NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 14, 2017 9:53 pm

- Sara, minha filha, volte à realidade!
Estamos aqui para ajudar Telma e Germano!
Deixe para lá o que aconteceu antes da sua morte.
- Como posso deixar, mamãe?
Ele foi um monstro! - no mesmo instante em que dizia isso, Sara voltou para a sala onde Sílvio lia o jornal, partiu para cima dele e começou a bater em seu rosto, sua cabeça e em todo o corpo.
Todos que vieram para aquela missão, a princípio, levaram um choque e ficaram parados.
Depois de alguns segundos, Matias colocou-se à frente de Sara e segurou-a pelo braço, dizendo com a voz firme:
- Pare com isso, Sara.
Você não pode se deixar dominar pela violência e o ciúme.
A nossa missão aqui é outra!
Sara, chorando, se afastou de Sílvio e disse:
- Como posso aceitar isso?
Ele, o tempo todo, teve outra mulher e foi por causa dela que transformou a nossa vida num inferno!
- Você se recordou do passado e sabe que Sílvio, com a sua ajuda, sempre foi violento.
Você, que pediu para viver em um lar violento e transformá-lo em um lar de paz, é que precisava ter lutado contra a violência, mas não o fez.
Perdeu sua chance.
Sílvio, desde que você morreu daquela maneira inesperada, tem reflectido muito sobre a conduta que tinha em relação a você e está tentando mudar.
Já que você não conseguiu, vamos deixar que Dirce tente.
Ele precisa entender que a violência é um mal que tem de ser afastado.
Por enquanto ele está se comportando muito bem, com ela e com as crianças.
Vamos torcer para que ele continue assim e entenda, de uma vez por todas, que dentro de um lar só deve existir amor, carinho, compreensão e respeito.
Portanto, fique calma, para que possamos voltar para o verdadeiro motivo que nos trouxe até aqui.
- Não consigo deixar de sentir muita raiva por tudo que ele me fez!
- Sendo assim, sinto muito, mas não poderá continuar ao nosso lado.
Terá de retornar, para que tenha tempo de reflectir sobre tudo o que aconteceu.
- Não quero voltar!
Preciso ajudar Telma e Germano!
- Sabe que sempre tivemos e teremos de escolher.
Nada poderemos fazer para que perdoe Sílvio, isso depende exclusivamente de você.
Para que tenhamos alguma chance junto a Germano, é preciso que ele entenda que estamos aqui por amor.
Se perceber que você traz dentro de si sentimentos de ódio, ciúmes e principalmente de vingança, não conseguiremos que nos ouça.
Por isso é que não poderá ficar aqui.
Mas não se preocupe, faremos o possível e o impossível para ajudar Plínio e também os dois.
Sara, parou de chorar e, voltando-se para a mãe, disse:
- Perdoe-me, mamãe.
Preciso pedir perdão a todos vocês.
Sei que estão aqui para ajudar minha filha e estou sendo ingrata.
Mas não consegui me conter.
Rita a abraçou, dizendo.
- Entendemos minha filha.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 14, 2017 9:54 pm

Sabemos que você está recém-chegada e que ainda está com energias pesadas adquiridas na Terra.
Como o tempo, entenderá que tudo faz parte do crescimento.
Sua missão aqui na Terra terminou.
Deixe que os que ficaram continuem sua jornada e consigam entender e resgatar todos os seus desacertos.
A nós só nos resta poder ajudar da melhor maneira e torcer para que consigam.
- Entendi mamãe, mas, por favor, não me mandem embora.
Preciso ficar ao lado de Telma para ajudá-la neste momento.
- Sei que tem vontade de ajudar, minha filha, mas, como Matias disse, se continuar com todo esse ódio e revolta, não tem como continuar aqui.
Para podermos tentar obter algo junto a Germano, precisamos estar tranquilos e ele precisa sentir que só temos amor para dar.
- Sei disso e, embora seja muito difícil de aceitar essa situação, preciso entender, perdoar e continuar o meu caminho.
Neste momento, o mais importante são Telma e Germano.
Perdoe, meu Pai, por este momento de fraqueza.
- Está bem, Sara.
Podemos perceber que sua intenção é realmente só de ajudar.
Entendemos que foi uma surpresa para você o que está acontecendo nesta casa, mas agora vamos continuar o nosso trabalho.
Mais tarde conversaremos sobre o que te deixou transtornada - Matias falou.
- Obrigada, Matias.
Sei como é importante o seu trabalho e o da sua equipe.
Prometo que não se arrependerá da oportunidade que está me dando.
Matias ia dizer algo mais, quando viram a porta da casa se abrir e, por ela, entrar Telma.
Como não se sentia bem, estava voltando para casa antes da hora de costume.
Não teve vontade de ir à escola.
Como já estava acontecendo já há alguns dias, ela estava com os olhos vermelhos e com olheiras profundas.
Entrou em casa e, sem falar com ninguém, foi para seu quarto e se deitou.
Sara, ao vê-la, correu ao seu encontro, mas Rita se colocou à sua frente, impedindo que a seguisse, dizendo:
- Espere, Sara, não pode se esquecer do que eu falei sobre a energia.
Aqui, não pode abraçar Telma, isso só lhe fará mal.
- Mas, mamãe, estou com tanta saudade...
- Sei disso, mas somente a sua presença já vai dar a ela um bem-estar inexplicável.
Fique ao lado dela, mas a certa distância.
Matias e sua equipe cuidarão dela.
Sara parou no lugar em que estava.
Matias olhou para os integrantes de sua equipe e, indo na frente, fez com que os outros o seguissem.
Entraram no quarto onde Telma estava deitada chorando, enfiada em seu beliche.
Todos se colocaram em volta de sua cama e começaram a jogar sobre ela luzes brancas.
Aos poucos Telma foi se acalmando e, com saudades de sua mãe, pensando...
Mamãe quero ir para o seu lado, está muito difícil continuar vivendo.
Estou cansada e não quero mais viver.
Preciso que me ajude a encontrar uma maneira de ir para seu lado.
Só a senhora pode me ajudar a morrer, mamãe...
- Não, minha filha, não pode pensar assim, ainda tem muito para viver.
Deus sabe o quanto gostaria de te ajudar, mas somente você poderá fazer isso, mudando sua maneira de pensar e acreditando que nunca está sozinha, que pode errar mil vezes e sempre terá a oportunidade do perdão - Sara disse, chorando e acompanhando com os olhos as luzes que eram enviadas por Matias e os da sua equipe.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 14, 2017 9:54 pm

Sara continuou falando:
- Estamos aqui e vamos te ajudar, mas não a morrer e sim a viver.
Sua vida está apenas começando e você será muito feliz, minha filha.
Acredite nisso...
Sara chorava, Rita a acompanhava, Matias e os outros continuavam enviando luzes.
Foi nesse momento que, após uma lufada muito forte de vento, entraram no quarto Germano e seus companheiros.
Ao verem o quarto iluminado pelas luzes, pararam, e Germano perguntou, nervoso:
- Que estão fazendo aqui?
Sabem que não podem ajudá-la!
Ela é minha e me pertence!
Tenho esse direito!
- Sabemos que tem esse direito, Germano, mas ela também tem o direito de ajuda e isso você não poderá impedir.
Sabemos que sua influência é grande sobre ela, mas sabemos também que o que mais está te ajudando é o sentimento de culpa que ela está sentindo.
- Por isso estou aqui!
Ela tem que sentir, mesmo, muita culpa!
Ela me matou outra vez!
Tem mesmo que se arrepender!
É uma mentirosa e traidora!
Ao mesmo tempo em que falava, começou a jogar farpas com pontas de fogo sobre Telma, no que foi acompanhado por seus companheiros.
As farpas se aproximaram de Telma, mas não conseguiram acertá-la, foram impedidas pela luz que a envolvia.
Nervoso, Germano, gritou:
- Vocês não podem fazer isso!
Não podem proteger essa assassina!
- Podemos dar uma chance a ela de repensar sua vida e ver que nem tudo está perdido, que sempre existe o perdão e a oportunidade de que nossos possíveis erros sejam resgatados.
Deus é nosso Pai, Germano, e, portanto, também você deveria reflectir sobre isso.
- Não quero reflectir, Matias!
Já repensei e perdoei muitas vezes, mas agora chega!
Preciso me vingar e vou fazer isso!
- Você tem esse direito, está exercendo seu livre-arbítrio e pode fazer o que quiser, só que podemos e estamos aqui em uma última tentativa de fazer com que Telma se reencontre com a Luz.
- Sei que agora não tenho o que fazer aqui, Matias, por isso vamos embora, mas, se ela não reagir e não entender o que fez, voltaremos e vocês não poderão mais nos impedir.
Vamos embora porque temos algo importante para fazer junto ao Plínio.
Imediatamente desapareceram.
Matias respirou fundo, dizendo:
- Por ora está tudo bem, eles devem ter ido ao encontro de Plínio.
Vou esperar que Telma adormeça, depois eu e meus companheiros iremos para lá.
Vocês ficarão aqui ao lado dela.
Dizendo isso, convidou os outros para que o acompanhassem em uma oração.
Depois da oração, Telma, parecendo ter recebido um alívio imediato, adormeceu.
Matias e seus companheiros desapareceram.
Sara, sua mãe e sua irmã continuaram ao lado dela.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 14, 2017 9:54 pm

CONSTACTANDO A VERDADE
Plínio chegou em casa nervoso e com muita dor de cabeça.
Estava entrando em casa quando Germano e seus amigos apareceram e se colocaram ao seu lado.
A dor de cabeça piorou.
Por isso, pensava:
Que dor estranha é essa que estou sentindo?
Nunca tive uma dor igual a essa, devo ter comido algo que fez mal...
Luísa estranhou ao vê-lo chegar antes da hora e disse:
- Que aconteceu, Plínio?
- Por que está me fazendo essa pergunta?
- Nunca chega em casa antes das dez horas e ainda não são nem nove...
- Não venha me recriminar, sabe que tenho muito trabalho lá no escritório! - Ele disse irritado.
- Sei disso e não estou te recriminando, vou falar com seu tio e dizer que é preciso contratar alguém para te ajudar, você não pode continuar trabalhando dessa maneira!
Quase não fica em casa e também quase não vê o Raul.
Ele está crescendo e precisa sentir a presença do pai.
Sob a influência de Germano e dos outros, ele gritou:
- Não me amole Luísa, não preciso de ninguém para me ajudar e não se atreva a falar com meu tio!
Quando precisar de ajuda, eu mesmo falo!
Estou chegando cedo e você me vem com essa conversa!
Está vendo porque não gosto de chegar cedo em casa!
Não suporto a tua presença!
Germano começou a rir sem parar, colocou-se ao lado de Luísa e ficou falando em seu ouvido.
- Ele não estava trabalhando...
Estava com outra mulher...
Ele não presta...
Imediatamente, ela falou também alterada:
- Você nunca está trabalhando é tudo mentira, deve ter estado com uma das suas mulheres e algo não deu certo, por isso está tão irritado!
Um dos amigos de Germano estava ao lado de Plínio e começou a bater, com muita força, em sua cabeça, Plínio sentiu a dor aumentar ainda mais e disse, gritando mais alto:
- Cale a boca, Luísa, não estou para conversa, estou cansado de tudo e, principalmente, de você!
- Eu é que não suporto mais viver ao seu lado!
Tenho marido, mas vivo sozinha!
Você nunca está presente na minha vida nem na do nosso filho!
Só não te abandono porque sei que nem meus pais nem seus tios aceitariam uma separação!
Mas estou ficando cansada desta vida!
- Sabe que não pode me abandonar!
Pare com essa conversa e me deixe em paz.
Tenho minha vida, sim!
E, se quer saber, tenho outras mulheres porque não encontro aqui em casa uma mulher que me satisfaça!
Quem não consegue viver com você sou eu!
E pare de falar, porque, se não parar, já sabe o que pode te acontecer!
- Você é um canalha, mesmo!
Não sei como pude me deixar enganar!
Você não presta Plínio.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 14, 2017 9:54 pm

- Cale a boca, Luísa!
- Por quê?
Vai me bater outra vez?
- Sim! E quantas eu quiser!
- Você é um canalha mesmo! - ela disse, partindo para cima dele.
Germano e os outros rodopiavam e riam sem parar.
Plínio, tomado de ódio, deu uma bofetada violenta no rosto de Luísa.
A pancada foi tão forte que ela caiu no chão.
Em seguida, ele a chutou, depois a levantou e começou a bater sem parar.
Ela, por ser menor e mais fraca, não teve como reagir.
Depois de bater muito, ele saiu e foi para seu quarto.
Nesse mesmo instante, Matias e seus companheiros entraram e, ao verem Luísa toda machucada e com um corte junto à boca, por onde escorria muito sangue, Matias se colocou ao seu lado e começou a jogar luzes sobre ela, que, aos poucos, foi se acalmando e parando de chorar.
Antes de ir para casa de Plínio, Matias pediu a um de seus companheiros para ir até a casa de Roberto e influenciá-lo a ir à casa de Plínio.
A entidade chegou lá quando Roberto, Nadir, Flávia e as crianças terminavam de jantar.
Devagar, aproximou-se de Roberto, dizendo em seu ouvido:
Precisa ir até a casa de Plínio...
Luísa está precisando de sua ajuda...
Como se realmente estivesse ouvindo, Roberto, disse:
- Estou com muita vontade de ir até a casa de Plínio.
Preciso saber como anda o escritório, há muito tempo que ele não me faz um relatório.
- Agora, Roberto?
Não acha que está um pouco tarde?
- Não é tão tarde assim, e sei que eles dormem tarde. Vamos?
- Está bem, se acha que não tem problema, vamos.
Luísa estava sentada no chão limpando o rosto com o vestido e cercada de luz, quando a campainha tocou.
Luísa se assustou e, sem saber o que fazer, continuou sentada no chão, sem coragem de se levantar e ir atender a porta.
Plínio, em seu quarto, também ouviu a campainha e, nervoso, pensou:
Quem será a esta hora?
Não vou atender!
Roberto tinha visto o carro de Plínio na garagem e, por isso, sabia que ele estava em casa.
Assim, insistiu na campainha. Plínio, vendo que, fosse quem fosse que estivesse ali, o insistente não iria embora, resolveu atender:
Vou ver quem é essa pessoa inconveniente que está aí fora!
Saiu do quarto. Luísa continuava sentada no chão.
Ele se aproximou, dizendo:
- Estou indo abrir a porta, vá para o quarto e não saia de lá até eu mandar!
Ela, envergonhada e não querendo que a vissem daquela maneira, obedeceu.
Plínio abriu a porta e levou um susto ao ver Roberto e Nadir.
Roberto não percebeu e disse:
- Boa noite, Plínio, resolvemos fazer uma visita.
Faz muito tempo que Luísa não vai lá em casa...
Desde que me recuperei da pneumonia.
- Boa noite, titio, mas que surpresa...
- Não vai nos convidar para entrar?
- Claro que sim, Luísa não estava sentindo-se bem e foi dormir.
- Já?
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 15, 2017 8:59 pm

- Ela não estava bem... Mas entrem...
- Roberto, acho melhor não entrarmos.
Luísa não está bem...
Roberto ia desistir, mas a entidade que estava ao seu lado disse:
Você precisa entrar e procurar por Luísa...
- Vamos entrar só por um pouco, preciso conversar com você, Plínio.
- Sobre o que, titio?
- Sobre o escritório.
Preciso saber como está tudo por lá, faz algum tempo que não me traz um relatório.
- Estive muito ocupado, mas o relatório está quase pronto, amanhã mesmo enviarei para o senhor, tio.
- Faça isso... Mas...
Posso entrar? Estou com sede.
Plínio, percebendo que Roberto não ia embora, afastou-se da porta.
Roberto e Nadir entraram.
Assim que entraram, notaram que a sala estava desarrumada e sentiram que algo estava errado.
Desconfiado, Roberto perguntou:
- Plínio, Luísa está bem?
- Está, titio, ela só foi dormir mais cedo.
Disse que estava com dor de cabeça.
- Gostaria de falar com ela...
- Não acho conveniente a acordarmos...
- Tem razão, titia.
Ela realmente não estava se sentindo bem...
Germano e os outros viram quando Matias chegou, acompanhando Roberto.
Ficaram irritados.
Mas, como tudo estava dando certo, ficaram em um canto acompanhando os acontecimentos.
Assim que ouviu Nadir falar, Matias disse com energia:
Não, Roberto, vocês não podem ir embora, precisam ver o que ele fez com ela!
- Eu insisto, Nadir.
Pelo estado em que se encontra esta sala, Plínio, parece que vocês brigaram, por isso gostaria de ver Luísa.
Plínio, percebendo que não teria mais como esconder, disse:
- Tem razão, titio, eu não queria contar para não preocupá-lo, tivemos uma discussão, mas não foi grave, apenas briga de casal, logo tudo ficará bem, o senhor sabe como é não sabe?
- Sei sim...
E por isso preciso ver Luísa.
- Ela está bem, titio...
- Preciso vê-la, Plínio! - Roberto disse, alterando a voz e demonstrando determinação.
Antes mesmo que Plínio dissesse algo, foi para o quarto de Luísa, abriu a porta e viu horrorizado o estado em que ela se encontrava com o rosto vermelho e o vestido todo sujo de sangue.
Nadir, que tinha acompanhado Roberto, assim que viu Luísa, correu até ela, perguntando:
- Que houve Luísa, por que ele fez isso?
- Não, sei titia, mas não foi à primeira vez...
- Ele já te bateu antes? - Roberto perguntou.
- Sim, muitas vezes, e eu não aguento mais, titio...
Ajude-me, por favor... - ela chorava desesperada.
Roberto voltou para sala, onde Plínio tinha ficado, e gritou furioso:
- Como pôde fazer isso, Plínio?
Ela é uma mulher frágil!
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 15, 2017 8:59 pm

- Ela me irritou, titio, e perdi a calma.
- Perdeu a calma?
Quantas vezes já perdeu a calma?
Foi criado em minha casa e lá nunca viu violência!
Sabe muito bem o que penso a respeito!
Não posso perdoar um homem que se aproveita da força física para bater e torturar uma mulher!
Estou indo embora, sua mulher e seu filho irão comigo, e estou lhe adiantando que, antes de irmos para casa e enquanto Nadir leva seu filho para lá, Luísa e eu vamos passar por uma delegacia e fazer um boletim de ocorrência, por isso, não tente se aproximar nunca mais dela!
Amanhã bem cedo irei até o escritório para saber o que está acontecendo por lá.
Chegue cedo!
- O senhor não pode fazer isso, ela é minha mulher!
- Sua mulher, sim, mas não sua propriedade.
Não só posso como vou fazer...
E não se atreva a tentar me impedir!
Posso perdoar tudo, menos que se bata em uma mulher!
Ela terá toda a minha protecção e só retornará a esta casa se quiser!
Esteja, amanhã bem cedo, no escritório!
Dizendo isso, voltou para o quarto onde Luísa estava sendo consolada por Nadir e perguntou:
- Luísa, quer continuar vivendo ao lado dele?
- Não, titio, só não o abandonei porque não tinha para onde ir, meus pais não me aceitam de volta, estão preocupados com o que as pessoas vão dizer...
- Pois eu não me preocupo com isso!
O menino, onde ele está?
- Está dormindo em seu quarto.
Ainda bem que não acordou...
Ele sempre fica muito assustado quando vê Plínio me batendo.
- Sei bem como ele se sente.
Pegue algumas roupas suas e dele, e vamos embora.
De hoje em diante, você só fará o que quiser.
Amanhã, se achar que não está certo viver separada, poderá voltar, mas hoje vai comigo!
Luísa quase nem esperou que ele terminasse e disse:
- Nunca mais voltarei para esta casa, titio.
Nunca mais ele ou outro qualquer me baterá...
- Está bem, arrume suas coisas e vamos.
Roberto retornou para a sala onde tinha deixado Plínio, mas ele não estava mais lá.
Havia saído. Luísa pegou suas roupas, acordou o menino e ambos, acompanhando Roberto e Nadir, saíram daquela casa.
Plínio, completamente desnorteado, saiu, mas não pôde pegar o carro, porque o de Roberto estava atrás do dele.
Assim, foi embora andando e pensava:
Como ele foi aparecer logo hoje?
Parece coisa feita!
Sei o que ele sente em relação a homem que bate em mulher, mas...
Que culpa eu tenho se a mãe dele apanhava do pai?
Ele não pode ir ao escritório!
Preciso de tempo para poder enganá-lo com documentos falsificados.
Se Luísa quiser ficar ao lado dele que fique, não vou ligar nem um pouco, só não posso deixar que ele descubra que andei roubando seu dinheiro.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 15, 2017 9:00 pm

Não posso me indispor com ele, por isso não vou atrás de Luísa, sei que ela não ficará muito tempo longe da sua casa e principalmente longe da minha companhia!
Apesar de tudo, sei que ela me ama...
Matias tentou segui-lo, mas os pensamentos de Plínio impediram que ele se aproximasse.
O mesmo não aconteceu com Germano, pois, ao contrário do que acontecia com Matias, as energias de Plínio o atraíam.
E ele, rindo, tripudiou:
- Não adianta tentar ajudar esse aí, Matias!
Ele não presta!
Além de não cumprir o que prometeu, não mudou sua atitude, continua sendo o mesmo ganancioso de sempre e, para ter o que deseja, não hesitará em matar outra vez!
Pode ir embora, Matias, deixe que eu cuido dele direitinho!
- Infelizmente, neste momento, Germano, preciso concordar com você, mas ainda tenho a esperança de que ele volte a si e entenda o mal que tem feito a muitas pessoas e, principalmente, a si mesmo.
- Não adianta tentar, Matias!
Ele nuca mudará!
- Sabe que isso não é verdade, Germano.
Sabe que, por pior que pareça o erro, nem tudo está perdido.
A qualquer momento podemos mudar para melhor ou para o pior.
Você é a prova disso, meu amigo.
- Que está querendo dizer, Matias? - Germano perguntou.
- Que você, que conheceu a bondade e o amor do Pai, e que Ele está sempre de braços abertos nos esperando para nos receber com muito amor.
Infelizmente, por sentimentos de ódio e de rancor, agora está se distanciando daquilo que levou muito tempo para conquistar.
Está colocando tudo a perder e, agora, está se transformando e se colocando na qualidade de juiz, sabendo que não cabe a ninguém julgar, mas sempre perdoar.
Você sabe que, por mais que se deseje uma vingança, quando a conseguimos não nos sentimos melhor, mas ao contrário, sentimos um vazio profundo.
Só o perdão pode nos trazer a paz e a felicidade, Matias.
Germano ficou calado, sem saber o que pensar ou dizer.
Um de seus companheiros percebeu que ele estava inseguro e gritou:
- Não dê ouvidos a esse aí, Germano!
Sabe que ele está do lado dos traidores e não está nem um pouco preocupado com você!
- Não estou do lado deles - disse Matias -, mas ao lado do amor e do perdão, pois sabemos que Deus nos conhece muito bem, sabe que não somos perfeitos e, portanto, passíveis de cometer erros.
Por isso também sabemos que, por piores que possam parecer nossos erros, nem tudo está perdido e, a qualquer momento, podemos nos reencontrar com o Pai.
Não ignoramos que precisamos ficar sempre alertas, porque a qualquer momento, mesmo quando conhecemos a verdade, nos deixamos envolver por pensamentos que só nos fazem mal.
- Não dê atenção para essa conversa, Germano!
Ele está tentando te enganar, sabe que você está certo em querer, por que ele não presta mesmo!
Germano continuou calado, Matias continuou falando:
- Ele tem muito poder, mesmo, nisso você tem razão, mas esse poder pode ser usado para praticar o bem e ajudar esse nosso irmão que está perdido, sem nos esquecermos que é um filho de Deus.
Não podemos nos esquecer da felicidade daquele pai quando o filho pródigo retornou para o seu lado.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 15, 2017 9:00 pm

Tem poder, Germano, e cabe somente a você usar seu livre-arbítrio para ver como vai usá-lo - Matias disse, voltando-se para Germano que continuava calado e pensando.
O companheiro de Germano, vendo que ele estava se deixando envolver, ficou desesperado.
Começou a xingar Matias e seus companheiros e a falar palavrões.
Plínio continuava caminhando e pensando no que faria para impedir que Roberto fosse ao escritório e descobrisse o desfalque que ele havia dado.
Matias, vendo que nada mais tinha para fazer ali, fez um sinal para seus companheiros e desapareceram.
Germano e os outros continuaram ao lado de Plínio.
Roberto chegou em casa, Flávia admirou-se ao ver Luísa e ao perceber que ela estava chorando.
Para o filho não continuar vendo a mãe daquele jeito, pegou o menino e levou-o para o quarto onde suas crianças estavam, depois voltou, perguntando:
- Que aconteceu?
Por que está chorando, Luísa?
- Ela teve uma briga com o Plínio, minha filha, e vai ficar aqui em casa, até quando quiser.
- Uma briga, mamãe?
Deve ter sido grave para querer sair de casa.
- Foi uma briga muito feia, Flávia, e não foi a primeira vez que ele me bateu.
- Bateu? O Plínio te bateu?
- Sim, ainda bem que seu pai chegou!
Se ele não tivesse chegado, não posso imaginar o que teria acontecido comigo.
Plínio estava transtornado...
- Nunca poderia pensar que uma coisa como essa estivesse acontecendo com vocês, Luísa, o Plínio sempre me pareceu um homem gentil e atencioso.
Toda vez que vi vocês juntos, ele estava tentando te agradar, fazendo carinho e falando de quanto te amava...
- Fazia isso somente na frente das pessoas, mas, em casa, nunca me tratou bem.
Sei que tem outras mulheres e chegava tarde em casa quase todas as noites, cheirando a perfume e bebida.
Muitas vezes encontrei manchas de batom em suas roupas...
- Por que não nos contou Luísa?
Assim como a Flávia, sempre pensei que estivesse tudo bem em sua casa!
Por que não o abandonou? - Roberto perguntou nervoso.
- Nunca tive coragem de contar, titio, sei o quanto o senhor gosta do Plínio e confia nele.
Sei como ele é envolvente e encantador quando quer.
Fiquei com medo que não acreditasse nas minhas palavras.
Contei para minha mãe e disse que queria me separar e voltar para casa.
Ela não deixou que eu terminasse.
Muito nervosa, me interrompeu dizendo:
"Não quero nem pensar em ter uma filha largada, Luísa!
Já imaginou como ficaremos perante a sociedade e nossos amigos?
Tem outra coisa, se Plínio te bate, é porque deve ter algum motivo!
Tem mais, se um homem não gosta de parar em casa e sempre fica nervoso quando está nela, é sinal que a sua mulher não o está atendendo como se deve!
O homem sempre tem razão, e a nós, como mulheres, só nos resta acatar e fazer tudo o que ele deseja!
Trate melhor seu marido e verá que ele também vai te tratar bem!
Não acredito que Plínio se comporte assim!
Ele é um bom pai e nunca o vi comportar-se mal.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 15, 2017 9:00 pm

Veja o que você está fazendo de errado, Luísa".
- Ao ouvir aquilo de minha própria mãe, imaginei o que o senhor e a senhora, titia, pensariam.
Plínio foi criado nesta casa...
- Está enganada, Luísa.
Se tivesse me contado, eu teria tomado uma providência.
Não sei se sabe, mas fui criado em um lar violento, onde quase todos os dias meu pai espancava minha mãe e, a nós, seu filhos.
Detesto homem covarde, que se aproveita da fraqueza das mulheres e as agride.
- Roberto tem razão, nunca permitiríamos uma agressão como essa.
Plínio foi criado aqui em casa e dei a ele a mesma atenção, educação e carinho que dei à Flávia.
Não sei por que ele se transformou nesse monstro.
Mas, agora, tudo terminou.
Está aqui em casa e poderá ficar o tempo que quiser.
Você e seu filho são muito queridos e bem vindos nesta casa.
- Obrigada, titia, só estou preocupada com o que meus pais vão dizer.
Eles não vão acreditar...
- Deixe seu pai por minha conta, Luísa.
Falarei com ele e contarei como a encontrei e, se ele não entender, não se preocupe.
Aqui nesta casa terá todo o apoio que precisa.
Poderá ficar aqui o tempo que quiser.
Inclusive, se amanhã quiser voltar para sua casa, não a impedirei e não ficarei com raiva.
O importante é que agora está protegida.
Faça o que quiser com sua vida.
Luísa, por ter sido tão bem recebida e ver o quanto os tios a queriam, ia recomeçar a chorar.
Mas parou e disse:
- Muitas vezes pensei em fugir para longe, levando meu filho, mas como poderia fazer isso?
Não tenho uma profissão, nunca trabalhei e nem fui preparada para isso...
- Sabe Luísa, acho que o papai veio para esta terra só para socorrer as mulheres que são espancadas pelo marido - Flávia disse, tentando esboçar um sorriso.
- Por que está dizendo isso, minha filha?
- Se o senhor não tivesse chegado à minha casa, naquele dia, nem sei o que eu ia fazer.
Não aguentava mais aquela vida de sofrimento e cheguei a pensar em acabar com a minha vida e a das minhas crianças.
Só não fiz por estar seguindo uma doutrina que ensina o quanto Deus nos ama, e nunca nos deixa só, abandonados.
Por pior que as coisas estejam, sempre haverá um caminho, uma ajuda, basta apenas confiarmos na bondade de Deus.
- Você também era espancada, Flávia?
- Sim, Luísa.
Mauro, que a princípio era carinhoso e atencioso, transformou-se em um monstro.
Assim como você não, o abandonei por não ter trabalho e nem meu próprio dinheiro.
Sabia que, assim, não teria como me sustentar nem aos meus filhos.
Só por isso continuei ao lado dele.
Mas, naquele dia em que papai e mamãe chegaram, eu estava no fundo do poço e, na noite anterior, pedi para Deus uma ajuda ou um caminho...
E Ele me ouviu.
- Acho que você tem razão, Flávia, seu pai deve ter vindo a este mundo somente para ajudar as mulheres espancadas.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 15, 2017 9:00 pm

- Essa deve ser a missão dele! - Nadir disse, com um tom de voz debochado, tentando fazer com que aquela conversa tomasse um rumo diferente.
- Não sei se essa é a minha missão, mas, sim, que é a minha obrigação e que apenas estou cumprindo uma promessa que fiz várias vezes quando criança, a de não permitir que mulher alguma fosse maltratada.
- Papai, estive pensando que Deus, o senhor e a mamãe me deram uma segunda chance, por isso preciso aproveitar e já sei o que quero fazer.
O senhor sempre quis que eu estudasse e me formasse, mas eu nunca quis, talvez para afrontá-lo.
Não sei por que eu pensava daquela maneira e queria tanto magoá-lo...
Por outro lado, todo esse tempo em que vivi sozinha, longe desta casa, aprendi que a vida nem sempre é da maneira como imaginamos.
Tive que viver no meio da violência para entender.
Sei que muitas mulheres passam pelos mesmos tormentos que passei.
Até Luísa, que eu nunca havia imaginado que poderia ser vítima, também passava por isso.
Sei que muitas crianças sofrem o mesmo que meus filhos.
Essas mulheres, papai, não têm a quem pedir ajuda.
Não adianta pedir ajuda à polícia, por ser composta de homens ou por eles saberem que as mulheres precisam dos maridos para sobreviver, que na sua maioria elas não têm trabalho e são apenas donas de casa.
Agora, vendo minhas crianças brincarem, irem à escola e dormirem tranquilas, sem pesadelos, quero lhe dizer algo e fazer um pedido.
- O que quiser minha filha.
Sabe que sempre vivi para você e sua mãe.
Até do Plínio sempre cuidei com carinho e, se trabalhei muito, foi para que vocês tivessem uma vida feliz.
O que você quer dizer, me pedir?
- Se o senhor concordar e me perdoar, papai, quero continuar meus estudos, me formar advogada, ser policial, deputada, senadora ou não sei mais o quê.
Quero lutar para que haja uma delegacia só para as mulheres, independente das dos homens, onde elas conversarão com outras mulheres e encontrarão ajuda para poderem abandonar aqueles homens que as escravizam!
Elas só se mantêm ao lado deles por causa da sobrevivência!
- Estou feliz com a sua decisão, Flávia, e disposto a te ajudar, mas, aqui neste país, isso é um sonho quase impossível.
Dificilmente se conseguirá criar uma delegacia só para mulheres.
Sabe que vivemos em um país machista.
- Sei disso, papai, e por esse mesmo motivo me acovardei.
Mas sei também que, se não tentarmos e começarmos um movimento nesse sentido, nunca conseguiremos mudar essa situação.
Somente mulheres que viveram essas experiências na própria carne ou viram alguém muito próximo sofrer com isso, poderão lutar para que sejam formadas essas delegacias onde as mulheres serão respeitadas.
- Está bem, embora ache que seja um sonho distante, terá todo meu apoio.
Escolha a faculdade que quiser, eu te ajudarei.
- Flávia, que coisas lindas você disse.
Como precisei de uma delegacia como essa!
Talvez a princípio não tivesse coragem de ir, mas, com o tempo, sabendo que existia, sei que acabaria indo.
Quero te ajudar de alguma maneira.
Desejei fazer uma faculdade, mas meus pais e Plínio disseram que não era necessário, pois eu teria de cuidar da minha casa e dos meus filhos.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 15, 2017 9:01 pm

Gostaria de voltar a estudar e, junto a você, lutarmos para que esse sonho seja realizado.
- Está bem, as duas voltarão para a escola e eu serei o homem mais feliz deste mundo.
Agora está na hora de irmos deitar e dormir.
Amanhã bem cedo poderão buscar informações sobre o curso que querem fazer.
- Estou pensando.
Não adianta a mulher ir a uma delegacia onde outra mulher somente a ouvirá e não terá como ajudá-la, é preciso que, além do conforto, de ser atendida, ouvida e acreditada, a mulher tenha também um lugar par ir e poder ficar com seus filhos, até que possa encontrar um trabalho e poder recomeçar sua vida.
- Tem razão, mamãe.
Só assim ela poderá sonhar com o futuro!
- É isso mesmo, Nadir.
Isso seria muito bom, mas continuo achando quase impossível.
- Para Deus nada é impossível, Roberto.
- Tem razão, mamãe.
Essa doutrina que estou estudando diz que, quando algo de bom precisa acontecer, várias pessoas começam a pensar ao mesmo tempo e em vários lugares.
Quem sabe, neste mesmo momento, em vários lugares, outras pessoas também estejam pensando a esse respeito...
- É isso mesmo, minha filha, e, para provar que nada é impossível, estou querendo acompanhar vocês duas e ir estudar, também.
Só que tenho medo, porque sou velha...
- Velha nada, mamãe!
Será óptimo tê-la como nossa companheira e acho que servirá de exemplo para outras mulheres que, quando chegam à sua idade, com os filhos criados, não têm mais o que fazer a não ser tricotar ou costurar.
É uma boa ideia mesmo, não é, Luísa?
- Claro que é, Flávia!
- Bem, estou vendo que minha casa logo se transformará no abrigo de três novas estudantes.
Se essa é a minha missão, preciso que seja bem feita.
Agora vamos dormir, já conversamos e sonhamos demais.
Boa noite! - Roberto disse isso enquanto se encaminhava para seu quarto.
Duas entidades, que tinham estado o tempo todo ao lado deles e que acompanharam Roberto até a casa de Plínio naquela noite, sorriram e, baixinho, disseram:
Boa noite e que Deus os abençoe.
Em seguida desapareceram.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 15, 2017 9:01 pm

DECISÃO DO MAL
Germano e seus companheiros riam e rodopiavam à volta de Plínio, que andou sem destino por alguns quarteirões e começou a voltar para casa.
Um dos que o acompanhavam, ao ver que Germano estava se deixando envolver pelas palavras de Matias, disse:
- Que é isso, Germano, deixou se envolver por aquilo que aquele santo cheio de luz, disse?
- Estou reflectindo sobre o que ele me disse.
Acho que em algumas coisas ele tem razão.
- Bobagem, Germano!
Eles vêm sempre com a mesma conversa de que existe um lugar muito bom, onde todos são felizes e podem trabalhar e aprender.
Mentira! Esse lugar não existe!
O que existe é isso que estamos vivendo aqui, é podermos nos divertir com esse aí que só tem ganância e maldade!
- Esse lugar existe sim, já estive lá.
- Esteve lá?
Ora, Germano, deixe de mentir!
Vamos nos divertir, fazer com que ele abra uma garrafa de vinho e bebermos ao seu lado.
Depois faremos com que ligue o rádio e até poderemos dançar!
Vamos fazer isso, Germano!
- Se quiserem, podem fazer isso, mas eu preciso pensar.
Eles ficaram nervosos e começaram a xingar, esbracejar e ameaçar.
Germano não se deixou intimidar e foi embora repetindo que precisava pensar.
Nervosos e revoltados por terem sido abandonados, continuaram ao lado de Plínio.
Assim que ele chegou em frente à sua casa, viu que o carro de Roberto não estava mais ali, o que significava que ele havia ido embora.
Entrou em casa, acompanhado por aqueles vultos negros que, girando à sua volta, riam e diziam:
- Ela foi embora, mesmo!
Você não pode permitir, é sua mulher e o seu tio não tinha o direito de levar ela daqui!
Tem que ir até a casa dele para trazer ela de volta!
É sua mulher, você tem esse direito!
Imediatamente, Plínio, pensou:
Luísa não podia ir embora!
Ela é minha mulher e me pertence!
Como meu tio se atreveu a fazer isso?
Veio com aquelas ameaças de ir ao escritório para conferir documentos!
Quem ele pensa que é?
Ele não sabe, mas vou ter documentos preparados e ele nunca descobrirá o que fiz!
Mas sei que ele nunca me deixará em paz!
- Isso mesmo...
E, enquanto ele estiver vivo, não vai permitir que sua mulher volte para casa!
Ele precisa morrer! - um dos vultos disse, rindo muito.
O pensamento de Plínio continuou:
Ele precisa morrer!
Por que não morreu quando ficou doente?
Se tivesse acontecido, minha tia, aquela imprestável que, como todas as mulheres não servem para nada a não ser cuidar da casa e dos filhos, entregaria os escritórios em minhas mãos e, assinando os documentos que ela não se daria ao trabalho de ler, em pouco tempo eu tiraria tudo dela.
Ele precisava ter sobrevivido?... e ainda trazer para casa aquela insuportável da Flávia para infernizar a minha vida?
Você precisa encontrar uma maneira de matar aquele intrometido... - o vulto continuou falando.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 15, 2017 9:01 pm

Preciso encontrar uma maneira de matar aquele intrometido! - Plínio repetia as palavras do vulto.
- Estou com sede, você não está?
Pegue uma bebida para que todos nós possamos beber...
Sem imaginar que estava fazendo o que o vulto lhe sugeria, Plínio foi até a cozinha, abriu a porta de um dos armários e pegou uma garrafa de vinho.
Abriu encheu um copo e tomou quase de uma vez.
Os vultos se colocaram à sua volta e começaram a cheirar o resto de vinho que sobrou no copo.
Em seguida, Plínio encheu outro copo e bebeu mais um pouco, deixando um pouco no copo.
Os vultos começaram a brigar entre si para poder cheirar a bebida que estava no copo.
Plínio começou a imaginar uma maneira de matar Roberto e de trazer Luísa de volta.
Ela não pode ficar longe daqui e levar meu filho!
Meu tio não pode acolhê-la!
Preciso pensar, sei que encontrarei uma solução!
Encheu outro copo e bebeu.
Os vultos sugeriram e ele obedeceu, foi até o rádio, ligou e uma música começou a tocar.
Os vultos riam e dançavam à sua volta.
Ele foi ficando com mais raiva e, intuído pelos vultos, pensou:
Não tem outro jeito, preciso matá-lo.
Se ele for ao escritório, mesmo eu tentando lhe mostrar documentos falsos, ele é muito inteligente e descobrirá que o tenho roubado há muito tempo e me destruirá.
Se Luísa não voltar para casa, minha vida perderá o sentido...
Já sei o que vou fazer!
Foi para seu quarto, abriu uma das gavetas do guarda-roupa e, do fundo dela, pegou um revólver que estava enrolado em um tecido azul.
Desembrulhou e pegou o revólver na mão, pensando:
Não tem outro jeito.
Preciso fazer isso, antes que descubra o desfalque que dei.
Mas posso ir preso.
Não posso me arriscar a isso.
Pode esperar que ele saia para trabalhar e no caminho lhe dar um tiro, ninguém vai desconfiar de você... - um dos vultos disse baixinho.
Já sei o que farei, irei até a casa dele, conversarei, pedirei perdão e convencerei Luísa a voltar para casa prometendo-lhe que não acontecerá outra vez.
Sei que vou conseguir, pois sei como conquistar o que quero.
Farei com que volte para casa e, depois, volto para lá e espero meu tio sair para o trabalho e lhe dou um tiro.
Ninguém desconfiará.
Vou até lá agora mesmo!
Estava voltando para a sala, mas sentiu que não conseguiria dar mais um passo.
Estava completamente bêbado.
Só teve tempo de desabar na cama e, no mesmo instante, caiu em um sono pesado.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 15, 2017 9:01 pm

A FORÇA DO AMOR
Telma só conseguiu adormecer de cansaço, após chorar por muito tempo, e já dormia há algum tempo, quando viu Sara que, ao seu lado, pacientemente esperava que ela a percebesse:
- Mamãe! A senhora está aqui?
Que bom! Tenho uma coisa para pedir à senhora...
- Estou aqui, sim, Telma, e muito triste com você... mas o que quer me pedir?
- Não aguento mais continuar vivendo sem a senhora, mamãe.
Tudo está muito confuso, papai trouxe aqui para casa uma mulher e descobri que essa mulher foi a causadora de todo o nosso sofrimento e de todas as vezes que ele bateu na senhora.
Não quero mais continuar nesta casa, mas não tenho o que fazer... o que recebo de salário não dá para eu viver sozinha, por isso acho melhor morrer e ir para junto da senhora...
- Nem pense nisso, Telma!
Você ainda tem muito para viver.
Sua vida está apenas começando e precisa saber que, por pior que tudo esteja, logo vai passar.
As coisas boas, assim como as ruins, passam, minha filha.
- Não consigo continuar vivendo assim, mamãe... estou cansada... e quero morrer...
- Não é você quem quer, Telma, está sendo influenciada por um espírito a quem magoou muito e somente você poderá fazer com que ele a perdoe e se afaste.
Nada posso fazer, pois ele tem o direito de exigir justiça.
- Não quero fazer nada, mamãe, só quero morrer.
Nem gosto mais de ir no escritório.
Só quero ficar dormindo.
Dormir é muito bom, mamãe...
- Sim, dormir é muito bom, mas somente o necessário para que o corpo se recupere.
Este sono que está sentindo não vem de você, mas do desencanto de tudo, Telma.
Precisa criar forças para lutar contra ele e contra tudo que está te incomodando.
- Sua mãe tem razão, Telma, precisa reagir contra essa força que está te arrastando para longe de Deus.
- Quem é a senhora?
- É minha mãe e sua avó, Telma, e essa linda moça é minha irmã.
- Minha avó e a sua irmã que morreu?
- Sim, elas estão aqui para te ajudar a encontrar o caminho da volta.
Eu deveria ter seguido o exemplo de minha mãe e me tornado forte e decidida.
Mas não, preferi me acomodar a uma situação e a uma vida de sofrimento, sem nunca ter tentado ser feliz.
Não devo permitir que o mesmo aconteça com você, minha filha...
É muito jovem e tem a vida toda pela frente...
Telma começou a chorar e disse entre soluços:
- A senhora não sabe, mamãe, mas fiz muita coisa errada...
Envolvi-me com o Plínio, a senhora sabe o quanto eu gostava dele, mas ele me enganou.
- Sim, eu sei.
Mas isso já passou Telma.
Precisa recomeçar sua vida de onde parou.
Precisa voltar a ter aqueles sonhos que fizeram com que você lutasse tanto.
Vontade de trabalhar e estudar para conseguir tudo que desejar.
Precisa reencontrar, dentro de você, aquela Telma lutadora...
- Não consigo mamãe...
A senhora não sabe o que fiz.
Matei uma criança...
- Sei minha filha, e é para falar sobre isso que estamos aqui.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 15, 2017 9:01 pm

- A senhora sabe?
Mas eu não contei, não tive tempo.
O dia em que eu ia contar a senhora morreu!
- A morte não existe, Telma, estou mais viva do que nunca e torcendo para que você consiga reagir e voltar a ser a menina cheia de sonhos que era...
Sara estava falando, quando Matias entrou e perguntou:
- Como está tudo por aqui?
- Olá, Matias, estamos conversando.
Telma, este é Matias, um amigo nosso que, acompanhado de outros irmãos, também está aqui para te ajudar.
Telma olhou para Matias e para os outros.
Não pode se conter:
- Outros amigos, mamãe?
- Sim, minha filha, você não imagina quantos mais!
Estão dispostos, o tempo todo querendo ajudar.
Como vê, apesar de pensar que tudo estava perdido, na realidade não está.
- Sua mãe tem razão, Telma.
Embora às vezes pareça que estamos sozinhos, na realidade, nunca estamos.
- Quero agradecer por tanto empenho, mas está dando tudo errado na minha vida...
Fiz tudo errado e não quero mais viver...
- Não posso dizer que não tenha feito errado, mas é errando que se aprende e se cresce espiritualmente.
E, para isso, Deus está sempre nos dando novas chances.
- O senhor talvez tenha razão, mas comigo não tem mais jeito.
Perdi tudo que sempre desejei.
Perdi o homem que amava, minha mãe e matei meu filho, nem tenho mais vontade de trabalhar e estudar.
Estou muito triste e queria morrer para poder ficar com você, mamãe...
- Está dizendo isso, porque não confia em Deus e em tudo que Ele pode e sempre quer nos dar.
Basta apenas confiar e se entregar ao Seu amor.
- Não sei o que fazer...
Está tudo perdido...
- Nunca está tudo perdido.
Novas esperanças surgem a todo o momento.
O que precisa é lembrar-se desse espírito que não permitiu que renascesse e que deve estar sofrendo muito, peça perdão a ele...
Assim, sei que a Luz divina tocará o coração dele.
- Nem sei como era essa criança!
Não tenho sequer ideia de como era seu rosto, como posso pedir perdão?
E, se o que estiver dizendo for verdade, não me perdoará nunca, Matias!
- O mais difícil durante a caminhada é aprender a perdoar, mas, por experiência própria, sei que esse dia sempre chega Telma.
O sentimento de culpa faz com que fiquemos muito tristes e distantes de Deus, e Ele não quer isso.
Todos, de uma maneira ou de outra, cometem enganos, mas todos têm a chance, também, de se redimir desses enganos.
Temos e devemos fazer nossas escolhas, mas nem sempre elas são as melhores, tudo faz parte do aprendizado.
Por isso, depois de ser feita uma escolha errada, não adianta ficarmos nos culpando e deixando que outras chances passem Telma.
Precisamos continuar fazendo novas escolhas até que um dia façamos a escolha certa.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 15, 2017 9:02 pm

O que está feito, está feito.
Agora, está na hora de irmos embora, por isso precisamos fazer uma oração e você, Telma, se sentir vontade, nos acompanhe - Matias disse, voltando-se para os outros que acompanhavam suas palavras.
Em seguida, elevou seus olhos para o alto e começou a dizer:
- Obrigado, Senhor, por mais esta oportunidade de nos encontrarmos e tentarmos, através de Seu amor, ajudar a esses nossos irmãos que se encontram desviados da Sua presença e que em seus corações possam encontrar a esperança e a paz que só podem vir através de Suas mãos.
Telma está aqui perdida, tomada pelo remorso e sentimento de culpa, mas somente o Senhor conhece os verdadeiros motivos.
E, Senhor, nos conhece muito bem, para saber que somos imperfeitos, mas que todos estamos tentando encontrar Sua luz.
Precisamos pedir também por Germano, que se encontra perdido no vale do ódio e do rancor.
Sei que, para ele, embora ele mesmo não saiba, será fácil retornar aos Seus braços, pois já conhece o Seu amor e justiça.
Ajude-nos, Senhor, a não fraquejarmos e a continuarmos sempre na sua luz, pois sabemos que, a qualquer momento, se deixarmos nos levar por sentimentos humanos, poderemos nos afastar dela.
Senhor, em suas mãos colocamos o nosso espírito e o de nossos irmãos.
Telma acompanhou, emocionada, as palavras de Matias.
Em seu coração brotou um sentimento de amor por Germano, que ela não sabia quem era, mas sentiu que poderia ser o filho que ela havia impedido de nascer.
Chorando, falou:
- Não sei quem é Germano, mas sinto que é alguém a quem amo e que, por um motivo que não sei qual foi, prejudiquei, por isso, Germano, esteja você onde estiver, quero te pedir perdão.
Estou perdida por causa das minhas escolhas, mas pretendo encontrar meu caminho e sei que com a ajuda de todos que estão aqui, e principalmente de Deus, encontrarei a paz.
Uma luz muito forte a envolveu.
A luz era tão forte que todos estranharam.
Telma ficou estarrecida, pois nunca havia visto uma luz como aquela, e perguntou:
- Que luz é essa que está me envolvendo?
- É a luz do amor e do perdão de Deus, e ela está nos mostrando que Ele estará sempre de braços abertos para receber, em seus braços, o filho pródigo, a ovelha perdida - Matias respondeu com os olhos cheios de lágrimas.
- É verdade isso que está dizendo, Matias.
Essa luz é para nos mostrar o quanto Deus nos ama, principalmente a mim que, por sentimentos de ódio, mágoa e vingança, me desviei do Seu amor e deixei de acreditar.
Estou aqui para pedir perdão por esse meu deslize e, agora mais do que nunca, confio em Sua bondade e amor, e quero dizer que não tenho o direito de julgar, pois sei que muitos dos meus erros foram perdoados.
Perdão meu Pai...
Todos se voltaram para Germano que, com os olhos cheios de lágrimas, disse essas palavras.
Depois ele se aproximou de Telma, abriu os braços... e ela, mesmo sem saber quem ele era, aconchegou-se, chorando, em seus braços.
O amor havia provado que era mais forte que tudo e o único antídoto para o ódio, a mágoa e o rancor.
Os outros, ao presenciarem aquela cena, choraram emocionados.
Ficaram ali até o momento em que o corpo de Telma se virou na cama e deixou de vê-los.
Assim que ela se acalmou e eles viram que dormia profundamente, Germano disse:
- Agora, com ela, está tudo bem.
- Sim, Germano, e graças a você, que a perdoou outra vez.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 15, 2017 9:02 pm

- Não tem que agradecer, Matias.
Eu sim é que devo pedir perdão e agradecer o que fizeram.
Obrigado por me trazerem de volta, por terem acreditado e me feito reflectir sobre a bondade de Deus.
Por pouco não perco tudo que tinha alcançado, o entendimento de que só o perdão pode nos conduzir à Verdade Suprema e à felicidade.
- Sabemos que, mesmo depois de encontrarmos a luz, não somos perfeitos e que a qualquer momento as energias do mal podem nos alcançar.
Temos ainda um longo caminho para seguir, Germano, e espero que, se um dia eu precisar ser chamado de volta para a verdade, você esteja lá para me ajudar.
- Isso nunca acontecerá com você, Matias.
- Por que não?
Assim como todos, sou apenas um espírito tentando caminhar para a perfeição.
- Estou bem e feliz, mas há algo que está me incomodando...
- O que é, Germano?
- Sei que Plínio não está bem, e por minha culpa...
- Sua culpa?
Por que está dizendo isso, Germano?
- Precisamos ajudá-lo.
Eu o deixei acompanhado de irmãos cheios de maldade, que eu atraí para seu lado, e sei que eles podem intuí-lo a fazer coisas más...
- Precisamos e vamos tentar ajudá-lo, Germano, mas não foi você quem os atraiu, foi o próprio Plínio, com seus pensamentos de ganância e crueldade.
Se não fosse você, esses irmãos, ou outros iguais, estariam ao lado dele da mesma maneira.
Não esqueça que são nossos pensamentos e sentimentos que atraem a companhia que temos.
- Sei que tem razão, Matias, mas mesmo assim não consigo deixar de pensar no que ele pode fazer se não for ajudado a se livrar desses mesmos pensamentos.
- Está certo.
Agora que Telma está bem e dormindo, vamos todos para junto de Plínio, tentar ajudar a ele e àqueles que o acompanham.
- Fico feliz com sua decisão, meu irmão.
- Iremos até ele, mas precisamos estar preparados, pois será muito difícil ajudar Plínio, porque ele mesmo não quer ser ajudado.
Mas faremos o possível e o impossível.
Você, Sara, permanecerá ao lado de Telma e, se precisar, basta chamar em pensamento que viremos imediatamente - e Matias continuou.
Para essa empreitada, precisaremos de muito amor e compreensão, e de muita ajuda.
Por isso vamos pedir a Deus, por Plínio e por nós mesmos - ele falava emocionado, elevando os olhos para o alto:
- Senhor, meu Pai.
Sabemos que nosso irmão Plínio se encontra em uma situação difícil, ajude-nos, Senhor, a poder ajudá-lo.
Depois da oração, com suas mãos dando adeus para Sara, desapareceram.
Sara permaneceu ali, também rezando para que eles conseguissem fazer Plínio entender que só ele era responsável por tudo que lhe acontecia e pelas companhias que tinha.
Quando chegaram na casa de Plínio, encontraram ele e os vultos completamente embriagados.
Matias se aproximou e, com as mãos, tocou no ombro de Plínio adormecido, que abriu os olhos e os viu.
Assustado e muito tonto pelo efeito da bebida, perguntou:
- Quem são vocês, como entraram no meu quarto?
- Somos seus amigos e estamos aqui para te ajudar.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 15, 2017 9:02 pm

- Ajudar? Ajudar no quê?
E por que fariam isso?
- Por que somos seus amigos e sabemos que está assustado e com medo das consequências que terá de enfrentar quando Roberto descobrir o que fez.
- Não terá consequência alguma, pois o matarei antes que descubra!
- Não pode fazer isso, Plínio!
Se o fizer, estará condenado por muito tempo e nada poderemos fazer para te ajudar.
- Condenado, eu?
Está muito enganado, sei como fazer para que ninguém descubra que fui eu e, com a sua morte, ficarei com tudo o que é dele!
Ficarei rico para sempre!
- Talvez consiga ficar rico, mas para sempre é muito mais distante do que imagina.
O para sempre pode ser muito doloroso...
- Não quero saber dessa conversa, podem ir embora!
Se não forem, chamo a polícia e dou queixa de invasão de domicílio!
Saiam daqui!
Nesse momento, um dos vultos que tinha incitado Plínio a se embebedar abriu os olhos e, ao vê-los ali, começou a acordar seus companheiros.
Acordados, eles tentaram se aproximar, mas, a um olhar de Matias, afastaram-se, indo sentar nos cantos do quarto.
Matias continuou falando:
- Plínio, não adianta chamar a polícia, ela nada poderá fazer contra nós.
Estamos aqui para te dizer que, se quiser, poderemos ir com você no encontro que terá com Roberto.
Sabemos que podemos ajudá-lo a entender sua atitude.
Conhece-o bem e sabe que ele pode esbracejar e xingar, mas depois te perdoará.
Ele te ama e te considera um filho...
- Está querendo me fazer rir? Filho?
- Claro que sim, ele te criou e te deu todas as oportunidades para que fosse um homem de bem...
- Criou, tudo bem.
Deu oportunidades?
Também... Mas sua herança irá todinha para a sua filhinha querida!
Aquela imprestável! - Plínio falou com muito ódio e desdém.
- Sabe que não é verdade!
Roberto tem te preparado a vida toda para que fique à frente dos escritórios quando ele morrer ou resolver se aposentar.
- Ele sempre disse isso, mas nunca acreditei... sei que a minha única opção será matá-lo!
Além do mais, agora ele levou Luísa e meu filho!
Como posso ficar quieto?
- Ele os levou para livrá-los da sua violência.
Mas, com o tempo, ao perceber que você está arrependido e mudado, Luísa voltará e poderão ser felizes.
- Isso não acontecerá e...
Quer saber?...
Não me importo nem um pouco.
Tenho a mulher que quiser, a qualquer momento.
Pensando bem, amanhã, depois de matar meu tio, vou procurar Telma.
Sei que, com meia dúzia de palavras, a faço voltar e ficar comigo até quando eu quiser.
- Talvez consiga, não posso dizer que não, mas sabe que está em dívida com ela também.
- Dívida? Que dívida?
Ah, já sei, está falando do filho que ela está esperando?
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 15, 2017 9:02 pm

Não tenho nada a ver com isso!
Ela é mulher, portanto deveria ter se cuidado.
Quer saber mais?
Nem sei se ela ainda está esperando aquela criança e também não me interessa...
Agora o que está me interessando é a morte do meu tio e todo o dinheiro que virá com ela.
- Pois deveria se interessar, aquela criança não nasceu.
Telma o tirou e cometeu um erro muito grave.
E também você é responsável!
- Problema dela!
Mas, pensando bem, foi até bom a criança não ter nascido, porque seria outra cretina como a mãe!
Ao ouvir aquilo, Germano começou a tremer.
Matias percebeu e disse:
- Germano, não se deixe envolver por essa energia ruim, sabe que já está feito e que nada poderá fazer para mudar, mas pode perder sua luz e felicidade.
Concentre-se no perdão, sabe que esse é o único caminho.
- Perdão, Matias, tem razão...
Matias sorriu, passou a mão pelos cabelos de Germano e voltou-se novamente para Plínio.
- Plínio, entendo que não sabe o que está falando, mas estamos aqui para te dar uma nova chance de se redimir.
Se quiser, poderemos te acompanhar quando for conversar com Roberto.
Ele, hoje, é um homem bom, embora tenha sido seu cúmplice acobertando sua violência, arrependeu-se e está vivendo uma vida digna, cumprindo com galhardia sua missão.
- Acobertou minha violência?
Como pode dizer isso se ele levou Luísa justamente por esse motivo?
- Sei que não está em condições de entender o que estou falando, deixe para lá...
Outro dia conversaremos sobre esse assunto.
Sei também que já falei tudo que tinha para falar neste momento, portanto, pode voltar a dormir.
Amanhã, quando acordar, falaremos outra vez.
No mesmo instante, Plínio adormeceu.
Então Matias disse:
- Por hoje é tudo que podemos fazer.
Vamos ficar aqui e esperar o dia amanhecer para ver se há algo mais a ser feito...
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 16, 2017 7:48 pm

A VERDADE A DEUS PERTENCE
Na manhã seguinte, Dirce acordou e foi até ao quarto das crianças.
Estranhou ao ver que Telma continuava em casa, pois, desde que ela tinha vindo para aquela casa, Telma sempre saía cedo e nunca mais tomou café ou fez as refeições ao lado deles.
Percebeu, também, que ela dormia profundamente.
Saiu do quarto e foi para a cozinha.
Sílvio também tinha se levantado e estava lá, colocando a água para preparar o café.
Dirce entrou, dizendo:
- Telma ainda está dormindo, parece que perdeu a hora.
- Não pode!
Ela precisa trabalhar!
- A deixe dormir, Sílvio.
Ela tem estado muito mal e acho que não tem dormido bem...
- Tem passado mal porque não quer aceitar que a sua vida mudou!
- E não quer me aceitar também, não é?
- Isso mesmo!
Mas ela vai ter que aceitar!
A gente vai se casar e você vai ser a dona desta casa!
Ela precisa entender isso e aceitar!
- A gente precisa entender que, para ela, essa situação é muito difícil.
Ela acha que sou a causadora de todo sofrimento que a mãe dela passou.
Porque foi sempre tão cruel com a sua mulher, Sílvio?
- Não sei. Por um motivo que não sei qual é, sentia muita raiva dela e achava que, de alguma maneira, ela havia me prejudicado.
- Prejudicado, como?
Por tudo que sei dela, foi sempre uma mulher muito boa, cuidou bem da casa e das crianças.
Você não tinha motivo para agir daquela maneira, Sílvio...
- Não sei explicar, mas sempre achei que ela era a culpada de tudo o que se passava de ruim na minha vida.
- Ainda bem que comigo você é diferente...
Sabe que nunca aceitarei que você me bata e nem nas crianças.
Se fizer isso, sabe que te abandonarei no mesmo instante.
Tenho meu dinheiro, a herança que recebi dos meus pais, e não dependo de você para viver.
Só vim para cá porque sabe que te amo...
E você precisava de alguém para cuidar da casa e das crianças.
- Sei disso e não precisa ficar repetindo.
Depois que a Sara morreu, tenho pensado muito no tempo que desperdicei com brigas e no sofrimento causei para ela e para as crianças.
No dia em que ela foi enterrada, prometi que isso nunca mais se repetiria.
Quero ser outro homem e só trazer felicidade e segurança, para que meus filhos cresçam como crianças normais.
- Demorou muito para chegar a essa conclusão, papai.
- Estava ouvindo a nossa conversa, Telma?
- Sim... E fico muito triste de ver que precisou esperar minha mãe morrer para chegar a essa conclusão.
Quanto à senhora, dona Dirce, não se preocupe, não vou mais me incomodar com a sua presença.
Nunca vou aceitar a senhora como minha mãe, mas sei que é necessária nesta casa e, se conseguiu fazer com que meu pai mudasse, deve ter suas qualidades.
Acordei tarde, mas já estou indo para o escritório.
- Jamais imaginei tomar o lugar da sua mãe, Telma, sequer desejei isso.
Sei que ela foi uma grande mulher e mãe, só estou aqui porque o destino quis assim e só ficarei enquanto seu pai me respeitar...
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 16, 2017 7:48 pm

E principalmente a vocês.
- Está bem, dona Dirce.
Sinto que a senhora vai fazer bem para os meus irmãos, não sei o que fez, mas eles a adoram.
- Espero que, um dia, a gente possa se tornar amigas, Telma.
- Não sei se isso será possível, mas eu a respeitarei como dona desta casa, até eu poder ser independente, ter o meu próprio dinheiro para decidir o que fazer com a minha vida.
- É assim mesmo que deve pensar Telma.
A mulher só vai conseguir a sua independência no dia em que tiver o seu próprio dinheiro.
Não quer tomar um pouco de café, antes de sair?
Telma olhou para aquela mulher que havia entrado em sua casa de uma maneira que a deixou revoltada, mas não sabia por que não estava mais sentindo a mesma raiva que sentira até agora.
Sorriu, sentou-se ao lado do pai e começou a tomar café.
Sílvio permaneceu calado, sem olhar para a filha.
Dirce também ficou calada.
Sueli, que também já havia acordado, foi para a cozinha, aproximou-se e estranhou a cena, primeiro, por ver Telma em casa e, depois, por vê-la tomando café ao lado de Dirce e de Sílvio.
Perguntou intrigada:
- Não foi trabalhar Telma?
- Dormi muito, Sueli, e perdi a hora, mas já estou indo para o escritório.
Sueli sorriu e voltou para o quarto.
Telma terminou de tomar café e foi terminar de se arrumar para poder ir trabalhar.
Assim que entrou no quarto, Sueli, perguntou:
- Não está mais com raiva da dona Dirce, Telma?
- Não sei o motivo, mas a raiva sumiu.
Sonhei com a mamãe e acordei mais calma e decidida a continuar minha vida, meu trabalho e meus estudos.
- Sonhou com a mamãe?
E o que ela disse?
- Não sei, não me lembro bem do sonho... somente que a vi e parecia que ela estava muito feliz... pelo menos bonita ela estava!
- Queria tanto sonhar com ela, Telma.
- Vai sonhar Sueli, e vai ver como ela está bonita.
Agora preciso terminar de me vestir para poder ir trabalhar.
Telma se vestiu e, ao passar pela cozinha, viu que seu pai não estava mais lá.
Viu Dirce lavando louça e disse:
- Estou indo para o trabalho, dona Dirce.
Até mais tarde.
- Estive pensando, Telma, por que não vem para o almoço?
Está muito abatida e precisando se alimentar bem.
Prometo que vou fazer uma comida bem gostosa.
Telma olhou para Dirce e lembrou-se da mãe, quando insistia para que ela e as crianças se alimentassem bem.
Procurou dentro de si a mágoa que sentia por aquela mulher, mas não a encontrou mais lá.
Sorrindo, respondeu:
- Estou precisando me alimentar, mesmo.
Venho almoçar, dona Dirce, e obrigada pela atenção.
Dirce sorriu:
- Fico feliz com sua decisão e, com o tempo, espero poder demonstrar a você que não quero tomar o lugar da sua mãe, que só quero o bem-estar de vocês, meu e de meu filho.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 16, 2017 7:48 pm

Calada, Telma sorriu acenou com a mão e saiu.
Estava chegando perto do portão, quando ouviu a voz de Laurinha.
- Bom dia, Telma.
Está atrasada para o trabalho?
- Estou, dona Laurinha, não sei o que aconteceu, perdi a hora...
- Preciso conversar com você e estava esperando uma oportunidade.
Já que está atrasada poderia vir até aqui em casa para podermos conversar?
Prometo que o que tenho para te dizer não vai demorar muito.
- Já que estou atrasada e vou ter que dar explicações, alguns minutos a mais não vai fazer diferença.
Estou indo para aí.
Saiu pelo seu portão e entrou no de Laurinha.
Juntas entraram na cozinha da casa e Laurinha mostrou uma cadeira para que Telma se sentasse ao lado da mesa.
Assim que ela se acomodou, Laurinha disse:
- Telma, preciso conversar com você, porque tenho pensado muito em algo que me disse.
- Que foi que eu disse, dona Laurinha?
Desculpe se disse alguma coisa que a ofendeu.
Sabe que eu estava muito nervosa... e que minha vida também está uma bagunça, mas, não sei por que, de hoje em diante, acho que tudo vai mudar.
- Que bom ouvir você dizendo isso!
Não, você não disse coisa alguma que tivesse me ofendido, ao contrário, sou em quem tem que te pedir perdão a você por...
- A senhora me pedir perdão?
Nem pense nisso, desde que minha mãe morreu, a senhora esteve ao nosso lado e me ajudou muito!
Não me lembro de coisa alguma que a senhora tenha feito ou dito que precisasse de desculpa!
- Estive pensando muito em tudo que fiz por vocês e em coisas que disse.
- Não sei sobre o que está falando, dona Laurinha...
- Quando disse que podia e queria te ajudar, foi de coração e com sinceridade, mas depois, achei que, por estar ajudando, tinha o direito de interferir na sua vida e julgar o que fazia...
- Que está dizendo, dona Laurinha?
A senhora esteve ao meu lado nos piores momentos...
- Estive e não me arrependo por isso.
E vou continuar estando sempre do seu lado e do de seus irmãos... mas, quando encontrei você na cama, no meio de todo aquele sangue, fiquei com muita raiva por saber o que você tinha feito e te julguei.
- A senhora me levou para o hospital...
- Levei, mas isso não quis dizer que eu não estava te condenando.
Depois conversamos e eu me mantinha firme na minha posição, mas com o tempo fui pensando na nossa conversa e em algo que você me disse.
- O que foi que eu disse que a abalou tanto?
Não me lembro, falei tanta coisa!
- Você disse que eu estava te condenando porque tinha um marido e um lar perfeito, mas, se estivesse no seu lugar, que talvez pensasse diferente.
- Sei que disse isso, mas a senhora tinha razão, não existe, neste mundo, motivo algum para que se tire uma criança e se evite que ela nasça.
Sinto que, enquanto eu viver, não vou conseguir esquecer isso que fiz.
Mas sinto que, apesar disso, preciso continuar minha vida e que um dia, se Deus quiser, poderei ter um filho e dar para ele todo carinho e amor que merece.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 16, 2017 7:48 pm

- Estou feliz por te ouvir falando assim, mas suas palavras não me redimem.
Nunca deveria ter te julgado, não estava realmente na sua pele e estive pensando muito em qual seria a minha atitude se estivesse na sua situação... todas as vezes em que fiquei grávida... foi porque quis e as minhas crianças foram bem-vindas.
- Ora, dona Laurinha, não se preocupe, nunca pensei mal da senhora, sempre soube que é minha amiga e que, se disse qualquer coisa, foi por querer me ajudar.
- Você pode ter me perdoado ou mesmo não ter ligado para o que eu disse, mas eu nunca poderia ter agido daquela forma.
Sigo uma doutrina que nos ensina tantas coisas!
Entre elas, que tudo está sempre certo, que existe a lei de acção e reacção e, principalmente, o livre-arbítrio... e, por cada um ter seu livre-arbítrio e não sabermos o motivo pelo qual as coisas acontecem, não temos o direito de julgar, e nem podemos.
O que me deixa mais triste é que, apesar de ter estudado tanto e pensado que havia aprendido, constato que nada aprendi.
Me considerei a dona da verdade e que a verdade só a Deus pertence.
Qualquer pessoa poderia ter julgado você, Telma, menos eu, me perdoe, por favor...
- Não tenho o que perdoar.
Hoje acordei decidida a continuar minha vida.
Por isso estou feliz, mesmo sem saber por que, e só tenho que agradecer à senhora por tudo que me ajudou.
Agora preciso ir, estou realmente muito atrasada.
Até mais, dona Laurinha.
Dizendo isso, Telma se afastou e Laurinha ficou olhando ela seguir... como pude julgar, Senhor?
Logo eu, que frequento uma casa espírita duas vazes por semana, que recebo e ministro passes, que ouço e dou palestras e que leio muitos livros?
Julgava saber tudo sobre a espiritualidade, mas, na realidade, depois da minha atitude para com a Telma, constato que nada aprendi e que nada sei...
Sara que o tempo todo esteve ao lado delas, sussurrou baixinho:
Parabéns, minha amiga por ter, sozinha, constatado isso!
Mas não se preocupe, todos estamos apenas começando a caminhada e, portanto, todos erramos... é errando que aprendemos... e Deus, por nos conhecer muito bem, nos dá sempre novas chances de aprendizado.
Fique com Deus e em paz!
Em seguida beijou de leve o rosto da amiga e se afastou acompanhando Telma.
Assim que se afastaram, Laurinha sorriu aliviada... estou me sentindo tão bem por ter conversado com Telma... e essa brisa suave... deve ter sido uma manifestação do meu guia...
Telma chegou no escritório e estava decidida a pedir desculpa pelo atraso, mas, como sempre, Roberto ainda não havia chegado.
Foi para sua sala e começou a trabalhar.
Faltava um pouco mais de meia hora para o almoço.
Havia dito a Dirce que ia almoçar em casa, mas precisava conversar com Marieta e não podia demorar muito.
Foi até a sala onde Marieta trabalhava, entrou e disse:
- Marieta, preciso conversar com você, pode dar um pulo lá na minha sala?
- Agora não, estou terminando um trabalho, daqui a uns dez minutos vou até lá... mas o que tem de tão urgente para falar comigo?
- Nada importante, é sobre trabalho - Telma mentiu, pois sabia que os outros funcionários que trabalhavam na mesma sala de Marieta estavam prestando atenção na conversa delas.
- Está bem, daqui a pouco vou até lá.
Telma voltou para sua sala e ficou trabalhando.
Mais tarde, Marieta chegou.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 16, 2017 7:49 pm

- Que aconteceu, Telma, parece que está muito nervosa...
- Não estou nervosa, Marieta, ao contrário, esta manhã acordei muito bem e pensando no que tenho feito nos últimos dias.
Decidi que vou retomar minha vida e deixar tudo o que fiz para trás, pois sei que não há como remediar.
Mas, antes, preciso te pedir desculpas.
Para me livrar da culpa, tentei transferir para você o que era só de minha responsabilidade.
Você não teve culpa daquilo que fiz, fui eu que insisti para que me acompanhasse.
Sei que, se me acompanhou, foi porque é minha verdadeira amiga.
Perdão, Marieta pelas coisas que te disse...
- Telma, não pode imaginar como estou feliz por te ver tão bem.
Falou coisas que me fizeram chorar, mas, agora, vejo que estava fora de si.
Não tenho o que te perdoar, só desejo que seja feliz e que volte a ser minha amiga.
Telma abriu os braços e abraçaram-se com muito carinho.
Depois, ela disse:
- Agora preciso terminar meu trabalho.
Tenho que ir almoçar em casa.
- Está dizendo que aquela mulher foi embora?
- Não, ela continua lá, mas estou percebendo que a presença dela não é tão má como pensei.
Além do mais, alguém tem de cuidar da casa e das crianças.
Não te disse que hoje acordei diferente?
- Que bom, Telma, mas o que será que aconteceu durante a noite?
- Não sei, só sei que sonhei com minha mãe, mas não lembro nem um pouquinho do sonho.
- Parece que o sonho foi bom...
- Não sei, mas parece que sim.
Agora, vamos tocar a vida?
- Vamos, sim, Telma.
Que bom que voltou a ser a mesma de sempre.
- Também acho Marieta, também acho...
Marieta saiu da sala e Telma foi almoçar em casa.
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