A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 22, 2017 7:47 pm

Trazia na mão uma prancheta com um papel em branco.
Fernanda estava bem vestida, porém discreta.
Parecia mesmo uma executiva.
Talvez até uma empresária.
Diferente daquela Fernanda que Marilda havia encontrado nos últimos dias.
Ainda bem que chegou, Marilda.
Estou ansiosa para descobrir tudo.
Está pronta?
Pronta não estou, pois sei que estamos fazendo uma bobagem.
Mas, tudo bem, vamos.
Chegaram na rua em que Luciana morava, estacionaram na esquina e desceram.
A rua estava deserta, tocaram a campainha da casa vizinha à de Luciana.
Uma senhora apareceu na janela.
— Bom dia -— disse Fernanda, sorrindo —-, estamos fazendo uma pesquisa, a senhora poderia nos atender?
A senhora, vendo que eram duas senhoras distintas e bem vestidas, sorriu e fez um sinal com a mão, dizendo que esperassem.
Enquanto esperavam, olharam por cima do muro que separava as duas casas e viram uma senhora que brincava com o menino, que ainda permanecia na cadeira de rodas.
A senhora da casa que haviam chamado se aproximou:
— Bom dia, em que posso ajudá-las, senhoras?
Bom dia. Pretendemos montar uma escolinha para crianças, por isso estamos fazendo uma pesquisa para saber quantas crianças moram no bairro -— disse Fernanda.
Não sei, pois moro há pouco tempo aqui e não tenho mais crianças; as minhas já estão todas crescidas.
Está bem, obrigada pela atenção.
Não tem de quê.
Espero que venham para cá.
Também esperamos.
Obrigada mais uma vez.
Elas foram para a casa vizinha, onde estava a senhora.
Bom dia -— disse Fernanda, sorrindo.
Bom dia, se as senhoras vieram para falar sobre religião, preciso dizer que sou espírita.
Tenho minha opinião formada e não gosto de discutir sobre nada, muito menos sobre religião.
Não se trata disso.
Não vamos falar sobre religião.
Pretendemos montar uma escolinha para crianças pequenas e, por isso, estamos fazendo uma pesquisa.
Precisamos saber quantas crianças tem no bairro, se há interesse dos pais e suas condições financeiras.
Assim saberemos quanto poderemos cobrar.
Estou vendo que a senhora tem um lindo menino!
Ele é lindo, sim, mas não é meu filho, é meu neto.
Desculpe senhora, mas já é quase meio-dia, estamos na rua desde de manhã, poderia deixar que usássemos o seu banheiro?
A senhora olhou-as de cima a baixo, sorriu dizendo:
— Posso, sim, já ia entrar.
Está na hora de eu dar o almoço para o Bruno.
Um momento, que vou buscar a chave do portão.
Ela voltou para dentro da casa.
Marilda olhou para Fernanda não acreditando que ela estivesse fazendo aquilo.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 22, 2017 7:48 pm

Parecia que tudo que dizia era verdade.
Tanto que até ela mesma, Marilda, estava acreditando.
Fernanda piscou um olho, num sinal de vitória.
Marilda balançou a cabeça e sorriu.
A senhora voltou logo em seguida trazendo nas mãos um molho de chaves, escolheu uma.
Abriu o portão e permitiu que elas entrassem.
Depois, empurrou a cadeira de rodas.
O banheiro fica ali naquela porta do corredor -— disse assim que entraram na sala— - pode usar à vontade.
Marilda, vá você primeiro, está mais apertada que eu!
Enquanto isso vou fazendo a pesquisa.
Está bem. Mas não podemos nos demorar muito.
Acho que já pesquisamos o suficiente.
Fernanda apenas sorriu.
Enquanto Marilda entrava no banheiro, ela perguntou.
— Ele está na cadeira de rodas, qual é a idade dele?
— Ele vai fazer quatro anos.
Nasceu com um defeito no pé direito, já fez várias operações e ainda vai precisar de muitas, mas, se Deus quiser, ele ainda vai ficar bom e correndo por aí!
— Sinto muito.
Ele é muito bonito, com certeza andará sim!
A mãe dele está?
O pai trabalha no quê?
— A minha filha foi trabalhar em uma empresa, onde conheceu o pai dele.
Começaram a namorar.
Eu e o meu marido não gostávamos dele, porque sabíamos que ele não gostava de trabalhar, mais minha filha gostava dele, engravidou, se casaram.
Logo depois que o menino nasceu, o meu genro viu que teria muito trabalho para cuidar do Bruno, então ele desapareceu e nós nunca mais soubemos dele.
Tenho mais um filho, que trabalha em um hospital.
Ele é enfermeiro e muito querido pelo médico que é ortopedista e dono do hospital.
Assim que o Bruno nasceu, o meu filho conversou com ele.
Depois minha filha levou o Bruno para que fosse consultado.
O médico disse que cuidaria de todo o tratamento e que não cobraria nada.
Foi a nossa sorte, pois, se não fosse esse médico, não teríamos como pagar o tratamento.
A sua filha não se casou novamente?
Não, ela se dedica totalmente ao filho.
Ficou muito tempo sem trabalho.
Nós frequentamos uma casa espírita, pedimos muito e, graças a Deus, ela encontrou um trabalho que, além de pagar muito bem, também tem um bom ambiente.
Ela está muito feliz e nós também.
Há coisa de seis meses, ela conheceu, lá na casa espírita, um rapaz.
Eles estão namorando e parece que se gostam e nós gostamos dele, pois é trabalhador e estudioso.
Parece gostar muito dela e do Bruno, também.
Queira Deus que dê certo.
Nossa! Como fui contar tudo isso para a senhora?
Talvez seja porque me pareceu ser uma pessoa confiável.
Não se preocupe com isso.
Sempre acontece, as pessoas confiam em mim.
Fico feliz por ver que tudo está caminhando bem e, com certeza, esse lindo menino ficará bom.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 22, 2017 7:48 pm

Marilda, ao sair do banheiro, ouviu parte da conversa.
Fernanda -— Marilda disse constrangida -— você não vai ao banheiro?
Está tarde, precisamos ir.
A senhora tem que dar o almoço para o Bruno.
Vou, sim, acho que já terminamos a pesquisa.
Só falta uma pergunta.
A senhora gostaria que aqui no bairro tivesse uma escolinha para crianças pequenas, assim como o Bruno?
Para o Bruno não vai adiantar.
Também, este bairro é velho, todos os vizinhos têm mais ou menos a minha idade.
As crianças que nasceram aqui já estão adultas.
Tem uma ou outra que os avós cuidam, mas não são muitos.
Pelas entrevistas que fizemos, já percebemos isso.
Acho que vamos ter que escolher outro bairro, mas de qualquer maneira foi bom ter conhecido a senhora.
Espero, de coração, que tudo caminhe bem e que a sua filha, desta vez, tenha sorte com esse rapaz -— olhou para Marilda e disse.
Depois que eu voltar do banheiro, vamos embora?
Vamos, sim, Fernanda, estou cansada.
Assim que Fernanda voltou do banheiro, disse:
Até logo, senhora.
Obrigada por tudo.
— Não tem de quê.
Fiquei feliz em receber as duas aqui na minha casa. Deus as acompanhe.
Fernanda sorriu.
A senhora acompanhou-as até o portão.
Entraram no carro.
Marilda, eu deveria estar feliz por ela não ser a culpada, mas não estou...
Por que não?
Se não é ela, quem é?
Não sei. Mas viu como você poderia, sem querer, ter julgado e prejudicado uma pessoa simplesmente por um mal entendido?
A Luciana, embora bonita, tem uma história de desenganos e sofrimentos.
É uma boa moça, que trabalha e vive para o filho doente.
Pensar que você quase mandou que aquele homem fizesse um trabalho de macumba contra ela.
Tem razão. Como o julgamento é perigoso.
Bem, não foi por causa dela que Antero me abandonou.
Me penitencio por isso, mas e agora?
O que vamos fazer para descobrir quem é a outra?
O que posso fazer é continuar vigiando o Antero, a qualquer hora ele terá que se encontrar com a outra, e aí eu saberei.
Fernanda! -— disse Marilda, com a voz firme e alta.
Você tem que parar com isso!
Já está se tornando uma doença!
Do que vai adiantar descobrir quem é a outra?
Vai fazer o quê?
Matá-la ou voltar naquele homem e pedir que ele faça um "trabalho"?
Antero foi embora e deixou bem claro que não voltará mais!
Você não tem o que fazer contra isso!
Repense sua vida!
Veja o que fez dela.
Enquanto viveu com Antero, não estudou, não trabalhou e não se realizou como pessoa!
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 22, 2017 7:48 pm

Agora, tem a chance de recomeçar!
De ser alguém!
— Como recomeçar?
Estou quase com cinquenta anos!
Como encontrar um trabalho e ser alguém?
Não sou ninguém! Sou um nada!
Minha vida sempre foi ao lado dele, por isso não sei viver sem ele, sozinha!
Preciso continuar procurando!
Preciso saber por quem ele me trocou!
Quando descobrir, não sei o que farei, mas preciso saber!
Será que você não consegue entender?
Fernanda, enquanto dizia isso, chorava desesperada.
Estava sem rumo, sem saber o que fazer com a vida.
— Estou procurando te entender, sim!
Se assim não fosse, eu não estaria aqui!
Mas estou vendo você se consumir!
Você está aí, se desvalorizando, sofrendo por alguém que não te merece!
Não é tão velha assim!
Tem seu valor!
Com certeza encontrará algo para fazer!
Algo que te preencha e, quem sabe, até um outro alguém.
Muitas pessoas começaram suas vidas depois dos cinquenta e até mais!
O que não pode é parar com a sua vida!
Tem que reagir, está com a sua auto-estima muito baixa!
O que é isso?
Foi sempre tão decidida!
Precisa reagir!
Não sei como reagir.
Não sei o que fazer...
Vou viajar, só te peço que espere a minha volta, antes disso não faça nada.
Quando voltar, encontraremos uma solução, quem sabe poderá vir trabalhar no meu escritório.
Te agradeço, mas não sei o que fazer em um escritório.
Encontraremos algo que goste.
Preciso de alguém para organizar os meus papéis, ir ao banco e ao fórum.
É trabalho para um jovem, não para uma velha!
O que está dizendo não é verdade!
Tem algumas coisas que eu só entregaria nas mãos de alguém em que eu confiasse.
Você é essa pessoa. Mas está bem.
Estou indo viajar, por enquanto não tenho o que fazer.
Só quero que prometa que vai esperar minha volta e que não fará nada antes disso. Promete?
—Prometo! - disse Fernanda, sem muita convicção.
Marilda sorriu, levou Fernanda para casa e depois foi para a sua.
Outro dia de aventura havia se passado.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 22, 2017 7:49 pm

Tudo está sempre certo
Finalmente, o dia da viagem chegou.
Marilda embarcaria só à noite, por isso passou o dia com Fernanda fazendo as últimas compras e indo ao cabeleireiro.
Queria estar bonita.
Afinal, ela ia realizar o sonho da sua vida, conhecer a Europa e principalmente a Itália.
Fernanda a acompanhou até o aeroporto, dizendo que atenderia o seu conselho, não seguiria Antero e esperaria que ela voltasse.
Fernanda sabia que só assim Marilda viajaria tranquila.
Ela estava mentindo, Marilda sabia, mas fingia acreditar.
Assim que Marilda embarcou, Fernanda foi para a frente do prédio onde Antero morava.
Ficou lá por muito tempo, não conseguia ver se o carro dele estava na garagem.
Foi para casa e nos dias seguintes o seguiu por toda parte.
Durante a tarde e, em algumas manhãs, ficava em frente ao escritório.
Sempre que ele saía, Fernanda o seguia, mas ele seguia sempre a mesma rotina:
saía ora com o Flávio, ora sozinho.
Segundo ela, tudo para despistar.
Ela tinha certeza de que Antero sabia que estava sendo seguido por ela.
Luciana saía sempre sozinha e, apressada, ia para o ponto do ônibus.
Outras vezes, Fernanda ia pela manhã:
parava o carro em frente ao apartamento e esperava ele sair, para ver se saía acompanhado.
Mas era em vão, ele sempre saía sozinho, pois Flávio saía mais cedo.
Ela voltava para casa.
Marilda fingiu acreditar quando ela disse que não o vigiaria.
Estava muito feliz com a sua viagem e não queria se preocupar com outra coisa que não fosse ela e realizar o seu sonho.
Finalmente, o avião aterrizou em Roma.
Marilda desceu emocionada por estar naquela terra que, um dia, fora de seus antepassados.
A confusão do aeroporto era imensa.
O guia da excursão mostrou a todos as esteiras onde deveriam apanhar suas malas.
Marilda ficou olhando, esperando as suas malas, mas elas não chegaram.
As pessoas que a acompanhavam estavam aflitas, querendo ir embora, pois queriam aproveitar todos os momentos, mas não poderiam sair do aeroporto enquanto suas malas não fossem encontradas.
Após notar que as malas haviam se extraviado, o guia da excursão, acompanhado por Marilda, foi até o sector de bagagem e lá ela teve que descrever a cor, tamanho e o que tinha dentro das malas.
Marilda descreveu da maneira que lembrava, pois havia colocado muita coisa e não se lembrava de tudo.
A pessoa que os estava atendendo tomou nota de tudo e disse que a companhia mandaria entregar as malas no hotel, e assim todos poderiam ir embora.
Marilda estava nervosa, pois queria chegar ao hotel, tomar um banho e trocar de roupas, mas não tinha nenhuma.
De acordo com o empregado da companhia, levaria mais ou menos vinte e quatro horas para que eles entregassem as malas e que ela seria ressarcida dos prejuízos.
Assim que entrou no quarto, ficou deslumbrada com a beleza.
Marilda preferiu pagar um pouco mais e ficar sozinha.
Não queria dormir com outra pessoa que não conhecia.
Parou diante de um espelho e se olhou:
"A viagem foi longa e não estou gostando deste começo.
Será que só terei contrariedades?
Esta roupa está toda amassada, preciso de um banho, mas não tenho roupas para trocar.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 22, 2017 7:49 pm

Preciso comprar algumas.
Se eu tivesse uma companheira de quarto, talvez ela me ajudasse nesta hora.
Não, foi melhor assim, como dormir com uma estranha?"
Saiu do quarto e foi em busca do guia da excursão, ele teria que ajudá-la.
Afinal, o pacote de viagem que comprou foi um dos mais caros.
Ela não conhecia nada e, ainda, tinha a barreira do idioma.
Se fosse no Brasil, não haveria problema, sairia e compraria roupas em qualquer lugar, mas ali?
Aonde poderia ir?
A senhora tem razão por estar nervosa -— disse o guia preocupado -— mas deve convir que não foi culpa nossa.
Essas coisas acontecem todos os dias.
Mas teria que ser logo comigo?
Preciso de roupas, pelo menos algumas, para uns dois dias, ou até que a companhia traga as minhas malas.
Não sei aonde ir para comprar!
— Agora, não posso sair daqui.
Estou instalando as outras pessoas, mas, se quiser, basta seguir a calçada do hotel por dois quarteirões.
Ali tem um shopping muito grande, tenho certeza que encontrará algo que lhe agrade.
A senhora trouxe lira?
— Não, somente dólares, pensei em trocar o dinheiro em cada país que fôssemos.
Achei que seria melhor, pelo visto não é.
Estou sem saber o que fazer...
— Não se preocupe, aqui no hotel eles trocam.
Fale com aquela mocinha que está ali naquele balcão.
Contrariada, mas não tendo opção, ela se dirigiu ao balcão.
Como aquele hotel era visitado por muitos turistas brasileiros, a recepcionista falava português.
Marilda trocou cem dólares e saiu.
Caminhou pela calçada, olhou algumas vitrines, mas estava nervosa e preocupada.
"Esperei tanto por esta viagem para ter uma contrariedade logo no primeiro dia!
Que coisa desagradável!
Chegou em frente ao shopping, que parecia ser grande, e entrou.
Caminhou pelos corredores, foi olhando as vitrines, mas não encontrou nenhuma roupa que lhe chamasse a atenção.
As roupas eram estranhas, diferentes daquelas que estava acostumada a usar, mas sabia que não teria opção.
Teria que procurar mais um pouco e depois compraria qualquer uma.
O que precisava realmente era de um banho e trocar aquela roupa.
Ao passar por uma vitrine, parou.
Havia algumas calças que pareciam ter um bom corte, entrou.
Uma vendedora se aproximou sorridente, falou em italiano:
— Posso lhe ajudar?
Marilda não entendeu, sorriu e mostrou algumas calças, que a vendedora apanhou e lhe mostrou o provador.
Marilda entrou, fechou a cortina e vestiu uma atrás da outra.
Escolheu três delas, saiu e entregou para a vendedora.
Em seguida, caminhou pela loja procurando algumas blusas.
Encontrou, tornou a mostrar para a vendedora, que as apanhou e a encaminhou novamente ao provador.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 22, 2017 7:49 pm

Assim como aconteceu com as calças, ela escolheu três que combinavam.
Estava no começo do inverno, por isso não comprou nada muito quente.
Saiu e entregou-as para a vendedora, que fez sinal para que ela a acompanhasse até o caixa.
Ali, as coisas se complicaram.
A moça lhe deu um valor, mas ela não conhecia o dinheiro, estava toda atrapalhada.
Foi quando ouviu uma voz de homem:
—Posso lhe ajudar?
Estou vendo que está encontrando dificuldades com o dinheiro.
Ela se voltou e disse feliz:
O senhor é brasileiro, que bom!
Estou, sim, um pouco atrapalhada.
Não tem importância, me dê o dinheiro.
Ela lhe deu o dinheiro, ele falou com a caixa, depois se voltou para Marilda, dizendo:
Este dinheiro não vai dar, precisa de mais.
Não tenho, só troquei esse no hotel.
Acabei de chegar do Brasil e as minhas malas foram extraviadas.
Não se preocupe, pagarei o que está faltando.
Depois a acompanharei até o hotel e poderá me devolver.
Estou constrangida com esta situação, mas se fizer isso ficarei muito grata.
Ele apenas sorriu, pagou a conta dela e a dele, pegaram os pacotes e saíram.
Caminhavam pelo corredor, quando ela lembrou de algo e ficou prestando mais atenção nas vitrines.
Parou diante de uma; nela estavam em exposição roupas íntimas.
As minhas malas extraviaram— - disse.
— Sinto muito, mas preciso entrar nesta loja.
Desculpe, mas é necessário...
Quer que te ajude a escolher? —- ele disse sorrindo.
Não! Pode deixar que escolho sozinha, só preciso que me empreste mais algum dinheiro.
Mas não se preocupe, assim que chegarmos no hotel devolverei tudo.
Você é quem não precisa se preocupar.
Pode escolher a roupa que quiser, ficarei esperando junto ao caixa.
Entraram, ela rapidamente escolheu as roupas íntimas.
Ele pagou e saíram.
Enquanto caminhavam, ele disse:
— Nem nos apresentamos.
Meu nome é Júlio, sou cardiologista e moro em São Paulo, estive participando de um congresso que terminou ontem.
Por sorte, hoje, resolvi passar aqui e comprar uma gravata que havia visto e gostado.
Vou embarcar hoje à noite para o Brasil.
— Muito prazer, meu nome é Marilda, sou advogada e também moro em São Paulo.
Estou fazendo uma excursão para conhecer o Velho Mundo, mas parece que não comecei bem.
— Claro que começou!
Nos conhecemos!
Estou muito feliz por isso.
Acredito que estejamos iniciando uma amizade!
Marilda ficou um pouco constrangida pela maneira como ele falou.
Ele percebeu seu constrangimento e tentou consertar:
—Desculpe, mas você não me parece estranha e fiquei feliz quando a vi.
Será que não nos conhecemos de algum lugar?
Ela percebeu que quem estava constrangido, agora, era ele.
É pouco provável; embora meu pai tenha sido médico, nunca frequentei os mesmos lugares que os médicos frequentam e graças a Deus, precisei muito pouco deles.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 22, 2017 7:49 pm

Bem, eu também não frequento muito os lugares dos advogados e, também, graças a Deus, não precisei muito deles.
Os dois riram e continuaram andando.
"Também parece que já o conheço, mas não consigo lembrar de onde poderia ter sido" pensou, intrigada.
"Ele é muito bonito!
Deve ter mais ou menos trinta e oito ou trinta e nove anos.
Seus cabelos estão levemente grisalhos, o que lhe dá um charme especial, seus olhos e sorrisos são lindos!
Nunca homem algum me chamou a atenção como está acontecendo agora!
De onde será que o conheço?"
Embora pensasse tudo isso, tentou disfarçar o seu entusiasmo.
Chegaram ao hotel, que por essas coisas do destino era o mesmo em que ele estava hospedado.
Ela foi em direcção à recepcionista, trocou mais dinheiro e deu a Júlio.
Não sei como lhe agradecer.
Sem a sua ajuda, eu estaria até agora tentando me explicar à caixa da loja e provavelmente não teria comprado as minhas roupas.
O que é isso?
Eu estava lá e foi um prazer.
Mas agora está me devendo um favor!
Que tal almoçarmos juntos para pagar?
É o mínimo que posso cobrar..
Bem... eu não sei... hoje pela manhã fomos liberados, o guia não nos levará a lugar algum.
Ele disse que é para que possamos nos instalar, mas... está bem, almoçaremos juntos.
Ele sorriu, olhou para o relógio e disse:
— São dez e trinta, creio que logo estaremos com fome; que tal passearmos por aí até a hora do almoço?
Conheço bem a cidade e poderei te levar a algum lugar agradável.
Ela pensou um pouco, não conhecia aquele homem, mas ele lhe pareceu sincero e com certeza era agradável.
Está bem, só que terá que esperar um pouco.
Preciso de um banho e trocar estas roupas, estou horrível!
Para mim, está divina!
Mas, se preferir, eu espero.
Ela sorriu com o elogio.
Júlio a acompanhou até o elevador.
Enquanto o elevador subia, ela pensava:
"O que está acontecendo?
Como posso sair com um homem que acabo de conhecer, que nem sei direito quem é?
Eu, que sempre fui tão comedida, que sempre escolhi as minhas companhias!
Bem, já que estou em um país estranho e com pessoas estranhas, vou arriscar, vamos ver até onde isso vai."
Tomou seu banho, trocou sua roupa, colocou uma calça cinza-claro e uma blusa azul-claro e se olhou no espelho:
"Apesar de ter quase cinquenta anos, não estou tão mal assim.
Meu corpo é perfeito, embora tenha algumas gordurinhas a mais.
Estou muito bem e o meu rosto não está muito enrugado.
Que é isso, dona Marilda, está mesmo impressionada com ele!
Não vá se envolver!
Está muito bem sozinha!
Olhe o que aconteceu com a Fernanda e com tantas outras que conhece!
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 22, 2017 7:50 pm

Não está querendo passar pela mesma situação".
Sorriu e continuou pensando.
"Não vou me envolver, vou apenas aproveitar a minha viagem, procurar tirar dela o melhor proveito!"
Passou uma escova nos cabelos, fez uma suave maquiagem e desceu.
Assim que a porta do elevador se abriu, ele, que estava sentado em uma poltrona, foi ao seu encontro e disse admirado:
Você está muito bonita!
Essa roupa lhe caiu muito bem!
— Também gostei, embora sejam diferentes das que costumo usar.
Sempre me visto com roupas de cores escuras.
Nem lembro da última vez em que vesti uma roupa clara.
Pois deveria usá-las mais, está muito bonita!
Bondade sua, uma mulher com quase cinquenta anos dificilmente pode ficar bonita...
Quem disse isso?
Eu nem imaginava que já tivesse essa idade, está muito bem.
Marilda sorriu.
Ele era realmente um galanteador, estava fazendo um jogo e ela resolveu jogar.
Júlio quis pegar o carro que havia alugado e estava no estacionamento do shopping, mas Marilda preferiu caminhar.
Caminharam um pouco, estava frio.
Resolveram entrar em um restaurante.
Marilda se admirou com a sobriedade e luxo do lugar.
Comeram, tomaram vinho, ela não sabia dizer o porquê, mas estava feliz.
Conversaram sobre muitas coisas, entre elas o Brasil, que era muito amado pelos dois.
Ela tentou falar sobre o trabalho dele, mas ele respondeu:
Não quero falar sobre doenças ou doentes.
Estes momentos estão sendo muito importantes.
Vamos falar de você, tem marido, filhos?
Não, não tenho marido ou filhos, nunca me casei.
Por quê? É uma mulher linda!
Não sei, talvez porque não tenha encontrado alguém em quem pudesse confiar.
Mas e você, é casado, tem filhos?
Sou viúvo, minha esposa morreu faz cinco anos e tenho dois filhos.
Meu filho, Rafael, está com quinze anos.
Minha filha, Tatiana, tinha oito anos quando a mãe morreu.
Moramos em uma casa, perto do hospital, onde trabalho.
Sinto muito por sua esposa, ela deve ter morrido jovem.
Morreu, sim.
O que mais me irrita quando penso sobre isso é que, como médico, não consegui salvá-la.
Fiz todo o possível, mas foi em vão.
Ela se foi e me deixou sozinho, eu a amava muito.
Não se casou novamente?
Não, não quero passar por tudo aquilo outra vez, não suportaria ver alguém de quem gosto sofrer da maneira como ela sofreu e depois morrer.
Preferi me dedicar ao trabalho.
Vivo participando de congressos, quero saber sempre mais para poder usar com os meus pacientes.
Mas... vamos mudar de assunto?
Estamos aqui, em um lugar distante, e não quero pensar em coisas tristes.
Vamos aproveitar este nosso encontro.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 22, 2017 7:50 pm

Bendita foi a hora em que as suas malas foram extraviadas, pois, se assim não fosse, não teríamos nos encontrado.
Tem razão, e eu fiquei tão nervosa!
Aprendi com a vida que é sempre assim:
não temos paciência para nada.
Sempre que nos acontece algo ruim, nos revoltamos.
Mas, na maioria das vezes, é sempre para o melhor.
Preciso concordar com você, mas já terminamos de comer, o que faremos agora?
Podemos pegar o carro e irmos até o Coliseu.
— Gostaria muito, pois sempre tive vontade de conhecer o Coliseu.
Mas esse passeio consta do programa da excursão...
— Iremos agora e depois poderá ir com a excursão.
Voltaram ao shopping, pegaram o carro e foram até o Coliseu, onde Marilda se emocionou ao pensar que ali, naquele lugar, muitos cristãos foram devorados pelos leões.
Já vira aquele cenário muitas vezes, em filmes.
Mas estar ali lhe dava uma emoção jamais sentida.
Júlio, que já estivera ali muitas vezes, lhe mostrava tudo e falava sem parar.
Ela ia se encantando com tudo e principalmente com ele.
Assim que viram tudo, resolveram voltar para o hotel.
Já eram quase seis horas da tarde e ele precisava ir para o aeroporto.
Pegaram o carro e retornaram.
Em dado momento ele, parecendo feliz, disse:
Estou pensando.
Não preciso voltar hoje, quinta-feira.
Posso ficar até domingo e embarcar à noite.
Chegarei no Brasil na segunda pela manhã.
Não tenho consultas agendadas antes disso.
Sempre que vou a algum congresso, peço à minha secretária que não marque consultas até eu lhe telefonar, avisando que estou voltando.
Só preciso ir à companhia aérea e trocar o meu bilhete.
Você me acompanha?
Claro que sim, mas não estou entendendo.
— Eu estava pronto para ir embora, mas agora que te conheci e vi a sua emoção ao visitar o Coliseu, quero ficar um pouco mais de tempo com você.
Já estive aqui na Itália várias vezes.
Conheço tudo e posso ser o seu cicerone.
Podemos ir de trem até Veneza.
Fica distante daqui, mais ou menos cinco horas, e antes poderemos passar por Florença.
Garanto que vai adorar, são cidades lindas como jamais viu.
Ao pisar em cada uma delas, parece que estamos nos tempos da Idade Média.
Existem castelos medievais, catedrais riquíssimas e monumentos famosos.
Tenho certeza de que vai adorar.
Você comunica o seu guia que só voltará no domingo, para que ele não se preocupe, e assim poderemos viajar tranquilos.
Dormiremos em hotéis.
—Espere! Você está indo rápido demais!
Não posso simplesmente abandonar a excursão e seguir um homem que mal conheço, dormir com ele em um hotel e segui-lo em uma maratona como essa, principalmente em um país estranho!
Ela estava atónita e assustada.
Ele percebeu.
—Desculpe, mas sou assim.
Você tem razão, mas não sei como explicar.
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Ave sem Ninho

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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 22, 2017 7:50 pm

Logo que te vi, fiquei feliz.
Senti que já te conhecia.
Fazia muito tempo que não me sentia assim. Falei depressa.
Talvez, não lenha me explicado bem.
Sei que posso te mostrar muitas das belezas deste país.
Quando disse em dormirmos em um hotel, não quis dizer dormirmos juntos.
Sei que, para isso, é cedo demais, apenas quero aproveitar a sua companhia e voltar a lugares que já visitei e gostei muito.
Por parecer te conhecer há muito tempo, falei como se isso fosse verdade.
Pode ficar tranquila.
Não vou te raptar ou assassinar, só quero a sua companhia, nada além disso.
Olhe aqui os meus documentos -— tirou do bolso uma carteira de documentos -— sou mesmo médico, moro em São Paulo, trabalho em um hospital o tenho o meu consultório.
Marilda estava assustada, não sabia o que dizer.
Nunca em sua vida havia estado em uma situação como aquela.
Fazia muito tempo que não tinha um relacionamento e, agora, aquilo estava acontecendo.
Achava Júlio bonito, interessante e uma companhia agradável, mas daí a sair com ele para uma aventura daquela?
Ficou calada.
Ele, sorrindo e constrangido, disse:
Está bem, você tem razão. Desculpe.
Vamos voltar para o hotel, jantaremos e embarco hoje para o Brasil.
Quando você voltar, me telefone, nos encontraremos e aí, quem sabe, você poderá confiar em mim.
Acho que será o melhor a fazer.
Preciso pensar, não sou mais uma criança para me deixar levar pelo entusiasmo.
Vamos deixar para quando eu voltar para o Brasil.
Desculpe, mais uma vez tem razão; mas é que passei a minha vida toda estudando, nunca tive tempo para fazer o que gostava.
Quando me formei médico, que foi o meu sonho desde criança, fui trabalhar como interno em um hospital.
Meu pai morreu de um enfarte.
Fiquei triste, mas, como ele já era idoso, a sua morte, embora tenha me abalado, fazia parte da vida.
Aí sim, resolvi estudar mais e me tornar um cardiologista, pois pensava que, se eu fosse cardiologista, poderia ter evitado a morte dele.
Continuei estudando, nunca fiquei muito ao lado da minha esposa e dos meus filhos.
Passava muito pouco tempo em casa e, quando estava lá, estava também muito cansado para sair, me divertir e até mesmo conversar.
Quando a minha esposa morreu, percebi como havia sido inútil tudo que eu havia aprendido, pois não consegui ajudá-la.
Do que adiantou eu ter estudado tanto, se, na hora em que mais precisei, de nada serviu?
Meu pai era idoso, mas ela não!
Era jovem, bonita e tinha dois filhos!
Fiquei revoltado com a vida e com tudo!
Abandonei o hospital, consultório e clientes, me isolei do mundo, pois percebi que nada na vida importava, já que, a qualquer momento, poderia morrer e ficaria tudo aqui.
Eu amava muito a minha esposa e só queria ir para junto dela, nada mais.
Entreguei meus filhos para a minha mãe, que, depois da morte do meu pai, veio morar connosco.
Peguei uma mochila e saí pelo mundo.
Fiquei mais de um ano andando sem destino.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 22, 2017 7:50 pm

Eu tinha dinheiro e podia me dar ao luxo de fazer isso.
Mas, para onde eu fosse, não adiantava, uma tristeza imensa me perseguia.
Sozinho, viajei muito e tive tempo para pensar em toda a minha vida até que, um dia, resolvi voltar para a minha casa.
Tentei retomar o meu trabalho, mas não era fácil, pois aquela tristeza, aquele sentimento de impotência, me acompanhava.
Assim que cheguei, ao ver as crianças, notei que elas estavam bem, pareciam as mesmas de antes.
Eu não entendia.
A mãe delas havia morrido, como puderam continuar a vida daquela maneira, como se nada tivesse acontecido?
Elas falavam da mãe como se ela não tivesse morrido, como se ela ainda estivesse ali.
Eu não entendia aquele comportamento.
— Mamãe -— perguntei intrigado -— as crianças não gostavam da mãe?
— Claro que sim, mas por que está me perguntando isso?
— Elas parecem que não estão sentindo a morte dela.
Falam dela como se a qualquer momento pudessem vê-la.
Não estou entendendo.
Poderia me explicar?
Minha mãe começou a rir.
— Mas é isso mesmo o que elas pensam.
— Como assim?
— Quando a Isaura morreu e você foi embora, esta casa se transformou.
Tudo pareceu perder o sentido.
Cada um de nós tentava retomar a vida, mas a tristeza era muito grande.
Todas as noites, do meu quarto, ouvia as crianças chorando.
Não sabia o que fazer para ajudá-las, pois eu também estava muito triste.
Isso durou mais de dois meses.
Eu rezava muito, pedia ajuda, mas não adiantava.
Não conseguia fazer as crianças serem felizes como antes, até que um dia, Lia, aquela minha amiga de muitos anos, veio me visitar.
Ela veio em uma tarde.
As crianças já haviam voltado da escola.
Fiquei feliz com a sua visita, conversamos sobre tudo, mas não sobre Isaura.
Desde que ela havia morrido, eu evitava falar dela e as crianças também.
Quando coloquei a mesa para servir o lanche, as crianças sentaram-se ao nosso lado.
Começamos a comer.
Lia tentou conversar com as crianças, mas elas não tinham o que dizer.
Lia não se deu por vencida e disse:
Isaura está aqui.
Olhamos para ela achando que estava delirando.
— O que você está dizendo? -— perguntei intrigada.
— Isaura morreu!
— Sei disso. O corpo dela morreu; terminou, mas o espírito continua mais vivo do que nunca.
— Ah, esqueci que você é espírita.
Desculpe, mas não acredito nisso.
— Eu sei, Rosa, mas isso não pode impedir que eu acredite e que a veja, aqui, neste momento.
— Pare com isso!
Você está assustando as crianças.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 22, 2017 7:50 pm

Realmente, as crianças olhavam para ela com os olhos arregalados; sem mudar o tom de voz, ela disse:
— Crianças, não precisam se assustar.
O que está acontecendo aqui é maravilhoso.
A mãe de vocês está aqui, veio visitá-los e está muito feliz.
Ela está pedindo para eu dizer que já não sente mais dor e que está aprendendo muito.
Está pedindo para te dizer, Tatiana, que não precisa chorar todas as noites, pois ela está sempre com você e que não pode continuar apertando tanto a sua boneca quando vai dormir, porque ela pode morrer sufocada.
Para você, Rafael, ela está me pedindo para dizer que você não precisa se preocupar, vai tirar uma boa nota de matemática e que fará parte da equipe de natação.
Disse para seguirem a vida, porque tem muita coisa boa para acontecer.
"Nós três nos olhamos, incrédulos com tudo que ela disse.
Eu sabia que Tatiana chorava todas as noites, mas não sabia que ela, ainda, dormia com a boneca.
Pensava que o Rafael ia bem na escola, que não tinha problemas, mas não sabia que ele queria entrar para a equipe de natação.
Ela, me olhando, continuou:
— Para você, Rosa, ela tem um recado especial, vou repetir exactamente o que ela está dizendo:
— Dona Rosa, quero agradecer por todo o carinho que está tendo com os meus filhos e com o Júlio.
Está preocupada com ele e com a sua ausência, mas não se preocupe, ele logo estará aqui.
Diga para ele retornar à sua vida e que, em breve, conhecerá uma mulher com a qual será muito feliz e viverá ao seu lado pelo resto da vida.
Diga que estou bem, que o meu tempo na Terra terminou, mas o dele continua.
Ele tem muito a aprender e com o seu conhecimento, ajudar as pessoas.
— E a senhora acreditou nisso? -— perguntei intrigado.
— Não tinha porque não acreditar.
Lia estava dizendo coisas que eu não sabia e que muito menos ela poderia saber.
Que eu estava preocupada com você era óbvio, mas com as crianças nem eu mesmo sabia.
De qualquer maneira, Lia se despediu, nos deixou alguns livros que havia trazido e nos convidou para irmos até a casa espírita que frequentava.
Assim que ela saiu, perguntei para as crianças se aquilo que ela disse era verdade.
Eles confirmaram.
Li os livros e gostei.
Tudo aquilo que estava escrito poderia ser verdade.
Comentei com as crianças e perguntei se queriam ir comigo até a casa espírita.
Elas concordaram.
Começamos a frequentar duas vezes por semana.
Eles frequentam as reuniões feitas especialmente para adolescentes.
Daquele dia em diante, mudaram a atitude e sabem hoje que, um dia, não importa quando, voltarão a encontrar a mãe.
— Sabe, Marilda, fiquei impressionado com tudo que a minha mãe me contou.
Resolvi conhecer mais sobre tudo aquilo.
Comecei a ler.
Embora seja médico e acreditando só na Ciência, muitas vezes não entendi e não aceitei a morte das pessoas que, apesar da ciência, não consegui salvar.
Tinha que ter uma explicação, talvez eu encontrasse ali.
Encontrei naqueles livros algo que poderia ser verdade e, se fosse, seria maravilhoso.
Comecei frequentar a casa espírita.
A tristeza que sentia foi desaparecendo aos poucos.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 22, 2017 7:51 pm

Hoje, não sofro mais com a ausência da Isaura, sei que ela está bem e sempre ao nosso lado.
Quando te vi lá no shopping, toda atrapalhada, senti que já te conhecia.
Pode até ter sido de outra encarnação, ou talvez aquela mulher que Lia disse que eu encontraria.
Por isso, todo esse meu entusiasmo e a vontade de ficar ao seu lado.
Foi isso que aconteceu.
Deu um beijo na testa de Marilda e sorriu.
Ela estava impressionada com o que ele lhe contou.
Não sabia o que dizer, tudo aquilo era muito estranho.
Ela nunca havia pensado na morte daquela maneira.
Sofreu muito e ainda sofria, sempre que se lembrava dos pais ou de algum amigo que havia morrido e na certeza de nunca mais vê-los.
Tudo aquilo que ele contou acendeu uma chama de esperança em seu coração.
Quem sabe, algum dia, em algum lugar, poderia reencontrar seus entes queridos?
Pensou isso, mas, naquele momento, apenas disse:
— Tudo isso que me contou é muito bonito, não sei o que fazer.
Sou um pouco descrente.
Preciso pensar a respeito.
Mas agora podemos voltar para o hotel?
Estou com fome.
— Claro que sim, jantaremos e depois irei para o aeroporto.
Assim que você chegar no Brasil, voltaremos a nos ver.
Entraram no carro e foram para o hotel.
Na recepção, pegaram as chaves.
O recepcionista, assim que os viu, disse:
Senhora, a companhia aérea mandou entregar a suas malas, já estão no seu quarto.
Que óptimo! Mas já?
Estou espantada!
Eles disseram que demoraria vinte e quatro horas!
Eu estava preocupada, espero que esteja tudo em ordem.
Ficarei muito triste se faltar algo.
Eles sempre dizem isso para que as pessoas não fiquem curiosas, mas normalmente entregam antes.
Não deve estar faltando nada, mas qualquer coisa é só comunicar à companhia.
Entregou as chaves.
Júlio e Marilda foram para o elevador.
Enquanto subiam, Júlio disse:
— Estou em um andar acima do seu. Não podemos nos demorar muito, preciso estar às dez horas no aeroporto.
Quanto tempo acha que vai demorar para ficar pronta?
Ela olhou no relógio, respondeu:
Em mais ou menos quarenta minutos, está bem?
Está; é o tempo que também vou demorar para me aprontar e arrumar as minhas malas.
Te vejo no saguão.
O elevador parou no andar em que Marilda deveria descer, ela acenou e desceu.
Entrou no quarto e viu suas malas junto à cama.
Abriu-as e constatou que estavam em ordem.
As malas estavam, mas a cabeça dela, não.
Tudo estava acontecendo muito rápido.
Pela manhã, quando chegou a Roma, sua única preocupação era com as malas, e agora estava ali, pensando:
"Depois de ter encontrado um homem maravilhoso como ele, que nunca imaginei que existisse, estou aqui, pela primeira vez em minha vida, sem saber o que fazer."
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 22, 2017 7:51 pm

Começou a tirar algumas roupas de uma das malas, mas não conseguia parar de pensar:
"Ele me convidou para uma viagem que poderá ser maravilhosa, mas como aceitar?"
Com um vestido nas mãos, sentou na cama:
"Não, não posso! -— continuou pensando.
— Eu não o conheço!
Não sei, na realidade, quem é!
Mas... pareceu-me tão sincero quando me contou tudo aquilo sobre a sua vida.
Ele não poderia estar mentindo, não sei o que fazer."
Escolheu um vestido azul-turquesa.
Vestiu-se, fez uma maquiagem leve e se olhou no espelho:
"Estou me sentindo bonita!
Essa cor de vestido realçou os meus olhos."
Desceu. Júlio a esperava no saguão.
Assim que a viu se levantou e foi ao seu encontro.
Sorrindo, disse:
— Você está se superando!
Sempre que te vejo está mais bonita!
Não sei por que ainda não me acostumei!
— Obrigada, você é mesmo um galanteador!
— Não costumo ser, mas não consigo me conter.
Acho que estou te amando mesmo!
Enquanto se encaminhavam para o restaurante, ela disse:
—Isso não pode ser verdade!
Como pode dizer que me ama, acabamos de nos conhecer!
— Nesta vida, mas e em outras...
Não teríamos nos conhecido e nos amado?
— Não acredito em outras vidas, uma só já é o suficiente!
Assim que entraram no restaurante, uma moça apontou a mesa em que deveriam sentar.
Quando chegaram junto à mesa, Júlio afastou a cadeira para que ela sentasse.
"Este homem é demais!
Ele não existe, estou sonhando!"
Sentaram-se.
Ela seguiu a sugestão dele e comeram lasanha, tomaram um bom vinho e conversaram sobre vários assuntos.
— Agora preciso ir -— ele disse assim que terminaram o jantar.
— Logo que chegar ao Brasil, não se esqueça de me telefonar.
Fique com o meu cartão, nele tem o telefone do meu consultório.
Marilda pegou o cartão, olhou e disse:
— O seu convite para viajarmos ainda está de pé?
— Você vai aceitar?
Não acredito!
Claro que está, e não pode imaginar como estou feliz!
—Estive pensando:
conhecer Veneza, Florença, sempre foi o meu sonho, tanto que esses lugares estão incluídos no roteiro da excursão, e só por causa disso eu a escolhi.
Mas sinto que, se conhecê-los com você, aproveitarei mais.
Você parece conhecer muito sobre essas cidades.
— Conheço mesmo!
Vou te levar a lugares que as excursões normalmente não vão.
Garanto que não vai se arrepender.
— Está bem, pensei bem e poderemos ir amanhã.
Só tem uma condição.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 23, 2017 9:22 pm

— Qual?
— Iremos como amigos e dormiremos em quartos separados.
Não o conheço o suficiente para maiores intimidades.
— Está certo.
Mas agora precisamos ir rápido até o aeroporto trocar o meu bilhete para domingo. Vamos?
Ele disse isso se levantando e dando a volta para afastar a cadeira em que ela estava sentada.
Ela também se levantou.
Estava feliz por ele e, principalmente, por ela mesma, que pela primeira vez em sua vida estava vivendo uma aventura.
Sorrindo, pensou:
"Não tenho o que perder.
Estou com idade bastante para entender que, apesar de tudo, de estar bem financeiramente e tranquila com a vida, nunca, na realidade, eu a vivi realmente.
Aquilo de ele dizer que a morte pode chegar a qualquer momento, embora eu sempre soubesse que era assim, nunca parei para pensar.
Não sei quando vou morrer, mas agora estou viva!
Ele é maravilhoso, por que não aproveitar?"
Saíram de lá e foram para o aeroporto.
Júlio teve que pagar pela troca do bilhete, mas nada lhe interessava; estava feliz, como há muito tempo não estava.
Ele sentia que havia conhecido a mulher da sua vida.
Depois do aeroporto, ele a levou a outro restaurante, onde havia uma pista de dança.
Dançaram, beberam vinho e conversaram muito.
Marilda estava feliz por tê-lo encontrado.
Era quase meia noite quando chegaram de volta ao hotel.
Combinaram que na manhã seguinte sairiam bem cedo.
Cada um, feliz, foi para o seu quarto.
Ela entrou no seu e, ao passar por um espelho que estava pendurado na parede, falou em voz alta:
— O que é isso dona Marilda?
O que está fazendo?
Enlouqueceu?
Tem certeza que é isso mesmo que quer fazer?
Sorrindo, foi em direcção à cama e se deitou.
Estava um pouco perturbada com tudo aquilo que estava acontecendo, mas não podia negar, estava feliz.
"Ele é um homem atraente e inteligente.
O que poderá me acontecer de mal nessa viagem?
E se ele for um psicopata?
Meu Deus! Eu não havia pensado nisso!"
Levantou, foi para o banheiro.
Precisava pensar e, para isso, nada melhor que uma banheira cheia e quente.
Ligou a torneira e colocou a banheira para encher.
Voltou ao quarto, abriu novamente uma das malas, tirou uma camisola e colocou sobre a cama, mas o seu pensamento não parava:
"Não! Ele não é um psicopata, tem um sorriso franco e uns olhos lindos.
Conversa muito bem e é coerente em tudo que diz.
A única coisa que me preocupou um pouco foi àquela história de vidas passadas, vida após a morte e amor à primeira vista.
Como pode ser isso?
Como alguém pode se apaixonar por outro sem nunca tê-lo visto antes?
Mas o que é isso que estou sentindo?
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 23, 2017 9:23 pm

E estranho, nunca senti antes.
Porque não consigo esquecer aquele sorriso, aqueles olhos?
Voltou para o banheiro.
A banheira já estava quase cheia, pegou alguns sais, colocou dentro e, com as mãos, começou a fazer espuma.
Em seguida, entrou, se ajeitou, colocou uma tolha sob a cabeça e ficou ali deitada, pensando em toda a sua vida e naquilo que estava acontecendo.
Após meia hora, levantou, tomou uma ducha e voltou para o quarto.
Colocou a camisola, se deitou pensando:
"Seja tudo que Deus quiser; se ele não for um psicopata... melhor ainda! -— sorriu.
— Com certeza terei bons momentos nessa viagem.
Agora, preciso dormir, já está passando da hora.
Amanhã vou realizar um sonho, conhecer Veneza!
Tomara Deus, que esse sonho seja bom."
Ajeitou o corpo na cama e a cabeça no travesseiro, fechou os olhos e adormeceu.
Pela manhã, Marilda abriu os olhos, estava ainda sonolenta.
Virou-se na cama, ajeitou a cabeça, fechou os olhos novamente, mas os abriu em seguida; olhou para o relógio, sentou-se assustada:
— Meu Deus é quase seis horas!
Estou atrasada!"
Correu para o banheiro, tomou um banho rápido, vestiu uma das calças e a blusa verde que havia comprado no dia anterior.
Estava passando a escova nos cabelos, quando o telefone tocou.
— Alô! — atendeu.
— Alô! Bom dia!
Está acordada?
— Bom dia! Estou, e quase pronta, estou descendo.
— Óptimo, estou te esperando aqui no saguão.
Desligou o telefone, olhou para o espelho.
Não tinha certeza, mas achava que ia viajar no carro que Júlio havia alugado, e era desportivo.
Sabia que ele tinha capota, só não sabia se Júlio ia abri-la.
Se isso acontecesse, seus cabelos voariam ao vento.
Foi até a uma das malas que continuavam abertas perto da cama.
Procurou e encontrou um lenço de cabeça que, por acaso, era verde um pouco mais claro que a blusa.
Colocou sobre os cabelos e olhou para o espelho.
Sorriu, dizendo em voz alta:
— Você está mesmo bonita!
Bonita não, maravilhosa!
Colocou tudo que estava espalhado pelo quarto nas malas, fechou-as e desceu.
Júlio, quando a viu chegando, não conseguiu disfarçar o seu encantamento e disse:
— Não quero ser repetitivo, mas você, hoje, está mais linda!
Ela apenas sorriu e pensou:
"Ele é realmente maravilhoso, não pode ser um psicopata."
Assim que chegou perto dele, disse:
— As minhas malas estão no quarto, só estou levando esta maleta com roupas para três dias.
Preciso deixar avisado ao guia da excursão que só voltarei no domingo.
Ontem, quando chegamos, não consegui encontrá-lo; eu sabia que ele levaria as pessoas da excursão a um passeio nocturno.
— Está bem, vamos até a recepção.
Preciso avisar que vou deixar o hotel agora, pois quando voltarmos irei directo para o aeroporto.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 23, 2017 9:23 pm

Vou pedir que fechem a minha conta e que guardem as minhas malas.
Para nossa viagem, também levarei só uma maleta.
Conversaram com o recepcionista.
Marilda escreveu um bilhete para o guia da excursão.
Pegaram as malas e saíram.
—Acho melhor que façamos essa viagem de trem, Marilda.
Alem de admirarmos melhor a paisagem, poderemos conversar sem que eu me preocupe com a direcção do carro.
O que acha?
— Estou em suas mãos, Júlio, sei que já veio muitas vezes até aqui e deve saber o que é melhor.
Eu apenas te seguirei e sinto que não vou me arrepender.
— Sendo assim, deixe por minha conta e te garanto que não vai se arrepender mesmo!
Vamos de trem!
Júlio devolveu o carro para a locadora e foram de táxi até a estação de trem.
A viagem começou e Marilda foi-se maravilhando com a paisagem, que passava rápida por seus olhos; disse:
— Esta paisagem sempre fez parte dos meus sonhos.
Sempre quis conhecer a Europa e, principalmente, Veneza, na Itália, que é conhecida como a terra do romance e do amor.
—Verá que realmente é.
Sei que ficará encantada!
Júlio ia lhe mostrando tudo.
"Já não estou mais preocupada em estar viajando sozinha com ele", pensava.
"Não sei como, mas eu tenho quase certeza que já o conheço de algum lugar, mas de onde será?
Não vou mais me preocupar, só quero ficar ao seu lado e ser feliz!"
Estavam viajando há mais de duas horas.
— Estamos quase em Florença, Marilda, poderíamos nos hospedar em um hotel, passarmos o dia aqui e amanhã seguirmos para Veneza.
Florença é uma cidade muito bonita, assim que entrar nela vai pensar que está na idade média ou na tela de um cinema.
O que acha?
— Tudo bem, estou em suas mãos, se achar que visitar Florença vale a pena, gostaria muito!
— Sei que vai adorar!
— Já me convenceu.
Vamos visitar Florença.
O trem parou em Florença, desceram.
Marilda se admirou com as construções, castelos e igrejas que via.
As ruas estreitas e calçadas com pedras.
Disse, emocionada:
— É realmente muito bonita!
— Não te disse?!
Florença foi uma cidade importante da Idade Média.
Vamos a um hotel que conheço, ele é agradável e aconchegante.
Depois sairemos para que conheça tudo.
Foram para o hotel, pediram dois quartos.
Depois de se acomodarem, Júlio disse:
— Agora, vamos sair.
Vou te mostrar alguns lugares, como a Catedral, o Fórum, castelos, monumentos e obras de arte.
Garanto que nunca viu coisa igual a não ser nos filmes.
Depois iremos almoçar.
Conheço uma cantina que serve uma comida maravilhosa.
Quero que esta viagem seja inesquecível para você.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 23, 2017 9:23 pm

— Já está sendo!
Claro que imaginei tudo isso, mas por mais que se imagine nunca se conseguirá chegar perto da realidade!
Sabe que, andando por essas ruas, posso até ver as damas antigas caminhando com seus vestidos armados, luxuosos, e com as suas sombrinhas coloridas enfeitadas com rendas largas.
— É isso mesmo que acontece com todas as pessoas que visitam Florença pela primeira vez.
Sem que se perceba, volta-se ao passado.
Isso tudo parece mesmo um sonho, ou melhor, é muito mais que um sonho!
Embora já tenha vindo aqui muitas vezes, sempre que volto não consigo deixar de me emocionar e me sentir deslumbrado.
Fizeram o planeado.
Depois do almoço, que Marilda adorou, passearam por toda a cidade.
À noite, foram a um restaurante dançante.
Marilda sentia-se voar.
"Não acredito que tudo isto esteja acontecendo.
Realmente é muito mais do que um dia eu sonhei.
Em meus sonhos, nunca pensei em ter ao meu lado um homem maravilhoso como este!
Quando eu contar para a Fernanda, ela não vai acreditar mesmo!"
Era quase meia-noite quando voltaram ao hotel.
Despediram-se e cada um foi para o seu quarto.
Embora, durante a dança, tivessem sentido que algo mais que uma amizade nascia, ficaram calados.
Um ficou com medo que o outro não gostasse, e não queriam estragar aquela viagem e a amizade que começava e parecia ser promissora.
Na manhã seguinte, após tomarem o café, saíram do hotel.
Pegaram o trem novamente e foram para Veneza, a terra do amor e do romance.
Novamente, Marilda se encantou pela paisagem e se deixou levar, por aquele sonho maravilhoso.
Assim que o trem parou e eles desceram, pegaram um grande barco, que os levaria ao centro de Veneza.
Júlio disse, entusiasmado:
—Este barco leva os turistas para o centro, onde se encontra toda a parte histórica.
Olhe ali! Aquele muro alto que parece um castelo é um museu e está aberto para visitação.
Vou te levar até lá.
Você verá a riqueza como viviam, e também os jardins, com suas árvores e uma fonte maravilhosa.
Como aconteceu desde que chegou a Roma, em Veneza, também, Marilda se encantou.
Durante a viagem naquele barco, pôde ver os castelos, catedrais, pontes e os canais.
Foram a um hotel conhecido de Júlio e pediram dois quartos.
O hotel era pequeno, por isso ficaram em quartos no mesmo andar.
Cada um em seu quarto, deixaram as maletas e voltaram rápido, não queriam perder tempo.
Júlio tinha muito para mostrar e Marilda para conhecer.
Em seguida, saíram do hotel.
Marilda estava deslumbrada.
A cidade, com suas ruas estreitas, era toda rodeada por canais, as pessoas iam e vinham em seus barcos; lá no meio, várias gôndolas com casais que pareciam apaixonados.
Nelas havia o gondoleiro e outro homem que tocava violino.
Marilda parou para olhar um dos casais que estava abraçado, ouvindo a suave canção.
Júlio percebeu que ela estava encantada; disse:
— Não quer dar um passeio de gôndola?
— Gostaria muito!
É um dos meus sonhos!
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 23, 2017 9:23 pm

— Sei que vai gostar e poderá realizar o seu sonho.
Quero que realize todos!
Marilda o seguiu sem nada dizer, estava feliz demais para falar ou simplesmente pensar.
Ele comprou os bilhetes, entraram na gôndola, que saiu mansamente e, em seguida, começou soar uma linda canção no violino.
Marilda fechou os olhos para ouvir melhor o som da melodia.
Júlio a abraçou.
Ela se assustou, abriu os olhos e encontrou os dele.
Ficaram calados, olhando-se.
Ele aproximou o seu rosto do dela, que não resistiu, e beijaram-se com paixão.
A princípio leve e suave, depois com calor e emoção.
Após o beijo, Marilda se afastou dizendo emocionada:
— Estou perdida...
— Não! Esse nosso encontro não foi casual, sinto que ele foi planeado no céu!
Encontrar-nos-íamos mais cedo ou mais tarde.
Estou muito feliz, e você?
—Eu também.
Não sei o que estou sentindo, só sei dizer que está me fazendo muito bem.
Será que isso é o amor?
—Tenho certeza que sim, pelo menos da minha parte.
Agora vamos terminar o nosso passeio, depois discutiremos o que fazer.
Por enquanto, aprecie a paisagem, as construções e essa música maravilhosa que está nos invadindo.
Ela, calada, encostou a cabeça no ombro dele e fechou os olhos.
Abriu-os novamente, olhou à sua volta para ter certeza de que estava realmente acordada, e não sonhando; pensou:
"Está feito, não tenho como negar, estou irremediavelmente apaixonada.
Talvez eu vá me arrepender, mas neste momento quero viver com intensidade este amor que demorou tanto para acontecer em minha vida."
Na gôndola, os dois homens sorriram.
Estavam acostumados a cenas como aquela, mas sempre se emocionavam.
O que estava tocando colocou mais sentimento na música, o que fez com que ela achasse ainda mais bonita.
Assim que a gôndola parou, eles desceram abraçados e caminharam felizes.
O amor os envolvia e eles aceitavam sem pensar nas consequências.
Não queriam pensar em nada.
Naquele momento, só interessava a felicidade que estavam sentindo.
Júlio disse entusiasmado:
—Agora vamos para a Praça de São Marcos.
Entraremos na igreja e você poderá apreciar a bela obra de arte que ela é.
Depois, iremos até a fonte, jogaremos uma moeda e faremos um pedido; não preciso te dizer que pedido farei!
—Que pedido fará?
Será o mesmo que o meu?
—Pedirei para ficar ao seu lado o resto da minha vida!
Não quero me separar nunca mais de você, Marilda.
—Não vale! Era isso mesmo que eu ia pedir!
—Um pedido duplo tem muito mais força! Vamos?
Entraram na igreja.
Como ele havia lhe dito, ela se encantou com a arquitectura e as obras de arte que viu.
Depois foram até a fonte.
Marilda começou revirar a bolsa para pegar uma moeda.
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Ave sem Ninho

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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 23, 2017 9:23 pm

Júlio, enquanto tirava algumas do bolso, disse:
— Você me dará uma moeda e eu te darei outra.
Assim o desejo terá mais força para ser realizado.
Marilda, sorrindo, concordou.
Antes de jogarem a moeda na fonte, ele a abraçou e beijou suavemente.
Ela estava encantada com tudo aquilo.
Sentia como se fosse uma adolescente e tivesse quinze anos, quando encontra o primeiro amor.
Assim que jogaram as moedas, continuaram caminhando abraçados.
Chegaram junto a uma cantina, entraram.
Era hora do almoço.
Almoçaram, tomaram vinho e se olharam profundamente; não falaram muito, pois nada precisava ser dito.
Após o almoço, continuaram andando pela cidade.
Visitaram muitas lojas e Marilda fez compras.
Viu um lindo aparelho de chá, feito da mais fina porcelana; disse:
— Ele é lindo!
Vou levar e presentear a Fernanda!
— Quem é a Fernanda?
— É uma amiga que está passando por um sério problema, mas sei que conseguirá superar.
Esse aparelho de chá é bem do estilo dela.
Gosta de manter a sua casa sempre limpa e bonita e é apreciadora de tudo que é bonito e caro!
Tenho certeza que vai gostar.
Disso tenho certeza.
Comprou o aparelho de chá, pediu que embrulhassem para presente.
Com a caixa nas mãos, continuaram andando abraçados e, de vez em quando, beijavam-se suavemente.
Estava anoitecendo.
Começaram a ouvir de vários pontos da praça músicas clássicas.
Marilda se admirou:
—De onde vem essa música? -— disse Marilda encantada.
—Aqui em Veneza existe uma espécie de disputa entre os bares que cercam a praça.
Artistas tocam músicas clássicas e os turistas andam de um lado para outro parando na frente dos bares.
Venha! Vamos andar um pouco e você verá como é.
Assim como os demais turistas começaram a andar de um lado para outro da praça e paravam um pouco na frente de cada bar, ouviam um pouco da música e seguiam para o próximo, até que resolveram entrar em um deles para jantar.
Comeram uma pasta como Marilda nunca havia visto ou comido em sua vida e tomaram vinho.
Saíram e continuaram por um bom tempo andando pela praça e ouvindo a música.
Já eram quase dez horas da noite, Júlio disse:
—Está na hora de irmos para o hotel, o sábado já está terminando.
Teremos só mais meio dia de amanhã para ficarmos juntos.
Amanhã à tarde precisamos voltar para Roma, pois o meu avião sairá à noite.
Vamos aproveitar bem o resto do tempo que nos resta para ficarmos juntos aqui.
Mas no Brasil nos encontraremos muitas vezes.
Nunca mais me separarei de você!
— Tem razão, quando se está feliz, o tempo passa muito depressa.
Também nunca mais quero me separar de você...
— Quando chegar ao Brasil vai me telefonar?
— Claro que sim!
— Estarei esperando ansioso!
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 23, 2017 9:24 pm

Pegaram as chaves, subiram as escadas, pois não havia elevador.
Enquanto subiam, Júlio a beijou com um pouco mais de ardor do que antes.
Estava feliz e disse:
—Estive pensando, não sei se vai concordar, mas gostaria de te acompanhar até o seu quarto.
Pode me convidar?
Ela olhou para ele, sentiu que não só o seu coração já era dele, mas o seu corpo também.
— Não sei se o que estou fazendo é o certo, mas é o que desejo neste momento.
Quer vir ao meu quarto?
Ele não respondeu apenas a beijou.
Ele abriu a porta e assim que entraram a pegou nos braços e nada mais pôde impedir que o amor fluísse.
Amaram-se com paixão e intensidade.
Dormiram abraçados.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 23, 2017 9:24 pm

De volta à realidade
Pela manhã, ao acordar, Marilda olhou para o lado da cama:
estava vazia e sentiu um aperto no coração.
Continuou deitada, pensando em tudo que havia acontecido.
Para ela, havia sido mais do que um sonho.
Temeu que, como nos sonhos, acordaria.
Ela havia se entregado a um desconhecido, não só o corpo.
Sabia que nunca havia sentido algo igual por alguém como sentiu por ele.
Com lágrimas nos olhos, pensou:
"Ele foi embora antes que eu acordasse, num sinal claro que tudo não passou mesmo de uma aventura.
Eu deveria estar brava, mas não estou.
Sou a mulher mais feliz deste mundo e preciso agradecer a Deus por ter tido, nessa altura da minha vida, a oportunidade de viver um amor tão intenso.
Um amor que demorou, mas chegou rápido e, da mesma maneira, foi embora".
Sentou-se na cama, olhou novamente para o lado.
"Quem sabe ele deixou algum bilhete; sabe que estou sozinha e que terei dificuldade para voltar a Roma.
Não, não deixou nenhum bilhete.
Ele não pode ter ido embora, seria muita falta de responsabilidade me deixar sozinha em um país que ele sabe ser estranho para mim."
Levantou, foi para o banheiro.
Abriu a torneira do chuveiro, precisava de um banho para despertar de vez e poder pensar com clareza no que faria se ele tivesse mesmo ido embora.
"Sempre fui muito centrada.
Nunca deixei que problema algum interferisse no meu trabalho.
Sempre soube o que fazer.
Nunca me desesperei, pois sempre acreditei que todo problema tem sempre uma solução." -— pensou, respirando fundo.
Sem que conseguisse controlar, lágrimas começaram a descer por seu rosto e depois correram em abundância.
Soluçava, fazia força para que fosse baixo, mas não conseguia.
"Sempre fui controlada e centrada, mas hoje, não estou conseguindo.
Por que ele fez isso comigo?
Eu não merecia!
Ele me pareceu tão honesto!"
Mesmo chorando, entrou no chuveiro, deixou a água cair por sou corpo.
Ela ainda podia sentir seus beijos, seus carinhos.
As lágrimas se misturaram com a água do chuveiro.
"Definitivamente, estou descontrolada.
Preciso me acalmar e ver se ele deixou alguma instrução na recepção.
Preciso me conformar que tudo não passou de um sonho e que foi lindo!
Agora, consigo entender melhor Fernanda.
Não é fácil perder alguém que se ama, muito mais ela, que esteve casada por tanto tempo, que entregou toda a sua vida para Antero.
Também, o que eu queria?
Sou mais velha que ele!
É bonito, charmoso e educado, pode ter a jovenzinha que quiser.
Como eu pude imaginar que ele gostaria de uma velha como eu?
Bem, preciso ir até a recepção."
Voltou para o quarto.
As roupas que usou no dia anterior estavam espalhadas pelo chão.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 23, 2017 9:24 pm

Pegou uma a uma, foi dobrando e colocando de volta na maleta.
A todo instante precisava parar para enxugar as lágrimas, que não paravam de cair por seu rosto.
Escolheu a primeira roupa que pegou para vestir.
Estava sentada na cama colocando os sapatos, quando percebeu a porta do quarto se abrindo lentamente.
Seu coração disparou:
A porta se abriu totalmente.
Júlio entrou, trazendo em suas mãos um enorme ramalhete flores de vários tipos.
— Você já acordou? -— disse feliz -— Que pena!
Queria te fazer uma surpresa, acordei cedo e sai à procura de uma floricultura; queria te dar rosas vermelhas, mas não encontrei.
Pensei que soubesse tudo de Veneza, mas pelo jeito não sei.
O rapaz da recepção foi quem disse onde eu poderia encontrar flores.
Queria voltar antes que você acordasse, mas não deu.
Ela o ouvia contar o que havia acontecido, mas não conseguia falar.
Agora, as lágrimas corriam com mais força ainda.
Ele se aproximou, entregou as flores e a abraçou.
Depois, afastou a sua cabeça.
Olhou em seus olhos, perguntando:
— Está chorando? Porquê?
Magoei-te de algum modo?
Ela, com as flores nas mãos, quase não conseguia falar; disse num sussurro:
— Não, você não me magoou...
Eu é que sou uma boba, você é maravilhoso!
Sei que não devia, mas te amo, Júlio!
—Não devia por quê?
—Pensei que tivesse ido embora e me abandonado aqui...
—Por que pensou isso?
—Acordei e você não estava mais na cama.
Pensei que tivesse ido embora.
Sei que sou mais velha que você e que pode ter a jovem que quiser...
—Como pode pensar uma coisa dessas?
Acreditou mesmo que eu te deixaria sozinha em um país estranho?
Desde que te conheci, estou tentando demonstrar de todas as maneiras que te amo e que quero viver o resto da minha vida ao teu lado!
Velha?! Quem disse que você é velha?
Isso é o que menos está me importando! -— continuou muito nervoso.
— Posso, sim, ter a jovem que quiser, mas não quero!
Você é uma mulher maravilhosa, inteligente, com quem eu posso falar sobre todos os assuntos!
Precisa acreditar que eu gosto realmente de você, que estou sendo sincero!
— Desculpe, mas, quando acordei e não te vi do meu lado, fiquei insegura...
Senti medo...
—Não te passou nem um minuto pela cabeça que eu tivesse acordado mais cedo e, para não te incomodar, saí do quarto?
Por que será que as pessoas, quando acontece algo que não estão esperando, a primeira reacção é pensar logo no mal?
Diga, quanto tempo ficou sofrendo e chorando por algo que só estava na sua cabeça?
Você me pareceu uma mulher inteligente, segura de si.
Por favor, não diga que me enganei a seu respeito.
Eu estou sendo sincero, preciso ir para o Brasil, tenho compromissos agendados, mas assim que você chegar lá vamos nos encontrar, nos conhecer melhor, e quero te apresentar a minha mãe e comunicar aos meus filhos.
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Re: A Vida é feita de Escolhas / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 23, 2017 9:24 pm

Sei que, assim como eu, gostarão de você e ficarão felizes ao verem a minha felicidade.
Por favor, hoje é o último dia que vamos ficar juntos aqui em Veneza, não o estrague com desconfianças.
Pensei em te fazer uma surpresa e quem me fez foi você.
—Desculpe, prometo que isso não vai se repetir.
É que tudo está sendo tão maravilhoso, que estou com medo.
Não estava pensando e nem preparada para encontrar alguém.
Já tinha me conformado de que ficaria sozinha para sempre.
Esta viagem era só para eu conhecer lugares que sempre sonhei em conhecer e, de repente, se transformou em algo tão espantoso.
Realmente, não estava preparada, mas não vai se repetir, juro.
— Está bem.
Para mim também foi uma surpresa.
Não fiz essa viagem para encontrar alguém.
Minha única intenção era participar do congresso, tomar conhecimento daquilo que o mundo científico tem para nos mostrar, levar para o Brasil e, assim, poder ajudar meus pacientes de lá.
Esse nosso encontro foi coisa do destino.
Por isso, vamos agora sair.
Vou te levar para conhecer lugares maravilhosos.
Depois do almoço, retornaremos para Roma e à noite, infelizmente, preciso ir embora, mas quando voltar para o Brasil vou te buscar no aeroporto.
— Não, por favor.
Combinei com Fernanda, aquela amiga que te falei.
Tive que deixá-la sozinha em um momento muito delicado e sei que ela está contando os dias para que eu volte.
— Está bem, também estou me oferecendo, sem saber se estarei livre quando você chegar.
Já tem o meu cartão com o número do telefone do consultório e do meu bipe.
Assim que chegar, me telefone ou bipe.
Combinaremos um encontro.
— Estive pensando, acho que não vou terminar a excursão.
Estou pensando em tentar mudar o meu bilhete e voltar com você.
—Nem pensar, Marilda!
Você ainda tem muito para ver.
Fique até o fim.
Aproveite, estarei te esperando.
Não esqueça de que é o sonho da sua vida que está se realizando!
Ela sorriu; aquele homem não existia.
"Como pude duvidar?"
— Está bem, vou ficar, mas pode ter certeza de que pensarei em você o tempo todo.
— Também estarei pensando e, como a sua amiga, contando os dias da sua volta.
Marilda foi até uma cómoda, pegou um vaso que estava com flores artificiais, e as tirou.
Encheu o vaso com água e colocou aquelas flores que Júlio havia lhe dado.
Beijaram-se e saíram.
Voltaram a caminhar pelas ruas estreitas de Veneza e foram até o museu.
A cada momento, mais ela se encantava.
Tudo aquilo era mesmo um cenário de filme.
Voltaram para a praça, não podiam se demorar mais.
O trem passaria às duas horas e precisavam almoçar e se preparar para a viagem de volta.
Marilda, embora estivesse vivendo aquele sonho, custava a acreditar.
Almoçaram, voltaram para o hotel e se amaram mais uma vez.
Pegaram as maletas, as flores e foram até o grande barco, que os levaria à estação para esperar o trem.
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