Diálogo dos Vivos - Espíritos diversos/Francisco Cândido Xavier/J. Herculano Pires

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Re: Diálogo dos Vivos - Espíritos diversos/Francisco Cândido Xavier/J. Herculano Pires

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Dez 21, 2017 10:09 am

22 - Resposta de Cornélio
(Chico Xavier)
Antes do início de nossos trabalhos conversávamos sobre os obstáculos de que nos vemos constantemente rodeados na Terra, para solucionar os problemas que dizem respeito aos nossos deveres correctamente cumpridos.
Sempre a luta em nós e fora de nós para descobrir o rumo exacto, sempre algo a se mostrar por entrave ao melhor que nos cabe fazer.
Ao lado de nossas preocupações, uma carta de amigo rogando algumas palavras do nosso caro Cornélio Pires, sobre a maneira mais justa de acertar com o caminho do bem e da paz.
Essa missiva motivara a nossa permuta de ideias sobre o assunto.
Iniciada a reunião, O Evangelho Segundo o Espiritismo nos ofereceu o item 7 do capítulo IX 10 para estudo.
Depois dos comentários gerais, o nosso Cornélio realmente compareceu com a resposta ao amigo que lhe solicitara o pronunciamento.
Interessando-nos a todos a missiva-poema do nosso Cornélio, resolvemos enviá-la, na ideia de que possa ser aproveitada em nossos lançamentos.
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Re: Diálogo dos Vivos - Espíritos diversos/Francisco Cândido Xavier/J. Herculano Pires

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Dez 21, 2017 10:09 am

22 - Receita de acertar
(Cornélio Pires)
Recebi o seu bilhete,
Meu prezado Felisberto.
Você nos pede um roteiro,
A maneira de andar certo.
Difícil a indicação
De como pensar e agir.
Sabe você: cada um
Tem uma estrada a seguir.
Toda pessoa na vida
Caminha tal qual se vê;
Aquilo que me auxilia
Talvez não sirva a você.
Posso afirmar-lhe, no entanto,
Pelo “sim” ou pelo “não”:
Tranquilidade por dentro
Decorre de aceitação.
Não a inércia que enregela
O que encontra em redor,
Mas sempre a conformação
De quem procura o melhor.
Em corpo são ou doente,
Não adopte fantasia;
Trabalhe quanto puder,
Não faça hora vazia.
Se você tolera provas
Nas lutas de parentela,
Em qualquer dificuldade,
Mais vale aguentar com ela.
Pais e mães, esposo e esposa,
Afeições, almas queridas,
São provas renovadoras
Que trazemos de outras vidas.
Encargo suposto humilde?
Não se importe, nem de leve…
Seu esforço é nobre e grande
Se você faz o que deve.
Varando os mares da vida,
Amigos são nossos remos;
Se são bons ou se são falhos,
São sempre os que merecemos.
Esqueça qualquer ofensa,
Não guarde mágoa ou pesar
Trabalhe, sirva e prossiga,
Deixe o barco navegar…
Eis a receita correta
de acertar, seja onde for:
Mais amor e paciência,
Paciência e mais amor.
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Re: Diálogo dos Vivos - Espíritos diversos/Francisco Cândido Xavier/J. Herculano Pires

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Dez 21, 2017 10:09 am

22 - Problemas de parentela
(J. Herculano Pires)
Bem ao gosto do poeta de “Musa Caipira” essas quadras de sete sílabas, em tom ao mesmo tempo de conversa jocosa e conselheiral.
E quem o diz é um primo e amigo do poeta, que conviveu com ele e esteve ao seu lado pouco antes da sua passagem.
Conheci de perto o poeta caipira, com seu jeito bonachão de conversar e escrever que toda a sua obra atesta.
E não tenho a menor dúvida em identificá-lo, nesses versos de quase conversa.
Os problemas de parentela são sempre os mais difíceis da vida cotidiana, para quem tem o senso do dever e das obrigações em família.
O egoísta se desfaz deles com facilidade, mas com isso apenas adia obrigações desta existência para outras, naturalmente agravadas com os juros da indiferença comodista que representa uma infracção à lei de amor ao próximo.
Aguentar parentes-problemas não é mais do que reparar os danos que lhes
causamos no passado.
Daí a afirmação do poeta, no tocante à parentela:
“Mais vale aguentar com ela”.
Trata-se de um princípio doutrinário que nem todos aceitam.
Os que não conhecem a lei da reencarnação, tão clara em várias passagens evangélicas, rejeitam esse princípio por ignorância.
Mas há os que a conhecem e nem por isso aceitam o princípio.
É fácil alegar que parentes, amigos e conhecidos que nos oneram nesta vida com suas dificuldades são criaturas irresponsáveis.
Mas convém lembrar que nada acontece por acaso. Se essas criaturas estão hoje ligadas a nós, existe para isso algum motivo sério.
O Espiritismo nos mostra que esse motivo provém de existências anteriores.
Os que hoje pesam sobre nós estão simplesmente cobrando afeição e atenção que lhes negamos ontem.
O remédio eficiente é o que Cornélio receita, na última quadra:
mais amor e paciência/paciência e mais amor.
Por outro lado, convém lembrar que a lei evangélica de amor ao próximo supre, de maneira perfeita, a falta de conhecimento da lei de reencarnação.
Embora não aceitando a reencarnação, toda pessoa de formação evangélica deve saber que o seu dever para com as dificuldades e deficiências do próximo é mandamento divino e, ao mesmo tempo, norma de conduta humana.
Espiritualistas e materialistas enfrentam nesse campo obrigações inalienáveis, embora em posições diferentes.
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Re: Diálogo dos Vivos - Espíritos diversos/Francisco Cândido Xavier/J. Herculano Pires

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Dez 21, 2017 10:09 am

23 - Permanecer com Jesus e Kardec
(Chico Xavier)
Lembro-me de que, num dos primeiros contactos comigo, Emmanuel me preveniu de que pretendia trabalhar ao meu lado por longo tempo, mas que eu deveria, acima de tudo, procurar os ensinamentos de Jesus e as lições de Allan Kardec.
E disse mais:
que se um dia ele, Emmanuel, me aconselhasse algo que não estivesse de acordo com as palavras de Jesus e Kardec, eu deveria permanecer com Jesus e Kardec e procurar esquecê-lo.

23 - Emmanuel e Nóbrega
(Cneius Lucius)
Amparado pelo Apóstolo dos Gentios, conseguiu Publius Lentulus transitar nas avenidas escuras da carne, em existências várias, até encontrar uma posição em que pudesse servir ao Divino Mestre com o valor e o heroísmo daquela que lhe fora companheira no início da Era Cristã.
E assim temos em Manuel da Nóbrega o homem de raciocínio elevado, entregue a si mesmo em plena selva, onde tudo estava por fazer.
Noutro tempo, os livros prontos e as tribunas construídas, os direitos de família preestabelecidos e o dinheiro fácil, a sociedade constituída e o pedestal do poder para brilhar.
Aqui, porém, eram a improvisação necessária e o deserto, as inibições do corpo deficiente que lhe apagavam a voz de tribuno, a insolência do selvagem recordando as feras do circo, à frente do qual devia imolar-se, consumindo as próprias forças para dar-lhe uma vida nova.
Surgiram ainda a devassidão e o crime, a ignorância e a audácia, os perigos mil que o hábil político transformado em missionário deveria vencer, exibindo não mais a toga do poder e as armas de seus guardas pessoais, e sim o sinal da cruz, sem mais ninguém que não fosse a sua pertinácia nos compromissos assumidos.
Entretanto, superou os óbices de toda espécie, lutou, sofreu e venceu, insculpindo com os poderes da ideia cristianizada um povo diferente e um novo mundo dentro do mundo.
Nóbrega podia ter vivido isolado no seu tempo.
Contudo, desde cedo agregaram-se a ele multidões de amigos, exaustos de mando, de poder e dominação.
E a teia dos destinos vai convertendo em trabalho para a colectividade tudo o que era cristalização do eu, em luz quanto era sombra, em liberdade espiritual o que era cárcere físico.
Da rocha surge o diamante, no curso dos milénios.
Também a luz divina fluirá de nós um dia, quando a escória estiver abandonada no carvão que servirá de berço a outros diamantes no curso longo e paciente das eras.
O serviço do nosso amigo está longe de acabar.
É preciso criar espírito para o gigante – costuma ele dizer.
O gigante é a terra em que hoje nos situamos e o espírito é a luz com que devemos continuar erguendo os padrões de fraternidade mais alta e de mais avançado serviço com Jesus, no Brasil todo.
Prossigamos marchando à frente!
Anos e dias correrão.
Estejamos certos da brevidade de tudo o que se movimenta sobre a terra, para agirmos com segurança e paciência.
Para construir é preciso lutar.
E para colher é indispensável haver semeado.
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Re: Diálogo dos Vivos - Espíritos diversos/Francisco Cândido Xavier/J. Herculano Pires

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Dez 21, 2017 10:10 am

23 - A conversão do gentio
(J. Herculano Pires)
Dura foi a luta pela conversão do gentio.
Tão dura que nunca chegou à conclusão desejada.
Nóbrega, Anchieta e seus companheiros de catequese tiveram de enfrentar uma guerra sem tréguas.
Nossos índios eram os mais selvagens da América.
Sua civilização primitiva não oferecia pontos de contacto com a civilização elevada que os jesuítas traziam da Europa.
Nóbrega relata, em seu livro Diálogo da Conversão do Gentio, as dificuldades insuperáveis com que se defrontavam os padres catequistas.
Esse livro marca o início da nossa literatura, no século XVI, e anuncia de maneira simbólica o prosseguimento da catequese de Nóbrega no futuro, através do livro psicografado.
Paulo exerceu o apostolado dos gentios para o Cristianismo.
Nóbrega foi o Apóstolo dos Gentios no Brasil nascente, preparando o terreno para o seu apostolado espírita do futuro.
Paulo encarna a transição histórica do Judaísmo para o Cristianismo.
E com a sua teoria do corpo espiritual, a que chama de corpo da ressurreição, na I Epístola aos Coríntios, profetiza o advento do Espiritismo.
Nóbrega marca a transição do Cristianismo medieval para o Cristianismo Redivivo da III Revelação, sob a égide do Espírito da Verdade.
“Tudo se encadeia no Universo”, ensina O Livro dos Espíritos.
E a relação espiritual e histórica entre Paulo e Nóbrega, revelada pela mensagem de Cneius Lucius, dá-nos o exemplo vivo desse encadeamento no campo religioso.
Por isso a cidade de São Paulo, fundada por Nóbrega, tem o nome do apóstolo cristão.
As malhas da evolução espiritual, tecidas no tempo, mostram o desenvolvimento do Cristianismo em suas três fases culturais e históricas, sem solução de continuidade.
A mensagem de Cneius Lucius foi recebida por Chico Xavier, em Pedro Leopoldo, a 3 de agosto de 1949.
Transcrevemo-la hoje por sua oportunidade, nas comemorações de mais um aniversário da Fundação de São Paulo.12
Mensagem circunstancial, dada a um pequeno grupo de estudiosos, reduzimo-la aos pontos essenciais que revelam as ligações históricas.
As dificuldades insuperáveis da conversão do gentio confirmam-se em nossos dias com a eclosão das formas de sincretismo religioso afro-brasileiro, em que as crenças indígenas e africanas sobrevivem ao nosso redor.
A conversão do gentio prossegue em pleno século XX.
As crenças indígenas e africanas misturaram-se às práticas do Cristianismo.
A ignorância popular, geralmente secundada pela ignorância-ilustrada, confunde Espiritismo com Umbanda e Candomblé.
Publicam-se livros e realizam-se cursos sobre religiões mediúnicas, misturando a Revelação do Espírito da Verdade com danças selvagens, despachos e defumações.
Mas Nóbrega prossegue infatigável na catequese evangélica, agora através da psicografia, preparando o triunfo da verdade cristã em beneficio de todos.

24 - Palavras de bom-ânimo
(Chico Xavier)
Envio-lhe o soneto que nos foi dado pelo poeta Cruz e Souza, muito lembrado por nós, num grupo de amigos, na véspera da sessão em que nos visitou.
Alguns companheiros, entre eles senhoras da Guanabara, falavam sobre a possibilidade de recebermos mediunicamente uma página do poeta.
Um dos participantes da nossa conversação expressava o desejo de obter de Cruz e Souza algumas palavras de bom ânimo, em vista dos tropeços que vem atravessando na seara da fé, ante o trabalho de fraternidade que lhe foi confiado.
No dia seguinte as nossas irmãs do Rio nos convidaram para ligeiro culto de oração.
Para centralizar os pensamentos na prece, recorremos à leitura de O Evangelho Segundo o Espiritismo, que nos ofereceu o item 15 do capítulo XVIII para meditação.
Ao término do nosso ligeiro encontro espiritual, o nosso amigo Cruz e Souza veio até nós e deu-nos o soneto evidentemente dedicado em espírito ao amigo que esperava por ele.
Sentindo que esse apelo nos serve a todos, passamo-lo às suas mãos.
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Re: Diálogo dos Vivos - Espíritos diversos/Francisco Cândido Xavier/J. Herculano Pires

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Dez 21, 2017 10:10 am

24 - Ao cultivador do bem
(Cruz e Souza)
Companheiro da Terra!… Companheiro,
Não te doa servir no solo obscuro,
Resguarda o sonho luminoso e puro
Sob os clarões do júbilo primeiro…
Vara lama, canícula, aguaceiro,
Vence o caminho áspero e inseguro,
Plantando o Bem nas leiras do Futuro,
O trigo excelso do imortal celeiro!…
Sofre, mas segue além das próprias dores,
Sê bondade e perdão por onde fores,
Olvida em prece o espanto que te invade.
Serve, tropeça, ergue-te e confia,
E encontrarás as fontes da alegria
Nas colheitas de luz da Eternidade.

24 - A voz da experiência
(J. Herculano Pires)
Fala a voz da experiência neste soneto de Cruz e Souza.
Quem conhece a vida do poeta facilmente o reconhece nestas estrofes.
Negro e pobre, arredio, fugindo às glórias ilusórias da Terra, sofreu na carne as provas do exílio e morreu tuberculoso.
Seu talento fulgurante e sua poesia exponencial só foram reconhecidos depois da sua morte.
Era o poeta maior do nosso Simbolismo e não o reconheceram em vida.
Ele mesmo se retractou no soneto “Vida Obscura”, como se vê no seu primeiro quarteto:
“Ninguém sentiu o teu espasmo obscuro, Ó ser humilde entre os humildes seres.
Embriagado, tonto de prazeres, O mundo para ti foi negro e duro.”
No soneto “Assim seja”, escrito em vida, como o acima citado, Cruz e Souza já dava conselhos semelhantes aos que agora envia ao companheiro que lhe suplica palavras de bom ânimo.
Vejamos o seu último terceto:
“Morre com o teu Dever.
Na alta confiança De quem triunfou e sabe que descansa Desdenhando de toda a Recompensa!”
Setenta e seis anos após a sua morte o poeta nos envia sonetos que o identificam pelo estilo, a temática e a posição pessoal diante do mundo e da vida.
Os cépticos perguntam se ele não teria evoluído, se não devia estar compondo em ritmo moderno.
Se procedesse assim, como identificar-se?
Nesse caso os cépticos diriam: “Isso não é Cruz e Souza!”
O Espírito volta, pelo pensamento, às posições antigas, reencontra o tempo perdido e nele se reintegra para nos dar a sua ficha de identidade.
“Livre da matéria escrava”, como ele mesmo escreveu em vida no soneto “Livre”, o poeta se torna senhor do tempo que não é mais irreversível como lhe parecia na Terra.
A experiência da sua própria dor então lhe serve para socorrer os que ainda sofrem no exílio.
E ensina os que padecem a transformar o lodo em astros, como já antevira no soneto “Clamor Supremo”, que nos deixou na sua poética terrena.
O problema da poesia mediúnica não é de crença, de aceitação pacífica e ingénua.
Só podemos legitimar a mensagem poética através da crítica.
O poeta se identifica pelo que ele era quando vivo e não pelo que ele devia ser.
Toda a poética psicográfica de Chico Xavier (e toda a sua prosa) é marcada pelo selo dos autores espirituais.
Este soneto de Cruz e Souza, como se vê, não pode ser atribuído a nenhum outro poeta.
Traz o cunho do grande simbolista em todas as suas facetas.
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Re: Diálogo dos Vivos - Espíritos diversos/Francisco Cândido Xavier/J. Herculano Pires

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Dez 21, 2017 10:10 am

25 - Incêndio do edifício Joelma
(Chico Xavier)
Tão logo nos chegou pelo rádio a notícia do incêndio do Edifício Joelma, em São Paulo, reunimo-nos em prece, quatro amigos, solicitando auxílio dos Benfeitores Espirituais para as vítimas do aflitivo acidente.
O nosso Emmanuel atendeu-nos e escreveu a prece que lhe envio.
É uma oração sem título, simplesmente oração.
Tenho a certeza de que, se houvesse título, ele seria escrito com as nossas próprias lágrimas.
Até hoje, sob a forte impressão do incêndio do Edifício Andraus que acompanhamos pessoalmente em fevereiro de 1972, o triste acontecimento nos dói profundamente no coração.
Por isso, na ideia de que a prece do nosso benfeitor Emmanuel possa confortar algum coração amigo, mais directamente atingido pela dolorosa provação colectiva que a todos nos fere, enviamo-la à sua atenção.
Deus nos fortaleça e abençoe a todos.

25 - Senhor Jesus!
(Emmanuel)
Auxilia-nos, perante os companheiros impelidos à desencarnação violenta, por força das provas redentoras.
Sabemos que nós mesmos, antes do berço terrestre, suplicamos das Leis Divinas as medidas que nos atendam às exigências do refazimento espiritual.
Entretanto, Senhor, tão encharcados de lágrimas se nos revelam, por vezes, os caminhos do mundo, que nada mais conseguimos realizar, nesses instantes, senão pedir-te socorro para atravessá-los de ânimo firme.
Resguarda em tua assistência compassiva todos os nossos irmãos surpreendidos pela morte em plena floração de trabalho e de esperança e acende-lhes nos corações, aturdidos de espanto e retalhados de sofrimento, a luz divina da imortalidade oculta neles próprios, a fim de que a mente se lhes distancie do quadro de agonia ou desespero, transferindo-se para a visão da vida imperecível.
Não ignoramos que colocas o lenitivo da misericórdia sobre todos os processos da justiça, mas tocados pela dor dos corações que ficam na Terra – tantos deles tacteando a lousa ou investigando o silêncio, entre o pranto e o vazio –, aqui estamos a rogar-te alívio e protecção para cada um!…
Dá-lhes a saber, em qualquer recanto de fé ou pensamento a que se acolham, que é preciso nos levantemos de nossas próprias inquietações e perplexidades, a cada dia, para continuar e recomeçar, sustentar e valorizar as lutas de nossa evolução e aperfeiçoamento, no uso da Vida Maior que a todos nos aguarda, nos planos da União Sem Adeus.
E, enquanto o buril da provação esculpe na pedra de nossas dificuldades, conquanto as nossas lágrimas, novas formas de equilíbrio e rearmonização, embelezamento e progresso, engrandece em teu amor aqueles que entrelaçam providências no amparo aos companheiros ilhados na angústia.
Agradecemos ainda a compreensão e a bondade que nos concedes em todos os irmãos nossos que estendem os braços, cooperando na extinção das chamas da morte; que oferecem o próprio sangue aos que desfalecem de exaustão; que humedecem com o bálsamo do leite e da água pura os lábios e as gargantas ressequidas que emergem de tumulto de cinza e sombra; que socorrem os feridos e mutilados para que se restaurem; e os que pronunciam palavras de entendimento e paz, amor e esperança, extinguindo a violência no nascedouro!…
Senhor Jesus!…
Confiamos em ti e, ao entregarmo-nos em Tuas mãos, ensina-nos a reconhecer que fazes o melhor ou permites se faça constantemente o melhor em nós e por nós, hoje e sempre.
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Re: Diálogo dos Vivos - Espíritos diversos/Francisco Cândido Xavier/J. Herculano Pires

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Dez 21, 2017 10:10 am

25 - O enigma insolúvel
(J. Herculano Pires)
As provas colectivas, profundamente dolorosas, como a do incêndio do Edifício Joelma, constituem enigma insolúvel para os que crêem em Deus mas não conhecem os princípios da sua Justiça Divina.
Diante da tragédia absurda o coração vacila e muitas vezes a fé desmorona.
Como pode Deus castigar assim as criaturas humanas ou até mesmo permitir ocorrências dessa espécie?
Não há argumentos que possam acalmar a revolta dos que perderam entes queridos.
Mas a prece de Emmanuel começa por uma referência a “provas redentoras”.
E a seguir nos lembra que nós mesmos, ao reencarnar na Terra, suplicamos às leis divinas as medidas de que necessitamos.
Assim, orando a Jesus, Emmanuel nos envia também a mensagem esclarecedora sobre as razões ocultas da tragédia.
Cada criatura humana se define como personalidade pela sua consciência.
Graças à consciência, a individualização humana nos separa da individualização animal e nos confere a dignidade espiritual.
Conscientes do que somos e do que fazemos, somos naturalmente responsáveis pelos nossos actos.
Essa responsabilidade se acentua quando o espírito, livre da ilusão da matéria, se defronta com a realidade no mundo espiritual.
É então que pede para voltar à Terra numa reencarnação de provas redentoras, submetendo-se aos mesmos suplícios que infligiu a outros em vidas anteriores.
Quem conhece a História da Humanidade sabe de quantos horrores ela se constitui.
O egoísmo humano, a ganância, a sede de poder, a arrogância desmedida dos homens – não obstante a natureza passageira da vida terrena – levaram-nos a muitos desvarios por mares e terras do planeta.
Agora, numa fase decisiva da evolução terrena, muitos Espíritos anseiam por aliviar sua consciência dos crimes do passado, preparando-se assim para experiências mais altas no mundo melhor que vai nascer.
Há quem se revolte à ideia de que uma criatura querida tenha praticado crimes em vida anterior.
Mas a verdade é que somos todos, sem distinção, espíritos endividados com a nossa própria consciência.
Nada devemos a Deus, que nada nos cobra, mas tudo devemos a nós mesmos.
A natureza divina do espírito se revela nas leis de justiça da consciência.
E é por esse tribunal secreto, instalado em nós mesmos, que nos condenamos a suplícios redentores.
A tragédia passageira resulta em benefícios espirituais na vida sem limites que nos aguarda além-túmulo.

26 - O ponto central
(Chico Xavier)
Precedendo a nossa reunião pública, os comentários sobre o incêndio havido em São Paulo, no dia primeiro deste mês de fevereiro,14 foram ainda o ponto central de nossas conversações.
Éramos dezenas de companheiros, na maioria procedentes de cidades diversas.
Não tínhamos, porém, outro assunto, mesmo porque estavam entre nós alguns familiares dos que foram vítimas da ocorrência dolorosa.
Da troca de reflexões sobre o acontecido fomos às tarefas programadas.
Após a oração habitual O Livro dos Espíritos nos deu para estudar a questão 740, referente às provações colectivas.
Após a interpretação do texto os poetas Cyro Costa e Cornélio Pires se manifestaram pela psicografia, oferecendo-nos os sonetos que lhe envio.
* * *
NOTA – Publicamos neste capítulo apenas o soneto de Cyro Costa, em virtude da revelação que o conhecido e saudoso poeta paulista faz a respeito das vítimas do incêndio do Edifício Joelma.
O soneto de Cornélio Pires se encontra no capítulo seguinte.
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Re: Diálogo dos Vivos - Espíritos diversos/Francisco Cândido Xavier/J. Herculano Pires

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Dez 21, 2017 10:11 am

26 - Luz nas chamas
(Cyro Costa)
Homenagem aos companheiros desencarnados no incêndio
ocorrido na capital de São Paulo em 1° de fevereiro de 1974, em resgate dos derradeiros resquícios de culpa que ainda traziam na própria alma, remanescentes de compromissos adquiridos em guerra das Cruzadas.
_ _ _
Fogo!… Amplia-se a voz no assombro em que se espalha
Gritos, alterações… O tumulto domina.
No templo do progresso, em garbos de oficina,
O coração se agita, a vida se estraçalha.
Tanto fogo a luzir é mística fornalha
E a presença da dor reflecte a lei divina.
Onde a fé se mantém, a prece descortina
O passado remoto em longínqua batalha…
Varrem com fogo e pranto as sombras de outras eras
Combatentes da Cruz em provações austeras,
Conquanto heróis do mundo, honrando os tempos idos.
Na Terra o sofrimento, a angústia, a cinza, a escória…
Mas ouvem-se no Além os hinos de vitória
Das Milícias do Céu saudando os redimidos.

26 - Resgates a longo prazo
(J. Herculano Pires)
Para as pessoas que ainda não aceitam o princípio da reencarnação, a revelação parece absurda, simplesmente imaginária.
Mas quem conhece realmente o problema não terá dúvidas a respeito.
O poeta Cyro Costa, autor do livro Terra Prometida (José Olímpio Editora, 1938) foi um dos homens exponenciais de São Paulo nos idos de 30.
Foi ele, já desencarnado, quem encerrou o primeiro “Pinga Fogo” de Chico Xavier, no Canal 4, a 28 de julho de 1971, com o soneto intitulado “Segundo Milénio”.
Por que razão Cyro Costa teria revelado a causa longínqua da morte das vítimas do incêndio?
Certamente para consolar os familiares aflitos que não viam motivo para esse fim cruel.
Muitos desses familiares são espíritas ou aceitam os princípios doutrinários, como vemos pela presença de alguns na reunião de Chico Xavier.
Além desse motivo caridoso há o interesse de confirmar o princípio da reencarnação diante de uma ocorrência que sem ele não seria explicável.
Em termos de consolação para os que ficaram, o final do soneto é de suma importância, pois informa que as vítimas da Terra foram recebidas no Além como vitoriosas.
A convicção espírita, firmada em factos reais e nas intuições profundas da alma, recebe com alegria informações espirituais dessa natureza, quando dadas por espíritos plenamente identificados e de comprovada elevação.
Mesmo entre os espíritas, alguns poderão perguntar por que motivo dívidas tão remotas só agora foram pagas.
As Cruzadas se verificaram entre princípios do Século XI e final do Século XIII.
É que a Lógica Divina é superior à lógica humana.
Débitos pesados esmagariam o espírito endividado, sob cobrança imediata.
Convém dar tempo ao tempo para que os resgates se façam de maneira proveitosa.
Os Espíritos devem evoluir o suficiente para que suas próprias consciências os levem a aceitar o resgate e a pedi-lo, reconhecendo a medida como necessária para continuidade de sua evolução.
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Re: Diálogo dos Vivos - Espíritos diversos/Francisco Cândido Xavier/J. Herculano Pires

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Dez 21, 2017 10:11 am

Entrementes, nas encarnações sucessivas, partes do débito vão sendo pagas, aliviando o devedor.
Por isso Cyro Costa alude a “resquícios de culpa” e não à culpabilidade total.
Também por isso as vítimas foram recebidas de maneira gloriosa, pois agora comparecem na Espiritualidade como heróis da evolução, espíritos que se propuseram a passar na Terra pelo que infligiram a outros no passado.
Não foram submetidos compulsoriamente ao sacrifício, mas entregaram-se a ele de maneira espontânea, no exercício voluntário do seu livre arbítrio.
Essa a sua glória.
E o consolo para os que ficaram é evidente.
Seus entes queridos não foram vítimas ocasionais de um golpe nefando do destino ou da fatalidade.
Nada disso.
Sacrificaram-se num momento terrível mas passageiro, para assegurar-se a felicidade no mundo espiritual e reencarnações felizes no futuro.
Sem as provas positivas que o Espiritismo oferece aos que o estudam e praticam, é difícil ao homem compreender o problema.
Mas há mais de um século a revelação espírita vem beneficiando milhares de criaturas, hoje perfeitamente aptas a compreender esse processo.
Quanto às Cruzadas, convém lembrar que suas guerras foram das mais desumanas, marcadas por massacres e incêndios.
Historiadores de insuspeita autoridade, como Brentano, Langlois, Michaud, relatam cenas de canibalismo, massacres de crianças, horrores de toda espécie praticados em nome da fé cristã.
Na queda de Jerusalém, segundo Brentano, em 1099, os judeus da cidade foram reunidos na sinagoga e queimados vivos.
Correndo a notícia de que os mouros haviam engolido objectos de ouro, para escondê-los, milhares deles tiveram o ventre aberto e suas vísceras remexidas pelos cruzados, ainda quentes.
O fogo era largamente usado.
Mouros e judeus eram levados aos edifícios mais altos e obrigados a saltar para se espatifarem no solo.
Encurralavam-se prisioneiros em prédios altos, que eram incendiados para que eles morressem nas chamas.
Como vemos, crimes tão hediondos só poderiam provocar resgates a longo prazo.

27 - Os poetas e o incêndio
(Chico Xavier)
Os poetas Cyro Costa e Cornélio Pires manifestaram-se pela psicografia, como já dissemos anteriormente, oferecendo-nos visão nova do terrível acidente.
Ambos os poetas trouxeram-nos grande conforto.
Nossa troca de impressões sobre o acontecimento doloroso, antes da manifestação dos poetas, revelava o grande abalo que todos sofrêramos.
Concordamos todos em colocar os sonetos em suas mãos, na ideia de que possam consolar outros irmãos, cujos sentimentos estejam mais directamente ligados à provação que nos atingiu a todos.
* * *
NOTA – O soneto de Cyro Costa, que revela os motivos cármicos de tantas mortes no incêndio, está publicado no capítulo anterior.
Neste capítulo reproduzimos o de Cornélio Pires, o poeta de Tietê, de saudosa memória, que nos dá uma dupla visão da dolorosa ocorrência.
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Ave sem Ninho

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Re: Diálogo dos Vivos - Espíritos diversos/Francisco Cândido Xavier/J. Herculano Pires

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 22, 2017 11:11 am

27 - Incêndio em São Paulo
(Cornélio Pires)
Céu de São Paulo… O dia recomeça…
O povo bom na rua lida e passa…
Nisso, aparece um rolo de fumaça
E o fogo para cima se arremessa.
A morte inesperada age possessa,
E enquanto ruge, espanca ou despedaça,
A Terra unida ao Céu a que se enlaça
É salvação e amor, servindo à pressa…
A cidade magoada e enternecida
É socorro chorando a despedida,
Trazendo o coração triste e deserto…
Mas vejo, em prece, além do povo aflito,
Braços de amor que chegam do Infinito
E caminhos de luz no céu aberto…

27 - Almas libertas
(J. Herculano Pires)
Tudo se encadeia no Universo, explicam os Espíritos na obra básica da doutrina.
Nada acontece por acaso. Há em tudo uma sequência natural de causas e efeitos, de acção e reacção.
Cyro Costa nos deu em seu soneto as raízes da tragédia do Joelma.
Cornélio Pires nos relata as consequências.
Temos assim uma visão em três tempos da catástrofe que seria absurda, ininteligível, sem os esclarecimentos proporcionados pela comunicação mediúnica.
A ocorrência não se torna menos dolorosa, mas a consolação é levada a muitos corações desesperados.
Saber que os entes queridos não pereceram ao acaso nem desapareceram nas cinzas, mas foram socorridos por amigos espirituais e estão a caminho de recuperação nos planos superiores da vida, é aliviar o coração e desafogar a alma.
Muitos perguntarão:
E as provas de tudo isso?
E quantos, ao fazer a pergunta, já obtiveram a resposta pela intuição da realidade que trazem em si mesmos, nas profundezas misteriosas da consciência.
O soneto de Cornélio Pires é descritivo, como era de seu estilo tão conhecido de todos.
O poeta busca socorro nas reticências, nos três pontinhos que, sem mudar de aparência, mudam de significação em cada verso.
Todo o quadro da tragédia foi apanhado nesses catorze versos de um decassílabo modesto, mas preciso.
Não há uma pincelada a mais nem a menos.
E a última reticência é uma abertura para tudo aquilo que a palavra não pode traduzir.
Das terríveis guerras das Cruzadas, em nome de Cristo, as almas enclausuradas em reencarnações sucessivas vieram imolar-se no último sacrifício.
Em breves momentos de desespero e dor libertaram-se do passado para librar-se a planos superiores da vida.
Aliviaram para sempre suas consciências doloridas.
Almas libertas, podem agora prosseguir nos caminhos da evolução espiritual sem cair em novos enganos.
Possuem a experiência maior.
Amadureceram para a imortalidade.
Ontem queriam ser vir a Deus a ferro e fogo.
Hoje compreendem que só o amor nos livra das ciladas do egoísmo e da arrogância e nos prepara de maneira eficiente para os serviços de Deus.
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Re: Diálogo dos Vivos - Espíritos diversos/Francisco Cândido Xavier/J. Herculano Pires

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 22, 2017 11:11 am

28 - Os acidentes são inevitáveis?
(Chico Xavier)
Qual a posição da máquina perante o homem?
Diante dos acidentes ocorridos nos tempos últimos, comentávamos diversos assuntos que nos vinham à palavra em forma de perguntas, antes da nossa reunião pública.
O progresso, criando tantas facilidades para a vida física, será um mal?
Como definir a posição da máquina perante o homem?
Os acidentes são inevitáveis?
Um homem guiando um carro, por exemplo, caso esteja conduzindo o veículo com respeito e compreensão pelos outros, acatando com sinceridade as determinações do Trânsito, pode evitar um desastre, alterando os princípios cármicos?
Ou aqueles que conduzem carros estão fatalmente presos aos acidentes, sem nenhum meio de evitá-los?
A bondade de Deus, que dirige a vida, não conseguirá livrar os homens dessas provas?
Reunidos para as tarefas da noite, O Livro dos Espíritos nos deu para estudo a questão 793.
Após diversos comentários dos irmãos, o nosso caro Emmanuel nos trouxe a mensagem que nós, os companheiros da reunião, desejaríamos, se possível, ver publicada com as suas anotações, para complementarmos as nossas reflexões.

28 - Progresso e segurança
(Emmanuel)
Vez em vez, somos interpelados por amigos domiciliados na Terra que perguntam se será realmente válido o crescimento da Civilização.
E acentuam que as engrenagens do progresso material passam no mundo a lembrar mandíbulas de gigante triturando existências e deixando vasto sulco de lágrimas.
Considerando, porém, o progresso por lei da vida, é mais razoável ponderar quanto ao imperativo de nossa habilitação espiritual para recebê-lo.
* * *
Nenhuma forma de vida permanece estática nos domínios do Universo.
Tudo vibra e tudo se transforma com vistas ao aperfeiçoamento incessante.
A lei da evolução é irreversível.
Entretanto, é justo observar que não surgem vantagens sem preço.
O Criador determina facilidades para a vida e elevação das criaturas, mas não exime essas mesmas criaturas do dever de usufruí-las com responsabilidade para o bem próprio.
O automóvel é concessão divina, através da criatividade humana, para abreviar providências, encurtando distâncias.
Impossível, no entanto, que a dádiva não esteja controlada pelos regulamentos do trânsito, em cujo desrespeito o Espírito dos beneficiários é corrigido nos resultados da própria imprevidência.
A força eléctrica elimina numerosos problemas, relacionados com rendimento de trabalho, preservação, eficiência, saúde e bem-estar, mas não pode ser culpada pelos acidentes em que se envolve, quando não seja protegida e manejada com o respeito de quantos se lhe fazem favorecidos.
Os aparelhos domésticos economizam o esforço dos braços; entretanto, reclamam esforço mais amplo do cérebro nos domínios da atenção evitando-se calamidades dentro de casa.
Computadores ganham tempo mas exigem estudos complexos, para não perturbar as operações da inteligência prejudicando a comunidade.
* * *
O conflito entre progresso e segurança não decorre da máquina e sim do homem que a mobiliza, toda vez que se mostre sem a necessária conscientização para o trabalho.
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Re: Diálogo dos Vivos - Espíritos diversos/Francisco Cândido Xavier/J. Herculano Pires

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 22, 2017 11:11 am

* * *
Não acuses o Céu porque o Céu te beneficie na Terra.
* * *
Recebe os recursos da Civilização com o apreço que se deve à Providência Divina que os promove em auxílio à Humanidade.
* * *
Nos eventos difíceis, reverenciemos os princípios de causa e efeito que nos regem os destinos, mas não nos esqueçamos da lei de renovação, em bases de amor aos semelhantes, capaz de superá-los.
E quando o desastre porventura apareça, examina criteriosamente
o mecanismo das circunstâncias que o produziram, e muito raramente não encontrarás a imprevidência ou o desequilíbrio do próprio homem por trás dele.

28 - O preço do progresso
(J. Herculano Pires)
Todos querem progredir, mas se esquecem de que o progresso tem o seu preço.
O operário que sobe a um cargo de chefia paga essa elevação com o aumento da sua cota de responsabilidade.
O homem ignorante que adquire saber assume novos compromissos perante a colectividade.
A civilização que se desenvolve cria novas necessidades para si mesma e tem de supri-las com redobrado esforço.
A evolução humana é acompanhada do desenvolvimento técnico e exige do homem maior controle de si mesmo.
A habilitação espiritual do homem para enfrentar o progresso foi proposta por Jesus nos princípios evangélicos.
Desde o início do impulso do progresso que o Cristianismo deu ao nosso mundo, a carta de habilitação nos foi posta em mãos.
Nela aprendemos a necessidade básica de amor ao próximo, de desapego aos bens terrenos, de orar e vigiar para que as tentações não nos empolguem; de tomar consciência da fragilidade humana e da responsabilidade do espírito, como ser imortal, diante das leis de Deus.
A lei de causa e efeito age em nosso destino como exigência de nossa própria evolução.
Mas a lei do amor está em nós como providência divina que nos permitirá superar os efeitos negativos.
O amor dissolve o mal.
Quem ama repara voluntariamente as faltas do passado.
Se a lei de renovação nos impele ao pagamento de pesados compromissos, o amor é o tesouro de que dispomos para adiantar esses resgates.
Podemos pagar com amor o preço do progresso, ao invés de nos submetermos por negligência à cobrança compulsória.

29 - Revelação de poeta
(Chico Xavier)
Motivos da explosão do DC-10 em Paris
Regressávamos de ligeira viagem e reunimo-nos em oração, apenas três companheiros, após comentar o acidente aéreo ocorrido em Paris, no dia 3 deste mês.15
Os sofrimentos de perto nos fazem meditar nos sofrimentos que se verificam longe de nós.
Ainda não refeitos das atribulações pelas quais todos passamos, com o incêndio de fevereiro, em São Paulo, reunimo-nos em prece para buscar, acima de tudo, compreensão para nós mesmos, de maneira a entendermos que a dor, em qualquer parte, vem das leis de Deus em benefício de nós próprios.
Abrimos O Livro dos Espíritos antes de iniciar o nosso culto de oração e a questão 266 veio em nossa ajuda.
Pensamos no assunto e, numa confortadora surpresa, recebemos a visita do poeta Silva Ramos, que nos tomou a mão e escreveu o soneto que ele mesmo intitulou “Culpas”.
Ainda profundamente sensibilizados com o lamentável desastre, enviamos ao prezado amigo o soneto do poeta desencarnado, na ideia de que as suas anotações auxiliem-nos a desenvolver o nosso pensamento a respeito das desencarnações colectivas.
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Re: Diálogo dos Vivos - Espíritos diversos/Francisco Cândido Xavier/J. Herculano Pires

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 22, 2017 11:12 am

29 - Culpas
(Silva Ramos)
A Natureza aponta a culpa que começa:
Em cidade praiana, a legião pirata
Desembarca, saqueia, humilha, fere, mata…
Por nada se detém, por mais que se lhe peça…
Quantas vidas ao mar sob golpes à pressa!…
Incêndios e orações no horror que se desata…
Depois, vinho e prazer, os butins de ouro e prata
E as horas avançando ao tempo que não cessa…
Os séculos se vão marchando em luz e treva…
Um dia, em mar aéreo, enorme nave leva
Os piratas de outrora e a Justiça Divina…
Surge a morte no ar… A aflição se renova…
Preces, gemidos e ais de corações em prova…
E a Natureza apaga a culpa que termina.

29 - A escolha do Espírito
(J. Herculano Pires)
A revelação do poeta Silva Ramos pode parecer absurda e até mesmo ofensiva para muitas pessoas.
Pereceram na explosão do avião turco, sobre Paris, 345 pessoas.
Três brasileiros estavam nesse número espantoso de vítimas.
Como considerar todas elas criminosas, envolvidas em actos de pirataria?
Convém lembrar que se trata de culpas remotas, de vidas anteriores.
Quem pode, na Terra, examinando suas próprias tendências atuais, considerar que há cinco séculos tenha sido uma criatura virtuosa, incapaz de acções criminosas?
O Espiritismo ensina que os Espíritos escolhem e pedem as provas por que vêm passar na Terra.
Outra dúvida se levanta, mas já a vemos registada na questão 266 de O Livro dos Espíritos.
Kardec perguntou:
“Não parece natural que os Espíritos escolham as provas menos penosas?”
E os Espíritos Superiores responderam:
“Para vós, sim, para o Espírito, não.”
Nossas provas decorrem de nossa consciência.
As leis de Deus, inscritas na consciência, levam o culpado a pedir o seu próprio castigo.
Note-se a perfeição absoluta dessa justiça que não vem de fora, mas se processa de dentro para fora.
O culpado é o seu próprio juiz, o mais severo dos juízes.
Por isso mesmo as provas mais graves não são imediatas.
O Espírito do culpado precisa amadurecer moralmente para sentir o aguilhão da consciência e obedecê-lo.
As provas colectivas reúnem criaturas que nos parecem incapazes de haver cometido atrocidades.
Elas tiveram de atingir esse grau actual de evolução para terem a coragem heróica de submeter-se às expiações necessárias.
Nessa perspectiva, como vemos, tudo se torna compreensível.
As vítimas de hoje são almas purificadas que se redimem por vontade própria.
Não são mais criminosas, são heroínas da evolução.
Silva Ramos usa o soneto para mostrar, numa síntese poética, o que podemos chamar de mecânica da prova.
As acções do passado dão começo à culpa; os séculos de luz e treva desenvolvem os Espíritos nas experiências dolorosas; e, por fim, a culpa se apaga na prova colectiva em que todos se reúnem.
As lentas depurações individuais se conjugam, no final, para o resgate colectivo em que a culpa é liquidada.
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Re: Diálogo dos Vivos - Espíritos diversos/Francisco Cândido Xavier/J. Herculano Pires

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 22, 2017 11:12 am

30 - Assistência à criança
(Chico Xavier)
Fracasso da educação sem Deus
O Centro Espírita Eurípedes Barsanulfo, situado na Vila de Peirópolis, à distância de vinte quilómetros de Uberaba, dedicava sua reunião aos serviços de assistência à criança.
Lá estávamos em reduzida caravana de amigos.
O tema da noite era Educação.
E o texto de O Evangelho Segundo o Espiritismo que saiu para o nosso estudo foi o item 2 do capítulo XXV. Diversos comentários se fizeram ouvir.
Ao término da reunião a mensagem recebida foi o soneto “Lição da vida”, da poetisa desencarnada Narcisa Amália.
Nós, os companheiros presentes à reunião, concordamos em enviar-lhe a mensagem, na expectativa de vê-la publicada, para nossos estudos, com os seus comentários doutrinários.

30 - Lição da vida
(Narcisa Amália)
Veio o mestre à prisão para encargos de ensino,
Guiava jovem turma às lições do Direito;
Junto dele estacou, de chofre, um carro estreito
A transportar um morto – um malfeitor menino.
Fala à equipe curiosa um guarda em desatino:
– “Matei-o!… Era ladrão e matador perfeito!…”
O corpo envolto em pano é visto com respeito…
Solene, o mestre exclama: “Infeliz assassino!…”
E prosseguiu: “Já sei… O morto não me ilude
Para ser um bandido assim na juventude,
Certo, nasceu da lama agarrado ao gatilho…”
Depois, descobre o corpo… Em todos, vibra o espanto.
O professor tombara a desfazer-se em pranto.
E gritava: “Oh! meu Deus! Ah! meu filho… Meu filho!…”

30 - O engano do mestre
(J. Herculano Pires)
A educação puramente formal perde a sua essência que é o amor.
O mestre se habitua aos objectivos imediatos do ensino, esquecendo-se da formação moral e espiritual, dos fins verdadeiros do processo educativo.
O quadro que o soneto de Narcisa Amália nos apresenta não é imaginário, não tem apenas a finalidade de chocar-nos pelo seu aspecto trágico.
Seu verdadeiro objectivo é mostrar-nos a falência da educação formal, convertida em máquina de ensino, incapaz de atingir a alma do educando.
O mestre sem amor revela a sua frieza ao dizer, diante do cadáver de uma criança assassinada:
“ O morto não me ilude”.
Na verdade, o morto não o iludia, mas ele se enganava.
Não havia sido a lama dos bairros miseráveis nem o apego precoce ao gatilho que transformara aquela criança em criminosa.
A causa deformadora estava no coração do pai, do mestre que não aprendera a amar, que não conseguira entender a verdadeira natureza da educação.
Não era um mestre, mas um profissional do ensino.
A vida, a grande educadora, que não se formaliza nem profissionaliza, surpreende-nos às vezes com lições terríveis.
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Re: Diálogo dos Vivos - Espíritos diversos/Francisco Cândido Xavier/J. Herculano Pires

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 22, 2017 11:12 am

Factos como esse, episódios em que o fracasso do mestre o leva a desilusões arrasadoras, ocorrem com mais frequência do que se supõe.
Apenas as ocorrências mais trágicas aparecem no noticiário da imprensa.
Outras, de natureza mais íntima, são abafadas com lágrimas no próprio lar.
Pestalozzi, mestre de Kardec, foi um apóstolo da Educação.
Kardec aprendeu com ele que educar é amar.
Por isso, Kardec insiste no valor e na importância da Educação como única maneira eficiente de modificarmos o mundo, melhorando o homem.
A Educação sem Deus dos nossos dias, produzida pelos abusos do sectarismo religioso, terá de ser substituída pela Educação Espírita, onde a fé não é imposta de maneira arbitrária, mas se desenvolve no educando à luz da razão e ante a comprovação dos factos.
Estamos vendo no mundo o resultado de uma educação errada e deformada.
O soneto de Narcisa Amália é um choque emocional para nos despertar, a nós, espíritas, da negligência nesse terreno.
Temos fundado escolas, é verdade, mas nos esquecemos do principal que é dar a essas escolas um sistema seguro de Educação Espírita, elaborado com amor pelos educadores espíritas.
Para isso já existe entre nós a revista especializada do Grupo Espírita de Estudos Pedagógicos.
Mas, quantos espíritas já se interessaram por ela?
Quantos professores espíritas leram os exemplares já publicados?
Até quando continuaremos indiferentes ao problema maior que nos desafia nesta hora do mundo?
Que cada qual responda para si mesmo.

31 - Aguilhões invisíveis
(Chico Xavier)
Remédio eficiente para a obsessão
Envio-lhe uma página do nosso Cornélio.
Antecedendo a nossa reunião, o entendimento fraterno desdobrava-se em torno do problema de supressão das influências destruidoras.
Obsessões em forma de doenças e vibrações agressivas em forma de aguilhões invisíveis, foram os temas que nos animaram a conversação.
Chamados pelo horário às tarefas espirituais, demos início à reunião.
O Evangelho Segundo o Espiritismo nos deu para estudo o item 7 do capítulo XXV.
Após os comentários dos amigos a respeito, no término de nossas actividades, o nosso amigo Cornélio Pires nos ofertou o soneto “Consulente Difícil”.

31 - Consulente difícil
(Cornélio Pires)
Veio à sessão Nhô João do Rio Raso
Curar a obsessão que o perseguia.
Rogou cansado a irmão José Maria:
– Socorro, irmão, na luta em que me arraso!
O guia disse: “João, qualquer atraso,
Doença, provação, melancolia,
São curados na prece dia a dia.
Mas ouça, ninguém vive por acaso.”
E prosseguiu: “Embora a fé nos guarde,
Trabalhe e sirva, antes que seja tarde.
Mais trabalho no bem, mais alegria!”
Mas Nhô João replicou, rude e vermelho:
– Não vim pedir serviço nem conselho,
Larva do Astral, você nunca foi guia!”
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Re: Diálogo dos Vivos - Espíritos diversos/Francisco Cândido Xavier/J. Herculano Pires

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 22, 2017 11:12 am

31 - Remédio fácil
(J. Herculano Pires)
A obsessão é um mal de cura difícil, mas de remédio fácil.
Se os doentes aceitassem o remédio, a cura se processaria com maior rapidez.
Em geral os casos de obsessão demandam longo e paciente tratamento, porque os doentes não tomam o remédio.
Isso não quer dizer que se o tomassem ficariam curados em quinze minutos.
As curas instantâneas de obsessões são ilusórias.
Só Jesus as fazia, quando verificava que as consequências do passado estavam esgotadas.
Então dizia ao doente curado:
“Perdoados foram os teus pecados”, o que escandalizava os judeus, conhecedores das dificuldades do exorcismo que seus rabinos praticavam.
A obsessão tem suas raízes nas vidas anteriores.
E essas raízes mergulham fundo no chão do sentimento, da afectividade.
Afectos e desafectos de ontem determinam as obsessões de hoje.
Criaturas que prejudicamos em vidas passadas vêm agora cobrar o que lhes fizemos.
Se estão doentes até hoje, aproximam-se de nós e por meio da indução nos transmitem os seus males.
Sofremos então o que fizemos os outros sofrerem.
Não há, pois, nenhum fenómeno novo de indução a ser descoberto no Espiritismo.
A indução é o processo pelo qual se realiza a obsessão.
Muitas vezes o obsessor consegue aproximar do obsedado um doente aparentemente estranho, para que a indução de um novo mal se processe pela aproximação.
O remédio é fácil.
Apoiados em nossa fé, temos de usar a prece dia a dia e empenhar-nos no trabalho do bem.
Esse trabalho nos proporciona alegria, porque nos liberta do passado egoísta, nos tira da consciência o peso opressor que facilitava a nossa sintonia com os obsessores.
Como vemos, o soneto de Cornélio Pires é um primor de síntese.
Em apenas catorze versos o poeta caipira nos transmite uma verdadeira aula sobre obsessão.

32 - Ante os desajustes actuais
(Chico Xavier)
Como ajudar aos que não compreendem
Vários grupos de amigos e simpatizantes da Doutrina Espírita nos honravam com sua presença e participação em nossa reunião habitual.
Antecedendo as tarefas programadas, o assunto central das conversações era a necessidade de encontrarmos recursos que nos ajudem, na actualidade, a aliviar ou socorrer os companheiros de humanidade que nos procuram, tantos deles em desarmonia e sofrimento espiritual.
Falávamos sobre os problemas da obsessão, do desencanto, da descrença e do desequilíbrio, quando a reunião foi iniciada.
O Evangelho Segundo o Espiritismo nos ofereceu a exame o item 14 do capítulo V, referente à loucura e ao suicídio. Diversos comentaristas falaram sobre o tema.
E o nosso Emmanuel nos deu a mensagem “Presidiários da Alma”, que tomamos a liberdade de enviar-lhe, no desejo de vê-la publicada com as suas elucidações doutrinárias.
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Re: Diálogo dos Vivos - Espíritos diversos/Francisco Cândido Xavier/J. Herculano Pires

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 22, 2017 11:13 am

32 - Presidiários da alma
(Emmanuel)
Quando os companheiros em aflição se aproximem de ti, compadece-te deles, antes de ouvi-los.
Acolhe-os na condição de presidiários da alma, a suportarem conflitos íntimos que talvez desconheças.
Prisioneiros do sofrimento: será essa designação provavelmente
a mais adequada para definir a condição dos que buscam socorro, situados nas últimas raias da resistência ao desespero!
* * *
Este enlaçou-se aos problemas da culpa quando se supunha conquistando a felicidade e ignora como reaver a tranquilidade perdida; aquele recusou a provação em que se redimiria e algemou-se a compromissos difíceis de resgatar; outro desperdiçou força e tempo, caindo nas malhas do desgaste orgânico que lhe exige cuidado e conformação; aquele outro tem o espírito encadeado ao frio de um túmulo em que se lhe guardam as derradeiras lembranças de um ente amado!…
Encontrarás os desencorajados e os tristes, os encarcerados em desânimo e azedume e ainda aqueles outros que a rebeldia trancafiou em celas de angústia, a te pedirem amparo e libertação!…
A nenhum desconsideres nem firas com advertências inoportunas.
Recordemos que ninguém se arroja em vulcões de pranto simplesmente porque o deseje.
Os que te cercam, implorando socorro, habitualmente já lutaram o bastante para se conscientizarem quanto à própria situação.
Constrói a ponte da misericórdia entre a fé que te ilumina e a dor dos irmãos que te apresentam o coração ferido e dá-lhes o braço salvador a fim de que se transfiram da treva para a luz.
Quantos se tresmalharam nas estradas do mundo, tantas vezes ludibriados por eles mesmos, não precisam tanto da interferência baseada em nossos recursos de austeridade e conhecimento.
Eles todos esperam de nós, acima de tudo, um gesto de simpatia e uma bênção de amor.

32 - A rebelião dos pedintes
(J. Herculano Pires)
Assistimos hoje, no mundo, à rebelião dos pedintes. Milhões de criaturas que pediram reencarnações de provação, vindo à Terra para descarregar suas consciências atormentadas, rebelam-se contra as condições que elas mesmas solicitaram.
Ao mergulhar no plano da matéria densa, em seus escafandros carnais, esses Espíritos sofredores reencontram o clima de suas antigas paixões, de seus anseios frustrados, de suas ilusões desfeitas e desejam repetir as tentativas do passado. Mas a verdade é que agora estão atrelados ao carro das provas, com a finalidade de se libertarem dos anseios egoístas, preparando-se para a civilização do altruísmo que já começa a alvorecer no planeta.
Estamos numa hora de transição.
Temos de deixar os nossos erros no passado e avançar corajosamente para o futuro.
Não é fácil alijar na estrada o fardo das velhas pretensões.
Por outro lado, a vida de hoje oferece facilidades novas, perspectivas que no passado eram impossíveis e que agora fazem renascer as tentações antigas com maior violência.
São os juros da dívida antiga, exigindo maior esforço dos devedores que, embriagados com a volta à condição corporal, esquecem-se dos compromissos espirituais assumidos para essa experiência.
Falta-lhes a capacidade de compreender de pronto a nova situação.
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Re: Diálogo dos Vivos - Espíritos diversos/Francisco Cândido Xavier/J. Herculano Pires

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 22, 2017 11:13 am

Não obstante, todos eles trazem no íntimo as advertências do plano superior, prontas a brotar do inconsciente quando ajudados pelos companheiros terrenos que possuem a mente iluminada pelos princípios renovadores do Espiritismo.
É por isso que procuram intuitivamente o socorro espírita.
Mas, se ao invés de compreensão encontrarem em nosso meio a rejeição e a reprimenda, sentirão aumentar a revolta e o desespero que os afligem.
Daí a recomendação de Emmanuel no sentido de os recebermos com atenção e carinho, compadecendo-nos deles, antes mesmo de ouvi-los.
Temos de ter compreensão para ajudar os que não compreendem.
Se formos capazes de amá-los, ao invés de censurá-los, poderemos dar-lhes a ajuda que nos pedem.
E o Alto secundará os nossos esforços de fraternidade.
Suportemos a galhofa, a ironia, a zombaria com que nos desafiam.
Toleremos as suas impertinências, como outros já nos toleraram.
Encaremos todos eles como irmãos que nos pedem amor, atenção e carinho, pois só assim os ajudaremos, ajudando-nos a nós mesmos.
É claro que não devemos acolhê-los para incentivar-lhes o apego às velhas paixões.
Todos necessitamos – sem excepção – na vida terrena de apoio afectivo e corrigenda.
A acção dupla do freio e da espora, como ensina Lázaro, é que nos leva a saltar os obstáculos da prova.
A rebelião dos pedintes exige dos pais, dos educadores, dos orientadores religiosos – e sobretudo dos espíritas – uma atitude de permanente disponibilidade afectiva, de coração aberto e ao mesmo tempo de mente vigilante.
Não podemos, por amor sem controle, auxiliá-los na rebelião.
Essa atitude não é fácil de ser mantida, pois os pedintes rebeldes nos acusarão de crueldade e atraso, sempre que nos opusermos aos seus abusos.
E terão ao seu lado familiares que os apoiam.
Mas se tivermos amor em nossos corações, venceremos, pois nosso amor despertará na consciência rebelada a lembrança dos compromissos assumidos no mundo espiritual.
– Fim –

Notas:
1 117º aniversário de O Livro dos Espíritos. – (Nota da editora.)
2 Sugerimos, a propósito, a consulta dos livros anteriores desta série:
Chico Xavier Pede Licença, Na Era do Espírito, Astronautas do Além. (N.E.)
3 Nota da editora – Eis a questão 296 de O Livro dos Espíritos:
Pergunta – As afeições individuais dos espíritos são susceptíveis de alterações?
Resposta – Não, porque eles não podem enganar-se, pois não mais usam a máscara sob a qual se ocultam os hipócritas.
É por isso que suas afeições são inalteráveis quando se trata de espíritos puros.
O amor que nos une é para eles a fonte de uma suprema felicidade.
4 Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti foi eminente médico cearense que residiu longos anos no Rio de Janeiro, tendo-se destacado na vida política e intelectual da Corte, onde exerceu elevadas funções públicas.
Convertendo-se ao Espiritismo, tornou-se verdadeiro apóstolo da Doutrina.
Dedicou-se à assistência social, de tal maneira, que passaram a chamá-lo de Médico dos Pobres.
Por suas actividades na divulgação e prática da Doutrina, foi cognominado de Kardec Brasileiro.
Tendo nascido a 29 de agosto de 1831, as instituições espíritas de todo o país costumam prestar-lhe homenagens no correr do referido mês.
Na sua bibliografia figura um volume de relevante importância médica, intitulado A loucura Sob Novo Prisma. (N.E.)
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Ave sem Ninho

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Re: Diálogo dos Vivos - Espíritos diversos/Francisco Cândido Xavier/J. Herculano Pires

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 22, 2017 11:13 am

5 A questão 643 se refere à prática do bem na vida diária.
Os espíritos afirmam que podemos fazê-lo a todos os instantes e acrescentam:
“Fazer o bem não é apenas ser caridoso, mas ser útil na medida do possível, sempre que o auxílio se faça necessário.”
6 A questão 768 de O Livro dos Espíritos trata da necessidade da vida social para o desenvolvimento das faculdades do homem.
Kardec observa:
“Nenhum homem dispõe de faculdades completas e é pela união social que eles se completam uns aos outros.” (Nota da editora.)
7 A questão 738 acima referida trata do problema da guerra, dos flagelos destruidores e da situação do homem diante desses acontecimentos.
Os espíritos lembram a natureza espiritual do homem, que é imortal, e por isso mesmo não é afectada por essas destruições materiais. (N.E.)
8 Na questão 904 de O Livro dos Espíritos Kardec faz várias perguntas sobre a responsabilidade dos que escrevem para o público.
Os espíritos respondem comentando a responsabilidade dos autores quando se desviam do dever de esclarecer e orientar, entregando-se a intenções exclusivamente pessoais que em nada beneficiam os leitores.
9 O item citado trata da evolução dos mundos e refere-se especialmente à Terra, concluindo pela afirmação de que o nosso planeta se encontra “num dos seus períodos de transição, em que passa de mundo expiatório a mundo de regeneração”. As crises que o abalam são apenas sintomas desse lento processo de sua transformação. (N.E.)
10 O item citado do livro doutrinário trata precisamente dos problemas em causa.
Os Espíritos aconselham paciência e resignação na luta contra as adversidades.
Um Espírito escreveu:
“A vida é difícil, bem o sei.
Constitui-se de mil pequenas alfinetadas que acabam por nos ferir”. (N.E.)
11 Emmanuel viveu em Roma, no tempo de Jesus, tendo sido o senador Publius Lentulus.
Teve posteriormente várias encarnações.
Numa delas foi o Padre Manuel da Nóbrega e, juntamente com Anchieta, fundou a cidade de São Paulo.
A essa encarnação refere-se a mensagem de Cneius Lucius que publicamos.
12 O autor refere-se ao 420° aniversário da Capital Paulista, a 25 de janeiro de 1974. (N.E.)
13 Recebida em reunião íntima realizada no dia 1° de fevereiro de 1974, data em que ocorreu o incêndio no Edifício Joelma. (N.E.)
14 1º de fevereiro de 1974. (N.E.)
15 3 de março de 1974. (N.E.)

§.§.§- Ave sem Ninho
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Re: Diálogo dos Vivos - Espíritos diversos/Francisco Cândido Xavier/J. Herculano Pires

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