NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Página 2 de 9 Anterior  1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9  Seguinte

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 04, 2017 9:23 pm

Só ia à igreja por que sua mãe, que era muito religiosa, queria.
Sara estava guardando o dinheiro, quando seu marido chegou.
Ele ao ver Telma em casa àquela hora, estranhou.
- Por que está em casa, Telma?
Perdeu o emprego?
Telma percebeu que ele estava bêbado.
E sabia que, quando ele estava assim, não podia irritá-lo, pois logo começaria uma briga...
E ela estava feliz demais para se aborrecer, respondeu:
- Não, o expediente terminou mais cedo.
Em seguida foi para quarto.
Empoleirou-se em seu beliche e ficou pensando na festa.
Ouviu seu pai falando alto, mas não se importou.
Seu único desejo era que o dia da festa chegasse logo.
Finalmente o dia chegou.
Logo pela manhã, foi até uma cabeleireira do bairro, fez um penteado apropriado para um casamento e pintou as unhas.
Voltou para casa e olhou novamente tudo o que havia comprado, pensou:
Está chegando à hora!
Sei que Plínio vai se admirar quando me ver.
Ele nem imagina que vou estar tão bonita...
Na igreja, Telma estava sentada em um dos bancos, acompanhada por Sueli que usava o vestidinho que havia ganhado no Natal e que ninguém conhecia.
Eram seis horas e quinze minutos quando Nara entrou.
Estava linda, não só pela beleza do vestido, mas por seus olhos, que brilhavam muito, demonstrando a felicidade que estava sentindo.
Seu noivo, que há muito tempo a esperava, ao vê-la entrar, sorriu aliviado.
A igreja estava toda enfeitada e com muitos convidados.
Ao ver Nara entrando, Telma se levantou e ficou olhando a amiga que vinha bem devagar, ao compasso da marcha nupcial.
E não se conteve.
Uma lágrima, causada pela emoção, escorreu pelo seu rosto.
Ela havia chegado quinze minutos antes das seis horas.
Roberto chegou um pouco depois.
Estava sozinho.
Ela ficou procurando por Plínio, mas não o encontrou.
Após a cerimónia, Nara começou a sair e a caminhar pelo corredor da igreja.
Assim que saísse, receberia os cumprimentos.
Depois, os convidados iriam para a casa dela onde se realizaria a festa.
Enquanto os noivos eram cumprimentados e Telma esperava a sua vez, Roberto se aproximou e disse:
- Você está muito bonita, Telma!
- Obrigada, doutor, mas o senhor sabe que é o responsável por isso!
- Nada disso.
Se você não fosse tão bonita como é, roupa alguma faria esse milagre.
Você pode estar vestida de qualquer maneira e sempre estará bonita.
Telma sentiu o sangue subir ao seu rosto, sabia que ele estava vermelho.
Lembrou-se do que sua mãe havia dito, sobre as intenções dele.
Ficou sem saber o que dizer, apenas sorriu.
Chegou a sua vez de cumprimentar os noivos, fez isso e afastou-se.
Roberto foi o próximo e, depois dos cumprimentos, acompanhou-a.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 04, 2017 9:23 pm

- Como você vai até a festa, Telma?
- Preciso tomar um ônibus.
- Nada disso!
Você vem comigo no meu carro.
Uma moça bonita como você não pode ficar andando de ônibus, muito menos quando está indo para uma festa.
- Estou com minha irmãzinha.
- Qual é o problema?
Ela vem connosco.
Telma olhou para as pessoas que se aglomeravam nos poucos carros que estavam ali.
Viu que alguns de seus companheiros de trabalho entravam neles.
Percebeu que não haveria lugar para ela e Sueli.
E, com sinceridade, não tinha vontade alguma de entrar em um ônibus, ainda mais vestida daquela maneira.
Sorriu, dizendo:
- Está bem, vou com o senhor e obrigada pela carona.
Ele mostrou onde estava o carro.
Viu uma das funcionárias que olhava os carros para ver se tinha um lugar.
- Marieta! Venha para o meu carro.
A moça sorriu e, agradecendo, entrou no carro.
Outros dois rapazes vendo que havia mais lugares se aproximaram.
Roberto, ao vê-los, convidou-os para que entrassem também.
Em poucos minutos todos conversavam alegremente.
Telma percebeu a felicidade dos companheiros e pensou:
Sou mesmo uma cretina!
Como pude pensar que ele estava com outras intenções?
Ele é gentil com todos.
Minha mãe me confundiu com aquela conversa.
- Doutor, o senhor veio sozinho? - perguntou Marieta.
- Sim, minha mulher não estava se sentindo bem.
Plínio não pôde vir para a cerimónia, mas virá para a festa.
Ao ouvir aquilo, no íntimo, Telma exultou de felicidade: Ele vem!
Estava preocupada, pensei que não viesse e, assim, que não estivesse interessado.
Mas não! Ele está chegando!
Quero ver a cara quando me vir vestida assim! - Telma pensou, enquanto seu coração batia tanto, que parecia querer sair pela boca.
Quando chegaram a casa de Nara, a festa já estava animada.
As pessoas riam felizes.
O quintal, nos fundos da casa, estava coberto por uma lona, caso chovesse.
Havia muito chope, refrigerantes e sanduíches de pernil com molho de cebola, tomate e pimentão.
No centro de uma mesa, estavam um bolo enorme, docinhos para todos os gostos e uma garrafa de champanhe que seria aberta na hora em que o bolo fosse cortado.
Tocava uma música alegre e as pessoas dançavam.
Nara estava radiante e, abraçada ao noivo, atendia todos os convidados.
Telma ficou junto a um grupo de colegas do escritório.
Roberto também ficou ao lado deles e, com um copo de chope na mão, conversava com todos, nem parecendo ser o patrão.
Telma conversava, mas não tirava os olhos da porta por onde Plínio deveria entrar.
Estava olhando quando viu Nara entrando por aquela porta.
Ela vinha sorrindo e apontando para eles.
Por detrás de seus ombros, pôde ver o rosto de Plínio que sorria.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 04, 2017 9:23 pm

Sentiu seu corpo estremecer e seu coração bater forte, daquela maneira que sempre acontecia quando ela o via.
Nara se aproximou, dizendo:
- Viu Plínio, não te disse que estavam todos aqui?
Plínio saiu de trás dela e respondeu:
- Estou muito feliz por estarem aqui e, pelo que parece, estão muito bem.
Titio, o senhor sabe que não pode beber muito, cuidado...
- O que é isso, Plínio?
As pessoas vão pensar que sou um alcoólatra!
- Não estou dizendo isso!
Sei que não bebe, mas sabe que precisa ter cuidado com a pressão.
- Sei disso, mas hoje é um dia especial.
Por detrás de Plínio, apareceu uma linda moça, que tocou em seu ombro.
Ele se voltou, abraçou-a e disse, sorrindo:
- Esta é Luísa, minha noiva.
Foi por causa dela que me atrasei.
- Ela é muito linda, Plínio! - disse Marieta.
A moça ficou encabulada.
Ele disse entusiasmado:
- Se não fosse, não seria minha noiva!
- Pretendem se casar logo?
- No fim do ano, estamos reformando nossa casa.
- Que bom, parabéns!
Está na hora de comerem.
Luísa, você quer um refrigerante? - Nara perguntou, pegando em seu braço.
- Gostaria muito.
Está fazendo calor.
- Então venha, eu mesma vou servir vocês.
Nara saiu levando pela mão Luísa e Plínio.
Telma acompanhou-os com os olhos.
Estava nervosa e sem saber o que fazer.
Havia sonhado tanto com aquele dia e, naquele momento, parecia que o chão lhe faltava sob os pés.
- Preciso ir embora - disse, aproveitando para pegar Sueli que passava correndo.
- Mas ainda não são nem nove horas, Telma - disse um dos companheiros, aturdido com a atitude dela.
- Preciso ir, minha irmãzinha está com sono.
- Não estou não!
Quero comer bolo!
Parece que está muito gostoso! - disse Sueli, tentando escapar da mão de Telma, que a segurava.
- Não podemos esperar, sabe que não podemos chegar tarde.
Senão o papai vai brigar...
E você não quer isso, quer? - Telma disse nervosa.
A menina pareceu entender, não sabia dizer o porquê, mas sabia que a irmã queria ir embora.
Amuada, respondeu:
- Não quero que ele brigue, não...
- Por isso a gente vai ter que ir embora.
Antes que alguém dissesse alguma coisa, Telma, segurando Sueli pela mão, saiu, dizendo:
- Preciso, mesmo, ir embora.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 04, 2017 9:24 pm

Na segunda-feira vocês me contam como foi o resto da festa.
Despediu-se de Nara e do noivo, que lamentaram ela ter de ir embora.
Todos ficaram tristes, mas perceberam que não tinham o que fazer.
Voltaram para o chope e o sanduíche.
Na rua, Telma não se conteve e começou a chorar.
- Você está feliz de novo, Telma? - Sueli perguntou.
- Não, Sueli.
Desta vez é de tristeza mesmo...
Estavam já a uns poucos metros do ponto de ônibus, quando ouviu uma voz.
- Como você vai para casa, Telma?
Ela se voltou. Era Roberto.
- De ônibus - respondeu, passando as mãos pelos olhos e enxugando as lágrimas.
- Você está chorando?
O que aconteceu?
- Não é nada, só que estou com muita dor de cabeça...
- Para estar chorando, a dor deve estar muito forte e isso não é bom.
Para doer assim, deve ser um problema sério.
Precisa ir ao um médico!
- Vai passar doutor.
Estou acostumada.
- Mesmo assim, seria bom consultar um médico...
- Vou fazer isso.
Agora preciso ir.
Boa noite, doutor.
- Nada disso, onde você mora?
- Perto do escritório.
- Vou te levar.
- Não precisa, o ônibus pára na esquina da minha casa.
- Mesmo assim, há essa hora uma moça não deve andar sozinha, é perigoso.
- Estou com a minha irmã!
- Não tem mais conversa, entre no carro e vamos embora.
Eu nunca deixaria uma moça andar sozinha à noite.
Entre - enquanto falava, abriu a porta da frente do carro.
- Ainda é muito cedo!
O senhor não vai ficar na festa?
- Não, eu já estava indo embora.
Só vim por causa da Nara, mas já estou velho para festas. Entre.
Telma percebeu que ele não a deixaria ir embora sozinha com a irmã.
Fez com que Sueli entrasse e depois a seguiu.
Ele deu a volta, entrou, ligou o carro e acelerou.
Durante o caminho, foram conversando sobre o casamento e a festa.
- Eu gosto muito de casamentos, Telma.
Acho uma cerimónia bonita.
O próximo será do Plínio.
Parece que vai ser uma grande festa.
Ao menos ele e a noiva estão planeando muito bem.
Aquelas palavras entraram como espinhos no ouvido de Telma.
Ela não aceitava que Plínio fosse se casar com outra.
Outra vez uma lágrima começou a cair e ela, rapidamente, enxugou-a.
Roberto, que prestava atenção ao trânsito, não percebeu e continuou falando.
E ela, triste, só concordando com ele ou respondendo às suas perguntas.
Queria que sua casa chegasse logo, precisava ficar sozinha para poder chorar à vontade.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 04, 2017 9:24 pm

O carro passou pelo escritório, que ficava na rua principal do bairro em que Telma morava.
Ela foi ensinando o caminho, entrou por uma travessa, depois por outra até chegar a sua casa.
Roberto estacionou, ela e Sueli, desceram.
- Boa noite.
Espero que sua dor de cabeça passe e que fique logo bem - ele disse, enquanto elas desciam.
- Vou ficar doutor, e obrigada por tudo.
O senhor está sendo mais que um pai.
- Não tem o que agradecer se está feliz, também fiquei feliz em poder te ajudar! Até segunda.
Assim que elas desceram, ligou o carro e foi embora.
Telma, segurando Sueli pela mão, entrou em sua casa, que ficava nos fundos do quintal e, por esse motivo, sua mãe não ouviu o barulho do carro.
Assim que elas entraram, a mãe estranhou:
- Já chegaram? Tão cedo!
Que aconteceu, Telma, a gente não tinha combinado que você ia ficar até às onze horas e que eu ia te esperar no ponto do ônibus às onze e meia?
- Não aconteceu nada, mamãe.
A festa estava muito chata e eu quis vir embora.
- Estava chata nada!
Eu estava brincando e gostando muito!
Não sei por que você quis sair de lá, Telma! - Sueli gritou, quase chorando.
Sem responder, Telma foi correndo para o quarto.
Sara, preocupada, foi atrás.
Telma, por mais que quisesse, não conseguia parar de chorar.
- Que aconteceu, Telma?
Por que você está assim?
Vendo que a mãe estava preocupada e que não a deixaria em paz, entre soluços, contou tudo.
A mãe ouviu e, quando Telma terminou de falar, abraçou-a e disse, sorrindo:
- Foi isso que aconteceu?
Ora minha filha, não fique assim, hoje você está triste, mas vai ver que tudo vai passar.
Logo vai aparecer outro rapaz e você vai esquecer esse.
- Nunca vou esquecer!
É o homem da minha vida!
- Todas as mulheres já passaram por isso!
Daqui a algum tempo, você vai ver que tenho razão e que, muitas outras vezes, vai dizer que encontrou o homem da sua vida...
- Se aconteceu isso com a senhora, porque se casou com meu pai?
Não apareceu outro? - perguntou com ironia.
- Apareceu sim, mas eu achei que era ele.
Talvez não tenha sido uma boa escolha, mas está feito.
No final foi bom, porque ele me deu vocês três, o que me torna muito feliz.
- A senhora pode ser feliz, mas eu não!
Se meu pai fosse um homem rico, como deve ser o pai daquela moça que Plínio está namorando, com certeza ele teria me escolhido!
Como ele ia querer uma pobretona como eu?
- Todos sabem que rico não se mistura com pobre, mas, se ele gostar de você, isso não vai importar.
Agora trate de dormir, amanhã será outro dia.
Boa noite, minha filha. Durma bem.
Antes que Telma dissesse qualquer coisa, Sara saiu do quarto.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 05, 2017 9:09 pm

Sabia que, para Telma, o que aconteceu naquela noite parecia ser o fim do mundo, mas também sabia que não era, pois a filha era muito criança, e havia coisas que só o tempo poderia ensinar.
Na manhã do domingo, como sempre fazia, Telma foi à igreja.
Lá, enquanto assistia a missa, chorou o tempo todo.
Voltou para casa e ficou a maior parte do tempo em sua cama.
Não conseguia deixar de se recordar de Plínio ao lado da noiva.
Ela estava no quarto, chorando, quando Sara entrou e disse com ar preocupado:
- Telma, você não pode continuar assim.
Não quis comer e isso vai te fazer muito mal.
- Não estou com fome.
Será que a senhora não consegue entender que estou sofrendo!
- Entendo sim, mas ficar sem comer não vai te ajudar a afastar a dor.
Acho melhor você não voltar mais para o escritório.
O dinheiro que recebe ajuda muito, mas acho melhor ficar distante desse moço.
A presença dele só vai te fazer sofrer.
- Não voltar ao escritório?!
Não trabalhar?!
Não, mamãe, não posso fazer isso!
Gosto do meu trabalho!
- Sei disso, mas sabe que vai ter que ver esse rapaz todos os dias.
Não vai sofrer muito?
- Acho que vou, mas preciso trabalhar.
Vai ser difícil arrumar outro emprego como esse!
Estou tendo a oportunidade de aprender muito.
Não vou mais olhar para ele.
Agora será como antes.
Só vou conversar o necessário.
Depois de chorar tanto, eu o estou detestando!
- Pelo que me contou, ele nem sabe que você está gostando dele.
Ele nunca disse que queria namorar ou que gostava de você...
- Nunca mesmo!
Mas, mesmo assim, estou com muita raiva!
Nunca mais vou conversar com ele, a não ser sobre o trabalho!
- Está bem, mas, se ficar difícil, largue o emprego.
Conseguirá outro...
- Não vou sair do escritório, mamãe! Não vou!
Sara beijou-a na testa e saiu do quarto.
Telma continuou o resto do domingo nervosa, sem querer conversar com ninguém e o tempo todo pensando...
Minha mãe pode ter razão.
Não sei qual vai ser a minha reacção quando encontrar Plínio.
Preciso me preparar e fazer de conta que nada aconteceu e entender que ele não teve culpa, só eu fui culpada.
Imaginei algo que não existia.
Depois de algum tempo, adormeceu.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 05, 2017 9:09 pm

A PROPOSTA
Na segunda-feira acordou cedo.
Durante a noite, decidira que só ia pensar no trabalho.
Sabia que havia imaginado um romance que, na verdade, só existiu em sua imaginação.
Vestiu-se e foi para o trabalho.
Quando chegou, encontrou os colegas comentando o casamento, a festa e como Nara estava bonita.
Assim que a viram, Marieta se adiantou:
- Bom dia, Telma.
O que aconteceu realmente?
Por que você foi embora tão cedo?
- Meu pai não gosta que eu saia de casa muito menos que chegue tarde.
Foi um custo me deixar ir ao casamento.
- Você estava muito bonita!
Seu vestido é lindo!
- Muito obrigada, mas é sim, eu o namorei por muito tempo.
Bom, gente, agora está é na hora de começar a trabalhar.
Vou para minha sala, tenho muito trabalho.
Todos concordaram.
Assim que entrou na sala, Telma sentou-se e começou a trabalhar.
Sempre que a figura de Plínio surgia em seu pensamento, ela fazia um esforço enorme para esquecê-lo e concentrar-se no trabalho.
A manhã passou.
Ela foi para casa almoçar e disse para a mãe que tudo estava bem.
Voltou para o trabalho.
Sabia que à tarde seria mais difícil, pois Plínio viria para o escritório.
Roberto também não veio na parte da manhã.
Deveriam chegar juntos.
Estava trabalhando quando viu Plínio entrando na sala:
- Boa tarde, Telma.
Está tudo bem?
Ela sentiu novamente o corpo estremecer e o sangue subir para seu rosto.
Conseguiu se controlar e respondeu:
- Tudo bem. Deseja alguma coisa?
- Não, só vim ver como você está e dizer que estava muito bonita na festa.
Ela não esperava por aquilo, nervosa disse:
- Obrigada, também achei o meu vestido muito bonito.
- Eu queria falar com você, mas não pode ser aqui.
Que tal a gente se encontrar na lanchonete, lá na praça?
- Falar?! O quê?
- Já disse que não pode ser aqui.
Vou ficar te esperando lá na lanchonete às seis e quinze.
- Não vou poder ir, tenho horário para chegar em casa.
- Não vai demorar.
Pode dizer que fez hora extra.
- Não costumo mentir.
- Não é mentira, é só uma desculpa.
- Não, não posso ir.
- Vou ficar te esperando até as sete, se não chegar, vou embora e nunca mais toco nesse assunto.
- Não precisa esperar, não tenho o que falar com você.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 05, 2017 9:10 pm

- Vou ficar esperando - disse, enquanto saía, piscando um olho.
Assim que ele saiu, Telma, abismada, se levantou e encaminhou-se para a porta, mas parou...
O que é isso? O que ele quer comigo?
Não vou coisa nenhuma!
Não vou mesmo!
O melhor que tenho a fazer é voltar para o meu trabalho e, assim que terminar o expediente vou embora!
Voltou a sentar-se, mas não conseguiu mais se concentrar no trabalho.
A curiosidade de saber o que Plínio queria falar não saía de seu pensamento, mas decidiu:
Não vou! Não me interessa mais!
Ele pode ficar esperando o tempo que quiser!
Não quero me iludir outra vez.
A campainha tocou, ela se levantou e foi rapidamente para a sala de Roberto.
Assim que entrou, ele perguntou:
- Está tudo bem, Telma?
A dor de cabeça passou?
- Passou, sim, e estou muito bem.
- Que bom! Acabei de chegar.
Como estão as coisas aqui no escritório?
- Está tudo bem, só telefonou o senhor Magalhães.
Disse que precisa conversar urgente, com o senhor.
- Não disse sobre o que quer falar comigo?
- Não, senhor.
Só pediu que eu lhe desse o recado.
- Vou telefonar.
Obrigado, pode voltar para sua sala.
Ela saiu, voltando para sua sala.
Precisava terminar mais um trabalho ainda pendente.
Apesar de ter que afastar o pensamento de Plínio, conseguiu terminar.
Entregou para Roberto e, como eram seis horas, foi embora para casa.
Assim que chegou à rua, viu que o carro de Plínio não estava ali.
Será que ele está me esperando, mesmo?
O que ele tem para me falar?
Vou passar pela lanchonete, só para ver se ele está lá.
Foi para a lanchonete.
Ela ficava do lado oposto ao da sua casa.
Enquanto se encaminhava para lá, foi pensando:
Vou passar bem depressa só para ver.
Mas, e se ele estiver lá, o que vou fazer?
Acho melhor não ir.
Mas, se não for, não ficarei sabendo...
Deu alguns passos... E parou.
Sentia uma vontade enorme de ir, mas tinha medo que ele a visse.
Foi até a esquina e voltou várias vezes, até que decidiu:
eu vou, preciso saber se ele está lá.
Não vou conversar com ele, só vou ver se está lá e pronto...
Estava indo bem devagar, quando viu Plínio caminhando em sua direcção.
Quis voltar, mas ele alongou o passo e segurou-a pelo braço.
- Espere, sabia que você não ia resistir à curiosidade.
Não tenha medo do que vou te falar, sei que te deixará feliz.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 05, 2017 9:10 pm

- Estou curiosa, mesmo.
Não consigo imaginar o que tem para falar comigo.
- Quer ir para a lanchonete ou prefere andar um pouco?
- Tanto faz, não posso demorar muito.
- Então, vamos até a lanchonete, ou melhor, podíamos pegar o meu carro e irmos para outro lugar.
- Outro lugar, por quê?
- Aqui é muito perto do escritório, e alguém pode passar e nos ver.
- O que tem isso?
Não estamos fazendo nada.
- Sei disso, mas as pessoas têm muita maldade, podem pensar coisas erradas.
- Que coisas? Só vamos conversar!
- Está bem, vamos para a lanchonete.
Assim que se sentaram, ele perguntou:
- Quer comer ou beber alguma coisa?
- Não, só preciso saber o que você tem para falar.
- Precisamos pedir qualquer coisa.
- Está bem, quero um refrigerante.
Ele pediu dois refrigerantes.
Enquanto o garçom foi buscar, Telma perguntou:
- O que você quer falar comigo?
- Desde que a vi, no primeiro dia em que a recebi na porta e pedi os seus documentos, fiquei muito impressionado com sua beleza.
- Você?! Mal me olhou!
- Claro que olhei.
Só não demonstrei, porque sei que não posso me envolver com funcionárias.
Quando comecei a trabalhar no escritório, meu tio deixou isso bem claro.
- Por que está me dizendo isso agora?
- Desde o dia da festa surpresa, a que fizemos para a Nara, fiquei com vontade de falar com você, mas não tive coragem.
No dia do casamento, você estava tão linda que quase não resisti.
- Não estou entendendo.
Você é noivo!
- Fiquei noivo antes de te conhecer...
- O que está querendo dizer?
- Que estou apaixonado e quero que seja minha namorada.
- Está louco? E a tua noiva?
- Se você me aceitar, desmancho o noivado.
- Não é verdade!
Você mesmo disse que vai se casar no fim do ano e que está reformando a sua casa!
- Eu ia, mas se me aceitar, não vou mais.
- Não posso me casar, só tenho treze anos!
- Não estou pedindo para se casar comigo agora!
Sei que só tem treze anos, mas parece ter mais e é muito bonita.
Vamos só namorar e teremos muito tempo para nos conhecer.
Você também pode me conhecer melhor.
- Está dizendo que vai desmanchar o noivado?
- Depende só de você...
- Não consigo acreditar!
- Estou dizendo que depende só de você.
Estou realmente muito apaixonado.
Se ficar comigo, garanto que não se arrependerá.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 05, 2017 9:10 pm

Desmancho o meu noivado.
- Não pode fazer isso!
Tudo já deve estar preparado, pelo que soube, só falta a casa ficar pronta.
- Tudo isso foi antes de te conhecer!
Será que não entende isso?
Agora que te conheci, não posso mais me casar com alguém que eu não ame.
É de você que eu gosto, Telma!
- Está mesmo falando a verdade?
- Claro que estou, sei que você sabe que é muito bonita...
- Lógico que sei, tenho espelho!
- Então, por que a desconfiança?
- Não sei... Não sei...
- Não precisa responder hoje.
Tem dois dias para pensar. Está bem assim?
- Está, vou pensar - disse aturdida.
- Só tem uma coisa.
- O quê?
- Não comente com ninguém lá no escritório.
- Por que não?
- Se meu tio souber que estou apaixonado por você, não permitirá mais que eu continue no escritório.
Ele me avisou que não quer que eu me envolva com ninguém lá do escritório.
- Está bem, não vou contar, mas também não sei se vou aceitar essa proposta.
- Pense bem.
Sei que não se arrependerá.
Ela se levantou e, enquanto saía, disse:
- Agora vou embora.
Estou atrasada, se não chegar na hora, minha mãe fica preocupada.
- Está bem, fico ansioso, esperando a tua resposta.
Durma bem, meu amor.
Calada, saiu apressada, mas aos poucos foi diminuindo os passos.
Precisava pensar em tudo o que havia acontecido.
Não estava entendendo, mas também não queria entender.
Estava feliz e pensava:
Sabia que ele me amava! Vi em seus olhos.
Sou a mulher mais feliz deste mundo!
Ele me ama mesmo, se não fosse assim, não desmancharia o noivado.
Não sei o que fazer, se eu contar para minha mãe, ela não vai concordar.
Minha vida está se transformando!
Encontrei o homem da minha vida, que, além de ser muito bonito, é rico e poderá me dar tudo o que eu quiser!
Será que isso está acontecendo mesmo?
Claro que está!
Ele falou com tanta sinceridade!
Se estivesse mentindo eu perceberia...
Com esses pensamentos enchendo seu coração de alegria, chegou em casa.
Sara já estava preocupada, e Telma procurou não demonstrar o que estava sentindo.
- Como foi o dia, Telma?
Conversou com o Plínio?
- Não, eu disse para senhora que tudo voltaria a ser como antes.
- Ainda bem, é melhor você ficar distante desse moço.
Ele não sabe o que você está pensando.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 05, 2017 9:10 pm

Vai se casar e você continuará levando sua vida.
Logo aparecerá outro, você vai ver...
- Não sei se conseguirei gostar de outro como gosto dele.
Ele é o amor da minha vida...
- Vai gostar, sim, não só de outro, mas de muitos mais.
Agora vamos jantar! - disse Sara, sorrindo.
Telma foi para o quarto.
Deitada em sua cama, ficou pensando:
Eu deveria contar para minha mãe o que aconteceu.
Mas ela não vai entender.
Vai dizer que ele está mentindo, mas sei que Plínio falou a verdade!
Ele me ama mesmo!
Estava distraída com seus pensamentos, quando ouviu o barulho de uma batida forte sobre a mesa e seu pai gritando:
- Já disse que não quero que você saia de casa, Sara!
O Didi do bar disse que te viu no armazém!
- O que tem isso, Sílvio?
Fui até o armazém comprar arroz e um pouco de batata para o jantar, que estavam faltando.
Não fui a nenhum outro lugar...
- Quantas vezes vou ter que dizer que quem faz as despesas desta casa sou eu?
- Eu não percebi que o arroz e a batata tinham terminado!
Só percebi, na hora do almoço, quando fui cozinhar...
- Você não faz nada o dia inteiro!
O mínimo que pode fazer é olhar a dispensa e me avisar do que está faltando!
Sabe que nunca deixei faltar comida nesta casa!
Não quero saber que você saiu outra vez!
Conheço você muito bem, sei o que vai fazer na rua!
- Isso não é justo!
Sabe que sou uma boa esposa e que vivo somente para vocês e para esta casa.
Você não sabe o que está dizendo Sílvio...
Telma ouvia os gritos do pai e o choro da mãe, e esse era o que mais a irritava.
Nervosa, pensava:
Por que ela sempre chora?
Por não reage?
Preciso ter muito dinheiro para poder tirar ela e as crianças desta casa e desse homem!
Vou conseguir! Sei que vou!
Logo depois, viu que seu pai ia para o quarto e que, provavelmente, dormiria em poucos minutos.
Foi sempre assim, depois de gritar muito, bater na mesa e nas paredes, ele se acalmava e ia dormir.
Telma ajeitou a cabeça no travesseiro.
Demorou um pouco, mas, finalmente, adormeceu.
Acordou várias vezes.
Não conseguia esquecer a proposta de Plínio...
Se me casar com ele, poderei sair desta casa e levar minha mãe.
Essa vai ser a solução para as nossas vidas.
Ele é bom e me ama realmente.
Pela manhã, quando acordou, já tinha tomado sua decisão:
vou aceitar e namorar com ele, sei que vou ter que esperar até os dezoito anos para poder me casar, mas isso não tem importância, durante esse tempo vou aprender tudo o que puder.
Vou começar pela dactilografia, depois penso no que vou estudar.
Vou fazer qualquer coisa, mas vou sair desta casa! Levantou-se e foi trabalhar.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 05, 2017 9:11 pm

Sabia que aquele dia seria diferente.
Queria que Plínio chegasse logo, para lhe dar a resposta.
Fazia meia hora que estava trabalhando quando ouviu a campainha.
Rapidamente foi para a sala de Roberto.
- Bom dia, doutor.
- Bom dia, Telma.
Passei pela escola de dactilografia, fica no meu caminho.
Anotei o número do telefone.
Telefone para lá e pegue o endereço certo; depois vá até lá e veja o valor da matrícula e das mensalidades.
Fica aqui perto e poderá ir quando terminar o expediente.
Sei que se dará muito bem.
- Obrigada, doutor!
Pode ter a certeza que não vai se arrepender!
- Sei disso. É por isso que lhe dou a oportunidade - falou sorrindo.
O telefone particular dele tocou.
Telma percebeu que estava na hora de sair.
Pediu licença e voltou para sua sala.
Roberto atendeu ao telefone.
Era Magalhães que, além de ser detective, era também seu amigo de muito tempo:
- Tenho boas notícias, Roberto.
Sua desconfiança está confirmada - Magalhães disse, parecendo animado.
- Tem certeza, Magalhães?
- Tenho, investiguei e é verdade.
- Onde ela vive e com quem?
- Vive perto daqui e tem três filhos.
Pretende ir até lá?
- Por enquanto não, preciso de mais algum tempo para saber o que fazer e dizer.
Procure saber mais e obrigado, nem preciso dizer como estou aliviado.
- Sei disso, mas o que pretende fazer?
- Nada, por enquanto, Magalhães.
Preciso pensar.
- Certo, espero sua decisão.
Bem, agora preciso desligar.
Tenho muito trabalho.
- Está bem, Magalhães, também preciso trabalhar.
Não se esqueça de me telefonar assim que tiver mais informações.
- Claro que não esqueço Roberto!
Fique calmo, que agora está bem perto de você descobrir tudo.
Desligou o telefone. Roberto, com o olhar parado, pensava...
Sinto que agora falta pouco para eu saber de tudo.
Faz tanto tempo que espero essa notícia...
Em sua sala, pelo telefone, Telma pegou o endereço da escola de dactilografia.
Ficou sabendo que, se efectuasse a matrícula, poderia começar naquele mesmo dia.
Voltou à sala de Roberto e lhe mostrou o papel.
Ele lhe deu um cheque com o valor da matrícula, dizendo:
- Hoje, quando sair daqui, vá até a escola, faça a matrícula e comece.
Sei que aprenderá rápido.
Telma, com o cheque na mão, saiu radiante.
Já em sua sala, pensava radiante...
Na hora do almoço vou mostrar para minha mãe e, quando terminar o expediente, vou até a escola e aí poderei começar as aulas.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 05, 2017 9:11 pm

Foi o que fez.
Sara ficou contente ao saber que sua filha estava usando seu tempo para estudar.
- Estou feliz por você, mas não sei qual vai ser a reacção do seu pai.
Sabe como ele é em relação a você ficar até tarde fora de casa.
- Sei mamãe, mas ele tem que entender que só vou estudar.
Não vou ficar andando por aí.
Por que ele só pensa maldade?
- Ele foi sempre assim, nunca confiou em ninguém.
Mas vou conversar com ele, quem sabe não se importe.
- Acho melhor eu mesma falar.
Vou falar com jeito.
- Se achar melhor, tudo bem, mas tome cuidado com a maneira como vai falar.
Antes de voltar para o escritório, passe na marcenaria e fale com ele.
Sabe que, há esta hora, ele ainda não começou a beber.
- Vou fazer isso.
Agora preciso comer, estou morrendo de fome.
Comeu rápido e foi para a marcenaria onde seu pai trabalhava.
Ficava no caminho para o escritório.
Sempre, para não passar por lá, ela dava uma volta enorme, mas naquele dia ela precisava ir.
Ele estava junto a uma máquina, cortando uma tábua em vários pedaços iguais.
O barulho era imenso e havia muita poeira no ar.
Ela, se aproximando, tocou em seu ombro para que a visse:
- O que está fazendo aqui, Telma? - perguntou, desligando a máquina.
- Preciso falar com o senhor.
- Falar o quê?!
Ela contou da escola de dactilografia, mas inventou que, no escritório, todos os empregados eram obrigados a fazer.
Só que precisava ser depois do expediente.
O pai ficou pensando por um tempo, depois disse:
- Não gosto que você fique na rua até tarde da noite.
- Sei disso, papai, por isso estou aqui.
Aprender dactilografia vai ser muito bom para o meu futuro.
Não posso perder essa chance.
O senhor nunca vai ter dinheiro para pagar.
Prometo que, assim que terminar a aula, eu volto bem depressa para casa.
E aqui perto, vou estudar até às oito horas da noite e, no máximo, as oito e dez vou estar em casa.
Não precisa se preocupar...
- Está bem, mas se chegar um minuto depois disso, não vai mais! - disse, coçando a barba.
- Não vou chegar papai, e obrigada!
Abraçou e beijou seu rosto.
- Pare com isso, menina!
Sabe que não gosto que me beije! - disse furioso.
Ela se afastou.
Não entendia por que ele era daquela maneira, mas, naquele momento, não se importou.
Foi correndo para o escritório.
Sabia que Plínio chegaria depois do almoço e queria contar a ele da sua decisão.
Realmente ele chegou e foi falar com ela:
- Então, como vai a minha princesa? - falou com a voz maliciosa.
- Estou bem.
- Já tem uma resposta?
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 05, 2017 9:11 pm

- Sim, aceito namorar com você, desde que, realmente, desmanche seu noivado.
- Eu sabia que você aceitaria, já tinha percebido nos seus olhares, sabia que também estava interessada.
Por isso, ontem à noite eu conversei com a Luísa e terminamos o noivado.
- Você fez isso?
- Claro que fiz, estou te amando de verdade...
- Não sabe como estou feliz!
- Agora que estamos namorando, você já pode me dar um beijo?
Ela estava sentada atrás da mesa.
Ele começou a andar em sua direcção.
A campainha tocou.
Ela se assustou:
- Seu tio está me chamando, preciso ir agora.
- Está bem, mas hoje à tarde estarei te esperando na lanchonete.
- Eu vou, mas não pode ser por muito tempo, preciso ir até a escola de dactilografia - falou rápido, enquanto se encaminhava para a porta.
- Estarei lá te esperando e poderemos conversar.
Ela saiu rápida e entrou na sala de Roberto.
Ele lhe pediu um documento, que ela logo encontrou e lhe entregou.
Quando voltou à sua sala, sentou-se e ficou pensando em como seria sua aula de dactilografia.
Vou me esforçar para aprender depressa.
Sei que sou inteligente.
Depois que aprender dactilografia, vou conversar com o Doutor e, quem sabe, ele consegue me arrumar uma vaga no ginásio ou, ao menos, para fazer um curso de admissão.
Minha vida vai mudar e sinto que logo poderei tirar minha mãe e as crianças daquela casa e ir para longe daquele homem, que odeio!
Finalmente o dia de trabalho terminou.
Ela estava ansiosa e, feliz, foi correndo para a lanchonete.
Plínio já estava ali, sentado.
Ao vê-lo, ela sorriu e sentou-se a seu lado, na cadeira que ele lhe apontou.
- Ainda bem que chegou Telma.
Já faz um bom tempo que estou te esperando.
- Desculpe, mas, na hora em que estava saindo, o doutor me chamou e me atrasei um pouco.
O pior é que não posso ficar muito tempo.
Está na hora de eu ir para a escola.
Você sabe que hoje é o meu primeiro dia.
- Sei, sim, e estou muito orgulhoso de você.
Mas temos tempo para conversar um pouco.
Não pode imaginar o quanto tenho pensado em você e como estou apaixonado.
- Está falando a verdade?
- Claro que sim!
Você é linda, e muito especial.
Quero passar o resto da minha vida ao seu lado.
- Também te amo e sei que vamos ser felizes, mas agora preciso ir, Plínio.
- Espere, vou te acompanhar até a porta da escola e, se quiser, posso te esperar quando sair.
- Você faria isso?
- Se quiser, eu espero.
Assim poderemos conversar mais um pouco.
- Está bem, Plínio.
A aula demora só uma hora.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 05, 2017 9:11 pm

- Entre e estarei te esperando.
Enquanto você fica na escola, vou até em casa, mas estarei aqui quando sair.
Ela entrou na escola.
Seu coração batia feliz.
Enquanto entrava, pensava:
Ele é maravilhoso e, quando eu tiver idade, vamos nos casar e seremos felizes para sempre.
Assistiu à aula.
No princípio gostou, mas, depois de bater à máquina várias vezes a mesma sequência, começou a se cansar.
Queria que a aula terminasse logo, para poder se encontrar com Plínio.
Finalmente terminou e ela saiu correndo na esperança de encontrá-lo.
Ele estava ali com um sorriso que, para ela, era encantador.
Assim que ela se aproximou, ele disse meigo:
- Não via a hora em que saísse.
Como foi a aula?
- No princípio foi boa, mas tive que praticar uma sequência que é um pouco cansativa para os dedos.
- Sei que é.
Também fiz isso, mas logo você estará escrevendo muito bem.
Agora, vamos?
- Não posso ficar muito tempo.
Meu pai já deve estar olhando o relógio.
Ele é muito exigente quanto ao horário.
- Assim vai ficar difícil nos encontrarmos.
Precisa encontrar uma maneira de termos mais tempo para nós.
Quero muito ficar sozinho com você, para poder te beijar toda.
- Vou pensar nisso - disse sentindo o sangue subir ardendo ao seu rosto.
Ele percebeu e sorriu enquanto dizia:
- Não precisa ficar nervosa.
Eu querer te beijar significa que gosto muito de você e que quero ficar ao seu lado, e te beijando, para o resto da minha vida.
- Sei disso, mas nunca fui beijada por ninguém.
- Sempre tem a primeira vez e sei que, quando isso acontecer, vai querer ser beijada a todo instante.
Só não faço isso aqui, porque há muitas pessoas passando e não quero te constranger, mas sei que não faltará oportunidade.
Ela continuou calada, sem saber o que falar.
Sabia que estava vermelha e fazia força para poder voltar ao normal.
Ele, com a mão, segurou em seu queixo e fez com que levantasse a cabeça.
Os olhos se encontraram e ele a beijou suavemente nos lábios.
Ela sentiu o corpo estremecer, pois nunca havia sido beijada.
Ele percebeu e, aproveitando aquele momento, disse:
- Não precisa ficar envergonhada.
Esta foi somente uma amostra, mas, um dia desses, você poderá não ir à aula e poderemos ficar uma hora inteira sozinhos.
Sei que não se arrependerá.
Verá que esse beijo foi só o começo de um grande amor.
Sentirá, ao meu lado, sensações que nunca imaginou.
- Estou sentindo que é isso que vai acontecer, mas não posso deixar de ir à aula.
Preciso aprender logo para poder usar no escritório.
- Está bem, não insistirei.
Você fará só o que tiver vontade e quiser.
Só precisa saber que te amo muito.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 05, 2017 9:11 pm

- Estou acreditando em você, mas agora preciso ir embora.
Não posso chegar tarde.
Ele beijou-a novamente, só que, desta vez, foi no rosto.
Ela saiu rapidamente dali, pois sentia que, se ficasse mais um pouco, iria para onde ele quisesse.
Amava aquele homem com todo o seu coração.
Mesmo querendo ficar ao lado dele, Telma saiu correndo.
Estava atrasada e sabia que seu pai já devia estar olhando para o relógio.
A escola é muito importante para mim, não quero que ele encontre um motivo para me proibir de ir.
Tomara que ele, hoje, não esteja brigando.
Quero conversar com minha mãe e, se ele estiver brigando, isso vai ser impossível.
Não vejo a hora de me casar com Plínio e poder sair daquela casa para sempre.
Como minha mãe teve a coragem de se casar com um homem como ele?
Não entendo... E acho que nunca vou entender.
Chegou ao portão da casa e já podia ouvir os gritos de seu pai.
Ela entrou correndo, sabia que tanto a mãe como os irmãos deviam estar chorando.
Seu pai sempre gritava muito, batia na mãe, mas nunca nela ou nas crianças.
Mesmo assim, ela tinha muito medo dele.
Entrou em casa e, como havia previsto, sua mãe estava sentada em uma cadeira, e seu pai a chacoalhava de um lado para o outro e batia em seu rosto.
As crianças, como sempre, estavam sentadas abraçadas, encolhidas em um canto da sala, e choravam muito.
Telma se aproximou, segurou um dos braços do pai e disse, gritando:
- Que está acontecendo?
Por que o senhor faz isso?
Ele largou o cabelo de Sara, voltou-se para Telma e, também gritando, disse:
- Quem é você para me falar assim?
É outra vagabunda, assim coma sua mãe!
Vá para o quarto se não quiser apanhar também!
- O senhor não está vendo como as crianças estão assustadas?
Não vê que faz a gente sofrer? Pare com isso!
A mamãe faz tudo nesta casa e sempre esteve ao seu lado, mesmo sofrendo tanto!
O que quer mais que ela faça?
- Cale a boca, menina!
Você não sabe da reza nem um pouquinho!
Já te disse:
vá para o quarto e leve as crianças junto!
Se me irritar ainda mais, vai sobrar pra todos!
Telma olhou para Sara que, assustada e com olhar suplicante, pedia que ela fizesse o que o pai pedia.
Telma conhecia seu pai o suficiente para saber que ele faria o que falava e, antes que ele se voltasse contra ela e as crianças, pegou os irmãos pela mão e levou-os para o quarto.
Seu pai continuou brigando e batendo na mãe.
As crianças choravam muito.
Embora estivessem acostumados com aquela cena, pois isso acontecia desde há muito tempo, elas não podiam deixar de, cada vez, assustar-se e chorar.
Embora também chorasse, Telma os acomodou na cama de baixo do beliche, onde dormiam apertados, e sentou-se ao lado deles dizendo:
- Agora vocês vão tentar dormir.
Vocês sabem que é assim mesmo.
Logo ele vai deitar e tudo vai ficar bem.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 05, 2017 9:12 pm

- Não vai, não, Telma!
Ele vai bater mais nela e nunca vai parar.
Eu tenho muita raiva dele! - Sueli disse, chorando.
- Infelizmente, acho que você tem razão, mas agora tente dormir.
Marquinhos, o menor, agarrado ao pescoço de Telma, chorando e tremendo muito, recusava-se a ficar na cama.
Ela, abraçada ao irmão, balançava-o, tentando acalmá-lo:
- Não fique assim, Marquinhos.
Logo ele vai parar e vai dormir.
Não adianta chorar, também tenho uma coisa para contar a vocês.
Estou namorando um moço muito rico, vou me casar e ele vai tirar todos nós desta casa.
A gente vai morar em uma casa muito grande e bonita, longe do papai e das brigas.
- Está falando a verdade, Telma?
- Estou sim, Sueli.
Ele é muito bonito e me ama muito.
Por isso, vocês podem dormir.
Sei que, assim que papai for dormir, a mamãe vem até aqui para dar boa noite.
Os gritos na sala continuavam e Marquinhos também não parava de chorar.
Telma o embalou até que adormeceu.
Sueli, deitada, também chorava.
Felizmente, os gritos pararam.
Telma percebeu quando seu pai foi para o quarto e pensou:
Por hoje terminou.
Será que eles não percebem o mal que estão fazendo para nós?
Essas crianças não podem continuar vivendo desse jeito nesta casa.
Vou conversar com o Plínio e ver se ele pode tirar a gente daqui agora.
Sei que vai fazer isso.
Sara entrou no quarto.
Telma viu uma imensa mancha vermelha em seu rosto e disse:
- Seu rosto vai ficar todo roxo, mamãe.
Como pode aguentar isso?
Esse homem é um monstro.
As crianças demoraram muito para dormir.
Isso não pode continuar assim!
- O que quer que eu faça?
Não vê que não temos para onde ir?
Não temos dinheiro!
- Vou dar um jeito nessa situação.
Vou embora desta casa levando as crianças.
Se a senhora não quiser ir, pode ficar, mas nem eu e nem eles vamos continuar neste sofrimento.
- Que está falando?
Você, assim como eu, não pode fazer nada!
É ainda uma criança, não tem como se sustentar, muito menos aos seus irmãos e, ainda, pela lei, não pode se responsabilizar nem por você mesma, que dirá por eles!
Tente dormir.
Um dia ele vai se dar conta de todo mal que faz para a gente, vai se arrepender e voltar a ser o homem que era.
Não entendo por que ele mudou tanto.
Quando nos casamos, ele era carinhoso e ficou feliz quando você e Sueli nasceram.
Começou a mudar quando lhe disse que estava grávida mais uma vez e, mesmo eu estando grávida do Marquinhos, passou a me tratar muito mal.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 05, 2017 9:12 pm

Com o passar do tempo, transformou-se nesse monstro.
Até hoje não sei o que aconteceu para que ele mudasse tanto!
- Como pôde continuar ao lado dele?
Por que não o largou, mamãe?
- Já te disse muitas vezes que não posso fazer isso.
Vocês ainda são pequenos e precisam ser alimentados.
Não tenho uma profissão.
Mesmo que fosse trabalhar como empregada doméstica, que é a única coisa que sei fazer, não teria como dar casa e comida pra vocês.
- Mas agora eu estou trabalhando, mamãe.
Com o meu dinheiro a gente pode deixar ele aqui nesta casa!
- Não se iluda minha filha.
O que recebe de salário não é nada, não dá nem pra suas próprias despesas.
Não temos como viver sem seu pai.
Continue estudando.
Já começou com a dactilografia e logo poderá ir pro ginásio.
Depois, estudará mais e se tornará uma profissional.
Aí sim, poderá ser dona da sua vida e, quem sabe, ajudar a gente!
- O que me dá mais raiva, na senhora, é esse conformismo.
A senhora também não percebe o mal que está fazendo pra gente aceitando uma situação como essa.
Por isso vou estudar e ter a minha profissão, para, quando me casar, não depender de um homem pra me sustentar e nem aos meus filhos.
Estou namorando o Plínio.
Já falei dele pra a senhora.
Ele é muito rico e vai tirar a gente das garras desse monstro.
- Não se iluda minha filha.
Ele nunca vai se casar com você.
Ele pertence a outro mundo.
Estou feliz por ver que você está trabalhando e tem vontade de estudar.
Sinto que a sua vida será diferente da minha, mas só com o seu estudo poderá conseguir isso, nunca através de um homem.
Agora vá dormir.
Amanhã será outro dia e tudo vai se ajeitar.
Dizendo isso, a mãe beijou-a na testa e saiu do quarto.
Telma ficou olhando ela sair e, inconformada com aquela situação e entendendo que em muitas coisas a mãe tinha razão, pensou, chorando:
Ela tem razão.
Por enquanto não podemos fazer nada...
Mas, assim que eu me casar, vamos embora desta casa e deixar esse monstro!
Não vejo a hora que chegue amanhã, para eu poder conversar com o Plínio e ver se ele me ajuda...
Agora vou dormir.
No dia seguinte, assim que Plínio chegou, foi até a sala de Telma.
Ela estava distraída separando alguns documentos.
Ele se aproximou, perguntando:
- Então, minha princesa, pensou muito em mim?
Ela levantou a cabeça e olhou para ele.
Novamente seu coração bateu forte.
Sorriu e respondeu:
- Sim... E quero muito falar com você sobre...
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 05, 2017 9:12 pm

- Que bom, espero que seja sobre o que estou pensando, mas não podemos conversar sobre isso aqui.
Estarei te esperando na saída da escola e, lá, conversaremos com mais calma.
Se conversarmos aqui, alguém pode entrar e ouvir e, por enquanto, não quero que ninguém saiba o que está havendo entre nós.
Está bem assim?
- Está sim.
Mas você não quer saber o que é?
- Quero sim, mas não podemos conversar aqui.
À noite estarei te esperando.
Agora preciso voltar para o meu trabalho.
Mas não se esqueça que estarei pensando em você em todos os segundos.
Só não te beijo aqui porque é perigoso, mas, assim que te encontrar a noite, vou te dar um beijo que nunca mais se esquecerá.
Saiu piscando um olho.
Telma ficou calada.
Seu coração batia com mais força ainda e pensou:
Ele é mesmo maravilhoso...
Durante o resto do dia, ela trabalhou, mas não conseguia deixar de pensar nele, em seu sorriso, nem por um minuto.
Assim que terminou o expediente, ela foi para a escola e, embora soubesse que a aula era importante, não via a hora que ela terminasse para poder se encontrar com ele.
Finalmente a aula terminou.
Saiu correndo para ver se ele estava lá.
Ele estava e, assim que a viu saindo, foi ao seu encontro, com o sorriso que ela tanto gostava, dizendo:
- Você está cada vez mais bonita e eu estou ficando cada vez mais apaixonado.
Ela corou e não soube o que responder.
- Vamos até a lanchonete? - ele perguntou, sempre sorrindo.
- Vamos, mas sabe que não posso ficar muito tempo.
Foram até a lanchonete e se sentaram.
Ele pediu dois refrigerantes e, enquanto tomavam, ele falou:
- Diga novamente que aceitou a minha proposta, que não foi em vão eu ter desistido de meu casamento com Luísa!
- Pensei muito e, se você realmente está disposto a esperar que eu complete dezoito anos, vou mesmo namorar com você.
- Que maravilha!
Fiz bem em desistir do meu casamento e vou te esperar fazer dezoito anos!
Não sabe como você me deixa feliz.
Juro que, assim como está me fazendo agora, também vou te fazer a mulher mais feliz deste mundo!
Só não te beijo aqui, na frente de todos, porque ia chamar muita atenção, mas estou feliz mesmo!
- Também estou muito feliz e espero que a gente seja mesmo muito feliz! - mas não teve coragem de dizer a ele que queria que a ajudasse a tirar os irmãos daquela vida horrível que tinham em casa.
Daquele dia em diante e, durante um mês, todas as noites ele a esperava e ficavam alguns minutos na lanchonete.
Em uma dessas noites, ele disse:
- Estou muito feliz de estar namorando com você, mas gostaria que pudéssemos ficar juntos em algum lugar onde não tivesse ninguém nos olhando.
Quero te abraçar muito, e beijar.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 05, 2017 9:12 pm

- Não podemos fazer isso, sabe que tenho horário para chegar em casa e, se não chegar, nem sei o que pode acontecer.
Já te contei como meu pai é nervoso.
- Já disse sim, mas só um diazinho você podia faltar à aula e, assim, podíamos ir para um lugar que, sei, vai te agradar muito.
- Não posso fazer isso!
Preciso aprender bem depressa a escrever à máquina.
- Um dia só que faltar à aula não vai fazer diferença.
Já conhece as sequências todas e sabe que só precisa treinar os dedos.
- Não sei, tenho medo que meu pai descubra...
E, também, de ficar sozinha com você...
- Medo, mas por quê?
Seu pai não vai descobrir e não farei nada que te faça mal.
Só quero ficar sozinho com você, para poder te abraçar e beijar, só isso...
- É só isso, mesmo?
- Claro que é!
Vou me casar com você e nada faria para te faltar com respeito.
Eu te amo muito. Já provei isso!
Não disse que abandonei minha noiva por você?
- Disse, mas...
- Mas o quê?
Que quer que eu faça mais para te provar o quanto te amo?
Só que o amor pede que haja um pouco mais de intimidade.
Nada que vá te prejudicar.
Precisa confiar em mim, e se me ama, de verdade, precisa confiar...
- Está bem, vou pensar. Mas...
- Não tem, mas...
Como vou me casar com você se não acredita sequer que te amo? - ele disse muito nervoso.
- Está bem, vou provar que gosto mesmo de você.
Amanhã vou faltar na aula e a gente vai para esse lugar que você falou.
- Essa é a minha menina!
Quero que acredite, te amo muito e garanto que não vai se arrepender.
Ela não respondeu e conversaram mais um pouco.
Em seguida, ela foi embora.
No caminho para casa, os pensamentos martelavam em sua cabeça...
Não sei o que fazer.
Sinto muita vontade de ficar com ele, já imaginei tantas vezes como me sentiria sendo beijada e abraçada por ele, mas tenho medo.
Mas, por outro lado, se eu não for, ele pode pensar que não confio nele e eu confio!
Ele nunca me faria mal.
Não sei o que fazer!
Não posso contar para minha mãe o que ele propôs, ela não vai entender e vai dizer uma porção de coisas, como disse do doutor.
Acho que vou só uma vez...
Para ver o que acontece.
Sei que ele me ama e vai me tirar daquela casa...
Entrou em casa.
Seu pai estava sentado em uma cadeira lendo um jornal.
Ela passou por ele, calada.
Jantou rapidamente e foi para o quarto.
Queria dormir e, também, que aquela noite passasse depressa.
No dia seguinte, assim que Plínio chegou, como fazia todos os dias, foi para a sala de Telma.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 06, 2017 9:00 pm

- Então, minha princesa, decidiu ir ao lugar que te falei?
- Pensei bastante, confio em você e resolvi ir.
- Óptimo! Assim que terminar o expediente, vou te esperar lá na lanchonete.
Garanto que não vai se arrepender.
Ela sorriu e ele saiu da sala.
Assim que o expediente terminou, ela saiu e foi para a lanchonete.
Ele estava esperando por ela e correu ao seu encontro, dizendo:
- Vamos para meu carro.
Estou ansioso para ficar sozinho com você e sabe que não podemos demorar muito.
- Para onde vai me levar, Plínio?
- Para o apartamento de um amigo.
Fica em outro bairro.
Mas não se preocupe, na hora certa estaremos de volta e aqui, neste mesmo lugar, prometo!
Foram e, assim que entrou no apartamento, Telma se deslumbrou.
Não era um apartamento de alto luxo, mas para ela, que morava em uma casa simples, num bairro comercial, o lugar pareceu luxuoso e riquíssimo.
Plínio, assim que abriu a porta, beijou-a com paixão.
Ela, a princípio tentou resistir, mas não conseguiu, pois também ansiava por aquele beijo.
Com carinho, ele a envolvia cada vez mais.
Ela, sem experiência e confiando plenamente nele, entregou-se ao seu amor.
Ficaram ali até que ele disse:
- Já está na hora.
Agora precisamos ir, sabe que não pode se atrasar.
Você foi maravilhosa e eu te amo muito.
- Sei que não deveria ter feito isso, mas não me arrependo, porque te amo.
- Não precisa se arrepender, também te amo.
Agora vamos.
Saíram e, na mesma hora de todos os dias, Telma chegou em casa.
Sara percebeu que ela estava diferente, mas, como o pai estava nervoso e andando de um lado para outro, temendo que ele fosse brigar com ela, achou melhor fazer com que Telma jantasse e fosse para o quarto.
Telma foi e, já em sua cama, ficou relembrando os momentos de amor que passou ao lado de Plínio e desejando que outros dias como aquele se repetissem.
Estava feliz.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 06, 2017 9:01 pm

DESMASCARANDO
Aquela foi à primeira de muitas outras vezes.
Depois daquela noite, Telma faltava à aula duas ou três vezes por semana.
Plínio continuava carinhoso e amoroso com ela.
Por muitas vezes, ela quis contar para a mãe o que estava acontecendo, mas não fazia isso por que, no íntimo, achava que era errado se encontrar com Plínio e ter-se entregado a ele.
Quando tinha esses pensamentos, reagia:
Não é errado, ele me ama e eu também o amo com todo meu coração.
Não vou contar agora, mas, quando ele for a minha casa e me pedir em casamento, ela vai ficar muito feliz.
Ainda mais por saber que ele é muito rico e vai tirar a gente daquela casa.
O que Telma não sabia era que faltava um mês para o casamento de Plínio e que ele enganava a ela e à noiva.
Continuava do encontrando com Telma, que sequer desconfiava ser mentira ele ter rompido o noivado com Luísa.
Naquela noite, enquanto estavam juntos no apartamento, ela disse:
- Plínio, preciso contar para minha mãe o que está acontecendo.
- Por que quer fazer isso? - perguntou, disfarçando seu nervosismo.
- Ela sabe que estamos namorando, mas não que estamos vindo aqui neste apartamento e nem tudo que aconteceu entre nós.
Além do mais, se souber, vai poder ajudar os nossos encontros.
Com ela do nosso lado, meu pai jamais vai descobrir.
- Vamos esperar mais um pouco.
Ela não entenderia e precipitaria as coisas.
Sabe que, enquanto eu não terminar a faculdade, não posso assumir um compromisso.
- Mas você ia se casar no mês que vem...
- Ia, mas, quando rompi com Luísa, conversei com meu tio e ele me convenceu que seria melhor eu me formar antes de pensar novamente em me casar.
- Acho que ele está certo.
Também sou muito nova e não posso me casar agora.
- Isso mesmo.
Por enquanto vamos continuar assim como estamos.
Quando chegar a hora, vou até sua casa e converso com seus pais.
Por agora, venha para mais perto e me dê um beijo.
Ela se aproximou e ele a beijou demoradamente.
Depois foram embora.
Naquela noite, iludida, ela dormiu feliz.
Na manhã seguinte foi acordada por Sara:
- Acorde Telma.
Está na hora.
Seu pai já saiu e vou preparar o seu café.
- Já estou acordada, mamãe.
Sara saiu do quarto e ela ficou pensando:
que bom que amanheceu.
Não vejo a hora de ir para o escritório.
Ainda bem que aquele monstro já foi para o trabalho.
Não suportaria ter que encontrá-lo logo pela manhã, mas logo tudo isso vai terminar e nunca mais vou precisar ver ele!
Só preciso esperar o Plínio se formar e isso não deve demorar muito...
Levantou-se, tomou o café e foi para o escritório.
Enquanto caminhava, pensava: é uma pena que o Plínio só venha à tarde.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 06, 2017 9:01 pm

Não vejo a hora de me encontrar com ele...
Chegou ao escritório e começou a trabalhar.
Não tinha nada específico, por isso, enquanto Roberto não chegava, treinava na máquina de escrever.
Estava ficando cada vez mais rápida.
Mesmo faltando às aulas para se encontrar com Plínio, era esforçada e aproveitava bem o que havia aprendido na escola.
A manhã passou sem muitas novidades.
Atendeu a alguns telefonemas, anotou os recados e treinou bastante.
Depois do almoço, Roberto chegou e ela foi até a sua sala para lhe passar os recados.
Assim que entrou, ele, sorrindo, perguntou:
- Então, Telma, como está à escola?
- Estou adorando, doutor.
- Está gostando mesmo?
- Estou e falta pouco tempo para eu receber o diploma.
- Isso é muito bom, mas não achou cansativo ter que repetir várias vezes aquelas sequências?
Quando aprendi, achei cansativo.
- É um pouco, mas sei que só repetindo muitas vezes vou treinar meus dedos e aprender.
- Está mesmo animada!
- Muito, doutor.
Preciso aprender bem depressa.
- Por que tanta pressa?
- Quero aprender para poder fazer outros trabalhos aqui no escritório.
- Está bem, gosto da sua disposição em aprender.
Espero que nada desvie sua atenção.
Você tem um futuro brilhante aqui no escritório e tudo que aprender servirá muito para sua vida.
- Sei disso e só posso agradecer mais uma vez, doutor.
- Não tem o que agradecer.
Apenas se esforce e não se arrependerá.
Agora pode voltar para sua sala e me traga esses documentos.
- Está bem, doutor.
Com licença - Telma disse, pegando o papel que ele tinha nas mãos.
Foi para sua sala.
Dez minutos depois, Plínio apareceu na porta e disse:
- Boa tarde, princesa.
Está tudo bem com você?
- Boa tarde!
Está sim, Plínio, e com você?
- Estou muito bem e louco de saudades.
Depois falo com você - disse baixinho e, jogando um beijo com a ponta dos dedos, saiu.
Ela sorriu e retribuiu...
Ele é mesmo maravilhoso.
Ainda bem que vou me casar porque gosto muito dele, mas, mesmo que não gostasse me casaria de qualquer maneira.
Preciso sair daquela casa.
Saindo dali, Plínio entrou na sala de Roberto, com um sorriso, e disse:
- Boa tarde, titio.
Aqui estou pronto para receber suas ordens.
Tem algum trabalho que quer que eu faça?
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 06, 2017 9:01 pm

- Tenho, sim, Plínio, mas antes precisamos conversar. Sente-se.
Plínio estranhou, pois seu tio não costumava ser tão sério com ele e nunca lhe pedia que sentasse para conversar.
Sempre lhe dava o trabalho que queria que fizesse e só isso.
Conversavam em casa, nunca ali.
Sentou-se.
Roberto olhou sério para ele e perguntou:
- Como estão os preparativos para o seu casamento?
- Está quase tudo pronto.
A reforma da casa está terminando, e Luísa já escolheu os móveis.
Até a data já está marcada, e o resto está tudo em ordem.
- Parece que você gosta muito da Luísa, não é?
- Gosto, sim, ela é tudo o que sempre desejei na minha vida.
- Fico feliz em saber isso.
Só estou com uma dúvida...
- Que dúvida?
- Se gosta tanto dela e se deseja mesmo se casar, por que está enganando a Telma?
- Não sei do que o senhor está falando!
Ela lhe disse alguma coisa?
- Sabe muito bem do que estou falando e confesso que estou desiludido com você.
- Não estou entendendo!
O senhor está enganado.
Nunca me aproximei dela!
Quando vim trabalhar aqui, o senhor deixou bem claro que não era para me envolver com nenhuma das funcionárias, e foi o que sempre fiz.
Já tive muitas tentações, mas respeito muito o senhor e gosto muito da Luísa.
Alguém deve ter inventado mentiras a meu respeito.
Quem foi titio?
- Ninguém inventou algo a seu respeito.
Ontem à noite, fiquei aqui até mais tarde e, quando estava indo embora, passei em frente à escola de dactilografia e vi quando Telma entrou em seu carro e saíram.
Não fiz de propósito, pois jamais poderia imaginar que você estaria lá.
Só que a escola fica na rua principal, por isso passei por lá.
Que tem a dizer?
Plínio ficou desconsertado.
Nunca imaginou que alguém o veria, muito menos o tio.
Gaguejando, disse:
- Desculpe titio, mas desde o primeiro dia em que ela veio trabalhar aqui, não me deu sossego.
Por muitas vezes disse que queria sair comigo, o senhor sabe como é, sou homem e não resisti.
Ela é uma garota muito bonita.
Ontem eu fui até a escola só para dizer que não queria nada com ela, que gostava muito da minha noiva e que ia me casar.
Pedi também que ela parasse de me importunar.
- Por ser homem, conheço muito bem quando outro está mentindo.
Essa menina é ingénua e tem muita vontade de estudar e ser alguém na vida.
Aqui ela tem todas as chances para que isso aconteça.
Não posso permitir que alguém como você, sem escrúpulos, a prejudique.
Só não mando você embora, porque prometi a seu pai, quando ele morreu, que cuidaria da sua educação.
Por isso, você vai sair agora daqui e vai trabalhar na nossa filial que fica do outro lado da cidade.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 06, 2017 9:01 pm

Disse que gosta de Luísa, que também é uma boa moça.
Então, case-se e seja feliz, mas não quero mais ver você, nunca, por aqui ou perto daqui.
E, se isso acontecer, não vou querer vê-lo nunca mais, em lugar nenhum!
E meu irmão que me perdoe, mas se você não fizer isso, deixo de ajudá-lo.
Terá que sair da minha casa e viver a sua vida da maneira como quiser!
- Não tive culpa, titio, foi ela...
- Não diga mais mentiras, senão vou me arrepender e dispensar você agora mesmo.
E não precisa continuar contando com minha ajuda, pois não a terá!
Saia daqui e não converse com ninguém.
Depois eu arrumo uma desculpa para o seu desaparecimento.
Não se atreva a falar com Telma!
Saia! - Roberto gritou furioso.
Plínio percebeu que não tinha mais argumentos.
Levantou-se e, calado, saiu da sala.
Telma viu quando ele saiu e estranhou ele ter passado por sua sala sem ao menos olhar.
Preocupada, pensou:
Que será que aconteceu?
Ele parece que está muito nervoso ou deve ter que fazer algum trabalho urgente para o doutor.
Vou esperar, sei que logo mais vai vir até aqui.
Depois de alguns minutos, ela ouviu a campainha.
Sabia que precisava ir até a sala de Roberto.
Pegou os documentos que ele pediu e entrou.
- Trouxe os documentos que pedi?
- Está aqui, doutor.
- Está bem, deixe sobre a mesa e pode ir.
Ela saiu preocupada:
Que será que aconteceu?
Nunca vi o doutor nervoso assim.
Qual será o problema?
Voltou para sua sala e tentou trabalhar, mas estava difícil, pois olhava a todo instante para a porta, na esperança de ver Plínio voltar.
Ficou preocupada...
O expediente está terminando e ele não voltou.
Deve ter acontecido algo muito grave.
Quando ele saiu da sala do doutor estava nervoso e o doutor também não estava muito bem.
Como vou saber?
Bem, preciso ir embora, está quase na hora da minha aula.
Com certeza ele vai me esperar na saída da escola e vai me contar tudo que aconteceu.
Saiu e foi para a escola, só que não conseguia se concentrar.
Bateu as sequências por várias vezes e errou várias.
Não conseguia parar de se preocupar...
Preciso saber o que aconteceu.
Ele deve estar aí fora me esperando.
Saiu olhando para todos os lados, na esperança de que Plínio estivesse ali, mas, para sua tristeza, ele não estava em lugar algum.
Foi para casa e, assim que entrou, Sara percebeu que ela não estava bem:
- Que aconteceu, Telma?
Parece que esteve chorando.
Antes de responder, ela olhou para o quarto de sua mãe e perguntou:
- Ele não está?
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 74981
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Página 2 de 9 Anterior  1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9  Seguinte

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum