Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 23, 2017 9:22 am

O magnetismo desse astro afecta de alguma maneira todo nosso sistema de comunicação.
— Enviarei um grupo de técnicos a bordo, com urgência, para auxiliá-los.
Falta pouco tempo para atingirmos o terceiro mundo.
Darei ordem para toda a frota estacionar onde estiver.
— Não precisa, irmão das estrelas.
Daremos conta com nosso pessoal.
Tenho à disposição 20 dos melhores técnicos e engenheiros de campo e eles podem muito bem dar um jeito de consertar avarias no rádio.
Prossiga, irmão.
Não devemos atrasar nosso pouso no terceiro mundo.
Temos um plano de voo e transporte a cumprir.
Outras naves etéricas aproximam-se do flanco direito e dirigem-se também para o terceiro mundo.
Nos encontraremos lá.
— Tem certeza, nobre Enlil?
Tem certeza de que repararão os equipamentos?
Nesse ínterim, conseguimos identificar os sinais de rádio de que falei antes.
Trata-se de um pedido de socorro da zona etérica do planeta.
Parece que atravessam momentos graves.
Querem nossa ajuda.
— Obrigado, caro Enki.
Você honra a procedência annunaki e nossa sagrada casta.
Mas ficaremos bem.
Assim que conseguirmos consertar as avarias irei pessoalmente com minha equipe ao quinto planeta.
Por enquanto, ficaremos por aqui, no satélite natural, uma das luas que orbitam este mundo.
Fique tranquilo, irmão Enki.
Prossiga que em breve nos encontraremos em Tiamat.
Imediatamente Enlil deu ordens para pousarem numa das luas do planeta do qual advinha o pedido de socorro.
Colocou-se à disposição, com seu cérebro secundário, para captar os pedidos provenientes da região etérica, e o que soube deixou-o muito preocupado.
Milhares de seres eram evacuados das zonas intermediárias, próximas da crosta planetária.
Os dirigentes espirituais daquele mundo precisavam de auxílio imediato.
Deveriam providenciar o transporte de milhões de seres, que deixariam aquele mundo em carácter de urgência, pois previam tempos de grande crise e uma grande catástrofe, que se esboçava no futuro iminente.
Os acontecimentos naquele mundo acabaram por prender a atenção de todos os tripulantes da nave etérica que transportava os passageiros perigosos.
Todos se envolveram de tal maneira que, tão logo os aparelhos de comunicação foram reconfigurados, passaram a pedir ajuda aos mundos mais próximos, pois os annunakis, eles próprios, estavam envolvidos num processo de transmigração planetária.
Responderam os habitantes de determinado sector de uma estrela verde que, mais tarde, dali a milhares de anos, seria conhecida como Vega.
Ficava numa zona mais ou menos próxima.
Prontificaram-se a assumir o transporte dos milhões de consciências que deixariam o planeta daquele sistema em direcção ao segundo planeta, contado a partir do Sol.
Enquanto isso, na superfície...
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 23, 2017 9:23 am

O MAIORAL DEIXOU o RECINTO onde os dirigentes daquele povo se reuniam e onde podia ter contacto directo com os famigerados sacerdotes dos cultos que dominavam o continente.
Dirigiu-se ao outro lado do planeta.
Ali permaneceram seus aliados, os demais seres do concilio tenebroso.
Entrementes, chegaram ao conhecimento dos espectros rumores sobre o que acontecia no continente de seus opositores.
Algo de medonho, gigantesco parecia ter ocorrido, colocando os dirigentes contra a parede.
Os espectros também haviam desenvolvido um artefacto, que apelidaram de arma do fim do mundo.
Haviam enviado seus espiões e conseguido arregimentar agentes duplos entre os do continente irmão.
Assim, conseguiram obter os planos de construção da bomba nuclear.
Porém, lograram ainda mais.
Partiram dos avanços dos cálculos que roubaram e aprimoraram ainda mais o poder de destruição do artefacto mortífero.
Tudo estava preparado para entrarem em acção, com o agravante de que puseram o artefacto num poço profundo, cavado a partir da superfície do planeta.
Arriscavam-se ao suicídio colectivo, mas matariam ou dizimariam o inimigo, mesmo sob pena de exterminar toda a vida naquele mundo.
Contudo, como alguns dos chefes supremos temiam o efeito devastador, adiaram por algum tempo o accionamento da bomba que definiria o fim daquela raça.
O maioral dedicou-se a auscultar os pensamentos dos espectros.
Eram uma raça formidável, não originária daquele planeta.
Guerreiros natos, seres que sobreviviam de energias roubadas, da vitalidade de outras criaturas, que o maioral reconhecia como descendentes de uma raça com a qual já se deparara.
Eram implacáveis lutadores.
Examinou os impulsos das mentes mais astutas daquele povo.
A inteligência do maioral recebia os impulsos dos seres que procurava sondar aumentados mais de cinco vezes, devido ao artefacto que tinha sobre a cabeça — uma espécie de amplificador de ondas cerebrais e impulsos hiper-dimensionais.
O ser hediondo pôde enxergar através dos olhos de vários chefes do povo espectro, e viu sua crueldade e astúcia.
Logo procurou o mais renomado dirigente daquele reino e nele concentrou toda sua atenção, sondando-o.
Não foi percebido, pois faltava àquele povo a percepção extra-sensorial ou as habilidades paranormais; não eram como os annunakis, ou, em muito maior grau, na casta dos divinos eloins, à qual pertencia o maioral.
Sentado sobre sua arca, que naquele momento parecia um artefacto de brinquedo, sobrevoava o ambiente onde se reuniam cinco dos chefes e comandantes dos espectros, que falavam um idioma incompreensível.
Não fosse sua habilidade telepática, jamais saberia o conteúdo da conversa, embora não se interessasse por ela.
Ansiava muito mais do que aos interesses mesquinhos de disputa daquele mundo.
O olhar brilhante demonstrava que tremendos processos mentais estavam em andamento naquela mente poderosa.
A alma do maioral deixava-se perceber através de seus olhos, que modificavam de cor como uma serpente muda de pele.
Deixavam à mostra que seu espírito era semelhante a um mar abismai de superlativos de horror, de megalomania e de negritude quase palpável.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 23, 2017 9:23 am

As características daquele ente eram impossíveis de serem expressas, em toda sua abrangência, por qualquer ser e em qualquer idioma conhecido.
Parte da consciência do maioral se estendeu para além dos limites do corpo espiritual, apalpou as mentes sob si e depois se alongou, como se detentora de tentáculos, sondando outros e mais outros chefes da espécie dos espectros, e também dos demais, os habilidosos religiosos que dominavam ampla população, escravizada sob o domínio do medo imposto pela religião oficial daquele mundo.
A porção da mente do maioral e do seu cérebro extrafísico que armazenava as informações colhidas durante o tato mental e fazia dele um excelente telepata — entre outras habilidades — estava cada vez mais sensível aos dados colectados daqueles seres, que bem poderiam ser-lhe úteis em seus planos de dominar povos e humanidades.
O demónio experimentou um sentimento extremo de menosprezo por todas as vidas daquele mundo.
Especialmente pelos sacerdotes, que rejeitaram a oferta de dividir o poder, embora fossem submetidos ao comando dos seis outros dragões e esperassem para ver, em breve, o resultado de enfrentar a força monstruosa do maioral.
Eles não eram semideuses; portanto, de nada adiantaria se interpor entre o maioral, seu concilio tenebroso e o domínio total do continente.
Por mais que se sentisse fascinado pela cultura dos espectros, também os desprezava, pois sabia que entre eles não existia também nenhum semideus que pudesse enfrentá-lo, tampouco aos seis outros maiorais.
Eram invencíveis.
Ficou tão entretido e entusiasmado com as próprias elucubrações que não via a hora de lutar pessoalmente para subjugar os inimigos e reinar absoluto no planeta do qual se apropriava.
On Pahrah, o comandante supremo dos espectros, o mais respeitado entre os chefes de destruição, como eram chamados entre si, olhava fixamente o grande artefacto construído por seus cientistas.
Diante de si, os restos mortais de um dos sacerdotes antagonistas.
Eles o raptaram, destruíram sua vontade e sugaram-lhe o restante das reservas de energia vital.
O que restava era apenas um cadáver, que mais parecia resquício de algo que nunca possuíra vida.
O chefe de destruição tinha a impressão que era vigiado de perto, porém não dispunha de nenhum sentido extrafísico desenvolvido, que lhe permitisse sondar ao redor.
Era apenas uma vaga impressão, algo instintivo.
De repente, uma sensação; algo se movimentava ao longo de sua espinha dorsal e, como se tivesse tentáculos, alastrava-se dentro de si.
Deu um pulo para trás e ficou de prontidão.
On Pahrah sentiu um gelo percorrer lhe o corpo, mas se recusava a ceder ao medo, afinal um guerreiro espectro jamais sentia medo ou temor de coisa alguma no universo.
A sensação logo passou, e, à medida que deixava de lado o que não compreendia, seus pensamentos se voltavam em direcção ao povo do continente vizinho.
Teria de submetê-los a qualquer custo, senão destruiria tudo.
Não poderia se sujeitar a ficar numa posição coadjuvante.
Chamou seus ministros e os demais chefes das milícias, pois queria notícias do outro continente urgentemente. Ignorava que uma alma destruidora, que o sondava naquele momento, acabaria para sempre com seus planos.
Enquanto isso, o maioral deu ordem mental para que os seis desarticulassem todo e qualquer aparato tecnológico, colocassem fim aos processos de comunicação no planeta e interferissem nos sistemas de defesa de ambos os continentes.
Queria-os desarmados, totalmente à mercê de seu poderio devorador.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 23, 2017 9:23 am

Assim os seis maiorais cumpriram a ordem, percorrendo aquele mundo de uma ponta a outra.
Quando o sistema de comunicação falhara de vez, por interferência magnética de altíssima potência por parte dos seis dominadores, o planeta entrou em colapso.
Ninguém conseguia mais notícias de lugar algum.
Todo o sistema de defesa, a economia e a manutenção da vida social vieram abaixo num único momento, num abrir e fechar de olhos, e em ambos os continentes.
Os demónios haviam feito seu trabalho com esmero e disciplina.
Caso alguém ou alguma cultura queira subjugar um mundo industrializado e totalmente dependente da tecnologia, basta agir como agiram esses ditadores.
Destruir os meios de comunicação isola as partes em conflito; desarticular o abastecimento eléctrico faz com que tudo pare de funcionar, e não muito mais do que isso é o suficiente para estabelecer o caos.
Deixa o povo susceptível, e os governos e governantes, abertos a negociar sua própria liberdade em troca de auxílio, vindo de onde venha.
Um incidente, no entanto, preocupou o ditador maioral.
Uma nave pousara no planeta.
Outra nave e mais outra circulavam pela órbita.
Uma vez que os habitantes daquele mundo não detinham conhecimento para construir naves, sobretudo etéricas, só se podia chegar a uma conclusão.
Eram os annunakis ou, quem sabe, alguém muito mais ameaçador a seus planos.
Mentalmente enviou uma ordem aos seis outros maiorais do abismo para ficarem de prontidão.
— Fiquem todos atentos.
Este mundo não durará muito mais do que um ciclo planetário.
Quero que cada um de vocês capture os mais expressivos sacerdotes; o mais importante de todos, quero-o para mim.
Eu o transformarei em marionete.
Tenho planos para ele.
O maioral teria de colocar seu plano em acção imediatamente.
Excelente na arte de rastrear mentes, o número 1 sondou ainda mais a mente do chefe dos espectros e descobriu onde estava guardado o artefacto e todos os acessórios dos quais dependia seu funcionamento.
Em seguida, deu ordem para o número 2 prosseguir com seus planos.
Dedicou-se especialmente aos chefes dos espectros.
A população saiu às ruas, apavorada com a situação, o colapso de energia e do sistema de comunicação.
Nenhum poder foi capaz de evitar o estrago que causavam correndo, depredando e destruindo tudo a sua volta.
O mundo estava em pane.
De repente, uma voz soou na mente dos chefes daquele continente, fenómeno que jamais experimentaram:
— Convoco vocês, chefes e maiorais dos espectros, a me servirem e se unirem a mim; do contrário, seu mundo e sua civilização sucumbirão diante do desespero da multidão e do colapso de toda a estrutura de comando de seu povo.
Seu conhecimento e ciência jamais poderão auxiliá-los.
Pela primeira vez em suas vidas, o pavor tomou conta dos dirigentes supremos dos espectros.
A voz ressoava em suas mentes com tal potência que era impossível algum deles duvidar de que se tratava de um ser fantasmagórico.
Nunca haviam tido notícia desse tipo de fenómeno.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 23, 2017 9:23 am

On Pahrah ficou em pé, completamente imóvel, enquanto os demais chefes e comandantes o miravam ou movimentavam-se a esmo, sem saber o que fazer.
Esperavam ordens de seu comando.
De súbito, ao perceber que estava diante de uma força muito mais potente do que a de todos seus servidores reunidos, resolveu tomar uma decisão drástica.
Afinal, já haviam decidido até pelo extermínio de sua própria civilização, se preciso fosse, e de suas próprias vidas, desde que levassem consigo os miseráveis do outro continente.
Uma alternativa à morte, qualquer que fosse, não poderia ser pior.
Ao menos, foi o que pensou.
— Aqui fala On Pahrah, senhor do continente e comandante das hostes dos espectros.
Seja lá quem for você, ninguém, nenhum ser, de qualquer recanto do mundo, jamais nos dominará.
Estamos prontos para a guerra, se for necessário.
Não nos subjugará — falou orgulhoso, olhando seus companheiros pelo canto dos olhos, com visível medo do que ocorreria a partir daquele instante.
Apostava tudo o que tinha num único lance.
— Então ousa me afrontar?
A mim, que domino reinos e planetas, que sou devorador de mundos e de almas, de vidas e civilizações? — ressoava a voz, cada vez mais potente, na mente dos chefes espectros.
Os comandantes tremiam, sem saber o que dizer ou fazer.
De todos os lados chegavam porta-vozes com notícias dos eventos que varriam o mundo.
Tudo desmoronava:
sua civilização, seu poder, seu sistema de armas e comunicação.
E o mesmo sucedia ao inimigo.
Então, concluiu o comandante, estavam diante de um inimigo novo, diferente e muito superior aos adversários do continente rival.
Ao pensar assim, deu a ordem de destruição:
— Activem a bomba imediatamente.
Activem o artefacto de destruição do fim do mundo. Agora!
E sua voz soluçava.
Não sabia que suas últimas palavras não foram ouvidas pelos seus comandantes e companheiros.
Caíra ao chão de repente, convulsionando diante dos comandantes aterrorizados.
Ninguém, nenhum espectro antes dele tinha deposto a vida dessa maneira.
Que arma teria sido usada?
Que inimigo mortal poderia estar chantageando e medindo poder com o poderoso povo espectro?
Espumava e se contorcia como ninguém antes dele.
— E agora, guerreiros espectros?!
Ainda ousam afrontar o seu deus?
Ousam não me obedecer?
Eu sou a estrela da manhã, sou o príncipe da alvorada; jamais poderão ficar contra mim sem que acabem como acabou seu antigo comandante supremo.
Quem é você, criatura dos abismos?
Fale, em nome da madre que nos gerou!...
— Quem sou? Chamem-me como quiserem; os nomes nunca me definem com precisão.
O que interessa é que quero vocês e seus exércitos me servindo por toda a eternidade.
Darei a vocês um poder com o qual jamais sonharam.
Serão minha elite guerreira e, juntos, conquistaremos mundos.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Set 24, 2017 11:56 am

— Jamais servirei a ninguém, criatura infernal! — gritou outro ser, brandindo algo que parecia uma espada.
Mas não poderia atingir o espírito demoníaco, pois ele vibrava numa dimensão ligeiramente diferente daquela em que eles se encontravam.
Apenas poderiam ouvi-lo e nada mais que isso, muito embora esse monstro pudesse afectá-los — afectá-los de maneira a ceifar-lhes a vida, como ficou demonstrado com a morte de seu chefe.
- Ninguém abusa do meu poder, miserável espectro.
Além do mais, não os quero em seus corpos atuais.
Quero-os do meu lado, na dimensão onde me encontro.
Aqui, neste outro universo, serão meus mais leais súbditos — e subitamente uma espécie de chicote de energia varreu o ar, ceifando as vidas dos dirigentes principais das milícias daquele povo guerreiro e sanguinário.
Os chefes e comandantes assistiram ao tombar dos próprios corpos; ato contínuo, viram-se frente a frente com um fenómeno, uma aparição.
Uma luz bruxuleante, fosca, vermelha parecia flutuar no ambiente onde os seres que perderam a vida física se encontravam.
Ali viram seu comandante supremo, que, como uma criança, choramingava, arrastando-se pelo chão, sem entender o que acontecera consigo.
Os demais, na medida em que a morte os transportara para esse ambiente criado pela mente do dominador, o número 1, viram-se em situação não muito diferente.
Tremiam muito e por fim ruíram perante o fenómeno luminoso, que aparentemente era quem lhes emitia os pensamentos, a suas almas marcadas pelas lutas e guerras de milénios sem fim.
Ali, depararam com o maior fenómeno extrafísico de toda a sua vida miserável.
— Eu sou o que lhes chama para viverem para mim e por mim.
Preciso de vocês para dominar todos os espectros.
Em troca, ofereço vida, domínio e poder como jamais experimentaram em suas existências deploráveis.
— Quem é você que despreza nosso povo e nosso comando, que nos humilha e subjuga diante de nossos semelhantes?
— Eu sou o alfa e o ómega, o ser a quem devem temer muito mais do que a morte, que acaba de ceifar suas miseráveis vidas.
Mas eu as restituo a vocês.
— Você é um louco dos infernos!
Suas palavras não nos dizem nada.
— Sei que minhas palavras não têm sentido para vocês; contudo, posso mostrar-lhes o que reservo a quem me segue e me serve — e o fogo, a chama flutuante, pareceu rasgar o espaço em seu entorno e abrir uma tela fluídica, na qual mostrou o espaço infinito.
Olhando mais, os chefes dos espectros viram um mundo, o seu mundo de origem; não sabiam que o maioral havia esquadrinhado suas mentes e buscado o registro de suas memórias.
Ali, organizou as imagens e as transferiu para a tela fluídica que estava à frente dos comandantes.
— Eu os levarei ao seu mundo um dia; prometo que lá dominarão para sempre.
Quero apenas que me ajudem a conquistar outros planetas e, quando retornarem à sua pátria, serão recebidos com honras e glórias, pois levarão o prémio de muitos mundos e civilizações que ajudaram a conquistar.
Serão meus herdeiros e terão o poder nas mãos — sagaz e habilmente, o maioral tocou no ponto fraco de um povo guerreiro.
Eles desejavam a todo custo retornar um dia a seu mundo natal e ser reconhecidos por todos, receber as honras de seus governos e poder se assentar novamente no comando de todas as castas.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Set 24, 2017 11:56 am

A hipnose funcionara, pois agora os comandantes mais bárbaros estavam mortos, em corpos de matéria astral.
Assim, poderiam absorver mais e mais as sugestões mentais que lhes eram dadas.
De modo que aceitaram o pacto com o demónio, com o maioral dos infernos, das regiões ínferas da consciência cheia de culpa e crimes.
Enquanto isso, os tripulantes da nave dos annunakis chegavam, juntamente com os de outro sistema, que vinham para auxiliar na remoção do povo da superfície do planeta.
Os annunakis se concentraram nas radiações mentais armazenadas em seus bancos de dados, a respeito dos maiorais e de seus 600 irmãos de desterro.
Entrementes, as tropas de Miguel se reuniam no espaço próximo ao quinto planeta.
Eram milhares de seres luminosos, que vieram pessoalmente retomar o controlo sobre os seres do abismo, arrojando-os no terceiro mundo por um período demasiado longo de suas existências.
O maioral pressentiu os acontecimentos.
Mas não queria nada mais desse mundo miserável.
Queria mesmo que fosse destruído, e para isso deu a ordem final ao segundo em comando.
Queria os espectros do seu lado, na outra dimensão temporal, onde se encontrava.
Ali, com a multidão de seres ferozes, as bestas-feras do espaço, formaria sua legião de soldados.
Enfrentaria o próprio Miguel em pessoa e sairia vencedor.
Afinal, os espectros representavam pelo menos um terço da população daquele planeta; era um exército nada desprezível de almas rebeldes.
Ao mesmo tempo, as legiões do espaço aproximavam-se velozmente do quinto planeta, mas já não poderiam fazer nada para evitar a morte de um mundo.
Deram ordens aqui e acolá e conseguiram, num único lance, com a ajuda dos exércitos de Miguel, retirar toda a população espiritual das regiões próximas à crosta.
Os demais seres, ainda em corpos materiais, seriam levados do planeta logo após os eventos que marcariam o fim daquele mundo e daquela humanidade.
Apenas os corpos físicos pereceriam; a população de espíritos seria transferida para o segundo planeta do sistema, mais compatível com sua forma de vida, para mais tarde ser decidido seu futuro, em carácter duradouro.
Esses eventos demoraram pelo menos um quarto do ciclo planetário, tempo que o quinto mundo do sistema demorava para dar uma volta em torno do Sol.
Auxiliados pelos espíritos de outros orbes, que vinham com imensos comboios, foram recolhidos os seres a serem transportados ao segundo mundo do sistema, onde poderiam se refazer dos últimos acontecimentos.
Tudo isso demandou dilatado tempo, enquanto o maioral preparava o derradeiro golpe naquela humanidade e naquele mundo.
Mas não antes de aprisionar os representantes do governo do outro continente e submetê-los ao seu poder mental desmedido.
Logo depois, os acontecimentos se precipitaram.
O número 2 conseguiu usar suas habilidades psíquicas para fazer com que os cientistas dos espectros levassem o artefacto até o túnel que haviam perfurado, aprofundando-se chão adentro, rumo ao núcleo do planeta.
Não chegaria até a camada central, mas ficaria numa região suficientemente próxima a ele.
— Vamos, ser abjecto! — falava o número 2, o senhor da guerra, ao espectro.
— Não posso; não recebemos a ordem do nosso comando supremo, ainda.
— Você escolhe, sua cria dos infernos.
Ou me obedece livremente ou assumo sua mente.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Set 24, 2017 11:56 am

Só que, se eu o fizer, depois se transformará numa criatura imprestável, sem alma nem consciência.
Deixarei em ruínas seu espírito.
O espectro submeteu-se imediatamente à ordem.
O artefacto da destruição foi levado para o local previamente escolhido pelo comando daqueles seres guerreiros.
Desceram por montanhas íngremes e, depois, numa cratera de um antigo vulcão, localizaram o lugar onde o instrumento de destruição em massa seria depositado.
A população do planeta, em pânico diante do desmoronamento da estrutura geral do seu mundo, da falha permanente do sistema de comunicação, estava enlouquecida, e ninguém mais segurava a multidão.
Em todas as cidades havia manifestações pelas ruas, depredação, destruição e morte.
Um cataclismo humano imprevisível se abatera sobre o povo e seus governantes, ou o que restara deles, arrebatados pelo medo imposto por eles próprios através da religião castradora.
Os que restaram da grande irmandade que dirigia aquele povo interpretavam os acontecimentos como punição divina.
O artefacto do fim do mundo fora colocado no local previamente acordado.
Isso seria o bastante para causar o efeito mais devastador que a história desse sistema poderia presenciar.
O segundo em comando, alcançando seu intento, bateu em retirada, deixando sua marionete sozinha ali, sem saber o que fazer.
Ele morreria de qualquer maneira — pensou o número 2.
Deixaria para o número 1 a tarefa de detonar o artefacto, com suas habilidades mentais.
Mesmo de longe, ele teria êxito.
Mas não foi assim que preferiu o endemoniado ditador.
Ele optou por usar seu poder de subjugação para agir através dos cientistas, implantando um comando mental em suas mentes, uma forma-pensamento que comandaria todo o processo de destruição.
Agora, eles teriam de enfrentar os exércitos de Miguel e, assim que os espectros perdessem a vida na grande explosão, serviriam a ele, que conseguira dobrar os comandos dos espectros.
Juntos, enfrentariam Miguel.
Eram mais de um milhão de soldados, dos mais cruéis que aquele mundo conhecera.
Ele venceria os exércitos celestes com seu exército de seres vampiros — assim acreditavam o maioral e os demais dirigentes das sombras.
Mas Miguel não pensava assim.
Chegavam de todo recanto da nebulosa, da Via Láctea, reforços para auxiliar a humanidade daquele mundo; ao mesmo tempo, as fileiras dos espíritos superiores expandiam-se cada vez mais.
Vinham de Sirius e de Órion, principalmente, aumentando o potencial dos servidores da justiça sideral.
Mas o maioral ainda não sabia disso.
Enquanto o trabalho de evacuação do quinto mundo estava em andamento, a ordem foi dada.
O maioral simplesmente accionou, à distância, o implante da forma-pensamento, uma célula na mente de um dos cientistas.
E este deu início ao evento mais drástico e inumano da história daquele mundo.
Entre as fileiras dos servidores da justiça, todos ficaram inquietos.
A comoção era geral.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Set 24, 2017 11:57 am

Os annunakis, que vieram com suas naves para o planeta, foram convocados a retornar a suas posições nas naves e dirigir-se a determinada região do espaço, aguardando ordens.
Não poderiam fazer mais nada, agora.
Enlil entrou em pânico, juntamente com seus conselheiros e amigos.
Um vago sentimento emergia de seu inconsciente, enquanto a culpa parecia querer dominá-lo a tal ponto que pediu para ser sedado e adormecido.
Queria acordar somente quando estivessem no mundo-prisão.
Mas senhor?
Não podemos fazer isso.
Sua presença é fundamental para conseguirmos chegar ao terceiro planeta.
Poucos aqui possuem habilidades mentais e extra-sensoriais como o sagrado Enlil.
— Não aguento mais minha mente.
Pensamentos horríveis se passam dentro de mim, e temo por minha saúde mental.
Estou atónito com o fim deste mundo.
Não posso conceber uma barbaridade dessas.
Nem sei ao menos o que pensar.
Serão os degredados, os senhores do caos que fizeram isto ou este mundo de qualquer maneira já estava por passar por esta situação?
Terão eles apenas adiantado o processo de destruição em massa ou terão sido os motivadores e causadores desse assassinato em massa?
Não suporto a ideia de conviver com algo tão medonho.
Enlil entrou num processo de depressão imenso; uma tristeza profunda invadiu sua alma.
Somente com a ajuda de seus irmãos e parceiros pôde vencer a loucura que ameaçava dominá-lo.
Após receber apoio energético e ser internado na enfermaria da nave de transição é que se acalmou, embora seu semblante nunca mais tivesse sido o mesmo.
Convivia com indefinível sentimento de culpa.
A nave de transição retirou-se para a órbita do planeta gigante gasoso.
Ali, receberia ajuda de três outros comboios, pois sua nave estava avariada e, sozinha, não conseguiria chegar ao terceiro mundo.
Enki estava preocupado com as ocorrências.
Parecia que algo muito terrível sucedia.
Recebera notícias de que as legiões sublimes de dimensões mais altas se reuniram em torno do Sistema Solar.
Seria necessário proteger os outros sistemas a qualquer custo.
A rebelião teria de chegar a termo ali mesmo, antes que a destruição daquele planeta causasse uma repercussão vibratória que afectasse a vida dos sistemas vizinhos.
O equilíbrio de muitos mundos estava em jogo.
Caso as ondas de destruição do planeta se propagassem no espaço à sua volta, além do cinturão de asteróides que separava o sistema depois do último planeta — o qual, milhares de anos mais tarde, seria conhecido como cinturão de Kuiper —, a constante gravitacional dos demais mundos poderia ser afectada.
Isso causaria enchentes, destruição, mudança nos eixos planetários, e não se poderiam prever quais outros cataclismos ocorreriam nesses mundos.
O alarme do Sistema Solar chamou a atenção de diversos povos da Via Láctea, que enviaram seus representantes para ajudar a conduzir a população daquele mundo a um lugar seguro, em outro orbe.
Também vieram os mais hábeis cientistas de seus mundos, a fim de estudar os eventos e as possibilidades de intervenção.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Set 24, 2017 11:57 am

Evitariam, ao máximo, que a destruição do quinto planeta pudesse desencadear energias que comprometessem os sistemas de vida nas proximidades.
— Que fazer, Miguel? — perguntou um dos representantes da estrela Vega.
Nunca enfrentamos algo dessa proporção neste quadrante do espaço.
Miguel fitou um a um os representantes daqueles mundos, reunidos com ele e seus oficiais guardiões.
Após buscar inspiração dos dirigentes da Via Láctea, falou, profundamente tocado:
O problema aqui, meus irmãos das estrelas, não é somente evitar a catástrofe energética que afectaria os demais mundos, tanto os que iniciam seu processo evolutivo quanto os demais, que já estão em desenvolvimento.
Precisamos garantir, de uma vez por todas, que as hostes dos dragões não saiam do terceiro mundo.
Não, pelo menos, enquanto os dirigentes planetários não definirem, no tempo certo, para onde irão.
Esta será a última tentativa visando à regeneração desses espíritos.
Eles já esgotaram todas as oportunidades de regeneração.
Caso permaneçam soltos, ou mesmo lhe sejam dadas oportunidades indefinidamente, como esta que têm, poderão chegar ao extremo de perder a própria individualidade, sendo reabsorvidos no grande oceano das consciências a que denominamos de princípio de vida.
Isso significaria o aniquilamento de suas consciências, pois que seus corpos etéreos não mais suportam o peso de suas culpas e o horror de seus crimes.
— E como faremos isso?
Você, nobre imortal, terá condições de fazer algo assim?
De aprisioná-los por um tempo tão longo a ponto de não mais saírem daquele mundo, a não ser por decreto dos dirigentes da nebulosa?
— Todo o poder para tanto me foi concedido. Contudo, acabo de receber dos dirigentes siderais, que se reúnem na estrela central da Via Láctea, que um dos dirigentes virá ele próprio e, no tempo devido, se corporificará no terceiro planeta.
Levará pessoalmente as directrizes sublimes e as bases do Reino.
Quando soar o tempo no relógio do Eterno, um dos cinco integrantes do grupo selecto de dirigentes da evolução na Via Láctea se dirigirá para o mundo-prisão e, lá, ele próprio enfrentará o dragão e seus asseclas.
— Isso não é por demais perigoso, nobre querubim? Uma vez corporificado entre os humanóides do planeta, estará sujeito às leis físicas e psíquicas da dimensão aonde se dirigirá.
Pode ser um risco incalculável, essa empreitada.
— Não tenho acesso, ainda, aos mecanismos e detalhes do grande plano.
Entretanto sei, nobres irmãos das estrelas, que muitos de vocês serão convocados para também darem sua contribuição ao processo educativo desses milhões de almas que para lá rumarão.
Agora mesmo, Enki, um dos nossos mais expressivos agentes, chega ao terceiro mundo com uma leva das almas aprisionadas.
Ao longo do tempo, muitos outros mundos enviarão seus deportados para o mesmo planeta.
Isso fará com que muitos irmãos das estrelas, que guardam sintonia com os deportados de seu mundo, possam para lá se dirigir, também.
— Pode contar com os parceiros de Órion, nobre Miguel, príncipe dos exércitos celestes.
Estaremos a postos e velaremos por aqueles que forem indicados pelos senhores dos mundos, a fim de que sejamos sua referência.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Set 24, 2017 11:57 am

— Nós também, caríssimos irmãos das estrelas — manifestou-se mais um emissário, de outra região do espaço.
De Sirius, enviaremos nossos representantes para o mundo-prisão.
Estamos dispostos a mergulhar na carne, na dimensão mais sombria, se preciso for, para auxiliar os espíritos infantis a descobrirem sua origem nas estrelas.
Mais espíritos, entre eles seres ainda de posse de seus corpos físicos, ali desdobrados, e outros ainda corporificados, mas com seus sentidos extra-físicos expandidos, acompanharam a reunião numa das luas do quinto planeta.
Estavam muito interessados no andamento da situação espiritual e política no Sistema Solar.
Um dos representantes da imensidade se adiantou aos demais e levantou uma questão muito importante:
— Preocupo-me com uma situação em especial, nobres amigos.
O sinal de alerta foi emitido.
Um sistema de comunicação foi accionado desde o quinto planeta, e não há como não interceptar os sinais de rádio numa velocidade ultraluz.
Contudo, não somente nossos mundos poderão ter captado os sinais.
Outros povos, que ainda não despertaram para nosso sistema de vida e o comprometimento com a segurança do cosmo poderão, também, haver captado os sinais de aleta.
Outras culturas, — detentoras de conhecimento e com aparato tecnológico avançado — porém, sem escrúpulos ou algum comprometimento ético —, poderão ter sua atenção despertada para este quadrante do espaço.
Este sistema solar poderá ser visitado em breve por tais culturas.
Não sabemos o que poderá suceder.
Um dos integrantes da comitiva de Nibiru ali presente, tendo suas capacidades psíquicas expandidas, participou da conversa:
— A preocupação é pertinente, mas não creio que possamos fazer nada contra essa possibilidade.
Pelo menos, podemos contrabalançar a situação.
Tiamat é um mundo primitivo, mas com um bioma incrivelmente rico, uma profusão de formas de vida inimagináveis em outros mundos, muito embora permaneça como mundo primitivo.
Minha ideia é que cada um de nós, cada mundo aqui representado, possa enviar a Tiamat seus representantes, de tempos em tempos.
Podemos fazer equilibrar a balança, no sentido de participarmos activamente da formação cultural do planeta, das civilizações que ali nascerem.
Estaremos presentes em cada etapa da história desse mundo novo.
Nós mesmos seremos beneficiados, pois conseguiremos registrar passo a passo a aurora de uma nova civilização e de uma nova raça.
Miguel viu com bons olhos a proposta do annunaki e consentiu mentalmente.
Não se demorou muito ali, pois tinha de solucionar urgentemente a questão com os daímons.
Os demais ficaram encarregados de conceber um plano de emergência para auxiliar os degredados e evitar danos maiores à estrutura energética e gravitacional, que poderia se reflectir nas órbitas dos mundos mais próximos.
— Tenho uma proposta e gostaria que todos pudessem considerá-la — disse um representante de um dos mundos da nuvem de Magalhães, que eram seres com formato totalmente diferente dos humanóides de outras raças.
Que tal nos juntarmos e construirmos uma estação de observação no satélite natural de Tiamat, para onde serão levados os deportados?
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Set 24, 2017 11:57 am

Podemos, em conjunto, erguer um tipo de observatório adaptado internamente aos vários tipos de raças aqui representados.
De lá, teremos uma visão mais abrangente dos povos no planeta e, desse local, podemos enviar nossas naves e comboios com a maior rapidez possível, caso haja necessidade.
A ideia pareceu agradar a todos os representantes daqueles orbes.
A lua do terceiro planeta seria, então, preparada para receber os guardiões do novo mundo.
— Acrescento uma ideia, se me permite o nobre companheiro do espaço.
Quem sabe possamos definir um tempo para nossa base ali funcionar, e, depois, assim que os guardiões planetários decidirem, podemos ceder a eles o controle dela, de modo que constituam ali seu quartel-general, de onde poderão mirar todo o planeta; inclusive, com o equipamento e a tecnologia adequados, observar as dimensões mais próximas da crosta.
— Isso é algo perfeitamente possível — aventurou-se um representante de Órion.
Contudo, não soluciona o problema presente, isto é, a possibilidade de as ondas de choque vibratórias emitidas quando da morte do quinto planeta se irradiarem até outras comunidades do espaço.
Não creio que nós, mesmo em conjunto, detenhamos tecnologia tão desenvolvida a ponto de podermos, agora, desviar esse pulso electromagnético, que provavelmente afectará a estrutura energética do espaço onde se localizam as comunidades circunvizinhas.
Um grupo de engenheiros siderais ficou responsável por desenvolver a estrutura que deveria ser erguida no satélite natural da Terra.
Enquanto isso, os representantes das estrelas discutiam como fazer para evitar o efeito dominó, a repercussão vibratória da destruição do planeta.
— Acredito que temos ainda pouca informação sobre o processo de destruição deste mundo.
Temos de averiguar todas as possibilidades e implicações.
Um dos seres que fazia parte dos exércitos de Miguel, um dos guardiões da eternidade, que até então estivera em silêncio, adiantou-se e falou:
— Teremos ainda algum tempo antes que ocorra a total destruição do planeta em si.
Temos notícias de que o artefacto accionado não é uma bomba, no sentido habitual do termo.
Os espectros alteraram os planos originais dos engenheiros do outro continente.
Desenvolveram algo muito diferente.
Caso a primeira bomba tivesse sido detonada pelos sacerdotes ou pela sua ordem, realmente o planeta físico seria totalmente despedaçado, imediatamente.
O poder de destruição seria total e imediato.
Contudo, com o novo projecto dos espectros, a bomba tem um efeito radioactivo.
Destrói toda a vida orgânica do planeta, durante um período mais dilatado, mas não muito mais do que em uma semana do tempo padrão deste mundo.
— Então, o planeta em si, como astro, não será destruído?
— Não imediatamente.
O mundo como o conhecemos, com sua civilização, será dizimado.
Não há como reverter tal situação.
De qualquer maneira, a própria população deste globo já havia decidido por algo assim.
Os dirigentes já sabiam que o artefacto poderia destruir completamente seu planeta e, mesmo assim, desenvolveram a arma de destruição total e optaram por detoná-la.
Era apenas uma questão de tempo.
Por isso, os dirigentes espirituais do mundo resolveram intervir e transferir imediatamente a população invisível para o segundo planeta do sistema.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Set 24, 2017 11:57 am

— Então estaremos nos preocupando antes do tempo com o processo de repercussão magnética que poderia afectar outras comunidades do espaço?
— Não, meu amigo de Vega.
O perigo é real.
Além do trabalho gigantesco de reurbanizar a contraparte astral do segundo planeta para receber e alojar os seres do quinto mundo, teremos de transportá-los todos.
Isso já está em andamento, e as nossas legiões, juntamente com vocês, nobres amigos das estrelas, já estamos trabalhando diuturnamente para dar conta de tudo.
A mera concepção de transferir os seres que estão ainda de posse de seus corpos físicos, num tempo tão curto, mostra-se impossível.
Temos de levar em consideração a natureza insalubre do segundo mundo.
Fisicamente, ele não comporta um sistema de vida como o das pessoas que aqui vivem.
Mas existe a possibilidade de a civilização astral daquele planeta abrigá-los após o descarte biológico final.
Não poderão ser abrigados naquele mundo em seus corpos físicos atuais.
Diferentemente do que ocorre com os degredados de Nibiru em relação ao terceiro planeta, para onde muitos estão sendo transportados em corpos físicos.
— Embora o termo corpo físico — falou um dos representantes de Nibiru — tenha um significado muito amplo.
— Que quer dizer com isso, annunaki? — perguntou o representante de um dos mundos de Sirius.
— A matéria densa de nosso mundo, da qual são constituídos nossos corpos, por assim dizer físicos, não é do mesmo grau de densidade da matéria de Tiamat.
Vibramos em uma densidade energeticamente menor do que a matéria do terceiro mundo, mas, mesmo assim, restam pontos de ligação.
Nossos corpos poderão ser classificados de semi-materiais.
Porém, com o passar dos milénios, poderão ocorrer mudanças substanciais tanto em nossos corpos quanto nos corpos de possíveis humanóides que se desenvolverão na superfície desse planeta primitivo.
O guardião das hostes de Miguel acrescentou:
— Sábia observação, amigo annunaki.
Creio que a matéria mais densa de seus corpos poderá ser comparada com a matéria etérica dos corpos dos animais e primatas do novo mundo.
Apesar disso, segue sendo matéria.
Correlação semelhante não se dá entre os povos deste mundo e o tipo de civilização do segundo planeta.
Lá ainda não se desenvolveram corpos materiais, mas existe uma vasta civilização forjada na matéria exclusivamente astral e etérica daquele orbe.
Não há contacto com uma matéria tão densa; por isso, os corpos físicos deste mundo que expira não encontram elementos de conexão com o mundo para onde irão.
Têm de migrar em corpos espirituais.
Mais ainda, encontrarão uma civilização etérica muito mais desenvolvida do que a deles.
Será, de facto, um choque cultural imenso.
— Enfim, não irão em corpos densos como os que habitam, isto é, terão de morrer antes — acrescentou um dos
representantes de Órion.
— Isso mesmo.
Essa é uma situação inevitável.
O que realmente importa é que serão amparados e, ainda que o mundo físico deixe de existir, em nada será afectada a vida além dos limites da matéria.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Set 24, 2017 11:58 am

O mundo original continuará existindo, e os seres, vivos na imensidade, poderão recomeçar em outras paragens seu processo de crescimento e aprendizado, em outra escola planetária.
Independentemente do tipo de corpo que encontrarão e que lhes servirá de instrumento ao crescimento.
Certo alívio pareceu diluir as apreensões da assembleia.
Porém, o representante dos guardiões de Miguel levantou outro aspecto.
— Meus amigos das estrelas, sei muito bem da preocupação de vocês, e conhecem a nossa, em relação aos eventos finais deste mundo.
Podemos considerar que esta civilização enfrenta seus últimos momentos.
Este mundo estertora, a vida orgânica será destruída; entretanto, o planeta continuará sua trajectória pelo espaço.
Temos de considerar que o armamento que é disparado agora poderá modificar a rotação do planeta, tanto quanto interferir em sua órbita em torno do Sol.
Nossos engenheiros cósmicos já calcularam pelo menos dez variações prováveis da rota deste mundo, que vagará sem vida em torno do Sol.
Porém, como sabem, este sistema é ainda jovem.
Muitos meteoros, cometas e outros corpos celestes cruzam constantemente o sistema, chocando-se ora com um mundo, ora com outro.
A estabilidade só será alcançada daqui a milhões de anos.
Por ora, é assim que funciona a situação a que os engenheiros siderais denominam trajectória oscilante, ao considerarem este mundo.
— Não havíamos pensado nisso, guardião — interrompeu um dos cientistas de um dos mundos ali presentes.
Então, uma vez fora da sua trajectória original, o quinto planeta poderá se espatifar, sendo atraído pela gravidade de um dos mundos desse sistema, ou poderá ser atingido por outro astro, algum bólide intruso que poderá causar sua destruição efectiva.
— Isso mesmo, amigo do espaço.
Então, em conformidade com essa teoria de nossos cientistas, disporemos de certo tempo entre o colapso da vida neste mundo e a destruição final, no que concerne à sua estrutura física.
— Um mundo destruído duas vezes.
— Não, meu amigo — falou o guardião.
Um mundo destruído, mas em duas etapas.
Além disso, o problema não é assim tão simples.
Precisamos prever mais variáveis, quando pensamos no sistema de vida do terceiro mundo.
Já que para este planeta não há escapatória, devemos montar um plano de evacuação geral para o terceiro mundo, caso algo saia do controle.
— Por isso a base no satélite de Tiamat será um importante observatório para avaliarmos não somente os eventos na superfície do planeta e em suas dimensões mais próximas, mas também para fazermos as observações e medições quanto aos possíveis eventos que serão desencadeados pela possibilidade de um astro intruso penetrar neste sistema.
— Mais ainda, meus amigos, para ficarmos atentos, caso a trajectória do quinto planeta seja realmente alterada e ameace os sistemas de vida dos outros mundos, numa possibilidade de chocar-se contra algum deles.
Aí, sim, a situação dos demais planetas poderá ser realmente desafiadora, considerando-se que cada qual tem suas humanidades e civilizações.
Algo dessa proporção poderá desencadear um processo de agravamento na constante gravitacional deste quadrante do espaço.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Set 24, 2017 11:58 am

Nem podemos imaginar o que isso significaria para as populações dos mundos circunvizinhos.
O silêncio tomou conta da assembleia.
Os seres representantes de outros mundos viram como a situação do Sistema Solar não era nada trivial.
Teriam de se unir por longos períodos de tempo a fim de patrulhá-lo, buscando preservar a segurança galáctica.
De qualquer maneira, o trabalho nesse sistema levaria milhares de anos, a contar daquele momento.
Estavam realmente em guerra.
Os dragões, podendo interromper o fluxo dos acontecimentos, apenas precipitaram os eventos.
Caso tivessem impedido a destruição do mundo, mesmo que por interesse próprio, tal gesto poderia ser levado em conta ao se avaliar seu processo reeducativo e transmigratório.
Mas ao contrário: podendo deter os lances finais, apenas instigaram e adiantaram o processo, sendo responsáveis directos pelos acontecimentos que definiriam o fim do quinto planeta.
Podendo auxiliar, impulsionaram a destruição.
Isso os fazia partícipes directos e responsáveis pelas vidas de biliões de seres, de toda uma humanidade.
Enquanto isso, Miguel resolveu intervir de forma mais directa, não mais postergando qualquer acção.
Em torno do quinto planeta já estava a postos sua comitiva de guardiões, de agentes da justiça sideral que vigiavam, entre mundos, os eventos cósmicos daquela época recuada, no passado remoto da humanidade que viria a habitar Tiamat.
O artefacto da destruição final foi accionado.
O número 1 volitava sobre sua urna, amparado pelos campos de força que o sustentavam sobre a arca que era, para ele, um instrumento de tecnologia inexpugnável.
Junto dele, os outros maiorais
aguardavam a explosão, na esperança de que os milhares de espectros abandonassem seus corpos físicos assim que a bomba explodisse.
Mas algo estava errado.
A explosão não aconteceu, ao menos não da forma como os daimons esperavam.
E a ira tomou conta dos sete maiorais da escuridão.
Uma luminosidade forte, esbranquiçada, foi pouco a pouco irradiando do epicentro do evento.
Terremotos, tremores cada vez mais fortes atingiam aquele mundo, enquanto milhares e milhares de vidas eram ceifados, ora por um evento catastrófico, ora por outro.
Não se tratava de luz natural, tampouco se assemelhava à luminosidade a que estavam acostumados os habitantes do planeta.
Era uma luz ofuscante, de uma espécie de radiação que dizimava tudo ao redor.
Pouco a pouco, a radioactividade foi se espalhando debaixo da terra, nas entranhas do planeta, tanto quanto na superfície.
Todo o sistema de vida daquele mundo foi severamente afectado, agonizando lentamente, em meio ao sofrimento que um acto dessa ordem provocava.
Miguel sentiu a garganta secar.
Engoliu as lágrimas e avançou rumo aos daimons.
Fontes de águas, oceanos, mares e florestas com seus animais — toda a flora e a fauna do planeta foram dizimadas pela onda de destruição em massa.
Nada sobrevivia onde a onda radioactiva atingisse.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Set 24, 2017 11:58 am

Parecia que forças descomunais aterradoras, forças do inferno, resolveram se soltar para exterminar de vez a vida de inumeráveis criaturas.
Os animais, dos selvagens aos domesticados, foram os primeiros seres vivos a serem atingidos.
Pústulas sangrentas apareciam nos corpos de todos eles, para depois caírem ao chão com as carnes feridas e diluídas em pus, devido ao material radioactivo.
Outros animais, as plantas e os humanóides do planeta, ao serem atingidos pela radiação infernal, paralisaram-se em meio aos movimentos, pois seu princípio espiritual abandonara seus corpos definitivamente.
Ouviam-se gritos e gemidos em todo lugar.
Petrificados, os mortos foram preenchendo o campo de visão nos dois continentes do planeta.
Os gritos se transformaram em clamor.
Os daimons, impassíveis, não cogitavam ajudar no que quer que fosse.
E os espectros?
Onde estavam os miseráveis espíritos daqueles seres?
O daimon número 1 emitiu um grito mental, invocando os que pretendia ter como aliados na guerra contra Miguel.
Mas nada. Os espectros, ao terem seus corpos dilacerados pela radiação, encontravam-se em situação mental e espiritual nada favorável.
Eram assassinos mortais, vampiros energéticos de grande perigo.
Portanto, a morte os pegou de maneira que, assim que se viram fora dos seus corpos físicos, tombaram ao chão chorando e gritando, entregues a autêntico sofrimento, imposto pelo peso de suas consciências, que lhes cobravam os crimes perpetrados.
O sofrimento inenarrável, mental e emocional, fez deles seres imprestáveis, pelo menos naqueles derradeiros momentos, incapazes de tomar qualquer decisão.
O inferno era dentro deles próprios.
Aprisionados pelos grilhões da culpa, não conseguiam sequer receber ou perceber o chamado dos dragões.
O número 1 e sua comitiva urravam como loucos, tamanha a raiva, tamanho o ódio, o rancor e o remorso ao mesmo tempo.
Não previram todos os pormenores.
Ao sondar as mentes dos arquitectos da destruição, apenas extraíram informações superficiais, nada detalhado; portanto, não sabiam como o funcionamento da bomba se daria.
O ódio inflamou suas almas de tal maneira que nem ao menos viram Miguel se aproximar com seus exércitos do espaço.
Naves de transporte, elaboradas em matéria etérica, recolhiam o enorme contingente populacional que abandonava o corpo físico e, em estado de sono induzido, era encaminhado aos compartimentos das naves.
O mundo logo abaixo estremecia e se diluía com o genocídio; a morte se alastrava lentamente e atingia todo lugar.
Por uma semana do tempo padrão daquele mundo a destruição continuou.
Não restava nada mais do que uma pálida lembrança de que naquele mundo houvera uma civilização.
Escolheram seu próprio caminho, fizeram a escolha baseada nas propostas de seus dirigentes.
Mas nem tudo saiu como planearam.
A destruição chegou, e tudo à volta já não tinha mais vida.
Edifícios monumentais e imponentes agora estavam reduzidos a carcaças corroídas pela radiação.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Set 24, 2017 11:58 am

O planeta, caso sobrevivesse a esses eventos, poderia demorar muito mais de 100 mil anos até poder ser novamente visitado por qualquer tipo de vida.
A vegetação já não existia, e toda a vida animal, petrificada, destituída de vida, de vitalidade, assim como os homens, já não existiam mais.
Os dirigentes espirituais daquele mundo choravam ao sobrevoar o espaço acima do que antigamente fora uma das mais pujantes metrópoles do planeta.
Amparados pelos emissários de Miguel, transferiram-se para o segundo mundo do sistema; lá, reconstruiriam sua história, suas vidas, talvez contando para as gerações futuras acerca dos eventos finais, que ficariam para sempre em suas memórias, como se fosse uma lenda de um mundo perdido, do qual foram apartados devido à ignorância do seu povo.
Ali, ou a partir dali, reconstruiriam sua história, pois sabiam que nada está perdido e que os mundos da amplidão são estágios de aprendizado, tal como os corpos físicos são apenas vestimentas que, em um tempo ou outro, são abandonadas.
Em outras estâncias, se corporificariam novamente, e continuariam sua trajectória de aprendizado.
O avanço de Miguel não pôde ser disfarçado.
Os daimons se juntaram, tentando formar uma frente de combate, mas muito pouco ou nada puderam fazer.
Miguel combatia junto com seus emissários; ao mesmo tempo, recolhiam os espíritos recém-vindos da destruição, tanto quando os mais de 600 seres da escuridão, conterrâneos dos dragões ou pertencentes à sua falange.
Um campo de contenção potentíssimo foi accionado pela união das forças mentais de Miguel e seus aliados guardiões.
Os daimons rugiam como feras do inferno, pronunciando impropérios contra as forças patrocinadoras da evolução.
Miguel não deixaria que fossem escoltados pelas naves etéricas.
Ele mesmo os levaria, junto com seus guardiões, às prisões eternas, nos recantos mais sombrios do terceiro mundo.
E viu-se, desde então, rasgar-se o firmamento, enquanto um exército de seres luminosos varreu a escuridão do espaço rumo a Tiamat.
Eventos insólitos e curiosos marcaram aquele momento.
Descargas electromagnéticas, luzes que apareciam e se diluíam na escuridão do espaço e, mais ainda — avistava-se ao longe, advindos do centro da Via Láctea —, estranhos fenómenos, que pareciam assinalar a ocasião em que as forças das trevas eram aprisionadas nas regiões ínferas do terceiro mundo, o mundo-prisão.
Miguel, juntamente com as legiões de seres luminosos, rumou directamente para o Sol, a estrela central do sistema, o maior fulcro de energias daquele quadrante, que banhava os mundos com vida e do qual todos dependiam.
De lá, partiu um jacto de puro magnetismo, como reflexo das energias titânicas elaboradas no interior da estrela, o qual envolveu o terceiro planeta numa redoma energética, imperceptível aos olhos de qualquer ser mortal, mas perfeitamente visível por quem se aproximasse do espaço e tivesse sua sensibilidade suficientemente aflorada para as percepções da vida sublime.
Aprisionados no planeta, os daimons não mais poderiam regressar às estrelas do firmamento, não sem o consentimento dos dirigentes espirituais do novo mundo.
Somente eles guardam as devidas credenciais para administrar os destinos dos seres que estariam, ao longo dos milénios, em processo de aprendizado na escola planetária.
— Nunca vi nada assim! — pronunciou um dos habitantes de Órion.
— Qual tecnologia será capaz de retirar energia do próprio Sol e manipulá-la, de forma a criar um campo — tão poderoso como este?
Em nossa galáxia não há nenhuma cultura capaz de tal proeza.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Set 24, 2017 11:59 am

— O mundo em ebulição estava sendo evacuado com a ajuda dos irmãos das estrelas.
Uma legião de espíritos guardiões estava auxiliando no relocamento dos seres do quinto planeta para o segundo mundo do sistema.
Enquanto isso, aquele mundo vazio, agora radioactivo, havia estremecido em sua estrutura.
Não deixou de haver uma explosão, mas ela ocasionou, em vez da desintegração do orbe, a modificação do eixo do planeta, a ponto que ele ser inteiramente perturbado, como uma fruta é chacoalhada numa árvore durante a tempestade.
A órbita fora alterada, conforme previra o emissário dos guardiões de Miguel.
Caminhava quase sem rumo, oscilando, até que mais tarde encontraria um astro em seu trajecto, o qual selaria para sempre seu destino.
— Milhares de anos mais tarde, restaria desse evento um cinturão de asteróides circulando entre o quarto e quinto planetas daquele sistema solar.
Um cinturão de destruição e ruínas, que registraria para a posteridade que ali viveram filhos de Deus e irmãos das estrelas e que, possivelmente, muitos deles, mais de 400 ou 500 mil anos depois, poderiam estar caminhando sobre a mesma superfície do planeta Tiamat, que mais tarde seria conhecido com o nome de Terra.
Eles poderiam estar ali, disfarçados em novos corpos, ou, quem sabe, presentes como espíritos, para orientar e dizer aos seus novos amigos terrenos que não é preciso seguir a mesma rota que seguiram.
É possível construir uma nova história e preservar seu mundo da destruição prematura.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Set 24, 2017 11:59 am

UMA GRANDE CATÁSTROFE se abateu sobre a galáxia.
Uma onda de imbecilização geral dominou os povos mais primitivos e aqueles que, embora desenvolvidos tecnologicamente, ainda não haviam despertado para a realidade de outras dimensões e a responsabilidade com a ecologia universal, do cosmo, da humanidade dispersa pelos mundos da galáxia.
Uma espécie de corrente mental inferior envolveu a aura de diversos orbes na amplidão, em certo quadrante da periferia da galáxia.
Era uma corrente de pensamentos, ideias e vibrações que se traduziam na atitude dos habitantes desses planetas sem sintonia com o movimento evolutivo geral, um sistema que se opunha a todo progresso, ao sentido evolutivo que aprimora os povos do centro da Via Láctea.
Estes pareciam envolver-se em outro tipo de aura, de natureza superior, oriunda de pensamentos e sentimentos, ideias e formas mentais mais evolvidas, aprimoradas, com conteúdo mais limpo de matéria mental infeliz.
Composto por mundos relativamente primitivos, o conjunto de sistemas planetários da periferia é habitado por uma população que se deixa reger por atitudes daninhas ao planeamento evolutivo, a qual tem como característica predominante a ânsia pelo poder desmedido.
Uma aura magnética de peso aterrador, alimentada por povos ainda em estágio de aprendizado acanhado, resulta de uma mentalidade retrógrada, muito embora, com frequência, de astuta inteligência.
As ideias de poder, domínio das consciências e subjugação de mentes se traduzem também num tipo de subjugação política, uma política inumana.
A sede de poder e a manipulação mental e emocional dos seres considerados imediatamente inferiores na hierarquia desses mundos configuraram um caminho que pareceu relativamente seguro, um instrumento através do qual as consciências em estágio acanhado de despertamento se mantiveram presas de sistemas e religiões destituídos de escrúpulos, respeito e ética.
A corrente de ideias, pensamentos e anseios de poder naturalmente se irradiou com mais profundidade devido à situação primária de evolução das espécies desses orbes, encontrando respaldo, ressonância e sintonia em mentes astutas, inteligentes e de raciocínio e conhecimento mais elaborado.
O poder obtido por essa via foi crescendo cada vez mais assustadoramente.
A ânsia crescente de domínio se corporificou em representantes mais expressivos, mais cruéis e que mais interesse tinham em dominar através da subjugação daqueles que lhes eram inferiores.
Na escalada do progresso, quando os povos vagam pelos mundos de evolução mais primária — embora evolução não seja medida apenas em termos de conquistas científicas e tecnológicas —, observa-se realidade semelhante à que se vê, actualmente, no contexto terreno, cuja história é farta de disputas entre guerreiros, clãs, nações, impérios e dominadores de diversas épocas e latitudes.
Como regra, os mundos mais primitivos, cujas correntes de pensamento inferiores são mais intensas, localizam-se na periferia das galáxias; à medida que evoluem, suas humanidades são transferidas para regiões mais próximas do centro. Além disso, os próprios mundos sofrem, periodicamente, processo de relocamento, de reurbanização, através de um instrumento conhecido como juízo geral,3 o qual redefine a localização dos mundos auditados em determinadas faixas
vibratórias da galáxia ou família sideral a que pertencem.
A periferia da Via Láctea, portanto, concentra a maior parte das correntes mentais inferiores dos mundos que abriga em estágio de evolução primária.
Tais correntes de pensamento irradiam-se e imantam-se de tal maneira a certos mundos, que não há como seres com pensamentos semelhantes — ideias de dominação, de busca do poder pelo poder — não sintonizarem com esses orbes e se sentirem atraídos por eles.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Set 24, 2017 11:59 am

As correntes de pensamento, tanto inferiores quanto superiores, apenas acentuam e amplificam aquilo que está dentro de cada indivíduo, de cada ser, independentemente da civilização à qual pertença.
Dessa maneira, entende-se que a soma dos pensamentos daninhos, nocivos, mas sobretudo que expressam o anseio de domínio sobre as consciências, acabou por acentuar o lado sombrio, obscuro e a vontade voraz de subjugar determinados povos da galáxia.
Em contrapartida, as ideias mais evolvidas, as formas-pensamento mais brilhantes, altruístas e elevadas são absorvidas por criaturas de qualquer recanto da galáxia que abrigam ideias semelhantes e amplificam sentimentos de igual teor e intensidade nelas existentes.
À medida que os seres evolvem e tomam consciência de suas responsabilidades perante o cosmo, são transferi dos às habitações siderais de mais vulto e tendem a migrar para a região central da galáxia a que pertencem.
De modo análogo, os mundos, ao galgar estágios mais avançados de evolução, também têm sua rota alterada por forças titânicas da natureza e, lentamente, migram para outros recantos do universo, mais compatíveis com o progresso alcançado.
Como alternativa, caso um número expressivo de planetas situados em certo quadrante da galáxia atinja estágios semelhantes de evolução, a região é pacificada e recebe a influência dos astros centrais, transformando aquele recanto do universo num celeiro de mundos de relativa evolução e progresso.
Quando a guerra, o ódio e o desamor são extirpados de determinado globo, este ressurge na amplidão sob outro aspecto, sob nova nomenclatura perante o processo evolutivo geral, o qual determina que cada mundo, bem como cada ser, estagie em região propícia ao aprendizado de suas colectividades e humanidade.
O amálgama de ideias, pensamentos e formas-pensamento, aliado à política e à onda de imbecilização naqueles recantos obscuros do universo, formaram as forças chamadas satânicas ou luciferinas e as linhagens de dragões, onde quer que estes atuem.
Os dragões são a síntese dos princípios antiéticos, anti-humanitários e contrários ao progresso geral do cosmo.
Por sua vez, inteligências de posse dos corpos físico e etérico, ao absorver esse sistema inumano e luciferino, converteram-se em seus representantes mais expressivos no mundo das formas.
Constituíram governos que levaram a cabo uma política e um sistema de vida ainda crescente em certos sítios da periferia da galáxia, espalhando medo, terror e dominando a tudo e a todos que estejam num estágio inferior, segundo consideram.
Contudo, esse sistema de poder luciferino guarda surpresas interessantes.
São os dragões4 os responsáveis, em muitos mundos, pelo surgimento de um tipo humano superior, pois à sua maneira interferem e aceleram a evolução natural.
Na tentativa de estabelecer novos domínios, acabam por ser instrumentos de progresso, a contragosto concorrendo para o avanço das humanidades sobre as quais atuam.
Muitos deles, transferidos de orbe a orbe por forças desconhecidas por eles próprios, não conseguem sair do campo gravitacional da morada que lhes foi determinada, a menos que essas mesmas forças os conduzam a outros recantos do universo, por impositivo da lei do progresso,5 num processo de transmigração planetária em larga escala.
Em Tiamat, o novo mundo para onde foram banidas e expatriadas as inteligências mais astutas e perversas, após os acontecimentos que se precipitaram e levaram ao extermínio da vida no quinto planeta,6 os representantes vivos desse sistema de domínio, de forças e poder desmedido encontraram largo campo para suas experiências e sua ciência.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Set 25, 2017 10:12 am

Num mundo virgem de formas-pensamento, onde a atmosfera extra-física ainda não havia sido contaminada pelos habitantes, onde os seres mais evolvidos ainda nem sequer haviam saído de estágios elementares de progresso, as forças mentais dos dragões eram mais do que soberanas, e sua ciência tida como produto de uma força sobrenatural, mágica ou oculta.
Nasciam assim as castas de magos — seus discípulos mais ferrenhos —, que também representavam um sistema de vida contrário ao processo geral do progresso, pois chegavam a manipular até mesmo seres e consciências de sua própria estirpe, de seu próprio tronco genético, com vistas a aplacar sua sede de domínio a todo custo e por quaisquer meios, desprovidos de restrições éticas de qualquer espécie.
Não obstante, evidentemente havia quem representasse a política oposta.
Como em cada mundo, ali também havia um guardião da eternidade e seus auxiliares, que deveriam zelar pelo processo evolutivo, embora discretamente, respeitando o programa geral da evolução daquele orbe.

3 O termo juízo, nesta acepção, traduz um conceito bíblico, do qual a filosofia espírita se apropria e que desenvolve (cf. Tg 2:13; Jo 16:8,11; Mt 11:24 etc. Cf.
“Juízo final”. In: KARDEC, Allan. A génese, os milagres e as predições segundo o espiritismo, 1ª ed. esp. Rio de Janeiro, FEV, 2005. p. 504-507).

4 O mesmo deve ser dito sobre o termo dragão, isto é, trata-se de uma terminologia bíblica, empregada pelo evangelista João, que sintetiza toda força oposta à política do Cristo ou Cordeiro (cf. Ap 12; 13:4-11; 20:2).
A óptica espírita auxilia na interpretação das profecias (cf. PINHEIRO, Robson. Pelo espírito Estêvão. Apocalipse. 5ª ed. rev. Contagem: Casa dos Espíritos, 2005. p. 155-169, 227-231, caps. 9 e 16).

5 A expressão 1 ei do progresso deve ser entendida no contexto que a filosofia espírita lhe atribui (KARDEC, Allan.
O livro dos espíritos. 1a ed. esp. Rio de Janeiro, FEB, 2005. p. 444-458, itens 776-802).

6 Ao ser questionado acerca da destruição do quinto planeta, citada anteriormente em outra obra, o autor espiritual comprometera-se a desenvolver o assunto neste livro.
(Cf. PINHEIRO, Robson. Pelo espírito Ângelo Inácio. Os guardiões. Contagem: Casa dos Espíritos, 2013. p. 85-86.)
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Set 25, 2017 10:12 am

Os ARQUITECTOS DE ALGUMA civilização da galáxia, talvez os semeadores de vida, realizaram uma obra notável nas regiões mais profundas do planeta.
No continente de Lêmur ou Lemur,7 lançaram o germe daquele que seria provavelmente o mais importante centro de experiências científicas até então e por muito tempo depois.
Tratava-se de um conglomerado de laboratórios dedicados à pesquisa do bioma do mundo onde estávamos — Tiamat!
O continente estava incrustado num dos polos deste mundo virgem, fulgurante de vida.
Levantei-me e dirigi-me a uma das escotilhas de um compartimento do imenso laboratório.
Segundo pude ver, uma cidade imensa tomava conta de todo o horizonte naquela parte do mundo.
Quanto aos laboratórios, eram sobremodo imponentes frente às vastas florestas, aos oceanos, pradarias, montanhas e vales deste mundo estranho, o terceiro planeta do Sistema Solar.
Uma obra-prima da civilização desconhecida que semeou a vida neste mundo perdido na amplidão.
Ao que parecia, aquela era apenas uma das construções deixadas pelos antigos como marco para as gerações futuras.
Mas quem eram eles, esses misteriosos seres?
Um barulho imenso, como o som de mil trovões, chamou-me a atenção. Virei-me imediatamente.
Tive de colocar um capacete, que me protegia da luminosidade, pois o sol amarelo de Tiamat era muito forte para nossos olhos; somente aos poucos nos acostumaríamos a tê-lo tão perto.
Nosso mundo se localizava em uma outra posição do Sistema Solar, diferente da actual; portanto, a visão dessa estrela para nós era outra, bem diferente.
Vi uma nave que descia dos céus trovejando e cuspindo fagulhas de energias ainda desconhecidas para os habitantes humanóides deste mundo.
Eram uma raça ainda primitiva, se bem que houvesse outras teorias entre os cientistas do meu povo a respeito da civilização deste planeta.
Segundo eles, a origem do Sistema Solar dataria de quase 5 biliões de anos, conforme o tempo de Tiamat.
Mesmo que não tenhamos encontrado uma vida inteligente evoluída, discutia-se a tese de que havia mais de meio bilião de anos que a vida aqui evoluíra o bastante para apresentar um tipo humanóide curioso, mas ainda de evolução e inteligência primárias.
Outros defendiam a tese de que Tiamat já tivera uma civilização avançada, que migrara para outros rumos da galáxia há muito — pelo menos 800 mil anos antes da época em que estávamos.
Enfim, talvez os laboratórios que encontramos nos polos do planeta tenham sido obra dessa cultura e civilização desaparecida.
Se assim fosse, isso desmantelaria muitas teorias de renomados cientistas de nosso povo.
Como em toda a galáxia, a maior parte das culturas desenvolvidas cederam lugar a outras em desenvolvimento.
Em algum momento, talvez houvesse ocorrido algo assim no terceiro mundo deste sistema.
Havia até quem afirmasse, entre os cientistas do nosso povo, que os primatas aqui existentes no momento em que chegamos eram produto da degeneração de uma espécie anterior.
Outros postulavam a ideia de que tais habitantes eram produto de experiências genéticas que cessaram; por isso, não evoluíram mais.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Set 25, 2017 10:13 am

Sei apenas que um grupo de nosso povo, composto por aqueles cientistas que desejam manter o poder a todo custo, também procura descobrir como manipular o código genético desses seres primitivos.
Renderam-se à evidência de que não conseguirão sair de Tiamat por longo tempo, longo até em relação ao nosso calendário original.
A vida em corpos físicos e etéricos não é duradoura; no entanto, vivíamos muito mais que os primatas comuns das pradarias.
Portanto, precisam desenvolver os corpos desses humanóides, de modo que, no futuro, beneficiem-se disso em eventuais processos de corporificação.
Os dominadores dos deserdados também os querem aprimorados a fim de poder escravizá-los com maior proveito.
As civilizações se sucedem no mesmo território planetário, umas cedendo lugar às outras, embora nem sempre as novas culturas sejam tão avançadas como as anteriores.
Se essa tese for verdadeira, talvez estivéssemos presenciando o nascimento de um novo ser neste mundo distante de nossa pátria; a aurora de uma nova civilização, que, por sua vez, cederia espaço para mais outra, em um futuro incerto.
Só sei que os primatas semi-inteligentes de Tiamat eram visados pela casta dos eloins, os degenerados cientistas e manipuladores da engenharia genética.
Quanto a mim, não me conformava com o facto de que os eloins e os marducai intentassem manipular o genoma dos primatas; era algo muito perigoso.
Mas, como guardião da eternidade, não poderia interferir directamente, mas apenas conversar com eles, caso me pudessem perceber, e lhes apresentar minhas ideias.
Nada mais. Eu era simples espectador da evolução dessas criaturas; a menos que fossem ameaçadas de extinção, jamais me caberia intervir.
Além do mais, não era possível me comunicar com os primitivos deste mundo, pois não tinham avançado o suficiente, nem ao menos a ponto de criar uma linguagem, mesmo que rudimentar.
Por isso, imagino, os eloins os considerassem animais.
Eram, de facto, quase somente instinto.
Detinham um cérebro subdesenvolvido, embora com grande potencial de desenvolver a inteligência mais aprimorada no futuro.
Uma questão se impunha e talvez representasse outra grande dificuldade:
eu não pertencia à mesma dimensão dos chamados viventes.
Era um habitante do outro lado da membrana psíquica, uma dimensão diferente.
Minhas ideias e pensamentos a respeito dos habitantes primitivos de Tiamat foram bruscamente interrompidos por um chamado do intercomunicador.
Eu era convocado em carácter de urgência.
A nave que descia nos céus do mundo primitivo acabara de aterrissar ali, bem à frente do amplo laboratório onde me encontrava.
Sai do meu aposento e caminhei em direcção à nave portentosa do meu povo, toda ela elaborada em matéria etérica, algo semi-material, segundo os padrões deste mundo primitivo e maravilhoso que nos recebia.
Havia certo suspense no ar; uma ansiedade dificilmente decifrável.
Percorri longos corredores e ao longe vi, através das escotilhas do conglomerado, as geleiras, bem como alguns resquícios da selva, que brotavam aqui e ali, deixando à mostra uma paisagem monumental e, ao mesmo tempo, estranha para nós.
Passei pela última porta antes de me encontrar com um dos habitantes do nosso mundo.
De tempos em tempos, ele vinha trazer notícias e também colher informações sobre os degredados.
Do outro lado, um homem alto e esguio, cabelos ondulados e revoltos acomodados no cimo da cabeça, com seus olhos vivos, negros, caminhava em minha direcção.
Entrei numa câmara de despressurização, onde era equilibrada a pressão interna e externa da cabina de onde saía o ser, visitante do meu mundo.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Set 25, 2017 10:13 am

Ansiava falar com ele.
Pude vê-lo assim que a porta da cabina se abriu, com um ruído peculiar.
Era um tipo curioso.
Esperei a porta se fechar e nos reunimos num compartimento preparado exclusivamente para esse tipo de encontro.
— Olá, Alotron!
O homem à minha frente sabia meu nome e não se esforçou nem um pouco para esconder o que mais sabia a meu respeito.
Deu alguns passos em minha direcção e apertou minha mão de tal maneira que pude entender o significado da amizade expresso ali, naquele gesto simples.
Abriu um largo sorriso e disse:
— Olá, Alotron!
Em que parte do universo você se escondeu, guardião da eternidade?!
Este mundo parece por demais primitivo para você ter escolhido ficar aqui por um tempo tão dilatado.
— Longo, de facto, Lamarion, pois não planeio retornar a nosso mundo tão cedo.
Prefiro permanecer aqui.
— E o que encontrou do lado de cá da galáxia, meu amigo?
Alguma deusa de nosso mundo? — rimos significativamente.
Lamarion sabia que as deusas do nosso povo que para cá vieram não eram nada formosas.
Foram igualmente banidas junto com os representantes do poder obscuro.
Eram deusas decaídas e, aqui, nada mais do que isso significariam por longo tempo.
Contudo, eu sabia que as palavras do meu amigo Lamarion traziam um fundamento, um significado oculto que somente nós dois sabíamos decifrar.
O comentário dele poderia até parecer inocente, mas não.
Um comentário assim, mesmo que em tom jocoso, trazia algo mais profundo do que se supunha.
— Sabe o que se passa neste mundo, Alotron?
Já se inteirou das experiências genéticas realizadas aqui no terceiro mundo? — indagou meu amigo, introduzindo o tema da conversa.
Olhei os edifícios que transpareciam na escotilha.
Pareciam altos, não obstante estarem misturados às geleiras eternas deste mundo que estranhamente me atraíra de tão longe, como um poderoso magneto de proporções cósmicas.
As edificações estavam escondidas centenas de metros abaixo da superfície de um dos polos do planeta primitivo, e ali era, por enquanto, meu recanto, de onde eu observava os eventos na superfície do mundo, mas também na contraparte etérica e astral do planeta-prisão dos meus conterrâneos.
— Aqui se passam diversas situações complicadas, Lamarion.
Entre elas, a que mais me preocupa são as experiências genéticas realizadas pelas castas que não têm nenhum escrúpulo em manipular forças, independentemente
dos resultados serem catastróficos.
Devido a esse processo, numerosas mutações estão surgindo — falei para o amigo das estrelas que me visitava neste orbe da periferia da Via Láctea.
Essas manipulações genéticas, meu caro, acarretam consequências desastrosas; as mutações têm resultado em seres horrendos e multiformes.
Sabemos que a manipulação do código genético dos seres de Tiamat implica enormes dificuldades.
— Na verdade, caríssimo amigo, creio que teremos de dar cabo dessas experiências.
Nossos conterrâneos estão fazendo testes com quase todos os tipos vivos deste planeta.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Set 25, 2017 10:13 am

Você nem imagina o tipo de aberração que está surgindo em diversos acampamentos dos cientistas falidos do nosso povo.
— Imagino, sim, Alotron.
Entretanto, temos de ter cuidado.
Talvez os cientistas estejam enlouquecidos.
— Claro que estão loucos!
Isso é um facto.
Estão desesperados, pois sabem que não conseguirão romper o bloqueio em torno do planeta, formado por energias de um quantum superior, a fim de retornar às estrelas e, particularmente, ao nosso mundo.
— Miguel parece ter caprichado na elaboração do campo de força hiperdimensional em torno do mundo-prisão.
Sim! Haja vista que nem mesmo nossa tecnologia e nosso conhecimento conseguem conceber a realidade hiperenergética dos campos que formam a contenção em torno dos orbes que servem de cárcere aos degredados.
Nem eles, os maiores cientistas, nem tampouco as mentes mais brilhantes dos dragões para aqui deportados são capazes de entender e muito menos fazer frente à barreira energética que envolve o globo e que é alimentada pelas poderosas energias solares.
Isso deixa os degredados, mas principalmente aqueles que se julgam os mais brilhantes dentre eles, em termos intelectuais, com um tipo de ódio cuja proporção jamais conseguiremos entender.
— Olhe, meu amigo Alotron, não sou nenhum especialista em genética, mas tenho algum conhecimento, que pude acumular durante os processos de treinamento intensivo a que nos submetemos antes de vir para cá, junto com os primeiros exploradores do nosso sistema.
Os melhores especialistas, entre os cientistas e dragões que vieram de nosso mundo, estão determinados a mapear os códigos genéticos, tanto de nosso povo quanto dos primitivos habitantes de Tiamat.
Ao estudarem a enorme variedade de códigos, estão convictos, embora haja uma minoria entre eles que ainda não se convenceu, de que o universo todo foi programado por uma mente imanente e, ao mesmo tempo, transcendente.
— Para nós, meu amigo, isso não é nenhuma novidade.
Mas para os rebeldes...
Segundo nossas observações, as experiências dos cientistas mais brilhantes entre os deportados chegaram todas a uma conclusão: o cosmo todo não é nada mais do que o resultado da programação engendrada por uma super-consciência.
E os seres vivos, o produto calculado em tal medida e com tal nível de precisão que, suas próprias pesquisas e experiências indicam, já havia sido determinado pelas super-consciências cósmicas quais formas de vida poderiam surgir e evoluir e quais não vingariam.
Tal planeamento impressionante, que eles ora detectam, remontaria ao período anterior àquele em que os semeadores de vida passaram pelos mundos, nas diversas galáxias do universo.
Na verdade, os dragões e seus mais notáveis cientistas talvez jamais ousem se aventurar a dizer ou responder à pergunta que está por trás de suas observações.
Diante das experiências com o código genético, a que se dedicam há milénios, ressalta a questão: quem elaborou essa programação genética e espalhou-a por todo o universo?
Quem é essa super-consciência contra a qual manifestam o mais profundo ódio e, ao mesmo tempo, a mais patente veneração?
Relutam em assumir, mas, a meu ver, reconhecem a impossibilidade de burlar as regras estabelecidas ou revogar as leis impressas tanto na matéria quanto na consciência das criaturas.
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