NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 13, 2017 8:44 pm

COLOCANDO O PLANO EM ACÇÃO
No dia seguinte bem cedo, Plínio saiu de casa.
Telma sabia que ele tinha ido à busca do veneno que seria administrado a Germano.
Ela no íntimo sabia que aquilo não era certo, pois Germano, além de ser um bom rapaz, era educado, carinhoso e os amava muito.
Mas, ao mesmo tempo, não conseguia se imaginar pobre e, se aquela era a única solução, teria de ser feito.
No orfanato, Sara e Sílvio estavam dormindo quando foram acordados com batidas fortes em sua porta.
Levantaram-se apressados e nervosos por aquele atrevimento.
Sílvio abriu a porta e Laurinha, chorando muito, disse:
- Senhor, a Maria do Carmo está muito mal.
Não sei o que ela tem.
- Por que está dizendo isso?
Como se atreve a nos acordar dessa maneira?
- Desculpe senhor, mas ela está muito ruim.
Seus olhos estão parados e parece que viraram vidro!
Acho que ela está morrendo...
- Que bobagem é essa, Laurinha?
Sabe que essas crianças são mentirosas e sei que você é igual a elas!
- Não é mentira, senhor.
Ela está muito mal...
- Está bem, volte para junto dela que vou em seguida.
Laurinha saiu apressada e Sílvio voltou para o quarto.
Sara estava sentada na cama e perguntou um tanto assustada:
- Que conversa é essa, Sílvio?
Que aconteceu?
- Nada aconteceu, Sara!
Essas crianças mentem muito!
- Pode ser, mas se for verdade e essa menina morrer, que vamos fazer?
Não vai ser a primeira vez, e a polícia, da última vez que aconteceu, ficou desconfiada.
Não podemos aparecer com mais uma morte, Sílvio.
- Não haverá morte alguma, Sara!
Estou indo para ver o que está acontecendo realmente.
Sílvio se vestiu e foi para um dos quartos onde as crianças dormiam.
Entrou e viu que várias crianças estavam ao lado da cama onde ele havia deixado Maria do Carmo.
Aproximou-se e empurrou as crianças que, ao vê-lo, saíram assustadas.
Ele percebeu que Maria do Carmo estava quieta e realmente com os olhos vidrados.
Seu corpo estremeceu.
Sabia que ela estava morta.
Lembrou-se do que Sara havia dito em relação a mais uma morte.
Pegou a menina no colo e saiu dizendo para as crianças:
- Ela só está desmaiada, vou levá-la para o hospital, logo mais trarei notícias.
Agora podem ir tomar café.
Dizendo isso, saiu carregando a menina.
As crianças estavam assustadas, principalmente as mais velhas, pois já haviam visto aquilo acontecer outras vezes.
Sílvio, lembrando-se da conversa que teve com Sara, levou Maria do Carmo até um dos quartos, colocou-a em uma das camas e voltou para seu quarto.
Encontrou Sara que terminava de se vestir.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 13, 2017 8:44 pm

Disse:
- Ela está morta, Sara...
- Meu Deus, que vamos fazer, Sílvio?
Não podemos comunicar à polícia!
Eles vão investigar e ver que as crianças estão sendo mal alimentadas e que muitas estão doentes.
- Sei disso, precisamos pensar em uma maneira de sumirmos com o corpo.
- Como podemos fazer isso?
Além do mais, as crianças sabem que ela morreu.
- Elas não sabem, pensam que está desmaiada e que eu a estou levando para o hospital.
- Mesmo assim, que vai dizer quando a menina não voltar?
- Diremos que ela foi adoptada por alguém.
Não é difícil enganarmos as crianças, o difícil será darmos um fim no corpo.
Sara estava desesperada.
Sabia que não conseguiriam enganar a polícia mais uma vez.
Pensou por algum tempo, depois disse:
- Podemos esperar escurecer e, à noite, a enterramos no quintal, lá nos fundos, aonde ninguém vai.
Para que as crianças deixem de se preocupar, vamos preparar um almoço com tudo que elas gostam.
Ficarão tão felizes em ter o que comer, que se esquecerão de Maria do Carmo.
- É por isso que te amo tanto, você, além de ser inteligente, pensa rápido.
É isso mesmo que vamos fazer.
Sara saiu e foi para a cozinha, era hora de elas estarem lá.
Laurinha servia chá, pois não havia mais café nem leite para serem preparados para elas.
Servia também um pedaço de pão amanhecido, que as crianças molhavam no chá para conseguirem comer.
Sara, sorrindo e brincando com os cabelos de algumas crianças, disse:
- Não se preocupem com a Maria do Carmo, foi levada para o hospital, ficará bem e logo voltará para casa.
Estivemos pensando e acho que está na hora de termos um almoço muito bom.
Hoje vamos ter arroz, feijão e muita carne para comermos.
Vocês querem?
As crianças, na sua inocência, gritaram felizes:
- Queremos! Queremos!
- Pois bem, vocês nunca se esquecerão do almoço de hoje.
Laurinha, pegue a carne que está guardada e prepare para o almoço.
- Toda ela, senhora?
- Sim, toda ela.
- Mas a senhora sempre disse que era para ser servida somente para a senhora e para o seu Sílvio.
- Sim, eu disse, mas hoje é um dia especial.
Faça toda ela e deixe que as crianças comam à vontade.
- Sim, senhora.
Laurinha estranhou, mas ficou feliz em poder servir para as crianças uma refeição completa.
Ela tinha dezasseis anos, sabia que só sairia dali quando fizesse dezoito e ainda faltava muito.
Mas também sabia que, assim que saísse, daria um jeito de contar às autoridades o que acontecia ali.
Por enquanto, ficaria quieta para poder cuidar das crianças da melhor maneira que pudesse.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 13, 2017 8:44 pm

Um pouco antes da hora do almoço, Plínio chegou em casa e encontrou Telma lendo na biblioteca e entrou, perguntado:
- Telma, onde está Germano?
- Está estudando em seu quarto.
Trouxe o veneno?
- Sim, está aqui neste vidrinho.
A dose é de dez gotas por dia
- Não pode ser uma quantidade maior, Plínio?
- Não, Telma.
Não podemos despertar suspeitas.
- Está bem, vou colocar no suco que ele toma na hora do almoço.
Estavam, conversando quando Sara chegou.
Perceberam que estava muito nervosa.
Ao vê-la, Telma perguntou:
- Que aconteceu, Sara o que trouxe você até aqui?
Parece que está nervosa...
Sara contou o que havia acontecido com Maria do Carmo e na decisão que ela e Sílvio tomaram.
Telma e Plínio ficaram apavorados, Plínio disse:
- Mas acredito que essa seja mesmo a melhor maneira de nos livrarmos do corpo.
Tem razão, Sara, esse corpo não pode aparecer... não agora.
Se já estivéssemos com a fortuna de Germano em nossas mãos, poderíamos ir embora deste país e ninguém nos encontraria, mas agora isso não é possível.
Hoje à tarde iremos para o orfanato e ajudaremos vocês a colocarem em prática o que decidiram.
Sara foi embora e Germano desceu.
Ao vê-lo, Telma se aproximou e, sorrindo, perguntou:
- Germano, já está pronto para o almoço?
- Sim, mamãe e estou com muita fome.
- Então vamos almoçar.
Depois do almoço, eu e seu pai vamos ao orfanato.
- Gostaria de ir também e ficar com as crianças mais tempo.
Quando eu era pequeno e a vovó estava viva, ela sempre me levava e me deixava ficar muito tempo brincando com elas.
Depois que ela morreu, nunca mais a senhora me deixou ficar brincando com elas.
Sinto saudade das crianças, principalmente da Laurinha.
- Você poderá ir quando quiser, mas hoje não.
Vamos conversar sobre dinheiro e organizar a compra de alimentos.
Será muito maçante.
Além do mais, enquanto estivermos em reunião, as crianças estarão em aula...
E só voltaremos bem tarde, à noite temos convites para passar na casa dos Mendonça.
- Está bem, mamãe, irei um outro dia.
Agora vamos almoçar?
- Vamos, sim, meu filho.
Foram até a mesa que estava colocada com esmero.
Sentaram-se e começaram a comer.
Assim que terminaram, Telma e Plínio foram para o orfanato.
Sara e Sílvio os esperava.
Estavam nervosos...
A morte da menina não estava em seus planos.
Assim que entraram, Sara, disse:
- Que bom que chegaram.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 13, 2017 8:44 pm

- Onde ela está, Sara?
- Está no quarto dos fundos.
As crianças pensam que a levamos para o hospital.
- Qual foi à causa da morte dela?
- Não sabemos e agora não interessa...
Se a polícia vier, a saber, poderemos ter sérias dificuldades.
Sabem que este não é o primeiro caso, por isso precisamos fazer o que Sílvio decidiu.
- Tem razão, mas como faremos?
- Assim que anoitecer e as crianças forem dormir, pegamos o corpo da menina e o enterramos no fundo do quintal, naquele lugar bem lá no fundo, aonde ninguém vai.
- Se vierem a descobrir, Sílvio, não será pior?
- Não se preocupe ninguém vai descobrir Telma.
- Mas as crianças sabem que houve alguma coisa com a menina, Sílvio.
- Com o tempo esquecerão e, quando perguntarem, diremos que ela foi adoptada por uma família, Plínio.
- Sendo assim, acredito que essa seja a melhor solução.
- Também acho, por isso, vamos continuar agindo da mesma maneira que sempre agimos.
Hoje, no almoço, as crianças ficaram felizes, pois fazia muito tempo que não tinham uma comida tão boa.
Vamos contratar um palhaço para que venha amanhã ou depois.
Assim elas continuarão felizes e se esquecerão de Maria do Carmo.
- Óptima ideia, Sara!
Vamos fazer isso.
Conheço um palhaço que é muito engraçado.
Eu e Sara podíamos ir conversar com ele agora, não é, Plínio? - Telma olhou para Plínio, que concordou com a cabeça.
Elas saíram em busca do palhaço.
Sílvio e Plínio continuaram no orfanato, conversando sobre a melhor maneira de enterrar a menina sem despertar suspeitas.
A tarde passou e a noite chegou.
Após as crianças irem para os quartos e eles comprovarem que todos realmente dormiam, foram para os fundos do quintal e entraram em um pequeno quarto que havia lá.
Esse quarto era usado para guardar coisas velhas e nunca ninguém ia lá, a não ser Sílvio, uma vez ou outra, para levar uma coisa qualquer.
Plínio e Sílvio cavaram um buraco fundo o suficiente para o que eles achavam ser necessário para o corpo da menina ficar totalmente encoberta.
Depois foram até o quarto onde ela estava, pegaram o corpo, levaram e o enterraram.
Em seguida disfarçaram o buraco com uns móveis velhos que havia por lá, colocando-os amontoados por sobre a terra mexida.
Quando viram que tudo estava com uma aparência normal, saíram tranquilos, pois sabiam que ninguém mais, por muito tempo, iria até lá.
Voltaram para o escritório, Plínio e Telma despediram-se e foram para casa.
No dia seguinte, depois do almoço, o palhaço que Sara e Telma haviam contratado veio ao orfanato e distraiu as crianças durante a tarde toda.
Elas estavam felizes, até Laurinha achava que Deus havia ouvido suas preces e havia mudado a maneira de agir daqueles que deviam cuidar do bem-estar delas.
O tempo foi passando e não demorou muito para Germano começar a sentir muitas dores.
Telma e Plínio, fingindo preocupação, o levaram ao médico, que, apesar de examinar o rapaz de todas as maneiras, não conseguiu encontrar o motivo daquelas dores.
Telma continuou todos os dias, a administrar o veneno, tomando cuidado para não exceder a dose.
As dores foram aumentando e Germano sofria muito com elas.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 13, 2017 8:45 pm

Aos poucos, ele foi entrando em desespero, pois sentia que ficava mais fraco a cada dia.
Telma e Plínio procuravam cercá-lo de cuidados e demonstravam preocupação, levaram o rapaz a muitos médicos e faziam questão de que as pessoas soubessem o quanto estavam preocupados.
Embora Germano fosse examinado por muitos médicos, nenhum deles descobriu o que acontecia na realidade, somente Roberto, que era quem cuidava das crianças do orfanato, desconfiou.
Ao examinar Germano, chamou Telma e alertou-a:
- Telma, os sintomas são de envenenamento...
- Envenenamento?
Como pode ser isso, Roberto?
- Não sei, mas seria interessante se fizéssemos alguns exames para ter certeza.
Pode ser que, por algum motivo, ele esteja querendo se matar e está ingerindo algum tipo de veneno.
- Fazer exames?
- Sim, são exames fáceis.
- Preciso conversar com Plínio a esse respeito...
- Está bem, faça isso, mas não pode demorar muito, pois, se realmente ele está ingerindo algum tipo de veneno, será preciso descobrir a tempo, para evitarmos que morra...
Telma conversou com Plínio, que, ao saber das desconfianças de Roberto, disse, nervoso:
- Como ele pode desconfiar, Telma?
Germano passou por tantos médicos e nenhum deles desconfiou de coisa alguma!
- Não sei, Plínio, mas ele está determinado a fazer os exames...
- Não pode Telma!
Sabe que, se fizer esses exames, descobrirá que Germano está mesmo ingerindo veneno!
Precisamos encontrar uma maneira de impedir que esses exames sejam feitos!
- Não sei o que podemos fazer, Plínio... estou muito nervosa e acho que poderíamos deixar esse plano para lá e pararmos de administrar o veneno...
- Nem pensar, Telma!
Sabe que a morte dele é a nossa única esperança!
Se isso não acontecer, estaremos arruinados!
- Tem razão, mas Germano está sentindo tantas dores, que às vezes sinto pena dele.
Ele é um bom menino, não deveria sofrer tanto...
- Se continuarmos por mais algum tempo, não vai demorar e tudo ficará bem.
Ele morre, recebemos a herança e seremos felizes para sempre, meu amor.
Telma, que além de amar muito Plínio era fraca e nunca soube lhe dizer um não, conformada, concordou:
- Está bem, vou continuar administrando o veneno...
- E eu vou conversar com Roberto... sei que encontrarei uma maneira de chegarmos a um acordo.
Plínio saiu dali e foi ao hospital onde sabia que Roberto estava, entrou em sua sala e, depois de se sentar, disse:
- Roberto, estou aqui porque Telma me disse que você quer fazer alguns exames em Germano para descobrir o que está acontecendo, pois desconfia que ele está se envenenando.
- É isso mesmo, Plínio.
Essa doença dele está muito estranha, precisamos descobrir o que é e, se ele estiver ingerindo veneno, impedir que continue.
Acredito que, mesmo que isso esteja acontecendo, ainda é tempo para que o pior seja evitado.
- Estou agradecido por sua preocupação, mas, antes de fazermos os exames, quero te fazer uma pergunta.
- Que pergunta?
- Sei que está em sérias dificuldades financeiras, pois sua esposa perdeu muito dinheiro no jogo, não é verdade?
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 13, 2017 8:45 pm

- Sim, sabe que é verdade, eu mesmo te contei.
- Assim como me confiou um assunto tão grave, também preciso confiar em você.
- Pode confiar, sabe que sou amigo de vocês.
- Pois bem, assim como você está arruinado, a nossa família também está e precisamos da sua ajuda para que possamos ficar bem novamente.
- Não sabia que estavam nessa situação.
Sempre pagaram meu salário em dia e nunca tivemos problema algum.
Mesmo tendo conhecimento de que algumas vezes me calei em relação ao que acontecia no orfanato.
- Sim, muitas vezes precisamos da sua ajuda e do seu silêncio... e agora estamos precisando novamente.
- Não estou entendendo o que está querendo me dizer...
- Mas vai entender.
Plínio contou todo o plano e terminou dizendo:
- Como vê, nossa única solução é essa.
Somente com a morte de Germano poderemos recuperar nossa saúde financeira e sermos felizes outra vez.
- Não posso fazer isso, Plínio.
Sou médico e fiz um juramento...
- O juramento não vai te tirar da ruína.
Você é quem sabe, está em suas mãos.
Sabe que muitos outros médicos examinaram Germano e não desconfiaram do envenenamento, pode fazer igual a eles e omitir o que descobriu.
Se fizer isso, assim que recebermos a herança, prometo que será muito bem recompensado.
A herança é enorme e todos nós nos livraremos da ruína.
Roberto pensou por algum tempo, depois resolveu colaborar:
- Está bem, farei de conta que nada descobri, mas não se esqueça do que prometeu, preciso muito desse dinheiro.
- Não precisa se preocupar, quando recebermos o dinheiro, você, assim como nós, ficará livre da ruína.
Mas, antes disso, terá que nos fornecer o atestado de óbito.
- Está bem, farei isso...
Germano foi ficando cada vez pior e as dores aumentavam.
O sofrimento era tanto que, no íntimo, desejava que a morte chegasse.
Telma por muitas vezes chegou a ter pena e desejou parar de colocar o veneno nos sucos do rapaz, mas, depois, pensava no quanto a morte dele ia beneficiá-los e continuava.
Nos últimos dias de vida, Germano sofreu muito.
Entrou em coma e ficou internado em um hospital por vários dias.
E, embora os médicos tentassem tudo, foi impossível descobrirem a causa de sua morte.
No enterro, Plínio, Telma, Sara e Sílvio choraram muito.
O que causou muita pena a todos que ali compareceram.
Enganados pelas aparências, achavam que conheciam e sabiam o quanto aquela família amava o rapaz.
Depois do enterro foram para casa e, assim que chegaram, Plínio disse:
- Agora precisamos esperar o advogado nos chamar e nos comunicar a liberação do dinheiro.
Por enquanto vamos continuar fingindo e demonstrado a enorme dor que estamos sentindo.
Tranquilamente, sentaram-se ao redor da mesa e começaram a jantar.
Em sua casa, Roberto pensava: Está feito.
Sei que não ter contado me torna cúmplice do crime, mas o que poderia fazer?
Sem essa cumplicidade, estaria arruinado.
Agora ao menos terei condições de me recuperar...
E, assim como os outros, jantou e foi dormir sem remorsos.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 13, 2017 8:45 pm

ENCONTRO COM A VERDADE
Sara a princípio ainda confusa, assistiu tudo o que acontecera no orfanato.
Embora os nomes e roupas fossem diferentes, reconheceu a si mesma e os outros.
Ficava cada vez mais atónita ao lembrar-se de tudo que ajudara a acontecer.
Sabia que havia tomado parte em tudo aquilo.
Não conseguia olhar para sua mãe e irmã, que chegaram naquele momento.
Lágrimas corriam de seus olhos.
Com vergonha e chorando, ela acompanhou o sofrimento de Germano e de Maria do Carmo.
Com os olhos inchados e molhados, olhou para a mãe, perguntando:
- Nós fizemos isso, mamãe?
- Infelizmente, sim, minha filha.
Todos usaram o direito da escolha e escolheram mal.
Aqui deste lado, eu, que nessa vida também havia sido a mãe de vocês, a que havia fundado o orfanato, sofria muito ao ver o que faziam e as condições em que estava aquele orfanato, que fora criado com todo amor e sofria, principalmente, por ver o que faziam com as crianças, que já sofriam por não terem pais e, por aqueles que deveriam cuidar delas com o mesmo amor que cuidei.
- Sinto muito, mamãe.
Não pode imaginar como estou envergonhada e triste.
- Sei disso, mas não terminou aí.
Germano e Maria do Carmo foram trazidos, adormecidos, para cá e ficaram assim por muito tempo.
Temíamos que não entendessem o que havia acontecido.
Precisávamos de um tempo para escolher e falarmos as palavras certas quando acordassem.
Precisávamos convencê-los a perdoar, mas sabíamos que era quase impossível.
- Que aconteceu connosco, Sílvio, Telma, Plínio e eu?
- Como todas as pessoas acompanharam o sofrimento fingido de Telma e Plínio durante a doença de Germano e sua morte sem sequer desconfiar do que realmente havia acontecido, vocês receberam o dinheiro sem problema algum e com ele a vida de luxo voltou.
Com tanto dinheiro, esqueceram-se do que tinham feito.
O dinheiro era como entorpecente.
Nunca foram descobertos por morte nenhuma, nem a de Maria do Carmo, nem a de Germano.
No orfanato, agora com medo de que houvesse uma investigação e fossem descobertos, Sara e Sílvio providenciaram para que as crianças fossem bem alimentadas e contrataram até uma professora.
Eram bem vistos pela sociedade, que continuou ajudando o orfanato.
Como previram, as crianças, sentindo-se bem tratadas e acreditando que Maria do Carmo estava feliz na casa que a havia adoptado, aos poucos foram se esquecendo dela.
- Isso não é justo, mamãe!
Não podíamos ter ficado impunes!
Deveríamos ter sido descobertos e recebermos o castigo merecido!
Os crimes que cometemos foram horríveis!
Nunca poderia imaginar que havia feito uma coisa como essa!
- Tem razão, não é justo, mas aconteceu.
Ficaram impunes e puderam usufruir sem qualquer remorso daquele dinheiro...
E tinham cometido até crimes para se apossar dele...
Mas, embora tenham ficado impunes perante os homens, para Deus não existe impunidade ou castigo, apenas justiça.
- Não entendo o que está dizendo.
Como não tem castigo?
Deus foi conivente com todo o mal que praticamos?
- Não, nem por um minuto.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 13, 2017 8:45 pm

Quando Ele nos criou nos deu o livre-arbítrio para que nós mesmos pudéssemos ter a vida que escolhêssemos.
- Ainda continuo achando que isso não está certo.
O que acontece quando escolhemos mal ou usamos o nosso livre-arbítrio para o mal?
- Estamos nós mesmos escolhendo a punição e a vida que teremos em uma próxima encarnação.
- Laurinha me falou alguma coisa a esse respeito, mas confesso que, apesar de achar que algumas coisas poderiam ser certas, nunca prestei muita atenção.
Tinha problemas maiores como à violência de Sílvio e a protecção que precisava dar aos meus filhos.
- Sei disso, mas alguma coisa você, mesmo sem saber, guardou.
- Vi que Laurinha foi uma das meninas que moravam no orfanato!
Por que ela veio a ser minha vizinha e me ajudou tanto?
- Laurinha morava no orfanato porque também havia escolhido a vida que teria.
Em uma vida anterior, teve uma família carinhosa que só se preocupou no seu bem-estar, em lhe dar tudo que a fizesse feliz.
Ela nunca deu valor e só os fez sofrer.
Nessa vida, pediu para ser órfã e, assim, aprender a dar valor a uma boa família.
- E assim que funciona, mamãe?
- Sim, Sara, e é aí que está a justiça de Deus.
Ele sempre nos dá o livre-arbítrio, mas também nos mostra as consequências das nossas escolhas.
- Então o crime que cometemos teve sua justiça e consequências?
- Claro que sim.
Apesar de todo dinheiro, luxo e o respeito que tinham das pessoas, um a um foi morrendo e retornando à casa do Pai.
Como haviam cometido vários crimes e eram muito apegados ao dinheiro, foram enviados para o vale e lá ficaram por muito tempo, sofrendo assustados com imagens de monstros que eram criados pela imaginação.
Ficaram separados e em vão procuravam um pelo outro.
O sofrimento de vocês foi imenso.
Viam diante de si, embora eles não estivessem lá, Maria do Carmo, Germano e tantas outras crianças que maltrataram.
Essas imagens os atormentavam constantemente.
Sofreram ao perceber que, ali onde estavam aquele dinheiro pelo qual haviam feito toda sorte de maldades não tinha valor algum.
Descobriram, através de muito sofrimento, que não importa que sejamos ricos ou pobres, humildes ou possuidores de todo poder, respeitados ou não pela sociedade, todos, um dia, teremos de retornar e enfrentar nossa própria consciência e que, se existe alguém, além de Deus, a quem não podemos enganar, esse alguém somos nós mesmos.
O dia do acerto chega, mais cedo ou mais tarde, e dele ninguém pode escapar.
- Isso causa medo, mamãe...
- Não é para causar medo, minha filha, é para se pensar muito bem nas nossas acções e nos rumos que tomamos.
Precisamos estar conscientes de que, boa ou má, cada uma delas terá sua reacção.
- Que aconteceu depois, mamãe?
- Nesse meio tempo, Maria do Carmo e Germano foram despertados e tomaram conhecimento do que havia acontecido.
A primeira reacção deles foi de revolta e ódio, mas conversamos muito e os fizemos entender que vocês estavam caminhando e ainda em um estágio de evolução em que, como todos, tinham seus erros e acertos.
Também os lembramos do longo tempo de caminhada em que todos vocês estavam juntos e das muitas coisas que já haviam passado e que, por isso, deviam perdoá-los - e contou à filha as atitudes que Germano tinha tido naquele despertar.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 13, 2017 8:45 pm

Era como se Sara o ouvisse dizendo:
- Eles praticaram todos esses crimes e saíram impunes!
Como quer que nós também os perdoe?
Eles impediram que continuássemos na Terra e, assim, cumpríssemos a nossa missão!
- Até certo ponto você tem razão, mas não podemos nos esquecer que tudo que acontece tem seu motivo.
Realmente, vocês pediram para nascer e a sua principal missão seria ficar novamente sob responsabilidade deles, para que pudessem se redimir de erros passados, mas, também desta vez, não a cumpriram; por isso não havia necessidade de vocês continuarem lá.
Eles haviam enganado os homens e não foram punidos por isso.
Mas da justiça de Deus não teriam como escapar.
Depois de muito tempo e como já eram companheiros de outras jornadas e vocês os amavam, entenderam e esperaram até o dia em que eles retornassem definitivamente, mas sabíamos que, para isso, teriam de se arrepender...
E isso demorou muito tempo.
Daquele dia em diante, ficamos sempre perto deles, esperando o momento em que, finalmente, entendessem e se arrependessem do que haviam feito e, assim, poderiam ser resgatados.
Nessa altura, Sara perguntou a mãe:
- Maria do Carmo e Germano fizeram isso?
Conseguiram perdoar, mamãe?
- Sim, não só perdoaram como, com a nossa ajuda, foram resgatar vocês naquela vida.
São espíritos que já aprenderam o valor do amor, da amizade e do perdão e sabem que todos somos passíveis de erros.
O tempo passou e conseguimos resgatá-los um a um.
Voltaram humilhados e sofrendo muito pelo remorso.
Depois que todos estavam aqui, permitimos que se reencontrassem.
Esse encontro, a princípio foi emocionante, vocês se abraçavam e choravam uns nos braços dos outros, mas, de repente, tudo mudou e um acusava o outro pelo fracasso.
Você acusava Sílvio por ter sido tão violento e ele por você nunca ter tentado evitar.
Telma acusava Plínio por ter articulado tudo e ele, igualmente a ela por não ter se colocado contra.
Brigaram muito e deixamos, pois sabíamos que aquele momento era necessário e importante.
Depois de muito discutirem, chegaram, finalmente, à conclusão de que todos tinham sua parcela de culpa e de que não adiantava continuar com aquela discussão e, sim, tinham de pensar em uma maneira de resgatar todos os erros cometidos.
Pediram uma nova chance.
Nesse momento em que pediram uma nova chance, a porta se abriu e por ela entrou Germano e Maria do Carmo.
Vocês, ao vê-los, tentaram se esconder, envergonhados, mas eles se aproximaram.
E foi assim:
Germano, primeiro olhando nos olhos de Plínio e depois nos de Telma, perguntou:
- Por que fez aquilo, mamãe?
Telma ficou sem saber o que responder.
Ele voltou a perguntar:
- Por que fez aquilo, mamãe?
- Perdão, Germano, foi por medo da pobreza e por ganância, mas estou muito arrependida e prometo que, se Deus me der uma nova chance, vou te receber como filho e farei o possível e o impossível para que seja feliz...
E eu te darei todo o amor que te neguei, serei a melhor mãe do mundo!
- Promete isso?
- Claro que sim, aprendi muito durante o tempo em que estive no vale, longe de todos e, por isso, com muito tempo para pensar.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

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Você será muito feliz ao meu lado, filho...
Ela chorava muito enquanto dizia isso.
Ele abriu os braços, os dois chorando, abraçaram-se e Telma beijava com carinho todo o rosto dele.
Plínio se aproximou e também chorando os abraçou e disse:
- Te peço perdão, Germano e também prometo que estarei ao lado de Telma e que também farei tudo para que sejamos felizes.
- Ficaram ali por muito tempo abraçados e chorando.
Maria do Carmo olhou para você e para Sílvio que, desde que ela entrou na sala, não tiveram coragem de encará-la.
Ela se aproximou e, com a mão, levantou o seu rosto e depois o de Sílvio, dizendo:
“Posso imaginar tudo o que passaram e como estão neste momento.
Já senti muito ódio, mas hoje não.
Sinto que aprenderam a extensão de seus erros e quem sou eu para julgar.
Eu os perdoo por tudo que fizeram e pedi uma nova chance de nascer novamente e na casa de vocês.
Eu e Germano temos uma missão importante para cumprir.
Lutaremos contra todo tipo de violência, mas, para que isso aconteça, precisamos renascer".
- Você e Sílvio a abraçaram e juntos choraram muito.
Depois, você pediu perdão a Maria do Carmo e prometeu que a receberia como filha e, junto com Sílvio, lhe daria o melhor lar do mundo.
E que iria ajudá-la, para que, ao lado de Germano, ela conseguisse cumprir sua missão.
- No final tudo ficou bem, mamãe?
- Sim, no que se tratava do perdão.
Mas nem tudo seria fácil como imaginavam, pois, embora houvessem se reencontrado, tudo estivesse esclarecido e o perdão fora dado, a justiça não havia se cumprido.
Tiveram muito tempo para pensar e decidiram que teriam de passar por tudo o que infligiram aos outros.
Por isso escolheram voltar juntos e, desta vez, conseguiriam não errar nas escolhas.
Viveriam em lares violentos e, cada um à sua maneira, lutariam contra os erros.
Eu e alguns amigos nossos, que somos seus companheiros de várias jornadas, nos propusemos a voltar e ajudar vocês em tudo que fosse possível, para, desta vez, conseguirem vencer seus instintos.
Eu voltaria e novamente seria sua mãe.
E, com meu exemplo, você aprenderia a se defender e não aceitar a violência.
Você teria um marido violento e sentiria na pele a dor que a violência causa.
Eu deveria te ensinar a lutar contra isso e a se impor.
Eu faria minha parte, o resto seria por sua conta.
E assim fiz, Sara, mas você não, você permitiu que Sílvio continuasse sendo o mesmo violento de sempre e, novamente, nada fez para impedi-lo, a não ser ficar se lamentando e chorando pelos cantos.
- Mas o que eu poderia ter feito, mamãe?
Não tinha uma profissão, não tinha como manter a mim e aos meus filhos...
- Não seria fácil, mas, com a ajuda de Deus e de seus amigos que aqui ficaram, com um pouco mais de empenho você conseguiria.
As portas seriam abertas, uma oportunidade de trabalho surgiria a você continuaria com seus filhos longe da violência...
Mas você preferiu se acomodar àquela situação.
- Sinto muito, mamãe, por ter falhado outra vez...
- Bem, mas agora está feito.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 13, 2017 8:46 pm

Terá outras chances, tantas quantas forem necessárias, porque Deus nos conhece a todos e muito bem...
Sabe que não somos perfeitos e, também, que temos toda uma eternidade para chegarmos à perfeição.
- Tem certeza disso que está falando?
- Claro que sim e a prova é que Ele sempre nos dá o direito de escolher como precisamos agir para nos redimirmos dos erros cometidos.
- Como assim?
- Você e Telma, por virem de um lar sem problemas e por terem sido criadas no luxo e feito todo tipo de desmandos para continuarem assim, desta vez decidiram que nasceriam em um lar violento, seriam pobres e ficariam sozinhas sem a companhia das mães, que seriam as pessoas em quem mais confiariam.
Isso aconteceu com você e, agora, com Telma.
Assim como, quando morri, aconteceu com você, também ela está se sentindo sozinha e desesperada com a sua falta.
Não sabe, como você não sabia, que está passando exactamente pela mesma sensação de abandono que Germano e também as crianças do orfanato sentiam sem os pais.
- Pobre filha, se eu estivesse viva e visse isso acontecer com outra pessoa, não entenderia e acharia que Deus não é justo.
Mas hoje, depois de tudo que sei, entendo a oportunidade que Ele está dando para que Telma, assim como aconteceu comigo, aprenda na própria carne.
- Deus não erra nunca, minha filha.
- Tem razão, mamãe.
Mas poderei ver Telma de vez em quando, não é?
- Claro que sim, assim como fiz várias vezes com você, poderá lhe intuir e ajudar no que for possível, só não poderá interferir no seu livre-arbítrio.
- Estou pensando... me parece que há algo mais que não está dando certo...
- Sim, muitas coisas, mas o que está pensado agora?
- Telma e Plínio se encontraram mamãe, mas foi tarde demais, ele está casado com outra...
- Sim, encontraram-se e tiveram a chance de ficar juntos, mas, desta vez, por culpa da ganância dele, isso não aconteceu.
Além de continuar o mesmo ganancioso de antes, julgou que a sua condição de homem lhe dava o direito, mais uma vez, de enganar e mentir.
E, infelizmente, outra vez, Telma se deixou envolver e Germano foi concebido.
- O que está dizendo, mamãe, Telma está esperando um filho de Plínio?
- Não mais, ela o abortou e é por isso que precisamos da sua ajuda.
Germano desta vez está mais revoltado e não quer perdoá-la.
Precisamos tentar convencê-lo a lhe dar uma nova chance.
Tentamos, mas até agora ele não aceita nossos argumentos.
Está irredutível, diz que vai grudar-se ao corpo dela, o que poderá trazer a ela doenças graves.
- Nada pode ser feito para evitar que ele faça isso?
- Somente a nossa persuasão, porque, pela Lei, ele tem esse direito.
Precisamos convencê-lo, mais uma vez, que mesmo tendo o direito, não deve fazê-lo, pois isso só atrasaria a sua própria evolução.
- Como é complicado, mamãe...
- Não é complicado.
Nós é que complicamos, com nossa ansiedade.
Bem, agora que já sabe do passado, precisamos nos reunir novamente e tentarmos acertar essa situação.
- Como poderemos fazer isso, mamãe?
Eles terão de morrer para podermos nos encontrar?
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 13, 2017 8:46 pm

- Não, ainda não chegou a hora deles.
Precisam ficar na Terra por muito tempo e, cada um a seu modo, tentar cumprir sua missão.
- Então, como é feito?
- Neste momento, Sara, é noite alta e todos estão dormindo.
Alguns amigos nossos já os estão trazendo para cá.
- Trazendo, mamãe?
- Sim, enquanto dormem, o espírito se desprende do corpo, fica ligado apenas por um fio prateado.
Sendo assim, podem se locomover e aí é que são levados para vários lugares.
Alguns para salas de aula, onde aprendem e recebem forças para continuar.
Outros, para ajudar nas equipes de cura.
Muitas doenças são curadas durante a noite, sem que a pessoa saiba.
Outros, para receberem ajuda em seus momentos de tristeza ou depressão.
O corpo dorme, mas o espírito não.
O espírito está em eterna evolução.
- Porque, quando a gente acorda, não se lembra?
- Porque não é necessário, mas sempre fica uma leve lembrança.
A isso é que se dá o nome de sonho.
- Está dizendo que o sonho é uma vivência do espírito?
- Sim, Sara.
Quanto mais intensa foi essa visita, mais intensa será a lembrança.
As pessoas não sabem que, muitas vezes, enquanto dormem, prestam serviços maravilhosos para a espiritualidade.
Se prestar atenção, perceberá que, muitas vezes, ao acordar pela manhã, muitas ideias surgem; ou encontra-se a solução para algum problema.
- Está errado a gente não saber de tudo que acontece aqui...
- Não é errado, Sara, só não é necessário.
Independente de saber ou não, o espírito está em constante evolução, não importando sua classe social, sua crença ou sua origem, todos são filhos do mesmo Deus e a todos Ele ama igualmente.
Estavam conversando quando, para surpresa de Sara, apareceram na sala Telma, Plínio, Sílvio e Roberto.
Pareciam um pouco adormecidos, mas foram abrindo os olhos aos poucos e viram-se naquele lugar que, para todos, era estranho.
Telma, ao ver a mãe, gritou:
- Mamãe! A senhora está aqui?
Tenho sentindo tanto a sua falta!
Porque abandonou a gente?
Sara abriu os braços e ambas, chorando, abraçaram-se com saudade e ternura.
- Também me assustei quando me vi aqui, minha filha, mas agora entendo qual foi o motivo de ter partido tão de repente.
Estou feliz por te ver novamente.
Como está tudo lá em casa?
As crianças estão bem, Sílvio está batendo nelas ou em você?
- Está tudo bem, mamãe.
Papai, desde o dia em que a senhora se foi, mudou completamente, nunca mais brigou nem bateu em ninguém - Telma resolveu não falar sobre Dirce.
Sílvio, que seguia a conversa das duas, disse:
- Sara que lugar é este?
Como você está aqui?
Você morreu!
Quem são essas pessoas?
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 13, 2017 8:46 pm

Sara voltou-se para ele e, sabendo de todo o passado, respondeu:
- Minha mãe e minha irmã, que você não conheceu Sílvio.
Elas estão aqui para ajudar a gente.
Estou feliz por te ver e por saber que está se portando bem com as crianças.
Plínio, que assim como os outros estava confuso, interrompeu a conversa mesmo antes de Sílvio dizer qualquer coisa:
- Telma, que está fazendo aqui com seus pais?
Está querendo me obrigar a assumir a criança que está esperando?
Sabe que não posso fazer isso, que sou casado e já tenho um filho!
Telma, emocionada e feliz por rever a mãe, continuava com lágrimas correndo por seu rosto.
Ao ouvir a voz de Plínio, voltou-se para ele, dizendo:
- Você não precisa se preocupar, não tem que assumir o nosso filho, ele não existe mais.
Fiz o que me sugeriu, fui a um lugar e tirei a criança que ia nascer.
- Ainda bem que você resolveu tudo, porque quando me vi aqui e ouvi você dizendo que são seus pais, me assustei.
Pensei que havia me colocado em uma armadilha.
- Nada está bem, Plínio, ao contrário está muito complicado - foi Rita que respondeu.
- Complicado porquê?
Se essa criança não existe mais, também não existe mais preocupação.
- Essa criança existe, sim, e está muito revoltada.
- Como existe, Telma, você não disse que a tirou?
Telma olhou para Rita e disse:
- Não pode ser!
Sei que a tirei e quase morri por ter feito isso...
- Telma, mesmo vendo sua mãe, não acredita que há vida após a morte?
Essa criança existe sim e tem o nome de Germano.
Está revoltado com vocês e quer vingança, por não terem cumprido uma promessa, e é por isso que estão aqui.
- Não estou entendendo...
- Nem eu, mamãe, a senhora não morreu?
- Sim, Telma, mas descobri que a morte não existe e que nunca estive mais viva do que agora.
- Não pode ser... - era Sílvio quem falava.
- Pode, sim, e é, Sílvio.
- Sei que todos estão confusos, mas essa confusão vai terminar agora.
Fechem os olhos e terão todas as respostas.
Todos, confusos mas querendo respostas, fecharam os olhos e viram-se, primeiro, naquela sala do orfanato, no momento exacto em que Sílvio saía para castigar Maria do Carmo e, depois, pela manhã, quando ele constatou que ela havia morrido.
Na sequência, viram o momento em que planearam como seria o seu enterro e, logo depois, já estavam na casa de Telma e viram quando ela colocou o veneno em um copo com suco, fazendo que Germano o tomasse.
E viram, como num carrossel, toda a agonia dele, até sua morte.
E presenciaram a morte de cada um, a ida para o vale, todo sofrimento, o arrependimento e o resgate feito por Germano, Maria do Carmo e Rita.
Viram a conversa que tiveram com Germano e a promessa que Telma e Plínio lhe fizeram.
De repente, já haviam voltado para a sala onde estavam Sara, Selma e os amigos que os tinham trazido até ali.
Olharam-se, e como se uma força interna invisível os comandasse, começaram a chorar, Telma foi a primeira que falou:
- Plínio, fizemos isso mesmo!
Estou me lembrando!
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 13, 2017 8:47 pm

- Fizemos, sim.
Matamos Germano e, agora, tornamos a matar.
Como pudemos fazer isso, Telma?
- Não sei... não sei...
- Simplesmente porque pensaram que o dinheiro era o mais importante e que, com ele, poderiam comprar tudo - disse Rita.
- Mas o dinheiro é importante.
Sem ele não se vive...
- Sei disso, Telma, mas ele não pode se tornar o motivo de um crime.
É hora, no entanto, de esquecer esse tempo que já passou.
Precisamos pensar no presente e no que faremos para corrigir os erros cometidos agora.
- Eu não tinha como assumir essa criança!
Eu estou casado!
- Mas, quando encontrou Telma, ainda não estava, Plínio, a encarnação passada, você também enganou, mentiu e se aproveitou da boa fé das pessoas.
Com sua ganância, chegou às mais tristes consequências!
Matou Germano, que Deus havia te confiado e que deveria ser tratado como um filho, com carinho e amor.
Nesta, apesar de ter prometido mudar, e de achar que não participou directamente, ajudou para que ele novamente fosse morto.
- Não consigo entender essa teoria.
Se era para eu ser pai ele, porque me fizeram conhecer Luísa e permitiram que eu me casasse com ela e tivesse um outro filho?
Estou achando que, se tudo isso que disse for verdade, vocês passam o tempo todo nos testando!
- Tudo que acontece tem sempre um motivo, Plínio.
Isto não foi mostrado, mas Telma foi a primeira que morreu.
Luísa era amiga de Telma, mas sempre foi apaixonada por você e, assim que te viu sozinho, insinuou-se, você se deixou envolver e começaram a conviver.
Ficaram juntos por algum tempo, mas logo se separaram, pois você, ao lado dela, transformou-se em um homem violento.
Nesta vida, iriam se encontrar, mas não ficariam juntos.
Quando conheceu Telma, ainda não havia se casado e sabia que não gostava de Luísa...
Mas outra vez a sua ganância falou mais alto e o seu mau-carácter também.
Viu em Telma uma presa fácil...
E em Luísa, a oportunidade de se tornar um homem rico.
Seus pais morreram quando você era ainda uma criança, mas não ficou no abandono.
Roberto e Nadir cuidaram de você e tiveram muito amor e carinho na sua criação.
Nesta vida, você teria que lutar contra o seu mau-carácter e a sua ganância...
E, por enquanto, isso você não conseguiu.
Como sempre teve muita influência sobre Telma, também desta vez mentiu e enganou.
E ela, que sempre foi covarde, não resistiu e praticou o mesmo crime outra vez.
- Então, a culpa não foi minha, foi de Telma!
Ela que foi covarde, não eu!
Sou homem, quem tem que se cuidar é a mulher!
Ela é responsável pelo filho!
- Aqui não existem homens ou mulheres, existem apenas espíritos.
Vocês eram responsáveis por Germano e, por culpa dos dois, ele não nasceu.
Agora está revoltado e disposto a tudo.
- Se são tão poderosos, podem evitar isso!
Deve existir uma maneira de não permitir que ele continue com esse sentimento de vingança.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 13, 2017 8:47 pm

Se quiser, posso até recebê-lo como filho, só que com Luísa, que é minha mulher verdadeira!
- Você já está, novamente, tentando barganhar e me envolver em seus truques, mas isso não será possível.
Germano era responsabilidade sua e de Telma.
Agora, talvez ele demore um pouco para renascer.
Antes precisará ser tratado e, para que esse tratamento comece, é necessário que novamente ele exerça o perdão.
Você ainda continua o mesmo de sempre, Plínio, mas terá muito tempo para se redimir.
O tempo conserta tudo.
Rita voltou-se e, ao ver Sara e Sílvio abraçados e chorando, disse a eles:
- Estão chorando por terem se lembrando de tudo?
- Sim, mamãe, e também por Telma não ter me contado o que estava acontecendo.
Se tivesse feito isso, eu poderia ter evitado que ela fosse obrigada a fazer o que fez.
Por que não confiou em mim, Telma?
- Fiquei com vergonha, mamãe, achei que a senhora não ia entender.
Quando resolvi lhe contar, já era tarde, foi no dia em que a senhora morreu.
Perdão, mamãe, sei que está decepcionada comigo.
- Não estou decepcionada, Telma, mas muito triste.
Você não devia ter feito o que fez minha filha.
- Sei disso, mas não tinha outra solução.
A senhora, mais do que ninguém, sabe como papai é violento.
Ele nunca ia aceitar...
Rita interferiu:
- Agora já está feito e não adianta ficar lamentando.
O que precisamos fazer é tentar consertar.
- Mamãe, a Maria do Carmo está com Germano?
- Não, Sara, ela está renascida e dormindo.
- Por que ela não está aqui?
- Não havia necessidade que viesse.
Ela perdoou vocês e está feliz.
- Ela renasceu?
Mas a senhora disse que ela seria minha filha outra vez...
- Ela é sua filha...
- Sueli?! A Sueli é a Maria do Carmo?
- Sim, e tem uma missão muito importante...
- Que bom, mamãe, ao menos não falhei na minha promessa...
- Sim, Sara, ainda bem!
Mas agora vamos nos preparar e fazer uma oração para que toda luz e protecção venham até nós e nos ajudem a convencer Germano.
Fecharam os olhos e acompanharam as palavras de Rita.
- Senhor nosso, Pai.
Sei que nos conhece e sabe que estamos aqui reunidos porque conhecemos nossas falhas e estamos tentando resgatá-las.
Sabemos que são muitas, mas sabemos também o quanto nos ama e, por isso, estará sempre de braços abertos para nos receber, não importando o tempo que demore.
Ajude-nos a bem cumprir a nossa tarefa.
Faça com que os bons sentimentos de Germano possam aflorar e que ele supere todo o ódio, a mágoa e a dor que está sentindo, e que, novamente, ele use do perdão e dê uma nova chance para que Telma e Plínio também possam ter outra Chance.
Obrigada, Senhor.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 14, 2017 9:51 pm

Quando Rita terminou sua oração, abriu os olhos e viu que todos estavam compenetrados e deixando que as lágrimas caíssem por seus rostos.
Entendeu aquele momento e, confiante, disse:
- Estamos prontos.
Agora, só depende de cada um e da reacção de Germano.
Rita caminhou na frente, pisando com passos firmes.
Eles a acompanharam e foram até um dos quartos que havia ali.
Quando entraram, viram Germano sentado em um dos cantos do quarto.
Seus olhos estavam vermelhos e com grandes olheiras pretas.
A sua volta, vultos que riam e falavam sem parar.
Todos sentiram medo e pararam onde estavam sem coragem de se aproximar.
Somente Rita continuou e chegou até ele, falando com a voz firme:
- Germano, olhe quem está aqui.
Germano, com dificuldade, olhou para o ponto que ela indicava e, ao ver Telma e Plínio, gritou:
- Vocês? Que estão fazendo aqui?
Vieram rir da minha desventura?
Não estão satisfeitos com todo o mal que me fizeram?
- Não, Germano, eles não estão aqui para isso, estão aqui porque precisam conversar com você.
- Conversar, o quê, vovó?
Não tenho o que conversar com eles!
Podem ir embora e me deixar aqui, mas não pensem que os esqueci, me vingarei de cada um!
Disso podem ter certeza!
Odeio todos vocês!
Odeio, entenderam?
- Entendemos que você está nervoso e sabemos que tem o direito de estar assim, mas também sabemos que o ódio e o rancor só nos fazem ficar infelizes Germano... - era Rita quem falava - é melhor você ouvir o que eles têm para dizer e, no final, se ainda assim não quiser perdoar, eles irão embora e você poderá fazer o que quiser...
- Não temos o que conversar.
Já está feito e, mais uma vez, me enganaram, mentiram para mim!
- Meu querido, precisa entender que, quando estamos renascidos, é muito difícil aceitarmos a vida que nós mesmos escolhemos, e mais difícil ainda é cumprirmos nossas promessas.
- Não sei se é difícil, só sei que por muitas vidas eles me enganaram e continuarão enganando!
Mas agora chega, não quero mais confiar neles, só quero a minha vingança!
- Sabe que tem o direito de fazer isso, mas também sabe que o perdão é a melhor solução para tudo.
Converse com eles, deixe que eles lhe expliquem o que os levou a fazer o que fizeram...
- Não quero conversar, muito menos saber os motivos.
Sei que, se me amassem como disseram da última vez, não haveria empecilho algum!
Estou cansado e com muito ódio!
- Converse comigo, Germano.
Preciso que me perdoe, eu estava em uma situação muito difícil e não tinha como deixar que você nascesse, não agora...
Mas prometo que, assim que tudo estiver bem, se você quiser, poderá nascer e será muito amado.
Se eu soubesse de todas as consequências que teria com a minha atitude, teria sido diferente...
Mas não sabia Germano.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 14, 2017 9:51 pm

Preciso que me perdoe por esta e pelas outras vezes que te fiz sofrer...
- Não quero mais conversar com você, Telma, nem com ninguém!
Não quero mais ouvir mentiras!
Só quero ficar sozinho, me deixem em paz, por favor!
Telma olhou para Rita.
Estava triste e amargurada, mas não tinha mais argumentos, sentia que o ato que praticou tinha, sim, suas consequências e entendia o sofrimento de Germano.
Rita, também desolada, disse:
- Nosso tempo está terminando, em poucos minutos vocês despertarão.
Está na hora de irmos.
Outro dia voltaremos e continuaremos essa conversa.
Germano terá tempo para reflectir e entender que ninguém tem o direito de julgar nem de atirar a primeira pedra.
Agora, vocês seguirão ao lado desses companheiros queridos que foram buscá-los.
Confiemos na bondade e justiça de Deus.
Telma, Plínio, Sílvio e Roberto, desolados e entendendo todo mal que fizeram nas suas encarnações, mas percebendo que nada mais poderiam fazer, acompanharam as entidades que os tinham levado até lá.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 14, 2017 9:52 pm

DEPRESSÃO
Telma despertou e lembrou-se vagamente...
Sonhei com minha mãe, ela estava linda!
Mas tinha outras pessoas com ela, quem eram aquelas pessoas?
Acho que vi meu pai, o Plínio e o doutor, não consigo me lembrar do sonho.
Que estranho...
Ouviu um barulho de panelas e isso bastou para, irritada, lembrar-se...
Aquela mulher está aí tomando o lugar de minha mãe!
Dona Laurinha disse que tenho de aceitar, ao menos até me formar e conseguir receber um salário melhor, mas como vou conseguir?
Como vou aceitar essa mulher, sabendo que foi por causa dela que meu pai maltratou tanto a gente e principalmente minha mãe?
Não sei se vou conseguir!
Eu odeio os dois!
Vou conversar com o doutor e, com essa mulher aqui em casa, posso voltar ao meu horário normal de trabalho.
Assim... Trabalhando o dia inteiro e indo à escola à noite...
Terei pouco tempo para conviver com eles!
Vou tentar me acostumar com a ideia, pois sei que será por pouco tempo.
Levantou-se, vestiu-se e, calada, passou pela cozinha, saindo sem dar bom-dia ou se despedir.
Dirce e Sílvio tomavam café e viram quando ela saiu.
Dirce olhou para Sílvio, dizendo:
- Não tem jeito, Sílvio.
Ela não vai me aceitar nunca...
- Mas terá de aceitar!
Esta casa é minha e sou eu quem manda aqui!
- Sei que a casa é sua, mas era de sua mulher também e Telma tem razão de estar assim, perdeu sua mãe de uma maneira inesperada, fez uma agressão contra seu corpo e contra si mesma.
Sem ser avisada, está sendo obrigada a me receber aqui em sua casa!
Ela tem seus motivos, Sílvio, tem mesmo.
Na situação dela, talvez eu estivesse sentindo o mesmo...
- Também entendo, mas ela terá de se conformar.
Não sei Dirce, mas parece que sonhei com Sara.
Ela estava chorando e eu acordei não me sentindo muito bem.
Estou com uma sensação estranha.
- Que sensação?
- De que ela quis morrer para se livrar da minha presença...
- Ora, ela morreu porque chegou à hora, você não tem nada a ver com isso.
Agora tome seu café.
As crianças, daqui a pouco, estarão acordando.
Sílvio tomou café e foi para o trabalho.
No caminho, pensava no sonho... vi Sara chorando e parece que eu chorava também...
Que lugar era aquele?
Parecia uma casa muito grande e acho que vi muitas crianças.
Será que Sara está no céu?
Deve estar...
Ela, apesar de tudo, sempre foi uma boa esposa e mãe...
Telma chegou ao escritório e todos a receberam com muito carinho.
Pensavam que ela havia sido operada de apendicite.
Foi para sua sala e viu que sobre sua mesa havia muitos papéis.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 14, 2017 9:52 pm

Organizou-os, vendo o que eram, e começou a trabalhar.
Por ter muito trabalho, a manhã passou rápida.
Quando Roberto chegou, Telma foi até sua sala, bateu de leve e entrou.
Ao vê-la, Roberto estranhou:
- Telma, o que está fazendo aqui?
Sabe que tem mais alguns dias para ficar em casa.
- Sei, sim, doutor, mas estou me sentindo bem e já posso voltar ao trabalho.
- Embora ache que é um pouco cedo, não posso negar que estou contente com sua volta.
Como já pode ter visto, o trabalho está todo atrasado.
- Percebi, mas não se preocupe, logo estará tudo em ordem.
Quero comunicar ao senhor que, a partir de hoje, vou trabalhar no meu horário normal.
- Não estou entendendo...
Quem vai cuidar da sua casa e das crianças?
- Meu pai trouxe, para dentro de casa, uma mulher que vai se encarregar de todo o trabalho e das crianças, também.
- Isso é muito bom, você já tem muitos compromissos com o trabalho e a escola.
- Isso é verdade, mas eu não estava me queixando, estava dando conta de tudo, sem problema algum.
- Parece que não está contente com a presença dessa mulher.
- Não estou mesmo, mas, como tudo em minha vida, não tenho opção, vou ter que suportar a presença dela.
- Não sei o que está acontecendo em sua casa, mas você está se preparando muito bem e logo terá outras opções.
Não se preocupe, a vida é mesmo assim, sempre nos prepara armadilhas, acho que é só para ver até onde aguentamos.
- Tem razão, mas vou aguentar tudo até ter meu diploma nas mãos.
- Sei disso...
E depois vai ter um escritório como o meu, com placa e tudo - Roberto disse, rindo.
- É isso mesmo, doutor - Telma falou, também rindo.
- Está bem, não pode imaginar o quanto desejo que consiga seu diploma e, com ele, a sua independência financeira.
Agora pode ir, tem muito trabalho.
Obedecendo ao convite, Telma saiu da sala do doutor e foi para a sua.
Tinha mesmo muito trabalho.
Passou o dia inteiro pondo em ordem o trabalho atrasado e à noite foi para a escola.
Tinha faltado a muitas aulas e precisou pedir as matérias aos colegas, para poder recuperar o perdido.
Os dias foram passando.
Ela comprou um despertador e colocou na prateleirinha que havia na parede perto da sua cama, onde agora também Sueli dormia.
Assim poderia acordar antes de todos e ir embora, sem ter que encontrar seu pai e, principalmente, Dirce.
Só sentia falta era dos irmãos, pois não almoçava mais em casa e, à noite, quando voltava da escola e preparava sua marmita para o dia seguinte, todos estavam dormindo.
O tempo todo se lembrava de sua mãe e do que sonhara e, toda a noite pedia para sonhar com Sara outra vez.
Mas isso nunca mais aconteceu.
A vida foi continuando e parecia que tudo estava bem.
Mas uma manhã, ao acordar, Telma sentiu uma tristeza inexplicável e, sem saber por que, começou a chorar enquanto pensamentos tristes teimavam em não sair de sua cabeça:
De que adianta continuar vivendo, trabalhando e estudando tanto?
Que tipo de vida estou tendo?
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Ave sem Ninho

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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 14, 2017 9:52 pm

Para que continuar levando essa vida sem sentido, se, quando me formar, pode acontecer o mesmo que aconteceu com minha mãe, posso morrer...
Acho que não vale à pena continuar vivendo nem esperar que a morte chegue.
Dona Laurinha disse que a vida lá do outro lado é bem melhor que aqui e que lá é o nosso verdadeiro lar.
Acho melhor morrer...
Poder encontrar minha mãe e ser feliz ao lado dela...
Acho melhor me matar para adiantar essa hora e me afastar desta vida que não me deu nada...
Levantou-se e começou a se vestir, mas aquele pensamento não a abandonava:
tenho mesmo que encontrar uma maneira de me matar, não quero mais continuar vivendo assim...
Foi para o escritório e, como todos os dias, foi recebida com carinho por todos, mas não sentiu vontade de conversar com ninguém, queria ficar sozinha e, daquele dia em diante, tornou-se uma pessoa cada vez mais triste e amarga, não lembrava, nem de longe, aquela Telma que todos conheciam, cheia de vida e de esperança.
Ela não sabia, mas Germano, cheio de ódio estava o tempo todo a seu lado e dizendo:
É isso mesmo, para que quer continuar vivendo?
Você tem de se matar e, assim, vir para o meu lado.
Estou aqui junto de você e ficarei até o dia em que se decida a morrer e, nesse dia, estarei te esperando e te atormentarei para sempre.
Você não perde por esperar, Telma, não perde mesmo!
Telma não ouvia, mas sentia sua presença e, nessas horas, começava a chorar sem conseguir se controlar.
Mudou muito, só queria ficar sozinha, não queria conversar com ninguém e, nas horas em que não estava trabalhando ou na escola, só queria dormir.
Em sua mente apareciam várias maneiras que poderia usar para se matar.
Ela pensava, mas ainda não havia escolhido uma que tivesse coragem de praticar.
Germano, sempre ao seu lado, dizia:
É isso mesmo que tem de fazer, Telma!
Pode se jogar na frente de um carro, se enforcar...
Ou tomar veneno, como fez comigo!
Nessas horas, ela sentia uma enorme vontade de fazer exactamente aquelas coisas e, vencida pelo cansaço, adormecia.
A mudança dela foi tanta, que os colegas de trabalho e da escola perceberam.
Uma manhã, Marieta se aproximou:
- Telma, tenho notado que você não está bem.
Esta acontecendo alguma coisa?
Está sempre triste, cansada, e parece que tem chorado muito.
Seus olhos estão inchados e com olheiras profundas.
Que está acontecendo, minha amiga?
Sabe que pode confiar em mim, que pode me contar qualquer coisa.
Já dei provas da minha amizade...
Germano ao ouvir aquilo, começou a gritar no ouvido de Telma:
Não pode confiar nela!
Foi ela quem fez com que você me matasse!
Foi ela quem te deu a ideia e te levou naquele lugar!
Ela não gosta de você!
Nem ela nem ninguém!
Você não vale nada, precisa mesmo morrer!
- Você não é minha amiga, Marieta, e é culpada por tudo que fiz!
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 14, 2017 9:52 pm

- Que está dizendo, Telma?
...foi ela, sim, quem te levou naquele lugar e te obrigou a me matar - dizia Germano, rindo e rodopiando ao lado de Telma, que imediatamente, respondeu:
- Foi você quem me levou naquele lugar e fez com que eu fizesse aquilo!
- Telma! Não pode dizer isso!
Eu não queria que fizesse aquilo, te alertei e até contei o que eu sentia por ter feito a mesma coisa!
Você foi quem insistiu para que eu fosse junto...
...é mentira!
Se ela não tivesse dado o endereço, jamais você teria ido!
- Se você não tivesse me dado o endereço, eu jamais teria ido!
É você, sim, a culpada de tudo!
- Não sabe o que está dizendo, Telma!
Foi você quem quis e me forçou a ir junto, eu não queria... - Marieta disse, quase chorando.
- Não quero conversar nunca mais com você.
Nunca pensei que um dia diria isso, mas te odeio!
Dizendo isso, Telma se afastou e foi para sua sala.
Marieta ficou parada e aturdida com aquilo que ouviu Telma dizer...
Ela está completamente louca.
Foi ela quem insistiu e me fez acompanhá-la!
Não tive culpa...
Em sua sala, Telma chorava sem parar.
Estava totalmente sem acção e Germano continuava ao seu lado, rindo, rodopiando à sua volta.
- Você me enganou e mentiu, mas essa foi a última vez, nunca mais voltará a fazer isso!
Vou trazer você para cá e te atormentar por toda a eternidade!
Dizendo isso, ele se afastou e ela continuou ali, triste e chorando sem um motivo aparente.
Germano saiu dali, acompanhado por seus amigos recentes, que também o influenciavam, e foi para o escritório onde Plínio trabalhava.
Assim que entraram, viram que ele estava sentado na sua cadeira em frente à mesa.
Germano, com muito ódio, disse aos que o acompanhavam:
- Vocês estão vendo?
Esse aí juntamente com aquela outra, foi o que não cumpriu a promessa, mas agora ele vai me pagar e quero que me ajudem.
Os companheiros de Germano nada disseram, mas imediatamente foram para junto de Plínio e começaram a ouvir o que ele pensava:
Quando meu tio ficou doente, achei que era providência divina.
Se ele tivesse morrido eu, hoje, não teria problema algum.
Ele não morreu e, pior, reatou com Flávia, que poderá, a qualquer momento, querer ir para o escritório... se ela fizer isso, vai descobrir o desfalque que dei.
É muito dinheiro!
Meu tio não desconfia, porque acredita, cegamente, na minha honestidade e na minha capacidade... e eu sou mesmo capaz.
Ele só descobre meu roubo se mandar fazer uma auditoria e isso ele não vai fazer.
Preciso encontrar uma maneira de me livrar dele e de Flávia.
Com a titia não haverá problema algum, assim com meu tio, ela tem absoluta confiança em mim... quando meu tio e Flávia morrerem, com certeza ela vai me dar carta branca para eu continuar à frente dos negócios...
A ouvirem aquilo, Germano e os outros começaram a rir e a rodopiar em volta de Plínio, que sentiu a cabeça doer.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 14, 2017 9:52 pm

Germano, furioso, dizia aos outros:
- Estão vendo como ele continua o mesmo de sempre?
Ele engana o tio, a tia, a mulher e todo mundo, assim como enganou aquela outra, mas essa merecia, e muito!
Os dois são iguais!
Agora está imaginando uma maneira de matar Roberto.
Ele não presta, mesmo!
Mas estamos aqui e vamos destruir a vida dele e daquela outra!
Continuaram ao redor de Plínio, rodopiavam e batiam na sua cabeça e em seu corpo.
Plínio sentiu que a dor de cabeça aumentava cada vez mais, que já nem aguentava...
Que dor de cabeça estranha.
Nunca senti igual, é horrível... acho melhor ir para casa, tomar um comprimido e me deitar para ver se passa.
Com a cabeça latejando, pegou o paletó e foi para casa.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 14, 2017 9:53 pm

MOTIVO DA OBSESSÃO
No outro plano, Rita estava indo para o quarto de Sara, quando a encontrou vindo do lado contrário.
Assim que a viu, disse:
- Sara, que bom que te encontrei!
Parece que está muito bem!
- Estou, sim, mamãe.
Estive até agora em um curso, me preparando para fazer parte de uma equipe de cura.
- Está gostando?
- Muito! Não sabia que a gente trabalhava depois da morte.
- Sei... Como todas as pessoas, achava que depois da morte a gente ia descansar, não é?
- Sim, mas, agora, acho que, se isso fosse verdade, eu não estaria tão bem como estou.
Já imaginou a gente ficar parada, sem ter o que fazer?
Só de imaginar que vou poder ajudar muitas pessoas, fico feliz.
- Que bom que está feliz, Sara!
- Fiquei mais tranquila depois que vi Telma e me recordei de todo o passado.
Só posso agradecer a Deus a vida que me deu.
Mereci cada minuto que passei ao lado de Sílvio.
Julgava que era injusto, mas hoje sei que, por muito mal que ele tenha me causado, não chegou nem perto do que fizemos àquelas pobres crianças.
Só tem uma coisa que está me incomodando e me deixando triste...
- O que é?
- Fui até ao quarto onde Germano estava e o encontrei vazio, ele saiu de lá.
- É justamente sobre isso que estava querendo conversar com você.
- Aconteceu alguma coisa de ruim, mamãe?
- Como você viu, Germano estava acompanhado por entidades que ainda não encontraram a luz.
- Vi, sim, e estranhei.
Como entidades como aquelas podem ficar em um lugar como este?
Não é perigoso, mamãe?
- Não, Sara.
Aqui temos total protecção e só foi permitido que elas se aproximassem porque o próprio Germano as atraiu.
- Atraiu? Como ele fez isso...
E por quê?
- Com os sentimentos de ódio e rancor que está sentindo, atraiu outros espíritos que se encontram na mesma situação.
Esses, acostumados com a maldade, encontraram em Germano o que mais buscam...
A desarmonia e a doença.
- Mas a senhora disse que Germano era um espírito que já havia entendido e, por isso, tinha perdoado a todos que lhe fizeram mal.
- Disse e era verdade.
Só que mesmo um espírito que já encontrou a luz e entendeu que tudo está sempre certo e que somente o perdão pode libertá-lo, às vezes, levado por sentimentos de rancor e ódio, esquece e volta para o caminho dos errantes.
- Está dizendo que mesmo um espírito de luz pode perder essa luz?
- Sim, o livre-arbítrio não cessa nunca, Sara.
Sempre poderemos escolher o caminho que quisermos.
Germano, neste momento, está esquecido de tudo o que aprendeu e aceitou, porque só tem como propósito a vingança.
- Onde ele está mamãe?
Confesso que estou com medo da sua resposta...
- Isso mesmo que pensou.
Ele está ao lado de Telma e de Plínio e está tentando se vingar.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 14, 2017 9:53 pm

- Se for assim, eles estão perdidos, pois poderão ser obsedados a qualquer momento!
- Não é assim, Sara.
Assim como aqueles espíritos só conseguiram se aproximar de Germano porque ele, através do ódio e do rancor que está sentindo, permitiu; o mesmo acontece com todos.
Germano só conseguiu se aproximar de Telma porque ela permitiu.
- Como assim?
- Ela está com muito ódio, mágoa e rancor...
Do Plínio, do Sílvio...
E até de Deus, por julgá-lo culpado da sua morte, Sara.
Esses sentimentos permitiram que Germano se aproximasse e exercesse sobre ela um total domínio.
Se, ao contrário, ela estivesse bem, aceitando tudo o que lhe aconteceu e seguindo sua vida, nem Germano nem outro espírito qualquer, mesmo que quisesse, conseguiria se aproximar dela.
- Quer dizer que são nossos pensamentos que atraem o mal?
- Sim, e assim podemos atrair para o nosso lado a companhia que queremos, boa ou má.
Somente nós somos responsáveis por tudo que nos acontece.
Neste momento, Germano está ao lado de Telma, fazendo com que ela entre em uma depressão violenta, que poderá levá-la ao suicídio.
- Meu Deus...
E não podemos fazer nada para impedir que isso aconteça, mamãe?
- Sim, podemos tentar, mas sem nos esquecer que Germano também está exercendo seu livre-arbítrio e contra isso nada podemos fazer.
- O que vamos fazer?
- Precisamos ir ter com eles e tentarmos reverter essa situação.
Você, com o amor que sempre teve por Telma, será de grande ajuda.
- Quando partimos mamãe?
Sinto que Telma está precisando muito do nosso apoio.
- Está mesmo, mas não só ela...
Germano também.
Ele conseguiu um estágio de compreensão admirável, no entanto poderá pôr tudo a perder se continuar preso a esses sentimentos.
Temos de nos preparar, eu, você, sua irmã e nossos amigos.
Precisamos partir hoje mesmo, antes que seja tarde.
- Vamos fazer isso, mamãe!
Estou muito ansiosa para rever minha casa e minhas crianças.
- Ainda hoje fará isso.
Poderá rever suas crianças.
Mas preciso te prevenir que, embora sinta vontade, não se aproxime delas.
Sua energia está diferente da delas e, se as abraçar, poderá lhes fazer mal.
Promete que vai se conter?
- Prometo! Preciso ver minhas crianças, saber como elas estão.
- Está bem, Sara.
Vamos nos dirigir ao encontro de nossos amigos, chamar sua irmã e, depois, iremos.
Foram até uma sala.
Assim que entraram, viram um senhor e mais quatro pessoas sentados ao redor de uma enorme mesa.
Rita sorriu, dizendo:
- Obrigada, Matias, por nos ajudar neste momento em que tanto precisamos.
- Ora, Rita, sabe que fico feliz sempre que tenho uma missão para cumprir!
Esta em especial, pois, além de gostar muito de vocês, também gosto muito do Germano e estou triste por ver que ele pode perder tudo que conquistou.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 14, 2017 9:53 pm

Eu e meus companheiros estamos ansiosos para irmos, antes que seja tarde.
Sentem-se, vamos nos concentrar e pedir ajuda, para que nossa empreitada dê bons resultados.
Sentaram-se, fecharam os olhos e ouviram o que Matias disse:
- Senhor meu Pai, sei que neste momento está ao nosso lado e ouvindo nosso pedido.
Sabemos que não será fácil, mas, por favor, Senhor, ajude-nos e nos inspire para que possamos agir da maneira certa para ajudar não só o Plínio e a Telma, mas principalmente Germano, que já conquistou sua luz e está perto de perdê-la.
Cofiamos em Sua bondade e protecção.
Depois dessa oração, prepararam-se para partir.
Quando chegaram a casa, Sara viu, admirada, que Sílvio estava sentado em uma cadeira na sala de jantar, lendo jornal, enquanto Sueli, Marquinhos e Silvinho brincavam no chão, terminando de montar um brinquedo com peças de encaixar, faltavam só algumas peças para ficar totalmente montado.
Ela intrigada, disse:
- Mamãe, parece que tudo está bem.
Sílvio está muito tranquilo, as crianças brincam...
Parece que não estão sentindo minha falta.
Quem é esse menino que está brincando com meus filhos?
- Sim, tudo está muito tranquilo.
- Só que não respondeu a minha pergunta, quem é esse menino que está brincando com as minhas crianças?
Antes que Rita respondesse, Sara ouviu um barulho na cozinha, correu para lá e viu Dirce, que estava lavando a louça do jantar.
Intrigada, perguntou:
- Quem é essa mulher, mamãe?
- É a mulher com quem Sílvio vai se casar.
- Casar? Como casar?
Que história é essa, mamãe? - perguntou, começando a ficar irritada.
- Não fique nervosa, Sara.
Estava programado que você morreria muito cedo e Dirce, essa mulher, que sempre foi muito amiga de Sílvio, ia se casar com ele, para poder terminar de criar seus filhos e dar a ele uma chance de se redimir e controlar sua violência.
- Casar? Mas faz tão pouco tempo que morri.
Como ele já tem uma nova esposa?
- Isso não importa e não foi para isso que viemos até aqui.
Nossa missão é outra, Sara.
- Sei que é...
Mas só preciso compreender o que se passou.
Quem é esse menino, mamãe? - Sara perguntou nervosa e quase gritando.
- O nome desse menino é Sílvio e é filho deles.
- Filho? Como pode ser filho?
Ele tem quase a mesma idade de Marquinhos!
- Sim, a diferença é de meses.
- A senhora está me dizendo que, desde a época em que Marquinhos nasceu, Sílvio tinha uma outra mulher e um filho?
- Isso mesmo, minha filha, mas isso não importa mais agora.
Você não pertence mais a este lugar e a nossa missão é Telma.
Sílvio e Dirce continuarão sua jornada... mas, se não conseguirmos ajudar Telma, a dela poderá terminar antes do tempo e de uma maneira trágica.
- Durante todo o tempo em que ele me bateu e fez da nossa vida um inferno estava com outra mulher? - Sara disse, parecendo não ouvir o que a mãe tinha falado.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

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