Momentos Espíritas IV

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Dar conta da administração

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 23, 2018 10:29 am

Toda vez que buscamos as palavras de Jesus, nelas encontramos motivos de profundas reflexões.
Quando Ele narra aos discípulos a parábola de um homem rico que tinha um feitor infiel, que dissipou seus bens, faz-nos uma grave advertência:
todos teremos que dar conta da nossa administração.
Talvez você já tenha respondido mentalmente que nada administra e que, portanto, de nada terá que dar conta.
Todavia, um exame mais detido nos leva a perceber que todos nós somos administradores em níveis variados.
Somos, no mínimo, administradores de nossa própria vida, e isso já é bastante.
Individualmente cada um administra seu tempo, suas actividades, e tudo isso acarreta a responsabilidade pessoal pelos próprios actos.
Os pais são importantes administradores, não só no que diz respeito à organização e harmonia do lar, mas também na grave questão da educação dos filhos.
Certamente teremos que dar contas à Divindade da administração desse departamento chamado lar.
No campo profissional não é diferente.
Não importa em que sector da vida trabalhemos, teremos que prestar contas do que temos feito.
Sejamos nós um limpador de rua, lavrador, jardineiro, professor, médico, arquitecto, político, ou tenhamos outra profissão qualquer, dela teremos que prestar contas um dia.
Todos, sem excepção, nascemos com as possibilidades que precisamos para nossa evolução.
Dessa forma, devemos florescer onde fomos plantados pelo Pai amoroso e justo, que nos concede, não o que gostamos ou queremos, mas o de que necessitamos.
A nossa dedicação, os esforços que empreendermos por desempenhar bem a parte que nos cabe no conjunto, podem parecer insignificantes, mas serão de grande valia quando tivermos que responder, diante das leis que regem a vida, o que fizemos da nossa administração.
E quanto maior é o nosso raio de acção, a influência que exercemos sobre pessoas e situações, maior a nossa responsabilidade.
Se, no contexto em que estamos inseridos, dissipamos os recursos que Deus nos confia, agindo como o feitor infiel, as consequências, por certo, serão amargas.
E se isso acontecer, a ninguém teremos que culpar a não ser a nós mesmos.
Na avaliação da nossa administração muitos factores serão considerados:
os talentos pessoais, as possibilidades físicas e psíquicas, a disponibilidade de bens materiais, o apoio de familiares e amigos, enfim, tudo o que temos ao nosso alcance.
Por isso, é importante que façamos, desde agora, uma avaliação de como tem sido nossa administração.
E, caso constatemos que não tem sido das melhores, esforcemo-nos para melhorar o nosso desempenho.

O cientista, no conforto do laboratório, e o marinheiro rude, sob a tempestade, estão trabalhando para o Senhor; entretanto, para a felicidade de cada um, é importante saber como estão trabalhando.

Momento Espírita, com base no cap. 40 do livro Palavras de Emmanuel, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB.

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Prémio à fé

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 24, 2018 10:50 am

Foi no ano de 1973 que o Prémio Templeton foi dado pela primeira vez.
Entre dois mil indicados ao corpo de jurados, a escolha recaiu sobre Madre Teresa.
O encarregado para fazer a entrega do prémio foi o marido da rainha da Inglaterra, Filipe, duque de Edimburgo.
O Prémio Templeton tem como exigência premiar a qualidade do testemunho religioso.
No seu discurso, o duque de Edimburgo teve oportunidade de assim se expressar:
Nada posso nem me atrevo a dizer sobre Madre Teresa.
Mas há muito que aprender de seu exemplo.
A lição que, sobretudo, deveríamos aprender é tão simples quanto velha:
a fé de uma pessoa mede-se por seus actos...
Madre Teresa não poderia ter vivido tal vida nem realizado tais obras sem uma fé imensa.
Depois de receber o Templeton, na presença de personagens ilustres, Madre Teresa, por uma questão de cortesia, pronunciou algumas palavras:
Ao conceder-me este Prémio, vós o destes a todas as pessoas que, de todos os lugares da Terra, compartilham comigo o mesmo trabalho, semeando o amor de Deus entre os pobres.
Nós estamos em contacto com o corpo de Cristo.
É a Cristo que tem fome que nós damos de comer.
A Cristo nu que nós vestimos.
A Cristo desalojado que oferecemos tecto.
Mas a Sua não é apenas fome de pão, nudez de roupas, ou necessidade de uma casa de alvenaria. Cristo tem, hoje, em nossos pobres, e também nos ricos, fome de amor, de cuidados, de calor humano, de alguém que se preocupe com eles como de algo próprio.
Hoje como ontem, Jesus vem aos Seus e eles não O reconhecem.
Vem nos corpos purulentos dos nossos pobres.
Vem até mesmo nos ricos que estão se deixando sufocar pelas riquezas, na solidão de seus corações, e não têm quem os ame.
Damo-nos conta da existência dessa classe de pessoas, talvez ao nosso lado?
Talvez se trate de um cego que ficaria muito feliz se lhe lêssemos o jornal.
Talvez seja um rico que não tem quem o visite.
Não lhe falta nada materialmente, mas está sufocado por sua própria riqueza.
Algum tempo atrás, veio ter connosco um homem muito rico.
Disse-me: “Aceite esta oferta, para que alguém venha à minha casa.
Estou quase cego. Minha mulher perdeu o uso da razão.
Nossos filhos se afastaram de nós.
Estamos morrendo de solidão.”
Desejavam o amável acento da voz humana.
Nossos moribundos abandonados, nossos doentes, nossas crianças sem assistência, paralíticos, têm necessidade de amor, de compaixão, de calor humano.
O dinheiro não basta.
Eles têm necessidade de que nossas mãos lhes prestem serviço, de que nossos corações lhes ofereçam amor.
É Cristo que tem fome de amor e de cuidados.
A Bíblia diz: “Procurei quem me consolasse e não encontrei.”
Como seria terrível se Cristo tivesse que repetir isso hoje.

A vida dessa mulher incomparável nos diz que é possível fazer o bem, superando qualquer dificuldade.
Que a vivência dos preceitos evangélicos é possível, bastando que nos armemos de fé.
Fé que é certeza inabalável de que somos filhos do mesmo Pai e, portanto, pertencentes a uma única e imensa família.

Pensemos nisso.

Momento Espírita, com base em dados biográficos de Madre Teresa de Calcutá.

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Contradições

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jan 25, 2018 10:08 am

Na extensa praia, em plena manhã de primavera, um caranguejo corria na areia em companhia de sua mãe.
Observando o filho, a mãe o corrigiu:
Não corra de lado!
Andar para frente é muito mais adequado.
O jovem caranguejo respondeu sem demora:
Claro, mamãe, quero aprender.
Mostre como se anda para frente e eu farei como você.

A fábula é simples, mas nos oferece ensejo de profundas reflexões em torno da educação das novas gerações.
Movidos pelo desejo de preparar os filhos para que sejam os cidadãos responsáveis da sociedade de amanhã, muitas vezes não nos damos conta de que estamos tentando educar só com teorias, sem o correcto exemplo.
As palavras, sem dúvida alguma, são importantes, mas o exemplo vale mais.
Nesse contexto, é comum observarmos contradições de nossa parte, enquanto pais e educadores.
Enquanto promovemos campanhas para que a população não faça uso da auto-medicação, vemos uma grande quantidade de propagandas de remédios que prometem curas instantâneas para quase todos os males.
E nós mesmos nos utilizamos, de forma indiscriminada, dos medicamentos mais variados, sem a devida orientação médica.
Enquanto insistimos nas campanhas contra as drogas, as telas exibem novelas e filmes em que os ídolos aparecem fazendo uso do fumo e do álcool.
Enquanto falamos em inibir a prostituição, continuamos apelando para a exposição de corpos seminus, na divulgação de qualquer produto.
E embora insistamos na necessidade de conter a onda de violência que invade o mundo, os jogos, desenhos e filmes infantis violentos chegam facilmente às nossas crianças.
Muitos de nós damos armas de brinquedo.
Enquanto apontamos os males da corrupção e da ganância, ensinamos aos nossos filhos, pelo exemplo, que o que importa é ter coisas em vez de cultivar as virtudes do ser.
Uma grande e incontestável inversão de valores.
Assim, de contradição em contradição, vamos teorizando acerca de um mundo melhor, esquecendo-nos de que é preciso ensinar na prática.
A exemplo do filhote de caranguejo, nossos filhos também desejam andar para frente, mas é preciso que caminhemos adiante deles, mostrando-lhes o rumo certo que devem seguir.
De nada vale lhes dizer que sigam por determinado lugar, enquanto insistimos em tomar caminhos diferentes, escusos.
Eles, por nos amarem e confiarem em nós, seguirão sempre os nossos passos.

Jesus, o Mestre dos mestres, não se contradisse em nenhuma circunstância.
Suas lições foram vividas e exemplificadas por Ele mesmo, em todos os momentos.
Ele, que era conhecedor das Leis maiores da Vida, sabia que a teoria convence, mas o exemplo arrasta.

Momento Espírita, com história do cap. O caranguejo e sua mãe, de Esopo, de O livro das virtudes, v. 2, de William J. Bennett, ed. Nova Fronteira.

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Imprevisível, insuspeitável, inesperado

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 26, 2018 9:50 am

Foram cinquenta anos de angustiosa procura.
Os irmãos Adolfo e António perderam o contacto quando deixaram o Estado de Pernambuco, na década de 1960, e se mudaram para a região sudeste do Brasil, em busca de melhores oportunidades.
A comunicação à época era difícil e, embora tenham se procurado por anos a fio, não conseguiram se reencontrar.
Quando se aposentou, Adolfo decidiu retornar à região nordeste, instalando-se em Maceió.
Por conta de um problema de saúde, foi internado em hospital de grande porte da capital alagoense.
No leito ao lado de Adolfo, outro homem também estava internado.
As enfermeiras estranharam ao perceber que o sobrenome dos dois pacientes era idêntico e questionaram Adolfo se ele conhecia alguém chamado António.
Cheio de esperança, ele pediu à sua filha que indagasse ao companheiro de internamento o nome do pai dele.
Pedro da Silva, foi a resposta.
Era o nome do pai de Adolfo.
No mesmo instante, ele pediu a alguém que fosse à sua casa buscar uma antiga foto de família, na qual seu pai e seus irmãos estavam retratados.
Quando mostraram a foto a António, copiosas lágrimas rolaram por sua face.
Não havia mais dúvidas: os irmãos haviam se reencontrado.
António também se mudara para Maceió na ocasião de sua aposentadoria e eles não faziam ideia de que moravam próximos um do outro há quase dez anos.
Tantos anos passamos separados, tantas foram as tentativas frustradas de nos reencontrarmos para, de repente, sermos internados no mesmo dia, um ao lado do outro.
Foi um reencontro de emoção indescritível, um verdadeiro mistério de Deus, revela Adolfo, emocionado.

Encontros, desencontros, chegadas, despedidas, alegrias, tristezas.
Em nossa existência, nada ocorre por acaso.
As provações e tribulações pelas quais passamos, os sucessos e os insucessos da vida, o país no qual residimos, a religião que professamos, as condições financeiras de que desfrutamos, para tudo há uma explicação.
A família na qual fomos acolhidos, as amizades que cultivamos, o companheiro ou a companheira que elegemos, os filhos que nos foram confiados, nada disso deve ser atribuído ao acaso.
Atentemo-nos às nossas escolhas.
São elas as responsáveis pelos acontecimentos tanto do passado quanto pelos do presente e futuros, felizes ou infelizes, comummente atribuídos ao acaso, à sorte ou ao azar.
Por assim ser, é preciso responsabilidade ao fazermos uso do livre-arbítrio que o Criador nos concedeu.
A lei de causa e efeito é universal: para cada escolha, uma consequência.
Sem dúvida, é certo que podemos contar com a misericórdia Divina, que leva em conta as nossas fraquezas.
Porém, no devido tempo, quando estivermos preparados, a justiça de Deus permite que reparemos as faltas cometidas, registadas no tribunal da consciência.

O que rege as nossas existências não é o acaso, mas, sim, o livre-arbítrio, uma responsabilidade que o ser conquista por meio do progresso intelecto-moral.
Afinal, imprevisível é a presença Divina surpreendendo a qualquer falta cometida. Insuspeitável é a interferência Divina sempre vigilante.
Inesperado é a ocorrência Divina trabalhando pela ordem.

Pensemos nisso!

Momento Espírita,com base na biografia de Adolfo Teixeira da Silva e com transcrição de frases do cap. 3, do livro Alerta, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.

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Últimas vontades

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 27, 2018 8:47 pm

Você já se deu conta de que, de modo geral, costumamos doar nossos bens, somente após a morte?
Naturalmente, isso equivale a dizer que legamos nosso património a parentes próximos ou distantes, registando em testamento as nossas vontades.
Estabelecemos divisões equitativas ou não, dispondo de bens móveis e imóveis, jóias, títulos financeiros, cédulas e moedas, em favor dos que permanecem na carne.
Alguns de nós, mesmo nessas disposições últimas, impomos condições aos herdeiros a fim de que possam colocar as mãos no que lhes legamos.
Registamos desejos absurdos que retratam, em síntese, que mesmo partindo para a vida espiritual, pretendemos prosseguir a comandar vidas alheias, graças aos legados que lhes dizemos doar.
Por vezes, vamos ao ponto de determinar o que os herdeiros deverão fazer com os valores que lhes dispensamos.
Colocamos cláusulas testamentárias estabelecendo que certas percentagens sejam direccionadas à prática da caridade, de forma directa ou através de instituições.
Nesse caso, convenhamos, se somos cristãos sabemos que é nosso dever atender o irmão sofredor, o quanto antes, e por nós mesmos pois que Jesus nos ensinou que mais importante do que dar é dar-se.
Igualmente temos consciência de que o bem só tem valor real quando parte do coração e ao coração se dirige.
O que quer dizer que distribuição do que quer que seja, por imposição, não trará jamais o selo do amor e da doação espontânea.
Temos a pensar ainda que, se durante os anos de nossa vida, não nos esmeramos em exemplificar a caridade, se não nos preocupamos em ensinar aos filhos, netos, sobrinhos, ou quem quer que seja, o verdadeiro sentido da caridade, como pretendermos que eles a pratiquem, sob dispositivo de cláusula testamentária?
Cumpre-nos revisar nossa postura perante a vida.
Primeiro, iniciando a partilha do que excede em nossos armários, sejam roupas, calçados, alimentos, livros etc.
Segundo, educando aqueles por quem somos responsáveis, à meridiana luz do verdadeiro Cristianismo.
Tudo isso, enquanto é tempo, enquanto estamos a caminho, enquanto a lucidez nos comanda o raciocínio.
Repartir o pão do corpo e da alma, distribuir o de que disponhamos, em favor do nosso irmão, é medida que prescreve o Cristianismo, desde os versos primeiros da Boa Nova.

Você sabia?
Você sabia que os recursos amoedados devem sempre ser entendidos como meios e não como meta em nossas vidas?
E que na Terra, as coisas têm o valor que lhes damos?
Entre outras, o dinheiro tem o peso exacto que lhe oferecemos.

Momento Espírita, com frases finais baseadas no verbete Dinheiro, do livro Repositório de sabedoria, v.1, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.

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Diante dos pioneiros

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jan 28, 2018 11:50 am

Recorda os sacrifícios dos pioneiros do progresso que te precederam na jornada humana, para que avances na Terra sem a cegueira da ingratidão.
Lembra as mãos anónimas que te ergueram o lar, os braços que te embalaram o berço e as vozes amigas que te ensinaram a mover os lábios no idioma do entendimento.
Não olvides aqueles que choraram e sofreram, lavrando o solo em que ingeriste a primeira bênção do pão e nem te esqueças de quantos se viram mutilados no trabalho para que o conforto e a higiene te sustentassem o corpo.
Não relegues à indiferença os que se viram supliciados para que tivesses a ordem legal, garantindo-te a segurança, e os que morreram nos cárceres, muitas vezes caluniados e traídos, para que a liberdade te abençoe a existência.
Consagra na memória um altar de referência para com aqueles que te doaram os tesouros da educação, a fim de que o aprendizado na Terra se te faça caminho para a Espiritualidade Superior.
Usufrutuário do campo em que foste acolhido pela bondade e pela esperança dos que te viram nascer, recolheste deles a experiência que o sofrimento lhes outorgou, reclamando-te também suor e boa vontade no mundo, para que a vida no mundo se faça melhor.
Não te percas nos labirintos da indagação sem proveito, perguntando se a crueldade é hoje maior que a de ontem no caminho das criaturas.
Cede à Terra o melhor de ti, no serviço desinteressado e constante para que o bem prevaleça, iniciando na própria alma a obra redentora do amor que a tudo abrange, e, em voltando amanhã à grande escola da experiência humana, encontrá-la-ás mais nobre e bela, convertida, com a parcela de teu esforço, em antecâmara para a Vida nos Céus.

Do livro Nascer & Renascer, obra mediúnica psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.

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A importância da família

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 29, 2018 11:24 am

Andando com pressa, esbarrei em um estranho.
Reconhecendo minha imprudência, voltei-me e lhe pedi que me perdoasse.
De imediato, ele respondeu:
Desculpe-me, por favor, também não o vi.
Fomos muito educados um com o outro.
Sorrimos e demos prosseguimento ao nosso caminho.
Mais tarde, em casa, envolvido em tarefas, pensava no ocorrido, em como me comportara de forma tão urbana.
Imerso nessas reflexões, não percebi meu filho de apenas sete anos, que se aproximou e se postou atrás de mim.
Ao me virar, assustei-me, quase o derrubei e acabei gritando com ele, que se retirou triste.
E nem me dei conta de como agira de forma equivocada.
Foi depois que vi umas flores lindas no chão, perto da porta, que algo me tocou.
Pensei: Fui tão gentil com o estranho na rua, e tão ríspido com meu filho em casa.
Recolhi as flores e o procurei para me desculpar.
Mas foi ele quem falou primeiro, se escusando, dizendo que entrara de mansinho para me surpreender.
Senti-me mal e constrangido.
Tudo bem, disse, abraçando-me, amo você de qualquer jeito.
Foi nesse momento que decidi valorizar mais aqueles amores que Deus colocou ao meu lado, na formação do valioso grupo familiar.

A família é referência fundamental para qualquer criança.
É o seu primeiro espaço de convivência.
O mundo se transforma constantemente, os conceitos mudam, os valores se alteram, mas nada destrói a importância da família.
Não importa qual seja a sua aparência, a sua formação, o seu ritmo, é na família que se aprende e se fortalecem os valores éticos.
É onde se vivem sagradas experiências afectivas, emocionais e morais.
É o primeiro espaço que ocupamos no mundo, e nada a substituirá em nossos corações.
Verdadeiro ninho de sobrevivência e protecção onde o grupo cria e alimenta laços de estima insuperável, capaz de promover a solidariedade e instaurar as bases do amor.
É no seio familiar que se faz a transmissão de valores, costumes e tradições de um clã.
Quando se realiza uma boa educação dentro do lar, seus elementos levarão consigo uma base sólida e segura para os desafios da sociedade.
Mesmo com os problemas que ocorrem quotidianamente, é junto da família que construímos a fortaleza que nos protegerá e sustentará nas lutas da vida.
Sem a família, com toda a importância que representa para as criaturas, o mundo seria um verdadeiro caos.
O diálogo, a amizade, o carinho familiar conferem a estrutura emocional para uma vida repleta de bons sentimentos e o cultivo das virtudes que tanto nos enriquecem.
Podemos afirmar que a família é a esperança sempre viva para uma Humanidade melhorada.
É a instituição capaz de solidificar atitudes afectivas e sentimentos mais profundos e significativos.
Reveste-se de especial importância por seu valor inestimável.
Ao reunirmos nossos amores no recinto familiar não percamos a oportunidade de lhes declararmos nosso amor, carinho e respeito.
E, em nossas orações, agradecidos a Deus, peçamos a bênção suprema para a nossa maior riqueza na face da Terra.

Valorizemos agora e sempre, a nossa família!

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Deus quer assim

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 30, 2018 9:48 am

Quando passamos por momentos difíceis em nossa vida, a fé e a compreensão do porquê isso tudo acontece, muito nos auxiliam.
Entender que trazemos uma história muito mais longa e complexa do que aquilo que se pode contar em apenas uma existência é um bom começo.
Saber que somos os herdeiros de nossas próprias acções, compreender que nosso caminhar não começou há pouco e nem é fruto do acaso, nos permite outro entendimento da vida.
Partindo desses princípios, natural se faça que, dobrando-nos perante a compreensão da Providência Divina, concluamos: Deus quis assim.
E não estaremos errados.
Como nos ensina Jesus, nenhuma folha cai da árvore sem a vontade do Pai.
Nada nos acontece sem estar sob as Leis da Sabedoria Divina.
Dessa forma, correctamente pensamos quando dizemos que Deus quer que certos fatos nos alcancem.
Porém, não esqueçamos de que assim é porque Deus nos ama.
E é por nos amar que nos dá a chance do aprendizado.
Toda nossa existência é um leque de oportunidades para nos direccionar ao entendimento do amor a nós mesmos, ao nosso próximo e a Deus.
Por isso, quando a Providência Divina nos oferece momentos difíceis, é para aprendermos algo.
O que a Divindade deseja é nosso aprendizado.
Não o sacrifício sem sentido, nem o sofrimento pelo sofrimento.
Dessa forma, é natural que quando não entendemos a lição de uma determinada ocorrência, ela retorne ao nosso caminho em outro momento, numa outra dificuldade que a vida nos vá oferecer.
Essa a razão pela qual, muitas vezes, nos percebemos em situações que se repetem, envolvidos com pessoas com as mesmas características, presos a situações que se assemelham.
Alguns de nós parecemos ter a capacidade de atrair relacionamentos com o mesmo estilo, que desaguam em situações semelhantes, nem sempre felizes.
Outros nos deparamos em sociedade ou no trabalho com situações constrangedoras, em relacionamentos que percebemos repetitivos.
Por isso, nos vemos, em momentos diversos, com o mesmo pano de fundo, demandando as mesmas exigências emocionais.
São situações que se reprisam, repetindo a oportunidade das lições.
Não se trata, entretanto, de convite para passar reiteradas vezes por situações semelhantes, como num capricho da vida.
A questão é de aprendizado, de construir um entendimento racional ou emocional, a partir das vivências experienciadas.
As dores, os relacionamentos difíceis nos chegam para nos ajudar a nos compreendermos e ao nosso próximo.
Será somente através dessa compreensão que começaremos a nos amar, a perdoar, assim como a amar e perdoar ao próximo.
Dessa forma, não apenas abaixemos a cabeça esperando a dificuldade passar.
Mas, façamos um movimento de resignação activa.
Resignados, tentemos compreender o que a vida quer de nós, o que precisamos aprender.
Somente assim, com o aprendizado feito, não precisaremos nos reter nas mesmas trilhas e nos mesmos caminhos já percorridos em outro momento.

Tudo depende de nós.

Momento Espírita.

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Lição de vida

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 31, 2018 10:52 am

Os veículos de comunicação se esmeram em apresentar informações dos ídolos actuais.
Suas vidas são vasculhadas e seus passos seguidos, fotografados, filmados.
Informam aos fãs, com detalhes, os seus gostos alimentares, desejos mais secretos, intimidades.
É de estranhar, no entanto, que quando algumas das chamadas desgraças terrenas os abatem, eles desaparecem do cenário e nada mais é comentado.
Todavia, quantos deles manifestam sua força, seu valor verdadeiro em meio às dores e enfermidades terríveis que os acometem.
Certa vez, lemos a respeito da batalha ferrenha que empreendeu um jornalista brasileiro que durante trinta anos manteve uma coluna diária em jornal.
A doença foi diagnosticada e os médicos informaram que ele entraria em depressão.
É o comportamento padrão, disseram.
Convicto, ele afirmou:
Não me deixarei deprimir, nem um minuto.
E também não cederei à revolta. Vou à luta.
Amante da vida, viajara pelo mundo e conhecera da selva do Nepal às cidades mais belas e sofisticadas.
Agora, a sua peregrinação ao hospital era pela cura.
Aos cinquenta e seis anos e com a cabeça cheia de sonhos, ele imaginava que venceria.
Queria ainda escrever a respeito da sua luta para vencer o fumo e o álcool.
Poderia auxiliar pessoas.
O tempo haveria de lhe estabelecer regras rígidas e lhe dizer que seu destino próximo era a morte.
Não tenho medo nenhum, comentou um dia.
Pode parecer estranho, mas é assim.
Deus tem sido generoso comigo e só me resta agradecer.
Gostaria muito de conhecer o meu anjo de guarda. Afinal, ele tem sido um amigão.
Os seus últimos dias foram um calvário.
Entubado, por várias vezes, não podia falar.
Bastava que lhe retirassem o tubo e ele falava, sereno. Brincava muito.
Por diversas vezes foi desenganado.
Mas ressurgia com energia e vigor, surpreendendo médicos e enfermeiras.
Jamais reclamou de coisa alguma.
Nele sobrou coragem e dignidade.
Quando uma amiga lhe disse que não conseguia acreditar que ele estivesse tão doente, pois o vira há pouco tempo tão bem, ele sorriu e disse:
Pois é, por fora belo, por dentro como pão bolorento.
Nas horas finais, não podia quase falar.
Somente escutava as frases de amor que sua esposa lhe dizia:
Estamos juntos há muitos anos.
Vamos continuar outros tantos.
Vá agora, amor, liberte-se.
Busque a luz. Vá em paz.
Você não desejava conhecer seu anjo de guarda? Chegou a hora.
Ele partiu serenamente.
Com esforço, balbuciou: Amorzinho.
Foi sua última palavra.

A vida nos é dada para grandes coisas e a morte nos surpreende, por vezes, em meio à execução ou planeamento de ousados projectos.
Ela não olha idade, sexo, cor da pele, crença religiosa.
Aborda a todos e na hora estabelecida.
Vivermos com sabedoria é nos prepararmos cada dia para viver a eternidade na carne, tanto quanto nos conscientizarmos de que a eternidade poderá ser vivida em outra dimensão, além da esfera física.
Afinal, ninguém morre. Somente troca de roupagem.
Enfrentar a enfermidade, o anúncio da morte, requer coragem, muita fibra que somente a fé em Deus pode fornecer.

Momento Espírita, com base no artigo O amorzinho... Merry XMas, da revista Selecções Reader´s Digest, dezembro de 1998.

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Fé e confiança

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 01, 2018 11:08 am

Martin Gouveia, jovem ainda, tinha o hábito de invadir residências descuidadas, levando o que pudesse, sem nunca cair nas mãos das autoridades.
Aquela noite espreitara atentamente uma casa fechada onde parecia não haver ninguém.
Sorrateiramente saltou o muro do pátio, forçou a porta de serviço e entrou na residência.
Passou pela cozinha e seguiu para o interior.
Procurou um dos aposentos onde esperava encontrar maiores valores, e empurrou levemente a porta.
Nisso ouviu alguém respirando com dificuldade.
Julgando ser uma pessoa que dormia, ressonando, avançou.
Admirado, viu um vulto sobre o leito, e imediatamente levou a mão ao punhal.
Ouviu nesse instante uma voz débil e entrecortada, de um homem que o fixou na penumbra.
O desconhecido estendeu os braços e falou sob forte emoção:
Ah! Graças a Deus!
Você escutou meus gemidos, filho?
Foram os Espíritos!
Você é um enviado dos mensageiros divinos!
Martin, surpreendido, abandonou a arma.
Aproximou-se do velhinho que pôde, agora, distinguir sob a ténue claridade da lua que entrava pela vidraça.
O ancião repetiu maravilhado: Graças a Deus!
Meu filho, necessito muito de você.
Sou paralítico e sem ninguém.
Não tenho forças para gritar.
Há muito tempo não recebo visitas. Você me escutou.
Depois de uma pequena pausa prosseguiu:
Traga-me o remédio.
Sinto muita falta de ar...
Leia alguma coisa que me conforte... para eu não morrer só...
Você é um enviado dos Espíritos, eles ouviram as minhas preces.
E porque o enfermo lhe oferecesse um livro, Martin, compadecido, acendeu a luz e se dispôs a ler, emocionado.
Era um exemplar de O evangelho segundo o Espiritismo, ensebado de suor e de lágrimas.
O hóspede imprevisto leu e leu até a madrugada.
E, aquilo tudo o fez desistir dos assaltos e furtos.
Dedicou-se a cuidar do velhinho, administrando-lhe a medicação, prestando-lhe assistência e lendo os livros de sua predilecção.
Depois de cinco meses, o enfermo morreu em clima de paz, deixando-lhe os bens como herança e a alma renovada pelos exemplos de fé nos Espíritos superiores.
Uma fé capaz de modificar a própria situação de penúria e atrair um jovem equivocado para o refazimento do caminho.
Fé suficiente para neutralizar a violência atrevida que lhe invadira o lar.
Fé que não vacilou diante do invasor que, certamente, não estava ali por acaso, mas guiado por mãos invisíveis que sabiam o desfecho da História por conhecerem a intimidade de um e de outro.

No nosso dia a dia, várias situações se apresentam justamente para que possamos ajudar aqueles que connosco convivem, ou, que simplesmente cruzam o nosso caminho.
De igual forma, por vezes, de onde nem sequer cogitamos, nos chega o auxílio, inesperado mas preciso.
Isso porque Deus tem formas inúmeras de atender aos Seus filhos, servindo-se de qualquer criatura, mesmo que nos possa parecer inadequada.
Afinal, Ele, na qualidade de Pai, conhece a intimidade de cada um dos Seus filhos.

Momento Espírita, com base no cap. 62, do livro Ideal Espírita, por Espíritos diversos, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. CEC.

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Círculo de amor

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 02, 2018 11:28 am

Ele estava um pouco apressado, mas viu a senhora, com o automóvel parado no acostamento.
Percebeu que ela precisava de ajuda.
Parou seu carro e se aproximou.
O veículo dela era novo, contudo, apresentava problemas.
Mesmo com o sorriso que o homem estampava na face, ela ficou preocupada.
Ninguém tinha parado para ajudar durante a última hora.
Quais seriam as intenções daquele estranho? Pensou.
Ele percebeu que ela estava receosa e lhe disse:
Eu estou aqui para ajudar, madame.
Pode esperar dentro do carro que está mais quentinho.
A propósito, meu nome é Bryan.
O problema era só um pneu furado.
Logo, estava trocado.
Enquanto Bryan finalizava o serviço, a senhora abriu a janela do carro e começou a conversar.
Contou que estava de passagem por ali.
Morava noutra cidade, e não sabia como agradecer pela preciosa ajuda.
Bryan apenas sorriu.
Ela perguntou quanto devia.
Qualquer quantia teria sido muito pouco para ela.
Já tinha imaginado todas as terríveis coisas que poderiam ter acontecido se a noite a tivesse surpreendido sozinha, naquela estrada.
No entanto, Bryan não pensava em dinheiro.
Gostava de ajudar quando alguém tinha necessidade.
Aquele era seu modo de viver e nunca lhe ocorreu agir de outra maneira.
Se realmente quiser me reembolsar, disse Bryan, da próxima vez que encontrar alguém que precise de ajuda, dê a ela a ajuda que precisar.
E acrescentou: E pense em mim.
Ele esperou até que ela saísse com o carro e também se foi.
Aquele havia sido um dia frio e cinzento.
Ainda assim, ele se sentia muito bem.
Alguns quilómetros depois, a senhora encontrou um pequeno restaurante e entrou para comer alguma coisa.
Não era um restaurante daqueles que ela costumava frequentar.
A garçonete veio até ela e lhe dirigiu um doce sorriso.
Um sorriso que, mesmo com os pés doendo por um dia inteiro de trabalho, não se apagara.
Notou que a jovem estava nos últimos meses de gravidez e, ainda assim, não deixou a tensão e as dores mudarem sua atitude.
A senhora ficou curiosa em saber como alguém que tinha tão pouco, podia tratar tão bem a uma estranha.
Então se lembrou de Bryan.
Terminada a refeição, enquanto a moça buscava o troco para a nota de cem reais, a senhora se retirou.
A garçonete voltou e procurou localizar a cliente.
Achou apenas algo escrito no guardanapo, sob o qual havia mais cinco notas de cem reais.
Havia lágrimas em seus olhos quando leu:
Você não me deve nada, já tenho o bastante.
Alguém me ajudou há pouco e da mesma forma estou lhe ajudando.
Se você realmente quiser me reembolsar não deixe este círculo de amor terminar em você.
Quando a jovem foi para casa, deitou-se ao lado do marido e ficou pensando no dinheiro e no que a senhora deixara escrito.
Como ela podia saber o quanto ela e o esposo precisavam de dinheiro?
Com o bebé para o próximo mês, tudo estava difícil!
Virou-se para o marido, que dormia tranquilamente ao lado, deu-lhe um beijo carinhoso e sussurrou:
Tudo ficará bem, Bryan. Eu amo você.

O amor produz um efeito positivo em quem o recebe e, de maneira mais intensa, em quem o pratica.
Por essa razão, o amor é e sempre será a melhor opção.

Momento Espírita, com base em história de autoria ignorada.

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Escândalos

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 03, 2018 9:29 pm

Em determinada passagem do Evangelho, Jesus afirma serem os escândalos necessários no mundo, mas Ai de quem os provoca.
No sentido vulgar do termo, escândalo significa evento ruidoso, que causa alvoroço ou estrépito.
Nessa linha, o problema residiria não no conteúdo da conduta, mas na sua repercussão.
Desde que uma acção má não gerasse alarde, não haveria maiores problemas.
Ocorre que esse sentido valoriza as aparências e a hipocrisia, em franco desacordo com as lições do Cristo.
Jesus afirmou, ao tratar do adultério, por exemplo, que o mero pensar com impureza já era condenável.
Que se dirá então de acções francamente nefastas, apenas cometidas na surdina?
Parece possível interpretar a palavra escândalo, na acepção evangélica, como tudo o que causa tropeço ou embaraço nos caminhos próprio ou alheio.
Tudo o que resulta dos vícios e imperfeições humanas, tudo o que viola os deveres de pureza e fraternidade, isso é um escândalo perante as Leis Divinas.
Mas qual a razão para os escândalos serem necessários?
O cerne da questão reside na evolução ainda incipiente dos habitantes da Terra, mormente no que diz respeito à moral.
O planeta, ainda por um tempo, será morada de Espíritos rebeldes às Leis Divinas.
Mais do que em decorrência das condições materiais da Terra, a vida aqui é difícil por conta dos nossos inúmeros vícios.
Violência, corrupção, promiscuidade, tudo isso gera infelicidade e transtornos.
Muitos são os escândalos produzidos diariamente pelos homens, em sua imperfeição.
Salvo o caso das almas missionárias, os Espíritos radicados na Terra têm afinidade de sentimentos e valores, em maior e menor grau.
O contacto recíproco de criaturas viciosas tem variados efeitos.
Ele provoca inevitável sofrimento pelo contínuo entre-choque de interesses.
É cansativo defender-se quotidianamente da maldade alheia e conviver com esperteza e deslealdade.
Esse contacto também propicia o acertamento de dívidas cósmicas.
No longo processo de aprendizado da vida, o Espírito comete equívocos que precisa reparar.
Ele necessita acertar-se com sua consciência, a fim de habilitar-se para estágios superiores da vida imortal.
Também precisa adquirir paciência e generosidade e isso apenas se consegue perante criaturas falhas.
Afinal, os anjos não desafiam a paciência de ninguém e nem necessitam de favores ou clemência.
Finalmente, o contacto com o vício faz com que os homens lentamente se desgostem dele.
O espectáculo das baixezas humanas é triste.
Com o transcorrer do tempo faz surgir o ideal de vivências diferentes, plenas de pureza e compaixão.
Assim, nos estágios ainda inferiores da vida moral, o escândalo é infelizmente necessário.
Mas ai do escandaloso, pois responde por todo o mal que causa, ainda que deste surja indirectamente o bem.
Quando os homens se depurarem, o escândalo se tornará desnecessário e desaparecerá.
Eventuais acertos com a justiça cósmica se processarão na forma de efectivo trabalho no bem, a consubstanciar o amor que cobre a multidão de pecados, no dizer evangélico.
Assim, para alcançar a libertação de injunções dolorosas, cuide para não causar escândalo.
Se alguém lhe fizer o mal, saiba que o verdadeiro prejudicado é o escandaloso.
Ele desafia as Leis Divinas e desencadeia graves consequências na própria vida.

Quanto a você, perdoe e siga adiante.

Momento Espírita.

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O médico providencial

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 04, 2018 12:46 pm

Valéria, uma moça muito amorosa, estava sempre desejando ajudar as pessoas.
Um dia, ela passou por uma rua, no retorno da escola, e viu um garoto sentado no meio fio, muito triste.
Como fosse incapaz de passar por alguém em necessidade sem procurar saber o que estava acontecendo, Valéria parou, voltou para o local onde o garoto estava e perguntou:
– Tudo bem com você?
Está precisando de alguma coisa?
Há algo que eu possa fazer para ajudá-lo? – ela indagou, preocupada.
O menino, que disse chamar-se Roberto, baixou a cabeça e depois, olhando-a com certa tristeza, disse:
– É que meu irmãozinho está machucado e não sei o que fazer, entende?
E contou para a moça que seu irmão havia caído da bicicleta e se machucara.
Fora levado para um hospital, mas até agora ele não sabia qual era o estado de Carlos, o que o deixava bastante triste.
Valéria sentou-se com ele e tranquilizou-o afirmando que, muitas vezes, esses tombos, apesar de serem feios, não são preocupantes:
– Eu mesma, no início do ano, tive um acidente de carro e fiquei muito machucada, porém não foi nada mais sério.
Assim, fique tranquilo, Roberto.
Tudo correrá bem. Não se preocupe.
Roberto sorriu em meio às lágrimas, e agradeceu àquela boa moça que só de conversar com ele já o fizera sentir-se melhor.
– Como se chama? - perguntou ele, querendo conversar.
– Valéria. E tenho-o visto na escola todas as manhãs, pois estudo nesse colégio também.
Que idade tem seu irmão?
– Seis anos!
Ele resolveu sair de bicicleta para passear, e como está aprendendo, levou um tombo feio!
Espero que ele se recupere logo!
– Tenha confiança.
Deus, nosso Pai, não deixará que ele fique sem condição de andar.
Afinal, é apenas uma criança!...
– É verdade, Valéria!
Temos que fazer preces a Jesus de modo que ele nos socorra e ajude para que meu irmãozinho não fique muito machucado.
E assim eles conversaram por algum tempo.
Depois, o pai voltou para explicar o que estava acontecendo ao filho caçula e, preocupado, informou:
– No Hospital, não tem médico de Ortopedia! – explicou ao filho, sem saber o que fazer.
– Mas meu pai é dessa área! – informou Valéria, sorridente.
Vou ligar para ele, quem sabe está desocupado?
Em pouco tempo, o pai da jovem foi encontrado e já estava atendendo o garoto.
Algumas horas depois, tudo estava bem, o garoto despertara e todos estavam contentes pela rapidez com que ele melhorara, e com muita fome!
O pai do garoto agradeceu ao médico pela rapidez com que atendera seu filho, agradecendo também à Valéria, que estava perto de Roberto e, por ela, ficara sabendo que seu pai poderia ajudá-los.
Alguns dias depois tudo estava bem.
O pequeno deixou o hospital, indo para casa.
Todos estavam felizes e gratos ao pai de Valéria.
Com infinita alegria, eles a abraçaram um por um.
E ao chegarem a casa, fizeram uma prece a Jesus em gratidão pelas bênçãos que lhes concedera.

MEIMEI

(Recebida por Célia X. de Camargo, em 02/10.2017.)

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Lavar a alma

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 05, 2018 10:01 am

Naquela manhã, a caminho do trabalho, Marcela ouviu uma conversa no ónibus:
Eu disse a ela tudo o que estava entalado na minha garganta. Não tive compaixão.
E como foi que ela reagiu?
Ficou chorando, pedindo desculpas, mas eu não perdoei. Lavei a alma.
Marcela se recordou de uma briga que tivera com a irmã, há alguns anos.
E de como dissera palavras duras e pesadas.
Ao ser confrontada pela avó, dissera essa mesma frase que acabara de ouvir: Lavei a alma!
Recorda que a avó perguntara o que significava lavar a alma.
Ora, é botar para fora tudo o que incomoda.
Entendi. – Falara a sábia senhora.
Então, seu coração deve ter ficado em paz depois de ter dito coisas tão duras.
A raiva passou e você e sua irmã ficaram bem, certo?
Na verdade, não.
Ainda estou magoada e continuamos brigadas.
Mas eu disse tudo o que estava entalado.
Quer dizer que você lavou a alma mas não perdoou.
Não perdoei, nem esqueci.
Então você não lavou a alma, minha menina.
Quando lavamos algo, como uma roupa, por exemplo, tiramos dela toda a sujeira.
Quando nos propomos a lavar a alma é para tirar dela tudo o que nos faz mal: raiva, rancor, mágoa, orgulho, egoísmo.
E somente conseguimos isso quando compreendemos o outro, quando conseguimos não nos sentir afectados pelo mal recebido e perdoamos.
Marcela tivera um choque ao ouvir aquelas palavras.
Nunca havia pensado no termo lavar a alma sob aquela perspectiva.

Há uma ideia muito antiga que diz que devemos reagir, rebater as ofensas, pagar na mesma moeda. Isso ainda é resquício do olho por olho, dente por dente, praticado nos tempos de Moisés.
O Mestre Jesus, contudo, ensinou: Tendes ouvido o que se disse: olho por olho e dente por dente.
Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas se alguém vos ferir na face direita, oferecei-lhe também a outra.
Nesta exortação reside a chave para compreender e praticar o perdão.
O que nos move a revidar uma ofensa geralmente é nosso orgulho ferido.
Não conseguimos perceber que quem ofende muitas vezes se encontra doente, precisando de ajuda.
Ao devolvermos a injúria, alimentamos sentimentos e energias ruins em ambos os lados.
Perdoar uma ofensa exige coragem e integridade, ainda mal compreendidas pelos que nos deixamos arrastar pelo orgulho e pelo egoísmo.
Uma alma lavada é uma alma livre de sentimentos negativos.

Mas... como se limpa a alma?
O segredo está em amar o próximo como a nós mesmos.
Ver em quem nos magoa um irmão carente de amor tanto quanto nós.
Lavar a alma de sentimentos negativos implica no maior ato de coragem de todos, que é deixar de nos colocarmos em primeiro lugar para compreender o que está provocando a atitude do outro.
É fazer por ele o que gostaríamos que fizessem a nós, quando também nos sentirmos magoados e feridos.

É compreender e ajudar.

Momento Espírita, com base no cap. XII, itens 7 e 8 de O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. FEB.

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Confiança sempre

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 06, 2018 11:25 am

Não percamos a nossa fé entre as sombras do mundo.
Ainda que os nossos pés estejam sangrando, sigamos em frente, erguendo-a por luz celeste, acima de nós mesmos.
Esforcemo-nos no bem e esperemos com paciência.
Tudo passa e tudo se renova na Terra, mas o que vem do céu permanecerá.
De todos os infelizes, os mais desditosos são os que perderam a confiança em Deus e em si mesmos, porque o maior infortúnio é sofrer a privação da fé e prosseguir vivendo.
Elevemos, pois, o nosso olhar e caminhemos.
Lutemos e sirvamos.
Brilha a alvorada além da noite.
Hoje é possível que a tempestade nos maltrate o coração e nos atormente o ideal, afligindo-nos ou ameaçando-nos com a morte...
Não nos esqueçamos, porém, de que amanhã será outro dia.

Você já percebeu a entrega de uma criança pequenina aos braços de sua mãe, de seu pai?
Quando ela se vê desprotegida, ainda sem habilidade para caminhar, para tomar decisões, para se comunicar com o mundo, ela procura esse regaço seguro.
Ela faz desses braços seu ninho e ali adormece.
Entrega sua vida assim, sem medo, confiante.
E em seus traços vemos o que chamamos de o sono mais tranquilo do mundo.
Nada a perturba. Ela se sente segura.
Absolutamente segura, ali, ouvindo o compasso ritmado do coração sobre o qual repousa a sua cabeça.
Isso é entrega, isso é confiança, isso é a essência da fé.
É de nos perguntarmos:
Será que estamos prontos para nos entregarmos assim, da mesma forma que uma criança, a um outro ser?
Não é um ser qualquer, não é um outro que encontramos pelo caminho.
Estamos nos referindo ao Senhor do Universo, ao Criador de tudo, à Inteligência Suprema.
É uma entrega plena, onde confiamos plenamente, pois Ele sabe muito, infinitamente mais do que nós a respeito de tudo.
Assim, tudo que Ele determinar aceitaremos, embora não entendamos, num primeiro momento, ou até achemos estranho.
Confiaremos, por lhe reconhecer a superioridade, por respeito, por humildade.
Vamos aprendendo a ler em Seus desígnios o que seja melhor para nós, o que Ele nos fala e o que Ele não nos fala.
Vamos aprendendo a encontrar pelo caminho Sua manifestação através das pessoas e dos acontecimentos.
E se já entendemos, por inúmeras razões, que Ele é amor, saberemos que tudo que acontecer connosco tem por objectivo o nosso bem.
Ele escreve certo por linhas certas.
Tolos são nossos olhos que não conseguem perceber.
Veremos que muitas das coisas que atribuímos simplesmente a decisões dEle, são manifestações das Suas leis, leis justas e perfeitas, iguais para todos, e que existem para que o Universo viva em equilíbrio.
Por isso, confiemos sempre.
Depositemos nEle nossa confiança, sabendo que logo após os momentos difíceis a paz voltará.
O mundo ainda é assim.
Vivemos numa noite que se ensaia para ser alvorada.

Façamos a nossa parte com trabalho e confiança, sempre.

Momento Espírita, com base no cap. Confia sempre, do livro Cartas do coração, pelo Espírito Meimei, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. LAKE.

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Última edição por Ave sem Ninho em Qua Fev 07, 2018 11:20 am, editado 1 vez(es)
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Enquanto os ventos sopram

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 07, 2018 11:20 am

Conta-se que, há muito tempo, um fazendeiro possuía muitas terras ao longo do litoral do Atlântico.
Horrorosas tempestades varriam aquela região extensa, fazendo estragos nas construções e nas plantações.
Por esse motivo, o rico fazendeiro estava, constantemente, a braços com o problema de falta de empregados.
A maioria das pessoas estava pouco disposta a trabalhar naquela localidade.
As recusas eram muitas, a cada tentativa de conseguir novos auxiliares.
Finalmente, um homem baixo e magro, de meia-idade, se apresentou.
Você é um bom lavrador? Perguntou o fazendeiro.
Bom, respondeu o candidato, eu posso dormir enquanto os ventos sopram.
Embora confuso com a resposta, o fazendeiro, desesperado por ajuda, o empregou.
O homem trabalhou bem ao redor da fazenda, mantendo-se ocupado do alvorecer ao anoitecer.
O fazendeiro deu um suspiro de alívio, satisfeito com o trabalho dele.
Então, numa noite, o vento uivou ruidosamente, anunciando que sua passagem pelas propriedades seria arrasadora.
O fazendeiro pulou da cama, agarrou um lampião e correu até o alojamento dos empregados.
O pequeno homem dormia serenamente.
O patrão o sacudiu e gritou:
Levante depressa!
Uma tempestade está chegando.
Vá amarrar as coisas antes que sejam arrastadas.
O empregado se virou na cama e calmo, mas firme, disse:
Não, senhor. Eu não vou me levantar.
Eu lhe falei: posso dormir enquanto os ventos sopram.
A resposta enfureceu o empregador.
Não estivesse tão desesperado com a tempestade que se aproximava, ele despediria naquela hora o mau funcionário.
Apressou-se a sair para preparar, ele mesmo, o terreno para a tormenta sempre mais próxima.
Para seu assombro, ele descobriu que todos os montes de feno tinham sido cobertos com lonas firmemente presas ao solo.
As vacas estavam bem protegidas no celeiro, os frangos estavam nos viveiros e todas as portas muito bem trancadas.
As janelas estavam bem fechadas e seguras.
Tudo estava amarrado.
Nada poderia ser arrastado.
Então, o fazendeiro entendeu o que seu empregado quis dizer.
Retornou ele mesmo para sua cama para também dormir, enquanto o vento soprava.

Se os ventos gélidos da morte nos viessem, hoje, arrebatar um ser querido, estaríamos preparados?
Se reveses financeiros, instabilidade económica levassem nossos bens de rompante, estaríamos preparados?
A religião que professamos, a fé que abraçamos devem nos preparar o Espírito, a mente e o corpo para os momentos de solidão, pranto e dor.
Enquanto o dia sorri, faz sol em nossa vida, fortifiquemo-nos, preparemo-nos de tal forma que, ao chegarem os tsunamis, soprarem os ventos e a borrasca nos castigar, continuemos firmes, serenos.

Pensemos nisso e comecemos ainda hoje a nossa preparação.

Momento Espírita, com base em história de autoria desconhecida.

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Se eu pudesse viver de novo

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 08, 2018 10:28 am

Quando os anos vão se somando, formando décadas, é comum olharmos para trás e analisar o que fizemos.
Naturalmente, nos felicitamos pelas conquistas:
a família constituída, os filhos crescidos, os netos chegando.
Também a empresa consolidada, o livro publicado, a carreira de sucesso.
Igualmente nos lembramos de algo que fizemos e que gostaríamos de não ter feito.
Ao menos, não da forma que realizamos.
Ou lembramos de algum item que se encontra em nossa lista de coisas a realizar.
Se ainda nos sobram anos pela frente, ao menos em nossa matemática de vida, é bem possível que alteremos comportamentos, tomemos atitudes diferentes, iniciemos um novo projecto.
Contudo, se verificamos que muitos anos se passaram e talvez não dê para consertar aquilo em que nos equivocamos, ou completar o projecto tão pensado, uma frase pode nos atravessar a mente: Se eu pudesse viver de novo...
Então, pensamos:
Se eu pudesse viver de novo, conduziria minha vida de forma diferente.
Ia falar menos e ouvir mais.
Convidaria mais amigos para minha casa, sem me importar com o tapete manchado da sala e o sofá desbotado.
Ia comer pipoca na sala, tranquilamente, com a criançada, assistindo a animação que eles apreciam e não o filme que eu desejaria ver.
Ia arranjar tempo para ouvir as ricas histórias das experiências de vida dos meus avós, prestaria mais atenção ao idioma pátrio deles e me esmeraria em aprendê-lo, como uma segunda opção de língua.
Sentaria na grama com meus filhos, sem me importar com as manchas na roupa.
Estaria mais com eles.
Iria rir e chorar menos pelo que assistisse na televisão e mais pelas observações da vida em si mesma.
Quando estivesse doente, me permitiria ficar acamado, a fim de me restabelecer devidamente, em vez de ir trabalhar, acreditando que sou insubstituível e que sem mim as coisas não seriam feitas.
Ou não seriam feitas muito bem.
E quando meu filho me viesse beijar intempestivamente, jamais diria:
“Agora, não. Estou ocupado.”
Nem o mandaria se lavar antes por estar com as mãos sujas de terra.
Enfim, haveria muito mais “Eu te amo”, “Sinto muito”, “Fique comigo”, “Me ajude”.
Mas, especialmente, se tivesse outra oportunidade de viver, eu iria agarrar cada minuto, olhar para ele e vivê-lo.
Vivê-lo de forma intensa, como único.

Se ainda dispomos deste dia, façamos algo diferente, já, agora.
E vivamos muito bem as próximas horas, meses, anos o que tenhamos, o que nos reste.
Se, no entanto, estamos no declínio da vida e a enfermidade ou outra questão de relevância nos tolhe a execução de tudo que ansiamos fazer, pensemos que haverá, sim, uma oportunidade de viver de novo.
Ela se chama reencarnação.
Dessa forma, se nos for impossível reformular caminhos agora, pensemos no amanhã como algo concreto.
Retornaremos ao cenário da Terra, num corpo novo, tudo recomeçando.
Então, desde já nos esmeremos em tecer propósitos de uma vida plena de idealizações positivas.
Guardemos a certeza de que os amores conquistados nesta vida estarão connosco, acompanhando-nos os ideais.
E que tudo que construímos no hoje se reflectirá nesse amanhã de retorno.
Pensemos nisso: todos retornaremos.
Por isso, a melhor decisão é contribuir para um mundo melhor, desde o hoje, o mundo que encontraremos quando estivermos de volta.

Momento Espírita, com base no artigo Se eu pudesse viver de novo, de Erma Bombeck, da Revista Selecções Reader’s Digest, dezembro 1982.

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Convite à tranquilidade

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 09, 2018 9:11 pm

Você sabia que produzimos melhor quando fazemos tudo com equilíbrio?
Sabia que podemos ajudar mais quando conseguimos cooperar com tranquilidade?
As acções pacientes e constantes têm maior eficiência, isto é, conseguem alcançar melhor seus objectivos.
Por essa razão, a tranquilidade, em todos os momentos da vida, é de salutar necessidade.
Vivemos sob condicionamentos decorrentes da violência que se espalha por toda parte.
Somos convidados a decisões e atitudes imediatas.
A inquietação e a ansiedade tomaram conta de todos e, sem percebermos, nos acostumamos com elas.
Assim, raramente agimos impulsionados pela tranquilidade que reflexiona e inspira directrizes de segurança.
O impacto resultante da alta carga de informação de variada ordem que nos assalta, através dos veículos de comunicação, nos leva a reagir.
Reacção que nos conduz a precipitadas resoluções de consequências poucas vezes felizes.
Castigados por necessidades imediatas, no imenso campo das competições, à revelia da vontade, exasperamo-nos por ninharias, intoxicando-nos, em regime de demorado curso, até a exaustão ou desequilíbrio total, na rampa da alucinação.
Quase sempre nos manifestamos dizendo que manter a tranquilidade ante a injustiça, face às surpresas desagradáveis que nos assaltam, sob condições inesperadas é de todo impossível.
Não é verdade, porém.
É fundamental facultar condições para que se desenvolvam as expressões da paciência no coração e na mente, em perene tranquilidade.
Para isso, devemos confiar em Deus plenamente, entregando-lhe a vida e deixando-nos por Ele conduzir.
Nessa entrega estão dois pontos cruciais:
Primeiro, estar consciente de que todo mal aparente resulta num bem real.
Segundo, que toda aflição proporciona resgate de dívida passada.
Com a certeza desses dois pontos, nenhuma conjuntura infeliz conseguirá alterar o ritmo da nossa tranquilidade interior.
Mesmo quando experimentando sofrimento, tal estado não nos conduzirá à rebeldia, à desesperação, à deserção.
O estudo das leis da causalidade, a que se refere a doutrina espírita, a pouco e pouco esclarece o entendimento humano, consolidando convicções em torno da Divina Justiça, que estabelece as linhas do destino e da vida de modo a felicitar o Espírito na jornada evolutiva.
O exercício da vontade bem dirigida, mediante pequenos esforços, constantes disciplinas, necessárias continências; a meditação como norma de elevação dos pensamentos e cultivo das ideias superiores; a oração que faculta o estabelecimento da ponte entre a criatura e seu Criador, são todos métodos excelentes para a aquisição da tranquilidade.
Dessa forma, em qualquer situação, mantenhamos a tranquilidade e não nos desesperemos.
Muitas vezes parece que o auxílio Divino chegará tarde demais.
No entanto, fazendo revisão dos acontecimentos, verificaremos que o socorro celeste sempre chega dez minutos antes da hora grave, resolvendo o problema.

Perseveremos, pois, em tranquilidade sempre.

Momento Espírita, com base no cap. 58, do livro Convites da vida, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.

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Calma e confiança

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 10, 2018 9:54 am

A filha fora vítima da microcefalia causada pelo vírus da toxoplasmose.
Embora tida como desconhecida de muitos no passado, essa doença causa atrofia cerebral e deixava, como deixa ainda, sequelas, impossíveis de serem revertidas.
Lutas incríveis marcaram a trajectória da menina e da sua família, numa época em que não existia nenhum tratamento para minimizar as consequências da doença.
Os preconceitos feriam fundo, marcando com fel a luta daquela família.
Mas os pais se dispuseram a cumprir seu papel junto àquela filha que passou a ser o objecto principal de seu carinho e dedicação.

O tempo passa muito rápido.
Vai cumprindo sua missão, e o que inicialmente parece impossível aos olhares humanos, acontece naturalmente.
A filha estava às vésperas de completar quarenta e oito anos, quando a mãe lhe descobre um nódulo bastante desenvolvido num dos seios.
Realizados os devidos exames e procedimentos médicos, antes mesmo do resultado da biopsia, a médica anuncia a grande possibilidade de ser um tumor maligno.
Cinquenta por cento de chance. – Diz ela.
Embora com um aperto no coração, a mãe respira fundo e acrescenta:
Bem, temos outros cinquenta por cento de probabilidade de que não seja.
Ao marcar a data para o prosseguimento do tratamento, a médica observou o equilíbrio emocional daquela senhora diante da adversidade que se lhe apresentava.
De facto ela estava calma, confiante de que tudo correria bem, embora lhe doesse profundamente ver a filha passar por aquela situação.
Mentalizou: Pai, seja feita a tua vontade. Sê connosco.
Dá-nos das Tuas bênçãos para que não nos deixemos abater.
Seu pensamento lembrou a exortação do Mestre Jesus para que não se angustie o nosso coração, ensinando-nos que a confiança em Deus deve ser o nosso lema.
Nunca faltam motivos para preocupações, inquietando o coração, perturbando a vida.
A existência humana é uma oportunidade de valorização dos bens eternos e de iluminação íntima.
Se confiamos a Deus a nossa vida tudo transcorre normalmente, e, se algo perturbador acontece, a serenidade assume o controle da situação e age com acerto.
Aquela mãe tinha seu coração ligado ao coração do Pai Celestial.
Sempre fora junto a Ele que buscara se fortalecer para prosseguir na sua caminhada.
Em suas orações se entregava confiante a Ele, ao mesmo tempo em que procurava fazer o melhor que estivesse ao seu alcance.
Sua dedicação à filha portadora de limitações nunca a impediu de compartilhar a luta de outras mães que passassem por provas semelhantes; de acarinhar e auxiliar outras crianças, também portadoras de qualquer limite físico ou mental.
Tinha conhecimento da realidade do Espírito imortal que necessita vivenciar tais situações como sagrado aprendizado de valorização do corpo físico na Terra.

Somos senhores de nossos actos e nos compete assumir suas consequências com responsabilidade e coração equilibrado.
Filhos de Deus, não nos podemos esquecer de que o Pai a tudo provê e a ninguém deixa no abandono.

Momento Espírita, com frases do cap. LXXXI, do livro Vida Feliz, pelo Espírito Joanna da Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.

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Desculpar

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 11, 2018 12:46 pm

Procura motivos para desculpar tantos quantos te possam ter ofendido dessa ou daquela forma, com ou sem motivos aparentes, directa ou indirectamente, para que a vitória da paz, e a implantação da harmonia, em torno de teus passos não se demore a estabelecer.

É, certo que, o mal que te possam ter causado sem que “nada tenhas feito por merecer”, estará sendo apreciado cedo ou tarde pelo Tribunal da Justiça Divina, e que, em sendo assim, terás por certo teus direitos reconhecidos e, por conseguinte, quem te houver causado prejuízos de qualquer ordem, arcará, inevitavelmente, com as consequências dos actos e acções, indevidamente relacionados com teu nome.

Mas, como indivíduo encarnado num planeta de provas e expiações, bem distante da pureza espiritual, como nos informam os Espíritos Superiores, é prudente e até mesmo inteligente, procurar desculpar e esquecer o quanto já te mostres capaz, as possíveis falhas do teu semelhante em relação a ti, pois, do mesmo modo que te utilizar para julgar as palavras, actos e acções de teus irmãos, serás também, medido e pesado, pela Justiça Maior, com os respectivos instrumentos de que tenhas te servido, para que também tu, prestes contas dos teus desatinos frente à contabilidade Celeste.

Procura entender, que nem todos os que nos ofendem ou caluniam, o fazem por maldade, e sim por pura ignorância e, até, por motivos de infortúnio e desespero, a quem precisamos dar nossa cota de contribuição e empenho no socorro que devemos ofertar aos necessitados que nos pedem ajuda e compreensão no dia a dia de nossas vidas, concedendo-nos excelentes oportunidades de desenvolver em nós as virtudes divinas do amor no exercício da verdadeira caridade.

Quem, de nós, em sã consciência, poderá medir ou, sequer avaliar, a extensão das trevas nas mãos que se envolveram em crimes?
Quem, de nós, seres humanos estará suficientemente capacitado a tudo, para distinguir toda a extensão da dor e da necessidade que provoca em alguém o desespero e a revolta?

Acautela-te, portanto, ante todo aquele que te possa trazer dissabores ou prejuízos, buscando na oração o combustível da fé e da esperança, desculpando infinitamente a todos, deixando a cargo da Soberana Justiça do Universo o julgamento final e inequívoco, em benefício de todos, e, que em relação a ti, possa garantir paz e tranquilidade para que tua consciência se conserve harmonizada e em cumprimento das sábias e imutáveis Leis de Deus.

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Uma camaradagem inusitada

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 12, 2018 10:22 am

Aquele ónibus, ao longo dos anos, se tornou especial.
Opção preferida de quem deseje ir do bairro directamente ao centro da cidade, de forma rápida.
As pessoas vão chegando no ponto e formando a fila.
E quem quer que costume se servir dele, no horário da manhã, encontrará, quase sempre, as mesmas pessoas:
a senhora que vai para a natação várias vezes na semana, faça frio ou faça sol; aqueloutra que trabalha no shopping, a jovem que se dirige à faculdade.
Com o passar dos anos, natural que o conhecimento entre os passageiros tenha ocorrido e as conversas, no ponto de aguardo, giram em torno de filhos, as dificuldades financeiras, o tempo que insiste desabar aguaceiro todos os dias...
Quem chega logo pergunta:
Já passou o amarelinho?
Amarelinho é o nome com que foi baptizado o ónibus, por causa de sua cor amarela, que o diferencia de outras linhas.
Quando as pessoas vão embarcando, começam os diálogos com o motorista:
Bom dia. E aí, como vai, José Luís?
Exactamente nesse momento é que se evidencia a diferença entre esse ónibus que faz o horário da manhã e outros.
Uma camaradagem se revela, de imediato.
Perdeu o horário, ontem? – Pergunta o motorista a uma senhora.
E a resposta vem pronta:
Ontem fui mais tarde, fiz horário especial no escritório.
Passageiros acomodados, o ónibus segue pela rota convencionada, parando aqui, ali, ao comando dos usuários, que se alternam nas subidas e descidas da condução.
O diálogo assume um tom de cordialidade e a conversa flui.
Então, se ouve um espirro de José Luís.
Outro. E outro.
Alguém grita do meio do ónibus: Saúde!
Espero que não seja gripe! – Fala ele.
Um brincalhão fala:
Não se preocupe.
É alergia... ao trabalho.
Todos riem.
Uma senhora experiente nos anos arrisca a prescrever sua receita infalível para gripe, que consiste em chá de determinada erva, associada a uma boa noite de sono.
Quando ele entra em férias, o ónibus deixa de ser o mesmo.
Torna-se mais silencioso.
Parece faltar o elo de ligação entre eles.
No seu retorno, todos entram, cumprimentam e cada qual vai fazendo seu comentário:
Nossa, que férias longas!
E aí, viajou? Descansou bastante?
Pronto para levar a gente?
Ele parece ser alguém da família.
Alguém que participa, ao menos brevemente, alguns minutos diários da vida de cada um.
Não é somente o contratado da empresa de ónibus.
É alguém que sabe aguardar, pacientemente, que o idoso desça ou suba os degraus, um a um, bem devagar.
Também antes de prosseguir com o veículo, espera que se assente o idoso ou aquela mãe com o bebé ao colo.
Tudo para que ninguém caia ou se machuque.
Um motorista. Uma pessoa especial.
Alguém que merece elogios pela forma de se conduzir.
E os recebe. De muitos desses passageiros, conhecidos de tempos, que vão descendo e falando:
Até logo! Obrigado por me conduzir até aqui.
Bom final de semana. Bom feriado.
Até amanhã. Deus o abençoe.
Um tratamento VIP em um ónibus de uma linha urbana de uma capital...
Uma inusitada camaradagem construída ao longo dos anos entre um servidor e habituais usuários.

Momento Espírita, com base em facto.

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Evitando aflições

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 13, 2018 10:17 am

No mundo tereis aflições.
A advertência do Cristo parece um tanto incómoda, pois ninguém deseja dificuldades ou dores para si.
Planeamos nossa vida no intuito de que tudo transcorra tranquilamente, sem surpresas desagradáveis.
No entanto, considerando o nível evolutivo em que nos encontramos, as dores são inevitáveis em nosso caminhar.
E, foi por saber das imperfeições que ainda trazemos na alma, por conhecer os poucos valores nobres que nos animam, que Jesus nos alertou que aqui só teríamos aflições.
Contrariamente ao que possamos pensar, as aflições não se impõem por castigo ou descuido da Divindade para connosco.
Ou tampouco por querer a vida nos punir de forma deliberada e injusta.
Elas nascem de nossas acções, reflectem nossos valores, resultam de nossas escolhas muitas vezes equivocadas.
E de nada nos adianta ignorá-las pela fuga infantil, imatura, evitando o necessário enfrentamento.
Refugiar-nos no excesso de trabalho não trará solução aos problemas, mas apenas o adiamento da necessária tomada de decisão para os resolver.
Tampouco a busca da alienação pelo álcool ou outra droga qualquer.
Igualmente, será vã qualquer tentativa de evitar que nossos filhos sofram, porque a eles, na idade própria, caberá igualmente enfrentá-las.
Não será a vida fácil que possamos lhes proporcionar, nem os objectos caros com que os cerquemos que haverão de os liberar de decepções ou desencantos que a jornada terrena, por necessidade, lhes reserva.
É preciso forjar, desde pequenos, o seu carácter, para que encontrem sua maneira própria e adequada para resolver os desafios.
É preciso fazê-los fortes diante da dor, para que, com maturidade, possam superá-la, mostrando à vida que aceitaram a prova, que estão dispostos ao aprendizado.
Portanto, por nós ou por nossos filhos, atitudes de revolta ou fuga diante da dor somente contribuirão para formar adultos frágeis e imaturos, sem estrutura emocional para a existência terrena.
Se as decepções são aprendizado; se as perdas nos oferecem lições e as dificuldades forjam as virtudes, todas as vezes que elas despontem em nosso caminho, tenhamos em mente que é a vida nos convidando a reflexões e mudança de atitudes.
Enquanto isso não ocorre, as aflições que nos chegam vão sinalizando, ora aqui, ora ali, os ajustes necessários em nossa conduta, em nosso sentir e em nosso pensar.
Reflictamos em como temos agido, perante os infortúnios e problemas.
E perguntemos à vida o que pretende nos ensinar com tudo isso, esforçando-nos para que a lição se transforme em aprendizado.
Tenhamos em mente que, se nos decidirmos pela revolta, a oportunidade será perdida e as mesmas necessidades ressurgirão, sob outra roupagem, até serem definitivamente aprendidas por nós.
Assim é a lei do progresso. Dela jamais fugiremos.
Por fim, lembremos de que se o Mestre nos alertou a respeito da existência das aflições neste mundo, também nos convidou a termos bom ânimo, afirmando que, se Ele venceu o mundo também nós o poderemos vencer.
Busquemos, portanto, as lições de Jesus e superemos as aflições que nos chegarem, atribulando-nos ou aos que amamos.

Momento Espírita.

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A mais improvável lição de amor

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 14, 2018 12:38 pm

O que é o amor?
Alguém escreveu que o amor é como uma flor no deserto.
Nasce, aparece, cresce, amadurece e transforma em oásis qualquer lugar hostil, áspero e cruel.
É comum, no entanto, em noticiários que divulgam crimes passionais, ouvirmos que quem matou o fez por amor.
Terá o amor esse viés de agressividade, de maldade, ao ponto de perseguir, agredir, acabar com a vida de quem dizemos amar?
Será esse o sentido do amor?
O amor que se regista como posse e se não puder ser nosso, ninguém mais o terá?
O Mestre de Nazaré nos instituiu como lei máxima a do amor.
Amor a Deus, o Criador, e ao nosso próximo.
Detalhou ainda que deveríamos amar a nós mesmos.
Eis uma regra especial, algo que nos deve levar a reflexionar com profundidade:
quem deseja algo ruim para si mesmo?
Não desejamos para nós somente o melhor, o bom, o agradável?
Talvez, alguns de nós, tenhamos uma ideia distorcida do que seja o amor.
Como aquele jovem presidiário que conta que seu padrasto costumava lhe bater com extensões eléctricas, cabides, pedaços de pau, o que tivesse à mão.
E toda vez que assim o agredia, repetia:
Isso dói mais em mim do que em você. Faço isso porque amo você.
Foi assim que ele cresceu com a falsa ideia de que o amor tinha de fazer mal.
E passou a medir a extensão desse sentimento exactamente pela dor que alguém poderia sofrer.
Por isso, aos que dizia amar, ele magoava, machucava.
Andando pela viela dos desacertos, acabou preso e condenado à prisão perpétua.
Segundo ele, pena merecida por ter cometido um terrível crime.
Um duplo assassinato: de uma mulher e de uma criança.
Foi no ambiente da prisão que ele entendeu o que era e o que não era amor.
O que via ali era maldade, crueldade, desespero, desesperança.
Seria mesmo isso o amor?
E a lição chegou de uma forma totalmente improvável.
Foi uma mulher, Agnes, quem lhe ensinou o que era o verdadeiro amor.
Ela tinha razões para odiá-lo porque era a mãe e avó das suas vítimas.
Contudo, ela o foi visitar na prisão e viu naquele jovem o ser humano sofrido, marcado por traumas, desorientado, perdido e lhe ofereceu amor.
Aquele amor que compreende, que apoia, que perdoa.
O amor que salva, que ergue um novo edifício em meio aos escombros de uma vida marcada pela violência.
Um amor que transforma, que leva a criatura a reflectir sobre o que fez e lhe indica rumos novos, para os anos que ainda tem à frente.

O amor é o olhar de Deus!
O amor é o sentimento superior em que se fundem e se harmonizam todas as qualidades do coração:
é o coroamento das virtudes humanas, da doçura, da bondade.
É a manifestação na alma de uma força que nos eleva acima da matéria, até alturas divinas, unindo todos os seres.
O amor, profundo como o mar, infinito como o céu, abraça todas as criaturas.
Deus é o seu foco.
Assim como o sol se projecta sobre todas as coisas e aquece a natureza inteira, assim também o amor divino vivifica todas as almas.
Deus é amor. E como somos Seus filhos, fomos criados para amar.
Amemos. A nós mesmos, ao nosso semelhante. Amemos.

Momento Espírita, com facto colhido em https://www.youtube.com/watch?v=2liy_1kyaz0 e com pensamentos do cap. XLIX, pt. 5, do livro Depois da morte, de Léon Denis, ed. FEB.

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Esquecendo de amar

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 15, 2018 11:31 am

Eles se encontram em toda parte.
Nós os vemos pelas ruas, andando devagar, esperando que o sinaleiro indique a sua possibilidade de atravessar de um para outro lado.
Nós os vemos nos parques, observando a criançada brincar.
Ou jogando damas nas mesas de pedra. Ou simplesmente aproveitando o sol da manhã.
Muitas vezes se fazem acompanhar da bengala, para melhor apoio.
Estão nos cinemas, nos teatros, nos supermercados, em filas especiais.
São os idosos, cuja população aumenta, em todo mundo, graças às pesquisas médicas, de medicamentos que previnem ou retardam o aparecimento de certas enfermidades ou atenuam as suas manifestações.
As descobertas na área terapêutica aumentam a longevidade humana para além do limite que calculamos.
Se isso é louvável, nesse intuito de permitir que as pessoas fiquem mais anos connosco, dando-nos do seu saber, da sua companhia, há um item que não podemos esquecer:
a qualidade de vida de cada um deles.
E dessa qualidade de vida o item mais importante se chama afecto.
Para todos aqueles que desfrutam da ventura de terem amores que os amparem, tudo vai muito bem.
Contudo, temos assistido a muita solidão.
Viúvos e viúvas que andam sós, vivem sós.
E precisam carregar um corpo que nem sempre lhes obedece à vontade.
Enquanto suas mentes saltitam, eles têm pernas que não se movem com a velocidade da juventude.
Ademais, precisam conviver com a presença constante das ausências de tantos amigos, companheiros, familiares que já partiram.
Precisam dar conta de sua própria vida:
ir ao mercado, ao banco, providenciar a alimentação.
Precisam lembrar do remédio a tomar, na dose e na hora certa.
Tanto a fazer. Nem sempre de forma fácil.
Por isso, o que aconteceu com aquele idoso no caixa do supermercado mereceu a atenção do consumidor que estava atrás dele, na fila, e relatou a cena.
Ele viu o senhor retirar moedas do bolso para fazer o pagamento das suas compras.
Suas mãos tremiam.
Ele estava confuso e não conseguia contar o dinheiro.
Ansioso, disse à atendente do caixa: Desculpe, sinto muito.
Exactamente nesse momento a funcionária tocou-lhe as mãos e falou:
Isso não é um problema, querido.
Contaremos o dinheiro juntos.
E começou a contar as moedas.
Quando a contagem foi concluída, o pagamento realizado, o velho senhor apanhou suas compras e seguiu seu caminho.
O senhor Bowlin, o cliente seguinte, elogiou o comportamento da atendente e agradeceu pela paciência que ela tivera com o idoso.
A resposta que recebeu foi rápida e franca:
O senhor não deveria me agradecer.
O que está errado no mundo é que nos esquecemos como é amar o outro.

Amar o outro.
Exactamente como nos leccionou o Mestre da Galileia, há milénios:
Amar ao próximo como a nós mesmos. Amar ao nosso irmão.
No entanto, para amar o outro é preciso que nos demos conta de que ele existe, de que caminha ao nosso lado, de que tem necessidades.
Enfim, que podemos e devemos estender a mão, o olhar, o auxílio; que devemos nos preocupar com ele.
Amar o outro. Pensemos nisso.
Neste momento, olhemos para quem segue ao nosso lado em casa, na rua, no estabelecimento comercial, onde estejamos.
Talvez descubramos alguém necessitado.
Alguém que simplesmente espera nosso:
Olá, como vai? Precisa de alguma ajuda?

Façamos isso... hoje... agora.

Momento Espírita, com relato de facto.

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Fazendo a nossa parte

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 16, 2018 10:56 am

Sofia era uma mulher dinâmica, dividida entre os afazeres da casa, os cuidados com a família e a profissão.
Saía bem cedo, deixava o filho na escola e seguia para a empresa.
Numa manhã fria, quando levava o menino para a escola, viu um grupo de moradores de rua dormindo sob uma marquise.
Aquilo lhe causou um certo mal estar.
Ela não queria que seu filho visse aquela cena.
Mas ele vira e fez uma pergunta que ela não estava preparada para responder:
Mamãe, por que há pessoas que moram nas ruas?
Por que elas não têm casa?
A mãe, com o coração apertado, lembrou de quando, ainda menina, havia feito pergunta semelhante.
E a resposta que ouvira não era a que desejava dar ao filho.
Ela havia crescido ouvindo coisas ruins sobre aquelas pessoas.
No entanto, sabia que eram pessoas como ela, que haviam feito escolhas equivocadas, ou sofrido traumas dos quais não conseguiram se recuperar.
E acabaram nas ruas.
Foi isso que ela tentou explicar ao filho, que olhava para ela muito sério.
Mãe, como podemos ajudar essas pessoas a se recuperarem?
Sofia engoliu seco.
Filho, existem programas e projectos que cuidam disso.
Eles recolhem as pessoas em abrigos e cuidam delas.
Mãe, se eles recolhem essas pessoas, por que elas ainda estão nas ruas?
Não entendo. Não está funcionando!
E a conversa foi se intensificando e aprofundando, pois o amor que aquele menino sentia não aceitava explicações que não faziam sentido para ele, nem o convenciam de que aquilo fosse normal.
A mãe se viu encurralada e apelou para outra explicação que havia escutado na infância.
Deus protege essas pessoas.
Ele cuida delas e ampara.
Dá forças, e até inspira pessoas a ajudá-las.
Então, mamãe, Deus quer que a gente ajude também, não é?
Por isso Ele nos colocou no caminho delas hoje.
Sofia sentiu-se sem ar. Emudeceu.
Parou o carro e começou a chorar.
Havia se dado conta de que nada fizera em sua vida para ajudar os que precisavam.
Usava sempre o discurso de que havia pessoas dedicadas a isso.
A pergunta do filho rasgara a carapaça que ela usara durante anos para não se envolver.
Mamãe, por que você está chorando?
Porque percebi que pouco fiz para ajudar, meu filho.
E Deus quer que eu ajude.
Ele conta connosco para fazer a nossa parte.
Eu posso ajudar também?
Você já começou a ajudar, meu anjo. Já começou...
Depois dessa manhã, algo se transformou em Sofia.
Ela buscou grupos de voluntários e instituições que se dedicavam a recolher alimentos, roupas, cobertores para os moradores de rua.
E que igualmente ofertavam oportunidades de emprego e moradia para que deixassem as ruas.
O filho a incentivava e vibrava a cada vez que iam ajudar a fazer entregas e visitar os que estavam reabilitados.
O questionamento de um coração cheio de amor, em sintonia com o amor do Pai, a havia feito se lembrar de que Deus conta connosco para ajudar o nosso próximo.

Ele aguarda que façamos a nossa parte.

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