Sem medo de amar - Hermes / Maurício de Castro

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Re: Sem medo de amar - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 09, 2017 9:03 pm

Começou a chorar e, entre soluços, disse:
- Já que não quer abortar, vá embora agora desta casa.
Leve tudo o que é seu e, a partir de hoje, não é mais minha filha.
Esqueça que eu existo.
Minha filha era uma moça digna, honesta, estudiosa, e não uma qualquer que dorme com homens casados.
Nunca mais se dirija a mim.
Não pense que a deixarei em paz e jamais considerarei essa criatura que está em seu ventre como meu neto - deu uma pausa e prosseguiu.
- Diva, você também pode ir embora desta casa.
Não me considere mais sua tia, nunca mais me procure nem fale comigo.
Farei de tudo para destruir seu noivado e sua vida.
Você me traiu depois de tudo o que fiz.
Arrume também suas coisas e saia ainda hoje daqui.
Causa-me náuseas olhar para as duas.
Ia saindo quando Diva segurou com força seu braço.
- Agora que disse, também vai ouvir.
A senhora, dona Lúcia, nunca soube o que é ser mãe. Hortência foi para a senhora sempre um objecto, uma boneca que a senhora exibia para as pessoas e na qual projectava seus sonhos.
Ser mãe é renunciar, é ter amor incondicional, é apoiar nos momentos de dificuldade, é chorar e rir junto.
A senhora nunca soube o que é o amor de mãe, é amarga e infeliz e é também a última que poderia estar acusando e condenando sua filha desse jeito.
Não precisa me mandar embora, eu mesmo já ia sair daqui, e vou levar Hortência comigo.
Ela terá esse filho e ele será bem criado, bem educado, amado de verdade, mesmo que o pai não o assuma.
A missão de ser mãe é, talvez, a que mais exija renúncias, mas também é a mais sublime aos olhos de Deus.
A mãe que ama de verdade seus filhos, sem preconceitos, sem julgamentos, apenas cumprindo a missão que o Criador lhe confiou, entendendo-os, orientando-os, escutando seus espíritos, já está a um passo da libertação espiritual.
Um dia Hortência saberá a verdade, e eu espero que a perdoe.
Sua consciência não a deixará em paz, tenho certeza. Adeus.
Diva entrou para o quarto levando Hortência, que ainda chorava.
Rapidamente juntaram suas roupas e, enquanto faziam isso, conversavam preocupadas.
- Para onde vamos?
- Primeiro vamos para a casa de Mário.
Contarei a ele o que está acontecendo e nos dará abrigo pelo menos esta noite.
Depois temos de falar da sua gravidez para o Douglas e escutar o que ele tem a dizer.
- Temo pelo pior.
Não posso ficar desamparada neste momento.
- Eu sinto que Deus vai nos ajudar e nossos amigos espirituais também.
Douglas tem bom carácter.
Por mais que não se separe da Amanda, tenho certeza de que vai assumir esse filho.
O sonho dele era ser pai.
Lembro que a Tereza sempre dizia isso, e falava da insatisfação do filho por a mulher ser estéril.
Fique confiante.
- Eu o amo. Desejo que fique comigo.
Não quero apenas que assuma o bebé.
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Re: Sem medo de amar - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 09, 2017 9:03 pm

- Deixe o egoísmo de lado.
Ele só ficará do seu lado se quiser, se achar melhor a separação.
Não devemos forçar a separação de um casal.
Só eles, na intimidade, é que poderão fazer isso.
Hortência pensou um pouco e disse em voz baixa:
- Não sei como mamãe pode ser tão dura assim.
Tenho esperanças de que volte atrás.
Sinto que esconde um segredo e você sabe do que se trata.
- Não sei ao certo - mentiu Diva.
E, mesmo se soubesse, não iria dizer, cabe só a ela esclarecer o passado e a origem de seu pai.
- Ele morreu, não é?
- Sim. E isso é tudo o que sei.
- Não quero saber dele.
Se deixou minha mãe sozinha e me rejeitou é porque não presta.
- Sua mãe nunca foi de fácil temperamento.
Você está com esperanças de que ela mude e volte atrás, mas isso não irá acontecer.
Para sua mãe, você foi uma decepção, e conhecendo-a como conheço, não vai perdoá-la.
Acho até que vai infernizar nossa vida.
- Mas ela é mãe.
Tem de entender.
- Nem todas as mulheres são mães, apesar de terem dado vida a uma criança.
A arte de ser mãe está no espírito.
Sua mãe não tem essa arte, nem quis aprendê-la.
- Mas e o famoso instinto materno?
- A natureza o fez, mas há espíritos tão endurecidos que anulam esse instinto com o poder mental.
Isso acontece quando reencarnam em ambos os sexos.
Agora vamos terminar logo com isso e sair daqui o quanto antes.
Continuaram arrumando tudo e, uma hora depois, saíram do quarto.
Na sala encontraram Gustavo, Aída e Lúcia cujos olhos brilhavam com cinismo.
- Para onde vão as duas sem-tecto?
- Adeus, tia. Ainda vamos nos cruzar, pois esta cidade é pequena, mas espero que em outras circunstâncias.
Não quero seu mal.
- Não haverá outra circunstância.
Amanhã mesmo procurarei meu irmão e vou dizer certas coisas a seu respeito.
Garanto que não a deixará mais ficar na cidade.
- Como pode ser tão cruel?
Não vê que estou ajudando sua filha?
- Minha filha morreu hoje.
E você morreu junto.
Saiba que farei de tudo para tornar a vida das duas um inferno.
Agora saiam daqui.
Hortência balbuciou:
- Adeus, mãe.
Lúcia virou as costas, levantou-se e saiu.
Gustavo olhou para as duas e balbuciou:
- Lamentável tudo o que aconteceu, ofereço-me para levá-las aonde for necessário.
- Não precisa, eu as levarei - era a voz forte de Douglas, que acabava de entrar.
Hortência correu a abraçá-lo e ambos se beijaram.
- Vamos, meu amor, eu as levarei.
- Não sem antes falar comigo - era Lúcia, que, ao ouvir a voz de Douglas, acabava de retornar ao recinto.
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Re: Sem medo de amar - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 09, 2017 9:03 pm

- O que a senhora deseja, dona Lúcia?
- Isto!
Foi muito rápido e Lúcia deu dois tapas no rosto de Douglas, depois disse:
- Um é por você, o outro é por Tereza, que não soube educá-lo.
Douglas, completamente desconcertado perante a situação, ficou sem saber o que fazer.
Diva o tirou do torpor:
- Vamos. Aqui não é o melhor lugar para você.
Todos saíram, deixando apenas Aída, Gustavo e Lúcia, que naquela mesma noite começaram a tramar planos de vingança contra os três.
Aída sentia ódio de Hortência desde pequena, Gustavo julgava que a amava e, por isso, tinha de separá-la do outro, e Lúcia julgava ter sido afrontada em seu orgulho, ferida em seus sentimentos maternos e que não deveria deixar passar em branco.
Sombras escuras de espíritos das trevas passaram a fazer parte da vida daquele pequeno grupo, aumentando, assim, os sentimentos negativos que já sentiam.
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Re: Sem medo de amar - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 09, 2017 9:04 pm

20 - AMPARADA PELO AMOR
Já no carro, apesar de receber todo aquele apoio, Hortência não estava se sentindo nada à vontade.
Diva também demonstrava não estar gostando daquela situação, e questionou:
- Para onde estamos indo?
- Vamos para o hotel, a princípio, depois vamos ver como ficam as coisas.
Depois de tudo o que soube e do que presenciei em casa não posso mais permanecer ao lado de Amanda.
Durante o tempo em que convivemos, fiz grande esforço para que a relação fosse a melhor possível, mas depois que descobri que não a amo não dá mais, preciso ser sincero - tornou Douglas com voz forte.
Hortência sentiu muita alegria naquele momento.
Apesar de saber que estava sendo a causa indirecta de uma separação, não podia controlar seus sentimentos.
Tinha certeza de que, dali em diante, iria ser a mulher mais realizada do mundo.
No entanto, ali no carro não era hora de falar sobre a gravidez.
Diva tornou preocupada:
- Você sabe como é esta cidade, amanhã todos estarão comentando.
Não sei se é bom irmos para o hotel.
Sua mulher é temperamental, por pouco não assassinou Hortência, e seu sogro é uma pessoa perigosa e influente.
Não podemos estar correndo esse risco.
A tia Lúcia rejeitou a filha e eu agora me sinto como mãe, por isso peço que, se não tiver intenções sérias com Hortência, partiremos amanhã mesmo.
O amor de vocês pode ser bonito, sei que não traíram com má intenção, mas o amor exige responsabilidade, dedicação e respeito.
É comum um casal entrar em crise depois que se descobre uma traição, mas pouco tempo depois o homem volta correndo para os braços da esposa e deixa a amante de lado.
Não quero isso para Hortência, ela é jovem e tem tudo pela frente, não deixarei que viva na ilusão de um homem que nunca poderá correspondê-la integralmente.
Douglas ficou tocado com a preocupação de Diva e a tranquilizou:
- Meu casamento já estava acabado havia muito tempo, não vou voltar para Amanda e pretendo assumir o meu novo relacionamento.
Por isso estou levando-as para o hotel.
A partir de hoje passarei a viver lá com minha verdadeira mulher.
Hortência ao lado, emocionada, segurava sua mão.
Chegando ao hotel, ambas entraram e foram instaladas.
Diva acomodou-se logo e o casal pôde ficar a sós.
Após beijarem-se longamente e com emoção, Douglas tornou:
- Não pude acreditar que Amanda teve coragem para fazer o que fez.
Você agora poderia estar morta e eu não teria mais motivos para viver.
Ela se enterneceu:
- Foi tudo muito rápido, mas, apesar do que aconteceu, achei melhor assim.
Minha mãe ficou sabendo a verdade e pude me sentir livre.
Não aguentava mais ter de esconder minha relação para ela e para os outros como se fosse uma criminosa.
Eu te amo e não acho que precise me envergonhar disso.
- Eu também a amo como nunca amei ninguém.
Minha avó disse-me há muito tempo que um dia eu encontraria o amor de minha vida e que era errado me casar com Amanda.
Naquele tempo você era criança e eu não acreditei no que ela me disse.
Estava apaixonado e achava que era amor.
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Re: Sem medo de amar - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 09, 2017 9:04 pm

Hoje sei que amor é o que sinto agora, essa calma, essa brandura, essa ternura.
A paixão só faz mal.
Hortência estava imensamente feliz por tudo o que ouvia e achou que era o momento de revelar que estava grávida.
Silenciou durante alguns minutos, olhou profundamente para Douglas, e revelou:
- Descobri que estou grávida.
Você vai ser pai.
Os olhos de Douglas brilharam com emoção.
Teria escutado direito?
- O que disse?
Desculpe, parece que estou sonhando.
Ela, olhos brilhantes de emoção, repetiu:
- Isso mesmo.
Estou grávida e você vai ter seu primeiro filho.
Quer felicidade maior?
Douglas deixou que lágrimas escorressem de seus olhos castanhos.
Num gesto bonito, tirou a blusa de Hortência e começou a beijar seu ventre.
Seu maior desejo era ser pai e o céu estava lhe dando essa chance.
De repente, esqueceu tudo o que havia ocorrido naquele dia e, emocionado, entregou-se ao amor que pulsava em seu coração.
No entanto, por consequências de um passado não muito distante e pelas ondas de pensamentos de culpa que carregavam, Douglas e Hortência teriam ainda de passar por provações muito fortes naquela encarnação, que serviriam para reajustá-los com o passado e fazê-los dar um passo a mais na senda da evolução.
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Re: Sem medo de amar - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 09, 2017 9:04 pm

21 - PLANO DE VINGANÇA
Enquanto isso, Amanda, na casa dos pais, chorava de ódio.
Nunca poderia imaginar que Douglas pudesse ir correndo atrás da amante deixando-a só.
Seu pai, porém, dessa vez não a apoiou.
Enquanto ouvia seus gritos e choros, bradava colérico:
- A culpa foi sua, não teve competência para segurar o marido, agora que fique só.
Estela, horrorizada, protestava:
- Não posso acreditar que você está do lado dele e não do de sua filha.
Como pode deixá-la sem apoio num momento desses?
Que tipo de pai você é?
O velho Edionor olhava as duas rancorosamente.
- Cale-se, mulher!
A culpa também foi sua, por não ter ensinado à nossa filha como se segura um casamento.
Se Douglas procurou fora, é porque não estava satisfeito com o que tinha em casa.
E é claro que vou apoiá-lo.
Noutros tempos, a essa hora, ele estaria comendo capim pela raiz, mas meu genro se mostrou um homem de minha inteira confiança, é honesto, posso deixar qualquer propriedade minha em suas mãos com tranquilidade.
Azar de nossa filha se não conseguiu manter o marido por perto.
Virando-se para Amanda, que chorava desconsolada atirada num sofá, continuou:
- Não pense que com essa cara vai me comover a ponto de ficar do seu lado.
E, se continuar assim, é melhor ir para a sua casa.
Sua mãe e eu estamos velhos para aguentar esses fricotes, saiba que amanhã mesmo vou procurar Douglas e dizer que tem meu total apoio.
Ele é hoje, para mim, mais que um genro, é um amigo do qual não posso prescindir.
Amanda, com ódio surdo, gritou:
- O senhor vai se arrepender pelo que está fazendo, eu juro!
Isso não vai ficar assim, não deixarei que aqueles dois vivam em paz e não darei o divórcio.
- É bom saber que, se tentar algo contra Douglas e Hortência, serei o primeiro a defendê-los.
O homem tem o direito de ter outra mulher quando quiser.
Não quero me opor com ele, e você será obrigada a dar o desquite.
Se isso não acontecer, Douglas vai partir para o litigioso, e eu estarei ao lado dele.
- Como o senhor pode ser tão duro comigo?
Afinal, sou sua filha, eu!
- Já disse minha última palavra.
Dizendo isso, Edionor retirou-se, deixando mãe e filha sozinhas na sala.
Estela não conseguia crer que o marido tivesse tomando aquela atitude.
- Filha, acalme-se.
Seu pai não deve estar bem, tenho certeza.
Ele ficou possesso quando soube que você pegou uma das armas dele e tinha a intenção de matar sua rival.
Amanda trincou os dentes:
- Era isso mesmo o que ia fazer.
Ia não. Eu vou, ninguém pense que a deixarei viva para que usufrua do meu marido e tenha um filho com ele, coisa que nunca pude oferecer-lhe.
Estela, assustada, pediu:
- Esqueça. Se você se tornar uma assassina, perderá a paz, será presa.
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Re: Sem medo de amar - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 09, 2017 9:04 pm

- Esqueceu que temos dinheiro e que quem é rico neste país nunca fica preso?
Ora, mamãe.
- Você não tem dinheiro algum.
Não quis continuar os estudos, não fez nenhum curso superior e seu pai não iria apoiá-la.
Conheço meu marido, quando toma uma decisão, vai até o fim.
Você só se daria mal.
A voz de Amanda estava rouca quando disse:
- Parece que todos aqui estão contra mim.
Mas sei de um lugar onde sou amada e tenho certeza de que me darão apoio.
Não fico nesta casa nem mais um minuto.
- Filhinha, espere!
Amanda saiu como um furacão, deixando a mãe a chamá-la inutilmente.
Entrou em seu carro e dirigiu-se à casa de Fernando.
Lá chegando, foi recebida com carinho pelo amante, que a beijou com sofreguidão.
Ela se sentiu segura, amparada, tinha certeza de que Fernando a ajudaria na vingança contra os dois.
Foram para a cama.
Depois de se amarem com intensidade, ela desabafou:
- Não aguento mais ficar sem apoio.
Estou me sentindo muito só.
Só você pode me ajudar.
Os olhos verdes de Fernando brilharam de prazer.
Era isso o que mais queria, ver aquela mulher que amava em seus braços, perdida, insegura, pedindo-lhe ajuda.
Falou com voz que a paixão enrouquecia:
- Fique certa de que sempre estarei ao seu lado.
Acho também que aqueles dois têm de pagar pelo que fizeram a você.
- Só você mesmo para me entender.
Não posso deixar isso passar em brancas nuvens.
Fui muito humilhada.
Todos na cidade sabem que fui traída.
Preciso lavar minha honra e será com sangue!
Você precisa me ajudar a matar aquela mulherzinha cínica e vulgar.
Não posso deixá-la viva, muito menos esse bebé nascer.
Fernando parou um pouco para pensar.
Não desejava se envolver num assassinato.
Se Hortência morresse, logo iriam suspeitar de Amanda e ele, como cúmplice directo, também seria penalizado.
Para que estragar sua vida por causa de um capricho?
- Pense bem, meu amor.
Não vale a pena que suje suas mãos com uma mulher dessas.
Devo lembrá-la que você também trai seu marido, ou já esqueceu?
Ela pensou e respondeu:
- Sim. Mas não posso comparar os dois casos, são completamente diferentes.
Uma mulher traída é vítima de falação alheia, as pessoas nunca terão por mim o mesmo respeito de antes.
Fernando parecia estar meditando, depois disse:
- Tenho um plano.
Se você aceitar, poderemos realizá-lo e ninguém vai nos alcançar.
Ela ficou curiosa.
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Re: Sem medo de amar - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 09, 2017 9:04 pm

- Que tipo de plano é melhor do que matar ela e o bebé?
- Tenho outro muito melhor.
Serei sincero com você.
Seu marido não a ama mais.
Mesmo que Hortência morra, não voltará para os seus braços.
Um crime desses numa cidade pequena é de fácil resolução para a polícia, logo você estaria atrás das grades e Douglas jamais a perdoaria por isso.
Você não tem nenhuma saída a não ser a que vou lhe propor.
Você se vinga dos dois e ainda sai levando vantagem.
- Conte-me logo.
- Farei isso, mas quero que saiba que nem Rose deverá saber de nada.
Deverá fingir até o último dia.
Fernando, então, começou a narrar seu plano sórdido de vingança que o favoreceria, e quanto mais narrava mais inspiração parecia ter.
Ele ignorava que estava sendo auxiliado directamente por espíritos perversos e vingativos do astral inferior.
Ao passo que o ouvia, o rosto de Amanda ia se enchendo de alegria.
Como não pensara naquilo antes?
Era um plano mais que perfeito.
Seria uma maneira até de se vingar do pai, que não ficou do seu lado naquele momento.
Continuou a escutar ávida por conhecer como seria o desfecho.
Quando Fernando terminou, ela estava maravilhada.
Seria uma vingança fria, calculada ao extremo.
Após dizer tudo, Fernando aconselhou seguro:
- Você não vai procurar Hortência, vai fingir que aceitou a situação e deixará que vivam felizes.
- Depois de tudo o que ouvi, tenho mesmo de fazer isso, ou então suspeitariam do que eu irei fazer.
- Isso mesmo. Seja esperta.
Estarei sempre ao seu lado, mas para isso é preciso controlar sua raiva e passionalidade.
Tudo em prol do que faremos em breve.
Amanda riu sarcasticamente e concordou com Fernando.
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Re: Sem medo de amar - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 09, 2017 9:05 pm

22 - CONHECENDO A DOUTRINA CONSOLADORA
No outro dia, pela manhã, Edionor foi visitar o genro no hotel.
Encontrou-o com Hortência no escritório.
A moça, ao vê-lo, ficou temerosa e ele, percebendo, tranquilizou-a:
- Não tenha receio, não quero lhe fazer nenhum mal.
Vim apenas para conversar com Douglas.
Em particular.
Hortência sentiu-se aliviada e saiu voltando a recepção.
Decidiu que não iria deixar de trabalhar e, mesmo enfrentando o olhar sarcástico das pessoas, decidiu que não iria se deixar abater.
No escritório, Edionor olhou ternamente para o genro, que sustentou o olhar.
- Douglas, não vim para acusá-lo nem exigir-lhe nada.
Admiro sua coragem em assumir outra mulher.
Minha filha não soube cativá-lo, mantê-lo ao lado dela como deveria uma esposa.
Vim dizer que hoje você é mais que um filho para mim e que estarei do seu lado.
Os olhos de Douglas se encheram de lágrimas.
- Confesso que esperava outra reacção do senhor.
Agradeço pelo apoio.
Sua filha vai fazer de minha vida com Hortência um verdadeiro inferno.
Não quis, de forma alguma,
machucar ninguém.
Mas o amor surge e não temos como frear esse impulso.
Prefiro ser sincero.
Já não estava feliz deixando uma mulher traída e submetendo outra a uma relação que todos julgam criminosa.
Edionor, olhos perdidos no tempo, balbuciou:
- Como eu queria ter tido sua coragem há alguns anos...
- Como disse, senhor?
Vendo que tinha dito o que não devia, Edionor disfarçou:
- Nada. São apenas lembranças.
Quero dizer que meus negócios continuam em suas mãos.
Nada vai mudar.
E sua comissão, como sempre, será a mesma.
Um abraço provou que Edionor tinha realmente mudado e estava ao lado do genro.
De repente, um grito forte e agudo interrompeu aquele terno momento.
- Mãe? O que é isso?
Tereza, olhos esbugalhados, coração aos saltos, abraçou o filho dizendo chorosa:
- Afaste-se desse homem asqueroso. Afaste-se!
Edionor, tomado também pelo susto, entendeu de pronto o porquê de Teresa reagir daquela maneira.
- Acalme-se, mãe.
O senhor Edionor veio justamente me dizer que está do meu lado, que tudo vai continuar como sempre entre a gente.
Teresa estava descontrolada:
- Esse homem não presta, vai lhe fazer muito mal.
Meu filho, suma desta cidade, já que fez a besteira de trair sua mulher com a filha de minha melhor amiga, suma daqui.
Não confie em Edionor, ele é traiçoeiro e mau.
Você pode perder a vida.
Edionor sabia que Teresa falava guiada pelo que houve entre os dois no passado.
Como apagar aquele facto?
- Teresa - disse calmo.
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Re: Sem medo de amar - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 09, 2017 9:05 pm

Já não sou o homem que você conheceu naquele tempo.
Seu filho demonstrou ser digno de minha total confiança, é muito bom, foi corajoso no que fez.
O mais cómodo seria voltar para minha filha e deixar Hortência
de lado e grávida.
Mas não.
Seu filho mostrou que é um verdadeiro homem, e eu vim aqui hoje justamente para lhe dizer isso.
Controlando o choro e limpando o rosto com as costas das mãos, ela pareceu serenar.
- De qualquer forma, não quero mais meu filho aqui.
Sua filha é uma cobra, nunca vai deixá-lo ser feliz.
Olhou para Douglas e suplicou:
- Vamos todos embora.
Esta cidade nunca nos deu alegrias, olhe só o que Lúcia fez comigo.
Todos notaram sinais vermelhos na face de Teresa. Douglas preocupou-se:
- Mãe, o que foi isso?
- Minha melhor amiga, aquela de quem sei todos os segredos e compartilhamos muita coisa boa juntas ao longo da vida, foi até minha casa e me agrediu.
Deu-me dois tapas no rosto, dizendo que não soube educar você, que o ensinei a ser um homem vulgar.
Discutimos, mas eu também revidei.
Ela saiu com o rosto mais vermelho que o meu. - Deu uma pausa e olhou súplice para o filho:
- Como você pôde fazer isso?
A menina Hortência era uma jovem com tudo pela frente!
Você é um homem casado.
Eu sempre o ensinei a ter respeito pelas pessoas.
Onde você colocou tudo o que aprendeu comigo?
- Mãe, eu amo a Hortência.
Vocês falam como se eu fosse algum irresponsável.
Ela tem tudo pela frente sim, e terá ao meu lado.
A partir de agora ela é minha esposa.
- E eu estou de acordo com o Douglas.
Minha filha sempre foi mimada.
Confesso que errei muito na criação dela.
Teresa estranhou:
- Realmente, não estou vendo o mesmo homem de sempre.
Mas não pense que me engana.
Você pode enganar meu filho, mas não a mim.
Não acredito em uma mudança tão brusca e repentina.
- Teresa, tente entender.
Douglas passou a ser, para mim, meu braço direito nos negócios, passei a tê-lo como um filho.
Já não posso mais tocar minhas propriedades sem a ajuda dele, que se revelou um excelente administrador.
Não nego que não mudei, mas com Douglas meu coração amolece.
Gosto mais de seu filho do que a senhora pode supor.
Teresa corou.
E se Edionor soubesse a verdade?
Verdade essa que ela e Leontina escondem por tanto tempo?
O destino era mesmo implacável, pensava ela.
- Filho, quando sair daqui quero que vá até minha casa, você e Hortência.
Precisamos conversar.
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Re: Sem medo de amar - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 09, 2017 9:05 pm

- Estaremos lá.
Teresa saiu e ainda deixou Edionor com o filho.
- Eu também estou de saída.
Temos uma viagem programada para quarta-feira.
Ainda que ser meu parceiro?
- Claro, seu Edionor.
Com muito prazer.
Ambos se abraçaram mais uma vez e Edionor finalizou:
- Farei de tudo para que Amanda não atrapalhe a sua nova vida.
Conheço aquela ali como a palma de minha mão.
Sei como fazê-la parar.
- Agradeço por tudo que está fazendo por mim. Saberei recompensar.
Após se despedir, Edionor passou pela recepção e não deixou de observar Hortência.
Realmente era uma jovem encantadora, entendia por que o genro havia se apaixonado e tido a coragem que ele não teve há mais de vinte anos.
***
Hortência ficou mais aliviada ao saber o real motivo da visita de Edionor.
Após conversar com Douglas, ela estava de volta ao saguão.
Mónica não escondia sua inveja:
- Acho que vocês ainda vão sofrer muito com tudo isso - comentou maliciosa.
- Às vezes penso que não deseja minha felicidade e não é tão amiga quanto parece - rebateu Hortência.
Mónica corou e tentou se justificar:
- Não é isso, mas é que acho muito complicado um romance com um homem casado, pior com a mulher que ele tem.
Digo isso pelo seu bem, pela sua felicidade, preocupo-me com você.
O velho Edionor acabou de sair, deve ter vindo pedir satisfações ao genro.
- Não precisa se preocupar comigo.
Se houver problemas, saberemos enfrentar.
Nos amamos de verdade, e é isso o que mais importa e, se quer saber, o ex-sogro dele veio para dar apoio a nossa união.
A outra abriu a boca e fechou-a novamente de espanto.
- Não posso crer.
- Pois creia, o senhor Edionor tem Douglas como um filho e só quer a felicidade dele, e se está junto a mim ele o apoia.
- Você tem muita sorte, hein?
A conversa foi interrompida com a chegada de Diva.
Hortência logo notou, pelo seu semblante, que alguma coisa séria havia ocorrido.
- Tia, você está bem?
- Precisamos conversar.
Assim que puder, me procure no quarto.
- Posso sair agora, o hotel está com pouco movimento e tenho certeza de que Mónica não vai se opor em ficar sozinha durante alguns minutos.
Sinto que alguma coisa negativa aconteceu.
As duas saíram, deixando Mónica enraivecida, achando-se inferior.
Já no quarto que Douglas reservara para a tia de Hortência, as duas conversavam:
- Fui demitida hoje - disse Diva com ar triste.
- Por que isso aconteceu?
Você é uma óptima professora, carinhosa, dedicada, todos os pais a elogiam.
Dulce, a directora, sempre a teve em alta conta.
- Será que você nem imagina o que aconteceu?
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Re: Sem medo de amar - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 09, 2017 9:05 pm

Pensando um pouco, Hortência respondeu com ar de incredulidade:
- Tem o dedo de minha mãe nisso?
- Sim. Foi tia Lúcia quem exigiu que eu fosse demitida.
Foi ela quem pediu essa vaga para mim na escolinha, e como é muito influente, foi lá hoje pela manhã e ameaçou a Dulce, dizendo que poderia levar sua escola à falência caso eu não fosse demitida.
- E por que a Dulce cedeu?
- Você sabe que a escolinha está apenas começando.
Tia Lúcia é tida como a professora exemplo da cidade por ter nível superior e leccionar em duas universidades.
Dulce foi sincera comigo, disse que não estava fazendo aquilo por querer, mas sim porque estava sendo chantageada.
Tia Lúcia prometeu falar com todas as mães que têm seus filhos matriculados na escola e fazê-las retirá-los de lá.
Dulce não teve alternativa, a não ser ceder.
Os olhos de Hortência brilharam de raiva.
Nunca sentira tanto ódio de sua mãe como naquele momento.
Se ela quisesse ferir alguém, que fosse ela, a única responsável por tudo, e não Diva, que nada tinha a ver com a situação.
Resolveu de repente:
- Vou procurar minha mãe e pedir que pare de nos perseguir.
Não é justo o que está fazendo.
Diva segurou-a pelo braço, dizendo com firmeza:
- Não faça isso!
Sua mãe é insensível e não vai ouvi-la, muito menos vai deixar que entre novamente em sua casa.
Temos de ir embora desta cidade.
Aqui nunca teremos paz.
Já falei com meu noivo, Mário, e ele concorda que poderemos morar em Pedra Bonita.
Está disposto a se casar comigo.
Mas eu ainda acho Pedra Bonita muito perto, é lá que sua mãe trabalha, o melhor seria irmos para Belo Horizonte.
- Não, tia. Não podemos viver como duas fugitivas.
Temos de encontrar uma saída.
Vou falar com Douglas.
Diva deu de ombros:
- Ele não poderá fazer nada.
Ainda teremos de enfrentar a ira da família de Amanda.
Peço a você que convença o Douglas a ir com a gente.
- Isso é impossível.
A vida do Douglas está aqui.
Este hotel, o trabalho que faz com o senhor Edionor. Não.
Ele não poderá ir embora e nem eu quero que seja assim.
Não estamos cometendo nenhum crime.
Devemos permanecer.
Por um instante, Diva calou-se.
Hortência poderia ter razão.
Onde estava a fé que ela aprendera com o Espiritismo?
- Eu estou muito tensa.
Desde aquele dia, não consigo parar de me preocupar com você e com essa criança que espera.
Temo por vocês.
- Não precisa temer.
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Re: Sem medo de amar - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 09, 2017 9:06 pm

A senhora sempre me ensinou a ter fé nos momentos difíceis.
Então, a hora de ter fé é agora.
- Tem razão. Mas estou sem emprego, sem ter onde trabalhar e como me manter.
Não posso aceitar viver aqui às custas de Douglas.
Mesmo que me case, quero ter um trabalho, ser útil.
- Vou falar com Douglas.
Aqui pode estar precisando de alguém.
Quem sabe ele não te encaixa?
Hoje iremos à casa da mãe dele, a dona Teresa.
Ela quer conversar connosco.
Diva sorriu, enquanto disse:
- Teresa é uma boa alma, você vai adorar conhecê-la.
Fiquei sabendo que ela e sua mãe brigaram, romperam de vez.
Tia Lúcia vai terminar sozinha. Teresa era a única que a aturava.
Hortência retorquiu:
- Não sei o que ela tem a nos dizer.
Entrou aqui hoje muito nervosa.
Temo que não aprove a decisão do filho e seja mais uma a lutar contra.
- Nada disso. Teresa ama Douglas de verdade, e mãe que ama entende e respeita as opções dos filhos.
De repente, Hortência mudou o semblante e, encostando-se mais à tia, falou:
- Esta noite tive mais uma vez a mesma visão.
- Seus pressentimentos voltaram?
- Creio que sim.
Acordei no meio da noite e, ao abrir os olhos, vi à minha frente um bebé chorando muito.
O engraçado é que a criança não tinha nem um ano e, mesmo assim, já gritava pelo meu nome.
Foi uma cena nítida.
Será que vou perder meu filho?
Diva pensou um pouco.
- A premonição pode não ser para você, e sim para algum conhecido.
Não se impressione.
- Não, tia, não quero me enganar.
O bebé gritava por mim. Aprendi com a senhora que as premonições vêm para que possamos vibrar pelos envolvidos.
Quero que a senhora ore muito por mim e pelo meu filho.
Estou com medo.
Diva tentou tirar aquelas ideias da mente de Hortência.
- Vamos vibrar e nada de mau vai acontecer.
Eu sinto que é hora de você estudar a mediunidade, pois a sua está novamente voltando.
É preciso estar equilibrada para não sintonizar com energias ou espíritos inferiores.
- Nunca me interessei por estudar o Espiritismo, mas sinto que vou precisar muito dele.
Além dessa visão, eu tenho uma sensação nítida de que aquela mulher vai me fazer um mal muito grande.
- Não fique alimentando isso.
O mal só entra em nossa vida quando deixamos a porta aberta.
É preciso ficar sempre alerta no bem, no pensamento positivo, na crença de que tudo acontece sempre certo e para o melhor.
Se você não alimentar essas ideias negativas e procurar orar, tenho certeza de que nada vai lhe acontecer de ruim.
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Re: Sem medo de amar - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 09, 2017 9:06 pm

Hortência adorava conversar com a tia, mas às vezes não concordava com algumas ideias suas, por isso questionou:
- Eu e a senhora nunca fizemos o mal a ninguém, vivíamos no bem e olha só o que está acontecendo.
Como explicar isso?
- Muitas vezes, o que chamamos de mal é apenas as leis divinas trabalhando em nosso favor, em favor da nossa recuperação e redenção espiritual.
Além do que toda acção tem sua reacção correspondente.
Você se envolveu com um homem casado, ele terminou um casamento de anos, é natural que passe por essas turbulências.
Eu a apoiei, minha tia julgou-me traidora.
Como vê, estamos passando pela reacção dos nossos actos.
- Quer dizer que estamos sendo castigadas?
- Não. Deus não pune nem castiga, só dá a cada um os resultados da sua semeadura para que possamos aprender a viver bem, adquirir lucidez, evoluir e aprender a respeitar as leis do universo.
De todo esse sofrimento que nós mesmas escolhemos com nossas atitudes vai sair um bem.
Nós escolhemos o mal, mas Deus, em sua infinita misericórdia, nos dá o remédio, muitas vezes amargo, mas é a partir dele que vamos nos curar e voltar ao seu aprisco.
As duas estavam tão entretidas na conversa que não viram Douglas entrar.
- O que mãe e filha conversam com tanto interesse?
Hortência correu a abraçá-lo e, beijando-o, disse:
- Conversávamos sobre a vida.
E você? Já sentiu minha falta com tanta rapidez? - perguntou carinhosa.
- Também, meu amor - disse ele com voz grave.
É que hoje teremos de ir à casa de minha mãe, esqueceu?
Já passa das seis.
- Nossa, me esqueci. Vou me preparar.
Hortência saiu deixando Diva e Douglas no quarto.
Ele sentou-se na cama e comentou:
- Aposto que estavam falando em espiritismo.
- Também. Falávamos sobre a vida.
- Sinto vontade de conhecer essa filosofia, vou pedir para você me dar umas aulas.
Diva sorriu, adorava Douglas desde menino.
- Com prazer.
O Espiritismo é uma filosofia abençoada que só tem feito feliz quem dele se aproxima.
Sem querer fazer proselitismo, é única filosofia que explica os problemas que grassam sobre o mundo e lhes dá solução.
- Às vezes, fico parado pensando por que Deus fez este mundo tão desigual, com tanto sofrimento.
Em minha ignorância, penso que Ele só pode ser um sádico, que gosta de ver a dor humana.
- Garanto que não.
Deus é a suma perfeição e bondade, jamais deseja o sofrimento dos seus filhos.
O que vemos de ruim pelo mundo é o somatório das atitudes individuais de cada um.
O ser humano ainda não deixou de ser egoísta, avaro, orgulhoso e mau, por isso este mundo tem seu lado sombrio.
Mas um dia todos deixarão a maldade de lado e serão felizes.
O sofrimento cansa, e chegará a hora que, cansados de sofrer, todos nós vamos buscar o outro lado, que é o caminho do bem e do amor.
Douglas continuava curioso:
- Você fala bonito.
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Re: Sem medo de amar - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 09, 2017 9:06 pm

Mas como um dia todos nós vamos ser felizes?
A meu ver, a maldade, o ódio e a vingança estão aumentando sobre a Terra.
- É que você está vendo a vida com os olhos do materialismo.
A maldade faz muito barulho, por isso achamos que ela é superior ao bem.
Mas garanto que o bem é mais forte e vence sempre.
Existem mais coisas boas acontecendo na Terra do que ruins, mas o bem ninguém tem interesse de divulgar, de alardear, como se faz com o mal.
E você pergunta como um dia seremos felizes?
Eu digo que está havendo uma selecção natural de espíritos na Terra.
Os que continuam na maldade estão saindo de nosso mundo e vão habitar em outros planetas mais inferiores, condizentes com seu estado de pensamentos.
Quem quiser permanecer neste belo planeta e usufruir tudo de bom que ele tem a oferecer, precisa ser bom.
Não o bonzinho de que todos se aproveitam e enganam, mas o bom de verdade, viver para o bem real.
Creia, Douglas, a Terra, assim como prometeu Jesus, ainda será um paraíso.
Os dois continuaram conversando até que Hortência chegou.
Estava linda num costume verde-esmeralda, cabelos presos em coque e discreta maquiagem.
Douglas não conteve a exclamação:
- Você está divina!
Vai conquistar sua sogra, tenho certeza.
Todos sorriram e foram jantar.
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Re: Sem medo de amar - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 10, 2017 7:49 pm

23 - TEREZA TEME A VERDADE
Tereza estava ansiosa à espera do filho.
Por mais que tentasse se acalmar, não conseguia, temia pelo seu futuro.
Edionor era vingativo e não iria aceitar com facilidade o facto de a filha ter sido traída, podendo querer se vingar.
Ela não acreditava que aquele homem tivesse ido procurar o filho para dar-lhe apoio.
No mínimo, o estava conquistando ainda mais para depois lhe fazer mal.
Ainda se Edionor soubesse a verdade...
Não! Ela não teria coragem suficiente para contar.
Foi arrancada de seus pensamentos com a chegada de Douglas e Hortência.
Após os cumprimentos, todos sentaram-se no sofá da sala, simples mas aconchegante.
Não conseguindo conter o nervosismo e sem conseguir falar, Tereza começou a chorar.
- Mãe, o que está havendo? - Douglas aproximou-se e levantou seu rosto.
- Meu filho, precisamos ir embora daqui.
Não podemos mais permanecer nesta cidade.
- Acalme-se. Nada vai me acontecer.
Sabe que não posso sair de Rios Claros.
Aqui tenho meu trabalho, meu comércio, foi aqui que nasci, não há por que sairmos como foragidos.
Tereza olhou para Hortência, que se mantinha calada, e disse:
- Você acha mesmo que Amanda vai deixar que você viva em paz com essa moça?
A vida de vocês será um tormento, e eu tenho certeza de que o pai dela também vai querer se vingar.
A cidade inteira está comentando que o velho Edionor está com a filha traída, e isso, para ele, é o cúmulo da vergonha.
Conheço muito bem esse homem, é capaz de tudo, inclusive de matar, e eu não quero perder você - Tereza não conseguia conter as lágrimas que desciam em profusão sobre seu rosto.
- Escuta, mãe - dizia Douglas para acalmá-la - o senhor Edionor mudou muito esse tempo todo, ele é como um pai para mim e me tem como um filho.
Sei de todos os seus negócios e sou seu braço direito.
Pode ser que ame a filha, mas, conhecendo-o como conheço, sei que ama mais o dinheiro e os negócios.
Tenho certeza de que vai estar do meu lado, não há o que temer.
Tereza estremeceu.
A relação do filho com aquele homem parecia realmente íntima e sólida.
Era mais um motivo para ela querer ir embora dali.
- Não sei, não posso confiar. Ouça.
Podemos ir para Belo Horizonte ou até para outro estado.
Sei que tem algum dinheiro, que pode começar a vida fora daqui.
Depois, seu primeiro filho vai nascer, vai crescer aqui sendo discriminado pelas outras pessoas.
Lúcia vai fazer de tudo para que a filha sofra e o neto também, ela não tem nenhum sentimento ou compaixão.
Pense bem, o melhor é irmos embora.
Hortência, que até então se manteve calada, resolveu intervir:
- A senhora está dramatizando.
Em primeiro lugar, nosso filho vai ser ensinado de que não deve se importar com opiniões alheias.
A senhora sabe que, assim como as pessoas falam, elas também esquecem rápido.
Sei que ainda não há divórcio em nosso país, mas Douglas vai se separar oficialmente da ex-mulher e vamos levar uma vida como a de qualquer outro casal.
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Re: Sem medo de amar - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 10, 2017 7:49 pm

Depois, Amanda um dia vai se cansar de nos perturbar, e quanto a minha mãe também.
Elas não vão poder passar a vida se dedicando a nos destruir.
- Bem se vê que é muito nova, não conhece o coração das pessoas.
Gente como sua mãe e Amanda não tem jeito.
Só a morte pode fazê-las parar.
Douglas percebeu que a mãe realmente estava preocupada, resolveu contemporizar:
- Tudo bem, vamos ver como as coisas se ajeitam.
Não vamos tomar nenhuma atitude precipitada.
Ficaremos aqui até nosso filho nascer.
Também não quero que meu menino cresça em um ambiente hostil, sendo discriminado, não quero que sofra nas mãos dessas duas megeras.
Se as coisas não mudarem, prometo que iremos para bem longe.
Hortência também sentia que algo ruim iria acontecer a eles naquela cidade.
De qualquer forma, Tereza poderia estar com a razão.
Depois que ouviu o que o filho disse, Tereza sentiu-se melhor.
Como era excelente doceira, convidou os dois para um lanche na cozinha.
Douglas e Hortência saíram de lá com os pensamentos tumultuados, reflectindo sobre tudo o que ouviram.
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Re: Sem medo de amar - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 10, 2017 7:49 pm

24 - DOUGLAS CAI EM UMA CILADA
O tempo foi passando depressa e todos estranharam o novo comportamento de Amanda.
Ela não voltou a procurar o marido e sua nova companheira.
Disse ter aceitado o que havia acontecido e estava disposta a uma separação amigável.
Por outro lado, Lúcia também não mais se manifestou e pouco se ouvia falar dela, a não ser que continuava dando aulas e levando a vida de sempre.
Embora não tivesse mais se aproximado da filha para fazer as pazes, também não a perseguia, como todos da cidade esperavam.
Aos poucos, a vida de todos foi voltando ao normal.
Douglas alugou uma bela casa onde instalou Diva e sua nova mulher.
A barriga de Hortência estava ficando grande e bonita, e tudo girava em torno do bebé que iria chegar.
Querendo se dedicar ao máximo a esse tempo que julgava maravilhoso, Douglas tirou férias e foi passear com Hortência no Rio de Janeiro.
Conheceram todos os lugares turísticos, hospedaram-se em Teresópolis, onde tiveram finalmente sua lua de mel.
Durante uma das noites no Rio, Hortência acordou com os olhos desmesuradamente abertos, gritando, banhada de suor.
Douglas, cuidadoso e já conhecendo sua mediunidade, perguntou o que ela tinha sentido daquela vez.
Hortência contou que mais uma vez teve o mesmo sonho com o bebé e que uma senhora negra e velha dizia-lhe que seu futuro seria morar naquela cidade.
Douglas sentiu um arrepio.
Como aquilo poderia acontecer?
Como Hortência iria morar no Rio de Janeiro?
As coisas estavam bem e ele não pretendia mais ir embora de Minas Gerais.
Não procurou pensar muito no assunto, e ela também resolveu esquecer.
Não queria pensar em mais nada a não ser na felicidade que estavam sentindo.
O passeio durou mais de uma semana e, quando voltaram, estavam renovados.
Hortência pretendia continuar os estudos até o bebé nascer.
Como tudo estava bem, Diva não pensou mais em ir embora e acabou sendo empregada por Douglas no hotel como arrumadeira.
O salário era melhor do que no outro emprego, e ela, embora adorasse leccionar, teve de se render aos factos.
O que eles não sabiam é que Amanda e Fernando continuavam traçando seus planos de vingança, e Lúcia, auxiliada por Gustavo e Aída, planeava acabar com a felicidade da filha.
Acontecimentos funestos estavam programados por aqueles que, infelizes, não conseguiam entender e aceitar a felicidade do próximo.
Por outro lado, Douglas e Hortência precisavam aprender muitas lições que deixaram para trás no passado, por isso estavam atraindo a maldade.
Se ambos estivessem voltados para a espiritualidade, vibrando numa faixa superior de energia, os inimigos e acontecimentos desagradáveis não os iriam atingir.
Os homens são sempre responsáveis pela própria dor.
Mesmo que essa dor seja provocada pelas mãos de seus semelhantes, eles é que os atraíram com sua maneira de pensar e agir.
O homem mau só consegue ferir sua vítima se ela estiver na mesma sintonia, vibrando no negativo ou precisar passar pela lição do sofrimento para aprender e evoluir.
Aqui, lembramos as palavras do venerável mestre Jesus "é necessário que o escândalo venha, mas ai por quem o escândalo venha".
Assim sendo, aquele que faz o mal é instrumento da justiça divina, ainda que não esteja predestinado a tal.
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Re: Sem medo de amar - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 10, 2017 7:50 pm

Deus tem condições de fazer qualquer ser passar pelo que ele necessite sem que ninguém faça por Ele.
Mas o livre-arbítrio do homem é aproveitado pelas leis divinas que, na equação perfeita da vida, aproxima agressor e vítima para o aprendizado redentor.
De qualquer forma, aquele que faz o outro sofrer, ainda que sendo instrumento da justiça divina, terá sua hora também de sofrimento e dor, até que venha a se recuperar e voltar ao aprisco do pai.
Finalmente, chegara o mês de Hortência ter o nené.
Apesar dos recursos médicos, eles não quiseram saber o sexo da criança e compraram o enxoval todo em amarelo.
Diva, apesar de não ter muita idade, considerava-se avó e cuidava da futura mãe com todo o carinho possível.
Como a barriga estivesse incomodando muito, Hortência deixou de trabalhar e estudar antes do tempo previsto, e não via a hora de ver o rostinho do filho.
Numa noite, enquanto todos estavam jantando, Douglas comunicou:
- Amanhã farei uma viagem até a fazenda São Geraldo e, se tudo correr bem, retorno à noite.
Irei despreocupado, pois sei que Hortência estará em muito boas mãos.
A fazenda tem telefone, deixarei com vocês para que liguem caso ocorra alguma eventualidade.
Mas não creio que meu filho vá nascer logo no dia em que eu vou viajar.
Hortência, demonstrando não ter gostado do que ouviu, replicou:
- Essa fazenda é muito longe.
Fica no norte. Você deveria não ir.
E se não der para voltar no mesmo dia?
Fico preocupada.
- Não há com o que se preocupar.
O senhor Edionor está tendo um problema sério nessa fazenda, tenho de fiscalizar o trabalho dos peões, resolver problemas com fornecedores e dar algumas ordens.
O gado tem adoecido com frequência, preciso ver isso também com o veterinário.
- E por que ele mesmo não vai? - disse Hortência com visível irritação.
- Você sabe, meu amor, que o senhor Edionor há muito tempo deixou de viajar com frequência, sempre que pode pede para que eu vá em seu lugar.
E, além de tudo, eu ganho com isso.
Estamos começando nossa vida agora, quero ter mais dinheiro para dar o máximo de conforto a vocês e ao meu filho.
- Não gosto de vê-lo envolvido com esse homem.
Parece que Amanda nunca mais vai sair de nossa vida.
Se não é por sua presença, é pela presença do pai.
Diva interveio:
- Acalme-se, seu marido já está acostumado a viajar e ficar dias fora.
Eu e o Mário cuidaremos bem de você.
Se o bebé nascer enquanto Douglas estiver fora, também não terá importância.
Quando ele chegar, poderá ver e constatar que o filho é lindo e está bem cuidado.
Hortência levantou-se da mesa bruscamente e caminhou em direcção à janela.
Ninguém estranhou a atitude.
Ultimamente sua sensibilidade estava à flor da pele e por qualquer coisa chorava, ficava irritada ou fechava-se sozinha no quarto.
O médico explicou ser normal a mulher ficar assim nesse período, mas o que ninguém sabia é que ela voltara a ter as mesmas visões com a criança chorando e chamando pelo seu nome.
Isso a deixava completamente aturdida, triste, não explicar o porquê.
Quando Douglas disse que iria viajar, seu coração descompassou e uma angústia muito grande a invadiu.
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Re: Sem medo de amar - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 10, 2017 7:50 pm

Quando todos perceberam que ela estava chorando, preocupados deixaram a mesa do jantar.
Por mais que Diva insistisse, ela não dizia o que sentia:
- Ando muito nervosa, não queria que o Douglas viajasse me deixando desse jeito.
Ele, muito carinhoso e sabendo ser um estado normal da gestação, tentava acalmá-la:
- Prometo voltar amanhã mesmo, ainda que não resolva tudo.
Não precisa chorar.
Diva sentia algo estranho naquele estado de Hortência e, tencionando conversar às sós com ela, disse:
- Vamos para o quarto, você precisa deitar para descansar do peso da barriga.
Vamos aproveitar e ler um pouco, não adianta deixar o nervosismo tomar conta, temos de ser mais fortes do que ele.
Ela concordou e ambas se retiraram.
Douglas ficou sozinho na sala e tentou se distrair com a TV.
De repente, ouviu batidas na porta.
A casa onde residia naquele momento era muito boa, mas não tinha hall de entrada, era antiga e a porta dava directo na rua.
Ao abri-la, não viu ninguém. De súbito, olhou para o chão, onde estava jogado um envelope.
Curioso, abriu e começou a ler:
"Querido Douglas,
Sua ex-mulher tem um amante.
Talvez isso não importe para você neste momento, mas saiba que ela o trai muito antes de terminarem o casamento.
Se quiser pegá-los no flagrante, basta ir à casa de Fernando Albuquerque, o portão dos fundos está propositadamente aberto.
Suba as escadas e entre no segundo quarto à direita.
Verá uma cena inesquecível."
Uma amiga
Douglas não sabia o que fazer olhando aquele bilhete em suas mãos.
No que mais poderia interessar a vida de Amanda?
Como alguém sabia do fato e ainda dizia que o portão estava aberto?
Seria algum empregado de Fernando?
Fernando! Logo com ele!
Pensou por alguns instantes e resolveu que não iria fazer nada.
Amanda era sua ex-mulher, sua vida não mais lhe pertencia.
Ela que fizesse o que achasse melhor.
Voltou a sentar na poltrona e tentou concentrar-se no capítulo de uma novela.
Sem que ele pudesse ver, duas sombras escuras apareceram a um canto da sala.
Uma dizia para a outra:
- Foi como pensamos.
Ele resolveu não ir, está muito voltado para Emília.
- Precisamos fazer algo - falou a outra com voz sibilina.
- Não podemos deixar que Heitor seja feliz novamente com essa mulher que tanto nos fez sofrer.
Além do mais, ele abandonou Malênia mais uma vez.
É um maldito traidor.
- Vamos nos aproximar dele e induzi-lo a ir.
As sombras sinistras aproximaram-se de Douglas e começaram a falar com habilidade:
- Você precisa conferir o que está escrito no bilhete.
Amanda é uma mulher muito perigosa, a qualquer momento pode voltar a interferir na sua vida com Hortência e tirar sua paz.
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Re: Sem medo de amar - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 10, 2017 7:50 pm

Se você a flagrar e até tirar umas fotos, ela estará em suas mãos, o deixará livre para sempre.
De repente, Douglas se arrepiou e começou a sentir uma ligeira dor na nuca.
A novela pareceu perder a graça e ele desligou o aparelho, deitando-se na namoradeira.
Os arrepios continuavam e ele pensava "devo estar pegando resfriado, amanhã na viagem vou levar bastante agasalho, o tempo está muito frio".
As sombras continuavam repetindo a mesma ideia e, num dado momento, Douglas voltou a se lembrar do bilhete.
Captando os pensamentos das entidades como se fossem seus, ele reflectiu:
"A Amanda é uma mulher perigosa, está quieta, mas pode a qualquer momento querer interferir na minha vida com Hortência e meu filho.
Isso eu não permitirei.
Se eu flagrá-la com outro homem antes do nosso desquite, ela estará em minhas mãos, é uma maneira de garantir minha segurança.
Irei até lá".
Sem ser vista pelas entidades, Inácia, a mentora de Douglas, fazia-o pensar diferente:
"Você está alegre, em paz, não precisa de mais nada para ser feliz.
Olhar a vida das pessoas é um ato indigno, pois a vida de cada um não nos pertence, fazer isso sempre acaba mal.
Fique em casa com sua mulher, ela precisa muito de você.
Não acredite que os outros possam lhe fazer mal, não entre na maldade e na malícia dos outros.
Deus está ao seu lado, esqueça o passado".
Ao sentir as vibrações doces da sábia mentora, Douglas pensou:
"Eu estou muito feliz, a vida dela não me pertence.
Tenho o Edionor como meu aliado, não acho que ela possa me fazer mal.
Não sei se vou ou se fico em casa com minha mulher, que está muito nervosa. Não! Não vou!
As sombras perceberam o pensamento contrário e trataram de reagir:
"Você é muito banana mesmo!
Garanta sua segurança.
A única maneira de estar bem para sempre é tendo Amanda em suas mãos.
Não acredite muito em seu Edionor, ele é ruim como a filha.
Vá, faça o que deve ser feito.
Amanda planeia fazer muito mal ao seu filho, essa é a chance de você eliminar as acções dela".
Douglas, então, iniciou uma intensa batalha dentro de si.
Não acostumado a orar e vigiar, deixou-se facilmente levar pela onda desordenada de pensamentos contrários e, ao fim, já não conseguia mais raciocinar por si ou sentir os pensamentos de sua mentora.
Completamente dominado, resolveu:
- Agora tenho um filho, preciso me precaver.
Tenho uma máquina de fotografias no carro, que sempre uso quando viajo.
Irei me certificar se isso é verdade e terei minha ex-mulher na palma de minha mão.
As entidades gargalharam ao vê-lo colocar o bilhete no bolso da calça, entrar na garagem, dar partida no carro e seguir até a casa de Fernando.
Como saiu sem avisar, Diva e Hortência não entenderam nada e ficaram preocupadas.
Hortência, que já não estava bem, ficou ainda mais ansiosa.
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Re: Sem medo de amar - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 10, 2017 7:50 pm

Na sala, Inácia reflectia:
- Infelizmente, o homem é sempre dono de sua vontade.
Douglas poderia evitar tudo o que iria acontecer se tivesse ligado a Deus e à espiritualidade, mas preferiu temer e acreditar no mal.
O que posso fazer agora é apenas aliviar o sofrimento dele e de todos depois que tudo for consumado.
Inácia, em prece, desapareceu indo ao encontro do seu pupilo.
Douglas parou o carro a poucos metros do portão dos fundos da casa de Fernando.
Sabia que ele era rico e morava naquela mansão.
Temeu entrar furtivamente e encontrar algum vigia ou cão feroz.
Sua mente fervilhava de pensamentos contraditórios, pensava fortemente em desistir, mas, por outro lado, tinha de garantir a segurança de sua nova família.
Após muito pensar, resolveu agir.
Empurrou o pesado portão de madeira e olhou com cautela toda a área do quintal.
Um silêncio sinistro tomava conta do ambiente.
Aos fundos uma chácara, um caramanchão e uma pequena casinha com fraca luz acesa.
Entrou devagar e foi andando até uma porta entreaberta, quando percebeu estava numa cozinha.
Não conseguia parar de pensar:
"Quem deixou essa porta aberta?"
"Só pode ter sido um dos empregados desta mansão.
De qualquer forma, deve ser uma boa pessoa e está me fazendo um imenso favor."
Ao perceber a casa em silêncio, foi andando lentamente.
Chegou a uma grande sala de estar ricamente adornada, olhou para a grande escadaria e, tomando coragem, subiu.
Foi aproximando-se da porta mencionada pelo bilhete quando lembrou que havia esquecido a máquina fotográfica no carro.
Decidiu que era arriscado voltar e que daria um flagrante assim mesmo.
Ao se aproximar mais, começou a ouvir sussurros e gemidos.
Colocou a mão na maçaneta da porta e abriu.
Viu Fernando e Amanda na cama.
A cena o enojou e, sem controlar-se mais, falou quase num grito:
- É assim que você me amava?
Responda, Amanda!
O casal, que parecia esperar pela visita, levantou e andou em direcção a Douglas.
Amanda e Fernando, com olhos brilhantes e ligeiramente maldosos, começaram a tentar envolver Douglas naquela cena grotesca.
Douglas, sem entender, continuava a falar:
- A partir de agora estão em minhas mãos.
Ninguém mais vai poder prejudicar minha família.
Ninguém - vociferava.
Nenhum dos dois parecia ouvir, e Fernando segurou Douglas pelos braços com força multiplicada, enquanto Amanda aguardava silenciosa.
De repente, três homens encapuzados apareceram no quarto e, armados, gritaram:
- Vamos parar com isso!
Você, solte-o.
Amanda pareceu cair em si e, nervosa, correu procurando um lençol para se cobrir.
Fernando, sem saber o que fazer, também soltou Douglas e, com o coração aos saltos, gritou:
- Isso não fazia parte do plano.
Nós é que iríamos dar um jeito nele.
- Cale-se, pervertido! - gritou um dos brutamontes - Agora o jogo mudou.
Douglas tentou correr, mas foi rendido pelos outros dois.
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Re: Sem medo de amar - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 10, 2017 7:50 pm

Logo estava amarrado e com a boca fechada.
Não conseguia gritar.
Só pensava que havia caído em uma cilada e iria morrer.
Como ficaria sua Hortência e o filhinho?
Começou a rezar, quando recebeu um violento soco no rosto que o fez desmaiar.
Um dos homens dizia para Amanda:
- Que ninguém mais saiba o que aconteceu aqui.
Vocês também são cúmplices, mas não contavam com o que poderia acontecer.
Quem dá as ordens aqui é outra pessoa.
Se cumprirem o resto do combinado, nada lhes vai acontecer.
Fernando e Amanda estavam, de facto, assustados.
Assim que os homens saíram com Douglas desfalecido, eles foram se vestir e desceram.
Começaram a beber para acalmar o nervosismo.
- De qualquer forma, não perdemos de todo nosso plano - sussurrou Amanda.
- Precisamos manter a calma para que não desconfiem que tivemos nossa parte nisso tudo.
Logo a cidade inteira estará comentando e precisamos ficar livres de suspeitas para que a segunda parte do plano possa funcionar - arrematou Fernando com mais calma.
Os dois permaneceram em conluio com entidades maléficas e viciadas, traçando mais um sinistro plano que viria a causar muito sofrimento para as suas vítimas.
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Re: Sem medo de amar - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 10, 2017 7:51 pm

25 - SURGE UMA ESPERANÇA
As horas foram passando e Douglas não chegava em casa.
Para Hortência, o que a princípio era uma simples preocupação passou a ser motivo de desespero.
O marido estava demorando demais, e sua intuição lhe dizia que algo muito grave havia acontecido.
- Precisamos fazer alguma coisa.
Vamos à casa do senhor Edionor.
Ele só pode estar lá - dizia contorcendo as mãos.
- A casa dele é longe e você vai se cansar se for andando até lá.
Vamos esperar mais um tempo, notícia ruim chega rápido - Diva tentava acalmar a prima.
- Não, não podemos esperar.
Sinto que algo trágico aconteceu ao Douglas.
Ele nunca saiu sem avisar e, depois, nunca demorou tanto.
Desde cedo venho sentindo uma tristeza, uma sensação de perda e vazio inexplicáveis.
Não saberei o que fazer sem ele.
Vamos agora procurá-lo na casa do pai da Amanda.
- Não posso deixar que ande tanto.
Fique em casa que eu vou - Diva disse resoluta.
- Então não demore.
Se ele não estiver lá, comunique o sumiço e peça providências ao senhor Edionor, infelizmente só ele pode nos ajudar agora.
- Ninguém sumiu, está exagerando.
Douglas não tem inimigos, é honesto, sincero, íntegro.
Ninguém teria intenção de prejudicá-lo.
Vou só para confirmar que ele deve ter sido chamado pelo Edionor e está naquelas intermináveis conversas sobre negócios.
Sinto até receio de chegar lá uma hora dessas.
Hortência, muito nervosa, pareceu não ouvir:
- Vá, faça alguma coisa.
- Você está muito nervosa, vou chamar a dona Odete para ficar com você enquanto vou, não quero deixá-la só.
Diva olhou para o relógio da parede, que marcava quase uma hora da manhã.
De facto, algo sério deveria ter acontecido com Douglas.
Ele não iria deixá-las sozinhas até aquele horário.
Foi até a casa da vizinha e a chamou.
Logo Odete apareceu:
- O que aconteceu, filha?
- Douglas saiu de casa e até agora não voltou.
Temo que alguma coisa séria tenha ocorrido com ele.
Preciso ver se o encontro na casa do ex-sogro.
Vim lhe pedir que fique com Hortência até eu voltar.
A casa dele é longe e posso demorar.
Odete surpreendeu-se:
- Você vai sair sozinha a essa hora da madrugada?
Não posso deixar.
Vou pedir que meu filho a acompanhe. É perigoso.
Nossa cidade já não está tão pacata quanto antes.
- Não precisa incomodar o Miguel.
Sei me virar sozinha, nada vai me acontecer.
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Re: Sem medo de amar - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 10, 2017 7:51 pm

A senhora insistiu:
- Não posso permitir.
Vou acordá-lo e pedir que a acompanhe.
Espere um momento.
Odete entrou, demorou alguns minutos e saiu com um rapaz jovem, alto e forte ainda bocejando pelo sono.
Diva, mesmo envergonhada, teve de reconhecer que uma companhia a faria se sentir mais segura e, assim que Odete entrou
para ficar com Hortência, pôs-se a caminho.
Ela não tinha muito o que conversar, e os dois seguiram em silêncio.
Após vinte minutos, chegaram à casa de Edionor.
O coração de Diva palpitou quando viu tudo às escuras.
Então Douglas não estava lá.
O que fazer?
Criou coragem e apertou a campainha.
Ninguém aparecia.
Tocou novamente e nada.
Quando estava indo embora, ouviu a voz grave de Edionor:
- Quem é? O que deseja?
- Sou eu, a Diva.
- Diva? Quem é Diva?
A essa hora? - a voz de Edionor mostrava irritação.
- Sou a tia da Hortência.
Preciso lhe falar com urgência.
Edionor ligou as lâmpadas do jardim e a reconheceu:
- O que deseja? Para ter vindo aqui a essa hora é porque estão com problemas.
Porque não veio no carro do Douglas?
Diva começou a chorar prevendo uma tragédia.
Edionor não tinha entrado em contacto com Douglas naquela noite.
Tinha certeza de que uma tragédia tinha se consumado.
Edionor abraçou-a e fez com que entrasse na casa junto com Miguel.
Estela também estava acordada e muito assustada com aquela visita inusitada.
Edionor dizia com calma:
- Tente parar de chorar e nos contar o que houve.
Diva limpou as lágrimas dos olhos com as costas das mãos e, com voz trémula, comentou:
- Estávamos jantando quando Douglas disse que amanhã viajaria para uma de suas fazendas.
Hortência estava muito nervosa e quis que ele desistisse da viagem.
O clima ficou ruim e nos retiramos para o quarto, deixando Douglas vendo TV na sala.
Depois de alguns minutos, sem que tivéssemos tempo para perguntar nada, ouvimos o barulho do carro de Douglas saindo da garagem, que fica vizinha à nossa casa.
Achamos que ele tivesse recebido um chamado do senhor e não nos preocupamos muito.
Até que o tempo foi passando e ele não voltava.
Ficamos apreensivas e aguardamos enquanto pudemos, até que não deu mais para esperar.
Já passa da uma e ele não aparece.
Tenho certeza de que lhe fizeram algum mal - Diva não conseguia conter o pranto.
Edionor também ficou muito preocupado, mas resolveu acalmar a jovem:
- Fique tranquila.
Esta cidade é muito pequena, logo vamos saber o que lhe aconteceu.
Vou levá-los para casa e ir à delegacia.
Estela opinou:
- Ele pode estar na casa da mãe.
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Re: Sem medo de amar - Hermes / Maurício de Castro

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