A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 25, 2017 9:06 pm

Não estava na hora.
—Deve ter sido isso mesmo.
—Tudo na nossa vida tem hora certa.
Ainda bem que nossa chegou.
Vamos entrar?
— Estou um pouco nervosa, será que a sua mãe vai me aceitar, gostar de mim?
—Claro que sim, não se preocupe!
Antes de descer do carro, Marilda abriu a bolsa, tirou um pequeno espelho, se olhou, passou nos lábios um pouco de batom, depois olhou para Júlio, ansiosa:
—Como estou?
—Está linda!
Vamos, a Lia já está aí.
—Como você sabe? -— perguntou intrigada.
—Esse carro que está aí na nossa frente é o dela. Vamos?
Ela olhou mais uma vez no espelho, sorriu e o guardou.
Desceram.
Júlio abriu o portão, ela entrou na frente.
Estavam na metade do caminho para chegarem à porta da frente da casa, quando ela se abriu e por ela saiu uma senhora.
—Até que enfim chegaram!
Boa tarde, você é a Marilda, não é?
Sou Rosa, a mãe do Júlio!
Estou feliz por ter vindo à minha casa!
Seja bem-vinda -— disse, enquanto beijava Júlio.
Estendeu a mão para Marilda, que a recebeu sorrindo.
—Muito obrigada, também estou feliz por estar aqui.
—Venha! Vamos entrar.
O Júlio falou muito bem a seu respeito e confesso que estava curiosa para te conhecer.
Marilda sorriu, não sabia o que falar, pois estava emocionada.
Entraram.
Assim que entraram na sala, Marilda deu uma olhada rápida e pôde ver que era grande e com móveis modernos e coloridos.
Achou linda.
Bem em frente à porta, viu uma fonte grande, enfeitada com plantas e pedras.
—Essa fonte é linda! -— disse encantada.
—É sim. Gosto muito dela.
O barulho da água nos traz harmonia e paz.
As energias fluem melhor e todos se sentem bem aqui em casa.
—Tem razão, ela é linda mesmo!
—Venha até a cozinha, Lia está lá.
Normalmente, recebo as visitas na sala, mas não te considero uma visita.
Já faz parte da família.
Acho que a cozinha é o melhor lugar da casa para se conversar, pois enquanto conversamos poderemos ir tomando um café ou suco.
A Lia acabou de chegar e eu estou preparando um café.
Quer um também?
—Gostaria dona Rosa.
Entraram por uma porta e deram com uma cozinha grande, no seu centro uma mesa, com cadeiras à sua volta, e em uma delas estava sentada uma senhora sorridente.
Ao vê-los, levantou-se e estendeu a mão para Marilda, dizendo:
—Boa tarde, como vai?
Sou a Lia!
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 25, 2017 9:06 pm

—Boa tarde, sou Marilda.
Dadas as circunstâncias, estou bem...
Gostaria de estar melhor...
—Entendo, a Rosa me contou sobre a sua amiga.
Foi muito triste, mas Deus é nosso Pai e não nos abandona nunca.
Antes de Marilda dizer qualquer coisa, Rosa disse:
—Sei que acabaram de almoçar, por isso, agora, vamos só tomar um café e depois que conversarmos faremos um lanche.
Marilda, aos poucos, foi ficando à vontade.
Sentou-se em uma das cadeiras e Júlio sentou-se ao seu lado.
Rosa serviu o café e tomaram.
Marilda estava se sentindo bem naquela casa.
Rosa a recebeu muito bem e parecia sincera.
Lia, levando a xícara aos lábios, disse:
A Rosa me contou que a sua amiga morreu de uma forma estranha.
Como foi?
Os olhos de Marilda encheram-se de lágrimas.
—Foi. Infelizmente, ela se suicidou...
—Isso é terrível para o espírito.
Em um momento do desespero, a pessoa comete um ato como esse, sem imaginar as consequências que terá de enfrentar pela frente.
—É isso que está me deixando mais aflita.
Ela foi sempre muito boa.
Claro que, como todo mundo, teve acertos e erros, mas posso garantir que a conhecia muito bem e sei que ela deve ter tido mais acertos.
Sempre acreditou em Deus e criou a filha ensinando o caminho do bem.
—Vocês eram muito ligadas, não?
—Sim, nos conhecemos desde crianças.
—Ela estava triste por algum motivo?
—Foi abandonada pelo marido e não conseguia aceitar essa separação, pois foi sempre muito dedicada a ele e à filha.
Sempre foi uma esposa e mãe exemplar.
—Nesta vida, temos que passar por algumas provas para que possamos vencer as nossas fraquezas.
Normalmente passamos, pois para isso temos ajuda, muita ajuda...
—Ela não teve!
Deus a abandonou!
—Não, Deus nunca nos abandona.
Sempre temos ao nosso lado um ou mais amigos espirituais que nos ajudam e intuem nos bons e maus momentos, principalmente na hora da passagem e, mais ainda, quando se está perto de cometer um suicídio.
Eles ficam o tempo todo, tentando nos tirar aqueles pensamentos destrutivos e sofrem muito quando não conseguem.
—Se fosse assim, ninguém se suicidaria!
—Eles podem intuir e mandar bons pensamentos, mas não podem interferir.
Existe uma Lei maior, a do livre-arbítrio, e por ela cada um de nós é responsável.
Por isso, só nós podemos decidir o que fazer com a nossa vida e com tudo mais.
—Já ouvi falar em livre-arbítrio.
Aprendi sobre ele na faculdade, quando estudei Direito.
Mas como uma pessoa que está triste e doente pode exercer o seu livre-arbítrio?
—Sempre se pode exercer o livre-arbítrio.
Como te disse, sempre teremos ajuda para que isso aconteça.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 25, 2017 9:07 pm

—Então, quer dizer que não há salvação para Fernanda e que ela estará, realmente, condenada por toda a eternidade?
—Ela terá que arcar com as consequências dos seus actos, sim.
Terá que resgatar esse erro que, diante de Deus, é o mais terrível e de difícil resgate.
Mas não pela eternidade.
Deus, nosso Pai, não permitiria.
Depois de algum tempo, sofrendo muito em um vale de sombras, provavelmente retornará para a Terra, em uma situação não muito boa.
Terá uma vida com muitos problemas e até poderá nascer com alguma doença grave ou um defeito físico, mas sempre terá a chance de se redimir.
Como disse antes, Deus não nos abandona.
—Está falando em renascer na Terra?
Em reencarnação?
—Isso mesmo.
Na Terra ou em qualquer outro planeta.
Lembre-se, Jesus disse:
Existem muitas moradas na casa do meu Pai.
Estou, sim, falando de vida após a morte.
Depois da nossa morte, existe uma vida vibrante.
—Desculpe, mas não acredito nisso!
Ninguém voltou para nos contar se tudo isso é verdade.
—Muitos voltaram e nos contaram.
Eu acredito piamente.
—Pois eu não.
Acho que tudo isso faz parte de uma grande mentira para que as pessoas se tornem presas fáceis dos charlatões e embusteiros.
Ou, também, para que as pessoas se tornem fracas e possam ser guiadas, aumentando, assim, o poder daqueles que as guiam.
Para ser sincera, não acredito em religião alguma, só mesmo em Deus.
—Todas as religiões são boas.
Elas servem para nos ajudar a distinguir o bem do mal.
Muitas pessoas passam pela vida fazendo caridade, ensinando, aprendendo e ajudando as pessoas, sem nunca ter tido, querido ou precisado seguir uma religião.
Outros precisam ter alguém que lhes guie, ensine o caminho.
Caminhos esses que são muitos e que pretendem levar, cada um a sua maneira, ao mesmo destino: Deus.
Embora o ser humano viva muito pelo dinheiro e aparência, lá no fundo, bem no fundo, seu espírito sabe que existe uma vida após a morte.
Ele traz consigo lembranças.
Você pode notar que todos precisam acreditar em algo mais, em um ser superior.
De uma maneira ou de outra, todos têm a sua crença e a esperança de encontrar a paz e a felicidade depois da morte.
—Eu tenho essa esperança, só não acredito que se possa retornar um dia.
Acho que quando se morre é para sempre, Lia.
—Pois é bem ao contrário.
Quando se morre, a vida continua, temos muito a aprender e trabalhar.
—Trabalhar?
—Isso mesmo.
A vida, mesmo depois da morte, não teria sentido se não tivéssemos o que fazer.
Os espíritos estão espalhados pelo Universo todo, ajudando as pessoas nas horas de tormento e vibrando com elas nas horas de felicidade.
Existem muitas equipes de trabalho.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 25, 2017 9:07 pm

Existem médicos que fazem curas milagrosas e que, na maioria das vezes, a pessoa que foi curada nem imagina que contou com a ajuda deles.
—Não consigo acreditar em tudo isso, Lia.
Mas devia, já que, agora mesmo, acabou de entrar aqui um médico.
É um senhor de cabelos levemente grisalhos, com bigode; está sorrindo e mandando-me dizer:
"Milinha, estou feliz por te ver.
Sei que você tem cumprido muito bem os seus compromissos assumidos antes de nascer; que Deus te abençoe."
Marilda deu um pulo da cadeira e se levantou no susto, chorando, gritou:
— Não pode ser!
Não pode ser!
Júlio, que se assustou com a reacção dela, também se levantou, perguntando aflito:
—Que aconteceu, por que você está assim?
Ela não conseguia falar, chorava e ria ao mesmo tempo.
Rosa e Júlio estavam aflitos, mas Lia olhou à sua frente e sorriu, agradecendo em pensamento.
"Obrigada, meu irmão, por se fazer presente."
“Eu sempre estive ao lado dela.
Só agora me fiz presente, neste momento difícil pelo qual está passando, para que ela saiba que Deus, nosso Pai, não nos abandona nunca."
Enquanto Lia conversava com o médico, Rosa, assustada e aflita, pegou um copo de água e ofereceu para Marilda, que não conseguia parar de chorar.
Júlio, também assustado, segurou-a pelos ombros e, olhando em seus olhos, disse firme:
—O que aconteceu?
Por que está chorando dessa maneira?
Precisa se controlar!
Respire fundo!
Ela enxugou os olhos com as mãos e respirou fundo.
Após alguns segundos, tentando voltar ao normal, disse:
—Lia! Não pode ser!
É verdade mesmo?
—Não sei, eu apenas repeti o que ele disse.
—Não pode ser! Não pode ser!
—Não pode ser o quê, Marilda? -— perguntou Júlio, aflito.
—A única pessoa, neste mundo, que me chamava de Milinha era o meu pai!
Ninguém mais! -— disse chorando.
—É verdade?
Está achando que o seu pai está aqui?
—Só pode ser, pois ninguém mais me chamava assim!
—É ele mesmo -— disse Lia - bendito seja Deus.
Agora você está tendo a prova de que tudo aquilo que falei é verdade.
Existe, sim, a vida após a morte e trabalho também.
Seu pai faz parte de uma equipe de médicos que continua tratando das pessoas, vivas ou mortas.
Ele está sorrindo e pedindo para eu dizer que trabalha muito!
Muito mais do que trabalhava quando estava aqui na Terra.
—Não pode ser, não pode ser.
—Pode, sim!
Ele está aqui e te manda um beijo, disse que não pode ficar mais.
Precisa ir embora, mas que te deixa a sua bênção e a certeza de que tudo ficará bem.
Para que não se desespere, pois a verdade sempre aparece e a justiça é sempre feita.
Está pedindo para que feche os olhos e agradeça a Deus pela vida e por tudo que te deu.
—Espere! Ele não pode ir embora assim, tenho muitas coisas para perguntar!
Papai! Fique por favor...
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 25, 2017 9:07 pm

—Ele não pode ficar mais.
Disse que você não precisa fazer perguntas, pois todas elas terão respostas.
Disse, também, que não pode ficar mais, porque você sabe que ele sempre deixou tudo de lado para atender um paciente e que agora tem muitos que precisam do seu atendimento.
Pediu que fechasse os olhos.
Ela conhecia o pai, sabia que ele não era de falar muito.
Sabia também o quanto ele a amava.
Obedeceu, fechou os olhos.
—Papai, obrigada por ter vindo.
Se puder, ajude a Fernanda.
O senhor a conhecia e sabe como ela foi sempre muito boa e minha amiga.
Acho que ela está precisando de ajuda.
Não ouviu o que ele dizia.
Apenas sentiu um leve frescor em seu rosto, como se estivesse recebendo um beijo.
Realmente seu pai a beijava, e dizia:
— Deus te abençoe, minha filha, e não se preocupe com a Fernanda, ela ficará bem.
Até mais.
Ao sentir aquele frescor no rosto, as lágrimas voltaram a cair de seus olhos, só que agora não eram mais de susto ou aflição, mas de felicidade, de amor e de esperança no amanhã.
Marilda sabia que um dia em algum lugar, reencontraria seu pai, sua mãe, Fernanda e todos aqueles que partiram e por quem tanto chorou.
Estava feliz e tranquila.
Sabia que o seu pai não abandonaria Fernanda e que, daquele dia em diante, ela estaria protegida.
Júlio e Rosa, acostumados e acreditando em tudo, pois já há muito tempo haviam tomado conhecimento da doutrina, pegaram um de cada lado, na mão de Marilda, que pegou na de Lia, formando assim uma corrente.
Júlio disse, emocionado:
—Obrigado, meu Deus, por mais essa prova do Seu amor por nós.
De nosso coração só pode partir a felicidade por termos conhecido, através dos Seus ensinamentos, a grandiosidade da Sua obra.
Continue nos abençoando.
Lia também estava tranquila.
Mais uma vez, através dela, Deus pôde se manifestar.
Ela só tinha a agradecer aquele dom, que Ele havia lhe dado, e pedia sempre que a ajudasse para que ela nunca o usasse se não fosse para o bem, para ajudar as pessoas.
Marilda, um pouco mais calma, embora tivesse certeza que seu pai estivera ali, estava confusa e emocionada.
—Sei que foi o meu pai mesmo quem esteve aqui, mas se ele é um espírito deve saber e ver tudo!
Por isso, ele deve saber de minha angústia em relação à Fernanda.
Porque não me contou o que realmente aconteceu com ela?
Porque não disse se realmente ela se matou?
Ele deve saber que eu estou desesperada, Lia...
—Nem sempre o espírito sabe o que acontece.
O morrer não significa santidade ou poder.
Cada um volta para o Pai exactamente como era com seus defeitos e qualidades.
A morte não lhe dá poderes especiais.
Por isso, mesmo amando àqueles que deixaram aqui, embora querendo, nem sempre podem ajudar.
Cada um tem seus próprios compromissos na evolução do seu espírito.
Talvez ele até saiba o que aconteceu de verdade, mas não possa dizer, pois tudo tem que acontecer da maneira e na hora certa.
Ele esteve aqui, sim, apenas para que você repense a sua vida e as suas crenças.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 25, 2017 9:07 pm

Para que saiba que, não importa se vivos ou mortos, a nossa vida continua e, com ela, todos os nossos deveres e obrigações.
Por isso, temos que ter muito cuidado com as nossas acções, pois delas depende o nosso futuro espiritual.
—É tudo muito novo.
Estou confusa e com dificuldades para entender, e olhe que sempre me julguei muito inteligente.
—Não se preocupe tudo que precisar saber ou entender virá até você.
Está começando uma nova etapa da sua vida.
Estudou, se formou e é, hoje, uma profissional; está preparada para enfrentar quase todos os problemas desta vida.
Chegou a hora de estudar e aprender para ficar preparada para os problemas da outra vida, que ela, sim, é que tem o verdadeiro valor.
—Vim aqui para saber da Fernanda, para conversar com ela.
Pelo que estou vendo, isso não acontecerá...
—Hoje não, é muito cedo para falar com ela.
Mas não foi esse o motivo que te trouxe aqui.
Na realidade, você veio tomar conhecimento da vida eterna.
—Sim, pode ter sido isso, mas ainda estou preocupada com a Fernanda.
Preciso saber como ela está.
—Não se preocupe Marilda, ela está bem.
Esqueceu o que eu disse?
Deus não nos abandona nunca.
—Está bem; mesmo se matando, Lia?
—Quem dá cabo de sua vida precisa reparar esse erro de alguma maneira e, infelizmente, é sempre de uma maneira dolorosa.
Mas, mesmo assim, nunca fica abandonado à sua própria sorte.
Sempre terá ajuda e a oportunidade de reparar o seu erro.
O que você pode e todos nós podemos e devemos fazer é rezar, enviar luz e amor para que ela, onde estiver, possa descobrir que somente o amor, o perdão e o arrependimento poderão lhe servir agora.
Não sabemos por onde, com quem e como estará caminhando, só podemos tentar ajudá-la através do amor e da certeza que Deus estará com ela.
—O que está dizendo não está me ajudando muito...
—É só isso que posso lhe dizer, pois é só isso que sei.
—É muito pouco!
Preciso de mais!
—No momento, é tudo que precisa saber.
Sinto muito se não posso te ajudar mais.
Talvez se frequentar uma casa espírita, ler e estudar possa entender mais.
Lembre-se de que a procura da verdade é o melhor caminho para se conseguir a felicidade.
—Eu trabalho muito e estou aqui por estar em férias.
Mas, assim que voltar ao meu trabalho terei muito pouco tempo livre.
Não posso me dedicar a outra coisa além do trabalho.
—Não se preocupe.
Tudo tem a hora certa, e, se você sentir necessidade, encontrará tempo.
Por hoje, não tenho mais o que dizer.
Está ficando tarde, preciso ir.
Tenho que preparar o meu jantar.
Logo, todos estarão chegando em casa e estarão com fome.
Sinto muito não ter podido dar todas as respostas, mas, também, não sei tudo.
Assim como todos, também estou caminhando e aprendendo a cada dia.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 25, 2017 9:08 pm

Pelo tom da voz de Lia, Marilda percebeu que o encontro havia terminado.
—Desculpe, estou sendo ingrata, Lia.
Eu deveria ter ficado feliz só com a presença do meu pai.
No entanto, você sabe como é o ser humano, sempre quer mais.
—Sim, e isso é o que o torna diferente dos animais.
O querer saber, o querer mais foi o que impulsionou e ainda impulsiona a humanidade.
Eu entendo, pois também sou assim.
Por querer saber mais foi que estudei e me aprofundei.
Por isso, hoje posso te dizer que, apesar disso, não sei tudo e que tenho muito a aprender.
Só de uma coisa eu tenho certeza:
do profundo amor de Deus por todos nós.
Agora preciso ir.
—Não, espere .— disse Rosa.
Vamos tomar um lanche.
—Desculpe Rosa, mas ficamos conversando e não vimos o tempo passar.
Outra hora eu voltarei.
Marilda, sempre que precisar conversar me telefone.
Anote o meu número.
Se precisar de mais algum esclarecimento, estarei sempre disposta a conversar com você e tentarei responder a todas as suas perguntas.
Pelo menos as que eu souber.
Dizendo isso, Lia levantou-se, beijou Rosa, Júlio e, quando chegou perto de Marilda, ela, constrangida, sabendo que havia sido ingrata e mal-educada, disse:
—Lia, desculpe.
Acho que, mesmo sem querer, te ofendi.
Juro que essa não foi a minha intenção.
—Não se preocupe com isso.
Não estou ofendida, estou mesmo atrasada.
Quando começo a falar sobre a espiritualidade, me esqueço do mundo, não vejo o tempo passar.
Tenho ainda as minhas obrigações com a minha família.
Como te disse, já fui assim como você:
tive muitas perguntas, poucas respostas.
Por isso fui à busca delas e posso te garantir que encontrei respostas para todas.
Você está, agora, no início de uma nova vida.
Tem muito para aprender e aprenderá.
Um dia, estará assim como eu, passando para o outro aquilo que aprendeu.
Foi em direcção à porta da sala, saiu.
No portão, deu adeus tom à mão, entrou no carro e foi embora.
Marilda também queria ir embora, mas Rosa, pegando em sou braço, convidou-a para que entrasse novamente na casa.
— Vamos entrar -— disse sorrindo —- ainda não tomamos o nosso lanche.
Eu preparei uma torta de palmito, sei que você vai adorar!
É a minha especialidade.
—Marilda, sei que não vai se arrepender.
A torta da minha mãe é realmente uma delícia.
Venha, vamos entrar -— disse Júlio.
—Você chegou e não tivemos tempo para conversar.
Quero te mostrar o resto da casa.
Afinal, esta é uma visita que se tornará rotina.
O Júlio está muito impressionado com você e espero que sinta o mesmo por ele.
Fazia muito tempo que eu não via o meu filho tão feliz. Obrigada.
Por que está assim tão preocupada?
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 25, 2017 9:08 pm

—Acho que ofendi a Lia.
Ela, com tão boa vontade, tentou me ajudar...
E eu fui indelicada...
—Ora! Nada disso!
A Lia não se ofende facilmente.
Ela tem mesmo que fazer o jantar, já a conheço há muito tempo.
Eu sei que se a tivesse ofendido ela te responderia à altura.
Ela não é de levar desaforo para casa!
Vamos entrar!
—Embora a senhora e ela mesma tenham dito que não a ofendi, sinto que exagerei.
Estou confusa com tudo que aconteceu.
Não vim preparada para sentir a presença do meu pai.
Para dizer a verdade, nem estava pensando nele.
A minha única preocupação era saber sobre a Fernanda.
—Não se preocupe, ela entende muito bem a sua situação.
Todos já passamos por isso.
Eu mesma quase a expulsei quando me disse que a Isaura estava aqui na minha casa.
Disse essas palavras olhando para Júlio, que, percebendo que ela estava embaraçada, disse:
— Pode continuar mamãe, eu contei tudo para a Marilda.
—Pois é; para você ver, eu, que também era assim como você, não quis acreditar e fiquei furiosa.
Lia, com toda a paciência do mundo, me esclareceu e, hoje, eu agradeço muito a ela por isso.
Vamos entrar? Convidou Rosa.
Entraram, mas, por mais que Rosa e a própria Lia dissesse que não estava ofendida, Marilda não estava bem.
Sentaram ao redor da mesa e comeram a torta, que estava realmente muito boa.
Marilda se deliciou.
Rosa mostrou a casa, conversaram muito sobre a vida e sobre os filhos de Júlio, que não estavam ali naquele momento.
Aos poucos, Marilda foi ficando à vontade.
Falou de sua vida, de seu pai e da imensa felicidade que estava sentindo por ter sentido a presença dele e por saber que, em algum lugar, ele estava vivo e que também, um dia, voltaria a vê-lo.
Acabou ficando para o jantar.
Já eram quase dez horas da noite quando Júlio a levou para casa.
Foram caminhando.
Quando chegaram ao portão, ela perguntou:
— Não quer entrar e conhecer a minha casa?
— Quero, sim, mas não só conhecer a sua casa, eu quero ficar com você a noite toda.
Ela beijou o seu rosto e o encaminhou para dentro da casa.
Sabia que aquela seria mais uma noite de amor.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 25, 2017 9:08 pm

Notícias de Fernanda
Marilda e Júlio ficaram juntos naquela noite.
Ao acordar pela manhã, não cabiam em si de felicidade.
Júlio, ainda deitado, a abraçou, dizendo:
— Fazia muito tempo que eu não me sentia tão feliz assim.
Bendito aquele dia em que te encontrei lá em Roma e que você precisava de ajuda e eu estava na hora e no lugar certo.
—E pensar que eu fiquei furiosa por minhas malas terem sido extraviadas...
—É assim mesmo que acontece.
Nem sempre o que parece ruim na realidade é.
Muitas vezes é só o destino trabalhando.
—Tem razão, quando eu poderia imaginar que aquela viagem, que eu havia sonhado tanto, seria muito mais do que uma simples viagem?
Também estou feliz por ter te encontrado e por estar com você aqui ao meu lado, Júlio.
—Também estou, mas não fique achando que vai ser sempre assim.
Terá que se acostumar com a minha rotina.
—Por que está dizendo isso?
—Esqueceu que sou médico e que muitas vezes tenho que sair durante a noite para atender a pacientes?
Esposa de médico tem que ter muita paciência.
—Esposa?!
—Claro que esposa!
Ou está achando que vai aproveitar só o bom desta relação?
Quero ser tratado por você com muito carinho, ter uma casa para chegar, com uma mulherzinha linda, amorosa e sorridente me esperando, com a minha comida pronta.
—Acho que você é quem está esquecendo -— disse rindo e o beijando —- que sou uma mulher que trabalha fora.
—Sei disso, mas quem sabe você resolva abandonar o seu trabalho e viver só para nós...
—Sinto muito, mas não posso.
Amo o meu trabalho e gosto de me sentir útil.
Estudei e trabalhei muito para chegar aonde cheguei, não conseguiria abandonar tudo.
—Não faria isso nem mesmo para ser a minha esposa?
—Desculpe, mas não.
Adoro-te, quero ficar ao teu lado para sempre, mas, deixar o meu trabalho, não.
Ainda mais depois do que aconteceu com a Fernanda.
Ela abandonou tudo para se dedicar ao marido e a filha, e no final foi abandonada e ficou sozinha.
Sem saber o que fazer com a vida.
Sem saber cuidar do seu dinheiro, que ela na realidade nunca teve, pois o Antero se encarregou de suprir todas as suas necessidades.
—Você não pode me comparar com o Antero!
Sou diferente dele e te amo e já te dei provas disso!
—Estou acreditando nisso e sou feliz, mas quando eles se casaram também se amavam.
Ninguém se casa para que haja uma separação, a vida dá muitas voltas.
Quero ficar ao teu lado, mas continuarei trabalhando.
Te garanto que será muito bem cuidado, a Renata é especialista e muito eficiente.
—Está bem, não vamos ter a nossa primeira briga por isso.
Se quiser continuar trabalhando, não me oponho.
A opção é sua.
Agora preciso ir, vou até em casa trocar de roupa e depois irei para o hospital.
Ele se levantou.
Ela também, se levantou e o acompanhou até a porta.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 25, 2017 9:08 pm

Beijando-a novamente, ele foi embora.
Ela voltou para o quarto, tornou a se deitar.
Era ainda muito cedo.
Não fazia nem meia hora quando o telefone tocou.
Ela se assustou, pois quem fazia aquilo com ela era a Fernanda.
Não podendo imaginar quem seria, atendeu:
—Alô.
—Alô, meu amor!
Estou te ligando para dizer que hoje pela manhã a Lia telefonou para a minha mãe.
Disse que precisa falar urgente com você.
—Comigo?! Ela não disse sobre o que quer falar?
—Não disse, mas deixou o número do telefone e pediu que você telefonasse o mais breve possível.
—Estranho o que será?
—Não sei, mas pode telefonar agora.
Ela está esperando o seu telefonema.
Depois me conte sobre o que ela quer conversar de tão urgente com você.
—Está bem, vou fazer isso agora mesmo.
Anotou o número e, assim que desligou, intrigada, telefonou para Lia, que atendeu prontamente.
—Alô, Lia, sou eu, a Marilda.
Desculpe, sei que ainda é cedo, mas o Júlio disse que você queria falar comigo urgente.
—Queria muito, tenho uma notícia para te dar que com certeza te deixará feliz, Marilda.
—Que notícia é essa?
—Tenho quase certeza que a sua amiga não se suicidou!
—Como?!
—É isso mesmo.
Eu tive um sonho com ela e, da maneira como estava, é sinal que não se suicidou.
Pois se isso, realmente, tivesse acontecido, ela estaria em uma situação muito ruim.
—Mas se foi só um sonho, como sabe que é verdade e pode falar com tanta certeza?
—Sei disso porque é assim que o meu guia se comunica comigo, através dos sonhos.
Ele me mostrou a Fernanda dormindo, tranquila e muito bem.
—Não está dizendo isso só para me consolar?
—Não, eu não faria isso!
Ela está bem, sim, e, se não se suicidou, alguém a matou.
O meu guia me mostrou como ela está para que você fique tranquila e não se preocupe mais.
Quem a matou será castigado.
Se não for nesta vida, com certeza será na outra.
Mande, em pensamento, muito amor e luz para a Fernanda, garanto que lhe fará muito bem.
—Não sei se posso acreditar nisso que está me dizendo...
—Ainda tem dúvidas sobre a vida depois da morte?
—Claro que não!
Eu não vi, mas senti a presença do meu pai, e só poderia ser ele quem te mandou dizer aquelas coisas, era o único que me chamava pelo apelido.
Minha mãe brigava com ele, mas não adiantava.
Quando eu nasci, ela quis colocar o nome da mãe dela, de quem por sinal ele não gostava.
Sabe como é, coisas de família -— disse isso rindo —- por isso se recusava a me chamar de Marilda e sempre me chamou por Milinha.
Não tenho como duvidar, sei que era ele mesmo...
—Está vendo que não tem motivo para duvidar do que estou te dizendo.
Só tem que agradecer a Deus por sua amiga estar bem.
Isso é o mais importante.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 26, 2017 9:00 pm

—Farei isso, mas quem a matou?
Não te disseram?
—Não, esse assunto será resolvido pelo plano espiritual.
Só comunicam aquilo que é permitido.
Mas não se preocupe, tenho certeza que tudo será esclarecido.
Deus é nosso Pai e não nos abandona nunca!
O importante é que ela esteja bem.
—Se realmente for verdade, estou feliz mesmo, e nem sei como te agradecer por esta notícia.
Não tem o que agradecer, só estou cumprindo a minha obrigação.
Quando recebo uma mensagem do meu mentor, preciso transmitir o mais breve possível.
Fico feliz por ela e por você.
Agora, preciso desligar.
Tenho uma casa inteira para cuidar.
Até mais tarde.
Ainda estou na Terra -— disse isso rindo.
—Até mais tarde e obrigada mais uma vez.
Marilda colocou o telefone de volta no gancho.
Ao mesmo tempo em que estava feliz por ter tido notícias de Fernanda, estava intrigada e com muita raiva:
"Ainda bem, minha amiga, que você não se matou!
Deus te abençoe por isso, mas quem te matou não pode ficar impune!
Quem teria feito isso e porquê?
Só pode ter sido o Antero!
Era o único que teria um motivo!
Mas que motivo?
Ele já havia saído de casa!
Também não acredito que ele teria coragem de fazer uma coisa como essa!
Não! Não pode ter sido ele!
Preciso conversar com a Renata e saber direito como foi a conversa que ela teve com a Fernanda quando eu estava viajando.
Pelo jeito, o Antero ia voltar para casa, mas, se foi isso, por que ele não me contou?
Está tudo muito estranho.
Daqui a pouco a Renata vai chegar e poderá me esclarecer tudo."
Foi até a cozinha; como Renata ainda não havia chegado, colocou água no fogo para ferver.
Queria e precisava tomar um café.
Assim que a água ferveu, coou o café e colocou em uma xícara; sentando em uma cadeira, começou a beber.
Estava pensativa, quando a porta da cozinha se abriu e por ela entrou Renata, que se assustou ao vê-la, tomando café ali na cozinha:
—Dona Marilda, a senhora já está acordada?
Desculpe, mas não consigo chegar mais cedo.
—Não se preocupe com isso, sei bem a hora em que você chega.
Acordei cedo e fiquei com vontade de tomar café.
Preciso também conversar com você.
—O que é?
Fiz alguma coisa errada?
—Não, não é nada disso.
Você me disse que a Fernanda telefonou no dia em que morreu.
Quero que me diga, exactamente, o que ela te disse, e a que horas foi.
—Ela telefonou, sim, acho que era lá pelas duas da tarde, eu estava terminando de arrumar para ir embora.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 26, 2017 9:00 pm

O telefone tocou.
—Alô
—Renata! Sou eu, a Fernanda, estou telefonando para saber se a Marilda já telefonou para você.
Ainda não, mas acho que ela vai telefonar logo.
—Quando ela telefonar, diz que ela não precisa mais se preocupar comigo e que estou muito feliz.
O Antero vai voltar para casa!
Ele vem jantar e eu estou preparando um jantar caprichado!
Estou muito feliz!"
—Aí, eu desliguei dona Marilda.
Por isso levei o maior susto quando soube que ela tinha se matado.
Não conseguia acreditar, ela me pareceu tão feliz!
Ninguém se mata quando está feliz...
— Talvez ela não tenha feito isso.
— O que a senhora está dizendo?
Ela não se matou?
— Não posso te dizer com certeza, mas tenho uma grande suspeita que ela não fez aquilo, suspeita não!
Quase certeza!
—Se ela não se matou alguém a matou!
Quem foi?
—Não sei, mas vou descobrir!
—Como a senhora soube disso?
Marilda contou tudo que havia acontecido na casa de Júlio.
—Foi o seu pai, sim, dona Marilda!
Renata disse, parecendo não se admirar.
Tenho certeza!
Que bom que isso aconteceu.
Deus está sempre ao nosso lado mesmo.
Acho que chegou a hora da senhora estudar e conhecer a espiritualidade.
Quando chega a hora, não tem jeito não.
Agora, a senhora, começando a estudar, vai entender muitas coisas que não entendia.
O Altair vai ficar feliz.
Ele acredita muito e, quando eu dizia que a senhora era muito sozinha, ele sempre dizia:
—Não se preocupe, para tudo sempre tem a hora certa.
A dona Marilda é uma pessoa boa e com certeza tudo de bom vai acontecer na vida dela.
É só ter paciência e esperar.
—Ela não acredita na espiritualidade.
—Para isso, também, tem a hora certa e quando essa hora chegar, não tem retorno não.
—Se for mesmo do jeito que ele fala, agora, deve ter chegado a sua hora, dona Marilda.
— Chegou, sim, e estou curiosa sobre esse assunto.
Vou comprar alguns livros e estudar.
Mas a minha prioridade é descobrir quem matou a Fernanda!
Desconfio de alguém, mas parece que ele preparou um bom álibi.
Mas mesmo assim vou investigar.
Sei que descobrirei a verdade.
Investigue, sim.
Se isso aconteceu mesmo, foi uma maldade e precisa ser descoberta.
— Essa é a minha intenção.
O criminoso não pode ficar impune!
Tem que ser descoberto e preso!
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 26, 2017 9:01 pm

— O leite está fervendo, vou colocar a mesa.
— Faça isso.
Vou tomar um banho e virei em seguida.
Hoje o dia vai ser intenso.
Preciso fazer uma visita a alguém que terá de me dar explicações.
Dependendo dessas explicações, talvez eu até tenha que ir à polícia.
— A senhora vai à polícia? -— perguntou Renata, assustada.
— Se for preciso, sim.
Antes preciso conversar com ele.
— Pensando bem, a senhora tem que fazer isso mesmo!
A dona Fernanda era tão boa e sua amiga sincera!
Se alguém a matou, tem que ser preso e condenado.
— No que depender de mim, isso acontecerá!
Marilda se levantou e saiu da cozinha.
Renata, enquanto colocava a mesa, pensava:
"Será que ela não se matou mesmo?
Meu Deus tomara que isso seja verdade... dona Fernanda, não sei onde a senhora está agora, mas, onde estiver, receba a minha saudade e muita luz para que possa seguir em frente.
Deus a proteja."
Marilda, em seu quarto, estava preparando a roupa que iria vestir quando o telefone tocou.
Atendeu.
— Alô!
— Sou eu, você está bem?
Estou curioso para saber o que a Lia tinha de tão urgente para te falar.
— Ela queria me dizer que a Fernanda não se matou, Júlio.
— O quê?!
— Ela disse que sonhou com a Fernanda em um lugar muito bom, dormindo tranquila, e que isso significa que ela não se matou.
Se ela tivesse feito isso, estaria em um lugar ruim.
— Graças a Deus!
Você acreditou nela, Marilda?
Não sei, talvez tenha sido a vontade de acreditar, mas eu mesma nunca aceitei essa ideia.
A Fernanda não era uma pessoa fraca.
Ela poderia ter todos os defeitos, mas era lutadora.
Um pouco dominada pelo Antero, mas mesmo assim, quando o assunto não era ele, então, ela lutava muito.
Estava fazendo de tudo na tentativa de trazê-lo para casa.
Para ser sincera, não sei se ela teria coragem para se matar.
Só o faria se tivesse a certeza que o Antero não voltaria mesmo, nunca mais.
— Isso não pode ter acontecido?
—Quem sabe.
De alguma maneira ela, pode ter tido essa certeza.
Mas acredito que não faria nada antes da minha volta.
Além do mais, ela telefonou na tarde do dia da sua morte para a Renata, dizendo que estava feliz e para eu não me preocupar mais, pois o Antero iria jantar na sua casa e voltaria para ela.
— Ela fez isso?
— Sim, como então poderia ter se matado?
Não faz sentido.
— Acho que você tem razão, mas o que pretende fazer?
— Estou querendo ir à delegacia falar com o delegado e dizer das minhas suspeitas.
— Não pode chegar lá e dizer que a sua amiga não se matou e que foi uma médium que lhe disse isso.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 26, 2017 9:01 pm

— Tem razão, eles não acreditariam, mas pensei muito e já sei o vou fazer!
— O que vai fazer Marilda?
— Vou até a empresa conversar com o Antero e contar do telefonema da Fernanda.
Quero ver a sua reacção.
— Desconfia dele?
— Muito, pois ele disse que não estava na cidade e que só chegou à manhã do dia seguinte em que ela morreu.
Se ele não estava na cidade, como ela deu aquele telefonema dizendo que ele ia jantar com ela?
Ele está mentindo!
—É muito estranho, mas acho que você não deve ir até lá sozinha.
Ficarei aqui no hospital até as duas horas da tarde.
Assim que eu sair, vou te buscar e irei com você.
Se ele tiver alguma culpa, não será bom que saiba que você desconfia dele.
—Não, não conseguirei esperar, irei agora mesmo!
Não se preocupe, estarei na empresa e ali, ele não poderá fazer nada.
Não vou dizer que desconfio dele, só falarei do telefonema e prestarei atenção na sua reacção.
— Não sei, acho que não deve ir sozinha.
Mas como já sei que é uma mulher independente, sei que irá.
Por favor, me telefone quando sair de lá.
—Vou telefonar.
Tenho que fazer isso.
Se não fizer, não terei sossego.
Não vai me acontecer nada.
Ele só precisa saber que sei muito mais do que ele imagina.
— Está bem, até mais tarde!
Logo que desligou o telefone, Marilda sentiu um aperto no coração.
Não sabia dizer o que era aquilo, mas ficou triste.
Em seu pensamento surgiu a imagem de Fernanda, sorrindo.
Com lágrimas nos olhos, pensou:
"Minha amiga, sei que muitas vezes perdi a paciência com você, mas sempre fui e serei sua amiga.
Naquilo que depender de mim, descobrirei quem fez essa maldade com você."
Vestiu-se e foi para a copa.
A mesa já estava colocada, mas ela estava sem fome.
Tomou só uma xícara com café. Saiu apressada.
Ela precisava falar com Antero o mais rápido possível, tinha na garganta aquele caroço seu conhecido, que só sairia depois que conversasse com ele.
Precisava tomar cuidado ao conversar com Antero, não poderia, de maneira alguma, deixar que ele suspeitasse que ela sabia mais do que ele pensava.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 26, 2017 9:01 pm

Em busca de paz
Antero chegou à empresa, foi para sua sala, sentou-se e ficou pensando:
— Bom dia -— disse Flávio, entrando na sala - já é quase onze horas.
O que aconteceu?
— Bom dia, não dormi bem esta noite.
— Estou notando.
Você está com olheiras.
Não dormiu porquê?
Estava com alguma dor?
Está doente?
— Não, não estou doente.
Não sei o que foi.
Tentei dormir, mas não consegui.
A imagem da Fernanda, naquele caixão, não saiu, nem sai da minha cabeça.
— Foi triste mesmo, mas agora terminou.
Você tem que retornar à sua vida.
— Sei disso, mas, por mais que eu tente, não consigo me livrar da culpa.
— Que culpa?
— Se eu não a tivesse abandonado isso não teria acontecido.
Quando decidi sair de casa, nem por um momento pensei que ela poderia cometer uma loucura como essa.
— Nem eu, pois ela sempre pareceu ser equilibrada, mas você não pode se culpar.
Ela não aceitou o abandono, por isso se destruiu, mas a culpa não é sua.
Sempre existiu e continuarão existindo casais que se separam.
Ela deveria saber disso e procurar entender.
Para dizer a verdade, eu acho que, na realidade, ela não queria se matar.
Queria apenas chamar a sua atenção e fazer com que você voltasse para ela.
Se não fosse por amor, que fosse por pena, remorso ou por qualquer coisa parecida.
Ela te queria de volta.
Só ia tentar, mas se deu mal.
Acho que errou a dose.
— Acredita mesmo nisso, Flávio?
— Não, mas não deixa de ser uma boa teoria.
Sou seu amigo há muito tempo, como também era dela.
Assim como todos estou arrasado com o que aconteceu.
Mas sei também que nada poderá ser mudado.
A única coisa que você tem a fazer é retomar a sua vida e ser feliz.
Sabe muito bem o que tem que fazer para que isso aconteça.
Agora está livre e poderá realizar os seus sonhos.
Você não é culpado, não foi você quem a matou.
Quando vai para Louveira?
— Não sei, ainda é muito cedo para isso.
Preciso dar um tempo e conversar com a minha filha.
— Estranhei a Fernanda não ter contado para a Regiane sobre a separação.
Porque ela teria feito isso, Antero?
— Não sei, talvez porque, no fundo, acreditava que eu voltaria para casa e não queria preocupá-la.
— É, pode ser...
Mas mesmo assim não deixa de ser estranho.
Além do mais, se ela não queria preocupar a filha, como foi tomar uma decisão drástica como a de se matar sem deixar um bilhete?
Será que ela não pensou que isso, sim, seria motivo não só de preocupação, mas de muita tristeza?
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 26, 2017 9:01 pm

— Acho que ela não pensou nisso, nem sei como ela teve a coragem de fazer uma coisa como essa...
— Bem, meu amigo, mas, de certa maneira, a morte dela veio bem a calhar.
— Por que está dizendo isso?
—Ela morrendo e não contando nada à Regiane, deixou o caminho livre para que você decida a sua vida.
Convenhamos que seja muito mais fácil.
— Não estou te entendendo, Flávio.
— Como não?
Vai me dizer que já não pensou nisso!
— Claro que não.
Ao contrário, com relação à Regiane, tudo ficou mais difícil.
—Difícil como?
—Você acha que ela irá aceitar a minha relação com outra pessoa sabendo que a mãe morreu e da forma como foi?
—Claro que acho.
Estou te estranhando.
Quando saiu de casa disse estar disposto a encarar tudo para poder se realizar e ser feliz.
Porque agora tudo isso?
Por que essa insegurança?
Você não quer mais ser feliz, realizar o seu sonho?
__ Claro que sim!
Só que terei de esperar mais um pouco.
Preciso dar um tempo e esperar que a minha filha deixe de sofrer tanto com a morte da mãe.
Depois com mais calma, eu contarei o que pretendo fazer, mas por enquanto não.
—Acha que conseguirá esse tempo?
Tomou a decisão de sair de casa porque não tinha mais tempo...
Precisava resolver a sua vida.
Terá mais tempo agora?
—Terei que ter.
As coisas mudaram, agora sou um homem livre, diferente daquele que eu era.
—Não estou te entendendo, Antero, mas você, com certeza, deve saber o que está fazendo.
Preciso ir para minha sala.
Hoje, teremos um dia cheio.
O gerente do banco virá às duas horas.
Como gerente-financeiro, vou ter que conversar com ele e obter mais prazo.
Não vai ser fácil, mas farei o possível.
— Se ele não aceitar?
— Se isso acontecer, estaremos perdidos.
— Você pode usar o argumento de que, com a morte da Fernanda, haverá um inventário e terei dinheiro, disponível, para acertar tudo.
Se ela estivesse viva, com certeza não concordaria.
Posso vender alguns dos nossos apartamentos e até a nossa casa.
—Vai vender a sua casa?
—Claro que sim.
Sabe muito bem que não poderei voltar a viver lá.
Tem muitas lembranças que só atrapalharia a minha nova vida e isso eu não quero.
Só quero ser feliz.
—Não acredito que esteja pensando em fazer isso!
Aquela casa foi construída e decorada com tanto carinho por vocês dois.
Pensei que gostasse dela.
—Gosto, mas agora não posso continuar morando nela.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 26, 2017 9:01 pm

—Está certo, mas, pensando bem, não deixa de ser um bom argumento para o gerente do banco.
Pois, mesmo com a partilha, dará para pagar tudo e ainda sobrará muito.
A Regiane deixará você vender a casa?
—Terá que deixar.
Ela já tem a sua própria casa e mora distante.
Não pretende morar lá.
Por isso sei que ela ficará contente com a sua parte na partilha.
—Tomara que consiga o que deseja, sem muito trauma para ela.
Agora preciso ir.
Até mais tarde.
Flávio saiu da sala.
Antero ficou com o olhar perdido no espaço relembrando de sua vida, que passou quase que toda ao lado do Fernanda.
"Não posso negar que, embora não a tenha amado, tive momentos felizes ao seu lado.
Não precisava terminar assim.
Se eu soubesse que isso iria acontecer, jamais teria saído de casa.
Mas o Flávio tem razão:
com a morte dela, será mais fácil eu falar com Regiane.
Sei que a princípio ela não aceitará, mas com o tempo perceberá que será para a minha felicidade e sei que é isso o que deseja.
Ainda bem que Fernanda não lhe contou.
Seria pior.
Se ela soubesse que eu havia abandonado Fernanda, com certeza estaria com muita raiva.
Não sabendo, ao contrário, está tão perplexa quanto qualquer um.
Mas por que não consigo tirar da minha mente a imagem de Fernanda naquele caixão?
Preciso trabalhar, mas não estou conseguindo... o que quero mesmo é sair, andar sem rumo.
Não estou bem.
Se eu acreditasse em vida pós-morte, diria que Fernanda está aqui ao meu lado.
Mas sei que isso não existe.
Está tudo muito recente e com o tempo sei que vai passar.
Como se diz: o tempo sempre cura tudo."
Antero tentou ficar na sala por mais um tempo, mas não conseguiu.
Sentia-se abafado, precisava de ar, respirar.
Pegou o paletó e saiu.
Luciana quis conversar com ele, mas ele passou por ela sem nada dizer.
"O que será que ele tem? -— pensou intrigada.
Não me parece bem, vou falar com o doutor Flávio."
Foi para a sala de Flávio, bateu de leve e entrou.
—Doutor, estou preocupada com o doutor Antero.
— Por quê?
— Ele saiu e não disse onde estaria.
Não costuma fazer isso.
Sempre que sai, me avisa onde posso encontrá-lo, caso precise.
Tentei falar com ele, mas não me respondeu.
—Também achei que ele não estava bem.
Mas precisamos entender que a morte da esposa, principalmente da maneira como foi, o deixou abalado.
Vamos esperar até ele retornar.
Conversarei e verei se consigo descobrir o que está acontecendo.
Você está com algum problema, precisando dele?
— Não, está tudo sob controle, só estou preocupada.
— Está bem; se precisar de alguma coisa, estarei aqui.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 26, 2017 9:02 pm

— Obrigada, Doutor Flávio.
Luciana saiu da sala.
Flávio ficou pensando.
"Ele está abalado com a morte da Fernanda e é compreensível.
Dentro de alguns dias estará bem.
Vou esperar que volte e tentarei conversar novamente."
Antero tomou o elevador, saiu para a rua e foi para um bar que havia ali, onde sempre ia tomar café com clientes ou fornecedores.
Entrou no bar.
Assim que o garçom o viu sentar-se junto ao balcão, disse com a voz embargada:
— Sinto muito, doutor, por aquilo que aconteceu com a sua mulher.
O senhor veio aqui com ela algumas vezes e me pareceu ser uma mulher feliz.
Nunca pensei que ela pudesse fazer uma coisa assim.
—Nem eu... Nem eu...
Mas, por favor, sirva-me um café.
—É para já.
O garçom o serviu e ele, levando a xícara até os lábios, continuava pensando em sua vida junto com Fernanda e na imagem dela no caixão.
"Ela estava com uma expressão estranha.
O que terá acontecido?
Porque fez aquilo?
Será que foi como o Flávio disse:
para chamar a minha atenção? Não.
Se fosse isso, ela teria tomado cuidado.
Sabia exactamente a quantidade de remédio que poderia tomar.
Jamais tomaria uma dose excessiva.
Mas por que fez isso?
Porque não veio me procurar na empresa ou mesmo lá no apartamento?
Já que estava me seguindo; sabia que eu estava lá.
Porquê? Porquê?
Talvez porque eu a tenha recebido tão mal quando veio com a Marilda.
Meu Deus, se eu soubesse que isso pudesse acontecer, jamais teria agido daquela maneira!"
Ficou ali, tomando o café, mas logo percebeu que ali também não estava bem.
Voltou para o prédio, foi até o estacionamento, entrou no carro e, sem comunicar a ninguém, saiu sem destino.
Dirigiu por ruas que estava acostumado a passar.
Dirigia o carro, mas seu pensamento não estava na direcção, só no rosto de Fernanda dentro daquele caixão.
Quando percebeu, estava na estrada que o levaria para a região de Campinas; tentou fazer a volta, mas decidiu:
"Já que vim até aqui, vou em frente.
Preciso falar com alguém e não existe ninguém melhor do que ela."
Dirigindo pela estrada, ficou olhando o verde que a cercava, e aos poucos foi ficando mais calmo.
Assim que viu a placa que mostrava a entrada da cidade de Louveira, sabia que mais algum metro à frente estava à entrada de acesso à cidade.
Sentiu que ali encontraria paz.
Pegou a estrada e, pouco tempo depois, estava diante de uma casa com um lindo jardim, com muitos pés de rosas de todas as cores.
Ele conhecia bem aquele lugar.
Foi ali que passou muitas horas de total felicidade.
Estacionou o carro, desceu, abriu o portão e entrou.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 26, 2017 9:02 pm

Suspeitas confirmadas
Assim que abriu a porta onde ficava o escritório de Antero, se dirigiu para a recepcionista, perguntando:
—O Antero está?
Preciso falar urgente com ele.
—Ele não está.
Saiu logo cedo, mas a Luciana, sua secretária, deve saber aonde ele foi.
Espere um minuto.
Ela se comunicou através de um interfone.
Minutos depois, Luciana surgiu em uma porta.
Ao ver Marilda, disse sorrindo:
— A senhora não é a amiga da dona Fernanda?
Fiquei muito triste com o que aconteceu com ela.
Marilda sentiu-se envergonhada por, juntamente com Fernanda, tê-la seguido, considerando que ela fosse a causadora do abandono de Antero, e por descobrir que ela era uma moça sofrida.
— Não sei se a senhora acredita, mas frequento uma casa espírita e, lá, todos estamos fazendo preces vibrando e enviando muita luz para a dona Fernanda.
— Acredito, sim, e agradeço muito.
Sei que é disso que ela está precisando.
Mas o Antero não está?
Sabe para onde ele foi e quando vai voltar?
— Infelizmente não.
Ele estava estranho, saiu sem dizer para onde ia.
Estou preocupada, pois ele não costuma fazer isso.
Marilda, decepcionada, disse:
— É uma pena, preciso muito falar com ele.
Está bem, mais tarde eu telefonarei para ver se ele voltou.
— Faça isso; ou melhor, já que é tão urgente, assim que ele voltar, digo que a senhora esteve aqui e em seguida lhe telefono.
— Está bem. Estarei esperando.
Anote o número do meu telefone, estarei em casa a tarde toda.
Muito obrigada por sua atenção. Até logo.
Luciana sorriu e, quando estava entrando novamente por aquela porta da qual havia saído, Flávio estava entrando na recepção.
Ao ver Marilda saindo, disse feliz:
— Marilda! Você aqui!
Que surpresa!
— Olá, Flávio, como está?
— Estou bem, na medida do possível.
Mas não vá embora, venha até a minha sala e poderemos conversar um pouco sobre tudo que se passou com a Fernanda.
Sabe que custo acreditar que aquilo realmente aconteceu.
— Eu também.
Vim conversar com o Antero, mas ele não está.
Voltarei mais tarde.
— É sobre ele que quero falar com você.
Estou preocupado.
Entre e conversaremos.
Marilda sabia que, assim como ela era amiga de Fernanda, Flávio também era o melhor amigo de Antero, por isso precisaria tomar cuidado ao conversar com ele.
Não poderia deixar de maneira alguma que ele suspeitasse das desconfianças dela, mas, vendo que não haveria alternativa, acompanhou-o.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 26, 2017 9:02 pm

Ele a conduziu até a sua sala.
Pediu à secretária que lhes servisse um café, em seguida apontou para Marilda uma cadeira que estava em frente à sua mesa, sentaram-se.
— Posso saber o que você quer conversar com o Antero?
— Não é nada importante, só queria ver como ele está.
No enterro, não deu para conversarmos muito.
— Ele não está bem e estou preocupado.
— Não está bem como?
— Está estranho, sente-se culpado pela morte da Fernanda.
— Culpado? Por quê?
— Disse que se ele não tivesse saído de casa...
Você sabe que ele saiu, não é?
A Fernanda não contou para a filha, mas para você ela deve ter contado.
Você sempre foi a sua melhor amiga.
— Claro que sei, mas não acredito que esse tenha sido o motivo que levou Fernanda à morte.
— Por que está dizendo isso?
Não estou entendendo...
— Ela estava triste com a separação, mas tinha esperança que ele voltaria para casa.
Estava procurando por sua amante e queria saber o motivo exacto para ele ter tomado essa atitude.
Ela não se mataria, antes que tivesse a certeza que ele não voltaria mais.
Eu fui viajar e ela me disse que esperaria a minha volta.
Você sabe quem é a outra mulher?
— Ele disse que havia outra mulher?
— Não. Mas qual seria o motivo?
Ninguém sai de casa porque a mulher tem mania de limpeza.
Isso não existe!
— Acalme-se.
Sei que tem motivo para estar revoltada com ele, mas te garanto que, quando ele saiu de casa, nem por um minuto, pensou que isso poderia acontecer.
— Desculpe, estou nervosa mesmo, mas não é para menos.
Como uma coisa dessas foi acontecer?
Não consigo me conformar, Fernanda era cheia de vida e sempre a considerei feliz.
De repente, sem mais nem menos, ela morre!
Se estivesse doente, eu até entenderia, mas não, ela gozava de perfeita saúde!
— Tem razão. Foi muito triste.
Ainda mais da maneira como aconteceu.
O Antero também não se conforma, hoje pela manhã estava estranho e saiu sem dizer nada.
Estou preocupado.
Não sei o que está passando pela mente dele.
— Deve estar assim como nós, com um agravante; ele pode ter sido o causador da morte dela e isso deve pesar muito.
Agora preciso ir embora, sei que você deve ter muito para fazer.
— Neste momento até que não, mas à tarde terei uma conversa séria com o gerente do banco.
— Séria por quê?
— Estamos com alguns problemas financeiros.
Não vendemos os apartamentos como tínhamos planeado e, para construí-los, fizemos um empréstimo.
Agora estamos com dificuldades para saldar a dívida.
— Vocês estão com problemas?
A Fernanda não comentou sobre isso!
Ela não sabia?
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 26, 2017 9:02 pm

— Não, ela não sabia.
Sabe como o Antero é, ele nunca quis que ela se envolvesse com os problemas da empresa.
— Mas deveria afinal ela também era sócia.
— Sei disso, mas Antero sempre resolveu tudo.
— Bem, de qualquer maneira, preciso ir embora.
Quando o Antero chegar, diga que preciso falar com ele.
Peça que me telefone.
Até mais e boa sorte com o gerente do banco.
Marilda saiu da sala.
Flávio a acompanhou até a recepção e despediram-se.
Ela estava cada vez mais certa de que Antero, mesmo que não tivesse matado Fernanda, de alguma maneira havia tomado parte.
Porque teria mentido, dizendo que havia viajado a noite inteira?
Sim, pois a Fernanda disse que ele ia até a casa dela naquela noite.
Estava aflita e nervosa.
"Não se preocupe, minha amiga — pensou no elevador. —
Você, antes de morrer, deixou uma pista.
Vou segui-la e encontrarei o culpado por sua morte!
Pode ser que até demore, mas sei que conseguirei."
Pegou o carro e foi dirigindo.
Olhou o relógio, era quase meio-dia.
Foi para casa.
Renata já estava com o almoço pronto, Marilda almoçou e foi para o seu quarto.
Sabia que, logo mais, Júlio chegaria e ela lhe contaria tudo que conversou com Flávio.
Talvez ele tivesse alguma ideia do que ela poderia fazer para desmascarar o Antero.
Pegou um livro e começou a ler, mas não conseguia se concentrar na leitura.
Mesmo não querendo, não conseguia esquecer o que conversou com Flávio.
"Se o Antero estava com problemas financeiros, por que não contou para a Fernanda?
Com a morte dela, ele terá muito dinheiro e poderá saldar suas dívidas.
Não. Ele não precisaria tê-la matado para conseguir o dinheiro.
Ela o amava e faria tudo para ajudá-lo, mesmo se desfazendo de tudo que tinham.
Ela não seria um empecilho.
Não, esse também não deve ter sido o motivo.
Meu Deus! Qual foi o motivo da morte dela?
Preciso de um caminho para seguir... a pista que Fernanda deixou.
Mas como segui-la?
Não sei o que fazer para desvendar esse mistério.
Sempre ouvi dizer que não existe crime perfeito, mas acho que, neste caso, existe sim.
Se eu disser para a polícia que a Fernanda, naquela noite, estava esperando por ele para jantar, será que eles não fariam uma investigação?
Claro que sim!
É isso que vou fazer!
Assim que o Júlio chegar, contarei tudo que conversei com o Flávio e, se ele quiser, iremos juntos até a delegacia!"
Ela estava deitada tentando ler e adormeceu.
Sonhou que estava em uma casa grande, brincando com algumas crianças.
Ela era criança e deveria ter uns nove ou dez anos.
Estavam brincando de esconder, quando encontrou outra menina, mais ou menos de sua idade.
As duas, rindo muito, se abraçaram.
Acordou, estranhou aquele sonho, lembrava de tudo com perfeição:
da casa, das crianças e principalmente daquela menina.
Estava emocionada e não sabia dizer porquê.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 26, 2017 9:03 pm

Sentou-se na cama, pensando:
"Que sonho estranho... eu conheço aquela casa, aquelas crianças.
E aquela menina, quem é?
Estávamos vestidas com roupas de outra época e eu era criança?
Que sonho estranho..."
Levantou-se, foi até a cozinha e bebeu um pouco de água.
Renata não estava mais ali, já tinha ido embora.
Olhou para o relógio que estava na parede, lembrou que não havia telefonado para Júlio.
Pensou em telefonar para o hospital e saber dele, mas imediatamente pensou:
"Não, não vou fazer isso, embora eu tenha dito que telefonaria assim que conversasse com o Antero.
Se demorei e ele não telefonou, deve ter tido algum motivo, vou esperar.
Tenho que me acostumar com a vida de uma esposa de médico.
Esposa? -— pensou sorrindo.
Imagine só! Esposa!
Nunca pensei que isso aconteceria em minha vida!
Mas acho que, vou sim, ser uma esposa de médico!"
Foi para o escritório.
Assim que entrou, viu sobre a mesa um saquinho de plástico branco.
Abriu e dentro dele estavam vários rolos de filmes ainda para serem revelados.
"Os filmes da viagem!
Com tudo que aconteceu, esqueci de mandar revelar.
Vou fazer isso hoje mesmo.
Quando o Júlio chegar, pedirei que me acompanhe."
Ouviu o toque da campainha do portão.
Olhou pela janela, era Júlio quem havia tocado.
Saiu apressada do escritório e foi ao encontro dele, que a recebeu com um sorriso:
—Já não me ama mais?
—Por que está dizendo isso?
—Não estava na janela, tive que chamar pela campainha.
—Eu me distraí -— disse, abrindo o portão e recebendo na testa o beijo dele - encontrei os filmes da viagem e lembrei que não havia mandado revelar.
Têm nossas fotos!
— Poderemos ir mais tarde, também quero ver essas fotos!
Quero ver se ficaram boas.
Entraram em casa, abraçados.
Lá dentro, beijaram-se apaixonados.
Após o beijo, ele disse:
— Desculpe pela demora, mas na hora em que eu estava saindo do hospital chegou uma emergência.
Tive que atender.
—Conseguiu ajudar a pessoa?
—Sim, era uma criança que caiu de um muro.
—Nossa! Estava muito machucada?
—Sim, mas agora está bem.
Isso sempre acontece.
Acidentes com crianças têm quase todos os dias, mas não precisava ser na hora em que eu estava saindo -— disse, rindo.
— O importante é que chegou e está agora aqui ao meu lado.
Quer tomar alguma coisa?
— Sim, gostaria muito de um café.
— Vou preparar agora mesmo.
— O que a minha amada fez hoje?
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 26, 2017 9:03 pm

— Fui à empresa conversar com o Antero.
Precisava descobrir alguma coisa.
— Descobriu?
— Não, ele não estava lá.
— Não?! Onde estava?
— Não sei e ninguém sabe, vou te contar.
Contou à conversa que teve com Flávio e a sua ideia de ir até a polícia e contar que Fernanda havia telefonado.
— Estou muito desconfiada -— terminou dizendo -— que Antero tenha alguma coisa a ver com a morte da Fernanda.
A atitude estranha dele e as dificuldades financeiras.
Por que ele mentiu dizendo que não estava na cidade e a Fernanda telefonou dizendo que estava tudo bem e que ele ia jantar com ela?
— São dúvidas razoáveis.
Acho que suficientes para que a polícia investigue.
O que pretende fazer?
— Estava esperando você chegar para ver se achava conveniente eu ir até a delegacia e se queria me acompanhar.
—Acho que agora, sim, terá argumentos para falar com a polícia.
Não poderia chegar e dizer que a sua amiga não havia se matado porque uma médium te contou.
Nisso, com certeza, eles não acreditariam.
Claro que vou te acompanhar.
—Acredita em crime perfeito?
Acredita que qualquer pessoa possa cometer um crime e ficar impune, sem que a justiça possa apanhá-la e ela possa continuar vivendo tranquilamente?
—Não sei se há crime perfeito, nem se alguém pode fugir da justiça da Terra, mas à de Deus não fugirá.
Sempre haverá uma forma de se pagar e também de se redimir de um crime.
—O que quer dizer com isso?
—Quando vemos alguém sofrendo alguma injustiça ou tendo uma vida difícil, é Deus praticando a Sua justiça.
—Quer dizer que aquilo que praticamos de bem ou de mal receberemos de volta na mesma proporção e que, se não for nesta vida, será em outra?
—Isso mesmo.
Já aprendeu muito!
Sempre ouvi falar dessas coisas, só que nunca dei muita atenção.
Também, nunca aceitei.
Não me importa o que acontecerá em outra vida, com o Antero ou com a pessoa que matou a Fernanda.
Quero que a justiça seja feita, aqui, nesta vida mesmo, pois em outra não se lembrarão.
Portanto não estarão pagando, apenas sendo vítimas.
Por isso vou fazer tudo que estiver ao meu alcance para descobrir nesta vida mesmo.
—Está certa em pensar assim, mas mesmo não concordando é assim que acontece.
Deus nos julga a todos e nos dá de acordo bom os nossos merecimentos e ninguém, ninguém mesmo, consegue escapar da Sua justiça.
—Bem, posso até esperar outra vida se não conseguir fazer nesta, mas farei tudo que puder para encontrar o assassino da Fernanda.
Ela era minha amiga e não merecia ter uma morte como essa.
Farei tudo o que estiver ao meu alcance.
—Está bem.
Faça isso, mas agora vamos tomar o café, nos amarmos e depois iremos até a polícia.
Foi o que fizeram.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 26, 2017 9:03 pm

A quem de direito
Chegaram à delegacia.
Embora fosse advogada, Marilda nunca havia ido a uma delegacia.
Nunca pensou em ser uma advogada criminalista, pois sempre julgou ser muito difícil defender um criminoso.
Ficou admirada com a quantidade de pessoas que estavam ali sentadas, esperando para serem atendidas.
Pensou em se identificar como advogada, mas achou melhor não usar dessa prerrogativa.
Esperaria como os demais.
Ela e Júlio esperaram por um bom tempo, até que finalmente foram atendidos.
O delegado os recebeu com um sorriso.
—Em que posso ajudá-los?
—Estamos aqui para poder lhe contar algumas suspeitas que temos sobre uma morte -— disse Marilda.
—Suspeitas?
Pode contar, do que se trata?
Ela contou tudo que havia acontecido desde que chegou da viagem.
O delegado ouviu atentamente.
—Eu me lembro desse caso...
Parece que o meu colega do turno da manhã já o arquivou.
Mas diante de tudo que me contou, vou rever.
Um momento, por favor.
Pediu ao escrivão que pegasse o prontuário.
Assim que o escrivão trouxe, ele leu e falou em seguida:
—Aqui diz que ela foi encontrada morta na cozinha da casa e que tinha, ao seu lado, um vidro contendo soníferos muito potentes.
A autopsia revelou que não houve luta e que ela morreu por ter ingerido uma grande quantidade daqueles soníferos, entre sete e oito horas da noite.
Diz também que foi encontrada na manhã seguinte.
Não resta a menor dúvida que foi suicídio, mas diante do que me contou estou curioso.
O marido disse que não estava na cidade, que viajou durante toda a noite e que só tomou conhecimento na manhã seguinte, quando estava no escritório da empresa onde trabalha.
Falou o quanto a esposa estava deprimida porque eles haviam se separado.
A senhora está me dizendo que ela, no dia da sua morte, durante à tarde, telefonou para sua casa dizendo que estava tudo bem e que ele iria jantar com ela e voltar para casa?
—Foi isso exactamente que aconteceu.
A minha empregada recebeu o telefonema e me contou.
Eles estavam realmente separados e ela estava, sim, muito nervosa.
Posso dizer que até deprimida, mas nunca se mataria.
— Como pode ter tanta certeza?
A senhora não imagina quantos casos de homicídio passam por esta delegacia e o que tanto homens como mulheres podem fazer quando são abandonados, desde o assassinato até o suicídio.
Isso é muito comum de acontecer!
—Não! A Fernanda não faria isso, esperaria ao menos eu voltar da viagem.
Éramos muito amigas e ela sabia que poderia confiar em mim, a qualquer momento.
—Pode ser que ela não tenha querido esperar a senhora retornar.
Mas, de qualquer maneira, está me apresentando um facto novo.
Vou intimar o marido para que venha até aqui e preste um novo depoimento.
Agora ele terá que explicar esse telefonema que ela deu.
A sua empregada estará disposta a vir até aqui e confirmar o que está me dizendo?
— Não posso responder por ela, mas acredito que não haverá problema algum.
Ela virá, sim.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 26, 2017 9:03 pm

— Está bem, depois que eu conversar com o marido, entrarei em contacto com a senhora e lhe direi o que descobri.
—Obrigada.
Sei que talvez o senhor não entenda, mas nada me convence que a Fernanda se matou.
—Fique tranquila, se isso não aconteceu, descobriremos.
—Obrigada por sua atenção, estarei esperando ansiosa.
—Não se preocupe tudo será esclarecido.
Ela e Júlio saíram dali.
Estava mais tranquila por ter contado tudo que sabia e por ter sentido que o delegado se interessou e ia investigar realmente.
Já na rua, Júlio, a abraçando, disse:
— Está mais tranquila agora?
— Sim, parece que ele vai investigar.
— Parece não, ele vai investigar!
Bem, agora você precisa deixar de ficar tão ansiosa e entregar tudo nas mãos de Deus, pois a justiça será feita.
Disso não tenha dúvidas.
— Não sei não, acontecem tantos crimes que ficam por muito tempo sem solução.
—Tem razão, mas alguns são descobertos e os culpados são pegos.
Já te disse que, mesmo que isso não aconteça nesta vida, com toda a certeza do mundo, acontecerá em outra.
—Sempre fui muito desconfiada quanto às religiões.
Acho que elas deixam as pessoas alienadas em relação ao mundo.
As pessoas se tornam dependentes de outras para resolverem os seus problemas.
Em todas as religiões, sempre existe aquele que julga saber mais e a quem as pessoas seguem sem discutir.
Essa mesma, que você pratica e que estou começando a aprender, diz que tudo tem relação com uma vida passada.
Não sei, mas parece muito conveniente julgarmos que tudo que nos acontece foi por causa de uma vida passada e deixarmos para resolver os problemas para uma próxima vida.
Claro que estou acreditando que exista uma vida depois da morte.
Mas estou vivendo aqui e é agora que vejo tantas coisas acontecendo.
Foi agora que a Fernanda morreu!
E é agora que o assassino está solto.
Nessa outra vida, não sei como será!
Não sei se um dia, se realmente eu renascer, me lembrarei desta.
Que bobagem estou dizendo!
Eu sei, com certeza, que não me lembro da anterior.
Desculpe, mas não me convence!
Sei que há outra vida, isso não posso negar, pois o meu pai esteve presente.
Mas se tudo que nos acontecer deve ser deixado para lá, sinto muito, mas não dá para aceitar com tanta facilidade!
Não conseguirei!
—Você e outras milhões de pessoas.
É realmente difícil e conveniente, mas religião foi algo inventado pelo homem.
Ele precisou fazer isso porque o ser humano não é só matéria.
Em todos os tempos, ele precisou acreditar que existia algo além.
Precisou acreditar em um ser superior.
Não importa qual seja a religião que sigamos, em todos os momentos da nossa vida sempre temos e teremos ao nosso lado espíritos amigos nos ensinando, intuindo e dando forças para que atravessemos qualquer obstáculo e nos alertando quando pretendemos fazer algo que seja errado.
Nunca estamos sós, eu acredito nisso.
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