A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 27, 2017 8:39 pm

Pode não ser verdade ou conveniente, como você diz, mas é o que eu acredito e não preciso de alguém que saiba mais, ou menos, para me guiar.
Só preciso ter a certeza que sou filho de um Deus maravilhoso, que é justo.
O aceitar não significa ficarmos parados e esperarmos que todas as soluções venham do céu.
Precisamos sempre lutar por aquilo em que acreditamos, defender os nossos direitos, sem nunca nos esquecermos das nossas obrigações.
Neste caso, você tem as suas dúvidas, trouxe a quem de direito.
Agora, só resta esperar.
Não tem outra coisa a fazer, além disso, Marilda.
—De certa maneira você tem razão, não poderei fazer nada além de esperar que o delegado investigue e consiga descobrir quem matou Fernanda.
—Isso mesmo.
Mas vamos deixar essa conversa para outro dia.
Quero passar o fim de semana com você.
Embora eu não tenha todo um fim de semana livre, quero passar todas as horas possíveis ao seu lado.
— Também quero.
Na segunda-feira voltarei ao trabalho.
Apesar de todos esses problemas, estou feliz por ter te encontrado.
Vou fazer parte das pessoas que convenientemente deixam os problemas nas mãos de Deus.
—Posso te garantir que são as melhores mãos que existem.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 27, 2017 8:39 pm

Conversa franca
Antero abriu o portão, caminhou até porta da frente da casa, tirou um chaveiro do bolso.
Escolheu uma das chaves, abriu e entrou.
Caminhou pelos vários cómodos, mas eles estavam vazios.
Foi para a cozinha, abriu a geladeira, pegou uma garrafa com água, colocou em um copo e começou a beber lentamente.
Em seguida, ainda com o copo na mão, foi para a sala de visitas, ligou o televisor, sentou, continuou bebendo a água e ficou pensativo.
"Embora eu não tenha planeado, no fim deu tudo certo.
Com a morte da Fernanda agora será mais fácil, embora saiba que não precisaria ter sido dessa maneira.
Porque não consigo esquecer o rosto dela naquele caixão?
Parecia estar me acusando.
Preciso encontrar uma maneira de me controlar... estou nervoso, não consigo raciocinar e preciso continuar com os meus negócios.
Tomara que o Flávio consiga convencer o gerente do banco a nos dar mais prazo.
São tantos os problemas..."
Estava assim distraído, pensando, quando a porta abriu e entrou uma mulher, que disse surpresa:
— Você está aqui?
Fiquei surpresa quando vi o seu carro lá fora.
Não me avisou que viria, fui até o supermercado.
— Eu não sabia que viria.
Não dormi bem e não consegui ficar na empresa.
Saí dirigindo sem destino...
No meio do caminho resolvi vir até aqui —- disse, enquanto a beijava.
— Não dormiu bem, por quê?
— Não estou bem.
Não consigo esquecer a Fernanda naquele caixão, sua imagem não sai do meu pensamento.
—Isso era de se esperar.
Tudo está ainda muito recente.
Também, assim como todos, estou abismada com o que aconteceu...
Mas venha, vou te servir um café.
Estava morrendo de saudade.
Eu queria muito ter estado ao seu lado naqueles momentos, mas sabemos que foi melhor eu não ter ido.
Se nos encontrássemos lá, não conseguiríamos disfarçar e as pessoas poderiam desconfiar.
—Sei disso; embora eu tenha pedido a você que não fosse, senti muito a sua falta.
Não foi fácil.
—Posso imaginar, mas agora tudo passou e em breve poderemos nos revelar.
Já esperamos muito.
Sabe o quanto te amo, acho que já dei provas disso, Antero.
— Também sabe o quanto te amo e também já dei provas disso.
Por você, abandonei a minha casa.
—Agora é só questão de tempo -— disse, sentando-se ao lado dele.
Tome o café.
— Não sei, nunca pensei que ela reagiria dessa maneira, estava preparado para choros e pedidos de volta, mas nunca para um suicídio...
Isso nunca esperei...
—Nem eu, Antero.
Pensava que conhecia a Fernanda, mas parece que me enganei.
Como ela teve coragem para fazer aquilo?
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 27, 2017 8:40 pm

Não consigo acreditar...
Nesse momento, sem poder se controlar, Antero começou a chorar desesperadamente.
Seu corpo tremia e não conseguia controlar os soluços, que vinham do fundo.
Ela, ansiosa, perguntou:
—Porque está chorando assim?
Acalme-se, Antero...
—Eu ainda não estou acreditando.
Por que ela fez isso?
Se eu soubesse, juro que não teria saído de casa!
Ela foi uma boa esposa e companheira.
Sempre soube que eu não a amava, mas mesmo assim fez tudo que podia para me manter feliz e tratou com carinho nossa filha.
Talvez fosse um pouco exagerada com a limpeza da casa, mas sei que foi sempre para que eu me sentisse bem.
Conseguiu manter um lar harmonioso.
Isso não podia ter acontecido.
Eu, só eu, sou o culpado de tudo e deveria morrer também! -— disse, entre soluços.
— Pare com isso!
Você não tem culpa de nada!
Se ela foi tudo isso que você disse com certeza você também foi!
Foi um bom marido e sempre esteve ao lado dela e de sua filha!
Mesmo sendo infeliz, ficou ali durante todo esse tempo!
— Se você não tivesse me pressionado e abandonado, eu estaria em casa até hoje e nada disso teria acontecido!
—Agora está dizendo que eu fui a culpada?
—Não estou dizendo isso, mas se não tivesse exigido a minha separação, nada disso teria acontecido.
—Você já imaginou há quanto tempo estou esperando que você tome a decisão de deixar a sua casa e ficar comigo?
Você já imaginou o que é a vida de uma amante?
Sei que todos condenam, mas ninguém imagina o que é ficar sempre sozinha, tentando adivinhar o que você estará fazendo, principalmente com ela.
Passar finais de semana sozinha, Natal, Ano Novo e todos os outros feriados, familiares ou não!
Quando chegavam as férias escolares, você pegava a sua linda família e ia viajar!
Eu ficava sempre sozinha esperando a sua volta.
Foram anos de espera, pois você sempre dizia que, quando a sua filha crescesse, quando seu pai morresse, ficaria comigo.
Isso tudo aconteceu.
Seu pai morreu, a sua filha cresceu e casou!
Agora eu não poderia esperar mais, estou velha!
Passei toda a minha juventude à espera de uma decisão sua que nunca veio!
Não venha me dizer que eu não deveria ter te abandonado e exigido essa decisão!
Esperei muito!
Porque se casou com ela, se sempre disse que era a mim que amava?
Não venha com a desculpa que foi por causa do seu pai!
—Sabe como ele era autoritário e nós, seus filhos, tínhamos que obedecê-lo cegamente!
Quando Fernanda engravidou, meu pai me obrigou a casar!
Você sabe muito bem disso!
—Claro que sei!
Você namorava comigo, mas, sem que eu soubesse, começou a namorar com ela também!
Isso eu também nunca deveria ter perdoado!
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 27, 2017 8:40 pm

A sua traição!
Não venha me dizer que se casou por causa do seu pai!
Você sabia muito bem a fortuna que o pai dela possuía.
Sabia, portanto, que, ao lado dela, teria uma vida bem melhor do que ao meu, filha de um motorista!
Você se casou por interesse e, durante toda a vida, deu uma de vítima!
Você é um dissimulado!
Agora mesmo não sei se essas lágrimas são verdadeiras!
Pode estar fingindo novamente!
Ela, muito nervosa e com muita raiva, começou chorar.
—Nem sei se essas lágrimas são verdadeiras.
Pode estar fingindo, como sempre fez.
Estou cansada das suas mentiras!
Ela começou a chorar, mas de raiva.
Ele a abraçou, chorando também.
Ela continuou falando entre soluços:
—Você acha que foi fácil eu tomar a decisão de deixar o meu apartamento, meu emprego, a minha vida, e ter vindo para cá?
Não foi fácil, eu tinha uma vida organizada!
Só tomei essa decisão depois que o seu pai morreu, e ele, segundo você, era o único obstáculo para ficarmos juntos!
Mas você continuava sempre com mais desculpas.
Cansei de ficar sozinha, de não ter uma família, de não ler um filho, não ter nada!
Enquanto a mulher que você dizia não amar tinha tudo!
Não te obriguei, simplesmente te deixei em paz para que decidisse a sua vida!
Portanto, não venha me culpar, pois eu não aceito!
Já me senti culpada demais!
Agora você está livre e pode fazer o que quiser com a sua vida!
—Sabe que é o que mais quero!
Embora diga tudo isso, você foi à única mulher que amei em toda a minha vida!
Quero ficar no seu lado para sempre!
Só que precisamos esperar um pouco para anunciar essa nossa decisão.
—Está com novas desculpas!
Não estou disposta a esperar.
—Você tem que ser razoável...
Sabe que não posso chegar agora e dizer que vou me casar.
Vamos esperar mais um pouco?
Já esperamos tanto...
Um pouco mais não fará diferença.
Depois, te prometo que farei tudo como você quiser...
— Está bem, sei que desta vez está certo.
Vamos esperar.
Venha, vamos tomar o café.
Tomaram o café, voltaram para a sala.
Ela o olhou com carinho, disse com a voz macia;
— Venha, vamos para o quarto.
Você precisa relaxar e eu estou aqui para isso, Antero...
Foram para o quarto e se entregaram ao amor.
Ficaram ali por um bom tempo, até que ela se levantou.
—Fique aí —- disse carinhosa -— que vou preparar algo para comermos.
Está na hora.
—Não quero, não estou com fome.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 27, 2017 8:41 pm

—Eu também não, mas é preciso.
Temos que conversar.
—Não, hoje não.
Vou comer alguma coisa e voltar para a empresa.
Saí sem avisar e todos devem estar preocupados.
—Por que não telefona para o Flávio?
—É... É isso que vou fazer.
Pegou o telefone e discou para o Flávio, que atendeu.
—Puxa Antero!
Flávio disse nervoso.
Onde você está?
Saiu sem avisar!
Estou preocupado!
—Estou bem, não se preocupe.
Estou aqui em Louveira.
—Ainda bem, agora sei que está bem mesmo!
Vou ficar tranquilo.
E ela, como está?
—Assim como todos, abismada.
Já conversou com ela sobre aquilo que falei?
—Sobre o quê?
—Sobre como, com a morte da Fernanda, tudo ficou mais fácil para vocês e para a empresa?
—Claro que não conversei sobre isso, não é hora!
—Não precisa ficar nervoso, mas que estou certo, isso estou.
—Está bem, depois falaremos.
Já estou voltando.
—A Marilda esteve aqui te procurando.
—O que ela queria?
—Não sei, disse que vai te telefonar.
Ela estava estranha.
Estranha como?
—Tentei descobrir, mas você sabe como ela é não queria que eu soubesse o motivo da sua visita e conseguiu.
Tentei fazer com que falasse, mas foi inútil.
Fiquei sem saber.
—Está bem. Se ela telefonar, diga que logo mais estarei aí e que também estou querendo falar com ela.
Desligou o telefone, dizendo:
— Meu amor, preciso ir para a empresa.
Logo mais te telefono.
— Quem era “ela”?
— A Marilda esteve me procurando.
O Flávio não sabe o que ela queria, mas disse que, mais tarde, ela vai telefonar para conversar comigo.
Não imagino o que ela deseja...
— Ela era muito amiga da Fernanda.
— Sim, muito amiga.
Você sabe o quanto.
Ela o abraçou; disse, beijando de leve os seus lábios:
— Sabe que estarei aqui te esperando, como sempre...
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 27, 2017 8:41 pm

Notícias do delegado
Na segunda-feira, Marilda acordou ouvindo o despertador, que ela havia marcado para que tocasse na hora em que costumava acordar para ir ao trabalho.
Virou na cama, com aquela vontade de ficar mais um pouco.
Durante o tempo em que esteve de férias, se acostumou a não ter hora para nada, inclusive para se levantar.
Pela primeira vez em sua vida, não sentia vontade de ir trabalhar.
Levantou, foi para o banheiro.
Precisava se preparar, sabia que o dia seria cheio, pois, embora tivesse deixado o escritório nas mãos de Laura e soubesse que ela era competente, Marilda tinha muitos processos em andamento.
Depois de tomar banho, foi para o quarto e começou a se vestir.
"Estou me sentindo tão estranha.
Sempre fui uma mulher decidida, sempre soube o que queria da minha vida.
Nunca pensei no futuro com medo, pois sabia que ele só dependeria do meu esforço, da minha vontade e, hoje, estou com medo dele.
Está tudo indo tão bem na minha vida, que estou com medo de morrer!
Morrer?! Credo! O que é isso?
Nunca pensei na morte!"
Terminou de se vestir e saiu.
"Estranho aquele pensamento de morte.
Isso nunca me preocupou.
Talvez por estar tudo tão bem e eu tão feliz, chego a ter medo.
Sinto que já não sou a mesma que era.
Sempre me julguei uma pessoa equilibrada.
Tanto que muitas vezes critiquei Fernanda por sua maneira submissa, mas acho que fazia isso por nunca ter conhecido o verdadeiro amor.
Hoje, depois do Júlio, acho que faria qualquer coisa que ele quisesse.
Sinto que o meu único desejo é vê-lo feliz.
Esse fim de semana foi maravilhoso!
Aliás, todos os dias, depois que o conheci, foram maravilhosos.
Nunca pensei que o amor pudesse ser tão importante na nossa vida, ainda mais quando encontramos alguém que também nos ame.
Só posso agradecer a Deus por tudo."
Chegou ao escritório e, como já esperava, tinha realmente muito trabalho:
tanto, que quase se esqueceu de Fernanda e de Júlio.
Já eram quase seis horas da tarde quando Júlio telefonou, dizendo:
—Oi, meu amor, passou bem o dia?
—Com muito trabalho, mas estou feliz. E você?
— Estou aqui no meu consultório.
Também tive muito trabalho, mas estarei livre depois das sete horas.
Quer me ver?
—Claro que quero!
Quer que eu passe aí para te pegar?
—Não, vá para casa.
Preciso jantar em casa, senão minha mãe vai ficar com ciúmes e isso não é bom.
Já reclamou por eu ter passado quase todo o fim de semana fora -— disse, rindo.
—Está bem, tenho muito trabalho; se você for jantar na sua casa, virá só depois disso.
Então, vou aproveitar e ficar mais um pouco por aqui.
Que tal lá pelas nove?
— Está óptimo!
Ainda bem que moramos na mesma rua!
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 27, 2017 8:41 pm

— Estarei te esperando, um beijo.
"Ele é mesmo maravilhoso!
Nunca pensei que existisse um homem como ele.
Parece adivinhar o que estou pensando.
Será esse o amor verdadeiro?
Será que somos almas gémeas?
Se alma gémea realmente existir, com certeza somos e eu estou muito feliz por isso.
Bem, preciso voltar ao trabalho."
Passaram-se os dias.
Marilda dividia o seu tempo entre o trabalho e Júlio.
Esqueceu o delegado e a investigação que ele disse que faria.
Eram quase seis horas da tarde, o telefone tocou:
—Doutora Marilda, é Tomas o delegado.
Como está?
—Delegado!
Estou bem, obrigada.
Tem algo para me dizer?
Estou ansiosa esperando notícias suas!
—Tenho notícias, sim.
Hoje é o meu plantão.
Gostaria que, se a senhora pudesse, viesse até aqui.
—Claro que posso!
Estou ansiosa por suas notícias!
A que horas quer que eu vá?
—A qualquer hora.
Estarei aqui à noite toda.
—Está bem, irei assim que sair do trabalho.
"Finalmente, agora sei que haverá uma solução para a morte da Fernanda" -— pensou enquanto desligou o telefone.
Em seguida telefonou para Júlio e contou-lhe sobre o telefonema do delegado.
Marcaram um encontro para as nove horas, em frente à delegacia.
Marilda não conseguiu mais trabalhar, estava muito ansiosa.
Saiu do escritório, foi para casa.
Precisava se acalmar e esperar que Júlio estivesse desocupado para acompanhá-la.
Havia prometido a ele que não iria sozinha à delegacia e pretendia cumprir a promessa.
"Mudei mesmo!" -— pensava enquanto escolhia uma roupa para vestir.
"Se fosse há outros tempos, não estaria aqui esperando.
Assim que o delegado me telefonou, voaria para a delegacia.
Mas olhe só!
Estou aqui, na dependência do Júlio para me acompanhar, só para que não fique magoado."
Quando faltava meia hora para as nove horas, ela saiu de casa.
No pátio da delegacia ficou esperando Júlio, que chegou logo depois.
Entraram juntos.
O delegado estava atendendo um caso.
Sentaram-se e ficaram esperando.
—Que bom que estão aqui. Entrem.
Sei que o que tenho para contar fará que fiquem mais tranquilos.
Entrem, por favor.
—O senhor intimou Antero, doutor? -— Marilda perguntou aflita.
Ele veio e explicou o telefonema da Fernanda?
—Calma doutora!
Eu o intimei, sim, e ele atendeu prontamente.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 27, 2017 8:41 pm

Deu um novo depoimento, só não pôde explicar a respeito do telefonema.
Disse que não sabia sobre o jantar e que não havia se comunicado com a esposa desde o dia em que as senhoras foram juntas na empresa.
—Ele está mentindo!
Claro que sabia do jantar e que também disse a ela que voltaria para casa!
Ela não teria inventado uma história como essa!
Por que ligaria para minha casa, sabendo que eu não estava lá?
Estava ansiosa para que eu soubesse e ficasse tranquila em relação a ela!
—A senhora tem razão em estar desconfiada, mas o álibi dele é perfeito.
Esteve realmente viajando a noite toda, só chegou a São Paulo pela manhã.
—Não pode ser!
Como pode ter certeza que ele esteve viajando durante a noite?
—Ele viajou em companhia de um corrector que queria lhe mostrar umas terras.
Para que os gastos da empresa sejam controlados, eles têm e sempre tiveram por norma pegar notas fiscais em todos os postos de gasolina onde abastecem o carro e nos pedágios.
Trouxe duas notas de dois postos diferentes e alguns recibos de pedágio.
Ele esteve viajando a noite toda.
Disse que além do corrector que o acompanhava jantou com os vendedores das terras e que eles poderiam confirmar que esteve lá.
Estando tão longe, não teria como ter matado a sua amiga.
Não foi ele. Pela autopsia, ela ingeriu uma quantidade grande dos comprimidos que estavam espalhados pelo chão, que ela deve ter deixado cair.
Sinto muito, sei que é difícil, mas a senhora precisa se conformar com a ideia de que ela se matou realmente.
—Não pode ser!
Porque ela telefonaria para a minha casa, para que eu ficasse tranquila caso eu telefonasse, se estava pensando em se matar?
—Isso não posso lhe responder.
Sabe-se lá o que se passa pela cabeça de um suicida, mas posso lhe garantir que se alguém a matou não foi ele.
—Como pode ter tanta certeza disso?
—Sou delegado há muito tempo, só nesta delegacia trabalho há mais de dez anos.
Sei como interrogar uma pessoa e sei também que, se ela for culpada, não conseguirá escapar das minhas armadilhas.
Por isso, tenho quase certeza de que não foi ele.
Júlio, que assim como ela prestava atenção e acompanhava a conversa, disse, colocando o braço sobre os ombros de Marilda:
—Bem, Marilda, acho que o delegado tem razão.
Ele conhece o seu trabalho.
Precisamos ir embora e procurar esquecer tudo que passou.
A única coisa que podemos fazer pela Fernanda é vibrarmos muito por seu espírito e pedir que Deus não a abandone, esteja onde estiver.
Acredito que Ele nunca fará isso.
—Sabe doutora, já vi muitos crimes que, aparentemente, pareciam sem solução.
Mas do nada, quando já não me lembrava mais, sempre surgia uma pista e pegávamos o assassino.
Por isso lhe digo que não vou parar as investigações, embora esteja convencido de que ela realmente se matou.
—Obrigada, doutor, por sua atenção.
Conto com o senhor, pois ainda não estou convencida que ela tenha feito isso.
—Não tem que agradecer.
Estou somente cumprindo com o meu dever -— disse isso rindo.
Não esqueça que sou um servidor público e que o meu salário é pago pela senhora.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 27, 2017 8:42 pm

—Estou certa de que o dinheiro dos meus impostos está sendo bem usado se for investido, em funcionários como o senhor —- Marilda disse, também rindo.
Até logo e qualquer novidade me comunique, por favor.
—Não se preocupe.
Procure esquecer e continue a sua vida.
Nada mais poderá fazer por sua amiga. Até logo.
Saíram, pararam no pátio e ficaram conversando.
—Júlio, não consigo aceitar!
De alguma maneira, o Antero está envolvido!
Ele matou a Fernanda!
—Não tem como provar.
Se foi ele, planeou muito bem.
Agora, vamos para a sua casa, lá conversaremos mais.
Não poderei passar a noite com você.
Hoje, tenho plantão no hospital.
—Vamos -— disse, sorrindo.
Ao menos poderemos ficar algum tempo juntos.
Em casa, conversaram sobre o que o delegado havia dito.
Meia hora depois, Júlio foi embora.
Marilda foi para o seu quarto, deitou e, olhando para o tecto, pensou com lágrimas nos olhos:
"Fernanda, minha amiga, sei que você não tirou a sua vida, mas sinto que não terei como provar.
Não entendo muito bem da vida espiritual, mas de acordo com o que me disseram o que mais precisa neste momento é de muito amor.
É isso que estou te enviando neste momento:
luz, amor e muita saudade.
Fique bem e seja feliz onde estiver.
Sei que Deus não te deixará sozinha."
Sentiu uma brisa suave e adormeceu.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 27, 2017 8:42 pm

O desabafo
Antero chegou à empresa e estava nervoso.
Assim que entrou na sua sala, Flávio também entrou e percebeu que o amigo não estava bem; perguntou:
—O que aconteceu agora, Antero?
—Ontem à noite te procurei, mas não o encontrei.
No final da tarde, o delegado telefonou e pediu para que eu fosse até a delegacia para prestar alguns esclarecimentos sobre o dia da morte da Fernanda.
Fiquei preocupado, não queria ir sozinho, mas como não te encontrei não tive alternativa e fui sozinho.
—Você sabia que eu precisava sair mais cedo, mas por que isso?
O que ele queria?
—Não sei, mas acho que ele estava desconfiado que ela não se matou, que foi um assassinato.
—O quê?! Assassinada?!
De onde ele tirou essa ideia?
—Não sei Flávio, disse que ficou sabendo que a Fernanda, na noite em que morreu, estava me esperando para jantar porque eu voltaria para casa.
—O quê?! Quem disse isso a ele, Antero?
—Não sei, perguntei, mas ele não quis dizer.
Deduzi que só pode ter sido a Marilda.
—Por que ela faria isso?
Além do mais, você nem estava aqui, na cidade!
Estava comprando aquelas terras...
—Pois é, não sei de onde ela tirou essa ideia.
Mas não foi difícil convencer o delegado de que eu não estava mesmo aqui.
Além das notas fiscais dos postos de gasolina, dos recibos dos pedágios, eu estava acompanhado do corrector.
Foi a minha sorte.
—O que pretende fazer agora?
—Vou conversar com a Marilda.
Ela vai ter que me explicar o porquê de ter inventado uma coisa como essa.
Não entendo!
—Mas e se não foi ela quem disse ao delegado?
—É isso que preciso saber.
Se não foi ela, não consigo imaginar quem poderia ter sido.
Mais tarde vou ligar para o escritório dela e perguntar.
Com tudo isso que está acontecendo, esqueci de te perguntar:
o que resolveu com o gerente do banco?
—Depois de muita discussão e muito tempo, ele resolveu aceitar a minha proposta para que fizesse um novo plano de pagamento da nossa dívida e, assim que o inventário fique pronto, pagaremos tudo de uma vez.
Embora tenha sido difícil, no final ele concordou.
—Melhor assim.
Antes, preciso falar com a Regiane.
Vou precisar dizer a situação da empresa e convencê-la a vender ao menos dois apartamentos.
—Você acredita que ela vai concordar Antero?
—Acredito que sim, pois também tem uma boa retirada mensal da empresa e, se ela for mal, Regiane também sofrerá.
—Sabe que a morte da Fernanda aconteceu em boa hora.
—O que está dizendo, Flávio!
Está louco?
—Não estou dizendo nada do que você já não tenha pensado.
Vai me dizer que não pensou sobre isso, Antero.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 27, 2017 8:42 pm

Sabe muito bem que, se não voltasse para casa, ela jamais aceitaria vender qualquer uma das propriedades, muito menos a casa de que ela tanto gostava.
Não se esqueça de que o primeiro dinheiro desta empresa veio da herança dos pais dela.
—Nunca pensei sobre isso!
Eu jamais seria capaz de matar a Fernanda.
Ela era a minha esposa e foi sempre dedicada a mim e à Regiane!
Eu não a amava, mas a respeitava muito!
Nunca passou pela minha cabeça a possibilidade da morte dela!
Sei que seria difícil convencê-la, mas eu tentaria fazer com que entendesse que, se eu não tivesse dinheiro, a empresa poderia ser fechada e sei que isso ela também não ia querer.
Ela concordaria.
—Mesmo que para isso fosse obrigado a voltar para casa?
—Eu jamais voltaria, mas encontraria algum argumento.
Nunca matá-la, Flávio!
Você sabe disso, Flávio...
—Claro que sei, mas de qualquer forma a morte dela foi providencial.
Vai facilitar em muito o nosso problema.
—Como você pode ser tão insensível?
Sempre me pareceu que gostava dela!
—E gostava, nunca quis a morte dela, só que não pode negar que foi providencial e que aconteceu em boa hora, Antero.
—Pois eu preferiria que isso não tivesse acontecido.
Encontraríamos uma solução para o problema da empresa, sem que, para isso, ela tivesse que morrer.
—Que solução, Antero?
Não havia nenhuma.
Sabe muito bem que todo o meu dinheiro empreguei aqui na empresa e na construção desses apartamentos, que, se não forem vendidos ainda na construção, não teremos como terminar e entregar.
—Sei disso, mas ela não precisava ter morrido Flávio.
—Agora não tem mais jeito.
Fernanda morreu, está enterrada e você poderá finalmente resolver a sua vida e ser realmente feliz.
Não foi isso o que sempre quis?
—Foi. Eu sempre quis ser feliz, mas não precisava ser dessa maneira.
Agora chega!
Essa conversa está me deixando nervoso!
Vá arrumar alguma coisa para fazer e me deixe em paz.
Não quero mais falar sobre isso!
Da maneira como está falando, até parece que está feliz com a morte dela!
Se o delegado te ouvisse, pensaria que foi você quem a matou, Flávio!
—Eu não a matei, mas não posso negar que a morte dela foi a nossa solução.
—Vá embora, Flávio! Saia!
Está me deixando nervoso!
—Está bem, não precisa ficar nervoso.
Estou indo...
Flávio saiu, Antero estava realmente nervoso.
"Como ele pode pensar e dizer uma coisa como essa?
Eu nunca quis a morte da Fernanda!
Ela foi sempre uma óptima esposa e companheira para todas as horas!
Se eu conversasse com ela, sei que entenderia e não se oporia a me ajudar com a empresa.
O Flávio está louco em pensar isso!
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 27, 2017 8:42 pm

Preciso falar com a Marilda, ela tem que me explicar o que aconteceu e por que está inventando essa história de que eu jantaria com a Fernanda, —olhou para o relógio que estava em seu pulso.
A essa hora, ela já deve estar no escritório.
Vou telefonar e saber o que está acontecendo."
Procurou na agenda e discou o número de Marilda.
Ela estava entretida lendo um processo, atendeu:
—Marilda, sou eu, o Antero.
Precisamos conversar, quer almoçar comigo?
—Olá, Antero, acredito que não poderei ir, tenho muito trabalho.
Vou comer um lanche aqui mesmo no escritório.
O que tenho para conversar com você é muito sério.
Quando poderemos nos ver?
—Parece sério mesmo!
Do que se trata?
Sinto muito, mas hoje não poder ser.
—Fui intimado a comparecer na delegacia.
—Sei disso.
—Sabe?! Então foi você mesmo quem contou aquela história louca de que eu iria jantar com a Fernanda?!
—Sim, fui eu.
—Por que fez isso?
Sei que você era a sua melhor amiga e que não quer aceitar que ela tenha se matado, mas foi o que aconteceu!
Eu também estou sentindo muito e me julgando culpado por tê-la abandonado, mas nunca pensei ou desejei a sua morte!
De onde tirou essa ideia de jantar?
—Você sabe que eu viajei.
Ela telefonou lá para casa e disse para a minha empregada que, se eu telefonasse, era para ela me dizer que estava tudo bem e que você iria jantar com ela naquela noite e voltaria para casa.
Como pode ver, ela estava feliz e jamais se mataria.
Se estivesse na minha situação, o que faria?
Com certeza, iria até a delegacia e contaria o que sabia, foi o que fiz.
Não acredito nem quero acreditar que ela tenha se matado!
—Não pode ser!
Demorei muito para tomar a decisão de sair de casa e não voltaria!
A sua empregada deve estar mentindo!
—Por que ela faria isso?
Qual o interesse dela?
Não, ela não mentiu!
Se alguém está mentindo, esse alguém é você!
— Marilda, nos conhecemos há tanto tempo.
Nunca pensei que poderia ouvir isso de você!
Eu provei para o delegado que estava viajando e, para minha sorte, estava acompanhado.
Como poderia tê-la matado a quilómetros de distância?
— Não sei. E é isso que está me confundindo, mas tenho certeza que ela não se matou!
Isso ela não fez!
— Sei que é o que deseja, mas infelizmente ela fez.
Não houve luta!
Ela ingeriu uma quantidade grande daqueles comprimidos, Marilda!
—Alguém pode tê-la obrigado!
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 27, 2017 8:43 pm

—Se isso tivesse acontecido haveria algum sinal de luta em seu corpo, haveria alguma marca de agressão e, de acordo com a autopsia, não havia!
Ela se matou, sim!
Mas, mesmo que tivesse sido assassinada, não fui eu.
Eu estava muito longe!
—Pode ter feito essa viagem de caso pensado, enquanto um cúmplice fazia a parte suja!
—Por favor, Marilda, tire isso da sua cabeça.
Para mim também está sendo difícil aceitar e, pode não acreditar, mas estou sofrendo muito também!
—Sinto muito.
Não acredito que ela tenha se matado e não acredito que você não tenha nada com isso!
Era o único que tinha um motivo!
—Que motivo?
—Com a morte dela poderá assumir uma nova vida com outro alguém.
—Eu já havia feito isso!
Já havia saído de casa, Marilda.
—Sim, mas teria que enfrentar a sua filha e amigos, e sabe que isso também não seria fácil.
—Eu, antes de sair de casa, pensei em tudo isso.
Sabia que seria difícil, mas nada me importava.
Queria e quero ser feliz e isso só acontecerá ao lado da mulher que sempre amei, mesmo antes de me casar com a Fernanda!
—Está me dizendo que não trocou a Fernanda por uma menininha?
Que sempre a enganou?
Que durante todo o tempo manteve um caso fora do lar, Antero?
—Sim, foi isso mesmo que fiz.
Quando me casei estava apaixonado pela Zuleica.
—Zuleica?! A mesma que conhecemos?!
—Sim, ela mesma!
Fui obrigado por meu pai a assumir o filho que a Fernanda estava esperando, mas mesmo assim nunca nos separamos.
Zuleica ficou ao meu lado todo esse tempo, me ajudou a construir a empresa, trabalhando sempre ao meu lado.
Esperou minha filha crescer, meu pai morrer e só aí decidiu que não queria mais ser a minha amante.
Foi embora da empresa dizendo que ou eu abandonava a Fernanda ou ela nunca mais me veria.
Eu, que sempre a amei, tomei a decisão de abandonar tudo e ficar ao seu lado.
Marilda estava abismada, nunca poderia imaginar que a Zuleica tivesse um caso com Antero.
—Não pode ser, ela fazia parte da nossa turma na faculdade e sempre foi nossa amiga!
Nunca deixou transparecer que estavam juntos!
Frequentou a sua casa, nas festas e aniversários!
—Apesar de me amar, também gostava da Fernanda.
Zuleica entendeu quando ela engravidou e, por me amar muito, aceitou essa situação.
Prometeu que jamais revelaria para a Fernanda ou para ninguém o nosso amor.
—Estou pasma, sem saber o que falar.
A Fernanda poderia duvidar de qualquer pessoa, menos dela.
—Sei disso, mas a Zuleica não quis continuar.
Ela não queria mais a situação de ser minha amante.
Não havia mais motivo, minha filha estava casada e meu pai morto.
—E a Fernanda, como ficaria nessa história?
Não pensou em quanto a estava fazendo sofrer?
—Ela nunca sofreu!
Sempre fui um bom marido e pai!
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 27, 2017 8:43 pm

—Disso tenho certeza.
Por isso também não entendia a sua rápida decisão de sair de casa, sem dizer o motivo.
Fernanda também não entendeu.
Pensou que a culpada fosse a Luciana.
—A Luciana?!
Aquela menina?!
—Sim. Assim que Fernanda a viu na empresa, percebeu o quanto ela é jovem e bonita.
Nós a seguimos e descobrimos que ela é uma boa moça lutadora e que tem uma vida muito sofrida.
—Vocês a seguiram?!
Não posso acreditar nisso!
—Sim, e o culpado foi você.
A desculpa de que a Fernanda tinha mania de limpeza não convenceu a ela, nem a mim.
Você só poderia ter deixado tudo por alguém e esse alguém deveria ser mais nova e bonita que a Fernanda, nunca por outra com a mesma idade dela e não tão bonita quanto ela!
—Viu como estavam enganadas?
—Sim, muito enganadas, mas agora não podemos mais continuar conversando.
Eu tenho mesmo muito trabalho.
Sei que a Fernanda não se matou e que o assassino será descoberto.
Sei também que tudo é uma questão de tempo.
Marilda desligou o telefone.
Estava abismada e ainda mais enfurecida.
Pensou, ainda com o telefone na mão:
“Como eles puderam enganar Fernanda por tanto tempo?
Será que ela descobriu enquanto estive viajando?
Acho que não, pois ela telefonou dizendo que estava tudo bem.
Meu Deus, não sei mais o que pensar, mas agora preciso mesmo voltar ao meu trabalho.
Mais tarde vou telefonar para o Júlio e contar a conversa que tive com Antero”.
Antero, também, enquanto desligava o telefone, pensava:
"Por que a Fernanda telefonou dizendo aquilo?
Eu não a vejo desde o dia em que esteve com Marilda aqui na empresa.
Nunca lhe disse que iria jantar e muito menos que voltaria para casa.
O que terá acontecido para ela dizer uma coisa como essa?
Será que fiz bem em revelar para a Marilda o meu relacionamento com Zuleica?
Isso fará com que as suspeitas dela aumentem.
Não estou bem, estou me sentindo abafado, não estou conseguindo respirar direito.
Preciso sair e encontrar Zuleica, lhe contar o que aconteceu.
É isso que vou fazer."
Pegou o paletó e saiu.
Ao passar por Luciana, disse:
— Preciso sair e hoje não volto mais.
Ela, não entendendo a sua atitude, disse:
—Está bem, se alguém procurar pelo senhor, anotarei e amanhã lhe passarei os recados.
Ele foi até ao estacionamento do prédio, pegou seu carro e saiu dirigindo.
Estava intrigado, precisava pensar e tentar descobrir o que realmente havia acontecido com Fernanda, pois diante de tudo que Marilda lhe contou ele também tinha dúvidas se Fernanda havia mesmo cometido o suicídio.
"É isso mesmo.
Se o que a Marilda contou for verdade, a Fernanda não tinha intenção alguma de se matar.
Vou para Louveira.
Preciso de um pouco de paz.
Sei que só encontrarei ao lado de Zuleica, vou lhe contar tudo o que aconteceu e ela, assim como eu, ficará surpresa."
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 27, 2017 8:44 pm

O dia estava quente.
Antero parou em um posto de gasolina para abastecer o carro e aproveitou para tirar o paletó e jogou-o no banco de trás do carro.
Chegou a Louveira, saiu da estrada principal e foi para a casa de Zuleica.
Abriu o portão, a porta e entrou.
A casa estava silenciosa.
A porta do quarto onde Zuleica dormia estava fechada.
Ele concluiu que ela deveria estar dormindo.
Foi até a cozinha, estava com sede, mas, ao entrar, levou um choque, a cozinha toda estava uma bagunça.
Havia louça suja por todo lado, em cima do fogão, da pia e da mesa.
Parecia que não era lavada há muitos dias.
Estranhou, pois, embora Zuleica não tivesse a mesma mania de limpeza que Fernanda, gostava de deixar a casa mais ou menos em ordem.
Abriu a geladeira, que estava quase vazia, tomou um pouco de água e foi para o quarto.
Abriu a porta devagar.
Realmente, Zuleica estava dormindo.
Ele se aproximou devagar, beijou sua testa, ela demorou um pouco para abrir os olhos.
Então a beijou novamente.
Agora, sim, ela abriu os olhos e o viu debruçado sobre ela.
Levou um susto e sentou-se na cama.
—O que você está fazendo aqui?
—Por que está perguntando isso?
Achei que pudesse vir sempre que quisesse, existe algum problema?
—Problema nenhum.
Só que não estava te esperando.
Pensei que estivesse no trabalho, sabe que não posso telefonar para a empresa, pois poderiam reconhecer a minha voz.
—Tem razão, mas isso será por pouco tempo, logo poderemos anunciar o nosso amor para todos.
Estava me sentindo muito só e confuso, precisava te ver.
—Ainda bem que essa vida de amante vai terminar.
Todos condenam as amantes, mas não imaginam o sofrimento da vida delas, estou cansada da solidão e da tristeza de não saber nunca onde você está e com quem.
—Sabe muito bem que, não importa onde eu esteja, estarei pensando em você.
Não pensei que te encontraria dormindo, são mais de onze horas.
Notei também que a sua casa está um tanto abandonada e a geladeira está vazia.
Não está se sentindo bem?
Está doente?
O que você tem Zuleica?
— Não estou doente, mas sabe que não gosto do serviço da casa.
É cansativo e chato.
Só faço o necessário, pois sempre encontro algo melhor para fazer.
Gosto menos ainda de cozinhar, por isso faço pedidos a um restaurante que tem aqui perto e eles trazem as minhas refeições.
A comida é muito boa.
Ontem fiquei até tarde assistindo televisão, por isso estava ainda dormindo.
Não esperava que viesse hoje.
—Você é muito diferente da Fernanda, ela adorava tudo isso e muito mais acordar cedo para nos preparar o café.
—Por isso você me trocou por ela —- disse, sorrindo e com ar de deboche.
Ele também sorrindo disse:
—Só que a você eu amo e muito!
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 28, 2017 8:32 pm

Ela o abraçou, dizendo emocionada:
—Também te amo, mas até agora não me disse o que está fazendo aqui a esta hora da manhã.
—Aconteceram algumas coisas que queria te contar e saber a sua opinião a respeito.
—Está bem, espere só um pouco.
Vou me levantar e tomar um banho, depois conversaremos enquanto tomo o meu café.
—Não deseja, antes, fazer amor, Zuleica?
Ela beijou o seu rosto e respondeu sorrindo:
— Sabe que estou sempre disposta a te amar.
Na realidade, isso é o que vou fazer:
amar-te com toda intensidade. Já volto.
Entrou no banheiro, ele deitou na cama e, olhando para o tecto, ficou em silêncio e pensando:
"Como ela é diferente da Fernanda.
Não se apega a nada.
Nem a casa, aos móveis e não sei se a mim.
Mas, como ela disse, talvez seja por isso que a amo tanto e que por ela faria qualquer loucura.
Como fiz ao abandonar a Fernanda, sem medir as consequências do meu acto."
Ficou ali deitado, até que ela voltou do banho e se amaram com intensidade e amor.
Depois foram para a cozinha, ela retirou as louças sujas que estavam sobre a mesa, colocou água para ferver; em seguida, pegou um pedaço de bolo e leite.
Sentaram-se e, assim que a água ferveu, ela coou o café.
— O que aconteceu de tão urgente para que viesse até aqui? —
Zuleica perguntou enquanto tomavam café.
Ele contou sobre a conversa que teve com Marilda.
Ela ouviu calada; quando ele terminou, assustada, disse:
—Estou impressionada com a atitude dela.
De onde ela tirou essa ideia?
Mas ainda bem que você tem como provar que estava distante naquela noite.
Só acho que você não devia ter contado para ela sobre o nosso relacionamento.
—Por que não?
Agora já não existe empecilho algum.
Estou livre e pretendo em breve comunicar a todos.
Depois de tanto tempo poderemos, finalmente, ser felizes.
—Ainda acho um pouco cedo.
Ela poderá desconfiar de alguma coisa, sabe como ela é esperta.
—Desconfiar do quê?
—De nada... De nada...
—Está estranha, sabe de alguma coisa que eu não saiba?
Claro que não -— disse, sem conseguir esconder seu nervosismo —- só acho muito cedo.
— Estou cansado de esperar.
Dentro de alguns dias, vou conversar com a Regiane e tudo ficará bem.
—Acredita mesmo que ela aceitará, assim, sem discutir?
—Ela é adulta, está em sua casa, com o marido e o filho, não pode me condenar por eu querer ser feliz.
— Não tenho tanta certeza, mas que seja tudo como você quiser.
Sabe que sempre tentei fazer tudo para te agradar.
Vai ficar para o almoço?
—Vou, não pretendo voltar para a empresa.
Não estou com cabeça para o trabalho.
— Sendo assim, vou telefonar para o restaurante e pedir que tragam mais uma refeição.
Ela se levantou, foi até ao telefone, telefonou para o restaurante, depois voltou a sentar-se ao lado dele, perguntando:
—E os problemas financeiros da empresa, foram resolvidos?
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 28, 2017 8:33 pm

Está tudo bem?
—Flávio conversou com o gerente do banco e conseguiu que ele nos desse mais tempo, usando como argumento a morte da Fernanda e o inventário.
O gerente sabe que possuímos várias propriedades e que o dinheiro não será difícil.
Tenho muito mais do que aquilo que estamos devendo.
— Até que a morte da Fernanda não foi tão má assim.
Ao menos os problemas da empresa serão resolvidos.
—Você está parecendo o Flávio! -— disse espantado.
—Por quê?
—Ele me disse exactamente essas mesmas palavras.
Não sei como vocês podem pensar uma coisa como essa!
A empresa estava, sim, com problemas, mas nada como uma boa conversa com Fernanda para que pudéssemos resolvê-los.
Ela não precisava ter morrido, porque no final sempre fazia o que eu queria.
—Quanto à empresa, talvez uma boa conversa resolvesse, mas e quanto a nós, acha que ela aceitaria o divórcio, sabendo que era para você se casar com outra?
Principalmente essa outra sendo eu?
Claro que não!
Portanto, para mim, ela ter morrido foi óptimo!
Não vou te enganar dizendo que não estou feliz por isso ter acontecido, pois na realidade estou!
—Não pode estar falando sério!
Você parece que a odiava e nunca me passou isso!
Sempre disse que gostava dela, apesar de me amar.
—Era verdade.
Mas com ela morta todos os nossos problemas estarão resolvidos.
Não sei qual é o problema.
—Não acredito que esteja ouvindo essas palavras, vindas da sua boca.
Estou mesmo te desconhecendo.
Ela, percebendo que havia falado demais, tentou remediar:
— Ora, meu bem, claro que não estou falando sério.
Assim como você, também senti muito a morte dela, só foi um pensamento ruim que passou pela minha cabeça.
Vamos mudar de assunto?
Prefiro falarmos do nosso futuro e de toda a felicidade que teremos e merecemos.
Beijaram-se, passaram o dia e a noite juntos.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 28, 2017 8:33 pm

O despertar
O quarto era grande, com uma cama de solteiro, colchão e travesseiros macios.
As paredes e o tecto eram pintados em um tom de azul, bem claro.
As cortinas e lençóis, também em azul, um pouco mais escuro.
A iluminação vinha de uma pequena lâmpada no tom lilás.
O ambiente era de profunda paz.
A porta se abriu e por ela entraram duas mulheres.
Uma mais velha e a outra jovem ainda.
Ao se aproximarem da cama onde Fernanda estava adormecida, a mais jovem sussurrou:
—Ela ainda está dormindo, Marli...
—Sim, e dormirá por mais algum tempo.
—O que acontecerá quando ela acordar?
—O mesmo que aconteceu com todos nós e acontecerá sempre.
Levará um susto, não entenderá e precisará de muito tempo para entender e aceitar, Tânia.
—Estou me lembrando de quando cheguei.
Você tem razão.
Eu não entendia, nem aceitava que tinha morrido.
Era muito jovem.
Sabia que fracassara.
—Não importa com que idade se chega, nunca estamos preparados para aceitar a morte e sempre teremos algo para fazer na Terra.
Mas com o tempo notamos que aqui, sim, é o nosso verdadeiro lugar.
Diga com sinceridade:
você tem vontade de renascer, de voltar a viver na Terra?
—Já pensei muito a esse respeito, sei que está chegando a hora, mas confesso que tenho medo de fracassar, outra vez.
—Não existe fracasso.
O que existe é aprendizado e nada melhor que a Terra; ela é a escola mais perfeita.
—Tem razão.
Mas será que ela vai se lembrar de mim?
—Claro que sim; talvez demore um pouco, mas lembrará.
Uma luz branca atravessou o tecto e parou sobre o corpo adormecido de Fernanda.
Ficou lá por alguns minutos.
Fernanda se mexeu na cama, respirou fundo e sorriu como se estivesse sentindo um bem-estar enorme.
A mais jovem se assustou e perguntou, sussurrando:
—Marli, que luz é essa?
—Esse é o melhor remédio para todos nós que estamos aqui.
Alguém lá na Terra, neste momento, está pensando nela e está lhe enviando amor, luz e paz.
Alguém que a ama e que mesmo sentindo saudade deseja tudo de bom para ela.
Essa luz lhe servirá como alimento.
Graças a Deus!
Lá na Terra, ninguém imagina como um simples pensamento pode ajudar tanto.
—Está dizendo que um pensamento, apesar de ser de saudade, mas tendo amor e luz, nos faz bem?
Um simples pensamento pode ajudar?
—Muito mais do que você possa imaginar.
O pensamento tem uma força ainda desconhecida.
Assim como pode trazer paz, como neste caso, pode também trazer dor e sofrimento.
—Como assim?
—Quando o pensamento é de dor, sofrimento ou de ódio, também nos atinge da mesma maneira e pode nos causar muito mal.
Quando for de dor e sofrimento pela perda, faz muito mal para aqueles que partiram e estão aqui tentando se recuperar.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 28, 2017 8:33 pm

Você talvez não saiba que a doença mais grave do espírito é a saudade e que, para ela, o remédio é demorado.
O pensamento de ódio é pior ainda, mas esse não faz mal só para quem está aqui, mas muito mais para aquele que o transmite.
—É por isso que, quando as pessoas morrem lá na Terra, todos esquecem o que fizeram de ruim e passam a acreditar que só porque morreram podem ajudar, que viraram santos?
—É isso mesmo o que acontece -— disse Marli rindo.
Mal sabem eles que, depois da morte, nada muda.
As pessoas continuam sendo como sempre foram, com seus defeitos e suas qualidades.
Não tem poder algum e não podem se comunicar sem o consentimento dos nossos superiores.
—Tem muitas pessoas que procuram os médiuns para tentar se comunicar com aqueles que morreram?
—Sim, acontece muito e, quando não conseguem, se revoltam e passam a não acreditar mais.
Não sabem em que estado o seu ser amado chegou aqui, nem quanto tempo vai demorar a aceitar a morte e estar lúcido para poder se comunicar.
Às vezes, ele está participando de alguma equipe de socorro e não pode se comunicar naquele momento.
Melhor seria se, ao invés de ficar chorando ou sofrendo com a perda, fosse enviando, como aconteceu neste caso, luz, amor e, se necessário, o perdão.
Por outro lado, Marli, para nós que estamos aqui e conhecemos o mundo espiritual, é muito fácil, mas não podemos nos esquecer que lá na Terra não temos esse conhecimento.
Por isso fica tão difícil aceitarmos a perda de alguém que amamos.
—Nisso você está certa, Tânia.
—Não seria mais fácil voltarmos lembrando-se de todos os compromissos que fizemos aqui antes de renascer?
Não seria mais fácil nos lembrarmos das reencarnações passadas?
Assim, não nos revoltaríamos quando algo não fosse bem a nossa vida.
—Nem sempre seria mais fácil.
Imagine se você encontrar no seu caminho alguém que te fez muito mal em outra vida, será que conseguiria perdoar?
Ou, ao contrário, alguém a quem você fez mal, acredita que te perdoaria?
—Tendo o conhecimento de tudo, talvez sim.
—Talvez.
Viu como não tem certeza?
O espírito está caminhando, evoluindo a cada minuto.
Você sabe que na maioria das vezes inimigos e amigos se encontram dentro de uma mesma família.
Justamente para que convivam e aprendam a se amar, respeitar e principalmente perdoar.
—Nem sempre isso acontece.
Existem famílias, nas quais pessoas não se entendem e passam o tempo todo brigando.
—Sim, isso acontece.
Brigam por muito tempo, mas, no final, envelhecem e começam a ver que nada na vida é para sempre e o amor de irmão, pais e filhos são sempre mais fortes.
Normalmente, aqueles que foram os piores inimigos durante a vida tornam-se os melhores amigos.
A força do sangue, da convivência, na maioria das vezes, sempre vence.
Deus é sábio, Ele sabe o que faz.
Fernanda se virou, abriu os olhos, sorriu, ajeitou o travesseiro e voltou a dormir.
Tânia sorriu perguntando:
— Ela vai acordar?
— Não sei, está dormindo profundamente.
Acho que ainda não está preparada para acordar e encarar a realidade.
Não está pronta para aceitar a morte, mas na hora certa acordará.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 28, 2017 8:33 pm

—Terá que aceitar, embora tenha vindo tão cedo, não é?
— Sim, terá que aceitar, mas será difícil.
Ela era muito apegada a coisas como casa, móveis, à filha e ao marido.
Como você diz, ainda mais tendo voltado antes do tempo, o que, na realidade, será o nosso maior problema.
—Como ela vai reagir quando souber o que aconteceu?
—Não sei, mas precisamos estar preparadas.
Sabe que o nosso trabalho aqui é justamente esse, convencê-la de que os planos tiveram que ser mudados, pois o ódio foi mais forte e fez com que ela voltasse antes do tempo e da maneira como foi.
—Não vai ser fácil.
—Sei que não, mas faremos o melhor que pudermos.
Por enquanto, ficaremos ao seu lado, dando-lhe passes e luz.
Quando chegar a hora, quando estiver pronta, acordará e aí veremos o que precisará ser feito.
—Apesar de tudo, e a partir daquele momento em que tudo foi mudado, ela cumpriu sua missão direitinho.
Levou a vida como o planeado; o que não deu certo?
—Ela cumpriu, sim, mas os outros não.
Não aceitaram as mudanças e agora ela está bem, e eles terão que responder por aquilo que fizeram.
—Responder como?
—Terão que pagar pelo crime cometido, essa é a Lei e dela ninguém escapa.
Assim como ela, tiveram a oportunidade de resgatar, mas não tiveram paciência.
Um dia, terão que voltar e responder por tudo que fizeram.
Terão que prestar contas.
—Serão julgados, condenados e presos na Terra?
—Nem sempre isso acontece, mas com certeza do julgamento de Deus não escaparão.
Por mais que se escondam ou disfarcem, não há como escapar.
—Ela foi quase perfeita...
—Disse bem, quase, só não aceitou e quis Antero a qualquer custo e não deixou de ser tão apegada a tudo.
Fernanda moveu-se novamente e para espanto delas abriu os olhos.
Olhou para uma de cada vez, não as reconheceu.
Em seguida, olhou para todo o quarto.
Estava ainda um pouco adormecida e também não reconheceu aquele lugar.
Tentou se levantar, mas não conseguiu.
Marli disse com voz suave:
—Seja bem-vinda, estávamos ansiosas para que acordasse, embora pensássemos que dormiria por mais algum tempo.
—Onde estou?
Que lugar é este?
Está parecendo um quarto de hospital.
—É isso mesmo o que é.
Você está em um hospital, mas não se preocupe, está tendo todo o tratamento necessário.
—Estou me sentindo fraca, o que aconteceu?
—Fique calma, não se preocupe.
Teve um mal-estar e foi enviada para cá, mas logo ficará bem.
Meu nome é Marli, e esta é a Tânia, estamos cuidando de você desde que chegou.
—Mal-estar?!
Não me lembro disso!
Onde está a minha família, minha filha, meu marido?
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 28, 2017 8:34 pm

—Eles não estão aqui.
Mas não se preocupe, estão bem.
O que precisa, agora, é se levantar aos poucos para que possa sair deste quarto e tomar um pouco de sol lá fora.
Está amanhecendo e o sol já está nascendo.
Já está aqui há vários dias.
—Vários dias?! Como cheguei aqui?
—Foi trazida minutos antes de ter tido o mal-estar.
—Estou me lembrando...
Acho que já sei o que me aconteceu, eu estava nervosa por Antero ter me abandonado e pela volta dele.
Não me alimentei direito, a minha pressão deve ter caído.
Mas agora estou bem, já posso voltar para casa.
—Ainda não, precisa estar bem forte para que isso aconteça.
Venha, tente se levantar que vamos te ajudar.
Ajudaram-na a se sentar na cama.
Ela ainda estava um pouco tonta, mas aos poucos foi se sentindo bem e logo estava em pé, amparada por elas, que a levaram até o banheiro que ficava dentro do quarto.
Diante do espelho, Fernanda se olhou, estava pálida e com olheiras.
—Ainda bem -— disse sorrindo -— que Antero não está aqui para me ver dessa maneira.
Preciso me arrumar antes que ele chegue.
Não quero que me veja neste estado.
—Pode tomar um banho, vamos providenciar uma roupa limpa.
Tânia, por favor, vá até o quarto e, no armário, pegue as roupas que estão lá para ela vestir.
Enquanto Tânia saía do quarto, Marli ajudou Fernanda a entrar na banheira, que já estava cheia de água quente e com sais perfumados.
Fernanda entrou nela, sentou e se deliciou com a espuma colorida que a envolveu.
—Que maravilha!
Sempre quis ter uma dessas em casa, mas Antero nunca quis, dizia ser bobagem.
Se ele visse esta, sei que não diria mais isso.
—É realmente muito bom tomar um banho de espuma.
Fique todo o tempo que quiser.
Preciso sair, mas a Tânia ficará aqui com você.
Voltarei em seguida.
—Está bem, mas posso mesmo ficar o quanto eu quiser?
—Claro que sim.
Marli passou a mão carinhosamente pelos cabelos de Fernanda e saiu.
Ao passar por Tânia, que estava junto ao armário, pegando as roupas, disse:
—Estou indo falar com o Nivaldo, preciso saber o que temos que fazer agora que ela despertou.
Cuide dela.
—Está bem, pode ir.
"Será que ela vai me reconhecer?" pensou Tânia.
"Tomara que sim ."
"Ela disse que estou aqui há alguns dias"
— Fernanda também pensava.
"Não me lembro desse mal-estar, só lembro que estava preparando o jantar.
Como será que aconteceu?
Se faz alguns dias que estou aqui, Marilda já deve ter voltado da viagem.
Estou ansiosa para saber como foi.
Agora já estou bem, acho que voltarei hoje mesmo para casa.
Este hospital é diferente daqueles que conheci.
O Antero deve estar pagando uma fortuna."
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Ave sem Ninho

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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 28, 2017 8:34 pm

Fechou os olhos e aproveitou a água e a espuma colorida.
Marli entrou em uma sala não muito grande.
Por detrás de uma mesa, estava um homem, jovem ainda, que ao vê-la disse:
— Olá, Marli, está tudo bem?
— Mais ou menos, Fernanda acabou de acordar.
Coloquei-a na banheira e vim aqui para saber o que preciso fazer agora.
—Como ela está?
—Está bem, não se lembra de nada.
Pensa que teve um mal-estar, mas quer voltar para casa.
Não sei se devo dizer logo que não voltará tão cedo.
—Não, por enquanto não.
Assim que ela terminar o banho, leve-a para conhecer todo o hospital.
Mais tarde, traga-a até aqui e falarei com ela.
—Está bem, farei isso.
Acenou dando adeus e saiu.
Marli sabia que tinha uma tarefa árdua pela frente:
convencer Fernanda de que havia morrido e tentar segurá-la no momento em que se lembrasse de como tudo havia acontecido.
Fernanda, que estava ainda dentro da banheira com espuma colorida e perfumada, abriu os olhos e olhou à sua volta.
Viu que estava sozinha.
Tirou a tampa da banheira e a água começou escorrer, esvaziando-a.
Levantou-se, abriu a torneira do chuveiro e deixou a água quente escorrer por seu corpo e cabelos.
Ao lado da banheira, havia toalhas.
Ela pegou uma grande e se enrolou.
Pegou outra pequena e envolveu seus cabelos.
Estava sentindo-se muito bem, parecia estar com muita energia, pensou:
"Estou muito bem, já posso ir para casa.
Vou telefonar para o Antero e pedir que venha me buscar.
Apesar de tudo, tenho certeza que não se recusará.
Aqui é muito bom e as enfermeiras são óptimas, mas prefiro estar na minha casa."
Abriu a porta do banheiro.
No quarto, sentadas em um sofá, estavam Marli e Tânia, que ao vê-la sorriram.
Marli se levantou para encontrá-la, dizendo:
— Parece que está muito bem, Fernanda.
— Estou mesmo, acho que já posso ir para casa.
— Você precisa de alta do doutor Nivaldo, mas ele só poderá vir à tarde.
Enquanto isso, você vai se vestir e iremos dar uma volta por aí para que conheça tudo.
— Preferia telefonar para o meu marido, ao menos para saber o que me aconteceu e como está tudo lá em casa.
—Não se preocupe, está tudo bem.
Depois que conversar com o doutor Nivaldo, poderá telefonar para o seu marido.
Agora venha, vista essa roupa que está aqui em cima da cama.
É a roupa que todos usam aqui.
Fernanda olhou para a roupa e depois a pegou em suas mãos.
Era uma camisola longa, toda branca, e uma túnica curta, no mesmo azul-claro que estava pintado nas paredes.
Sentiu a textura do tecido e disse admirada:
—É bonito e suave, como nunca vi!
—É de um fabricante especial, mas vista logo, quero te mostrar tudo por aqui.
Sei que vai gostar.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 28, 2017 8:34 pm

Fernanda vestiu-se, gostou.
Sentiu-se bem e em seguida saíram.
Ao sair, viram diante de si um imenso corredor com muitas portas.
Pararam em frente a uma delas.
Marli abriu e entraram.
Lá dentro havia duas camas, com duas senhoras.
Ao verem Marli, uma delas disse:
—Quando vou voltar para casa?
Meu filho deve estar sentindo a minha falta.
Por que ele ainda não veio me ver?
—Este hospital fica um pouco longe, mas não se preocupe, ele logo virá — passando as mãos com carinho sobre os cabelos dela, continuou, o que precisa agora é ficar forte e saudável.
—Eu estou me sentindo muito bem.
Diferente de como eu me sentia quando ia lá naquele outro hospital.
Como o meu filho encontrou vocês?
—Ele estava muito triste com a sua doença, pediu ajuda e foi atendido.
Agora, está tudo bem, vai se sentir cada vez melhor.
Fernanda acompanhava a conversa, não estranhou, pois ela própria estava sentindo-se muito bem.
Na outra cama, a senhora que estava nela permanecia adormecida.
Marli mais uma vez passou as mãos sobre os cabelos da senhora, dizendo:
— Agora, precisamos ir embora.
Esta aqui é a Fernanda, ela acabou de chegar.
—Fernanda! Era o nome da minha mãe.
Não se preocupe, eles aqui tratam a gente muito bem.
—Já percebi...
São muito atenciosos, mas preciso voltar para casa.
Tenho marido, uma filha e um netinho lindo!
Assim como o seu filho, eles também devem estar preocupados.
— Tem razão -— disse Marli, abraçando-a —mas venha, vamos conhecer o resto.
Abraçadas, saíram.
Marli abriu uma porta que dava para fora do hospital, Fernanda ficou encantada:
Nossa! Como aqui é bonito!
Esse jardim!
Essas flores, nunca vi igual!
São maravilhosos!
—São muito bonitas mesmo, como pode ver também bem tratada.
Venha, quero te mostrar o lago.
—Isto aqui parece o paraíso!
—Não é ainda, mas estamos bem perto disso -— Marli disse sorrindo.
Caminharam mais um pouco entre as alamedas floridas.
Chegou junto ao lago, cercado por uma grama baixa e muito verde.
Por todos os lados, havia prédios coloridos.
Pessoas caminhavam em grupos ou sozinhas, parecia que não tinham muita pressa.
O ar era puro.
Sem perceber, Fernanda respirou fundo e como não podia deixar de ser, não cabia em si de tanta surpresa:
—Aqui tudo parece ser tão perfeito!
Que cidade é esta?
Já viajei muito por este Brasil todo, nunca vi algo parecido!
—Este lugar é ainda desconhecido por muitos, mas, mais cedo ou mais tarde, todos o conhecerão.
Venha, tenho mais coisas para mostrar.
Sei que vai gostar.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 28, 2017 8:34 pm

—Antes, posso tocar nessa água?
—Claro que sim, e se quiser pode até beber. É potável.
Fernanda se abaixou, tocou na água, assim que sua mão começou a se molhar, peixinhos coloridos se aproximaram e ficaram nadando ao redor dela.
Fernanda não se conteve:
—São lindos!
Olhe essas cores!
Marli sorria ao ver a felicidade no rosto de Fernanda.
Em seguida, continuaram caminhando.
Entraram em outro prédio, onde havia cadeiras como se fosse um teatro ou cinema.
Em algumas cadeiras, havia pessoas que assistiam a um filme.
— Que filme é esse que estão passando?
Adoro filmes!
— É só um filme que está sendo mostrado para aquele senhor.
Agora não podemos ficar aqui, mas logo mais voltaremos e você poderá assistir a outro...
Sei que vai gostar.
—Gosto de qualquer um, mas prefiro os românticos.
Adoro chorar quando assisto a um filme triste.
Antero sempre diz que eu não tenho motivo para sofrer, por isso choro no cinema.
—Não se trata disso, é que você é sensível.
Mas venha, vamos continuar andando, você tem muito ainda para ver.
Continuaram andando e entraram em outro prédio, que, assim como o outro, possuía muitas cadeiras.
Só que nesse havia muitas pessoas sentadas e, no palco, uma senhora falava.
Marli mostrou uma cadeira para que Fernanda sentasse.
Sentaram-se e Marli disse baixinho:
— Preste atenção no que ela está dizendo, Fernanda, sei que te fará muito bem.
—Sei que todos vocês são recém-chegados -— dizia a senhora -— e só agora tomaram conhecimento de sua real situação.
Sei também que alguns estão tendo dificuldades para entender e aceitar.
Aqui, todos têm liberdade para fazer o que mais gostar, existe trabalho e estudos para aqueles que assim o desejarem.
Aqueles que estão cansados e, por qualquer motivo, não queiram participar podem simplesmente observar.
Aqueles que queiram dormir poderão fazer isso, sem constrangimento algum.
Alguns de vocês têm parentes e amigos esperando para um reencontro feliz.
Está na vontade da cada um como desejará viver enquanto permanecerem aqui.
Existem também muitos de nós dispostos a dar qualquer explicação para aqueles que ainda não entenderam ou aceitaram.
Esta é uma das moradas do Pai, à qual Jesus se referiu quando esteve na Terra.
Como esta existe outras tantas espalhadas por todo o universo.
Aqui reina a paz e a oportunidade para todos que assim desejarem.
Sei que muitos se julgam injustiçados, mas com o tempo verão que não existem injustiças, apenas acerto de contas.
Lembrem-se que, em primeiro lugar, o que deve existir é a compreensão, o amor e o mais importante, o perdão.
Todos terão a oportunidade de reflectir sobre tudo que aconteceu e escolher o caminho que queiram seguir.
Fiquem todos na paz de Deus, nosso Pai.
A senhora que falava, com um sorriso, saiu do palco.
Fernanda olhou para Marli com preocupação.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 28, 2017 8:35 pm

Não entendeu o que estava acontecendo ali e perguntou:
Sobre o que ela está falando?
Que lugar é este?
— Mais tarde terá todas as explicações necessárias, por enquanto só precisa conhecer tudo que existe aqui.
—Desculpe Marli, você está sendo muito atenciosa, mas não quero conhecer coisa alguma.
Preciso voltar para casa, tenho responsabilidades e nunca viajei sozinha.
— Sei disso, mas tenha só mais um pouco de paciência, logo tudo ficará bem.
Venha, quero lhe mostrar mais lugares que tenho certeza te agradarão.
A contragosto, Fernanda a acompanhou.
Ela estava preocupada com a maneira como aquela mulher havia falado.
"Ela deu a entender que todos que estão aqui não sairão mais.
Não estou gostando.
Será que fui internada pelo Antero?
Será que ele fez isso para se livrar definitivamente de mim?
Não me lembro de ter falado com ele depois daquele dia em que fui à empresa junto com a Marilda!
Só o vi de longe, nunca mais conversamos.
O que está acontecendo aqui?"
Marli percebeu o ar de preocupação de Fernanda, mas ficou calada.
As pessoas começaram a se levantar e a se dirigir para a porta de saída.
Marli pegou no braço de Fernanda e fez com que saísse.
Assim que cruzaram a porta, Fernanda ficou abismada com a quantidade de pessoas que estavam do lado de fora do prédio.
Viu que as pessoas que saíam encontravam-se com outras que estavam do lado de fora e que se abraçavam e choravam, umas nos braços das outras.
Não podia ouvir o que elas diziam, mas percebeu que estavam felizes.
Muito intrigada, olhava tudo.
Queria entender e temia saber o que realmente estava acontecendo.
Saíram dali e continuaram andando.
Entraram em outro prédio, que era um enorme salão, com estantes por todos os lados, que continham muitos livros.
Era uma imensa biblioteca.
Fernanda, que gostava muito de ler, se admirou:
—Que lugar é este?
Quantos livros existem aqui?
—Existem muitos, poderá ler quantos quiser.
—São de todos os autores?
—Sim, mas ainda não foram publicados.
—Como assim?
—Os autores os deixam prontos e, à medida do necessário, vão transmitindo para que outros os escrevam.
—Agora estou mais confusa ainda!
Como um autor pode dar a sua obra para que seja publicada por outro?
Isso não existe!
—Existe, sim, e muito mais do que você possa imaginar.
—Estou ficando cada vez mais confusa com tudo que estou vendo.
Este lugar, ao mesmo tempo em que parece um paraíso, me causa medo.
Está parecendo uma prisão da qual não poderei sair.
Você precisa me dizer.
Que lugar é este?
—Já te disse que aqui não é o paraíso, mas quase.
Por enquanto, não tenho mais o que dizer.
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