Apenas Começando / Elisa Masselli

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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 01, 2017 8:39 pm

O esclarecimento
Algum tempo depois de ter adormecido, Júlia abriu os olhos e estava novamente no jardim da casa de Maria Inês e ao lado de Alzira e de Ciro.
Percebeu que eles estavam felizes, Alzira disse:
— Parabéns, Júlia!
— Vocês já sabem que estou grávida?
— Parabéns por isso também!
— Não estou entendendo...
— Você, depois de muitas encarnações, conseguiu passar por uma das provas mais difíceis!
— Que prova?
— Você escolheu a vida!
Escolheu ter o seu filho!
Júlia se lembrou:
— É verdade, mas foi no último minuto.
— Não importa.
O importante é que conseguiu.
Usou seu livre-arbítrio com sabedoria.
Por isso, daqui para frente, só vai ter felicidade.
Tudo vai dar certo.
— Vocês sabem que não preciso me mudar e que vou trabalhar com a Sueli?
— Claro que sabemos e estamos felizes por isso.
— Desde a última vez que nos vimos, fiquei preocupada e curiosa para saber o que aconteceu com Maria Inês e com Luiz Cláudio.
Ela ainda continua naquele lugar horroroso?
Ele ficou desmoralizado como ela queria?
Ele se casou com Eulália?
— Calma! Uma pergunta de casa vez, Júlia.
Olhe o que aconteceu.
Júlia entrou e viu quando Zefa entrou no quarto e encontrou o corpo de Maria Inês.
Desesperada, chamou Maria Augusta que, assim que viu o que a irmã havia feito, começou a chorar, desesperada, também.
Maria Augusta olhou para os lados e viu o papel onde Maria Inês havia escrito tudo o que aconteceu entre ela e Luiz Cláudio e qual era o motivo da sua morte, olhou para Zefa e disse:
— Zefa! Vamos queimar este papel.
Ninguém precisa ler e saber que ela se matou, muito menos que foi por causa de um homem.
— Foi issu qui ela iscreveu aí nessi papér?
— Sim, foi isso que ela escreveu.
Não podemos deixar que papai ou as outras pessoas saibam disso!
— Vossu pai percisa sabê...
— Não precisa nem vai saber, Zefa!
Ele acabou de perder a mamãe.
Já está sofrendo muito.
Imagino o que vai sentir, quando souber que Maria Inês também morreu.
Vai sofrer mais ainda se souber que ela se matou.
Não podemos contar, Zefa.
— Tá bão, Sinhazinha, mais i as outra pissoa num podi sabê, pur que?
— Se souberem, ela não poderá ser enterrada no campo santo.
Quando souberem que foi por causa de um homem e que estava esperando um filho, será pior.
Vai ficar desmoralizada e sua memória sempre será lembrada como suicida e assassina.
Não posso permitir isso.
Ela é minha irmã...
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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 01, 2017 8:40 pm

— Tá certu, Sinhazinha, mais u qui nois vai fazê?
— Vamos dar um banho nela e trocar sua roupa.
Depois a colocaremos na cama como se estivesse dormindo.
Quando tudo estiver certo, vou contar ao papai e dizer que não sabemos como aconteceu.
O doutor Evaristo vai aceitar o que eu disser.
Ela vai ser enterrada com toda pompa e as pessoas lamentarão por ela ter morrido tão jovem.
Esse segredo é nosso, Zefa!
Só nosso! Não conte nem ao Inácio.
— Num vô cuntá, Sinhazinha.
Num vô cuntá.
Ela era minha Sinhazinha i ieu gustava muitu dela.
— Sei que gostava, por isso vai me ajudar.
Vamos, temos muito a fazer.
Enquanto Zefa tirava as flores que estavam dentro de um vaso, Maria Augusta acendeu uma vela e colocou fogo em um dos cantos do papel que começou a queimar e as cinzas caírem dentro do vaso, onde havia água.
Em poucos segundos o papel não existia mais.
— Está feito, Zefa.
Minha irmã vai se lembrada com saudade e pesar.
Vai ter um enterro com toda pompa e será enterrada, dentro da igreja, ao lado de mamãe.
Júlia, ao ver aquilo, perguntou:
— Luiz Cláudio não ficou sabendo?
Maria Inês morreu à toa?
O que aconteceu com ele, se casou com Eulália?
— Calma, Júlia.
Uma pergunta por vez. — Ciro respondeu, sorrindo:
— Desculpe, sei que sou ansiosa, mas preciso saber!
— A ansiedade é um dos piores males do espírito, no plano espiritual ou no físico, os espíritos sempre se esquecem de que tudo tem um tempo certo para acontecer.
Luiz Cláudio, embora soubesse o motivo da morte de Maria Inês, continuou sua vida.
Casou-se com Eulália e, durante todo o tempo em que viveram juntos, teve várias outras mulheres.
Bebia muito e nunca a tratou com carinho e respeito.
Por causa da vida que levou, morreu antes do tempo determinado e, indirectamente cometeu suicídio.
Por isso, como aconteceu com Maria Inês, foi levado para o mesmo vale de sofrimento.
Eulália, embora sofresse ao ver o que o marido fazia, sempre teve medo de enfrentá-lo, de seguir sozinha.
Naquele tempo, a mulher tinha pouco ou nenhum valor.
Teve quatro filhos e viveu sua vida para eles.
— Depois da morte, Maria Inês e Luiz Cláudio se encontraram?
— Não, embora estivessem no mesmo Vale, suas culpas eram diferentes, portanto seus caminhos também.
Maria Inês, durante muito tempo, ficou se escondendo dos monstros que só ela via.
Por muitas vezes, reviveu o momento da sua morte e viu seu corpo sendo devorado pelos vermes na sepultura.
Sofreu muito e várias vezes tentou fugir, retornar.
Todos estavam preocupados e esperando que ela, finalmente entendesse que o motivo de estar naquele lugar foi por ter tirado sua vida.
Depois de muito sofrer, finalmente entendeu e começou a chorar e a pedir perdão por aquilo que havia feito.
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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 01, 2017 8:40 pm

Nesse momento, exultando de felicidade, seus amigos foram até ela e a resgataram.
Foi levada para um hospital espiritual, onde se recuperou e lamentou o que havia feito.
Disse que precisava de uma nova chance e que, da próxima vez, agiria diferente.
Luiz Cláudio, também, após passar muito tempo sofrendo, entendeu que se estava ali fora por causa de suas escolhas.
Fora por ter dado valor excessivo ao seu poder de sedução e por não ter valorizado as mulheres que seduziu e abandonou.
Pediu uma nova chance de redenção.
Depois de entender, pedir perdão e ajuda, ele foi resgatado por seus amigos e tratado.
Eulália também entendeu que havia deixado que seu espírito fosse aprisionado pelo medo de ser condenada pela sociedade.
Todos pediram uma nova chance.
Para isso foi convocada uma reunião, onde todos estariam presentes.
Quer assistir a essa reunião, Júlia?
— Claro que sim!
— Está bem, feche os olhos.
Júlia sorriu e fechou os olhos.
Alguns segundos depois, Ciro falou:
— Pode abrir os olhos, Júlia.
Ela abriu os olhos e viu que estava em uma sala, onde havia uma imensa mesa e que, ao redor dela, estavam sentados Maria Inês e todos os que haviam participado de sua vida.
Em uma das pontas da mesa estava sentado Ciro e, na outra, Alzira.
Os demais estavam sentados nas cadeiras que havia em volta.
Ciro, olhando para Maria Inês, perguntou:
— Agora que todos voltaram e passaram por tratamento, portanto, entenderam o que aconteceu, estamos aqui para nos prepararmos para a próxima encarnação.
Para isso, precisamos saber o que cada um pretende alcançar e como querem que seja feito.
Vamos começar com Luiz Cláudio.
Olhando para Luiz Cláudio, Ciro perguntou:
— O que aprendeu e o que pretende, Luiz Cláudio?
Como deseja renascer?
— Primeiro quero agradecer a todos vocês que tentaram me ajudar a fazer boas escolhas, mas como já acontece há muito tempo, voltei a fazer as mesmas escolhas erradas de sempre.
Novamente, usei meu poder de sedução para enganar, iludir, conseguir poder e para ter mais dinheiro.
Pretendo libertar meu espírito desses enganos que me escravizaram.
Para isso, quero renascer como um homem comum, sem tanto atractivo.
Prometo que, desta vez, vou ser o melhor marido e pai que jamais fui.
Ciro sorriu e se voltou para Eulália, perguntando:
— Você, Eulália.
O que aprendeu e o que pretende fazer?
Como deseja alcançar o seu desejo?
— Eu, pelo medo dos comentários da sociedade e pela dependência económica, tive medo de viver sem a presença de Luiz Cláudio, permiti que meu espírito fosse escravizado e humilhado por ele.
Pretendo renascer como uma mulher forte, independente e que possa tomar suas próprias decisões sem ter medo do que a sociedade vai falar.
Pretendo, assim, libertar meu espírito para poder caminhar.
Novamente, ele sorriu e, voltando-se para Maria Inês, perguntou:
— E você, Maria Inês.
O que aprendeu?
O que pretende?
Como deseja renascer?
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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 01, 2017 8:40 pm

Ela, ainda um tanto envergonhada, respondeu:
— Aprendi que, pelo meu orgulho, por não ter dado valor a meus pais, que me amavam e que tudo me deram, me tornei uma pessoa orgulhosa, intolerante e egoísta.
Aprendi que, por causa do meu orgulho e por não aceitar ter sido abandonada, cometi o pior dos erros, o suicídio e que se isso não bastasse, ainda impedi que um espírito pudesse renascer.
Por isso, pretendo renascer sem família.
Ter uma vida pobre e de muito trabalho.
Sofrer todo tipo de preconceito, e, desta vez, permitir que meu filho renasça e seja feliz.
Ciro olhando para os três, disse:
— Sabem que, quando estamos aqui, no plano espiritual, tudo parece ser fácil.
Sentimos que estamos protegidos e com forças para cumprir o que desejamos, mas, na vida física, tudo é diferente.
Espero que todos alcancem o que almejam.
Porém, precisam entender que terão de se encontrar e passar pelas mesmas situações e só poderão caminhar quando conseguirem passar por elas.
Muitas vezes, não vão aceitar nem entender a vida que vocês mesmos escolheram e irão se revoltar.
Todos nós, seus amigos, que estamos aqui, estaremos ao lado de vocês, tentando ajudá-los.
Entretanto, nunca poderemos interferir no livre-arbítrio de cada um.
Agora, vamos nos preparar para renascer.
Alguns, embora tenham de cumprir suas missões e resgatar seus enganos, renascerão para ajudar vocês fisicamente.
Outros permanecerão aqui enviando luzes e bons pensamentos.
Renasçam, tentem cumprir o que estão dizendo neste momento e queira Deus, que possam voltar vitoriosos.
Júlia ao ouvir aquilo, perplexa, perguntou:
— É verdade tudo o que vocês disseram?
Eles escolheram mesmo a vida que queriam ter em uma próxima encarnação?
Nenhum deles escolheu ter dinheiro, uma vida boa, porquê?
— Porque, embora na vida física, essas coisas atraiam muitos espíritos, o dinheiro, na maioria das vezes é motivo de queda, de atraso na caminhada.
O dinheiro, muitas vezes, torna a pessoa egoísta, orgulhosa e sentindo-se com muito poder.
Não que ter dinheiro seja ruim.
Ele deve servir para que sonhos possam ser realizados e todos precisam sonhar, desejar a felicidade para si e para os seus.
Deve-se lutar por ele, através do estudo, do trabalho, nunca através da trapaça, do engano e do crime.
Muitos atrasam a evolução por fazerem de tudo para ter sempre mais dinheiro.
Roubam, enganam, matam.
Todos têm a oportunidade de ter o dinheiro de que precisarem para poder viver de acordo com a vida que escolheram.
— Eu realmente escolhi a vida que vivo hoje?
— Maria Inês escolheu e foi nesse dia.
— Está dizendo que eu sou...
— Olhe para ela.
Júlia olhou para o lugar onde Maria Inês estava sentada e viu que ela se transformava na sua própria imagem.
Assustada, perguntou:
— Eu fui ela?
Eu fui Maria Inês e fiz todas aquelas coisas?
Não pode ser!
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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 01, 2017 8:40 pm

— Foi ela e fez todas aquelas coisas. Lembre-se.
Júlia começou a relembrar sua vida como Maria Inês.
Lembrou-se também do tempo em que passou no vale.
Desesperada, começou a chorar.
Alzira, tocando em seu braço, fez com que voltasse.
—Tudo isso aconteceu há muito tempo, Júlia.
Só fizemos com que se recordasse para que pudesse entender a vida que está levando hoje.
Olhe quem está entrando nesta sala.
Ela olhou e, para sua surpresa, viu os pais de Eulália que se transformaram em dois jovens.
Ela, sem saber de quem se tratava, sorriu.
Alzira continuou:
— Os pais de Eulália sempre gostaram e estiveram ao seu lado.
Voltaram, apenas, para que você pudesse nascer.
Tinham um projecto de trabalho que vai ajudar a humanidade e que os ajudaria a caminhar mais alguns passos.
Porém, por você, adiaram esse projecto.
Ficaram por pouco tempo na Terra, somente o tempo necessário para que você pudesse ser gerada e, assim, pudessem voltar para o projecto que adiaram.
A mãe de Eulália, agora, com o rosto de uma jovem se aproximou e, sorrindo, disse:
— Eu renasci com o nome de Jandira e meu marido, pai de Eulália como Homero.
Ele morreu alguns meses depois de você ter sido gerada e eu no dia em que você nasceu.
Assim, você teria o que pediu:
ser criada sem pais, e nós, felizes pela missão cumprida, continuamos com nosso projecto e, sempre que possível, ao seu lado.
Agora, estamos felizes ao ver que passou por suas provas, portanto, podemos continuar com o nosso trabalho.
Júlia, emocionada caminhou ao encontro deles, que estavam com os braços abertos.
Enquanto se abraçavam, ela, chorando, disse:
— Pensei tanto em vocês.
Imaginava como eram e me perguntava o porquê de terem me abandonado.
— Nunca a abandonamos, Júlia.
Estamos há muito tempo na mesma caminhada e continuaremos ao seu lado para sempre, até o dia em que pudermos caminhar juntos.
— Obrigada, muito obrigada.
Alzira se aproximou e, tocando no ombro de Júlia, disse:
— Olhe para Zefa, Júlia.
Júlia olhou para onde Zefa estava e viu que o rosto dela se transformou no rosto de Neide.
Perplexa, disse:
— Dona Neide?
A senhora foi a Zefa?
— Fui a Zefa, Júlia.
Não podia abandonar a minha sinhazinha.
Apesar de tudo, eu gostava muito dela, assim como gostei de você Júlia.
Alzira interrompeu:
— Zefa quis renascer para poder ficar ao seu lado, quando precisasse, e a encaminhar para a vida.
Quis ser directora de um orfanato, por que além de ajudar você, poderia ajudar outras crianças.
Júlia abraçou-se a Neide e, ainda chorando, disse:
— A senhora foi meu anjo da guarda.
Esteve sempre presente em minha vida.
Nunca vou conseguir agradecer.
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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 02, 2017 8:36 pm

— Você sempre me ouviu e correspondeu às minhas expectativas.
— A senhora morreu tão cedo...
— Assim que você se tomou uma profissional que poderia caminhar sozinha, minha missão terminou e eu pude voltar para casa.
Alzira falou novamente.
— Olhe para Maria Augusta.
Júlia olhou e viu surgir Sueli.
— Sueli? Você foi minha irmã?
Também se abraçaram.
Sueli, chorando, disse:
— Precisava pedir perdão a você...
— Perdão, por quê?
— Mesmo tendo tentado ajudar você, quando disse que estava esperando uma criança, não consegui.
Sempre me julguei culpada.
Se tivesse dado mais atenção, talvez não tivesse cometido o ato que cometeu.
O mínimo que podia fazer era renascer ao seu lado para que, quando tivesse de passar pela mesma prova, eu estivesse presente e, desta vez, ajudasse você realmente.
— Mesmo eu não tendo o que perdoar, pois, hoje eu sei que a culpa foi minha, Sueli, você ajudou!
Eu não cometi a mesma loucura.
Meu filho está dentro de mim e vai nascer!
Você me deu trabalho e um lugar para morar!
Obrigada, minha irmã...
Continuaram abraçadas até que Alzira falou novamente:
Olhe para Luiz Cláudio.
Ela olhou e viu que ele se transformava em Anselmo.
— Anselmo?
— Sim, Júlia.
Eu pedi uma nova chance e renasci ao seu lado.
Desta vez, eu teria de ter protegido você.
Não deveria ter iludido nem enganado, mas não resisti.
Voltei a fazer o que sempre fiz.
Abandonei você e o nosso filho.
Tinha também dívidas com Eulália.
Eu a fiz sofrer muito.
Desta vez eu pretendia ser um bom marido, mas não consegui e a traí novamente.
Júlia abraçou-se a ele:
— A culpa não foi só sua.
Eu fui fraca e não aceitei a rejeição.
Não aceitei ser abandonada, trocada por outra.
Mas, desta vez foi diferente!
Nosso filho vai nascer!
Eulália, agora com o rosto de Suzana, também se aproximou deles:
— Apesar de tudo, todos nós caminhamos um pouco mais.
Como Suzana, consegui, finalmente, a minha liberdade.
Consegui valorizar o que realmente tem valor, consegui decidir minha vida.
Novamente a voz de Alzira se fez ouvir:
— Tem razão, Suzana.
Caminhamos um pouco mais em direcção à Luz Divina.
Desta vez, voltamos ao nosso rumo e não nos afastaremos mais.
Agora, Júlia, olhe para aqueles que foram os pais de Maria Inês.
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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 02, 2017 8:36 pm

Ela olhou e começou a chorar novamente, pois, diante dela os pais de Maria Inês se transformaram em Teca e Altair.
— Teca? Altair?
Não pode ser! São vocês?
— Sim, Júlia.
Sempre estivemos ao seu lado.
— Senti tanto a morte de vocês e nunca me conformei por terem me abandonado.
— Hoje você entende a necessidade de que aquilo acontecesse, Júlia.
Tivemos que nos afastar para que você desse o verdadeiro valor à família.
Entendesse como a família é importante.
Você precisou ter uma para saber como era realmente.
Porém, nunca saímos do seu lado.
Estamos juntos a várias encarnações e continuaremos por muito tempo.
Vocês foram a melhor coisa que aconteceu em minha vida e se foi para eu aprender, posso falar com certeza que aprendi.
Obrigada pelos momentos maravilhosos que me proporcionaram.
Teca e Altair abraçaram Júlia que chorando, conseguiu matar a saudade que sentia deles.
Depois do abraço, afastando-se, disse:
— Nunca imaginei que tivesse tantos amigos.
Reclamei muito da solidão, sem saber que eu havia pedido e o quanto precisava dela.
Não sei como agradecer a vocês.
Alzira, sorrindo, disse:
Eu e Ciro, desta vez, não renascemos.
Continuamos no plano espiritual tentando ajudar a todos vocês, nos momentos de escolhas.
Estivemos, sempre, ao lado de todos vocês.
Principalmente ao seu lado, Júlia.
Nunca imaginei que tivesse tantos amigos torcendo por mim.
Ciro sorriu:
— Só a nós, Júlia? Olhe!
Júlia olhou e viu a sala ficar lotada de seus antigos escravos, e amigos que conheceu como Maria Inês.
Via que à medida que entravam, seus rostos iam se transformando em pessoas que conhecera como Júlia.
Viu Natália, tia Rosa, Jonas, Margarida e Inácio e até o motorista do táxi que encontrou no dia em que descobriu que Anselmo a havia abandonado.
Espantada com tantos, Júlia disse:
— Nem todos são meus amigos.
Alguns, assim, como tia Rosa, me magoaram muito.
Alguns, só vi uma ou algumas vezes.
— Como eu disse, todos tinham seus próprios resgates, sua missão.
Só encontrariam você em um momento decisivo.
Nem tudo é como parece, Júlia.
Os inimigos nem sempre são inimigos.
Quando surgem, na maioria das vezes é para nos ajudar a praticar o perdão, a humildade.
Rosa precisava fazer você sentir o valor de uma família.
Rosa se aproximou:
— E você me ensinou que embora se tenha muito dinheiro, nunca conseguiremos a felicidade total, se esse dinheiro foi ganho à custa da maldade, da inveja e da trapaça.
Júlia entendendo o que ela quis dizer, abraçou-se a ela e as duas choraram.
— Logo atrás, apareceu Paulo Octávio que sorrindo, disse:
— Embora eu tenha tentado, nunca consegui ficar ai ao seu lado.
Luiz Cláudio sempre esteve entre nós.
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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 02, 2017 8:37 pm

Espero que desta vez, seja diferente.
Júlia, sem entender o que ele dizia, perguntou:
— Eu vi o senhor naquele baile em que Maria Inês foi? Espere!
Estou me lembrando!
Já nos conhecemos em outras vidas.
— Sim, você me viu no baile.
Mais uma vez eu tentei me aproximar, mas você me ignorou.
Nesta vida, vou tentar novamente.
Talvez eu consiga.
— Espero que, assim que eu o vir, eu o reconheça.
— Também espero.
Alzira os interrompeu:
— Vocês se conhecerão em breve.
No casamento de Sueli.
Agora que está tudo esclarecido, está na hora de acordar, Júlia.
— Só não entendi uma coisa.
— O que foi, Júlia?
— Maria Augusta era diferente de Maria Inês.
Era uma moça de bons sentimentos, recatada, por que, como Sueli, teve de conhecer Nilson e passar por tudo aquilo?
— Como eu disse, todos, além se ajudar você, precisavam resgatar e a cumprir sua missão.
Maria Augusta era sim uma moça recatada e tinha bons sentimentos, mas, como aconteceu com você, Anselmo e Suzana, por muitas outras encarnações, esteve envolvida com Nilson e com sua esposa.
Precisou escolher o caminho que queria caminhar e fazer com que Nilson escolhesse com quem queria ficar.
Hoje, como Sueli, ela não tem mais mágoa e, por isso, será feliz ao lado de Eduardo.
Ele está, há muito tempo, esperando por ela.
Agora precisa acordar, mesmo, Júlia!
— Não posso ficar mais um pouco?
— Não, Júlia. Precisa voltar.
— Está bem, só queria esclarecer uma coisa.
Do que adianta eu saber de tudo isso, se estou sonhando e quando acordar não me lembrarei do que vi aqui?
— Você terá a impressão de que não se lembra, mas pode ter a certeza de que, quando precisar, se lembrará.
Talvez não com a nitidez como está acontecendo aqui, mas saberá sempre que já viveu aquilo e que, desta vez, precisa mudar a história.
Júlia ia fazer mais uma pergunta, mas dando um pulo, como se tivesse sido puxada de volta para o corpo, acordou e pensou:
Que sonho louco foi esse?
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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 02, 2017 8:37 pm

Epílogo
Durante mais de um mês, Anselmo tentou de todas as maneiras possíveis fazer com que Suzana mudasse de ideia, sem resultado.
Ela estava no firme propósito de mudar sua vida e sua maneira de ser.
Em uma de suas últimas conversas, ele, nervoso disse:
— Você não sabe o que está fazendo, Suzana!
Está morando em um casebre e levou meu filho para morar naquela pobreza toda!
Afastou o menino de seus amigos!
Isso está errado!
— Em primeiro lugar não estou morando em um casebre!
Moro em uma casa simples só de um quarto, mas estou feliz, como nunca estive e Rodrigo também!
Aqui ele brinca na rua com outras crianças.
Vive ao ar livre e pode correr o quanto quiser!
Não está preso dentro de um apartamento, vendo televisão!
Sei que você não entende como outras pessoas não entenderão, mas apesar de ter estudado tanto, não sabia o que era felicidade.
Estou feliz com o meu trabalho.
As negociações estão caminhando bem.
— Não me venha com essa conversa!
Você fez tudo isso, por causa de um homem!
Abandonou a nossa casa, a nossa vida e a mim, somente por causa de um homem!
— Não foi por causa de um homem, Anselmo!
Talvez ele tenha servido de instrumento para que eu olhasse para a vida que tinha antes, porém, com ele ou sem ele, sei que aquela vida não me trazia felicidade!
Não sei se vou continuar com ele ou não, só sei que estou livre de qualquer amarra e que posso escolher a vida que quero para mim.
Não sei se é a escolha certa, só sei que escolhi e que vou aguentar as consequências.
— Não está pensando no futuro de seu filho!
Ele não precisa nem pode ser criado aqui e dessa maneira!
— Enquanto ele for criança, não existe lugar melhor para ser criado.
Quando chegar a hora e ele precisar estudar, pensaremos em como fazer, pois, embora não continuemos juntos, ainda somos pais dele.
Enquanto isso, ele vai aprender os reais valores da vida.
Vai aprender que o ser deve valer mais do que o ter, assim como eu aprendi.
— Aprendeu o que, Suzana?
— Aprendi que todo objecto de desejo, perde seu valor assim que adquirido e que nunca estamos satisfeitos, sempre queremos mais coisas e para isso, alguns trabalham demais, outros roubam e até matam.
Nosso filho vai aprender que todo sonho deve ser realizado, que poderá ter o que quiser, desde que não deixe de viver, de aproveitar a vida e não fazer como eu fazia, que ficava trabalhando vinte e quatro horas, somente para ter coisas, sem ter tempo de usufruir o que conquistara.
— Você mudou mesmo, Suzana...
— Mudei e estou feliz por isso, Anselmo.
Anselmo, sem ter mais argumentos e percebendo, finalmente, que seu casamento havia terminado se despediu e foi embora.
Faltavam dois dias para o casamento de Sueli.
Ela estava empolgada.
Enquanto almoçavam, disse:
— Finalmente, está chegando o dia, Júlia.
Ainda bem que está tudo pronto e que você está trabalhando aqui.
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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 02, 2017 8:37 pm

— Eu é que não sei como agradecer.
Se não fosse por você nem sei o que teria acontecido com a minha vida.
— Nem pense em agradecer, Júlia.
Estou muito feliz por ter contratado você.
As contas estão em ordem e minha única preocupação foi a de organizar tudo para o meu casamento.
Espero que, mesmo depois de a criança nascer, você não me abandone.
Não consigo mais ver este restaurante sem os seus cuidados.
Júlia sorriu.
— Não se preocupe com isso.
Não tenho intenção alguma de sair daqui.
Também estou gostando do trabalho.
Sueli ia dizer alguma coisa, mas, por alguns segundos, ficou calada olhando para a porta de entrada do restaurante.
Depois disse:
Júlia, não olhe agora, mas Anselmo acabou de entrar no restaurante.
— O que?
— Entrou e está vindo para cá.
Júlia não se conteve.
Embora sentisse seu corpo inteiro tremer, levantou-se e se virou para onde ele estava.
Anselmo se aproximou e, sorrindo, perguntou:
— Como está, Júlia?
Ela, ainda tremendo muito e sentindo que o sangue sumia de seu rosto, respondeu:
— Estou bem e você?
— Precisamos conversar.
— Acho que precisamos mesmo, Anselmo.
Sente-se.
— Enquanto vocês conversam vou para a cozinha.
Está se aproximando a hora do jantar e tudo precisa estar preparado.
Você vai ficar bem, Júlia?
Com a voz trémula, Júlia respondeu:
— Poder ir, Sueli e não se preocupe, vou ficar muito bem.
Sueli tentou sorrir e se afastou.
Ela sabia que aquilo era o que Júlia mais queria, que Anselmo voltasse.
Assim que ela se afastou, ainda tremendo, Júlia disse:
— O que está fazendo aqui, Anselmo?
— Passei pelo seu prédio e o zelador disse que você estava trabalhando aqui.
— Sim, estou.
Sueli pediu que eu a ajudasse com a parte burocrática do restaurante.
Estou gostando muito do trabalho.
— Estou aqui para pedir perdão pelo que fiz a você, Júlia.
— Já faz mais de três meses, Anselmo.
— Sinto muito, Júlia.
Jamais vou me perdoar pelo que fiz a você, mas foi bom, pois, agora sei que você é a mulher da minha vida.
É a única com quero ficar.
Júlia começou a chorar:
— Não pode imaginar como esperei que você voltasse e me dissesse o que está dizendo, Anselmo.
— Por favor, Júlia.
Não quero que chore nem que sofra nunca mais.
Prometo que vou fazer com que seja a mulher mais feliz deste mundo.
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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 02, 2017 8:38 pm

— Como eu disse, muito tempo se passou e coisas aconteceram.
Tenho algo importante para dizer a você.
— O que é, Júlia?
O que aconteceu de tão importante?
— Nem sei como dizer, pois eu mesma não entendo muito bem o que aconteceu.
Andei tendo uns sonhos estranhos.
Não me pergunte o que sonhei, pois não me lembro muito bem.
Só sei que sempre que despertava, sua lembrança ia ficando mais distante e eu me sentia livre.
Não sei porque você me abandonou sem explicação, mas isso não importa mais, Anselmo.
Estou bem e, embora eu, em alguns momentos tenha pensado que tudo havia terminado, como Sueli sempre diz, na realidade estava apenas começando.
Sinto que tenho uma vida pela frente e que ela está bem longe de você.
— O que está dizendo, Júlia?
— O que ouviu, Anselmo.
Eu tenho uma vida para seguir e não quero que seja ao seu lado.
— Não pode estar dizendo a verdade, Júlia.
Você sempre me amou e sempre quis ficar comigo.
Está se vingando pelo que fiz?
— Não, Anselmo.
Não estou querendo me vingar.
Até o momento em que você chegou, achei que se isso acontecesse, eu nada diria ou perguntaria e cairia em seus braços, mas, assim que o vi, percebi que nada mais restava.
Não gosto mais de você.
Estou livre do seu domínio.
Vou seguir minha vida, porém, sozinha.
Agora, se me der licença, preciso voltar ao meu trabalho.
Até nunca mais, Anselmo.
— Eu preciso explicar o que aconteceu e por que eu agi daquela maneira.
— Não estou interessada em suas explicações.
Elas nada representam para mim.
Antes que ele dissesse qualquer coisa, ela se levantou e foi para os fundos do restaurante, onde ficava o escritório.
Sueli, estava escondida em um lugar de onde podia ver os dois conversando, assim que Júlia passou pela cozinha, viu que Anselmo continuava sentado e olhando para a porta por onde ela havia entrado.
Assim que entrou no escritório, Sueli perguntou, curiosa:
— O que aconteceu, Júlia?
Veio pegar a bolsa para sair com ele?
Júlia sentou-se em sua cadeira e, sorrindo, falou:
— Não, Sueli.
Ele já saiu da minha vida.
— O que está dizendo?
Sei que queria que ele voltasse!
— Também achei isso, mas, assim que o vi, lembrei-me de algumas coisas que vi em meus sonhos e senti que precisava ser livre e que, para isso, precisava me afastar dele.
Depois que conversei com ele, sinto que isso aconteceu.
Estou livre, Sueli.
Livre dele e de todos os pensamentos ruins que sempre tive em relação à minha vida.
Tudo o que sofri, ficou no passado.
Sinto que daqui para frente, vou, finalmente, ser feliz!
— Ele contou o que aconteceu para ter ido embora e agora, voltado?
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Ave sem Ninho

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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 02, 2017 8:38 pm

— Tentou. Você pode não acreditar, mas não me interessa mais.
Quero viver a vida da maneira como ela vier, sem reclamar, apenas viver.
— Falou com ele sobre a criança?
— Não.
— Ele precisa saber.
É o pai, Júlia!
— Quando meu filho ou filha crescer e quiser conhecer o pai, talvez eu conte, mas agora, não.
Essa criança é só minha.
Sei que tenho capacidade de dar tudo o que ela precisar além de muito amor e carinho.
— Nada disso faltará a ela, Júlia.
Estou aqui para ajudar você.
Júlia levantou os olhos e, rindo disse:
— Você e nossos amigos lá de cima!
Sueli também riu:
— Tem razão.
Agora, vamos preparar o jantar.
Os clientes, daqui a pouco, começarão a chegar.
Anselmo saiu dali, sem acreditar no que estava acontecendo em sua vida.
Pensou:
Isso não pode estar acontecendo.
O que será que fiz para que tudo isso esteja acontecendo?
Não sei o que vou fazer.
Não sei viver sozinho...
Sueli foi para cozinha e Júlia continuou no escritório.
Colocou a mão sobre a barriga e pensou:
Você vai ser feliz e, quando precisar vou estar sempre ao seu lado e os nossos amigos também.
Riu e continuou seu trabalho.
Quando o último cliente saiu, elas também saíram e foram para casa.
Quando estavam chegando ao apartamento, viram que um carro parou em frente à porta do prédio.
Um rapaz desceu do carro.
Assim que o viu, Sueli perguntou:
— Mário, você veio mesmo?
— Claro que sim!
Fiquei feliz quando recebi o convite do seu casamento.
Nada faria com que eu perdesse e conhecesse melhor essa moça.
Sueli olhou para Júlia e, rindo, disse:
— Este é Mário, filho do seu Osvaldo que me ajudou a levar você para o hospital.
Júlia um pouco constrangida, disse:
— Desculpe-me pelo trabalho que dei naquele dia.
— Não tem do que se desculpar.
Se aquilo não tivesse acontecido, provavelmente, eu não a teria conhecido.
Segundo a nossa amiga aqui, tudo está sempre certo e estamos sempre começando.
Espero que esse seja um novo começo para nós dois.
Júlia olhou para Sueli que rindo, disse:
— Não tenho culpa.
Só disse o que acredito.
Agora, vamos subir?
Quando entraram no apartamento, Sueli, rindo muito, disse:
— Sabe que Mário não mentiu?
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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 02, 2017 8:38 pm

— Sobre o que?
— Ele veio somente para conversar e conhecer você.
Naquele dia, ele ficou impressionado com sua beleza.
— Está brincando, Sueli!
— É verdade, Júlia!
Desde aquele dia, temos conversado muito a seu respeito!
Ele sabe tudo o que tem acontecido com você.
— Tudo?
— Tudo! Até sobre a criança que está esperando.
— Como pôde fazer isso, Sueli?
— Eu precisava ajudar você e, já que ele demonstrou interesse...
— Está bem.
Ele até que é bonitinho...
— Bonitinho? Ele é lindo!
Que o Eduardo não nos ouça.
— Não tem perigo, Sueli.
Ele só vai chegar amanhã, não é?
— Sim. Depois do casamento não vai viajar mais.
Assim que voltarmos da lua-de-mel, nós nos mudaremos para nossa casa.
Júlia lembrou-se do rosto de Mário e, sorrindo, disse:
— Ele é bonito mesmo!
— É, sim, Júlia.
Agora vamos nos deitar?
Estou um prego...
— Eu também.
Quando se deitou, Júlia olhou para o tecto do quarto e falou baixinho:
— Obrigada, meus amigos.
Espero ter, outra vez, um sonho daqueles.
Sorriu e ajeitando-se no travesseiro, adormeceu.
Alzira e Ciro também sorriram.
Ela disse:
— As escolhas foram feitas e tudo de ruim ficou para trás.
Agora, ela está no rumo certo.
Vamos esperar para ver o que vai acontecer.
Abraçados, desapareceram.

Fim
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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 02, 2017 8:38 pm

Leia a seguir o 1º capítulo do livro Nem tudo está Perdido

Idealizando o futuro
Telma entrou em casa correndo, gritando e trazendo em suas mãos um papel.
Estava feliz e, ao encontrar a mãe, disse de uma só vez:
— Mamãe! Mamãe! Eu consegui!
O juiz me deu este papel e com ele posso começar a trabalhar!
E, quando eu fizer quatorze anos, vou poder tirar a minha carteira profissional.
Não disse que tudo ia ficar bem?
— Que bom, minha filha!
Mas você é tão novinha para começar a trabalhar...
— Novinha nada, mamãe.
Já fiz treze anos e está mais do que na hora!
Só vou ganhar meio salário mínimo, mas vai ajudar!
A senhora não acha?
— Claro que vai.
Além do mais, pensando bem, embora seja muito novinha, o que ia ficar fazendo em casa?
Acho muito bom que comece a trabalhar e a aprender uma profissão.
Vou ficar mais tranquila sabendo que está trabalhando ao invés de ficar saindo com as amigas.
Ainda bem que você entende que a nossa situação não é muito boa.
Estamos passando por um período muito ruim.
O que seu pai recebe de salário não é quase nada.
— E ainda gasta uma boa parte com os amigos e a bebida, não é, mamãe?
— E sim, mas, tirando isso, ele sempre foi um bom pai.
Comprou esta casa, temos onde morar.
— Tá bem que ele comprou a casa.
Mas chega bêbado quase todos os dias.
E, quando isso acontece, briga sem motivo e bate na senhora.
Quantas vezes ele já bateu na senhora, mamãe?
Não entendo por que continuou... e continua ao lado dele...
— É que apesar de tudo eu sempre gostei muito dele, e o pior é que não tenho profissão.
Se me separasse dele, como a gente ia sobreviver?
Já pensou nisso?
— Como pode gostar de um homem que bate na senhora?
Não entendo mesmo.
Eu nunca vou ser igual à senhora, vou me casar com um homem muito rico e que possa me dar uma boa vida.
Se ele me maltratar, eu o abandono!
Nunca vou ser judiada, mas não vou mesmo, mamãe!
— Deus te ajude, Telma.
Desejo de coração que sua vida seja bem melhor que a minha, mas você é ainda muito criança, não entende nada da vida.
— A minha vida vai ser muito boa e rica, mamãe!
A senhora vai ver.
Posso ser criança, mas de uma coisa tenho certeza:
a minha vida será muito diferente da sua!
Mas isso agora não tem mais importância, vou arrumar um emprego e tudo vai mudar.
Pelo menos a Sueli e o Marquinhos vão ter um pouco mais de conforto.
Até já trouxe um jornal, vou ver se tem alguma coisa aqui por perto.
E, também, agora já são três horas da tarde... não vai adiantar nada eu sair para procurar emprego.
Mas amanhã saio bem cedo e sei que vou encontrar.
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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 02, 2017 8:39 pm

— Faça isso e que Deus te abençoe.
Telma foi para a sala.
O rádio estava ligado, mas ela não prestou atenção.
Estava querendo arrumar um emprego e, tinha certeza, arrumaria.
Abriu o jornal na página dos classificados e começou a procurar.
Depois de ler alguns anúncios, encontrou um que lhe pareceu ser bom, foi para a cozinha com o jornal na mão.
— Acho que encontrei, mamãe!
Este aqui é perto de casa, estão pedindo uma moça para aprendiz.
Amanhã bem cedo eu vou até lá!
Pensando bem, não vou esperar até amanhã, vou agora mesmo!
— Não seria melhor deixar para amanhã?
— Não sei nem do que se trata, vou até lá só para ver.
Se me atenderem hoje, tudo bem, se não, volto amanhã.
— Está bem, minha filha.
Vá e que Deus te ajude a conseguir o emprego.
Telma estava feliz; sentia que dali para a frente poderia se tornar independente.
Foi para seu quarto e, enquanto se arrumava, pensava...
não precisarei mais aturar as implicâncias do meu pai, pois sim, que ele é muito implicante, principalmente comigo.
Não entendo por que faz isso, mas aprendi a conviver com a situação e, sempre que ele implica, não me importo porque tenho certeza que vai ser por pouco tempo, só até eu arrumar um homem rico que me tire desta casa.
Terminou de se arrumar e olhou no espelho que havia em uma das portas do guarda-roupa...
Preciso me arrumar muito bem, quero me apresentar bem para causar boa impressão e conseguir o emprego.
Depois de pronta, foi para a cozinha, onde sua mãe preparava o lanche da tarde.
Ao entrar, sorriu e perguntou:
— Estou bem, mamãe?
— Está linda, minha filha! — a mãe se voltou e respondeu, também com um sorriso.
— Vou até lá e tento ser entrevistada hoje mesmo.
Se não conseguir, volto amanhã.
— Vá com Deus e que Ele te abençoe.
Ela saiu radiante.
Sentia que conseguiria aquele emprego, precisava dele, mas, também, se não conseguisse, não tinha importância, tentaria no dia seguinte e em todos os dias, até conseguir.
O mais importante já tinha, que era o papel do juiz autorizando-a a trabalhar.
Pelo anúncio do jornal, a rua ficava no seu bairro, mas ela não sabia onde.
Perguntou para algumas pessoas e descobriu qual era.
Encaminhou-se para lá.
Ao chegar no endereço, encontrou uma casa com um letreiro que dizia:
Escritório de contabilidade.
Ela não sabia o que aquilo significava.
Nunca havia visto ou ouvido aquele nome, mas, mesmo assim, tocou a campainha.
Uma porta se abriu e surgiu um rapaz, que perguntou secamente:
— Pois não?
— Estou aqui por causa do anúncio — ela respondeu com a voz trémula.
— Você tem carteira profissional?
— Não, só o papel do juiz. Peguei hoje.
— Pode abrir o portão e vir até aqui.
Ela obedeceu. Suas pernas tremiam muito, estava nervosa, pois aquela era a primeira vez que se candidatava a um emprego.
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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 02, 2017 8:39 pm

Lentamente subiu alguns degraus que a levariam até a porta.
O rapaz olhava sério para ela, sem mover um músculo do rosto e parecendo ser muito brabo, mas ela não se importou, aproximou-se e levantou os olhos para ele ao ouvi-lo dizer:
— Deixe-me ver o papel.
Telma abriu a bolsa, tirou o papel e entregou para aquele rapaz mal-humorado.
Ele, olhando para o papel e afastando-se para que ela entrasse, disse com cara de poucos amigos:
— Pode entrar.
Sente-se e espere um pouco.
Doutor Roberto vai atendê-la.
Ela, ainda tremendo, sentou-se na primeira cadeira que encontrou e, enquanto ele saía da sala, acompanhou-o com os olhos.
Notou que, embora sua atitude fosse ríspida, ele era um rapaz bem bonito...
Ele já é velho, deve ter quase trinta anos, mas é muito bonito...
Ficou ali, sentada, olhando os belos quadros que decoravam a sala.
Olhou também para uma porta, que devia dar para um corredor, de onde vinha muito barulho de máquina de escrever.
Sentiu vontade de sair correndo, mas pensou:
Já que estou aqui, só me resta esperar.
Vamos ver o que vai acontecer.
Tomara que eu consiga esse emprego.
Na parede à sua frente viu um relógio.
E foi olhando tudo à sua volta.
Mas os olhos voltavam-se sempre para o relógio, que parecia parado.
Ela começou a ficar aflita.
Está demorando muito.
Tinham passado apenas cinco minutos quando a porta em que o rapaz entrou foi novamente aberta e, por ela, saiu uma moça que disse:
— Queira me acompanhar.
O doutor Roberto vai te atender.
Telma levantou-se e, tremendo muito, acompanhou-a.
Como ela havia imaginado, por detrás da porta havia realmente um grande corredor com muitas outras portas.
Caminhou, acompanhando a moça, e percebeu que, em cada uma daquelas salas, muitas pessoas trabalhavam.
Nunca havia entrado em qualquer tipo de escritório, por isso tudo lhe encantava.
A moça parou diante de uma das portas, bateu levemente e entrou.
— Doutor, essa é a moça que veio para a entrevista.
— Obrigado, Nara, pode se retirar.
Nara saiu e ele, ainda olhando para o papel em suas mãos, em que o juiz autorizava Telma a trabalhar, perguntou:
— Seu nome é Telma, não é?
— Sim, senhor.
— Sente-se e vamos conversar.
Já trabalhou em um escritório?
— Não, senhor, só hoje consegui o papel do juiz — respondeu timidamente, sentando-se em uma cadeira que ele lhe apontou.
— Quer dizer que não tem prática em escritório de administração e contabilidade?
— Não, senhor, para ser sincera é a primeira vez que entro em um escritório.
— Você estuda?
— Não, só tenho o diploma do primário. Terminei quando tinha onze anos, mas até agora não consegui ir para o ginásio.
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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 02, 2017 8:39 pm

— Devia continuar os estudos, pois é muito importante.
— Sei disso, fiz prova de admissão para poder entrar no ginásio, mas não consegui.
Não sei se o senhor sabe, mas é muito difícil se entrar em um ginásio do Estado, além do mais, mesmo que passasse, teria que estudar durante o dia e não posso fazer isso, preciso trabalhar para poder levar dinheiro para casa.
— Isso é terrível.
Uma menina como você não precisaria ter uma preocupação como essa e a escola pública deveria atender a todos, mas infelizmente isso não acontece.
Quem sabe, um dia, haverá escola para todas as crianças...
— Também espero por isso, estudei até ao quarto ano em um colégio de freiras, no Círculo Operário, porque foi de graça.
Depois que recebi meu diploma do primário, não consegui passar na prova de admissão do grupo escolar.
— É uma pena, esperamos que um dia isso mude.
Mas, por outro lado, já que não tem escola, é melhor que, para jovens assim como você, exista essa autorização do juiz para trabalharem, pois, além de aprender uma profissão, vão ter dinheiro para levar para casa e não vai sobrar muito tempo livre para fazer bobagem.
O trabalho nunca fez mal a ninguém.
— Também penso assim, doutor.
Eu não tenho nada para fazer em casa e, com o meu dinheiro, posso ajudar com as despesas em casa ou, ao menos, comprar alguma coisa que goste, e para meus irmãos também.
— Bem, sendo assim, poderá começar como aprendiz.
Terá toda a oportunidade de aprender e poderá, se quiser, subir de cargo.
Tenho por formação dar oportunidade para todos aqueles que desejam aprender.
Muitos dos meus funcionários começaram assim, como aprendizes, e hoje exercem cargo de confiança, que é o que mais me interessa: poder confiar em todos eles.
Também comecei, assim como você, sendo apenas um aprendiz.
Hoje, tenho não só este escritório, mas outros três.
Já que nunca trabalhou, não temos mais o que conversar.
Venha amanhã às oito horas e traga este papel do juiz.
Terá trinta dias de experiência.
É o suficiente para ver se continua trabalhando, ou não.
Após terminar de falar, levantou-se, entregou o papel do juiz para Telma e estendeu a mão, despedindo-se.
Ela, timidamente, pegou na mão dele bem devagar, desviando os olhos.
Ele, sorrindo, disse:
— Primeira lição, nunca desvie os olhos quando alguém a cumprimentar ou estender a mão para você, aperte com vontade.
É desagradável apertar uma mão trémula.
Demonstra insegurança, e isso não é bom.
Telma não sabia o que dizer.
Ela estava realmente insegura, aquele homem que estava à sua frente era o seu futuro patrão, dono daquele imenso escritório, e devia ter muito dinheiro, portanto era um homem poderoso.
Ele percebeu que ela estava sem acção.
Sorrindo, estendeu a mão novamente e desta vez ela, olhando em seus olhos, apertou com vontade, dizendo:
— Obrigada, doutor.
Amanhã vou estar aqui na hora marcada e fazer tudo para aprender.
— Está bem.
A primeira lição parece que aprendeu.
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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 02, 2017 8:39 pm

Agora pode ir.
Telma levantou-se e abriu a porta para sair.
Assim que a porta se abriu, encontrou Nara, que a esperava e a acompanhou até a porta de saída.
Já na porta, perguntou:
— Deu tudo certo?
Você vai trabalhar com a gente?
— Vou, sim. Amanhã estarei aqui às oito horas.
— Que bom, sei que vai gostar.
— Obrigada.
Telma saiu e, já na rua, levantou os olhos, olhou novamente para a placa.
Riu sozinha, pensando:
Não sei nada do que se faz em um escritório de contabilidade, muito menos num de administração, só sei que vou aprender o que me ensinarem e que um dia terei um igual a esse, com placa e tudo!
Começou a andar rápido, precisava chegar logo em casa e contar tudo para a mãe.
Estava realmente feliz.
Assim que chegou no portão de sua casa, parou.
Começou a ouvir gritos que vinham de dentro de sua casa e pensou, nervosa:
estão brigando novamente.
Ele deve ter chegado bêbado outra vez e está dizendo todas aquelas barbaridades.
Meu Deus, quando isso vai terminar?
Por que minha mãe não o abandona?
Devagar abriu o portão, caminhou pelo quintal e, entrando pela porta da sala, que estava aberta, viu sua mãe chorando, sentada em uma das cadeiras que ficavam ao redor da mesa da sala.
Mal sentados em outra, Sueli e Marquinhos choravam abraçados.
Ela correu para onde eles estavam e os abraçou.
Ficou olhando para sua mãe, que continuava chorando, e para seu pai, que andava de um lado para outro.
Com muita raiva, não disse nada, mas pensou:
Não sei, neste momento, qual dos dois eu odeio mais.
Ele, por estar bêbado, ou ela, que, além de aturar tudo isso, ainda fica chorando.
Eu nunca vou permitir uma coisa dessas!
Se meu marido for bêbado dessa maneira, eu o abandono, e ele não vai ter nem o meu endereço!
Mas não adianta eu dizer nada, já estou acostumada com essas brigas.
Daqui a pouco ele vai dormir e amanhã acorda como se nada tivesse acontecido.
Não vai beber por dois ou três dias, mas depois começa tudo de novo!
Não suporto mais esta vida!
Ainda bem que consegui o emprego.
Sei que daqui a alguns anos vou ter condições de sair desta casa levando minha mãe e meus irmãos.
Como ela havia previsto, o pai se encaminhou para o quarto.
Após algum tempo, Sara, sua mãe, levantou-se da cadeira, enxugou os olhos e foi até a porta do quarto, olhou e constatou que ele estava dormindo.
Voltou para a sala.
— Agora ele adormeceu, Telma, e amanhã tudo será diferente.
Ele vai pensar no que fez e não vai beber mais...
Telma não aguentou mais, levantou-se e disse nervosa:
— O que a senhora está dizendo?
Ele não vai beber nunca mais?
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Re: Apenas Começando / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 02, 2017 8:39 pm

Claro que vai!
A senhora sabe disso!
Foi sempre assim, desde que eu era criança!
Fui criada no meio de brigas!
As crianças estão aí, assustadas e chorando!
A senhora não vê o mal que nos fez e continua fazendo?
— Sei disso, mas nunca pude fazer nada!
Nunca tive para onde ir, ao menos ele nunca deixou que nada faltasse para vocês.
Se eu saísse do lado dele, como criaria vocês?
— Não sei, poderia arrumar um trabalho!
— Trabalhar no quê?
Não tenho uma profissão, só aprendi a ser dona de casa!
Não sei o que fazer... — Sara recomeçou a chorar.
— Não adianta a senhora ficar chorando.
Precisa é encontrar uma maneira de sairmos desta casa!
Não suporto mais esta vida! — Telma gritou, indignada.
— Não temos para onde ir.
Além do mais, existem homens que, além de bater na mulher, batem também nos filhos... e isso ele não faz.
— Era só o que faltava!
Se ele se atrever a bater em mim ou nas crianças, juro que eu mato ele! Eu juro!
— Não fale assim, Telma!
Ele, apesar de tudo, é o seu pai.
Você tem que respeitar.
— Respeitar?!
Não acredito que a senhora pense realmente isso!
Não pode ser!
— Claro que pode ser, sim!
Os pais, sejam como forem, merecem respeito.
Você não pode se esquecer que mora na casa dele e que foi ele quem, além de ter te dado vida, te criou até hoje.
Telma não aceitava o que sua mãe falava, mas sabia que ela tinha razão.
Realmente ele a criara, e ela morava na sua casa...
Saiu da sala e foi para o quarto em que dormia com os irmãos.
Ao deitar-se já estava chorando... não queria que fosse assim, queria um pai carinhoso.
Ele nunca deixou faltar casa e comida, mas nunca nos deu carinho.
Quando não está bêbado, não conversa, chega do trabalho, janta e vai dormir.
Quando está bêbado, briga por qualquer coisa e bate muito na mãe.
Ainda bem que arrumei emprego, sinto que tudo vai mudar...
Depois de chorar muito, adormeceu.

§.§.§- O-canto-da-ave
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