Momentos Espíritas IV

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Olimpíada da alma

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 14, 2018 10:52 am

Para adquirirem boa forma física e se credenciarem à participação nas Olimpíadas, os atletas treinam muito.
Não é uma tarefa fácil.
Eles precisam superar dores, o cansaço, os arranhões, as quedas, levantando-se, tantas vezes quantas sejam necessárias para conseguir seu objectivo.
E repetem e repetem os mesmos passos, as mesmas acções, até se considerarem em condições de disputar com outros atletas.
No campo da alma, existe muita semelhança.
Quem deseja obter um visual espiritual de nobreza, rigidez de carácter, integridade, honestidade, sabedoria, precisará se submeter a esforços.
A diferença está em que na Olimpíada da alma, a proposta não é ser melhor do que os outros, mas ser melhor do que si mesmo a cada dia.
As vitórias a serem conquistadas são contra os próprios vícios, contra as próprias imperfeições.
Ninguém consegue ser um campeão moral sem os exercícios necessários.
Não podemos evitar os arranhões, as quedas, as dores, as frustrações, a vontade de entregar os pontos.
Um grande e nobre exemplo dessa realidade foi o Apóstolo Paulo de Tarso.
Em sua arena íntima travava as grandes batalhas do homem novo que surgia, contra o homem velho, orgulhoso e prepotente, que teimava em falar mais alto.
Houve momentos em que desabafou:
Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço.
Contudo, não desistiu e conseguiu vencer a si mesmo a ponto de poder dizer:
Já não sou em quem vive. É o Cristo que vive em mim.
Vitorioso sobre as imperfeições, seu prémio foi o passaporte para um mundo melhor.
Reconhecemos que a maioria de nós ainda está longe de ser um Paulo de Tarso, mas podemos dizer que, graças a Deus, já somos o que somos.
Já vencemos pequenas batalhas contra alguns vícios.
Já conseguimos calar diante de uma ofensa. Já perdoamos, toleramos, somos honestos em muitas coisas.
Todas essas pequenas virtudes são conquistas importantes, pois nos credenciam para enfrentar nossos defeitos maiores.
Nos exercícios físicos, à medida que adquirimos mais firmeza na musculatura, os esforços podem ser mais intensos.
De igual forma, quando nossa musculatura moral estiver mais firme, mais fortalecida, outros desafios surgem.
Novos exercícios se apresentam. Outras provas aparecem.
E, de vitória em vitória, vamos nos tornando cada dia melhores, moralmente falando.
Quanto mais nos melhoramos, mais seremos úteis aos planos do Criador.

O bailarino Mikhail Baryshnikov falou um dia:
Não tento dançar melhor do que ninguém.
Tento apenas dançar melhor do que eu mesmo.
Na Olimpíada da alma, a nobreza está em sermos melhores do que ontem, do que hoje pela manhã.
O grande desafio não está em vencer o outro, mas em vencer a nós mesmos.
Paulo de Tarso, após travar árduas batalhas em sua intimidade, conseguiu a grande e definitiva vitória.
A vitória sobre o homem velho, prepotente e orgulhoso.
Eis aí um grande herói. Um nobre vencedor.
Um exemplo de humildade e determinação.
Alguém que merece ser imitado.

Momento Espírita.

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Os servidores de Deus

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 15, 2018 9:57 am

De um modo geral, a expressão servo de Deus nos remete a religiosos, encerrados em templos, envoltos em orações e actos de caridade.
No entanto, a grandeza do Pai não é limitada.
Consequentemente, nem o campo que oferece aos Seus filhos para a semeadura do bem.
Por isso, Seus servidores se multiplicam pela Terra e se apresentam em inúmeras e extraordinárias facetas.
Samuel Broder é um exemplo.
Chegara na América com um punhado de poloneses sobreviventes do holocausto hitleriano.
Crescera nas ruas de um subúrbio de Detroit.
Logo descobrira que as carreiras científicas eram aquelas em que se podia vencer na vida sem dinheiro e sem status social.
Conseguindo as melhores notas em ciências, ganhou uma bolsa para a Universidade de Michigan.
Conforme suas próprias palavras, ele adentrou em um outro planeta.
Para um rapaz saído de um gueto operário, cujo sonho mais grandioso deveria ser um emprego de metalúrgico na Ford ou na Chrysler, surpreendeu-se ao dividir o quarto com um colega que estudava noite e dia para se tornar compositor.
Em poucos meses, a imaginação daquele jovem imigrante sedento de saber, se inflamaria e ele definiria sua verdadeira vocação: a ciência.
Inspirado pela Oração do homem de ciência, idealizada por um grande escritor americano, gravara em seu coração e em sua memória cada palavra:
Ó Deus, dai-me uma visão sem nuvens e livrai-me da pressa.
Dai-me a coragem de opor-me a toda vaidade e de perseguir, como puder e até o fim, cada uma de minhas tarefas.
Dai-me a vontade de não aceitar nunca o repouso ou a homenagem antes de ter podido verificar se meus resultados correspondem a meus cálculos.
Ou de poder descobrir e consertar meus erros.
Com essa disposição, ao adentrar o laboratório que lhe abriu um dos seus professores, teve a inspiração para a sua vida profissional: o câncer.
Dias e noites inteiros ele se fechava no laboratório para aprender a fabricar anticorpos destinados a combater as células cancerosas.
Nem sempre eram produtivos seus esforços.
Reconhecia, contudo, que mesmo seus fracassos não eram inúteis.
A diferença, dizia, entre um grande sábio e um pesquisador medíocre está no facto de que um sabe fazer as perguntas certas, o outro não.
Um é capaz de se servir das tecnologias de ponta, o outro, não.
Dessa forma, ele se colocara na vanguarda da luta contra o câncer.
Com a irrupção da AIDS, ele tomou uma grande decisão: enfrentar o vírus suspeito de ser seu causador, pesquisando um medicamento capaz de bloquear a sua acção.
Era uma iniciativa perigosa porque ninguém podia avaliar os riscos que poderia causar a manipulação, em laboratório, de concentrados importantes de vírus vivos.
Dos seus cinco colaboradores, dois, de imediato, deixaram o laboratório.
Na época, primavera-verão de 1983, a equipe de Samuel Broder foi a única que aceitou trabalhar na pesquisa, apesar dos riscos.
Para o Dr. Samuel, com seus quarenta anos, pai de duas meninas, havia ainda o risco de levar esse vírus para casa e as contaminar.
Mas, ele aceitou todos os riscos em nome do amor.
Samuel Broder, como outros tantos pesquisadores devotados, é um servidor de Deus, materializando Sua misericórdia entre os seus irmãos, na Terra.
Aprendamos a reconhecê-los e agradeçamos a Deus pelas suas existências.

Momento Espírita, com base no cap. 38, do livro Muito além do amor, de Dominique Lapierre, ed. Salamandra.

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Lição na morte

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 16, 2018 9:59 am

Comparecemos ao cemitério a fim de abraçar a amiga, cujo pai desencarnara.
Amigos, parentes, familiares se aglomeravam na capela.
Um religioso lia, vez ou outra, trechos do Novo Testamento, enaltecendo a vida imortal.
Chegado o momento do sepultamento, seguimos o carro que levava o caixão.
Observamos que as pessoas andavam de cabeça baixa, silenciosas.
Estaríamos todos pensando quem, dos que ali nos movimentávamos, seria o próximo a partir?
Quem estaria a morte espreitando, naquele exacto momento?
Quando retornaríamos àquele mesmo local, para acompanhar outro féretro?
Ou outros viriam ali para nos conduzir o corpo à sepultura?
Enquanto se ultimavam os preparativos dos funcionários para a descida do caixão à cova, novamente se elevou a voz do religioso.
Era jovem, e falou com o entusiasmo de quem traz a luz da fé na própria alma.
Lembrou de factos positivos daquele homem, que vivera mais de oito décadas e que há pouco mais de dois anos, iniciara sua grande luta contra a enfermidade.
Falou da fé daquele homem.
Uma fé que conduzira pessoas em desespero, perdidas na vida a se voltarem para a religiosidade.
Pessoas que haviam encontrado na fé um sustentáculo para continuar na nobreza das lutas.
Falou de templos que ele auxiliara a erguer.
Relatou os benefícios distribuídos na sua longa trajectória.
Enalteceu a sua confiança na Divindade, que não se abalara, mesmo entre as dores e as dificuldades, que o mantinham mais no hospital do que no próprio lar.
Davi era um homem de fé. – Disse ele.
Jamais a perdeu.
Fácil é se dizer confiar em Deus e nas coisas do Espírito, quando tudo vai bem.
Mas, no hospital, mesmo entre os tantos inconvenientes que a doença lhe trazia, as transfusões, a diálise, ele mantinha a sua confiança inabalável no Poder Divino.
E era de tal sorte a sua fé que aos demais contagiava:
médicos, enfermeiros, seu vizinho de enfermaria.
Esse, em recebendo os familiares, certo dia, pediu que todos orassem por ele, por sua recuperação.
Isso porque ouvira o companheiro dizer que Deus atende as nossas rogativas.
Finalizando sua oratória, o jovem religioso afirmou:
Hoje nos despedimos de um homem que realizou uma boa semeadura em sua vida.
Por isso, nossa despedida, apesar da dor da separação é tranquila.
Sabemos que adentrou a Espiritualidade e está bem.
Que os bons Espíritos o receberam.
Agradecidos por termos conhecido Davi, por termos convivido com ele, uns mais, outros menos, pensemos:
Se o Senhor Deus hoje nos chamasse, estaríamos preparados?
Poderíamos partir em paz?
E, enquanto o corpo era baixado, lentamente, ele convocou a todos para uma oração.
Oração que falava de dor, de despedida e de alegria.
Finalmente, ele pediu que nenhum de nós se esquecesse da família, que deveria administrar a dor da ausência física do ser amado.
Que lembrássemos de telefonar, de visitar, de abraçar, sustentando-a nos dias seguintes.
Que lição de vida na morte!
Que momento oportuno para orar, para ensinar como se deve lembrar quem parte, como se deve auxiliar quem fica.
Sobretudo, como nos devemos indagar:
E se fosse hoje o meu dia de partir, estaria pronto?

Momento Espírita.

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Nossa escolha

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 17, 2018 10:20 am

Observando a realidade que nos cerca, rica de progressos e conquistas alcançadas, percebemos que temos infinitas possibilidades de escolhas em qualquer área.
Da mesma forma podemos observar que nossas escolhas são feitas de acordo com nossas preferências, razão pela qual nos alimentaremos sempre daquilo que buscarmos.
Assim é que, focando a música, por exemplo, existem as calmas, suaves, que embalam a mente, nos proporcionando harmonia íntima e convidando à reflexão positiva.
Por outro lado, temos as que excitam à violência e ao desassossego.
Optar por uma ou outra, é nossa escolha.
Quanto às leituras, temos em grande quantidade as que nos instruem, edificam, esclarecem.
Também as extravagantes e sensuais que degradam, que corrompem e nos desvalorizam moralmente.
Nossa escolha nos levará ao que desejamos.
Se focamos a mídia electrónica teremos óptimos programas e filmes que nos estimularão ao amor, à valorização da vida, aos bons costumes.
Porém, teremos em grande quantidade, programação decadente e anti-instrutiva, que nos poderá conduzir à derrocada moral.
De acordo com nossas tendências, será a nossa escolha.
Na vida social, poderemos nos reunir a grupos onde as conversações se encaminham para assuntos vulgares que relaxam o carácter, banalizando as horas.
Ou poderemos seleccionar grupos que preservam os assuntos nobres e sadios, que levantam o ânimo e prezam a dignidade.
A escolha que fizermos, optando por essa ou aquela atitude, identificará a faixa de sintonia em que permanecemos e quais os nossos objectivos de vida.
Sempre, agindo por nós mesmos, ou atendendo a sugestões de outros, colheremos hoje ou amanhã, o fruto de nossos próprios actos.

Muitos apregoamos a ideologia da beleza física, da riqueza e da posição social destacada, como meta de uma felicidade idealizada.
Contudo, a beleza desaparece com o tempo ou mesmo frente a uma doença arrasadora.
A riqueza muda de mãos rapidamente, e a posição social se desfaz diante da miséria ambulante.
Nosso objectivo deve ser, portanto, educar nossas tendências, nos tornando a cada dia melhores do que fomos nos dias anteriores.
Não temos o poder de melhorar as escolhas dos demais, mas devemos ser exemplo, nos melhorando constantemente.
E, nosso foco pessoal deve ser nosso aprimoramento intelectual e moral.
Aprimorando-nos, nossas tendências se modificarão, nossas sintonias serão outras e nossas escolhas serão as melhores.
Também deixaremos nos que se encontrem ao nosso lado no caminho, mesmo que anonimamente, nossas marcas de força e de optimismo.
Dessa forma, respeitemos os que se nos distanciam na estrada do progresso, pois que dia também chegará, em que eles despertarão para um novo objectivo de vida.
Somos todos irmãos em caminhada no rumo da perfeição, porém, cada qual responde pelas escolhas feitas, nas determinadas ocasiões vivenciadas.
Saibamos escolher os caminhos que nos conduzam ao bem, à paz de consciência, ao crescimento de nossas condições íntimas.

Momento Espírita, com base no cap. LXVII, do livro Vida feliz, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.

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A mulher e o homem

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 18, 2018 11:53 am

Victor Hugo

O homem é a mais elevada das criaturas, a mulher o mais sublime dos ideais.
Deus fez para o homem um trono, para a mulher um altar; o trono exalta e o altar santifica.

O homem é o cérebro, a mulher o coração; o cérebro produz a luz, o coração produz amor.
A luz fecunda, o amor ressuscita.

O homem é o génio, a mulher é o anjo; o génio é imensurável, o anjo indefinível.

A aspiração do homem é a suprema gloria, a aspiração da mulher é a virtude excelsa; a glória promove a grandeza, a virtude a divindade.

O homem tem a supremacia, a mulher a preferência; a supremacia significa a força, a preferência representa o direito.

O homem é forte pela razão, a mulher é invencível pelas lágrimas; a razão convence, as lágrimas comovem.

O homem é capaz de todos os heroísmos, a mulher de todos os martírios; o heroísmo nobilita, o martírio purifica.

O homem é um código, a mulher é um evangelho o código corrige, o evangelho aperfeiçoa.

O homem é um templo, a mulher é um sacrário; ante o templo nos descobrimos, ante o sacrário ajoelhamos.

O homem pensa, a mulher sonha; pensar é ter uma lavra no cérebro, sonhar é ter una fronte uma auréola.

O homem é o oceano, a mulher o lago; o oceano tem a poesia que deslumbra, o lago a poesia que adorna.

O homem é águia que voa, a mulher é o rouxinol que canta; voar é dominar o espaço, cantar é conquistar a alma.

O homem tem um fanal - a consciência, a mulher uma centelha - a esperança; o fanal guia, a esperança salva.

Enfim, o homem está colocado onde termina a terra, a mulher onde começa o céu.

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O pior inimigo

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 19, 2018 10:09 am

Um homem, admirável pelas qualidades de trabalho e pelas virtudes do carácter, foi percebido pelos inimigos da Humanidade que conhecemos por ignorância, calúnia, maldade, discórdia, vaidade, preguiça e desânimo.
Juntos, eles tramaram agir contra ele, conduzindo-o à derrota.
A ignorância começou a sua perseguição, apresentando-o ao povo como mau observador das obrigações religiosas.
Dizia que ele se isolava cuidando da terra, cheio de ambições desmedidas para enriquecer à custa do alheio suor.
Não tinha fé, nem respeitava os bons costumes.
O lavrador activo recebeu as notícias da adversária, sorriu calmo e falou com sinceridade:
A ignorância está desculpada.
Surgiu, então, a calúnia e o denunciou às autoridades por espião de interesses estranhos.
Aquele homem vivia, quase sozinho, para melhor comunicar-se com vasta quadrilha de ladrões.
O serviço policial tratou de minuciosas averiguações e, ao término do inquérito vergonhoso, a vítima afirmou sem ódio:
A calúnia estava enganada.
E trabalhou com dobrado valor moral.
Logo veio a maldade, que principiou incendiando-lhe o campo.
Destruiu-lhe milharais enormes, prejudicou-lhe a vinha, poluiu-lhe as fontes.
O operário incansável tudo refez, respondendo:
Contra as sombras do mal, tenho a luz do bem.
Os perseguidores, reconhecendo que haviam encontrado um Espírito robusto na fé, instruíram a discórdia, que passou a assediá-lo dentro da própria casa.
Provocações o cercaram de todos os lados e, em breve, irmãos e amigos o abandonaram.
O bom homem sofreu bastante mas, ergueu os olhos para o céu e falou:
Meu Deus, estou só.
No entanto, continuarei agindo e servindo em Teu nome.
Esquecerei a discórdia.
Apareceu, então, a vaidade que foi lhe dizendo:
Você é um grande herói...
Venceu aflições e batalhas!
Deverá ganhar a auréola dos justos e dos santos!
O trabalhador sincero continuou imperturbável:
Sou apenas um átomo que respira.
Toda glória pertence a Deus!
Foi a vez da preguiça lhe acariciar a fronte, com mãos traiçoeiras:
Seus sacrifícios são excessivos.
Repouse. Você já perdeu as melhores forças!
Vigilante, o interpelado replicou sem hesitar:
Meu dever é o de servir em benefício de todos, até ao fim da luta.
Afastando-se a preguiça, o desânimo compareceu.
Não atacou de longe, nem de perto.
Não se sentou na poltrona para conversar, nem lhe cochichou aos ouvidos.
Entrou no coração do operoso lavrador e, depois de se instalar, começou a lhe perguntar:

Para que se esforçar? Por que servir?
Não vê que o mundo está repleto de colaboradores mais competentes?
Que razão justifica tamanha luta?
Não será melhor deixar tudo por conta de Deus?
Que espera? Tudo é inútil...
Não se lembra de que a morte destruirá tudo?
O homem forte e valoroso, que triunfara de tantos combates, começou a ouvir aquelas interrogações, deitou-se e passou anos sem se levantar.

Não permitamos que o desânimo nos impeça de viver, de agir e de sonhar.
Sempre que o percebamos por perto, coloquemo-nos em oração, afirmando:
Minha alma é maior e mais forte do que você.

Momento Espírita, com base no cap. 22, do livro Alvorada Cristã, pelo Espírito Néio Lúcio, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB.

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A conquista do mundo

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Mar 20, 2018 10:23 am

No ano de 1995, estreou no Brasil a série americana animada de televisão: Pink e o cérebro.
Foram quase oitenta episódios que fizeram a alegria da criançada e de adultos aficionados a desenhos infantis, durante três anos.
Os personagens eram dois ratos brancos típicos de laboratório, que utilizavam exactamente esse espaço como base para seus planos mirabolantes para dominar o mundo.
Cada episódio era caracterizado, no início e no final pela indagação de Pink, o rato alto, magrela, completamente infantil:
Cérebro, o que você quer fazer esta noite?
E o Cérebro, o rato baixote, e com uma enorme cabeça, evidenciando inteligência, respondia:
A mesma coisa que fazemos todas as noites, Pink...
Tentar conquistar o mundo.
Naturalmente, seus planos eram frustrados a cada noite, por interferência de terceiro ou por equívocos do próprio Pink.

O mundo conheceu muitos conquistadores.
Alguns que dominaram extensos territórios, por largo tempo.
Alguns que, para a concretização das suas conquistas, usaram de crueldade e frieza, ensanguentando as mãos.
Tantos que sacrificaram os afectos, as amizades, a saúde mental a fim de alcançar os seus objectivos.
A História nos mostra, no entanto, que essas conquistas sempre foram de limitada duração.
Impérios desapareceram, cabeças coroadas foram substituídas, o poder transferido de um para outro, por maquinações arbitrárias ou pelas lutas por justiça e liberdade.
Existe, no entanto, uma conquista do mundo que todos deveríamos empreender.
Uma conquista que, alcançada, é de carácter definitivo: a conquista do mundo... íntimo.
Essa exige um grande empreendimento, em que devem se associar o auto-conhecimento, o esforço, a perseverança, a vontade.
O auto-conhecimento requer exame profundo de nós mesmos, ou seja, passar em revista as nossas acções, verificando se não faltamos ao cumprimento de algum dever, se ninguém tem alguma queixa a nosso respeito.
Um exame de consciência diário, na hora do recolhimento para o repouso, se faz de importância capital.
Indagarmos a nós mesmos se neste dia, que se finda, fizemos alguma coisa que machucou alguém, física ou emocionalmente; se praticamos alguma acção que merece censura; se faltamos com a verdade em proveito próprio; se desperdiçamos o tempo; se fizemos, enfim, algo contra o nosso próximo.
As respostas nos indicarão exactamente o que já melhoramos em nós.
E em que ainda precisamos insistir para nossa melhoria, accionando a nossa vontade.
O empreendimento deve ser no sentido de identificar e eliminar nossas más tendências, como quem arranca as ervas daninhas do jardim.
Procurar saber o que pensam de nós aqueles que não têm simpatia por nós nos ajudará muito, pois considerando que esses não têm interesse em disfarçar a verdade, nos dirão como realmente somos.
Auto-exame, indagações à nossa própria consciência sobre o que fazemos e como fazemos nos darão a dimensão do bem ou do mal que ainda existe em nós.
Isso nos auxiliará no conhecimento de nós mesmos, que é a chave para o melhoramento individual ou seja, para a conquista do nosso mundo íntimo.
Então, principiemos hoje, enquanto as horas ainda nos sorriem, essa importante conquista.

Momento Espírita.

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Talvez hoje...

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 21, 2018 10:51 am

Talvez hoje... tenhamos despertado pela manhã com o coração oprimido, com uma sensação estranha e o dia cinza mais tenha reforçado o nosso sentir desanimado.
Recordemos, porém, que é apenas mais uma manhã.
Tudo que lá fora está sob as nuvens cinzentas, mantém as mesmas cores de ontem.
E não precisamos nos obrigar a estar sempre radiantes e ensolarados por dentro.
Podemos aceitar os dias chuvosos e os ensolarados como parte das estações, sem grandes choques emocionais.
Talvez hoje... tenhamos esperado algo de alguém e essa pessoa não nos tenha correspondido.
Pensemos que talvez exista outro ser pensando o mesmo a nosso respeito.
Assim, ofereçamos novas chances, sabendo que as pessoas são diferentes, que não sentem como nós, que não pensam com nosso pensamento.
Talvez hoje... nosso corpo tenha nos dado algum sinal de desequilíbrio através de dor ou desconforto.
Antes de qualquer atitude imediata de busca por medicação que tire o sofrimento ou resolva a questão rapidamente, reflictamos sobre as causas da instabilidade física, pois elas sempre estarão na alma.
Não adiantará resolver o efeito se a causa persistir.
Atendamos a um e a outra.
Talvez hoje... alguém vá nos testar a paciência, a compreensão ou a indulgência.
Não nos coloquemos em posição de vítima.
Imaginemo-nos como o aluno na escola, que deve estar sempre preparado para as provas surpresa, aquelas que os professores nunca avisam que farão.
Talvez hoje... apareça algum coração amigo impondo-nos quadros de pessimismo e perturbação, relativamente às dificuldades do mundo.
Embora nos compadecendo da criatura que se entrega ao derrotismo e ao desânimo, poderemos ser aquele que aponta a renovação para o bem que a Sabedoria Divina promove em toda parte.
Talvez hoje... notícias menos agradáveis venham nos provocar inquietações e traçar-nos problemas.
No entanto, conservemos a própria paz e não nos desliguemos das nossas orações e pensamentos de optimismo e esperança.
Talvez hoje... tudo pareça contra nós.
Mas prossigamos compreendendo e agindo, em apoio do bem, guardando a certeza de que Deus está connosco e de que amanhã será outro dia.

Este é o mundo das aflições. Hospital–escola, o planeta Terra propicia a todos os seus habitantes a oportunidade do tratamento, da cura e da educação.
Interroguemos friamente nossas consciências todos os que somos feridos no coração pelas vicissitudes e decepções da vida.
Retornemos, passo a passo, à origem dos males que nos torturam e verifiquemos se, as mais das vezes, não poderemos dizer:
se eu houvesse feito, ou deixado de fazer tal coisa, não estaria em semelhante condição.
A quem, então, temos de responsabilizar por todas essas aflições, senão a nós mesmos?
Somos nós, pois, em grande número de casos, os causadores de nossos próprios infortúnios.
Mas, em vez de reconhecermos isso, achamos mais simples, menos humilhante para a nossa vaidade acusar a sorte, a Providência, a má fortuna, a má estrela, quando a má estrela é apenas o nosso desleixo.

Momento Espírita, com base no cap. V, item 4, de O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. FEB e no cap. 25, do livro Respostas da vida, pelo Espírito André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. IDEAL.

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Sorte ou merecimento?

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 22, 2018 9:52 am

A palavra sorte costuma ser muito utilizada.
Em face de algum acontecimento significativo, fala-se em boa ou má sorte.
Diz-se que algumas pessoas têm muita sorte.
A vida parece lhes sorrir.
Têm grandes amigos, saúde, bom emprego, família equilibrada.
Já para outros a vida não é tão risonha.
Vivem a braços com grandes dificuldades.
Relacionam-se afectivamente com pessoas indignas.
Seus empreendimentos profissionais não obtêm sucesso.
Sua saúde costuma oscilar.
São muitas as formas pelas quais se tenta explicar e contornar a má sorte.
Consulta-se a posição das estrelas no momento do nascimento.
Fazem-se pequenos rituais, a fim de obter conjunções propícias.
Em face de sucessivos desgostos, há quem afirme ser uma questão de carma.
A pessoa imagina estar destinada ao sofrimento e à derrota.
Ocorre ser mais correto raciocinar em termos de lei de causa e efeito.
Tudo o que se faz gera consequências inexoráveis.
Muitos comportamentos do passado ainda hoje estão a espargir efeitos.
Quem semeou espinhos nos caminhos alheios não pode esperar transitar por róseas estradas.
Mas a pior herança que a criatura traz em si são os maus hábitos.
Aquele que se acostumou no pretérito a gastar mal o tempo persiste preguiçoso.
O rico dilapidador segue imprevidente, mesmo vivendo na pobreza.
O maledicente de ontem continua mais ocupado com o viver alheio do que com o seu.
O Espírito troca de corpo físico, em suas diferentes romagens terrenas.
Mas persiste o mesmo em seu íntimo.
Toma algumas boas resoluções no período em que permanece no plano espiritual.
Entretanto, a existência terrena é proveitosa quando põe em prática suas salutares deliberações.
A reforma íntima exige esforço e perseverança.
Ninguém abandona maus hábitos a brincar.
Virtudes também não são desenvolvidas por um golpe de vontade.
É necessário coragem e disciplina para recomeçar a cada tropeço.
A rigor não é importante o que você fez no passado.
O pretérito se apresenta na forma de algumas dificuldades, é certo.
Mas dificuldades são desafios, nada além disso.
Seus problemas são principalmente fruto do modo como você vive hoje.
Certamente você deseja atrair pessoas dignas para sua esfera de relações.
Então, adopte hábitos dignos.
Se deseja um bom emprego, torne-se um profissional competente.
Quando necessita demitir, um patrão sempre trata de preservar os melhores empregados.
Assim, para ter tranquilidade, gaste seu tempo estudando e se aprimorando.
Faça sempre um pouco a mais do que lhe pedem.
Não imagine que passar em um teste de admissão ou em um concurso tenha a ver com sorte.
Bons amigos também não são sorteados ao acaso.
Saúde vigorosa pressupõe bons hábitos de vida.
As coisas boas da vida devem ser conquistadas.
Viver bem não é uma questão de sorte, mas de merecimento.

Pense nisso.

Momento Espírita.

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Eu tenho a força

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 23, 2018 11:53 am

O homem, através dos tempos, reconhecendo sua própria fragilidade, concebeu a existência de seres especiais que o defendessem dos maus.
Entre todos os povos, surgiram as lendas e abundaram as histórias de seres dotados de poderes mágicos, alguém com super-poderes.
Ou guerreiros de extraordinária força.
Para a imaginação infantil, foram concebidos heróis de todas as formas e espécies:
aqueles que salvavam as donzelas dos dragões; os que derrotavam os maus em combates extraordinários; os que vinham em socorro do povo maltratado pela tirania.
Transferidos para as histórias em quadradrinhos, faziam a diversão dos pequenos e de muitos adultos que, semana a semana, aguardavam a continuidade dos episódios electrizantes.
Posteriormente, esses heróis tomaram conta das telas televisivas, com suas peripécias e conquistas.
Foi assim que surgiu o príncipe Adam, do reino de Eternia.
Possuidor de uma espada mágica, ele a levantava na direção do céu e proclamava:
Pelo poder de Grayskull...
E se transformava em He-man.
Uma vez completa a transformação, ele dizia:
Eu tenho a força!
E partia, como um guerreiro mágico que era, a lutar contra o mal, utilizando de sua agilidade e super-força.
Possivelmente, alguns de nós, ante problemas graves, apreciaríamos ter em mãos essa espada mágica que nos conferisse poderes de solução rápida e segura.
Embora não nos demos conta, somos todos dotados de um grande poder.
Infelizmente, nos esquecemos de accioná-lo, devidamente.
Esse poder se chama vontade.
A vontade é a gerência esclarecida e vigilante, governando todos os sectores da acção mental.
É o leme de todos os tipos de força incorporados ao nosso conhecimento.
A electricidade é energia dinâmica.
O magnetismo é energia estática.
O pensamento é força electromagnética.
A vontade, contudo, é o impacto determinante.
Nela dispomos do botão poderoso que decide o movimento ou a inércia da máquina.
O cérebro é o dínamo que produz a energia mental, segundo a capacidade de reflexão que lhe é própria.
Na vontade temos o controle que dirige essa energia mental nesse ou naquele rumo, estabelecendo causas que comandam os problemas do destino.
Só a vontade é suficientemente forte para sustentar a harmonia do Espírito.
Vontade. Vontade de acertar, de fazer, de crescer.
Vontade de superar os óbices que se apresentam e seguir em frente.
Importante que aprendamos a accionar essa força, mais vezes.
Dizermos a nós mesmos que somos capazes e que alcançaremos o objectivo a que nos propomos.
Que lutaremos contra a enfermidade que nos toma de assalto as energias e batalharemos para que ela não nos vença.
Que equacionaremos os problemas que nos impedem o crescimento e seguiremos em frente, galgando degrau a degrau, mesmo devagar, mesmo precisando nos deter um pouco antes de prosseguir.
Vontade, comandante de nossa energia mental.
Pensemos nisso e não nos detenhamos tanto a examinar as nossas fraquezas e admitir as nossas dificuldades.
Digamos a nós mesmos que somos capazes, que avançaremos mesmo que sejam milímetros, que iremos adiante.
Digamos para nós mesmos: eu tenho a força.
Ela se chama vontade.
E nos transformemos nos conquistadores e heróis de nós mesmos.

Momento Espírita, com base no cap. 2, do livro Pensamento e vida, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB.

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Gargalhada cristalina

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 24, 2018 12:09 pm

Férias escolares.
Momentos imperdíveis junto de nossas crianças.
Tudo parece mais colorido, mais musicado e mais vívido junto delas.
Quando se reúnem nas brincadeiras descontraídas, podemos ouvir suas risadas.
Elas manifestam pureza de sentimentos e alegria sadia, no convívio feliz.
Primos que se encontram na casa dos avós, amigos que se reencontram matando saudades, fazem o ar parecer diferente.
O que dizer então daqueles que moram nas grandes cidades, que passam o ano entre o apartamento e o recinto da escola, e que vão gozar suas férias em local livre, amplo.
Tudo para eles se torna, então, motivo de festejos.
A novidade do local onde se hospedam, o clima diferente, as horas livres.
O cheiro gostoso de um bolo, da pipoca, um suco natural podem se tornar motivo para uma festa especial.
Ser criança é ser muito especial, é correr até cansar, é rolar no chão, é rir de qualquer brincadeira.
Importante sabermos aproveitar o período das férias de nossas crianças para apertarmos os laços de afecto entre nós e eles, recém-chegados para mais uma experiência na Terra.

Jesus, ao pedir que deixassem ir até ele as criancinhas, tomou-as como símbolo da pureza de coração, de simplicidade e de humildade.
Queria o Mestre de Nazaré que os homens aceitassem Seus ensinos, se entregassem a Ele, com a confiança das crianças.
E temos muito a aprender com elas.
Crescemos e parece que esquecemos de nosso período de infância.
Por vezes, nos tornamos desconfiados, intolerantes.
Necessitamos deixar viver a criança que existe em nós, buscando ser alegres e simples, manifestando confiança e descontracção.
Ser criança, na Terra, é se preparar para a nova jornada de lutas e de aprendizados.
Lembramos que quando tomamos um novo corpo para viver neste mundo, apenas o corpo é novo.
Nós, Espíritos imortais, somos milenários.
Fazemos uso deste corpo, onde o cérebro virgem começa a registar as novas experiências.
Por isso, o período da infância constitui como que um repouso para o Espírito.
Tudo parece novidade porque as lembranças do ontem, de um modo geral, estão arquivadas no inconsciente.
Este um dos motivos que nos deve estimular a agirmos o mais correctamente possível com nossos pequenos, a fim de lhes proporcionar um novo e produtivo aprendizado.
Obedecendo ao convite de Jesus, levemos nossas crianças ao Seu encontro.
Permitamos aos nossos pequenos a evangelização desde seus primeiros anos para que eles possam beber dos Seus ensinos.
Exemplifiquemos a vivência dos ensinamentos do Mestre para que se sintam seguros e confiantes.
Oremos com eles, demonstrando-lhes que através da prece sincera e elevada, estabelecemos contacto com as esferas de luz, donde usufruímos bênçãos, forças e coragem para enfrentar os desafios da vida.
Com essa bagagem, mais fácil será sua caminhada.
Facilitemos para que cresçam levando consigo a alegria de viver, e que possam continuar nos presenteando com suas gargalhadas cristalinas.

Momento Espírita.

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Amar ao Próximo como a si mesmo...

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 25, 2018 12:01 pm

Espírito Victor Hugo

O Cristianismo, fundamentado no conceito sublime do "amar ao próximo como a si mesmo", abriu as primeiras portas da compaixão e da misericórdia aos portadores de lepra, nos dias difíceis dos séculos passados.
Proliferaram, assim, os lazaretos,onde cada recém-chegado era considerado como "se fosse o próprio Cristo que ali se hospedava", passando a receber a caridade da assistência e o socorro do amor fraterno.
Muito deve a Humanidade a esses primeiros hospitais, se levarmos em consideração a época de ignorância e promiscuidade, de imundície e indiferença humana, em que se multiplicaram.
*
Se o passado é nossa sombra de dor, o futuro significa a nossa primavera de bênçãos, conforme o presente ao nosso alcance.
As trevas cedem ante a luz, e o sofrimento desaparece em face à alegria da esperança e ao consolo da consciência em tranquilidade.
Ninguém paga além do débito a que se vincula. O amor, porém, é o permanente haver, em clima de compensação de todas as desgraças quer por acaso hajamos semeado, recompensando-nos o espírito pelo que fizermos em nome do bem e realizarmos em prol de nós mesmos.
*
Não receies, nem temas, nunca!
O pântano desprezível é desafio ao nosso esforço para mudar-lhe o aspecto, e a aridez do deserto é incitação à nossa capacidade de transformá-la em jardim de esperanças e em pomar de bênçãos...
Imprescindível começar agora a nossa obra de aprimoramento interior, enquanto surge a oportunidade favorável.
Amanhã, talvez seja tarde demais, e o minuto valioso já se terá esvaído na ampulheta do tempo.
Cada coração é nosso momento de produzir.
Cada sofrimento é a nossa quota de reparação.
O adversário significa o solo a trabalhar, esperando por nós, enquanto o amigo é dádiva de que nos devemos utilizar com respeito e elevação.

De Divaldo P. Franco em "Sublime Expiação"

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As três sombras

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 26, 2018 9:39 am

Numa estrada deserta, em noite fria, deslizavam, tristes, três sombras encapuzadas.
Seguiam quase mudas mas, de quando em quando, entreolhavam-se inquietas e murmuravam expressões sem nexo.
Numa curva inesperada, pararam e se apresentaram.
A primeira, a mais alta e negra, aproximou-se e, gargalhando, esclareceu:
Eu sou a ira. Faço-me de caminho mais curto para a morte.
Vivem comigo o desespero e a tragédia.
O ódio me segue os passos e calço-me com as sandálias da revolta.
Acompanho o homem desde que o mundo é mundo e pretendo viver com ele eternamente...
Com um simples apelo sou recebida com prazer em toda parte.
Sou feliz assim e gosto de atrair todo mundo a mim.
A segunda sombra falou então:
Eu me chamo medo.
Sou a porta larga que conduz à loucura.
Tenho grande força.
E, olhando para a ira, falou com arrogância:
Você é facilmente vencida por alguns minutos de meditação, prece, perdão, e suas companheiras morrem assim que a humildade se apresente.
Mas eu sou invencível!
Escondo-me na luz e nas trevas, entre sábios e ignorantes, grandes e pequenos, ricos e pobres. Moro em todo lugar.
Como rei, cerco-me de bajuladores fiéis:
a dúvida, o receio, a desconfiança, o pavor...
Fez-se breve intervalo e as duas megeras se olharam.
Fitando a terceira companheira, perguntaram:
Quem és tu, filha da tristeza?
E qual é teu nome?
Bem, eu até nem sei ao certo...
Uns me chamam de infortúnio, outros de felicidade e muitos de desgraça.
Sempre vivi errante, perseguida, odiada.
Jamais pude sorrir.
E, fechando os olhos como quem se recorda de algo, falou com grande emoção:
Um dia, numa estrada, encontrei alguém que sorriu para mim.
Era moço, alto e belo.
Tinha olhos mansos e meiga voz, embora seu rosto reflectisse tristeza imensa...
Fitou-me comovido e, mudo, passou.
Notei que muitos O seguiam, chamando-lhe Mestre.
Tempos depois eu O encontrei novamente.
Era noite e Ele orava num lugar sombrio, chamado Horto das Oliveiras...
Ele me reconheceu.
Seu rosto suado cobriu-se com ligeiro sorriso e disse:
“Não desfaleças, irmã! Segue tua trilha.”
Daquele momento em diante não O deixei mais.
Acompanhei-O atado a cordas, suportando os golpes do chicote dilacerando-lhe as carnes, a fúria dos perseguidores, a solidão, o abandono.
Na cruz, cercado pela multidão encolerizada, fitou-me quase sem forças e murmurou só para mim:
“Avança, missionária. Longa, difícil e bela é a tua tarefa.
Não mais seguirás a ira e o medo.
Serás minha mensageira ao mundo desatento.
Caminharás só e incompreendida, ensinando em silêncio.
De quando em quando, terás a companhia das lágrimas e da saudade, mas em teu caminho deixarás esperança e paz.
Vai, dor irmã. Em meu nome ergue as minhas ovelhas.
Fala-lhes da paciência e da resignação, da coragem e bom ânimo.”
Depois de rápida pausa, concluiu a terceira sombra: Sou a dor.
Acompanhei aquele moço de olhos mansos e meiga voz, até aos últimos minutos de Sua breve existência entre os homens.
É em nome dEle que busco Suas ovelhas e as conduzo ao Seu aprisco.
Houve profundo silêncio...
O vento soprou mais forte.
Despedindo-se, as três sombras seguiram, cada uma por caminho diferente.

Momento Espírita, com base no cap. 32, do livro Crestomatia da imortalidade, por Espíritos diversos, psicografia  de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.

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Última edição por Ave sem Ninho em Ter Mar 27, 2018 8:42 am, editado 1 vez(es)
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Sabedoria na doação

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Mar 27, 2018 8:42 am

Não é raro que, na ânsia de fazer o bem, nos disponhamos a dar coisas, distribuir alimentos.
Não é raro também se ouvir frases de decepção, do tipo:
As pessoas nunca estão satisfeitas.
Se ofereço sopa, elas perguntam se não há algo mais.
Se distribuo roupas, reclamam da cor e do modelo.
Ou ainda: Acredita que o andarilho falou que não queria o cobertor?
Essas situações nos remetem a uma outra, vivida no século passado, durante a revolução cultural da China.
Fang era uma pessoa compreensiva e receptiva a novas ideias.
Uma das grandes realizações dos Guardas Vermelhos fora a criação de escolas nocturnas, cujo objectivo era transmitir aos camponeses as ideias comunistas de Mao.
Todos recebiam cópias do Livro Vermelho.
Fang era analfabeta.
Por isso, dois jovens e entusiasmados Guardas Vermelhos decidiram ensiná-la a ler.
Ela nunca chegou a reconhecer palavras isoladas.
Mas conseguiu memorizar parágrafos inteiros dos ensinamentos de Mao.
Enquanto lavava a roupa, limpava a casa, costurava ou cozinhava, seus lábios se moviam.
Ela recitava, em silêncio, passagens do Livro Vermelho.
Por isso, foi considerada uma aluna-modelo.
Pouco tempo passado, duas jovens da Brigada Vermelha foram visitá-la.
Desejavam verificar seus progressos na leitura.

Fang disse que estava ocupada, que elas voltassem depois.
Naquela manhã, o carvão usado se recusava a acender e o pequeno cómodo estava tomado pela fumaça.
As moças se foram mas voltaram logo depois, insistindo que era preciso verificar se a senhora entendera os ensinamentos do Livro Vermelho de Mao.
Tinham de entregar, naquela noite, um relatório ao líder do grupo.
Fang ficou impaciente.
Ela pediu que uma das moças assumisse seu lugar na cozinha, que a outra tentasse acender o fogo.
Elas se entreolharam confusas.
Então, a camponesa desabafou:
Eu poderia passar todos os dias, por todo o resto da minha vida, decorando os ensinamentos de Mao.
Mas quero saber: quem vai arrumar, limpar e cozinhar?
Quem vai dar banho nos meus sete filhos, costurar as roupas deles, preparar três refeições por dia, todo santo dia?
Quem vai fazer mágica para conseguir cozinhar?
Vocês pensam que as palavras do presidente Mao enchem barriga?
Se vocês vierem aqui todos os dias para me ajudar nas minhas tarefas, eu aprendo o que quer que queiram me ensinar. E muito mais.
As moças foram embora, sem dizer nada.
E nunca mais voltaram àquela casa.

Desejando fazer o bem, analise o que, especialmente, as pessoas que você pensa auxiliar, necessitam.
Algumas carecem de pão, outras necessitarão agasalho.
Alguém pedirá que você lhe decifre o alfabeto.
Outro mais desejará dinheiro para se locomover a determinado local.
Aquele sonha em frequentar bancos escolares.
Pense nisso: o importante não é dar.
É dar com sabedoria a cada um aquilo de que carece e anseia.
Dessa forma, o seu benefício alcançará superiores objectivos, suprindo a real necessidade.

Momento Espírita, com base no cap. 2, do livro Adeus, China – o último bailarino de Mao, de Li Cunxin, ed. Fundamento.

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A felicidade no currículo da escola

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 28, 2018 10:13 am

Você pensou alguma vez na possibilidade do estudo e a busca da felicidade se tornarem matéria escolar?
E se essa matéria valesse mais do que as notas das demais do currículo escolar?
Pois isso é realidade em instituições de ensino na Holanda.
E deverá se concretizar em um colégio na Índia.
A ideia é que os estudantes utilizem espaços de meditação repletos de árvores, um laboratório e cozinhas.
Salas de aula? Nenhuma.
Preparação para provas? Pode esquecer.
A escola primária Riverbend School quer ensinar felicidade antes das disciplinas tradicionais.
Os fundadores dessa escola, actualmente em construção, vêm do universo do empreendedorismo, e não da educação.
Para eles, essa é a oportunidade de abordar o mundo da aprendizagem de uma maneira radicalmente diferente.
O campus imita uma vila.
Em vez de uma praça central, um espaço comum.
Eles acreditam que a felicidade vem das relações, em primeiro lugar.
Ao invés de prédios comerciais, construções académicas.
Escrituras hindus serão utilizadas para ensinar os alunos a viverem uma vida mais feliz e plena.
Segundo o cofundador, a ideia é subverter um conceito ocidental:
o de que o ambiente controla a felicidade e, por causa disso, é preciso tomar conta desse espaço.
Ao contrário de seguir uma grade específica, os estudantes decidirão o que querem aprender.
E farão isso através de experiências próprias, seja em um seminário de literatura indiana, meditação ou ajudando a desenvolver um software com colegas, em um laboratório específico para essa função.
A escola deve ser concluída em 2020.
O campus também incluirá um instituto de pesquisas para estudar a efectividade das técnicas ali aplicadas.

A humanidade tem realizado, até o presente, incontestáveis progressos.
Os homens, com a sua inteligência, chegaram a resultados que jamais haviam alcançado, sob o ponto de vista das ciências, das artes e do bem-estar material.
Resta-lhes ainda um imenso progresso a realizar:
o de fazerem que entre si reinem a caridade, a fraternidade, a solidariedade, que lhes assegurem o bem-estar moral.
Não poderiam consegui-lo nem com as suas crenças, nem com as suas instituições antiquadas, restos do passado, boas para certa época, suficientes para um estado transitório, mas que, havendo dado tudo o que comportavam, seriam hoje um entrave.
Já não é somente de desenvolver a inteligência o de que os homens necessitam, mas de elevar o sentimento e, para isso, faz-se preciso destruir tudo o que superexcite neles o egoísmo e o orgulho.
Tal o período em que doravante vão entrar e que marcará uma das fases principais da vida da Humanidade.
Essa fase, que neste momento se elabora, é o complemento indispensável do estado precedente, como a idade madura o é da juventude.
Essa fase foi predita, há muito tempo e aguardada por muitos.
A pouco e pouco, ela vai se sedimentando, se concretizando, ora aqui, ora acolá.
Isso nos diz que são chegados os tempos determinados por Deus.
Tempos marcados por revoluções de ordem moral, pelo aparecimento de instituições que se preocupam mais com o íntimo do que com a exterioridade, pura e simples.
Preparemo-nos para a boa recepção desses tempos.
E façamos a nossa parte para que se acelere a chegada desses melhores dias.

Momento Espírita, com base em notícia publicada no site www.sonoticiaboa.com.br, em 19 de fevereiro de 2018 e no cap. XVIII, item 5, do livro A génese – os milagres e as predições segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. FEP.

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Divina Presença

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 29, 2018 9:19 am

Quando você nasceu na Terra, parecia um pássaro semi-morto que a tempestade arremessara numa praia esquecida.
Então, apareceu uma imensa ternura num coração de mulher.
Pelas mãos maternas você foi lavado e alimentado milhares de vezes.
Simplesmente por amor.
Você cresceu forte.
Quando o véu da ingenuidade infantil envolvia sua cabecinha, os professores se deram conta da sua inteligência.
E a alimentaram com as primeiras letras e com toda a riqueza que a escola proporciona.
Você se tornou jovem.
E no vigor da sua juventude, a despreocupação era a tónica dos seus dias.
Foi então que amigos notaram o seu carácter de nobreza nos gestos e direccionaram a sua jornada para as bênçãos do trabalho.
Você se enriqueceu de experiência.
Na madureza, a enfermidade veio lhe fazer uma demorada visita.
Quando todos já imaginavam que você partiria para a grande viagem, médicos diligentes estenderam o remédio eficaz e a força sublime que havia dentro de você venceu a doença.
Recuperado, você retornou às lides.
Então houve horas de incompreensão, pressões profissionais, situações de desconforto, criadas pela inveja e pela calúnia.
Nessas horas, em meio às lágrimas doridas, você pôde ouvir canções de conforto, conclamando-o à esperança e à alegria.
Passou o tempo. Dobraram-se os anos.
Por onde quer que você siga, percebe a luz invisível que clareia os seus pensamentos.
Se você sofre, é o apoio que chega.
Se você erra, é a voz que corrige.
Se você teme ou vacila, ante inusitada situação, é o braço que sustenta.
Se você se encontra mergulhado em solidão, é a companhia que consola.
Em todos os momentos da sua vida, dos primeiros vagidos aos da actualidade, em qualquer circunstância, você depende desse alguém.
Falamos de Deus, Nosso Pai, a quem devemos aprender a amar e respeitar, pois nos encontramos nEle como o fruto na árvore.
Ele nos sustenta e Sua seiva nos dessedenta.
E mesmo que tudo pareça contra nós, abandonados ou incompreendidos pelos afectos, sofrendo os golpes da adversidade mais rude, nunca estaremos distantes da presença de Deus.

Você sabia?
Você sabia que Deus nos proporciona momentos diversos para enriquecermos nosso Espírito?

Assim, a presença da enfermidade é momento para meditação sobre a fragilidade orgânica.
A manifestação da saúde é momento de agir no bem, valorizando-a.
O ensejo da oração é momento de iluminação interior.
A hora da provação é momento de resgate libertador.
Pensemos nisso e aproveitemos todos os momentos como dádivas de Deus.

Momento Espírita, com base no cap. 44,do livro Justiça Divina, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB e no prefácio do livro Momentos enriquecedores, pelo Espírito Joanna de Angelis , psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.

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Nossa felicidade

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 30, 2018 10:00 am

Todos desejamos ser felizes.
Todos pensamos alcançar a felicidade.
E cada um de nós a idealiza de uma forma.
Ocorre que, nos dias actuais, em que a depressão se tem tornado tão comum, em que mais ouvimos falar de tristezas e de dificuldades, em que encontramos muitas pessoas de cenho carregado, de semblante sombrio, é de nos perguntarmos se existe mesmo essa tal de felicidade.
Muitos falamos dos problemas que precisamos enfrentar, da vida dura que levamos, das horas cansativas que o trabalho profissional nos exige sem, por vezes, a compensação salarial que apreciaríamos ou que nos daria melhores condições de vida.
O noticiário não colabora muito para mudar essa forma de ver a vida, considerando os relatos de cataclismas, que destroçam vidas e acabam com patrimónios construídos a muito esforço.
Ou da violência que alcança, parece, todas as gentes, em todo lugar.
E se vamos nos fixando nesse viés de vicissitudes, próprias de um planeta de provas e expiações, qual o que nos encontramos, natural que acabemos por nos permitir abraçar pela tristeza.
Que o desânimo nos faça curvar os ombros e arrastar os pés, como se tivéssemos uma bola de ferro a eles acorrentada.
No entanto, basta uma olhada rápida para direcção diversa para percebermos outro panorama.
Seria como vermos a atmosfera pesada, as nuvens negras escurecendo o céu.
Chegam os ventos em fúria e a água jorra abundante, lavando o ar e penetrando o solo.
A terra sorve com rapidez o líquido precioso e agradece, exalando um característico perfume de terra molhada, que nos chega às narinas.
Dissipada a tempestade, sentimos o ar leve.
O céu se oferece claro, o sol se manifesta.
Logo, esquecemos a tormenta de há pouco!
Constatamos que assim também acontece em nossas vidas.
Depois de momentos difíceis, descobrimos cores de felicidade em nossos dias.
E, nesse exercício, enumeramos tantas coisas que fazem nossa felicidade.
Damo-nos conta de que somos felizes.
Felizes por termos um corpo que nos permite a mobilidade, que nos permite ouvir, ver, falar.
Felizes por desvendarmos o alfabeto e descobrirmos o segredo das letras que nos narram o belo, o bom, o extraordinário.
Somos felizes por termos um tecto, uma família grande ou pequena ou minúscula.
Ou por vivermos sós, mas contarmos com um cão que nos recebe feliz ao chegarmos em casa.
Ou por termos um gato para alimentar, uma flor para regar.
Somos felizes por termos quem nos abrace, nos queira bem.
Felizes por termos a capacidade de apreciar um bom filme, um espectáculo de ballet, uma sonata, uma peça de teatro.
Felizes por podermos cantar uma canção, dedilhar um instrumento, soprar uma flauta, imitando o vento.
Indaguemo-nos hoje, agora, o que nos faz felizes.
Comecemos a escrever uma lista.
Iremos nos surpreender, com certeza, com a abundância de itens que fazem nossa felicidade tantas vezes no dia, na semana.
Permitamo-nos descobrir essas pequenas grandes felicidades diárias.
E, enquanto morrem os acordes da música que compõem a harmonia deste texto, abramos um sorriso dentro d´alma, iluminando este dia.

Momento Espírita.

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Vovó, você me protege?

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 31, 2018 10:13 am

Joana chegou a casa de sua mãe, com a pequena Lara nos braços, indagando se ela poderia ficar com a menina nesse dia.
Explicou que a criança não dormira direito, gritara durante a noite, motivo pelo qual preferia não deixá-la na creche, durante o seu período de trabalho profissional.
A avó recebeu a netinha com o carinho de sempre, beijando-a.
Logo mais, descontraída, Lara segredou para a avó que estava com medo.
Tinha sonhado com bichos muito feios e não queria que eles a atacassem.
Ante a indagação da avó, Lara contou que, no dia anterior, seu primo lhe havia mostrado umas formigas, no jardim de sua casa.
Dissera que elas eram muito más e se transformavam em gigantes para atacar as pessoas.
Ao concluir seu relato, pressionou seu rosto ao da senhora, e falou baixinho:
Vovó, você me protege?
O abraço agora foi mais apertado e a resposta soou confiante:
Claro que sim, querida.
E vamos falar com seu anjo da guarda para pedir protecção.
Oraram juntas e a menina se tranquilizou.
Depois de algum tempo, a avó a levou para fora e foram observar um formigueiro que havia surgido em um canto do quintal.
Com a pequena ao colo, a senhora explicou que as formigas eram excelentes exemplos de trabalho.
Falou como era formado o formigueiro, que elas se dividiam em classes e que cada uma delas tinha tarefas específicas a realizar, para conservação de toda a comunidade.
Disse ainda do esforço delas em acumular alimento para o inverno e para os dias de chuva.
Fez questão de afirmar que, de modo geral, as formigas são inofensivas.
Só picam quem mexe com elas, quem pisa no formigueiro, por uma questão de defesa própria.
Explicou que o primo fizera uma brincadeira de mau gosto, e que ela não deveria ficar assustada com isso.
A menina encostou-se ao peito da avó, olhou-a nos olhos e disse baixinho: Vovó, amo você.

No ser humano, o medo é uma reacção natural do organismo diante de uma ameaça real ou imaginária.
Fazendo parte do instinto de conservação, se apresenta quando estamos diante de uma situação de risco para que evitemos o perigo.
Embora sendo uma das emoções básicas que todos trazemos ao nascer, devemos buscar identificar suas causas, pois geralmente tem origem maior na imaginação receosa do que em situações reais.
Em se tratando do medo expresso pelas crianças, precisamos dar atenção especial para identificar suas causas e, se possível, através de explicações racionais, eliminá-las.
Encará-lo sempre como algo natural, e, não ignorando nem menosprezando o que estão sentindo, conversar naturalmente.
O antídoto para o medo são as informações, os esclarecimentos, as orientações.
Também a confiança em Deus, no anjo da guarda por meio da oração, construindo uma fé sólida, desde tenra idade.
Assim agindo, conferimos segurança à criança, enquanto também a ensinamos a respeitar as sensações e sentimentos alheios.

Pensemos nisso.

Momento Espírita

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AMOR PLURAL

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 01, 2018 11:21 am

Vivaldo,
Você escreveu este livro
Nas mais doces esperanças
E ele se fez alto escrínio
De nossas próprias lembranças.

Li todas essas páginas
De carinho imortal,
Recordando a beleza
De nosso amor plural.

O passado é um conjunto
De lições mal-dormidas
Que se guarda e se renova
No campo de nossas vidas.

Conservo na memória
O que sonhei e fiz
Para ter a nossa casa
Sempre mais bela e feliz.

Lourdinha era a nobre mãe,
Atenta a princípios sãos.
Eu ia buscar as flores
Que lhes ofertava às mãos.

O nosso formoso lar
Estava numa campinha.
De Lourdinha e de você
Eu era a feliz menina.

Onde foi?
Não nos lembramos,
Nas lutas de Cá e Lá...
Aguardemos trabalhando.

O Tempo, que é sábio mudo,
O Tempo que sabe tudo,
Um dia, nos contará.

Lourdinha e eu somos almas
Que amamos o seu caminho,
Você mesmo em senda estreita,
Jamais estará sozinho!

Quantas vidas já tivemos
Seguindo os anseios seus
Repetindo o amor plural,
Mas sempre nas Leis de Deus!

Amor plural para nós
Sob a lei, que maravilha!
Sou sempre feliz no trio:
Você, Lourdinha e eu por filha!...

Poema recebido pelo médium Francisco Cândido Xavier, em reunião íntima da noite de 8 de novembro de 1992, em Uberaba, Minas

Poema que me foi ofertado pela Irmã Scheila, numa reunião íntima em que ela, a meu ver, buscou nos mostrar que o “ amor plural” é o amor de família, em que os corações se unem num só sentimento de união, carinho e esperança.

Vivaldo Cunha Borges

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Podemos contar com nossos amores

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 02, 2018 10:30 am

Aquela havia sido uma semana muito difícil para ele.
Empresário dedicado e responsável, enfrentava complicações múltiplas na organização, que já contava com mais de duas décadas de existência.
Depois de mais uma noite mal dormida, dessas em que nos mantemos despertos, tentando encontrar soluções para os problemas, ele levava a filha caçula, de cinco anos, para a escola.
A alegria da menina fazia com que ele esquecesse, por alguns instantes, de todas as batalhas que o aguardavam.
Um breve descanso para aquela alma guerreira.
Pararam o carro, desceram, e como sempre fazia, levou-a até à entrada da instituição de ensino.
Iam se despedir, como de costume, quando ela, subitamente, caiu em pranto e o abraçou fortemente.
Ela nunca reclama de ir à escola. – Pensou ele.
O que aconteceu? Ela estava tão bem.
Depois de alguns instantes, sem conseguir falar, ela lhe disse:
Papai, quero ir trabalhar com você!
E continuou abraçando-o ainda em lágrimas.
Ele entendeu a razão do pranto, e também se emocionou.
Mesmo sem ele dizer o que se passava em seu íntimo, ela havia percebido que o coração de seu amado pai estava triste.
Não sabendo como expressar sua vontade de ajudar, de fazê-lo alegre novamente, de consolá-lo, ela propõe ir trabalhar com ele.
Que bela e singela expressão de amor...
Desse amor que deseja ver aqueles que estão ao nosso lado bem, felizes, em paz.
E nada mais completo e puro que a expressão de uma criança, dizendo ao seu pai:
Estou aqui, quero ajudar, não fique assim.
Irradiamos, sem perceber, tudo aquilo que vai em nossa alma.
Mesmo que nos escondamos por trás da mudez, do silêncio, emitimos vibrações constantemente.
Quem tem sensibilidade pode captar.
Quem nos ama e se importa connosco está sempre atento, e disposto a ajudar.
E ainda, em muitas oportunidades, a Providência Divina se utiliza desses que estão ao nosso redor, para nos enviar conselhos, palavras amigas e emissões de carinho.
Sim, o Criador nos fala das mais diferentes formas possíveis.
Cabe-nos saber ouvi-lO.
Na proposta da filha antes citada, talvez estivesse o abraço de Deus dizendo:
Sei que as batalhas são muitas, e que, por vezes, você se sente fraco, impotente.
Mas saiba que não está só.
Aqueles que o amam, em Meu nome, estão ao seu lado.

Não há vitória sem batalha.
Não há conquista sem lutas.
O guerreiro merecedor do descanso e do triunfo é aquele que se mantém firme, e que segue até o fim.

Ao mesmo tempo que estamos cercados de desafios e de lutas, estamos amparados pelo amor das Leis Divinas.
Nunca estamos abandonados, embora muitas vezes achemos que nossa luta é solitária.
Podemos contar com o porto seguro da família, das relações saudáveis da amizade, e com a confiança de que tudo acabará bem.
Procuremos sintonizar sempre com os planos espirituais mais elevados, através dos pensamentos positivos e da oração sincera, para que mais facilmente possamos receber o auxílio necessário.
Observemos a vida ao nosso redor, e não nos permitamos fechar nas cavernas solitárias da aflição, da ansiedade, e do auto-terrorismo.
As tantas lutas valerão a pena.
Tenhamos certeza plena disso.
E, se muitos acham que a vida é feita de incertezas, e se desesperam com facilidade, aqui vai mais uma certeza reconfortante:
A de que podemos contar sempre com nossos amores.

Momento Espírita.

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No exercício da oração

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 03, 2018 9:56 am

Quando as dificuldades nos chegam e os problemas se avolumam, é comum lembrarmos que existe um Pai Criador, que a tudo preside.
E a Ele dirigimos rogativas, no sentido de receber auxílio, algo que nos alivie a carga de tribulações que nos pesam aos ombros.
De um modo geral, portanto, o maior número das nossas orações se refere a pedidos a Deus pelas nossas necessidades.
No entanto, a prece, que se traduz também em louvor e gratidão, vai muito além do valor que lhe atribuímos.
E tem um alcance que sequer aquilatamos.
Os que estão habituados ao seu exercício, aqueles que a utilizam de forma constante, nos dão exemplos do seu valor.
Certa oportunidade, duas freiras que trabalhavam como missionárias da caridade, na Índia, sob a tutela de Madre Teresa de Calcutá, sofreram um grave problema.
Transitando pelas ruas de Calcutá, viram uma criança sendo atacada por um cão.
Sem pensarem em si mesmas, lançaram-se contra o animal, salvando a criança.
Entretanto, raivoso, ele investiu contra elas, mordendo-as na face e nas mãos.
Socorridas por terceiros, foram conduzidas de imediato a um hospital.
Contudo, por não disporem do medicamento adequado contra a raiva, foram enviadas a outro hospital e a outro.
O medicamento estava em falta e levaria em torno de uma semana para chegar a Calcutá.
Uma das freiras decidiu escrever a um monge tetraplégico que, do seu leito, alimentava com suas preces, o bom ânimo daquelas trabalhadoras.
Em carta comovida, descreveu o ocorrido e a tentativa de conseguirem a medicação adequada para ambas, que deveria tardar mais de uma semana para chegar.
Poderia ser tarde demais para ambas as freiras.
Philippe chamou o superior ao seu quarto e mostrou a carta rogativa.
De imediato, foram convocados os demais companheiros e logo, quase uma dúzia deles se entregava à oração.
Era preciso orar e orar muito.
Orar por aquelas irmãs que, em nome do amor, haviam exposto suas próprias vidas em perigo.
Era preciso que muitos orassem juntos para que a prece chegasse aos céus.
Seria como se fosse necessário chamar a atenção de alguém e para isso se unissem muitas vozes, gritando ao mesmo tempo.
Philippe trazia a oração integrada à sua vida.
Desde algum tempo, ele fora convidado a dedicar a sua vida, em benefício do trabalho das missionárias da caridade.
Essa foi uma missão que o Prémio Nobel da Paz de 1979, Teresa de Calcutá, espalhou pelo mundo.
A quem estivesse retido no leito, impossibilitado de actuar fisicamente, ela convidava a apadrinhar uma das suas missionárias.
Um singular apadrinhamento:
orar em sua intenção, diária e constantemente.
O propósito era fortalecer, mesmo à distância, a quem se propunha a servir o próximo e auxiliar sem medida.
Dessa forma, Madre Teresa estabeleceu, em todo o mundo, uma extensa rede de orações.
Ela tinha o exacto conhecimento dos poderes da prece. Da prece que sustenta, que fortalece, que alimenta a alma e concede energias ao corpo.
Envolver cada uma das suas missionárias nessa corrente poderosa era a sua intenção.
Oração é fortalecimento.
Aprendamos a utilizá-la em todos os momentos de nossa vida: na alegria e na tristeza.
No festejar das conquistas e na recepção dos fracassos.
Tentemos e sintamos as energias do Alto nos fortalecerem.
Algo semelhante a receber do Pai Criador constantes abraços e carinhoso envolvimento.

Momento Espírita, com dados extraídos do cap. 32, do livro Muito além do amor, de Dominique Lapierre, ed. Salamandra.

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Viver com mais alegria

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 04, 2018 10:08 am

Você se considera uma pessoa alegre?
Dessas que irradiam positividade, que sorriem com frequência, que estão sempre vendo o lado bom das coisas?

Caso você não seja, possivelmente conhece alguém assim.
Não falamos das pessoas exaltadas, exageradas, que gargalham por qualquer razão e que estampam sua suposta alegria mais na superfície do que no íntimo.
Não, não estamos nos referindo a essas pessoas.
Falamos das que possuem essa alegria discreta, pessoas sensatas, cordiais, elegantes e que iluminam suavemente os caminhos por onde passam.
Lembre de como essa pessoa é.
Lembre de como faz bem estar ao lado dela.
Ela exala um magnetismo encantador.
A alegria atrai, cativa e muda o mundo ao redor.
Muda também o universo de dentro, produzindo saúde, disposição e esperança.
Obviamente que, apenas se cercar de pessoas alegres não nos faz viver melhor ou virtuosos.
É necessário em primeiro lugar cultivar a alegria em nós.
Isso não significa estar isento de sofrer, não passar por momentos de tristeza, amargura e decepção.
Todas essas experiências ainda são comuns e naturais, no mundo que habitamos.
Viver com mais alegria significa enxergar tudo isso com outros olhos.
Quem sabe enxergar a vida com o olhar da criança, vez ou outra, simplificando as coisas, não deixando tudo tão sério, tão complexo, tão duro.
Quem sabe enxergar a vida com a gratidão de quem sabe o quão importante é existir, não importando as condições.
O importante é estar. O importante é ser.
Quem sabe enxergar a vida com aquilo que alguns chamam de bom humor.
Rir de si mesmo às vezes, deixando um pouco mais leve o que parece tão pesado.
Quem sabe enxergar a vida através dos olhos da criação e perceber que tudo na natureza irradia alegria, não só o dia, mas a noite, não apenas o canto dos pássaros, mas também o silêncio das árvores.
E ainda, enxergar tudo isso como algo imenso, de um plano maior do qual fazemos parte de uma forma muito especial.
Sentir a alegria de ser cocriador, de ser coautor, de ser criatura que não acaba nunca, mesmo que se multipliquem os séculos e se somem as eras.

Alegria é o cântico das horas com que Deus afaga a sua passagem no mundo.
Em toda parte, desabrocham flores por sorrisos da natureza e o vento penteia a cabeleira do campo com a música de ninar.
A água da fonte é carinho liquefeito no coração da terra e o próprio grão de areia, inundado de sol, é mensagem de alegria a lhe falar do chão.
Não permita, assim, que a sua dificuldade se faça tristeza entorpecente nos outros.
Ainda mesmo que tudo pareça conspirar contra a felicidade que você espera, erga os olhos para a face risonha da vida que o rodeia e alimente a alegria por onde você passe.
Abençoe e auxilie sempre, mesmo por entre lágrimas.
A rosa oferece perfume sobre a garra do espinho e a alvorada aguarda, generosa, que a noite cesse para renovar-se diariamente, em festa de amor e luz.

Momento Espírita, com base no cap. Alegria, do livro Ideal Espírita, pelo Espírito Meimei, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. GEEM.

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Apoiadas na fé

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 05, 2018 9:22 am

É possível manter a fé em meio ao caos?
É possível manter a serenidade quando tudo ao redor parece ser simplesmente o horror, a miséria e a morte?

Madre Teresa de Calcutá, com suas irmãs missionárias da caridade, demonstrou ao mundo como é possível servir no bem sem possuir quase nada.
Era essa a lição vivida, diariamente, por Irmã Bandona, que quer dizer, Louvação a Deus.
Em Benares, uma das sete cidades sagradas da Índia, ela oferecia seus préstimos à multidão de doentes que procuravam o local fundado por Madre Teresa.
Eram mulheres escondendo suas feridas sob o tecido de suas burcas, cegos com o rosto devorado pela enfermidade, pessoas sem pés nem mãos. Leprosos.
Qual o segredo dessas missionárias?
Madre Teresa propunha a elas uma única ferramenta: a oração.
Orai, dizia ela. Sem oração não há fé, sem fé, não há amor, sem amor, não existe a entrega de si mesmo, e sem a entrega de si mesmo, não há um socorro verdadeiro àqueles que sofrem.
Por isso, as madrugadas, naquele local de tanta dor e tanta tristeza, iniciavam com orações.
A pequena comunidade das religiosas se reunia para orar, recitar salmos e cantar.
Eram hinos de louvor, de confiança e amor que se erguiam, por vezes misturados aos gritos de sofrimento, de angústia, evocando a dura realidade que ali todos viviam.
Na sala simples, sobre o muro de mosaicos, estava pendurado um Cristo crucificado.
Ao lado de sua cabeça coroada de espinhos, via-se a inscrição: Tenho sede.
Sob seus pés, trespassados pelos pregos da crucificação, outra inscrição:
O que fazeis aos mais humildes dos Meus é a Mim que o fazeis.
Tudo tinha por objectivo lembrar às missionárias da necessidade de se armarem de coragem a cada dia, a fim de atenderem muito bem a todos os que ali aportassem.
Quase sempre, seu único e último refúgio.
Muitas vezes, simplesmente, significando um lugar para morrer com certa dignidade.
Então, as freiras, conforme as orientações de Madre Teresa, repetiam todos os dias:
Cristo Jesus, Tu que mostraste tanta compaixão pelas multidões em angústia;
Tu que te inclinaste ante os leprosos, os cegos, os doentes, os estropiados, os famintos, os abandonados e os prisioneiros;
Tu que trataste deles e que lhes falaste com amor, dando-lhes esperança e que prometeste a bondade de Teu Pai, vem socorrer-nos.
Ajuda-nos a espalhar a Tua misericórdia.
E, quem pudesse pensar que essas irmãs somente faziam rogativas, ficaria encantado ao ouvir, após o cansaço das horas, o trabalho árduo, elas erguerem suas vozes, para louvar:
Senhor, eis-nos aqui.
Nós estamos mortas de cansaço, nós morremos de sono.
Nós estamos até os cabelos com os leprosos, mas estamos aqui ao Teu lado, para dizer simplesmente que Te amamos.
Sim, somente quem alcança a profundidade do verbo amar, tem a capacidade de se doar, incansavelmente, dia após dia, servindo aos que sofrem.
Aos que se apresentam revoltados por sua condição ou que não compreendem o porquê das suas mazelas.
Amor, baseado na fé e na oração. Pensemos nisso.

Momento Espírita, com base no cap. 10, do livro Muito além do amor, de Dominique Lapierre, ed. Salamandra.

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Feixes de amor e luz

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 06, 2018 9:25 am

A Humanidade vem presenciando, há décadas, guerras, extermínios, actos de crueldade inimagináveis, cometidos por seres humanos contra outros seres humanos e animais.
Discursos de ódio promovem discussões e violências, que acirram ainda mais os ânimos alterados.
As redes sociais, capazes de mobilizar milhões de pessoas em questão de horas para causas nobres, também são utilizadas como veículo de agressões verbais, imagens perniciosas, notícias falsas, que contribuem para inflamar a raiva e despertar sentimentos inferiores.
Palavras de ódio carregam consigo energias destrutivas, que sugam as boas energias das pessoas que se deixam envolver por suas vibrações, inspirando revoltas e provocando mal estar, doenças no corpo e na alma.
Mas... Como se manter equilibrado diante de tantos horrores?
O Mestre Jesus, há dois mil anos, sabia que passaríamos por tudo isso, e nos deixou conselhos e orientações sobre como agir:
Amar ao próximo como a si mesmo – mesmo que esse próximo esteja cometendo erros graves, indo contra as leis de amor.
E se esse próximo for mais além, se nos ofender e se voltar contra nós, deveremos, como nos recomendou Jesus, amar os nossos inimigos e perdoar as ofensas que tiverem cometido.
Por mais difícil que seja, deveremos olhar para esses e ver neles seres infelizes, equivocados, doentes da alma, que se deixam envolver pelas vibrações inferiores, justamente porque não conseguem, ainda, amar.
Devolver o ódio que eles sentem (seja lá por qual razão for) com mais ódio, só vai piorar o que sentem e como se sentem, e nos fará vibrar no mesmo patamar que eles.
Jesus sabia que não seria fácil para nós, nem seria simples, pois éramos e somos ainda imperfeitos, egoístas, orgulhosos.
Mas Ele sabia também que, quando conseguíssemos pelo menos deixar de odiar, tudo mudaria dentro de nós e, por consequência, ao nosso redor.
E, podemos começar essa mudança fazendo o exercício de calar o comentário amargo e agressivo, carregado de raiva, antes dele sair de nossa boca.
Parar de compartilhar imagens e reportagens que chocam, que causam ansiedade, medo, indignação e movimentam energias prejudiciais que acabam por envolver a todos nós.
Orar pelos que sofrem violências e também por aqueles que as cometem, pois sabemos que esses, quando se conscientizarem de seus actos, entrarão em choque e, mesmo que tais actos passem despercebidos pelas leis humanas, diante das Leis Divinas responderão por tudo o que fazem.
Todos os habitantes do planeta, sete biliões de pessoas, estamos conectados por fios invisíveis que nos irmanam, mesmo que não nos sintamos interligados.
O poeta Rumi, que viveu no século XIII, na Pérsia, dizia que em cada coração há uma janela para outros corações.
Eles não estão separados, como dois corpos.
Mas, assim como duas lâmpadas que não estão juntas, sua luz se une num só feixe.
Que possamos emanar amor e luz para todos os corações que habitam o planeta.
Que possamos unir nossa luz a outras luzes e assim formar um feixe amplo, forte, poderoso, que irá, cada vez mais, iluminar corações e mentes que ainda se debatem nas trevas da falta do amor.

Momento Espírita.

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Precisamos ter coragem

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 07, 2018 11:13 am

O momento que ora vivemos na Terra é de grandes desafios, exigindo-nos muita coragem, para nos portarmos conforme as Leis Divinas.
Coragem para manter a honestidade, a rectidão de carácter, quando quase tudo à nossa volta conspira contra as atitudes correctas.
Coragem para não revidarmos os golpes de insanidade, mantendo compreensão e rogando as bênçãos do céu para o irmão desequilibrado.
Coragem para não nos desviarmos da humildade e da integridade quando, tendo o poder nas mãos, não permitir que o orgulho e o egoísmo tomem conta de nosso eu.
Coragem para cultivar a moderação e a paciência quando percebemos que as dificuldades se agravam.
Coragem para manter a paciência, mesmo estando com o coração espancado pelas investidas de sentimentos cruéis que nos alcançam.
Coragem para conservar a serenidade quando rugem as tempestades da discórdia e das desavenças, ameaçando nos derrubar.

Quando trazemos no coração o Evangelho do Mestre Jesus, sabemos que não é fugindo aos percalços da vida que haveremos de vencê-los, mas sim enfrentando-os com calma, serenidade e confiança.
Por isso, entendemos que a primeira virtude do ser humano que confia em Deus é a coragem moral.
Coragem que se faz necessária na conquista da auto-disciplina e na preservação do equilíbrio frente a todas as investidas de sentimentos e atitudes menos nobres.
Coragem que, aliada ao entendimento de que tudo que nos acontece tem a permissão de Deus, nos leva a suportar com serenidade toda e qualquer dificuldade, empenhando os esforços necessários para superá-las.
Coragem para perseverar frente às dificuldades, sem nos permitirmos a desistência.
Nossa jornada, nesta vida, nos reserva muitos caminhos a percorrer, mas a paz e a felicidade que tanto almejamos, só construiremos com coragem interior.
E é essa coragem que determinará quando e de que forma concretizaremos nossa melhora íntima, que se reflectirá em nossa realização individual.
Quanto maior for essa conquista, tanto mais calmas serão nossas atitudes, prosseguindo em nosso norte.
Diante das situações mais embaraçosas de sua vida terrena Jesus suportou todas as injúrias, todas as humilhações que lhe foram infligidas, conservando a pureza do alto ideal por que se empenhou até ao extremo sacrifício.
Tenhamos a coragem de agir como Ele.
Conservemos a serenidade e sigamos em frente.
Pensemos naqueles que perderam a fé e tropeçaram na violência.
Observemos os que se desesperaram e se perderam na revolta.
Tenhamos em mente que a coragem verdadeira ergue-se da compreensão e da bênção, quando desafios e desequilíbrios tentem nos assaltar.
Também que a coragem verdadeira é feita de compreensão e de bênçãos, espalhadas nos momentos de desafios e desequilíbrios.
Resguardemo-nos no bem.
Quando estivermos a ponto de pronunciar qualquer frase irreflectida ou de empreender a mínima acção contra os outros, oremos e silenciemos porque o céu nos ouve e Deus nos sustentará.

Momento Espírita, com frases do cap. Coragem moral, do livro Em torno do Mestre, de Vinícius, ed. FEB e do cap. Nota da coragem, do livro Amizade, pelo Espírito Meimei, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. IDEAL.

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