Momentos Espíritas IV

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Jesus e o Evangelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 17, 2018 11:03 am

Quando, finalmente, a Terra, após o longo período inicial da sua civilização alcançou uma época de conquistas compatível com ensinos mais elevados, as legiões magnânimas do Cristo entenderam ser o momento para que Ele estivesse entre nós.
Dessa forma, nas proximidades do planeta assembleias de mensageiros celestes prepararam a Sua vinda para implantar o amor nos corações humanos.
Inúmeros Espíritos iluminados trabalharam para organizar o sagrado momento, a fim de que o anunciado Filho de Deus pudesse estar connosco.
E, naquela noite especial, música suave com entoações Divinas invadiu o ar.
Os anjos entoaram Aleluias lhe dando as boas vindas.
Os astros brilharam com especial luminosidade, enquanto a estrela guia traçava o percurso para quem O quisesse ir glorificar.
Aqueles que conheciam as profecias e O aguardavam, sempre vistoriando os céus à procura de um sinal, seguiram a rota da grande estrela, em busca dAquele que chegava para dividir as eras na face da Terra.
O Filho de Deus tomou um corpo de carne para viver entre nós e nos ensinar o caminho que deveríamos seguir se quiséssemos alcançar o reino dos céus.
Sua primeira grande lição foi a da humildade, tendo por leito a manjedoura improvisada, aquecida pelos animais que na gruta se abrigavam.
Desde então Seus pais tiveram a difícil tarefa de protegê-lO das perseguições daqueles que, desconhecendo Sua real meta, O supunham usurpador de tronos.
Sua segunda grande lição foi a do trabalho.
Ainda criança se entregou às lides na marcenaria do pai, nos mostrando pela prática, a excelência de ser útil.
Trazia em si uma forma de agir que chamava a atenção pela educação e respeito a tudo e a todos.
Sua sabedoria seleccionou alguns homens, para fazer deles Seus mais próximos seguidores, ensinando-lhes suas directrizes, tornando-os pescadores de almas.
Durante quase três anos espalhou luzes e ensinamentos, até hoje despercebidos de muitos dos que não nos desejamos amoldar às Suas lições.
Ele nunca teve por meta as coisas terrenas.
Seu objectivo era esclarecer os homens sobre a realidade do mundo espiritual.

À medida que o entendimento humano progride na direcção desse conhecimento, encontramos mais sentido nas Suas lições e exemplos.
Embora nada tenha escrito, Seus discípulos, para não perderem Seus ensinamentos passaram a registar Seus ditos e Seus feitos.
Dessas anotações surgiu o maior manual de comportamento humano, o Evangelho ou a Boa Nova, traçando um roteiro para a conquista do reino dos céus.
Como Divina luz, ilumina a Terra e lecciona o findar das guerras, implantando a paz.
Suprema força, ergue o doente, que alegria sente das energias renovadas.
Roteiro amigo, mostra o caminho muitas vezes áspero, mas que nos conduz no rumo da felicidade autêntica...
Acorda os homens que não crêem na vida, que vivem na lida terrena, sem maiores objectivos...
Ninho de amor, aconchega a alma.
Despertador, acorda o ser, e o faz compreender sua verdadeira finalidade no planeta azul.

Bendito Evangelho de Jesus.

Momento Espírita.

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A Caridade em Mudança

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 18, 2018 12:13 pm

Nós, espíritas, navegamos na mesma corrente de pensamento que acredita no conhecimento espírita e em sua força para transformar o homem.
Muitas vezes ficamos ansiosos devido à lentidão com que ocorrem os bons acontecimentos ou temerosos pela rapidez com que se propagam os ruins. É natural.
A transmissão do conhecimento espírita e até as suas práticas precisam adequar-se à sociedade contemporânea.
Sem essa adequação, nossa comunicação estará contaminada com obstáculos que afastam o entendimento e o interesse das pessoas. Isto é um facto.
E, com a comunicação abalada, os resultados de nossas acções deixarão a desejar.
O difícil é identificar o que se deve ajustar sem comprometer a integridade do conhecimento espírita.
Novidades são interessantes e podem gerar transformação salutar em nosso entendimento e no modo de fazer as coisas.
Muitas delas, porém, são vazias, não têm consistência e perdem harmonia se analisadas mais profunda e parcial'>imparcialmente.
Ah! Como é difícil ser parcial'>imparcial!
Em sua totalidade não o conseguiremos, mas devemos fazer um esforço consciente para poder aproveitar o que é bom.
A forma de se exercer a caridade é algo que pode melhorar bastante.
Muitos espíritas ainda pensam que devem fazer tudo escondido.
Assim, deixam pela manhã no orfanato, 20 quilos de açúcar e 10 quilos de farinha de trigo. Certamente essa pessoa está com a consciência tranquila, contente até porque fez uma boa acção.
O orfanato, no entanto, estava precisando de sal, óleo e margarina e tinha tanto açúcar e farinha, que eles se estragaram, criaram bicho.
Podemos até pensar que o problema é do orfanato que não ofereceu esses alimentos em excesso para outra instituição.
Um pouco cómodo da nossa parte.
Toda a responsabilidade para os outros e nenhuma para nós.
Ora, a caridade pressupõe o uso inteligente dos recursos para atender a todos com eficácia, sem desperdício, inclusive do tempo dos voluntários, que quantas vezes é desperdiçado sem saber exactamente que tarefas são mais prioritárias.
Podem passar um dia inteiro em uma instituição sem ter feito quase nada produtivo e com qualidade.
Esta última, coitada, é sempre deixada de lado, pois o voluntário está doando e ele e a instituição julgam que, nesse caso, nada se pode exigir (A cavalo dado não se olham os dentes.)
É, muita coisa precisa mudar e está mudando para melhor.
Também pela influência do País mais capitalista do mundo.
Que paradoxo! O coração do mundo, pátria do evangelho, aprende com os norte-americanos.
Certo, no princípio é apenas mais um modismo.
Agora ficou chique ser voluntário.
Nas rodas sociais acabam tendo destaque positivo quem faz algum trabalho voluntário.
Para conseguir um emprego, muitas vezes é factor decisivo.
É o começo. Não podemos esperar que todos iniciem novo trabalho com claro entendimento dos problemas sociais, da responsabilidade da própria sociedade do ponto de vista económico, social, moral e espiritual.
Isto nós alcançamos gradativamente e o espiritismo também tem muito a contribuir, mas não só ele.
Passamos da fase de fazer qualquer bem.
Devemos fazer o bem no nível em que estamos capacitados a fazê-lo, sem desprezar qualquer oportunidade.
É preciso ter comprometimento, técnicas, métodos, estratégias, metas, indicadores, avaliações e redefinições.
Sobretudo, é necessário obter os melhores resultados.
No tempo de Kardec, a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas incentivava apenas a caridade individual que deveria ser feita de forma mais velada possível.
Apenas quando o espiritismo penetrou no Brasil é que a forma de fazer a caridade encontrou a sinergia do trabalho em grupo que oferece mais recursos e gera mais estímulos para a motivação das pessoas em favor do próximo.
O foco excessivamente religioso tende a abafar o raciocínio e a análise, gerando paradigmas intransponíveis.
Quantas vezes escutamos líderes espíritas dizendo que o “importante é fazer o bem”.
Com isso se quer justificar que fazer o bem está na frente de qualquer outra coisa, como o estudo da doutrina, por exemplo.
Que o bem deve ser feito de qualquer jeito, pois o que vale é a intenção.
Pior ainda, são esses líderes equivocados que não aceitam introduzir na instituição espírita nenhuma técnica de administração, planeamento, marketing, qualidade pois entendem que elas podem deturpar o espiritismo. Sofisma.
Todas as técnicas, métodos e doutrinas podem ser mal empregadas.
Até na Bíblia encontramos passagens que mostram um Deus sanguinário, vingativo que só pode ser agradado com obediência cega, sacrifícios de animais, sangue e até oferecimento de bebidas alcoólicas.
Vamos, então, continuar a usar o conhecimento espírita como fundamento de nossas acções, mas sem desprezar tantos outros conhecimentos e experiências que podem contribuir com os nossos propósitos de progredir e fazer progredir com o mínimo de sofrimento e máxima participação na construção de uma vida melhor para todos.
Líderes equivocados não aceitam introduzir na instituição espírita nenhuma técnica de administração, planeamento, marketing e qualidade, pois entendem que elas podem deturpar o espiritismo.

Fonte: Candeianet.com.br.

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O pão e o fermento

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 19, 2018 11:08 am

O pão é um dos alimentos mais antigos produzido pelo homem.
Faz parte da História da Humanidade e, além de ser alimento para o corpo, simboliza também alimento para o Espírito.
Originalmente feito de maneira rústica, foi sendo cada vez mais elaborado, recebendo novos ingredientes, tornando-se macio, saboroso e de aspecto convidativo.
Para fazer um bom pão são necessários poucos ingredientes, mas deve-se respeitar o tempo de fermentação da massa.
Um bom fermento faz a massa levedar e as leveduras aerando a massa, fazem–na se avolumar deixando o pão fofo.
Um fermento ruim não leveda a massa, e o pão fica pesado, difícil de ser digerido.
Em suas viagens de divulgação da Boa Nova, em razão do número de igrejas que havia fundado e das grandes distâncias entre elas, o Apóstolo Paulo não mais conseguia visitar pessoalmente a todas com a frequência que seria desejável.
Assim, para esclarecer dúvidas e orientar sobre as dificuldades que se apresentavam teve a inspiração de escrever cartas, conhecidas como Epístolas.
Em uma dessas cartas, endereçada à igreja de Corinto, ele alerta sobre o orgulho, o risco dos desvios no caminho e orienta sobre a necessidade da renovação, comparando as atitudes humanas ao processo de panificação.
O Apóstolo de Tarso aconselha a nos libertarmos do fermento velho, do fermento da maldade e da malícia, para nos tornarmos nova massa, sem fermento.
Em síntese, conclama a todos a usarmos da sinceridade e da verdade.
O fermento velho a que ele se referia são os vícios, as imperfeições que insistimos em manter, negando-nos ao empreendimento da reforma moral tão urgente e necessária para a nossa evolução espiritual.
Da mesma forma que um fermento de má qualidade pode arruinar os pães de toda uma fornada, dominados pelos vícios, pela maldade, pelo orgulho, pelo egoísmo prejudicaremos aos que convivem connosco.
Nossas palavras e actos têm alcance que desconhecemos.
Assim como o fermento, eles podem se aninhar nas mentes alheias, levedando-as, ou seja, multiplicando-se.
Por isso, temos o dever de cuidar da qualidade do que espalhamos ao nosso redor, sejam palavras, vibrações ou acções.

Que tipo de fermento e de pão estamos oferecendo a quem convive connosco?
Com quais sentimentos estamos alimentando o Espírito de quem nos rodeia?
Afinal, que espécie de pão estamos produzindo?
De qualidade macia, gostoso ao paladar?
Ou um pão amargo, duro, sem a menor condição de fazer bem a quem dele se alimente?
É possível fazer um pão sem fermento.
Mas, mesmo nesse caso, a qualidade dos ingredientes é importante.
Se não dispomos do fermento que multiplica o bem, podemos fazer um pão bem fino, mas, com os ingredientes da verdade e da sinceridade, como recomendou Paulo.
E sempre podemos aprender a produzir um bom fermento, buscando-o nas palavras e no exemplo daquele que é o Pão da Vida, por excelência, nosso Mestre Jesus.
Assim agindo, permitiremos que o bem fermente dentro de nós, avolumando os bons sentimentos e espalhando-os entre aqueles que convivem connosco ou que de nós se possam acercar, de alguma forma.

Pensemos nisso.

Momento Espírita, com base no cap. 108, do livro Fonte Viva, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB e na 1ª Epístola de Paulo aos Coríntios, cap. 5, versículos 7 e 8.

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Felicidade possível

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 20, 2018 10:17 am

Você acreditava que a felicidade seria semelhante a uma ilha fantástica de prazer constante e paz permanente.
Um lugar onde não houvesse preocupação, nem se apresentasse a dor.
Um lugar no qual os sorrisos brilhassem nos lábios, e a beleza engrinaldasse de festa as criaturas.
Uma felicidade feita de fantasias parecia ser a sua busca.
Você planeou a vida, objectivando encontrar esse reino encantado, onde, por fim, pudesse descansar da fadiga, da aflição e usufruísse a harmonia.
Passam-se os anos, e as frustrações se somam, anotando desencantos e amarguras, sem a desejada conquista.
Lentamente, você se entrega ao desânimo, e sente que está discriminado no mundo, quando vê as propagandas apresentadas pela mídia, nas quais desfilam os jovens, belos e felizes, desperdiçando saúde, robustez, corpos exemplares, usando cigarros e bebidas famosas, brincando em iates de luxo, ou exibindo-se em desportos da moda, invejáveis, triunfantes...
Você acredita que eles são felizes...
É porque não sabe quanto custa, em sacrifício e dor, alcançar o topo da fama e permanecer lá.
Sob quase todos aqueles sorrisos, que são estudados, estão a face da amargura e as marcas do desgosto, do arrependimento.
Alguns envenenaram a alma nos charcos por onde andaram, antes de serem conhecidos e disputados.
Muitos se entregaram a drogas perturbadoras, que lhes consomem a juventude, qual ocorreu com as multidões de outros, que os anteciparam e desapareceram.
Esquecidos e enfermos, aqueles que foram pessoas-objecto, amargam hoje a miséria a que se acolheram ou foram atirados.
Felicidade, porém, é conquista íntima.
Todos os que se encontram na Terra, nascidos em berços de ouro ou de palha, homenageados ou desprezados, belos ou feios, são feitos do mesmo barro frágil de carne, e experimentam, de uma ou de outra forma, vicissitudes, decepções, doenças e desconforto.
Ninguém, no mundo terreno, vive em regime especial.
O que parece, não passa de ilusão.

Se você deseja ser feliz, viva, cada momento, de forma integral, reunindo as cotas de alegria, de esperança, de sonho, de bênção, num painel plenificador.
As ocorrências de dor são experiências para as de saúde e de paz.
A felicidade não são coisas: é um estado interno, uma emoção.
Abençoe os acidentes de percurso, que você denomina como desgraça.
Siga na direcção das metas, e verá quantas concessões de felicidade pela frente, aguardando por você.
Quem avança monte acima, pisa pedregulhos que ferem os pés, mas também flores miúdas e verdejante relva, que teimam em nascer ali colocando beleza no chão.
Reúna essas florezinhas em um ramalhete.
Tome das pedras pequeninas fazendo colares, e descobrirá que, para a criatura ser feliz, basta amar e saber reconhecer, nas coisas e nos sucessos da marcha, a vontade de Deus e as necessidades para a evolução.

Momento Espírita, com base no cap. 16, do livro Momentos enriquecedores, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.

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Investimento infalível

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 21, 2018 10:56 am

O mundo nos apresenta um rol diversificado de problemas e situações na actualidade.
Enquanto vemos pessoas que se esforçam, lutam, trabalham para saírem da situação caótica, em que se encontram, outras parecem nada querer fazer.
A impressão que nos passam é de que se encontram no palco da vida, assistindo a vida passar. Não se importam com sua aparência, com o lugar onde vivem, com os acontecimentos que as rodeiam.
Olhando-as, quase sempre cogitamos de que pouco ou nada se tem a fazer por elas, desde que parecem indiferentes a tudo.
Por isso, quando nas frentes de voluntariado, é comum alguns de nós nos deixarmos envolver pelo desânimo.
E nos assaltam dúvidas como:
De que adianta todo meu esforço? Valerá alguma coisa todo esse empreendimento nessas criaturas?
Naquela manhã, atrasada para o seu voluntariado, Carla solicitou um carro, servindo-se do aplicativo.
Ao fornecer o endereço para onde desejava ir, a motorista exultou:
Nossa, a senhora trabalha lá? Conhece o Túlio?
Ante a afirmativa, Fernanda rompeu em emocionadas palavras:
Há uns trinta anos minha família chegou nessa instituição, numa situação muito difícil.
Queria que a senhora dissesse ao Túlio que deu tudo certo.
Eu me formei, fui trabalhar numa multinacional.
Estou agora como motorista, porque fiquei desempregada.
Minha mãe, meu irmão e eu somos muito gratos a tudo que recebemos daquela instituição.
Chegando ao destino, Carla não tardou a encontrar Túlio e lhe falar a respeito de Fernanda.
Claro que lembro dela, emocionou-se ele.
Ela e o irmão colocavam fogo por aqui.
Eram crianças levadas.
Lembro como a família chegou.
A mãe, Dorinha, tinha dificuldades com o aprendizado da costura.
Por fim, se tornou uma costureira de mão cheia.
Ela costumava falar que a costura salvara a sua vida, que a tirara da situação miserável em que se encontrava.
A essa altura, Carla verificara o telefone da motorista no aplicativo de mobilidade e ligava para ela.
Estendeu o telefone ao amigo que, ao atender, silenciou por mais de um minuto.
Lágrimas e corações se conectaram por satélite e em Espírito.
Do outro lado da linha, trinta anos depois, a eterna menina das suas lembranças se comovia:
Tio Túlio? Obrigada por tudo. Deu certo.
Eu me formei, meu irmão é policial.
Nós dois já somos pais.
Lembro como o senhor nos recebia na porta da instituição e enchia minha mãe de esperança pela vida.
Hoje sou uma mulher de bem, com princípios e valores muito presentes na minha vida.
Tio Túlio, o seu esforço deu certo.
As poucas palavras de túlio precisavam competir com suas lágrimas e com o acelerar do seu coração.
Desligaram com a promessa de um reencontro com a família.
Então, Túlio levantou os braços, como se tivesse ganho na loteria e gritou:
Deu certo! Deu certo!

Invistamos sempre.
Muitas vidas dependem de que alguém as estimule a crescer, a conquistar, a aprender.
A olhar a vida, com esperança e vigor.
Pensemos nisso.
E não deixemos de oferecer nosso ombro, nosso saber, nosso incentivo.

Momento Espírita, com base em facto colhido no artigo Deu certo! Deu certo!, de Thiago Vieira, da Revista Cultura Espírita, do Instituto de Cultura Espírita do Brasil, outubro de 2017.

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Para não perder a humanidade

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 22, 2018 10:27 am

Diariamente, nos deparamos com as mais diversas notícias do que ocorre no mundo.
Porque estamos todos conectados, vinculados às redes sociais, às notícias que tomam de assalto as telas de nossos aparelhos portáteis em tempo real, sabemos muito do que ocorre, a toda hora.
Entretanto, muitas dessas informações apresentam um carácter nocivo.
Multiplicam-se as notícias sobre crimes, comportamentos exóticos, desequilíbrios das mais variadas formas.
Sucedem-se, no rol das informações que nos chegam, a corrupção por toda parte, as mortes banalizadas pela repetição, os crimes que se diversificam.
E nos sobra, então, a sensação de que nada, nem ninguém pode deter essa marcha incontrolável de uma sociedade que se desestrutura.
Como reflexo dessa avalanche de más notícias que nos chegam, que nos enchem os olhos e os ouvidos, vamos nos acostumando com essas paisagens.
No início nos chocávamos.
Depois, era uma breve indignação.
Com o tempo, por se tornar comum, passou a receber um olhar de quase normalidade de nossa parte.
Vamos nos convencendo de que tudo é normal, que a vida é assim, que as pessoas são assim.
Contudo, nenhuma violência é normal, nenhum crime pode ser visto com leveza, nenhum desrespeito ao nosso próximo deve ganhar cidadania.
Esse sentimento de falsa normalidade que nos invade, subtilmente vai roubando de nós aquilo que temos de mais precioso:
nossa capacidade de nos indignarmos com o erro, de nos chocarmos contra aquilo que não é da nossa natureza.
E, aos poucos, sem nos darmos conta, vamos perdendo nossa humanidade, nossa sensibilidade, nossa solidariedade, a nossa empatia com o próximo.
É necessário reflectir.
Esses que agem mal e que ganham as manchetes, se tornando a notícia do dia, são excepção.
Longe estão de ser a regra.
A grande maioria de nós somos pessoas de bem, que queremos agir correctamente, cumprir nossos deveres, criar nossos filhos, pagar nossas contas, estar em paz.
Por isso, não nos deixemos convencer de que a humanidade está perdida.
Se acreditarmos nisso, a cada olhar de indiferença que lançarmos sobre a miséria alheia, estaremos, gradativamente, perdendo nossa própria humanidade.
Assim, perdemos um pouco de nossa humanidade a cada julgamento cruel que fazemos frente ao erro do outro.
Esvai-se de nós aos poucos nossa humanidade quando julgamos a todos como potencialmente desonestos, corruptos, criminosos.
Se alguns se permitem conduzir pelas suas fraquezas e enriquecem ilegalmente, são milhares os que honram seus empregos e salários trabalhando dignamente.
Se alguns decidem trilhar pelas veredas do crime e da violência, são milhares os que vivem pacificamente, distribuindo gentilezas e pacificação no meio onde vivem.
Portanto, cultivemos nossa humanidade.
Será através dela que compartilharemos o que trazemos de melhor em nossa alma.
E, quanto mais fortalecermos nossa humanidade, mais nos reconheceremos em nosso próximo.
A partir disso, mais fácil será seguir o conselho de Jesus, de amar ao próximo como a nós mesmos.

Momento Espírita.

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Caminhos do Coração

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 23, 2018 11:36 am

Multiplicam-se os caminhos do processo evolutivo, especialmente durante a marcha que se faz no invólucro carnal.
Há caminhos atapetados de facilidades, que conduzem a profundos abismos do sentimento.
Apresentam-se caminhos ásperos, coalhadas de pedrouços que ferem, na forma de vícios e derrocadas morais escravizadores.
Abrem-se, atraentes, caminhos de vaidade, levando a situações vexatórias, cujo recuo se torna difícil.
Repontam caminhos de angústia, marcados por desencantos e aflições desnecessárias, que se percorrem com loucura irrefreável.
Desdobram-se caminhos de volúpias culturais, que intoxicam a alma de soberba, exilando-a para as regiões da indiferença pelas dores alheias.
Aparecem caminhos de irresponsabilidade, repletos de soluções fáceis para os problemas gerados ao longo do tempo.
Caminhos e caminhantes!
Existem caminhos de boa aparência, que disfarçam dificuldades de acesso e encobrem feridas graves no percurso.
Caminhos curtos e longos, rectos e curvos, de ascensão e descida, estão por toda parte, especialmente no campo moral, aguardando ser escolhidos.
Todos eles conduzem a algum lugar, ou se interrompem, ou não levam a parte alguma…
São, apenas, caminhos:
começados, interrompidos, concluídos…
Tens o direito de escolher o teu caminho, aquele que deves seguir.
Ao fazê-lo, repassa pela mente os objectivos que persegues, os recursos que se encontram à tua disposição íntima assinalando o estado evolutivo, a fim de teres condição de seguir.
Se possível, opta pelos caminhos do coração.
Eles, certamente, levarão os teus anseios e a tua vida ao ponto de luz que brilha à frente esperando por ti.
O homem estremunha-se entre os condicionamentos do medo, da ambição, da prepotência e da segurança que raramente discerne com correcção.
O medo domina-lhe as paisagens íntimas, impedindo-lhe o crescimento, o avanço, retendo-o em situação lamentável, embora todas as possibilidades que lhe sorriem esperança.
A ambição alucina-o, impulsionando-o para assumir compromissos perturbadores que o intoxicam de vapores venenosos, decorrentes da exagerada ganância.
A prepotência anestesia-lhe os sentimentos, enquanto lhe exacerba as paixões inferiores, tornando-o infeliz, na desenfreada situação a que se entrega.
A liberdade a que aspira, propõe-lhe licenças que se permite sem respeito aos direitos alheios nem observância dos deveres para com o próximo e a vida; destruindo qualquer possibilidade de segurança, que, aliás, é sempre relativa enquanto se transita na este física.
Os caminhos do coração se encontram, porém, enriquecidos da coragem, que se vitaliza com a esperança do bem, da humildade, que reconhece a própria fragilidade, e satisfaz-se com os dons do espírito – ao invés do tresvariado desejo de amealhar coisas de secundário importância – os serviços enobrecedores e a paz, que são a verdadeira segurança em relação às metas a conquistar.
Os caminhos do coração encontram-se iluminados pelo conhecimento da razão, que lhes clareia o leito, facilitando o percurso.
Jesus escolheu os caminhos do coração para acercar-se das criaturas e chamá-las ao reino dos Céus.
Francisco de Assis seguiu-Lhe o exemplo e tornou-se o herói da humildade.
Vicente de Paulo optou pelos mesmos e fez-se o campeão da caridade.
Gandhi redescobriu-os e comoveu o mundo, revelando-se como o apóstolo da não-violência.
Incontáveis criaturas, nos mais diversos períodos da humanidade e mesmo hoje, identificaram esses caminhos do coração e avançam com alegria na direcção da plenitude espiritual.
Diante dos variados caminhos que se desdobram convidativos, escolhe os caminhos do coração, qual ovelha mansa, e deixa que o Bom Pastor te conduza ao aprisco pelo qual anelas.

Da obra: Momentos de Felicidade.

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Jesus, sempre Jesus!

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 24, 2018 12:13 pm

Ante o panorama de tantas guerras entre os homens; ante a explosão estarrecedora da violência e dos injustificáveis atentados à vida humana, supliquei ao Mestre Amado:
Senhor Jesus!
Nunca a Terra precisou tanto do Teu respaldo sagrado, de Tua mão misericordiosa, de Teus cuidados.
A Humanidade sofrida clama por piedade, à medida que a onda truculenta do mal invade as praias de nossas benditas esperanças.
O coração do homem de bem sangra, seus olhos derramam lágrimas amargas e a mente Te busca num pedido de socorro, de luz que venha clarear o caminho.
Senhor Jesus!
Os homens de bem se vêem tão desarvorados, frente a tantas amarguras e actos revoltantes.
Maldade e ganância dos inconsequentes chega a extremos inconcebíveis.
São tantas as vulgaridades querendo ser eleitas como justas e aceitáveis.
Tão grande a hipocrisia dos mandatários terrenos.
Tão enganadoras as ilusões que os move nessa bancarrota sem limites...
Tanta avidez em subverter valores sedimentados.
Tantas mentiras querendo posar de verdades supremas.
Tanta dor, tanto sofrimento, tanta desilusão na alma dos que ainda titubeiam na busca da verdade.
Tanta aflição no coração das mães que temem pelos filhos que embalam.
Então silenciei, meditei, ponderei.
E dei-me conta de que o Mestre a tudo isso previu.
E deixou a rota segura para quem O buscasse.
Dirigi-me à biblioteca e busquei o roteiro bendito que Ele nos legou.
Uma vez mais mergulhei a mente na leitura do Evangelho de luz, encontrando ali o meio de acalmar essa agonia que nos invade nestes momentos de dores superlativas, na face da Terra.
Encontrei a primeira gota de consolo ao me deparar com o Seu convite:
Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, que eu vos aliviarei.
Pois é suave o meu jugo e leve o meu fardo.
Em seguida constatei que as bem-aventuranças por Ele anunciadas renovam nossas esperanças, acalmando nossos corações, nos ajudando a resistir ao mal, e nos fazendo instrumentos de Sua vontade:
Bem-aventurados os que choram, pois que serão consolados.
Bem-aventurados os famintos e sequiosos de justiça, pois que serão saciados.
Bem-aventurados os que sofrem perseguição pela justiça, pois que deles é o reino dos céus.
E nos elucida ainda mais, ao nos convidar a mantermos puros os nossos corações, a sermos brandos e pacíficos, nos conclamando à misericórdia para com todos.
Esclarece-nos que devemos perdoar para sermos perdoados.
Mais, a perdoar setenta vezes sete vezes cada ofensa recebida, e que esse perdão precisa ser um acto do coração.
Também que perdoar aos inimigos é obter perdão para si próprio, pois quem de nós dele não necessita?
Ensina-nos a sermos indulgentes porque a indulgência atrai, acalma, ergue, ao passo que o rigor desanima, afasta, irrita.
E finalmente, salienta a necessidade de amarmos ao próximo como a nós mesmos, estabelecendo que esse é o mandamento maior.

Sublime irmão e amigo, Te louvamos e Te damos graças pela paciência que nos dedicas nesta romagem que empreendemos pelas portas estreitas da auto-construção.
Nossa gratidão, Senhor Jesus!

Momento Espírita, com transcrição de frases do Evangelho de Mateus, cap. 5, versículos 4, 6 e 10 e cap. 11, versículos 28 e 30.

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Aplicação Espírita

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 25, 2018 1:49 pm

Tudo aquilo que podemos nomear, como sendo a grandeza da civilização, é conjunto de planos experimentados.
Educação, ciência, economia e indústria demonstram isso.
Directrizes modernas do ensino nasceram no pensamento de orientadores que alentam a instrução na Terra; substancializadas pelos professores que lhes hipotecaram confiança, patrocinam agora a generalização da cultura.
Antibióticos eram projectos estanques nas cogitações das autoridades que se dedicam à saúde humana; fabricados pelos cientistas que lhes conferiram o crédito necessário, são hoje o amparo à existência de milhões de pessoas.
Aproveitamentos de áreas desérticas foi simples ideia na cabeça de estudiosos, preocupados em melhorar as condições do povo; utilizada pelos técnicos que lhe consagraram atenção, aumentou recursos e provisões, em benefício da Humanidade.
O automóvel, a princípio, reduzia-se a esboços traçados pelas inteligência, interessadas na solução ao problema das distâncias no mundo; executados por obreiros do progresso que lhes empenharam a própria acção, transfiguraram-se na máquina que actualmente promove a aproximação dos homens, em todas as direcções.
Avaliam-se motores.
Praticam-se desportos.
Ensaiam-se bailados.
Testam-se receitas culinárias.
Experimenta-se a qualidade do sabão, aconselhado no programa radiofónico.
A Doutrina Espírita é código de princípios trazidos ao mundo pelos mensageiros do Cristo, objectivando a restauração do Evangelho, cuja vivência, no campo das actividades terrestres, o próprio Cristo demonstrou claramente possível.
Cabe, assim, a nós, os discípulos e seguidores da Nova Revelação, - o dever de não interromper-lhe a marcha, no enlevo improdutivo, diante dos fenómenos, e nem paralisar-lhe a força edificante nas conjecturas estéreis, reconhecendo que compete a nós todos a obrigação de incorporá-la à nossa própria vida, de modo a provar que o Espiritismo é a religião natural da verdade e do bem que renova e funciona.

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Para toda a vida

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 26, 2018 11:01 am

A cena é quase trágica:
em casa, na cama, uma mulher de setenta e seis anos, no meio de uma sala apertada, cercada por parentes.
Eles a visitam, trazem presentes, desejam ofertar seu gesto de solidariedade.
Misturada a aparelhos hospitalares, com um respirador preso ao rosto, ela parece se despedir de todos.
Em meio a esse panorama, uma visita especial altera profundamente o clima ambiente.
Outra senhora, mais idosa ainda, escala com muita dificuldade os poucos degraus da entrada da residência humilde.
Ela precisa de ajuda para caminhar.
Algo que se assemelha a uma filmagem em câmara lenta, pois os poucos passos levam uma eternidade.
Seu objectivo é chegar ao leito da enferma.
As pessoas ficam em silêncio.
O momento pede atenção e respeito.
Ouve-se então a voz emocionada da moradora doente: Mãe! Mãe!
Ela não segura a emoção ao ver sua mãe, de noventa e oito anos, caminhando em sua direcção.
Estavam sem se ver há cerca de um ano, pois ambas não podiam deixar suas casas.
Os próximos segundos são daqueles que só o coração consegue descrever.
Quando ela chega finalmente à cama da filha – uma espécie de vitória – elas se abraçam e choram.
Talvez ninguém perceba, mas naquele instante as duas rejuvenescem.
São novamente mãe e bebé, mãe e filha menina que precisa de colo, de carinho.
São muitos os exemplos dessas mães para toda a vida.
Mães que deixam seus rebentos tomarem os barcos e saírem mar adentro, sozinhos, ou com suas novas tripulações, mas que permanecem em terra, como faróis luminosos a guiar os viajores amados durante toda a existência.
Mães que recebem os filhos de volta ao lar, quando suas naus são destroçadas pelas tormentas devassadoras dos dias.
Mães que oferecem abrigo ao coração para que esse tenha tempo de se reconstruir e retornar mais forte ao oceano da vida.
Mães de filhos deficientes que não podem soltar os barcos em absoluto, e que passam a navegar ao lado deles por toda a existência.
Mães que nunca desistem, que nunca deixam de acreditar e que por isso se assemelham tanto ao Criador.
Mães que viram os filhos aparentemente desaparecer no horizonte conhecido, como num adeus, mas que continuam mães de amor, sabendo que chegará o dia do reencontro – apenas num mar diferente.

A maternidade é a oportunidade de conhecer o amor num grau fabuloso.
É a chance de se dar por inteiro sem exigir troca.
É a prova da renúncia completa.
É a lição suprema para sermos menos eu e mais nós.
Se você é mãe, essas linhas são para você.
Se você não pôde conhecer a maternidade, não perca a chance de apreciá-la ao seu redor, como um bom ouvinte aprecia o canto de um sabiá, ou como um bom observador se encanta com os raios de sol por entre as árvores num fim de tarde qualquer.
Amor de mãe é obra da natureza.
E toda natureza está aí para nos ajudar e para que aprendamos com ela sempre.
A mãe natureza é também mãe para toda a vida.

Momento Espírita.

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A mais venerada mulher

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 27, 2018 11:51 am

Uma das mais belas descrições da interferência dos Mensageiros Celestes talvez seja a conhecida como da Anunciação.
Segundo o Evangelista Lucas, entrando o anjo onde estava a jovem Maria, disse:
Salve, cheia de graça.
O Senhor seja contigo.
E lhe diz que ela conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Jesus.
Prediz que Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo e que Seu reino não terá fim.
Maria estabelece com ele um diálogo, elucidando suas dúvidas a respeito de como tudo isso haveria de suceder.
Afinal, ela era conhecedora das profecias a respeito do Messias.
Dentre os quatro Evangelistas somente Lucas, o redactor do terceiro Evangelho, desce a detalhes, não encontrados nos demais.
Isso porque, seguindo as orientações e os desejos de Paulo de Tarso, o seu Evangelho foi escrito a partir de muitas entrevistas com quem vivera e convivera com Jesus.
Naturalmente, Maria, Sua mãe, foi a primeira entrevistada.
Justamente por essa razão, é que somente ele assinala seu canto de gratidão e louvor ao Senhor da Vida, o Magnificat:
Minha alma glorifica ao Senhor.
Meu Espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para Sua pobre serva.
E entendendo exactamente o alcance da missão que lhe competia, e do Ser a quem ela ofereceria um corpo, completa:
Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações.
Que extraordinário alcance de visão dessa mulher.
Estava absolutamente correta.
Desde os tempos apostólicos, após a morte do filho, residindo com João, o Evangelista, em Éfeso, ela passaria a ser procurada por muitos.
Eram pessoas que desejavam arrefecer a saudade daquele que se fora, ouvindo os relatos de quem com Ele convivera tantos anos, O acalentara, alimentara, sustentara.
Outros apenas desejavam lhe beijar as mãos, chamando-a de Mãe Santíssima.
De todas as grandes mulheres, com certeza, nenhuma foi e é tão exaltada em seu papel de mãe, quanto Maria de Nazaré.
As canções se multiplicam no mundo chamando-a de Bem-aventurada, Santa Mãe.
Quantos louvores se erguem a essa mulher, que se apequenou na grandeza da sua missão.
Quantas milhares de vozes já não se uniram para louvá-la como a bendita entre todas as mulheres, ano após ano, em celebrações nos grandes teatros, em templos ou em espectáculos ao ar livre!
São tenores, sopranos, corais, vozes infantis, juvenis.
Quantos poetas lhe dedicaram versos, tecendo-lhe poemas!
Quantos pintores a retrataram, idealizando a gruta em que buscou abrigo, em Belém; sua viagem ao Egipto; as celestes alegrias de ter o Filho em seus braços, vendo-O crescer no aconchego doméstico.
Sua própria dor, ao receber o Filho morto, retirado da cruz, foi imortalizada em gravuras, quadros.
E no mármore, na mais perfeita idealização de Michelângelo.
Os séculos se somam mas a Mãe de Jesus, que se tornou mãe de toda a Humanidade, prossegue a ser enaltecida.
A Bem-aventurada.
A mais extraordinária das mães.
Mãe de todas as mães.
Nossa mãe, Maria de Nazaré.

Momento Espírita, com transcrições do Evangelho de Lucas, cap. 1, versículos 46 a 48.

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O melhor método de ensino

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 28, 2018 12:01 pm

Em determinado programa televisivo, assistimos a um depoimento inédito.
O entrevistado é director de um colégio do nosso país e fez questão de detalhar o seu empreendimento, incentivado pela apresentadora.
Expôs a sua maneira de dirigir a escola e como isso está modificando o comportamento de professores e alunos.
Com naturalidade, explicou que está convicto de que o exemplo sempre foi e continua sendo o melhor método de ensino.
Relatou que, ao chegar ao colégio, percebeu que os professores faziam suas refeições em local diverso dos alunos.
Também que os banheiros eram diferenciados.
Para demonstrar que todos têm os mesmos direitos, embora tendo deveres distintos, colocou em prática sua maneira de educar.
Começou por entrar na fila dos alunos na hora da refeição e participar com eles da mesma mesa.
Em poucos dias os demais professores aderiram à mesma prática, criando um clima de maior aproximação entre os alunos e o corpo docente.
Ao utilizar o mesmo banheiro dos alunos percebeu a falta de cuidados, os papéis jogados pelo chão.
Começou por explicar que aquele colégio era de todos, dele inclusive, e que não gostaria de vê-lo sujo, depredado, feio.
Após uma limpeza geral, realizada por todos, o asseio, a boa apresentação foram mantidos.
A aproximação descontraída, os diálogos informais direccionados e os exemplos praticados, acabaram por aproximar, solidarizar e produzir crescimento em todos os sentidos.
Pais, professores, direcção e alunos se uniram e os resultados estão sendo os melhores possíveis, concluiu, entusiasmado, o professor.

Ser professor é assumir grande missão na vida.
A missão de estimular a consciência crítica dos alunos por meio de actividades participativas para que se sintam aptos ao exercício da cidadania.
Exemplificar cooperação, participação, efectuar trocas constantes de conhecimentos, demonstrar respeito ao próximo, conduz à auto-valorização e consequente transformação do ser humano.
A instrução actua de fora para dentro, mas a educação age em sentido contrário, pois consiste em trazermos para fora as potencialidades inerentes a cada ser humano.
Da mesma forma que a planta necessita de estímulos exteriores para desabrochar e dar frutos, o ser humano precisa de incentivos e exemplos para exteriorizar sua luz interior.
Jesus conclamou: Brilhe a vossa luz!, deixando claro que temos luz em nós.
Somente a educação despertará o desejo de brilhar.
O cultivo da inteligência e o aperfeiçoamento do campo íntimo mostrarão saber e virtude, o que não se consegue somente com a instrução.
Ao se mover a vontade sem constrangimento, pode-se tocar o coração, permitindo que a luz interior brilhe.
Importante que todos nos sintamos parte da sociedade a que pertencemos.
A educação é o despertar da divindade da alma, num processo autónomo, livre, que se dá principalmente ao contacto do amor do educador.

Momento Espírita.

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A Face de Deus

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 01, 2018 9:46 am

No dia 26 de agosto de 2017, o Centro Nacional de furacões, nos Estados Unidos, começou a monitorizar uma onda tropical sobre a costa ocidental africana.
Nas vinte e quatro horas seguintes, ela foi classificada como uma tempestade tropical.
E recebeu o nome de Irma.
Viria a se transformar num furacão, um ciclone tropical que, alcançando o Caribe e Cuba, deixou um trilho de destruição e morte.
Aportou nos Estados Unidos com a mesma atitude de revolta de um planeta que procura sobreviver, apesar dos maus tratos que tem recebido dos seus habitantes.
Previamente anunciada, chegou a gerar pânico. Os postos de gasolina, os supermercados, as lojas de materiais de construção, não conseguiram atender à demanda.
Faltou água, alimentos e até mesmo parafusos e pregos para as madeiras que deveriam proteger as portas e janelas.
A passagem de Irma deixou uma boa parcela da população americana carente de quase tudo.
Mais de um milhão de pessoas ficou sem electricidade.
Nos casos mais tristes, houve perda do maior património, a própria vida.
Depois de sua passagem catastrófica, quando as pessoas começaram a sair de suas casas, dos seus abrigos, foram tomando ciência dos estragos.
Não houve quem conseguisse controlar as lágrimas ante as cenas de desolação.
Árvores arrancadas, casas danificadas, destruição por toda parte.
E, em muitos corações, a incerteza de como estariam os amigos e parentes.
Foi nesse momento, quando vizinhos e desconhecidos foram se encontrando nas ruas, que a Face de Deus se manifestou, mesmo para aqueles que nem crêem em Sua existência.
Fosse em nome de Jesus, de Krishna, Buda, Jeová ou simplesmente pelo sentimento de solidariedade, Deus estava presente nas suas atitudes.
Nos dias de dificuldades que se sucederam, o que se observou foram as pessoas se dispondo a auxiliar, cada qual como podia e com o que dispunha.
Havia braços que se ofereciam para um simples corte de uma árvore caída, até doações de alimentos, de água para os abrigos preparados para pessoas e animais.
Os pássaros demoraram alguns dias para voltar a cantar.
No entanto, a música do coração humano podia ser ouvida.
Uma música dorida, mas enérgica.
Uma música que trazia o ritmo do trabalho, do apoio, da reconstrução.
A face de Deus brilhava nos olhos das criaturas, em demonstrações do potencial Divino do amor existente em cada uma.
Pensamos na lei de destruição, que determina que é necessário que tudo se destrua, para renascer e se regenerar.
Porque isso a que chamamos destruição é transformação, cujo objectivo é a renovação e o melhoramento dos seres vivos.
Sim, tudo se encaminha em nossas vidas para uma tomada de atitude diferente, para que saiamos de nosso comodismo e busquemos a renovação.
O furacão Irma nos apresentou a sua face do terror.
Mas, em meio ao caos que criou, pudemos contemplar a Face de Deus nas Suas criaturas.
Irma transformou as almas em irmãs.
E essa é a Face de Deus porque, conforme registou o Evangelista João, Deus é amor.

Momento Espírita, com base no artigo A grande lição de Irma, de Umberto Fabri, do Jornal Correio Fraterno, de setembro/outubro 2017 e transcrição da Primeira Epístola de João, cap. 4, versículo 8.

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Educando nossos pequenos

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 02, 2018 9:51 am

Quando o pai de Blaise Pascal entrou no quarto do menino e viu o soalho tomado por barras e rodas, não o puniu.
Indagou-se o que seria aquilo tudo.
Em verdade, rodas e barras eram círculos e as linhas rectas da geometria.
Logo mais, o garoto provaria que a soma dos ângulos de um triângulo perfaz dois rectos, resolvendo num passatempo, o trigésimo segundo teorema de Euclides, cujo nome ele ignorava.
Quando nos encantamos com os tantos inventos de Leonardo da Vinci; quando vemos os tantos esboços que fez em papéis e mais papéis; quando lemos a respeito da sua precocidade, sua genialidade, que parecia não poder ser contida, não deixamos de pensar o que teria sido daquele menino se seu pai não tivesse prestado atenção àquilo tudo.
O progenitor reuniu alguns dos trabalhos de Leonardo e os encaminhou para o escultor, ourives e pintor Andrea Del Verrocchio, figura de grande importância no âmbito das artes.
Isso fez com que Leonardo fosse admitido na sua oficina, como aprendiz.
Estava aberto o caminho para a expressão da sua genialidade.
Lemos que uma criança de seis anos utilizou a parede da sala de estar para desenhar uma casa.
Isso não é novidade. Crianças de diferentes idades, em um momento ou outro, resolvem pintar a parede da casa dos pais.
A questão é como a família reage.
Normalmente, os pais fazem o filho limpar a bagunça para que nunca mais torne a fazer nada semelhante.
Bom, o pai do garotinho, ao encontrar a simpática casinha desenhada, ficou imaginando o que diria sua esposa. E o que ela faria.
A atitude foi, no mínimo, inusitada.
Ao ver o desenho, ela emoldurou o que considerou uma obra de arte e transformou a sala da família em uma galeria.
Além da tradicional moldura, a obra do pequeno recebeu uma placa de identificação, como nos grandes museus.
Na primeira linha, o seu nome e a data do seu nascimento.
Na sequência, o título da obra prima: Casa interrompida.
E o ano da sua criação, 2017.
Naturalmente, não podia faltar o material utilizado para a pintura:
Canetinha em pintura de látex.
Dado aos seus pais, de surpresa, em 13 de novembro.
O que terá pensado essa mãe?
Talvez tenha cogitado ser a primeira expressão de um grande pintor.
Ou talvez não tenha querido frustrar a primeira tentativa, desejando incentivá-lo a prosseguir na sua arte.
Com certeza, lhe providenciando material devido para isso.
O que chama a atenção, contudo, não é o fato de uma parede da casa ter sido pintada dessa forma.
O que sobressai é que essa mãe pensou mais no filho do que no que é material e pode ser lavado, substituído, arrumado.
É nesse sentido que o gesto merece ser analisado.
É de nos questionarmos como temos considerado as peraltices dos nossos filhos.
Será que somente os temos podado em suas acções ou temos parado um pouco, observado e tentado verdadeiramente entender para educar de forma adequada?
Educar requer tempo, dedicação, atenção.
Atenção ao que o filho fala, escreve, cogita, às ideias que expressa.
Quantas vezes temos, simplesmente, levado à conta de tolices tanto do que diz, do que faz?
Eis uma boa oportunidade para nos indagarmos:
Estamos nos preocupando, verdadeiramente, com a educação do nosso pequeno?
Estamos ouvindo-o, observando-o, descobrindo o de que ele verdadeiramente necessita para se tornar um bom cidadão, um homem para o mundo?

Pensemos nisso.

Momento Espírita, com narração de facto colhido na internet.

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Recomeçar sempre

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 03, 2018 10:58 am

Os dias turbulentos que vivemos na Terra exigem coragem interior para superá-los de maneira digna.
São atentados de toda a sorte, praticados inesperadamente em pontos jamais imaginados, fazendo com que a descrença e o desânimo se acerquem dos desavisados.
São abusos da ingenuidade de muitos, que estarrecem.
São aberrações em nome da arte, que confundem e assustam.
São dias de tormentas morais, desafios éticos, sacrifícios que se apresentam, testando a capacidade de nos mantermos em pé.
Frente a tantos desafios, muitas vezes nos fechamos para a realidade, pensando estar tudo perdido neste mundo.
Com isso, multiplicamos o número dos desanimados, dos pessimistas, chegando a cogitações extremas de desejar o afastar da vida.
Por mais que o mundo nos deixe perplexos com seus desatinos, cabe-nos manter o Cristo presente em nossas decisões.
Dessa forma, por maiores sejam as provocações; por mais difícil seja o levantar; por mais amargo seja o cálice a ser sorvido; por mais árduo se apresente o desafio de viver; por mais feridos se encontrem nossos joelhos, é importante ter em mente que estes são os dias das provas maiores que, bem suportadas, nos capacitarão a grandes conquistas individuais e colectivas.

São chances de colocarmos em prática as lições aprendidas ao longo da nossa jornada evolutiva, oportunizando o tão necessário crescimento na direcção da luz.
Nada supera a bênção sagrada de estarmos vivendo o momento presente, quando a Terra atravessa o período de sua transição para um mundo melhor.
Diariamente Deus nos acompanha, oferecendo-nos a oportunidade de recomeçar de cabeça erguida.
Tropeçar e cair é para qualquer um mas, levantar-se e continuar é para os destemidos.
Viver superficialmente qualquer um vive, mas enfrentar as agruras, e continuar na vida é para os persistentes.
Todos corremos o risco de tombar com a ventania, mas vergarmos com ela e nos restabelecer, pondo-nos novamente de pé é para os corajosos, para aqueles que confiam em Deus.
Perder amores, bens e actividades pode ser comum a muitos, mas firmar os pés e a mente no sentido de prosseguir recomeçando, é para os que têm fé e não desistem.

Deus sempre nos convida ao recomeço.
A esperança deve ser nossa companheira em todos os desafios da vida.
O Pai nos auxilia dotando-nos de vontade, de força, de coragem e resistência, para que as utilizemos na caminhada.
A vida nos convida à permanência construtiva em nossos deveres sem esmorecer.
Cada nascimento assinala que um Espírito reinicia sua jornada evolutiva na Terra.
A natureza nos exemplifica, constantemente, a lição do recomeço.
Após a tempestade, a atmosfera se renova e o sol volta a brilhar.
A árvore, após a poda, reverdece e frutifica.
A lagarta após a hibernação no casulo, ressurge como a borboleta que alça voos suaves sobre as flores.
A lua jamais interrompe seu périplo ao redor da Terra.
Ressurge a cada anoitecer, prestando seu serviço e mostrando sua beleza.
Tudo ao nosso redor nos convida a seguirmos as sagradas leis.

Desistir da vidajamais!
Recomeçarsempre!

Momento Espírita.

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SER CRISTÃO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 04, 2018 12:49 pm

Ser cristão vai além de fazer e cantar músicas para Deus ou Jesus, usar crucifixo no pescoço e parede, usar camisetas ou adesivos com frases evangélicas, tatuar Jesus, Maria ou frases evangélicas no corpo, determinar o sábado sagrado, rezar repetidas vezes, não ser favorável à transfusão de sangue, usar determinado tipo de roupa, não cortar cabelo, comungar, carregar imagens, caminhar quilómetros em peregrinação, não comer carne na sexta-feira santa, baptizar, crismar, pagar dízimo, casar-se em templos, frequentar casas religiosas, decorar Bíblia e/ou as obras básicas da Doutrina Espírita, tomar passe, participar das palestras, seminários e festas religiosas.

Ser cristão é se esforçar para "seguir os ensinamentos do Cristo", é transformar "Fé em obras", ou seja, acreditar Nele e não fazer o que Ele pediu é inútil.
Jesus quer nos transformar em pessoas melhores.

Mas para isso, precisamos estar dispostos a querer nos modificar.

Ele nos estende a mão todos os dias, e nós estamos desviando de estender a nossa para Ele.

Então perguntemos:
"Como é a nossa fé, com ou sem obras?"
Se somos "a luz do mundo", como disse Jesus, como está a nossa luz, acesa ou apagada?
Se somos "o sal da terra", que tipo de tempero estamos dando à vida?


Como disse Jesus:
"Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus."

Pensemos nisso!

Texto da Rudymara
(Grupo de estudo Allan Kardec)

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Inconstância humana

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 05, 2018 10:35 am

Com tantas ferramentas ágeis de comunicação, têm se tornado comum denúncias de profissionais.
São relatos de mau atendimento, em que se misturam a desconsideração, o descaso, a grosseria, até o que é considerado arrogância e incompetência.
Qualquer pequeno descuido merece muitas e muitas críticas, a que se somam seguidores e pessoas azedas, que acreditam que todos têm má intenção para com elas.
Interessante que um mesmo profissional é apresentado por uns como um semi-deus, enquanto outros o classificam como um monstro.
Soubemos de um médico que salvara a vida do pai de um jovem.
O narrador relatou como verdadeiro milagre o que tinha ocorrido com seu pai, desenganado num primeiro momento.
O médico oferecera esperança mínima à família, dada a complexidade do procedimento diante da enfermidade.
Nada mais do que um por cento de chance de sobrevivência.
Mas, a cirurgia tivera sucesso.
E bons anos rolaram.
Anos nos quais o paciente gozou de saúde satisfatória.
Surgindo uma complicação, a família procurou o mesmo médico, desde que, anteriormente, se revelara tão eficiente.
Consultado, disse que tudo seria muito simples, algo como tirar um cisco do olho.
Que todos ficassem tranquilos.
Contudo, o paciente morreu.
Então, a família, que tanto elogiara e indicara aquele facultativo, revoltou-se.
E o declarou incompetente, negligente.
Acusou-o de ser o responsável por encurtar a sobre vida do seu familiar.
Que paradoxo. Num momento, um herói, um santo.
Em outro, não alcançado o objectivo, um vilão, um usurpador da vida.

Interessante analisarmos como somos volúveis.
Passamos de um sentimento a outro em segundos.
Se compulsarmos a História, veremos que, de um modo geral, assim temos nos comportado.
O povo que gritou Hossanas ao Senhor Jesus, ao adentrar Jerusalém, foi o mesmo que, poucos dias depois, pediu a Sua crucificação, ante a indagação do procurador Pôncio Pilatos.
Os que haviam recebido tantas bênçãos de Suas mãos, os que haviam sido curados, os que haviam readquirido a visão, a audição, a mobilidade, onde estavam?
Em tão pouco tempo, haviam esquecido os benefícios recebidos?
Ainda somos as pessoas que enterramos, facilmente, o sentimento de gratidão.
Os que ontem nos beneficiaram, os que nos estenderam as mãos, nos sustentaram na adversidade, transcorrido um tempo, por nos desagradarem, por não atenderem a nossas vontades, são os mesmos que apontamos como intolerantes, maus, grosseiros.
Onde a nobreza do gesto de reverência por quem nos serviu ontem?
Onde o agradecimento despojado de interesses, que deveria ser nossa marca registada?
Juízos apressados não poupam ninguém.
E, normalmente, são causa de muita injustiça.
Sejamos mais ponderados e cuidadosos em nosso proceder.
Aprendamos a ser cordatos, a pensar antes de agir, a mensurar o que falamos, o que postamos, o que expomos.

Vidas podem ser destruídas em segundos.
Carreiras sólidas, construídas com esforço e dedicação, também.
Guardemos o ensino de Jesus:
com a medida com que medirmos os outros, seremos medidos.
E com o critério que julgarmos os outros, igualmente seremos julgados.


Pensemos nisso.

Momento Espírita, com base no artigo A linha ténue entre herói e vilão, da revista Iátrico, nº 36, de agosto de 2017, ed. do Conselho Regional de Medicina do Estado do Paraná e no Evangelho de Mateus, cap. 7, versículo 2.

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Cultivando jardins

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Mar 06, 2018 12:05 pm

Todos os dias, antes das seis da manhã, Francisco Toda se encontra na lida diária.
De rastelo na mão, adoptou um terreno baldio, próximo à sua casa, que ele próprio transformou em jardim, em uma metrópole brasileira.
O incansável idoso, de oitenta e dois anos, dedica em torno de três horas diárias de seu tempo, a fim de deixar o local cada dia mais florido.
Zeloso, também mantém limpas as calçadas próximas.
Eu tenho um lema:
viver, amar, ser amado, ser reconhecido e ser útil, afirma o gentil descendente de japoneses, de boa conversa e sempre bem disposto.
No jardim, ele plantou rosas, hortências e dálias, além de uma exuberante costela-de-adão. Há também uma horta com couve-manteiga, cheiro-verde e hortelã.
Dedicado, o jardineiro construiu uma pequena mesa e quatro cadeiras de madeira, além de um balanço para as crianças.
­Quero também fazer um escorregador, afirma ele, que tem o costume de deixar suas ferramentas no próprio jardim.
Já comprei o terceiro rastelo.
Os dois primeiros, levaram.
Gosto de pensar que quem os levou está fazendo limpeza em outro lugar, revela, risonho.

Das mãos do Divino Jardineiro, as sementes da vida são dispersas, sempre e sem cessar.
Ao nos criar, lançando-nos na terra fecunda de Sua obra, quis Ele nos oportunizar sermos jardineiros também.
A cada um de nós concedeu um terreno especial, na própria intimidade.
Atentos, contemplemos o horto que há em nossa paisagem interior.
Estamos cuidando bem dele?
O que estamos semeando?
As exuberantes flores e os saborosos frutos que nascem em nossos jardins e que hoje colhemos resultam das boas sementes que, no passado, optamos por plantar.
De igual forma, as ervas daninhas que neles despontam são consequência do nosso descuido, das nossas más escolhas.
Um jardineiro atento continuamente observa a terra que cultiva.
Colhe os bons frutos, inebria-se com o doce perfume das flores.
Não esquece, porém, de arrancar as ervas daninhas, os frutos amargos, lançando fora as sementes impróprias.
Temos todas as sementes ao nosso dispor, de todas as qualidades e tipos.
Sementes de amor, de perdão, de gratidão, de fé, de gentileza.
Também sementes de ira, de ódio, de vaidade, de egoísmo, de orgulho.
A terra de nossos corações é fértil e receptiva às sementes que nela plantamos.
Plantando amor, teremos um jardim colorido, vivo, de uma paz sublime e duradoura.
Plantando ódio, orgulho, vaidade, nosso jardim interior será paisagem cinzenta, fria, desarmoniosa.

O Divino Jardineiro é infinitamente justo e bom.
Por Sua justiça, outorga-nos a responsabilidade de colhermos os frutos que livremente decidimos semear.
Por Sua bondade, concede-nos diariamente a oportunidade de lançarmos fora os frutos ruins, repensarmos as nossas escolhas e renovarmos nosso jardim.
Quais sementes desejamos lançar à terra?
Quais frutos desejamos colher?
Pensemos nisso e escolhamos sempre as melhores opções.

Momento Espírita, com base em biografia de Francisco Toda.

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Como se medem as distâncias?

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 07, 2018 10:42 am

As distâncias, como as horas, têm a dimensão do estado emocional das pessoas que as percorrem.
Quando nos encontramos felizes, desfrutando da companhia de amigos, os quilómetros parecem poucos metros.
Quando a alegria nos envolve, quando estamos em passeio que nos traga contentamento, a distância não se faz sentida.
Quando notícias tristes nos chegam, quando estamos carregando o peso do desânimo ou da desesperança, qualquer pequeno percurso parece interminável e exaustivo.
Quando necessitamos chegar a algum local, para atender a um enfermo, alguém que pode vir a morrer a qualquer momento, poucos metros se assemelham a quilómetros.
Lembramos que, no século XV, Leonardo da Vinci, ao idealizar o carro de três rodas, movido a corda, como um relógio, concebeu um sistema para marcar sua quilometragem.
Com uma autonomia para até quarenta quilómetros, a cada mil metros percorridos, uma bola de metal deslizava de um reservatório para outro.
Ao chegar ao destino, bastava contar o número de bolas caídas para saber os quilómetros vencidos.
Em Calcutá, na Índia, Madre Teresa idealizou uma maneira peculiar de marcar as distâncias.
Para as voluntárias da sua missão, ela estabeleceu o recitar de orações enquanto se encontrassem a caminho.
Por isso, a jovem Ananda sabia exactamente o número de Ave-Marias que cobriam o trajecto convento-hospital: duzentas e oitenta.
Confessa que, de início, aquela recomendação lhe pareceu um pouco descabida.
Ir recitando Ave-Marias, uma em seguida à outra, não seria uma forma mecânica de considerar a prece?
Logo, no entanto, Ananda compreendeu.
Aquele recitar constante mantinha sua mente elevada, ocupada em algo positivo.
Em vez de deixar os pensamentos correrem soltos, sem propósito, havia um objectivo a ser mantido: conectar a mente ao Superior.
E assim, fluíam em sua mente as palavras da saudação do mensageiro celeste, traduzidas agora em prece de louvor, acrescidas da natural rogativa pelas misérias humanas.
Frases sagradas que brotavam do seu coração aos lábios, num murmúrio constante.
E quando se completasse a quantia exacta das Ave-Marias, Ananda sabia que alcançara o seu destino.
Aí, com a mente higienizada por salutares vibrações, ia ao encontro de dezenas de enfermos que aguardavam a medicação, a higiene, o consolo.
Recomeçava, na madrugada risonha, mais um dia de trabalho em serviço do bem.
Durante horas ela andaria de um leito ao outro, tentando oferecer o melhor àquelas criaturas, muitas delas recolhidas ali somente para morrerem com dignidade.

Prece é diálogo com as forças superiores.
Ora quem se levanta com a manhã e se dedica ao semelhante.
Ora quem toma da pena e exalta a natureza em prosa e verso.
Ora quem reconhece a grandeza da Criação e exterioriza em palavras a gratidão, o louvor ao Senhor da Vida.
Ora quem busca a sintonia superior através de frases espontâneas, geradas pela fé ou pela necessidade.
Ou quem vai repetindo versos, como num mantra...
Oração é vida. Viver, de forma nobre, é orar.
Pensemos nisso e não descuremos desse hábito salutar, que nos responde à vida com renovadas bênçãos.

Momento Espírita, com base no cap. 29, do livro Muito além do amor, de Dominique Lapierre, ed. Salamandra.

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Os desafios da vida

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 08, 2018 10:21 am

Abrir a caixa de um quebra-cabeças pela primeira vez, desses de milhares de minúsculas peças, é como se deparar com um grande desafio da vida.
Num primeiro momento, parece impossível.
As partes são muito parecidas.
Algumas delas, somos capazes de jurar, são idênticas em cor, formato e encaixe.
Como encontrar cada pedaço de um céu azul da paisagem, se todos são iguais?
Por que essa peça iria aqui e não ali?
Como distinguir cada peça verde de uma grande mata se todas têm nuances de cor tão similares?
Alguns se desesperam: Isso não é para mim! O que eu estou fazendo aqui? – Dizem.
Existem aqueles que simplesmente desistem.
Outros ficam ali, olhando por alguns minutos, atónitos...
Por onde começar?
Se temos paciência e um pouco de perseverança, observamos a imagem da caixa.
A pintura, a paisagem bela que daquela confusão poderá sair um dia, quem sabe...
E ela parece nos dizer:
Vale a pena tentar!
Será compensador!
Olhamos para a caixa, olhamos para as peças. E tornamos a olhar.
Então, um fenómeno interessante começa a acontecer.
Conforme vamos focando em um ponto da imagem, nosso cérebro vai passando uma revista pelas peças, uma revista detalhada.
Aí, aquelas pecinhas que pareciam ser todas iguais, da mesma cor, começam a se mostrar um pouco distintas.
Elas têm pequenos detalhes que as diferenciam umas das outras.
Até as cores não são as mesmas.
No azul encontramos diferentes tons e nessa e naquela há uma pequena mancha na ponta que não havíamos visto antes.
Tudo acontece em função do foco.
Estamos focados, atentos, dedicados.
Nunca conseguiremos resolver problemas e vencer desafios sem foco, sem atenção.
Nesse momento, o peito ansioso acalma.
A respiração muda.
A visão parece ficar mais poderosa.
Estamos enxergando coisas que não enxergávamos antes!
Nossa performance melhora.
Vislumbramos alguma forma.
São quinze, vinte peças juntas que nos animam a continuar, até que chega um momento terrível:
a procura por uma peça específica que parece não estar na mesa.
É uma peça fundamental, importante para terminar aquela fase, ou uma área determinada, e não a encontramos.
Tudo para...
Voltamos a pensar que não somos capazes de concluir.

Assim também acontece com os problemas complexos.
Nesse caso, temos dois caminhos a seguir.
O primeiro é darmos uma pausa, mudarmos os pensamentos, sair, arejar a mente, falar sobre outras coisas.
Darmos tempo ao tempo.
O segundo é pedir ajuda.
Afinal, quem disse que temos que resolver nossos problemas sozinhos?
Não há vergonha nisso.
Não é sinal de fraqueza.
No exemplo de que nos servimos, montar um quebra-cabeças na companhia de alguém é muito mais divertido.
Veremos que logo estaremos no caminho novamente e que uma ajuda é sempre muito bem-vinda.
Por fim, encarando os desafios de frente, passando pelos problemas e passando bem, iremos perceber que saímos mais fortes, mais maduros, assim como quem termina a montagem de um quebra-cabeças.
E levaremos connosco a lição da concentração, da perseverança, da tranquilidade, pelo êxito alcançado, pela dificuldade vencida.

Momento Espírita.

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Perante as tempestades

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 09, 2018 11:43 am

Raios caíam rasgando o céu.
Trovões ressoavam sacudindo paredes.
Ventos fortíssimos carregavam folhas e galhos para longe, enquanto grossas gotas de chuva desabavam sobre o telhado, fazendo um barulho ensurdecedor.
A água da chuva se juntou à do córrego, aumentando seu volume e fazendo-o transbordar, arrastando o que estivesse nas margens.
Nada era capaz de impedir aquela força descomunal que se apresentava em forma de tempestade.
Os animais, encolhidos em suas tocas, ninhos e casas, aguardavam, calados e pacientes, que a natureza se acalmasse.
Ao final de algumas horas, a chuva foi diminuindo, as nuvens escuras se afastaram, mostrando um rasgo de céu azul.
Os pássaros começaram a cantar.
Despertados pela calmaria, alguns animais foram colocando as cabecinhas para fora das tocas, farejando o ar, e começaram a sair.
Apesar da aparente desordem, com galhos caídos e montes de folhas aglomeradas, o ar estava diferente, mais leve, mais fresco, mais puro.
Os antigos diziam que a chuva lavava o céu e a natureza de tudo o que fosse ruim e também era capaz de levar sentimentos que entristeciam as pessoas.

Quando a natureza se manifesta com toda a sua força, fazendo desabar sobre a terra fortes tempestades, aprendemos que o melhor a fazer é aguardar, pois sabemos que nada podemos contra elas.
Então nos recolhemos e esperamos o temporal amainar.
Não podemos prever quanto tempo ele irá durar, mas sabemos que certamente irá passar.
Quando enfrentamos tempestades emocionais, que nos parecem mais destrutivas do que os piores tornados, acabando relacionamentos, levando pessoas amadas, abalando amizades, derrubando nossos conceitos, sacudindo nossa auto-estima, como agimos?
Sabemos confiar no Pai e aguardar as coisas e os ânimos se acalmarem ou tentamos parar a tempestade à força?
Pedimos inspiração, força e paciência para enfrentar o que não pode ser evitado ou nos revoltamos, agredindo quem estiver por perto, agarrados ao desespero, ao inconformismo e à raiva?
Somos como os discípulos de Jesus, apavorados no barco ante a tempestade, gritando de medo e mostrando que temos pouca fé?
Ou acreditamos que tempestades morais são necessárias para nosso despertar; que seguem leis naturais ou acontecem para nosso crescimento espiritual e que, em breve, passarão e delas sairemos fortalecidos?

A natureza se renova constantemente, e os temporais funcionam como uma faxina, levando o que precisa ser retirado.
Da mesma forma, tempestades emocionais nos ajudam a olhar para dentro de nós, detectando sentimentos negativos, vícios e defeitos que devem ser eliminados.
Muitas vezes as imperfeições estão tão arraigadas que somente um forte temporal poderá retirá-las.
À medida em que formos progredindo, deixando para trás orgulho, egoísmo e tudo o que nos atrasa a evolução, as tempestades serão cada vez mais amenas, mais breves, menos assustadoras.
A fé e o amor ao próximo serão, sempre, nossa maior protecção durante essas tempestades da vida.

Momento Espírita.

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Pobreza e riqueza

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 10, 2018 1:01 pm

Pela metade do século XX, um filme de suspense de Alfred Hitchcock fez sucesso: O homem que sabia demais.
O filme popularizou uma canção interpretada por Doris Day, que gravou mais de seiscentas, ao longo de sua carreira.
O refrão dizia mais ou menos assim: Que será, será.
Aquilo que for, será.
O futuro não é nosso para vermos.
Que será, será.
A preocupação sobre as futuras facilidades ou dificuldades a enfrentarmos na vida, sempre nos inquietou.
Desde pequenos, os filhos ouvem de seus pais: Trate de estudar se não quiser ter um emprego ruim.
Como se a felicidade estivesse totalmente presa a um bom emprego, à posse de dinheiro e bens materiais.
Observamos na actualidade uma realidade que jamais se cogitou em tempos idos.
Pessoas diplomadas, que se sentem infelizes, deixam cargos e posição social para viver modestamente, mas de forma gratificante.
Outras, que sempre viveram nas grandes cidades, transferem residência para cidades menores ou para o campo, em busca de vida simples e saudável para si e seus familiares.
Alguns penduram seus diplomas ou abandonam carreiras de destaque, dedicando-se a trabalhos filantrópicos, desejando se sentirem realmente úteis.
Quantos desses se realizam junto à natureza, plantando e colhendo o seu sustento e o da família.
Cultivar a paz interior, o prazer pela vida, o amor pela natureza, a tranquilidade familiar, espalhando essa riqueza ao redor, pode nos proporcionar aquilo que intimamente almejamos.
Pobreza e riqueza, em síntese, são valiosos convites para o crescimento pessoal.
Em ambas as situações, poderemos alcançar o real objectivo de nossa caminhada na Terra.
Na pobreza, temos a sagrada oportunidade de aprender a servir, de exercitar a paciência e a resignação.
Na riqueza, temos a oportunidade de vivenciar a caridade e a abnegação.
Saberemos que estamos enfrentando devidamente a pobreza quando nos adequamos à simplicidade de vida e aceitamos as renúncias que necessitamos realizar.
Da mesma forma, frente à riqueza, importante é a sensatez no uso de bens e facilidades a que temos acesso.
Todos fomos ou seremos defrontados por uma ou outra situação, ao longo das nossas vidas, a testar nossas capacidades de administradores de nós mesmos.
Tanto a carência como a fortuna nos desafiam ao crescimento e ao esforço de sublimação.
Uma e outra são oportunidades que nos são oferecidas, para que aprendamos a gerenciar nossa condição de pobreza material, enriquecendo-nos de bênçãos espirituais.
Ou, sendo ricos materialmente, guardemos a sabedoria de olhar ao nosso redor, notar os menos felizes e utilizarmos nosso tempo e nossos bens em seu benefício.
Perceberemos que adquirindo compreensão e conhecimento, cultivando luz e paz, independentes da pobreza ou riqueza, seremos criaturas valiosas e felizes.
Conhecer as Leis Divinas, tê-las como nosso roteiro, nos permitirá direccionar os passos no sentido do bem maior, nos fará verdadeiros pobres de insensatez e autênticos ricos de solidariedade e amor.

Momento Espírita, com base no cap. 9, do livro Caridade, por Espíritos diversos, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. IDE.

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Desejo

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 11, 2018 11:52 am

Victor Hugo

Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.

Desejo, pois, que não seja assim.
Mas, se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconsequentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,

Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas, na medida exacta para que, algumas vezes
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.

Desejo depois que você seja útil.
Mas, não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas, com os que erram muito e irremediavelmente
E que fazendo bom uso desta tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros

Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça, depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e sua dor e
É preciso que escorram por entre nós.

Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas, que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso, e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra,
Com o máximo de urgência,
Acima e a despeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro,
Erguer triunfante seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.

Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E que acompanhe seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é precioso ser prático
E que pelo menos uma vez por ano,
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga: "Isso é meu",
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem

Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você.
Mas, que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar, e sofrer sem se culpar.

Desejo por fim, que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para começar.
E se tudo isto acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.

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Sempre com alegria

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 12, 2018 10:48 am

Irmã Ananda.
Ananda quer dizer alegria.
Irmã Alegria.
Desde sua mais tenra infância, acostumara-se a mergulhar nas águas do rio Ganges, para resgatar vestidos, jóias, o que pudesse ser transformado em dinheiro.
Dessa forma, ela se constituía no sustento de toda a família.
Sua agilidade e habilidade em nadar, até os lugares mais fundos eram elogiáveis.
No entanto, quando manchas estranhas começaram a aparecer em sua pele escura, quando a palavra terrível foi pronunciada, ela foi jogada na rua, pela família mesma por quem tanto trabalhara.
Não poderiam, de forma alguma, permanecer com uma leprosa no lar.
E a menina, impedida de se misturar aos demais, impedida de retirar do rio sagrado o seu sustento, sentiu a fome abraçá-la.
Sozinha, enferma, esfomeada, foi acolhida pelas Irmãs de Caridade que, não somente lhe providenciaram o tecto, a vestimenta, o alimento, como lhe deram o melhor presente.
Submeteram-na a tal tratamento que ela foi declarada curada da hanseníase.
Agora, passados os anos, cumprido seu noviciado, ela recebeu das mãos de Madre Teresa de Calcutá, o sari branco, com lista azul.
Dali em diante, essa seria sua única vestimenta.
Vestimenta que a identificaria como uma das Missionárias da Caridade em qualquer dos mais de cento e trinta países em que ela fosse designada a servir.
Ela foi enviada a Nova Iorque, com mais três companheiras.
Sua bagagem chamou a atenção: eram baldes, caixas de papelão amarradas, colchões de palha enrolados em pedaços de pano presos por cordas.
Tudo endereçado para Madre Teresa de Calcutá – Nova Iorque. Estados Unidos.
A maior recomendação de Madre Teresa era de que servissem sempre com alegria.
Era um dia frio e a menina indiana, transformada em missionária, se encantou com os flocos de neve que caíam.
Jamais vira tal espectáculo.
Então, seu coração exultou na recitação dos versos do profeta Daniel:
Orvalhos e geadas, gelos e neves, bendizei ao Senhor por todos os séculos.
Quando chegou ao local em que trabalharia, dirigiu-se ao subsolo.
Era ali que ficavam as suas acomodações.
Embora Madre Teresa houvesse especificado que não deveria haver conforto algum, quem viera reformar o prédio tudo ignorara.
E lá estavam quatro chuveiros à disposição.
Ananda ficou olhando-os, admirada.
Desde sempre, ela tinha algo muito especial com a água.
Na Índia, carregava os baldes da fonte para casa.
Emocionada, Ananda estendeu uma mão trémula e abriu a torneira.
Um verdadeiro dilúvio caiu imediatamente do tecto.
Hipnotizada, ela olhou a água correr. Aquilo parecia um milagre.
Com os braços abertos, a cabeça caída para trás, ela se jogou toda vestida debaixo do chuveiro.
Teve vontade de cantar.
E cantou os versos do profeta:
Chuvas e orvalhos, exaltai o Senhor.
E vós, astros do céu, bendizei-O por todos os séculos.
Sua voz atraiu as demais companheiras que vieram correndo.
Ao verem Ananda se divertir como uma criança, explodiram todas numa sonora gargalhada.
Felicidade. Sim, Madre Teresa de Calcutá poderia ficar tranquila.
Era com alegria no coração que suas irmãs começavam sua tarefa em Nova Iorque.

Momento Espírita, com base no cap. 52, do livro Muito além do amor, de Dominique Lapierre, ed. Salamandra.

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A indesejada das gentes

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Mar 13, 2018 11:11 am

Já nos perguntamos, alguma vez, o que faríamos, se, repentinamente, uma doença cruel nos abraçasse e fosse decretada nossa sentença de morte?
Ou, se em plena actividade, a morte chegasse e nos arrebatasse?

A proximidade da morte já levou muitas mentes privilegiadas a reflectir sobre a vida.
Alguns transformaram essa reflexão em palavras.
O neurologista e escritor inglês Oliver Sacks, com câncer de fígado, aos oitenta e um anos, escreveu, em fevereiro de 2015, no jornal americano The New York Times:
Sinto-me intensamente vivo, e quero e espero, no tempo que resta, aprofundar minhas amizades, dizer adeus aos que amo, escrever mais, viajar.
Se eu tiver forças, alcançar novos níveis de compreensão e entendimento.
Professor de neurologia e psiquiatria, estudioso de temas como percepção e consciência, escreveu ainda:
Acima de tudo, fui um ser consciente, neste belo planeta, e só isso já foi um enorme privilégio e uma aventura.
Em sua carta-despedida confessou:
Não posso fingir que não tenho medo, mas meu sentimento predominante é a gratidão.
Amei e fui amado, recebi muito e dei algo em troca, li, viajei, pensei, escrevi.
Pouco mais de seis meses depois, em agosto daquele ano, ele desencarnou.
Por sua vez, o escritor, educador, teólogo e psicanalista Rubem Alves, que morreu no ano de 2014, deixou uma carta para ser lida, em sua cerimónia fúnebre.

Escrita nove anos antes, além de reflexões sobre a terminalidade da vida, havia instruções para quando sua hora chegasse, como a declamação de poemas de autores que cantavam a morte.
Escreveu ele: Não tenho medo da morte, embora tenha medo de morrer.
O morrer pode ser doloroso e humilhante, mas para a morte tenho uma pergunta:
Voltarei para o lugar onde estive sempre, antes de nascer, antes do Big Bang?
Durante esses biliões de anos, não sofri e não fiquei aflito para que o tempo passasse.
Voltarei para lá até nascer de novo.

Serenidade ante a morte.
Gratidão pela vida.
Não foi outro o ensino ofertado e vivido por nosso Mestre Jesus.
Na chamada última ceia, em Jerusalém, antes de Sua prisão, julgamento arbitrário e a crucificação, Ele dá orientações aos apóstolos.
Detém-se em pormenores, prediz sofrimentos que lhes viriam, e finaliza com uma sentida oração, em que traduz a grandeza de Seu Espírito, preocupando-se com os que ficariam:
Pai, é chegada a hora.
Glorifica a Teu filho, para que também o Teu filho Te glorifique.
Glorifiquei-Te na Terra.
Consumei a obra que me deste a fazer.
Manifestei Teu nome aos homens. Eu rogo por eles.
Já não estou mais no mundo, mas eles estão no mundo. Eu vou para Ti.
Pai, guarda em Teu nome aqueles que me deste.
Não rogo somente por estes.
Mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim.
Pai, agora vou para Ti.
E não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal.
Depois disso, saiu com os Apóstolos para o Horto das Oliveiras, onde se manteve em oração, comungando com o Pai, até que O viessem prender.
Jesus, o exemplo.
Tantos outros, na Terra, O imitaram.
Imitemo-lO, também.

Momento Espírita, com base no artigo Adeus à vida sob o sentimento de gratidão, da revista Iátrico, nº 36, de agosto de 2017, ed. do Conselho Regional de Medicina do Estado do Paraná, e com transcrição do Evangelho de João, cap. 17, versículo 1ss.

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Re: Momentos Espíritas IV

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