Não olhe para trás / Elisa Masselli

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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 14, 2017 8:01 pm

Na maioria das vezes, era embora não entendamos nem aceitemos, era o melhor que podia nos acontecer.
Vocês duas precisam recomeçar e eu estou aqui para ajudar no que for possível.
Você, Helena, pode ficar morando comigo pelo tempo que quiser.
Sei que sua filha vai voltar para os seus braços e ela, também, vai ser bem recebida.
— A senhora vai receber a mim e à minha boneca, como fazia quando eu era criança?
Débora e a mãe riram.
Clélia disse:
— Claro que sim, Helena!
Você e sua boneca sempre serão bem vindas!
Agora, pare de chorar e vamos tomar um lanche.
Quanto ao Olavo, vamos entregar nas mãos de Deus e aceitar o que e como vier.
Embora com os olhos cheios de lágrimas, Helena sorriu e as três foram para a cozinha preparar o lanche.
Olavo não dormiu bem.
A todo instante acordava, pensando em Helena e em tudo o que havia acontecido naquela tarde.
Não conseguia se esquecer do olhar que ela lhe lançou quando pediu à Odila que cuidasse de sua filha.
Pela manhã, levantou-se e foi para a sala de jantar, onde, todos os dias, era servido o café.
Assim que entrou, viu que seus pais já estavam lá.
Antes de sentar-se, beijou os pais e Narinha, que também tomava café.
Tentando demonstrar uma alegria que não sentia, rindo, disse:
— Bom-dia! Dormiram bem?
— Mais ou menos.
Estamos preocupados com você.
— Pois não precisam se preocupar.
Conseguiram colocar uma dúvida na minha cabeça.
Por isso, resolvi que, para que toda dúvida desapareça, mesmo sabendo que não vai adiantar, vou refazer o exame.
Agora, logo depois de tomar café, estou indo para o laboratório.
Resolvi que também preciso tirar minha dúvida para saber, com certeza, que atitude tomar.
— Estou pronto para ir com você.
— Não precisa, papai.
Vou lá e depois preciso ir para o escritório.
— Qual é o problema?
Vou com você até o escritório.
Quero ver como estão as coisa por lá.
— Está bem, entendi.
Não estão acreditando que vou mesmo fazer o exame, não é?
— Bem, Olavo, você não pode negar que nos deixou preocupados com sua teimosia.
— Sei disso, mamãe, mas pensei bem e acho que este é o melhor caminho a seguir.
Só assim, livre de qualquer dúvida, poderei tomar a decisão certa.
Juarez pediu licença e entrou na casa.
— Está na hora de levar Narinha para a escola.
— Vou com você, Juarez.
Quero me despedir dela em frente à escola.
Acho que você vai gostar, não vai, Narinha?
— Vou gostar muito!
Mamãe sempre vai comigo!
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 14, 2017 8:02 pm

— Então, vamos?
Narinha beijou o pai, depois Genaro e, feliz, saiu de mãos dadas com Odila e Juarez.
Enquanto ela saía, Genaro disse:
— Ela parece ser da nossa família, não parece, Olavo?
— Não sei, papai!
— Vamos tirar essa dúvida, meu filho.
Calado, Olavo foi em direcção à porta.
Genaro, também calado, o acompanhou.
Entraram no carro e Olavo saiu dirigindo.
Quinze minutos depois, Olavo estacionou o carro em frente ao laboratório.
Desceram do carro e, assim que entraram, foram encaminhados a uma das salas.
André, ao vê-los, levantou-se e, estendendo a mão, surpreso, perguntou:
— Olavo! O que está fazendo aqui?
Antes que Olavo respondesse, André olhou para Genaro e perguntou:
— O senhor não está doente, está, senhor Genaro?
— Não, André.
Vire essa boca para lá...
— Estamos aqui por minha causa, André.
— Você? O que aconteceu?
— Preciso fazer um espermograma.
— Você? Porquê, já não tem uma filha?
— André, você é meu amigo, mas não quero entrar em detalhes, só preciso fazer esse exame e ter o resultado o mais rápido possível.
Pode ser?
— Claro que sim, Olavo, e desculpe a minha curiosidade.
— Não tem problema.
Podemos fazer agora?
— Sim.
Tocou o interfone e logo depois uma moça entrou e acompanhou Olavo.
Genaro ficou conversando com André e perguntou por seu pai, já que eram amigos há muito tempo.
Algum tempo depois, Olavo entrou na sala:
— Está feito, André.
Quando posso pegar o resultado?
— Daqui a alguns dias.
— Não posso esperar, André.
Tenho urgência.
Foi por isso que vim até aqui.
Acredito que, por ser meu amigo, pode apressar o resultado.
— Está bem.
Vou passar seu exame na frente dos outros e talvez hoje à tarde ou amanhã cedo já possa ter o resultado.
Olavo e o pai saíram e foram para o escritório.
Assim que chegaram, encontraram Carlos que, ansioso, perguntou:
— Então, foram ao laboratório?
Olavo, mais calmo, rindo, respondeu:
— Fomos, Carlos.
Mesmo que eu não quisesse ir, quando acordei, meu pai já estava de plantão me esperando.
Fiz o exame e André disse que vai fazer o possível para ter o resultado hoje à tarde.
— Ainda bem que decidiu, Olavo.
Estou feliz por você.
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 14, 2017 8:02 pm

— Bem, vejo que vocês têm muito o que conversar.
Vou andar pela empresa e ver o nosso mostruário.
Quero ver os modelos que estão produzindo.
— Faça isso, papai.
Eu e Carlos precisamos trabalhar.
Genaro saiu.
Olavo pediu à secretária que servisse um café para eles.
Ela saiu e, logo depois, voltou com uma bandeja.
Serviu o café para ambos e saiu novamente.
— Olavo, suponhamos que o exame seja diferente do outro e Helena esteja falando a verdade.
O que pretende fazer?
— Nada, Carlos, porque o exame vai ter a mesma resposta.
Ela me traiu!
— Está bem. Aceito que ainda duvide, mas, e se der positivo?
Se ficar provado que você pode ser o pai de Narinha, o que vai fazer?
Vai pedir perdão à Helena?
— Pedir perdão?
Quem, eu? Nem pensar!
Ela acabou com a minha vida!
— Ela acabou com a sua vida ou você acabou com a dela?
— Vamos deixar para discutirmos isso depois que o resultado chegar.
— Ainda pretende tirar Narinha dela?
— Claro que sim! Eu não vou tirar.
Ela é quem não quis mais a filha!
— Como pode dizer isso, Olavo?
Claro que ela quer a filha, ela só não quer mais você!
— Ela diz isso porque ainda não se deu conta de que vai ficar sem dinheiro, morando de favor e, além do mais, sem a filha!
— Você não pode estar dizendo a verdade, Olavo!
Não pode ser tão cruel!
— Bem, como já disse, vamos voltar a esse assunto, quando o resultado chegar.
O André disse que vai mandar alguém trazê-lo aqui.
Agora, precisamos trabalhar.
Os vendedores estão esperando por você e eu preciso fazer algumas compras.
— Tem razão, Olavo. Estou indo.
Voltaram ao trabalho.
Olavo ficou o tempo todo olhando para o relógio.
Ao meio-dia, Genaro e Carlos entraram em seu escritório e os três foram almoçar, mas evitaram falar sobre o assunto.
Estavam tensos, mas preferiram fingir que estava tudo bem e conversaram sobre os projectos da empresa.
Após o almoço, Genaro, rindo, disse:
— Bem, agora vou para casa.
Está na hora de eu descansar este corpo cansado.
Olavo e Carlos riram:
— Seu corpo, desde que eu me conheço por gente, sempre foi cansado, papai.
Sua soneca após o almoço é sagrada.
Genaro e Carlos também riram.
Depois de se despedir, antes de ir embora, disse:
— Estou indo, mas assim que o resultado chegar, telefone imediatamente.
Eu e sua mãe estamos angustiados.
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 14, 2017 8:02 pm

— Pode ir tranquilo, papai.
Eu telefone assim que souber o resultado.
Genaro foi embora.
Carlos e Olavo voltaram para a empresa.
A tarde se arrastou.
Parecia que o relógio havia parado.
Olavo estava distraído, quando o telefone tocou.
Era Hortência que, nervosa, disse:
Ainda bem que consegui encontrar você, Olavo!
Estou telefonando desde sexta-feira e sua mulher disse que você não estava lá.
Ela insinuou que você devia estar com uma terceira.
Foi isso que aconteceu, Olavo?
Você arrumou outra?
— Você telefonou para minha casa e falou com minha mulher?
— Telefonei e falei com a sua mulher.
Não sei por que está tão nervoso.
Você sempre disse que eu poderia telefonar para sua casa sempre que quisesse.
— Esqueça tudo o que eu disse!
De hoje em diante, você está proibida de telefonar para minha casa!
— Por que está gritando comigo?
O que aconteceu?
Quem é aquela mulher malcriada que me atendeu?
— Desculpe-me, Hortência, mas hoje não estou bem.
Sei que durante muito tempo eu iludi você, mas agora tudo precisa mudar.
— Como mudar? O que aconteceu?
— Nada aconteceu, somente estive repensando a minha vida e cheguei à conclusão de que, durante muito tempo, estive errado.
— Está dizendo que não quer mais nada comigo?
— Não, estou dizendo que preciso de um tempo para reavaliar a minha vida!
Somente isso!
— Não estou entendendo o que está dizendo, Olavo!
— Estou dizendo para me deixar em paz!
Entendeu agora, Hortência?
— Não pode fazer isso!
Estou há muito tempo ao seu lado, para ser jogada fora agora que você arrumou outra!
Perdi muito tempo com você, Olavo!
Irritado, Olavo disse:
— Você soube cobrar muito bem pelo tempo em que estivemos juntos!
Conseguiu carro, apartamento, muitas jóias, além de dinheiro, muito dinheiro!
Não devo coisa alguma a você, Hortência!
— Pode me abandonar, mas não vou devolver nada do que me deu!
— Não quero nada de volta.
Como eu disse, você recebeu pelo seu trabalho!
Pode ficar com tudo, só me deixe em paz!
Antes que ela conseguisse dizer alguma coisa e para terminar com a discussão, Olavo desligou o telefone.
Depois, pegou as chaves e saiu da sala.
Do lado de fora, pegou seu carro e saiu dirigindo sem destino.
Hortência, surpresa, ficou olhando para o telefone em sua mão.
Estava em estado de choque, pois jamais imaginou que algo como aquilo pudesse acontecer.
Depois de alguns minutos, colocou o telefone no gancho, foi até a cozinha e tomou um pouco de água.
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 14, 2017 8:02 pm

Não conseguia esquecer as palavras de Olavo.
Voltou novamente para a sala e olhou para o telefone.
Sua vontade era de gritar, de xingar alguém e até de falar um palavrão.
Pegou o telefone, discou um número.
Do outro lado da linha, Celina atendeu:
— Alô!
— Celina! Sou eu!
— O que aconteceu, Hortência?
Você está nervosa?
Quase chorando, Hortência contou o que Olavo havia dito e terminou, dizendo:
— Não sei o que fazer, Celina!
Não posso perder Olavo!
— Acalme-se. Deve ter havido um mal-entendido, mas convenhamos que você sempre soube que ela era casado.
— Claro que eu sabia, mas ele sempre disse que não era feliz no casamento.
Quer saber, acho que a mulher dele tem razão.
Ele encontrou outra.
— Como você sabe que ela pensa isso?
— Quando eu telefonei para a casa dela perguntando por ele, ela disse que, se ele não estava comigo nem com ela, devia estar com outra.
— Verdade, você telefonou para a casa dele!
— Sempre telefono!
Ele nunca proibiu e muitas vezes me atendeu.
Não entendo por que, de repente, não quer que eu telefone mais.
— Você nunca se preocupou em saber o que a mulher dele sente, quando telefona?
Você nunca imaginou que ela pode sofrer?
— Não! Eu sempre quis e ainda quero que Olavo se separe dela!
— Como pode ver, isso não aconteceu.
Ele ainda está com ela e você, que nunca se preocupou com os sentimentos dela, está sozinha.
— Celina! Você é minha amiga ou é dela?
— Claro que sou sua amiga e por isso mesmo estou sendo sincera.
Nunca devemos fazer com os outros aquilo que não queremos que nos façam.
Ser amiga é mostrar os erros e elogiar as qualidades.
— De onde tirou essa ideia?
Amigos precisam estar sempre ao nosso lado.
— Para ser sincera, até pouco tempo, também pensava assim, mas, depois de estudar uma doutrina espírita, comecei a compreender que precisamos nos preocupar não só connosco, mas, principalmente, com as outras pessoas também.
— Credo! Nunca ouvi você dizer essas coisas!
— Sempre é hora de começar.
— Está bem, mas, agora, acho que ainda não é a minha hora!
— Está certa.
Mas o que sentiu quando ele disse que havia pagado pelo tempo que ficou com ele?
Entendeu do que ele a chamou?
Hortência sentou-se no sofá, pensou um pouco, depois respondeu:
— Entendi, Celina!
Claro que entendi, na hora estava chocada e não dei atenção, mas agora, pensando bem, ele foi cruel.
Como ele pôde dizer uma coisa como aquela?
Logo a mim que tenho me dedicado tanto tempo somente a ele?
Agora estou vendo que perdi um tempo enorme com ele!
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 14, 2017 8:03 pm

— Isso é verdade, durante o tempo em que esteve com ele, fechou seus olhos e o seu coração para qualquer outro amor.
Talvez outro amor tenha aparecido e tentado se aproximar e você não percebeu nem deu chance.
— É verdade. Realmente, perdi muito tempo.
O pior é que não sei como vou conseguir viver sem ele.
— Vai continuar vivendo, sim!
Pode ter certeza de que, agora que está livre, vai ser realmente feliz.
— Quero muito isso, mas quero também que ele volte me pedindo perdão para que eu possa dizer um não bem grande!
Eu o odeio tanto que quero que ele se rasteje pedindo para que eu volte!
Celina começou a rir:
— Se isso acontecer, você vai voltar rapidinho!
— Nunca! Você ouviu, nunca!
— Espero que você, para seu bem, consiga se afastar dele.
— Vou conseguir, mas, para ser sincera, você não pode ficar me crucificando, porque também está há muito tempo esperando por Carlos, que não parece querer algo sério com você.
— Desde que comecei a estudar essa doutrina de que lhe falei, comecei a pensar justamente sobre isso, Hortência.
Se formos comparar, estou igual a você.
Também estou perdendo um tempo precioso esperando por Carlos que, definitivamente, nunca me amou.
Sabe de uma coisa, amiga, acho que está na hora de mudarmos o rumo da nossa história.
— Você está certa, vamos mudar o nosso rumo!
Agora, vou tomar um banho para renovar minhas energias e esperar o dia em que Olavo voltará a me procurar para me pedir perdão.
Esse vai ser o melhor dia da minha vida!
Celina sorriu:
— Faça isso, Hortência.
Amanhã, vai ser outro dia.
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 14, 2017 8:03 pm

Revelação
Olavo, Ansioso, enquanto dirigia, pensava:
Embora não tenha concordado com Carlos nem comigo próprio, não posso negar que, enquanto mamãe lia os diários de Beatrice, eu me senti o próprio Giuseppe.
Percebi que algumas das atitudes dele eram iguais às minhas.
Será que essa história de reencarnação é verdadeira?
Mamãe acredita e Carlos comprou a ideia.
Não sei. Preciso pensar mais a respeito.
O que está me deixando quase louco é essa dúvida que mamãe levantou.
Será que o exame está errado?
Se estiver, o que vou fazer?
Não posso chegar perto de Helena e pedir perdão, pois ela, com certeza, nunca vai me perdoar.
Se ela realmente não me traiu, fui muito cruel e fiz com que sofresse muito.
Dirigiu por mais algum tempo e resolveu:
Não aguento mais, preciso ter logo esse resultado.
Não vou esperar.
Vou para o laboratório ver se está pronto e, se não estiver, vou ficar ali esperando.
Acelerou o carro e em poucos minutos estava estacionando em frente ao laboratório.
Desceu do carro.
Tremendo, entrou e foi recebido pela recepcionista que, assim que o viu, falou:
— Boa-tarde, senhor Olavo.
O doutor André acabou de sair para ir a sua empresa.
— Ele foi até lá?
— Foi. Também estranhei, mas ele fez questão de ir pessoalmente.
Não deixou que o motorista fosse levar o resultado do exame.
— Está bem, vou até lá.
Intrigado e apressado, Olavo voltou ao estacionamento, entrou no carro e saiu em disparada.
Enquanto dirigia, pensou:
Por que será que André foi levar, pessoalmente, o resultado do exame?
Entrou correndo na empresa e, ao passar pela recepcionista, perguntou:
— O doutor André chegou?
— Sim. Ele está na sala do doutor Carlos.
Sem parar, ele foi, apressado, para a sala de Carlos.
Assim que entrou, parou na porta.
Carlos e André estavam rindo.
André, quando viu Olavo, veio ao seu encontro:
— Olavo! Que bom que chegou.
Eu e Carlos estávamos conversando enquanto você não chegava.
Olavo entrou na sala e, sentando-se, perguntou:
— Por que você veio até aqui, André?
— Fiquei tão feliz quando vi o resultado que quis vir pessoalmente para ver a sua felicidade, Olavo!
Olavo, tremendo e com a voz pausada, perguntou:
— Qual foi o resultado, André?
— Pode ficar feliz, Olavo!
Você pode ter quantos filhos quiser!
Olavo, que estava em pé, cambaleou e, se não fosse Carlos, teria caído.
Com a ajuda de Carlos, sentou-se.
André, sem saber e entender o que estava acontecendo, curioso, perguntou:
— Não estou entendendo, Olavo.
Pensei que ia ficar feliz...
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 14, 2017 8:03 pm

Carlos, percebendo a situação de Olavo, disse:
— Ele está emocionado, André.
Achou que nunca mais ia poder ter filhos.
— Por que pensou isso, Olavo?
Tem uma filha linda, que parece muito com você!
Carlos respondeu rapidamente:
— Você não sabe, André, mas ele teve um infecção grave e achou que isso poderia ter interferido na sua vida.
Eu e o médico dissemos que não havia problema algum, mas ele não quis acreditar.
Por isso está tão feliz que não consegue nem falar, não é, Olavo?
Somente aí, Olavo conseguiu pensar no momento em que estava vivendo.
Tentando sorrir, respondeu:
— Foi isso o que aconteceu, André.
Eu estava muito preocupado.
— Pois não precisa ficar mais.
Você está muito bem e, como eu disse, pode ter quantos filhos quiser.
— Obrigado por ter trazido o resultado, André.
Estou muito feliz, mesmo.
Queria fazer mais uma pergunta.
— Pode perguntar. O que é?
— Alguns exames podem apresentar um resultado errado?
— É difícil, mas às vezes acontece.
Uma distracção de algum funcionário pode trocar os nomes.
— Está dizendo que, quando isso acontece, alguém que está sadio acha que está doente e outro que está doente acha que está sadio?
— Normalmente, quando o resultado não é o desejado, o paciente sempre repete o exame.
— Isso é uma loucura, André!
Já imaginou que transtorno pode causar na vida de uma pessoa um resultado errado?
— Claro que imagino, Olavo.
Por isso mesmo oriento bem meus funcionários para que isso não aconteça.
— Mas pode acontecer!
— Sim, o erro humano, embora não seja esperado, pode acontecer.
Agora, preciso voltar para o laboratório.
Quando tiver outro filho, não se esqueça de me avisar.
— Não vou esquecer, André.
Abraçaram-se.
Assim que André saiu, Olavo, com o papel na mão, olhando para Carlos, perguntou:
— O que vou fazer, Carlos?
— Estou me fazendo essa pergunta, desde que André chegou e me falou sobre o resultado.
Eu não queria dizer isso, mas você sabe a resposta, Olavo.
Olavo, que estava sentado, levantou-se e, batendo com força uma das mãos sobre a parede, quase gritou:
— Não posso fazer isso, Carlos!
Não posso!
— Pode e precisa fazer, Olavo!
Helena merece que você peça perdão pelo tempo que a fez sofrer injustamente.
— Não, não vou fazer isso!
Preciso fazer outro exame em outro laboratório! Carlos!
Para que isso, Olavo?
Sabe que Narinha é sua filha!
Basta olhar para ela com outros olhos.
Ela é toda a nossa família, não tem nada de Helena!
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 14, 2017 8:03 pm

Não adianta, vai ter de pedir perdão e tomara que ela perdoe a você.
— Não posso, não posso, não posso!
— Está bem, faça como quiser.
Precisamos telefonar para seus pais.
Eles, assim como nós, estão ansiosos para saber o resultado.
— Não vou contar, Carlos!
Quando souberem do resultado, vão me fazer pedir perdão à Helena e não posso fazer isso!
Tenho vergonha.
— Não entendo você, Olavo!
Nunca teve vergonha de fazer aquelas atrocidades com Helena e vem dizer que tem vergonha de reconhecer seu erro, de pedir perdão?
— Você é meu amigo e precisa ficar ao meu lado, me ajudar...
— Desculpe-me, mas não posso ficar ao seu lado, ainda mais depois que titia leu aqueles cadernos e nos mostrou o que você fazia com Beatrice!
— O que você está falando, Carlos?
Está maluco!
O que eu tenho a ver com Giuseppe?
— Tem tudo a ver, Olavo, e você sabe disso!
Estou acreditando que reencarnação existe e vou procurar estudar para ver como funciona!
Olavo, nervoso, começou a rir:
— Está dizendo que sou Giuseppe?
Então, você deve ser Domingos!
— Para ser sincero, acho que sou, sim!
— Como pode dizer isso, Carlos?
— Já que estamos falando sobre isso, vou confessar a você que sempre amei Helena!
Quando vocês se casaram, meu coração sangrou e nunca mais me interessei por outra mulher!
Sempre quis e ainda quero somente a ela!
Olavo sentou-se:
— O que está dizendo? Você gosta da Helena?
— Sim! Sempre gostei!
Olavo voltou a se levantar e caminhou em direcção a Carlos que, sentado, levantou-se também e se preparou para enfrentar Olavo.
Iam se agarrar, quando a porta se abriu e, por ela, entraram Odila e Genaro.
Ao perceberem que eles estavam brigando, correram para eles.
Enquanto Genaro se colocou no meio dos dois, Odila gritou:
— Parem com isso!
O que está acontecendo aqui?
Nunca vi vocês brigarem!
Após se separarem, Olavo, muito nervoso, gritou:
— Ele é um traidor, mamãe!
Acabou de me dizer que sempre amou Helena!
Odila se espantou:
— Isso é verdade, Carlos?
Carlos não conseguiu responder.
Quem o fez foi Olavo:
— Ele está fora de si, mamãe!
Acabou de dizer que sou a reencarnação de Giuseppe e ele, de Domingos.
Pode ser uma coisa como essa?
Odila, ainda mais espantada, perguntou:
— Como chegou a essa conclusão, Carlos?
Carlos, após perceber que no calor da discussão havia falado mais do que devia, respirou fundo e respondeu:
— Enquanto a senhora lia a história de Giuseppe e de Beatrice, eu, que sabia o que Olavo fazia e como agia em relação à Helena, fui pensando na coincidência dos factos.
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 14, 2017 8:04 pm

Olavo usou dos mesmos métodos de Giuseppe, castigava Helena da mesma maneira que Giuseppe fazia com Beatrice.
— Você sempre soube o que Olavo fazia?
— Infelizmente, sim, tia.
— Por que nunca falou comigo ou com Genaro?
Como pôde ser conivente com uma atitude como essa?
— Sempre conversei muito com Olavo, tia.
Eu não sabia o motivo de ele agir assim, nunca me contou.
Ele é, ou era, meu amigo.
Por isso, não podia trair essa amizade.
— Mas pôde me trair amando a minha mulher, não é?
— Isso também é verdade, Carlos?
— É verdade, titia.
Eu me apaixonei por ela no momento em que Olavo me apresentou, ainda quando eram noivos.
Entretanto, ela nunca soube disso, pois nunca falei com ela e esse respeito.
— Por que falou hoje?
— Fiquei irritado com Olavo.
— Por quê?
Olavo olhou para Carlos e fez com a cabeça que não.
Odila percebeu:
— O que não quer que ele diga, Olavo?
Olavo ficou constrangido e não respondeu.
Odila voltou-se para Carlos:
— Agora não é hora de esconder coisa alguma, Carlos.
O que aconteceu para que você ficasse irritado com Olavo?
Olavo, sabendo que a mãe não ia desistir de saber o que havia acontecido, olhando para Carlos, disse:
— Pode contar, Carlos, não há como esconder.
— Está bem, Olavo. Vou contar.
Fiquei irritado, titia, porque, apesar de ter o resultado do exame, Olavo disse que não ia pedir perdão à Helena.
— O que está dizendo, Carlos?
Vocês sabem o resultado?
Foi positivo?
— Isso mesmo, titia.
Segundo o resultado, Olavo pode ter quantos filhos quiser.
— Eu sabia! Sentia que Narinha era minha neta de verdade!
Você não quer pedir perdão à Helena, Olavo?
— Não posso, mamãe!
É muito humilhante!
Odila ficou irritada:
— Humilhante? Como pode falar em humilhação depois de tudo o que fez com ela?
Ela, sim, foi humilhada, maltratada e tudo o de desagradável que você possa pensar ou imaginar!
Já parou para pensar na humilhação que ela sentiu, quando as mulheres telefonavam para sua casa procurando por você?
Não, Olavo!
Você não imagina o que seja humilhação!
Por isso, vamos, agora mesmo, conversar com Helena e você vai, sim, pedir perdão!
— Não vou, mamãe.
A senhora não pode me obrigar a isso.
Sou adulto e posso decidir a minha vida!
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 14, 2017 8:04 pm

Realmente, não posso obrigar você, mas eu e seu pai podemos e vamos, agora mesmo, conversar com ela.
Fique sabendo que você não vai fazer com que ela volte, se continuar a agir como está agindo.
— Eu não quero Helena de volta!
— Tem razão.
A vida é sua e, por isso, pode fazer o que quiser com ela.
Entretanto, eu, seu pai e Carlos, se quiser ir também, vamos conversar com Helena.
Dizendo isso, ela se encaminhou para a porta, no que foi seguida por Genaro e Carlos.
Após saírem, Olavo ficou olhando para a porta que Genaro fechou com muita força.
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 14, 2017 8:04 pm

Recomeçando
Enquanto Helena estava sentada em um sofá com os olhos presos no televisor, tentando ver um programa sem conseguir prestar atenção ao que era dito, Débora e a mãe estavam na cozinha preparando o jantar.
Débora, preocupada, disse:
— Ela está muito quieta, mamãe.
O que será que pretende fazer daqui para frente?
Será que vai mesmo entregar Narinha para Olavo?
— Helena está em um momento de decisão, Débora, e sempre que isso acontece na nossa vida é muito triste.
— Estranhei a facilidade como ela entregou a filha.
A senhora não acha que ela deveria ter resistido, lutado para ficar com a menina?
— Não sabemos o que passa pela cabeça de uma pessoa, quando se vê acuada e não consegue perceber o seu caminho.
Para ela, deixar a filha com dona Odila, que me parece ser uma boa mulher, foi melhor do que permitir que a menina fosse levada por Olavo, que ela sabe ser violento.
— Acha que ele teria coragem de fazer alguma coisa contra a menina?
— Não sei, Débora, mas Helena parece achar que sim.
— A senhora acreditou nessa história de que ele não é o pai da menina?
Será que Helena traiu, mesmo, o marido?
— Não sei, embora, para mim, seja difícil acreditar nisso.
Helena praticamente foi criada na nossa casa.
Conhecemos sua mãe e sabemos que ela seria capaz de fazer qualquer coisa para ter dinheiro, mas Helena, apesar de ter sido ambiciosa e querer uma vida de rica, sempre foi uma boa moça e não faria nada para perder tudo o que conseguiu.
— Isso é verdade, mas ele tem o resultado do exame.
Contra isso é difícil lutar.
— É verdade, mas, para nós, isso não deve importar.
Eu a considero como se fosse minha filha e ficarei ao lado dela aconteça o que acontecer, como faria com você e com o Rafa.
Vamos esperar para ver o que vai acontecer.
Deus está sempre no comando das nossas vidas e somente Ele sabe o que é melhor para cada um de nós.
— A senhora acredita mesmo nisso, mamãe?
— Sim, por isso não podemos julgar, apenas esperar.
— Está certo, mamãe.
Vou até a sala conversar com ela e tentar animá-la.
— Faça isso, minha filha.
Helena está precisando de apoio.
Débora estava entrando na sala, quando ouviu o toque da campainha.
Olhou pela janela e falou para Helena que olhava, curiosa, para ela:
— É dona Odila, Carlos e um senhor que, se me lembro bem do dia do seu casamento, parece ser o seu sogro.
— Meu sogro está aqui?
Sem responder, Débora abriu a porta.
Sorrindo, caminhou até o portão e o abriu para que eles pudessem entrar.
— Boa-tarde, Débora, precisamos conversar com Helena.
— Boa-tarde, dona Odila.
Entrem, por favor.
Helena, assim que a campainha soou, levantou-se e, paralisada, ficou olhando para a porta.
Embora não estivesse chorando, seus olhos estavam inchados e vermelhos.
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 14, 2017 8:04 pm

Assim que eles, acompanhados por Débora, entraram, Odila abriu os braços e caminhou na sua direcção:
— Venha cá, minha filha, e me dê um abraço.
Confusa e ao mesmo tempo feliz, Helena se abraçou a ela e recomeçou a chorar.
— Pare de chorar, Helena, você já sofreu e chorou muito.
— Odila tem razão, minha filha.
Estamos aqui para garantir que você não sofra nem chore nunca mais.
Ao ouvir aquilo, Helena se afastou de Odila e se abraçou a Genaro, que a recebeu com carinho.
Débora e Clélia olhavam a tudo aquilo sem entenderem o que estava acontecendo.
Depois dos abraços, Odila falou:
— Estamos aqui para dizer que você pode ter sua filha de volta no momento em que quiser e que Olavo nunca mais vai fazer você sofrer.
Tudo de ruim na sua vida terminou.
— Não estou entendendo.
O que aconteceu, dona Odila?
— Olavo refez o exame e este provou que Narinha é filha dele e que você nunca o traiu.
Ao ouvir aquilo, Débora e a mãe se olharam e, sorrindo, abraçaram-se.
Helena parou de chorar e, olhando firme para Odila e Genaro, disse:
— Isso não é surpresa para mim.
Sempre soube que Narinha é filha de Olavo, pois nunca o traí.
De qualquer maneira, fico feliz por essa dúvida haver desaparecido.
— Nunca duvidamos disso, Helena.
Estamos aqui para dizer que, apesar disso, infelizmente, Olavo, envergonhado, disse que não tem coragem de pedir perdão por tudo o que fez você sofrer.
— Não me admiro disso, dona Odila.
Ele jamais reconhecerá o seu erro, mas isso não tem mais importância.
Estou feliz em saber que estou livre dessa calúnia que ele inventou.
Estou feliz, também, por poder ir buscar minha filha, sabendo que nada mais poderá nos separar.
Onde ela está?
— Está na sua casa com Eunice.
Está bem.
Não imagina o que está acontecendo.
— Obrigada por proteger Narinha, dona Odila.
Vamos agora mesmo buscar a minha filha.
— Buscar sua filha?
Não, Helena, viemos aqui para buscar você para que volte para sua casa e para sua filha!
Helena olhou para Débora e Clélia.
Sorrindo, disse:
— Desculpe-me, dona Odila, mas não quero voltar para aquela casa.
Durante muito tempo, meu sonho era ter uma casa como aquela, mas os anos em que vivi ali foram os mais infelizes da minha vida.
Não quero mais voltar a sofrer.
— Não vai sofrer mais, como eu disse.
Aquela é sua casa e, se for preciso, faço com que Olavo se mude para outro lugar.
— Obrigada, dona Odila, mas não quero.
Aprendi que, se quisermos ser felizes, não podemos entregar nossa felicidade nas mãos de outra pessoa.
Precisamos, nós mesmos, buscá-la e encontrá-la.
Quero e preciso ser outra pessoa, mudar as minhas prioridades e, hoje, minha prioridade é encontrar um trabalho e viver tranquila ao lado da minha filha.
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 14, 2017 8:04 pm

— Trabalhar? Sabe que não precisa disso, Helena!
Pode continuar vivendo como sempre viveu!
— Obrigada, dona Odila, mas, depois de tanto tempo, resolvi descobrir o quanto posso fazer por mim mesma e pela minha filha.
Sei que no começo vai ser difícil, por isso, se a senhora quiser pagar a escola de Narinha, que é muito boa, eu agradeço, mas, para mim, não quero mais nada que venha de Olavo.
— Tem certeza disso?
— Sim, toda a certeza do mundo.
Vou encontrar um trabalho, retomar meus estudos, que eu nunca devia ter abandonado, e recomeçar, mas de uma maneira diferente, sendo livre para escolher a minha vida.
Odila voltou a abraçar Helena e, com lágrimas nos olhos, disse:
— Está bem, minha filha.
Sei que não precisa fazer isso, mas, ao mesmo tempo, estou orgulhosa de você.
Vou fazer tudo o que puder para ajudar você a encontrar seu caminho e espero que seja feliz.
— Obrigada, dona Odila.
Sei que posso contar com a senhora.
Agora, pode me dar uma carona para que eu possa buscar Narinha?
— Claro que sim, minha filha! Vamos!
Antes de sair, Helena olhou para Débora e sua mãe e perguntou:
— Posso ficar aqui com minha filha até encontrar um trabalho e conseguir me mudar?
Clélia abriu os braços e respondeu:
— Claro que sim, minha filha!
Eu já havia dito que podia ficar e, agora, depois de sua decisão, só posso repetir a minha oferta.
Como fazia quando era criança, você e sua boneca sempre serão bem-vindas a minha casa.
— Obrigada, dona Clélia!
Estou indo buscar a minha boneca.
Abraçou Clélia e Débora e, olhando para Odila, disse:
— Agora, podemos ir, dona Odila.
Antes de sair, Odila, olhando para Clélia, emocionada, falou:
— Obrigada pelo que está fazendo por Helena e por minha neta, mas, se precisar de alguma coisa, basta me avisar.
— Fique tranquila, dona Odila.
Elas vão ficar bem e sou eu quem precisa agradecer a senhora por ser tão generosa.
Clélia abriu a porta e eles saíram.
Odila foi a primeira que saiu.
Helena saiu logo atrás.
Para surpresa delas, viram Olavo sentado dentro do carro.
Assim que as viu, ele saiu do carro.
Odila, confusa, perguntou:
— Olavo, você disse que não queria ver Helena.
O que está fazendo aqui?
— Pensei bem e cheguei à conclusão de que precisamos conversar, Helena.
Helena, assim que o viu, começou a tremer.
Respirou fundo e disse:
— Não temos o que conversar, Olavo.
Tudo está resolvido.
Estou indo buscar a minha filha.
— Nossa filha, Helena!
— Minha filha, Olavo!
Ela sempre foi só minha filha!
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 14, 2017 8:05 pm

— Agora sei que sou o pai dela.
— Precisou de um papel para que isso acontecesse.
Ela é minha e estou indo buscá-la.
Odila interferiu:
— Acho que vocês deviam conversar sozinhos.
— Tem razão, mamãe.
Helena, por favor, entre no carro.
Precisamos conversar.
Helena, percebendo que ele não ia embora sem falar com ela, disse:
— Está bem, embora eu ache que não é necessário, mas já que insiste, vamos conversar.
Começou a caminhar em direcção ao carro.
Clélia, assustada, falou:
— Não vá, Helena!
Sabe que ele é violento e perigoso!
Helena se voltou e, olhando para ela, disse:
— Não se preocupe, dona Clélia.
Tudo de mau que ele podia me fazer já fez.
Não tenho mais medo dele.
— Pode ir, minha filha.
Sei que Olavo não vai se atrever a machucar você.
Precisam conversar e, quem sabe, pelo bem de vocês e, principalmente, de Narinha, consigam se acertar e recomeçar.
Sem nada dizer, Helena acenou com a mão e entrou no carro.
Assim que ela entrou, Olavo imediatamente ligou o carro, acelerou e saiu.
Quando o carro saiu, os outros ficaram olhando até ele desaparecer na esquina.
Clélia e Débora estavam preocupadas.
— Meu Deus do céu, será que ele não vai machucar Helena?
— Fique tranquila, dona Clélia.
Olavo está arrependido de tudo o que fez.
Ele só pretende que ela perdoe a ele e que possam seguir, juntos.
Carlos, que até aí havia ficado calado, disse:
— Ele disse que não ia pedir perdão, titia.
Também estou preocupado.
— Vamos ter fé.
Diante de tudo o que aconteceu, não podemos nos desesperar nem ficar imaginando o que vai acontecer.
Espero, do fundo do meu coração, que eles se entendam para que possam continuar criando Narinha e, quem sabe, ter outros filhos.
— A senhora tem razão, dona Odila.
Só nos resta esperar.
— Sendo assim, vamos embora e rezar para que tudo dê certo.
Dizendo isso, dirigiram-se para o carro, onde Juarez estava em pé.
Ele abriu a porta para que todos entrassem.
Assim que o carro saiu, Débora e a mãe entraram em casa.
Débora estava preocupada:
— Para onde será que ele vai levar Helena, mamãe?
— Não sei. Apesar de tudo o que a mãe dele disse, temo a reacção de Olavo.
Ele não é confiável.
Também estou preocupada, mas Helena está diferente.
Acredito que ela, agora, sabe bem o que quer.
— Tomara que saiba, pois, no final, a vida é dela e só ela pode decidir o que quer e o preço que está disposta a pagar.
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 15, 2017 7:23 pm

Vamos terminar o jantar?
Débora sorriu e, juntas, foram para a cozinha.
No carro, Odila disse:
— Olavo disse algo que me deixou preocupada, Carlos.
Você, realmente, acha que é a reencarnação de Domingos?
— Não sei, titia.
Não conheço coisa alguma dessa doutrina que a senhora diz estar estudando, mas, depois de tudo o que ouvi a respeito da história de Giuseppe e Beatrice, encontro muitas coincidências.
Olavo agiu sempre da mesma maneira que Giuseppe.
Helena, assim como Beatrice, aguentou calada toda aquela violência.
Quanto a mim, assim como Domingos, sempre amei Helena.
— Está confirmando que a ama, mesmo?
— Quando a conheci, ela estava noiva de Olavo, por isso me calei.
Jamais poderia trair um amigo, quase irmão como ele.
— Parece que tudo o que está acontecendo me leva a acreditar ainda mais na doutrina que estou aprendendo.
Eunice, por tudo o que me contou, é a reencarnação de minha avó Justina.
Porém, agora, Helena pode se separar de Olavo e, assim, você ficaria livre para tentar ficar com ela.
Rindo, Carlos disse:
— Só se for na próxima encarnação, titia.
Não acredito que Helena vá querer se separar de Olavo, mas, mesmo que se separe, Olavo ainda continua sendo meu amigo e eu não poderia fazer isso.
Genaro, que ouviu o que disseram, disse:
— Para mim, toda essa conversa não nos leva a nada.
Se você foi ou não Domingos, nada vai adiantar.
Acho que quem fomos antes, se é que existe um antes, não deve interferir na nossa vida de hoje.
Precisamos viver da melhor maneira e, se houve algum erro anterior, acho que devemos tentar não repeti-lo.
Se, realmente, você foi Domingos, na outra encarnação traiu Giuseppe, portanto nada mais justo de que, nesta, não o traia novamente.
— Também penso assim, titio.
Mesmo que eu não tenha sido Domingos, nada poderá me levar a trair Olavo.
— Não penso assim.
Acho que Olavo, assim como Giuseppe, foram cruéis e mereceram tudo o que lhes aconteceu.
Portanto, Carlos, caso Helena não queira ficar com Olavo, no que dou total razão a ela, e se você quiser se aproximar, tem minha bênção.
Se vocês foram, realmente, Domingos e Beatrice, acho que, nesta encarnação, merecem ser felizes.
— Percebeu o que está falando, Odila?
Olavo é nosso filho.
Como pode abençoar uma traição dessa contra ele?
— Claro que ele é nosso filho, Genaro, mas nem por isso podemos estar de acordo com suas atitudes.
Se ele foi Giuseppe, foi mau na encarnação anterior e continuou mau nesta.
Pela minha doutrina, sempre que renascemos, fazemo-lo com a intenção de reparar nossos erros, não voltar a praticá-los.
Olavo não se redimiu, teve a chance de voltar e fazê-lo, mas não o fez.
Continuou cruel como antes.
Por isso, Carlos, reafirmo que, se tudo der certo entre você e Helena, dou a minha bênção.
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 15, 2017 7:23 pm

Carlos, rindo, balançou a cabeça dizendo que não.
Olavo dirigiu, em silêncio, o carro. Quando chegou a um semáforo, virou para o lado contrário ao de sua casa. Helena ficou preocupada:
— Para onde está me levando, Olavo?
— Precisamos conversar, Helena.
— Sei disso, mas quero ir para casa e pegar minha filha.
— Não se preocupe com Narinha.
Ela está bem. Eunice está cuidando dela.
Para que possamos conversar, precisamos ficar em um lugar tranquilo, sem que ninguém nos interrompa.
— Acredito que não temos o que conversar.
Só quero seguir minha vida ao lado da minha filha e tentar esquecer, embora ache que nunca vou conseguir, todo o sofrimento que passei a seu lado.
Olavo parou o carro em frente a um restaurante:
— Vamos descer e, enquanto comemos ou bebemos alguma coisa, poderemos conversar.
— Não estou com fome e você sabe que não bebo.
— Eu estou com fome.
Além do mais, um copo de vinho não faz mal a ninguém.
Por favor, Helena, vamos conversar.
— Está bem, mas espero que seja breve.
Entraram no restaurante, sentaram-se em uma mesa apontada por uma moça.
Assim que se sentaram, Olavo pediu uma refeição e Helena, apenas água.
Enquanto esperavam a comida, Olavo disse:
— No fim de semana, estive em Porto Alegre, na casa dos meus pais.
Ela, demonstrando um desinteresse que, na realidade, não sentia, disse:
— Pensei que estivesse em outro lugar.
— Realmente era para eu estar, mas fiquei curioso em saber a história da minha família e fui perguntar a minha mãe.
— Ela contou o que queria saber?
— Contou e, depois de conhecer a história dos meus avós, resolvi conversar com você para que recomeçássemos a nossa vida.
— Recomeçar? Por quê?
— Você pode não acreditar, mas me identifiquei com meu avô.
— Por quê? Ele fazia com sua avó o mesmo que tem feito comigo?
— Exactamente. Minha mãe tem toda a história escrita em dois cadernos.
Minha avó escreveu em italiano, mas vou mandar traduzir para que você possa ler.
— Não estou entendendo essa sua conversa, Olavo.
O que quer de mim?
— Você acredita em reencarnação?
— O quê?
Reencarnação.
— Eunice me falou qualquer coisa a respeito, mas não tinha condições de dar atenção a isso.
Hoje, dona Clélia também me falou da doutrina espírita, mas não disse muito.
Disse que vai me dar alguns livros para que eu possa ler e estudar, mas confesso que não fiquei interessada.
Não estou com cabeça para ler, muito menos para estudar.
Por que está me fazendo essa pergunta?
— Enquanto mamãe lia a história, senti-me o próprio Giuseppe e você era Beatrice.
Se a reencarnação, realmente existir, acho que fomos eles.
Helena começou a rir:
— Que loucura é essa, Olavo?
Eu, sua avó, e você, seu avô?
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 15, 2017 7:24 pm

— A princípio, quando comecei a perceber a semelhança, também pensei que fosse loucura, mas, depois, pensando bem, acho que até pode ser verdade.
Foi por isso que voltei com a intenção de mudar a nossa vida, mas, quando cheguei, você não estava em casa.
— Eu me cansei de tudo e de você, Olavo.
Não vejo como poderemos recomeçar.
Ainda mais agora, depois que descobri que você sempre julgou que eu o havia traído.
Como pôde pensar algo assim de mim?
— Reconheço que agi mal.
Mas você queria, depois do resultado do exame, que eu pensasse o quê?
— Penso que, se realmente gostasse de mim, teria me contado a respeito do exame.
Se tivesse feito isso, muita dor teria sido evitada.
— É verdade, mas vamos voltar à reencarnação.
Por causa da história, descobrimos que Eunice é filha da Dorinha, a filha de Domingos e Conceição.
— Eunice? A cada palavra que você diz, me parece mais loucura, Olavo!
— Por isso é que precisamos estudar e ver como acontece a reencarnação.
— Como acontece?
Você está mesmo acreditando nisso?
— Estou, Helena.
Vamos esquecer tudo o que passou.
Vamos recomeçar e prometo que você nunca mais vai ter motivo para se queixar de mim.
Vou fazer de você uma mulher muito feliz.
— Não acredito em você, Olavo.
Só não está aceitando que eu o tenha abandonado, mas abandonei e não tem volta.
Não quero mais ter a vida que você me deu.
Preciso provar a mim mesma que posso viver e sobreviver sem você.
Quero um emprego para que eu possa me sustentar.
Quero estudar e conseguir tudo o que desejo, inclusive a minha felicidade, por mim mesma, sem depender de alguém.
— Você pode fazer isso, Helena.
Pode trabalhar na empresa para poder ter tempo de estudar.
Faço o que você quiser para que volte para casa.
Vamos, juntos, estudar essa doutrina que minha mãe, Eunice e dona Clélia já estudam.
Vamos entender o que aconteceu connosco.
Preciso que você me dê outra chance.
— Desculpe-me, Olavo, mas não acredito em você.
Vou pegar minha filha e continuar morando com dona Clélia.
Quero recomeçar a minha vida.
Só quero que você permita que Juarez continue levando Narinha à escola.
Vamos fazer de conta que estamos namorando.
Vou ler os livros que dona Clélia vai me emprestar.
Se quiser, podemos até frequentar algum lugar que não sei onde é, acho que um centro espírita, e vamos estudar.
Com o passar do tempo, se você me provar que está dizendo a verdade, poderemos até tentar, mas, hoje, não.
Olavo, percebendo que ela não ia mudar de ideia, disse:
— Está bem, se você quer que seja assim, estou de acordo e garanto que não precisa morar com dona Clélia.
Hoje mesmo, vou sair de casa.
Ela é sua e deve ficar lá até o dia em que eu possa voltar.
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 15, 2017 7:24 pm

— Desculpe-me, Olavo, mas não quero.
Sofri muito naquela casa e, com isso, aprendi que não importa em que casa moramos, se é grande ou pequena, se é pobre ou rica, o que importa é como nos sentimos nela.
Posso garantir a você que me sinto muito bem na casa de dona Clélia.
— Está bem.
Vamos fazer como você quiser.
Sei que não tenho o direito de exigir qualquer coisa de você, mas vou provar que estou sendo sincero.
— Espero que sim, mas não acredito.
A comida chegou e Olavo começou a comer.
Helena ficou ao seu lado, pensando em tudo o que ele havia dito.
Quando Olavo terminou de comer, foram até a casa.
Assim que chegaram, foram recebidos por Odila, Genaro e Eunice.
Odila, feliz, se aproximou e perguntou:
— Voltou para casa, Helena?
— Não, dona Odila.
Olhou para Eunice, piscou um olho e continuou:
— Vim buscar a minha boneca.
Vou para a casa de Débora e de sua mãe.
Falando nisso, obrigada, Eunice, por ter cuidado de mim durante todo esse tempo.
Odila sorriu:
— Ela sempre cuidou de você, Helena.
É uma amiga de muito tempo.
— Preciso agradecer à senhora, dona Odila, por ter me dado apoio, quando tudo estava contra mim.
Odila olhou para Olavo e disse:
— Não fiz nada além da minha obrigação.
Precisamos tomar cuidado com nosso julgamento.
Ele pode condenar um inocente.
Olavo abaixou a cabeça.
Genaro não conseguiu dizer coisa alguma, apenas abraçou Helena.
Depois das despedidas, Helena pegou Narinha e Olavo as levou para a casa de Clélia.
Tanto ela como Débora estavam ansiosas e curiosas para saber o que ela havia decidido.
Sorrindo, Helena entrou.
Vendo que elas estavam ansiosas, disse:
— Eu e minha boneca voltamos para a segurança da sua casa, dona Clélia.
Podemos ficar?
Clélia abriu os braços e, sorrindo, abraçou Helena:
— Claro que sim, minha filha!
Débora, chorando de emoção, também se abraçou a elas duas.
Helena, muito emocionada, disse:
— Obrigada, Débora, por ter ido me visitar, pois foi naquele dia que eu comecei a mudar e a ter coragem para abandonar tudo.
Débora, muito emocionada, não conseguiu falar.
Apenas abraçou a amiga com muita força.
Clélia, sorrindo, disse:
— Não fique admirada, Helena, pois, se soubesse o que hoje sei, não se admiraria.
Débora foi encaminhada por seus amigos espirituais.
— Olavo falou a respeito dessa doutrina que a senhora, Eunice e dona Odila estão seguindo.
Preciso saber mais a respeito dela.
— Chegou sua hora, Helena.
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 15, 2017 7:24 pm

Aqui você tem tudo o que precisa para entender.
Pode, também, se quiser me acompanhar até a casa espírita que frequento.
Garanto que vai se sentir muito bem.
— Vou ler e ir com a senhora a essa casa.
Sinto que estou no caminho certo.
Quero recomeçar minha vida sem olhar para trás.
Clélia olhou para Débora e sorriram.
Clélia disse:
— É assim que se fala, minha menina!
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 15, 2017 7:24 pm

Epílogo
Tomas e Maria Tereza, que ficaram o tempo todo ao lado deles, sorriram.
Tomas perguntou:
— O que vai acontecer agora, Maria Tereza?
— Não sabemos, Tomas.
Sabe que tudo vai depender do livre-arbítrio de cada um e nele não podemos interferir.
Helena, depois de várias encarnações, conseguiu reagir e se libertar.
Olavo está tendo a chance de resgatar seus actos de violência e ser um homem bom.
Se ele conseguir, Helena voltará para ele e poderão seguir, juntos, o resto da jornada.
Débora vai continuar seu trabalho, mas, agora, livre da lembrança de Paulo.
Vai encontrar Leonardo, que está ansioso procurando por ela.
— Com Domingos, o que vai acontecer?
Ele, novamente perdeu Beatrice...
— Outra vez, ele vai ter de ficar longe dela.
Apesar de tudo, está se redimindo por ter traído Giuseppe, mas foi ele, antes de renascer, quem escolheu que fosse assim.
Vai se casar com Celina, ou melhor, com Conceição, que ainda está esperando pelo seu amor.
Rafael encontrou Angélica.
Mesmo ainda não sabendo, ela é o amor de muitas encarnações.
Hortência, há muitas encarnações, tem agido da mesma maneira.
Sempre quis depender de um homem para ter as coisas que queria e sempre foi feliz com isso.
Ela tem a chance de se modificar e de encontrar um caminho saudável, mas somente ela pode decidir isso.
Só falta sabermos qual vai ser a decisão de Eunice em relação a sua vida e isso vai acontecer agora.
Maria Rita e Maria Cecília nasceram filhas de Eunice para terem uma segunda chance.
Assim que Olavo e Helena saíram, Odila perguntou:
— Eunice, quer me contar o que aconteceu com você e com sua mãe?
— Posso contar.
Eunice contou tudo o que havia acontecido em sua vida e terminou, dizendo:
— Foi isso o que aconteceu.
Enquanto Eunice falava, Odila pensou:
Será que as duas filhas dela são Maria Cecília e Maria Rita?
Bem que pode ser.
Na outra encarnação, elas tiveram tudo e, mesmo perdendo a boa vida, não mudaram a maneira de ser.
Assim que Eunice terminou de falar, ela disse:
— Não conversei com Olavo sobre o que ele e Helena decidiram, mas eu e Genaro resolvemos que, enquanto Helena não voltar para cá, vamos nos mudar e só sairemos o dia em que ela voltar.
Se quiser, vocês podem vir morar aqui para vivermos como uma família.
Quando Helena voltar, se voltar, você poderá escolher se quer continuar aqui.
Se não quiser, vamos comprar uma casa para você e sua mãe aqui perto.
Eunice não entendeu bem o que ela havia dito e perguntou:
— A senhora quer que eu venha morar aqui?
— Foi o que eu disse.
— A senhora não precisa fazer isso.
Eu e minha mãe, embora não tenhamos uma vida rica, vivemos bem, dentro das nossas possibilidades.
— Sei disso, mas antes que recuse, quero dizer algo.
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 15, 2017 7:24 pm

Domingos, meu pai, foi um dos fundadores da empresa.
Chego até a dizer que, se não fosse por ele, ela nem teria existido.
Quando sua mãe se casou e foi para Portugal, perdemos contacto com ela e com minha irmã, Dorinha.
Portanto, o que estamos fazendo é devolvendo aquilo a que vocês têm direito, pois sua mãe é herdeira dele.
Portanto, não estamos fazendo favor algum.
Eunice ficou parada, olhando sem saber o que dizer.
Depois de algum tempo, começou a rir:
— Do que está rindo, Eunice?
— Desculpe, dona Odila, é que, desde que fugi da minha casa com as minhas filhas, sempre fiquei com medo de que meu marido me achasse e, por ter muito dinheiro, pudesse me tirar as meninas.
De repente, sem que eu espere, a senhora faz uma revelação como essa!
Agora, ele pode vir quando quiser, pelas minhas filhas.
Odila e Genaro também riram.
Odila disse:
— Helena disse que você segue a doutrina, portanto, não sei o porquê de tanta surpresa!
Devia saber que nunca estamos sós e que, a qualquer momento, a ajuda que merecemos pode chegar.
Na minha opinião, você foi muito boa como dona Justina e continuou sendo como Eunice.
Só podia ter essa recompensa.
Agora, vamos até sua casa, eu quero rever minha irmã e dar essa notícia a ela!
— Ela vai ficar muito feliz!
Embora não se lembrasse da senhora, sabia da sua existência, pois sua mãe sempre falava a respeito da família.
A surpresa dela vai ser maior do que a minha.
— Vamos até lá.
Saíram.
Odila olhou para a casa onde Juarez morava com a esposa, fez um sinal com a mão e, assim que ele se aproximou, ela disse:
— Vamos até a casa de Eunice, Juarez.
Você sabe onde é, não sabe?
Intrigado, Juarez respondeu:
— Sei, dona Odila.
Ao mesmo tempo em que falava, abriu a porta para que eles entrassem.
Assim que o carro saiu, Tomas perguntou:
— E agora, Maria Tereza, o que vai acontecer?
— Agora, as coisas estão em seus lugares.
Depende do livre-arbítrio de cada um como vai continuar.
Nosso trabalho terminou.
Agora, podemos voltar para casa e, se precisarem, voltaremos.

FIM
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Ave sem Ninho

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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 15, 2017 7:25 pm

Leia, a seguir, o 1º capítulo do livro Apenas começando

Suzana abriu os olhos, estendeu o braço para o lado da cama em que Anselmo dormia.
Ele não estava ali.
Sorriu e pensou:
Ele, como sempre acontece quando está bravo, saiu sem se despedir.
Voltou-se e olhou para o relógio:
Estou atrasada, preciso me preparar e ir para o trabalho.
Hoje é o grande dia!
Levantou-se e enquanto se vestia, analisava:
Não entendo por que Anselmo fica tão nervoso com o meu trabalho.
Ele não entende que tenho uma carreira e que preciso zelar por ela...
Em poucos minutos estava pronta para sair.
Antes, passou pelo quarto de Rodrigo que dormia tranquilo.
Sorriu e foi para a cozinha. Edite estava junto ao fogão.
— Bom-dia, Edite.
— Bom-dia, dona Suzana.
Enquanto tomava uma xícara de café, Suzana perguntou:
— Quando Anselmo saiu, você já estava acordada?
— Sim, ele tomou um café e saiu, rapidamente.
Não estava com a cara boa, não.
Suzana sorriu:
— Sei disso, mas não se preocupe.
Hoje à noite, quando eu voltar com uma óptima notícia, o mau humor dele vai passar.
— Tomara, dona Suzana.
Não gosto quando vocês brigam e Rodrigo também não.
Ele fica irritado.
— Ele não viu nossa briga. Já estava dormindo.
— Ainda bem, acho que ele não precisa assistir a isso.
O menino sente quando alguma coisa não está bem.
— Talvez você tenha razão, vou prestar atenção, mas tudo isso vai passar.
Agora, preciso ir.
— A senhora só vai tomar essa xícara de café, não vai comer?
— Não, Edite, preciso ir.
— A senhora precisa se alimentar...
Suzana sorriu, pegou a bolsa e saiu.
Chamou o elevador, que, para ela, demorou a chegar.
Na garagem, entrou em seu carro, o modelo do ano, ligou o motor, acelerou e saiu.
Durante o caminho, pensava:
Não entendo por que Anselmo fica tão nervoso e briga comigo quase todos os dias.
Ele sabe que estou trabalhando e que meu trabalho toma quase todo meu tempo.
Por mais que eu fique no escritório, nunca termino minhas tarefas. Eu adoro meu trabalho...
Enquanto dirigia, com o trânsito quase parado, reflectia:
Ontem à noite, quando cheguei, ele estava assistindo a um filme na televisão.
Assim que entrei, me aproximei-me, dei-lhe um beijo e falei:
— Boa-noite, Anselmo.
Ele olhou para mim, ficou calado e voltou os olhos para o filme a que estava assistindo.
Aquilo me deixou nervosa.
— Estou dando boa-noite, Anselmo!
— Você sabe que não gosto de conversar, quando estou vendo um filme.
— Sei que não quer conversar agora.
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Ave sem Ninho

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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 15, 2017 7:25 pm

Vou ver se tem alguma coisa para comer.
Para minha surpresa, ele desligou o aparelho de televisão, levantou-se e disse:
Precisamos conversar, Suzana!
Estava esperando você chegar.
— Agora não, Anselmo.
Estou morta de cansada.
O dia não foi fácil.
Vou tomar um banho, comer alguma coisa e me deitar.
Preciso dormir...
Ele, não conseguindo esconder o nervosismo, disse:
— É justamente sobre isso que precisamos conversar.
— Já sei o que vai dizer.
Por isso, prefiro não conversar agora.
Vamos deixar para outra hora.
— Você sempre diz isso!
Sempre quer conversar em outra hora!
Porém, essa hora nunca chega!
— Por favor, Anselmo...
Ele, olhando firme em meus olhos, quase gritou:
— Não posso mais esperar!
Nosso casamento não existe mais!
— Não entendo o que está dizendo.
Somos casados há seis anos.
Como pode dizer que este casamento não existe?
— Não existe, Suzana!
Quase não nos vemos!
Você só se preocupa com o seu trabalho!
Furiosa, eu gritei:
Preciso me preocupar!
Do meu trabalho depende tudo o que temos, a vida que levamos!
Por causa dele, vivemos em um apartamento como este e temos o melhor carro do ano!
Por causa dele, não precisamos nos preocupar com as contas para pagar nem com a comida que vamos comprar!
Por causa dele, Rodrigo pode frequentar uma das melhores escolas!
Como você quer que eu não me preocupe com o meu trabalho?
— Sei que tudo isso é importante para você, mas, para mim, o mais importante é ter uma família!
É chegar do trabalho, poder jantar e conversar com minha mulher, mas ela nunca está.
Nem parece que você é minha mulher!
É uma estranha, uma companheira de quarto!
Estou farto de tudo isso e vou embora!
Até agora, não me conformo com a atitude dele.
Nervosa, continuei gritando:
— O que você quer?
Quer que eu pare de trabalhar?
— Não, Suzana!
Quero que encontre um trabalho em que não precise ficar até tão tarde!
Que possa começar a trabalhar às oito horas e sair às seis da tarde, como quase todo mundo faz!
Quero ter a sua presença!
Quero ter uma mulher em casa para poder conversar e até namorar!
Isso não acontece há muito tempo, você está sempre cansada!
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Re: Não olhe para trás / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 15, 2017 7:25 pm

— Você não sabe o que está falando, Anselmo!
Se eu trabalhar da maneira como você fala, meu salário vai cair muito e não foi para isso que passei a minha vida toda estudando, me preparando para o futuro!
— Meu salário não é tão baixo, Suzana!
Não precisamos morar em um apartamento luxuoso como este, podemos morar em um menor, porém, poderemos viver como uma família de verdade!
Não suportei e comecei a rir:
— O que está dizendo?
Com o seu salário, voltaremos a morar em apartamento de dois quartos, igual ao que moramos quando nos casamos!
— Por que não, Suzana?
Naquele tempo, tínhamos uma vida mais simples, porém feliz.
Conversávamos muito, fazíamos planos.
— Está certo, fazíamos planos!
Queríamos ter filhos, melhorar de vida, morar em um lugar melhor, ter um bom carro!
Conseguimos tudo com o que sonhamos!
Não entendo por que está reclamando!
Esperei trinta e cinco anos para ter meu primeiro filho!
Fiz isso, porque queria que ele tivesse de tudo!
Isso, ele tem!
— Realmente, ele tem de tudo, só não tem uma mãe!
— O que está dizendo?
— Isso que ouviu!
Sou eu quem o leva para a escola e quem o pega à tarde.
Quando você chega, ele já está dormindo.
Ele pensa que a professora ou a empregada é sua mãe!
Ele não conhece você como mãe, Suzana!
Você é aquela que, nos fins de semana, leva-o para passear e dá a ele tudo o que ele quer, muito mais do que ele realmente precisa!
Ao ouvir aquilo, não suportei, saí da sala e fui para meu quarto.
Não me conformo com o que ele pensa de mim!
Não disse, mas se quiser ir embora que vá!
Não preciso dele nem de ninguém!
Tenho meu trabalho e hoje vai ser o grande dia!
Nossa empresa foi comprada por uma multinacional.
Daqui a pouco, haverá uma
reunião e, provavelmente,
vou me tornar presidente da empresa
aqui no Brasil e vou crescer ainda mais.
Meus sonhos ainda não terminaram.
Chegou diante do portão da empresa.
O guarda que estava na guarita sorriu e abriu o portão, por onde ela, acelerando o carro, entrou.
Estacionou o carro na vaga que lhe pertencia.
Olhou o relógio em seu pulso, sorriu e desceu.
Foi em direcção à portaria:
Ainda bem que cheguei a tempo.
Da maneira como estava o trânsito, temi não chegar na hora.
Tenho, ainda, alguns minutos para me preparar.
Meu futuro depende dessa reunião.
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