A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 20, 2017 9:54 pm

— Vamos sim.
Não temos mais nada para fazer aqui.
Marilda ligou o carro e foram para a casa de Fernanda.
Ela levou-a para casa e depois foi para a sua.
Aquele dia para elas havia encerrado.
O trabalho de detective, também.
Antero, em seu apartamento, conversava com Flávio.
Finalmente estou livre...
Tem certeza que fez a coisa certa?
Não vai se arrepender?
Tomei a decisão certa.
Eu já devia ter saído de casa há muito tempo.
Por isso, sei que não vou me arrepender.
— E a Fernanda, como reagiu?
— Você pode imaginar... foi uma surpresa.
Ela jamais pensou em uma separação!
Ontem, ela esteve no escritório com a Marilda.
Fiz questão de tratá-la mal, para que não reste esperança.
Ela tem que aceitar a nossa separação, viver a sua vida e deixar eu viver a minha.
Você sabe que não vai ser fácil, Antero.
Sei disso, mas não existe outro jeito.
Cansei de viver uma vida de mentiras.
Você conheceu o meu pai, sabe como ele era autoritário.
Sempre nos criou com firmeza, eu diria com ignorância.
Sempre nos dominou através do medo.
Minha mãe nunca reagiu, o que fez com que nós, seus filhos, também não reagíssemos.
Ele sempre decidiu a nossa vida, sempre fizemos o que ele queria.
Praticamente me Obrigou a namorar com a Fernanda, pois ela era filha de pessoas importantes e para ele era conveniente juntar as famílias.
Quando ela engravidou, ele me obrigou a casar.
Eu o obedeci, me casei e procurei ser um marido e pai da melhor qualidade, mas nunca fui feliz.
Sempre sofri muito por estar vivendo uma vida que não era a que eu queria.
Não tive escolha.
Hoje faz mais de um ano que ele morreu, minha filha está casada, minha neta nasceu e finalmente posso me libertar.
Posso viver a vida da maneira que sempre quis.
— Mas e a Fernanda?
Ela não teve culpa de nada disso!
Sempre foi uma boa esposa e mãe, já não é mais jovem.
Para ela, será difícil recomeçar a vida, Antero...
—Antes de tomar a minha decisão, ponderei sobre tudo isso.
Realmente ela não teve culpa sobre o meu pai, mas errou quando engravidou.
Ela sabia que eu não queria me casar, que desejava antes, fazer outras coisas.
Ela fez de caso pensado.
Se foi boa esposa e mãe, não fez mais que a sua obrigação.
Eu a deixarei muito bem, não quero nada das nossas propriedades, ela poderá ficar com tudo.
Darei uma boa pensão para que possa viver com tranquilidade, sem que o seu padrão de vida mude em nada.
Eu só quero ser feliz.
Nada além disso.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 20, 2017 9:54 pm

— Bem, não posso interferir na sua decisão.
Já tem idade o suficiente para saber o que quer.
É isso mesmo. Vamos jantar?
Agora que somos dois solitários, precisamos pensar no modo de nos alimentar.
É melhor irmos a um restaurante, Flávio.
Não precisa se preocupar.
Moro sozinho há muito tempo, por isso tenho em minha geladeira alguns congelados, vou até lá pegar.
Enquanto isso, vá preparando uma bebida.
Jantaremos sozinhos com a nossa solidão.
Flávio disse isso rindo, acenou e saiu.
Antero foi até o bar e preparou uma bebida.
Conhecia Flávio há muito tempo e sabia do que ele gostava.
Flávio retornou com algumas bandejas, e colocou no microondas.
Juntos preparam a mesa.
Assim que a comida ficou pronta, sentaram e começaram a comer.
Marilda finalmente chegou na casa de Fernanda, mas não entrou.
Estava cansada e queria chegar o mais rápido possível em sua casa.
O dia, como o anterior, havia sido cansativo.
Estacionou a carro na garagem e entrou em casa.
Respirou fundo.
Fernanda, em sua casa, tentava dormir, mas não conseguia.
Na sua imaginação, via Antero beijando e abraçando Luciana.
Deitou e levantou várias vezes.
Foi até a cozinha, que, assim como todo o resto da casa, estava em perfeita ordem.
Olhou para ela:
"De que adiantou eu ter sido uma boa esposa e dedicar tantas horas do meu dia para que tudo permanecesse em ordem?
Ser considerada como uma tirana pelas empregadas que passaram por aqui?
Ele vem me acusar exactamente disso!
De ter mania de limpeza!
Não, esse não foi o motivo.
Claro que não foi!
Ele está com ela, me trocou, pois estou velha e sem mistério.
Ela, ao contrário, é jovem e bonita!
Ela deve realmente ter feito algum feitiço!
Ele não poderia ter mudado tão de repente!
Não vou contar o que está acontecendo para a Regiane, pois sei que ele voltará.
Preciso encontrar algum lugar que desmanche feitiço.
Mas onde?
Não conheço nada a respeito disso!
Nunca me interessei.
Preciso dormir; se isso não acontecer, sinto que terei um colapso.
Tenho que me alimentar.
Não posso ficar doente, preciso ser forte!
Espere aí!
Será que essa não seria uma boa solução?
Se eu adoecer, ele vai ficar com pena e voltará para casa.
Como vou inventar uma doença?
Ele sabe que sou saudável, pois a cada seis meses sempre fizemos todos os exames de rotina.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 20, 2017 9:55 pm

Eu poderia encontrar algum médico que me daria um diagnóstico mentiroso, de câncer, por exemplo.
Não, não daria certo, pois temos o doutor João, que sempre cuidou da nossa família.
Com certeza, ele pediria vários exames e constataria que eu não estou doente.
Realmente, essa não foi uma boa ideia.
Mas preciso encontrar outra e encontrarei.
Virou de um lado para outro na cama, mas não encontrou posição.
Sentiu seu coração bater rápido, se assustou e se sentou na cama.
Respirou fundo e tornou a se deitar.
Fechou os olhos tentando dormir, mas não adiantou.
Por mais que quisesse, não conseguia parar de pensar.
Bem, ele não foi se encontrar com ela, foi para casa junto com o Flávio.
Eu poderia ficar sossegada, mas não estou.
É claro que ele não sairia com ela hoje.
Ele precisa manter as aparências.
Sei que deve estar preocupado com a reacção da Regiane.
Não sei o que ela dirá quando souber, mas, por outro, lado ele sempre conversou muito com ela.
Sempre foi mais amigo dela do que eu.
Em alguma coisa ele teve razão, eu sempre me preocupei mais com a casa do que com a tranquilidade da minha filha.
Não a deixava brincar dentro de casa nem no quintal; eu estava sempre olhando.
Se ela jogasse um papel ou fizesse alguma sujeira, lá estava eu para brigar e obrigá-la a limpar.
Será que ela ficará do lado do pai?
Já é adulta, tem a sua própria vida.
Não posso lhe contar coisa alguma, ao menos por enquanto.
Só direi quando eu tiver certeza que o Antero não voltará para casa, mas, como isso não vai acontecer, por enquanto ela não precisa saber.
Tenho certeza de que encontrarei uma maneira de consertar tudo isso.
Vou seguir o plano original.
Amanhã irei até o apartamento, perguntarei ao síndico se está vazio.
Sim, pois Antero pode estar morando provisoriamente com o Flávio, essa decisão, para ele, também deve ter sido repentina.
Talvez ele, não tendo onde ficar, foi para o apartamento do Flávio.
Se o apartamento estiver vazio, entrarei e vasculharei tudo.
Se ele tem uma outra mulher, com certeza haverá algum vestígio.
Sorriu satisfeita.
Esse era o caminho que precisava seguir.
Precisava aproveitar enquanto Marilda estivesse de férias e antes que ela fosse viajar.
Ao pensar em Marilda, sorriu e pensou.
Ela é realmente minha amiga.
Não sei como poderei agradecer por estar ao meu lado em um momento como este.
Sempre tive muitas colegas, conhecidas, mas amiga mesmo só ela.
Sempre esteve ao meu lado em todos os momentos.
Não sei o que faria agora sem ela.
Vou tomar um comprimido e dormir.
Hoje, não tenho mais o que fazer.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 20, 2017 9:55 pm

Em busca de evidências
Marilda abriu os olhos, olhou para o relógio.
Sete horas da manhã.
Essa era a hora em que ela acordava todos os dias para ir trabalhar.
"Estou em férias" pensou, virando-se na cama.
"É muito cedo!
Vou tentar dormir mais um pouco."
Dormiu em seguida.
Acordou novamente.
Outra vez olhou para o relógio.
Assustou-se, eram quase dez horas.
Sentou-se na cama, havia sonhado muito, por isso não sentia o corpo descansado; tentou lembrar o que havia sonhado, mas não conseguiu.
Levantou, foi para o banheiro, olhou no espelho, estava com olheiras. Sorriu.
"Não estou acostumada a dormir tanto.
Será que a Fernanda também dormiu?
Acho que sim, senão ela teria me telefonado logo cedo.
Coitada, que situação terrível essa que ela está passando!
Que será que deu no Antero para tomar uma atitude como essa?
Dizer que foi por causa da mania de limpeza de Fernanda, e ela que sempre se orgulhou da sua casa.
Ainda bem que nunca me apaixonei ou tive marido.
Bem, não posso ficar pensando nisso.
Preciso tomar o meu café."
Tomou um banho que a despertou definitivamente e foi procurar Renata.
Ao passar pela copa, viu que a mesa estava colocada para o seu café.
Sorriu e foi para a cozinha.
Renata não estava ali, achou que ela estivesse lá fora na lavandaria, foi para lá e, realmente, Renata estava com a máquina de lavar ligada e dando comida para os cachorros.
Marilda aproximou-se e sorrindo disse:
— Bom-dia, Renata, dormi muito, não foi?
Bom-dia, dona Marilda.
Quando cheguei, vi que a senhora estava dormindo.
Sei que trabalha muito e precisa aproveitar suas férias para descansar, por isso procurei não fazer barulho.
Pode ir para a copa que já vou lhe servir o café.
Marilda foi para a copa, sentou, tomou um pouco de suco e começou a comer algumas frutas.
Renata veio em seguida com o café.
Assim que terminou o café, Marilda foi para o escritório.
Antes de viajar precisava deixar tudo em ordem.
Aquela viagem seria a realização de um sonho de uma vida.
Por muitas vezes se imaginou passeando pela Europa.
Queria conhecer a maior parte dos países, mas o que queria conhecer primeiro era Roma.
Por isso, quando foi escolher a excursão, preferiu aquela que estivesse passando o primeiro dia na Itália.
Estava examinando os papéis, quando o telefone tocou.
Atendeu, era Fernanda.
Olá, Marilda, hoje não te acordei!
Você está bem?
Estou, só com um problema, que estou tentando resolver.
Que problema?
— Antes de viajar preciso deixar os meus papéis em ordem.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 20, 2017 9:55 pm

Fernanda deu uma gargalhada e disse:
— Você está me dizendo que isso é um problema? Isso não é nada; perder o marido, isso sim é um problema!
Marilda ficou furiosa com a atitude de Fernanda.
Você é mesmo uma egoísta —- disse, nervosa.
Pois para você arrumar os meus papéis pode não ser um problema, mas para mim é um problema, sim!
O que não é meu problema é o seu marido ter te abandonado, mas mesmo assim fiquei do seu lado, te dando apoio.
Tem razão, desculpe.
Sempre pensamos que o nosso problema é maior que o dos outros.
Entendo que para você deixar tudo em ordem é também um problema imenso.
Quer que eu te ajude de alguma maneira?
O que posso fazer?
Não, você não pode me ajudar, eu mesma farei isso.
Só quero que entenda a minha preocupação.
Nada, além disso!
Tem razão, desculpe novamente por esta e por todas as outras vezes em que só vou pensar em mim e nos meus problemas.
Sabe que não sei o que faria sem você, mas estou nervosa.
Está bem, Deus sabe que estou fazendo o melhor que posso para te ajudar, mas você como está?
Dormiu bem?
Quase não dormi, ainda continuo muito nervosa.
Estou te telefonando para saber se você vai comigo até o apartamento.
Claro que vou.
Foi bom você ter marcado para a tarde.
Sabe que vou viajar daqui a quatro dias.
Por isso, preciso ver que roupas levarei para a viagem e quais preciso comprar.
Sabe que nesta época faz frio na Europa, e eu não tenho muitas roupas para o inverno.
Preciso comprar e espero que vá comigo.
Irei com certeza.
Você está ao meu lado e não sei como agradecer por isso.
Ir com você fazer compras, além de ser agradável, é o mínimo que eu poderia fazer.
Vai mesmo viajar com uma excursão, Marilda?
Preferi fazer uma excursão, pois viajar sozinha é muito ruim, ainda mais por países estranhos e com idioma diferente.
Além do mais, indo com a excursão, os guias com certeza nos levarão a todos os pontos turísticos de cada lugar.
Tem razão.
Eu sempre quis fazer uma viagem como essa, mas nunca tivemos oportunidade.
Sempre precisávamos fazer algo para a Regiane, ou Antero estava envolvido com o trabalho e não podia gastar dinheiro com "essas coisas".
Termine o que está fazendo, também preciso arrumar a casa.
Por que não viaja comigo, Fernanda?
Sei que nos divertiríamos muito!
Você agora está livre e poderá fazer o que quiser da sua vida!
Vamos! Se quiser, telefonarei para a agência e verei se ainda tem algum lugar na excursão!
Talvez não fosse uma má ideia, mas não agora.
Estou infeliz, não seria boa companhia.
Quem sabe uma outra vez.
Está bem, não vou insistir, embora ache que uma viagem como esta te faria muito bem.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 20, 2017 9:55 pm

Fica para uma outra vez.
Estou te esperando.
Logo depois do almoço estarei aí.
Não se preocupe.
Está bem, estou te esperando.
Despediram-se.
Marilda voltou para os seus papéis e Fernanda ficou olhando para os móveis de sua sala.
Estavam empoeirados, as almofadas que ficavam sobre o sofá estavam desarrumadas.
Na cozinha, louças sujas espalhadas sobre a mesa e a pia.
O fogão também estava sujo, o chão, engordurado.
Tudo estava de uma maneira como ela nunca havia visto.
Está tudo sujo e bagunçado, jamais pensei que um dia veria a minha casa assim.
Jamais pensei que a sujeira e a bagunça não me incomodariam.
Pensar que eu nunca quis empregadas, pois não confiava no trabalho delas e estava sempre atrás limpando o que elas haviam limpado.
Do que adiantou cuidar tanto da minha casa, se não soube cuidar do meu marido?
Ele disse que não suporta a minha mania de limpeza!
Que quer viver a sua vida!
Mas que vida?
O que ele quis dizer com aquelas palavras?
Eu não entendo, temos uma família maravilhosa!
Nossa filha sempre foi uma criança linda e boa.
Sempre quis estudar, nunca nos deu trabalho.
Hoje, está bem e encaminhada na vida!
Tem seu trabalho, está casada e tem também o Marquinhos, que é lindo e eu adoro!
Porque ele está revoltado?
Não é só por minha mania de limpeza!
Se fosse isso, conversaríamos e entraríamos em acordo.
Sei que seria difícil, mas eu conseguiria mudar.
Tem algo mais, lógico que tem!
E o nome desse "algo" é Luciana, com toda a sua beleza e juventude!
Mas ela não perde por esperar!
Não vou deixar que fique com o meu marido!
Não vou mesmo!
Duas horas e pouco da tarde, Marilda chegou.
— Ainda bem que chegou, Marilda -— Fernanda disse, enquanto abria a porta, -— não suporto mais ficar dentro de casa.
Marilda, enquanto entrava e sentava em um sofá, disse:
— Você está com uma aparência horrível; embora esteja com os cabelos penteados, os seus olhos estão tristes e está com olheiras profundas.
Sinto muito, minha amiga, mas parece que você envelheceu dez anos!
Isso não pode continuar!
Vamos viajar!
Fernanda começou a chorar.
-Acha que já não vi como estou?
Mas não posso evitar, estou triste e revendo toda a minha vida, vendo os momentos em que briguei com o Antero e com a Regiane por causa de uma migalha de pão que deixavam cair.
Quanto tempo perdi!
—Também não é assim!
Está certo que sempre te achei um pouco exagerada, mas você procurou dar a sua filha uma boa educação.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 20, 2017 9:56 pm

Não pode continuar se culpando e tentando encontrar um motivo para isso que está acontecendo.
Antero iria embora de qualquer maneira.
Se você fosse relapsa com a sua casa, ele diria que estava indo porque você não cuidava das coisas.
Ele encontraria uma desculpa qualquer.
Não se culpe por nada.
Tente recomeçar a sua vida.
Venha viajar comigo!
— Não posso viajar agora, estou deprimida.
Preciso descobrir qual foi o real motivo pelo qual ele me abandonou.
Embora eu saiba que o motivo tenha um nome: "Luciana".
Você não tem certeza disso, apenas desconfia.
Não tire conclusões apressadas.
Precisa investigar mais.
Não é isso que estamos fazendo?
Não é para isso que estamos indo até ao apartamento?
Está bem. Mas como você fará para entrar?
Vai conversar com o síndico...
E se encontrar alguém lá, o que vai fazer?
Já pensei em tudo.
Tentei falar com o síndico, mas não consegui.
No prédio não tem porteiro.
Eu tenho as chaves de entrada do prédio e do apartamento.
Não quero falar com o zelador, pois, se houver alguém no apartamento, ele poderá nos impedir de entrar.
Se eu encontrar alguém, não sei o que farei.
Sendo assim, eu não vou com você.
Não quero participar dessa loucura.
Acho que você não pode invadir a privacidade do Antero.
Só vou se me prometer que falaremos com o zelador para sabermos se tem alguém morando lá.
Se tiver, não entraremos.
Voltaremos para cá e pensaremos no próximo passo.
—Está bem, vamos fazer como você quiser.
Chegaram na rua em que ficava o apartamento.
Estavam entrando justamente no momento em que o zelador estava saindo.
Ao vê-las, disse admirado:
— Boa tarde dona Fernanda!
Como vai?
Boa tarde, seu João, estou bem.
Vim até o apartamento para ver se está tudo em ordem.
Eu acho que está.
O doutor Antero comprou móveis novos.
Ele disse que não pretende mais alugar.
Fernanda olhou para Marilda ,depois disse:
— Realmente, não pretendemos mais alugar; é justamente isso que vim fazer, olhar os móveis novos.
— Acho que a senhora vai gostar, são bonitos. Até mais.
Ele se afastou e elas entraram no elevador.
Fernanda tremia muito, enquanto dizia:
Você viu?
Ele comprou móveis novos, vai mesmo trazê-la para cá!
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 20, 2017 9:56 pm

Não te disse? Eu sabia!
Disse bem, vai trazer, mas ele ainda não trouxe.
Se tivesse feito isso, o zelador não nos deixaria entrar.
—Ainda bem, estou louca para ver os móveis.
Chegaram à porta do apartamento.
Fernanda colocou a chave na fechadura, a porta abriu e elas entraram. Fernanda, após olhar a sala, disse, abismada:
—Ele comprou móveis modernos e coloridos! Um horror!
Sempre gostei de móveis tradicionais e de madeira de lei!
Isso aqui está um horror mesmo.
Marilda, que também olhava tudo, disse:
— Pois eu não acho.
Está muito bem decorado, alegre e claro.
Eu nunca quis te dizer, mas a tua casa é muito escura.
Este ambiente está aconchegante.
Vamos ver o resto?
Para a cozinha ele também havia comprado móveis novos, todos brancos.
No quarto, havia só uma cama e um armário que pegava a parede toda, claro também.
Embora, a princípio, Fernanda quisesse criticar, foi obrigada a reconhecer que estava tudo bonito e com muito bom gosto.
Bem, Fernanda, ao menos você está vendo que não tem ninguém morando com ele.
Como pode ter certeza disso?
— No armário e nas gavetas, só tem roupas dele e, no banheiro, só tem uma escova de dentes.
É... você tem razão.
Mas, para ele ter modificado tudo assim, é porque pretende trazer ela para cá.
Ou talvez quisesse viver da maneira como sempre quis, em um ambiente alegre e colorido.
— Você viu que sobre a pia da cozinha tem dois pratos limpos e talheres?
Ela deve ter vindo aqui ontem à noite.
— A que horas?
Esqueceu que ontem ficamos ali embaixo por muito tempo?
Provavelmente, ele deve ter jantado com o Flávio.
Vamos embora, não temos mais nada para fazer aqui.
Ele ainda não a trouxe para cá.
Está vivendo sozinho, Fernanda...
Fernanda concordou com a cabeça.
Foram embora.
Saíram do prédio e entraram no carro.
Marilda conduziu o carro em direcção a casa de Fernanda, que disse:
Para onde está indo?
Para a sua casa, já vimos que ele está sozinho.
Não! Vamos até a empresa ver com quem ele sai.
— Fernanda, isso não vai adiantar.
O Antero deixou bem claro que não voltará mais a viver com você.
Está se torturando à toa.
Está perdendo tempo.
—Ele disse, mas isso não é verdade!
Ele vai voltar! Sei disso.
Porque, se não voltar, prefiro morrer.
Não diga isso!
Ter o corpo perfeito, ver o amanhecer e o anoitecer é um privilégio!
Devemos agradecer todos os dias por isso e pela vida que Deus nos deu!
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 20, 2017 9:56 pm

Deus?! Que Deus?!
Aquele que permitiu que o meu marido se apaixonasse por outra e fosse embora?!
Deus não existe!
Pois se existisse não permitiria uma coisa dessa!
Sempre fui uma boa esposa e mãe!
Vivi a minha vida toda para a minha família!
Nunca fiz mal a ninguém!
Não merecia isso, não agora, que já estou velha e não tenho mais nada para fazer na vida!
Você tem razão de se revoltar, mas Deus é quem sabe das coisas.
Você não é velha, tem muito a fazer!
Tenho?! Pode me dizer o quê?
Não tenho mais nada!
Acabou tudo, Marilda!
Não sei o que te dizer, mas acredito que tudo tem sempre uma solução.
Vou viajar, mas antes disso precisamos devolver o carro para a Ivete.
Já que Antero não pode saber que o está vigiando e por isso não pode ver o seu carro, o melhor a fazer seria comprar um novo carro.
Como comprar um carro novo?
Não tenho dinheiro!
Não tem dinheiro? Como assim?
O Antero fica com todo o dinheiro de vocês?
Foi ele quem sempre se preocupou com as finanças.
Eu só pedia e ele dava tudo que eu ou a Regiane precisássemos.
Nunca nos negou nada!
Eu não queria ter preocupação com isso e sabia que ele cuidava muito bem do dinheiro.
Tanto que aquele que recebi como herança de meus pais ele multiplicou várias vezes.
Nunca pensei que um dia estaria nesta situação...
Você está dizendo que não tem dinheiro, nem uma conta em um banco?
O seu carro está no seu nome?
Não, está no nome do Antero.
Ele sempre fez isso e todos os anos vendia o meu carro velho e comprava um novo.
Sempre como uma surpresa.
Eu me acomodei a essa situação.
Nunca quis saber o quanto ele ganhava.
Nunca me faltou nada!
Eu vivia bem e era feliz, Marilda...
Não acredito que você tenha-se anulado tanto na vida!
Que tenha vivido através do Antero e da sua filha!
Mas parece que foi isso que aconteceu.
De qualquer maneira, embora a Ivete tenha dito que não precisa do carro, ela o emprestou para mim.
Por isso, vou lhe telefonar e dizer quer estou indo viajar e perguntar se o carro pode ficar com você.
Faça isso e lhe explique a minha situação.
Ela entenderá.
Diga que não tem problema, eu me responsabilizo pelo carro.
Se responsabiliza como?
Não tem dinheiro, e da maneira como está não tem condições de dirigir!
Se você vir o Antero com outra, perderá facilmente o controle e poderá causar um acidente!
Não posso permitir!
Não se preocupe com isso.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 20, 2017 9:56 pm

Prometo que vou apenas segui-lo e, se encontrá-lo com outra, esperarei você voltar da viagem para ver o que faremos.
Está bem assim?
Prometo, pode viajar sossegada.
Não farei nada antes da sua volta!
Não sei se posso confiar em você, está muito alterada.
Pode confiar, eu prometo.
—Está bem, vou telefonar para a Ivete, ela decidirá.
Pegou o telefone e ligou para Ivete.
Contou-lhe tudo que estava acontecendo.
Não se preocupe disse Ivete—, pode deixar o carro com ela.
Já passei por isso e sei como é.
O meu carro tem seguro, portanto não se preocupe.
Só diga a ela que tenha calma e que não tome nenhuma atitude precipitada se vir Antero com a outra.
Obrigada Ivete.
Creio que ela está bem consciente do perigo que corre, mas me parece que tomará cuidado.
Então, boa viagem e aproveite.
Você bem que merece umas férias.
Sei que tem trabalhado muito.
Desligou o telefone, olhou para Fernanda dizendo, séria:
—Está feito, Fernanda, pode ficar com o carro da Ivete.
Mas tem que prometer que não fará coisa alguma até eu voltar.
—Prometo e obrigada.
Você é mesmo uma grande amiga.
Marilda sorriu ao ver no rosto da amiga um ar de criança.
Você está mesmo parecendo que voltou à adolescência.
Agora preciso ir, tenho muitos preparativos para a viagem.
Vou com o seu carro e você ficará com o da Ivete.
Quando eu for viajar, o seu ficará guardado em minha garagem.
A propósito, você vai me levar até ao aeroporto?
Claro que sim, imagine se não faria isso, Marilda.
Óptimo, depois te darei a hora em que deve me pegar.
Está bem, assim que combinarmos, estarei em sua casa.
Marilda sorriu.
Fernanda acompanhou-a até o portão.
Marilda entrou no carro, ligou e saiu.
No carro, enquanto dirigia, Marilda, ainda preocupada com a situação de Fernanda, pensou:
"Como alguém pode entregar a sua vida e felicidade nas mãos de outra pessoa?
O que a Fernanda fará agora?
Não está preparada para nada.
Pelo que percebi, durante toda a sua vida foi tratada como uma criança.
Antero não lhe deu responsabilidade alguma a não ser cuidar da casa e criar a filha.
Ela nunca se deu conta da sua real situação.
Também, nunca imaginou que ele um dia a deixaria.
Ainda bem que nunca me apaixonei dessa maneira.
Sei que isso tem um preço.
Estou envelhecendo e não tenho um marido ou filhos, mas ao menos apenas eu sou responsável pela minha vida e felicidade."
Entrou em casa. Como sempre, tudo estava em ordem.
Foi até seu quarto, pegou uma mala e foi colocando as roupas que pensava usar durante a viagem.
Estava feliz com a vida que havia escolhido.
Tinha tudo para ser feliz e era.
Não tinha preocupação alguma, a não ser com o seu trabalho, o que não chegava a ser preocupação, pois gostava do que fazia.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 21, 2017 8:45 pm

A consulta
Fernanda em casa, sabia ,estava na hora de preparar o jantar, mas não estava com fome; pensava:
"Prometi que vou esperar a Marilda voltar, mas será que conseguirei?
Será que não vou vigiar o Antero?
Não sei..."
—Alô!
Fernanda! Sou eu, a Leonor, como vai?
Tudo bem, e você? -— disse contrariada, pois Leonor era muito conhecida como aquela que sabia da vida de todos e que também comentava.
Faz muito tempo que não me telefona, aconteceu alguma coisa?
Comigo não, mas com a Joana sim.
Você já sabe?
Não, o que aconteceu?
O marido dela foi embora.
Trocou-a por outra.
Também, ela é muito chata!
Você não sabia?
Não, não sabia, mas parece que você está feliz com a situação dela.
Não estou feliz, mas pelo menos tenho assunto para conversar e você sabe que gosto disso...
- Sei, te conheço muito bem.
Como você soube?
Você nem imagina!
Ela me telefonou para contar.
Disse que a outra fez macumba e queria saber se eu conhecia alguém para desmanchar a macumba e fazer outra contra a mulher que levou o marido dela!
Você conhece alguém que faça isso?
Conheço!
É um homem que faz "trabalhos", ele é muito bom.
Fui com ela até lá, ele prometeu que o marido dela vai voltar e que a outra vai acabar na miséria e ficar doente.
Credo! Como pôde fazer isso?
Eu não fiz nada, quem fez foi ela.
Eu só a levei até lá.
Fernanda pensou um pouco e disse:
Estou pensando, tenho uma amiga que o marido também foi embora e ela está desconfiada que a outra fez macumba.
Você pode me dar o endereço para eu dar para ela?
Quem é ela?
Você não conhece, ela faz parte das amizades do Antero.
Vou te dar o número do telefone dele.
Ela tem que telefonar, marcar hora e dizer que fui eu quem o indicou.
Assim, terei desconto em uma próxima "consulta" que precisar.
Tem certeza que ele é bom mesmo?
Tenho! Já vi muitas coisas que ele fez!
Já vi gente se afundar em dívidas e até morrer.
— Sendo assim, me dê o número, que passarei para ela.
Leonor deu o número e Fernanda anotou.
Conversaram mais um pouco.
Depois se despediram.
Assim que colocou o telefone no gancho, Fernanda olhou para o papel.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 21, 2017 8:45 pm

Ficou olhando para ele por algum tempo, resolveu:
—Vou até lá!
A Luciana deve mesmo ter feito macumba para o Antero, ele mudou muito de repente!
Mas não posso ir sozinha, será que a Marilda vai comigo?
Com o papel na mão, tomou coragem e ligou:
Marilda, sou eu!
Tudo bem, o que foi agora?
A Leonor me ligou e me contou uma coisa incrível.
Partindo da Leonor, deve ter sido incrível mesmo!
Ela gosta de falar da vida de todo mundo, mas o que foi desta vez?
Fernanda contou tudo e terminou contando sobre o homem, do papel e se ela iria junto fazer uma "consulta".
—Fernanda, você sabe que preciso arrumar as minhas coisas para a viagem.
Além disso, nem sei se isso vai valer a pena!
O Antero está firme na sua decisão e eu não acredito nessas coisas!
Geralmente, são charlatões que se aproveitam do desespero das pessoas para tirarem o seu dinheiro!
Ainda continuo pensando que você deveria viajar comigo!
Eu sei que você não tem dinheiro, mas isso não importa.
Pagarei a sua viagem e, assim que tiver o dinheiro, me devolverá.
O Antero disse que não vai deixar te faltar nada, com certeza te dará uma boa pensão.
— Sei que não vai me faltar nada, mas ao mesmo tempo me faltará tudo, pois não terei mais ele!
Vamos até lá, só para ver como é.
Prometo que não farei nada se perceber que tudo é mentira e que o homem é um charlatão!
Vendo que não haveria como escapar, Marilda faria mais aquilo, também, pela amiga:
Está bem, mas tem que ser amanhã.
Vou telefonar agora mesmo, dizer da urgência e ver se ele pode marcar para amanhã.
Assim que tiver a resposta te ligo.
Está bem, estarei aqui em casa.
Fernanda telefonou, marcou para o dia seguinte, às três horas.
Disse ser amiga de Leonor e deu um nome falso.
Não queria que a Leonor descobrisse que ela também tinha sido abandonada, sabia que, se isso acontecesse, ela contaria para todos, e por isso seria motivo de chacota de todas as suas conhecidas.
Anotou o endereço e tornou a telefonar para Marilda, marcando o encontro para o dia seguinte.
Embora contrariada Marilda atendeu a mais um pedido de Fernanda, mas já estava se cansando:
"Quando ela vai se conformar com a separação?
Ela está ficando louca!
Imagine, ir atrás de um macumbeiro!
Da maneira como o Antero falou, ele está decidido e não voltará para casa.
Mas, enfim, vou acompanhá-la e que tudo seja como Deus quiser."
No dia seguinte, ao acordar e ir para a copa, como todos os dias, a mesa do café estava colocada.
Foi até a cozinha.
Renata estava junto ao fogão; ao vê-la entrando, disse:
Bom dia, dona Marilda, seu café está quase pronto.
Acordou mais cedo hoje?
Já estava acostumada com a senhora acordando mais tarde!
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 21, 2017 8:45 pm

Bom dia.
Tem razão, acordei cedo.
Eu queria ficar mais um pouco na cama, mas não consegui.
Já me acostumei a acordar cedo.
Agora, vou tomar o meu café e não te dou nem quinze minutos para a Fernanda telefonar -— disse sorrindo.
— Não sei como ainda não fez isso!
São muito amigas, não é?
Renata também riu e disse:
Somos, sim, mas não pensei que passaria quase todas as minhas férias cuidando da vida dela.
Pode ir para a copa que já estou levando o seu café.
Marilda estava indo para a copa quando o telefone tocou.
Olhou para Renata e disse com ar de deboche:
Você ganha um doce se adivinhar quem é!
É a dona Fernanda!
Só ela telefona para a senhora.
A senhora não tem outras amigas?
Aquela pergunta pegou Marilda de surpresa.
Nunca havia pensado naquilo.
Nunca havia notado que, apesar de ter muitas conhecidas, amiga mesmo era só Fernanda.
Respondeu, enquanto pegava o telefone, que estava sobre uma mesinha no corredor:
Sabe que nunca pensei nisso.
Não, não tenho outras amigas.
Conhecidas sim, mas amiga mesmo como ela, não.
Alô, Fernanda, bom dia! Dormiu bem?
Bom dia, Marilda, não dormi muito bem.
Estou telefonando para te lembrar do nosso compromisso de hoje à tarde.
Você não esqueceu, não é?
Quer vir almoçar aqui em casa?
Depois do almoço, poderemos sair.
O bairro onde ele mora é distante.
Estou ansiosa para fazer a "consulta".
Não esqueci, não, fique sossegada.
Está bem, vou almoçar com você.
Lá pelas onze estarei aí.
Pode me esperar e faça um almoço bem gostoso!
Pode deixar, sabe que adoro cozinhar!
É o que melhor faço nessa vida!
Vou te preparar, como sobremesa, uma torta que você não vai acreditar!
Acredito sim! -— disse rindo.
Suas tortas são um perigo para as nossas gordurinhas!
Elas não engordam, só fazem bem ao nosso paladar!
— Sei... está bem, logo mais estarei aí, Fernanda.
Desligou o telefone e continuou andando para a copa.
Olhou para a mesa, puxou uma cadeira e sentou.
Renata chegou em seguida, trazendo o café com leite, que Marilda colocou em uma xícara.
Enquanto tomava, pensava nas últimas palavras de Renata.
"A senhora só tem ela como amiga?"
"Só agora me dei conta que realmente não tenho amigos.
Desde que meus pais morreram e meus irmãos se casaram, me isolei nesta casa e no meu trabalho.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 21, 2017 8:46 pm

Nunca tive muita vontade de conversar futilidades.
As minhas amigas da juventude também se casaram e só sabem falar de marido e filhos, assuntos que não me interessam.
Só restou a Fernanda.
Quando estamos juntas, conversamos sobre tudo e quase nunca sobre família, a não ser agora, que ela está com esse problema.
Será que nunca notei por que não me fez falta?
Deve ter sido isso.
Gosto de ficar em casa, ler e assistir a um bom filme na televisão.
Depois do Jorge, nunca mais quis me envolver com alguém.
Sofri muito com a separação e, agora, depois do que vi acontecer com a Fernanda, a Ivete e com a Laurinda, acho que sempre tive razão.
Apesar de viver sozinha, nunca me senti só.
Eu sempre achei que eu me bastava e continuo achando.
O trabalho me completa e tenho o suficiente para me manter ocupada.
Depois que terminar de tomar o café, vou tentar arrumar as minhas malas.
Essa ideia de consultar um macumbeiro não me agrada.
Mas Fernanda tem o direito de fazer tudo que puder para salvar o seu casamento.
Se isso tivesse acontecido comigo, eu daria a volta por cima, deixaria para lá e encontraria algo para fazer.
Será que eu faria isso mesmo?
Não sei; depois do Jorge, nunca mais me apaixonei, e agora tenho certeza:
não me apaixonarei mais!"
Um pouco antes do meio-dia, Marilda chegou na casa de Fernanda, que já estava com o almoço pronto e preparava a mesa.
Ajudou Fernanda a terminar de preparar a mesa, sentaram-se e começaram a almoçar.
Aquilo de visitar o macumbeiro a estava incomodando.
Nunca foi muito de religião.
Não conhecia aquela, mas o pouco que sabia era que, em um lugar como aquele, só era praticado o mal.
Não acreditava muito nesse poder, mas o simples facto de alguém se dirigir até a um lugar como aquele, com a intenção de prejudicar outra pessoa, deixava-a muito brava.
Olhou sério para Fernanda e disse:
— Fernanda, você tem mesmo certeza que quer ir a um lugar como esse?
— Claro que tenho!
Não estou vendo a hora de chegar lá e acabar com a macumba que a Luciana fez contra o Antero!
— Você não entende e não sabe como funciona... para te dizer a verdade, não acredito que funcione.
Isso tudo é folclore.
Não conheço ninguém que tenha usado a macumba e que tenha funcionado!
É tudo uma maneira de tirar dinheiro dos incautos.
Mude de ideia, vamos viajar juntas.
Na Europa, conheceremos muitos lugares diferentes e você terá tempo de pensar no que vai fazer da sua vida.
Não acredite em mentiras...
— Você conhece alguém que já fez macumba?
Não, mas ouço falar a respeito.
Então, se não conhece ninguém, não pode afirmar com certeza que não exista.
Não te contei o que a Leonor disse que aconteceu com a Joana?
A Leonor disse que ele é muito bom.
Não vou fazer mal para ninguém, só vou defender a minha família!
Você há de convir que a mudança do Antero foi muito rápida!
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 21, 2017 8:46 pm

Como rápida?
Você disse que ele sempre se queixou da maneira como você cuidava da casa e da Regiane.
Disse que há muito tempo não tinham uma vida sexual normal!
Mas ele continuou sempre sendo um bom marido e bom pai, nunca nos deixou faltar nada!
E você se acomodou a essa situação!
Deixou que ele tomasse conta da sua vida de uma tal maneira, que hoje está aí... sem dinheiro e sem saber como continuará vivendo; e se ele não te der uma pensão todos os meses?
Você ouviu ele dizendo que vai dar a pensão!
Sim, mas quanto?
Será que te dará o suficiente para que possa continuar vivendo da maneira como sempre viveu?
Ele vai! Ele disse que vai dar!
Mas também não vou me preocupar com isso.
Hoje, vou desmanchar a macumba e ele vai voltar para casa e para mim e tudo vai continuar como antes!
Não vamos mais perder tempo, vamos terminar de comer e ir embora, já estamos atrasadas.
Está bem, se é assim que quer... faremos isso, mas não venha me dizer mais tarde que não te avisei, Fernanda.
Não vou dizer isso, nunca!
Você tem o endereço?
Sabe ir até lá?
Fica em um bairro da periferia, nunca fui até lá, mas encontraremos!
Vamos. Você vai dirigindo, Marilda?
— Vou, mas você sabe que vamos nos perder!
Fernanda sorriu.
Ela sabia que as duas, no carro, eram um desastre.
Nenhuma tinha bom senso de direcção e sempre se perdiam, pois cada uma queria ir para um lado.
— Sei disso. Por isso que quero sair bem antes da hora.
Se nos perdermos, teremos tempo para nos achar.
Marilda também sorriu, já que não havia outra solução, o remédio seria partir para aquilo que julgava ser uma loucura.
Por incrível que pareça, elas não se perderam.
Duas e vinte já estavam na rua onde ficava a casa.
Marilda parou o carro na esquina.
— Chegamos — disse um pouco apreensiva.
Ainda é um pouco cedo, você tem tempo para desistir dessa loucura.
Vamos para casa, arrume suas malas e venha viajar comigo.
— Marilda! -— disse Fernanda, nervosa.
Você acha que tenho cabeça para viajar, da maneira como estou? Não.
Já que chegamos até aqui, vamos em frente!
Hoje vou resolver a minha vida e o Antero vai voltar para casa!
Impotente, Marilda acelerou o carro e pararam em frente ao número que estava no papel.
Marilda estacionou o carro e as duas desceram.
A casa era simples, de muro baixo.
Uma senhora estava sentada perto do portão.
Fernanda perguntou:
— Aqui é a casa do senhor Pedro?
— É aqui mesmo, moça.
Pode entrar, ele está lá no fundo, atendendo a uma pessoa.
Marilda, nervosa e assustada, apertou o braço de Fernanda tentando fazer com que ela voltasse para o carro, mas foi em vão.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 21, 2017 8:46 pm

Fernanda, com passos firmes, entrou pelo corredor que levava aos fundos da casa.
Marilda, tremendo muito, a seguiu.
Chegaram diante de uma porta que estava aberta, entraram.
Diante delas, surgiu uma grande sala, com muitos bancos e, na frente dos bancos, um altar com imagens de santos conhecidos por elas.
Pararam na porta e ficaram olhando.
No alto do altar e de braços abertos, estava a imagem de Jesus.
Olharam-se admiradas, pois jamais poderiam imaginar que em um lugar como aquele encontrariam imagens de santos, e muito menos de Jesus.
Estavam ainda paradas, quando, nos fundos da sala, uma porta se abriu e por ela saíram duas pessoas, um homem e uma mulher, que levava em suas mãos algo embrulhado em um pano branco.
Enquanto saíam, o homem disse:
— Agora está tudo nas mãos de Oxalá.
Fizemos a nossa parte.
Chegando em casa, dê um banho nele com essas pipocas e, depois, não esqueça de levar no cruzeiro do cemitério e, com muita fé e respeito, ofereça a Omulu.
Se seu marido tiver merecimento e for a vontade de Oxalá, ele ficará curado.
Quando ele ficar bom, em agradecimento, traga algumas velas para serem acesas aqui no Congá.
— Pode ficar sossegado, tenho certeza que ele ficará bom, e não trarei só velas, mas muitas flores também.
Marilda e Fernanda se olharam, cada vez mais abismadas.
A mulher se despediu, passou por elas sem dizer nada.
O homem também se encaminhou em direcção a elas.
Assim que chegou perto, estendeu a mão dizendo:
— Qual das duas me telefonou?
Fernanda se adiantou e também estendendo a mão disse:
Fui eu quem telefonou.
Estou aflita para conversar com o senhor, a Leonor falou muito bem a seu respeito.
Ela frequenta a nossa casa, também gosto muito dela, embora saiba que ela fala demais da vida dos outros.
Mas tudo faz parte do aprendizado.
A senhora pode entrar comigo ali naquela sala e a senhora pode esperar aqui.
Ao ouvir aquilo, Fernanda disse:
Se o senhor não se incomodar, eu preferiria que ela entrasse comigo.
Ela é minha amiga e sabe de tudo que está acontecendo.
Além do mais, o senhor precisa entender, nunca estivemos em um lugar como este e por isso estamos confusas e até um pouco amedrontadas, sabe como é...
Por mim, não tem problema algum.
A senhora é quem sabe.
Queiram me acompanhar.
Ele seguiu na frente e as duas o acompanharam.
Marilda ainda estava um pouco confusa, mas não com todo aquele medo que sentiu quando chegaram.
Embora ainda estivesse preocupada com aquela história de cemitério, o ambiente era agradável e acolhedor.
Não havia nada ali que a amedrontasse mais.
Parecia um lugar de muita paz.
Assim que entraram na sala viram uma mesa coberta por um pano branco.
Sobre ela, havia uma vela branca e outra preta e branca.
Ao redor das duas, havia dois colares feitos com contas:
um feito com contas brancas e outro com contas pretas, misturadas com brancas.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 21, 2017 8:46 pm

Na frente da mesa, uma cadeira, e do outro lado, um banco.
Novamente se assustaram.
O homem percebeu e, enquanto sentava-se na cadeira, disse:
— Podem se sentar aí nesse banco.
Não se preocupem com as velas.
Elas são de Oxalá e do preto velho que trabalha comigo.
Fiquem tranquilas.
Embora não estivessem tranquilas, mas não tendo mais como sair dali, sentaram-se.
O homem olhou sério para Fernanda:
— Se foi a senhora quem me telefonou, é porque precisa da minha ajuda.
Pode me contar o que está acontecendo?
— Meu marido foi embora - ela disse de uma vez, muito nervosa, ele me trocou por outra... ela deve ter feito uma macumba para ele.
Vim aqui para desmanchar essa macumba e, assim, trazer ele de volta para casa.
— Calma. Não precisa ficar tão nervosa.
Tudo tem sempre solução, mas, antes de fazer qualquer coisa, preciso conversar com as senhoras... percebi que estão preocupadas com estas velas e estes colares.
Esta casa pertence, primeiro, a Oxalá; depois, ao meu preto velho.
O nome dele é Pai Joaquim das Almas, é um negro muito bom e só faz o bem.
Já ajudou muita gente.
Sei que, quando chegaram, ouviram eu dizer para aquela senhora que era para ela ir ao cemitério.
O marido dela está muito doente, e os médicos da Terra já o desenganaram.
Como última alternativa, ela veio até aqui.
Aqui tudo é cercado de magia.
Todo ser humano tem dentro de si o bem e o mal.
Aqui trabalhamos com essas duas forças.
Aquela mulher vai dar um banho de pipoca no seu marido.
Pipoca é o remédio de Omulu.
Ele cura as pessoas, quando permitido por Deus.
Ele mora no cemitério, por isso todas as entregas e presentes para ele precisam ser feitos ali.
Aquela mulher está tentando curar o marido.
Ela vai ao cemitério, mas também poderia ir a uma encruzilhada, no mar, na cachoeira, na mata ou no rio.
Depende do que o doente precise que seja feito para a sua cura.
Ela vai fazer o que eu disse e, se o marido dela tiver merecimento, vai ficar curado.
— O senhor está dizendo que todas aquelas coisas que a gente vê nas encruzilhadas não são para o mal?
Pode ser de cura também? —- Fernanda perguntou admirada.
— Sim, é isso mesmo que estou dizendo.
Grandes trabalhos são feitos na encruzilhada para o bem.
Como já disse, Exu trabalha dos dois lados.
Existem, sim, trabalhos feitos na encruzilhada, mas a maioria é para a cura de alguém.
Aqueles que fazem para o mal terão o seu pagamento.
Xangô, o Orixá da Justiça, mais cedo ou mais tarde deixará seu machado cair sobre eles.
A senhora também, de uma certa maneira, está tentando curar o seu marido.
A senhora conhece a mulher por quem ele se enrabichou?
Conheço! É a secretária dele, é muito bonita e jovem!
Fernanda -— disse Marilda —- você não tem certeza!
Não tenho, mas só pode ter sido ela.
Não tem outra!
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 21, 2017 8:47 pm

Isso é importante -— rebateu o homem.
É importante também que tenha certeza.
Senão, poderá estar fazendo mal a alguém que talvez seja inocente.
Mas julgando que ela seja a culpada, o que pretende fazer?
Trazer o meu marido de volta!
Muito bem.
E com ela, quer fazer o quê?
Não sei...
Matar?
Se for preciso -— disse Fernanda com muita raiva.
Ela teve a coragem de roubar o meu marido, então que morra!
— Moça, sei que a senhora não conhece nada, nem sabe o que está dizendo, por isso, vou lhe explicar.
Como já disse, aqui nesta casa lidamos com as duas forças que regem o ser humano, o bem e o mal.
Aqui, conseguimos a cura, abrimos caminhos, mas só de acordo com a vontade de Oxalá e de acordo com o merecimento de cada um.
Do lado do bem, temos pretos velhos e caboclos.
Do lado do mal, temos os Exus, que as pessoas chamam de diabo, mas na realidade, eles não são o diabo.
Eles são escravos e, por isso, obrigados a fazer tudo o que lhe pedem.
Quando solicitados, eles obedecem àquilo que lhes ordenam.
Quando lhes pedem o bem, eles ficarão felizes e fazem de bom grado.
Quando lhes pedem o mal, embora não gostem e não queiram, são obrigados a fazer.
Mas quem lhes pediu esse mal, fica sendo seu devedor e eles, de uma maneira ou de outra, irão cobrar.
O mal está onde houver inveja, ódio e ganância, não importando lugar ou religião, pois ele está dentro de cada um.
A senhora quer que eu peça a Exu para fazer o mal para alguém que nem sabe se é culpada ou inocente?
Se insistir, eu pedirei e ele fará.
Isto é, se essa pessoa tiver merecimento, pois, se ela não tiver, não vai adiantar.
A senhora será então uma devedora do Exu e ele cobrará.
Eu sou simplesmente aquele que obedece às suas ordens.
Não tenho responsabilidade alguma, porque estou lhe avisando.
Sei que tem muitos que fazem todo tipo de maldade, não importando a quem, somente movidos pela ganância e pelo dinheiro e que até ficam felizes quando vêem que o seu "trabalho" deu certo.
Alguns até mudam de religião e se dizem arrependidos.
Acreditam que, pelo simples facto de ter mudado de religião e se arrependerem, não devem mais nada.
Puro engano.
Ao se arrependerem do mal que fizeram, estão ganhando um ponto diante de Deus, mas e aqueles que foram prejudicados?
Aqueles que perderam tudo e, muitas vezes, até a vida?
Esses serão seus cobradores e exigirão vingança, nesta vida ou em outras.
Sem contar os Exus que foram usados, eles também vão querer vingança.
Existe o direito da escolha, o livre-arbítrio, onde todos podem e devem perdoar.
Mas não se pode impedir o desejo de vingança.
As pessoas, às vezes, não sabem com que forças estão lidando e pagam caro por isso.
Está em suas mãos.
O que quer que eu faça?
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 21, 2017 8:47 pm

Fernanda olhou para Marilda, que ouviu tudo atentamente.
— Marilda, o que eu faço?
— Não sei, tudo isso que ele disse parece ser sério.
Na realidade, você não tem certeza se a Luciana é o motivo pelo qual Antero foi embora.
Não sei o que deve fazer, você é quem tem que resolver, só vim para te acompanhar.
O homem olhava as duas.
Conhecia várias pessoas como elas, que vinham em busca de coisas achando ser fácil e sem problemas.
Ele era consciente, seus guias lhe ensinaram tudo sobre magia e ele sabia fazê-la, mas sabia também das consequências.
Por isso, a sua casa estava sempre cheia e conseguia ali coisas surpreendentes.
Ele sempre usou os exus para tentar desmanchar um trabalho feito para prejudicar alguém, mas nunca para o mal ou para destruir e matar.
Continuou olhando-as em silêncio.
Como Fernanda não se decidia, disse:
— Acho melhor a senhora ir para sua casa, pensar bem na atitude que vai tomar e procurar ter a certeza que essa moça é realmente a causadora do abandono do seu marido.
Se tiver certeza e decidir, pode voltar.
Farei o que a senhora quiser.
Também acho -— disse Marilda.
É a melhor coisa que tem para fazer.
Vamos embora...
Mas, se ela fez uma macumba, não tem como desmanchar?
Não tenho o que fazer?
Se a senhora tiver a certeza que ela é a pessoa por quem seu marido saiu de casa, a senhora volte e veremos o que dá para se fazer.
Sempre existe uma maneira de se desmanchar um mal feito.
Só não posso fazer mal para ninguém, meus guias não deixariam nem eu quero.
Gosto de ajudar a cura de alguém, gosto de dar esperança para aqueles que se sentem perdidos e sem rumo.
Isso faço com prazer.
Marilda se levantou, colocou a mão sobre o braço de Fernanda e fez com que se levantasse também.
O homem continuou sentado, Fernanda perguntou:
Quanto preciso pagar pela consulta?
Eu só cobro quando preciso fazer algum trabalho, porque para isso é necessário comprar algumas coisas; mas por conversar com a senhora, não vou cobrar.
Sei que está desesperada, não vou abusar disso.
Vá para sua casa, investigue.
Depois volte e veremos o que podemos fazer.
Tome cuidado com o que vai fazer.
A senhora está desesperada e por isso é uma presa fácil para alguém que queira lhe enganar.
Fernanda sorriu; iam saindo quando ele disse:
— Moça!
As duas se voltaram, ele olhou para Marilda, dizendo:
Sei que a senhora veio só para acompanhar e que não acredita no que eu disse ou viu aqui, mas Pai Joaquim está dizendo que a sua vida vai mudar muito.
Minha vida mudar?! -— Marilda disse admirada.
Mudar como?
Tenho ela muito bem controlada!
Diga ao Pai Joaquim que, desta vez, ele se enganou; boa tarde.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 21, 2017 8:47 pm

— Boa-tarde, mas o Pai Joaquim não se engana.
Marilda apenas sorriu e, empurrando Fernanda, saíram dali.
Já na rua, Fernanda, que estava frustrada com tudo que ouviu do senhor Pedro, disse:
Marilda, você entendeu alguma coisa do que ele disse?
Vim para encontrar uma solução e ele me deixou mais confusa!
Entendi que não se deve fazer mal para ninguém.
Muito menos quando não se tem certeza se a pessoa é culpada ou não.
E você não sabe se a Luciana é mesmo a amante do Antero.
Nossa, Marilda!
Que palavra forte! Amante!
Por que forte? -— perguntou Marilda, entrando no carro, ligando o motor e saindo.
Que nome se dá para alguém que vive com outro não sendo casados?
Tem razão, não tem outro nome mesmo.
Só que não sei o que fazer.
Da maneira como ele disse, é muita responsabilidade.
Ele disse que não tem culpa de nada, que o culpado é aquele que mandou fazer o trabalho, que ele é só um instrumento.
Não sei mesmo o que fazer...
Acho melhor você esquecer tudo isso e viajar comigo.
Deixe essas coisas para quem entenda.
— Não sei, é tudo tão estranho e diferente do que pensei que fosse.
Da maneira como a Leonor falou, ele trouxe o marido da Joana de volta.
Porque não quer trazer o Antero?
— Ele não disse que não vai trazer, disse que, se você não tem certeza de que Luciana é mesmo a culpada, deve investigar e depois retornar.
Mas, se eu fosse você, esqueceria de tudo isso e procuraria uma outra maneira.
Não acredito nessas coisas, mas vai que ele estava falando a verdade... já pensou o perigo que está correndo se mexer com o tal de Exu, que você nem sabe direito como é?
Ele disse que esse Exu é rancoroso e vingativo.
Fernanda, deixe isso pra lá.
Não mexa com o que desconhece...
— Como deixar para lá?!
O Antero foi embora e aquela mulher deve ter feito uma macumba, um feitiço!
Se aquele homem não fizer o que quero, tem que ter outro que faça!
— Depois de tudo que ouviu dele, o que quer realmente?
— Quero o meu marido de volta!
Só isso! É pedir muito?
— Não, realmente não é, mas você não tem certeza se a Luciana é mesmo a culpada!
— Está bem, não tenho, mas vou investigar.
Hoje mesmo vamos esperar ela sair do escritório e vamos segui-la.
— Seguir a Luciana!
Está louca mesmo!
Já viu que o Antero sai do escritório e vai directo para o apartamento.
Portanto, não é com ele que ela vai se encontrar!
— Ele não saiu esses dias, talvez porque pense que eu o esteja seguindo.
Preciso saber quem ela é realmente!
— Tem certeza que quer fazer isso mesmo?
— Não sei, não sei de mais nada!
Estou desesperada!
— Está bem. Entendo a sua situação.
Confesso que também fiquei um pouco confusa, pois não pensei que esse seria o resultado da consulta.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 21, 2017 8:47 pm

Sempre só ouvi falar mal dessas coisas.
Nunca pensei que, em um lugar como esse, as pessoas procurassem a cura para as suas doenças e, parece que essa cura existe mesmo.
Sempre achei que só se praticava maldade.
Também pensava isso, mas pelo visto não é assim.
Pretende mesmo seguir a Luciana, Fernanda?
Pretendo, sim.
E você, vai comigo?
Já te disse que, até o dia da minha viagem, ficarei à sua disposição.
Farei o que quiser...
Obrigada, nem sei como te agradecer toda essa força que está me dando, Marilda!
Não precisa agradecer.
Estou fazendo porque quero, se não quisesse seria diferente..
Ainda é cedo para ela sair do escritório, podemos ir a uma confeitaria e tomarmos o chá da tarde.
O que acha?
Marilda sorriu e concordou com a cabeça.
Foram à confeitaria, tomaram o chá e aproveitaram para conversar.
Fernanda, passando geleia no pão, perguntou:
Marilda, o que achou daquilo que ele falou?
Do quê?
Daquela história que a sua vida vai mudar...
Achei uma bobagem.
A minha vida não tem o que mudar.
Tenho meu trabalho, casa e dinheiro.
Nada pode mudar.
Ele só quis mostrar serviço.
A minha vida é bem controlada—.
Também pensei que a minha fosse, mas agora vejo que estava errada.
A minha vida deu uma volta de cento e oitenta graus.
Está de cabeça para baixo e eu, perdida...
— Com você é diferente.
Entregou a sua vida e felicidade nas mãos de outra pessoa.
Eu nunca fiz isso.
Sou a única responsável por tudo que me acontece.
É... acho que você está certa, não tem mesmo o que mudar em sua vida, a não ser que encontre um amor.
Aí, sim, a sua vida mudaria e muito!
Marilda começou a rir sem parar, depois disse:
Imagine, isso acontecer nessa altura do campeonato!
Se não aconteceu quando eu era jovem, não acontecerá agora.
Ainda mais depois de ter visto o casamento de quase todas as minhas amigas ir por água abaixo.
Não, minha amiga, isso não vai acontecer.
Tenho a minha cabeça bem presa ao pescoço!
É... mas em matéria de amor o que menos importa é a cabeça.
Quando a gente está apaixonada, não pensa em nada.
Só se quer ficar junto da pessoa que se ama.
Quando eu conheci o Antero foi assim.
Depois que nos casamos, com o tempo, tudo foi se modificando... problemas com a casa, o nascimento da Regiane fizeram todo aquele amor inicial ir esfriando.
Mas confesso que sinto falta daqueles tempos, em que eu só queria ficar junto dele.
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Ave sem Ninho

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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 21, 2017 8:48 pm

Por isso é que estou tão triste e revoltada, não é justo!
Agora que estou velha e que praticamente não temos mais problema algum e tudo poderia voltar a ser como antes, ele me abandona!
Não é justo! Não é mesmo!
— Também acho e por isso estou te acompanhando nessa maratona, nessa tentativa de trazer o Antero de volta.
Por isso, também, sei que nunca vou me apaixonar.
O meu tempo já passou.
Fazendo assim, acho que me livrei de um grande problema, de estar na situação em que você se encontra hoje.
Não tenho ninguém para me preocupar, a não ser os meus cachorrinhos, que não reclamam e estão sempre abanando o rabinho quando chego em casa.
Eles são sinceros. Me amam...
— Depois de tudo que estou passando, chego à conclusão que você sempre esteve certa.
Hoje está tranquila, sem problema algum, podendo viajar e aproveitar a vida.
Eu, ao contrário, dediquei toda a minha vida para Regiane e para Antero.
Ela está casada, cuidando da sua vida, e nem imagina o que está acontecendo, e só saberá se eu não conseguir trazer o Antero de volta.
Não quero preocupá-la, ainda não está na hora.
Ela já tem os seus próprios problemas.
Nunca tive dúvidas a esse respeito, mas já está na hora de irmos embora, já são quase seis horas.
É mesmo! Ficamos conversando e nem vi o tempo passar.
Não sei como vai ser enquanto você estiver viajando!
— Serão só vinte dias e passarão depressa.
Tem que prometer que vai esperar a minha volta para tomar qualquer decisão. Promete?
— Prometo! Ficarei contando os dias para a sua volta e não tomarei decisão alguma.
Marilda não acreditou muito, mas sorriu.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 21, 2017 8:48 pm

Constatando a verdade
Depois que saíram da confeitaria, Marilda estacionou o carro do lado direito da rua, dois carros atrás do ponto do ônibus.
De onde estacionou poderia sair rapidamente e, assim que Luciana subisse no ônibus, elas a seguiriam.
Passava um pouco das seis quando viram Luciana saindo e, como sempre, apressada.
Ela parou no ponto e ficou olhando, parecendo aflita e olhando para todos os ônibus que passavam e paravam, mas aquele que ela deveria tomar demorou um pouco para chegar.
Finalmente, Marilda e Fernanda viram Luciana estendendo a mão para um ônibus que se aproximava, num sinal claro de que era aquele que estava esperando.
Marilda ligou o carro, trocou a marcha e se colocou atrás do ônibus.
Quando todas as pessoas subiram, o motorista deu a partida.
Elas o seguiram.
Tiveram que ter paciência, pois o ônibus parava a toda hora para que as pessoas subissem ou descessem.
Mais ou menos meia hora depois, viram Luciana descendo do ônibus.
Marilda parou um pouco mais à frente.
Não tinha como parar no ponto.
O ônibus passou por elas, que ficaram paradas, mas sem tirar os olhos de Luciana, que, ansiosa, olhava na direcção em que os ônibus chegavam.
Após uns dez minutos, a viram dando sinal para um outro ônibus, que parou e ela entrou.
Assim que o ônibus passou, Marilda novamente o seguiu.
Estavam já há quinze minutos seguindo o ônibus quando, após ele parar, viram Luciana descendo.
Novamente, Marilda estacionou alguns metros à frente.
Luciana desceu e apressada começou a caminhar.
Passou pelo carro, mas não olhou.
Ela realmente não percebeu que estava sendo seguida.
Assim que ela se afastou um pouco, Marilda, devagar, continuou seguindo a uma certa distância.
Luciana virou na primeira rua à direita e depois na segunda, também à direita.
Assim que virou, em uma casa iluminada pela luz de um poste, estava um senhor com um menino em uma cadeira de rodas.
Assim que Luciana os viu, saiu correndo; abraçou e beijou o menino.
Fernanda e Marilda se olharam.
Pensavam que descobririam tudo, menos que ela tivesse um filho.
Luciana tirou o menino da cadeira e, abraçando-o carinhosamente entrou na casa, acompanhada pelo senhor.
Marilda passou pela casa, ainda a tempo de vê-los entrando.
A casa, embora simples, tinha uma boa aparência.
Tinha uma varanda e um pequeno jardim.
Fernanda não conseguia tirar os olhos de Luciana, abraçada àquele menino.
Alguns metros à frente, Marilda estacionou novamente.
Olhou sério para Fernanda.
— Fernanda, parece que você se enganou.
Não foi por causa dela que Antero foi embora.
Ela parece ser mais uma trabalhadora que cuida de um filho doente.
— Não pode dizer isso!
Não sabemos se aquele menino é filho dela, pode ser seu irmão!
— Da maneira e felicidade como ela correu para ele, não acredito.
Acho que é seu filho, sim...
— Se for filho dela, pode ser de Antero também.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 21, 2017 8:48 pm

— Como pode pensar uma coisa como essa?
Acredita que Antero fosse pai dessa criança, permitiria que a mãe trabalhasse fora?
Ainda mais a criança sendo doente?
Ele nunca faria isso!
Sabe muito bem que ele tem condições de manter uma ou mais casas!
Definitivamente, não é ela a culpada do teu sofrimento.
— Não sei, mas preciso ter certeza, precisamos encontrar uma maneira de descobrir de quem esse menino é filho.
— Como? Vai bater palmas no portão e perguntar: esse menino é filho do Antero?
Ora, Fernanda!
Você precisa aceitar o que vê.
Essa moça não tem nada a ver com a sua vida.
— Não sei, ainda não estou convencida.
Preciso de um tempo para pensar no que farei.
Ligue o carro e vamos embora.
Marilda obedeceu, ligou o carro e saiu.
Seguiram em silêncio.
Na realidade, nenhuma das duas sabia o que dizer.
Marilda —- Fernanda disse -— não consigo acreditar que ela não tenha nada a ver com o Antero.
Eu tinha certeza!
Mas parece que não tem mesmo!
Ainda bem que o macumbeiro era honesto e te alertou sobre tudo que poderia acontecer se você fizesse algo contra ela sem ter a certeza de que era realmente a culpada.
Se tivesse ido a alguém desonesto, que estivesse interessado só no dinheiro, ele poderia tirar tudo que você tem.
E você estaria, agora, com um problema sério nas mãos.
Por tudo o que ele nos disse, sério... sério mesmo...
Tem razão, mas ainda não acredito que ela não é a culpada do meu sofrimento.
Preciso ter certeza!
Como vai descobrir isso?
Perguntando para ela ou voltando à sua casa?
Espere! É isso mesmo!
Vamos voltar à sua casa!
Agora?!
— Não, amanhã cedo.
Vamos mentir que estamos pretendendo montar uma escolinha para crianças e que por isso estamos fazendo uma pesquisa para saber do interesse dos moradores.
Bateremos em algumas portas e depois na casa dela.
Assim, poderemos obter todas as informações que queremos!
É isso mesmo que vamos fazer!
— Nós?! Fernanda, espere aí!
Estou tendo a maior paciência do mundo e acompanhando você em toda essa procura.
Mas, agora, você está passando dos limites!
Isso que está querendo fazer é invasão de privacidade!
Não sei se sabe, mas é crime!
Sou uma advogada respeitada!
Não posso fazer uma coisa como essa!
Tenho uma vida toda de trabalho e um nome para zelar!
Desculpe, mas nisso não vou te acompanhar!
— Não sei se é crime, mas preciso saber a verdade!
Não existirá perigo algum!
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 21, 2017 8:48 pm

Daremos um nome falso!
Ninguém vai desconfiar!
Preciso da sua ajuda, não poderei fazer sozinha e não tenho mais ninguém em que possa confiar! Me ajude!
Prometo que essa vai ser a última coisa que vou te pedir, Marilda...
Disse essas últimas palavras chorando.
Estava realmente desesperada, precisando de uma resposta.
Marilda, novamente procurando entender a situação da amiga, disse:
— Sei que é uma loucura, que se formos pegas estarei em maus lençóis, mas está bem.
Vou te ajudar.
Mas, por favor, não me venha mais com ideias loucas!
— Obrigada! Sabia que você entenderia!
Não se preocupe.
Ninguém vai desconfiar, sabe que preciso descobrir a verdade...
— Está bem, espero não estar fazendo uma loucura.
Chegaram na rua onde Fernanda morava.
Marilda não quis entrar, além de ter muito para fazer, queria ir para casa e ficar sozinha para poder pensar em tudo que estava acontecendo.
Fernanda deu um beijo no rosto dela e desceu.
Marilda acenou, deu partida no carro e foi embora.
Estacionou o carro na garagem e entrou em casa.
Ao passar pela copa, viu a mesa colocada para o jantar.
Sabia que a comida deveria estar sobre o fogão e que precisaria somente aquecer.
Foi para o seu quarto e resolveu tomar um banho antes do jantar.
Estava cansada e preocupada com Fernanda e suas atitudes.
Sabia que o que ela pretendia fazer era algo perigoso.
Mas era sua amiga, precisava ajudar.
Tomou banho, jantou e foi se deitar.
Tentou assistir televisão, mas não conseguiu; o que queria mesmo era dormir.
Adormeceu e não passou muito bem naquela noite.
Sonhou muito e acordou várias vezes.
Acordou com o telefone tocando.
Olhou para o relógio, não eram nem oito horas, atendeu amuada.
Alô!
Alô, bom dia! Dormiu bem?
Bom dia, Fernanda, não dormi muito bem.
Não acha que é ainda muito cedo?
Eu pretendia dormir mais um pouco...
Desculpe, mas eu também não consegui dormir bem.
Precisamos ir cedo à casa dela, logo depois que ela sair para o trabalho.
Antes do almoço estaremos de volta e poderá descansar.
Prometo que esta vai ser a última coisa que vou te pedir.
Está bem. Vou tomar um banho e o café, irei em seguida.
Estou te esperando!
Marilda colocou o telefone no gancho.
Abraçou o travesseiro e tentou dormir novamente, mas não conseguiu.
Sabia que, assim que despertava, precisava levantar.
Já fazia parte da sua natureza, não conseguia ficar na cama.
Levantou, vestiu-se e foi para a copa.
Como Renata ainda não havia chegado, ela mesma preparou seu café, tomou e saiu.
Assim que Marilda chegou na casa de Fernanda e estacionou o carro, percebeu que ela estava olhando pela janela e que saiu imediatamente.
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