TRANSPLANTE DE AMOR - Roboels/Eurípedes Kühl

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Re: TRANSPLANTE DE AMOR - Roboels/Eurípedes Kühl

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 11, 2017 11:02 am

Abaladíssimo, não conseguia falar.
Mas pensou:
"Fui aquele pai das três irmãs..."
Instalou-se-lhe um choque emocional.
Américo socorreu-o, mais como cristão do que como médico:
— Deus, nosso Pai, por motivos que desconhecemos, mas que são sempre para nosso bem, faz-nos vivenciar dramas intensos...
Por isso, meu caro Ari, submeta-se à vontade divina e agradeça-Lhe a Vida, bem como mostre gratidão a Jesus, pela bênção do entendimento.
Ari, em choque, não tinha como se manifestar.
Dando mostras da sempre presente caridade dos espíritos amigos, a natureza, pródiga, manifestou-se:
como que emoldurando tudo quanto Américo dissera, sem que ninguém suspeitasse - e muitas eram as pessoas passeando ali na manhã ensolarada do jardim -, desabou uma fortíssima chuva, que tanto teve de torrencial quanto de pressa em esvair-se.
Mas o suficiente para deixar molhados a todos.
Teria sido apenas uma pequena nuvem que "se descontrolara"...
Na raiz do facto, aquilo era a parcela de ajuda do plano espiritual.
Muitos correram, mas Ari e Américo mantiveram-se imóveis.
Quando, em três minutos, o Sol voltou a brilhar, olhavam-se com intenso fulgor, reflexo dos sentimentos que lhes extravasavam da alma.
"Voltar a brilhar" é força de expressão:
na verdade, por mais escuras que sejam as nuvens sobre nossa cabeça, o Sol sempre esteve, está e estará lá, brilhando, vitalizando, iluminando...
Sem tirar a mão do peito, Ari murmurou:
— Anderson... está aqui!
— Sim, Ari: seu filho está aí!
Américo, sempre contido, não suportou a forte carga emocional do momento e desabou a chorar e, encostando o rosto no peito do amigo, deixou rolarem abundantes lágrimas.
Agora, estupefacto da notícia e de ver o doutor chorar, foi Ari quem o socorreu, brincando:
— Meu Deus, lá vem outra chuva...
Abraçaram-se, enternecidos... e totalmente encharcados.
No caminho de volta ao lar, Américo narrou como o coração de Anderson viera parar no peito do pai...
Antes de chegar, Ari foi advertido por Américo para buscar forças com seu anjo guardião para que todos da família conseguissem conviver com aquela realidade, jamais imaginável.
Ari abraçou a filha demoradamente.
Luiza notou o brilho nos olhos do marido.
Volveu o olhar para Américo, que, com um simples gesto, sinalizou "que Ari já sabia de tudo".
Vendo-os ensopados, não entendeu como aquilo acontecera, mas mesmo assim envolveu o marido num outro abraço que não tinha mais fim, a ponto de ela também ficar encharcada.
— Estou perplexo - começou Ari a falar -, como é que tudo isso foi acontecer...
Preferia mil vezes ter morrido eu, e que meu coração fosse para ele...
Meire interveio:
— Pai, pai...
Se o seu coração fosse para o Anderson, os dois não estariam mais aqui...
E eu e mamãe, como estaríamos, sem vocês dois?
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Re: TRANSPLANTE DE AMOR - Roboels/Eurípedes Kühl

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 11, 2017 11:02 am

Num gesto que o coração comandou, Américo tomou as mãos de Meire e com emoção declarou:
— Em qualquer circunstância da vida, conte sempre comigo.
Meire beijou-o na face, sentindo um delicioso fogo aquecê-la por inteiro.
Desnecessárias palavras para todos ali, com alegria inaudita, confirmarem o que já vinham desconfiando há tempos:
aqueles dois se amavam!
Ane, até então calada, interferiu:
— E quem cuidaria do filho do Anderson, se nascesse sem pai e sem avô?
Angelina, trémula de felicidade, respondeu a todas as perguntas:
— Deus! Deus cuida de todos os Seus filhos, estejam cá ou lá.
Mas, no momento, quer a nós "cá" e ao Anderson "lá", mais perto dele.
Américo, despedindo-se, propôs:
— Quando nascer o filho, ou filha, do Anderson, se a Meire aceitar e se Deus quiser, gostaria de ser tio do bebé...
Encantada com a delicadeza daquele pedido de casamento, Meire algo coquete, mas extremamente feliz, valorizou-se:
— Deus, pelo que me diz o coração, quer.
Quanto a mim, depende...
Afoito, mas senhor da situação, ante o olhar apaixonado com que Meire o envolvia, Américo beijou-a com intensa, mas controlada paixão, sendo correspondido.
Quando aconteceu o julgamento de Zeca e Miro, o processo passou para o domínio público, tendo em vista que, pela lei, o crime deve ser de acção e conhecimento públicos.
Além disso, ao serem convocados os companheiros do júri e as autoridades policiais, além dos familiares da vítima (Anderson), não havia mesmo como evitar a divulgação.
A todas as investidas da imprensa, Ari e seus familiares, além do doutor Américo, Ane, Alva e Alice, desconversaram.
Iniciado o julgamento, a Promotoria fez o libelo de crime doloso (homicídio) pedindo pena máxima:
trinta anos para ambos os criminosos.
Pela lei, citado crime tem pena cominada variável de doze a trinta anos.
A defesa, com anuência da família tentou desqualificar a acusação para "legítima defesa".
O depoimento de Meire foi decisivo:
demonstrando arrependimento, declarou que, se não fosse por sua dependência às drogas à época, "nada daquilo teria acontecido"; até mesmo atestou a verdade, isto é, que seu irmão, embora agindo por amor fraternal a ela, foi o primeiro a agredir os réus.
Como poderoso argumento para a defesa dos réus, declarou que foi com eles até o local do acontecido de livre e espontânea vontade, pela sua fraqueza diante das drogas; declarou que, como eles não a molestaram sexualmente depois que Anderson foi ferido, isso lhe pareceu demonstrar que não tinham tal intenção...
Embora o júri não houvesse acatado a tese da "legítima defesa", o que poria os réus em liberdade imediata, aceitou, contudo, desqualificar o crime, não o considerando homicídio doloso, tendo em vista que houve um só tiro e que, ao ver a vítima caída ainda com vida, não foram dados outros tiros.
Sem passagem pela Polícia, sendo, pois, réus primários, além das declarações de Meire, que abrandaram muito o delito, tudo isso, somado, atenuou as respectivas penas:
Zeca foi condenado a dois anos, no regime de prisão-albergue (tendo apenas que dormir na prisão, podendo trabalhar durante o dia); já Miro foi condenado à pena mínima: seis anos de prisão.
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Re: TRANSPLANTE DE AMOR - Roboels/Eurípedes Kühl

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 11, 2017 11:03 am

No Tribunal, frente a frente com Zeca e Miro por tantas horas, Ari conseguiu dizer-lhes:
— Desde que soube da morte do meu filho, pensei numa vingança...
Agora que o coração dele bate forte no meu peito, vendo vocês dois arrependidos e sofrendo com esse julgamento, pude finalmente encontrar a única maneira de não aumentar a tragédia...
Estou perdoando vocês dois...
Minha família também os perdoou.
Os amargos e sofridos olhares dos dois demonstraram algum brilho.
Quase que a uma só voz, murmuraram:
— Que Deus nos perdoe também... e obrigado pelos depoimentos.
Antes de terminar o julgamento, tendo a imprensa noticiado fartamente o rumoroso caso, a família de Ari foi procurada pelos demais beneficiados pelos transplantes em razão da morte do Anderson.
Foram momentos de intensa comoção para Ari, Luiza, Meire, Angelina e Ane estarem tão próximos de partes vivas de Anderson.
Dentre todos, o maior beneficiado, porém, foi o próprio doador:
as pessoas que foram beneficiadas em razão de sua doação, além dos seus familiares, vários deles, muitas vezes ao dia, emitiam vibrações de gratidão, que eram creditadas pelo Plano Maior a ele...
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Re: TRANSPLANTE DE AMOR - Roboels/Eurípedes Kühl

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 11, 2017 11:03 am

15 - DOAÇÃO DE ÓRGÃOS E TRANSPLANTES – ENFOQUES CIENTÍFICOS E ESPIRITUAIS
Angelina convidou a todos:
— Hoje à noite, no Centro Espírita que eu, a Meire e a Ane frequentamos, haverá uma reunião muito importante para tratar de um tema que a todos nós envolveu:
doação de órgãos e transplantes!
Gostaria que fôssemos todos assistir aos debates.
Que tal?
Luiza, tanto quanto Ari, há tempos vinha se empolgando com os ensinamentos espíritas que Angelina lhes passava.
A má impressão que tinham do Espiritismo foi se desvanecendo até ser substituída por sincera admiração.
No casal, bailava, ao mesmo tempo, curiosidade e uma certa propensão a conhecer melhor aquela Doutrina que seu filho professava enquanto encarnado e que a filha, na pior fase de sua vida, também a ela se dedicara, conseguindo livrar-se da dolorosa algema da toxicomania.
O Américo, que, tempos atrás, para o Ari só "tinha o defeito de ser espírita", mostrou-se de excelente carácter, bondoso, amigo...
Ane também era espírita.
E criatura tão resignada e meiga...
A própria Angelina, que só agora puderam conhecer melhor, tanto a filha como o genro, era exemplo de pessoa de boa vontade, sempre pronta a servir.
E espírita...
Ora, com tantos indicadores, o Espiritismo só poderia ser uma coisa boa - pensavam.
Sim: era hora de os dois conhecerem um pouco mais sobre "a Codificação", ou "a Terceira Revelação", como Angelina vivia se referindo à Doutrina Espírita. Foram.
O "Tarefeiros de Jesus" estava lotado.
Para aquele sábado à noite estava programado o seminário que trataria do tema Doação de Órgãos e Transplantes, sob enfoques científicos e espirituais.
Como convidados especiais, três médicos estavam presentes (um neurologista, um patologista e um cardiologista), além de um advogado, frequentador daquele Centro Espírita.
Para espanto de Ari e seus familiares, o cardiologista...
era o doutor Renato!
Humberto, o presidente, abrindo a reunião, solicitou a uma pessoa que fizesse a leitura de uma página de O Evangelho Segundo o Espiritismo.
Aberto o livro, "por coincidência", lá estava:
"Bem-aventurados aqueles que têm puro o coração, porque verão a Deus." (Mateus 5:8)
As palavras de Jesus, registadas pelo evangelista Mateus, referindo-se ao coração, órgão objecto de amor, doação e transplantes, já indicavam, para aqueles que sabem que não há o acaso, que a reunião contava com supervisão do Mais Alto...
A seguir, após a prece proferida pelo presidente, solicitando a Jesus e aos espíritos bondosos luzes para os debates que seriam desenvolvidos, foram apresentadas as questões e as respostas, estas sob o enfoque científico e espírita:
1) Cada ser humano se compõe só de corpo físico, ou há nele algo mais, tradicionalmente denominado "alma"?
R: Somos trino, ou seja, constamos de três, na verdade: espírito, perispírito e corpo físico.
Para fins pedagógicos tão-somente, Allan Kardec, codificador do Espiritismo, denominou de espírito o desencarnado e de alma o encarnado.
2) A ciência aceita a existência da alma?
R: Não, oficialmente, pela impossibilidade de comprová-la; contudo, está propensa a admitir, como hipótese de trabalho, não pelos postulados religiosos, mas por análises e deduções, a existência, sim, de "um princípio", ou de "uma energia condensada", ainda sem qualquer meio de comprovação, via laboratório, por método experimental, isto é, passível de ser reproduzido em qualquer lugar do mundo, desde que mantidas as mesmas condições.
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Re: TRANSPLANTE DE AMOR - Roboels/Eurípedes Kühl

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 11, 2017 11:03 am

3) Segundo o Espiritismo, o que são e quais as funções do espírito, do perispírito e do corpo físico?
R: Melhor nos socorrermos de Allan Kardec:
. Espírito:
- "o Espírito é a individualização do princípio inteligente do Universo, como os corpos são a individualização do princípio material... instrumento de que Deus se serve para execução de seus desígnios providenciais"5;
(5 - O Livro dos Espíritos, questões ns79 e 87.)
-"de origem divina, é formado de 'essência espiritual', sendo pois um ser indefinido, abstracto, impossibilitado de agir directamente sobre a matéria, necessitando de um intermediário, que é o envoltório fluídico (o perispírito).
• Perispírito: "é o laço que prende ao corpo o Espírito; uma espécie de envoltório semi-material (...) serve de envoltório ao Espírito e liga a alma ao corpo (...) é formado de matéria do meio ambiente, do fluido universal (...), além disso, é o agente das sensações exteriores e, no corpo, os órgãos, servindo-lhes de condutos, localizam essas sensações"7.
• Corpo físico: "é o invólucro material que reveste o Espírito temporariamente, para preenchimento da sua missão na Terra e execução do trabalho necessário ao seu adiantamento"8.
4) Por que as pessoas adoecem?
R: A doença, na maior parte das vezes, é uma amiga a alertar a criatura para algum procedimento equivocado; no caso dos seres humanos, principalmente no caso das doenças congénitas, não é raro que seja espelho de maus actos de vidas passadas (expiação), podendo, contudo, ser ofertada como teste de entendimento e prática da Lei do Amor (provação); não é punição:
antes, problema que nós próprios criamos, por abusos, nesta ou em outras vidas, dos quais a lei divina exige retorno ao equilíbrio.
5) Por que as doenças ora são no coração, ora no aparelho digestivo, ora na cabeça, ora na circulação, ora no aparelho respiratório etc.?
R: Muito se especula quanto a esta parte:
como simples conjectura, podemos supor que determinados actos humanos envolvem mesmo determinados segmentos do corpo perispiritual, com reflexos no corpo físico.
Assim, talvez possamos apenas imaginar, sem contudo afirmar, apenas fazendo um exercício dos processos de acção e reacção:
a) Doenças na cabeça:
- sendo sede da inteligência e da mente, além de antena receptora das notas do mundo espiritual, de onde irradiam pensamentos e onde se situa a memória, além de quatro sentidos (visão, audição, olfacto e paladar), quaisquer distúrbios aí nos levam a considerar que, em vidas passadas (se não nesta mesmo...), houve sérios desregramentos de ideias e má utilização dos olhos, ouvidos, olfacto e paladar; nessa linha de raciocínio, eclodem hoje tumores cerebrais ou presença de visão deficitária, surdez parcial ou total, glutonaria, sinusites agudas etc.
b) Doenças do coração:
- responsável maior pela circulação sanguínea em todo o corpo, avarias nele sugerem que actos negativos (ódio, vingança, usura, crueldade etc.) podem ter produzido excesso de hormônios, que, ao se misturarem com as correntezas do
sangue, adulteraram-lhe a química equilibrada, causando sobrecarga para recomposição da normalidade; e mais:
ainda nesse contexto, com as glândulas produtoras dos vários hormônios tendo que trabalhar em desatino, não será complicado aceitar que em sua sede física surjam tumores malignos.
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Re: TRANSPLANTE DE AMOR - Roboels/Eurípedes Kühl

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 11, 2017 11:04 am

c) Doenças da respiração e digestão:
- as anomalias põem a descoberto grave desrespeito, quem sabe, com relação ao tabagismo, toxicomania ou ingestão excessiva de alimentos (ainda aqui, reflexo de vidas anteriores ou de há pouco...).
d) Deficiências físicas ósseas:
- tais anormalidades, de difícil trato ou cura, colocando o individuo numa vitrine eterna do seu problema, ora despertando compaixão, mas quase sempre dificuldades sociais de toda monta, inclusive repúdio, parecem indicar que aqueles que as carregam trazem do passado um passivo de acções que levaram muitos dos seus semelhantes a grandes humilhações públicas.
6) Todos os doentes estão em provas ou em expiações?
R: Não necessariamente.
Convém aqui repetir que as conjecturas ora feitas não partem de certeza, mas de uma tentativa de aproximação da Lei de Causa e Efeito.
Muitas vezes, nas patologias citadas, são encontrados espíritos elevados que, voluntária e missionariamente, a elas se submetem numa existência terrena para poderem aproximar-se dos que as sofrem.
Dessa forma, atuam como antenas receptoras das bênçãos balsâmicas, constantemente fluindo de Jesus e Seus siderais auxiliares, transferindo-as, por acção magnética de alto efeito, àqueles irmãos em duros embates expiatórios.
7) Dentro de uma visão abrangente, quais os antecedentes que levam um espírito a reencarnar com programação profissional voltada para a área médica?
R: Curar doentes, antes de tudo é ato de amor.
A actividade médica, precisamente, visa eliminar a dor, em acções preventivas ou curativas.
à tendência explícita para a carreira médica pode traduzir resgate ou missão:
- no primeiro caso, não se deverá, em diagnóstico apressado, nem sequer conjecturar que os médicos, ao suprimirem a dor e doenças, estão no exacto contra fluxo de acções em vidas passadas, quando eram ou foram agentes causadores delas, no próximo.
Não! Não se cometa essa aleivosia:
não obstante, estará sim em resgate de faltas, quando sujeito a enormes vicissitudes no desempenho da sua tarefa, realizando-a por meio de duríssimas lutas; - já no segundo, espíritos adiantados no bem, geralmente sob supervisão espiritual superior, trilham a área médica na vida física, acrescentando benéficas "descobertas" que irão auxiliar milhares, se não milhões de enfermos no mundo todo; tal é o caso, por exemplo, do surgimento das vacinas, das técnicas cirúrgicas avançadas, da actualização de diagnósticos mais precisos, alguns deles com auxílio da informática etc.
8) Qual a visão espírita da medicina?
R: Bênção divina: tanto no plano espiritual quanto no terreno.
9) Medicina no plano espiritual?
R: Sim. Normalmente é de lá que fluem as benesses para a Terra.
10) O que dizer das "cirurgias espirituais", às vezes invasivas (com instrumentação), realizadas quase sempre fora de centros cirúrgicos e sem as condições legais, com ausência de assepsia?
R: Para os males do corpo material, a medicina terrena - nos hospitais; para os problemas espirituais, a fluido terapia, a evangelho-terapia e principalmente a reforma íntima - nos Centros Espíritas; os dois primeiros tratamentos, algumas vezes por semana e, em todo lugar e sempre, o terceiro.
11) Quanto à doação de órgãos:
há alguma nota específica na Codificação do Espiritismo?
R: Não, não há.
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Re: TRANSPLANTE DE AMOR - Roboels/Eurípedes Kühl

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 11, 2017 11:04 am

Contudo, podemos perfeitamente entender que não poderia mesmo haver, posto que a medicina do século 19 não dispunha dos meios atuais para utilizar, em série, tal actividade (aproveitamento de órgãos vitais). Sem apelar para sofismas, podemos inferir que, se os espíritos que intuíram Allan Kardec transmitissem-lhe notas sobre o tema, isso seria tão impróprio quanto, por exemplo, um fabricante de aviões a jacto doar um deles a uma humilde aldeia de pescadores, situada entre o mar e montanhas, sequer sem área adequada à construção de um aeroporto.
Como demonstrativo da sabedoria dos espíritos e da prudência didáctica e moral de Kardec, no Capítulo l de A Génese, explana ele longamente quanto à estreita ligação da Doutrina Espírita e da Ciência, paralelas, ambas progressivas, nelas e delas sempre surgindo novas revelações espíritas.
Enquadramos as doações de órgãos no andamento progressivo preconizado pelo mestre lionês.
12) Como extensão da pergunta anterior: na Codificação há considerações sobre os transplantes?
R: Aqui, precisamos acoplar os dois procedimentos:
se o primeiro (a doação) sugere um ato de amor, deduz-se a existência do segundo (o transplante).
Nessa tónica, ambos não são excludentes.
13) Qual a diferença da doação inter vivos para a doação após morte?
Podemos detalhá-las?
R: Doação inter vivos:
de órgão, ou de parte de órgão, que não irá prejudicar a qualidade de vida do doador.
Exemplo: doação de um rim, de medula, de parte do fígado.
Como esclarecimento, citamos que o fígado é o único órgão que se regenera, assim, tanto o doador quanto o receptor, dentro de algum tempo, estarão com as partes divididas (a que permanece no doador e a que é transplantada) completas.
Doação após morte:
podem ser utilizados coração, fígado, rins, pulmões, córneas, pele, pâncreas e até ossos.
14) O que leva alguém a ser doador, em uma ou outra dessas duas maneiras de doar e como e quando se efectuam?
R: O móvel da doação só pode ser o amor!
Se houver algum interesse - e infelizmente, em alguns casos há -, não é doação: é mercantilismo.
Outro não é o motivo pelo qual a doação intervivos, pela lei vigente, só pode ser efectuada entre parentes, sem risco de vida para doador e receptor.
Isso objectiva a gratuidade e desencoraja o comércio.
Visa a lei evitar o espúrio comércio de órgãos, que chegou a florescer, logo após os primeiros transplantes.
Já a doação declarada em vida para o pós-morte, da mesma forma se evidencia em elevado grau de amor, de desprendimento total das coisas materiais, das quais o corpo físico é o bem mais sagrado, posto que é um verdadeiro empréstimo de Deus ao espírito para utilização durante um determinado tempo, findo o qual terá que o restituir à origem...
A utilização e o emprego de alguns dos órgãos aproveitáveis requerem extrema urgência nas providências de captação.
15) No caso de aproveitamento após a morte sem a declaração em vida do doador, o que seria a "doação presumida"?
R: Houve lei, já expurgada, preconizando o entendimento de que todos os que não se declarassem doadores, na morte, o seriam.
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Re: TRANSPLANTE DE AMOR - Roboels/Eurípedes Kühl

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 11, 2017 11:04 am

Actualizado o conceito, actualmente ocorrerá a "doação presumida" quando alguém desencarnar e apresentar possibilidade de aproveitamento de órgãos, não havendo declaração em contrário em seu prontuário. Como sempre vêm fazendo, os médicos, consagrando a ética, consultam os parentes:
se eles confirmam que o falecido, em vida, manifestara o desejo de ser doador, apenas não o tendo oficializado, aí, então, o aproveitamento é realizado.
16) Qual a repercussão no perispírito, ou mesmo no espírito, ante a invasão do corpo físico (despojes) para aproveitamento de órgãos? Há dor?
R: Entre os espíritas, esse é o ponto crucial, ou, como se diz, o nó górdio da questão.
Sabem os espíritas que o perispírito é a sede das sensações e assim, a eles, em particular, crentes da continuidade da vida no plano espiritual e da forma como se efectua o desligamento do perispírito (desate algo lento do cordão fluídico), surgem não poucos temores e, por conseguinte, objecções.
O sábio espírito Emmanuel preconiza, por exemplo, que, na opção da cremação, será aconselhável um interregno de setenta e duas horas, entre a desencarnação e tal ato.
E como os transplantes têm que ocorrer logo após a morte, em espaço de tempo não superior a seis horas (no caso do coração), resta a pergunta:
"Será que o perispírito do doador não irá registar, de forma dolorosa, tal invasão?"
Dessa maneira, pela crença na continuidade da vida em plano diferente, os maiores doadores deveriam ser os espíritas; contudo, é justamente entre eles que a lista se encolhe...
Alongando um tanto as considerações, é necessário registar que, embora verdadeiras as premissas das horas, num e noutro caso, jamais poderíamos nos esquecer do Amor do Pai, abençoando os actos de amor dos Seus filhos.
Fé! Há de se ter fé inabalável de que numa doação será imediata a acção dos Benfeitores Espirituais, impedindo repercussões dolorosas no doador recém-desencarnado.
Sem essa fé, aos espíritas especificamente, escassearão mesmo as doações post-mortem9, pelo menos, da parte deles.
Dezenas e dezenas de outras perguntas foram feitas pelo público presente, todas pacientemente respondidas ora pelos médicos, ora por espíritas.
Como já era de esperar, a maioria das pessoas queria esclarecimentos quanto à situação do doador, no caso, desencarnado.
Praticamente, esse tema ocupou todo o tempo reservado para os debates. O médico patologista, aquele a quem mais perguntas foram dirigidas, verificando o número de pessoas que apresentaram dúvidas, considerou por bem fazer uma breve explanação sobre a morte.
Propôs-se a discorrer, de sua parte, quanto aos aspectos científicos, pedindo ao presidente do Centro Espírita que, a seguir, complementasse-o, apresentando os ensinos dos bons espíritos com base na Codificação do Espiritismo.
Assim, o doutor Aderbal comentou:
A medicina, hoje, contando com avançados recursos técnicos relativos à morte, tem como certeza médica, científica e legal, que uma pessoa é considerada morta em duas situações:
falência total do encéfalo e/ou do cérebro:
1ª - Morte encefálica:
quando o indivíduo não regista, no eletrencefalógrafo, qualquer traço; isso significa que, embora ainda haja sinais vitais em alguns órgãos, a conexão (ponte) encéfalo-cérebro está definitivamente eliminada.
Jamais tal quadro se reverte.
"Obs.: O encéfalo faz parte do sistema nervoso central e de seus envoltórios contidos na caixa craniana, incluindo cérebro, cerebelo e bulbo raquidiano.
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Re: TRANSPLANTE DE AMOR - Roboels/Eurípedes Kühl

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 11, 2017 11:04 am

2ª - Morte cerebral:
é aquela na qual o indivíduo igualmente não apresenta traços gráficos de actividade cerebral nem há mais qualquer sinal vital em nenhum dos seus órgãos.
Dessa forma, em síntese, e com o máximo respeito ao Senhor da Vida, podemos filosofar que a morte encefálica, engendrada nos meandros da Suprema Bondade e Amor, evidencia a Sabedoria do Pai, criando condições para o porvir da humanidade, quando chegasse a era dos transplantes - a nossa era!
Passada a palavra para Humberto, este dissertou:
"Do ponto de vista espírita, também temos algumas ilações sobre a morte.
Em primeiro lugar, para falar da morte, vamos falar da vida:
leccionam os espíritos esclarecidos, à questão 344 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, que a vida terrena se inicia na concepção, completando-se no nascimento.
Além disso, acrescentam aqueles engenheiros da reencarnação que desde o nascimento somos assessorados espiritualmente por um Protector do mundo dos espíritos."
Após ligeira pausa, prosseguiu:
"Fizemos este preâmbulo para demonstrar que a vida física não tem início rígido quando do primeiro vagido do bebé, que, embora sendo um instante de glória suprema do indivíduo, talvez
possa expressar, num adeus, o sentimento de perda do sagrado e super protector ambiente em que estava e do qual saiu para ver a luz e trilhar um longo futuro de novos embates."
Olhou por alguns instantes para o público e seguiu:
"Idêntico ao fenómeno da vida, inexoravelmente, há um outro: a morte.
Há um paralelismo divino nesses fenómenos:
o reverso da vida física é a morte, mas, por outro lado, o nascimento do bebé talvez possa ser considerado como o reverso da vida no plano espiritual.
É comum os desencarnantes - grande parte deles - emitirem um suspiro, que tanto pode significar um atestado de alívio quanto a tristeza de um adeus...
Em um e outro caso - reencarnação e desencarnação -, temos que o indivíduo deixa um ambiente e vai para outro, onde a vida, incessante e pujante em ambos, lhe ofertará novas chances de aprendizado, visando a seu crescimento moral."
Aguardando que o público presente assimilasse tais conceitos espíritas, o expositor logo retomou:
"Recorrendo sempre aos proveitosos ensinamentos contidos em O Livro dos Espíritos, vamos encontrar ali, na Parte 2, Capítulo 3 -'Da volta do Espírito, extinta a vida corpórea, à vida espiritual', no sub-tema 'Separação da alma e do corpo', importantíssimos fundamentos sobre o que aqui estamos tratando, vindos dos espíritos iluminados que confirmaram a Kardec:
- Na questão nº. 154, não é dolorosa a separação da alma e do corpo;
- Na questão nº. 156, 'na agonia, a alma, algumas vezes, já tem deixado o corpo; nada mais há que a vida orgânica.
O homem já não tem consciência de si mesmo; entretanto, ainda lhe resta um sopro de vida orgânica.
O corpo é a máquina que o coração põe em movimento.
Existe (vida orgânica) enquanto o coração faz circular nas veias o sangue, para o que não necessita da alma'."
Após pequena interrupção, houve o prosseguimento:
"Aplicando essas transcendentais assertivas ao actual aproveitamento de órgãos de uma pessoa com morte encefálica, assim definida pela medicina, na qual o coração ainda funciona unicamente porque está monitorado por máquina, nada objecta considerarmos que no indivíduo há vida orgânica, tendo a alma já voltada à vida espiritual."
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Re: TRANSPLANTE DE AMOR - Roboels/Eurípedes Kühl

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 11, 2017 11:05 am

Como muitas pessoas estavam interessadas em saber sobre a dor no espírito do doador, Humberto esclareceu:
"Ainda sobre a dor que possa sentir o espírito, relativamente ao que aconteça com o corpo que lhe tenha servido, nunca poderemos nos esquecer de que, pela junção mental daquele a este, como no suicídio, por exemplo, há reverberação dolorosa na decomposição material.
Certamente, num grau muito maior do que no eventual aproveitamento de órgãos, à revelia de quem dele se serviu na vida física.
Acrescentamos até que nos transplantes, as preces e boas vibrações dos beneficiados e seus amigos e familiares agem como poderoso analgésico às dores resultantes daquele apego."
Num gesto de calma fechou os olhos para logo continuar:
"Após o nascimento, a criança é mais amparada espiritualmente por alguns anos, tendo em vista que o espírito passou por um processo de esquecimento das vidas anteriores e nessa condição está apto a receber e assimilar novos conhecimentos.
Após a morte, tal esquecimento não se dá:
o espírito não esquece a vida física cessante e mesmo, em muitos casos, nela permanece mentalmente, nem sequer tomando conhecimento do desenlace.
Esse é o caso específico das pessoas apegadas aos bens terrenos e aos valores materiais.
Precisamente aqui, podemos desenhar o perfil de quem tem condições de ser doador de órgãos após a morte:
aquela pessoa desapegada de posses, sensível e boa, que dispensa parte de suas ocupações em benefício do próximo e, sobretudo, que tem consciência de que Deus, sendo o amor integral, abençoa todos os actos por amor realizados.
Assim, não depende de ser espírita o doador:
depende, isso sim, de ser confiante na Justiça Divina, desprendido e caridoso."
Concluiu:
"A gratidão do receptor e dos seus familiares e amigos, além da própria admiração nem sempre manifestada de forma ostensiva, mas sentida com certeza, das equipes médicas dos transplantes, todas essas vibrações somadas formam um feixe luminoso de alto poder energético, emitindo forte luz que se dirige ao espírito do doador desencarnado, propiciando-lhe indizível bem-estar.
Podemos dizer, sem receio de contradita, que o doador é um semeador de felicidades.
Feitas as contas, resulta um enorme saldo positivo para ele. Há melhor recompensa?"
Tão eloquentes foram as explicações de Humberto, calando fundo no coração e na mente de quase todos os presentes, que ninguém mais formulou nenhuma pergunta.
À saída, uma jovem confidenciou ao noivo:
— Puxa vida!
Depois do que ouvi, dá uma vontade danada de doar o corpo todo, você não acha?
Entrando no clima, o rapaz brincou:
— Quando nos casarmos vamos fazer isso, um para o outro...
Sentindo uma pequena repreensão, seguida de afagos, agora emprestando sinceridade aos votos, a moça inquiriu:
— Vamos juntos, logo na segunda-feira cedo, declarar que somos doadores?
— Eu estava justamente pensando nisso!
Tão descontraídos estavam que não perceberam que algumas pessoas ouviram seu carinhoso diálogo:
Ari, Luiza, Ane, Angelina, Meire e Américo.
Ari e seus familiares estavam emocionadíssimos.
Até parecia que aquela noite de bênçãos fora preparada para eles.
O doutor Renato abraçou-os, atencioso e contente por vê-los ali.
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Re: TRANSPLANTE DE AMOR - Roboels/Eurípedes Kühl

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 12, 2017 11:30 am

Luiza e o marido, tendo a realidade dos dois planos - o material e o espiritual - escancarada à frente de sua vida, até então afastada do Reino de Deus, tomaram uma decisão, assim como há pouco fizera o jovem casal:
— Nunca pensei - confessou Ari - que o Espiritismo navegasse nesse mar de tão profundos conhecimentos!
Estou impressionado e feliz.
— Eu também nem sabia dessas coisas, tanto que agora me sinto muito mais confortada com tudo o que nos aconteceu - solidarizou-se Luiza.
— De hoje em diante, vou estudar os fundamentos da Doutrina dos Espíritos, pois, além de considerar bastante lógicas as informações que foram transmitidas, encontrei conforto nelas...
Luiza, num gesto de concordância, ainda complementou:
— Há uma coisa que não tem naquele Centro Espírita e achei óptimo...
Ari sempre fora o homem que gostava de reflectir sobre os paradoxos, mas aquele que sua esposa apresentara ele não o decifrou.
Inquiriu:
— Ué... se não tem, como é que você pode ter gostado?
— Lá não tem espelhos.
— Nem mármore...
Não houve necessidade de detalhes.
Reciprocamente, ambos captaram quanto estavam mudados...

6 - A Génese, cap. 11.
7 - O Livro dos Espíritos, Introdução e questão n9 257.
8 - O Céu e o Inferno, cap. 3.
9 - Em O Livro dos Espíritos, questão n° 257, o "Ensaio teórico da sensação nos Espíritos" é de fundamental esclarecimento para todos quantos tenham dúvidas quanto à dor post-mortem dos doadores de órgãos.
Sendo muito a propósito da mensagem do presente livro, encarecemos aos leitores que o leiam.
Cumpre aqui acrescentar, ainda segundo Kardec, em O Livro dos Médiuns, Cap. l, a questão n° 51, na qual consta que o perispírito, embora fluídico, não deixa de ser uma espécie de matéria.
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Re: TRANSPLANTE DE AMOR - Roboels/Eurípedes Kühl

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 12, 2017 11:30 am

16 – TRÊS MARIAS
Algum tempo depois, coincidindo com o casamento de Meire com Américo, uma espectacular notícia viria inundar de alegria o lar de Ari:
a gravidez de Ane desenvolvia-se com bom andamento...
a despeito dos trigémeos!
Ou melhor, das trigémeas...
Sob recomendação médica, Ari deveria manter-se afastado dos negócios por seis meses, a contar da data da sua cirurgia.
Luiza preferiu ficar ao lado do marido, assistindo-o na convalescença.
Meire, a pedido da mãe, assumira as rédeas da empresa.
Livrara-se da toxicomania de forma definitiva, por decisão própria, difícil, mas corajosa.
Mais uma vez a vontade havia vencido a batalha contra o vício.
De forma surpreendente para todos - todos mesmo -, Meire vinha incumbindo-se da responsabilidade com até então desconhecida competência administrativa, além de tino comercial.
Dera ordens ao encarregado de Recursos Humanos para não recusar candidatos a emprego que fossem ex-toxicómanos.
Aliás, com sabedoria e bondade, empregava-os, sim, encaminhando-os para estágio inicial de um ano junto às pedreiras de onde o mármore verde era extraído.
Lá, sob rigoroso esquema que implantara, não havia possibilidade de tramitar drogas e, assim, aqueles que, na prática, não demonstrassem recuperação progressiva, geralmente se demitiam.
As duas amigas de Meire, que eram suas inquilinas, igualmente deixaram as drogas, com amplo apoio dela, que ainda as empregou em sua empresa.
Gratas pelo generoso financiamento do apartamento, mas principalmente pela assistência moral, tornaram-se funcionárias dedicadas e amigas fiéis.
Quando as três meninas chegaram ao mundo, o lar de Ari transformou-se num só reboliço.
Até então, vinha ele se recuperando bem do transplante, a ponto de ter iniciado breves jornadas de actividade na sua empresa, sempre próspera.
Meire dera conta do recado, isto é, assumira as rédeas da direcção comercial e industrial com raro senso de oportunismo, daí resultando bons lucros.
As irmãs adoptivas de Ane, nos momentos que antecederam ao parto, por estranha simbiose começaram, elas também, a sentir dores abdominais.
O doutor Américo, sempre atencioso e acompanhando o estado de saúde de todos, diagnosticou aquilo "dores de gravidez psicológica".
Talvez tivesse razão:
as dores que surgem espontâneas (sem ferimentos ou sem quaisquer outros danos, externos ou internos) na verdade são impressões que transitam do perispírito ao organismo, via um bom estafeta-condutor:
o sistema nervoso central.
Cumpre destacar que, no caso de ferimentos, ainda é o sistema nervoso central que leva a notícia ao cérebro e este a repassa para o cérebro perispiritual, daí desencadeando o processo da dor "física".
Até certo ponto, com a cautela que o delicado assunto impõe, talvez não seja exagero de nosso turno considerar o sistema nervoso central como sendo a parte mais materializada do perispírito, ou, ao contrário, a parte mais subtil da matéria orgânica, algo assim como um entremeio de densidade entre um e outro daqueles corpos.
O que o corpo manifesta é reflexo do que o perispírito regista.
Está mais que provado que a matéria física não sente dor, embora seja nela que a resposta reflexiva ao estímulo se manifeste:
na verdade, o perispírito sim, este que é a sede das sensações, como já vimos em O Livro dos Médiuns, citado anteriormente.
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Re: TRANSPLANTE DE AMOR - Roboels/Eurípedes Kühl

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 12, 2017 11:31 am

Assim, Alva e Alice, co-participes daquela gravidez, nela concentraram suas vibrações, daí advindo, nelas, em retorno reverberativo, as dores que Ane sentia.
De um jeito ou de outro, tiveram que receber analgésicos.
Impossível a Ari, aos serviçais e ao próprio doutor Américo não achar muita graça naquilo, embora disfarçassem.
Luiza, Meire e Angelina, alvoroçadas diante dos primeiros sintomas do parto, ficaram, elas também, carentes de algum cuidado, que o doutor Américo providenciou.
Agora, era mesmo difícil a Ari não dar risadas, pois naquela casa até parecia que seis mulheres estavam prestes a dar à luz.
Conduzidos todos ao hospital - em duas ambulâncias -, em menos de uma hora ecoaram na sala de partos os altissonantes vagidos dos três saudáveis bebés.
A primeira manifestação sonora de um espírito que reinicia nova etapa terrena seja à hora do dia ou da noite que for, é sempre algo comparável à festiva manifestação da natureza, na alvorada de uma nova manhã, em que aves canoras, alegres e céleres, cruzando os ares, conclamam a todos os seres que repousavam para o reinicio da dinâmica física de mais um estágio de prosseguimento evolutivo: um novo dia!
Para construir, incessantemente!
O anúncio de que tudo transcorrera bem funcionou como a liberação geral da barragem de uma represa, cujas águas rolaram, isto é, lágrimas de felicidade.
Choravam os bebés...
E a mãe.
Choravam a avó, a bisavó, a tia, as "tias-mães".
Choravam até as três enfermeiras, cada uma com um bebé.
Ari, com o pensamento fixado no filho, sentindo-se em estado de sublime graça, sentia o coração qual taça a derramar amor na alma.
Chorava ele também...
De comum acordo com todos, as meninas se chamariam:
Mariane, Marialva e Marialice...
Tempos virão em que os olhos humanos integralizarão seu potencial, admitindo visualizar determinadas ocorrências do plano espiritual.
Em outras palavras: uns mais, outros menos, no futuro todos seremos médiuns videntes, podendo testemunhar o desdobramento físico-espiritual de várias acções, de vários acontecimentos, em várias oportunidades.
Ali, só Angelina teve esse privilégio:
presa de emoção pelo andamento de tão significativos factos, em lágrimas e em preces, quase perdeu o controle quando viu Anderson, ladeado por dois enfermeiros, aproximar-se das filhas.
Beijou-as, terna e longamente.
Depois, uma a uma das pessoas, abraçou-as, com carinho.
Aproximou-se do pai, que chorava de intensa alegria.
Abraçou-o forte, fazendo que o coração que pulsava no peito de Ari recebesse intensa radiação, traduzida por gotículas de luz que, saindo do tórax do filho, iam aninhar-se no do pai.
A seguir, o neto olhou-a, enternecido.
Nada disse. Nem precisava...
Seu olhar era só doçura e meiguice.
Angelina, em verdadeiro êxtase, viu que os olhos dele pareciam duas lanternas de foco brilhante e que, da cintura para cima, era como se houvesse lâmpadas acesas na região dos órgãos que doara.
Não resistindo à emoção, fixou o olhar no peito do neto...
Lá estava! um outro coração, tão iluminado, que tanta luz cegou-a momentaneamente.
Mesmo sem ver, percebeu que o neto se aproximara.
Beijou-a na testa e nas faces, com delicadeza e carinho.
Quando as retinas voltaram à normalidade, Anderson já tinha partido.

Ao terminar a leitura deste livro, provavelmente você tenha ficado com algumas dúvidas e perguntas a fazer, o que é um bom sinal.
Sinal de que está em busca de explicações para a vida.
Todas as respostas de que você precisa estão nas Obras Básicas de Allan Kardec.
Se você gostou deste livro, o que acha de fazer com que outras pessoas venham a conhecê-lo também?
Poderia comentá-lo com aquelas do seu relacionamento, dar de presente a alguém que talvez esteja precisando ou até mesmo emprestar àquele que não tem condições de comprá-lo.
O importante é a divulgação da boa leitura, principalmente a literatura espírita.
Entre nessa corrente!

§.§.§- Ave sem Ninho
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