Almas em Chamas - Josué/Eurípedes Kühl

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Re: Almas em Chamas - Josué/Eurípedes Kühl

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 30, 2017 10:14 am

- São benéficas essas suas reflexões, demonstrando que você não mais cometerá tais desatinos.
Para tranquilizá-la, vou contar algo bastante auspicioso.
Tom apaixonou-se pela filha do dono da fábrica, sendo correspondido, inclusive, breve serão pais, o que está aproximando as duas famílias.
Há possibilidade de Mirênio retornar ao antigo emprego, talvez em outro cargo.
Arrematou a informação, elucidando:
- Sabe como conseguimos, seu irmão e eu aproximarmo-nos de você?
Foi em razão desse arrependimento quanto ao Mirênio, gesto que se constituiu num pedido de perdão a Deus.
E, na verdade, quando isso acontece, não é a Deus que estamos implorando perdão e sim, a nós mesmos, ou melhor, à nossa consciência.
Essa é a sublimidade do Amor do Pai.
O arrependimento dói mesmo muito, dentro do peito, mas Deus, podemos dizer que no mesmo instante, sempre oferta a única anestesia a essa dor: a possibilidade de reparação e reconciliação.
Já se vê, minha filha, que tal dor pode durar um segundo ou um século, até mais, dependendo tão somente da disposição firme do arrependido palmilhar novas rotas, sob o sol do Evangelho de Jesus.
Quando Tom chegou a casa contou a Mirênio e Nilce a feliz aceitação dos pais de Angélica, a ele próprio e àquela situação, a de brevemente ser pai e da ideia de se casar com ela, grávida do seu filho.
Os pais abraçaram-no e Tom comentou:
- O doutor Karl quer que o senhor o procure amanhã cedo.
- Para quê?!
Será que é para...
- Claro, pai, só pode ser para lhe devolver o emprego.
- Louvado seja Deus - exclamou Nilce, abraçando e beijando Mirênio, emudecido pelas lágrimas abundantes, há muito bem guardadas e mesmo bem escondidas na alma, por tantas humilhações e tantas angústias.
Quando na manhã seguinte Mirênio se viu frente a frente com Karl, ambos fitaram-se longamente, mudos, como se um quisesse penetrar no pensamento do outro.
De facto, eram outros.
A vida os havia modificado para melhor.
Essa certeza visitou-os no acto.
Mirênio eliminara a insuportável postura de bajulador contumaz, que por invigilância moral, permitia fosse incensada por “F A”, cujo assédio obsessivo terminara.
Ao falar, trazia firmeza no olhar, ausente qualquer impressão de arrogância:
- O senhor convocou-me e aqui estou.
- Sim, Mirênio, para dois assuntos importantes:
o primeiro, estou precisando dos seus serviços aqui na “H&H”, para ser nosso director nacional de supervisão às agências autorizadas.
O brilho no olhar de Mirênio avalizou a readmissão na “H&H”.
Impassível, aguardou o segundo assunto.
Sabia qual seria.
- O outro ponto que quero falar é sobre... nosso neto.
- Ou neta.
Abraçaram-se efusivamente.
De tanta felicidade, lágrimas de ambos foram testemunhas.
Karl, vendo-o lacrimejar, desabou também a chorar, sem saber direito se pela gravidez da filha ou pelo retorno ao seu convívio profissional do ex-gerente e pela lembrança do pai.
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Re: Almas em Chamas - Josué/Eurípedes Kühl

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 30, 2017 10:14 am

Pela mente do poderoso dono da “H&H” perpassou uma veloz reflexão:
“Interessante, até parece que agora eu é que estou bajulando o Mirênio, pois vendo-o em lágrimas, chorei mais que ele”.
• • •
Karl e Cássia marcaram consulta com o doutor Edson em seu consultório particular.
Ao serem atendidos, surpreenderam-no, quando contaram seu propósito, saber o andamento da gravidez de Angélica.
Após identificar de quem se tratava, com a ficha médica de Angélica à mão, Dr. Edson comentou:
- Então ela é sua filha?
Esteve aqui uma vez e preocupadíssima com a reacção dos pais, isto é, de vocês.
- Como está a saúde dela? - atalhou Cássia, directa.
- Muito bem! Sem problemas.
Vocês serão avós de uma criança muito saudável.
- Obrigado, doutor.
Por favor, cuide dela da melhor forma possível.
- Fiquem tranquilos.
Tenho sempre um presente especial para os bebés que Deus me dá a honra de recepcionar na sua chegada ao mundo: Amor.
O casal estava deixando o consultório do médico, despedindo-se dele, quando, de chofre, Campos adentrou na sala de espera.
Esbaforido, não cumprimentou ninguém e pediu ajuda ao Dr. Edson, pois sua mulher estava em casa, passando mal, sinalizando parto iminente.
O médico concordou em ir à casa dele.
Foi até à sala de consultas para apanhar sua maleta.
Campos e Karl olharam-se por um segundo.
Olhar fixo. Tenso.
Nenhuma palavra. Deram-se as costas.
Karl e Cássia estavam já no carro, que ele próprio dirigia, quando viu o Dr. Edson sair do prédio, na companhia de Campos, aflitíssimo.
Sem dizer palavra.
Na mente do casal bailava uma pergunta:
“Será que a mulher de Campos é...?”.
Um incontrolável impulso fê-los acompanhar o carro do médico, guardando alguma distância para não serem percebidos por Campos.
Quando chegaram à casa do ex-motorista, Karl aguardou que ele e o médico entrassem.
Após alguns instantes desceu do carro, dirigindo-se ao portão de entrada.
Cássia acompanhou-o.
Um homem, com uma criança de uns quatro anos ao colo, cumprimentou-o:
- Doutor Karl, o senhor por aqui?
Era Mauro, o vigilante nocturno da “H&H”, com o filho, Maurinho.
Karl sabia que o conhecia, “mas não sabia de onde”.
Mauro ajudou-o:
- Sou segurança na fábrica do senhor.
Trabalho à noite.
Às vezes, vejo o senhor chegar bem cedinho.
- Ah! Agora me lembro.
O que você está fazendo aqui?
- O Campos é meu compadre.
Somos vizinhos e quando a mulher dele começou a passar mal para ter o bebé ele foi me acordar e pediu-me que olhasse por ela, pois não tem nenhum parente para cuidar dela.
Minha mulher está fazendo faxina numa casa e eu tomo conta do nosso filho aqui, o Maurinho.
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Re: Almas em Chamas - Josué/Eurípedes Kühl

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 30, 2017 10:14 am

Nisso, ouviram gritos lancinantes de mulher, na casa.
Entraram rápido.
Sim. Era ela, Ester!
Tanto Karl quanto Cássia custaram a reconhecê-la, tal o deplorável estado.
Ao lado dela, Campos, segurando-lhe afectuosamente na mão.
Estava sendo atendida pelo Dr. Edson.
A expressão de piedade do rico casal, ao reconhecê-la, impediu que Campos expulsasse o ex-patrão da sua casa, pois o considerava a causa da miséria a que ele e Ester haviam sido jogados.
Porém, numa fracção de tempo, raciocinou:
“Se ele vem até aqui é porque deve estar arrependido do que fez connosco.
E eu também andei odiando-o tanto, é melhor interromper essa sintonia, conforme aprendi no livro do Allan Kardec”.
O perdão, uma das faces do Amor, realiza mesmo factos surpreendentes, considerados “milagres”, tais como aquela aceitação de alguém tão pobre a alguém tão rico, tido como o responsável por tal pobreza.
Aquele gesto demonstrava solidariedade e não invasão de domicílio.
Campos assim captou-o.
- Precisamos removê-la para o hospital, com urgência - diagnosticou Dr. Edson, explicando.
O parto será prematuro.
Temos que chamar uma ambulância, mas o problema é que demora a vir, ainda mais tão longe como aqui, rua de terra, sem placa do nome.
Karl adiantou-se:
- Quero ajudá-los.
Deixem-me ajudá-los pelo amor de Deus!
O olhar de Campos, súplice, demonstrou concordância.
Doutor Edson, sem dizer palavra, com os olhos expressou interrogação:
“O que o senhor pode fazer?”
Em resposta, Karl perguntou a Campos o nome da rua, o número, qual era aquele bairro e como seria mais fácil identificar o local.
Após, foi até o carro e em contacto com a “H&H” determinou ao director de transporte:
“Mande meu helicóptero agora, aqui”.
Passou as coordenadas e determinou que o piloto verificasse o local mais adequado para um pouso de emergência, quando teria que transportar uma gestante para o hospital.
Informou ainda que seu carro seria um ponto de referência para o piloto, pois iria aguardar a chegada.
Antes do helicóptero chegar, Karl ofertou ao Dr. Edson:
- Gostaria que o senhor acompanhasse a dona Ester e que fossem ao “meu hospital”.
Todas as despesas correrão por conta da “H&H”.
O médico concordou, até porque também ali prestava atendimentos.
Utilizando o mesmo intercomunicador a bordo da limusine, Karl determinou à sua secretária na “H&H” que providenciasse, junto ao hospital, o atendimento a Ester, “dentro de minutos”.
Oito minutos depois, os moradores do pobre bairro, estupefactos, viram a lustrosa aeronave provocar imensas nuvens de poeira do chão rústico, formando impressionante turbilhão de pó, que alcançou casas distantes até 200 metros do local do pouso.
O helicóptero decolou, tão logo embarcaram o médico, a paciente e Campos.
Novos tufos de poeira espalharam-se pela área, dando um “banho-reverso” em dezenas de deslumbradas pessoas que a tudo assistiam.
Só quando a aeronave ganhou altura e foi embora é que se deram conta de que estavam com poeira pelo corpo todo.
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Re: Almas em Chamas - Josué/Eurípedes Kühl

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 30, 2017 10:14 am

Aí, passada a admiração, não poucos xingaram aquilo que até há pouco lhes era deslumbramento.
Karl e Cássia, de dentro do carro para se protegerem da poeira, ficaram um tanto constrangidos ante a reacção daqueles que com razão reclamavam.
Karl, dirigiu-se a Mauro:
- Vocês não pediram ainda à Prefeitura para asfaltar sua rua?
- E quantas vezes, doutor Karl.
Mas o senhor sabe como é, não temos força, por aqui todo mundo é pobre.
O filho de Mauro tentou articular alguma palavra.
Não conseguiu.
Karl, antes de partir, até então sem prestar atenção à criança, vendo-a com dificuldades para falar, inquiriu Mauro:
- Seu filho... o que ele tem?
Não consegue falar direito?
- É, doutor.
Desde que nasceu tem uns problemas da boca para dentro e não tem jeito de ele aprender a falar.
- Hum... Você já o levou a um médico especializado?
- Levar eu levei, mas o doutor disse que o menino precisa de uma operação complicada e cara.
Mesmo tendo direito trabalhista a médico, não consegui ainda achar um jeito de o Maurinho operar, pois os hospitais estão sempre sem vaga para esse tipo de operação.
No mesmo instante Karl tomou uma decisão:
- Amanhã você leve o menino à “H&H” e veremos o que se pode fazer.
Agora foi a vez de Mauro perder a voz, sensibilizado pela oferta.
Em pensamento, falou com Deus:
“Oh, Deus Pai, como o Senhor é bom, ouvindo as preces minhas e da minha mulher, para que o nosso Maurinho seja curado”.
Com efeito, em sua mente, já via o filho falando “até pelos cotovelos”, para tirar o atraso de quatro anos.
No caminho de volta para sua casa, Karl comentou com a esposa:
- Que coincidência, quando eu era criança também tive esse tipo de problema para falar, que os médicos denominam de dislalia.
Essa anomalia relaciona-se com lesão dos órgãos externos da linguagem e na maioria dos casos a cirurgia corrige-a.
Tive um impulso muito forte de ajudar aquela família, pois me lembrei de como meus pais sofriam vendo-me querendo falar e a voz não saindo.
Sei exactamente o que aquele menino sente.
No dia seguinte, com efeito, sob patrocínio da “H&H”, Maurinho foi internado numa clínica especializada em problemas da fonação.
Após vários exames, havendo consenso dos médicos para a cirurgia, a criança foi operada.
Campos e Ester, agora pais de uma linda menina, Estela, naquele mesmo dia, na maternidade, receberam a visita de Karl e Cássia.
- Viemos cumprimentá-los e desejar à Estela mil felicidades.
Inclusive, para que ela seja mesmo muito feliz, o pai dela bem que poderia aceitar a gerência de atendimento a clientes, lá na “H&H”.
Campos, extravasando felicidade pelo nascimento da filha, olhou para Ester e também num arroubo de fraternidade, misto de gratidão, condicionou:
- Aceito, com uma condição:
que o senhor e a dona Cássia sejam os padrinhos da Estela.
Ester aprovou totalmente, pois seu sorriso bem que o demonstrou.
Karl e Cássia, pegos de surpresa, também ficaram emocionados.
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Re: Almas em Chamas - Josué/Eurípedes Kühl

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 30, 2017 10:15 am

Aceitaram:
- Nem nós - adjuntou Cássia ao gesto de aprovação de Karl - admitiríamos que a Estela tivesse outros padrinhos.
Se vocês não nos convidassem, nós nos convidaríamos.
Dirigiu-se a Ester:
- Estamos pensando em instalar uma creche lá na “H&H”, pois breve seremos avós e os pais do nosso neto já decidiram que irão trabalhar lá, assim será necessária uma pessoa que goste de crianças para dirigir a creche.
Você aceitaria também essa incumbência?
Enternecida, Ester sinalizou com os olhos que queria, sim.
Aquele convite representava que ficaria com Estela o tempo todo, ficaria perto de Campos e ainda por cima retornaria a ser funcionária da “H&H” num cargo expressivo.
Mais alguns meses, nasceu Cassiano, filho de Angélica e Tom.
Cássia não cabia em si de contente, pois o nome do neto a homenageava.
A pedido de Karl, as autoridades municipais anteciparam o cronograma de asfaltamento do bairro onde moravam as famílias de Campos e de Mauro e contemplaram a rua de suas casas e outras ruas, com tal melhoramento.
Os moradores, felizes com o asfalto, em gratidão à “mãozinha dada pelo doutor Karl”, resolveram manifestar o agradecimento pedindo aos vereadores que aquela rua, até então denominada de “Rua A”, passasse a se chamar “Rua Dr. Helmuth Heinrich”, o que sem dificuldade foi aprovado na Câmara Municipal.
Por essa ocasião, Helmuth era aluno no curso de evangelização na Instituição para onde fora transferido.
Recebeu visita de Jules:
- Vim convidá-lo a participar de uma solenidade.
- Que alegria!
Irei, com todo prazer.
Assim, quando a placa da rua foi descerrada, nos festejos programados pelos moradores da Rua Dr. Helmuth Heinrich, ele, em Espírito, lá estava.
Emocionado com a presença do filho, da nora, da neta e do bisneto, mais ainda ficou quando um menino de quase seis anos, demonstrando que já sabia ler, proferiu um minidiscurso, de apenas uma frase, de agradecimento ao patrono daquele logradouro.
Disse a criança, no microfone instalado no palanque das autoridades:
- Deus abençoe o doutor Helmuth onde ele estiver!
A criança era Maurinho.
• • •
Na “Seara dos Espíritos”, Xaril, de início, recebeu tratamento específico para refazimento de energias vitais - a bendita sonoterapia.
Na sequência do tratamento preconizado por Jules, passou por intensos treinamentos para transformação gradativa das imagens que trazia em sua tela mental.
Numa terceira fase, ouviu palestras doutrinárias colectivas, recebeu aulas individuais de evangelização, logo passando a frequentar classe com outros convalescentes.
Aos poucos, integrou-se com os Espíritos bondosos que a atendiam, todos zelosos e fraternais.
Mais importante do que tudo, porém, foi o fato de reflectir longamente sobre o equívoco da sua conduta até ali.
Nessas ocasiões, de reflexão e introspecção, teve várias recaídas, várias crises de desespero, inúmeros períodos com depressão.
Mas sempre contou com a paciência e a caridade dos atendentes, o que acabou por conferir-lhe relativo equilíbrio espiritual.
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Re: Almas em Chamas - Josué/Eurípedes Kühl

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Out 31, 2017 10:43 am

Quando finalmente conseguiu fazer vários amigos, foi chamada por Jules, que lhe informou:
- Graças a Jesus, nosso Mestre, você já reúne condições para seguir na rota evolutiva mais adequada às suas condições.
Hoje, como grande trunfo para seu progresso moral é a certeza de que só o perdão dissolve os laços que o ódio entrelaça, algemando corações endurecidos e vingativos.
Já com lágrimas nos olhos, Jules prosseguiu:
- É chegada a hora de darmos testemunho da nossa gratidão a Deus, pelas bênçãos que a cada instante se renovam à nossa frente.
Xaril ouvia-o com doçura e controlada curiosidade.
Jules prosseguiu:
- Estaremos sempre unidos pelo coração, conquanto às vezes separados nas actividades futuras, necessárias ao nosso progresso moral.
Depois, o pêndulo do progresso vai reconduzi-la à reencarnação.
O pranto explodiu em Xaril.
Jules pacificou-a:
- Seu retorno à carne não será para tão breve, minha filha, talvez dentro de duas décadas... nem você irá sozinha.
A curiosidade agora suplantou todos os sentimentos.
Xaril olhou-o demoradamente, pois ele também silenciou por largo período, para logo dizer:
- Vinte anos passam depressa para aqueles que trabalham.
Esse período ajudará você a reaprender vários conceitos de vida em colectividade e nada melhor do que treinar, fazendo parte de uma equipe daqui do Plano Espiritual, de atendentes a infelizes irmãos nossos, desencarnados, vítimas dos infortúnios causados pela vingança.
Aqui no Plano em que nos encontramos neste momento, você tem estrutura fluídica adequada a ir a locais onde poucos sobreviveriam.
Isso será sublime passaporte para sua incursão em zonas umbralinas de perigosa densidade fluídica, mas para a qual você tem resistência.
Também nessas incursões você jamais estará desprotegida, pois Jesus, o Médico das almas, proporcionará a segurança necessária.
Como Xaril demonstrasse no olhar alguma incompreensão, Jules explicou:
- Antigos companheiros seus, ora também em processo de auto-reforma íntima, já manifestaram alegria quando consultados se gostariam de voltar a agir com você, em tarefas socorristas.
Ajuizou, confortando-a:
- Como vê, Deus utiliza todos os meios para o Bem.
A propriedade que você desenvolveu, para destruir, será agora justamente sua principal ferramenta de reparação.
E quem antes era cúmplice, será irmão na tarefa.
Infelizes vítimas de incêndios serão atendidas por você e seus companheiros, já a partir do plano terreno.
Vocês serão prestimosos auxiliares dos Espíritos socorristas.
Xaril interrompeu-o, extremamente curiosa:
- Aqueles do “balão”?
- Isso mesmo, a equipe “Águas Calmas”.
Entre eles existem especialistas em desatar o perispírito do corpo físico.
Poucos Espíritos têm condições de ingressar no fogo e é em meio às chamas, muitas vezes, que aquele desligamento precisa ser feito.
O apoio de vocês, nessas horas, será utilíssimo.
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Re: Almas em Chamas - Josué/Eurípedes Kühl

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Out 31, 2017 10:43 am

Como vê, nada se perde na natureza.
Xaril encantou-se com o futuro que se desdobrava, quando poderia recuperar-se, recuperando criaturas necessitadas, qual ela era até pouco tempo.
Foi-lhe impossível não bendizer a Deus que ofertava-lhe, e aos ex-auxiliares, a chance de transitar por estradas bem conhecidas, mas em efeito reverso de suas acções.
- Pai, o senhor disse que quando eu reencarnar não irei sozinha.
O que quer dizer?
- Ainda está em conjecturas, mas há possibilidade de você caminhar, quando encarnada, ao lado de Helmuth, eis que também ele, em outra Instituição Espiritual, está em trabalho de auto-recuperação.
Em breve, você o verá.
Mais alguns dias e chegou a hora de Xaril partir para seu novo endereço, a Instituição que a abrigaria, aproximadamente, pelos próximos vinte anos.
Vários amigos vieram despedir-se dela, chorosos, já com saudades.
Jules beijou-a com ternura paternal e encorajou-a:
- A hora da despedida, minha filha, qualquer despedida, congela o adeus daqueles que se amam, mas jamais o pulsar da vida e do pensamento deles que, dinâmicos e unidos, seguem em busca da eternidade.
Almas que se amam, quando se afastam, estão sempre em companhia de saudades e lembranças, que não deixam a chama do amor apagar.
Xaril, espirituosa, filosofou:
- Sim, meu pai, tanto tempo estive equivocada quanto a chamas.
Essa a que o senhor se refere aquece as almas, enquanto as outras...
• • •
Nos anos seguintes, conforme prometera, por algumas vezes Jules visitou a filha, outras vezes, convidou-a a participar de estágios educativos da moral cristã na “Seara dos Espíritos”.
Num desses encontros, Xaril encontrou-se com Helmuth.
“De surpresa”, isto é, Jules programou tal encontro, convocando Helmuth, que se encontrava em actividades assistenciais, em outra cidade espiritual.
Propositadamente, não informou nem a um nem a outro que se veriam e, mais que isso, que permaneceriam juntos por alguns dias, ambos participando dos estudos evangélicos programados para então.
Eram, agora, caminhantes na estrada da redenção, que o Evangelho asfalta, ofertando pausas e pousos para refazimento, no descanso justo da Paz que têm direito todos aqueles que se dedicam ao próximo.
Sim, porque Helmuth há tempos vinha dedicando-se a recepcionar Espíritos recém-desencarnados, revoltados com a morte física que lhes roubara, abruptamente, suas grandes fortunas.
Quem, como ele, para entender-lhes as angústias, os equivocados julgamentos, as aflições da ausência de mordomias, longamente usufruídas, além de se constituírem em presa fácil a esclavagistas do além que lhes explorasse tal revolta? Sobretudo, só começou a participar dessas tarefas renovadoras quando conseguiu perdoar dois dos seus mais cruéis algozes:
os dois Espíritos que tantos crimes perpetraram quando pertenciam ao bando de “F A”, o homem-animal, grosseiro e truculento e o rapaz franzino, mas de inusitada crueldade.
Desde que foram catapultados às trevosas regiões, na ocasião em que o pavilhão de pintura da “H&H” foi posto sob segurança da equipe socorrista espiritual “Águas Calmas”, ambos passaram a ter sofrimentos atrozes, sentindo-se queimar o tempo todo.
Jules e os dois padioleiros mostraram a Helmuth as terríveis dores daqueles dois Espíritos e convidaram-no para se juntar a eles e irem socorrê-los.
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Re: Almas em Chamas - Josué/Eurípedes Kühl

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Out 31, 2017 10:43 am

Condoído, Helmuth aquiesceu.
Seu perdão, naquele momento, conferiu-lhe o sublime galardão de incorporar-se à equipe socorrista “Águas Calmas”, o que vinha fazendo há tempos, pois quando os atendidos chegavam à Instituição, incumbiam-se de proporcionar-lhes recepção fraternal e acompanhamento durante o refazimento.
Essa tarefa aproximou-o de Xaril, diversas vezes.
Na primeira vez, ex-algoz e ex-vítima olharam-se por instantes que o tempo alongou.
Contudo, num gesto que a espontaneidade lhes ditou, olharam para Jules que, com olhar expressivo, algo brincalhão, de raras ocasiões, parecia dizer-lhes:
“O que lhes ensinei sobre o perdão?”
Helmuth lembrou-se, na hora, daquele “490...”.
Xaril também.
Espíritos de fortes impulsos, temperados na forja de muitas existências, personalidade marcante, indenes a indecisões, sem qualquer titubeio, caminharam um para o outro.
Helmuth estendeu a mão.
Xaril aceitou o cumprimento e a ele aduziu algo mais: abraçou-o.
Novamente o tempo congelou aquele instante, pois ambos foram invadidos por raro bem-estar.
Assim, não havia motivos para não permanecerem abraçados mais um pouquinho.
Quando encerraram aquele bendito contrato de reconciliação, volveram o olhar para Jules que, embora transbordando de felicidade, trazia júbilo no semblante, por algo indefinido.
Aqueles reencontros entre os dois repetiram-se mais algumas vezes, em espaçados anos.
À certa altura, Madeleine visitou Helmuth e informou-lhe que novos embates a aguardavam no plano terreno.
Vinha testemunhar-lhe grande afecto e desejar felicidades nas abençoadas tarefas assistenciais a que ele se dedicava.
Num gesto de grande alcance moral, abraçou Xaril e tomando-lhe a mão, levou-a até o ex-marido.
Com grande meiguice, uniu a mão de Xaril à de Helmuth.
Semblante sereno, despediu-se deles exprimindo-se:
- Deus os abençoe!
Aquele era o selo sublime do sentimento nascido entre Helmuth e Xaril.
Não havia mais dúvidas em seus corações que de há muito uma força indómita os atraía.
Já não era apenas amizade, fraternidade.
Muito à frente, num dia inesquecível, Jules confirmou-lhes:
- Meus filhos, é chegada a hora de darmos novos testemunhos da nossa gratidão a Deus pelas bênçãos que a cada instante se renovam em nosso caminho.
A Lei Divina da Evolução volta a convocá-los para novos rumos.
Ouviam-no com doçura e controlada ansiedade.
Jules prosseguiu:
- A bênção da reencarnação lhes foi renovada.
Antes do protector concluir sentiram-se invadidos por tremenda energia, que só o amor confere.
Abraçaram-se comovidos e ouviram:
- Juntos, terão a sacrossanta oportunidade de muito progresso moral, eis que o Pai criou-nos para evoluir incessantemente e para sermos felizes.
E o nosso progresso é sempre dimensionado na razão directa do progresso que proporcionarmos ao próximo, em gestos de solidariedade fraternal.
Advertiu-os:
- Certo, terão não poucas dificuldades, principalmente Xaril, mas jamais nos esqueçamos de que nosso mundo, embora de provas e expiações, é casa, sublime escola e mãe das nossas necessidades materiais.
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Re: Almas em Chamas - Josué/Eurípedes Kühl

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Out 31, 2017 10:44 am

Mais que isso, a Terra é abençoada oficina onde aprendemos a pôr em prática as lições do amor universal, tão bem exemplificadas por Jesus.
- Mas... - balbuciaram, quase que a uma só voz - ficaremos longe um do outro?
- Vejam só.
No primeiro segundo de uma nova fase e seus corações já vacilam - repreendeu-os Jules, com leveza paternal.
Logo, completou.
- O amor é talvez a criação maior de Deus...
- Então...
- Isso mesmo... se unirão por amor.
Xaril e Helmuth solicitaram-lhe vários esclarecimentos sobre o futuro que os aguardava.
O bondoso Espírito, com paciência, informou-lhes que planos reencarnatórios constituem roteiro benéfico a todos os que retornam aos embates terrenos, tendo como meta principal a evolução moral de cada um.
- Como saberemos o que fazer? - perguntaram os dois.
- Pela prece elevem o pensamento sempre ao Mais Alto e deixem que o coração faça as perguntas.
Em resposta, invariavelmente, o Amor de Deus nos protege, orienta e socorre, atendendo nossas necessidades e dissolvendo dúvidas.
Bastante compenetrado, Jules informou-lhes:
- A Lei de Justiça, sublime e sábia como todas as coisas de Deus, agindo pela caridade de Jesus, proporciona a cada devedor os meios adequados, indutores à respectiva quitação perante a própria consciência.
Vocês terão esse benefício.
Dirigiu-se a Xaril:
- Como ex-incendiária, a seu próprio benefício, embora com deficiência respiratória congénita, de início será encaminhada para cursar Medicina, optando pela área da dermatologia, quando atenderá vítimas de incêndios.
E para Helmuth:
- O grande magnata de antanho, não seguirá a profissão do pai e do avô, a de engenheiro.
Cedo, demonstrará pendor para viver em ambiente rural, o que poderá acontecer numa pequena fazenda de criação de gado leiteiro.
Ali, desde criança lidando com o rebanho, o ex-portentoso presidente da multinacional de veículos terá excelente oportunidade de exercitar humildade, ao invés de comandar um império de bólides sofisticados, luxuosíssimos e velozes, cuidará de bois e vacas, animais dóceis, mas que se deslocam, quando muito, a dois quilómetros por hora.
Xaril, algo tímida, encheu-se de coragem e perguntou:
- Todos os que lidam com pessoas queimadas e os trabalhadores rurais, têm um passado igual ao nosso?
- De forma alguma. Nas escolas terrenas, o facto de vários alunos frequentarem uma mesma classe não significa que tenham a mesma família, a mesma capacidade intelectual, a mesma capacidade de aprendizado.
Fazendo ligeira pausa, logo completou:
- Alunos se agrupam para aprender a mesma lição, mas nem todos seguem a mesma profissão.
A Terra é escola generosa, os Espíritos que reencarnam e se aproximam num mesmo contexto familiar, profissional ou social nem sempre têm o mesmo histórico de vidas passadas.
E nem suas vidas terão roteiro semelhante.
Têm, sim, em comum, o tempo de aprendizado e a sublime oportunidade de se unirem pela fraternidade, facto que só a eterna Sabedoria e a suprema Bondade do Pai poderiam proporcionar a todos os Seus filhos.
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Re: Almas em Chamas - Josué/Eurípedes Kühl

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Out 31, 2017 10:44 am

Arrematou:
- O livre-arbítrio é sagrado, mas exige respeito às Leis de Deus.
Quando alguém desvirtua seu emprego, necessariamente terá que recuperar o direito dessa bênção.
Helmuth e Xaril entenderam perfeitamente que o amoroso pai de antanho se referia a eles, embora falasse de modo geral.
Quando Karl e Cássia festejaram os quarenta anos de casados, promoveram uma grande festa.
Cassiano, então com vinte anos e já casado há um ano, aproveitou o clima alegre e informou aos pais que breve seria pai.
- Meu Deus! - fingiu resmungar Cássia, justificando, feminina e ainda vaidosa.
- Imaginem, eu, bisavó?
Evaldo e Julieta, amigos de longos anos da família, fizeram coro a Cássia:
- Vejam que alegria... e nós seremos avós.
Nosso filho Júlio e a esposa, Norma, em breve serão pais.
Assim, antes daquele ano se findar, duas crianças compromissadas entre si aportaram em lares distintos:
Xaril, no lar de Cassiano e Estela; Helmuth, como filho de Júlio e Norma.
De futuro, segundo programação reencarnatória, como sempre com previsão de progresso para os reencarnantes, forças maiores, sagradas, os aproximariam.
Juntos, enfrentariam os embates que os elevariam na escala moral, expiando culpas acumuladas no passado e aprimorando a prática das virtudes que todos temos, em potencial, desde nossa criação.
Ainda crianças, ambos ficaram muito amiguinhos, amizade essa que de futuro evoluiria, unindo-os para o compromisso assumido na Espiritualidade.
Como a menina sofresse de bronquite crónica, de quando em quando, por indicação médica, precisava ser levada à zona rural, para respirar o ar das montanhas.
Evaldo ofereceu a pequena fazenda “Via Láctea”, de sua propriedade, para esses benéficos estágios no campo.
O convite foi aceito.
Até porque, Karl tinha especial carinho pelo neto de Evaldo - que fora seu pai, Helmuth -, sentindo grande alegria em aproximar-se dele.
Assim, ora o bisavô, ora Tom levavam menina, bisneta e neta - aquela que fora Xaril -, respectivamente, para passar alguns dias naquela fazenda, onde o neto do fazendeiro a divertia, mostrando como “inventara” uma nova maneira de aboiar, de facto, os bois “o obedeciam” apenas com uma pequena tossidela sua, seguida de característicos resmungos.
Já adultos se casaram, por amor e sob as bênçãos da vida.

§.§.§- Ave sem Ninho
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Ave sem Ninho

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