Não olhe para trás / Elisa Masselli

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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Out 12, 2017 8:48 pm

Preferi esperar um pouco para sugerir que adoptássemos uma criança, mas não deu tempo.
Um mês depois, ela veio toda carinhosa e, me abraçando, disse que estava grávida!
— Você nunca me contou isso, Olavo!
Não entendo, sempre me considerei seu melhor amigo...
— Você é, Carlos, mas não tive coragem.
Fiquei envergonhado quando recebi o resultado e, depois, Helena ficou grávida.
Como é que eu ia contar?
— Se tivesse me contado, eu entenderia muita coisa que aconteceu.
Nunca precisaria se envergonhar de algo de que não tem culpa.
Acho que deve ter outros motivos para se envergonhar, mas, com certeza, não é esse.
— Carlos tem razão, meu filho.
Não tinha motivo para se envergonhar.
Não depende de você.
Muitos homens passam por isso.
— Também acho isso, meu filho.
Não deveria ter se calado, devia, sim, ter contado a sua mulher.
Ela saberia entender.
— Sei disso, papai, mas, como disse, me senti envergonhado e muito mais, quando descobri que ela havia me traído.
— É por isso que você sempre ficava nervoso, enquanto eu lia os cadernos de Beatrice e aparecia a palavra traição.
Agora entendo.
— Este sempre foi o motivo.
— Só não entendo uma coisa:
se ela não tinha conhecimento do resultado do exame, e você nunca disse a ela que Narinha não era sua filha, qual seria o motivo de ela ter ido embora?
Será que ela fugiu com o pai da menina?
— Claro que sim, mamãe!
Carlos, ao ouvir aquilo, se levantou, bateu com força a mão sobre a mesa e quase gritou:
— Isso não é verdade, Olavo!
Você sabe muito bem qual foi o motivo de ela ter fugido!
— Por que você a está defendendo assim?
Não vá me dizer que você é o pai da Narinha!
Carlos, com as mãos fechadas, partiu para cima de Olavo.
Foi impedido por Genaro e Odila, que disse:
— Parem com isso!
Vocês sempre foram amigos!
Carlos, por que está dizendo que Olavo sabe o motivo de Helena ter ido embora?
Olavo, percebendo que Carlos ia contar, tentou sorrir e, com a voz baixa, disse:
— Desculpe-me, Carlos. Estou nervoso.
Sei que você não tem e nunca teve coisa alguma com Helena.
O pai da Narinha é o Rafael, irmão da Débora, amiga da Helena.
Quando nos conhecemos, eles estavam namorando.
Acho que ela só desmanchou o namoro porque eu podia dar a ela tudo com que ela sempre sonhou, mas sei que nunca deixou de amá-lo.
Eunice, que estava abaixada pegando os cacos no chão, levantou-se e ficou olhando, esperando o que ia acontecer.
Carlos percebeu que Olavo estava com medo.
Sorriu:
— Está bem, Olavo.
Agora precisamos nos ajudar para podermos encontrar Helena.
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Out 12, 2017 8:48 pm

— Não consigo acreditar que Helena traiu você, Olavo.
Ela sempre amou você.
Qualquer um podia ver isso.
— Não acredito nisso, Carlos.
Este papel prova que ela me traiu...
— Deve ter alguma explicação.
Se tivesse conversado com ela, talvez tivesse a explicação para tudo isso.
— Não há explicação para a traição, Carlos.
Odila interferiu:
— Talvez ela tenha ido para a casa da mãe.
— Não acredito, mamãe.
A mãe dela gosta muito de mim e nunca teria aceitado que ela me abandonasse.
— As coisas podem ter mudado, Olavo.
Sua mãe tem razão.
Vamos até a casa da mãe dela.
— Vou com vocês.
Com medo que o pai descobrisse o que ele havia feito com ela, retrucou:
— Não, papai.
O senhor está cansado.
É melhor descansar.
— Ele tem razão, meu velho.
Vamos ficar aqui e esperar.
Olhou para onde Eunice estava e perguntou:
— Eunice, será que pode nos preparar algo para comer?
— Claro que sim, dona Odila.
— Espere, somos da família.
Portanto, me chame de tia.
Eunice sorriu.
— A senhora vai precisar esperar até eu me acostumar.
— Se quiser, posso ajudar você com o almoço.
— Não precisa.
Eu faço rapidinho.
Está bem. Vamos esperar.
Depois que tudo isso que está acontecendo terminar, quero visitar sua mãe.
Posso?
— Claro que sim.
Só preciso dizer que tanto a casa, como o bairro em que moramos são muito pobres.
— Não vou visitar seu bairro ou sua casa.
Vou visitar minha prima que reencontrei, depois de tanto tempo.
— Sendo assim, será bem-vinda.
Agora, vou para a cozinha.
Quando estiver pronto, eu chamo.
Olavo e Carlos saíram.
Odila sentou-se ao lado de Genaro, que estava com ar preocupado:
— O que será que aconteceu, Odila?
— Não sei, meu velho, mas seja o que for, vamos descobrir.
Maria Tereza olhou para Tomas e falou:
— Está tudo se encaminhando, Tomas.
Logo mais tudo vai ficar bem.
— Tem razão.
Agora, vamos acompanhar Olavo e Carlos?
— Vamos, sim.
Sorriram e desapareceram.
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Out 12, 2017 8:49 pm

A procura
Olavo e Carlos saíram.
Juarez estava junto ao carro e, vendo que eles se aproximavam, perguntou:
— O senhor vai sair, senhor Olavo?
— Vou, sim, Juarez.
Juarez abriu a porta do carro para que eles entrassem.
Olavo disse:
— Precisa nos levar até a empresa para que eu pegue o meu carro.
Depois, volte aqui para casa, caso meus pais queiram sair.
— Está bem, senhor.
Olavo e Carlos entraram no carro.
Depois, Juarez também entrou.
Não podiam conversar sobre Helena na frente de Juarez, por isso, foram conversando sobre outras coisas.
Assim que chegaram, desceram e Juarez foi embora.
Entraram no carro.
Olavo deu a partida e saíram.
Carlos, assim que o carro começou a andar, disse:
— Não acredito que Helena traiu você, Olavo.
Ela sempre foi muito apaixonada, mesmo depois que você começou a maltratá-la.
— Como sabe disso, Carlos?
— Algumas vezes, depois de você a machucar, ela me telefonou para pedir que eu conversasse com você e descobrisse porque a odiava tanto e tentasse convencer você a não fazer mais isso.
— Foi por isso que muitas vezes você tocou no assunto e tentou me convencer?
— Foi, Olavo.
Se ela não gostasse de você, não teria aguentado por tanto tempo.
Você a maltratou muito.
Enquanto a titia lia os cadernos e ia descrevendo tudo o que Giuseppe fez com Beatrice, senti que era igual ao que você tem feito com Helena.
Confesso que fiquei intrigado.
Será que existe, mesmo, esse negócio de reencarnação?
— Está delirando, Carlos?
Claro que nada disso existe!
Isso é coisa de quem não tem o que fazer.
— Não sei, Olavo.
Eu estava com algumas dúvidas, mas quando seu pai disse que você sempre achou que a empresa era sua, fiquei pensando.
Será que você não é a reencarnação de Giuseppe?
Olavo começou a rir:
— Está brincando, Carlos?
— Não estou brincando, Olavo, tenho essa sensação.
— Se formos pensar assim, você deve ser Domingos e deve ter me traído com ela e, possivelmente, você é o pai de Narinha.
— Pare com isso, Olavo!
Nunca traí você e não sou o pai de Narinha.
O pai dela é você!
— O resultado do exame diz o contrário.
Não se preocupe, não sou o pai de Narinha, mas sei que você também não é.
— Pode ter certeza de que não sou mesmo.
— Você é engraçado, Carlos.
Eu posso ser Giuseppe, mas você não pode ser o traidor do Domingos.
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Out 12, 2017 8:49 pm

Carlos ficou calado e só pensando no que o amigo havia dito.
Olavo, por sua vez, também ficou pensando naquilo que Carlos havia dito:
Será que eu fui mesmo Giuseppe?
Meia hora depois, chegaram à rua onde a mãe de Helena morava.
Assim que parou em frente à casa de Ondina, esta saiu na janela e, ao ver o carro, sorrindo, abriu a porta e foi até o portão:
— Olavo! O que está fazendo aqui a esta hora?
Veio para almoçar?
— Boa-tarde, dona Ondina.
Não, não viemos para almoçar.
Vim aqui para conversa com Helena.
Posso entrar?
— Com Helena? Ela não está aqui.
Vamos entrar e você vai poder me dizer o que está acontecendo.
Entre, meu filho.
Desculpe-me, Carlos, não o cumprimentei, foi porque fiquei nervosa ao ver vocês aqui sem Helena.
Carlos apenas sorriu.
Entraram na casa e, na sala, sentaram-se em um sofá apontado por ela.
Depois de sentados, ela, aparentemente nervosa, perguntou:
— Por que está procurando por Helena?
Onde ela está?
— Não sei onde ela está.
É por isso que estou aqui.
Pensei que, talvez, ela tivesse vindo para cá.
— Hoje ela não veio, mas, na sexta-feira antes de pegar Narinha na escola, esteve aqui.
— O que ela veio fazer, dona Ondina?
Com medo de falar demais, ela, ao invés de responder, perguntou:
— Como pode ter certeza de que ela foi embora para sempre?
— Fui passar o fim de semana na casa dos meus pais e, hoje, quando retornei, ela não estava em casa.
Levou quase todas as suas roupas e as de Narinha também e me deixou um bilhete.
O que foi que ela veio fazer aqui, dona Ondina?
— Ela veio pedir para que a recebesse aqui em casa, porque queria se separar de você.
— Ela disse o motivo?
— Disse e me mostrou o motivo.
Confesso que, ao ver as costas dela, fiquei assustada.
Você tem sido muito violento.
— O que a senhora respondeu a ela?
Disse que podia vir para cá?
— Claro que não, Olavo!
Disse a ela que precisava voltar para casa e continuar ao seu lado, porque você é um homem bom, que não deixa faltar coisa alguma para ela e para Narinha.
Disse que, se você fez aquelas coisas horríveis, ela deve ter dado algum motivo.
Jamais eu aceitaria uma separação entre vocês. Jamais!
— Obrigado, dona Ondina, mas a senhora sabe para onde ela foi?
— Não sei, meu filho.
Eu e Helena nunca conversamos, mas a culpa é dela, porque eu e ela nunca concordamos com nada.
Ela pensa de modo totalmente diferente do meu.
— Sobre o que conversaram, além do que eu tenho feito?
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Out 12, 2017 8:49 pm

— Nem me lembro direito, só sei que fiquei o tempo todo tentando tirar aquela ideia da sua cabeça.
Tentei convencê-la a continuar do seu lado.
Ela não ficou por muito tempo, logo foi embora.
— Está bem, dona Ondina.
Vou continuar procurando.
Levantaram-se.
Ele estendeu a mão, mas ela falou:
— Vou acompanhar vocês até o portão.
— Obrigado.
Quando chegaram ao portão, ela olhou para a rua somente para ver se algumas das suas vizinhas estavam olhando o lindo carro do seu genro.
Olavo voltou a estender a mão.
Ela pegou com força e perguntou:
— Preciso fazer uma pergunta, meu filho.
— Pode fazer, dona Ondina.
— Se vocês se separarem, vai querer que eu me mude desta casa?
Olavo olhou para Carlos que estava sorrindo e respondeu:
— Não, dona Ondina.
Não vou me separar de Helena e, mesmo que isso aconteça, pode ficar sossegada.
Vai morar nesta casa até quando quiser.
Para surpresa e constrangimento dos dois, ela começou a beijar a mão de Olavo, que precisou fazer força para retirar a mão.
Carlos, rindo por aquela situação, entrou no carro.
Olavo, depois de conseguir se soltar da mão dela, também entrou no carro.
Ligou, acelerou e foi embora.
Carlos, com o rosto sério, disse:
— Como uma mulher como essa pode ser mãe de Helena, uma moça tão diferente?
Ela não ficou nem um pouco preocupada em saber onde e como a filha está.
Só se preocupou com a casa em que mora!
— Ela, realmente, é um horror, mas Helena não fica atrás.
É uma traidora!
— Ainda não acredito nisso, mas já que Helena não está aqui, o que pretende fazer?
— Estive pensando que o único lugar em que ela deve estar é na casa da amiga, Débora, que esteve em casa.
Vamos até lá.
— Agora?
— Claro que é agora, Carlos.
Preciso encontrar Helena.
— O que pretende fazer quando a encontrar?
Se ela fugiu, não vai querer voltar e você não pode obrigá-la.
— Não quero que ela volte, Carlos.
— Não estou entendendo você, Olavo!
Se não quer que ela volte, por que a está procurando?
— Não quero Helena, quero minha filha!
— Sabe que Helena não vai abrir mão da filha.
Também, acho que, se você acredita que Narinha não é sua filha, está usando a menina somente para atingir Helena.
— Pode ser que sim, não sei, mas ela fugiu, não fugiu?
Agora vai ter que responder pelo seu acto!
— Como, sendo espancada novamente?
— Não penso em fazer isso, mas, se for necessário, posso até fazer!
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Out 12, 2017 8:49 pm

— Não acredito que você possa ser tão insensível.
Nem mesmo depois de tudo que vimos que aconteceu com Giuseppe e Beatrice, ainda insiste em ser violento!
— O que aconteceu com eles não tem nada a ver com a nossa vida.
— Pois eu acho que tem muito a ver, Olavo.
Bem, agora, o que pretende fazer?
— Estive pensando, Helena não tem muitas amigas.
— Isso também se deve a sua proibição.
Por que nunca deixou que ela tivesse amigas?
— Isso não vem ao caso.
A única amiga que tem é Débora, irmã do tal de Rafael, provavelmente pai da Narinha.
Ela deve ter ido para lá e nós vamos também.
— Está dizendo que vai procurar Helena na casa dele?
— Por que não?
Ela deve estar lá!
— Tudo bem, mas, antes, vamos almoçar.
Estou com muita fome e, se ela estiver lá, vai ficar, pelo menos até terminarmos de comer.
— Embora eu não esteja com um pingo de fome, acho que você tem razão.
Vamos a um restaurante e, depois, vamos até lá.
Preciso encontrar Helena, ainda hoje!
Encontraram um restaurante e entraram.
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Out 12, 2017 8:50 pm

Conhecendo a verdade
Enquanto isso acontecia, na casa de Helena, Odila e Genaro terminaram de comer o que Eunice havia preparado.
Ele levantou-se e disse:
— Obrigada pelo almoço, Eunice.
Estava muito bom.
— Fiz só arroz, feijão, salada e fritei batatas.
— Mas garanto que fez com amor, Eunice.
— Isso é verdade, dona Odila.
— Bem, agora vou descansar um pouco.
— Vá, Genaro.
Eu, enquanto espero os meninos voltarem, vou ficar aqui conversando com Eunice.
Quero saber da vida dela e da sua mãe.
Odila ajudou Eunice a retirar os pratos da mesa e, juntas, foram para a cozinha.
Odila sentou-se e Eunice começou a lavar a louça.
— Eunice, não consigo acreditar que Helena tenha traído o meu filho.
Ela sempre me pareceu uma moça muito boa, carinhosa com ele e com Narinha.
— Ela é uma pessoa assim como a senhora está falando, dona Odila.
— Ele tem o resultado do exame, Eunice.
Por isso não entendo, se ela é essa pessoa boa que sempre julguei ser, então, por que ela abandonou meu filho?
— Não sei o motivo, só sei que ela sempre gostou muito do seu filho e da Narinha também.
— Você sabe de alguma coisa que eu não sei, Eunice?
Eunice ficou com vontade de contar tudo o que havia acontecido, mas resolveu se calar, la dizer que não, quando o telefone tocou.
Odila foi em direcção ao telefone, dizendo:
— Deixe que eu atendo, Eunice, deve ser Olavo dando notícias.
Pegou o telefone:
— Alô!
— Bom-dia, podia falar com Olavo?
— Ele não está.
Sou a mãe dele, quer deixar algum recado?
— Por favor, diga a ele que Hortência telefonou e que preciso falar com ele, com urgência.
— Hortência?
Está bem, eu dou o recado.
Colocou o telefone de volta ao gancho, olhou para Eunice e perguntou:
— Você conhece essa moça, Eunice?
Eunice sentiu um calor subir por todo seu corpo e, levada pela raiva, respondeu:
— O senhor Olavo acusa dona Helena de traidora, mas essa moça liga quase todos os dias perguntando por ele.
— Quem é ela, Eunice?
— Eu não queria falar, porque sou só uma empregada da casa.
Sei que posso perder o meu emprego, o que me faria muita falta, mas não suporto ver tanta injustiça para com dona Helena.
Essa moça é namorada dele.
— Namorada?
— Sim. Ela telefona quase todos os dias.
— Aqui para a casa dele?
— Telefona...
— Helena sabe disso?
— Já atendeu muitas vezes e essa moça não faz questão alguma de disfarçar.
Já a vi chorando mais de uma vez por causa dessa moça.
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Out 12, 2017 8:50 pm

— Isso não pode ser verdade!
Não foi assim que eduquei meu filho!
Tenho de encontrar Helena.
Preciso conversar com ela para que me conte tudo o que está acontecendo!
Você sabe onde ela está, Eunice?
— Sei, sim senhora.
— Onde ela está?
Eunice tirou do bolso do avental um papel e entregou para Odila, que leu:
Eunice, estou pedindo que venha para cá.
Preciso que esteja aqui para quando Olavo voltar.
Não suporto mais tanta humilhação e sofrimento físico.
Meu coração e meu corpo não suportam mais tanta dor e sofrimento.
Estou pegando minha boneca e indo para aquela casa que sempre me recebeu desde criança.
Lá, sei que vou ter momentos de tranquilidade, sem medo para repensar minha vida e descobrir como posso continuar.
Por favor, não conte a Olavo onde estou.
Sei que, eventualmente, ele vai me encontrar, mas preciso que demore o tempo necessário, para que eu possa me organizar.
Obrigada, minha amiga, pelos momentos de conforto e consolo que me proporcionou e, também, pelo chá que tantas vezes curou minhas costas.
Ao terminar de ler o papel, Odila estremeceu e, raivosa, perguntou:
— Vai me contar tudo, Eunice!
— Está bem, dona Odila.
Vou contar.
Eunice contou, em detalhes, tudo o que presenciou na casa de Helena desde o dia em que começou a trabalhar lá.
Quando terminou, Odila estava atónita e muito brava:
— Custa-me acreditar que isso seja verdade, Eunice!
Olavo jamais poderia ter feito uma coisa como essa!
— Ele disse que dona Helena o traiu!
— Mesmo que isso fosse verdade, coisa que não acredito, ele que a tivesse abandonada, mas nunca poderia machucá-la dessa maneira! Nunca!
Odila, lembrando-se do que tinha lido no caderno de Beatrice, perguntou:
— Helena falou sobre um chá que a ajudou.
Que chá é esse, Eunice?
— Sempre que ele a feria nas costas, eu fazia um chá e limpava suas feridas.
Esse chá amortece e faz com que a dor seja menor.
— Onde aprendeu esse chá?
— Como eu disse, meu marido me batia e machucava meu corpo.
Diferente do senhor Olavo, ele batia em todos os lugares.
Uma noite, após me bater e sair de casa, olhei para o espelho e vi que meu rosto e meus olhos estavam inchados e doendo muito.
De repente, pensei em preparar um chá para fazer compressa.
Fui para a cozinha e peguei os ingredientes.
Fiz o chá, molhei um pano e fiquei deitada com ele sobre o meu rosto.
Aos poucos, a dor foi passando e, no dia seguinte, não ficou inchado nem vermelho.
Daquele dia em diante, passei a usar sempre.
Quando dona Helena foi espancada pela primeira vez, usei o chá.
Ela gostou e eu passei a fazer compressas sempre que ele batia nela.
— Meu Deus do céu, Eunice.
Não pode ser...
— Não estou entendendo, dona Odila, o que não pode ser?
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Out 12, 2017 8:50 pm

— A avó Justina usava esse chá para curar os machucados da minha mãe sempre que seu marido a machucava.
— A avó Justina?
Não sei nada sobre ela.
Quando minha mãe foi para Portugal, era muito pequena e não se lembra dela.
— Pois eu me lembro muito bem.
Estou estudando uma doutrina que nos diz que existe reencarnação e que temos sempre ao nosso lado espíritos amigos nos ajudando em todos os momentos.
Levando para o lado da doutrina, podemos pensar que ou você é a reencarnação da avó Justina ou ela está sempre ao seu lado.
— Também estou estudando essa doutrina e já falei sobre ela com dona Helena, mas será que isso pode ser verdade, dona Odila?
Será que sou a reencarnação de avó Justina ou ela está sempre ao meu lado?
— Não sei, mas bem que pode ser, Eunice.
Se você for a reencarnação dela, fique feliz, porque ela foi uma mulher maravilhosa!
— Não sei se é verdade, mas estou feliz.
A senhora, num outro dia, poderia me contar a história dela?
— Claro que sim, Eunice, mas, agora, preciso conversar com Helena.
Você sabe o endereço de onde ela está?
— Eu não conheço, mas o Juarez sabe.
Ele levou a dona Helena e Narinha para lá.
— Juarez também sabe de tudo o que Olavo fez?
— Sabe e sempre sentiu muita pena dela.
Depois de deixá-la na casa da amiga, ele foi me buscar.
Ele também prometeu que não contaria ao senhor Olavo onde ela estava.
— Está bem, enquanto eu escrevo um bilhete para Genaro dizendo aonde fomos, você, por favor, chame Juarez e diga que vamos até onde Helena está.
— Nós? Eu também vou?
— Claro que vai, Eunice!
Você, além de fazer parte da família, é, também, a melhor amiga de Helena.
Ao mesmo tempo que ficou surpresa, Eunice ficou feliz e disse, rindo:
— Está bem, senhora!
Vou chamar Juarez.
— Vá e pare de me chamar por dona, sou sua tia!
— Vou me acostumar, pode ter certeza!
Odila sorriu e foi escrever o bilhete.
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Out 12, 2017 8:50 pm

Atitude jamais pensada
Odila escreveu o bilhete e saiu da casa.
Juarez e Eunice já estavam esperando por ela.
Juarez abriu a porta traseira do carro e Odila e Eunice entraram.
Ele também entrou, deu a partida no carro e saíram.
Na casa de Débora, ela, sua mãe e Helena, enquanto lavavam a louça do almoço, conversavam.
Clélia perguntou:
— Será que Olavo vem procurar você aqui, Helena?
— Acho que sim, dona Clélia.
Ele é muito orgulhoso e não vai admitir ter sido abandonado.
— Como ele pode saber que você está aqui?
— Ele vai deduzir.
Nunca permitiu que eu tivesse amigas e sabe que você, Débora, esteve lá em casa.
Ele usou a sua visita e o vestido que me deu como desculpa para me bater novamente.
— Desculpe-me, Helena, se eu soubesse que isso ia acontecer, jamais teria visitado você e lhe dado aquele vestido.
Nunca imaginei que algo assim podia estar acontecendo.
— Não se preocupe com isso.
Se não fosse você ou vestido, ele teria encontrado outro motivo.
Sente prazer em me bater e humilhar.
Preciso aproveitar este momento para me desculpar pela maneira como reagi ao ver que você havia descoberto tudo.
Agora, acho que você entende que aquela reacção foi devido à vergonha que senti.
— Confesso que fiquei confusa e irritada.
Também, você há-de convir que, para mim, foi um choque ver as suas costas.
Elas estão horríveis, Helena.
Porém, ninguém melhor do que eu para entender o que é sentir vergonha.
Você imaginou como fiquei, quando Paulo me abandonou, poucos dias antes do casamento, com tudo preparado e os convites enviados.
Eu havia preparado o casamento dos meus sonhos e, de repente, ele se transformou em um pesadelo.
Foi por isso que pedi, lá na empresa, para que me mandassem trabalhar no exterior.
Senti tanta vergonha que quis ir para bem longe de qualquer pessoa que me conhecia.
Estou feliz com o meu trabalho.
Gosto de Roma, mas, sempre que venho aqui para o Brasil, sinto uma vontade imensa de ficar e não voltar mais para Roma.
— Foi muito triste o que aconteceu.
Quando recebi a notícia, imaginei como você devia estar se sentindo, mas não tive coragem de telefonar, por isso, preciso pedir perdão.
— Não precisa pedir perdão, Helena.
Ainda bem que não telefonou nem foi me visitar.
Eu não queria conversar com ninguém.
Estava perdida, com raiva e com muita vergonha.
— Lembro-me muito bem daquela época.
No dia em que você foi a minha casa nos convidar para ser sua madrinha, fiquei feliz.
Quando Olavo chegou, à noite, contei e ele me machucou.
Disse que eu precisava encontrar uma desculpa, claro, sem que o comprometesse, para dizer a você que nós não podíamos ser seus padrinhos.
Disse, também, que eu não iria ao casamento.
Fiquei triste e com muita raiva, mas ele sempre me ameaçou.
Se eu dissesse a alguém o que estava acontecendo, ele me tiraria Narinha e isso eu não podia aceitar, ficar sem a minha filha.
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Out 13, 2017 8:04 pm

— Confesso que fiquei muito mal, mas, hoje, agradeço a Deus por ter acontecido antes do casamento, pior seria se tivesse acontecido depois de eu estar casada.
É claro que tenho dificuldade em acreditar em outro homem, mas, como diz minha mãe, quando chegar o certo, eu vou saber, acreditar e ser feliz.
— Tem razão, Helena, foi melhor ter acontecido antes do casamento.
Clélia, nervosa, disse:
— Você disse que ele a ameaçou de tirar sua filha?
Isso não é verdade, Helena!
Os filhos ficam sempre com as mães!
Por que não me procurou?
Eu teria dado uma solução, uma orientação.
— A vergonha, dona Clélia, a vergonha...
— Não precisava sentir vergonha de mim, Helena.
Conheço você desde criança.
Deveria saber que podia contar comigo.
— Para ser bem sincera, esse foi apenas um dos motivos.
Na realidade, fui covarde.
Sempre quis me casar com um homem rico, sempre sonhei com uma vida rica, com todo conforto.
Por isso, nunca quis estudar e me preparar, como você fez, Débora.
Consegui muito mais do que aquilo com que um dia sonhei e, covarde, fiquei com medo de perder tudo.
Sou uma covarde.
Acho que nasci assim...
— Pode ter sido covarde, mas, hoje, reagiu e vai ficar bem.
Espero que sim, mas ainda sinto medo.
Olavo, apesar de ser violento comigo, não nos deixa faltar coisa alguma.
Vivo em uma casa maravilhosa, tenho até motorista, minha filha frequenta uma boa escola.
Tenho muito e, às vezes, tenho medo de perder tudo isso.
— Bem, Helena, essa escolha só pode ser sua.
Você deve saber o quanto está disposta a pagar pela sua liberdade.
Só posso dizer que, aqui, nesta casa, embora simples, você vai poder ficar quanto tempo quiser.
Daqui a alguns dias, Débora vai embora e Rafael não mora aqui há muito tempo.
Moro sozinha, portanto, você e sua filha podem ficar aqui o tempo que for necessário.
— Sei disso, dona, Clélia.
Confesso que, sempre que pensei em sair de casa, nunca pensei na senhora.
Foi preciso Eunice, minha empregada, fazer com que eu lembrasse.
Débora interferiu:
— Eu a conheci no dia em que estive na sua casa e quando saí, ela me disse que você precisava de ajuda.
— Ela é uma grande amiga.
A única que esteve ao meu lado nos piores momentos da minha vida e foi ela quem curou, com seu chá maravilhoso, as minhas feridas.
Naquele dia que você foi lá, Débora, olhei algumas fotografias, entre elas, uma em que estávamos eu, você e o Rafa.
Eu estava carregando aquela boneca de plástico que você me deu no dia do meu aniversário.
Lembra-se disso?
— Sim, claro que lembro.
Minha mãe não tinha dinheiro para comprar uma mais bonita.
— Pois eu a achava linda.
Naquele dia, lembrei-me de que, quando meu pai batia na minha mãe, eu e minha boneca fugíamos sempre para a sua casa, dona Clélia.
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Out 13, 2017 8:04 pm

Eunice entrou no meu quarto e viu que eu olhava para uma fotografia.
Eu contei sobre vocês e sobre a boneca.
Ela, então, me disse:
— Por que a senhora não pega a sua boneca e vai embora para a casa da sua amiga?
Tenho certeza de que, mais uma vez, será bem recebida.
— Confesso que suas palavras ficaram martelando na minha cabeça.
No dia em que eu estava no parque e ao ver todas aquelas pessoas felizes, lembrei-me do que ela disse e pensei:
Por que não?
— Foi naquele momento que resolvi vir para cá.
Peguei minha boneca e não olhei para trás.
Apenas dei um passo para a minha liberdade.
Quando saí de casa, não tinha certeza de que a senhora ia me amparar, mas precisava me arriscar.
— Fez bem em vir para cá.
Aqui, você está segura.
— Você sabe o motivo de ele ser tão violento?
— Não sei.
Só posso dizer que não é por sua criação.
Ele foi criado em uma casa com muito carinho.
Seus pais se dão muito bem.
Quem os vê juntos, percebe que eles se amam.
Acho que, assim como nasci covarde, ele já nasceu violento.
— Pode ter razão, Helena.
Sigo a doutrina espírita e nela aprendi que já vivemos muitas vidas e ainda viveremos outras tantas até conseguirmos, um dia, chegar à perfeição.
Nela, aprendi também que a cada vida tentamos corrigir as nossas fraquezas.
Talvez, sim, você tenha de vencer a sua fraqueza no sentido de ser covarde e ele conseguir vencer a sua violência.
— Eunice me falou qualquer coisa a respeito dessa doutrina, mas confesso que, na época, não estava em condições de aceitar nada que não fosse a violência como estava sendo tratada.
Isso acontece muito, Helena.
Quando somos ou vemos alguém ser violentado ou quando assistimos às mazelas do mundo, chegamos até a pensar que Deus não existe, mas, a partir do momento em que vamos tomando conhecimento da doutrina, vamos descobrindo que tudo sempre tem uma razão, que as coisas não acontecem por acaso.
— A senhora aprendeu isso lendo livros?
— Sim e revendo a minha vida e a de algumas pessoas e frequentado uma casa espírita.
Talvez, você e Olavo renasceram juntos para poderem se perdoar e vencer suas fraquezas.
— Vendo por esse lado, até que pode ser verdade.
Gostaria de conhecer essa doutrina.
— Aqui, tem os livros que quiser, além de mim.
Podemos conversar para conhecer melhor a doutrina.
Basta querer.
Helena ia dizer alguma coisa, quando a campainha tocou.
Ela começou a tremer e, gaguejando, disse:
— É ele! O que ou fazer?
Preciso esconder Narinha!
Ele vai querer levá-la embora!
Demonstrando uma calma que não sentia, Clélia falou:
— Acalme-se, Helena.
Tem certeza de que não quer, mesmo, mais esse homem?
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Out 13, 2017 8:04 pm

— Tenho certeza, dona Clélia.
Preciso me libertar dele.
— Sendo assim, sente-se no sofá da sala e não fale coisa alguma.
Deixe que eu fale com ele.
Aqui, na minha casa, ele não vai fazer nada contra você.
Estou aqui e, se for preciso, chamo a polícia.
Olhou para Débora que também estava assustada:
— Pegue Narinha, que está assistindo ao desenho na sala.
Vá com ela até os fundos do quintal.
Invente uma brincadeira e não deixe, de maneira alguma, que ela entre na casa.
Não quero que ela assista ao que vai se passar aqui.
A campainha voltou a tocar.
— Vá logo, Débora!
Débora, apressada, foi até a sala e voltou trazendo Narinha pela mão:
— Vamos lá para os fundos, Narinha.
Lá tem um quarto onde guardei algumas bonecas e brinquedos que eram meus e de meu irmão.
A menina, sem imaginar o que estava acontecendo, rindo, saiu com Débora pela porta dos fundos.
Após ver que Débora havia saído e que Helena, embora tremendo, estava sentada, olhando para a porta, abriu-a, pronta para não deixar Olavo entrar, pois sua intenção era a de conversar com ele fora da casa.
Entretanto, viu o carro que havia trazido Helena.
Assim que Clélia saiu, Helena puxou a cortina e deixou só um pedacinho de onde podia ver a rua.
Clélia caminhou até o portão:
— Pois não?
— Desculpe, senhora, meu nome é Odila e sou a mãe de Olavo.
Esta é Eunice, a empregada da casa de Helena.
Viemos até aqui para conversar com Helena.
Ela está aqui, não está?
Antes que Clélia respondesse, Helena saiu pela porta:
— Dono Odila!
O que a senhora está fazendo aqui?
Ao ver Helena, Odila sorriu e abriu os braços.
Helena correu para abraçá-la:
— Vim ver você, Helena!
— Olavo telefonou para a senhora?
— Não, ele não telefonou.
Se eu acreditasse, diria que foi uma coincidência, mas como não acredito, só posso dizer que foi intervenção divina.
— Não estou entendendo...
— Coisas da doutrina que estou estudando, mas isso não importa, podemos entrar?
Helena olhou para Clélia que disse:
— Claro que sim!
Fico feliz em receber vocês em minha casa!
Entraram e Clélia apontou um sofá onde Odila e Helena sentaram-se.
Eunice ficou de pé.
— Sente-se aí, Eunice!
Você é da família!
Helena não entendeu e olhou para Eunice, que disse:
— Desculpe, dona Helena, mas não resisti a tanta injustiça e contei tudo para dona Odila.
Ela quis vir conversar com a senhora.
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Out 13, 2017 8:05 pm

— Fez muito bem em me contar, Eunice!
Jamais imaginei que Olavo pudesse estar se comportando de forma tão cruel!
Esse não foi o filho que eu e o pai dele criamos, mas quem mais errou nesta história foi você, Helena.
— Eu, por quê?
— Por não ter me contado o que estava acontecendo.
Eu teria conversado com Olavo e vocês se acertariam ou teriam se separado há muito tempo.
Mulher alguma pode nem deve ser espancada ou humilhada por um homem.
— Eu não podia, ele ameaçava me tirar Narinha.
— Você não pensou, nem por um minuto, que eu nunca permitiria isso?
Embora ela não seja minha neta, eu a amo como se fosse.
Helena olhou para Clélia e Eunice, depois para Odila e perguntou:
— O que a senhora está dizendo?
Disse que Narinha não é sua neta?
— Não vim aqui para falar sobre isso, Helena.
Podemos deixar essa conversa para depois que tudo estiver mais calmo.
— Precisamos conversar, sim, dona Odila.
Não sei o que está dizendo!
Claro que Narinha é sua neta!
É filha de Olavo!
— Ele diz que não é.
— Está mentindo, dona Odila!
Não sei com qual intenção, mas ele está mentindo!
— Ele sempre foi violento assim?
— Não, só começou a me tratar mal quando soube que eu estava grávida.
Durante a gravidez, foram apenas palavras, mas, depois que ela nasceu, ele se transformou em um homem violento.
Além de me humilhar, começou a me machucar.
— Você nunca tentou saber o motivo que o levou a se modificar?
Claro que sim, cansei de perguntar, mas ele só respondia:
Você sabe, não entendo por que está perguntando.
Sempre que eu perguntava, ele me machucava mais.
Com o tempo, para não dar motivo, deixei de perguntar.
— Não estou julgando ou condenando você.
Só quero o seu bem-estar e o de Narinha também.
— Não fiz coisa alguma para ser julgada ou condenada!
A senhora precisa acreditar em mim!
Narinha é filha de Olavo!
— Está bem, já que insiste.
Olavo fez um exame e nesse exame está escrito que ele é estéril, portanto não pode ser pai de Narinha e de nenhuma outra criança.
Clélia olhou para Helena, que se levantou e gritou:
— Não pode ser, nunca estive com outro homem que não fosse ele!
Narinha é sua filha!
— Ele tem o resultado, Helena...
Helena ia falar, quando a porta se abriu e, por ela, entrou Rafael:
Ao ver todas lá, parou de falar e ficou olhando para a mãe, que disse:
— Rafael, esta senhora é a sogra de Helena e esta moça trabalha na casa dela.
— Desculpe-me, senhora, não sabia que o carro que está aí na frente fosse o seu -— disse, constrangido pela situação.
— Você é o irmão de Débora?
— Sou.
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Out 13, 2017 8:05 pm

— Olavo insiste em dizer que você é o pai de Narinha.
— O quê? O que a senhora está dizendo, quem é Narinha?
— É minha filha, Rafa.
Está havendo uma confusão terrível, nem sei por que o seu nome entrou nessa história.
— Eu não sei o que está acontecendo, mas não tenho nada a ver com esta história.
Nem conheço a sua filha!
Clélia disse:
— Desculpe-me, dona Odila, mas, se seu filho disse isso, ele está enganado.
Meu filho e Helena se conhecem desde crianças, chegaram a namorar, mas, depois que ela se casou, nunca mais se viram.
— Não sou eu quem falou, foi meu filho.
Ele está muito confuso e em uma situação como essa se faz muita especulação e se diz muita asneira.
Pela reacção do seu filho e de Helena, percebo que ele não tem nada a ver com isso e nem é o pai de Narinha.
— Não sou mesmo!
Não sabia que o seu marido batia em você, Helena, só fiquei sabendo quando Débora me contou.
Quer saber? Fiquei muito feliz!
Você queria dinheiro e desejava morar em uma boa casa?
Pois bem, conseguiu!
Quase destruiu minha vida!
Traiu seu marido?
Era somente isso que se poderia esperar de uma mulher como você!
Agora, se me dão licença, eu vou embora.
Sou apenas um professorzinho de matemática e preciso preparar minha lição para amanhã!
Estava saindo, quando Clélia falou:
— Espere, meu filho!
Não precisa ir embora!
Podemos conversar!
— Desculpe-me, mamãe, mas não estou com cabeça para conversar.
Passei aqui somente para dar um beijo na senhora e na Débora.
Preciso mesmo preparar a lição que vou passar, amanhã, para meus alunos.
Nervoso, saiu da casa.
Clélia, desconsertada pela atitude do filho, tentou se desculpar:
— Desculpe-me, novamente, dona Odila.
Não sei o que aconteceu, ele não é assim.
— Sei disso, dona Clélia.
Ele tem motivos para ficar tão nervoso.
Voltou os olhos para Helena e continuou:
— Está claro que esse moço não é o pai de Narinha, Helena.
Só você pode nos esclarecer.
Quem é o pai dela?
— Eu não sei, dona Odila!
Posso morrer dizendo isso!
Não entendo por que Olavo inventou uma coisa como essa!
Isso tudo é uma loucura!
Não pode estar acontecendo...
— Não devia, mas está acontecendo.
Já disse a você que não importa quem seja o pai dela.
Para mim, continuará sendo minha neta.
Pode nos contar, garanto que tanto você como ela ficarão bem.
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Out 13, 2017 8:05 pm

Disse, também, que não estou aqui para julgar ou condenar você.
Só preciso saber da verdade, nada além disso.
Se fosse há alguns dias, mesmo tendo uma doutrina que nos ensina a não julgar, eu teria julgado você, mas após relembrar a história da minha mãe e de saber tudo o que Olavo fez com você, sinto que não tenho esse direito.
— Já disse mil vezes!
Eu não sei, nunca estive com outro homem nem em pensamento...
— Sinto muito, Helena, se continuar negando, não vou poder ajudar você.
Acho que está na hora de irmos embora, Eunice.
— Ela está dizendo a verdade, dona Odila!
Ela nunca traiu o senhor Olavo...
— Queria acreditar nisso, mas existe um exame médico, Eunice...
Helena, ainda chorando muito, se calou.
— Desculpe por ter dito para a senhora pegar sua boneca e ir embora sem olhar para trás, dona Helena.
Não imaginei que isso poderia acontecer.
Quero dizer que acredito na senhora.
Vivi muito tempo ao seu lado e sei que é uma pessoa maravilhosa.
Ao ouvir aquilo, Helena secou os olhos e, olhando nos olhos de Eunice, falou:
— Não, Eunice, não se arrependa.
Eu preciso agradecer a você por aquelas palavras que disse.
No dia em que você me falou aquilo, eu comecei a pensar em me libertar e a deixar para trás toda a vida que estava vivendo até agora.
Não sei o que vai acontecer, mas, seja o que for, eu vou seguir em frente e ninguém vai me impedir.
A campainha tocou.
Clélia afastou a cortina e falou:
— Helena, é o seu marido.
Quer ir para os fundos ficar com Débora?
Eu e dona Odila podemos conversar com ele.
— Não, dona Clélia.
Obrigada, mas vou ficar aqui e ver o que ele quer.
Quero saber por que ele inventou uma mentira como essa!
Não tenho mais medo dele nem de ninguém.
Quero cuidar da minha vida e da minha filha!
Pode deixar que entre!
Odila levantou-se, abriu a porta:
— Entre, Olavo.
Estávamos esperando por você.
Enquanto entrava, foi dizendo:
O que a senhora está fazendo aqui, mamãe!
— Vim conversar com Helena.
— Não devia ter feito isso, mamãe!
Este assunto é meu!
— Deixou de ser no momento em que você agiu como um canalha.
Agora entre e se comporte.
Está em uma casa que não é a sua.
— Canalha, eu?
Foi ela quem me traiu!
— Isso não é desculpa para o que você fez.
Sem dar atenção ao que a mãe dizia, Olavo entrou na casa e foi directo para onde Helena estava.
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Out 13, 2017 8:05 pm

Gritando, disse:
— Como você se atreveu a sair de casa levando minha filha?
Helena olhou em seus olhos e respondeu:
— Sua filha!
Você disse a todos que ela não é sua filha!
Ao ouvir aquilo, ele, tomado de muita raiva, fechou as mão e partiu para cima dela, que permaneceu no lugar.
Carlos se colocou na frente para impedir que ele a agredisse:
— Pare com isso, Olavo!
Vocês precisam conversar como adultos!
Helena afastou Carlos e colocou-se diante de Olavo:
— Não se preocupe, Carlos, é assim mesmo que ele sempre faz.
Não conversa, apenas machuca!
Para surpresa de todos, Helena desabotoou a blusa e a tirou e, virando-se de costas, disse:
— Vou facilitar para você, Olavo.
Pode começar a me machucar!
Odila, Clélia e Carlos, ao verem as costas dela, ficaram apavorados.
Odila partiu para cima de Olavo e, com muita raiva, segurando-o pelos braços, gritou:
— Como pode fazer uma horrível coisa como essa, Olavo!
Você está louco?
Ela me traiu, mamãe!
O que a senhora queria que eu fizesse, que a beijasse?
— Não, queria que você fosse homem e a abandonasse, mas nunca que fizesse isso.
Você é um monstro!
Helena, que já tinha colocado a blusa, sem chorar, disse:
— Nunca mais você nem ninguém vai me machucar, Olavo!
Eu me submetia isso por não entender o que estava acontecendo com você.
Eu achava que o amava, mas agora tudo isso terminou!
Não sou uma boneca sem vontade!
Sou um ser humano e mereço respeito!
Você vai embora daqui e nunca mais retorne.
Vou procurar um advogado para saber quais são os meus direitos!
Ainda com raiva, ele disse:
— Pode procurar os seus direitos, Helena, mas garanto que não vai ficar com a minha filha!
Vou fazer com que não fique com nada do que é meu, nem com Narinha!
— Você diz que ela não é sua filha.
Não a ama. Só está querendo usá-la contra mim, mas não vou permitir.
Ela é sua filha, nunca estive com outro homem!
— Eu tenho o resultado de um exame que diz o contrário!
— Pois esse exame deve estar errado!
Mas isso não tem mais importância!
Agora, saia daqui e não volte nunca mais!
— Não vou sem a minha filha!
Nunca vou dar paz a você!
Ela pode não ser minha filha, mas é sua e por isso não vai ficar com ela!
— Está dizendo que não ama minha filha e que só quer ficar com ela para me atingir?
— Isso mesmo! O que você fez não tem perdão.
Por isso, quero que volte para casa para que continue ao meu lado, como sempre foi!
— Demorou para eu entender que sou uma pessoa, não uma boneca e que tenho o direito de viver da maneira como eu quero.
Nada fará com que eu volte a viver com você!
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Out 13, 2017 8:06 pm

— Então, vai ficar sem a sua filha!
— Não sei se isso vai acontecer.
Quem vai decidir será um juiz! -— voltou-se para Odila e, chorando, falou:
— Dona Odila, sei que, apesar de tudo, a senhora gosta da minha filha e que nunca fará mal a ela.
Narinha tem seus traços e até o seu cabelo, pois o meu e o da minha família são lisos, muito lisos.
Quero pedir que, por favor, fique com Narinha até que tudo isso se resolva.
Não posso voltar a viver com seu filho, porque, como a senhora disse, ele é um monstro.
— Você está me dando sua filha?
— Não! Estou pedindo que cuide dela pelo tempo que for preciso!
Vou lutar por ela de todas as maneiras que tiver, mas nunca mais voltarei a viver ao lado do seu filho, nem que para isso eu tenha de entregar minha filha, definitivamente, para a senhora...
— Sabe bem o que está dizendo, Helena?
Ainda chorando, Helena respondeu:
— Sei, dona Odila.
Essa é a única solução.
Não vou permitir que Olavo a use para me atingir.
Ela é uma criança e não pode nem merece passar por tudo isso.
Não quero que ela sofra, mas também não suporto sofrer mais.
Faça isso porque, pode ter certeza, ela é sua neta...
— Está bem, Helena.
Pode ficar tranquila que sua filha vai ficar protegida de tudo isso.
Hoje mesmo ela vai comigo para Porto Alegre e só vai voltar quando tudo estiver resolvido.
Quanto a você, Olavo, não se atreva a me impedir nem vá me visitar.
Neste momento, estou muito triste por você e procurando descobrir onde errei na sua educação.
Vamos embora.
— Só queria pedir um favor, dona Odila.
— Pode falar, Helena.
— Não quero que Narinha sequer desconfie do que está acontecendo.
Por isso, se a senhora concordar, vou dizer a ela que eu e seu pai vamos fazer uma viagem e que ela vai ficar com a senhora até voltarmos.
Posso contar com a senhora?
— Claro que pode, Helena!
Também não quero que ela se envolva!
Ela é uma criança.
Onde ela está?
— Quando a senhora chegou, achei que fosse Olavo e minha amiga está brincando com ela em um quartinho que tem nos fundos do quintal.
Não quis que ela presenciasse a nossa conversa.
Sabia que não ia ser fácil.
— Deixe que eu vou chamar Débora e a menina.
Obrigada, dona Clélia.
Clélia apenas sorriu para Helena e saiu.
Voltou logo depois, acompanhada por Débora e Narinha que, assim que viu o pai e Odila, correu para ele e abraçou-se em suas pernas.
Ele, distante, apenas passou as mão na sua cabeça e a afastou.
Odila ajoelhou-se, abriu os braços e falou:
— Narinha, venha até aqui e dê um abraço bem forte na vovó.
A menina correu para ela e a abraçou com muita força.
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Out 13, 2017 8:06 pm

Odila, por cima da cabeça dela, olhou para Olavo com um olhar fulminante e disse:
— Narinha, a mamãe tem algo importante para conversar com você.
Helena se aproximou, também se abaixou e, abraçando a filha, esforçando-se para não chorar, falou:
— Narinha, eu e o papai precisamos fazer uma viagem e como vai demorar um pouco, você vai ficar com a vovó.
Ela vai cuidar de você e fazer um bolo que é uma delícia!
— Eu vou para a casa dela?
— Vai, sim, minha filha.
— Lá tem cachorro?
— Tem, Narinha, uma cachorrinha linda que gosta de brincar com crianças e vai ficar feliz quando conhecer você.
Narinha olhou para Odila e, rindo, disse:
— Então eu vou.
Mamãe, a senhora vai demorar muito para voltar?
— Não, meu amor.
Assim que voltar, vou buscar você.
Helena e Odila levantaram-se.
Odila abraçou Helena e disse ao seu ouvido:
— Helena, aprendi que não devemos julgar, mesmo porque, se você fez alguma coisa, já pagou com juros.
Espero que encontre o seu caminho e que seja feliz.
Não se preocupe, vou cuidar muito bem da sua filha.
— Obrigada por tudo, dona Odila, sei que vai cuidar muito bem da minha filha e não se esqueça de que ela é, sim, sua neta.
— Isso não tem importância.
Amo essa menina, sendo ou não minha neta.
Olavo, ao sentir-se excluído da conversa e não acreditando que Helena havia tomado aquela atitude, disse:
— Vamos embora, Carlos!
Nada mais temos a fazer aqui.
Dizendo isso, saiu sem se despedir.
Carlos apertou a mão de Clélia e Débora.
Quando chegou perto de Helena, também apertando sua mão, disse:
— Até um dia, Helena.
Vou fazer o que for possível para demover essa ideia de Olavo de querer ficar com sua filha.
— Obrigada, Carlos.
Você sempre foi um grande amigo.
— Titia, preciso ir com Olavo.
Ele não me parece bem.
— Vá, meu filho.
Ele merece não estar bem.
Espero vocês na casa dele.
Temos muito o que conversar.
Carlos saiu da casa, entrou no carro, onde Olavo o esperava e foram embora.
Odila despediu-se de Clélia e de Débora.
Eunice abraçou Helena, despediu-se de Clélia e de Débora e foram embora.
Antes de saírem, Helena abraçou a filha e as acompanhou até o carro que saiu e ela, com lágrimas nos olho, ficou olhando-o desaparecer.
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Out 13, 2017 8:06 pm

Atitude esclarecedora
No carro, Olavo, nervoso, batia com a mão sobre o volante.
Gritou:
— Não entendo como isso pode estar acontecendo!
— Não entende o quê, Olavo?:
— Helena me traiu e todos ficaram ao lado dela como se fosse a vítima!
Como pode ser isso, Carlos?
Carlos, que até agora estava tentando se manter calmo, não suportou e, também gritando, respondeu:
— Sou eu quem não acredita ou entende o que fez!
O que você fez é crime, Olavo!
Eu sabia que você maltratava Helena, mas, somente quando vi as costas dela, foi que percebi o que você fez!
O que fez com ela foi um horror, uma tortura!
É crime e você devia estar preso!
— Até você, Carlos, está contra mim?
— O que queria que eu fizesse?
Você está parecendo o Giuseppe.
Acho, até, que está pior do que ele!
Desculpe-me, mas não tenho como ficar ao seu lado!
— Está querendo dizer que aceita a teoria louca da minha mãe de que existe reencarnação?
— Estou, Olavo!
Sua mãe pode ter razão!
Não pode ser só coincidência.
Você agiu como ele ou até pior do que Giuseppe!
Você usou a mesma táctica dele:
feriu Helena só nas costas como ele fazia!
— Assim como ele, eu usei a única maneira de tratar uma traidora!
Ele teve sua razão e eu tenho a minha!
— Ele, como você e todos os que agem assim, estão errados, Olavo!
Ninguém tem o direito de torturar, de humilhar outra pessoa!
— Foi ela quem me humilhou ao me apresentar a sua filha como sendo minha!
Ela me traiu, Carlos!
Será que ninguém vê isso?
—Todos nós ficamos atónitos com essa sua revelação, mas, mesmo assim, você não tinha o direito de fazer o que fez!
O máximo que poderia ter feito era tê-la abandonado!
— Para que ela ficasse com seu amante?
Eu nunca faria isso nem farei!
Ela vai ficar ao meu lado, querendo ou não!
— Ela deixou bem claro que nunca mais vai voltar para viver ao seu lado!
— Disse isso por estar diante de pessoas que ela percebeu estarem ao seu lado, mas, quando se vir sozinha, sem dinheiro, vai repensar e ver que, apesar de tudo, sempre teve boa vida.
— Boa vida, Olavo?
Você acha que ser humilhada e torturada significa ter uma boa vida?
— Você viu o que o namoradinho dela disse?
Ela o abandonou para se casar comigo por eu ser rico.
Ela queria ter uma boa vida!
— Ela pode ter se casado com você por esse motivo, mas, hoje, ela não quer mais!
— Não acredito nisso, mas, se ela continuar com essa ideia maluca, vai ficar sem a filha!
Vou fazer tudo o que puder para que a menina fique sob minha tutela!
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Out 13, 2017 8:07 pm

— Se fizer isso, eu, que sempre fui seu amigo, vou deixar de ser, Olavo!
Nunca mais, em minha vida, vou conversar com você!
Isso que está pretendendo é abominável!
Você não gosta da menina!
Posso até afirmar que tem ódio!
— Sinto perder sua amizade, mas não vou mudar a minha maneira de ser, só para manter sua amizade!
No momento em que você, mesmo sabendo que fui traído, fica contra mim, considero que você não é meu amigo!
— Já que você pensa assim, nada mais me resta a fazer.
Estamos chegando à sua casa e prometi à titia que ia esperar por ela.
É isso que vou fazer.
Quanto a você, vendo que não vai mudar de ideia, nunca mais vou conversar com você!
— Você é quem sabe!
Ficaram em silêncio até chegarem à frente da casa de Olavo.
Carlos desceu rapidamente e entrou na casa.
O carro em que Odila, Eunice e Narinha estavam chegou e parou atrás do de Olavo, que ainda estava sentado ao volante.
Odila desceu e, com voz firme, perguntou:
— Ainda está aí dentro do carro, Olavo?
Olavo olhou para a mãe com o rosto crispado e respondeu:
— Estou aqui pensando em como as pessoas não respeitam o que sentimos.
— Acho muito bom que esteja pensando em tudo o que aconteceu.
Agora, vamos entrar.
Precisamos conversar.
— Não temos mais o que conversar, mamãe.
Já dissemos tudo o que precisava ser dito.
— Não, Olavo.
Ainda temos muito o que conversar.
Enquanto estava vindo para cá, estive pensando em algumas coisas.
Por isso, quero que entre agora.
Vamos!
A contragosto, Olavo saiu do carro e entrou em casa.
Genaro estava sentado em um sofá ao lado de Carlos.
Assim que entraram, os dois se levantaram e Genaro perguntou:
— Carlos estava me contando que vocês encontraram Helena.
Como ela está?
Descobriram por que ela foi embora?
Odila colocou o dedo sobre os lábios e fez um sinal para que ele parasse de falar.
Depois, olhou para Eunice e disse:
— Eunice, prepare um lanche para Narinha e depois vá brincar com ela no quintal ou no quarto, por favor.
Eunice entendeu e, pegando a menina pela mão, falou:
— Vamos, Narinha.
Sei que está com fome, também estou.
Hoje, fiz um bolo muito gostoso.
A menina, sem conseguir entender o que estava acontecendo, sorrindo, seguiu Eunice.
Assim que elas saíram, Genaro, nervoso, levantou-se e perguntou:
— O que aconteceu?
Por que vocês estão tão sérios e por que Narinha está aqui em casa?
— Acalme-se, Genaro.
Vou contar o que aconteceu.
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Ave sem Ninho

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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Out 13, 2017 8:07 pm

Garanto que, assim como eu e Carlos, também vai ficar nervoso.
Volte a se sentar.
Genaro sentou-se e ficou olhando para Odila que começou a contar tudo o que havia acontecido.
Terminou, dizendo:
— Como pode ver, meu velho, nosso filho se transformou em um monstro...
Genaro voltou a se levantar e, com muita raiva e vergonha, gritou:
— Como pode fazer isso, Olavo?
Como maltratar sua mulher dessa maneira?
Olavo, mais nervoso do que já estava, também gritando, respondeu:
— Não consigo acreditar que ninguém está levando em conta que ela me traiu, e não foi só a mim, foi a todos nós!
O que queria que eu fizesse, papai, que desse a ela uma flor?
— Não, o máximo que poderia ter feito era tê-la abandonado, mas nunca fazer o que fez!
Está errado, Olavo, será que você não consegue aceitar que errou?
Ao ver que pai e filho estavam brigando, Odila se colocou no meio dos dois e, calma, falou:
— Não adianta ficarmos brigando.
Agora que sabemos tudo o que aconteceu, precisamos discutir e encontrar uma solução.
Precisamos pensar em Narinha que nada tem a ver com tudo o que os adultos fizeram.
— Narinha está bem, mamãe!
Helena desistiu dela!
— Não, Olavo.
Ela não desistiu de Narinha, ela desistiu de você.
Ela não aguenta mais ser maltratada e humilhada por você.
A atitude dela fez com que eu pensasse.
Embora estivesse nervosa por tudo o que estava acontecendo, nem por um minuto ela admitiu ter traído você, meu filho.
Ela chamou a minha atenção para que eu olhasse bem para Narinha e visse como ela tem os traços da nossa família.
Ela tem os cabelos crespos como os nossos.
Os cabelos de Helena e de sua mãe são lisos, muito lisos.
Ela tem, sim, os nossos traços e até parece muito com você, Genaro.
Acho que você, Olavo, é, sim, o pai de Narinha.
— Como pode dizer isso, mamãe?
A senhora não viu o resultado do exame?
— Alguns exames são trocados no laboratório, Olavo!
Muitos médicos pedem para que eles sejam repetidos.
Não sei por que, mas Helena me convenceu.
Para que não exista dúvida alguma, acho que você deveria fazer outro exame.
— O que a senhora está dizendo?
Eu, fazer outro exame, me submeter a outra humilhação?
Nunca! A senhora entendeu?
Nunca!
— Sua mãe tem razão, Olavo!
Helena também me convenceu!
Esse exame pode estar errado!
Não custa fazer novamente...
— Como pode dizer isso, Carlos?
Ela me traiu, por que será que ninguém aceita isso?
— Isso eu entendi, só não entendo por que você se recusa a fazer outro exame!
Com um segundo resultado, não vai restar mais dúvida alguma!
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Out 13, 2017 8:07 pm

Olavo ia falar, quando o telefone tocou.
Odila atendeu.
Do outro lado da linha, uma voz de mulher falou:
— Preciso conversar com Olavo.
Ele está?
Odila reconheceu a voz e, muito nervosa, respondeu:
— Ele está, sim, moça, só que não vai conversar com você!
— Quem é a senhora para me dizer isso?
Deve ser a empregada da casa, vou pedir a Olavo que a dispense!
— Ele pode até me dispensar, mas esta é a casa dele, da sua mulher e da sua filha!
Por favor, nunca mais telefone para cá.
Procure se encontrar ou falar com ele em outro lugar!
Respeite esta casa que é de família!
Assim que terminou de falar, Odila bateu o telefone.
Olavo tentou dizer alguma coisa, mas Odila, olhando em seus olhos, disse:
— Olavo, não sei o que vai acontecer, só sei que você nunca poderia ter permitido que uma das suas mulheres telefonasse para sua casa!
Isso não se faz!
Vim para ficar alguns dias, mas, agora, depois de tudo, vou ficar bem mais do que imagino.
Se essa mulher ou qualquer outra telefonar, sinto muito, mas vou ter de ser malcriada!
Agora, querendo ou não, você vai refazer esse exame, não por você nem por Helena, mas por Narinha!
Ela merece isso.
Eu a amo e vou continuar amando, mesmo que não seja minha neta, mas precisamos ter certeza!
— Eu não vou fazer exame algum!
Já fiz e já tenho a minha resposta!
Genaro se levantou e, nervoso, disse:
— Você vai fazer, sim!
Amanhã, bem cedo, eu e você vamos ao laboratório!
Sou seu pai, sempre me orgulhei muito de você, mas, agora, estou decepcionado!
Sua mãe e Carlos acreditaram em Helena, por isso, você precisa nos tirar essa dúvida!
— Podemos ir ao laboratório do André.
Ele é nosso amigo e poderá nos dar o resultado amanhã mesmo!
— Tem razão, Carlos!
É isso o que precisa fazer, Olavo!
Quanto antes tivermos o resultado, melhor!
— Está bem, mamãe, embora saiba que em nada vai adiantar, pois o resultado não vai ser diferente.
Para que não haja dúvida alguma, vou fazer esse exame!
— Que bom, meu filho, que entendeu a importância de fazer isso.
Agora, vamos terminar com este assunto e trazer Narinha de volta.
Ela gosta de ficar ao nosso lado.
Como eu disse, ela não tem nada a ver com os erros dos adultos!
— Está bem, mamãe, vamos fazer isso.
Sorrindo, Odila saiu da sala e foi buscar Narinha.
Eunice e Odila entraram na sala, segurando Narinha pelas mãos.
Assim que entraram, a menina se soltou, correu para Olavo e, como sempre fazia, abraçou-se às suas pernas.
Para surpresa não só de Eunice, mas de todos, Olavo se ajoelhou e abraçou a menina e, depois, beijou sua testa.
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Out 13, 2017 8:07 pm

A menina, que também não estava acostumada com aquilo, abraçou-o bem forte e só o largou, quando Eunice fez com que se soltasse dele.
Depois que se afastou da menina, Olavo saiu da sala em silêncio e foi para seu quarto.
Entrou e fechou a porta.
Deitou-se na cama e, com os olhos para o tecto, ficou pensando:
Não posso negar que até a mim Helena surpreendeu.
Ela está disposta a perder tudo o que tem, até a filha, para não voltar a viver ao meu lado.
Embora não queira aceitar, quando as pessoas começaram a me condenar, percebi a crueldade que usei contra ela.
Hoje, quando mamãe me falou que Narinha tem nossos traços, olhando bem para ela, preciso concordar.
Será que o resultado do exame estava errado?
Agora, preciso tirar essa dúvida.
Amanhã bem cedo vou ao laboratório do André.
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Out 13, 2017 8:08 pm

Segunda chance
Assim que todos saíram da casa de Clélia, Helena começou a chorar com muita força, sem conseguir evitar os soluços que partiam do fundo do seu coração.
Enquanto chorava, dizia:
— Acabei de perder a minha filha!
Olavo tem muito dinheiro e vai conseguir ficar com ela...
— Não diga isso, Helena, ela é sua filha e nenhum juiz deste mundo vai tirar esse direito que é seu!
Ainda há mais:
Olavo diz não ser o pai dela.
Precisamos encontrar um advogado que vai nos ajudar!
Tenha fé em Deus.
Ele, somente Ele é quem sabe de tudo.
— Não sei, dona Clélia.
Neste momento, estou arrependida de ter entregado a minha filha...
— Acalme-se, minha filha.
Precisamos conversar.
Precisamos saber se essa história de que Olavo não é o pai de Narinha é verdadeira.
— Não sei como ele conseguiu inventar isso, dona Clélia.
Nunca estive com outro homem.
Algumas vezes, depois de tanto sofrimento, até pensei em procurar Rafael, mas nunca fiz isso.
Apesar de tudo o que ele me fez, sempre fui uma esposa sincera.
A única coisa de que me culpo foi a de, verdadeiramente, ter me casado iludida por tudo o que ele podia me proporcionar e, durante todo o tempo em que estive ao lado dele, sempre pensei que, se me separasse, poderia perder tudo o que consegui com este casamento, uma boa casa, carro com motorista e essas coisas que, com o tempo, percebi que de nada valiam.
Eu sempre fui muito infeliz.
Agora decidi que paguei um preço muito alto e, apesar de tudo, não quero mais pagar.
— Você não quer, mesmo, voltar para ele?
— Não, Débora, não quero.
Não sei como vou continuar a minha vida.
Como você sabe, não tenho profissão nem terminei meus estudos, mas estou disposta a fazer qualquer trabalho para poder seguir em frente.
Sei que não vai ser fácil, mas esse vai ser o preço que preciso pagar pela minha liberdade.
— Estive pensando, Helena.
Embora goste de trabalhar em Roma, sinto falta da minha terra, do meu povo sempre alegre.
Aqui, tenho minha mãe, meu irmão e, agora, você e Narinha.
Fui embora daqui pelo que aconteceu com Paulo e por estar envergonhada, mas, agora, sinto que tudo passou, que o tempo é o melhor conselheiro.
Vou conversar na empresa e pedir para que me tragam de volta.
Quando isso acontecer, talvez eu arrume um emprego para você lá na empresa.
Não vai ser um cargo alto, mas alguma coisa com a qual você possa se sustentar.
— Vai fazer isso por mim, Débora?
— Vou. Não sei se vou conseguir, mas vou tentar.
Todos nós temos o direito de ter uma segunda chance.
Fazendo isso, vai dar uma segunda chance não só a você, mas a mim também.
Acho que, para mim, também chegou a hora de esquecer o passado e recomeçar.
Sinto que ainda vou ser feliz.
— Estou feliz por ver você assim, minha filha.
Finalmente, você entendeu que algumas coisas acontecem na nossa vida por uma razão.
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