Apenas Começando / Elisa Masselli

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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Out 17, 2017 8:24 pm

— Ainda não viu por dentro!
Vamos entrar?
— Vamos! — respondi, alucinada.
— Entramos pela porta da sala e eu fiquei mais impressionada ainda, Júlia, pois a sala era imensa, bem maior do que aquela que eu morava com minha família.
A casa tinha só dois quartos, mas eram amplos.
Ele me pegou pela mão e me levou para que eu visse o quarto que seria o nosso.
Entusiasmada e curiosa, segui-o.
Ele abriu uma porta e pude ver um quarto, enorme!
Senti que meus olhos brilharam de felicidade.
Fomos ver a cozinha o banheiro e o quintal.
Entramos novamente na casa.
Ele me abraçando, perguntou:
— Que tal, gostou?
— Eu estava tão emocionada que não conseguia responder.
Lágrimas correram pelo meu rosto.
Ele me abraçou e beijou com carinho:
— Não precisa chorar.
Esta casa é nossa e vamos ser muito felizes aqui.
— Saímos do quarto e ele abriu outra porta.
Outro quarto surgiu.
Um pouco menor que o anterior, mas ainda assim grande.
Com os braços sobre o meu ombro, ele rindo disse:
— Você vai escolher os móveis para toda a casa, menos para este.
— Por quê?
— Porque este vai ser o quarto do nosso filho.
Como não sabemos se vai ser menino ou menina, precisamos esperar a criança nascer.
Júlia não se conteve:
— Nossa, Sueli, que bonito!
— Nossa mesmo, Júlia!
Eu não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo.
Ele me deixou alucinada de tanta felicidade, mas me deixe continuar, pois, se demorar mais um pouco não vou ter condições de terminar.
Essas lembranças me fazem muito mal.
— Tem razão, Sueli.
Você deve ter sofrido muito, mas como descobriu que ele era casado?
— Voltamos para a sala.
Embora a casa toda estivesse vazia, na sala havia um sofá usado.
Ele olhou para o sofá, depois para mim e disse:
— O antigo dono deixou esse sofá, mas disse que vem buscar logo mais.
— Não tem importância, Nilson.
Estou tão feliz que seria capaz de ficar com ele aqui.
— Ele sorriu e me abraçando novamente, fez com que me sentasse.
Começou a me beijar e abraçar com o mesmo carinho que eu já estava acostumada.
As carícias foram ficando mais fortes e em poucos minutos me entreguei a ele com muita felicidade.
Embora tenha sido a minha primeira vez, eu me senti muito bem, pois o amava e tinha a certeza de que íamos nos casar.
Júlia, que estava com a xícara na mão, tomou o chá de uma só vez.
Não se conteve e disse:
— Ele era um actor, Sueli!
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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Out 17, 2017 8:25 pm

— Era, sim, Júlia, e, felizmente, para ele, conseguiu o que queria.
— O que aconteceu depois, Sueli?
Ele desapareceu?
— Não, Júlia.
Depois daquele dia, começamos a nos encontrar na casa e fomos comprar os móveis.
Escolhi todos que queria e em pouco tempo a casa estava linda, com os móveis, e até cortinas.
Compramos roupas de cama, de mesa e toalhas.
Eu era a mulher mais feliz deste mundo.
Tinha uma casa linda que seria só minha e um homem que eu amava por quem era amada também.
Júlia suspirou fundo:
— Você viveu momentos incríveis e felizes, não viveu, Sueli?
— Sim, vivi, mas, no final não compensou, pois os momentos de tristeza, também foram incríveis e não desejo a ninguém nem ao meu pior inimigo, o que passei.
— O que aconteceu, depois?
— Em uma tarde, eu estava na casa, quando ele chegou.
Como sempre, nós nos abraçamos, nos beijamos e acabamos no quarto e nos entregamos ao amor.
Quando terminamos, perguntei:
— Quando vamos nos casar, Nilson?
— Naquele dia não percebi, Júlia, mas depois, ao lembrar-me de tudo, lembrei-me também de que ele empalideceu e que levou algum tempo para responder:
— Por enquanto não é possível...
— Por que não?
Amo você, mas tenho alguns problemas para resolver.
Outro dia, voltaremos a falar sobre isso.
— Como sempre, acreditei no que ele disse e não toquei mais no assunto.
Mais algum tempo se passou.
Continuamos a nos encontrar duas ou três vezes por semana.
Eu estava esperando que ele dissesse que queria conhecer a minha família para podermos marcar o casamento, mas isso não acontecia.
Sempre que eu tocava no assunto, ele desconversava.
Aquilo começou a me incomodar.
Por isso, algum tempo depois, insisti:
— Não podemos continuar assim, Nilson.
A casa está pronta, já podemos marcar o casamento.
Não aguento mais ficar sem contar a minha família como estou feliz.
Vou marcar para o próximo domingo, você vai até lá em casa e conversa com todos.
Tenho certeza de que apesar do susto, da surpresa, eles ficarão contentes em saber que já temos até uma casa.
— Ele ficou me olhando, calado, Júlia.
Depois de algum tempo, vi que seus olhos ficaram vermelhos, cheios de água e uma lágrima escorreu pelo seu rosto.
Assustada, perguntei:
— O que está acontecendo, Nilson?
Por que está chorando?
— Ele me abraçou e deixou que os soluços se soltassem da sua garganta.
Voltei a perguntar:
— O que está acontecendo, Nilson?
— Ele não respondeu e continuou chorando.
Afastei-me de seus braços, segurei suas mãos e, olhando firme em seus olhos, perguntei:
— Vai me contar o motivo desse choro?
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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Out 17, 2017 8:25 pm

— Ele sentou-se no sofá, abaixou a cabeça sobre o colo e, sem me olhar, disse:
— Sei que nunca vai me perdoar, Sueli, mas tudo o que fiz foi porque a amo muito e não queria perder você...
— Me perder, porquê?
Levante a cabeça, Nilson!
Olhe para mim!
— Eu não quis enganar você, mas, assim que a vi, senti que era a mulher da minha vida, aquela que estive procurando por tanto tempo.
Não queria perder você!
— Pare de repetir isso, Nilson e conte o que está acontecendo!
— Com a voz trémula e entre soluços, falou:
— Não posso ir até a sua casa para falar com seus pais, porque não posso me casar com você.
— Não pode, por quê?
— Já sou casado...
— Ao ouvir aquilo, larguei sua mão, me afastei e gritei:
— Casado? Como pôde fazer isso comigo?
Como pôde me enganar dessa maneira?
— Eu fiquei com medo de contar e você me abandonar!
Se isso acontecesse, não sei o que seria da minha vida!
— Sua vida?
O que vai acontecer da minha, Nilson?
O que você fez comigo?
— Perdão, Sueli, mas não posso perder você, me perdoa, por favor.
— Perdoar? Como posso perdoar depois de ter sido enganada dessa maneira?
— Você tem razão de estar tão nervosa e eu mereço tudo que falar e pensar a meu respeito, mas, por favor, escute o motivo de eu ter escondido de você a minha condição.
— Sua condição? Não há condição!
Você é casado e ponto final!
— Não sou casado, estou casado, mas isso vai ser por pouco tempo.
— Eu estava nervosa e comecei a sair da casa, Júlia.
Ele me segurou pelo braço:
— Não vá embora, Sueli!
Deixe-me contar o motivo de eu ter ficado calado.
Você precisa saber toda a verdade...
— Ele me segurou firme e fez com que eu me sentasse, Júlia.
Continuou falando:
— Sou casado há cinco anos.
Tenho um menino com quatro anos.
Tudo corria bem, até um ano atrás.
Minha mulher sentiu muita dor no estômago, fomos ao médico e foi constatado que ela tinha câncer em um estado avançado.
O médico me chamou, disse que ela teria no máximo um ano de vida.
Perguntou se eu queria que contasse para ela.
Eu disse que não, pois ela sofreria muito com essa notícia.
Resolvi ficar ao seu lado, dando todo conforto possível.
Foi o que fiz e estou fazendo.
Não tenho como abandoná-la.
Foi nesse meio tempo que conheci você.
Eu logo percebi que você poderia ser minha mulher e, mãe do meu filho.
Ele é lindo e, assim que conhecê-lo, vai se apaixonar por ele.
Ela está muito mal.
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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Out 17, 2017 8:25 pm

O médico disse que não há mais o que fazer que sua morte acontecerá a qualquer momento.
Pode ser em um dia, uma semana, mas que não passa de seis meses.
Não posso abandoná-la, Sueli.
Eu amo você e quero que seja minha mulher, mas também amo e respeito a mãe do meu filho, a mulher com quem passei momentos maravilhosos.
Tenha paciência, espere mais um pouco.
Logo poderemos nos casar e começarmos uma vida de felicidade e sem mentiras...
Júlia estava boquiaberta:
— Depois de tudo isso que ele contou, você teve coragem de abandoná-lo, Sueli?
— Não, Júlia.
Ele me pareceu tão sincero que não tive como me afastar.
Estava tão apaixonada que não podia imaginar a minha vida sem ele.
Sueli percebeu que Júlia ia começar a chorar novamente, falou rápido:
— Ele abriu os braços e eu, chorando, me aconcheguei.
Depois de me abraçar e beijar, várias vezes, ele disse:
— Não vai se arrepender de ter me perdoado, Sueli.
Vou fazer de você, a mulher mais feliz deste mundo!
— O que deu errado, Sueli?
Por que vocês não estão juntos?
— Porque aprendi que, quando estamos no caminho errado, a vida se encarrega de nos trazer de volta.
— Não estou entendendo...
— Daquele dia em diante tudo voltou a ser como antes.
Alguns dias, durante a semana, nós nos encontrávamos naquela casa.
Ele pediu que eu não fosse mais à escola, pois, por causa da doença da mulher não sabia quando poderia vir me ver.
Eu, apaixonada e burra, aceitei tudo o que ele dizia.
Deixei de frequentar a escola e ficava todas as tardes, na casa, esperando que ele aparecesse a qualquer momento.
Isso levou meses.
Sempre que nos encontrávamos ele me falava da mulher do quanto ela estava sofrendo e de como ele sofria por vê-la daquela maneira, que ela não merecia tanto sofrimento.
— Coitado...
— Também achava isso e muitas vezes pedi a Deus que a levasse logo, não só para ela parar de sofrer, mas para que eu pudesse me casar com ele e completar a minha felicidade.
— Você pensou isso, Sueli?
Que horror!
Sueli começou a rir.
— Tem razão foi um horror mesmo e me arrependo muito, só não estou entendendo.
Por que você está fazendo essa cara de acusação, Júlia?
— Desejar a morte de alguém é horrível, Sueli.
Sueli continuou rindo.
— Do que está rindo?
— Da falsidade das pessoas.
— Não entendo o que está dizendo.
— É muito simples, Júlia.
Pode jurar que nunca desejou que a mulher de Anselmo morresse para poder ficar com ele para sempre?
Júlia olhou para Sueli como se não estivesse entendendo:
— O que está falando, Sueli?
— Vou repetir a pergunta:
nunca desejou a morte da esposa de Anselmo para poder ficar com ele para sempre?
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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Out 17, 2017 8:25 pm

Seja honesta não comigo, mas com você mesma.
Não se preocupe em ter desejado, pois isso acontece com todas as amantes.
A única esperança de ficarem com o homem que amam é que a sua mulher morra e posso garantir que todas, sem excepção, já pensaram isso, mesmo que seja só uma vez e por um só minuto.
— Você está sendo muito dura, Sueli!
— Será, Júlia?
Será que só não estou sendo honesta?
Pode mesmo jurar que nunca teve esse pensamento?
Júlia ficou calada, apenas pensando.
Sueli voltou a rir:
— Está vendo como não pode responder de imediato, Júlia?
Porque você teve, sim, esse pensamento, nem que tenha sido apenas uma única vez.
— Não sei o que dizer...
— Não se preocupe com isso.
Não foi a primeira nem será a última.
— Está certa, Sueli, mas ainda não entendi, o porquê de não estar com ele até hoje...
— Como eu disse, a vida se encarrega de nos mostrar o que precisamos ver e de nos trazer de volta ao rumo certo.
Eu fiquei a cada dia, mais dependente dele e vivia em função de tudo o que me dizia e pedia.
Nos fins de semana, eu sabia que ele não viria me ver.
No Natal, ano novo e todos os feriados prolongados acontecia a mesma coisa, eu passava sozinha pensando nele, em como deveria estar sofrendo por estar longe de mim.
Em um sábado, antes de sair do restaurante, Débora, minha amiga, me convidou para ir almoçar na sua casa, pois era o aniversário de sua mãe e seria um almoço especial.
Por não ter o que fazer e saber que Nilson não viria, aceitei.
Ela me deu o endereço e, no domingo, bem cedo, saí de casa e fui me encontrar com Débora.
Ela era casada e morava perto da minha casa, com sua família em um bairro próximo.
Seu marido trabalhava como motorista em uma empresa de ônibus, por isso, naquele dia estaria trabalhando e não poderia ir almoçar.
Encontrei-me com ela e, juntas, tomamos um ônibus.
Enquanto o ônibus andava, fomos conversando.
Eu falei mais, contando de Nilson e da doença da sua mulher.
O ônibus parou em uma praça. Descemos.
O dia estava ensolarado, por isso, muitos pais passeavam e brincavam com seus filhos.
Assim que desci do ônibus, vi a uns quarenta metros, Nilson com uma bola nas mãos, parecia que ele ia jogá-la para alguém.
Olhei com atenção e vi que, diante dele havia um menininho que sorria, esperando a bola.
Nilson jogou a bola e o menino correu para pegá-la.
Sorri e fiquei feliz por vê-lo brincando com o filho.
Aquela era uma oportunidade de eu conhecer o menino.
Caminhei em sua direcção.
Quando estava me aproximando e, antes que Nilson me visse, o menino correu para o outro lado.
Acompanhei-o com os olhos e, estarrecida, parei.
Ele foi ao encontro de uma moça que, com os braços abertos, esperava que ele se aproximasse.
Nilson também foi até ela.
Assim que chegou, deu-lhe um beijo no rosto e os três saíram andando em minha direcção.
Eu estava petrificada, paralisada, não só por ele estar com a mulher e o filho, mas, muito mais, por ela estar grávida.
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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Out 18, 2017 7:35 pm

Assim que ele me viu, notei que empalideceu, mas fingiu não me ver.
Passou por mim, sem me olhar e se encaminhou para um restaurante que havia ali.
Eu não sabia o que fazer.
Fiquei lá, parada, até que Débora se aproximou:
— O que foi aquilo, Débora?
O que o Nilson estava fazendo com aquela mulher?
Ele não disse que ela estava doente?
— Vamos embora, Sueli.
Está na hora do almoço.
Meus pais estão esperando.
— Desculpe-me, Débora, mas não estou em condições de almoçar nem de ficar junto com outras pessoas.
Preciso ficar sozinha e pensar em tudo o que aconteceu.
— Não pode ficar sozinha, Sueli.
Vamos lá para casa, minha família é muito animada e você vai se distrair.
— Não posso, Débora.
Preciso ficar sozinha.
Leve este presente para sua mãe, peça desculpas e diga que um dia desses eu vou almoçar com ela.
— Está bem, se é assim que deseja vou fazer isso, mas tome cuidado com o que vai fazer.
Não faça nenhuma loucura.
— Não se preocupe, só vou pensar no que vou fazer, daqui para frente, com a minha vida.
Vá almoçar e divirta-se.
— Preocupada, ela saiu e eu fiquei ali, parada, olhando para o restaurante.
— Como ele pôde fazer isso com você, Sueli? — Júlia, boquiaberta, perguntou.
— Fez porque eu permiti.
Acreditei em tudo o que ele disse sem me preocupar se era verdade ou não e me entreguei totalmente.
— O que você fez?
Foi até o restaurante?
— Minha vontade foi a de ir até lá e desmascará-lo, Júlia, mas pensei na mulher e no menino que nada tinham a ver com aquilo nem com o mau carácter de dele.
Olhei à minha volta e vi um banco onde poderia me sentar e ver a porta do restaurante por onde Nilson havia entrado.
Sabia que, quando ele saísse não poderia me ver.
Fiquei ali esperando, por muito tempo, até que finalmente eles saíram.
Assim que apareceu na porta, notei que ele olhou para todos os lados, provavelmente me procurando.
Quando achou que eu não estava por ali, passou um dos braços sobre os ombros da mulher e com a outra mão segurou a do menino e caminharam em direcção ao carro, que, só então, eu vi que estava estacionado do lado oposto ao que eu estava.
Entraram no carro, e eu fiquei ali sem saber o que fazer com a minha vida.
A única coisa que eu queria, era morrer.
— Nossa! Imagino o que você sentiu, Sueli!
Imagino porque é o mesmo que estou sentindo em relação a Anselmo...
— Não, Júlia, não pode imaginar, porque Anselmo nunca enganou você da maneira como Nilson fez comigo.
Sempre soube que ele era casado.
Teve a opção de aceitar ou não.
Resolveu aceitar. Eu não tive essa opção.
Júlia ficou calada.
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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Out 18, 2017 7:36 pm

Sueli continuou:
— Fiquei sentada naquele banco por muito tempo.
Desesperada e inconformada não conseguia acreditar nem aceitar que ele tivesse feito aquilo comigo.
Comecei a delirar:
Não, ele não fez isso.
Aquela mulher não é sua esposa.
Deve ser sua irmã ou amiga.
— Assim pensando, fui para nossa casa na esperança que ele viesse para podermos conversar.
Chorei o tempo todo.
Eu faria qualquer coisa para não perdê-lo, Júlia.
Fiquei ali o resto do dia, até que chegou a hora de ir para o trabalho.
Não sentia vontade alguma de ir, mas, por ser domingo, sabia que haveria muitos clientes para o jantar.
Apesar de tudo, eu era e sou uma boa profissional.
Fui para o restaurante e, como previra, houve muitos clientes.
Débora percebeu que eu não estava bem, mas ficou calada, apenas me ajudou.
Aquilo foi bom para mim, pois com tanto trabalho, não tive tempo para pensar.
Alguns minutos que eu ficava parada esperando uma mesa vagar, eu pensava:
Tudo isso é um grande engano, um mal entendido.
Quando eu sair, sei que ele vai estar aí fora me esperando como fazia no começo.
— Quando saí, olhei para o lugar onde ele ficava me esperando, mas ele não estava lá.
Chorando, tomei o táxi ao lado de Débora e fui para casa.
Antes de entrar em casa, sequei os olhos para que minha mãe não notasse que eu havia chorado, mas foi em vão.
Ela notou e preocupada, perguntou:
— Esteve chorando, Sueli?
— Sim, mas não se preocupe.
Estou bem é apenas problema no trabalho.
Sabe o quanto brigo com o cozinheiro por ele demorar em preparar os meus pedidos.
— Não entendo por que você continua trabalhando com esse homem.
Não precisa trabalhar, seu pai e seus irmãos ganham o suficiente para que fique em casa.
— Gosto do meu trabalho.
— Eu não queria continuar aquela conversa, por isso, disse:
— Não vou tomar chá, estou muito cansada.
Vou tomar um banho e me deitar.
Vá se deitar também, mãe.
Quantas vezes eu disse para a senhora não me esperar?
Não precisa.
Eu venho de táxi, não há perigo algum.
— Ela não estranhou, porque às vezes, quando estava muito cansada, não tomava chá.
Entrei no banheiro e enquanto me banhava, deixei que as lágrimas se misturassem com a água e caíssem pelo meu rosto.
Após o banho fui me deitar e chorei até que o sono me dominasse.
— Conseguiu dormir, Sueli?
— Sim, Júlia.
Embora não entenda como, adormeci.
Acordei, olhei para as frestas da janela e vi que havia amanhecido.
Continuei deitada, pensando em tudo o que havia acontecido.
Ao me relembrar, recomecei a chorar.
Iludida como estava, não conseguia acreditar nem enxergar a verdade diante de mim, pensei:
Aquela moça não pode ser a mulher dele!
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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Out 18, 2017 7:36 pm

Ela está doente e não poderia estar grávida!
Ele disse que tem uma irmã, deve ser ela.
Vou telefonar.
Sei que ele deve ter uma explicação.
— Levantei-me, disse à minha mãe que ia estudar na casa de uma amiga.
Saí, fui até a esquina e de um telefone público telefonei para a sua empresa.
Uma moça atendeu e, depois de alguns segundos, disse que ele não estava lá.
Acreditei no que ela disse, tomei um ônibus e fui para a nossa casa, esperando que ele aparecesse.
Durante essa espera, limpei tudo, troquei e lavei lençóis e toalhas.
Queria que, quando ele chegasse, encontrasse tudo em ordem.
Porém, a espera foi em vão. Ele não veio.
Fiquei lá até a hora de ir para o trabalho.
Todos os dias eu telefonava e ele nunca estava ou não podia me atender por estar em reunião.
Mesmo assim, eu me recusava a acreditar que tudo havia terminado.
O fim de semana chegou.
Sabia que não poderia vê-lo, mas, mesmo assim fui para a casa e fiquei esperando.
— Mesmo após passar uma semana, você ainda continuou esperando?
— Continuei. Não concebia minha vida sem ele, Júlia.
Na segunda-feira, para que minha mãe não desconfiasse, não saí pela manhã.
À tarde, na hora em que devia ir para a escola, fui até a casa, ainda esperando que, a qualquer momento, ele viesse.
Quando cheguei à frente da casa, parei.
Havia uma grande placa de venda.
O portão estava aberto.
Abri e entrei por ele.
Coloquei a chave na porta da sala, mas a ela não abriu.
Olhei pelo vitrô da sala e vi que ela estava vazia.
Fui até os fundos e tentei abrir a porta da cozinha, mas também não abriu.
Olhei para a garagem e vi uma porção de caixas de papelão.
Fui até lá e, incrédula, vi o meu nome escrito, em letras grandes.
Abri uma e para meu desespero, dentro dela estavam os lençóis que eu havia comprado com tanto carinho.
Abri as outras e, nelas, estavam as toalhas, escova de dentes, pentes e todos os meus objectos pessoais.
Só aí, entendi e aceitei o que havia acontecido, que tudo estava terminado.
Que ele, realmente, durante todo aquele tempo me enganara...
Sueli terminou de falar, chorando.
Júlia se comoveu:
— Sinto muito, Sueli.
Realmente não deve ter sido fácil.
Sueli secou os olhos, com as mãos e continuou:
— Sentei-me no chão da garagem e chorei como nunca havia chorado em minha vida.
Mais até que quando vi Nilson com a esposa.
Depois de muito chorar, fui tomada de uma raiva incontrolável:
Ele vai me pagar por tudo o que fez!
Não sei onde mora, nem onde fica a empresa, só tenho o número do telefone, mas vou descobrir os dois endereços e vou desmascará-lo.
Vou contar a sua esposa tudo o que ele fez comigo!
Minha vida está destruída, mas vou destruir a dele também!
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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Out 18, 2017 7:36 pm

— Sabia que por ser domingo, não teria como descobrir o seu endereço.
Fiquei ali, sentada até a hora de ir para o restaurante.
Nesse dia, agradeci a Deus por ter um trabalho.
No restaurante, me concentrei no trabalho e atendi aos clientes da melhor maneira possível.
Quando saí, não olhei para o lugar em que ele sempre me esperava.
Sabia que não estaria ali.
Com muita raiva e não chorando mais, fui para casa.
Entrei, tomei o chá com minha mãe e fui para o meu quarto.
Nunca lamentei tanto não ter telefone em casa.
Não que eu fosse telefonar dali, mas poderia consultar a lista telefónica.
Naquela noite não dormi, Júlia.
A raiva era tanta que eu, por mais que quisesse que a noite passasse rápido, ela não passou.
Fiquei o tempo todo pensando como fazer para me vingar.
Pela manhã, tinha um plano e o colocaria em acção.
Menti outra vez para minha mãe, dizendo que precisa estudar na casa da minha amiga.
Ela não desconfiou e eu saí, sabendo que ia fazer.
— O que você fez, Sueli?
— Como não conseguia dormir, levantei-me, peguei um caderno o escrevi uma longa carta, endereçada a esposa de Nilson.
Contei tudo o que ele havia feito comigo e com ela.
Para que comprovasse que o que eu estava dizendo era verdade, escrevi o endereço da casa que seria nossa.
Peguei um envelope, coloquei na bolsa, sai de casa e fui para o restaurante.
Quando cheguei lá a porta ainda estava fechada.
Eu sabia que seria assim.
Entrei pela porta dos fundos e, quem passasse por fora, não imaginaria o movimento que havia lá dentro.
Algumas pessoas limpavam e arrumavam as mesas.
Outros, na cozinha, preparavam o almoço que seria servido na hora do almoço.
Por ter sempre trabalhado à noite, não conhecia funcionário algum a não ser o gerente, pois ele só ia embora quando o meu gerente, do horário nocturno chegasse.
Assim que o vi caminhei até ele.
Depois de nos cumprimentarmos, pedi que me emprestasse a lista telefónica.
Ele não imaginava por que e para que eu queria uma lista, mas não perguntou.
Foi até o balcão onde estava o telefone e da parte de baixo, pegou a lista e me entregou.
Com a lista nas mãos, sentei-me em uma das mesas e comecei a procurar pelo alfabeto.
Procurei a letra ene e encontrei.
Com os dedos percorri as páginas, até chegar naquela que provavelmente estaria o nome e telefone da casa de Nilson.
Logo apareceu seu nome.
Com uma caneta, anotei em um papel.
Agradeci ao gerente e saí.
Na rua, sabia onde havia um telefone público.
Fui até ele, tirei de minha bolsa algumas fichas e disquei o número que havia anotado.
Do outro lado, uma voz de mulher atendeu.
Pelo som, percebi que se tratava de alguém jovem, perguntei
— É da casa do senhor Nilson?
— É sim, senhora.
— Percebi que se tratava de uma empregada da casa.
Não tinha certeza, mas arrisquei.
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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Out 18, 2017 7:36 pm

— A esposa dele está em casa?
— Não, senhora.
Ela está esperando neném e foi até o médico fazer uma consulta, mas não está doente, não.
Só foi ver se está tudo bem com o neném.
— Perfeito! — Pensei, feliz.
— É justamente sobre isso que queria conversar com ela.
Sou gerente de uma loja de roupas para bebé e queria enviar algumas peças para que ela avaliasse o nosso trabalho.
— Vai dar de presente?
— Isso mesmo —, respondi, rindo por dentro e continuei:
— Mas para isso eu preciso do nome completo dela e do endereço, pode me passar?
— Posso, sim!
Ela vai ficar feliz!
— Eu imagino que vai, sim.
Pode ter certeza.
— Ela falou o nome e me passou o endereço e eu anotei no mesmo papel onde havia anotado o número do telefone.
Agradeci e desliguei.
Feliz, pensei;
Pronto, agora já tenho o endereço, basta atravessar a rua, ir até o correio, endereçar e enviar.
Nervosa, eu pensava.
- Quando ela receber e ler, vai descobrir com quem está casada.
Da maneira como escrevi, duvido que ele consiga dizer que é mentira!
Vai ver que da mesma maneira que gostei dele, agora o odeio e quero que seja destruído, que sofra!
Júlia se levantou e foi até o fogão pegar mais um pouco de chá.
Com a xícara na mão, voltou a se sentar.
Perguntou:
— Você não se importou de ela estar grávida, de perder o bebé, Sueli?
— Até que pensei, mas pensei, também:
Sei que ela pode perder o bebé, mas depois de tudo o que ele me fez, o que sua mulher possa sentir, é sua culpa, portanto, seu problema, não meu!
— Atravessei a rua e entrei na agência dos correios.
Esperei em uma fila para ser atendida.
Quando estava quase chegando minha vez, pensei:
Pelo correio vai demorar muito para chegar e eu não vou saber se ela recebeu.
Se o Nilson pegar antes dela?
Se isso acontecer, ele vai destruir a carta.
Não, não vou mandar por aqui, vou pessoalmente.
Sei que a mulher dele não está em casa.
Vou até lá e entrego nas mãos da empregada.
Só assim, terei certeza de que tudo deu certo.
Não posso me arriscar a deixar que ele se safe!
— Pensou nisso, Sueli?
Pensou em ir pessoalmente?
Não era muito arriscado?
A mulher dele já poderia estar em casa.
Se ela visse você, o que ia fazer?
— Nem pensei na possibilidade de encontrá-la, mas se isso acontecesse, seria bom, pois entregaria a carta a ela e iria embora.
Assim, ela saberia que eu existia realmente.
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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Out 18, 2017 7:36 pm

— Você foi muito corajosa, Sueli...
— Não foi coragem, Júlia, foi a raiva, o ódio.
Antes de continuar, preciso tomar um pouco de chá.
Falei sem parar e estou com a garganta seca.
Sueli colocou chá na xícara, adoçou e tomou um gole.
Depois, continuou falando:
— Fui até a calçada, esperei um pouco e um táxi surgiu.
Acenei e ele parou.
Entrei, mostrei o endereço para o motorista.
Ele colocou o carro em movimento.
Algum tempo depois, chegamos à rua onde ficava a casa.
Estremeci e falei:
— Pode parar, por favor.
Vou descer aqui.
— Ele falou o valor da corrida, paguei e desci.
Olhei o número que estava escrito no papel, depois o número da casa.
Precisava andar alguns metros.
Comecei a caminhar, olhando os números.
Estava quase chegando, quando um táxi passou por mim e parou na frente da casa.
O motorista desceu e abriu a porta.
Por ela desceu uma mulher.
O motorista entregou-lhe algumas sacolas e pacotes.
Assim que a vi, reconheci.
Era a mulher de Nilson.
Ela sorriu, pagou ao motorista e entrou em casa.
Durante todo esse tempo, fiquei parada, nervosa, sem poder caminhar e a pensar:
Não posso fazer o que estou pretendendo.
Pelo tamanho da barriga, parece que a criança está para nascer.
Ela me pareceu tão feliz.
Não posso envolver uma inocente naquilo que me aconteceu.
O culpado foi o Nilson, não ela.
Assim como eu, ela é vítima dele, não quero ser a responsável pela vida dela ou da criança.
Não posso. Nilson me envolveu, enganou e com certeza um dia vai ser desmascarado, mas não agora, nem por mim.
Não posso arriscar duas vidas.
— Cabisbaixa e com passos lentos, voltei-me e comecei a andar.
Não sei explicar o que estava acontecendo comigo, Júlia, mas eu estava bem.
Senti como se um grande peso saísse dos meus ombros.
Andei até a esquina e fiquei esperando outro táxi passar.
Acenei, ele parou.
Entrei nele e voltei para casa.
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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Out 18, 2017 7:37 pm

O recomeço
Sueli tomou um gole de chá.
Júlia fez o mesmo.
A entidade que estava acompanhando Júlia, sorriu e olhou para uma outra entidade que tinha chegado um pouco antes de Sueli parar de falar:
— Como ela está, Alzira?
— Agora, bem, Ciro.
Chegou arrasada, mas, enquanto estava ouvindo a história de Sueli, esqueceu-se, por algum tempo, de seus problemas.
— Foi muito bom, você ter incentivado Sueli a contar sua história.
Júlia, a partir de agora, terá muito no que pensar.
Ciro olhou para Júlia, sorriu e disse:
— Tem razão. A curiosidade nos acompanha para sempre, mesmo depois da morte.
Realmente, Júlia estava curiosa para saber o que havia acontecido.
Sentou-se novamente e incrédula olhou nos olhos de Sueli, perguntou:
— Você desistiu, Sueli?
— Desisti, Júlia.
Enquanto o táxi ia para minha casa, não chorei, apenas lembrei-me de tudo o que havia acontecido.
Das várias vezes que sinais apareceram, de como gostei de me deixar enganar e de como aceitei uma ilusão.
Entendi que Nilson me enganou porque eu permiti.
No final só me restou uma certeza, precisava tirar aquele homem da minha cabeça e, principalmente da minha vida.
Não conseguiria se permanecesse ali.
Precisava ir para bem longe e tentar reconstruir minha vida.
— Assim como aconteceu comigo.
Também me deixei levar pela ilusão de que, um dia, Anselmo deixaria a mulher para ficar comigo.
Mesmo ele nunca tendo me enganado e dito várias vezes que nunca abandonaria o filho.
— Ainda bem que entendeu isso, Júlia.
Por experiência própria, posso dizer que romance com homem casado, na maioria das vezes ou quase sempre, nunca dá certo.
A mulher é sempre quem sofre mais.
— Sei disso.
Neste momento estou sofrendo muito...
— Esse sofrimento vai passar e lá na frente você vai perceber o quanto foi bom isso ter acontecido.
Você, agora é livre para seguir o seu caminho.
Não está mais presa a uma ilusão.
— Não sei como vou conseguir viver sem ele...
— Vai conseguir. Todas conseguem.
— Como você conseguiu?
Sueli começou a rir.
— Não fui eu, Júlia.
Foi a vida, algum anjo da guarda ou o próprio Deus que se encarregou de mudar tudo.
— Não estou entendendo...
— Quando desci do táxi, vi que minha mãe estava no portão.
Ela estranhou por me ver chegar:
— Já voltou, Sueli?
Pensei que fosse fazer como antes.
— Fazer o que, mãe?
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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Out 18, 2017 7:37 pm

— Sempre que vai estudar na casa da sua amiga, não volta para casa.
Vai para a escola e depois para o restaurante.
— É verdade, mas ela não está passando bem.
Está com muita dor de cabeça.
Por isso não pudemos estudar.
Vou fazer isso, sozinha.
— Está bem, o almoço está quase pronto.
— O que a senhora está fazendo aqui fora?
— Hoje é dia do correio que vem sempre pela, manhã, estou estranhando por ele não ter vindo ainda.
— Por que está esperando aqui fora?
— Hoje é o dia de receber a conta de luz.
Estou ansiosa para ver quanto gastamos.
Está um absurdo!
Todo mês gastamos mais.
Não sei mais o que fazer para gastarmos menos.
— Comecei a rir:
— Não se preocupe com isso, mãe.
Vamos ter dinheiro para pagar a conta.
Vamos entrar?
— Não, vou esperar mais um pouco.
Ele deve chegar a qualquer momento.
— Está bem. Vou para o meu quarto estudar.
— Rindo, entrei e fui para meu quarto.
Sentei em frente a uma penteadeira e fiquei olhando meu rosto e pensando no quanto eu havia sido burra em acreditar em tudo o que ele dizia.
Em tudo o que fiz para ficar ao lado dele e no quanto eu estava disposta a fazer. Não chorei.
Fiquei ali me olhando por um bom tempo.
Depois, peguei um caderno e fui para minha cama.
Eu havia parado de estudar, precisava recuperar o tempo perdido.
Pensei também em uma maneira de ir embora, mas sabia que seria difícil, pois para isso teria de ter dinheiro, coisa que eu não tinha.
Durante o tempo em que estive com Nilson, todo o dinheiro que sobrava eu gastava comprando roupas e sapatos para ficar mais bonita para ele e coisas para a casa ficar agradável.
Minha mãe veio me avisar que o almoço estava pronto e que meu pai havia chegado.
Levantei-me e fui para a cozinha.
Meu pai, como fazia todos os dias, estava sentado à mesa.
Sentei-me ao seu lado e, mesmo sem fome, comi alguma coisa.
Minha mãe ainda estava nervosa com a demora do correio.
— Deve ter acontecido alguma coisa que fez com que ele se atrasasse, mãe, daqui a pouco ele vai chegar.
— Sei disso, mas logo hoje, ele tinha de se atrasar?
Nunca aconteceu isso.
Ele é muito pontual!
— Olhei para meu pai que estava rindo do nervosismo de minha mãe e voltei para meu quarto.
Estava deitada tentando estudar, quando minha mãe entrou.
Trazia em sua mão um envelope:
— É para você.
Sabe do que se trata?
— Levei um susto, não tinha a menor ideia.
Peguei a carta, abri e comecei a correr pela casa e a gritar.
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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Out 18, 2017 7:37 pm

Minha mãe se assustou:
— Pare de correr e gritar, Sueli!
O que está escrito nessa carta?
— Fui aceita, mãe!
— Aceita para o que?
— Nesta carta está escrito que ganhei uma bolsa de estudo para aquela escola que eu queria ir!
— Ganhou?
— Ganhei, mãe!
Agora posso estudar e me tornar uma cozinheira de prestígio!
— Que bom, minha filha!
Você merece e garanto que essa escola não vai se arrepender e vão ter muito orgulho de você, como eu tenho!
— Nossa, Sueli!
Você conseguiu mesmo? — Júlia perguntou, rindo.
— Consegui, sim, Júlia.
Algumas horas antes, eu estava desesperada, achando que minha vida havia terminado e sem saber como continuar e de repente meus problemas haviam terminado.
Tudo havia mudado para melhor.
— Você não teve medo de sair de casa e ir para um lugar desconhecido?
Não disse também que não tinha muito dinheiro? Como fez?
— Não tive medo, Júlia, pois a única coisa que eu queria, naquele momento, era ficar o mais longe possível de Nilson.
Quanto ao dinheiro, peguei o pouco que me restou.
Minha família também tinha algum dinheiro guardado e me deu.
O mais importante era que eu tinha uma profissão e que em qualquer lugar do mundo, sempre há um restaurante, por isso eu não ficaria sem trabalho.
— Que maravilha, Sueli!
O que acha que aconteceu para que a escola desse a você uma bolsa de estudos?
— Naquele tempo eu não sabia.
Quando mandei a carta para a escola pedindo uma bolsa, fiz sem muita esperança de ser atendida.
Depois durante todo o tempo em que passei com Nilson, me esqueci completamente da carta e da escola.
De qualquer maneira, o que havia acontecido não me importava.
O que importava era que eu poderia ir embora e realizar o grande sonho da minha vida.
Foi assim que vim para cá e para a escola.
— Você disse que naquele tempo não sabia.
Hoje já sabe?
Como você sabe hoje o que não sabia naquele tempo?
Não estou entendendo, Sueli.
— Sei, sim, Júlia.
Como não sabia onde ia ficar, tomei um ônibus à noite.
Chegaria pela manhã, bem cedo.
Fui directo para a escola fazer a minha matrícula.
Quando estava lá, perguntei como faria para encontrar um lugar para morar.
A moça que estava me atendendo, disse:
— Ali naquela parede, tem anúncios de casas e apartamentos para alugar.
Alguns alunos dividem a moradia e o aluguel.
— Olhei para a parede e de longe, vi vários papéis colados.
De onde estava não dava para ler.
Depois de feita a matrícula, fui até a parede.
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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Out 18, 2017 7:37 pm

Realmente havia vários anúncios.
Eu sabia que não poderia alugar sozinha, pois não tinha, ainda, um emprego.
O dinheiro que trouxe daria somente para um ou dois meses.
Entre todos os anúncios, um chamou a minha atenção.
Uma moça queria dividir o apartamento.
Olhei à minha volta e vi um telefone público.
Telefonei e uma moça atendeu.
Depois de explicar o que queria, ela me deu o endereço e disse que ficava bem perto da escola.
Havia na escola um lugar reservado para que fossem deixadas as malas, até que os alunos pudessem se estabelecer.
Deixei as duas malas que trazia comigo e, com o endereço na mão, fui procurar o local.
Rapidamente, perguntando, cheguei à rua onde ficava o apartamento.
Quando cheguei ao número que estava procurando, fiquei maravilhada.
O prédio era lindo e parecia ser muito caro também.
Quase fui embora, pois sabia que não tinha dinheiro para pagar um aluguel muito alto.
Porém, a curiosidade em conhecer um apartamento como aquele fez com que eu entrasse e tomasse o elevador.
O apartamento ficava no sexto andar.
Assim que saí do elevador, caminhei até a porta, onde havia o numero sessenta e um.
Toquei a campainha.
A porta se abriu e por ela surgiu uma moça, jovem e muito bonita, que, sorrindo, perguntou:
— Você é a Sueli?
— Sou, sim. — Respondi com voz baixa e muito nervosa.
— Meu nome é Rosana, pode entrar.
— Curiosa, entrei e, ao ver a sala, fiquei encantada, Júlia.
Era linda, decorada, com móveis e com cores bem joviais.
Não me contive:
— A sala é linda!
— Fui eu mesma quem decorou.
Gostou mesmo?
— Muito! É linda!
— Que bom que gostou!
Assim vai se sentir bem morando aqui.
Vamos nos sentar?
— Sentei-me em um dos sofás que ela me apontou.
Antes que ela falasse alguma coisa, eu disse:
— Desculpe-me, Rosana.
Gostaria muito de morar aqui, mas sei que não posso.
— Não pode por quê, Sueli?
— Contei que era de outra cidade, de uma família humilde e que só estava ali, por ter ganhado uma bolsa de estudo.
Disse também que estava feliz, pois o meu maior sonho era ser cozinheira.
Achei melhor não contar sobre o Nilson.
Ela me ouviu com atenção, sem mover um músculo do rosto.
Terminei dizendo:
— Como está vendo, estou aqui por milagre.
— Ela, muito séria, disse:
— Ainda é muito cedo.
Já tomou café?
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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Out 18, 2017 7:37 pm

— Ainda não.
Vim directo da rodoviária para a escola e depois, para cá.
— Vamos até a cozinha.
Quero que a veja e aproveitaremos para tomar um café.
— Entramos na cozinha que também era linda.
Com a mesma decoração jovial e muito divertida.
Fiquei encantada:
— É linda, Rosana!
Nunca vi igual!
— Também acho linda e como todo o resto do apartamento fui eu quem decorou.
— Colocou uma chaleira no fogo e disse:
— Venha, vamos ver os quartos.
— Encantada com o que estava vendo, acompanhei-a.
Ela abriu outra porta e, diante de mim, surgiu um quarto que, como todo o resto do apartamento, era lindo, seguindo o mesmo padrão.
— Este é o meu quarto.
Resolvi comprar uma cama de casal para ter mais conforto.
A colcha de croché foi minha avó quem fez e eu escolhi o forro rosa.
— Fiquei quase sem voz.
— É mesmo, maravilhoso, Rosana!
Deve ser muito bom dormir em um quarto como este e em uma cama como essa.
— Posso garantir que isso é verdade! — Ela disse rindo, Júlia e continuou:
— Agora venha, vou mostrar o outro quarto.
— Segui-a esperando ver outra maravilha.
Ela abriu a porta e, para minha surpresa, o quarto estava vazio, sem decoração e móveis.
Ela percebeu minha surpresa e, ainda rindo, disse:
— Deixei este quarto vazio, para que a pessoa que for morar nele escolha os móveis e a decoração que quiser.
Por isso, pode ir pensando na decoração e nos móveis que quer comprar.
— Surpresa, tentei dizer:
— Não posso pagar pelo aluguel, Rosana.
Ela parecendo não me ouvir, pegou a minha mão e me arrastou para a cozinha:
— A água já deve estar fervendo, Sueli, vamos tomar café.
— Embora perplexa, só me restou acompanhá-la.
A água realmente estava fervendo.
Enquanto colocava o pó de café no coador para coar, disse:
— Aí na geladeira, tem leite, bolo e geleia.
Não tem pão, porque sou muito preguiçosa para ir à padaria, no armário tem torradas, mas não se preocupe se quiser comer pão, pela manhã, a padaria fica logo aí na esquina.
— Não posso morar aqui, Rosana.
Adoraria, mas não tenho como pagar nem a metade do aluguel que deve ser muito alto.
— Ela, ainda parecendo não me ouvir, apenas sorriu:
— Sente-se, Sueli e, enquanto tomamos o café, vamos conversar a esse respeito.
— Eu coloquei o leite, o bolo e a geleia que havia pegado na geladeira, sobre a mesa.
Ela tirou do armário um vidro com torradas dentro, colocou-o sobre a mesa e sentou-se de um lado dela e eu sentei-me do outro.
Enquanto passava geleia em uma torrada, disse:
— Sei que está preocupada com o aluguel, Sueli, mas não precisa.
— Como não? O aluguel deste apartamento deve ser muito caro!
Sei que vou arrumar um emprego, mas sei também, que o que ganhar com ele, dará somente para pagar um aluguel bem baixo e a minha alimentação.
É uma pena, Rosana, mas não posso...
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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Out 18, 2017 7:38 pm

— Você tem razão, o aluguer deveria ser muito alto, mas como também não pago, não deveria estar preocupada.
— Você não paga aluguel? Como?
— Meu pai é um homem muito rico.
Tem uma fazenda de gado e nem sabe quantas cabeças tem.
Eu gosto da fazenda, e dos animais, mas nunca quis morar na lá.
Sou mais da cidade, gosto de conversar com as pessoas.
Já, meu irmão, adora viver na fazenda.
Meu pai queria que eu fosse veterinária para poder cuidar do gado e dos outros animais, mas me recusei.
Aliás, não estudei para coisa alguma.
Estava preocupada com outras coisas.
Vim passar alguns dias de férias aqui nesta cidade.
Já a conhecia.
Muitas vezes, quando crianças, meus pais nos trouxeram para cá.
Agora, há pouco tempo, quando voltei para cá, me apaixonei por ela.
Depois de algum tempo, meu pai veio me visitar.
Como ele tem espírito empreendedor, percebeu que a cidade tinha muito potencial.
Além da sua beleza natural, possuía duas faculdades e a escola de hotéis e restaurantes.
Pensou por algum tempo, depois, me chamou e perguntou:
— Gostaria de morar nesta cidade, Rosana?
— Eu me assustei, Sueli e perguntei:
— Morar aqui?
Claro que gostaria, papai!
A cidade é linda!
Por que está me perguntando isso?
— Estive observando a cidade e percebi que ela não tem um hotel de categoria.
Por isso, resolvi construir um, aqui no centro, uma pousada um pouco distante e, depois, quem sabe um bom restaurante.
O que acha?
— Comecei a rir:
— Só mesmo o senhor, papai, poderia ter uma ideia como essa.
Só não entendi por que perguntou se eu queria morar aqui.
— Sabe que não posso sair da fazenda.
Lá tem muito para se fazer.
Preciso de alguém, aqui, para acompanhar a construção.
Ninguém melhor que você para isso, mas precisaria morar aqui, até que o hotel e a pousada ficassem prontos.
Depois, se quiser continuar morando aqui, poderá administrar tudo ou voltar para a fazenda.
— Fiquei eufórica, pois poderia morar sozinha, longe das vistas dos meus pais.
Eu precisava ficar longe deles para pensar muito em como havia sido minha vida até ali.
Conversei com meu pai e ele disse:
— Está bem. Vou comprar um apartamento para que fique confortável.
Confio em você, sei que vai dar conta da construção.
— Eu estava abismada, Júlia, pois quem a visse, jamais imaginaria que era uma pessoa rica.
Ela sorrindo, continuou:
— Portanto, Sueli, este apartamento é do meu pai, não pago aluguel e você, também não precisará pagar.
Pode morar aqui, comigo, o tempo que precisar.
A construção do hotel e da pousada, ainda não começou e vai demorar muito para ficarem prontas.
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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Out 18, 2017 7:38 pm

— Só não entendo uma coisa, Sueli.
Se o apartamento era dela, por que colocou o anúncio querendo dividir?
— Foi o que perguntei.
Ela rindo, respondeu:
— Depois que decorei o apartamento, fiquei por alguns dias morando sozinha.
Ontem à tarde, estava aqui mesmo, tomando café, quando, sem saber por que pensei:
Odeio morar sozinha.
Preciso procurar uma moça para morar aqui.
Fui até a escola e às faculdades.
Como havia estudado em outra cidade, sabia que havia muitos estudantes de outras cidades que precisavam alugar um lugar para morar.
Ontem à noite, coloquei o anúncio nos três lugares e, hoje logo pela manhã, você telefonou.
Assim que a vi, gostei e, depois de ter me contado a imensa vontade que tem de trabalhar e estudar soube que precisava da minha ajuda e que seria uma óptima companhia.
Além do mais, você falou que estar aqui é um milagre, como acredito que milagre precisa ser completo, estou lhe dando uma ajudazinha. — disse, rindo.
— Estou pensando, Rosana!
Não estou acreditando em tudo de bom que está acontecendo comigo!
É muita sorte mesmo!
— Não acredito em sorte, Sueli.
Acredito em merecimento.
Você deve ter feito algo muito bom para ter tanta protecção, tantos amigos espirituais ajudando-a.
— Amigos espirituais?
Quem são eles?
— Estou estudando uma Doutrina na qual aprendi que, quando as coisas parecem caminhar bem, é, primeiro questão de merecimento, depois é porque estamos no caminho certo.
— Não estou entendendo muito bem.
— É muito simples.
Ela nos ensina que, antes de nascermos, escolhemos a vida que queremos viver e que, quando estamos no caminho certo, as portas se abrem para podermos caminhar sem tropeços e tudo passa a dar certo.
Outro motivo também é que, quando conseguimos atravessar um momento difícil sem causar mal a ninguém, a recompensa vem.
Você deve ter feito algo muito bom.
Para que isso aconteça, também temos sempre ao nosso lado, amigos espirituais que torcem para que possamos encontrar o caminho.
— Quem são esses amigos?
— Olhando bem em meus olhos, Júlia, ela voltou a rir:
— Por ora, Sueli, vamos dizer que são anjos da guarda.
Você deve ter muitos anjos.
Só gostaria de saber o que você fez de tão bom para merecer toda essa ajuda.
— Não me lembro de ter feito nada de bom, Rosana.
Tenho uma vida comum como todas as pessoas.
— Isso agora não importa.
Outro dia conversaremos sobre isso, Sueli.
Agora, precisamos sair e ir comprar os móveis do seu quarto.
Está pronta?
— Claro que estou!
Continuo não acreditando no que está acontecendo, Rosana.
Depois que estiver instalada, vou sair e percorrer os restaurantes da cidade.
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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Out 18, 2017 7:38 pm

Quem sabe, com a sorte que estou, consiga um emprego hoje mesmo.
— Vai conseguir. Vai conseguir...
— Saímos e ela deixou que eu escolhesse os móveis e tudo o que quisesse para o meu quarto.
Parecia que eu estava vivendo um sonho.
Consegui trabalho em um dos restaurantes da cidade, que não eram muitos.
O restaurante era frequentado pelos estudantes que iam lá porque a comida era boa e a mais barata da cidade.
Conheci muitos jovens, alguns deles quiseram me namorar, mas eu não queria.
Meu único objectivo era terminar a escola e ir para uma cidade grande.
Rosana me tratava como irmã.
Nos primeiros dias em que mudou para o apartamento, contratou uma empregada que continuou trabalhando, só que agora, ela cuidava das minhas coisas também.
Ela nunca permitiu que eu pagasse pelo aluguel, nem pela comida a única coisa que ela me pediu e eu agradeci, foi fazer em casa, para que ela comesse, toda a comida que aprendesse na escola, o que eu fazia com prazer, pois além de testar a comida, ela sempre elogiava o meu tempero.
Quando ela dizia isso, eu ria:
— Não é engraçado?
Todos usam cebola e alho, mas o sabor da comida é totalmente diferente de uma pessoa para outra.
— Cozinhar é um dom, Sueli.
Nem todos têm esse dom.
Posso garantir que você tem.
Sua comida é uma delícia.
Viu que sorte que eu tive em deixar que viesse morar aqui?
Sou uma péssima cozinheira.
— Ela era muito divertida, Sueli!
— Era, não, Júlia! Ainda é!
Está viva! Muito viva!
— Gostaria de conhecê-la.
— Vai conhecer.
Ela e o marido serão os padrinhos do meu casamento!
— Ela se casou?
— Sim e é muito feliz.
— Você não me contou como conheceu o Eduardo.
Disse que, depois do Nilson, não se interessou por homem algum.
— Essa é outra história.
Está quase na hora de eu sair para o trabalho.
Vou tomar um banho e, quando sair do banheiro, vou contar.
— Está bem, vou ficar esperando.
Sueli entrou no banheiro.
Júlia ficou ansiosa, esperando que ela voltasse e contasse o resto da história.
Alzira e Ciro, as entidades que estavam ali o tempo todo, sorriram e ficaram olhando Sueli se afastar.
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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Out 18, 2017 7:38 pm

A receita da infelicidade
Enquanto Sueli se banhava, Júlia lavava as xícaras, o açucareiro e o bule que haviam usado e pensava:
A história de Sueli é muito bonita.
Ela conseguiu se afastar e esquecer de Nilson.
Hoje está feliz e com o casamento marcado com Eduardo, um rapaz que a ama muito e que faz de tudo para que ela seja feliz.
Ela conseguiu, mas eu vou conseguir também?
Acho que não.
Sei que vou passar o resto da minha vida pensando no Anselmo e em como poderíamos termos sido felizes.
Porque demorei tanto para encontrá-lo?
Porque não foi comigo que ele se casou?
Por que a vida é tão injusta?
Sei que ele nunca prometeu coisa alguma, mas eu tinha tanta esperança...
Sueli saiu do banheiro com uma toalha envolvendo os cabelos.
Entrou em seu quarto e foi seguida por Júlia, que, curiosa, queria que ela continuasse a contar sua história.
Enquanto Sueli abria a porta do guarda-roupa para pegar a roupa que ia usar, Júlia sentou-se sobre a cama e ficou olhando para ela, que sorriu:
— Está bem, Júlia, vou continuar contando, só não posso demorar muito, porque está quase na hora de eu ir para o restaurante.
Sabe que se trata do meu trabalho e, quando se trata disso, não há negociação.
Meu trabalho é minha vida.
Sem ele, eu não estaria aqui e tão bem.
Se não fosse ele, na época do Nilson, talvez, eu não tivesse conseguido sobreviver.
— Sei o que você pensa em relação ao trabalho, Sueli.
Por isso, não me importo se você falar bem depressa.
Só quero saber o que aconteceu depois e como conseguiu se recuperar e hoje ter seu próprio restaurante.
Sueli sorriu e continuou falando:
— Eu e Rosana, a cada dia que passava, ficávamos mais amigas.
Ela ficava quase o dia todo acompanhando as construções.
Eu, para poder estudar pela manhã, trabalhava todas as noites no restaurante.
Ela dormia cedo, por isso, só nos encontrávamos na hora do almoço.
Eu, nos primeiros dias, ainda me lembrava de Nilson e, quando isso acontecia, sempre chorava.
Eu e Rosana nunca conversamos sobre a nossa vida afectiva.
— Por que não?
— Eu tinha muita vergonha do que havia acontecido comigo e de como me humilhei, chegando a pensar em aceitar Nilson mesmo que fosse casado, mesmo depois de ter mentido tanto.
Ela nunca perguntou sobre minha vida afectiva e eu nunca perguntei sobre a dela.
— Nunca perguntou?
Não teve curiosidade?
Você disse que ela era jovem.
— Nunca, Júlia, pois sabia que se perguntasse sobre a vida dela, correria o risco de que ela perguntasse sobre a minha e eu não queria contar.
— Entendo a vergonha que sentiu, Sueli, é a mesma que estou sentindo hoje.
Também aceitei Anselmo, mesmo sabendo que ele era casado e que nunca deixaria a esposa.
Ao ouvir aquilo, Sueli sorriu:
— Já disse para você que não foi a primeira e nem será a última, Júlia.
Portanto, não vale a pena sofrer ou sentir vergonha.
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Ave sem Ninho

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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Out 19, 2017 7:19 pm

Deixe essa parte da sua vida para trás e caminhe sem mágoa, sem tristeza e principalmente sem ódio.
Na vida tudo o que nos acontece, sempre tem um motivo.
— Que motivo pode ter para que eu tenha sido tão tola, Sueli?
— Agora não sei, mas um dia você vai rir de todo esse sofrimento de todas as lágrimas que derramou.
— Você acha que isso pode acontecer?
— Pode, não, Júlia!
Vai acontecer!
— Falar é fácil, o difícil é conseguir.
— Você vai conseguir, Júlia.
Assim como eu, um dia vai entender o motivo para eu ter conhecido Nilson e ter tido com ele aquele romance.
— Você sabe o motivo?
Qual é? Como descobriu?
— Essa é outra história, Júlia.
Um dia vou contar a você.
— Está bem. Vou esperar.
Agora me conte, conseguiu não saber da vida dela e nem contar a sua?
— Nada fica escondido para sempre, Júlia.
Em uma noite, ao sair do restaurante, lembrei-me do dia em que Nilson estava me esperando.
No mesmo instante comecei a relembrar tudo o que havia acontecido.
Enquanto caminhava para casa, não pude evitar as lágrimas que insistiam em correr pelo meu rosto.
Entrei em casa e, para minha surpresa, Rosana estava na sala, sentada no sofá e lendo um livro.
Assim que entrei, ela olhou por sobre os ombros e perguntou:
— Já chegou, Sueli?
— Como já, Rosana?
Sempre chego nesse horário.
— Nossa! Estou tão envolvida lendo este livro que nem notei as horas passarem.
— Que livro é esse que está lendo?
Perguntei enquanto ia para a cozinha.
— Um romance muito bonito.
— Romance só é bonito nos livros, na vida real é uma porcaria.
— Ela se levantou e entrou na cozinha.
Eu, para que não visse meus olhos vermelhos, fiquei virada para o fogão, colocando uma chaleira com água para ferver.
Queria fazer um chá.
— Por que está dizendo isso, Sueli?
O romance e o amor existem também na vida real.
Você nunca viveu um romance?
Nunca teve um amor?
— Não aguentei, Júlia e recomecei a chorar.
Ela, desesperada, veio para o meu lado.
— Está chorando, por que, Sueli?
O que aconteceu?
— Estou chorando porque o romance e principalmente o amor não existem!
O que existem são mentiras e traições...
— Por que está dizendo isso?
— Não sei por que, Júlia, mas naquele momento, senti vontade de contar a Rosana toda a minha história.
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Ave sem Ninho

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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Out 19, 2017 7:19 pm

Contei tudo o que havia acontecido desde que conheci Nilson.
Ela me ouviu atentamente, assim que terminei, para minha surpresa, ela começou a rir.
— Ela riu, por que, Sueli?
— Também fiquei sem entender aquela reacção e perguntei:
— Por que está rindo dessa maneira, Rosana?
— Ela continuou rindo por um bom tempo, tanto que não conseguia parar.
Fui ficando aflita, até que ela parou e ainda rindo, porém, mais calma, respondeu:
— Estou rindo porque você usou a receita!
— Que receita é essa, Rosana?
— A receita da infelicidade!
— Perplexa e sem entender, voltei a perguntar:
— Da infelicidade?
Não estou entendendo.
— É muito simples, Sueli.
Vou dar a você essa receita e vai ver que já a usou.
— Eu?
— Sim você e muitas outras mulheres e homens também.
— Continuo sem entender.
De que receita está falando?
— Pegue uma caneta, um papel e anote.
— Está brincando, Rosana?
— Não, estou falando muito sério, Sueli.
— Quer que eu anote como se fosse uma receita de bolo?
— Isso mesmo, para nunca mais esquecer e seguir adiante.
Sei que um dia, vai precisar passá-la a alguém.
— Ela olhou para uma estante, onde havia livros, cadernos e algumas canetas.
Sem entender, mas curiosa, fui até a estante, peguei uma caneta e um caderno.
Voltei a me sentar e fiquei olhando.
— Agora anote tudo o que vou dizer.
Está bem, Sueli?
— Está, pode falar.
— Pois bem. Esta é a receita.
Se uma mulher quiser ficar o tempo todo sozinha, se quiser passar os fins de semana e feriados esperando, se não quiser sonhar com o futuro nem planeá-lo e se quiser ver o tempo passar, perder a juventude e a velhice chegar para só aí perceber que perdeu toda sua vida esperando por algo que jamais aconteceria; se quiser ficar em casa sem nunca sair para passear, ir a um cinema ou ao teatro por estar esperando aquela pessoa que nem sempre aparece; se quiser viver para outra pessoa, esquecendo-se de si própria; se quiser ficar na dependência emocional; se quiser viajar, passar férias ou até mesmo ir a um cinema, sempre sozinha; se quiser ver o tempo passar, sem conseguir coisa alguma. Enfim, se quiser ser infeliz, basta namorar um homem casado e contentar-se em ser a outra.
Antes que eu me esqueça, Sueli.
Esta receita serve tanto para homens como para mulheres.
— Ela terminou de falar e ficou me olhando, Júlia e eu olhando para ela.
Não me contive:
— Essa é a sua receita da infelicidade, Rosana?
— Sim, e muitas outras desvantagens que, no momento, esqueci.
Você tem alguma dúvida a respeito, Sueli?
Não foi tudo o que passou ao lado do Nilson?
— Fiquei pensando por algum tempo, Júlia, e só me restou dizer:
— Você tem razão, Rosana, passei por tudo isso enquanto estive com ele.
Esperei por ele muitas vezes e ele não apareceu.
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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Out 19, 2017 7:19 pm

Passei todos os fins de semana sozinha.
Foi pior quando descobri que era casado e esperei muito para podermos conversar e ele simplesmente me ignorou, fez de conta que eu não existia.
Você tem razão mesmo, Rosana...
— Ela ficou calada, Júlia, apenas sorriu.
Perguntei:
— De onde tirou essa ideia, Rosana?
— Porque eu mesma já usei essa receita.
— Você teve um relacionamento com um homem casado?
— Tive. Esse é o verdadeiro motivo por eu estar aqui, nesta cidade, tão longe de casa.
Vim para cá tentar esquecer tudo o que passei.
— Você não veio para ajudar o seu pai na construção do hotel e do restaurante?
— Essa é uma longa história.
— Vai me contar?
Confesso que agora estou curiosa, Rosana.
— Não tenho muito o quer contar, Sueli.
Você sabe exactamente como essa história começa e termina.
— Também foi enganada como fui?
— Não, Sueli.
Minha história foi diferente da sua.
Eu fui diferente de você, mas o resultado foi o mesmo.
Sofrimento.
— Conte, Rosana!
— Está bem, vou contar, mas antes, vamos tomar o chá que, depois de tanto tempo, já deve estar frio.
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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Out 19, 2017 7:19 pm

A força do dinheiro
Rosana colocou o chá em uma xícara e, enquanto tomava, começou a contar:
— Minha família, desde que me conheço por gente, sempre teve muito dinheiro, Sueli.
Meus pais contam que descendemos de aristocratas da corte francesa.
Não sei se é verdade, mas gosto de imaginar que seja.
— Por que, Rosana?
— Não sei, acho um luxo! — Ela disse rindo, Júlia e continuou falando:
— Só tenho um irmão que é mais velho.
Desde pequena, sempre fui muito mimada.
Meus pais atendiam a todos os meus desejos.
Nunca ouvi um não.
Cresci assim, achando que eu podia tudo.
Tornei-me uma pessoa mesquinha e egoísta.
Só pensava em mim.
Tratava mal todos os empregados de casa.
Deixando sempre bem claro que era eu quem mandava.
Sempre promovia grandes festas, por isso, tinha muitos amigos e amigas que frequentavam minha casa quase todos os dias.
Eram amigas, por saberem que eu não vestia um vestido ou usava um sapato por mais de uma vez, e que eu os daria.
Todos os rapazes que me conheciam, aproximavam-se para tentar um namoro e de preferência um casamento.
Nunca soube se gostavam de mim na realidade ou se era apenas por eu ser uma rica herdeira.
Eu não dava importância a nenhum deles.
Queria apenas me divertir.
Nunca quis estudar, pois sabia que o dinheiro que meus pais tinham jamais terminaria.
Estudar dava muito trabalho e eu não precisava, queria viver a vida.
— Ao ouvir o que ela dizia não me contive, Júlia.
Eu não podia acreditar e disse quase gritando.
— Não pode estar falando de você, Rosana?
Você não é essa pessoa!
— Ela começou a rir:
— Você não me conhece, Sueli.
Não sabe como fui ou como sou.
— Não conheço você há muito tempo, mas o pouco que conheço não tem nada a ver com essa Rosana que você está descrevendo.
Rosana que conheço, foi aquela que, mesmo sem me conhecer, me deu abrigo.
Deixou que eu morasse aqui, com todas as condições para que eu pudesse estudar!
Você é boa, Rosana!
— Ela continuou rindo, Júlia, e falando:
— Esta que está aqui, realmente é da maneira como você descreveu, mas nunca vou me esquecer daquela que fui.
— Não pode ser!
Não pode ser, Rosana! — Quase gritei, Júlia.
— Vou continuar contando como eu era e, depois, você vai ver se estou falando a verdade.
Como já disse antes, em toda a minha vida, Sueli eu nunca havia recebido um não.
Não usava um vestido ou um sapato por duas vezes e não estudava nem trabalhava, usava o meu tempo fazendo compras, sempre acompanhada por alguma amiga interesseira.
Em uma tarde, fui com minha amiga, Joana, até a uma loja de sapatos.
Naquela noite haveria outra festa na minha casa e eu, como sempre, precisava estar elegante e mais bonita do que qualquer outra.
Entramos em uma loja que eu nunca havia ido.
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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Out 19, 2017 7:20 pm

Assim que entramos, um rapaz se aproximou.
Quando o vi, meu coração bateu.
Ele era lindo!
Moreno, alto com os olhos verdes.
Realmente, eu nunca havia visto um rapaz tão bonito.
Ele, sorrindo, perguntou:
— Posso ajudar essas duas lindas moças?
— Fiquei um tempo sem conseguir responder, encantada com o seu sorriso.
Depois de algum tempo, apontei para a vitrine e disse:
— Por favor, queria ver aquele sapato.
— Ele sorriu e, mostrando com a mão um sofá que havia ali, disse:
— Sentem-se, vou buscar.
Qual é o número?
— Trinta e seis.
— Ele se afastou e eu entusiasmada com tanta beleza, disse:
— Ele é lindo, Joana!
— É mesmo, Rosana.
— Eu quero esse homem para mim, Joana!
— Se você quer, vai ter, Rosana!
Sempre teve o que quis!
— Senti uma ponta de inveja, Sueli, mas não liguei, já estava acostumada com aquilo.
A única coisa que queria e sabia que conseguiria era aquele homem.
Saímos dali e voltamos para minha casa.
Lá fiquei pensando em uma maneira de me aproximar dele e conquistá-lo.
Logo percebi que não seria difícil, bastaria que eu voltasse à loja e comprasse sapatos.
Foi o que fiz.
Na manhã, seguinte, bem cedo, eu estava lá.
Ele, quando me viu ali outra vez, se admirou e, sorrindo, perguntou:
— Tão cedo aqui?
Veio trocar algum dos pares de sapato que comprou?
— Não. Vim comprar um daqueles ali. — Respondi apontando com um dedo para a vitrine.
— Isso é óptimo!
Venha, sente-se vou buscar.
— Enquanto ele se afastava, pensei:
Definitivamente, quero esse homem para mim!
— Ele voltou trazendo alguns pares de sapatos.
Nem sei se gostei, mas escolhi um e comprei.
Durante um mês fui à loja, duas ou três vezes por semana e comprava sapatos.
Não tenho ideia de quantos pares de sapatos comprei.
Sempre que eu chegava, ele me recebia com um sorriso.
Lógico que era pela comissão que recebia.
Ele sempre me tratou como cliente, mas na minha cabeça doente acreditava que era porque estava apaixonado.
Como ele nunca tentou me conquistar, achei que fosse por timidez.
Resolvi que precisava tomar a dianteira.
Meus pais estavam na fazenda e meu irmão estudava em São Paulo.
Eu quase sempre ficava sozinha em casa, apenas com os empregados.
Sempre fiz o que quis e nunca ninguém ousou me contrariar, nem meus pais.
Por isso, sem pedir autorização, organizei mais uma festa para a próxima semana, no sábado.
Sabia que, com ele na minha casa, bebendo e comendo, seria mais fácil me aproximar e me declarar.
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