Momentos Espíritas IV

Página 2 de 9 Anterior  1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9  Seguinte

Ir em baixo

Educação de pais

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 29, 2017 10:40 am

Em uma revista de circulação internacional, lemos que uma senhora foi ao teatro com seus dois filhos.
Narra ela que, logo que o espectáculo começou, outras duas crianças que estavam sentadas mais à frente começaram a chorar, em altos brados.
Uma espectadora que estava próxima, falou para a mãe delas:
Não seria melhor a senhora sair com as duas, até que se acalmem?
Eu cuido dos seus lugares.
Mais do que depressa, a mulher respondeu:
Claro que não vou sair. Comprei três ingressos.
Minhas filhas e eu temos o direito de ficar até o fim do espectáculo.
Os outros que aguentem.
São factos de tal natureza que nos apontam o porquê da má educação de tantas crianças e jovens, na actualidade.
É que seus pais não estabelecem normas.
Exactamente porque eles mesmos não têm normas.
E, para muitos pais, seus filhos sempre têm razão.
Se o garoto ficou no banco de reservas no jogo da escola, partem com vigor para cima do técnico, desejando saber as razões do que chamam perseguição gratuita.
Com tal atitude, não exemplificam ao filho que há momento para participar activamente e momento para aguardar, observar.
Que uma equipa é o resultado do esforço de todos e de cada um, no momento oportuno.
Se o time mirim perde, eis novamente os pais culpando o técnico, o treinador.
Afinal, todos têm má vontade com as suas crianças, não as preparam.
Em nenhum momento cogitam de falar ao filho que há momento de ganhar e momento de perder.
Que tudo é uma questão de treino, dedicação, esforço e que, numa disputa, naturalmente, o melhor deve vencer.
A derrota deve ser vista como estímulo a mais treinamento, maior empenho.
Com tal atitude, não é de estranharmos que tenhamos torcidas organizadas, compostas por pessoas que foram dessa forma educadas, que bloqueiem uma estrada e destruam um ónibus a pedradas e pauladas, desejando agredir os jogadores do seu time de futebol, que foi desclassificado do torneio desportivo.
Quando os filhos apresentam o boletim com notas baixas, a culpa sempre é dos professores ou da direcção da escola.
Nunca dos seus rebentos que não estudaram ou quiçá tenham apresentado baixo desempenho escolar, por alguma problemática que estejam atravessando.
É tempo de pensar e tomar atitude.
Antes de mais nada, exemplificar, como pais, a cortesia, a gentileza, a honestidade, o respeito, enfim, todos os valores que desejamos tenham os nossos filhos.
Não há mais tempo para se descurar da infância do hoje que se constituirá nos homens do amanhã, os cidadãos do mundo novo que todos aspiramos.
Pensemos: de forma muito frequente, o comportamento rude das crianças é resultado de falta de orientação.
É que como pais nos descuidamos de estabelecer normas de comportamento, e eles, simplesmente, agem como observam outros agirem.
Tenhamos em mente que críticas e xingamentos somente contribuem para tornar as crianças mais tensas e agressivas.
Assim, a educação exige que se estabeleçam normas claras para as crianças seguirem. Normas ditadas pelas boas maneiras, respeito aos semelhantes, modéstia e justiça.

Momento Espírita, com base no artigo Como criar filhos educados em um mundo rude, da Revista Selecções Reader’s Digest, outubro/1997.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 81236
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Receita de Ano Novo

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 30, 2017 12:07 pm

Há muitos anos, num pequeno e distante vilarejo, havia um lugar conhecido como a Casa dos mil espelhos.
Certo dia, um senhor muito amável, gentil e risonho tomou conhecimento dela e, curioso, decidiu visitá-la.
Adentrou a Casa dos mil espelhos e viu-se reflectido naquele sem fim de imagens.
Para sua surpresa, deparou com centenas de olhares gentis sobre si.
Abriu um enorme sorriso e, assim, foi correspondido com mil enormes sorrisos.
Ao sair da casa, pensou:
Que lugar maravilhoso!
Desejo voltar aqui várias vezes!
Outro senhor, que não era tão amável e gentil quanto o primeiro, também foi conhecer essa casa excepcional.
Ele raramente sorria, reclamava muito diante das circunstâncias da vida e sempre que uma oportunidade lhe aparecia, lamentava-se de seus problemas, tornando-os muito maiores do que realmente eram.
As outras pessoas não lhe eram importantes e pouco valor dava a elas.
Por isso, isolava-se e não se preocupava com as dificuldades alheias.
Adentrou a casa e foi enorme o seu espanto quando contemplou mil olhares hostis que o fitavam.
A eles, destinou o semblante carregado, desprezando-os.
Virou-lhes as costas e deixou a casa, pensando:
Que lugar horrível!
Jamais voltarei aqui!

Um novo ano se inicia.
É momento propício para estabelecermos objectivos, traçarmos metas, renovarmos propósitos.
É momento ideal para avaliarmos os passos que nos trouxeram ao caminho que hoje percorremos.
Quantas são as alegrias, os motivos para estarmos gratos, as razões para comemorarmos?
Quantos são os arrependimentos?
Todos os rostos que diariamente fitamos são espelhos a reflectir nossos sentimentos, nossas perspectivas de vida, nossos valores, crenças e esperanças.
Por um instante, prestemos atenção e os contemplemos: o que enxergamos?
Encontramos sorrisos sinceros, amistosos e fraternos?
Encontramos rostos amigáveis, gentis e felizes?
Ou, pelo contrário, deparamo-nos com a tristeza, a melancolia, a indiferença?
No ano que desponta, muitos outros espelhos iremos contemplar.
Que imagens veremos neles?
Em meio a tantas possibilidades, uma certeza: se sorrirmos, veremos sorrisos.
Portanto, que nossa maior meta para o ano nascente seja sorrir, com os lábios e com o Espírito.
Sorrisos de caridade, de bondade, de gentileza, de compreensão, de humildade.
Sorrisos de acolhimento, de dedicação, de esforço, de disciplina, de generosidade, de fé, de gratidão.
Sorrisos de amor!

Um ano só é realmente novo quando nos renovamos, tornando-nos novos também.
Recordemos as palavras do poeta:
Para ganhar um ano novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo.
Eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o ano novo cochila e espera desde sempre.

Pensemos nisso! Feliz Ano Novo!

Momento Espírita, com base em conto de autoria ignorada e com citação final do poema Receita de Ano Novo, do livro homónimo de Carlos Drummond de Andrade, ed. Companhia das Letras.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 81236
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Destinos

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 01, 2018 11:50 am

A árvore generosa eleva-se à beira da Estrada.

Os viajantes que passam famintos e exaustos buscam-lhe os frutos.

E, no desvario de suas necessidades, atiram-lhe pedras.
Espancam-na com varas. Sacodem-lhe os galhos.
Quebram-lhe as grimpas. Talham-lhe as folhas.
Sufocam-lhe as flores. Esmagam-lhe os brotos tenros.
Ferem-lhe o tronco.

Mas, a árvore, sem queixa nem revolta, balouçando os frondes, doa, a todos que a maltratam, os frutos substanciosos e opimos de sua própria seiva.

Esse é o destino.

Também na estrada da existência onde você vive, transitam os viajores da evolução apresentando múltiplas exigências a lhe rogarem auxílio.

E, na loucura de seus caprichos, atiram-lhe pedras de ingratidão.
Espancam-lhe o nome com as varas da injúria.
Sacodem-lhe o coração a golpes de violência.
Quebram-lhe afeições preciosas, usando a calúnia.
Talam-lhe os serviços com a tesoura da incompreensão.
Sufocam-lhe os sonhos nos gases deletérios da crueldade.
Esmagam-lhe as esperanças com as pancadas da crítica.
Ferem-lhe os ideais com a lâmina da ironia.

A todos, porém, sorrindo fraternalmente, aprenda com a árvore generosa a doar os frutos do próprio esforço, sem revolta e sem queixa.

Espírita, não estranhe se esse é o seu destino.

Quando esteve humanizado entre nós, com amor incomum, esse foi o destino de JESUS, nosso MESTRE.

Espírito Valerium
Psicografia de Valdo Vieira
Retirado do livro "Bem Aventurados os Simples"

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 81236
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Quando começa um novo ano

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 01, 2018 11:51 am

Primeiro dia do ano. Ano novo.
Novo ciclo se inicia. Um novo tempo.

Mas, o que é o tempo, afinal, senão uma convenção estabelecida pelos que habitamos este planeta?
O tempo é a sucessão das coisas.
Está ligado à eternidade, do mesmo modo que as coisas estão ligadas ao infinito.
Suponhamo-nos na origem do nosso mundo, na época primitiva em que a Terra ainda não se movia sob a divina impulsão.
Numa palavra: no começo da génese.
O tempo então ainda não saíra do misterioso berço da natureza e ninguém pode dizer em que época de séculos nos achamos, porquanto o balancim dos séculos ainda não foi posto em movimento.
Silêncio... (sugerimos pausa breve)
Soa na sineta eterna a primeira hora de uma Terra insulada, o planeta se move no espaço e desde então há tarde e manhã.
Para lá da Terra, a eternidade permanece impassível e imóvel, embora o tempo marche com relação a muitos outros mundos.
Para a terra, o tempo a substitui e durante uma determinada série de gerações se contarão os anos e os séculos.
O tempo é uma gota d´água que cai da nuvem no mar e cuja queda é medida.
Eis então um novo tempo a se apresentar à nossa frente: trezentos e sessenta e cinco dias, que dividiremos em semanas e meses.
Dias que ansiaremos que cheguem porque assinalam o nosso aniversário, a comemoração do nosso casamento, o nascimento do nosso filho, a colação de grau tão aguardada.
Dias em que trabalharemos, intensamente, para tornar este mundo melhor, realizando o melhor em nossa profissão.
E há tanto a burilar em nossas instituições públicas, em nossas escolas, nas universidades, nas empresas e pequenos negócios que nos garantem o sustento honrado de cada dia.
Dias que nos dedicaremos ao nosso próximo, desejando lhes amenizar os sofrimentos mais duros.
E tantas são as necessidades sobre o solo que nos abriga:
crianças a conduzir ao alfabeto, idosos a amparar na enfermidade e solidão que os envolve, jovens e adultos a serem encaminhados a trabalhos que lhes dignifiquem a vida.
Dias em que amaremos aos que já amamos e aprenderemos a amar outros tantos, ainda nem conhecidos agora.
Desfrutar do aconchego da família, abraçar mais, dizer multiplicadas vezes o quanto amamos a cada um.
Permitirmo-nos ampliar o rol das amizades, descobrir a riqueza interior de tantos e enriquecer a nossa família pelos laços do espírito.
Novo ano. Novos dias.
Respiremos profundamente.
Deixemos o ar deste novo dia nos encher os pulmões, renovando-nos.
Oremos ao senhor da vida para que esses novos dias que apenas amanhecem, hoje, nos permitam desfrutar de todas as generosas bênçãos que o amor do pai nos preparou.
Vivamos como irmãos.
Trabalhemos como os residentes de um esmo e imenso lar.
Amemos como o mestre nos ensinou.
Iniciemos hoje a realizar mudanças positivas em nossa vida.
O passado está concretizado, o presente apenas se esboça, o futuro nos pertence, de forma total.
Pensemos nisso. Porque hoje...
Hoje é o dia de iniciar a fazer o melhor, neste novo e maravilhoso ano que de nós depende construir.

Momento Espírita, com transcrições do item 2, do cap. VI, do livro A géneseos milagres e as predições segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. FEB.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 81236
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Trem da vida

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 02, 2018 10:37 am

Numa viagem de trem podemos notar uma grande diversidade de situações, ao longo do percurso.
A nossa existência terrena pode ser comparada a uma dessas viagens, mais ou menos longa.
Primeiro, porque é cheia de embarques e desembarques, alguns acidentes, surpresas agradáveis em alguns embarques e grandes tristezas em algumas partidas.
Quando nascemos, entramos no trem e nos deparamos com algumas pessoas que desejamos que estejam sempre connosco: são nossos pais.
Infelizmente, isso nem sempre é possível.
Em alguma estação eles descerão e nos deixarão órfãos de seu carinho, amizade e companhia insubstituíveis...
Mas isso não impede que durante a viagem outras pessoas especiais embarquem para seguir connosco: são nossos irmãos, amigos, amores.
Algumas pessoas fazem dessa viagem um passeio.
Outras encontrarão somente tristezas, e algumas circularão pelo trem, prontas a ajudar a quem precise.
Muitas desembarcam e deixam saudades eternas...
Outras passam de uma forma que, quando desocupam seu assento, ninguém percebe.
Curioso é constatar que alguns passageiros, que nos são caros, se acomodam em vagões distantes do nosso, o que não impede que, durante o percurso, nos aproximemos deles e os abracemos, embora jamais possamos seguir juntos, porque haverá alguém ao seu lado ocupando aquele lugar.
Mas isso não importa, pois a viagem é cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, despedidas...
O importante é que façamos nossa viagem da melhor maneira possível, tentando nos relacionar bem com os demais passageiros, vendo em cada um deles o que têm de melhor.
Devemos lembrar que, em algum momento do trajecto, eles poderão fraquejar e, provavelmente, precisemos entendê-los, porque também fraquejaremos muitas vezes e, certamente, haverá alguém que nos entenda e atenda.
A grande diferença, afinal, é que no trem da vida jamais saberemos em qual parada teremos que descer, muito menos em que estação desembarcarão nossos amores, nem mesmo aquele que está sentado ao nosso lado.
É possível que quando tivermos que desembarcar, a saudade venha nos fazer companhia...
Porque não é fácil nos separar dos amigos, nem deixar que os filhos sigam viagem sozinhos.
Com certeza será triste.
No entanto, em algum lugar há uma estação principal para onde todos seguimos...
E quando chegar a hora do reencontro teremos grande emoção em poder abraçar nossos amores e matar a saudade que nos fez companhia por longo tempo...
Que a nossa breve viagem seja uma grande oportunidade de aprender e ensinar, entender e atender aqueles que viajam ao nosso lado, porque não foi o acaso que os colocou ali.
Que aprendamos a amar e a servir, compreender e perdoar, pois não sabemos quanto tempo ainda nos resta até à estação onde teremos que deixar o trem.

Se nossa viagem não está acontecendo exactamente como queremos, demos a ela uma nova direcção.
Se é verdade que não podemos mudar de vagão, é possível mudar a situação do nosso vagão.
Observemos a paisagem maravilhosa com que Deus enfeitou todo o trajecto...
Busquemos uma maneira de dar utilidade às horas.
Preocupemo-nos com aqueles que seguem viagem ao nosso lado...
Deixemos de dar importância às queixas e façamos algo para que a nossa estrada fique marcada com rastros de luz...

Pensemos nisso... E, boa viagem!

Momento Espírita, com base em texto de autoria de Silvana Duboc, disponível no site www.silvanaduboc.us.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 81236
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Parar para ouvir

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 03, 2018 12:06 pm

Millie Esposito ouvia, com atenção, quando um de seus filhos tinha alguma coisa a lhe dizer.
Certa noite, estava sentada na cozinha com o filho Robert, e, após uma rápida discussão sobre uma ideia que ele alimentava, ela o ouviu dizer:
Mãe, sei que a senhora gosta muito de mim.
A senhora Esposito comoveu-se e comentou:
Naturalmente gosto de você. Duvidava disso?
Robert respondeu:
Não, mas sei realmente que a senhora gosta de mim quando quero conversar sobre alguma coisa, e a senhora para de fazer o que está fazendo, só para me ouvir.
Quantos de nós paramos para ouvir nossos filhos?
Quantos paramos para ouvir o outro, assumindo essa postura respeitosa de atenção ao semelhante?
E quem não gosta de ser ouvido?
E ser ouvido com atenção.
Dialogar com alguém que nos ouve atentamente, que espera que concluamos uma ideia para, só então expor a sua, é um grande prazer.
Uma pessoa que só fala de si mesma, que só pensa em si mesma, é irremediavelmente deseducada.
Aquela que sabe ouvir, por outro lado, faz-se simpática, querida, e inspira confiança plena nos outros.
Um homem que conheceu o célebre Sigmund Freud, descreveu sua maneira de ouvir da seguinte forma:
Fiquei tão fortemente impressionado, que não o esquecerei.
Ele tinha qualidades que jamais encontrei em homem algum.
Nunca, em toda minha vida, vi atenção tão concentrada.
Seus olhos eram meigos e suaves. Sua voz era calma e macia.
Fazia poucos gestos.
Mas a atenção que dispensava a mim, seus comentários positivos sobre o que eu dizia, mesmo quando eu me expressava mal, eram extraordinários.
Você não imagina o que significa ser ouvido daquela maneira.
Quem sabe ouvir já ajuda, sem precisar falar coisa alguma, muitas vezes.
Assim, se desejamos ser bons conversadores, bons amigos e bons conselheiros, sejamos ouvintes atentos.
Para sermos interessantes, sejamos interessados.
Façamos perguntas às quais o outro sinta prazer em responder.
E aproveitemos para aprender também.
Doando atenção, doando nosso ouvir atento, certamente estaremos ganhando, além da gratidão do outro, experiência, conhecimento e discernimento.
A falta de tempo jamais poderá ser desculpa para o não ouvir.
Basta que sejamos disciplinados, organizados, e descobriremos que teremos tempo para ouvir.
Ouvir é doar-se ao outro, por isso, alegar escassez de tempo para se dar, para praticar essa nuance de caridade, é nos condenarmos à estagnação espiritual.
Tal gesto de amor poderá ser praticado por qualquer um, independente de idade, poder aquisitivo ou grau de instrução.
Todos podemos nos doar, ouvindo.

Jesus é o grande exemplo de um excelente ouvinte.
Prestemos atenção nas passagens evangélicas, analisando-as sob este prisma, e percebamos que Ele sempre se posicionou como bom ouvinte.
Escutava com paciência e ternura todos os que dEle se aproximavam, pedindo auxílio e consolo.
Jamais interrompeu alguém, e sempre debruçou sobre eles olhar atencioso e amoroso de quem se interessa pela vida de Seu semelhante.
Sigamos esse bom exemplo.

Momento Espírita, com base no cap. 4, pt. 2, do livro Como fazer amigos e influenciar pessoas, de Dale Carneggie, ed.Companhia Nacional.
§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 81236
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Nosso verdadeiro lugar

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jan 04, 2018 11:03 am

Jesus era um educador de qualidades especiais.
Ele não perdia oportunidade alguma para o ensino.
Toda acção, palavra, feito que ocorresse onde Ele estivesse, era motivo de observações precisas.
Como nosso Modelo e Guia, tinha plena consciência de que a vida é dada ao homem para o seu progresso.
E todos os momentos na vida são oportunidades de crescimento.
Narra o Evangelista Lucas que, em dia de sábado, entrou Jesus na casa de um fariseu.
O nome do fariseu não é mencionado, no entanto, o Mestre fora ali convidado à refeição.
Quando adentrou o local, foi observado pelos que lá se encontravam.
Por Sua vez, observou Jesus que os convidados escolhiam os primeiros lugares, em quase atropelo.
Todos desejavam ficar o mais próximo possível do anfitrião.
Recordemos que, ao tempo do Cristo, as refeições não eram realizadas em torno de uma mesa.
Os convidados se acomodavam em poltronas, sofás que eram distribuídos pelo ambiente, em mais ou menos sem-círculo.
As refeições eram tomadas com o convidado meio reclinado, apoiando a cabeça sobre o braço esquerdo e servindo-se com a mão direita.
Por isso, a grande disputa pelos lugares mais próximos ao dono da casa.
Talvez porque desejassem ser vistos por ele, porque isso lhes constituiria um ponto a mais no relacionamento inter-pessoal, o que poderia ter valor para negociações de futuro.
Talvez estivessem interessados em estar mais próximos para não perderem nenhuma das palavras que o anfitrião proferisse.
Assim, poderiam participar do diálogo, tanto quanto teriam possibilidades de tudo avaliar.
E, possivelmente, formular críticas mais tarde, sobre esse ou aquele ponto.
Relanceando o olhar pela sala, Jesus tomou da palavra e propôs uma parábola, dizendo:
Quando fordes convidados para bodas, não tomeis o primeiro lugar, para que não suceda que, havendo entre os convidados uma pessoa mais considerada do que vós, aquele que vos haja convidado venha a dizer-vos:
Dai o vosso lugar a este.
E vos vejais constrangidos a ocupar, cheios de vergonha, o último lugar.
Quando fordes convidados, ide colocar-vos no último lugar, a fim de que, quando aquele que vos convidou chegar, vos diga:
Meu amigo, venha mais para cima.
Isso será para vós um motivo de glória, diante de todos os que estiverem convosco à mesa.
Porquanto todo aquele que se eleva será rebaixado e todo aquele que se abaixa será elevado.
As palavras de Jesus eram, primeiramente, uma lição de etiqueta. Porque ninguém que seja convidado para um banquete, deve ir se assentando onde bem queira.
A etiqueta estabelece que se aguarde o direccionamento do mestre de cerimónias ou de quem às vezes lhe faça.
Era a exortação do Mestre, também, um ensino essencialmente voltado ao Espírito.
Somente quem abriga em si a humildade, cresce de forma autêntica, progredindo.
Não foi diversa a postura do Modelo e Guia da Humanidade que se credenciou como o servidor de todos.
São Suas as palavras: Estou entre vós como aquele que serve.
Pensemos nisso: se o Senhor das estrelas, o Cristo, assim se posicionou, por que ainda nos magoamos tanto quando não recebemos as deferências dos homens?
Sirvamos sempre. Deus, que a tudo vê e tudo sabe, conhece exactamente o lugar onde precisamos estar.
Ele é a Justiça Suprema e nunca se engana.
Pensemos nisso e vivamos melhor, menos preocupados com o olhar dos homens.
E mais atentos ao que o Senhor da Vida tem a ofertar a cada um de nós.

Momento Espírita, com base no cap. XIV, versículos 1, 7 a 11 do Evangelho de Lucas.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 81236
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Irmão Lobo

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 05, 2018 10:37 am

No ano de 1226, na floresta de Gubbio, na Europa medieval, um bandido se fizera um tipo de monstro aterrador.
Mais astuto do que uma fera, havia se tornado um terrível salteador.
Espalhava pavor e medo por todo lado e matava qualquer homem desarmado.
Seu nome ninguém sabia, mas sua fama fez com que o denominassem O lobo. Lobo de Gubbio.
Francisco de Assis, também conhecido como o Cristo da Idade Média, certo dia foi procurá-lo.
Ao encontrá-lo, em vasta ramaria, em vez de chamá-lo lobo, como todos faziam, chamou-o irmão.
Venho em paz, disse Francisco.
Venho falar-te da bondade, do amor, da caridade, do carinho.
Em nome de Jesus, venho pedir-te que alteres o teu caminho e abraces o caminho da fraternidade.
E convidou-o, finalmente, a morar com ele, no convento.
O homem-fera optou por seguir Francisco. Mudou de atitude
E, feliz, se entregou ao trabalho do bem, nas tarefas de Assis.
Onde quer que Francisco fosse, o ex-bandido o seguia.
Carregava cestos, buscava pão, trabalhava incansável.
Como guarda-nocturno era um dos melhores.
No entanto, Francisco necessitava viajar.
E, por vezes, se detinha por semanas ou meses longe do convento, em serviço.
Saía em peregrinação, com frei Leão, a fim de semear o ensino do Senhor.
Nessas ocasiões, o irmão Lobo sentia a carência de amor e a fome de alegria.
Longe da protecção de Francisco, o que recebia nas estradas eram insultos e pedradas.
Chamavam-no covarde, lobo maldito, carniceiro feroz.
De tanto aguentar o tratamento vil, vendo-se a sós na vida, o irmão Lobo decidiu retornar à antiga lida.
Embrenhou-se na floresta e cedeu aos instintos da fera.
Quando retornou Francisco de sua longa ausência, teve notícia da ocorrência.
Embora cansado, lastimou o acontecido e foi procurar o irmão Lobo.
Embrenhou-se no verde da floresta e encontrou-o perseguindo uma vítima indefesa.
Irmão Lobo, o que é isso?
Já não te lembras dos ensinos do Cristo?
Ah, santo amigo, disse o Lobo, não pude aguentar tanta humilhação.
Acreditei que o vosso sonho de paz e de amor fosse uma realidade na existência.
No entanto, ainda trago no corpo as marcas dos maus tratos dos homens.
Irmão, tornou Francisco, a presença do Cristo é o sol de nossa vida.
Volta comigo, irmão. Eu também sofri calúnia e provação.
As tuas cicatrizes são feridas irmãs das úlceras que tenho.
Continua, irmão Lobo, ao meu lado.
Necessito de ti em minha casa.
O Lobo, cabisbaixo, acompanhou o amigo e se fez guardião fiel, guardando-lhe as palavras desde então.
Aprendeu a amar perdoando e a viver com Jesus no coração.

Nem sempre é claro o céu do cristão decidido, quando servindo a Jesus.
Contudo, o cristão decidido se entrega a Jesus, nEle confia e a Ele se dá.
Os seguidores de Jesus são caminhantes solitários da estrada humana.
São conhecidos, apontados, observados, mas nem sempre compreendidos, pois suas atitudes se destacam pela bondade, pela abnegação, pelo desprendimento.
Importante é perseverar e seguir em frente, semeando estrelas nas longas estradas deste grande mundo de Deus.

Momento Espírita, com base no verbete Cristão, do livro Repositório de sabedoria, v. 1, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL e no cap. 26 do livro Somente Amor, dos Espíritos Maria Dolores e Meimei, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. IDEAL.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 81236
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Este é o momento

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 08, 2018 9:33 am

Quando a vida parece não ter sentido...
Quando não mais encontramos motivos para sorrir...
Quando ao nosso redor tudo fica apagado e triste...
Quando sentimos a respiração difícil e entrecortada...

Todos esses são momentos de pararmos um pouco e reflectirmos.
São convites para avaliarmos como estamos conduzindo a vida e os problemas que ela nos apresenta.
Sinalizam que é hora de atentarmos para uma maneira diferente de viver, longe de qualquer foco negativo, pessimista.
É hora de reflectir que, apesar das dificuldades, estamos vivos e isto é maravilhoso!
Respiramos, andamos, falamos, ouvimos, pensamos.
Sentimos, aprendemos, crescemos, evoluímos.
Os erros, os enganos não se encontram na vida, mas em nós, na nossa maneira equivocada de agir!
E, se estamos vivos, temos a oportunidade de corrigi-los.
Nossas atitudes, por não serem as adequadas, não estão nos conduzindo a resultados positivos e é isso que está nos deixando sem ânimo.
Observemos. Muitas vezes, bem próximo de nós, o portador de alguma deficiência física encontra, em um trabalho no bem, sua força para viver e superar limitações.
Outro, de quem a vida afastou os entes queridos, mas que se doa a atender os desvalidos, encontra nessa actividade, motivos para se felicitar.
Quantos que não possuindo a visão, cantam, alegrando a si mesmos e ao próximo.
Outros, que mesmo apresentando limitações físicas, escrevem poemas, tecendo com sua inspiração, luzes de esperança nos corações alheios.
A vida é o maior bem que possuímos.
Viver na Terra é bênção que o Pai Celestial nos permite.
Façamos deste momento, o melhor de nossas vidas, reabilitando-nos e nos doando ao bem maior.
Superemos nossas dificuldades e estendamos nosso olhar ao redor com a alegria de quem tem o que oferecer, por mais desvalidos nos sintamos.
Afinal, não precisamos doar coisas, mas dar de nós mesmos àquele que nada tem.
Busquemos nossa alegria no sorriso que pudermos fazer brotar nos lábios de uma criança.
Encontremos forças na fé e na esperança que possamos compartilhar com um pai que traz um filho doente nos braços.
Sintamos o alento e a confiança de um idoso frente a um gesto ou uma palavra de carinho, ou diante de alguém que apenas o ouça, e permitamos a ele desabafar connosco as mágoas que traz no coração.
Sempre haverá algo a fazer por alguém, desde que tenhamos vontade de agir no sentido de socorrer, amparar e alentar corações.

A oportunidade de nos desenvencilharmos de nossos pesares, muitas vezes está a poucos passos de nós, e nos deixamos cegar pela indiferença.
Acordemos para as necessidades alheias e veremos que não somos apenas mais um na caminhada.
Atentemos para nossas possibilidades interiores e descobriremos que temos muito para repartir com os que nada têm.
Não deixemos o vazio e o desalento tomar conta de nosso ser.
Encaremos o mundo vivendo intensamente e acima de qualquer dissabor, valorizando o momento presente.
Amemos a Deus, a nós mesmos e ao próximo, conforme ensinou Jesus, e nossos momentos serão preenchidos de vida abundante, de amor, de luz e de paz.

Momento Espírita.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 81236
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

A PAZ INTERIOR

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 08, 2018 9:34 am

Aconteça o que acontecer na sua vida, não perca a sua paz interior, ela é a força que você precisa para manter-se em equilíbrio mesmo durante as piores tempestades.
Nessa época de pessoas atormentadas por pesadelos, por frustrações e sonhos desfeitos, manter a paz é fundamental para não cair nas armadilhas da depressão.
A carga de informação que você recebe durante o seu dia, a pressão do trabalho, dos estudos e dos relacionamentos, acaba deixando seus nervos em pedacinhos.
Se você não estiver com o pensamento voltado para o seu bem estar, você não consegue manter o equilíbrio e ai, o seu fígado começa a sofrer as primeiras consequências, daí para as doenças do estômago como a gastrite, a úlcera e outros nomes não muito recomendáveis, é um passo.
É preciso que você coloque filtros em sua vida, e ao receber as notícias, sejam elas quais forem, analisar e rapidamente descartar o que não for realmente importante para sua caminhada.
Manter-se em paz é um exercício diário, porque muitos obstáculos estarão presentes no seu dia a dia, a começar pelo seu lar, onde sob o mesmo tecto reúnem-se pessoas que não compartilham as mesmas ideias que você.
No trabalho outros problemas nos aguardam.
Manter o emprego esta cada vez mais difícil, devido a enorme competição imposta pelas empresas entre os funcionários, tornando o clima às vezes "infernal e insuportável".
Para complicar tem o seu relacionamento que anda às vezes tão complicado por coisas tão bobas, que você fica pensando, será que vale a pena?
E quando você está a sós, fica imaginando que não nasceu para amar e ser amado, que os anjos te esqueceram e outras besteiras que a solidão causa.
Tudo isso e mais aqueles amigos que acreditam que você é poderoso e usam seu ombro como se fosse um grande muro das lamentações e deixam você mais carregado de energias nada boas.
Cuide-se enquanto é tempo.
Para que sua paz continue, use estas regrinhas básicas:
- Use o bom senso ao ler as notícias.
- Pare de ir no embalo dos alarmistas de plantão.
- Ao entrar no local de trabalho, faça uma prece em silêncio e cumprimente a todos com alegria.
- Respeite-se, se não estiver com vontade de falar com ninguém, retire-se e pare de fingir que está tudo bem.
- Peça ajuda. Para ajudar alguém precisamos estar muito bem.
Se você não estiver bem, esqueça, você vai prejudicar a você e a quem pediu ajuda.
A paz é uma conquista daqueles que se amam.
- Ame-se pelo amor de você mesmo!
Ninguém tem o direito de invadir a sua paz e se o estão fazendo é porque você está permitindo.
- Reveja seus actos.
Para manter a sua paz vale tudo: banhos relaxantes, orações, terapias, e muito amor.
A paz é um exercício diário.
- Sorria mais, relaxe, busque um cantinho dentro de você para ser feliz.
Você é responsável pelo seu bem estar.
Estando feliz, o outro seguirá o seu exemplo.
- Acredite em você.
- Valorize-se. Você merece muito mais do que tem hoje, e vai conquistar se mantiver seu pensamento voltado para suas conquistas, sonhos e desejos.
Só existem dois dias no ano em que nada pode ser feito.
Um se chama ontem e outro amanhã.
Portanto, hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer, e principalmente viver.

Minutos de Sabedoria

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 81236
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Temor da morte

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 09, 2018 12:48 pm

Determinada reportagem televisiva nos deu ciência de que, em enquete realizada junto a adolescentes de populosa capital do nosso país, 51% deles revelaram que seu maior temor é a morte.
Ao ouvirmos o resultado da pesquisa, de imediato nos pusemos a pensar acerca do quanto necessitam de orientação religiosa os nossos jovens.
Porque o que dá causa ao medo da morte é o receio da destruição total, decorrente da noção equivocada acerca da vida futura.
À proporção que o homem compreende melhor o que o espera para além da tumba, o temor da morte diminui. Arrefece, até desaparecer.
Ciente de que a vida terrena é transitória e de que o aguarda outra vida, vibrante, verdadeira, após o decesso físico, com tranquilidade enfrentará a morte.
A certeza da vida futura lhe dá outro curso às ideias.
Outro objectivo ao trabalho.
Tudo o que oferece o mundo material é considerado como oportunidade de progresso, de experiência.
As coisas materiais são bens de que deve se utilizar, com sabedoria, consciente de que não os levará consigo.
A certeza de que, após a morte, poderá reencontrar seus amigos, reatar relações que teve na Terra e de que o fruto do seu trabalho não se perde, confere ao ser humano calma para o momento da morte.
Afinal, ela não é uma megera que vem destruir a felicidade, ceifando a vida mais preciosa, o ser mais amado, numa sistemática de puro prazer.
É, sim, dentro da lei de destruição, lei instituída pela Divindade que opera com sabedoria a sua acção.
Reeducarmo-nos e educarmos os nossos filhos se faz urgente.
Desde cedo, ensinar aos pequenos que a morte não existe, senão no tocante ao físico.
Que ninguém morre, senão na roupagem carnal.
O Espírito imortal prossegue a viver, como antes de renascer, vivia na Espiritualidade e já enfrentou outras tantas vidas na carne.
Também preciso se faz que passemos a enfrentar a circunstância da morte de forma diversa.
Até os dias da actualidade, a passagem da Terra para a Espiritualidade é rodeada de cerimónias lúgubres, que verdadeiramente infundem terror.
Os emblemas da morte lembram somente a destruição do corpo, mostrando-o descarnado.
A partida dos seres para o outro mundo se faz acompanhar de lamentos dos sobreviventes, como se morrer fosse uma desgraça.
As despedidas são de adeuses eternos.
É necessário mudar toda essa panorâmica.
Em vez de recordar a destruição do corpo, mostrar a alma se desembaraçando, radiosa, dos grilhões terrestres.
No lugar das lamentações e dos adeuses, a saudação de quem sabe que logo mais também realizará a grande viagem.
E, por isso, simplesmente diz: Até breve. Até logo!
Sem dúvida, muito tempo será preciso para o homem se desfazer desses preconceitos acerca da morte.
No entanto, há que se começar a educação, pois que à medida que se conceber uma ideia mais sensata da vida espiritual, desaparecerão os temores.
Você sabia?
Você sabia que os homens verdadeiramente sábios não temem a morte?
Fartos exemplos encontramos em Gandhi, que se deixou imolar em nome da não violência.
De Francisco de Assis que afirmou continuar a trabalhar em seu jardim, mesmo se soubesse que algumas horas após morreria.
O maior exemplo foi o Cristo que nos ensinou a morrer com dignidade.
Na hora final, suas palavras foram: Pai, em tuas mãos, entrego o meu Espírito.

Momento Espírita, com base no cap. 2, pt. 2, do livro O céu e o inferno, de Allan Kardec, ed. FEB.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 81236
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Dicas para um casamento feliz

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 09, 2018 12:50 pm

O que faz com que alguns casais vivam anos e anos juntos e desfrutem felicidade?
Natural que não seja a felicidade plena e absoluta.
Mas uma vida de alegrias, de compartilhamento.
Casais que superam dificuldades as mais árduas e prosseguem juntos.
Os reveses financeiros, a saúde comprometida, os filhos-problema, tudo é enfrentado a dois, de mãos dadas, consolidando sempre mais a relação.
Alguns que não conseguiram manter o próprio relacionamento conjugal, afirmam que, em verdade, isso é resultado de submissão de um ao outro.
Anulação da personalidade. Comodismo.
São variadas as explicações.
No entanto, os que veem se multiplicar os anos na durabilidade de seu matrimónio, têm seus segredos.
Cada casal tem sua fórmula especial.
Mas algumas dicas, com certeza, auxiliam.
Como o casamento feliz é um porto seguro onde se pode relaxar e recuperar das tensões do dia a dia, algumas frases não devem ser esquecidas.
Você recorda quando foi a última vez que olhou para sua esposa e lhe disse:
Você está deslumbrante hoje?
Quantas vezes vocês se preparam para ir a uma festa, colocam sua melhor roupa, se alinham.
E nem olham um para o outro?
Pensem: antes de parecerem bem apresentáveis para os outros, vocês estão no lar, um frente ao outro.
Observe como ele continua um gato, um rapaz saradão.
Veja como os fios de prata lhe conferem um ar de maturidade.
Aproveite para dizer:
Estou feliz por ter me casado com você.
Já pensou em despertar pela manhã, olhar para o seu cônjuge e dizer:
É bom acordar a seu lado?
Que tal uma surpresa no meio do dia com um telefonema breve para dizer:
Você sempre será o meu amor!
No jantar em família, olhem nos olhos um do outro.
Agora, é o momento de falar:
Adoro ver o brilho em seus olhos quando você sorri.
E, assim por diante.
Não perca a chance de dizer como é bom estarem juntos, compartilharem a mesma casa, as alegrias, as dores.
Tenha sempre em sua mente, frases como:
O que você fez foi muito bom.
Não posso imaginar viver sem você.
Você é muito especial.
Sinto muito, o erro foi meu. Confio em você.
Aprecio cada momento que passamos juntos.
E, quando ele errar o caminho, aproveite para brincar, para rir:
Este é o meu marido! Já sei porque você se perdeu de novo.
Quer ficar mais tempo comigo a sós, seu danadinho!
Quando ele estiver muito quieto, pergunte:
Em que você está pensando?
Quando rusgas acontecerem, seja o primeiro a ceder admitindo:
Eu gostaria de ser um companheiro melhor.
Finalmente, não esqueçam de um ao outro dizer a cada dia, quando se despedem, quando cada qual ruma para a sua actividade profissional:
Ore por mim. Vou orar por você.
E, mais importante que tudo, sejam gratos um ao outro, com frases como:
Obrigado por me amar. Obrigado por me aceitar.
Obrigado por ser meu companheiro.
Você torna meus dias mais brilhantes.
Experimente. Tente.
E veja sua relação conjugal frutificar em flores de amor e alegrias.

Momento Espírita, com algumas frases extraídas do cap. 37, de Steve Stephens, do livro Histórias para o coração, v. 1, organizado por Alice Gray, ed. United Press.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 81236
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Pureza

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 10, 2018 11:15 am

A pureza é uma virtude muito difícil de compreender.
Segundo o dicionário, puro é o que é limpo, intocado, sem manchas ou máculas.
Nesse sentido, pureza seria o estado de quem nunca foi tocado pelo mal, em qualquer de suas formas.
A pureza teria de ser preservada desde a origem, pois qualquer mácula implicaria a sua perda.
Em termos humanos, todos nasceriam puros e assim permaneceriam até que cometessem a primeira falta.
Em tal acepção, o estado de pureza estaria para sempre perdido e fora do alcance da imensa maioria dos homens.
Entretanto, Jesus afirmou a bem-aventurança dos puros de coração.
Não é possível que a felicidade dos bem-aventurados seja restrita a uma ínfima minoria, pois o Cristo também disse que nenhuma de suas ovelhas se perderia.
Assim, o sentido da palavra pureza não pode se restringir à condição de alguém que nunca foi tocado pelo mal.

O Espiritismo esclarece que todos os Espíritos são criados por Deus, simples e ignorantes.
Gradualmente, à custa de suas experiências, eles desenvolvem os tesouros intelectuais e morais cujo princípio trazem no íntimo.
São dotados de livre-arbítrio, a fim de que optem pelos caminhos que lhes pareçam os melhores.
Por vezes erram, em sua ignorância, mas os erros são apenas tropeços momentâneos na caminhada para a angelitude.
Por conta da lei de harmonia e justiça que rege o Universo, todo equívoco deve ser reparado.
Tem-se aí a liberdade com sua natural contraparte, a responsabilidade.
O erro é inerente ao processo de aprendizado.
A perfeição é atributo dos anjos.
Após incontáveis encarnações, os Espíritos desenvolvem todos os seus potenciais e se tornam infinitamente sábios e amorosos.
É quando se tornam puros, pois livres de todos os vícios, não mais sujeitos a erros e intrinsecamente bondosos.

A perfeita pureza não é algo com que se nasce e pode ser perdido ao menor deslize.
Trata-se de um estado de consciência a ser construído ao longo de muitas experiências.
Puro não é o ignorante da realidade da vida, mas o que muito conhece e opta pelo bem, pelo belo, pelo justo.
A pessoa impura vê o mal em toda parte e tem prazer nele.
Como exemplo é o caso de quem observa a conduta alheia sempre disposto a ver e alardear corrupção e leviandade.
O severo censor do próximo muitas vezes apenas afecta uma pureza que não possui.
Intensamente desejoso de fazer algumas coisas que reputa indignas, critica com violência quem as realiza.
A luta por vencer os próprios vícios é dura e meritória.
Ninguém advogará que a criatura viva o que considera errado.
Apenas é necessário dar um passo além e se desenvencilhar emocionalmente do equívoco, para não mais gastar tempo na crítica gratuita à conduta alheia.
Como não é ignorante, a pessoa pura identifica o mal onde realmente existe.
Ela percebe e lamenta a desonestidade, o egoísmo, a perversão e a crueldade, mas não os valoriza.
A pureza é algo a ser conquistado.
Viver puramente é uma opção que se faz.
Essa vivência implica luta e esforço, pois pressupõe abandonar maus hábitos e vencer paixões.
Maria de Magdala é oportuno exemplo de pureza conquistada.
Embora os grandes equívocos de seu passado, após conhecer Jesus passou a cultivar a pureza em sua vida.
Trata-se de um eloquente símbolo da vitória da razão e da vontade sobre a paixão e os vícios.
Assim, tornar-se puro é possível, basta querer.

Pense nisso.

Momento Espírita.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 81236
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Tempo de vida

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jan 11, 2018 10:15 am

Ele era um homem muito observador.
Certa feita, sentiu vontade de visitar a cidade de Kammir.
Um pouco antes de chegar, chamou-lhe a atenção uma colina que se encontrava à direita do caminho.
Estava coberta de um verde maravilhoso, com numerosas árvores, pássaros e flores encantadoras.
Tudo rodeado por uma cerca envernizada.
Uma pequena porta de bronze convidava a entrar.
Ele resolveu conhecer aquele lugar.
Entrou e foi caminhando, lentamente, entre as brancas pedras distribuídas no meio das árvores.
Permitiu que seu olhar pousasse, como borboleta, em cada detalhe daquele paraíso multicor.
E descobriu, sobre uma daquelas pedras, a inscrição:
Abdul Tareg viveu oito anos, seis meses, duas semanas e três dias.
Sentiu-se um pouco angustiado ao perceber que aquela pedra era uma lápide.
Olhando ao redor, se deu conta de que a pedra seguinte também tinha uma inscrição:
Yamir Kalib viveu cinco anos, oito meses e três semanas.
O homem sentiu-se transtornado.
Aquele belo lugar era um cemitério.
Cada pedra era uma tumba.
Uma a uma, leu as lápides e todas tinham inscrições similares:
um nome e o exacto tempo de vida do falecido.
Porém, o que lhe causou maior espanto foi comprovar que quem mais tinha vivido apenas ultrapassara os onze anos.
Invadido por uma dor muito grande, sentou-se e começou a chorar.
A pessoa que tomava conta do cemitério aproximou-se e perguntou-lhe se chorava por alguém da família.
Não, ninguém da família. - Respondeu o visitante.
Mas, o senhor pode me responder o que se passa nessa cidade?
Que coisa tão terrível acontece aqui?
Qual a horrível maldição que pesa sobre essas pessoas que as obrigou a construir um cemitério só para crianças?
O interlocutor sorriu e explicou:
Não existe nenhuma maldição.
Aqui temos um antigo costume, uma tradição.
Quando um jovem completa quinze anos, ganha de seus pais uma caderneta, como esta, que eu mesmo levo aqui, pendurada no pescoço.
A partir dessa idade, cada vez que desfrutamos intensamente de alguma coisa boa, anotamos na caderneta.
À esquerda o que foi desfrutado e à direita, o tempo que durou.
Se conhecemos uma moça e nos apaixonamos por ela, quanto tempo durou essa paixão e o prazer em conhecê-la: uma semana? Duas? Três?
A emoção do primeiro beijo, quanto durou: um minuto e meio?
Dois dias? Uma semana?
E a gravidez ou o nascimento do primeiro filho?
E a tão desejada viagem, por quanto tempo desfrutamos integralmente?
E o encontro com o irmão que retorna de um país distante?
Assim, vamos anotando na caderneta cada momento bem aproveitado, cada minuto que valeu a pena.
Quando alguém morre, abrimos a caderneta e somamos o tempo bem desfrutado, para gravá-lo sobre a pedra, porque esse é, de fato, para nós, o único tempo que foi vivido.
No balanço final desta curta existência na Terra, o que terá verdadeiramente valido a pena, será o que de bom e útil tivermos vivido.

Pensemos nisso!

Momento Espírita, com base em história de autoria ignorada.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 81236
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Somos construtores de nós mesmos

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 12, 2018 10:46 am

O pai do menino Blaise Pascal estava acostumado a lidar com números.
Além de ser matemático, trabalhava para o governo no sector de cobrança de impostos.
Blaise nasceu em 1623, na França.
Aos três anos perdeu a mãe e passou a ser criado exclusivamente pelo pai.
Este o apresentou aos estudos muito cedo, porém deixou de lado a matemática, pois acreditava que ela só deveria ser ensinada ao filho mais tarde.
No entanto, a criança era curiosa, e acompanhando o trabalho do pai à distância, certo dia perguntou: Pai, o que é geometria?
Blaise tinha apenas seis anos.
Seu pai, obviamente, para não deixar o filho sem resposta, explicou, de forma bem sucinta sobre as formas, os ângulos, as medidas...
Algum tempo depois, quando numa visita ao quarto do menino, o pai se espanta ao percebê-lo riscado, de cima a baixo, com carvão, com todos os teoremas da geometria euclidiana.
Aos dezanove anos, Pascal inventou a primeira máquina aritmética:
um tipo de máquina de calcular mecânica, que permitia realizar as quatro operações.
Levou dois anos para produzir o equipamento, trabalhando com artesãos.
Seu objectivo era ajudar o pai, em seu trabalho como colector de impostos.
Transformou-se em respeitado matemático, inventor, filósofo, físico e escritor.
Ao estudar mais a fundo sua vida e obra, não há quem não se encante e admire com tanto conhecimento e desenvolvimento espiritual igualmente.
Uma pergunta então poderíamos trazer para reflexão:
Como se explica Blaise Pascal?
Como se explica uma genialidade que não foi ensinada?
Obviamente que ele se criou num meio propício ao seu desenvolvimento, mas como seria possível uma criança conhecer os princípios fundamentais da geometria, sem nunca antes ter tido contacto com eles?
Como explicar Blaise Pascal, ou tantos outros génios que vieram e ainda vêm à Terra e mostram, claramente, um conhecimento adquirido antes?
Pela genética apenas?
Factores genéticos que propiciaram esta anomalia positiva aleatória?
Sim, aleatória, pois poderíamos perguntar:
Por que ele? Qual a razão desse “privilégio” genético?
Bem, se fôssemos por este campo as perguntas não terminariam nunca.
Mas podemos ir para uma linha de raciocínio muito mais lógica e simples.
Poderíamos falar em preexistência da alma.
Tudo faria mais sentido então:
Blaise Pascal, uma alma reencarnada, trazia um conhecimento prévio naquelas áreas específicas.
Blaise Pascal havia construído aquele conhecimento antes, e agora estava sendo apenas herdeiro de si mesmo.
Seria muito mais fácil entender desta forma, entender que somos construtores de nós mesmos ao longo das eras.
Somos herdeiros de nós mesmos.
Compreender isso nos traz segurança para a alma.
Faz-nos entender que estamos imersos numa justiça maior, que vamos desvendando ao longo do tempo, mas que já nos encanta profundamente.
Somos construtores de nós mesmos, ao longo das eras.
Herdamos nossas próprias conquistas.
O Universo está do nosso lado.

São várias as colaborações do Espírito Blaise Pascal com a Codificação Espírita.
Destacamos os seguintes dizeres seus:
Se os homens se amassem com mútuo amor, mais bem praticada seria a caridade.
E, logo adiante: Esforçai-vos por não atentar nos que vos olham com desdém e deixai a Deus o encargo de fazer toda a justiça, a Deus que todos os dias separa, no Seu reino, o joio do trigo.

Momento Espírita, com base no item 9, do cap. XVI do livro O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. FEB.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 81236
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Prazeres

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 13, 2018 12:57 pm

O homem naturalmente busca o prazer e o bem-estar.
Trata-se de reflexo do instinto de conservação, cujo objectivo é assegurar a existência física pelo máximo de tempo possível.
A vida terrena é imprescindível à evolução intelectual e moral dos Espíritos.
Ela apenas deixa de ser necessária em estágios superiores da existência imortal.
Assim, o gosto pelo prazer atende naturais imperativos de evolução.
O sexo é prazeroso e mediante ele a espécie se perpetua.
Caso não houvesse alguma satisfação envolvida nos actos procriativos, a Humanidade estaria extinta há longa data.
A alimentação também envolve prazer.
O corpo físico necessita receber combustíveis adequados a sua estrutura.
O atendimento dessa necessidade não se dá apenas por força do apelo da fome, mas também envolve satisfação.
O descanso igualmente traz uma certa volúpia.
O atendimento de todas as necessidades naturais, sejam físicas ou emocionais, engloba determinada dose de prazer.
Como o ser humano não foi feito para viver sozinho, ele se regozija no contacto com seus amigos e amores.
A necessidade de contacto e de reconhecimento pelos semelhantes, quando é atendida, produz doces sensações.
Evidentemente, a sabedoria reside no equilíbrio.
Negar-se os prazeres comuns à existência, sem qualquer objectivo nobre, nada tem de elogiável.
A mãe que se priva de pão para alimentar os filhos dá mostra de abnegação e nobreza.
Mas se alimentar menos do que o necessário à manutenção da saúde apenas para auto-flagelo não é recomendável.
Os objectivos superiores da existência não são incompatíveis com as pequenas alegrias terrenas.
Jesus sinalizou essa verdade, ao afirmar que não é o que entra, mas o que sai da boca do homem que o contamina.
Se a voluntária privação dos bens da vida não é boa, o mesmo se dá com o abuso.
A glutonaria provoca doenças e diminui o tempo de vida.
O uso desvirtuado das forças genésicas produz desequilíbrios físicos e emocionais.
Dormir demais ou descansar em excesso constituem desperdício de tempo.
Assim, o relevante é guardar equilíbrio perante os gostos e os prazeres terrestres.
Se eles não são condenáveis, também não constituem o objectivo da existência.
Ninguém nasce para comer, beber, dormir e procriar.
Entender o prazer em seu real valor ajuda a não demonizá-lo ou endeusá-lo.
Viver correctamente não pressupõe abster-se das alegrias e satisfações comuns à condição humana.
A pureza não reside na abstenção dos dons da vida, mas em utilizá-los com equilíbrio e discernimento, sem prejudicar a si e ao próximo.
A sabedoria reside em tudo utilizar com moderação, sem se tornar escravo de hábitos, coisas ou sensações.
A finalidade da existência terrena é propiciar a evolução intelectual e moral dos Espíritos.
Todos renascem para vencer antigos vícios, para abandonar o egoísmo e viver o amor.
Não se trata de pieguismo sentimental, mas da vivência da fraternidade e da compaixão.
Não se desvie dessa meta por uma compreensão equivocada da vida.
No contexto de sua existência imortal, pouco lhe adiantará tornar-se um asceta.
Também será indigno de sua condição de Espírito imortal viver como um animal irracional, na busca incessante de prazeres.
Empenhe-se em ser equilibrado, bondoso e solidário.
É deveras trabalhoso, mas constitui o objectivo de sua vinda à Terra.

Pense nisso.

Momento Espírita.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 81236
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Efectivamente

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jan 14, 2018 11:50 am

Em nós mesmos o problema essencial.
Efectivamente, nada temos a ver com a manutenção do Sol, na imensidade do Espaço, mas responderemos, inevitavelmente, pelo que estamos fazendo da quota de luz que ele nos fornece.

Não nos cabe qualquer responsabilidade pelo giro da Terra, no plano cósmico; no entanto, seremos interpelados, quanto ao nosso procedimento para com o pedaço de chão que nos agasalha.

Não prestaremos informes sobre a evolução do planeta em que estagiamos, mas chega sempre o dia em que se nos perguntará quanto ao tempo e ao corpo, à profissão e ao meio de trabalho que o mundo nos confia.

Não se nos indagará com respeito à administração da Justiça Universal no orbe em que vivemos; no entanto, daremos contas das obrigações que assumimos, perante superiores e subalternos, colegas e afeiçoados, que nos partilham a convivência.

Não se nos inquirirá quanto aos destinos supremos da Humanidade, mas sofreremos exame natural e directo no que se refere à nossa conduta, diante do lar e da família, tanto quanto à frente dos irmãos e companheiros que nos comungam a intimidade.

Não podemos impedir as catástrofes da Natureza e nem evitar as calamidades sociais.
Outros poderes controlam a mecânica dos astros, o equilíbrio da Terra, o aprimoramento da vida, a sustentação do direito e o engrandecimento dos povos.

Reconheçamos, todavia, que nem as constelações, nem o Globo que nos serve de moradia, nem as instituições que supervisionam o progresso, nem o tribunal e nem o templo de nossa fé, conquanto nos sustentem e nos auxiliem, não conseguirão efectuar a tarefa que as Leis Divinas situam connosco, para que se realizem por nós.

Do livro Viajor, obra mediúnica psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 81236
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

A família em primeiro lugar

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 15, 2018 10:40 am

O administrador Stephen Kanitz, colunista da revista Veja, escreveu em edição de fevereiro de 2002 mais ou menos o seguinte:
Há vinte anos presenciei uma cena que modificou radicalmente minha vida.
Foi num almoço com um empresário respeitado e bem mais velho que eu.
O encontro foi na própria empresa.
Ele não tinha tempo para almoçar com a família em casa, nem com os amigos num restaurante.
Os amigos tinham de ir até ele.
Seus olhos estavam estranhos.
Achei até que vi uma lágrima no olho esquerdo.
“Bobagem minha”, pensei.
Homens não choram, especialmente na frente dos outros.
Mas, durante a sobremesa, ele começou a chorar copiosamente.
Fiquei imaginando o que eu poderia ter dito de errado.
Supus que ele tivesse se lembrado dos impostos pagos no dia.
“Minha filha vai se casar amanhã”, disse sem jeito, “e só agora a ficha caiu.
Percebo que mal a conheci.
Conheço tudo sobre meu negócio, mal conheço minha própria filha.
Dediquei todo o tempo à minha empresa e me esqueci de me dedicar à família.”
Voltei para casa arrasado.
Por meses, me lembrava dessa cena e sonhava com ela.
Prometi a mim mesmo e a minha esposa que nunca aceitaria seguir uma carreira assim.
Colocar a família em primeiro lugar não é uma proposição tão aceita por aí. Normalmente, a grande discussão é como conciliar família e trabalho. Será que dá?
O cinema americano vive mostrando o cliché do executivo atarefado que não consegue chegar a tempo para a peça de teatro da filha ou ao campeonato mirim de seu filho.
Ele se atrasou justamente porque tentou conciliar trabalho e família.
Só que surgiu um imprevisto de última hora, e a cena termina com o pai contando uma mentira ou dando uma desculpa esfarrapada.
Se tivesse colocado a família em primeiro lugar, esse executivo teria chegado a tempo.
Teria levado pessoalmente a criança ao evento.
Teria dado a ela o suporte psicológico necessário nos momentos de angústia que antecedem um teatro ou um jogo.
A questão é justamente essa.
Se você, como eu e a grande maioria das pessoas, tem de conciliar família com amigos, trabalho, carreira ou política, é imprescindível determinar quem você coloca em primeiro lugar.
Colocar a família em primeiro lugar tem um custo com o qual nem todos podem arcar. Implica menos dinheiro, fama e projecção social.
Muitos de seus amigos poderão ficar ricos, mais famosos que você e um dia olhá-lo com desdém. Nessas horas, o consolo é lembrar um velho ditado que define bem por que priorizar a família vale a pena:
“Nenhum sucesso na vida compensa um fracasso no lar.”
Qual o verdadeiro sucesso de ter um filho drogado por falta de atenção, carinho e tempo para ouvi-lo no dia a dia?
De que adianta ser um executivo bem-sucedido e depois chorar durante a sobremesa porque não conheceu sequer a própria filha?

O lar constitui o cadinho redentor das almas.
Merece nosso investimento em recursos de afecto, compreensão e boa vontade, a fim de dilatar os laços da estima.
Os que compõem o lar são os marcos vivos das primeiras grandes responsabilidades do Espírito encarnado.
Assim, acima de todas as contingências de cada dia, compete-nos ser o cônjuge generoso e o melhor pai, o filho dedicado e o companheiro benevolente.
Afinal, na família consanguínea, temos o teste permanente de nossas relações com toda a Humanidade.

Momento Espírita, baseado no artigo de Stephen Kanitz, Revista Veja, secção Ponto de vista, de 20 de fevereiro de 2002 e no cap. 19 do livro Conduta Espírita, pelo Espírito André Luiz, psicografia de Waldo Vieira, ed. FEB.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 81236
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

A criança e o segredo

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 16, 2018 11:11 am

Num bonde de Botafogo, Rio de Janeiro, conversam uma jovem senhora, mãe de uma menininha que a acompanha, e sua amiga.
As duas vão falando animadamente sobre assuntos diversos, e no meio delas, a criança se sente um tanto desnorteada.
Volta a cabeça de um lado para outro, ao mesmo tempo que sublinha cada frase com uma expressão de inteligência ou incompreensão.
Quando o assunto está em plena efervescência, a criança intervém com um aparte.
E daí em diante a conversa, passando de um lado para o outro, inevitavelmente para, a uma objecção da pequena interlocutora.
A certa altura da conversa, a mãe começa a ficar um tanto inquieta em relação às observações da menina.
Mais adiante, já aponta para a paisagem, a ver se ela se distrai.
Mas a menina está muito interessada no assunto, e a amiga da mãe parece estar muito satisfeita com isso.
O bonde anda mais um pouco, enquanto a criança faz seu comentário pertinente.
Então, a mãe sorri para a amiga, como quem diz Você sabe, é preciso calar a boca desta tagarela...
E pondo a mão em concha no ouvido da menina, diz qualquer coisa para a amiga, acompanhada de um olhar muito confidencial.
Como é? - A menina não entendeu bem.
E torna a mãe a repetir o segredinho, enquanto a mão enluvada diz que não, com o indicador autoritário e irritado.
Como conclusão do armistício, um beijinho rápido e inesperado nos caracoizinhos dourados enrolados na testa.
A amiga sorri, a mamãe sorri, e a menina olha para uma e para outra, meio desconfiada e desapontada, sem dizer mais nada.
Esta criança pode ter uns cinco anos.
Quando tiver mais dez a mamãe um dia lhe perguntará, entristecida:
Mas, minha filha, que segredo é esse que você me esconde?
Já não se lembrará que ela mesma lhe ensinou a calar...
Que dividiu a vida em duas partes: uma que se pode, outra que não se pode mostrar.
E a menina, que antigamente assistia aos exemplos de casa, está praticando, agora, aqueles exemplos...

Quem nos traz tais preocupações com a educação infantil é a ilustre poetisa brasileira, Cecília Meireles, em uma de suas muitas crónicas sobre educação.
A autora é muito feliz em apontar um costume muito comum nas famílias, e que gera consequências desastrosas, em muitas ocasiões.
Por vezes, sem perceber, pais e educadores ensinam os filhos a calar, a esconder sentimentos e a mentir.
Seus exemplos ensinam sempre mais do que qualquer retórica inflamada.
As crianças fitam a conduta dos pais, e se inspiram nela, já que são sempre seu primeiro e maior referencial.
Precisamos redobrar o cuidado, e manter com os filhos, desde tenra idade, uma relação franca, sem segredos e sem mistérios.
Explicar a razão dos não e dos sim, que serão frequentes e naturais, faz-se condição indispensável para construir uma boa relação de respeito e amizade.
O caminho do Porque sim e pronto, ou do Porque não e chega, é mais cómodo para os educadores, porém é perda de oportunidade de educar com profundidade.
Cultivar o diálogo aberto e franco sempre, é cultivar o amor em sua expressão mais bela e luminosa.

Momento Espírita, com base no cap. A criança e o segredo, do livro Crónicas de educação, de Cecília Meireles, ed. Nova Fronteira.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 81236
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Programação espiritual

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 17, 2018 10:37 am

Antes de renascer na carne, cada Espírito elabora uma programação a cumprir.
Orientado por amorosos e sábios guias, ele se decide por determinadas vivências.
Esse plano é habitualmente precedido de uma incursão pela memória do candidato à reencarnação.
Salvo o caso de almas muito valorosas, a recordação é algo restrita, a fim de não desequilibrar o Espírito.
É que uma parte muito considerável dos Espíritos cometeu incontáveis equívocos antes de optar pelo bem.
A Misericórdia Divina costuma lançar um véu sobre o passado, para permitir o soerguimento do ser.
Mas chega uma hora em que ele já entesourou bastante compreensão da vida e se habituou a perdoar.
Quando a alma se ocupa de amar e esquece de condenar é que pode recordar mais amplamente o que viveu.
A compaixão que aplica naturalmente ao semelhante a credencia a conhecer seu histórico e a perdoar-se também.
Enquanto o amor não domina o ser, este segue tacteando em sua evolução.
Mas sempre conta com o apoio de amigos mais evoluídos, que o auxiliam a planear as futuras vivências.
O livre-arbítrio é costumeiramente respeitado e ninguém se obriga a viver o que não deseja.
O Espírito, por sua conta e risco, pode protelar por um tempo o próprio reajustamento com as leis cósmicas.
Entretanto, não há paz e bem-estar sem consciência tranquila.
Mais cedo ou mais tarde, ele resolve se dignificar perante os próprios olhos.
O espectáculo da felicidade dos bons Espíritos é um estímulo tentador para quem segue na rectaguarda.
Entre permanecer desequilibrado e trabalhar pela própria felicidade, o trabalho parece altamente desejável.
Certa excepção quanto à liberdade na escolha das provas e expiações ocorre no caso de Espíritos muito endurecidos.
Se a liberdade integra a Lei Divina, o mesmo ocorre com o progresso.
Todos os Espíritos devem evoluir para Deus.
Quando conscientes, participam activamente das decisões sobre o que precisam viver.
É até comum que peçam provas demasiado rudes, no afã de progredir rapidamente.
Então, os amigos espirituais buscam convencê-los a serem mais modestos em sua pretensão.
É melhor avançar mais lentamente do que falir em um projecto grandioso.
Contudo, quando o Espírito é renitente no mal ou um contumaz preguiçoso, pode ser conduzido a uma existência que não deseja.
Seres que enlouqueceram em vivências cruéis ou que perderam o discernimento em rebeldias contra as Leis Divinas são momentaneamente tutelados em seu refazimento.
O ser é tão mais livre quanto mais consciente de seus deveres.
Não ocorreria a nenhum pai deixar a criança decidir se vai ou não para a escola.
Como nenhum pai sensato obrigaria o filho a cursar uma faculdade que detesta.
Em tudo, deve vigorar equilíbrio e respeito a quem tem maturidade para auto-determinar-se.
Assim, com base em liberdade, responsabilidade e conhecimento do passado, são programadas as existências terrenas.
Não se trata de um roteiro minucioso ou de um destino inexorável.
Alguns eventos marcantes são programados, mas a conduta a ser adoptada é de inteira responsabilidade do reencarnante.
Este é livre para comportar-se dignamente ou para rebelar-se e fugir ao dever que se apresenta em sua vida.
O relevante é que ninguém é vítima indefesa de forças caprichosas ou arbitrárias.
Em tudo se tem a justiça cósmica, que aproveita erros e acertos humanos para conduzir os Espíritos à felicidade.

Pense nisso.

Momento Espírita.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 81236
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Conquistas do Espírito

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jan 18, 2018 10:27 am

Ela nasceu no México, em uma cidade chamada São Miguel de Nepantla.
Filha de um pai basco e de uma mãe índia, cedo mostrou seus dotes intelectuais e sua rara inteligência.
Aos três anos aprendeu a ler e aos cinco iniciou a escrever versos.
Seu sonho era estudar.
Por isso, ao saber que existia algo chamado Universidade, onde havia acesso à ciência, ao saber, pediu ao pai que a matriculasse.
Mas, aqueles eram tempos em que para a mulher não se abriam tais possibilidades.
O mundo intelectual era dos homens.
Ela frequentou, por três anos, a corte do vice-rei, no intuito de travar contacto com cabeças privilegiadas.
Não logrou o êxito que idealizava.
Por fim, adentrou o convento de São Jerónimo da Conceição.
Estudou dogma, direito canónico, medicina, astronomia.
Tornou-se pintora miniaturista.
Escreveu peças teatrais, poemas, música sacra.
Quando foi repreendida, pela ousadia de adentrar o campo científico e cultural, defendeu o direito da mulher de se ilustrar.
Considerada a primeira feminista da América Latina, Juana Inês de La Cruz responde aos argumentos pobres com que a agridem, com a sabedoria de quem se aprofundara nas letras e nas ciências.
Busca na Bíblia, na mitologia, os vultos femininos que marcaram época pela sabedoria e competência.
Recorda Débora, fazendo leis; a sapiente rainha de Sabá; Ester; Aspásia Milesia que ensinou filosofia e retórica.
Cita o Cântico de Maria, mãe de Jesus, para justificar a sua poesia:
A minha alma glorifica o Senhor; e o meu Espírito exulta em Deus meu salvador.
Porque lançou os olhos para a baixeza da sua escrava; portanto, eis que, de hoje em diante, todas as gerações me chamarão bem-aventurada.
Juana Inês de La Cruz morreu no ano de 1695, durante uma epidemia de peste.
Contraiu a enfermidade atendendo as suas irmãs do convento.
Seu vulto, até hoje, é venerado no México, como das mais nobres personalidades que viveram na América Latina.
Uma mulher no século XVII.
Enfrentou os preconceitos de seu tempo.
Conviveu com a inveja dos que a desejavam calada, a fim de que a sua inteligência e sabedoria não se evidenciasse.
Nada a abateu. Como uma estrela de sublime grandeza, ela brilhou, conquistando intelecto e moral.

Quando as cores sombrias da adversidade pretenderem toldar o céu da tua vida, pensa que és capaz de as afugentar.
E segue sempre.
Não te permitas abater pelas críticas tolas, pelos obstáculos que se interponham aos teus sonhos.

Persiste e vence.

Momento Espírita, com base no cap.Juana de Asbaje; no cap. Sóror Juana Inês de La Cruz do livro A veneranda Joanna de Angelis, ed. LEAL e no Evangelho de Lucas, cap. 1, vers. 46 a 48.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 81236
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Pensamento e nós

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 19, 2018 10:28 am

Certo dia, ao chegar da escola, o pequeno Zeca entrou em casa batendo forte os pés no assoalho.
Seu pai, que saía para o quintal a fim de fazer alguns serviços na horta, ao ver aquilo chamou o menino para uma conversa.
Zeca, de oito anos de idade, o acompanha um tanto desconfiado.
Porém, antes que seu pai dissesse alguma coisa, o menino falou irritado:
Pai, estou com muita raiva!
O Juca não deveria ter feito aquilo comigo!
Eu desejo tudo de ruim para ele.
Seu pai, um homem simples mas portador de grande sabedoria, escuta calmamente o filho que continuou a reclamar:
O Juca me humilhou na frente dos meus amigos.
Eu não aceito isso!
Gostaria que ele ficasse doente sem poder ir para a escola.
O pai escuta calado o desabafo do filho, enquanto caminha até um abrigo, onde guardava um saco cheio de carvão.
Tomou o saco de carvão e pediu ao menino que o acompanhasse até o fundo do quintal.
O menino o acompanhou, sem entender bem o que estava acontecendo.
O pai abriu o saco e, antes mesmo que o filho pudesse fazer alguma pergunta, propôs algo:
Filho, está vendo aquela camisa branquinha estendida ali no varal para secar?
Pois bem, faça de conta que ela é o seu amiguinho Juca, e cada pedaço de carvão é um mau pensamento seu, endereçado a ele.
Quero que você jogue todo esse carvão naquela camisa, até o último pedaço, como se fosse tiro ao alvo. Quando terminar, avise-me, que eu volto para ver como ficou.
O menino achou a brincadeira divertida e pôs mãos à obra.
Todavia, o varal com a camisa estava longe, e por esse motivo, poucos pedaços acertavam o alvo.
Após mais ou menos uma hora, o garoto concluiu a tarefa e gritou por seu pai.
O pai aproximou-se devagar, olhou para a camisa e perguntou:
E então, filho, como está se sentindo agora?
O filho respondeu prontamente:
Estou cansado mas feliz porque acertei muitos pedaços de carvão no Juca, quero dizer, na camisa.
O pai olhou para o menino, que ficou sem entender a razão daquela brincadeira, e lhe falou com carinho:
Venha comigo até meu quarto, quero lhe mostrar uma coisa.
Ambos se dirigiram até o quarto e o menino foi colocado na frente de um grande espelho, onde pôde ver seu corpo por inteiro.
Que susto! Só se conseguia enxergar seus dentes e seus olhinhos.
Então o pai lhe disse com ternura:
Filho, você viu que a camisa quase não sujou, mas olhe para você...
O mal que desejamos aos outros é como o que lhe aconteceu.
Por mais que possamos atrapalhar a vida de alguém com nossos maus pensamentos, a borra, os resíduos, a fuligem, ficam sempre em nós mesmos.
Zeca sorriu envergonhado e falou:
Vou tomar um banho e depois... lavar uma certa camisa.

Quando um pensamento infeliz sai da nossa mente, abre espaço para ali se instalarem miasmas de enfermidades.
Ao contrário, quando nossos pensamentos são nobres, é como se suave bálsamo penetrasse nossa alma, inundando-a de tranquilidade e paz.

Pensemos nisso.

Momento Espírita, com base em história publicada na Revista Espírita Allan Kardec, nº 34, Ano IX.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 81236
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

O tempo de Deus

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 20, 2018 8:55 pm

A família vivia dias de intensa ansiedade frente ao problema da esposa e mãe, debilitada pelas árduas provas.
Inesperadamente surgiu-lhe um problema de saúde, que analisado e comprovado, passava a requerer uma delicada cirurgia.
Exames diversos, avaliações e uma série de cuidados especiais foram exigidos frente ao seu estado geral de saúde.
Embora sua idade fosse avançada, diziam que o atendimento, carinho e amor que recebia poderiam conservá-la junto a eles por muitos anos ainda.
Os dias transcorriam e o restabelecimento se fazia lento, quase imperceptível.
No início todos estavam confiantes mas, com o passar dos dias certa ansiedade começou a invadir a tranquilidade dos corações.
Foi quando um deles teve acesso a uma mensagem divulgada nas redes sociais, falando sobre o tempo de Deus.
Passada de mão em mão, tal mensagem acalmou os ânimos.
Em essência dizia:
Deus é sempre o último a se manifestar.
A nós, nos cabe saber esperar.
Importante aprendermos que quando Deus fala, Ele fala para resolver em definitivo a questão vivenciada.
Quando Ele resolve é em favor de todos.
A nós, só nos cabe saber esperar.
O desespero só vai agravar o problema que estamos vivenciando.
Há muita sabedoria em confiar e aguardar, pois cada coisa tem a sua hora, e a nós... cabe saber esperar...

A natureza é rica em exemplos que nos ensinam a respeitar as sábias Leis Divinas.
A semente aguarda, na profundeza e escuridão da terra, o momento certo para germinar, desenvolver, florescer e frutificar.
Tudo o que fizermos para acelerar esse processo poderá comprometê-lo.
A lagarta espera pacientemente o momento de se libertar de suas amarras no casulo, para poder, amadurecida, liberar suas asas e alçar voos delicados por sobre as flores.
Caso alguém tenha pressa em libertá-la, interromperá o processo de formação de suas asas, impedindo-lhe, mesmo, a primeira aventura na liberdade almejada.
O Espírito reencarnante silencia, acomodando-se à nova forma durante nove meses, para poder reaparecer no cenário da vida terrestre para outra experiência.
O seu nascimento antes do prazo determinado pela natureza poderá exigir uma série de cuidados especiais, ou até mesmo ocasionar a impossibilidade de se manter na vida.
A pessoa que sofreu fracturas ósseas graves, conforme sua idade, necessita de tempo maior ou menor para poder voltar a executar seus movimentos com segurança.
A pressa em se locomover antes do tempo, poderá impedir que seu restabelecimento lhe devolva toda a mobilidade que temporariamente perdeu.
Nosso tempo é diferente do tempo de Deus.
Sendo ele a Inteligência Suprema do Universo e a Causa Primária de todas as coisas sabe qual o melhor tempo para que tudo ocorra da melhor forma.
A nós, cabe tê-lO como baliza em tudo.
Não nos descuidar da nossa parte, mas aceitar Suas decisões.

Quando tudo foge ao nosso alcance, exercitar a virtude de esperar pacientemente pelo tempo de Deus é o que de melhor podemos fazer frente às nossas possíveis ansiedades.
Teremos sempre as melhores soluções quando soubermos respeitar o tempo de Deus.

Momento Espírita.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 81236
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Viver melhor

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jan 21, 2018 12:47 pm

Todos queremos ser felizes, viver melhor.
Entretanto, ouçamos a experiência.
A felicidade não é um tapete mágico.


Ela nasce dos bens que você espalhe, não daqueles que se acumulam inutilmente.
Tanto isto é verdade que a alegria é a única doação que você pode fazer sem possuir nenhuma.
Você pode estar em dificuldade e suprimir muitas dificuldades dos outros.
Conquanto às vezes sem qualquer consolação, você dispõe de imensos recursos para reconfortar e reerguer os irmãos em prova ou desvalimento.
A receita de vida melhor será sempre melhorar-nos, através da melhora que venhamos a realizar para os outros.
A vida é dom de Deus em todos..
E quem serve só para si não serve para os objectivos da vida, porque viver é participar, progredir, elevar, integrar-se..
Se aspirarmos a viver melhor, escolhamos o lugar de servir na causa do bem de todos..
Para isso, não precisa você acondicionar-se a alheios pontos de vista..
Engaje-se na fileira dos servidores que se lhe afine com as aptidões..
Aliste-se em qualquer serviço no bem comum..
É tão importante colaborar na higiene do seu bairro ou na construção de uma escola, quanto auxiliar a a uma criança necessitada ou prestar apoio a um doente..
Procure a paz, garantindo a paz onde esteja.
Viva em segurança, cooperando na segurança dos outros.
Aprendamos a entregar o melhor de nós à vida que nos rodeia e a vida nos fará receber o melhor dela própria.
Seja feliz, fazendo os outros felizes.
Saia de você mesmo ao encontro dos outros, mas não resmungue, nem se queixe contra ninguém.
E os outros nos farão encontrar Deus.
Não julgue que semelhante instrução seja assunto unicamente para você que ainda se acha na Terra.
Se você acredita que os chamados mortos estão em paz gratuita, o engano é seu, porque os mortos se quiserem paz que aprendam a sair de si mesmos e a servirem também.

Autor: André Luiz (espírito)
Psicografia de Chico Xavier. Do livro Respostas da Vida.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 81236
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Os pedidos da infância

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 22, 2018 9:47 pm

O mundo adulto é, por vezes, sombrio.
Envoltos na capa das preocupações, os homens se permitem a depressão, o stress, o cansaço da vida.
Nesse ritmo, os dias se sucedem aos dias, enquanto o entusiasmo diminui e as horas se arrastam, pesadas.
Há quem, tendo vencido uma etapa maior de anos, se mostre totalmente em desalento, com a certeza de que dias melhores não virão jamais.
E dizem: Ainda bem que não tenho mais tantos anos para viver.
Ainda bem que não verei os anos futuros.
Pobres de meus netos que terão que aguentar isso tudo!
Ao lado desses que já desistiram de viver, apenas sobrevivendo a cada dia, existe uma outra classe de pessoas bem diferente.
Essa é entusiasta, alegre e tem a certeza absoluta de que o céu é azul, os sonhos são cor-de-rosa e o mundo é uma rica promessa de venturas.
Essa classe é composta pelas crianças das mais variadas idades.
Desde os bebês, que estão descobrindo o mundo e que riem por tudo e por nada.
Riem porque o cachorro lhes lambe o rosto; porque o brinquedo caiu e fez um barulho esquisito; porque alguém lhes faz cócegas.
Essa classe sabe viver cada dia com intensidade.
Quando vai a uma festa, não se importa com a roupa, nem com o que será servido.
O que deseja é estar com os amigos e brincar.
Amigos que podem ser de longa data.
Amigos que pode fazer na hora, simplesmente a partir de um convite tentador:
Quer brincar comigo?
Ao final do dia, depois das brincadeiras, das risadas, o estômago diz que é preciso comer.
E todos os que fazem parte dessa privilegiada faixa etária chamada infância vão à mesa.
Com gosto e com vontade.
Cachorro-quente, brigadeiro, bolo, suco.
Tudo serve para se deliciar.
E todos eles comem com os olhos, com as mãos, antes mesmo de levarem à boca o alimento.
Criança é assim.
Faz cada coisa a seu tempo e com prazer.
Brinca, come, descobre as mil delícias de viver cada momento.
Essa classe dá lições de vida todos os dias.
Não foi por outro motivo que a sabedoria nazarena afirmou que todo aquele que desejasse entrar no reino dos céus deveria se assemelhar a um menino.
É porque a infância enfrenta os perigos, os desafios, com a certeza da vitória.
Criança não pensa que será um fracasso.
Ela joga para ganhar, ela canta para agradar, ela busca a protecção dos braços do amor para se abrigar e se entrega, em totalidade.
Adormece, sem se preocupar se o hotel tem três ou cinco estrelas, se o quarto que lhe foi dado é pequeno ou grande.
E quando se entrega ao sono, faz a sua prece: Deus, obrigado pela vida.
Espero que ela tenha mais coisas boas do que ruins.
Que todas as crianças tenham pais, que os pais sejam bons e as crianças, felizes.
Que sempre haja bastante brincadeira, festa, desenho animado, sorvete de chocolate e bolo na mesa de todas as crianças.
Agora eu vou dormir, Deus.
Quando eu acordar, espero que o Senhor tenha já ouvido e atendido os meus pedidos.
Aprendamos com as crianças.

Momento Espírita.

§.§.§- Ave sem Ninho
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 81236
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Momentos Espíritas IV

Mensagem  Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Página 2 de 9 Anterior  1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9  Seguinte

Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum