Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Set 26, 2017 9:10 am

Portanto, podem ocorrer sérios confrontos entre os que aqui estão e os que chegarão.
— Isso é perigoso até mesmo para nós, sentinelas.
— Exacto, amigo.
Por isso venho propor uma trégua em nossa forma de ver e pensar.
— Trégua? Mas acaso estamos em guerra?
— Não no sentido concreto do termo.
Mas não ignoro que temos sérias desavenças no campo das ideias.
Ocorre que agora precisamos nos unir para tentar, de alguma maneira, organizar a vida dos degredados até que tenhamos de retornar ao nosso mundo de origem.
— Retornar? Você sabe de alguma coisa a esse respeito que está me escondendo, Levitran?
— Sei de alguma coisa, filho do sol nascente, mas não estou lhe escondendo nada.
É que chegou a meu conhecimento há bem pouco tempo, através de uma comunicação de rádio desde nosso mundo até nossa base.
— Então posso saber as últimas notícias?
— Claro que sim, amigo.
O governo do nosso sistema decretou que devemos retornar em breve.
— Mas como deixar as legiões de degredados neste mundo sem supervisão, sem ninguém que os impeça de destruir este planeta, como o fizeram com o quinto mundo durante o motim?
— Não poderemos fazer nada, Al Lian!
Infelizmente.
Seja como for, não será por agora.
Quando se fala em algo iminente, temos de levar em conta que o tempo em nosso planeta é diferente do tempo aqui.
Levitran considerava que, em Tiamat, o tempo necessário para o planeta realizar uma rotação completa em torno de si mesmo era de pouco mais de 24 horas, embora esse número pudesse sofrer alterações, devido aos abalos decorrentes da chegada das legiões de annunakis.
Em nosso mundo, por outro lado, a rotação consumia mais de 90 horas, contadas conforme os padrões daqui.
Sem falar a duração de nosso ano, cerca de 3,6 mil vezes maior...
— Outra coisa me preocupa bastante, Al Lian:
os seres primitivos deste mundo.
Nas pradarias de determinado continente, existe um tipo quase humanóide.
Embora ainda sem inteligência, segundo observei tem grande probabilidade de desenvolvê-la.
São primatas em um estágio de desenvolvimento inferior aos do nosso planeta, mas os eloins demonstraram interesse neles.
Não detectamos, ao menos até agora, nenhum ser vivente portador de inteligência desenvolvida, ao qual pudéssemos dar o nome de humanos.
Não obstante, levando-se em conta o perfil e as habilidades dos eloins, refinas e olmalains, provavelmente tentarão usar esses primatas.
Devemos preservá-los, antes que seja extinta sua espécie.
— Sei disso, nobre Levitran!
Isso me inquieta, também.
Fiz algumas excursões pelas pradarias e notei que alguns dos olmalains exilados observavam esses primatas.
Temos de descobrir os planos deles, urgentemente.
— Como eles sabem que estarão circunscritos a este planeta por longas eras, temem se ver compelidos a corporificar nesta espécie tal como está hoje, uma vez que é a mais propícia à imersão no mundo material, entre as disponíveis. Contudo, sabemos que os annunakis jamais consentiriam em ter de assumir corpos tão primitivos.
Então...
— Resta-lhes apenas fazer experiências de aprimoramento genético a fim de aperfeiçoar esse tipo mais propício às futuras corporificações de nossos conterrâneos.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 27, 2017 9:41 am

A questão é: e se suas experiências derem errado?
— Muito provavelmente produzirão aberrações da natureza.
Já vimos como algumas experiências genéticas deram origem a seres medonhos, que felizmente não conseguiram sobreviver por muito tempo.
— Além do sofrimento que causam às suas cobaias, no processo.
— Felizmente, Al Lian, o que restou das naves que os trouxeram foi bem pouco.
A maioria foi destruída durante a chegada, devido à rebelião annunaki.
Dispomos de poucos elementos e parcos recursos tecnológicos que resistiram, e isso é providencial.
Se tivéssemos ao alcance toda a tecnologia que trazíamos a bordo, sem dúvida seria um desastre nas mãos das castas rebeldes.
— Ademais, a era de gelo, o esfriamento repentino do planeta, obrigou-nos ao recolhimento no espaço, retirando-nos com toda a nossa frota, e aquilo que ficou na superfície foi totalmente destruído, corroído pela matéria planetária ou
soterrado por um tempo longo demais debaixo das camadas de gelo, que tomaram conta de tudo.
— Somente depois de um período de muito dilatado é que pudemos retornar.
Daí em diante, tornou-se impossível a mineração no continente dos primatas.
— O ouro ainda existe, mas, nas condições atuais, nada foi mais acertado do que interromper o fluxo do mineral até nosso mundo central.
— Até porque os rebeldes annunakis não admitem mais trabalhar nas minas.
Exigem que sejam enviados seres inferiores, de mundos primitivos, para realizar o trabalho que faziam.
Cogitar nova rebelião no novo mundo fez com que os dois ficassem pensativos.
O primeiro levante ocorrera justo no momento em que se aproximavam do planeta Tiamat, o que redundou no extermínio de toda uma raça.
Mais tarde, após centenas de anos de trabalho nas minas do continente antigo, os annunakis se rebelaram e destruíram tudo a sua volta.
Al Lian e Levitran temiam o que poderia suceder caso os principais líderes, as forças que engendravam todos os conflitos, nos bastidores, resolvessem destruir também este planeta.
Eram seres criminosos; aliás, criminosos cósmicos.
Al Lian ensimesmou-se.
— Preocupam-me, Al Lian — retomou o annunaki — as incursões dos nossos conterrâneos expatriados aos mares do sul.
Foi exactamente ali que pousaram nossas primeiras naves quando chegamos há alguns milénios, ainda antes do gelo cobrir o planeta inteiro.
— Não havia ponderado sobre isso — confessou Al Lian.
— Pois bem...
Caso encontrem algum resquício das naves que se perderam na chegada, poderemos ter um problema sério.
Os primeiros astronautas não tiveram tempo de salvar os equipamentos e precisaram deixar o local usando barcos.
Mas se os principais rebeldes encontrarem alguma coisa da antiga tecnologia usada por nós...
— Há muitos desafios aqui na cidade de Eridu, meu amigo.
Não podemos perder o foco, ocupando-nos agora com outras questões, sob pena de não sanar problemas mais próximos e concretos.
Nosso pequeno acampamento transformou-se numa cidade, e nossos conterrâneos se dispersaram por vários recantos do planeta, buscando pesquisar a nova morada sideral.
Sem mencionar as dificuldades nas minas de ouro, causa da grande rebelião dos deportados.
— Você tem razão, Al Lian — concordou o outro.
Mesmo assim, não posso deixar de antever tempos difíceis.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 27, 2017 9:42 am

Quanto aos rebeldes, eles não concordam em trabalhar nas minas, mas, ao mesmo tempo, não dispomos de outra mão de obra.
— Quem sabe resida nesse ponto o repentino interesse das castas mais especializadas nos primatas deste mundo?
Talvez pensem em adestrá-los ou, quem sabe, promover seu aperfeiçoamento, a fim de que trabalhem para eles?
— Faz sentido a observação, Al Lian.
Contudo, apesar de não serem inteligentes, são seres vivos.
Receio o que possa resultar de uma eventual intervenção no sistema genético dessa raça.
Afinal, ainda não temos conhecimento detalhado da espécie encontrada nas pradarias do continente.
— É um continente primitivo, sob todos os aspectos.
Apesar disso, eu já vinha avaliando um local para construir marcos e sinaleiros com vistas ao pouso de outras naves, que, conforme relatou, podem chegar a Tiamat dentro em breve.
Temos de ser honestos, meu caro.
Com as florestas vastíssimas, os animais estranhos e ferozes e outras peculiaridades deste mundo, não podemos deixar de pensar nos nossos irmãos que para aqui virão no futuro.
Considero reunir os melhores projectistas entre os renegados e erguer pirâmides.
Elas assinalarão para as naves o local onde pousar — pois as verão de longe, ainda no espaço —, como também para o abastecimento solar.
— Ignorava que estivesse envolvido num projecto tão amplo e grandioso, Al Lian — comentou Levitran.
Mas conte comigo!
Admiro bastante seu génio empreendedor.
Em meio a tantos problemas, a disputas de poder entre os mais hábeis representantes dos povos degredados, ainda é capaz de pensar no bem-estar de nossos irmãos que desejarão aterrissar aqui no futuro.
Você pensa no auxílio a seres que nem sequer conhece, bem como numa fonte de abastecimento natural.
— Claro, irmão!
Sei que é de seu conhecimento que as pirâmides de nosso planeta absorvem energias directamente do Sol e as acumulam, de modo que até nossos comboios se abastecem delas.
Como Tiamat está bem próxima do Sol, imagine a cota de energia que poderá ser acumulada, caso venhamos a erguê-las?
— Você acha que será capaz de convencer o povo de Eridu, ou mesmo os chefes dos rebeldes, a trabalharem no erguimento das pirâmides?
O annunaki Al Lian assumiu uma postura empertigada, erguendo-se acima da altura de Levitran.
Eram muito altos os representantes daquela raça de seres, bem mais altos que os hominídeos das pradarias, os chamados primatas.
Diante destes, eram verdadeiros gigantes, e os primatas poderiam até ser considerados seres em miniatura, diante do porte dos visitantes do espaço que então assumiam a direcção de seu mundo.
— Já convenci Enki e Enlil a assumirem a direcção dos trabalhos.
Além do mais, com nossa tecnologia, ou o que resta dela, ainda conseguimos fazer verdadeiras proezas — falou quase eufórico Al Lian.
Mesmo que a matéria física deste orbe seja distinta da que nos é familiar, mais densa, a dificuldade em manipulá-la é compensada pelo facto de se tratar de um mundo virgem, se assim podemos dizer.
É bem mais fácil agir sobre a matéria bruta e sobre os elementos subtis, dispersos na atmosfera, do que o será daqui a milhões de anos.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 27, 2017 9:43 am

O ambiente extrafísico do planeta ainda não está densamente povoado e, por isso mesmo, há como movimentar grandes cotas de energia, moldando e transportando material de regiões remotas, a fim de levá-lo aonde se fizer necessário.
Levitran parecia interessado nos pormenores do plano de Al Lian.
Porém, mostrou-se também preocupado com uma ideia abordada pelo amigo.
A esta altura, as diferenças entre ambos pareciam haver sido diluídas, a tal ponto que Levitran passar a admirar Al Lian, diante de seu comprometimento com o grupo de seres degredados e, também, de sua abrangente visão do futuro.
Mas... havia outro aspecto envolvendo os exilados.
É que nem todos vieram para Tiamat em corpos etéricos e físicos, evidentemente.
Havia numeroso contingente que viera em corpo astral, em forma espiritual.
Estes constituíam a população invisível e mais activa do novo mundo, da nova morada para onde foram banidos sem nenhuma perspectiva de regressar à pátria natal.
O comandante tinha esses seres em mente.
— Parece que seu semblante ficou pesado, nobre colega — falou Al Lian de repente, observando o vinco que momentaneamente se formara na fronte do outro.
Não combinava com sua aparência semelhante marca no rosto anguloso.
Seus cabelos pendiam sobre o corpo formando ondas.
Media mais de 3,40m de altura.
Como ainda não havia uma civilização nativa, por assim dizer, era esse o padrão naquelas eras remotas.
Era perfeitamente natural seres com tal aspecto: altos, esguios, braços compridos, dotados de força descomunal, sem que para tanto fossem musculosos.
A aparência era quase andrógina.
Contudo, sabiam distinguir-se muito bem, embora para outros certamente fossem semelhantes entre si.
Levitran modificou seu semblante, deixando transparecer as preocupações cada vez mais abrangentes que dominavam seu pensamento.
Respirou fundo, mas não perdeu a postura, que facilmente se confundiria à de um deus.
— Temos tido inúmeros conflitos nas dimensões vizinhas, nobre amigo.
E isso muito me preocupa.
— Sei disso, Levitran.
Tenho comigo documentos secretos que relatam as ocorrências do outro lado da membrana psíquica da realidade.
Parece que o príncipe dos exércitos celestes9 encontrou grande dificuldade com os dominadores; estes, os mais perigosos que connosco vieram, assenhoram-se de nossos conterrâneos com facilidade, numa espécie de intrusão psíquica.
— Você também recebeu uma cópia dos documentos secretos?
— Estou com minha cópia guardada numa cápsula dimensional.
Pelo que li, o arcanjo enfrenta sérias dificuldades para agrupar os banidos do invisível em grupos de famílias semelhantes.
Os grandes chefes julgam-se os maiorais e querem a todo custo dominar.
— Não sei se você já tomou conhecimento de todo o conteúdo dos documentos secretos, meu nobre irmão — Levitran deixou de lado qualquer reserva a respeito do amigo; tinha agora o coração aberto.
Temo que um dos dois irmãos, Enlil e Enki, esteja correndo sério perigo.
Não sei o que seria de nós caso sucumbissem à acção dos ditadores mais perigosos dos degredados.
Nem mesmo sei até que ponto é desenvolvido seu cérebro complementar; se, como nós, travam contacto directo com a realidade além da membrana psíquica que separa as dimensões.
— Infelizmente, nem todos de nossa espécie desenvolveram plenamente o segundo cérebro.
Portanto, as habilidades psíquicas não são comuns a todos os annunakis.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 27, 2017 9:43 am

— Com certeza, meu nobre amigo — pela primeira vez Levitran chamava Al Lian de amigo de maneira genuína.
Como dizia, temo por um dos dois irmãos.
Segundo os documentos secretos, os dominadores das regiões invisíveis, os seres mais perigosos de todos, estão empenhados em controlar nossos irmãos que têm tarefas mais expressivas, principalmente os que são referência entre a população de viventes.
— De certo modo, eles já conseguiram uma proeza como essa — respondeu Al Lian — durante o motim a caminho de Tiamat.
Fomos obrigados a chamar o príncipe dos exércitos e ele teve de intervir com força descomunal para evitar algo pior.
— Pior do que a destruição de um planeta com seus bilhões de habitantes?
Al Lian respirou fundo, revelando uma tristeza dificilmente contida.
— Talvez muito pior, meu amigo Levitran.
Desconfio que alguém dentre nosso povo annunakis tenha sido o elo que permitiu aos chefes dos seres degredados realizar a intromissão psíquica e ganhar o controle da maior de todas as naves.
Como se não bastasse, ainda arrastaram consigo a elite científica dos degredados.
Certamente não teriam tamanho êxito sem que alguém lhes servisse de apoio psíquico, alguém dotado de habilidade mental, cuja percepção fosse capaz de ultrapassar os limites da delicada membrana psíquica entre dimensões.
— E, como você já disse, nem todos de nossa raça possuem tais habilidades; muito pelo contrário.
— Exactamente.
Isso reduz bastante o leque de suspeitos a investigar, a fim de descobrir quem esteve por trás dos eventos catastróficos que marcaram o fim de um mundo e de uma civilização.
— De duas! — acrescentou Levitran.
Pelo que ficamos sabendo, o quinto planeta era razoavelmente adiantado.
Tinha uma tecnologia bem avançada; porém, havia uma raça, um tanto primitiva, de seres que sobreviviam com energias roubadas, espécie de vampiros de vitalidade.
Foram igualmente dizimados, embora não merecessem isso.
— Quem dá mais trabalho ao arcanjo supremo são precisamente os grandes responsáveis pelo crime hediondo, os artífices desse atentado cósmico.
Eles dominam a arte da intrusão psíquica e, por isso, temo muito pelos irmãos Enlil e Enki.
Devido à posição de poder de que desfrutam perante os renegados, têm sérias chances de serem alvo de um ataque psíquico de grande poder de devastação.
— Temo pelos dois, igualmente, meu amigo.
Mas tanto Enki quanto Enlil têm condições de rebater a investida psíquica dos monstros do abismo.
Afinal, são muito bem preparados; ainda por cima, vieram para cá antes de nós.
— Na verdade, a trajectória deles aqui me preocupa ainda mais, nobre companheiro, ao invés de me tranquilizar — externou sua apreensão o filho do sol nascente.
Logo que aqui chegaram, transcorrido um breve período no qual ergueram Eridu, os dois se desentenderam.
Um dos irmãos revelou pretensões de domínio sobre o planeta novo, e sua cobiça foi agravada pelo estoque de combustível fóssil suficiente para milénios de abastecimento, o que permite a exploração de muitos projectos.
Sem falar na imensa quantidade de minerais, especialmente o ouro, elemento primordial não apenas para manter a atmosfera de Nibiru, deteriorada desde a agressão dos degredados, que intentaram nos destruir, mas também essencial à operação de inúmeros equipamentos de nossa tecnologia.
Excelente condutor, fundamental no desenvolvimento de novas tecnologias, creio que em todas as civilizações que conhecemos ao longo de nossa experiência — mesmo as de famílias siderais diferentes, como as que respiram outros gazes, no lado oposto da Via Láctea —, o ouro acaba desempenhando papel similar.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 27, 2017 9:44 am

Facto é que essa larga oferta de riquezas naturais parece ter atiçado o interesse de um dos irmãos.
— Nada podemos fazer quanto a isso, meu caríssimo.
Infelizmente — acrescentou Levitran. — Como sabe, não podemos nos intrometer; aliás, nem sequer somos capazes de abarcar todos os problemas decorrentes do expurgo de um número tão alto de imigrantes cósmicos.
Alguns problemas terão de ser resolvidos no futuro.
Contudo...
— Isso me angustia — interrompeu o filho do sol nascente.
— Contudo, podemos construir uma base em algum ambiente do planeta e deixar para as gerações futuras o registo dos eventos aqui ocorridos nesta época de terrores e desafios.
Al Lian se pôs a pensar na proposta do amigo e comandante da base espacial.
A ideia lhe parecia melhor do que ficar se afligindo com questões que somente ao longo do tempo seriam solucionadas.
— Creio que a ideia é de todo favorável, Levitran.
Uma base incrustada nas profundidades das rochas de Tiamat, que só pudesse ser descoberta daqui a milénios.
— É importante preservar a história dos degredados.
Além do mais, é preciso deixar pistas de nossa presença.
Creio que será inevitável que os annunakis rebeldes desenvolvam uma relação próxima com os habitantes primitivos.
Caso não possamos interferir em sua ciência e sua metodologia, ao menos podemos deixar nosso rastro em diversos recantos do planeta.
Talvez assim, nos milénios sem fim, os povos em desenvolvimento na superfície deste mundo possam saber da nossa história e, quem sabe, abrir as mentes e acautelar-se contra o processo de manipulação numa dimensão cósmica.
Afinal, sabemos que os experimentos científicos dos dominadores não se restringem apenas à área genética; seus objectivos vão muito além.
Pretendem dominar as mentes e, para tanto, lançarão mão de todo e qualquer recurso que estiver a seu alcance.
— Mas eles não sabiam que outros seres, na dimensão além-física, já se ocupavam de limitar as experiências genéticas em andamento.
Ignoravam que dois guardiões do tempo estivessem determinados a auxiliar na próxima experiência para que fosse exitosa, e não mais ocorressem barbaridades na tentativa de manipular o código genético dos primatas.
Ainda não sabiam da acção de Lamarion e Alotron, mas o plano já estava em andamento.
— Os dois amigos se entreolharam, preocupados como o futuro do mundo primitivo, mas naquele momento não podiam tomar nenhuma atitude que mudasse o curso dos acontecimentos.
— Nos momentos que se seguiram, Al Lian levou a termo os planos discutidos com Levitran, contando com a ajuda de Enki, um dos irmãos siderais.
Preparavam tudo para construir os artefactos que deveriam ser localizados em pontos estratégicos e manter-se de tal maneira alinhados que, nos milénios do porvir, pudessem apontar o endereço celeste onde ficava o distante lar dos primeiros degredados.
Eram as pirâmides, que também serviriam para acumular energias advindas da estrela do sistema, de modo que pudessem reabastecer as naves que, de tempos em tempos, viram a este mundo em diversas missões.
As estruturas deveriam ser cobertas com uma finíssima camada de ouro para este fim, pois as propriedades condutoras do metal possibilitariam o abastecimento das células de energia de suas naves.
Al Lian começou a procurar as mentes mais brilhantes, nas quais se tivesse desenvolvido algum sentimento altruísta e um sentido de ética.
A obra monumental começou, enfim, a ser esboçada.
Concomitantemente a estes acontecimentos, em outra parte do sistema, algo mais acontecia.

9 Miguel (cf. Dn 12:1; Jd 1:9; Ap 12:7).
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 27, 2017 9:44 am

SEU NOME ERA YMAR.
Era o mais experiente dos seres que visitavam o mundo novo.
Representava uma raça estelar especializada na construção de estações de observação e tinha um histórico de trabalho realmente notável.
Curiosamente, ninguém ali sabia ao certo se esses seres eram originários de determinado mundo que girava em torno de uma estrela do cinturão de Órion ou se provinham de outras terras do espaço ainda mais remotas.
Apareceram ali já havia milhares de anos e vez ou outra se interessavam pelos mundos nos quais a vida florescia.
Ymar ocupava uma posição de destaque numa equipe de cientistas que trabalhava no satélite natural de Tiamat.
Eram conhecidos como os construtores.
A seu lado, actuavam outros pesquisadores, provenientes de pelo menos cinco mundos distintos, embora todos tivessem formas humanóides, com diferenças não tão acentuadas.
Ymar, Tronion e Auxchuenil, nomes comuns em suas respectivas culturas planetárias, tinham algo em comum.
Queriam transformar aquele satélite em um lugar onde pudessem conviver seres com alguma diversidade cultural.
Teriam um grande desafio pela frente.
Já na largada, nem todos que se ofereceram para trabalhar na base lunar respiravam ar de mesma composição.
A maioria sobrevivia à base de oxigénio, o que lhe proporcionava relativa familiaridade cultural; já os respiradores de composições gasosas mais distintas pensavam por outras trilhas, com uma lógica um tanto diferente; apesar disso, estavam determinados a ajudar.
Mas criar ambientes artificiais, cada qual dotado de uma atmosfera própria, era um desafio e tanto, principalmente levando-se em conta que o planeta logo abaixo deles não havia se desenvolvido a ponto de oferecer uma tecnologia apreciável.
A única disponível era a dos annunakis, os seres que vieram deportados para a prisão espacial, cuja tecnologia remanescente mostrava-se seriamente comprometida, devido a incompatibilidades iniciais em relação à atmosfera e à matéria de Tiamat.
Até conseguirem contornar a situação, Ymar teria de se ver com os recursos que, aos poucos, importaria de outros mundos.
Fato é que Tiamat não poderia ser descuidado.
Sua localização no Sistema Solar era de uma importância estratégica muito grande.
Caso o novo orbe fosse descoberto por culturas desenvolvidas, mas não comprometidas com a política de paz daqueles mundos ali representados, a situação poderia se tornar muitíssimo séria e delicada.
Além do mais, teriam de fazer de tudo para zelar pelo desenvolvimento de uma possível civilização no planeta nascente.
— Temos de transformar este satélite, primeiramente, num lugar habitável, Auxchuenil.
Por enquanto, antes de nos aventurarmos a quaisquer obras de vulto, precisamos de alojamentos dignos para os trabalhadores.
— Teremos enorme empreitada aqui, Ymar.
O satélite é um corpo celeste morto.
Será necessário realizar escavações profundas, entre outras providências.
Quanto à localização, o melhor mesmo é aproveitarmos o chamado lado oculto — isto é, que não é visto de Tiamat —, onde a matéria parece oferecer menos resistência aos nossos instrumentos.
— Inicialmente, teremos de usar as próprias naves como estações de repouso.
Somente depois de construir o primeiro abrigo teremos como nos transferir directamente para dentro das redomas.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 27, 2017 9:44 am

Mas você está coberto de razão no que se refere aos obstáculos materiais, até porque trabalhar num ambiente sem gravidade é desafiador.
As sondagens e os cálculos demonstram, também, que a matéria é muito bruta.
Uma mulher advinda da constelação mais próxima de Tiamat entrou na conversa:
— Na Crosta, os annunakis pretendem construir estações sinalizadoras para receber visitantes do espaço, que poderão aterrissar mais facilmente e reabastecer as naves com a energia solar captada e acumulada em baterias.
Podemos ser úteis uns aos outros.
— Não vejo como fazer um trabalho em conjunto, Sal-ali-naan.
Eles trabalham no solo do planeta e têm um objectivo claro, que é preparar os seus para uma empreitada gigantesca ao longo de milénios.
Não podemos interferir na vida dessa civilização incipiente.
Nem ao menos descer na superfície do planeta, por enquanto, senão causaremos um transtorno evolutivo apreciável.
Os estatutos de convivência entre os povos não recomendam interferir da forma como sugere.
— Sei que devemos, com efeito, respeitar cada cultura com a qual deparamos, nobre Ymar.
Porém, não é preciso nos isolarmos mutuamente.
Lembro que os ditadores vivem neste mundo; a vida deles e suas estratégias interessam muito aos nossos governos e à nossa segurança pessoal.
Quem sabe os dois atores, os annunakis e nossa organização, não possamos nos ajudar mutuamente sem interferência ou prejuízo?
Está certo de que não há uma maneira?
Afinal, o que faremos aqui é também do interesse dos povos aprisionados no planeta.
De mais a mais, com a barreira colocada pelos guardiões dos mundos, talvez nem sequer possamos viver lá embaixo.
Contudo, talvez possamos trocar conhecimento.
Os annunakis detêm conhecimento a respeito de satélites cuja superfície está como a deste aqui, morta, sem atmosfera nem vida.
Eles têm oito satélites assim em seu mundo original. Quem sabe...
— E o que pensa que possamos oferecer em troca, já que propõe um intercâmbio de informações?
— Primeiramente, sugiro acatarmos a sugestão do amigo Auxchuenil:
atenhamo-nos ao lado oculto do satélite.
Além da vantagem mencionada, ficaremos ao abrigo de possíveis inspecções a partir de Tiamat.
Preservando-nos, nem ao menos as eventuais naves dos annunakis que aqui vierem descobrirão nossa base.
Queremos ficar no anonimato tanto quanto possível, não é esse o objectivo?
— Nisso estamos de acordo.
Minha questão permanece, entretanto:
o que ofereceremos a eles em troca por sua contribuição?
— Estava observando, meus amigos.
Sabem como a curiosidade é comum às fêmeas de nossa espécie, não é?
— Somente de sua espécie, Sal-ali-naan?
Creio que esta é uma marca deixada pela mãe geradora em todas as suas filhas, em todos os mundos.
Mas prossiga, senhora das estrelas...
— Notei grande movimento na região onde construíram o protótipo de uma cidade; a actividade por lá é febril.
As construções lembram laboratórios, o que me leva a crer que estão mexendo com as forças titânicas da evolução.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 27, 2017 9:44 am

— Acredita que estarão os annunakis fazendo algo proibido pelas leis estelares?
Estarão alterando de modo sensível o curso da evolução em Tiamat?
— Não tenho um juízo formado, nobre companheiro — disse a mulher.
Observando-os atentamente, ergueu a mão, com seus seis dedos, e mostrou algo aos engenheiros:
— Vejam este líquido precioso.
Tanto nos poderá ser útil aqui, em nossa construção, quanto poderá facilitar as vidas dos annunakis.
— E para que serve?
— Na verdade, não fiquei somente na observação distante.
Usei de alguns artifícios de nossa tecnologia e ouvi a conversa dos annunakis.
Eles pretendem escavar as pedras e construir monumentos e câmaras de abastecimento energético para as naves.
Isso nos poderá ser útil também, caso eventualmente venhamos a descer no planeta ou a precisar de energia proveniente do Sol.
— Ainda não compreendi aonde quer chegar.
— Mesmo daqui do satélite, pudemos identificar onde se encontram as montanhas com a matéria-prima mais propícia às construções.
Localizam-se a mais de 1.500km de distância de onde pretendem erguer as primeiras construções.
Ainda que tivessem trabalhadores aptos a transportar tais pedras, a tarefa consumiria cerca de 2 mil anos de Tiamat, sem falar na extracção dos blocos.
E é impossível fazer isso com mão de obra humanóide.
Além do mais, ao que me parece, ainda não dispõem de toda a tecnologia necessária para tal empreitada; não bastam as máquinas que já possuem.
Este líquido, meus amigos, é produto de nossa técnica de edificações.
Ele tem a propriedade de amolecer qualquer material natural, modificando sua constituição molecular, o que permite moldar os elementos à disposição com grande liberdade.10
Foi necessário desenvolver algo assim em meu mundo, que é rochoso, onde não existe matéria mineral domesticável, como nos mundos de vocês.
Com isso, é possível diminuir drasticamente o tempo gasto no preparo das rochas, tanto nas nossas construções neste satélite como nas da superfície, que os annunakis farão.
— E como a reacção funciona?
Não teme oferecer aos annunakis um elemento tão precioso?
— Claro que não.
Jamais poderão reproduzir este líquido aqui em Tiamat.
Os elementos para sua elaboração e catalisação só são encontrados no meu mundo de origem.
— Sem dúvida, isso poderá nos ser muito útil, nobre dama.
A mulher sorriu disfarçadamente.
— Sei disso, meus amigos.
Mas há um problema.
— Precisamos dedicar um tempo a instruir e treinar os annunakis, entretanto, eles parecem estar em guerra constante entre suas castas.
Não sei como solucionar esse impasse.
Não basta colocar o líquido precioso em suas mãos; é preciso treiná-los.
Até porque tenho um estoque limitado, que não permite desperdício.
— Por quanto tempo se dá o efeito de mudança na estrutura molecular dos materiais?
— Bem, esse é um problema que nosso povo não conseguiu resolver...
— Mais outro problema?
Pensei que trazia apenas soluções.
— Nada que não se possa contornar — respondeu a mulher, sem ater-se à brincadeira do amigo.
Os annunakis ainda têm alguns equipamentos que trouxeram do seu planeta.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 27, 2017 9:45 am

Pois bem, a transformação se dá em apenas alguns minutos, e o efeito se preserva por mais ou menos duas horas de Tiamat, apenas.
— Então tanto eles quanto nós teremos apenas duas horas para moldar as rochas e transportá-las?
Isso é impossível. Impossível!
Nem com toda nossa tecnologia conseguiríamos.
— Mas o tempo é suficiente ao menos para moldar as rochas, antes que os efeitos cessem; diminuiremos em anos o processo todo.
O transporte pode se valer de outros recursos tecnológicos.
— Como sugere que os annunakis transportem o material com que construirão os monumentos e instrumentos de abastecimento?
— Eles os chamam de pirâmides, meus amigos...
— Pirâmides? Que nome mais estranho para um equipamento.
— Não se preocupem.
Eles possuem naves, que ainda preservam em seus estaleiros nos polos deste planeta.
Ainda por cima, dominam a tecnologia da anti-gravidade.
Dessa maneira...
— Depois de moldar os materiais de que precisam, mesmo que voltem a endurecer novamente, transportarão com suas naves através de equipamentos de anti-gravidade.
Creio que nos convenceu.
Efectivamente, convém estabelecer parcerias com os annunakis no planeta.
Depois, precisamos elaborar nosso plano de trabalho aqui nesta lua.
Até onde vejo, Sal-ali-naan, você tem condições de fazer contacto com os governantes dos annunakis.
Faço apenas dois alertas:
não podemos nos envolver mais do que isso, e cuidado com o jogo de poder lá embaixo.
Saiba que sua contribuição facilitou muito nosso trabalho de escavação das rochas lunares.
Primeiro terá de nos ensinar a trabalhar com este líquido do seu planeta.
Em seguida, entraremos em contacto com os annunakis para auxiliá-los.
— Com o passar do tempo, surgiu um projecto de cúpulas no satélite natural de Tiamat.
Porém, não ficou somente nisso.
Com a ajuda de outros povos do espaço, o satélite foi aproveitado ao máximo em sua estrutura.
Através das crateras, obteve-se o acesso ao interior do astro.
Fez-se uma variedade de instalações ali, preparando-o para, bem mais tarde, ser a base principal dos guardiões.
As construções na superfície lunar eram apenas pequena parte do que se veria no subsolo; a actividade era incessante na contraparte etérica do satélite.
Embora as construções na superfície tenham sido estruturadas em matéria de mesma densidade do satélite,11 as construções do interior foram forjadas em matéria etérica, o que facilitaria aos guardiões, bem mais tarde, a criação e o manuseio de suas ferramentas.
A escolha não poderia ter sido melhor.
A partir do satélite natural, com equipamentos apropriados, poderiam ser observadas, com máxima precisão, as cadeias montanhosas que, no planeta, milhares de anos no futuro, seriam conhecidas como Apeninos, Alpes, Cáucaso, além de outros recantos do mundo Tiamat.
Excelente estratégia escolhida pelos representantes das estrelas.
— O projecto fora concebido levando-se em conta os eventos complexos que envolviam o nascimento da nova humanidade.
Destacadamente, a presença dos dragões era motivo de grande preocupação, bem como a cobiça de outros seres do espaço, filiados a política análoga, que pudessem ser atraídos para Tiamat e tentassem subjugar ou anexar o planeta a seus sistemas de governo.
Com o tempo, os redutos construídos no satélite seriam oferecidos aos guardiões.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 27, 2017 9:45 am

Os construtores, então, partiriam para regressar apenas se fossem requisitados pelos novos ocupantes da base de observação, o quartel-general dos guardiões da humanidade.
— Pouco tempo depois de prontas as instalações e redomas sobre a superfície lunar, os cientistas que as construíram desapareceram sem deixar rastros.
Era uma característica dos construtores, e ninguém sabia dizer por que agiam assim e tanto prezavam o anonimato.
Logo após os dois milénios em que actuaram no mundo Tiamat, todo aquele aparato foi ocupado por equipes de técnicos e especialistas dos guardiões.
Alguns dos povos que auxiliaram os construtores permaneceram por mais algum tempo no satélite, organizando equipamentos e testando novas tecnologias.
Enquanto isso, na crosta, os annunakis prosseguiram suas construções.
Entre um evento e outro, Sal-ali-naan desceu à superfície para confabular com um dos representantes daquele povo degredado.
— Desculpe-nos, senhora das estrelas — falou Enki à mulher que oferecia ajuda.
Nós temos condições de actuar na matéria bruta deste mundo.
Ainda temos algumas naves e armas à disposição, as quais poderão moldar a mais dura rocha.
Não rejeitamos sua ajuda, mas creio que seu instrumento de trabalho poderá ser mais útil em outros recantos do mundo.
Por aqui, em nossas cidades, temos como nos arranjar.
— Mas poderão acelerar e muito o trabalho de vocês.
A mão de obra é escassa...
— Sabemos disso, senhora; no entanto, já estamos trabalhando.
Se quiser, venha ver como conseguimos alcançar nosso intento.
Entrementes, as pesquisas e os experimentos visando à modificação genética dos humanóides já estavam em andamento.
No tempo equivalente a apenas alguns poucos anos de Nibiru, o mundo original dos annunakis, caminhava sobre a superfície a raça nova, cujos representantes foram baptizados de homens.
Tendo a aparência física substancialmente melhorada, já se notavam traços de uma inteligência mais elaborada.
Alguns exemplares da nova espécie foram especialmente trabalhados, dezenas de vezes, cruzando-os com annunakis de castas inferiores.
O resultado foi o aprimoramento cada vez maior da raça de homens novos, que não mais lembravam os antigos primatas.
Um considerável salto de qualidade, em todos os sentidos.
Quando chegaram ao vale de onde eram retiradas as pedras para a construção dos primeiros monumentos, a dama das estrelas, Sal-ali-naan, ficou encantada com a técnica annunaki.
Havia se enganado quanto a suas possibilidades.
Duas grandes naves estavam paradas sobre uma montanha, enquanto alguns dos seus técnicos orientavam campos de anti-gravidade e, com os instrumentos trazidos de Nibiru, conseguiam fazer em pouco tempo o que mais de 20 mil homens levariam uma eternidade.
Um raio vinha da nave e cortava os blocos em tamanhos iguais.
Alguns eram especialmente medidos, de acordo com a orientação dos técnicos e engenheiros desse povo.
Enki mostrou todo o aparato tecnológico à mulher das estrelas que oferecia auxílio.
Poucos annunakis estavam ali.
Havia um acampamento erguido com pele de animais selvagens e outros recursos de Tiamat.
Enki a conduziu para lá, apresentando-a aos arquitectos do projecto arrojado:
— Em diversos lugares do planeta, são erguidas construções semelhantes a estas.
Mas não cessa aí nosso projecto.
As pirâmides serão revestidas com uma camada finíssima do ouro deste mundo, e funcionarão como armazenadoras de energia solar.
Um potente acumulador energético e, ao mesmo tempo, um condensador, que disporá de estoque para recarregar as naves que, de tempos em tempos, virão a Tiamat.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 27, 2017 9:45 am

— Seu projecto é realmente arrojado, nobre Enki — falou a mulher, visivelmente impressionada.
— Como sabemos, ao ter contacto com um novo mundo, não se trata simplesmente de importar ou copiar a técnica, os recursos avançados e as descobertas científicas que já detemos.
No entanto, podemos adaptá-los e aplicá-los à matéria deste orbe, a fim de construir o que precisamos.
Deixar instrumentos como os nossos nas mãos de uma espécie tão jovem poderia ser fatal, além de constituir uma interferência indevida no processo evolutivo de qualquer mundo com a condição deste.
— Sim, amigo Enki, esta é uma recomendação elementar a todos os povos que dominam as viagens espaciais: nunca interferir de maneira drástica no contexto social e evolutivo dos mundos primitivos.
— As novas espécies, os seres de conhecimento primário, não amadureceram a ponto de usar nossos instrumentos, por isso nosso cuidado.
Depois de transportarmos tudo, todo o material de que precisamos para o vale onde serão erguidos os monumentos, não deixaremos nossos equipamentos à mostra.
Serão todos recolhidos e guardados para as futuras gerações, em alguns esconderijos preparados para isso.
Somente daqui a muitos milénios, quando nossos irmãos de Nibiru vierem observar os resultados da evolução desses seres, eles mesmos, e não nós, é que decidirão se o homem de Tiamat está capacitado a usar essa tecnologia.
— Instrumentos tão valiosos quanto impressionantes como estes podem ser armas fatais nas mãos de crianças, como são os novos homens.
— Vamos, nobre Sal-ali-naan.
Quero que veja de perto alguns avanços nossos neste planeta — convidou-a o sábio Enki.
Ocuparam uma das pequenas naves que servia para vencer distâncias consideradas menores e sobrevoaram outro vale, a cerca de mil quilómetros dali, de onde se extraíam rochas de granito em peças de mais de nove toneladas cada.
Ao voarem a baixa altitude, puderam observar as naves que transportavam aquelas rochas esculpidas de maneira tão perfeita pelos raios de suas naves potentes.
Eram transportados 1o blocos simultaneamente, depositados em novo vale, aonde se dirigiam Enki e Sal-ali-naan, seres de mundos completamente diferentes.
Ao chegarem lá, Sal-ali-naan avistou a base de uma das pirâmides.
Diversas construções menores abrigavam a equipe técnica que orientava a empreitada. Havia um quê de euforia no ar.
Tudo indicava que Enki e seus parceiros, com a ajuda de, Al Lian, que era especialista em cálculos, haviam acertado ao pôr em prática a ideia das construções em todo o globo.
Os annunakis, que até então haviam se recusado a trabalhar em serviços braçais, aderiram por completo aos novos projectos.
Também participavam dos trabalhos os chamados homens, os primeiros entre eles a serem treinados, embora ainda não tivessem condições de compreender os detalhes e assumir as tarefas.
Os exemplares mais aperfeiçoados estavam em Eridu, a cidade-estado dos deuses.
Ali eram adestrados para viver em comunidade e treinados em algumas aptidões e ofícios do conhecimento dos deuses.
Aprendiam a plantar, domesticar animais, e alguns se aventuravam a aprender um tipo de escrita adequada ao seu estágio de aprendizado.
Era o alvorecer de uma era, na qual deuses e homens conviviam sobre a superfície do planeta.
Ao se aproximar das construções, Sal-ali-naan admirou ainda mais o conhecimento dos annunakis.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 27, 2017 9:45 am

— Veja aqui nosso projecto, irmã das estrelas — apontou Enki para uma maquete da grande pirâmide.
Segundo os arquitectos, ela terá mais de 150m de altura.
Planeamos de maneira que esteja alinhada em direcção à constelação de Órion, o lar da lonjura.
— Este é um projecto arrojado, nobre Enki, pois daqui a milhares de anos a posição das estrelas se modificará substancialmente nos céus deste mundo.
— Sabemos disso, dama das estrelas.
Contudo, depois de muito ponderar e de dezenas de reuniões, tanto nossos astrónomos quanto os engenheiros e arquitectos da grande pirâmide conseguiram uma proeza matemática: calcular as posições dos astros a partir de hoje até mais de 500 mil anos no futuro.
— Vocês pretendem ficar tanto tempo assim neste planeta?
— Pessoalmente, amo este lugar.
O mesmo já não ocorre com meu irmão, Enlil.
Ele deseja muito voltar a nossa pátria, mas os compromissos nos prendem aqui.
Infelizmente, tentou por duas vezes destruir nosso acampamento, por revolta; ele e seu filho chegaram ao absurdo, inclusive, de detonar um aparato nuclear.
Varreram nossa cidade do mapa de um dia para outro, protagonizando uma cena triste e lamentável.
Nessa revolta descabida, conseguiram matar a maioria dos espécimes que manipulávamos nos laboratórios de nossas naves.
Tivemos de nos retirar para o espaço até que a radiação se dissipasse.
Enlil está sob severa observação.
Parece possuído por alguma força estranha.
Mas... a vida prossegue, e o facto é que não há como retornar ao nosso mundo entre as estrelas.
Nossas naves não conseguiriam mais vencer tamanha distância, muito menos com a velocidade necessária.
Após um suspiro, Enki continuou, sem deixar que seus temores ou pressentimentos mais sombrios emergissem, prejudicando o planeamento de sua equipe:
— Farei deste mundo meu paraíso particular.
Quero muito ver os humanos daqui crescer e progredir e velarei pessoalmente por eles.
Aprendi a amar esses seres primitivos...
Engolindo seco, enquanto as naves descarregavam as toneladas de pedras no local previamente preparado, presas por campos de anti-gravidade, Enki continuou com voz mais suave e mais tranquilo:
— Os cálculos dos nossos engenheiros não foram tão exactos como esperávamos, pois temos de contar com algumas variações ao longo do tempo.
Precisamos nos prevenir, também, contra eventos climáticos, catástrofes naturais e outros abalos que porventura este mundo jovem venha a enfrentar — explicou, apontando os registos dos arquitectos que trabalhavam incessantemente em várias outras construções menores.
Pôs o dedo sobre determinado local e continuou:
— Foram necessários meses a fim de que chegássemos a um denominador comum: a segurança dos monumentos.
Tivemos de fazer uma base muito sólida para as construções, para que resistam às mais tormentosas catástrofes ao longo dos milénios.
Considerando todas as variáveis, chegamos ao alinhamento dos vértices das pirâmides à constelação de Órion, com uma variação não maior que 0,6mm.
— Mas essa variação foi proposital ou algo que fugiu aos esquemas matemáticos do projecto?
— Levando em conta a instabilidade do planeta e a modificação de sua órbita em torno do Sol — algo previsível ao longo dos próximos 300 ou 400 mil anos —, tivemos de inserir esse factor em nossos cálculos.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 27, 2017 9:46 am

Por isso, os arquitectos alinharam o máximo possível as pirâmides ao cinturão de Órion, de modo a não deixar dúvidas acerca de nossa intenção.
Precisávamos de uma referência que pudesse estar visível mesmo daqui a milhares de anos.
Ao estudar o movimento do
planeta em torno de si mesmo e seu trajecto no espaço, rumo à constelação de Hércules, chegamos a esse dígito de variação.
Nesses cálculos, previmos até mesmo catástrofes como, por exemplo, bólides do espaço, asteróides ou cometas que porventura viessem a se chocar com Tiamat daqui a milhões de anos.
Tivemos de vasculhar os céus deste mundo e o espaço; comparamos com as cartas estelares de nosso planeta e identificamos, com antecipação de mais de 500 mil anos, os artefactos cósmicos que estão vindo em direcção ao planeta.
Somente depois disso chegamos a essa variável de 0,6mm, cuja cifra contempla uma provável mudança no eixo de Tiamat.
— Ou seja, vocês alcançaram algo dificílimo até mesmo para muitas raças que já adentraram a era do desenvolvimento tecnológico.
Parabéns, annunaki!
Conseguiram um feito prodigioso, tanto arquitectónico quanto matemático.
— Sim, mas não foi somente o desejo de construir algo tão preciso que nos levou a estipular o alinhamento com a constelação de Órion.
A pirâmide é umas das formas mais perfeitas de acumular energias, e precisávamos utilizá-la também para absorver energias das estrelas, além de apontar aos futuros habitantes deste mundo o lar de onde vieram.
Queríamos mostrar que não são feitos exclusivamente da poeira deste mundo.
Em seus corpos e suas mentes, há o mesmo tipo de energia e matéria da qual são feitas as estrelas.
Por isso, o píncaro da grande pirâmide aponta para o céu, para o olho do deus, como se diz em meu mundo, ao mirar as estrelas da fantástica nebulosa.
— Pelos deuses de Órion! — exclamou Sal-ali-naan, dando a entender que era muita informação ao mesmo tempo.
Enki entendeu a sugestão.
Após instantes, ela tornou a indagar:
— O facto de as pirâmides apontarem para determinada área do espaço, para a constelação de Órion, constitui, então, uma espécie de indicação ou sinal para os futuros habitantes deste mundo.
— Não um sinal, minha querida Sal-ali-naan.
Trata-se de um convite, um chamado.
Monumentos em outros pontos do planeta também apontarão para o mesmo endereço cósmico.
É um convite para que, quando os humanóides deste mundo forem capazes de vencer as grandes distâncias siderais, possam nos encontrar no endereço cósmico especificado.
Portanto, não se trata apenas de um sinal, mas de um convite expresso, com endereço marcado e uma linguagem tão clara que, independentemente da época em que os humanóides estiverem, poderão compreendê-lo.
O endereço sideral é perfeitamente visível, e não somente neste sítio, mas em outros que espalharemos mundo afora.
— Nobre companheiro do espaço, vejo que não precisam mesmo de meus préstimos.
Mesmo assim, deixarei com você, como presente, parte do líquido precioso que trouxe de meu mundo.
Peço-lhe apenas que o guarde em segredo; não o ofereça a ninguém.
Sei que mais tarde poderá ser-lhe útil, como já foi para muita gente.
De todo modo, não posso levá-lo de volta, pois sua instabilidade faria com que perdesse suas propriedades em uma nova viagem pelo espaço, principalmente se utilizarmos as trilhas energéticas.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 27, 2017 9:46 am

— Agradeço sua ajuda, senhora, mas não gostaria que fosse sem antes conhecer os experimentos genéticos realizados com os primatas.
Quero que veja com os próprios olhos.
— Uma grande cidade foi erguida em torno daquele sítio, aproveitando a presença dos técnicos que ali estavam para levantar os monumentos.
Outras mais seriam construídas, tanto ali como em outros recantos do planeta, cada qual com múltiplas finalidades; constituíam verdadeiras jóias da civilização annunaki e de outros povos do espaço, seus auxiliares.
Seriam observatórios, condensadores e acumuladores de energia solar, pontos de reabastecimento das naves ao longo dos milénios e, ainda, sinaleiros para quem estivesse no ar — os pilotos e tripulantes das naves —, a fim de indicar o campo de pouso e o sentido em que deveriam seguir.
Uma cidade-paraíso foi erguida ali, na futura Mesopotâmia, cobrindo toda a extensão do vale.
Era algo inimaginável para outras épocas, passadas e futuras.
Fantásticos jardins suspensos constituíam o prodígio da arquitectura e do urbanismo na região entre os Rios Eufrates e Tigre — centro de todos os deuses, local onde foram feitas as modificações genéticas nos primatas do novo mundo.
De laboratório, transformou-se o lugar em um verdadeiro paraíso bem no chão de Tiamat.
Templos enormes concorreriam para a educação da nova raça, para o ensino de ciências, matemática, agricultura, leis e o estudo dos céus.
Somente mais tarde, muito mais tarde é que os templos dedicados ao ensino de ciências foram utilizados para festividades e rituais religiosos.
Quando isso ocorreu, já haviam os deuses regressado às estrelas, e o povo começou a se multiplicar sobre a superfície do planeta, formando seus próprios reinos, embora assistidos pelos veladores — seres remanescentes, que ficariam em Tiamat a fim de gerenciar o aprendizado dos povos do mundo.
Posteriormente, esses veladores começaram a ser venerados e adorados como divindades por aqueles que tinham uma visão mística.
Então, foi perdido o contacto com a realidade dos astronautas, de cujo conhecimento o homem se distanciava gradativamente.
— Vamos lá, amigo do espaço.
Tenho pouco tempo, mas ainda posso ir com você ver a obra-prima de sua civilização.
Os dois pegaram o primeiro comboio que levantou voo naquele vale e rumaram à cidade dos deuses, próximo ao Eufrates.
Do alto, Sal-ali-naan pôde perceber a grandeza da obra que os annunakis levantavam no vale daquele rio, que serpenteava em meio a palmeiras e oásis maravilhosos.
Era um vale muito verde, de tonalidades exuberantes, com seus jardins primorosamente construídos e projectados pelos povos auxiliares dos annunakis.
Havia intenso movimento de energias, seres e naves, do qual se destacava a construção de uma longa pista de aterrissagem, sinalizada pelas pirâmides.
Somente do alto poderia ser vista a direcção em que apontavam as pirâmides.
Para quem estivesse no solo, pareciam apenas monumentos.
A bordo de uma nave, entretanto, podia-se perceber que dois montes logo à frente formavam uma linha recta, perfeita, a partir das pirâmides, numa porção de terra que bem poderia ser um espaço porto no novo mundo.
Sal-ali-naan sorriu ao ver a sabedoria dos annunakis.
Enki sorriu de volta.
— Vocês não deixaram passar nada, meu amigo.
Somente daqui de cima se pode perceber o alinhamento das pirâmides, sinalizando para os pilotos o sentido do pouso.
Os dois pegaram o primeiro comboio que levantou voo naquele vale e rumaram à cidade dos deuses, próximo ao Eufrates.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Set 27, 2017 9:46 am

Do alto, Sal-ali-naan pôde perceber a grandeza da obra que os annunakis levantavam no vale daquele rio, que serpenteava em meio a palmeiras e oásis maravilhosos.
Era um vale muito verde, de tonalidades exuberantes, com seus jardins primorosamente construídos e projectados pelos povos auxiliares dos annunakis.
— Você compreendeu bem, minha amiga das estrelas; captou a plenitude de nosso projecto.
Respirando com uma leve melancolia, que parecia querer se instalar em sua alma, Enki disse, arrematando a conversa:
— Infelizmente, nem tudo é eterno, minha nobre companheira.
Daqui a milhares de anos, os habitantes deste mundo, como em qualquer outro lugar, esquecerão seu legado.
Ao olharem estes monumentos, não lembrarão e nem sequer conhecerão com que finalidade foram construídos.
— Com efeito, é um preço alto que se paga com o passar do tempo, meu querido Enki.
Não nos resta muito a fazer.
Saberemos, entretanto, que teremos cumprido nossa tarefa ao nos recolher à mansão da paz, entre nossos antepassados.
De lá, olharemos nossos meninos, nossas crianças, brincando de adultos.
Quem sabe um dia possamos voltar para vê-los e falar com eles que somos seus pais, que somos nós os seus deuses, que os criaram e ensinaram a andar, a falar, a calcular.
— Sim! E um dia, quando voltarem às estrelas, levarão consigo a lembrança de que não são deste mundo; ao menos não totalmente.
São filhos das estrelas do firmamento.
São estrelas também.
— A nave cruzou o céu, partindo para outra região daquele mundo, a fim de apresentar à visitante do espaço a obra-prima da engenharia genética annunaki: o Homo sapiens.

10 Uma vez que a física ensina, em termos gerais, que a mudança entre os estados da matéria se dá por alterações nas condições de temperatura e pressão, o autor espiritual foi questionado acerca do trecho em que a personagem aponta modificação na constituição molecular do material usado em construções.
Ao ratificar tal informação, comentou a intenção de explicar melhor essa tecnologia, que sem dúvida causa surpresa, num próximo volume desta série Crónicas da Terra.

11 Parece natural depreender desta afirmativa que as referidas construções teriam densidade compatível não só com a matéria física lunar, mas também com a terrena.
Sendo assim, deveríamos percebê-las sem maiores dificuldades, desde que pudéssemos observar o chamado lado oculto da Lua, seja pessoalmente ou através de sondas espaciais.
Segundo o escritor J. J. Benitez e outras fontes na internet, é exactamente isso que teria ocorrido já na missão Apoio 11, em 1969. Embora o assunto seja envolto em muita especulação e evidente controvérsia, é razoável inferir que a nota do autor espiritual reforça a hipótese, e tais achados constituiriam evidências de vida extraterrestre, ainda hoje negada pelos órgãos oficiais.
Cedo ou tarde, o futuro se encarregará de esclarecer o problema.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Set 28, 2017 8:49 am

ESTE RELATO ESTÁ GRAVADO em nossos bancos de memória, mas também em milhares de pedras, tabuletas e placas de argila deste mundo.
Que saibam as futuras gerações que eu, Enlil, sou o emissário dos deuses, dos senhores do conhecimento e da sabedoria.
Fui declarado Yaveh, um deus, aquele que sou o que sou.
Depois de mim, meu filho, e depois dele, outros filhos do meu povo.
Vivemos uma vida cheia de contradições.
Embora nosso título de deuses, somos apenas homens de Nibiru, da espécie Homo capensis, degredados das estrelas para este miserável mundo de Tiamat.
Criamos os homens à nossa imagem e semelhança.
Conseguem pensar, raciocinar e agora nos veneram, estes seres a quem repugno.
Ao mesmo tempo, os transformamos em deuses, em heróis, em uma contradição evolutiva e um paradoxo da ciência como nunca conhecemos.
Embora não lhes reconheçamos nenhum direito, eles o conquistaram.
Enki, meu irmão, ama esses seres ao absurdo.
Em vez de torná-los simplesmente deuses ou heróis, ele se fez homem para viver a vida deles.
Traiu nosso legado mais precioso.
Em nossa comunidade de deuses, a posição social de humana corresponde à de escravo.
Não exactamente de animal, pois que conseguimos com aqueles o prodígio de nossa civilização:
os homens raciocinam e são capazes de aprender e ensinar.
Multiplicam-se como nenhuma outra espécie, e desenvolveram algo incomum a outras espécies do seu mundo: sentimentos e emoções.
Eles não tem o direito de manifestar suas opiniões sobre nosso sistema de governo; devem restringir-se ao papel de escravos, seja nas minas de ouro, seja para auxiliar nos nossos projectos.
Mas aprendem rápido.
Estão erguendo sua própria civilização — fazem cálculos, conseguem estudar as estrelas e, além do mais, estão se organizando como os deuses, apoiados por Enki e seus amigos que desonram a casta dos eloins, os criadores de vida.
Agora, embora inferiores aos deuses, não podemos mais viver sem eles.
Dependemos dos homens para arar a terra, semear, colher, atender nossas necessidades e nos servir.
Que grande ironia!
O novo ser, inferior, domina-nos a ponto de precisarmos dele em tudo.
Sei que, em breve, nós, os seus deuses, seremos banidos de suas vidas e esquecidos na poeira do tempo.
Eu sou Enlil, o filho de Anu, de Nibiru.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Set 28, 2017 8:49 am

Os AMIGOS ENKI E SAL-ALI-NAAN sobrevoaram a cidade reconstruída após os eventos catastróficos patrocinados pelo irmão de Enki, o semideus Enlil.
Abaixo deles, a cidade prosperava com seus palácios e jardins suspensos, primorosamente reconstruídos, mais de mil anos depois dos eventos que determinaram o fim de um ciclo.
Nesse ínterim, o homem, produto da técnica genética annunaki, fora enviado para o planeta original dos exilados, a fim de lá ser aperfeiçoado e retornar ao mundo, depois de uma era glacial, em que geleiras cobriram o planeta e as naves se refugiaram no espaço. Tudo foi então reerguido, e uma nova civilização veio a florescer no mundo novo, com uma nova ordem de coisas.
A cidade era um monumento à parte, e estava cheia de vida.
Quando Enki e Sal-ali-naan desceram num aeroporto pequeno, reservado à casta dominante, foram recepcionados por Enlil.
— Tente ignorar as palavras às vezes rudes de meu irmão, preciosa dama.
— Não se preocupe, Enki; saberei me portar.
Afinal, convivi por muito tempo com especialistas em psicologia de outros povos.
Quando me formei e fui admitida para navegar pelo espaço, fiz um estágio de 20 anos com personalidades das mais sombrias e discordantes possíveis, em quatro mundos-prisão.
Creio estar preparada.
A mulher das estrelas tinha uma estatura baixa para os padrões annunakis: aproximadamente 1,60m.
Cabeça muito maior do que a dos degredados, olhos vivos e grandes.
Vestia um tecido cinza quase prateado, forma de se preservar da agressividade da atmosfera, que, para sua raça, representava algo perigoso.
Enlil recebeu os dois de maneira muito especial.
Portava-se como um deus e era servido dessa forma até por outros annunakis.
Da espécie Homo capensis, não admitia que outras espécies pudessem ser comparadas consigo e os seus.
Na verdade, acentuara tal comportamento após a vinda para Tiamat.
Ao que se podia notar, de tempos em tempos pensamentos intrusos assaltavam sua mente, e sentia-se à beira da loucura.
Nesses momentos, isolava-se em seu palácio nas cercanias de Eridu.
Assim que os violentos dominadores, os dragões, foram definitivamente banidos e aprisionados no planeta, começaram as vozes em sua cabeça.
Eram chamados muito claros, e ele começou, então, a desenvolver certo tipo de sentimento em relação à nova humanidade que florescia ali, no novo mundo.
Até onde isso o levaria, ninguém saberia responder.
Enki tentava a todo custo reverter os estragos causados pelas atitudes do irmão.
Visivelmente, porém, um fosso se abrira entre os dois.
E a distância entre ambos parecia cada vez maior e mais perigosa.
Enlil intitulava-se o deus-sol e fez com que várias inscrições ostentassem seu símbolo pessoal, que era de grande significância para a comunidade dos filhos das estrelas.
— Seja bem-vinda, dama do espaço! — saudou Sal-ali-naan, que chegava de braços dados a seu irmão.
Quase ignorando Enki, tomou a mão da visitante de um dos mundos da imensidade, um planeta rochoso que ficava a mais de 25 anos-luz de Tiamat.
Olhando Enki de modo a dar a entender que sabia o que se passava, ela prosseguiu a caminhada rumo ao interior do palácio, construído primorosamente na matéria de Tiamat.
Enki fez questão de acentuar o motivo da visita de Sal-ali-naan.
— Nossa convidada, meu irmão das estrelas, não tem mais muito tempo para ficar em Tiamat.
Visitamos um dos campos de trabalho onde nossos técnicos erguem um dos preciosos condensadores energéticos situados nos pontos de intercessão de forças magnéticas do planeta.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Set 28, 2017 8:49 am

— Isso mesmo, nobre Enlil.
Preciso aproveitar a porta de aproximação para o salto pelas trilhas energéticas.
Tiamat se aproxima do ponto onde a partida das naves é mais favorável.
— Senhora, espero que tenha tempo suficiente para apreciar as belezas de Eridu, a capital dos deuses annunakis.
— Como gostaria, nobre Enlil, mas situações urgentes me aguardam entre meu povo.
Asseguro que me programarei para retornar antes de terminarem os dois próximos milénios do tempo deste mundo.
Em uma próxima ocasião, ficarei como sua convidada.
— Que pena, senhora.
Bem, dois milénios é pouco tempo comparado a um shar do nosso planeta, que equivale a 3,6 mil anos-Tiamat.
Saberei compreender.
Sem interromper a fala de Enlil, mas assim mesmo apressando seu interlocutor, falou a que viera:
— Fui convidada pelo sábio Enki a conhecer a obra-prima de sua ciência, nobre deus.
Enki não se fartou de enumerar suas qualidades como o maior responsável pelo desenvolvimento dos primatas, junto com sua irmã e conselheira.
Enlil não gostou de maneira alguma da bajulação, mas resolveu aquietar-se, pois de alguma maneira se sentia o rei daquele lugar.
Enki compreendeu a intervenção de Sal-ali-naan e ficou mais quieto, observando.
Sabia da situação espiritual do irmão e podia sentir, em certos momentos, como era dirigido por uma consciência perigosa, num franco processo de intrusão psíquica.
Adentraram um recinto iluminado por um dispositivo central, que irradiava uma luz semelhante à do luar.
Figuras de animais do novo mundo, esculpidas de maneira primorosa, falavam do bom gosto estético, ainda que excêntrico, dos habitantes do lugar.
Belíssimas cortinas, penduradas do tecto ao chão, mostravam as habilidades desenvolvidas pelos novos homens e suas mulheres.
Enlil assentou-se numa espécie de trono, uma poltrona talhada em madeira especial e trabalhada em ouro, trazido das minas do continente negro.
Enki e Sal-ali-naan assentaram-se em outras cadeiras mais simples, porém esculpidas com bom gosto.
Um ser feminino entrou no ambiente para servir-lhes uma bebida de acordo com o gosto dos annunakis.
Era um belo exemplar, cujos traços fisionómicos guardavam semelhança com os dos annunakis, mas, observando-se melhor, claramente não pertencia à mesma raça.
De todo modo, o que isso importava, naquele momento?
Aquela era uma época em que os filhos das estrelas conviviam de perto com os filhos dos homens.
Enlil deu ordem para que se trouxesse um espécime dos novos homens, a fim de que Sal-ali-naan conhecesse o padrão a que chegaram com sua técnica de engenharia genética.
Enquanto isso, ela mirava os jardins ao redor, pela abertura localizada em uma das paredes do palácio.
Animais estranhos conviviam na área externa.
Alguns eram aberrações da natureza: em parte primatas, em parte quadrúpedes; outros pareciam o cruzamento de raças animais diferentes.
Era um tipo de museu a céu aberto a atestar as bizarrices a que chegaram os annunakis antes de conseguirem desenvolver o ser que lhe seria apresentado.
Logo chegou um dos novos seres, a que deram o nome de Homem.
Tinha os olhos negros e menos pelos no corpo que os primatas, estando mais concentrados na cabeça, no peito e nas pernas.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Set 28, 2017 8:49 am

Já não parecia animal.
Havia um brilho diferente nos olhos da criatura.
— Venha, homem.
Você sabe que foi preparado para sua tarefa de nos servir, desde sua criação.
Além disso, foram-lhe concedidos alguns privilégios devido a pedidos de nosso irmão Enki.
O homem realmente parecia compreender o que lhe falava o semideus Enlil.
Aproximou-se de Sal-ali-naan; olhava interessado para a mulher, notando as diferenças no corpo dela em relação aos dos demais.
Fez menção de se curvar.
Mas foi imediatamente detido por Enki.
— Fique em pé mesmo, homem. Não precisa se curvar diante de ninguém.
— Somente diante de seu deus e senhor — falou Enlil, deixando claro que pensava diferentemente do irmão.
— Mas por ora, homem, fique tranquilo, sinta-se à vontade — insistiu Enki.
Sal-ali-naan sabia muito bem o que se passava ali.
Pelo pouco que pôde observar, anteviu como seria a luta do novo ser para se firmar, ao longo do tempo, como senhor de si mesmo e do planeta.
Haveria disputas das mais brutais entre os chamados deuses, os astronautas, visando influenciar o novo ser.
Sal-ali-naan admirou aquele a quem os annunakis chamaram de Homem.
Ainda não era um ser aperfeiçoado e estava longe ainda de parecer um ser superior; contudo, havia traços nítidos de humanidade em seu corpo, e seu olhar parecia vivaz e dava a entender que compreendia muito bem a linguagem.
Os olhos espelhavam a alma de procedência divina.
— Este é apenas um dos primeiros exemplares que conseguimos.
Depois destes, vieram outros.
— E actualmente enfrentamos um problema social muito grave entre nossos conterrâneos, bela dama — falou Enki para a visitante interestelar.
Nisso concordou Enlil e, repentinamente tomado por outra atitude, deixou de confrontar o irmão e deu mais atenção ao fato relatado por Enki.
— Como aprimoramos cada vez mais a espécie em inúmeras tentativas, notamos que os primeiros seres não se reproduziam.
Foi um dos grandes obstáculos, até descobrirmos como solucionar a questão.
Agora, passado um milénio de intensas actividades, conseguimos criar seres mais desenvolvidos.
O problema é que nossos annunakis, os das castas menos importantes em nossa hierarquia, principalmente os técnicos e o povo mais comum, resolveram se enamorar das filhas dos homens.
Os novos exemplares de facto eram muito mais belos e elegantes do que os primeiros.
— Isso significou uma miscigenação racial imprevista, não é assim?
E como resolveram a questão? — comentou a visitante interessada.
— Aquilo que no início se mostrou uma preocupação acabou por solucionar muitos entraves para nossos cientistas e geneticistas.
— Não entendo, nobre Enki — falou Sal-ali-naan, olhando fixamente para o homem que estava diante deles, calado
e de cabeça baixa, em respeito aos semideuses astronautas, seus criadores.
— Acontece que, depois de muito tempo longe de sua terra natal e com poucas fêmeas da nossa espécie, a maioria dos annunakis desejava procriar, constituir seus clãs familiares; além disso, a força primária que se manifesta em forma de sexualidade falou mais alto que sua origem celestial.
Foi aí que tudo aconteceu.
Quando se deitaram com as primeiras fêmeas modificadas geneticamente, justamente as mais belas e primorosas da nova raça, começaram a nascer-lhes filhos.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Set 28, 2017 8:50 am

Estes, porém, traziam características das duas raças.
Algo que não imaginávamos jamais!
Os novos seres nasciam com um corpo diferente, mais aperfeiçoados.
Nós os chamamos de mins, de estatura gigante para os padrões dos humanóides, porém com aparência mais delicada que a dos primatas, mesmo os mais desenvolvidos e os manipulados geneticamente — ou seja, os homens.
Foi uma mistura racial que se mostrou útil para a proposta de criação de uma nova humanidade.
Depois de algumas gerações e novos cruzamentos raciais, os annunakis que escolheram suas fêmeas entre os humanóides modificados geraram outros e outros.
O facto ficou ainda mais patente à nossa observação quando os machos da espécie nascente envolveram-se com algumas de nossas fêmeas, nossas mulheres.
Aí o novo tipo humano parece haver se aprimorado bem mais.
Ainda nos intriga essa diferença marcante.
Estamos estudando o que pode ter ocorrido.
Além do mais...
Enlil interrompeu o irmão, falando com repentino interesse científico:
— A duração da vida dos humanóides primatas era de aproximadamente 8o anos do tempo de Tiamat, porém os novos seres, fruto da miscigenação racial com os annunakis, alcançaram 8 séculos de vida ou mais.
— Então não foi somente o tipo físico que mudou com a união, mas também a expectativa de vida? — indagou Sal-ali-naan.
— Isso mesmo.
Provavelmente, isso se deva ao fato de que vivemos muito mais do que os seres deste mundo.
Como viemos de outro sistema de vida, de outro contexto cósmico, nosso tempo de vida em Tiamat obedece a esse factor externo.
Essa é uma das razões pelas quais nos consideram deuses.
Mas também tem ocorrido o inverso connosco, factor que está na pauta de nossos cientistas.
Nossa descendência, que deveria viver muito mais do que os 800 anos alcançados pelos nephilins, tem assistido à diminuição progressiva de cada ciclo de sobrevivência.
Se antes podia chegar a um tempo bastante dilatado — 2 mil anos de vida no corpo, por exemplo —, transcorridos todos estes milénios em Tiamat, parece haver um conjunto de forças agindo sobre os corpos, de modo que a duração média da vida diminuiu sensivelmente, aproximando-se muito da encontrada nos novos seres — disse Enlil, nitidamente alarmado com as consequências e o impacto dessas mudanças.
— Creio, nobre dama — retomou Enki, não sem preocupação —, que o tempo que ficamos aqui, muito longo para os padrões deste mundo, tem nos afectado a constituição física e energética.
Isso é algo novo para nós.
A hipótese mais plausível de nossas investigações é a de que o Sol, pela extrema proximidade com este planeta, emite algum tipo de radiação que afecta o sistema de vida daqueles que aqui permanecem por um longo período, nivelando-o o máximo possível.
Os novos homens, gigantes pelos padrões atuais, vivem muito mais que suas mães humanóides ou seus pais da espécie humana deste mundo.
Enquanto isso, nossa raça tem se deteriorado visivelmente, diminuindo seu tempo de vida e assemelhando-se cada dia mais com o habitante natural deste planeta.
É um fenómeno para o qual ainda não encontramos explicação.
— Nunca havia presenciado algo assim, nesta dimensão — falou Sal-ali-naan, muito interessada nas questões levantadas pelos dois irmãos.
Tratava-se de algo realmente preocupante para o estilo de vida dos astronautas.
— Seja como for, teremos de aguardar os próximos milénios deste mundo — tornou a falar Enlil.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Set 28, 2017 8:50 am

As coisas têm se modificado tanto que, muito provavelmente, como disse Enki, nosso povo verá o tempo de vida física nivelado ao dos novos homens deste planeta.
Somente as novas gerações de humanos e annunakis poderão observar essas mudanças.
Por ora, tudo nos leva a concluir que os homens, assim que se estabilizarem as oscilações e desenvolverem seu próprio tipo, permanecendo como característica da nova raça, deverão aproximar-se de um tempo de vida em torno de 140 anos.
A estatura dos novos seres, os novos humanos que se acasalam entre si, também parece indicar uma tendência a se estabilizar.
Os primeiros primatas, com os quais desenvolvemos as pesquisas genéticas sem sucesso, tinham uma estatura muito baixa.
Por outro lado, os representantes decorrentes da miscigenação racial são altos demais em relação à raça humanóide original do planeta.
Mas esses novos seres, resultado do segundo ciclo de miscigenação com nossa espécie, deram origem a um tipo intermediário.
E melhor: com uma inteligência que excede significativamente os padrões anteriores.
— É o resultado de mexer com as forças da criação...
Tudo é imprevisível.
Terão de aguardar alguns milénios deste mundo antes de verem o tipo humano daqui estabilizar-se e produzir o padrão da raça.
As variáveis eram muito complexas quando se tratava da miscigenação racial de dois tipos tão diferentes, o Homo capensis e o Homo sapiens.
Um sinal emitido por algum aparelho chamou os dois irmãos urgentemente.
Pediram desculpas à dama das estrelas, prometendo retornar dali a pouco tempo.
Era um novo levante nas minas de ouro.
Teriam de vê-lo de perto, mas, com suas máquinas voadoras, poderiam retornar em breve.
Deixaram a dama ali, junto com o novo exemplar da raça.
O homem ousou olhar fixamente para a mulher das estrelas, que tentava comunicar-se de maneira o mais delicada possível, usando um aparelho que traduzia seu idioma, como era corrente ao se falar com povos diferentes.
Sal-ali-naan enfrentou seu olhar curioso e lhe perguntou:
— Qual o seu nome?
Você me entende?
O aparelho traduziu as palavras de Sal-ali-naan, que aquele ser bem poderia tomar como uma deusa.
— Meu nome é Homem — respondeu numa língua que soou bizarra, mas que foi perfeitamente traduzida pela máquina que Sal-ali-naan trazia ao peito.
Ela se surpreendeu, pois não imaginava que o ser pudesse compreendê-la.
Ele falava com alguma dificuldade; ou seria apenas impressão dela?
Teve medo de ser agredida.
— Se não fosse um ser natural, embora manipulado geneticamente, eu diria que você possui uma inteligência fora do comum, Homem.
O ser se manteve quieto.
Talvez tentando entender o que significavam as palavras da mulher tão diferente dos annunakis.
— Fico feliz de que seja capaz de me entender.
Sinal de que tem a luz da razão e um espírito.
— Eu também fico feliz, acho... — respondeu o ser, deixando novamente Sal-ali-naan espantada.
Ele a entendia muito bem.
— Você é uma deusa? — perguntou o homem.
Ela não sabia o que dizer. Estava conversando com a obra-prima da criação dos seres de Nibiru.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Set 28, 2017 8:50 am

Mas se aquele era um espécime ainda não aperfeiçoado, como seria conversar com representantes das gerações mais novas?
Sal-ali-naan tinha apenas a altura de uma cabeça humanóide a mais do que o homem de Tiamat, talvez por isso a confundisse com uma deusa.
Com certeza não seria devido a sua aparência, pois as escamas cobrindo sua pele a faziam muito distinta dos annunakis, além de outras peculiaridades de sua raça.
Tentou pensar no que dizer ao ser e preferiu responder com outra pergunta, para avaliar melhor a criatura.
— Sabe quem são seus criadores?
Homem ficou quieto.
Não sabia o significado da palavra criadores.
Notando que ele não a compreendia, Sal-ali-naan tornou a formular a pergunta, de outro modo:
— Conhece esses que conversavam comigo?
Sabe quem são?
— Pai! Pai de Homem.
Mas não são todos iguais.
A máquina de tradução novamente fez jus à técnica com a qual fora construída.
— Como não são todos iguais?
Você me entende?
O homem fixava o olhar nos olhos de Sal-ali-naan; depois de algum silêncio, respondeu ou balbuciou:
— Tem pai bom e tem pai mau.
Homem fica calado, mudo.
Pai pensa que Homem não fala, ainda.
Novamente, Sal-ali-naan entendeu a tradução das palavras.
Uma curiosidade imensa tomou conta de seu espírito, quase esquecendo que tinha pouco tempo até a próxima oportunidade de salto para sua nave.
Porém, aproveitaria ao máximo o tempo em Eridu.
— Com quem aprendeu a falar? — a máquina traduziu suas palavras para o homem de Tiamat.
— Com outros homens.
Com um dos pais de Homem.
— Com o deus Enlil? — perguntou novamente Sal-ali-naan.
O homem permaneceu em silêncio.
— Com o deus Enki?
O homem a olhou significativamente e tentou fazer um gesto que ficaria marcado para sempre como uma característica sua:
balançou a cabeça em sinal de concordância.
Sal-ali-naan logo compreendeu o papel de Enki e seu irmão Enlil na composição da nova raça.
Não queria estar na pele dos novos humanos, de maneira alguma.
Ainda tinham muito caminho a percorrer.
Faltavam muito mais de 1oo mil anos antes que os novos seres conseguissem se desenvolver a ponto de formar sua própria civilização.
As experiências genéticas haviam terminado definitivamente e Enki tratou de destruir
os laboratórios, de sorte que ninguém mais os pudesse reconstruir, não com os recursos deste mundo.
Quando os dois irmãos retornaram, Sal-ali-naan se despediu do novo ser, enquanto ele apenas respondeu com um leve meneio de cabeça, a fim de evitar problemas com um dos semideuses.
Homem sabia disfarçar.
Isso era um bom começo, pensou a visitante.
Ele sobreviveria os séculos e milénios.
Admirou a nova raça.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Set 28, 2017 8:50 am

Algum dia gostaria de retornar a Tiamat para ver a que ponto chegaram em sua evolução.
Partiu, levando consigo o registros daqueles acontecimentos.
Nunca mais retornaria a Tiamat, mas disso ela ainda não sabia.
— ENLIL! ENLIL, RESPONDA ao meu chamado! — a voz se imiscuía em seu cérebro de maneira que não poderia evitar.
Você é meu eleito.
Você está submisso a mim — repetia a voz inarticulada, acompanhada de uma risada sarcástica.
Eu sou o supremo, o maioral, e você é meu eloim, meu yaveh.
Prepare-se, pois o tempo está chegando.
Enlil não conseguia se livrar da estranha voz que repercutia em sua alma, arrancando-o da sua realidade e transportando-o a outras paragens, a um plano obscuro de um mundo imaterial.
Era cativo de um ser medonho.
Sofria, mas também, paradoxalmente, sentia uma estranha atracção pelas propostas daquele ser inominável.
— Eu o fiz deus e o elevarei acima das mais altas nuvens; você será meu ministro entre os homens.
Prepare-se, Enlil.
Em breve virei até você.
A dor de cabeça parecia aumentar cada vez mais.
De repente, avistou uma figura.
Viu uma cabeça em forma de cone e ouviu uma outra voz.
Uma voz hipnótica fez-se ouvir no recôndito de sua alma:
— Deixarei com você a fórmula para desenvolver este aparelho.
Ele será nosso meio de comunicação.
Todo aquele que portar este capacete será um deus; este será nosso ponto de contacto com os novos seres e a nova civilização.
Enlil acordou molhado de suor, com a cabeça quase explodindo de dor.
Aos poucos, as imagens se diluíram e a voz distanciou-se.
No entanto, o esquema do aparelho permaneceu impresso em sua mente, pois era produto de uma ordem pós-hipnótica.
Tinha ciência de todo o plano de construção, de cada material a ser usado e de cada etapa que deveria seguir para construir o aparelho.
Enlil ocupou-se dia e noite para reproduzi-lo.
Ignorava que o tal aparato seria o elo entre ele e as inteligências sombrias, que o dirigiam da escuridão.
Uma voz gutural repercutiu nas regiões ínferas.
Uma risada satânica cruzou a escuridão quase material daquelas paisagens mais densas do submundo.
Nova leva de degredados foi encaminhada ao terceiro mundo do sistema.
Agora, proveniente de uma estrela a mais ou menos 42 anos-luz de Tiamat.
Vinham da Constelação do Cocheiro, uma estrela binária.
Por essa época, os guardiões já haviam se albergado no satélite natural do planeta.
Foi exactamente ali que ocorreu a reunião entre seres do Cocheiro e os guardiões planetários de Tiamat, a fim de preparar tudo para receber as levas de seres, incluindo as providências que visavam evitar confrontos entre as duas raças:
— Preocupamo-nos sobretudo com os seres mais perversos do nosso sistema, que guardam pretensões descabidas de comando e de poder — falou Mnar, um dos capelinos responsáveis, para o guardião.
— Aqui as coisas não são diferentes do que ocorreu em seu mundo.
Os dragões, ou daimons, como chamamos os arquitectos da destruição, independentemente do mundo de onde vieram ou de sua cultura espiritual, são os mais violentos que conhecemos neste quadrante da Via Láctea.
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Re: Os Nephilins: a origem/Ângelo Inácio - Robson Pinheiro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Set 28, 2017 8:51 am

Devemos trabalhar para que o encontro de ambos os grupos com pretensões de poder não coloque em risco os progressos alcançados até então.
— O que sugere, guardião?
Você está aqui há milénios, segundo o computo de tempo deste mundo...
— Temos aqui, nobre Mnar, regiões inteiras que ainda estão inexploradas e outras ainda não habitadas.
Os degredados, por enquanto, concentram-se na parte oriental do planeta, próximos ao Rio Eufrates, e outro grupo já se espalha pelas imediações.
Contudo, existe uma ilha-continente para a qual somente pouquíssimos degredados se atreveram a ir.
Quem sabe possamos localizar os novos imigrantes nessa região?
São continentes muito extensos, embora a instabilidade de um deles.
Mas creio que podemos contar com a ajuda de um dos dirigentes responsáveis pelos annunakis, um dirigente corporificado.
Sabe dos grandes avanços deles nas pesquisas e no desenvolvimento genético?
— Ainda não, nobre guardião.
Em nosso mundo, já tivemos muitas iniciativas nesse sentido, mas, devido às grandes dificuldades geradas com as experiências, acabaram sendo proibidas, principalmente no reino animal.
Ficaram restritas apenas ao reino vegetal, mas de uma forma especial ao desenvolvimento de plantas que pudessem sobreviver no ambiente
contaminado depois das guerras desencadeadas pelos dominadores e dragões do nosso mundo.
— Pois bem, nobre Mnar.
Aqui as coisas se passaram de modo um pouco diferente.
Devido à localização distante deste mundo, os cientistas desenvolveram inúmeras pesquisas e conseguiram produzir enormes variações de diversas espécies.
Queriam produzir um tipo humanóide que lhes servisse como escravo.
Isso fez com que alguns seres mais experientes entrassem em cena, visando poupar as cobaias de tanto sofrimento.
Ajudaram no rastreio da espécie certa e, tão logo os annunakis elegeram o primata mais adequado, seus cientistas foram conduzidos, de maneira que as tentativas de manipulação genética pudessem ser as últimas realizadas em Tiamat, porque certeiras.
— E isso deteve as experiências?
— Sim, pois assim que alcançaram um resultado compatível com sua expectativa, que era de certo aperfeiçoamento da espécie humanóide, destruíram-se tanto os laboratórios quanto os equipamentos que se prestavam para tal.
Houve interferência de outras raças do espaço, cuja atenção foi chamada para o que ocorria em Tiamat.
Bem, facto é que tenho algumas ideias.
— Fale, guardião, pois tenho de providenciar os meios de transporte para nosso povo — disse Mnar.
— Minha ideia é que possamos trabalhar juntos, talvez com a ajuda de Enki, o mais corajoso parceiro de quem dispomos entre os annunakis.
Levaremos alguns exemplares do novo homem para os continentes de Lêmur e Axdan; creio que será a medida possível a fim de evitarmos confrontos imediatos e desnecessários.
— Não obstante, guardião, tenho certeza de que esses confrontos ocorrerão, cedo ou tarde, devido à natureza guerreira e belicosa dos dois lados, principalmente entre os seres da outra dimensão.
Falo dos dragões e ditadores.
— Teremos tempo para providenciar recursos.
De todo modo, vamos nos preparar.
Conte com nossa ajuda e amparo no que for necessário.
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