A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 23, 2017 9:25 pm

Chegaram a Roma ainda a tempo de jantar em uma cantina.
Foram para o hotel.
Marilda colocou as flores que estavam um pouco murchas em outro vaso, pegou as malas de Júlio e saíram.
Ela queria acompanhá-lo até o aeroporto, mas ele não deixou.
Falou com firmeza:
— Não, não precisa.
Você não conhece muito bem o idioma e muito menos a cidade.
Vou de táxi; assim que você chegar ao Brasil, me telefone.
Estarei ansioso, esperando.
— Está bem, mas leve o meu cartão; se eu não te encontrar, pode telefonar, estarei em casa ou no escritório.
— Não esqueça que te amo, Marilda, e que estarei te esperando.
Aproveite bem o resto da viagem, realize o seu sonho.
Tem muito para ver -— disse isso a beijando.
— Só não terei o meu guia preferido.
Ele está indo embora.
— Não mesmo, mas não faltará ocasião para voltarmos.
Ele entrou no táxi e, com a ponta dos dedos, mandou um beijo.
Foi embora.
Marilda, triste, ficou olhando o táxi se afastar, depois voltou para o hotel.
Não havia ninguém da excursão.
Todos haviam saído e o recepcionista não soube dizer para onde, mas isso não a perturbou.
Foi para o seu quarto, deitou-se e ficou relembrando todos os momentos que passou ao lado de Júlio.
"E se eu não voltar a vê-lo?
Se ele me ignorar lá no Brasil?"
Aquele pensamento fez com que ela sentasse na cama.
Ficou por alguns instantes, parada, depois pensou:
"Isso não vai acontecer, mas se acontecer ao menos terei algo para recordar, terei vivido um grande amor.
Preciso agradecer a Deus por esta oportunidade."
Levantou, se preparou para dormir, deitou e adormeceu.
Pela manhã, ao acordar, sorriu.
Dormiu a noite toda, não acordou uma só vez.
Lembrou de Júlio, do seu sorriso e de todo o carinho com que ele a havia tratado.
Levantou-se, estava perdida.
Não sabia qual era o programa que o guia da excursão havia planeado para aquele dia.
Vestiu-se e foi até o saguão do hotel.
Assim que a porta se abriu, ela viu o guia rodeado pelas pessoas da excursão.
Não conhecia ninguém, só os havia visto durante o voo.
Sabia que a maioria era mais ou menos de sua faixa etária.
Aproximou-se.
O guia, ao vê-la, sorriu dizendo:
— Olhem a nossa sumida!
Espero que tenha aproveitado bem esses dias.
— Aproveitei, sim, obrigada.
— Esta é a Marilda -— disse, voltando-se para o grupo. —
Embora não pareça, também faz parte do nosso grupo.
Hoje andaremos muito e amanhã iremos de trem para Florença e Veneza.
Tenho certeza que gostarão da viagem.
Sorriram. Marilda também.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 23, 2017 9:25 pm

Ela, sim, havia gostado muito.
Saíram seguindo o guia.
Em pouco tempo, Marilda já conversava com todos.
Andaram durante o dia todo.
À noite, quando regressaram, alguns ainda quiseram sair, mas Marilda não.
Estava exausta.
Foi para seu quarto, deitou-se e ligou o televisor, mas tinha dificuldade de entender o idioma.
Desligou o televisor e ficou pensando em Júlio e em todos os momentos que haviam passado juntos.
Pelo resto dos dias ela acompanhou o guia.
Foram a Paris, a Espanha, onde, juntamente com os outros, pôde se encantar com tudo que via.
Embora o guia não fosse tão bom quanto Júlio, era competente e conhecia tudo.
Os dias passaram e foram tão corridos, que Marilda não teve tempo de pensar.
Andava o dia todo e, quando chegava ao quarto, só queria dormir.
Aquela viagem havia sido um sonho, mas o que ela queria mesmo era voltar para o Brasil, para sua casa, sua cama e, principalmente, para Júlio.
Na última noite, depois de terem voltado para Roma, deitada, pensou:
"Amanhã à noite, voltarei para o Brasil.
Será que vou me reencontrar com o Júlio?
Claro que sim, ele estava dizendo a verdade.
Assim que chegar e contar tudo que me aconteceu para a Fernanda, vou telefonar para ele e ver qual será a sua reacção.
Fernanda deve estar louca para que eu volte e a acompanhe na sua luta para trazer Antero de volta.
Será que ele vai voltar?
Não sei, mas não poderei mais ficar ao lado dela.
Quando eu chegar ao Brasil será quarta-feira e eu preciso voltar para o trabalho na segunda-feira.
Só tenho mais um fim de semana."
Adormeceu.
O dia seguinte foi livre e ela pôde fazer algumas compras.
Precisou comprar uma mala, pois as que trouxera estavam cheias.
Sem perceber, comprou muito.
À noite foram para o aeroporto e embarcaram de volta para o Brasil:
"Logo voltarei para a minha rotina de trabalho, e agora, queira Deus, não pensarei só no trabalho; terei o Júlio ao meu lado.
Não vejo a hora de o avião aterrizar para que eu possa me encontrar com a Fernanda e contar tudo que aconteceu.
Ela não vai acreditar!
Vai pensar que estou mentindo!
Ainda bem que tenho as fotos que tiramos juntos.
Sei que não vai adiantar, pois, por mais que eu fale, não conseguirei dizer o quanto ele é maravilhoso" -— pensou, já dentro do avião.
Finalmente, o avião aterrizou.
Marilda pegou as malas, passou pela alfândega e saiu.
Lá fora havia uma multidão esperando os que chegavam.
Ela saiu ansiosa procurando Fernanda no meio da multidão, mas não a viu.
Continuou olhando, mas foi em vão.
Definitivamente Fernanda não estava lá.
Ficou ali parada por mais de meia hora, esperando a qualquer momento vê-la chegar.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 23, 2017 9:25 pm

Preocupada, pensou:
"O que será que aconteceu?
Ela sabia que eu chegaria hoje!
Deve ter se atrasado.
Vou me sentar em um desses bancos e esperar.
Ela deve estar atrapalhada com o trânsito."
Esperou mais meia hora; vendo que ela não chegava, resolveu telefonar.
"Acho que ela esqueceu.
Vou telefonar; se ela esqueceu, vou de táxi para casa".
Empurrando o carrinho com as malas, foi até um telefone público.
Discou o número do telefone de Fernanda.
O telefone chamou, chamou, mas ninguém atendeu.
Preocupada, pensou:
"Ela não está em casa, deve estar vindo.
Vou esperar mais um pouco, sei que ela chegará.
Só preciso ter paciência."
Sentou novamente no banco e continuou esperando.
Depois de mais uma hora, resolveu:
"Ela não vem mesmo.
A esta hora, Antero já deve estar no escritório, quem sabe ele pode me dizer algo; vou telefonar.
Novamente foi até o telefone, discou.
Do outro lado da linha, Luciana atendeu.
Estranhou, pois havia ligado para o telefone particular do Antero, que ficava em sua sala, mas naquele momento aquilo era o que menos importava; disse:
— Sou a Marilda, amiga da Fernanda, o Antero está aí?
— Não senhora, ele está no velório.
— Que velório, quem morreu?
— A senhora não sabe?
A dona Fernanda foi encontrada morta ontem de manhã e vai ser enterrada hoje às duas horas.
Marilda estremeceu, precisou encostar-se às malas que estavam no carrinho.
O telefone quase caiu da sua mão:
— Como ela morreu? -— perguntou, gaguejando.
O que aconteceu? Conte, por favor!
— Quando a faxineira chegou, encontrou-a morta.
Parece que foi suicídio, coitada.
— Não pode ser -— agora ela chorava —- ela não fez isso!
Deve haver algum engano!
— Não sei o que dizer, mas essa foi à notícia que chegou aqui na empresa.
— Não acredito que isso tenha acontecido!
Onde ela está sendo velada?
Luciana falou o endereço.
Marilda anotou e desligou o telefone.
Voltou ao banco e, chorando muito, tornou a sentar-se.
"Não pode ser, ela não faria isso!
Está certo que estava desesperada, mas não a esse ponto.
Ah, minha amiga, eu que estava tão feliz e ansiosa para te encontrar.
Você não fez isso, é tudo um engano.
Devo estar sonhando..."
Saiu dali rapidamente, pegou um táxi e foi para o velório.
Quando chegou lá, pediu ao motorista que esperasse.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 23, 2017 9:25 pm

Entraria para ter a absoluta certeza de que aquilo havia acontecido, depois iria para casa levar as malas e voltaria.
O motorista aceitou, ela desceu e ele ficou esperando.
Apressada, se informou onde Fernanda estava sendo velada e foi para lá.
Assim que entrou na sala que servia de velório, viu Antero junto ao caixão.
Aproximou-se chorando e sem falar com ninguém.
Olhou o rosto de Fernanda.
Não havia dúvida, era ela mesma.
Embora estivesse maquiada, seu rosto não estava sereno.
Ao contrário, podia-se até dizer que uma mulher como ela, que sempre foi bonita, estava feia.
Nem parecia a mesma Fernanda que ela conhecia.
Ficou olhando para a amiga, pensando:
"Não acredito que você tenha feito uma loucura dessa.
Por que não esperou a minha volta?
Quando soubesse tudo que me aconteceu, veria que nem tudo está perdido.
Que sempre existe uma chance de felicidade.
Porquê, minha amiga? Porquê?"
Chorava em silêncio.
Sentia-se culpada.
"Se eu estivesse aqui, isso não teria acontecido.
Perdão por eu ter sido tão egoísta e não ter pensado mais em você."
Sentiu uma mão tocando em seu ombro, voltou-se. Era Antero.
Ela, chorando, abraçou-se a ele e perguntou:
—Antero, como isso foi acontecer?
Como ela fez isso?
—Vamos lá fora, precisamos conversar.
Sabia que você estava viajando, mas não sabia quando voltaria.
Ela o acompanhou.
Precisava saber o que havia acontecido e só assim ter a certeza de que Fernanda havia cometido aquela loucura.
Lá fora, distante de todos, perguntou:
—Como aconteceu?
A Luciana me disse que foi a faxineira quem a encontrou.
Estranho, pois sei que ela nunca quis que ninguém mexesse em suas coisas.
Foi ela quem sempre fez a limpeza da casa.
Briguei muitas vezes com ela por causa disso, mas ela ria e dizia que gostava de limpar a casa.
— Também sempre soube disso, por isso estranhei quando Anita, a nossa vizinha do lado, me telefonou lá na empresa, dizendo que a faxineira havia encontrado a Fernanda morta e que ela não sabia o que fazer.
Pedi que ela, se pudesse, fosse lá em casa e ficasse com a faxineira enquanto eu telefonaria para a polícia e depois iria para casa.
Foi isso que fiz.
—Mas o que aconteceu?
Como ela fez essa loucura?
— Segundo a faxineira, Fernanda a contratou por telefone.
Disse e é verdade.
Trabalha já há muito tempo para a Anita, que foi quem a indicou.
A Fernanda combinou com ela para que viesse no dia seguinte, que a estaria esperando.
A faxineira disse que, quando chegou, bateu na porta da frente, mas a Fernanda não abriu; resolveu então dar a volta na casa e viu que a porta da cozinha estava aberta.
Bateu e, como ninguém respondeu, entrou e encontrou Fernanda caída no chão da cozinha.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 23, 2017 9:26 pm

Desesperada, telefonou para Anita contando o que havia acontecido.
Ela, antes de ir a minha casa, me ligou.
Depois de chamar a polícia, fui para casa.
A faxineira estava lá, ao lado de Anita, as duas choravam.
A pobre mulher tremia muito.
Assim que vi a Fernanda deitada no chão, não consegui evitar de me sentir culpado.
Afinal, eu a abandonei sem dar muitas explicações e ela não suportou.
—Como aconteceu isso?
Ela morreu de que maneira?
—Ao lado do seu corpo, tinha um vidro de calmante quase que totalmente vazio.
Os comprimidos são pequenos, mas mesmo assim ela deve ter tomado muitos de uma só vez.
—A polícia disse o quê?
—Ao encontrarem o vidro dos comprimidos e depois da autópsia, chegaram à conclusão de que ela havia se suicidado.
Ficou comprovado que ela ingeriu uma grande quantidade de comprimidos muito fortes.
—A que horas foi isso?
—De acordo com a polícia, mais ou menos as sete ou oito horas da noite.
—Estranho, pois eu sabia que ela tomava comprimidos para dormir, mas não eram fortes.
Eram apenas antidepressivos.
—Não sei como, mas ela tomou comprimidos e fortes.
—Você não estava em casa.
— Não. É a respeito disso que preciso conversar com você.
Para minha surpresa, nem a Regiane sabia que estávamos separados.
Fernanda não contou para ninguém.
Eu estava há mais de dez dias no interior negociando um terreno para uma próxima construção.
Viajei a noite inteira.
Cheguei à empresa, alguns minutos antes da Anita ligar.
Estive pensando, já que a Fernanda não quis contar à nossa filha a respeito da separação, acho melhor que continue ignorando.
Só quem sabe é você, eu e o Flávio.
Poderá ficar calada a respeito disso?
—Não estou entendendo.
Porque quer que eu faça isso?
—Para que Regiane não sofra mais do que já está sofrendo.
Fernanda não queria que ela soubesse, senão teria contado você não acha?
Ela conversou a esse respeito com você?
— Sim. Ela não queria contar, pois tinha esperança que você voltasse para casa.
Mas agora não sei se devo ficar calada.
—Até agora, não sei por que me separei dela.
Durante esses dias em que estive longe e sozinho, tive tempo para pensar.
Descobri que sempre amei a Fernanda, ia pedir a ela para que me aceitasse de volta.
—Um pouco tarde para pensar isso, não acha?
—Infelizmente. Tenho me amargurado muito por isso!
—Bem, preciso ir embora.
Cheguei de viagem agora.
Fiquei sabendo no aeroporto e as minhas malas estão no táxi.
Vou para casa e voltarei logo. Até mais.
—Até mais e, por favor, pense no que falei a respeito do Regiane, ela não precisa sofrer mais.
— Vou pensar.
Estava saindo quando ouviu uma voz lhe chamando; se voltou, era Regiane, filha de Fernanda, que corria para encontrá-la.
Marilda parou, abriu os braços e Regiane se abraçou a ela.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Nov 24, 2017 9:10 pm

—Tia Marilda -— Regiane disse chorando -— não entendo.
Como a minha mãe foi fazer uma coisa dessas?
Porque foi?
Você sabe?
Sempre foi a sua melhor amiga, deve saber o que estava acontecendo!
Porque ela fez isso?
Abraçada a ela e por detrás dos seus ombros, Marilda viu Antero, que com os olhos lhe pedia que não falasse o que haviam conversado.
Ela se afastou de Regiane, dizendo:
— Também não sei qual foi o motivo.
Estava viajando e só retornei hoje pela manhã e, assim como você, estou surpresa, sem saber o que dizer ou pensar.
Até agora, ainda não acredito que isso tenha realmente acontecido.
—Mas aconteceu!
A minha mãe está morta e eu não estou suportando tanta dor.
Ainda mais da maneira como foi.
Porque ela não confiou em mim?
Não me contou seus problemas?
Nunca pensei que ela tivesse algum!
— Procure ficar calma.
Como você, também estou sofrendo, mas de nada vai adiantar se desesperar, só ela poderia nos dizer qual era o problema.
Portanto, ficaremos sem saber.
Estavam ainda abraçadas, quando Rui, o marido de Regiane, chegou perto delas.
— Regiane, o Marquinhos - está com fome.
— Nossa! Esqueci de dar a mamadeira!
Tia Marilda, preciso ir, meu filho precisa de mim.
Marilda sorriu.
— Tem razão, pode ir e não esqueça que ele precisa muito de você.
Também preciso ir até em casa, mas voltarei logo.
Rui e Regiane se afastaram.
Marilda olhou para Antero, que de longe a observava; acenou e foi embora.
O motorista a esperava, entrou no carro e seguiram.
Ela, em silêncio, não conseguia tirar de sua mente o rosto de Fernanda naquele caixão.
Estava com sentimento de culpa e, enxugando com um lenço as lágrimas, pensava:
"Eu não deveria ter ido embora.
Se eu estivesse aqui, ela teria com quem conversar e não faria isso.
Mas como eu poderia saber?
Essa minha viagem estava programada há tanto tempo!
Era o sonho de minha vida.
Não sei o que fazer, nem o que pensar.
Fernanda, eu ia te contar tudo que me aconteceu.
Queria que você visse que sempre existe uma chance de ser feliz.
E o Júlio? Com tudo isso, esqueci de ligar, mas também, hoje, não tenho como conversar com ele; acho melhor deixar para amanhã, não tenho muito tempo.
Só vou deixar as malas em casa, pegar o meu carro e voltar para o velório."
Quando chegaram a sua casa, o motorista levou as malas para dentro.
Ela agradeceu a gentileza.
Pagou, deu uma gorjeta e ele foi embora.
Renata sabia que ela voltaria naquele dia e estava na cozinha preparando o almoço.
Como a cozinha ficava nos fundos da casa, não ouviu o carro parando.
Só percebeu que Marilda havia voltado quando ouviu a porta da frente se abrir.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Nov 24, 2017 9:11 pm

Foi para lá.
— Dona Marilda, que bom que voltou!
— Estou feliz por ter voltado, só não estou mais por aquilo que aconteceu com Fernanda.
— A senhora tem razão, foi muito triste.
Quando a filha dela telefonou para cá perguntando sobre a senhora e me contou o que havia acontecido, eu nem acreditei.
A dona Fernanda era tão boa, como foi morrer dessa maneira?
— Não sei, também não me canso de fazer essa pergunta.
Por mais que pense, não consigo aceitar a morte dela.
Agora, vou tomar um banho rápido, trocar esta roupa e voltar para o velório.
Preciso me apressar.
Quero dar-lhe o meu último adeus.
— A senhora não vai almoçar?
— Não tenho fome, nem tempo.
Preciso me apressar!
— Vou lhe preparar uma salada e um bife, a senhora não pode ficar sem comer.
— Está bem, faça isso, enquanto eu tomo banho e me visto.
Renata foi para a cozinha, Marilda entrou no quarto, tomou o banho, se vestiu e foi até ela.
Ao passar pela copa, viu que a mesa não estava colocada, foi para a cozinha.
Renata estava terminando de temperar a salada e, ao vê-la chegando, disse:
— Dona Marilda, já vou colocar a mesa.
— Não precisa, estou com pressa, preciso voltar ao velório.
Vou comer aqui mesmo na cozinha.
Sentou-se.
Comeu algumas folhas e um pedaço de carne, mas não conseguiu continuar; disse:
— Não estou conseguindo comer, vou embora.
Renata apenas sorriu.
Ela sabia da amizade que havia entre as duas, por isso entendeu a dor de Marilda.
Marilda, enquanto se dirigia ao velório, recordava todo o tempo que conviveu com Fernanda.
De quando eram crianças, do tempo da escola e de quando aprenderam a ler juntas.
Da sua felicidade quando começou a namorar com Antero.
De quando ela veio lhe dizer que estava grávida e que não sabia como contar a ele.
Do casamento, nascimento, baptizado, primeira comunhão da filha.
Da alegria quando abriram à construtora.
Da compra da sua casa e de cada móvel comprado para ela.
"Sempre estivemos presentes uma na vida da outra.
Apesar de ter se casado, nunca nos separamos.
E agora Fernanda está lá, naquele caixão, mas o rosto que vi lá não é o dela.
Ela foi sempre terna, aquele rosto está crispado, como se sofresse muito.
Não, ela não se mataria.
Temia a Deus e, por isso, sabia que o suicídio é um pecado que não tem perdão e que se fizesse isso iria para o inferno.
Não! Ela não se matou!"
Parou o carro em um semáforo.
Ainda pensando:
"Inferno!
Será que vai para o inferno?
Não, não pode ser.
Ela sempre foi muito boa, teve uma vida digna, nunca fez mal a ninguém.
Foi sempre ponderada e temente a Deus.
Estava deprimida, fora de si.
Não suportou o abandono.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Nov 24, 2017 9:11 pm

Se ela for para o inferno, não há justiça.
Deus não poderia ser tão implacável."
Chegou ao cemitério, faltavam vinte minutos para o enterro.
Assim que entrou na sala, viu a filha de Fernanda e Antero em volta do caixão.
Tinha muita gente.
Amigos, parentes e os funcionários da construtora.
Ela não quis se aproximar, não queria ver o rosto de Fernanda da maneira como estava.
Queria se lembrar dela como sempre foi:
alegre e sorridente.
Ficou a certa distância.
Regiane chorava, mas Antero chorava muito mais.
Ele soluçava a ponto de seu corpo tremer.
As pessoas tentavam consolá-lo.
Marilda, revoltada com aquela situação e não se conformando, pensou:
"Deve estar com remorso, pois sabe muito bem que ela fez isso por sua culpa, por tê-la abandonado sem uma explicação.
Ele sabe que ela sempre viveu para ele e para a filha.
Está mesmo com remorso e isso há de acompanhá-lo pelo resto da vida.
A filha dele o está abraçando, mas será que ela estaria assim, tão carinhosa, se soubesse o que ele fez com a sua mãe?
Fernanda, você foi mesmo uma cretina!
Porque não contou à sua filha o que ele fez?
Não sei se devo contar.
Ela não queria, e também do que adiantaria?
Ela se foi para sempre, não voltará mais.
Antero tem razão, para que aumentar a dor da Regiane?"
Chegou a hora de fechar o caixão.
Todos se aproximaram menos Marilda, que continuou distante.
O caixão foi fechado.
Foi acompanhado, por todos, até o túmulo, onde deveria ser sepultado.
Assim que foi colocado no fundo, as pessoas se aproximaram jogando flores sobre ele.
Marilda também se aproximou, beijou uma rosa que trazia em suas mãos e jogou.
"Vá com Deus, minha amiga, sei que Ele não vai te abandonar", pensou, em lágrimas.
Em seguida, as pessoas começaram se afastar, ela também.
Seu coração estava apertado por saber que nunca mais encontraria aquela sua amiga tão querida.
Não se despediu de ninguém, estava sofrendo muito, não queria mais prolongar tudo aquilo.
Queria chegar a casa, se deitar e relembrar com carinho de sua amiga, que havia feito aquela besteira sem fim.
Estava entrando no carro, quando alguém a chamou.
Olhou para trás, era Antero, que se aproximava correndo.
Ela ficou parada, esperando-o chegar.
Assim que chegou, disse:
— Marilda, tem lá em casa um carro que pertence a uma mulher chamada Ivete, você sabe quem é ela?
— Sei sim, é uma amiga minha.
Ela emprestou o carro para que Fernanda pudesse te seguir, sem ser notada.
— Me seguir! Para quê?
— Ela queria descobrir quem era a outra.
— Não existe outra!
Se ela realmente me seguiu, viu que eu estou morando sozinho, em um dos nossos apartamentos.
— Se não tem outra, por que não deu para Fernanda um motivo no qual ela pudesse acreditar?
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Nov 24, 2017 9:11 pm

Desde que soube da morte dela, estou pensando:
será que ela não fez essa loucura por ter descoberto com quem você estava saindo?
Será que ela não fez isso por acreditar que você não voltaria mais para casa?
Será que não foi por ter perdido a esperança e por ver que toda a vida dedicada a você não valeu nada?
— Eu te disse que nem eu mesmo sei qual foi o motivo e que estava querendo pedir perdão...
Voltar para casa...
—Você me disse, mas não sei se posso acreditar.
Estou confusa.
De qualquer maneira, ela está morta e nada poderá modificar isso.
Estou triste, nervosa e muito abalada com tudo que aconteceu.
Vou para casa descansar e amanhã vou até lá pegar o carro e levá-lo para a Ivete.
Você está com a chave e com os documentos?
— Estão no meu carro, vou pegar e te darei também a chave do portão, para que possa entrar sem problema algum.
Ele foi até seu carro, que estava ali, naquele mesmo estacionamento, e voltou trazendo as chaves, os documentos e a chave do portão.
Entregou tudo para Marilda, que, muito nervosa, entrou no carro, ligou, acelerou e foi embora, sem se despedir.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Nov 24, 2017 9:11 pm

Surgem dúvidas
Chegando a casa, lembrou-se que Renata já tinha ido embora.
Foi para seu quarto, trocou de roupa, colocou uma camisola.
Queria deitar e tentar dormir.
Estava cansada da viagem e das fortes emoções que sentiu.
Em seguida, foi para a cozinha, abriu a geladeira, pegou uma fatia de pão, colocou manteiga e um pedaço de queijo, sentou-se e começou a comer.
Não estava com fome, mas sabia que precisava se alimentar.
Voltou para o quarto, tomou um comprimido e deitou-se.
Poucos minutos depois estava dormindo.
Sonhou que estava em um campo florido, correndo para encontrar com alguém que ela não via o rosto.
Quando estava se aproximando, ouviu um barulho, despertou.
Era o telefone que estava tocando.
Esticou o braço e pegou o aparelho que estava sobre o seu criado-mudo.
Atendeu:
—Alô!
—Alô, Marilda!
Sou eu, o Júlio! Estava dormindo?
— Júlio!
—Por que o espanto?
Fiquei esperando o dia todo o seu telefonema.
Você disse que ia telefonar.
—Desculpe, não deu...
— Entendo. Como não ligou, pensei que estivesse com a sua amiga contando tudo sobre a viagem; resolvi esperar até a noite.
Ela está bem?
Marilda olhou para o relógio, eram oito horas da noite.
—Ela... Ela... Está morta...
—Morta?! Como e quando isso aconteceu?
Marilda contou o que aconteceu, terminou dizendo:
— Por esse motivo não te telefonei —- disse com lágrimas correndo por seu rosto - estava confusa demais, cansada demais...
—Entendo, foi difícil.
Ela era muito sua amiga, não?
—Sim, crescemos juntas.
Estou completamente atónita.
O que mais me preocupa é saber que ela deve estar no inferno.
Eu não consigo aceitar...
—Quem te disse isso?
—Foi o que sempre ouvi dizer desde criança.
—Acredita mesmo que Deus, sendo um Pai maravilhoso, poderia condenar um filho seu ao fogo eterno?
—Não sei, não quero acreditar que isso seja possível, mas foi o que sempre ouvi dizer.
O suicídio é um pecado sem perdão...
—É sim um pecado imenso; quem o pratica deve sofrer muito.
Mas sofrer eternamente, isso Deus não permitiria.
Ele é o nosso Criador e sabe que não somos perfeitos, mas nos ama muito.
Assim como um pai aqui na Terra castiga um filho quando faz algo errado para em seguida perdoá-lo, muito mais faz Deus.
Talvez até nos dê algumas provações para conseguirmos a perfeição, mas estará sempre de braços abertos, esperando por nosso pedido sincero, de perdão e a nossa vontade de acertar.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Nov 24, 2017 9:12 pm

Nos dará sempre novas chance para que isso aconteça.
—Acredita mesmo nisso?
— Sim, pois, se acreditamos em Deus, temos que acreditar nisso, porque, se não fosse assim, Deus não seria nosso Pai, nosso Criador.
Se acreditamos, devemos confiar no Seu amor.
— Não sei, estou muito confusa.
— Entendo. Gostaria que você conversasse com a minha mãe e com a Lia, sua amiga.
A Lia entende muito de vida pós-morte, poderá te explicar muitas coisas e tirar suas dúvidas.
—Você me falou sobre ela, mas eu não acredito nessas coisas de espíritos.
— Mas acredita que Deus é um Pai vingativo e tirano...
— Não, ele é maravilhoso!
Só não sei se acredito nessas coisas de espíritos e tudo mais.
—Está bem, não vou te obrigar a acreditar, mas não custa conversar.
Se quiser, falarei com a minha mãe e ela convidará a Lia para ir lá em casa.
Nesse dia, também te levarei e ela poderá te ajudar.
O que acha?
— Não sei, estou confusa.
—Tenho que desligar, estou aqui no hospital.
Preciso ver um paciente.
Pense sobre o assunto.
Amanhã, me telefone, mesmo que não aceite a minha sugestão.
Estou com muitas saudades e louco para te ver, abraçar e beijar!
— Está bem, vou pensar, também estou com muitas saudades e com as mesmas vontades que você.
— Nunca, mas nunca mesmo, se esqueça que te amo...
— Não esquecerei, também te amo.
Desligou o telefone, seu coração batia forte.
"Como fui esquecer-me de telefonar?
Ainda bem que ele telefonou.
Já é noite! Dormi muito!"
Saiu da cama e foi até o escritório para ver se havia algum recado do trabalho.
Não havia recado sobre a mesa.
Sinal de que ninguém havia telefonado, pois Renata sabia que todo recado deveria ser anotado.
Foi para a cozinha, olhou a comida, que estava pronta, mas ainda não sentia vontade de comer.
Fez outro sanduíche, comeu, voltou para o quarto.
Ligou o televisor, mas também não achou algo que lhe interessasse.
Saiu do quarto e foi para sala, mas lá também não se sentiu bem.
Foi até o quintal, chegou ao portão e olhou os dois lados da rua.
Tudo estava quieto, as pessoas deviam estar dentro de suas casas.
Olhou para o céu, que estava com poucas estrelas, e a lua, quase apagada, escondida por uma pequena neblina.
"Não estou conseguindo ficar em lugar algum, estou com um peso grande nas costas.
Tem algo que está me incomodando, mas não sei o quê.
Talvez seja a tristeza por aquilo que aconteceu com a Fernanda.
Não consigo aceitar que ela tenha acabado com a própria vida!
Será que aquela amiga da mãe do Júlio consegue mesmo falar com os mortos?
Será que tudo aquilo que ele me contou é verdade?
Não sei, essas coisas são misteriosas e nunca dei atenção.
Mas, se for verdade, ela poderá falar com Fernanda e, assim, eu saberei o que realmente aconteceu.
Amanhã vou pedir ao Júlio que marque um encontro com aquela mulher.
Como é mesmo o nome dela?
Lia. É isso mesmo; se ela pode realmente falar com os mortos, falará com a Fernanda; só assim terei paz novamente."
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Nov 24, 2017 9:12 pm

Voltou para o quarto.
Deitou-se novamente.
Pegou um livro e tentou ler, mas não conseguiu.
Ficou assim o resto da noite, virando-se de um lado para outro na cama, até que finalmente conseguiu adormecer.
Ao acordar pela manhã, sentiu que todo aquele peso que estava sentindo na noite anterior havia desaparecido.
"Eu devia estar cansada da viagem e também triste pela morte de Fernanda, mas, apesar de tudo que possa acontecer, a vida tem que continuar.
Vou telefonar para o Júlio.
Ainda bem que ele surgiu em minha vida, bem agora, neste momento em que eu estava precisando tanto de alguém com quem pudesse conversar e confiar.
Agora que a Fernanda se foi, não tenho mais ninguém com quem possa falar tudo que estou sentindo.
É... a vida não pára mesmo... — sorriu.
Estou com fome, vou até a cozinha comer alguma coisa..."
Levantou-se, foi para a cozinha e entrou no exacto momento em que Renata abria a porta que dava para a rua e entrava também.
— Bom dia, dona Marilda, a senhora já se levantou?
Pensei que hoje fosse dormir até mais tarde.
A senhora deve estar cansada da viagem e com tudo que aconteceu.
— Bom dia!
Embora esteja mesmo cansada, acordei há pouco e não consegui ficar na cama.
— Espere só um pouquinho, que já vou preparar o seu café.
— Enquanto isso vou tomar um pouco de suco.
Abriu a geladeira, pegou uma garrafa de suco, colocou em um copo, sentou-se e começou a tomar.
Renata, que estava junto ao fogão esperando a água ferver para coar o café, disse:
— Que tristeza o que aconteceu com a dona Fernanda...
— Foi sim.
Ainda mais da maneira como aconteceu.
— Isso é que não estou entendendo.
Quando ela falou comigo, parecia alegre e feliz.
Eu nunca poderia imaginar que ela fosse fazer aquilo.
—Você falou com ela?
Quando? -— Marilda, nervosa e levantando-se, perguntou.
— No dia em que a Dona Fernanda morreu.
Eu estava me preparando para ir embora, o telefone tocou, eu atendi, era ela.
— O que ela queria?
O que disse?
— Queria saber se a senhora tinha telefonado.
Eu disse que não.
Aí, ela disse que, se a senhora telefonasse, era para eu dizer que estava tudo bem e que o doutor Antero ia jantar na casa dela naquela noite.
Por isso, ela estava preparando um jantar especial.
Parecia que ele queria voltar para casa.
Ele tinha saído?
— Espere, espere, repita o que você acabou de me dizer.
— Foi assim mesmo.
Ela me pareceu feliz.
Como poderia se matar naquela noite?
— Não sei.
Mas tenho quase certeza que ela não se matou, só não sei o que fazer.
Vou telefonar e depois sair.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Nov 24, 2017 9:12 pm

— A senhora não vai tomar o café?
— Termine de preparar, mas não precisa colocar a mesa.
Só Vou tomar café preto.
Preciso pensar.
Renata ficou calada.
Marilda foi para o seu quarto, pegou o telefone, telefonou para o hospital onde Júlio trabalhava.
Ele não estava lá, chegaria mais tarde.
Ia chamar pelo bipe, mas achou melhor não fazer isso.
Telefonou para Ivete.
Conversou com ela, disse que iria até lá levar o carro que estava com Fernanda e rapidamente contou-lhe sobre a morte dela, pois Ivete ainda não sabia o que tinha acontecido.
Ivete disse que estava esperando e que poderiam almoçar juntas.
Assim que desligou o telefone, tomou banho.
Vestiu-se e voltou para a cozinha.
Renata tinha terminado de colocar o café em cima da mesa, só colocou uma xícara.
Marilda não sentou, tomou o café e saiu dizendo:
—Renata, estou indo agora me encontrar com uma amiga.
Se alguém ligar, não deixe de anotar o recado.
Antes vou telefonar para o escritório e ver como as coisas estão por lá.
— Está bem.
Eu não me esqueço de anotar, não.
Marilda terminou de tomar o café.
Em seguida, telefonou para o escritório.
Estava tudo bem e ela avisou que voltaria a trabalhar na segunda-feira.
Pegou as chaves do carro.
Precisava ir até a casa de Fernanda pegar o carro de Ivete e deixar o de Fernanda.
Fez isso.
Assim que chegou à empresa onde Ivete trabalhava, se anunciou e foi recebida por ela na recepção.
— Marilda, que bom te ver.
Foi boa a viagem?
— Foi óptimo, o difícil foi o que encontrei quando retornei.
— Foi uma pena mesmo.
Preciso ver algumas coisas, depois sairemos para almoçar e conversaremos.
Pode me esperar um pouco?
Não vou demorar muito.
— Claro que sim.
— Fique lendo essas revistas que estão aí, volto em seguida.
Saiu. Marilda pegou uma revista e começou a ler.
Alguns minutos depois, Ivete retornou e as duas saíram.
Foram a um restaurante que ficava lá perto, onde Ivete estava acostumada a almoçar.
Sentaram-se e fizeram o pedido.
Enquanto bebiam um refrigerante e esperava a refeição chegar, Ivete disse
— Você me contou sobre a morte da Fernanda, mas não falou como foi.
Quando ela esteve com você me visitando, parecia gozar de perfeita saúde.
Um pouco nervosa com a situação que estava vivendo, mas não me pareceu doente.
— E não estava!
— Do que ela morreu?
— Dizem que ela se suicidou, mas eu não acredito Ivete...
— Meu Deus!
Como foi isso, Marilda?
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Nov 24, 2017 9:12 pm

Marilda contou o que haviam lhe dito.
Quando terminou, Ivete, com ar preocupado, disse:
—Se isso aconteceu realmente, ela não deve estar bem.
- Sei disso e é exactamente o que está me deixando mais nervosa e triste.
Estou com medo que ela tenha ido para o inferno.
— Ela não deve estar em um bom lugar, mas com certeza não está no inferno.
Deus não permitiria um sofrimento eterno.
— Alguém já me disse isso, mas custo a acreditar.
— Só não consegue se não acreditar que exista um Deus, e que Ele é nosso criador e um Pai amoroso.
— Acredito Nele, mas sei também que Ele deixou algumas regras para serem seguidas.
Algumas coisas que não poderíamos fazer; entre elas, o suicídio talvez seja a pior.
— Sim, é um erro terrível e mostra que a pessoa não confia em Deus e não acredita que sempre exista uma solução para qualquer problema.
Por um acto como esse, terá que pagar, sim, mas não com o fogo eterno.
Se assim fosse, Ele não seria nosso Pai, mas um carrasco.
Aqui mesmo, na Terra, existe sempre um julgamento antes que alguém seja condenado.
Imagine com Deus!
— Alguém que conheço disse essas mesmas palavras.
Também acredita em um castigo, mas não eterno.
Ele segue essa sua religião.
Gostaria de acreditar nisso.
Tremo só em pensar o quanto ela deve estar sofrendo.
Não consigo esquecer o rosto dela dentro daquele caixão.
—O que precisa é lembrar-se dos bons momentos que passou com ela.
Pedir muito a Deus que ela seja protegida e acreditar que essa protecção existe, e não esquecer que, a qualquer momento em que ela se arrependa do acto que cometeu e pedir ajuda, com certeza a ajuda virá.
O que você viu no caixão foi só o corpo, a ferramenta que serviu para dar a ela a oportunidade de vir para cá e cumprir a sua missão.
Agora, o corpo já não serve mais e deve ser reverenciado pelo trabalho que prestou.
Ele vai descansar, mas o espírito dela, esse não.
Vai continuar mais vivo do que nunca.
Está neste momento encarando a sua verdade.
—Não entendo muito bem o que você está dizendo.
Missão? Que missão?
Ela não fez nada de importante!
Viveu só para a casa, o marido e a filha!
— Ela fez exactamente o que precisava ser feito.
Ser uma boa mãe e esposa.
Isso é, talvez, uma das tarefas mais difíceis a serem cumpridas.
Muitas pessoas não dão valor, mas é uma das mais belas missões.
Talvez você devesse ler alguns livros.
Eles podem te ajudar muito, posso te emprestar alguns.
— Não sei se estou pronta para isso.
Embora não seja praticante, tenho minhas convicções religiosas.
—Está certa.
Não se preocupe, quando chegar a hora, de uma maneira ou de outra, tomará conhecimento da espiritualidade.
Por enquanto, reze muito por Fernanda.
É a única coisa que ela está precisando no momento.
—Acredita que alguém possa ver e falar com os mortos?
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Nov 24, 2017 9:13 pm

—Existem pessoas que têm esse dom.
Já tive muitas provas.
—Essa pessoa com quem conversei disse que conhece uma mulher que fala com os mortos.
Estou pensando em ir vê-la para ver se consigo falar com Fernanda.
—A sua morte está muito recente e, nas condições que foi, acredito que será difícil, mas não custa tentar.
Tome cuidado, pois existem pessoas que agem de má fé.
Se te pedirem alguma espécie de pagamento, não aceite e nem acredite no que te disserem.
Lembre-se, não chame por Fernanda, nem insista em vê-la.
Na hora em que for permitido, isso acontecerá.
— Estou quase certa de que ela não cometeu suicídio.
Ela não faria isso!
Lutaria de outra forma para trazer Antero de volta.
— Se isso não aconteceu, melhor para ela.
Está hoje tendo assistência, mas por tudo que me contou, não restam dúvidas.
— Ainda assim, tenho minhas dúvidas, só não sei como provar.
Mas farei tudo para descobrir o que aconteceu.
—Não se preocupe com isso, apenas reze por ela e, muito mais, para que não tenha tirado a própria vida.
—Mas se ela não se matou, foi assassinada!
A pessoa que a matou fica livre?
—Ninguém fica livre.
Pode não ser condenado aqui na Terra, mas com certeza terá que responder a uma força maior e suprema.
Fique calma e aceite a morte dela e continue a sua vida.
Ainda tem muito para fazer.
Tem uma missão a cumprir.
—Ainda não cumpri a minha missão, não me casei, nem tive filhos! -— Marilda disse rindo.
—Mas, por outro lado, trabalha do lado da lei e, assim, ajuda muitas pessoas a terem os seus direitos respeitados.
Todas as profissões são verdadeiras missões.
Não importa qual seja.
Você já imaginou se não existisse o lixeiro, que limpa a nossa cidade?
Aquele que planta para que aqui, na cidade, possamos comer?
O padeiro, o sapateiro, a costureira e, por fim o coveiro, que dá repouso para o nosso corpo?
Além de tantas outras pessoas que trabalham para ajudar as outras.
Todos fazem parte de uma grande corrente, uma profissão ajuda a outra e todos caminham para a perfeição.
Não importando a nossa cor, estado civil, social ou religioso, somos todos filhos do mesmo Deus e Ele nos ama a todos da mesma maneira.
Pode parecer, algumas vezes, que somos injustiçados, mas com certeza isso não acontece.
Ele apenas nos dá a oportunidade de aprendermos, resgatarmos nossos erros, darmos valor a tudo que nos acontece e principalmente à nossa vida, pois dela depende o nosso aprimoramento e o nosso futuro.
—Olhando por esse ponto de vista, você está certa.
Todas as profissões são mesmo uma missão.
—Por isso, todas têm de ser exercidas com amor.
Agora, precisamos comer.
Tenho que voltar ao meu trabalho.
—E eu tenho muito que aprender a esse respeito.
Preciso te agradecer, em nome da Fernanda, por ter emprestado o seu carro.
Não é qualquer pessoa que faz isso...
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Nov 24, 2017 9:13 pm

—Não tive problema algum, você me deixou o seu.
Foi uma pena mesmo que ele não serviu para aquilo que ela queria.
—De qualquer maneira, obrigada.
Almoçaram.
Marilda entregou as chaves e os documentos do carro, que estava no estacionamento.
Despediu-se, pegou o seu carro que estava com Ivete, e foi embora cheia de dúvidas.
Enquanto dirigia de volta para casa, Marilda foi pensando em tudo que Ivete havia lhe dito.
"Ela parece tão segura do que fala.
Como pode aceitar tudo com tanta naturalidade?
Será que é mesmo da maneira como ela pensa?
Será que existe mesmo vida depois da morte?
Será que os mortos podem mesmo se comunicar?
São muitas as perguntas e poucas as respostas.
Desde criança, aprendi que eu precisava fazer só o bem, senão iria para o inferno.
Sempre acreditei nisso e procurei fazer o bem; se não consegui, o mal, com certeza, nunca fiz.
Hoje, depois do que aconteceu com a Fernanda, não quero nem consigo acreditar que exista um inferno, onde as pessoas sofram por toda a eternidade.
Não quero aceitar, mas e se existir?
A Fernanda estará queimando no inferno?
Não pode ser!
Ela foi sempre muito boa.
Não sei o que fazer.
Talvez seja uma boa ideia eu ir falar com a amiga do Júlio... quem sabe ela consiga me tirar dessas dúvidas.”
Chegou ao portão de sua casa, entrou e estacionou o carro na garagem.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Nov 24, 2017 9:13 pm

Coisas do destino
Entrou em casa.
Renata estava na lavandaria, foi até ela e perguntou sorrindo:
— Tudo bem por aqui?
— Está sim; e a senhora, como está?
— Estou bem, preciso telefonar.
— Um moço, chamado Júlio, telefonou e pediu que assim que a senhora chegasse, telefonasse para ele.
Sem conseguir evitar, um brilho diferente surgiu em seus olhos.
O brilho foi tão intenso, que até Renata percebeu:
— A senhora ficou feliz com isso que falei?
— Muito! Vou telefonar!
Marilda saiu correndo da lavandaria, foi para seu quarto, deitou, pegou o telefone e discou o número do consultório.
Alguém atendeu.
Ela perguntou por Júlio.
Pediram que esperasse.
Alguns segundos depois ouviu a voz dele:
—Marilda! Que bom que telefonou!
Desde que cheguei estou esperando que me telefonasse.
—Telefonei logo cedo, mas você ainda não havia chegado.
Tive que sair e acabei de chegar.
—Ainda bem que telefonou.
Vou ficar aqui até as sete horas, depois disso poderemos jantar?
—Está me convidando?
—Claro que sim.
Estou morrendo de saudade e quero saber como foi o resto da sua viagem!
Você aceita?
—Está bem, aceito.
Também estou morrendo de saudade e preciso conversar com você a respeito daquilo que me falou sobre Fernanda e sobre a amiga da sua mãe.
—Pensou no assunto?
—Sim, e muito.
—Quer falar com a Lia?
—Sim, acha que ela falará comigo?
—Claro, ela é uma pessoa muito boa e gosta de falar sobre esse assunto.
Vou telefonar para a minha mãe e ver se ela marca com a Lia.
Agora, preciso desligar, tenho paciente me esperando.
Até à noite.
Você vem até aqui ou quer que eu vá te buscar?
— Eu vou até aí.
Assim nos encontraremos mais rápido.
—Está vendo por que te amo?
É uma mulher prática e decidida.
Até mais.
Ela sorriu e desligou o telefone.
"Ele é mesmo maravilhoso!
Que bom que surgiu em minha vida!
Acho que estou amando mesmo!
Preciso me preparar para o nosso encontro, quero estar bem bonita.
Vou até o cabeleireiro preciso dar um jeito nos cabelos, fazer as unhas."
Passou o resto da tarde se preparando.
Quando voltou para casa, já eram seis horas.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Nov 24, 2017 9:14 pm

Estava em frente ao espelho dando os últimos retoques, quando, de repente, pensou:
"Nossa! Com toda essa correria, esqueci completamente da Fernanda.
Desculpe minha amiga, mas isso não se repetirá!
Prometo que não vou te esquecer, nem só mais um dia.
Vou tentar conversar com você através da tal Lia.
Vai ser difícil ela me convencer.
Como disse a Ivete, preciso tomar cuidado para não ser enganada.
Não acredito nessas coisas, mas, se houver uma chance de saber como você está, eu vou tentar."
Ela, que durante toda a tarde estivera feliz com a expectativa do encontro, naquele momento ficou triste e sentindo-se culpada por ter esquecido a amiga.
Olhou mais uma vez para o relógio, estava na hora e precisava sair.
Saiu. Faltavam dez minutos para as sete quando chegou ao consultório que ficava em um prédio no centro da cidade.
Entrou no elevador, apertou o quinto andar.
A porta se abriu, ela saiu olhando para os números que estavam nas portas.
Encontrou o número cinquenta e três, parou.
Na porta, estava escrito com letras douradas:
Dr. Júlio César Coutinho.
Um pouco abaixo, outra placa menor escrito, Entre.
Era atrás daquela porta que ele a estava esperando.
Seu coração bateu forte, respirou por três vezes, virou a maçaneta e entrou.
Lá dentro, uma moça, que estava sentada atrás de uma mesa sorriu:
— A senhora é a dona Marilda?
— Sim, sou.
— O doutor Júlio pediu que a senhora, por favor, esperasse, pois chegou um cliente de última hora.
Pediu também que eu lhe servisse água, refrigerante ou café.
— Não, obrigada, não é preciso.
Posso me sentar?
— Claro que sim.
Tem aí algumas revistas, fique à vontade.
Marilda sentou e pegou uma revista, abriu e fingiu ler.
Pois na realidade, estava tão ansiosa por aquele encontro, que não conseguia concentrar-se na leitura.
Enquanto fingia ler, olhou por toda a sala.
Era decorada em cores alegres.
O ambiente era agradável.
Ficou ali, olhando a todo instante para a porta, esperando que ela se abrisse, pois ali julgava ser o consultório.
Não saberia dizer por quanto tempo esperou, mas parecia ser uma eternidade.
Na realidade, passaram só dez minutos e a porta se abriu.
Um senhor saiu e logo atrás Júlio, com seu sorriso permanente.
Despediu-se do paciente, que saiu.
—Você chegou! -— disse voltando-se para ela.
— Que bom, fiquei com medo que não viesse.
Olga, agora você já pode ir.
—Está bem doutor, até amanhã.
Boa noite.
—Boa noite.
A moça se levantou, olhou para Marilda, despediu-se e saiu.
Assim que a porta se fechou atrás dela, antes que Marilda se desse conta, Júlio, num impulso, a abraçou e beijou com paixão.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Nov 24, 2017 9:14 pm

Ela, a princípio, se assustou, mas depois se entregou àquele beijo.
Beijaram-se com saudade até que, finalmente, resolveram que estava na hora de sair.
Antes, porém, a levou para dentro do consultório.
Mostrou seus aparelhos, que para ela eram complicados, e explicou como funcionavam, depois saíram.
Quando chegaram à porta do prédio, ele perguntou:
—Onde deixou o seu carro?
—Ali, naquele estacionamento, do outro lado da rua.
—O meu está na garagem do prédio.
Vamos fazer o seguinte:
esse estacionamento fecha às oito horas.
É melhor irmos no seu carro, pois o meu posso pegar a qualquer hora.
Está bem; você dirige?
— Se preferir, para mim não há problema algum.
Atravessaram a rua, pegaram o carro e foram para um restaurante elegante, que, segundo Júlio, tinha uma comida muito boa.
Sentaram-se. Júlio olhou sério para ela, dizendo:
—Que tal, para comemorarmos esse nosso reencontro, tomarmos champanhe?
—Adoraria, embora não seja de beber muito...
Mas hoje é um dia especial.
—Também não bebo.
Sou cardiologista e sei os riscos da bebida para o coração.
Mas um pouco não faz mal, até faz bem.
Comeram, beberam e, quando Marilda quis falar sobre Fernanda, ele a interrompeu.
—Não vamos falar sobre tristezas.
Hoje, quero que seja só de felicidade.
Conversaremos sobre isso em outra hora.
Ela sabia que ele tinha razão, aquele assunto poderia ficar para depois.
O que mais queriam era aproveitar aqueles momentos.
Quando terminaram de comer e estavam saindo do restaurante, ele disse:
—Agora, o que vamos fazer?
—Não sei, estou à sua disposição, Júlio.
—Está mesmo? -— disse sorrindo e piscando um olho.
Ela percebeu o que havia dito, ficou envergonhada.
Ele, percebendo o seu constrangimento, disse rindo:
—Por que está envergonhada?
Também estou à sua disposição.
Temos duas opções, podemos ir a um teatro, cinema, ou ir para um lugar tranquilo e colocarmos o nosso amor em dia.
Você é quem escolhe.
—Estou gostando da segunda opção.
Para onde quer me levar?
Confio inteiramente em você —- ela disse sorrindo.
—Gostaria mesmo de te levar para a minha casa, mas lá estão a minha mãe e os meus filhos.
Por enquanto, não ficaria bem.
Vamos esperar mais um pouco.
Podemos ir para um hotel passarmos a noite.
Garanto que não vai se arrepender. Que acha?
Ela, sem titubear, aceitou.
Foram para um hotel, pediram uma suíte.
Passaram toda a noite se amando, matando a saudade.
Pela manhã, ao acordar, Marilda viu que ele não estava deitado ao seu lado.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Nov 24, 2017 9:14 pm

Lembrou do que havia acontecido em Veneza e não se preocupou.
Virou, fechou os olhos e ficou pensando em tudo que havia acontecido naquela noite.
Sorriu feliz.
"Daqui a pouco, ele vai chegar me trazendo flores."
Passados alguns minutos, ela percebeu que a porta estava se abrindo.
Sorriu e fingiu estar dormindo.
Ele se aproximou, ajoelhou junto da cama, colocou a mão sobre a cabeça de Marilda e, afastando os cabelos, beijou seu rosto.
Ela, fingindo estar acordando naquele momento, sorriu.
— Desculpe por te acordar, mas eu preciso ir para o hospital.
Há dois dias fiz uma cirurgia em um paciente, ele estava em observação e agora a pouco recebi um chamado.
Ele não está bem, preciso ir até lá.
— Como ficou sabendo?
Não ouvi o telefone!
— Eu sabia que ele não estava bem.
Sabia que poderia ser chamado a qualquer momento, por isso deixei o meu bipe ligado à noite inteira.
Ontem, você não o viu sobre o criado-mudo?
—Vi, mas ele não tocou.
—Sim, mas, assim que você adormeceu e para não te incomodar caso ele tocasse, coloquei o bipe no vibrador, sob o meu travesseiro.
Acordei agora a pouco com a vibração, percebi que você dormia e fui até a recepção para telefonar e ver do que se tratava.
Sinto muito, mas preciso ir agora mesmo.
—Estarei pronta em um minuto -— disse, levantando-se.
—Sinto muito, gostaria de ficar mais tempo ao seu lado.
—Não se preocupe Júlio, a noite que passamos foi tão maravilhosa, que nada neste mundo poderia me deixar triste, a não ser quando me lembro da Fernanda.
Desculpe, já percebi que não gosta de falar sobre ela.
—Não é que não goste, é que eu planeei o nosso reencontro em todos os detalhes.
Queria que fosse uma noite inesquecível.
Infelizmente, com a morte dela, percebi que se eu deixasse você falar nela nada seria do modo como eu havia planeado.
Assim como você, fiquei abalado.
Após conversar com você, falei com a minha mãe e pedi que marcasse um encontro com a Lia, disse que assim que fosse marcado eu te levaria.
Não quis te dizer ontem à noite quando nos encontramos, mas na mesma tarde ela me telefonou dizendo que, se você quiser, poderá ir a minha casa hoje à tarde.
A Lia estará lá.
Você quer ir?
—Não sei, tenho um pouco de medo dessas coisas, mas, ao mesmo tempo, morro de curiosidade e de vontade de saber como a Fernanda está.
Terminaram de se vestir e saíram.
Pegaram o carro e, enquanto Júlio dirigia, falou:
—Vou telefonar para minha secretária e pedir que remarque os meus pacientes para depois das seis horas.
Acho que não são muitos, uns dois ou três.
—Ir a sua casa?
Conhecer a sua mãe?
Confesso que isso me assusta um pouco.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 25, 2017 9:05 pm

— Não precisa se assustar -— disse rindo —- mas fique preparada, pois, assim como todas as mães, a minha também é ciumenta.
Já falei com ela a seu respeito, disse que te amava e que queria ficar com você para sempre.
—Contou que estamos juntos?
—Claro que sim!
—O que ela disse?
—Ela ficou um pouco desconfiada, mas, afinal, já tenho quarenta e um anos!
Sei bem o que quero da vida.
Sei que ela só quer a minha felicidade e tenho certeza de que também vai te adorar.
Agora, vamos até o meu consultório pegar o meu carro.
Assim que eu chegar ao hospital e atender o meu paciente, vou te telefonar para dizer a que horas nos encontraremos.
Poderemos almoçar juntos e depois irmos para a minha casa.
—Você pensa em tudo.
Estou percebendo que se ficarmos juntos para sempre, assim com diz, não precisarei me preocupar com mais nada.
—Ao contrário, não pode imaginar nem por um minuto como sou dependente.
—Não está me parecendo!
—Só estou querendo te impressionar, mas lá no fundo preciso de alguém ao meu lado que me ajude com as pequenas coisas, que detesto, tais como:
pagar contas, cuidar do dinheiro e me ajudar a comprar roupas.
Não sou bom nessas coisas.
Estou começando a acreditar que nos daremos muito bem, pois eu adoro fazer todas essas coisas.
—Você ainda tinha dúvidas de que nos daríamos bem?
Não sei você, mas eu tenho certeza que te amo!
"Isso não pode ser verdade -— pensou -— é felicidade demais!
Esse homem é perfeito!"
No estacionamento do prédio, pegaram o carro de Júlio.
Ela ficou dentro do seu carro, esperando que ele saísse pela garagem.
Quando ele passou por ela, com a ponta do dedo, mandou um beijo, que ela recebeu com outro e sorriu.
Em seguida, ligou o carro e saiu para lado contrário ao dele.
Enquanto dirigia, pensava:
"Ao mesmo tempo em que estou feliz por tê-lo encontrado, sinto um grande medo, pois sempre soube que a felicidade nunca pode ser completa.
Mas, de qualquer maneira, vou viver o momento.
Com certeza, esse momento está sendo maravilhoso!"
Chegou em casa.
Ainda era muito cedo, Renata não havia chegado.
Foi para o seu quarto e deitou.
Queria relembrar daquela linda noite e do amor que teve com Júlio.
"Também, não tem como não amar um homem igual a ele!
Não sei o que vai acontecer, mas sinto que não poderei deixá-lo nunca!
Eu, na realidade, jamais imaginei que o amor fosse isso.
Não conseguir esquecer nem por um segundo.
Ver a todo instante o seu sorriso e sentir o seu abraço e beijo.
Não sei, mas acho que não sou a mesma pessoa.
Eu era tão forte e segura, sabia bem o que queria da minha vida e, hoje, não sei quem sou.
Só quero ficar ao lado dele.
Será que foi isso o que Fernanda sentiu pelo Antero, quando o conheceu?
Deve ter sido por isso o seu desespero quando foi abandonada; dizia que sem ele não existia vida.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 25, 2017 9:05 pm

Sinto que, se perder o Júlio, será a mesma coisa.
Não consigo mais imaginar a minha vida sem ele.
Não quero nem pensar nisso!"
Ouviu um barulho que vinha da cozinha, levantou e foi até lá.
Renata estava junto ao fogão, disse feliz:
—Bom dia, Renata, mas bom dia mesmo!
—Bom dia, dona Marilda!
Mas já está acordada?
O que aconteceu?
A senhora está diferente!
Acordou cedo por causa da dona Fernanda?
—Não, acordei cedo porque passei uma noite maravilhosa e descobri que dormir é perda de tempo!
A vida está aí para ser vivida!
Sinto muito pela Fernanda.
Hoje, talvez, eu entenda melhor o que ela sentia.
Hoje, sei o que ela queria dizer quando dizia que amava o Antero, que ele era tudo na sua vida...
—Dona Marilda, a senhora está apaixonada?
—Está tão evidente assim?
—A senhora nunca falou dessa maneira, foi sempre muito quieta.
Agora, os seus olhos estão brilhando!
—Não sei se estou apaixonada, só sei que estou feliz!
—Que bom, fico contente.
A senhora merece ter um amor verdadeiro.
Quero de coração que a senhora seja feliz.
— Obrigada, não sei se serei feliz para sempre, mas enquanto durar vou aproveitar.
Estou com fome!
Hoje quero comer tudo que tenho direito, Renata.
— A senhora merece!
Já vou preparar.
O telefone tocou e Renata ia atender, mas Marilda disse:
—Pode deixar que eu atendo.
Prepare o meu café.
Foi para a sala, pegou o telefone e atendeu:
—Alô!
—Alô. Estou no hospital e já atendi o meu paciente.
—Como ele está?
—Está reagindo melhor do que eu esperava.
Já confirmei para hoje à tarde a nossa ida lá em casa.
Está disposta?
—Um pouco receosa, mas assim mesmo eu vou.
Preciso tirar as dúvidas que tenho em relação à morte da Fernanda.
—Está bem, preciso ficar aqui até uma hora, mais ou menos.
Assim que sair eu te telefono.
Acho melhor eu ir até aí para te pegar, Marilda, não faz sentido usarmos dois carros.
— Boa ideia, estarei te esperando.
— Só tem um detalhe!
—Que detalhe?
—Você não me deu o seu endereço, como chegarei aí?
Ela deu o endereço e, rindo, disse:
— Sou uma donzela misteriosa!
Moro em um castelo com a minha madrasta que não é nada boa.
Na realidade, é uma bruxa!
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 25, 2017 9:06 pm

—Não se importe com isso, chegarei com o meu cavalo branco e te resgatarei das mãos dela.
Se estiver morta ou dormindo, te beijarei e você acordará num instante!
—Sei disso, você é o meu príncipe encantado, te amo!
—Também te amo.
Até mais, um beijo!
Desligou o telefone.
Renata, na cozinha, ouviu toda conversa e sorriu.
Marilda, parecendo pisar em nuvens, foi para o seu quarto.
Deitou pensando:
"Isso não pode estar acontecendo!
Que bobagem foi aquela que eu disse sobre castelo, madrasta e príncipe?
Pareço ter quinze anos!
Mas, é muito bom!
Estou feliz!”
Tomou café, andou de um lado para o outro dentro de casa, até que finalmente, Júlio voltou a telefonar avisando que estava saindo do hospital e indo para lá.
Ela se vestiu bem, porém com discrição.
Afinal, iria conhecer a mãe dele e queria causar boa impressão.
Depois de vestida, foi para a cozinha:
— Renata, como estou?
Renata a olhou de cima a baixo, disse sorrindo:
—A senhora está linda!
Não é só a roupa, a sua beleza vem de dentro pra fora!
Está mesmo apaixonada!
—Estou sim e muito feliz!
A senhora merece!
Vai almoçar com ele?
—Vou e depois ele vai me levar até a sua casa para que eu conheça a sua mãe...
—Que bom, sei que ela vai gostar da senhora!
A senhora é muito boa e merece ser feliz.
—Obrigada, mas, na realidade, eu vou encontrar uma mulher que diz falar com os mortos.
Vou tentar falar com a Fernanda.
Estou com um pouco de medo.
Você acredita nisso?
—Claro que acredito.
O Altair começou ir a uma casa espírita, depois eu também fui, gostei e vamos sempre.
—Eu não sabia disso!
—Nunca comentei porque sempre soube que a senhora não acreditava.
Nós gostamos muito.
Depois que comecei a estudar, entendi muita coisa que acontece na minha vida e estou procurando fazer o melhor para viver bem.
De vez em quando eu me revolto com a minha situação, mas logo depois aceito.
Sei que tudo tem um motivo e que tudo vai passar.
Sei que Deus está sempre com a gente, dando força, e sempre que a gente precisa, Ele manda uma ajuda.
Eu estava desempregada, precisava trabalhar, mas não tinha com quem deixar as crianças.
Fiquei nervosa e com fé pedi ajuda.
Não sei se foi isso, mas logo depois a prefeitura fez, lá no bairro, uma creche.
Aí eu tinha onde deixar as crianças, mas não tinha emprego.
A senhora apareceu na minha vida e só posso agradecer a Deus.
Apesar de tudo, eu gosto muito do Altair e ele de mim.
Assim a gente vai tocando a vida.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 25, 2017 9:06 pm

Sou feliz, tenho os meus filhos, perfeitos e com saúde.
Aprendi também que Deus não erra, por isso tudo está sempre certo.
Pode ter certeza disso...
—Isso é o que nos foi ensinado pelos poderosos, desde o início dos tempos, Renata!
Criaram vários deuses para fazer com que o povo aceitasse tudo e não lutasse por seus direitos!
—Não, dona Marilda, não é assim!
Eu não aceito injustiça!
Quando vejo uma, luto muito.
Quando pedi a Deus um lugar para deixar os meus filhos, junto com outras pessoas, fundamos uma sociedade de amigos do bairro e, através dela, conseguimos assinaturas.
Fomos até a Prefeitura, falamos com muitas pessoas, até que resolveram fazer a creche.
Aceitar tudo não quer dizer ficar parado, sem fazer nada, nem esperar que tudo caia do céu!
Essa conversa está boa, mas preciso dar os últimos retoques, o Júlio já deve estar chegando.
—Dona Marilda, vá sem medo.
Se for permitido por Deus, a senhora vai falar com a dona Fernanda.
—Assim espero. Estou curiosa.
Outro dia continuaremos falando sobre esse assunto.
—A senhora vai me contar o que acontecer lá?
—Claro que vou.
Voltou para o quarto, olhou mais uma vez no espelho, ajeitou um fio de cabelo que estava fora do lugar.
Sorriu, olhou através da janela, exactamente no momento em que Júlio estacionava o carro.
Saiu correndo em direcção a ele.
Quando chegou perto, sorriu ao ver que ele estava todo atrapalhado junto ao portão procurando a campainha.
Ao vê-la, sorriu.
—Por que as campainhas ficam sempre escondidas?
—Ela não está escondida!
Está do outro lado!
Ele olhou e, ainda sorrindo, disse:
—Você não me deu tempo para procurar!
—Eu estava ansiosa te esperando... por isso, olhava pela janela a todo instante.
Entraram no carro.
Renata, olhando pela janela da sala, viu os dois, sorriu pensou:
"Ele é um homem bonito!
Tomara que faça a dona Marilda feliz.
Ela merece."
Júlio começou a dirigir e a levou ao mesmo restaurante da noite anterior.
Comeram e ele não permitiu que ela falasse sobre Fernanda, Lia ou na sua mãe.
Apenas quis relembrar os dias que ficaram juntos na Itália.
Riram muito quando lembraram do susto que ela levou ao acordar e ver que ele não estava ao seu lado.
Ela disse, fazendo uma careta:
—Hoje estou rindo, mas naquele dia sofri muito!
—Sofreu sem necessidade, por uma coisa que só estava na sua cabeça.
Bem, agora que terminamos de comer, acho que está na hora de irmos.
—Está bem, só espere um pouco.
Quero retocar a minha maquiagem e arrumar os meus cabelos.
Preciso causar boa impressão à sua mãe.
—Pode ir, mas não precisa, a minha mãe não vai olhar para a sua aparência, ela enxerga mais além.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 25, 2017 9:06 pm

—Tem certeza?
—Claro que tenho, eu a conheço desde que nasci!
—Está bem, mas mesmo assim prefiro chegar impecável.
Quero que ela goste de mim.
Saiu em direcção ao banheiro.
Ele ficou para pagar a conta.
Na rua, entraram no carro.
Marilda continuava pisando em nuvens.
Estava distraída, conversando, quando percebeu que ele estava indo em direcção a sua casa.
—Está indo para a minha casa, Júlio?
—Estou, durante o almoço pensei bem e resolvi que não vou te levar para conhecer a minha mãe...
Ela, sem entender e preocupada, perguntou:
— Resolveu isso durante o almoço?
— Foi.
— Fiz ou disse algo que te desagradou?
Está com vergonha de me levar para conhecer a sua mãe?
—Não sei bem qual foi o motivo, mas não quero te levar hoje.
Quem sabe outro dia.
Ela ficou calada, pensando:
"Eu devia saber que isso não poderia durar muito tempo, era bom de mais.
Claro, como fui burra!
Como ele poderia levar uma velha e apresentar como sua namorada?
Bem, acho que o sonho terminou."
Ele entrou com o carro na rua em que ela morava, passou por sua casa, que ficava na esquina, mas não parou.
Você não vai parar?
A minha casa é aqui!
Ele não respondeu, continuou dirigindo até a próxima esquina o parou o carro.
Olhou para ela e, sorrindo, disse:
—Vamos descer?
—Vai fazer com que eu ande até a minha casa?
—Não, vou fazer com que entre nesta!
Ela olhou para a casa que ficava na outra esquina da rua em que morava.
Já vira aquela casa muitas vezes, achava-a linda, mas não conhecia os moradores.
—De quem é essa casa?
—É a minha casa!
—Não acredito!
Você mora aqui?
—Sim, faz muito tempo.
—Por que não me disse?
Por que me assustou dizendo que estava me levando para a minha casa?
—Para que você parasse de pensar que não estou sendo sincero e acredite que te amo e que te apresentarei a todos meus familiares e amigos.
—Você gosta de me assustar.
—Isso acontecerá até o dia que acreditar em mim.
—Não acredito que somos vizinhos!
—Nem eu acreditei quando você me deu o seu endereço.
—Pensar que precisamos ir até a Itália para nos encontrar.
Não acredito mesmo!
—Coisas do destino!
Talvez, antes disso, não estivessem prontos para nos conhecer.
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