois, sem os mapas siderais acurados, procurar o novo destino era como procurar agulha num palheiro — um palheiro de poeira estelar, detritos cósmicos, cometas, asteróides, entre outros corpos estelares, o que exigia todo o cuidado possível.
Por essa razão, a presença a bordo de um sentinela que vivia ali, na zona periférica, revelou-se uma excelente oportunidade.
Além do mais, ele cedeu diversos outros arquivos aos guardiões e aos tripulantes da espaçonave.
Esse foi um factor decisivo para a localização do próximo alvo, um planeta cujas características eram indicadores favoráveis à recepção de certa classe de espíritos degredados.
Para lá rumou a expedição, com a ajuda do novo amigo.
O planeta Illil, como era conhecido pelos sentinelas daquela região, era o segundo mundo de um sol alaranjado.
Esse segundo planeta tinha um diâmetro de quase 16 mil quilómetros, portanto, era razoavelmente maior que a Terra.
Com sua rotação excêntrica e extraordinariamente rápida, possuía uma superfície quase sem montanhas, se assim se pudesse dizer.
As poucas montanhas que existiam não chegavam a 500m de altura, e todas pareciam sofrer a pressão de algum objecto pesado, ou seja, eram achatadas.
Logo soubemos que isso se devia à pressão atmosférica e à força gravitacional dali, ambas elevadas.
As temperaturas médias eram igualmente muitíssimas elevadas para os padrões terrenos: chegavam a 40°c.
Em função dos vastos e extensos reservatórios de água, principalmente marítima, a umidade do ar também era alta na maior parte dos lugares.
Apenas três continentes relativamente pequenos formavam a porção seca daquele mundo; todo o restante aparentava ser um oceano sem fim, quase sem ilhas.
Não encontramos cidades, nem tais como as conhecemos nem mesmo como as vimos no planeta de regime teocrático.
Os habitantes viviam em construções espalhadas a esmo, como se alguém brincasse de dados e lançasse construções exóticas aqui e acolá, sem nenhum critério, tampouco sentido estético.
Em suma, tratava-se de um mundo bastante primitivo, pouco desenvolvido.
O aspecto dos habitantes lembrava de longe, muito longe, a forma humana.
Mediam mais de 2m de altura, em sua maioria, mas com corpos esguios, quase frágeis.
Tinham duas pernas, porém o dobro de braços do homem do nosso mundo.
A aparência geral era algo desarmónica, tal como a disposição de suas habitações.
A cabeça diminuta soava desproporcional ao corpo, embora um e outro a ostentassem maior, e, por isso, se salientassem em meio à massa.
A pele era escamosa, e, apesar da aparência frágil, eles pareciam extremamente ágeis.
Três olhos distribuíam-se pela têmpora, de maneira que tinham uma visão bastante ampla do derredor.
Vestiam-se com algo que lembrava pele animal, no entanto, processada de alguma maneira, pois as peças eram finas, quase esvoaçantes.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Out 03, 2017 10:31 am

Mesmo assim, não perdiam o aspecto selvagem ou primitivo.
Chamou-nos a atenção um órgão estranho na nuca, uma protuberância que o vigilante nos disse ser um emaranhado de terminações nervosas, que vez ou outra inchava, relacionando-se à comunicação e à detecção de perigo, embora não apresentassem faculdades para normais nem qualquer dom parapsíquico relevante.
Aproximamo-nos com certo cuidado de um ajunta mento de seres dessa espécie curiosa.
Não fomos notados plenamente, porém, com o tal órgão cheio de nervuras localizado em sua nuca, parece que identificavam algo que não podiam explicar.
A tal protuberância intumescia à nossa presença, mas era só.
Apenas ficavam desorientados, sem saberem explicar o fenómeno.
Um annunaki e um dos cinzentos nos conduziram a um local onde se mantinha o gabinete central de governo.
Ali, notamos, mais detidamente, que aqueles seres apresentavam dificuldade ao respirarem o ar de seu próprio mundo.
Traziam algum órgão próximo às aberturas em seu rosto, que julgamos fazer o papel de nariz.
Foi o vigilante, então, quem nos deu as devidas explicações:
— Este mundo e alguns outros da periferia da Via Láctea possuem uma sociedade mais organizada, porém, todo o sistema de vida deles depende da tecnologia, uma tecnologia, aliás, ainda muitíssimo atrasada, mas que lhes proporciona qualidade de vida. Uma qualidade muito baixa, por assim dizer.
— Por que isso acontece assim?
Como dependem de um sistema de manutenção de vida artificial no planeta todo? — perguntou Zecharia, interessado e, ao mesmo tempo, impressionado.
— A atmosfera é muito preciosa para eles.
Houve uma catástrofe natural, o impacto de um astro contra seu mundo, na fase inicial de seu processo evolutivo.
Isso fez com que parte da atmosfera se esvaísse no espaço.
Alguns seres, que haviam progredido um pouco mais em termos científicos, auxiliaram a raça nascente, ensinando-lhe rudimentos de uma tecnologia que lhe facultaria a manutenção da vida.
Entretanto, a inteligência da espécie era por demais limitada, e, ainda hoje, eles têm imensa dificuldade em aprender equações matemáticas e disciplinas como física, química e outros ramos da ciência necessários para que pudessem recuperar a qualidade do ar que respiram.
Há milénios, vivem esse tipo curioso de existência.
Sua vida depende de trabalho constante, de manterem em funcionamento os aparatos que lhes foram concedidos e cujo funcionamento nunca conseguiram entender.
De tempos em tempos, os mesmos seres que lhes concederam o benefício regressam.
A população julga serem deuses.
Apenas obedecem, pois sabem que, se não trabalharem, não manterem em funcionamento os equipamentos, correrão o risco de morrer, de ver sua civilização desaparecer na poeira do tempo.
— Portanto — comentou Jamar —, aqui o preço da vida é altíssimo.
— Exactamente — respondeu agora o cinzento.
Asseguro-lhe, guardião da Terra, que existe bom número de mundos na mesma situação.
Alguns, devido a guerras que destruíram seu sistema ecológico; outros, porque foram alvo de situações externas, como este, as quais foram atraídas, de alguma maneira, pela postura mental de seus habitantes.
— Esta gente aqui não é nada pacífica; não se enganem com as aparências — falou o vigilante, o recente amigo.
É impossível relacionar-se com eles sem que queiram destruir tudo e todos que aqui vêm.
Pode-se dizer que se comportam quase como vampiros, sugando as reservas de energia de quem quer que cruze seu caminho.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Out 03, 2017 10:31 am

É um comportamento realmente primitivo, embora com certo progresso social alcançado.
— A necessidade premente é aprender a valorizar a vida — comentou Jamar, atento às explicações dos amigos das estrelas.
O trabalho incessante, a necessidade de disciplina constante para manterem a própria vida...
Talvez seja o ambiente ideal para aqueles espíritos que desprezaram todos os recursos naturais de um mundo maravilhoso como a Terra.
Isso mesmo, amigo guardião — respondeu o cinzento.
Muito embora aqui também existam belezas, ainda que a natureza deste mundo seja um paradoxo.
O ambiente parece acolhedor, mas isso é somente durante o dia.
À noite, têm de se revezar para enfrentar os perigos naturais do seu mundo, desde feras indomáveis até elementos naturais, como vendavais, furacões e erupções repentinas, que surgem aqui e ali, ameaçando o pouco que conseguiram construir. É um mundo selvagem com aparência de civilizado.
— É mesmo adequado a um tipo específico de espíritos que virão da Terra — acentuou Watab.
Não havia como discordar.
Muita gente de nosso mundo tinha endereço certo em alguma estrela da Via Láctea.
Após ligeira observação, a nave levantou voo.
Não ficamos muito tempo ali, pois a população parecia incomodada; algo se esboçava no ar.
Não queríamos promover nenhum tipo de confusão, pois já lidavam com problemas demais.
Até o ar que respiravam lhes era caro demais.
Depois de mais três etapas de voo desviando-se de concentrações de poeira cósmica e detritos de antigos asteróides, além de alguns elementos etéricos altamente daninhos, a nave aproximou-se do novo destino, outro planeta estranho.
Cadeias de montanhas revelavam despenhadeiros incrivelmente grotescos.
Era como se algum vulcão houvesse cuspido sua lava em todas as montanhas e eia tivesse escorrido lentamente, produzindo estranhas reentrâncias e saliências, semelhantes às da borra da vela quando a parafina escorre durante a queima.
Uma tempestade violenta soprava por todos os lugares.
Cristais de amoníaco mostravam curiosas formas, como se fossem produto de brincadeira de alguma criança cósmica.
Alguns desses cristais ajuntavam-se, formando bolas semelhantes às de neve terrena, mas, antes de caírem ao solo, rodopiavam em meio ao vento forte, algumas das bolas, desfazendo-se logo em seguida.
“Anarquia da natureza”, pensou alguém de nossa equipe.
De facto, era um tipo de desordem geral, causada talvez por uma grande violência.
Haviam padecido horrores com um período incrível de guerra, a qual quase dizimou toda a população dos sete continentes. Todo aquele orbe parecia ser radioactivo, pois notávamos algo muito perigoso no ar, algo fisicamente perigoso.
Com uma fúria descomunal, a tempestade lançava tudo para longe e, ao mesmo tempo, trazia de volta em meio a um tornado, o que, aliás, era algo muito comum naquele planeta, o quinto de uma estrela que se esfriava lentamente.
Desenhava uma órbita muito diferente em torno da sua estrela, de sorte que, durante a maior parte do ano solar, equivalente a mais ou menos 196 anos terrestres, aquele mundo ficava bem distante do seu sol.
No período seguinte, em que o planeta se aproximava deste, a espessa atmosfera fazia o papel de um cobertor, impedindo que os raios solares chegassem à superfície de maneira a aquecer os habitantes.
Assim, havia uma quase-penumbra o tempo inteiro.
Ao se verem as tempestades quase constantes, pelo menos ali, naquele hemisfério onde havíamos pousado com a nave dos nossos amigos estelares, parecia que as rajadas moveriam as próprias montanhas, de tão intensas que surgiam e, ao mesmo tempo, desapareciam, carregando quase tudo em seu caminho.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Out 03, 2017 10:31 am

Vários picos montanhosos erguiam-se ao longe; além de pedras extremamente pontiagudas, lembravam alguém que haveria lascado tais pedras, talhando-as como dentes.
Talvez devido mesmo às tempestades constantes, não era possível observar a vegetação; apenas alguns animais, tão estranhos e exóticos, viam-se sendo carregados pelo vento, enquanto outros, mais robustos, pareciam fixar-se no chão, à semelhança de colunas inamovíveis.
Mas onde os homens, as pessoas daquele lugar?
O sol em torno do qual orbitava aquele mundo cuja atmosfera, composta por amoníaco e outros gases, seria
efectivamente venenosa para os seres do planeta Terra — distava mais de 38 mil anos-luz de onde vínhamos.
O hidrogénio e o metano associados naquela atmosfera espessa dificultavam qualquer visão das estrelas, bem como dos três satélites, somente vistos do espaço externo.
Se houvesse alguém ali, jamais admiraria, em toda a sua existência, a visão abençoada das estrelas ou das belezas de suas luas.
Era como se uma colcha tecida de pura nuvem envolvesse todo o planeta, como um manto, e apenas luminosidade chegasse à superfície.
A estranha configuração da órbita do planeta, associada às energias hiperfísicas irradiadas do sol — duas vezes maior que o sol da Terra —, talvez dificultasse inclusive o ato de raciocinar das criaturas daquele condomínio espacial.
Era um tipo de irradiação tão estranha e, ao mesmo tempo, tão poderosa que não imagino ilesa qualquer criatura que vivesse ali.
A despeito de toda característica exótica para os padrões terrícolas, havia selvas em todos os continentes, embora as árvores não guardassem nenhuma semelhança com as do nosso orbe.
Nem sei como conseguiam sobreviver respirando aquela composição química venenosa...
Venenosa ao menos para o tipo humano terrestre, quero dizer.
A distância daquele globo em relação a seu sol era de um pouco mais de 800 milhões de quilómetros, e a média da temperatura do mundo era em torno de 69°C.
Absolutamente impossível manter o tipo de vida tal como conhecíamos em nosso planeta, porém, ali não era a Terra, e a provável humanidade ali existente não era composta por homens conforme os conhecíamos em nosso mundo.
Foi depois de umas duas voltas em torno do planeta nebuloso que avistamos sua humanidade.
Ai, meu Deus, que seres! Nada que se assemelhasse ao homem da Terra.
Eram atarracados, e havia mais olhos na criatura do que tentáculos num polvo. Era algo bizarro.
— Não pertencem ao tronco humano cuja origem une os nossos povos — informou o annunaki.
Os noomarg, como o vigilante os chamou, algo intraduzível em nossa língua, não eram nada civilizados, pelo menos no sentido que dávamos a palavra civilização.
— Para conhecermos melhor este povo, teremos de descer.
Estacionaremos a nave numa caverna localizada próximo à entrada do planeta.
— Entrada? Não entendi — indaguei.
— Esses seres não são nada diplomáticos com outros povos, pois pensam que somente eles têm o direito de existir no seu universo bem restrito.
Ao longo dos milénios, conseguiram escavar seu planeta; primeiramente, para conseguir aparecer aqui e acolá, a fim de surpreender seus inimigos, pois queriam dominar a todo custo rivais de outra nação.
Logo descobriram que poderiam viver no subsolo, uma vez que, na superfície, enfrentariam a fúria brutal da natureza.
Mesmo assim, ainda existem cidades em certas regiões, espalhadas em dois continentes.
No entanto, o grosso da população vive nesse labirinto cravado no subsolo deste mundo infernal — explicou-nos o sentinela.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Out 03, 2017 10:31 am

Fiquei imaginando o que seria melhor:
viver sobre a superfície, sem nunca poder ver a luz das estrelas, porém enfrentando os rigores da natureza e sua fúria indomável; ou no subsolo, em meio a um emaranhado de túneis, um labirinto de cavernas.
Não tive tempo de chegar a nenhuma conclusão.
A nave já estava parada dentro de uma caverna natural, rasgada em meio às rochas daquele mundo.
Perto dali, iniciamos a descida para o interior do planeta inóspito.
Logo durante a descida, inúmeros fenómenos, naturais naquele mundo, começaram a acontecer em torno de nós.
Eram relâmpagos ou algo semelhante, os quais deixavam uma estranha luminosidade, como se tosse uma aurora boreal, à medida que descíamos.
Porém, deixavam também sombras fantasmagóricas no entorno dos túneis, bem largos, que levavam para o interior do planeta.
Jamar avançou na frente, juntamente com Watab e o sentinela, e, atrás de nós, permanecia, sempre silencioso, nosso amigo Dimitri, o guardião.
Lenta e ininterruptamente, os guardiões rompiam a escuridão, na qual os fenómenos luminosos vez ou outra davam uma tonalidade especial à penumbra ambiente.
Logo atrás dos guardiões, três dos seres das estrelas que nos convidaram àquela excursão para os mundos para onde seria deportado pelo menos um terço da população terrena.
Quando acabamos de descer, depois de algum tempo, algo penoso demais para nós, havia uma espécie de planície, coberta de limo e vegetação, que lembrava as descrições da vegetação no período do homem das cavernas.
Água corrente, mas não a água com a estrutura molecular que conhecíamos.
Ou melhor, havia um rio com uma substância líquida, provavelmente amoníaco ou outra coisa parecida.
O céu do lugar, isto é, a região onde deveria estar o céu, mas que era a parte inferior da superfície e a superior daquele lugar escavado no solo do planeta, reflectia uma baixa luminosidade de coloração violácea e, vez ou outra, uma amarelidão incomum.
Com certeza, era uma luz artificial.
Algumas montanhas interiores, muito mais baixas que as da superfície, pareciam concentrar em seus píncaros a luz de cor amarela.
Era um cenário exótico com certeza.
O que estávamos vendo não era a superfície do planeta, mas o seu interior, onde a maior parte da população vivia.
Foi aí que avistamos as feras daquele mundo.
— Vamos chamar este planeta de Caos — me aventurei a dizer.
— Você tem um talento enorme para inventar nomes, não é, Ângelo?
— Você teria um nome melhor, amigo Watab?
Ele silenciou, talvez procurando algo que definisse melhor aquele mundo.
— Não! Absolutamente nenhum — ambos rimos, embora aquele mundo não inspirasse nada que se assemelhasse a um sorriso.
Éramos humanos, entretanto, essa característica se ampliara ao máximo possível ao observarmos aquela civilização.
Naquele momento, tínhamos de acentuar nossos atributos humanos, de humanos do planeta Terra.
Os seres, que vinham num grande bando, pareciam uma mistura de elefante, gordinhos, extremamente pesados, embora ágeis dentro do sistema de túneis.
Tinham uma pele extremamente grossa e um tipo de cabeça muito grande para o tamanho de seus corpos, que mediam, no máximo, 1,60m de altura.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Out 03, 2017 10:32 am

No lugar dos braços, havia órgãos que mais pareciam tentáculos, mesmo que na terminação se pudessem observar mãozinhas diminutas, as quais pareciam ser suficientes para fazerem suas tarefas, pois alguns carregavam estranhos equipamentos.
— Os seres deste mundo vivem há milénios num regime ditatorial sem precedentes.
São selvagens demais, e há muitos povos que acreditam que, se tivessem maior liberdade, certamente se autodestruiriam.
São antropófagos por natureza.
Julgam não poderem desperdiçar absolutamente nada, por isso, aproveitam da carne de seus mortos e a consomem, considerando-a uma iguaria.
Existe, no entanto, um movimento entre eles — acentuou o annunaki — que tem conseguido fazer com que parte da população adquira novos hábitos alimentares.
Observamos os seres estranhos, e seus olhos pareciam perdidos nas órbitas.
Não notamos cílios nem alguma dobra ou pálpebra que pudesse preservar os olhos.
Os ditadores costumam passar o poder aquele que mostrar maior grau de crueldade em relação aos inimigos e aos predadores da superfície.
Mas não e um sistema ditatorial localizado, restrito a um continente; de abrange todo o planeta.
Alimentam crenças radicais, e há mandamentos sagrados sobre o que apregoam; são fundamentalistas e extremistas.
O regime de governo obriga os cidadãos a viverem um tipo de escravidão mental e emocional, usando o medo e o terror como ferramentas para manter a mesma facção no poder indefinidamente.
Embora os habitantes usufruam de alguma liberdade em termos sociais, não há liberdade de se expressarem abertamente, e jamais concebem aquilo que, na Terra, se chama liberdade de expressão, liberdade de imprensa e liberdade religiosa.
Simplesmente aceitam o que lhes é imposto ou são convidados a se abster do direito de viver.
Por isso mesmo, estão paralisados no tempo, e não há indícios de que cogitem a existência de seres em outros mundos.
Toda a comunicação é centralizada nos dirigentes do planeta, e somente eles determinam a que a população terá acesso em termos culturais, em regime de rígida censura.
— Imagino o tipo psicológico capaz de ser deportado para este mundo — falei para Jamar, que me olhou significativamente.
Antes que prosseguíssemos, recebemos um sinal da nave, que nos convocava de volta, urgentemente.
Havia chegado um chamado do planeta Terra, directamente da base lunar.
Nem havíamos nos dado por satisfeitos com as informações colhidas no planeta Caos.
Assim que adentramos a nave, Jamar e Watab foram directo para a sala de comando, junto com o annunaki e o cinzento.
Cheguei logo depois. Anton chamara pois havia situações emergenciais em nosso mundo.
Estourava o chamado ISIS ou Estado Islâmico.
Havia muitas forças em jogo em nosso planeta.
— Nosso esforço neste momento, meus amigos — falou Anton, através de um videofone —, não é mais para evitar a guerra, mas, sim, para evitar que usem armas nucleares e outras de destruição máxima.
Resolvemos interromper nossa excursão por outros mundos, deixando para logo mais, em outra ocasião, a colheita de dados mais acurados sobre os demais mundos para onde os habitantes da Terra seriam deportados.
O sentinela iria connosco, e também os demais filhos das estrelas.
De todo modo, já havíamos feito muito.
Jamar e Watab colheram farto material; os guardiões teriam muito trabalho para decifrar tantas informações e, em paralelo, fazer as devidas conexões com o momento em curso:
a reurbanização geral da Terra, a separação entre o trigo e o joio.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Out 03, 2017 10:32 am

Ao retornarmos, depois de passarmos pelas várias etapas de transporte dentro do conhecido buraco de verme, a nave foi literalmente cuspida do emaranhado de energias justamente para as bordas do Sistema Solar.
De lá, avistamos ao longe,
através das telas de projecção, a pérola divina em que consiste o planeta Terra.
Ali, homens, annunakis, cinzentos — ou grays — e uma multidão de seres do espaço haviam se miscigenado para, dessa mescla, nascer o novo homem, a nova humanidade.
O que nos esperava o futuro?
Ao nos aproximarmos do planeta, voando em tomo dele, avistamos a morada dos homens terrenos.
Foi um annunaki quem falou, olhando o planeta azul abaixo de nós:
— Homens da Terra, nossos irmãos, nossos filhos, estamos de volta.
Regressamos para colher as sementes plantadas e ver se a colheita humana está preparada para continuar vivendo no solo deste mundo.
Silenciosamente, enquanto dormem, chegam os filhos das estrelas.
Como o relâmpago que sai do oriente e se mostra no ocidente, vêm à Terra aqueles que patrocinaram sua civilização.
Entre as luas de Júpiter ou escondidos nos anéis de Saturno, outros, já estacionados nas crateras da Lua, também aguardam o momento propício para descermos a Terra e oferecermos o resgate àqueles que merecerão continuar no labor de suas lutas evolutivas.
Mas também, a fim de retirarmos da Terra aqueles que o próprio mundo haverá de expelir de seu interior.
Aguardamos vocês, irmãos da Terra...
Breve, chegaremos a seus céus.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Out 03, 2017 10:32 am

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BÍBLIA Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida Revista e Actualizada. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), 2000. KARDEC, Allan. A génese, os milagres e as predições segundo o espiritismo. 1a ed. esp. Rio de Janeiro, FEB, 2005. ________. O livro dos espíritos. 1a ed. esp. Rio de Janeiro, FEB, 2005. PINHEIRO, Robson.
Pelo espírito Ângelo Inácio. A marca da besta. Contagem: Casa dos Espíritos, 2010. (O reino das sombras, v. 3.) _______.
Pelo espírito Ângelo Inácio. Os guardiões. Contagem: Casa dos Espíritos, 2013. (Os filhos da luz, v.2.)
_______. Pelo espírito Estêvão. Apocalipse: uma interpretação espírita das profecias. 5a ed. rev. Contagem: Casa dos Espíritos, 2005.

OUTROS LIVROS DE ROBSON Pinheiro
PELO ESPÍRITO ÂNGELO INÁCIO
Tambores de Amanda
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Crepúsculo dos deuses
O fim da escuridão O próximo minuto

TRILOGIA O REINO DAS SOMBRAS
Legião: um olhar sobre o reino das sombras
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TRILOGIA OS FILHOS DA LUZ
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ORIENTADO PELO ESPÍRITO ÂNGELO INÁCIO
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PELO ESPÍRITO PAI JOÃO DE ARUANDA
Sabedoria de preto-velho
Pai João
Negro
Magos negros

PELO ESPÍRITO TERESA DE CALCUTÁ
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Pelas ruas de Calcutá

PELO ESPÍRITO JOSEPH GLEBER
Medicina da alma
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A alma da medicina

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Gestação da Terra
Serenidade: uma terapia para a alma
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Out 03, 2017 10:33 am

PELO ESPÍRITO ESTÊVÃO
Apocalipse: uma interpretação espírita das profecias
Mulheres do Evangelho

PELO ESPÍRITO EVERILDA BAPTISTA
Sob a luz do luar
Os dois lados do espelho

PELO ESPÍRITO FRANKLIN
Canção da esperança

ORIENTADO PELOS ESPÍRITOS JOSEPH GLEBER, ANDRÉ LUIZ E JOSÉ GROSSO
Energia: novas dimensões da bioenergética humana

COM LEONARDO MÕLLER
Os espíritos em minha vida: memórias

PREFACIANDO MANCOS LEÃO PELO ESPIRITO CALUNGA
Você com você

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