NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 08, 2017 7:54 pm

- Não sei, mas a Marieta disse que parece que ele está com pneumonia.
Disseram que eu, se quisesse, poderia ficar esperando aqui nesta sala, e é isso que estamos fazendo.
- Fique calma, titia, tudo vai ficar bem, ele é um homem saudável.
Como vai, Marieta?
- Estava bem, Plínio, até isso acontecer com o doutor.
- Como aconteceu, Marieta?
Ela contou o que havia acontecido.
Quando terminou de falar, Plínio disse:
- Só podemos esperar pelo Jonas, ainda bem que ele trabalha neste hospital, tia.
Ele é nosso amigo e foi quem sempre cuidou da nossa família.
- Sim, foi uma sorte mesmo, Plínio.
E, tem razão, agora a única coisa que podemos fazer é esperar que ele termine de fazer os exames e venha conversar connosco.
Ficaram ali por mais algum tempo, até que, finalmente, a porta se abriu e um médico apareceu.
Levantaram-se e foram ao seu encontro.
Nadir perguntou, chorando assustada:
- Como ele está Jonas?
- Está com pneumonia e um dos pulmões está muito comprometido.
Foi medicado e agora está bem.
- Com pneumonia?
Ele nunca se queixou de dor ou algo parecido!
- Ele deve ter sentindo algum sintoma, mas, como quase toda a pessoa não deu atenção.
Agora está sendo levado para o quarto e precisamos esperar quarenta e oito horas para ver como reage ao medicamento, e só então poderemos avaliar a sua situação.
Preciso dizer que vai ter de ficar em repouso e afastado do trabalho por um bom tempo.
- Isso não é problema, Jonas...
Não é, Plínio?
Você poderá ir ao escritório e cuidar de tudo, não pode?
- Claro que posso titia, e não se preocupe a Marieta vai me colocar a par da situação do escritório, não é, Marieta?
- Claro, Plínio, pode contar comigo e com todos os funcionários.
- Viu titia, não precisa se preocupar, quando o titio voltar, tudo estará em ordem.
- Sei disso, ele sempre elogiou o seu trabalho à frente do outro escritório.
O difícil, Jonas, vai ser convencê-lo a ficar longe do escritório.
- Sei disso, você sabe muito bem que o conheço há muito tempo.
- Ele logo ficará bom, não é Jonas?
- Ele foi bem medicado, Nadir.
Vamos ver como seu corpo reage a essa medicação.
Olhe, ele está sendo retirado da sala.
Se quiserem, podem acompanhá-lo até ao quarto.
Jonas se retirou, Nadir e Plínio acompanharam Roberto até o quarto, e Marieta se despediu, dizendo:
- Agora preciso ir para o escritório, sei que todos estão ansiosos por notícias.
- Faça isso, Marieta, e diga que podem ficar tranquilos, pois logo o meu tio voltará ao trabalho.
- Vou falar Plínio, e estamos esperando por você...
Telma, como os outros, estava preocupada e esperava ansiosa que Marieta voltasse para saber o que havia acontecido com Roberto e como ele estava.
Marieta chegou e contou o ocorrido.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 08, 2017 7:54 pm

Todos ouviram e rezaram para que o doutor ficasse bem.
No fim do expediente, Telma foi para a escola.
Naquele dia, em especial, não podia faltar, pois teria prova.
Assim que terminou a prova, foi para casa e contou para Sara o que havia acontecido.
Ao terminar, suspirou:
- Ah, ele não pode morrer, mamãe...
É muito bom e trata todos os funcionários com muito respeito, está sempre disposto a ajudar.
Não entendo por que uma coisa como essa acontece com um homem como ele, enquanto outros, que são ruins, continuam saudáveis...
- A gente quase nunca entende o que acontece neste mundo, mas, segundo a Laurinha, aqui não é o nosso lugar.
Ela diz que a nossa verdadeira vida está além...
- Além?! Onde?
- Não sei. Ela diz que quando morremos é que voltamos para nossa casa...
- Tudo isso é bobagem, mamãe!
Se o doutor morrer, vai fazer muita falta para muitas pessoas, e não além... Aqui mesmo!
- Também penso assim, mas só estou te dizendo o que a Laurinha falou.
- Quem podia morrer era o monstro daqui de casa.
Ele, sim, é ruim e não merecia continuar vivo!
- Não fale assim, Telma, apesar de tudo ele é seu pai...
- Não tenho culpa!
Não queria que ele fosse meu pai, preferia que ele é que morresse, e não o doutor!
- A gente não pode escolher quem vai morrer primeiro, nós podemos morrer antes deles...
- Isso não vai acontecer.
E, se acontecesse, seria a maior injustiça deste mundo!
- Tem razão, mas agora coma e depois vá se deitar sabe que amanhã vai ser um custo para você acordar.
- Está certa, mamãe, estou muito cansada.
Mas não tem importância, o sacrifício vai valer à pena...
No dia seguinte, como acontecia desde que começou a estudar, Telma teve dificuldade para acordar, mas, assim que acordou, levantou-se, vestiu-se, tomou um café rápido e saiu correndo.
No caminho, pensava...
Provavelmente o doutor não vem trabalhar, preciso olhar na agenda quais eram seus compromissos para hoje.
Tomara que volte logo...
Chegou ao escritório e, como não poderia deixar de ser, todos comentavam sobre o acontecido.
Ela ficou ao lado dos colegas por algum tempo e depois foi para sua sala, pegou agenda e abriu-a, olhou...
Ainda bem que ele não tem muitos compromissos, só preciso bater um contrato e, depois, esperar que volte, para que assine.
Vou anotar todos os recados e resolver tudo que estiver ao meu alcance...
Estava distraída, batendo o contrato, quando ouviu uma voz que a fez estremecer.
- Bom dia, Telma, está tudo bem com você?
Ela, antes de levantar a cabeça e olhar para ele, tentando disfarçar o que realmente estava sentindo, respirou fundo.
Depois se voltou e olhou bem em seus olhos, respondendo:
- Estou muito bem, Plínio.
Mas o que você está fazendo aqui?
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 08, 2017 7:54 pm

- Meu tio vai ficar um bom tempo longe do escritório e vou ficar em seu lugar até que retorne.
- Como ele está?
- Está com pneumonia, foi medicado e tem de ficar algum tempo em observação.
Como te disse, vou assumir o lugar dele durante esse tempo, mas, para que eu possa assumir, preciso que me coloque em dia com o trabalho.
- Está bem, vou anotar tudo e levar até a sua sala.
- Estarei esperando.
Ele se afastou e ela conseguiu deixar que um longo suspiro saísse de sua garganta.
Furiosa, pensou...
Como ele teve coragem de aparecer assim, como se nada tivesse acontecido?
E eu? Por que estou tremendo dessa maneira?
Ainda bem que na frente daquele canalha eu consegui disfarçar!
Sabia que não podia, mas não conseguia evitar a emoção que estava sentindo e, mesmo sem querer, pensou:
Ele está mais bonito ainda...
Está mais forte e encorpado...
Telma pare com isso! Não seja burra!
Está se esquecendo de todo o mal que ele te fez?
Está se esquecendo de como ele sumiu sem dar explicação alguma?
Foi até o arquivo, escolheu e pegou algumas pastas que sabia conter os assuntos mais urgentes do escritório.
Respirou fundo e foi até a sala de Roberto, onde Plínio se encontrava, bateu na porta e entrou.
- Aqui estão as pastas com os assuntos mais urgentes.
Estou batendo um contrato que o doutor deveria assinar.
Vai assinar por ele?
- Vou sim, pode colocar aí sobre a mesa.
Ela obedeceu e ficou esperando.
Ele olhou para ela e disse:
- Agora pode ir, se precisar, te chamo.
Ela saiu, mas estava com muito ódio:
Ele está me tratando como se eu fosse uma desconhecida!
É mesmo um canalha!
Além de me usar, mentir, enganar e zombar, agora faz de conta que nada aconteceu!
Como pude me deixar enganar por ele?
Continuou tentando bater o contrato, mas errou e teve de recomeçar várias vezes.
Roberto, no hospital, estava despertando.
Com os remédios que tomou, a febre foi baixando.
Nadir, que ficou sempre ao seu lado, assim que percebeu que ele começava a acordar, chamou a enfermeira do andar, que atendeu prontamente, aproximou-se de Roberto, olhou, fez o que era de praxe e saiu para chamar o médico.
Jonas se aproximou, olhou para Roberto, que abria os olhos lentamente, e disse:
- Olá amigão?
Gostou do passeio?
Roberto olhou à sua volta e percebeu que estava em um quarto de hospital.
- Por que estou aqui, Jonas?
Que aconteceu?
Só me lembro de ter passado mal no escritório...
- Estava com muita febre e teve uma convulsão.
Está com pneumonia.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 08, 2017 7:54 pm

Foi medicado e, agora, parece que está tudo bem.
Precisamos fazer alguns exames para ver como está esse pulmão.
Mas isso só acontecerá amanhã.
Por causa dos remédios, ficará um pouco tonto e com muito sono, mas amanhã estará normal e poderá fazer os exames com tranquilidade.
Jonas saiu, Nadir pegou a mão de Roberto e disse emocionada:
- Ainda bem que você acordou, levei um susto imenso.
Se te acontecesse alguma coisa, nem sei o que faria com a minha vida.
- Como isso foi acontecer, Nadir?
Estava bem e comecei a me sentir mal de repente...
- Jonas disse que você deve ter tido algum sintoma, porém, como acontece com quase todas as pessoas, não deu atenção.
Mas agora você já está bem, só precisa se recuperar.
Acho que precisa ficar mais alguns dias no hospital e depois poderá voltar para casa.
Jonas disse que vai precisar repousar até que fique totalmente bom.
- Quanto tempo ele disse que vai demorar?
- Ele não disse.
Mas não importa, será o tempo necessário.
- Como? Não disse?
Preciso sair daqui, o escritório não pode sozinho!
- Não se preocupe com isso, o escritório não está sozinho.
Hoje pela manhã Plínio já foi para lá e cuidará de tudo até sua volta.
- Plínio? Mas ele não pode, precisa cuidar do outro escritório!
- Já disse para não se preocupar, ele deixou alguém no lugar dele.
Você só precisa repousar para ficar bom bem depressa e voltar para casa.
Agora, parece que está com sono, não está conseguindo falar de um jeito normal.
- Acho que tem razão, estou mesmo com muito sono.
- Não ouviu o Jonas dizer que você ia ficar assim?
E que só estará bem amanhã?
Durma que ficarei aqui, ao seu lado.
Roberto ia dizer algo, mas adormeceu e não conseguiu.
No escritório, o dia passou e Plínio não chamou Telma nenhuma vez, o que a deixou muito nervosa.
No final do expediente, ela saiu e foi para a escola.
Plínio ainda continuou no escritório.
Na escola, Telma quase não conseguiu assistir às aulas e foi para casa.
Sara como sempre, esperava por ela.
Assim que Telma entrou em casa, a mãe percebeu que alguma coisa havia acontecido com ela e perguntou:
- Que aconteceu, Telma, parece que está nervosa...
- Não aconteceu nada, mamãe.
Só que o doutor não veio trabalhar e ninguém sabe quando vai voltar.
- Como vai ficar o trabalho no escritório?
- Há muitos funcionários com capacidade que trabalham lá e nada vai mudar.
Estou cansada, mamãe, vou me deitar.
- Vá, sim, minha filha.
Já faz tempo que seu pai está dormindo.
- Ele não brigou hoje, mamãe?
- Graças a Deus, não.
Chegou, jantou e foi directo para cama.
Aliás, já faz dias que não briga...
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 08, 2017 7:55 pm

- Ainda bem, mamãe... Ainda bem...
Telma deu um beijo na mãe e foi para o quarto.
Antes olhou se as crianças já estavam dormindo.
Procurando não fazer barulho, subiu e enfiou-se na cama, pensando:
não vou contar para minha mãe que o Plínio voltou.
Ela pode ficar preocupada...
Também, não vai ser por muito tempo, o doutor logo vai ficar bom e vai voltar.
Só não entendo por que fiquei daquela maneira quando o vi...
Sempre achei que, se o visse novamente, sentiria muita raiva.
Quando ouvi sua voz, senti muita raiva, mas, ao mesmo tempo, meu coração bateu de uma forma violenta.
Ele parece que esqueceu o que aconteceu entre a gente!
Será que esqueceu mesmo?
Como pôde esquecer?
Eu nunca me esqueci...
Apesar de tudo, fui muito feliz enquanto não descobri que ele me enganava...
Bem, agora preciso dormir, amanhã vou ter que acordar muito cedo.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 08, 2017 7:55 pm

REPENSANDO A VIDA
Sete dias se passaram desde a internação de Roberto até ele receber alta do hospital.
Nadir, feliz, levou-o para casa.
Assim que entraram e ela o acomodou, disse sorrindo:
- Agora você está em casa, mas sabe que terá de ficar ao menos um mês se recuperando.
- Sim, Jonas disse isso, mas confesso que vai ser difícil, a minha vontade é voltar hoje mesmo para o escritório.
Estou preocupado, será que tudo está correndo bem por lá?
- Claro que está, não se preocupe.
Você esteve à beira da morte e ainda está preocupado com o escritório?
Não precisa, sabe que o Plínio é competente, afinal, foi você quem o treinou para que no futuro ficasse em seu lugar.
- Você tem razão, como não tivemos um filho homem, e também por termos criado Plínio desde que meu irmão e sua mulher morreram naquele acidente, ele se tornou o nosso filho.
Mas eu bem que gostaria que Flávia também tivesse se interessado por meu trabalho e continuasse com ele quando eu morresse...
Mas você bem sabe que ela nunca quis...
Isso sempre me deixou revoltado.
Sabe o quanto trabalhei para ter o património que temos hoje, Nadir.
- Sei que trabalhou muito e que também esperou muito da Flávia, mas ela não quis aceitar, preferiu seguir o sonho dela.
Será que está certo esperarmos tanto de nossos filhos?
Desejarmos que eles fossem de acordo com aquilo que sonhamos para eles, Roberto?
Será que não é a expectativa que nos faz sofrer?
Antes mesmo de Flávia nascer, e sem saber se seria menino ou menina, nós já havíamos decidido o que aquela criança seria.
Na realidade, o nosso sonho era ter um filho médico.
Quando ela nasceu, ficamos felizes, porque acreditávamos que teríamos uma médica em nossa casa.
Ela seria a realização dos nossos sonhos.
Nós decidimos, e nunca perguntamos a ela se era isso o que queria para sua vida.
Decidimos e pronto, estava decidido.
Nunca prestamos atenção aos sinais que ela nos dava, não querendo estudar e gostando de costurar e bordar.
Sempre dizia que não queria ser médica, mas, sim, uma dona de casa, com muitos filhos.
Quando ela conheceu Mauro, ficamos horrorizados, pois aquele não era o genro que havíamos sonhado, e não aceitamos.
- Como poderíamos aceitar aquele rapaz, sem estudo e que nem sabe falar direito?
Como poderíamos apresentá-lo aos nossos amigos?
- Realmente foi difícil, mas podíamos ter sido mais flexíveis, Roberto.
Brigamos, ameaçamos, mas ela não se deixou intimidar.
E, depois daquela briga horrível, foi embora para nunca mais voltar.
Será que agimos certo, Roberto?
- Foi muito ruim eu ter ficado doente, mas, durante esses dias em que estive internado, sem ter o que fazer, pude pensar muito em toda minha vida.
E, se eu tivesse morrido o que levaria dela?
Trabalhei muito para ter tudo o que desejei e consegui, por isso não me arrependo, mas, por outro lado, afastei minha filha da nossa vida, por orgulho, simplesmente, e por intolerância.
Pensei muito e decidi que, assim que melhorar vou procurá-la e tentar reconquistar o seu amor.
Sem saber se minha filha está feliz, a minha vida não vai ter mais sentido.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 08, 2017 7:55 pm

Se eu tivesse morrido, não teria a chance de reencontrá-la para poder dizer o quanto a amo e me arrependo.
- Como eu gostaria que isso pudesse acontecer...
Mas como vamos fazer isso, se ela desapareceu e nunca mais soubemos dela?
- Eu sei onde ela está!
- Sabe? E como?
- O Magalhães descobriu onde ela mora com o marido e três filhos.
- Marido, filhos?!
Como pôde me esconder isso, Roberto?
Sabe que, desde o dia em que ela foi embora, eu sofro e penso nela todos os dias!
Sabe que, embora também não aceitasse que ela se envolvesse com um homem como Mauro, também nunca concordei com a sua atitude, porque o que sempre quis foi ver minha filha feliz, não me importando o modo como ela conquistaria essa felicidade!
Onde ela está Roberto?
Quero conhecer meus netos!
Há quanto tempo sabe do paradeiro dela?
- Desculpe por não ter dito.
Faz mais ou menos quatro ou cinco anos que o Magalhães descobriu.
Ela mora na periferia e trabalha como doméstica.
- Cinco anos e você não me contou, mesmo sabendo o quanto eu estava angustiada e sofrendo sem ter notícias?
É doméstica? Minha filha uma doméstica?
Como pôde permitir uma coisa como essa?
Tem razão, do que adiantou trabalhar tanto em sua vida se, hoje, sua filha está sofrendo?
- Mesmo sabendo onde ela estava não quis procurá-la.
Achei que, se ela não nos procurou, foi porque não queria mais nos ver.
Mas, depois que fiquei doente, vi como tenho sido idiota.
Assim que o Jonas permitir, iremos juntos para ver como ela está e no que podemos ajudar.
- Vou esperar ansiosa.
Você sabe o quanto tenho sofrido com a ausência dela.
- Sei, sim, depois daquele dia você mudou, nunca mais quis me acompanhar a lugar nenhum, foi se distanciando e chegamos a um ponto que quase não conversávamos mais.
Eu fingi não ver, porque não queria me incomodar, mas depois do que me aconteceu e quase morri, fui obrigado a repensar minha vida.
Não sei explicar, mas, enquanto eu estava naquele hospital, era como se alguém, que eu não via, conversasse comigo.
Você sabe que fui criado em uma casa onde, quase todos os dias, eu via minha mãe ser espancada de uma maneira violenta.
Meu pai implicava por qualquer coisa, principalmente com a comida.
Muitas vezes o vi jogando no chão toda a comida que estava sobre o fogão.
Devido à violência dele, minha mãe, várias vezes, teve que engessar o braço, as pernas, e suas costas estavam sempre marcadas.
Eu e meus irmãos sofríamos muito com tudo aquilo.
Jurei que, em minha casa, nunca haveria violência e que eu seria um bom pai e marido.
Até agora, achei que havia cumprido com a minha promessa, pois nunca encostei um dedo em você ou na nossa filha, mas, quando estava lá no hospital, pensei muito e vi que, de outra maneira, também fui violento com Flávia.
Como fui violento ao não respeitar sua vontade e querer me impor, usando do poder de pai, daquele que tinha o dinheiro.
Eu não tinha o direito de fazer aquilo.
Se ela errou ou acertou, faz parte da sua vida e só ela mesmo poderia decidir o que julgasse ser melhor.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 08, 2017 7:55 pm

Entendi que a violência não precisa ser só física, pode ser também moral, e foi essa a que usei contra a nossa filha.
Sei que errei, mas antes de morrer vou tentar consertar tudo de errado que fiz.
Acho que Deus me deu uma nova chance e vou aproveitá-la.
Preciso começar te pedindo perdão por não ter te contado o paradeiro dela.
- Não pode imaginar como estou feliz!
Foi o que mais desejei desde que ela foi embora.
Eu te perdoo, claro.
Sempre é hora de se arrepender e de consertar o que se fez de errado.
Sei que se deixou levar pela frustração e não posso negar que, a princípio, eu também custei a aceitar a escolha dela.
Depois, a saudade e a incerteza quanto ao seu paradeiro e futuro me fizeram repensar...
E, agora, sabendo que você conhece o paradeiro de Flávia, o que mais desejo é tê-la novamente ao meu lado.
Mas chega, Roberto, você deve estar cansado...
É melhor você tentar dormir um pouco.
Vou ver como está o seu almoço.
- Está bem, preciso dormir para me recuperar bem depressa e tentar corrigir tudo que fiz de errado.
Nadir saiu do quarto e Roberto se ajeitou na cama.
Seus pensamentos se voltavam para o alto...
Obrigado, meu Deus por mais esta chance.
Assim que tiver alta, vou procurar Flávia e tentar recuperar o seu amor.
Sei que deve estar passando por problemas financeiros, mas, se estiver feliz ao lado daquele homem e dos filhos, nada mais me importa.
Ajudarei da maneira que ela desejar, não vou impor nada...
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 08, 2017 7:56 pm

PRESENÇA INDESEJADA
Na semana que passou Plínio só conversou com Telma o estritamente necessário e sempre a respeito de trabalho.
Ela, aos poucos, foi se acostumando com a presença dele e continuava sua vida.
Trabalhava durante o dia e estudava à noite, mas sempre tentando esquecer os momentos que havia passado ao seu lado.
Sentia muito ódio da maneira como ele a tratava, fazendo de conta que nada havia acontecido:
ele é mesmo um cínico, eu o odeio cada vez mais...
Um dia, sei que vou me vingar de tudo que me fez sofrer.
Os dias foram passando.
Uma noite, enquanto esperava o ônibus que a levaria para a escola, o carro de Plínio parou à sua frente, ele abriu a janela e disse, sorrindo:
- Está esperando o ônibus, Telma?
Para onde está indo?
Ela se assustou ao vê-lo e respondeu, secamente:
- Para a escola.
- Quer uma carona?
- Não, meu ônibus está chegando.
- Ora, Telma, entre precisamos conversar.
- Não temos nada para conversar.
- Assim como eu, você sabe que temos muito para conversar.
Sei que não entendeu minha atitude, mas posso explicar porque desapareci sem dizer nada.
- Não existe explicação e, sabe o que mais, também não me interessa.
Só me preocupo com o meu trabalho e estudo.
- Mesmo assim, insisto em te dar uma explicação.
- Não acha que agora é um pouco tarde?
Mais de quatro anos depois?
- Não! Antes eu não podia te dizer, mas agora posso.
Entre no carro, por favor.
Telma, nervosa e percebendo que as demais pessoas que se encontravam no ponto do ônibus já estavam olhando, resolveu entrar no carro.
Assim que se sentou, Plínio sorrindo, disse:
- Não precisa se preocupar, só quero conversar e explicar o que aconteceu.
Sei onde fica a sua escola e vou te levar até lá.
Tenho te seguido há vários dias.
Muitas vezes tentei conversar com você e não tive coragem, mas hoje estou decidido.
Ela estava sentada bem longe dele e, desconfiada, disse:
- Está bem, pode começar, estou ouvindo.
Embora isso já não me importe mais.
Muito tempo se passou, sofri muito com a sua indiferença, mas agora estou bem.
As únicas coisas que me preocupam são o meu trabalho e o meu estudo.
- Sei que deve ter me julgado um canalha, mas não tive opção.
Desde o primeiro dia em que voltei ao escritório, e assim que te vi, entendi a grande burrada que fiz em minha vida.
Precisamos conversar Telma...
- Por que está dizendo isso?
Não está casado, não tem um filho?
- Sim, estou casado e tenho um filho, mas não sou feliz, porque nunca consegui te esquecer.
Você foi o único amor da minha vida...
- Se pensa assim, por que me abandonou sem dar explicação, por que se casou?
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 08, 2017 7:56 pm

- Se arrependimento matasse, eu já estaria morto há muito tempo.
Eu te amo, Telma...
Só a você, a ninguém mais.
Amo você mais que ao meu próprio filho.
Se você me aceitar de volta, não hesitarei, nem por um momento, em abandonar minha esposa, e também meu filho.
Sempre soube que te amava, mas quando te vi novamente, tive a certeza...
Volte para meu amor, Telma...
- Não posso fazer isso, você pertence ao meu passado.
Sofri muito quando me abandonou e nunca vou te perdoar por ter desaparecido sem explicação alguma.
- Fui obrigado... - respondeu, com a voz em um tom baixo e deixando que lágrimas caíssem por seu rosto.
Telma, querendo saber o que realmente havia acontecido, perguntou com voz firme:
- Obrigado?! Por quem?!
- Meu tio descobriu que estávamos nos encontrando e, naquela manhã, quando me chamou em seu escritório, disse que, se eu não te abandonasse, ele não continuaria pagando minha faculdade e não permitiria que eu trabalhasse mais em nenhum de seus escritórios.
Disse que tudo estava pronto para o casamento e que minha noiva era filha de um homem muito rico, de quem ele precisava obter apoio e dinheiro.
Tentei resistir, mas foi em vão.
Eu me deixei influenciar e aceitei o que ele queria.
- Não consigo acreditar no que está dizendo!
O doutor é um homem muito bom, não te falaria algo assim...
- Homem bom?
Você diz isso porque não convive com ele!
É um monstro, sempre bate na minha tia, e é por isso que sua filha foi embora de casa.
Ela não aguentava mais tanto sofrimento.
- Bate na esposa?
Tem uma filha?
- Bate, sim, e também tem uma filha.
- Eu entendi que sua filha tinha morrido!
- Tudo mentira!
Ela foi embora de casa, porque não aguentava mais ver tanta violência!
Ele se faz de santo, mas é muito ruim.
Você, e ninguém no escritório, imaginam o quanto ele é violento...
- Eu e ninguém, disso você pode ter certeza.
Mas, de qualquer forma, está feito, você está casado e espero que seja feliz.
Estamos chegando à escola, obrigada pela carona e por ter me dado uma explicação.
- Espere! Você não pode ir assim, sem me dar uma resposta!
Vai voltar para mim, não vai, Telma?
- Não, Plínio.
Mesmo que quisesse, não posso mais confiar em você ou em outro homem qualquer.
Minha prioridade, agora, é terminar meus estudos e trabalhar muito. Só isso.
Nunca mais vou querer saber de você nem de homem nenhum.
Agora preciso entrar minha aula já vai começar.
Dizendo isso, Telma, tentando não demonstrar o que estava sentindo, entrou na escola.
Seu coração batia forte e com muita raiva, sua cabeça latejava...
Pensei e desejei tanto que este dia chegasse, para poder lhe dizer na cara tudo o que sentia...
E, agora que chegou, não consegui dizer coisa alguma.
Por mais que eu queira me enganar, não adianta, gosto muito canalha...
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 08, 2017 7:56 pm

Mas isso, ele nunca vai saber.
Vou entrar na sala de aula e não vou pensar mais nele, vou prestar a maior atenção.
Preciso preencher meu tempo para não pensar mais nele.
Preciso odiá-lo como sempre achei que odiasse...
Tentou prestar atenção na aula, mas não conseguiu.
Não conseguia tirar o rosto de Plínio, o seu choro, de seu pensamento.
E muito menos o que ele disse.
Quando terminou a aula, foi para casa e, no ônibus, continuava pensando:
Será que o que ele disse é verdade?
Será que foi o doutor Roberto quem obrigou ele a me largar e sumir sem dar explicação?
Será que o doutor é mesmo aquele monstro que ele descreveu?
Não quero acreditar, mas ele falou com tanta sinceridade, chegou até a chorar...
Não, o doutor não pode ser da maneira como ele disse.
Sempre foi tão atencioso e gentil.
Sempre valorizou as mulheres, que elas tinham de ter um trabalho para poderem ser independentes.
Mas o Plínio me pareceu tão sincero...
Não sei o que pensar...
Chegou em casa.
Todos pareciam dormir.
Não havia sinal algum de briga, foi para o quarto.
Vendo que as crianças dormiam tranquilas, seus pensamentos foram se acalmando...
Parece que hoje não houve briga aqui em casa, ainda bem.
Seria tão bom se sempre fosse assim, mas sei que não é.
Infelizmente meu pai nunca vai respeitar a gente, e principalmente minha mãe.
Também, ela não se dá o respeito, não toma uma atitude contra ele, mas está chegando a hora de eu poder tirar todos desta casa.
Só preciso receber o meu diploma e poder receber um salário melhor.
Agora preciso dormir.
Plínio deve estar mentindo e agora deve estar deitado ao lado da mulher dele e, quem sabe, fazendo amor.
Não vou mais pensar nele.
Não posso acreditar em tudo que falou...
Ele já me provou que é um mentiroso sem escrúpulos.
Mas, e se o doutor o obrigou mesmo?
Se ele não teve outra saída?
Será que ele é mesmo infeliz ao lado da mulher?
Não sei, mas disse que será capaz de abandonar ela e o filho por minha causa...
Pareceu-me tão sincero...
Não vou contar para minha mãe o que aconteceu, ela ia ficar preocupada e não vale à pena...
Ele nunca mais vai se aproximar de mim, não vou deixar...
E, mesmo que isso aconteça, vou deixar bem claro que não quero mais nada com ele...
Demorou um pouco, mas, como estava muito cansada, finalmente adormeceu.
No dia seguinte, como sempre, foi acordada por Sara e, como sempre, levantou-se rapidamente e foi para o escritório.
Plínio chegou logo depois dela, mas durante todo o dia só conversou sobre trabalho.
Cada vez que ele a chamava em sua sala, ela pensava que era para falar sobre sua proposta, mas ele não disse nenhuma palavra.
O tempo passou, o dia de trabalho acabou e ela foi para o ponto de ônibus.
Mas, embora não quisesse, não conseguia deixar de olhar para ver se o carro dele se aproximava...
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 08, 2017 7:57 pm

E ele não veio.
O ônibus chegou e ela foi para a escola.
No íntimo ficou decepcionada por ele não ter vindo, mas, ao mesmo tempo, reflectia:
Foi melhor assim...
Se ele viesse, eu teria dificuldade em recusar seu apelo.
Ele novamente estava mentindo, só estava me testando, ainda bem que consegui resistir...
Os dias foram passando e Plínio nunca mais tocou no assunto.
Telma foi se acostumando com aquela situação.
Uma tarde, quando estava no ponto do ônibus, viu o carro dele se aproximando e parando na sua frente.
Sentiu suas pernas tremerem e o coração bater com muita força.
Ele parou, saiu do carro e foi em sua direcção, dizendo:
- Telma entre no carro, vou te dar uma carona.
- Não, obrigada, meu ônibus já está chegando.
- Não precisa se preocupar, só quero mesmo te dar uma carona para podermos conversar...
Ele disse isso com a voz tão mansa e sorrindo de tal maneira, que Telma, embora soubesse que estava fazendo uma besteira, não resistiu e entrou no carro.
Assim que ela entrou, ele colocou o carro em movimento, dizendo:
- Então, pensou na minha proposta e na sua resposta?
- Pensei, mas não tenho o que responder.
Já te disse que você faz parte do meu passado, e isso está encerrado.
Não quero novamente passar por tudo aquilo que passei.
Estou estudando e conseguindo meus objectivos.
Na minha vida não existe espaço para qualquer outra coisa que não seja isso.
- Não fale assim, Telma...
Eu te amo e você não imagina como...
Todos os dias... Lá no escritório...
Tem sido difícil eu não te tomar nos braços...
Eu te amo... Eu não posso mais ficar longe de você...
Tenho tentado, mas não estou conseguindo...
Será que não entende isso?
Ele falava desesperado e com a voz entrecortada por soluços.
Telma tentou argumentar:
- Infelizmente não acredito mais em você, gostaria muito de acreditar, mas não posso, o que você fez comigo foi muito cruel, eu era praticamente uma criança!
- Precisa acreditar!
Já te disse qual foi o motivo!
Meu tio me obrigou, sei que deveria ter lutado contra ele, mas não consegui.
Sempre dependi dele financeiramente.
Sei que trabalho bem, mas, se ele me mandar embora do escritório, dificilmente eu encontro outro emprego para receber o mesmo salário...
E, eu o desobedecendo, não conseguirei uma carta de recomendação...
Mas, se você não se importar de ter uma vida simples ao meu lado, amanhã mesmo peço demissão e vamos embora juntos.
- Mas, e sua mulher e seu filho, como vão ficar?
- Ficarão muito bem.
Ela é de uma família rica, não vai precisar de nada e continuará tendo o mesmo conforto.
Se você me aceitar, poderemos ir embora para outra cidade e recomeçarmos a nossa vida de onde paramos.
- Não posso fazer isso, minha mãe e meus irmãos, ao contrário de sua mulher, precisam muito da minha presença.
Sou, para eles, a única esperança de conseguirem sair daquela casa...
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 08, 2017 7:57 pm

- Está bem, parece que eles estão acostumados com uma vida simples...
Se você me aceitar de volta, poderemos levar também a sua família e, juntos, trabalharemos para nossa felicidade.
Precisa acreditar que te amo, Telma, e que cada vez se toma mais impossível para eu viver sem a sua companhia.
Para ficar ao seu lado, farei qualquer coisa...
- Tem, também, minha escola e o meu trabalho, não posso abandonar tudo...
- Encontraremos outra escola nesse lugar para onde vamos, e você já aprendeu todo o trabalho de um escritório, poderá arrumar outro emprego.
Além do mais, nada disso importa, o que importa é podermos ficar juntos para sempre...
Te amo, Telma...
- Não sei...
E se estiver mentindo novamente, Plínio?
- Não estou mentindo, nunca menti.
Só fui covarde por não resistir ao meu tio, mas isso não acontecerá novamente.
Sabe que te amo e sei que não conseguirei mais viver sem você...
- Está bem, vou confiar em você.
Também te amo e, embora quisesse te esquecer, não consegui.
Tentei ficar com raiva, mas foi em vão.
Vamos tentar...
E tomara que, desta vez, dê certo.
Ao ouvir aquilo, ele parou o carro no meio-fio, abraçou-a e beijou-a calorosamente.
Depois, disse entusiasmado:
- Você é maravilhosa!
Não vai se arrepender de ter tomado essa atitude!
Vou te fazer a mulher mais feliz deste mundo!
Ela correspondeu ao beijo e sentiu que, embora não quisesse aceitar, tinha esperado por ele durante todo o tempo em que estiveram separados.
- Se tudo que estiver dizendo for verdade, vou ser mesmo a mulher mais feliz deste mundo!
- Claro que estou te dizendo à verdade.
Agora, vamos para um hotel, estou morrendo de vontade de te ter em meus braços inteiramente.
Estou morrendo de saudade daqueles momentos maravilhosos que passamos juntos...
Por uns momentos, ela ficou pensativa, mas, afinal, respondeu:
- Você disse hotel?
Por que não para o apartamento que a gente ia?
- Aquele apartamento era de um amigo, e hoje já não é mais dele.
Mas em um hotel, também ficaremos bem.
Vamos, meu amor?
- Está bem, vamos.
Também estou morrendo de vontade de me entregar a você inteiramente.
Foram para um hotel e, lá, se entregaram ao amor com loucura, saudade e paixão.
Ficaram lá por todo o tempo que durariam as aulas de Telma, depois foram embora.
Ele a levou até a esquina de sua casa e, quando chegaram, ele disse:
- Você é mesmo maravilhosa.
Não se arrependerá por ter tomado essa decisão, só...
- Só o quê? - ela perguntou preocupada.
- Só que precisamos esperar meu tio voltar para o escritório.
Ele está bem e logo receberá alta do médico.
Assim que ele voltar e assumir o escritório, contarei tudo que aconteceu e comunicarei a ele a minha decisão de ir embora com você.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 08, 2017 7:57 pm

Mas, até lá, seria bom se não comentássemos com ninguém o que decidimos.
Está bem assim?
Ela, completamente apaixonada e entregue, beijou-o de leve nos lábios e respondeu:
- Está bem, farei tudo que você quiser, te amo...
Daquele dia em diante, passaram a se encontrar duas ou três vezes por semana.
Plínio demonstrava estar cada vez mais apaixonado, o que deixava Telma muito feliz e, novamente, fazendo planos para o futuro.
No escritório, quase não se falavam, somente o estritamente necessário.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 08, 2017 7:57 pm

CONSEGUINDO A PAZ
Semanas se passaram e, naquele dia, no meio da manhã, Roberto foi com Nadir ao hospital para se encontrar com Jonas.
Este, ao examiná-lo mais uma vez, disse satisfeito:
- Meu amigo, você agora está bem e pode voltar às suas actividades normais, só precisa se alimentar muito bem e não cometer excessos.
E os remédios...
Quantos comprimidos você ainda tem? - e, ouvindo a resposta de Roberto, prosseguiu.
- Óptimo! Continue tomando até acabarem e, dentro de um mês, faremos novos exames.
Se tiver algum problema pendente, resolva.
Actualmente há alguns estudos que demonstram que, muitas vezes, o corpo somatiza algum problema.
Foi isso que aconteceu com você, essa pneumonia não tinha razão alguma para aparecer, mas, por algum motivo, houve uma queda em seu estado geral e deu no que deu.
Se cuide, amigo!
Você é um homem saudável.
Por isso, acho melhor pensar bem em sua vida e resolver qualquer assunto que o incomode.
- Você sabe o que me incomoda, Jonas.
Acompanhou todo o meu problema com Flávia.
- Sim, e sempre fui contra a sua atitude, mas o pai é você.
- Sei Jonas, quando estava no hospital resolvi que, assim que ficasse bom, ia procurá-la e é isso o que vou fazer, hoje mesmo!
- Faz bem, Roberto.
Sempre te disse que não podemos decidir a vida de nossos filhos.
Eles, só eles, são responsáveis por ela.
O nosso papel como pais é colocá-los no mundo e darmos a orientação para que se tornem pessoas de bem e sejam felizes.
Nada, além disso.
O resto precisa ficar por conta deles.
Flávia escolheu o seu caminho e, se é bom ou mau, somente ela poderá decidir.
O que você deve fazer é aceitar sua decisão, torcer para que ela seja feliz e voltar a estar sempre por perto, para ajudá-la em qualquer momento de dificuldade.
Como você viu meu amigo, a vida pode acabar em um minuto, quando menos se espera, e tudo que conseguimos durante o tempo em que vivemos ficará aqui mesmo, não levamos nada, a não ser os momentos felizes que passamos e os amigos que conquistamos.
Por isso, o que importa é sermos felizes o máximo de tempo possível e fazermos os nossos, também, felizes.
- Sempre conversamos muito sobre isso, e eu nunca entendi como, um médico, que conhece a ciência como ninguém, pode falar de coisas que transcendem a ela?
- Sou médico sim, e, por isso mesmo, já vi acontecerem coisas que nem a ciência pode explicar.
Isso me levou a crer que existe algo mais forte, que comanda o Universo.
Existe um Deus, que cuida e olha por todos nós.
- Sabe que nunca pensei muito a respeito disso?
Sempre me preocupei com o dinheiro que poderia ter e no conforto da minha família, nunca acreditei muito em religião alguma.
Acho que todas elas transformam os homens em bonecos sem vontade e cheios de medo.
- A religião existe como um freio para que muitas coisas ruins possam ser evitadas.
O homem tem de entender que um dia terá de responder por seus actos, porque, sem isso, ninguém contém seus impulsos de maldade.
Todo ser humano traz dentro de si bondade e maldade misturadas.
O bom senso faz com que se escolha a qual das duas daremos mais valor e nos mostra o cuidado que devemos ter para não deixar que o nosso instinto animal prevaleça.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 09, 2017 8:15 pm

A religião seja ela qual for, nos ajuda muito, mas ela sozinha nada pode fazer.
Todos sabem o que é o bem e o mal, e sabemos que, se atirarmos uma bola de encontro a uma parede, fatalmente essa bola voltará para nós.
Assim também é com a vida.
Se fizermos o bem, receberemos o bem de volta, mas, ao contrário, se fizermos o mal, também só ele é que receberemos de volta.
Já faz algum tempo, sigo uma doutrina que ensina exactamente isso:
a responsabilidade da cada um tem sobre seu próprio espírito e o daqueles que o rodeiam.
Cada um de nós é responsável por seus actos e, portanto, cada um de nós colhe de acordo com aquilo que plantou.
- Já me falou algumas vezes a esse respeito, mas nunca dei muita atenção.
Estava sempre envolvido com meu trabalho.
Mas agora, depois do que me aconteceu, acho que chegou a hora de pensar melhor a esse respeito.
Como você disse, meu corpo está somatizando a dor de ter minha filha longe, sem saber como vive e se é feliz.
No íntimo, sei que sou culpado por essa situação.
Por isso, vou procurá-la e lhe pedir perdão.
Vou aceitar aquele vagabundo que ela escolheu e tentar ajudar de alguma maneira.
Se eu tivesse morrido, não teria essa chance.
Do que adiantaria todo o dinheiro que consegui, se não tenho para quem deixar a não ser ela?
- Ela não deve estar interessada em seu dinheiro, pois, se assim fosse, não teria ido embora e ficaria ao seu lado para sempre, esperando o dia em que você morresse para poder ficar com tudo que é seu...
Mas de uma coisa tenho certeza, ela deve estar muito interessada no seu amor, no seu carinho.
- Será mesmo?
Será que ela vai me perdoar?
- O amor é sempre mais forte que tudo.
Vá ao seu encontro e comprove isso.
- Vou hoje mesmo.
Nadir, você vai comigo?
Nadir, que até então tinha ficado sentada, quieta, escutando a conversa dos dois, apressou-se em responder:
- Claro que vou, Roberto!
Sabe o quanto sinto saudade dela e como quero abraçá-la...
- Sendo assim, agora preciso me retirar, tenho outros pacientes para passar visita.
Roberto, não se esqueça de, no mês que vem vir fazer novos exames para vermos se tudo continua bem.
- Não vou me esquecer, Jonas.
Mas, de acordo com o que me disse, estarei bem e, se resolver meu problema o meu corpo vai deixar de somatizar... - disse rindo.
- Faça isso, meu amigo.
Agora preciso ir.
Até o mês que vem e, se quiser me contar o resultado da sua visita à Flávia, ficarei muito feliz.
- Claro que vou te contar.
Assim que voltar...
Os três saíram juntos da sala.
Roberto e Nadir foram para o estacionamento onde tinham deixado o carro.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 09, 2017 8:15 pm

Entraram e, enquanto dirigia, Roberto disse:
- Não vamos esperar nem mais um minuto, agora mesmo vamos à casa de Flávia.
Quanto antes conversarmos, melhor será.
- Nem acredito que estou ouvindo isso de você, estou morrendo de saudades dela e curiosa para conhecer meus netos.
Nossa, Roberto, já somos avós!
Estamos ficando velhos!
- Velho nada, Nadir!
Sinto que só agora comecei a viver.
Nossa vida, daqui em diante, vai mudar, e posso garantir que será para melhor...
- Tem certeza que vai conseguir chegar lá?
- Acho que vou, mas sempre podemos perguntar.
Hoje, vamos encontrar nossa filha, nem que seja preciso perguntar em cada esquina que passarmos.
- Estou tão feliz...
- Eu também, minha querida, eu também...
Roberto seguiu dirigindo.
Acompanhava o mapa que Magalhães havia lhe dado e não teve dificuldade para encontrar o bairro onde Flávia morava.
Perguntou aqui e ali e, finalmente, descobriu onde ficava a rua.
Em poucos minutos estava em frente a uma casa com o número vinte e seis.
- É aqui, Nadir.
Vamos descer.
Desceram e se dirigiram até o portão, que estava fechado.
Olharam por ele e viram que a casa ficava nos fundos do quintal e parecia pequena.
Nadir disse:
- É uma casa muito pequena, Roberto...
Como ela pôde trocar o luxo da nossa casa por esta?
- Não sei Nadir, mas também não me importa mais.
Agora só estou interessado em encontrá-la, pedir perdão e abraçá-la muito.
- Tem razão.
Parece que vamos ter que bater palmas, não estou vendo campainha...
- Então, vamos bater.
Roberto, com força, bateu palmas.
Um menino de mais ou menos oito anos saiu da casa e foi ao encontro deles.
Aproximou-se, perguntando:
- O que o senhor quer?
- É aqui que mora uma moça chamada Flávia?
- É sim, ela é minha mãe.
Nadir e Roberto, com esforço, conseguiram conter a emoção.
- Ela está em casa?
- Está sim. Hoje ela não foi trabalhar.
- Poderia chamá-la?
- Agora mesmo.
Espere um pouco.
O menino saiu correndo e entrou em casa.
Em seguida, uma moça apareceu e ficou olhando, de longe, parada e sem coragem de se aproximar.
Nadir, assim que a viu, procurou e encontrou um trinco no portão, abriu e entrou correndo.
Flávia, atónita, continuou parada.
Nadir se aproximou e, sem nada dizer, chorando, abraçou a filha com muito carinho e saudade.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 09, 2017 8:15 pm

Flávia, também calada, abraçou a mãe e, por trás dos ombros de Nadir, viu o pai que também se aproximava.
Olharam-se e ela viu que o pai também chorava.
Ele se aproximou e se abraçou a ela e a Nadir.
Os três, calados, ficaram abraçados por alguns minutos.
Depois se afastaram e, só aí, puderam ver o rosto de Flávia que estava com uma mancha roxa no lado esquerdo do rosto.
Não tinham visto antes, porque ela estava com o rosto coberto pelos longos cabelos negros.
Roberto, perguntou nervoso:
- Que aconteceu com seu rosto, Flávia?
- Ela bateu com a cara na porta - foi o menino que respondeu, vendo que a mãe ficara calada.
Nadir e Roberto se olharam, Flávia vendo o rosto dos pais, disse:
- Foi isso mesmo que aconteceu, ontem me distraí e, quando estava saindo da cozinha e conversando com os meninos, não percebi que a porta estava entre aberta e bati o rosto.
Não foi, Dudu?
O menino, parecendo assustado, respondeu:
- Foi sim, foi isso que aconteceu, mas quem é esse homem e essa mulher, mamãe?
- São seus avós.
Esse homem é meu pai e essa mulher é a minha mãe.
Nadir se abaixou e, carinhosamente, abraçou e beijou várias vezes o menino.
Ele, um pouco assustado, a abraçou também.
Assim que ela o soltou, Roberto também se abaixou e o abraçou.
Depois dos abraços, o menino perguntou:
- Mamãe, é ele que tinha brigado com a senhora?
- Sou eu mesmo, Dudu, mas estou aqui para pedir perdão a sua mãe e, se ela me perdoar, serei o homem mais feliz deste mundo! - Roberto falou, olhando para Flávia com os olhos cheios de lágrimas.
Ela também chorava.
Roberto beijou o menino na testa e olhou para Flávia, perguntando:
- Onde estão os outros meninos?
- Estão na creche, logo mais preciso ir buscá-los.
- Temos tempo para entrar e conversarmos um pouco?
- Claro que sim, papai, só não repare que a casa é muito simples.
- Não estou preocupado com a casa, mas sim com você.
Estou com sede...
- Entrem, vou pegar água.
Entraram e puderam constatar que a casa era realmente pequena e pobre.
Roberto passou os olhos rapidamente e constatou que só tinha um quarto e a cozinha, e que não havia uma sala de jantar como existia em todas as casas.
Percebeu que, por isso, Flávia os levou até a cozinha e lhes mostrou duas das cadeiras que estavam ao lado da única mesa, bem pequena.
Eles sentaram-se.
O menino sentou-se ao lado da mãe e ficou segurando sua mão.
- Estou muito feliz por estarem aqui, tenho sentido muita saudade.
Por várias vezes pensei em procurá-los, mas tive medo que não quisessem me ver nunca mais.
Roberto, percebendo que o menino tentava proteger a mãe de algo que não entendia, perguntou de supetão:
- Dudu, qual foi à porta em que sua mãe bateu o rosto?
O menino, assustado e sem saber o que responder, olhou para a mãe.
Ela, também com o olhar suplicante, apavorada, não disse nada.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 09, 2017 8:15 pm

O menino perguntou:
- Mamãe, o que vou falar?
- Somente a verdade, Dudu.
Estou aqui para ajudar você e a seus irmãos.
Não conheço vocês, mas conheço sua mãe e a amo muito - disse Roberto, acariciando a mão do menino.
- Tenho medo de contar.
Meu pai disse que se eu contasse pra alguém ele ia bater muito mais na gente...
- Não precisa ter medo.
Estou aqui e nunca mais ele baterá em vocês ou na sua mãe.
Agora, preciso te fazer outra pergunta:
você gosta de doce e de bala?
- Gosto muito.
- Se sua mãe deixar, te darei dinheiro para ir até a padaria e comprar doces e balas para você e para seus irmãos.
Dudu olhou para a mãe, que, tentando sorrir, concordou com a cabeça.
Roberto tirou do bolso uma nota e deu ao menino.
Feliz, ele saiu correndo.
Em seguida, voltou-se para Flávia e, olhando bem em seus olhos, perguntou:
- Desde quando isso acontece, minha filha?
- Não sei do que está falando, papai...
- Você sabe do que estou falando, mas, para facilitar, não precisa responder.
Seu filho já respondeu.
Você e as crianças têm sido espancadas por aquele canalha...
Não entendo, mas queria entender, por que não nos procurou?
Por que continuou vivendo ao lado dele, Flávia?
Flávia percebeu que não conseguiria mentir nem ocultar algo que estava estampado em seu rosto.
Sabia da infância que seu pai tinha tido e das muitas surras que ele, seus irmãos e sua mãe levaram.
Ele conhecia bem tudo aquilo, por isso só lhe restou uma alternativa; contar a verdade.
- Tem razão, papai.
Desde que o Dudu nasceu ele mudou o comportamento e começou a me agredir por qualquer motivo.
- Por que continuou vivendo ao lado dele e por que teve mais dois filhos, Flávia?
- Eu não tinha para onde ir.
O dinheiro que recebo como empregada doméstica não dá para me sustentar e muito menos aos meus filhos.
Apesar de tudo, ele é meu marido e sempre exigiu os seus direitos, sem se preocupar em evitar um filho.
- Por que não nos procurou minha filha?
- Pensei nisso muitas vezes, mas tinha medo do que ouviria do senhor...
Pois, com certeza, diria:
"não avisei? não te falei que ele não prestava"?
Roberto olhou para Nadir que, calada e em lágrimas, ouvia a conversa dos dois.
Ela pensou em interferir, mas sabia que aquela conversa era importante e definitiva, e preferiu se calar.
Roberto voltou a olhar para Flávia:
- Tem razão, minha filha.
Se tivesse me procurado, provavelmente eu diria isso, mas hoje é diferente.
Quase morri e entendi que a vida pode acabar em um segundo.
Que o tempo passa muito depressa e que nada do que construímos terá valor se não tivermos ao nosso lado aqueles que amamos, e muito menos valor se não tivermos para quem deixar o fruto do nosso trabalho.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 09, 2017 8:16 pm

Entendi que tudo que construímos, todo dinheiro que conseguimos, deixa de ter valor quando a morte se aproxima, e é por esse motivo, e por amá-la muito, que estamos aqui.
Confesso que nunca imaginei que estivesse passando por momentos tão difíceis.
Se soubesse, teria vindo muito antes.
Perdoe-me, filha, pelo imbecil que fui.
Perdoe por ter sido tão egoísta e intransigente.
Precisa saber que, apesar de tudo, sempre te amei, filha...
E quero que volte a viver ao nosso lado, na casa que é sua. Prometo que, lá, você e meus netos terão tudo que precisam, além de paz e tranquilidade...
Flávia e o pai se abraçaram e choraram juntos.
Ela não sabia o que dizer.
Nadir se aproximou e, calada, se abraçou a eles.
Depois do abraço, Flávia emocionada, disse:
- Não sou eu quem tem que perdoar, mas, sim, quem deve pedir perdão.
O senhor tentou me avisar e evitar que eu sofresse, mas eu, na minha burrice, não dei atenção e também não tive coragem de voltar e enfrentar essa realidade.
Sei que, muito mais que eu, meus filhos sofrem com tudo isso, principalmente o Dudu que é o mais velho e tem melhor entendimento, além de ser um menino muito inteligente.
Ontem, depois do que aconteceu, chorei muito e pedi a Deus que me ajudasse, que enviasse alguém para me ajudar ou me mostrasse um caminho para seguir.
Acho que ele me atendeu e trouxe o senhor e a senhora, mamãe.
Eu sentia muito medo e jamais teria coragem de sair desta casa sozinha, pois Mauro sempre disse que, se eu o abandonasse, ele mataria a todos nós.
Sabendo como ele é violento, temo que tenha coragem para fazer isso.
Mas, agora que Deus ouviu minhas preces e está me dando uma nova chance...
E sob sua protecção, sei que ele nunca conseguirá nos atingir.
Quero ir para casa, papai...
E agradecer a Deus por ter ouvido minha prece.
- Não pode imaginar como estou feliz em te ouvir dizendo essas coisas.
Como sabe, eu, meus irmãos, e principalmente minha mãe, sofremos muito nas mãos do meu pai e, por isso, jurei que nunca haveria violência em minha casa e que meus filhos jamais presenciariam uma briga.
Pensei que havia conseguido, mas só após ter ficado doente foi que entendi que a violência não precisa ser só física.
Ela existe também quando se deseja impor algo a alguém, como fiz com você.
Não tinha o direito de interferir em sua vida.
Podia tentar orientar, mas a vida é sua, Flávia.
Meu papel e de sua mãe foi nos unirmos para que você nascesse, mas isso não nos dá o direito de sermos seus donos.
Conversei muito com o Jonas e ele me disse que o espírito é de cada um, portanto é livre, e nada ou ninguém pode escravizá-la.
Só hoje entendo realmente o que ele quis me dizer.
Agora, chega de conversa.
Precisamos buscar suas crianças na creche e, depois, irmos para casa.
Não precisa pegar nada daqui, a não ser o registo de nascimento das crianças, tudo mais que precisarem, eu comprarei com o maior prazer.
- Quanto ao Mauro, não vou avisar, papai?
- Não, quando ele perceber que você foi embora, com certeza irá lá em casa te procurar e aí terei com ele uma conversa definitiva.
Assim que acomodarmos as crianças, iremos até a uma delegacia o faremos um boletim de ocorrência, onde será contado o que ele fez com você e, provavelmente, tirarão algumas fotografias.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 09, 2017 8:16 pm

Caso ele queira brigar na justiça pelos filhos, poderemos mostrar a violência que você sofria.
Acredito que isso será o suficiente para ele se afastar definitivamente de vocês.
Agora, vamos, minha filha.
Nossa vida vai recomeçar e, desta vez, sei que será diferente.
Não vou interferir na sua vida.
Sei que aprendeu da maneira mais difícil, mas, como diz o Jonas, para tudo sempre existe um motivo e tudo está sempre certo nesta vida.
Não vai dizer nada, Nadir?
- Não tenho o que dizer.
Só sei que estou muito feliz por vocês, finalmente, terem conversado e se acertado.
Que bom, minha filha, que vai voltar para casa...
Era só isso que eu desejava e que também tenho pedido a Deus, todos os dias, desde que você foi embora lá de casa.
Vamos embora, minha filha...
- Vamos, sim, mamãe, e obrigada por terem vindo me buscar...
Estavam saindo quando encontraram Dudu, que vinha correndo, trazendo nas mãos dois saquinhos cheios de balas e doces.
Ao ver a mãe saindo, perguntou:
- Para onde a senhora está indo, mamãe?
- Para a felicidade, meu filho.
Para a felicidade.
Vamos deixar esta casa e ficarmos longe de todo esse sofrimento...
- Quando o pai descobrir vai matar a gente, mamãe...
- Não se preocupe com isso, Dudu.
Agora estou aqui e você está protegido.
Daqui para frente terá que se preocupar em ser criança, nada mais... - Roberto falou, mexendo com carinho nos cabelos do menino.
Foram até a creche, pegaram as crianças e depois foram para casa.
A empregada e Nadir providenciaram os quartos onde deveriam ficar.
Enquanto isso, Roberto e Flávia foram para a delegacia e fizeram um boletim de ocorrência.
Quando voltaram, encontraram as crianças brincando felizes ao lado da piscina e Nadir, também feliz, não parava de olhar, para os netos.
No dia seguinte, logo pela manhã, Mauro foi até a casa de Roberto e foi recebido por eles.
Assim que viu Flávia, disse, gritando:
- Flávia, vim te buscar!
Como pôde sair de casa levando meus filhos?
- Papai foi até lá e viu como eu estava machucada... - ela respondeu, com muito medo.
- Você não disse para ele que tinha caído e por isso estava machucada?
- Ela disse, mas eu descobri a verdade!
Por isso a trouxe para cá e ficará até quando quiser! - Roberto respondeu enérgico, interferindo na conversa.
- O senhor não pode fazer isso, ela é minha mulher!
- Sua mulher, sim, mas não sua propriedade, seu saco de pancadas!
Agora pode ir embora e não volte mais aqui!
- O senhor não pode me obrigar!
Só sairei daqui levando a minha mulher!
- Antes de trazê-la para casa, passei na delegacia e fizemos um boletim de ocorrência.
Se não sair daqui, agora, vou telefonar para a polícia e faço você ficar preso por muito tempo!
Sabe que tenho amigos e poder para isso!
Flávia só saíra desta casa se quiser!
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Ave sem Ninho

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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 09, 2017 8:16 pm

Mauro conhecia Roberto e sabia que ele faria o que estava dizendo.
Vendo que Flávia não queria voltar para viver ao seu lado, respondeu gritando:
- Estou indo embora, Flávia, mas fique sabendo que, por mais que implore, nunca mais voltarei para você!
Flávia ficou calada e ele saiu.
Assim que Mauro foi embora, Roberto disse:
- Bem, minha filha, poderá ficar aqui até quando quiser.
Ele é seu marido e pai de seus filhos, por isso, se quiser voltar a morar ao lado dele tem toda liberdade.
Nunca mais ficarei distante de você, estarei sempre por perto para protegê-la.
- Nem pensar, papai.
Estou em casa e feliz.
- Sendo assim, vamos tomar café para nos acalmar...
- Papai, o senhor deve ser a única pessoa no mundo que toma café para se acalmar! - ela disse, soltando uma gargalhada.
E abraçados, foram para a cozinha.
Enfim a paz tinha voltado para aquela casa.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 09, 2017 8:16 pm

FATALIDADE
Alguns dias depois, Roberto voltou para o escritório e foi recebido com muito carinho e felicidade pelos funcionários.
Entre eles Telma que, apesar do que Plínio havia contado sobre o tio, não conseguia acreditar e pensava:
Ele não parece ser alguém que bate na esposa...
Assim que Roberto retornou, Plínio não voltou mais ao escritório e Telma não pôde deixar de pensar...
Outra vez ele desapareceu sem me dar satisfação.
Também, não poderia conversar comigo na frente de todos.
Hoje à noite ele vai estar me esperando no ponto do ônibus, como faz quase todos os dias.
Mas os dias passaram e Plínio não voltou.
Telma, sentindo-se uma idiota completa por ter sido enganada outra vez, tentava se conformar:
Que burra! Como pude deixar ele me enganar de novo?
Bem feito! Sempre me julguei muito esperta, mas estou vendo que não sou.
Preciso me conformar, que ele não vai voltar nunca mais.
Agora, diplomada em burrice, tenho de seguir a minha vida...
Naquele dia Roberto tinha telefonado para Telma avisando que não viria trabalhar.
Ela, não tendo que atender Roberto, poderia ir às outras salas para ajudar e prestar atenção nos novos trabalhos que entravam no escritório.
Nunca é demais aprender...
Fez isso até a hora do almoço e então foi para casa.
Sara estava com o almoço pronto, mas Telma percebeu que ela não estava bem e perguntou:
- O que a senhora tem mamãe, está muito pálida.
- Nada que você precise se preocupar.
Estou com aquela falta de ar que me dá de vez em quando.
Deve ser uma gripe.
- Já disse mil vezes que a senhora precisa ir ao médico e ver por que acontece isso.
- Sabe que a gente não tem dinheiro para pagar médico.
- Sei, mas hoje, quando eu voltar vou com a senhora até o pronto-socorro.
A senhora sabe que lá eles atendem na hora e, se precisar de tratamento, eles encaminham.
- Está certo, mas até você voltar vou estar bem.
Agora almoce.
Depois que seu pai vier almoçar e eu mandar as crianças para a escola, vou me deitar um pouco.
Como todas as outras vezes, isso que estou sentindo vai passar e vou ficar bem.
- Mesmo assim vou levar a senhora no pronto-socorro.
Almoçou e voltou para o trabalho.
Estava trabalhando quando começou a ficar tonta.
Abaixou a cabeça para ver se passava, mas não adiantou.
A tontura foi ficando cada vez pior.
Sentia enjoo. Com muito esforço, conseguiu chegar ao corredor e caiu em seguida.
Uma das moças saía de uma sala no exacto momento em que ela caiu.
Assustada, começou a gritar e correu para junto de Telma, que estava desacordada.
Os colegas ouviram os gritos e se aproximaram para ver o que estava acontecendo.
Marieta, que era a mais velha de todos, também se aproximou.
Pegou o pulso de Telma e, percebendo que estava muito fraco, disse desesperada:
- A pressão dela caiu.
Alguém tem de ir até a copa e trazer o vinagre e um pouco de sal.
Uma das moças correu e trouxe sal e vinagre.
Marieta esfregou as mãos e os pés de Telma.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 09, 2017 8:16 pm

E, aos poucos, ela foi voltando a si.
Assim que ela melhorou, Marieta fez com que ela colocasse um pouco de sal sob a língua.
Em seguida, olhou para um dos colegas, que era o motorista da empresa, e pediu:
- Jorge, temos de pegar o carro do doutor e levar a Telma até o pronto-socorro.
- Será que o doutor não vai se importar?
Ele não gosta que eu use o carro para nada que não for da empresa.
- Claro que ele não vai se importar!
Se ele estivesse aqui, ele mesmo a levaria.
Quantas vezes ele já levou alguém que passou mal aqui no escritório?
- Não precisa Marieta. Já estou bem.
- Nada disso, Telma, chegou reclamando de dor de cabeça.
É melhor a gente ver o que você tem.
Não vai demorar muito. Vamos?
Vendo que não adiantaria argumentar, pois sabia que Marieta não a ouviria, Telma concordou e acompanhou Marieta e Jorge.
Chegaram ao pronto-socorro e ela foi atendida por um médico que, ao vê-la, perguntou:
- Que aconteceu com você?
- Não sei doutor.
Estava trabalhando e, de repente, me senti muito fraca e desmaiei.
- Deite-se aí nessa cama que vou te examinar.
Ela atendeu.
Marieta, preocupada, continuava ao seu lado.
O médico examinou, mediu a pressão, ouviu o coração e disse:
- Parece que está tudo em ordem, mas preciso que faça alguns exames.
- Que exames, doutor?
- De sangue e de urina.
Quantos anos você tem?
- Vou fazer dezoito.
- Tem namorado?
- Não, mas por que está perguntando isso?
- Você é muito jovem, não tem namorado, mas seus sintomas parecem ser de gravidez.
Por isso preciso dos exames, para ver do que se trata.
- Gravidez?! - ela perguntou, corando e assustada.
- Sim, mas pode ser outra coisa.
Em um segundo, ela se lembrou de todas as vezes que estivera com Plínio e não se cuidara.
Começou a tremer, e tanto, que o médico se assustou.
- Não precisa ficar tão nervosa.
Acabou de dizer que não tem namorado, portanto não precisa se preocupar.
Pode ser uma anemia.
Tomada de desespero e coragem, disse de uma vez:
- Agora não tenho namorado, mas já tive.
Estamos separados a mais ou menos um mês.
- Acha que pode estar grávida?
- Não sei doutor!
Não sei! - disse chorando muito.
Enquanto falava, o médico escrevia em um papel.
Terminou e, sorrindo, olhou para Telma e lhe entregou o papel.
- Precisa vir amanhã bem cedo, em jejum, para fazer os exames.
Quando tiver o resultado, volte para vermos o que fazer.
Ela, sem conseguir evitar as lágrimas, pegou o papel e se despediu.
- Obrigada, doutor.
Vou fazer o exame.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 09, 2017 8:17 pm

- Faça e não se preocupe.
Para tudo sempre existe uma solução.
Marieta, que ouviu tudo, pegou no braço de Telma e saíram.
Já lá fora, ela perguntou:
- Telma, que história é essa?
Nunca disse que estava namorando...
- Não disse, mas namorei durante algum tampo.
Por favor, Marieta, não comente com ninguém!
- Pode ficar tranquila, não vou comentar.
Mas, se estiver grávida, não vai poder esconder por muito tempo.
- Não sei o que fazer.
Meu pai nunca vai aceitar.
Ele é muito violento, vai me bater e em mamãe também.
Se eu estiver grávida mesmo, preciso encontrar uma maneira de tirar essa criança de dentro de mim!
Meu pai não pode saber! - enquanto falava, ela tremia muito, com muito medo.
- Por enquanto, não pense nisso.
Antes de tomar uma decisão como essa, precisa falar com o seu namorado, talvez ele te assuma e à criança também.
- Ele não vai me assumir e muito menos vai querer a criança!
É um canalha, se aproveitou do meu amor por ele, me iludiu e me abandonou sem dar explicação alguma!
Ele não vale nada!
- Ele precisa saber!
Você é ainda muito jovem e não pode assumir sozinha, uma responsabilidade como essa!
Se quiser, vou com você conversar com ele!
- Ele é casado - Telma disse, chorando e tremendo muito.
- Casado? Como foi se envolver com um homem casado, Telma?
- Quando começamos a namorar, ele não era casado.
- Parece que ele te enganou mesmo.
Mas, por enquanto, acho que precisa esperar o resultado.
Depois, já que seu pai é muito violento, converse com sua mãe, ela vai saber como agir.
- Eu devia ter contado tudo para ela, mas não tive coragem.
Ela sempre conversou muito comigo, e eu não posso dizer que não sabia o que estava fazendo.
Sabia, e muito bem, mas nunca pensei que ele poderia me abandonar...
Confiei nele...
- Agora está feito.
Faça o exame e, depois, vai saber o que fazer.
Mas acho que sua mãe é a única que pode te ajudar.
- Ela não vai poder fazer muito.
Meu pai é ignorante e nunca vai aceitar.
Ela, assim como eu e meus irmãos, temos muito medo dele.
- Acho melhor você não voltar para o escritório.
Vá para casa e converse com sua mãe.
- Não posso fazer isso, tenho muito trabalho!
- Não se preocupe com o trabalho.
O doutor avisou que não vem trabalhar hoje e, mesmo que vier, você o conhece, sabe que vai entender e não vai se importar.
Ele, assim como todos nós, esperamos que fique bem.
- Você é uma boa amiga, Marieta...
- Que nada, só gosto muito de você.
Agora o Jorge vai me deixar no escritório e te levar para casa.
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Re: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO / Elisa Masselli

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