Momentos Espíritas IV

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Momentos Espíritas IV

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Dez 06, 2017 10:18 am

Recomendações derradeiras

Um dia, que ignoro, meus olhos hão de se fechar para esta existência.
Mais cedo ou mais tarde, meu corpo, ainda jovem, ou quem sabe, cansado e enfermo, há de se entregar irremediavelmente e deixará de vibrar.
Minhas mãos hão de repousar inertes e meus pés já não poderão me levar a parte alguma.
Terei deixado esta vida, feliz ou não, partindo para o outro plano da existência, como tantas vezes já o fiz, quando me servi de outros veículos carnais.
Pois bem, eis aí o meu destino.
Idêntico ao de todos os demais seres viventes: nascer, viver, morrer, renascer...
Hei de morrer, mas não temo a morte, porque sei que, como Espírito, sobreviverei a ela.
Respeito-a, porque sei que representa o final de um ciclo e o início de outro.
É uma passagem, uma transformação.
É um facto natural e inevitável.
Sabendo disso, muitos são os que tecem seus testamentos, pensando naqueles que ficam.
Também quero que algumas recomendações sejam registadas.
Aos meus filhos quero deixar meus exemplos correctos.
Que eles possam fazer uso de meus acertos, das palavras bem colocadas e das atitudes dignas de nota.
Quero que eles cantem alegres, repetindo refrões das músicas que cantamos juntos.
Deixo a eles a certeza de que muito os amei, os amo e os amarei para sempre, porque nem o tempo, nem a distância são capazes de diminuir a intensidade de um verdadeiro amor.
Deixo-lhes, ainda, as lembranças dos momentos alegres que passamos, e que ainda passaremos juntos.
Espero que essas recordações possam lhes fazer companhia nos momentos em que a saudade vier lhes roubar a paz e os sorrisos.
Aos meus amigos deixo minhas melhores conversas e toda a alegria que a presença deles tenha causado em minha vida.
Deixo-lhes a minha gratidão por todas as vezes que me ouviram, me toleraram e me animaram a continuar na luta.
Aos meus amores deixo o meu afecto mais puro e a esperança de um reencontro mais sereno e equilibrado, em um futuro não muito distante.
Que não se sintam cobrados, nem pressionados, se, por acaso, não me dedicarem o mesmo amor que lhes ofereço.
Àqueles que feri, que magoei, que prejudiquei, deixo meu sincero pedido de perdão e meu desejo de reparar todo o mal que lhes causei e todo bem que deixei de lhes proporcionar.
Espero que possam aceitar minhas desculpas e que me permitam ressarcir-lhes, um dia, os danos que meu desleixo e meu egoísmo lhes causaram.
Deixo a todos aqueles que cruzaram meu caminho e que, de alguma maneira, influenciaram minha existência, meu humilde agradecimento.
Desejo que, um dia, possa eu também lhes ser útil, auxiliando-os na dura jornada do progresso individual.
À natureza deixo minha mais intensa e profunda gratidão, pela sua exuberância e por tudo que dela me vali nesta existência.
Desejo que ela seja respeitada e conservada para que não se deteriore pelo descaso humano.
Aos meus pais e a Deus, Pai de bondade, deixo o meu reconhecimento pela oportunidade da vida e pela dedicação constante e incondicional que me foi oferecida.
Assim, partirei com a mente e com o coração mais pacificados, porque terei legado o que de melhor há em mim, em benefício de todos aqueles que me são caros.

Momento Espírita.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75754
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

O mundo através das lentes do consumo

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Dez 07, 2017 12:04 pm

A realidade do consumir tem influenciado nossas vidas, mais do que podemos imaginar.
Ver o mundo através das lentes do consumo nos faz exigir sempre o melhor, não importa se de um produto, de um relacionamento, de um emprego ou das pessoas que amamos.
Buscar o melhor, procurar crescer, anelar excelência na vida, é certamente salutar.
Progresso, evolução, deve ser objectivo de todos na Terra.
Porém, os excessos, os desequilíbrios de tais posturas é que nos trazem grandes problemas.
Exigir em demasia, tanto da vida, dos outros, e muitas vezes - por consequência - de si mesmo, traz-nos distúrbios de comportamento seríssimos.
A questão é tão grave que já existe catalogação para este tipo de fobia:
a atelofobia, que se constitui no medo da imperfeição.
Sem falar na ansiedade crónica, que hoje já faz adoecer o mundo com seus venenos potentes.
Tudo parece dar a entender que se faz difícil viver numa sociedade onde o sofrimento, a tristeza, os defeitos e as fraquezas não são mais tolerados.
A indústria oferece soluções para qualquer tipo de problema, e para todos os tipos de bolso.
São receitas de sucesso nas prateleiras das livrarias; pílulas da felicidade na farmácia da esquina; o corpo dos sonhos em troca de cheques a perder de vista...
Criamos uma era da perfeição de massa, onde os defeitos são vistos como erros da natureza que podem ser corrigidos, deletados, deixados para trás.
O corpo parece deixar de ser determinado e passa a ser inventado.
Um corpo fabricado pelas nossas escolhas, baseadas nos padrões vigentes da época.
Padrões, muitas vezes, altamente questionáveis.
Corremos o risco de deixar de ser aquilo que somos para nos transformarmos em um corpo sem marcas, sem história, sem humores. Em mera imagem.
Mas se não é bem essa sua intenção, experimente olhar o mundo através de lentes não viciadas em cânones ou padrões.
Este olhar o mundo passa por olhar-se, em primeiro lugar.
Carl Gustav Jung, psiquiatra suíço, foi muito lúcido ao dizer:
Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta.
Este é o momento de despertar.
Despertar para os valores mais nobres da vida, e finalmente colocar nossa embarcação alma no rumo da felicidade verdadeira.
Nestes valores fundamentais estão a paciência, a compreensão das dificuldades e limitações do outro e nossas.
Está a compaixão – virtude de vivência dinâmica – que estende a mão ao próximo, para que cresça junto.
Está a resignação – virtude que aprende com a dor, retirando dela as lições preciosas que sempre traz, evitando a revolta e a negação.
A lei maior do progresso nos coloca na direcção da perfeição, naturalmente, mas dessa perfeição que vem sendo construída de forma gradual no imo do Espírito.
Desejá-la de forma fácil, conveniente, e da maneira com que nós anelamos e achamos que deva ser, sempre será perigoso e próximo do desastre.

Evite o excesso de exigência para com os outros.
Somos seres diferentes, pensamos diferente em muitas ocasiões, e por isso, exigir que as pessoas tenham o mesmo ângulo de visão que o nosso, para tudo, é absurdo.
O diferente está ao nosso lado por razões especiais.
É com ele que aprendemos inúmeras virtudes, é com ele que crescemos e alcançamos a nossa gradual e certa perfeição.

Momento Espírita, com base no artigo Você não é perfeito, de Elisa Correa, publicado na Revista Vida Simples, julho 2008.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75754
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Virtude da gratidão

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 08, 2017 7:47 pm

Francisco de Assis, o grande homem que se fez pequeno, em sua nobre humildade, para vivenciar o amor a Jesus, afirmou, certa feita, que a gratidão é das mais difíceis moedas de se ofertar na vida.
Por isso, o pobrezinho de Assis preocupava-se sempre em ser grato a tudo e a todos.
Agradecia ao irmão sol por aquecê-lo e proporcionar vida à Terra; ao irmão vento por acariciá-lo nos dias de calor; à irmã lua por enfeitar as noites de céu claro; ao irmão sofrimento, que lhe permitia reflexões e aprendizados sob o seu guante.
O exemplo de Francisco de Assis nos remete a profundas reflexões, nesses dias em que prepondera o egoísmo, com o que estamos vivendo, quando não agindo de igual forma.
Na irrefreada busca pelo sucesso, pela sobrevivência, pelos compromissos quotidianos, vivemos fechados em concha, envoltos nas próprias dificuldades, problemas e desafios.
Nesse tumultuar de compromissos, dificuldades, pouco paramos para perceber as coisas que a vida nos oferece e, egoisticamente, esquecemos de agradecer.
Os amores dos filhos que, aconchegados em nossos braços, parecem diluir as dores da alma, quem no-los ofertou?
A possibilidade do progresso profissional, os desafios de crescimento pessoal, as chances de desenvolvimento intelectual, quem nos oportunizou?
O corpo, que nos é instrumento de expressão, trabalho, convivência, emoções, quem no-lo deu?
Perguntemos a um doente com enfisema pulmonar, qual seu maior sonho e ele, certamente, responderá que seria poder respirar profunda e longamente.
E nós, mal nos damos conta da bênção da saúde.
Ou do corpo que, mesmo com alguma avaria ou dificuldade, oferece oportunidades riquíssimas na vida.
Algumas vezes lembramos de agradecer à vida e ao Senhor da vida pelas nossas conquistas e alegrias.
Mas, por que não agradecer também pelo mal que não nos acometeu, pelas dificuldades que não ocorreram, pelas dores que não precisamos enfrentar?
E mesmo que os dias difíceis nos cheguem à jornada terrestre, agradeçamos a dor, que lapida a alma imperfeita, provocando o brotar de virtudes que ainda dormem latentes em nossa intimidade.
Ser grato à vida é virtude daqueles que conseguem sair do casulo do egoísmo e do auto-centrismo, e reconhecem que a vida padece sem a ajuda e apoio que chegam a toda hora.
Para pregar Seu Evangelho de luz, Jesus escolheu doze homens para O auxiliar.
E lhes foi grato, acompanhando-lhes a existência e recebendo-os em Suas bênçãos, um a um, no retorno à pátria espiritual.
Dessa forma, que sejamos nós também, a cada dia que se inicia, gratos à vida, com a mente e com o coração.
Assim, lembrando sempre de que somos devedores da bondade e misericórdia Celestes, que nos acompanham e sustentam-nos na caminhada, a gratidão será o sentimento que nos inundará a alma de peregrina e suave luz.

Momento Espírita, com base em palestra de Divaldo Pereira Franco, proferida na Praia do Forte, BA, em 16.09.2011.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75754
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Ninguém dá o que não tem

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 09, 2017 9:56 am

Desde pequena admirava a mãe pelos seus muitos talentos.
Ela era carinhosa, atenciosa com tudo e com todos.
Preparava pratos deliciosos, pães, bolos e doces especiais.
Costurava, bordava e tricotava com esmero, tanto para os seus como para doação às crianças necessitadas.
Trazia nos lábios palavras de simpatia e amor.
Mas havia uma pessoa que parecia não perceber toda essa dedicação.
Era seu pai. Nunca estava satisfeito com o que ela fazia.
A menina via que a participação do pai em casa se resumia na manutenção material, dizendo que o resto não era sua obrigação.
Adolescente e mais consciente da realidade da vida, perguntou à mãe porque se casara com seu pai, e como conseguia aguentá-lo.
A mãe a abraçou e, em tom de brincadeira, disse sorrindo que: O amor é cego.
Depois completou:
Minha filha, Deus tem suas formas de unir aqueles que precisam se ajudar, para juntos evoluírem.
Acentuou que o pai tinha suas qualidades.
Precisava, somente, adentrar um pouco pelo campo do sentimento.
Como tivera uma educação rígida, natural que se portasse daquela forma.
Enfatizou que ele deveria ser reconhecido pelo sustento do lar, graças ao qual a ela sobravam horas para acompanhar de perto os filhos.
Confessou que gostaria de ver seu marido mais participativo em casa.
Contava que, agora, os filhos crescidos a pudessem auxiliar nisso.
Quem sabe, falou, se todos procurássemos envolvê-lo nos nossos diálogos, na busca de soluções para as nossas dificuldades, conseguiríamos despertá-lo para um envolvimento maior, alcançando o objectivo que desejamos.
Acalmou a filha, destacando o cuidado que devemos ter com certas cobranças, porque cada um só pode dar o que tem.
As qualidades pessoais estão relacionadas ao grau de crescimento espiritual.
Quando ainda preso aos chamados materiais, o ser não regista devidamente o âmbito ético e sentimental.
As ideias estão muito restritas à vida física, às sensações e aos sentimentos rudimentares.
Nessa fase é comum acreditar que o importante na vida é trabalhar para satisfazer os instintos primários, comer, beber, procriar.
Sendo Deus Pai de amor e justiça oferece chances de aperfeiçoamento para todos os filhos Seus.
A maior oportunidade se faz quando renascemos e vivemos em família, na qual os que sabem ensinam os que ainda não aprenderam.
Por isso, Deus estabelece que nas famílias haja almas dedicadas que auxiliam a caminhada dos demais.
São familiares que convivem, oferecendo exemplos altruístas, positivos.
São os que já conseguem vislumbrar a realidade espiritual da vida e se esforçam por viver sob essa perspectiva de crescimento.
Renunciam aos prazeres da Terra, se resignam com as dores, mas não abandonam amores que deles necessitam.
Assim como os bons Espíritos inspiram boas ideias, essas criaturas nos ensinam como viver melhor.
Sentem-se felizes com a nossa felicidade.
Realizam-se com a nossa realização.
Seus exemplos de paciência e de amor devem sempre ser valorizados, porque esses oferecem o que têm.

Momento Espírita.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75754
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Amor e Vida

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 10, 2017 11:33 am

A radiosa criança nasce entre os campos de trigo, pastagens e montanhas, nas terras judaicas.

As tradições rezam que o Seu berço contou com sinais de luz de curiosa quão rutilante estrela.

De menino, já dialogava com os intelectuais notáveis do Templo de Salomão, deixando-os perplexos com tanto saber.

Estabelece que viera ao mundo para atender aos imperativos da Divina Vontade.

Demarca Seus passos com o fogo da verdade e da nobreza d’alma.

Conversa com príncipes e pobres, meretrizes e bandoleiros, pescadores singelos e potentados, com a mesma tranquilidade, sem qualquer afectação com uns ou com outros.

Empreende curas por onde passa: cegos vêem; moucos ouvem; ancilosados se movimentam e caminham; mortos revivem; feridentos são limpos; e Ele sempre suave, sem nenhuma presunção, comovia-se com as dores alheias.

Percorreu muitas cidades, pregando o bem e a renovação indispensáveis.

Visitou amigos, honrando-lhes os lares e florindo-lhes as existências, para que nunca mais fosse esquecido.

Ampara, levanta, ensina, sacia os carentes, exemplifica, perdoa e ama, engrandecido em cada gesto.

Suporta a traição, a negação, a bofetada, a indiferença, o coroamento com espinhos e a cruz, por fim, compreendendo a premência de testemunhar fidelidade ao Criador em qualquer episódio da estrada.

Retorna da morte para provar que há sempre vida, e concita os amigos ao bom ânimo e à perseverança no bem.

E, até hoje, Ele, Jesus, vibra e se agita na alma da Humanidade, falando de amor e de vida plena, por meio dos Seus dilectos Emissários.

Pelo espírito Francisco de Paula Vitor
De “Vida e Mensagem”, de J. Raul Teixeira

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75754
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Eu vivo

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Dez 11, 2017 10:52 am

Eu vivo a despertar o que ainda dorme; a fazer dormir o que não mais faz parte.
Vivo a vislumbrar o que agora é norte.
Este é meu trabalho, esta é minha arte.
Eu vivo como quem quer renovar um mergulho novo em novo mar.
Vivo sempre, aqui ou acolá.
Eu vivo mesmo sem estar na presença clara de um olhar.
Vivo sempre, aqui ou acolá. Eu... vivo.


Somos uma bela obra em desenvolvimento - cada um de nós.
Imaginemos um bloco do mais nobre mármore da Terra. A pedra bruta possui em si toda riqueza, todas as características que farão dela um dia uma bela escultura.
Mesmo no bloco disforme se vêem os veios, as cores, as linhas e curvas que brincam, aparentemente, sem direcção ou sentido, fazendo desenhos multiformes.
Assim fomos criados.
Todos temos a riqueza do mármore e a potencial estátua bela dentro de nós.
O que as vidas fazem connosco e o que devemos fazer com nossas vidas?
Apenas retirar a rocha excedente, esculpir, embelezar, aformosear.
Despertar o que ainda dorme é apenas fazer aparecer a forma graciosa que está debaixo do bloco inerte.
Livrar-nos de nossas imperfeições, é apenas deixar de lado os restos da pedra excedente, que não nos serve mais.
E assim vamos nos modelando ao longo das eras, vamos nos conhecendo, uma vez que esse processo é também um mergulho para dentro de nossa essência imortal.
Conforme vamos descobrindo as novas e belas formas interiores, sempre mais harmónicas, elas nos vão fazendo sentido, vamos enxergando algo compreensível e nos aproximando do belo.
Nesse processo, vamos nos apreciando, vamos nos tornando mais próximos do que um dia será um amor imenso, que precisará ser compartilhado com outros.
Por vezes o que nos talhará a alma será a dor.
O procedimento nos parecerá duro, difícil de compreender, num primeiro instante, visto a olhos pequenos.
Entretanto, ainda fará parte do mesmo mecanismo do cinzelar para extrair o belo interior.
O desafio dos dias será, então, olharmos para a obra que se tornou melhor, ao invés de lamentarmos, incansavelmente, pelo cinzel que machuca.
Assim, viver é despertar o que ainda dorme, o Davi de Michelângelo, a Vénus de Milo de Antioquia, o Pensador de Rodin, o David de bronze de Donatello.
Somos todos arte em progresso, obras do grande autor, vivos sempre, vivos em qualquer lugar.
Somos os seres inteligentes da Criação, que necessitamos utilizar a inteligência para desenvolver a moralidade; que necessitamos mergulhar para dentro de nós mesmos e realizarmos o melhor manejo da nossa vida.
Vivemos ora aqui, no plano terrestre, ora acolá, no plano espiritual, e esses dois planos se misturam, se entrelaçam, se relacionam, pois tudo é um mundo só: o Universo.

Eu vivo a despertar o que ainda dorme; a fazer dormir o que não mais faz parte.
Vivo a vislumbrar o que agora é norte.
Este é meu trabalho, esta é minha arte.


Momento Espírita, com base no poema Eu vivo, de Andrey Cechelero.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75754
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Preciosa dádiva

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Dez 12, 2017 11:02 am

A mulher bateu à porta da rica casa.
Estava grávida e já se avizinhavam os dias de dar à luz.
A dona da casa veio atender, portando no olhar a serenidade dos dias vencidos e das dores suportadas.
Dona, lhe falou a gestante, quer ficar com o meu bebé?
E antes que a outra se recobrasse do susto da inesperada oferta, prosseguiu:
Não o quero. Não tenho lugar para ele em minha vida.
Engravidei sem querer e não posso sustentar outra boca.
Pesa-me a barriga e anseio for liberar-me da carga.
Se a senhora não o quiser, não sei o que farei.
Já o ofereci a mais de duas dezenas de pessoas. Ninguém o quer.
A mulher bondade convidou a ofertante a entrar.
Fê-la sentar-se.
Serviu-lhe um café reconfortante.
Instigada, aquela lhe narrou sua história de desacertos, desde a juventude mais tenra.
A síntese é de que via no filho em gestação um estorvo, um problema a mais.
A mulher carinho falou-lhe da bênção da maternidade e da reencarnação.
Maternidade é uma das mais nobres missões conferidas ao ser humano.
O Pai e Criador confia uma das estrelas do Seu Universo à guarda de um outro ser.
Pela lei da reencarnação, o Espírito imortal tem a possibilidade de resgatar erros, crescer, ascender.
A mulher ternura lhe falou de como o Espírito, preso ao corpinho em formação, tudo percebe, tudo sente, tudo sofre.
Ele suspira oportunidade, tempo e atenção.
Precisa de carícias, de ouvir a voz de quem o gera a lhe murmurar acalantos, aguarda a mão da ternura a lhe rociar a pele frágil.
Ele espera tanto. E tão pouco.
A mulher renúncia lhe falou das noites insones e dos sorrisos empós.
Dos choros da febre, da manha e dos balbucios dos vocábulos primeiros.
Dos chutes quando ainda no ventre, em seus movimentos de acomodação.
E da insegurança dos primeiros passos.
Ele tem tanto para dar.
Por que confiá-lo a outrem, se a Divindade lho oferta?
A mãe foi despertando na gestante.
Num gesto quase mecânico, acariciou o ventre bojudo e sentiu os movimentos do bebé.
Que desejaria ele dizer?
Não me abandone, cuide de mim.
Estreite-me em seus braços.
Venho para com você aprender o alfabeto do amor.
Não me dê a ninguém.
É do seu carinho que preciso.
Quando a tarde morreu, a gestante retornou ao seu lar, com a esperança a tremeluzir no olhar.
A mulher doação a auxiliaria e ela teria o seu filho, conduzindo-o no mundo.
Dividiriam as dificuldades e somariam esforços.
Permitiriam que se multiplicassem as oportunidades de regeneração, para que diminuíssem as dores.
E se a soma dos problemas parecesse suplantar as forças, sempre poderiam contar com o amor da mãe pelo filho, do filho pela mãe.

Os filhos não são realizações fortuitas.
São filhos de Deus em jornada evolutiva, seguindo hoje ao seu lado, sob a direcção das suas experiências.
Quando um filho enriquece um lar, traz com ele os valores indispensáveis à própria evolução.

Momento Espírita, com pensamentos finais extraídos do verbete Filho, do livro Repositório de sabedoria, v. 1, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75754
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Evocações do Natal

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Dez 13, 2017 11:07 am

É comum os hospitais, na semana que antecede o Natal, tentar mandar para casa o maior número possível de pacientes.
No entanto, alguns sempre necessitam permanecer.
Esses são atendidos pelos médicos que se oferecem como voluntários para trabalhar na véspera e dia de Natal ou que obedecem à escala pré-fixada pela instituição hospitalar.
Naquele Natal, Rachel estava um tanto chateada.
Por ser solteira, fora escalada para trabalhar naqueles dias, permitindo assim que seus colegas ficassem com seus cônjuges, filhos ou pais.
No dia de Natal, vários grupos de pessoas apareceram nas enfermarias e distribuíram lembranças aos pacientes.
Contudo, ao cair da noite, eles se encontravam em suas casas.
O imenso hospital ficou em silêncio.
Muitos leitos vazios.
As poucas lâmpadas acesas nas mesas de cabeceira pareciam ilhas de luz na escuridão.
Rachel ia de um paciente a outro verificando o soro, indagando sobre sintomas, oferecendo medicamentos para a dor ou para dormir.
O Natal é uma época de muitas lembranças e vários dos pacientes desejavam falar sobre elas.
Ela ouviu, naquela noite, muitas histórias.
Tristes umas, emocionantes outras.
Até que chegou ao leito de Petey.
Era um homem velho, a respeito do qual ninguém tinha bem certeza da idade.
Um andarilho, um desamparado.
Nada mais trazia, quando chegara ao hospital, que a muda de roupa que o vestia.
Portador de enfisema crónico, os médicos o mantinham hospitalizado, evitando que ele retornasse ao frio intenso das ruas.
Era tímido e gentil.
Alegrava-se por qualquer coisa e se mostrava agradecido pelos cuidados que recebia.
Ele sorriu, ao vê-la.
Estendeu a mão, abrindo a gaveta da velha mesa de cabeceira, onde estavam guardados seus tesouros:
um canivete, uma escova de dentes, uma lâmina de barbear, um pente, algumas moedas e duas belas laranjas, que ganhara naquela tarde.
Ele tomou de uma delas, estendeu para Rachel:
Dona doutora, Feliz Natal.
Seus olhos demonstravam o enorme prazer que ele estava sentindo em ofertar-lhe a fruta.
E, de repente, muitas lembranças acudiram à memória da médica.
Recordou de sua infância, dos Natais em que sentia essa mesma alegria em dar presentes.
Algo seu. Especialmente preparado para a data, para alguém.
Tudo parecia tão distante. E tão perto.
Lembrava-se de que tinha aprendido muitas coisas desde então, mas que também esquecera outras tantas.
Há muitos anos, seu avô lhe ensinara aquela mesma maneira de viver que Petey mostrava agora.
Entretanto, ao longo dos seus anos de formação académica, a voz de seu avô acabara sendo sufocada pelas vozes de seus familiares, de seus colegas, de seus professores.
Ela estendeu os braços e recolheu o presente, extremamente agradecida.
Feliz Natal, Petey. – Disse, comovida, os olhos cheios de lágrimas.
É preciso muito tempo até que nos conscientizemos de que os bens preciosos que temos para dar não foram aprendidos nos livros.
Também que a sabedoria de viver bem não é conferida aos alunos mais destacados nos estudos avançados.
Os verdadeiros professores andam por toda parte.
Basta saber colher as lições que sua sabedoria nos transmite, nos gestos desprendidos, simples, despojados.
Um gesto simples como estender a mão, sorrir, desejar Feliz Natal.
Repartir o presente recebido, num gesto espontâneo de profunda gratidão.

Momento Espírita, com base no cap. O sábio, do livro As bênçãos do meu avô, de Rachel Naomi Remen, ed. Sextante.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75754
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Servo de todos

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Dez 14, 2017 10:04 am

O mergulho de Jesus nos fluidos grosseiros do orbe terráqueo, é a história da redenção da própria humanidade, que sai das furnas do “eu”, para os altos píncaros da liberdade.
Vivendo os reinados de Augusto e Tibério, cujas vidas assinalaram com vigor inusitado a história, o Seu berço e o Seu túmulo marcaram indelevelmente os tempos.
Aceitando como berço o reduto humílimo de uma estrebaria, no momento significativo de um censo, elaborou, desde o primeiro momento, a profunda lição da humildade para inaugurar um reinado diferente entre as criaturas.
E não se afastou, jamais, da directriz inicial assumida: a de servo de todos.
Jesus concedeu ao verbo servir um significado todo diferente .
Como o maior de todos pôde fazer tal afirmativa? – Questionam os apressados.
Servo de todos?
Colocar-se como um subalterno, uma pessoa menor, que apenas serve?
Ora, os grandes do mundo sempre foram servidos, e jamais servos de alguém!
E tal compreensão ainda é actual, infelizmente, no orbe terrestre:
a de que aqueles que têm mais, intelectualmente, financeiramente, precisam ser servidos, e não servir.
Talvez, se compreendêssemos melhor a proposta milenar do Cristo, veríamos que estamos no caminho oposto à felicidade, quando assim pensamos.
É muito lógico pensar que, quem tem mais, pode e precisa dar mais; que aqueles que têm maiores condições na esfera da inteligência, devem colocá-la a serviço dos menos capacitados.
Essa é uma das propostas do Cristo, não só em Seu verbo, mas enraizada em Suas acções.
O Ser mais perfeito que esteve na face da Terra, esse Espírito que já alcançou os patamares evolutivos que todos almejamos, veio à Terra para servir!
Os grandes servem!
Eis a lição clara, que precisa tomar espaço em nosso íntimo.
Não há humilhação alguma em servir, em ser servo!
São os preconceitos da alma humana que criaram esta impressão falsa.
Assim, se queremos ser grandes, se desejamos construir uma felicidade madura, real, o caminho de servir é fundamentalmente seguro e necessário.
Quando se aproxima mais uma celebração do nascimento de Jesus na Terra, e temos ensejo de fazer balanços e avaliações em nosso viver, recordemos da lição do servir.
Estamos servindo a nossa família como poderíamos?
Estamos servindo à sociedade de forma suficiente?
Estamos servindo ao bem, de acordo com o potencial que temos?
Quem conhece as lições do Cristo, e Sua grandiosidade no que diz respeito ao poder de transformação do Espírito humano, já tem muito para dar, e pode ser servidor poderoso.
Servimos, toda vez que estendemos a mão a quem precisa.
Servimos, sempre que contribuímos para o sorriso dos outros, ao invés de provocar o choro amargo.
Servimos, toda vez que cumprimos com os deveres de pai, de mãe, de filho.
Servimos, sempre que escolhemos o bem, o entendimento, a conciliação, nas disputas inter-relacionais ao nosso redor.
Seja servo de todos e seja mais feliz.

Momento Espírita, com base no cap. Boas novas, do livro Primícias do Reino, pelo Espírito Amélia Rodrigues, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75754
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

A mãe de Jesus

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 15, 2017 10:31 am

Ela crescera, tendo o Espírito alimentado pelas profecias de Israel.
Desde a meninice, quando acompanhava a mãe à fonte de água, para apanhar o líquido precioso, ouvia os comentários.
Entre as mulheres, sempre que se falava a respeito, perguntavam-se umas às outras, qual seria o momento e quem seria a felizarda, a mãe do aguardado Messias.
Nas noites povoadas de sonhos, era visitada por mensageiros que lhe falavam de que fazeres que ela guardava na intimidade d’alma.
Então, naquela madrugada, quase manhã do princípio da primavera, em Nazaré, uma voz a chamou:
Miriam. Seu nome egípcio-hebraico, significa querida de Deus.
Ela despertou. Que estranha claridade era aquela em seu quarto?
Não provinha da porta.
Não era o sol, ainda envolto, àquela hora, no manto da noite quieta.
De quem era aquela silhueta?
Que homem era aquele que ousava adentrar seu quarto?
Sou Gabriel, identifica-se, um dos mensageiros de Yaweh.
Venho confirmar-te o que teu coração aguarda, de há muito.
Teu seio abrigará a glória de Israel.
Conceberás e darás à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus.
Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo e o Seu reino não terá fim.

Maria escuta.
As palavras lhe chegam, repassadas de ternura e, pela sua mente transitam os dizeres proféticos.
Sente-se tão pequena para tão grande mister.
Ser a mãe do Senhor.
Ela balbucia:
Eis aqui a escrava do Senhor.
Cumpra-se em mim segundo a tua palavra.

O mensageiro se vai e ela aguarda.
O Evangelista Lucas lhe registaria, anos mais tarde, o Cântico de glória, denominado Magnificat:
A minha alma glorifica o Senhor!
E o meu Espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador!
Porque, volvendo o olhar à baixeza da Terra, para a minha baixeza e humildade atentou.
E eis, pois, que, desde agora, e por todos os tempos, todas as gerações me chamarão bem-aventurada!
Porque me fez grandes coisas o Poderoso e santo é o Seu nome!
E a Sua misericórdia se estende de geração em geração, sobre os que O temem.
Com Seu braço valoroso, destruiu os soberbos, no pensamento de Seus corações.
Depôs dos tronos os poderosos e elevou os humildes.
Encheu de bens os famintos e despediu vazios os ricos.
Cumpriu a palavra que deu a Abraão, recordando-se da promessa da Sua misericórdia!
Ela gerou um corpo para o ser mais perfeito que a Terra já recebeu.
Seus seios O alimentaram nos meses primeiros.
Banhou-O, agasalhou-O, segurou-O fortemente contra o peito mais de uma vez.
E mais de uma vez, deverá ter pensado:
Filho meu, ouve meu coração batendo junto ao Teu.
Dia chegará em que não te poderei furtar à sanha dos homens.
Por ora, Amado meu, deixa-me guardar-te e proteger-te.
Ela lhe acompanhou o crescimento.
Viu-O iniciar o Seu período de aprendizado com o Pai, que lhe ensinou os versículos iniciais da Torá, conforme as prescrições judaicas, embora guardasse a certeza de que o menino já sabia de tudo aquilo.
Na sinagoga, O viu destacar-se entre os outros meninos, e assombrar os doutores.
O seu Jesus, seu filho, seu Senhor.
Angustiou-se mais de uma vez, enquanto O contemplava a dormir.
Que seria feito dEle?

Maria, mãe de Jesus. Mãe de todos nós. Mãe da Humanidade.
Agradecemos-Te a dádiva que nos ofertaste e, ao ensejo do Natal, Te dizemos:
Obrigado, mãe.

Momento Espírita, com base no cap. A mãe de Jesus, do livro Personagens da Boa Nova, de Maria Helena Marcon, ed. FEP.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75754
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Momento de avaliação

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 16, 2017 10:16 am

No encerramento de cada exercício e início de um novo é inevitável para as empresas a estruturação de um balanço, em relação aos investimentos estabelecidos.
Receita e despesa, confrontados, resultam no saldo que caracteriza o acerto ou a incapacidade do administrador.
No que diz respeito à economia moral, é imprescindível fazer-se uma avaliação das conquistas realizadas durante a ocorrência de cada período.
Indispensável, para bem se aquilatar de como se vai e de como programar-se a etapa nova.

* * *

Os minutos sucedem-se, gerando as horas.
Os dias passam, estabelecendo meses.
Os anos se acumulam e as estruturas do tempo se alteram.
Quem conhece Jesus é convidado a investir, nos divinos cofres do amor, as moedas que a sabedoria lhe faculta em forma de maior iluminação, pela renúncia, caridade, perdão e esperança.
De tempos em tempos, impostergavelmente, torna-se necessário um cotejo do que foi feito em relação ao programado, para medir-se o comportamento durante o trânsito dos compromissos.
Façamos hoje, no encerramento ou início da experiência, uma avaliação-balanço.
Constatada a presença de equívocos, disponhamo-nos a corrigi-los.
Identificados os êxitos, preparemo-nos para multiplicá-los.
Logrados os sucessos, apliquemo-los em favor do bem geral.
Detectados os malogros e sofrimentos, abençoemos a dor e a dificuldade que nos devem constituir impulso e estímulo para o prosseguimento.
Tenhamos, no entanto, a coragem de uma avaliação honesta, sem desculpas, sem excesso de intransigência.

* * *

Hora de balanço é hora séria.
Proponhamo-nos à pausa da reflexão com a coragem de nos despirmos perante a consciência.
A ajuda dos amores ao redor é preciosa, uma vez que, por vezes, a auto-visão poderá estar embaçada por desequilíbrios ou traumas vivenciados.
Perguntar como nos enxergaram durante tal período específico, sobre esse ou aquele aspecto, é bastante válido e propício.
São opiniões que devem ser levadas em conta nesta grande avaliação-balanço produzida em nosso mundo íntimo.
Suponhamos que a desencarnação nos surpreendesse e nos não fosse possível omitir, escamotear ou fugir à responsabilidade que adquirimos perante a vida, face à dádiva da reencarnação.
Experiência que passa, enseja lição que permanece.
E, de aprendizado em aprendizado, o relógio da eternidade nos propiciará o crescimento no rumo de Deus e na aquisição da virtude da paz.

Momento Espírita, com base no cap. 8, do livro Alegria de viver, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75754
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

A indispensável vitória

Mensagem  Ave sem Ninho Ontem à(s) 12:24 pm

Eu venci o mundo.” Jesus Mt, 14:27

Ele chegara ao mundo das espessas sombras num período decisivo para todos quantos no mundo se achavam.
Viera apresentar um modo diferente de viver, de enfrentar dificuldades, de tratar amigos e adversários perseguidores.
Viera, ainda, ensinar quão precário é o poder do mundo da matéria e quão passageiras são as posses que mudam de mãos num piscar de olhos.
Disse Jesus que amigo é aquele que é capaz de dar a sua vida pela do outro.
E Ele mesmo ofertou a Sua a todos, pois todos eram alvos de Seu amor.
Jesus orientou para que amássemos os inimigos e orássemos pelos perseguidores e caluniadores.
E Ele o fez de maneira comovedora.
Ensinou o Mestre que não deveríamos nos perturbar pela posse do ouro.
E Ele, por seu turno, não tinha onde reclinar a cabeça.
Sugeriu o Senhor nos ocupássemos por conquistas as verdadeiras riquezas para a alma:
aquelas que não sofrem a acção das traças, os desgastes do tempo, tampouco a usurpação de gatunos.
E viveu a exemplificar as mais afortunadas virtudes interiores da alma.
Jesus Cristo chegou à Terra com disposição para alterar os estatutos dos preconceitos absurdos, para desfazer a teia da hipocrisia, ensinando-nos a construir conceitos novos sobre diversos elementos que marcam a vida terrena.
À frente dos que vociferavam ansiosos por apedrejar a mulher flagrada em adultério, não desdenhou os princípios sociais das leis de Moisés, nem incentivou o movimento covarde.
Raptou os que estivessem livres de erro, naquela área do comportamento, para que iniciassem o apedrejamento.
Diante dos que O censuravam porque mantinha afável relacionamento com criaturas tidas como de vida irregular, surpreendeu a todos ao afirmar que são os doentes que têm necessidade de médico.
A todo momento Jesus se reportava ao Criador como o Pai Celeste, Pai da imensa família cósmica.
Afirmou que em Seus domínios muitas moradas havia, ao mesmo tempo em que asseverou que seus pais e seus irmãos eram todos os que, nos trilhos da luz do progresso, realizavam a vontade do Pai do Céu.
A sua actuação à frente das mazelas humanas era de ensino e correcção, socorrendo o faltoso; a Sua postura junto aos rebeldes e aos indiferentes era de paciência, aguardando o trabalho do tempo enquanto lhes propunha a busca da harmonização íntima; diante das autoridades do mundo, vivenciava o respeito devido a sua função, sem descer ao nível do temor ou da bajulice injustificáveis.
Em Jesus, tudo era luz de nova oportunidade.
Com Jesus, o aprendizado de todo momento enriquecia os que O acompanhavam.
Quando atraiçoado e detido, ensinou coragem e confiança no Pai.
Sob o azorrague e sob a cruz que conduziu ao topo da montanha, deu testemunho da dor silenciosa e do sofrimento sem mágoa.
Quando imolado, no madeiro, de corpo macerado, levou a alma aos lábios e suplicou em favor dos algozes inconscientes.
Ao regressar ao seio dos amigos, vencida a morte e rompida a lápide do túmulo, não poderia ser outro o Seu cântico de glória e sua determinação de confiança:
Tende bom ânimo, porque eu venci o mundo.
Sem embargo, Jesus vencera o mundo das aparências, das ilusões, da soberba, das vinditas, das paixões inferiores, enfim.
Ele é quem nos ensina, com a Sua própria vida, a não nos submeter a esses tempos de obsessões variadas que vergastam a vida no nosso planeta.
Jesus é aquele que nos reforça a coragem para sermos capazes de controlar as paixões terrenas subalternas, para não sucumbirmos ao seu império devastador, alcançando essa importantíssima vitória sobre nós mesmos e sobre o mundo.

pelo Espírito Francisco de Paula Vítor
De “Quem é o Cristo?”, de J. Raul Teixeira

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75754
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

A estrela do Natal

Mensagem  Ave sem Ninho Hoje à(s) 10:18 am

Naquela manhã, avó e neta carregavam diversos enfeites e diminutas lâmpadas coloridas.
Chegara o esperado dia de enfeitar a árvore de Natal.
Aos poucos, o belo pinheiro foi se transformando:
luzes cintilantes o iluminavam, bolas de cores variadas o adornavam e, no topo, uma estrela fulgurante arrematava a encantadora decoração.
Algumas horas depois, a árvore de Natal estava completamente enfeitada.
Vovó, eu gosto muito de decorar o pinheirinho de Natal com você! - Revelou a menina, aconchegando-se no colo da gentil senhora.
E eu gosto muito que você me ajude a fazer isso, minha filha, redarguiu a avó, sorrindo.
Mas você sabe, prosseguiu, é preciso também que enfeitemos o pinheirinho que todos temos dentro do coração.
Um pinheirinho dentro do coração? - Questionou a menina, sem compreender.
Sim, respondeu a avó.
O Criador plantou no coração de cada um de nós um pinheirinho.
É nossa responsabilidade enfeitá-lo, assim como enfeitamos a árvore que agora ilumina a nossa casa.
Mas, vovó, como podemos enfeitar o pinheirinho do coração?
­Ora, minha filha, nós o enfeitamos com laços, bolas coloridas, luzes e até mesmo com uma estrela como esta, explicou a senhora, indicando a estrela que fora colocada, no topo da árvore, que ambas haviam enfeitado.
Mas como fazemos isso?
A avó abraçou a neta, correndo-lhe os dedos pelos cabelos, e respondeu:
Quando somos caridosos, quando perdoamos, quando amamos, criamos laços fraternos com aqueles que estão ao nosso redor.
São esses laços que enfeitam o pinheirinho que Deus plantou em nós.
Da mesma forma, a gentileza, o respeito, a humildade, a empatia, a generosidade, são as bolas coloridas com as quais enfeitamos a árvore do coração.
­As luzes, prosseguiu a avó, são nossas orações.
Todas as vezes que falamos com Deus, uma cintilante luz brilha em nosso interior, iluminando nosso caminho.
E a estrela, vovó? - Questionou a menina, olhos brilhantes, atenta à explicação.
A estrela é a fé.
Fé que, quando cultivada, brilha no céu de nossas almas e transforma o choro e a tristeza em esperança.
E nos fortalece a vontade para continuar perseguindo nossos sonhos, até os vermos concretizados.
Abraçando a neta, a avó finalizou:
Lembre que não há, minha filha, nenhuma estrela mais cintilante do que a fé e nenhuma luz mais brilhante que a oração.

A poetisa Cora Coralina escreveu certa vez:
Enfeite a árvore de sua vida com guirlandas de gratidão.
Em sua lista de presentes, em cada caixinha embrulhe um pedacinho de amor, ternura, reconciliação, perdão!
No estoque do coração, a hora é agora!
Enfeite seu interior!
Seja diferente! Seja reluzente!

Neste Natal, ofertemos para o desafecto, o perdão; para o oponente, a tolerância; para o próximo, o amor; para a criança, o exemplo; para o passado, a lição; para o presente, a oportunidade; para o futuro, a confiança; para nós mesmos, o nascimento de Jesus em nossos corações.

Feliz Natal para todos nós!

Momento Espírita, com base no poema Poesia de Natal, do livro Meu livro de cordel, de Cora Coralina, ed. Global.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75754
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Momentos Espíritas IV

Mensagem  Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum