NADA É PARA SEMPRE - Hermes / Maurício de Castro

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Re: NADA É PARA SEMPRE - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Dez 25, 2017 7:59 pm

Ele estava tímido, mas a voz doce daquela mulher lhe inspirou confiança.
Além do mais, o ambiente em penumbra facilitava à timidez inicial se transformar em coragem, afinal, ele já não aguentava mais lidar com a impotência.
— Eu... Estou com problemas de saúde.
Procurei um médico, fiz exames, tomei remédios, mas nada adiantou.
Minha filha acha que pode ser problema espiritual, até meu próprio médico, que é trabalhador desta casa, afirmou que posso estar sendo assediado por espíritos perturbadores.
Por não aguentar mais a situação, venho pedir ajuda.
— Em primeiro lugar, gostaria que soubesse que todas as nossas doenças vêm de atitudes negativas que estamos tendo para connosco.
A depender do tipo de doença que atraímos, acabamos por descobrir sua causa.
O que se passa com você?
Ele hesitou um pouco, depois, tomando coragem, revelou:
— Estou impotente há várias semanas.
Você deve saber como é difícil para um homem falar sobre esse problema, mas a situação tem piorado.
Como os espíritos podem ajudar?
A atendente demorou um pouco e respondeu:
— Você já procurou a medicina terrena e não conseguiu se curar.
Os amigos espirituais estão dizendo que o problema está na parte energética.
Você atraiu esse problema porque precisava desenvolver sua consciência.
— Há espíritos envolvidos no assunto?
— Sim, mas não precisa se assustar com isso.
A interferência dos espíritos em nossa vida é mais constante do que se pode imaginar, e todas as pessoas são envolvidas por eles, mesmo que não percebam.
A impotência sexual aparece quando o homem começa a se sentir fracassado na vida ou quando se sente inferior a sua parceira.
Também pode acontecer quando ele gosta de manipular e dominar as pessoas à sua volta, então a vida manda esse problema para que ele acorde e se torne melhor.
Mas seu caso não é esse; sua impotência tem origem espiritual.
Tudo indica que espíritos ainda presos aos interesses que deixaram na Terra estão tentando baixar seu padrão energético, levando-o à depressão e ao complexo de inferioridade, por objectivos que estamos longe de saber.
Humberto estava um pouco assustado; aquilo era muito novo para ele.
Ainda assim, arriscou uma pergunta:
— Por que eles conseguiram me atingir?
— Uma obsessão pode acontecer por diversos motivos, mas em todos os casos foi o obsediado quem abriu suas energias para essa invasão.
No seu caso, foi para que despertasse para a vida espiritual.
Você precisa deixar o materialismo que o vem infelicitando há muitas vidas.
Ela falava com voz levemente modificada.
— Pelas ilusões da matéria você sofreu e fez sofrer, mas chegou o momento da mudança e do amadurecimento.
De agora por diante, se quer ficar bem e curar-se do mal que o aflige, deverá cultivar a espiritualidade, estudar as leis das energias e aprender a se defender.
Todas as pessoas terão de passar por esse momento.
Ele estava confuso.
— Mas eu não acredito muito nessas coisas.
Depois, não quero ser médium nem servir aos espíritos.
O que mais desejo é ter minha vida de volta.
— Não estou dizendo que você precise trabalhar com os espíritos, mas só conseguirá curar-se se inverter os valores em sua vida, colocar os espirituais acima dos materiais, fazer uma reformulação no mundo interior.
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Re: NADA É PARA SEMPRE - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Dez 25, 2017 7:59 pm

Sua hora chegou Humberto.
Pense nisso com carinho.
A consulta parecia ter terminado e Humberto estava insatisfeito.
— Quer dizer que só vim aqui para conversar?
Não vou fazer nenhum tratamento?
— Vai sim.
Vou colocar seu nome no caderno para os trabalhos de desobsessão e agora você vai para a câmara de passes, mas deverá voltar nesses dias para o tratamento.
Ela lhe deu um papel, que ele guardou no bolso.
Depois sorriu e falou:
— Fique com Deus, Humberto!
Ele ficou encantado com aquele sorriso e com a delicadeza daquela mulher; algo nela mexera profundamente com ele desde que entrara na sala.
— Posso saber seu nome?
— Chamo-me Sílvia.
Foi um prazer conhecê-lo.
Humberto se despediu, foi para a sala de passes e depois saiu.
Mesmo não sendo como ele esperava, uma esperança nova brotou em seu coração.
Contudo o que mais o intrigava eram a voz e o sorriso de Sílvia, que não lhe saíam do pensamento.
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Re: NADA É PARA SEMPRE - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Dez 25, 2017 7:59 pm

17 - INTRIGA
Alguns meses se passaram e Humberto continuou seu tratamento. Todavia os resultados não apareciam e ele começou a ficar triste e depressivo.
Vendo a alegria de sua filha preparando o enxoval para o casamento e a harmonia que aparentemente reinava em seu lar, ele nada dizia a ninguém e sofria calado.
Isabela fingia compreender e não se importar com a falta de relações entre eles, dizendo amá-lo mesmo que nada acontecesse entre os dois.
Ele se enternecia pelos sentimentos dela e prosseguia esperançoso, mas nada o fazia melhorar.
Por outro lado, Isabela continuava com os encontros com Fernando, agora com mais intensidade.
Fingia aceitar o casamento, mas o fizera prometer continuar sendo seu amante mesmo depois de casado.
Era um final de tarde e Marília estava ansiosa para que o filho chegasse do trabalho.
Precisava ter uma conversa séria com ele.
Desde que pedira a mão de Patrícia em casamento e as famílias tinham estreitado suas relações, Marília conhecera Humberto e Isabela num jantar e sentira que aquela mulher era perigosa e poderia colocar seus planos a perder.
Impaciente, ela esperou.
Quando finalmente Fernando chegou, ela mal o deixou afrouxar a gravata e foi logo dizendo:
— Precisamos conversar seriamente.
Sou sua mãe e sinto que sua vida pode desmoronar a qualquer momento, caso não termine seu relacionamento com aquela mulher vulgar.
Ele não esperava ouvir isso da mãe e sentou-se ao seu lado.
Costumava ouvir e seguir tudo que Marília lhe dizia.
Se ela o estava alertando, certamente sabia algo importante.
— Por que a senhora diz isso?
Afinal, foi a primeira que me incentivou a manter esse relacionamento.
Sabe de algo que não sei?
— Eu não a conhecia, mas depois que a vi percebi que essa mulher vai lhe causar muitos aborrecimentos.
Ela tem génio e é voluntariosa, pode até separá-lo da Patrícia.
— Também sinto isso, mas não tenho coragem de romper a relação que temos.
Apesar de tudo, gosto do prazer que ela me proporciona, além das facilidades financeiras.
Marília o olhou seriamente.
— Se quer ter um belo futuro, status e estabilidade ao lado de sua mulher, deverá romper com Isabela o quanto antes.
Tenho pressentimentos de que algo de ruim vai acontecer.
Prometa a mim neste momento que ainda hoje porá fim a essa relação.
Marília falava severamente, e Fernando se impressionou.
— Prometo fazer o que me pede, mas sei que não será fácil.
Isabela fará de tudo para me prender a ela.
— Resista, negue, mas se afaste dessa mulher.
— Temo que ela possa revelar nossa relação.
Não posso mais viver sem Patrícia.
— Ela não vai ter essa coragem.
Poderá ser vista como adúltera e perder seus direitos no rico casamento que fez.
E melhor fazer o que estou dizendo, e rápido.
Fernando estava realmente impressionado.
Deitou no sofá e colocou a cabeça no colo da mãe, que acariciava seus cabelos lisos.
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Re: NADA É PARA SEMPRE - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Dez 25, 2017 7:59 pm

Estava decidido:
entre ele e Isabela nada mais poderia acontecer.
Após tomar um banho e jantar, ligou para ela e marcou um encontro para a próxima tarde.
Era sábado e ele estaria de folga.
Isabela estranhou; geralmente quem marcava os encontros era ela.
Conversou com Morgana, que a fez acreditar que ele estava cada vez mais apaixonado, por isso estava marcando para se encontrarem.
Isabela esperou o outro dia chegar com ansiedade.
Na hora marcada, estava lá.
Quando Fernando entrou, ela, como sempre, correu para abraçá-lo e beijá-lo nos lábios, mas desta vez ele não correspondeu.
— O que está havendo com você, meu amor?
— Isabela, precisamos conversar.
Tenho repensado minha vida, estou noivo, vou casar daqui a um mês...
Ele parou, hesitando.
Não sentia coragem para dizer o que queria.
Isabela, percebendo o que ele iria dizer, o encorajou:
— Vamos, diga, quero que vá até o fim.
— Não sei como lhe dizer isso.
Você é uma pessoa muito especial para mim, me auxiliou muito, nossa relação é boa, mas não devemos continuar com ela.
A partir de agora, não teremos mais nada. Acabou.
Isabela ouvia sem querer acreditar.
Seu coração batia descompassado; o ar parecia faltar-lhe aos pulmões.
Mesmo assim, reuniu forças para continuar.
— Quando tomou essa decisão? Há menos de três dias estávamos juntos e tudo parecia bem.
Você jurou que ficaria comigo mesmo depois de casado.
Chegamos a fazer planos.
Como pode dizer isso agora? — Ela estava desesperada.
Realmente amava Fernando, e não queria a separação.
Porém ele, instruído pela mãe, deu o golpe final:
— Descobri que amo Patrícia e é com ela que quero ficar. Desejo ser fiel amá-la como ela merece.
Não amo você; desde o princípio nossa relação não passou de uma aventura.
Cada palavra dita por ele parecia atingir o coração de Isabela como um punhal.
Ela começou a sentir um ódio surdo e deu uma bofetada no rosto dele.
Fernando, envolvido pela raiva, começou a esbofeteá-la.
Ela foi revidando e ele, dominado por uma força estranha, começou a chutá-la e acabou jogando-a no chão.
Ele tinha força duplicada e logo ela estava toda sangrando.
Ainda com muito ódio, ele disse:
— Espero que isso sirva para aprender a me respeitar.
Não gosto de mulheres vadias como você.
Fechou a porta e saiu.
Isabela estava louca de raiva, decepção e angústia.
Seu sonho de amor havia chegado ao fim.
Mas isso não ficaria assim.
Ela encontraria uma maneira de se vingar e acabar com aquele casamento.
Seu corpo doía e os cortes estavam sangrando.
O que iria dizer quando chegasse em casa?
Havia saído sem Amaral, o que não costumava fazer.
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Re: NADA É PARA SEMPRE - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Dez 25, 2017 8:00 pm

Tentou se levantar e foi com dificuldade que conseguiu.
Ao descer, tomou um táxi e foi para casa.
Todos se espantaram com o estado de Isabela.
Ela, muito hábil, contou que tinha sido assaltada e tentara reagir, por isso fora violentada.
Morgana, muito desconfiada, conseguiu a verdade da amiga, que chorava muito e, com feições animalescas, planeava vingança.
Humberto estava em Brasília e só estaria em casa no outro fim de semana, o que em muito aliviou Isabela.
Não queria que o marido a visse com aqueles ferimentos e aquelas manchas roxas.
Já bastavam as perguntas de Patrícia, de Eudásia e dos empregados.
Morgana aproveitou que estava de folga e foi visitar madame Aurélia.
Ao entrar naquela casa, sentiu saudades do tempo em que morava lá.
Aurélia e Luana chamaram-na para o quarto onde trocavam confidencias.
Morgana começou a relatar os últimos factos.
— Foi isso mesmo que aconteceu. Fernando terminou tudo com ela e ainda a espancou.
Nosso plano de denunciá-la a Humberto não vai dar certo e, além de tudo, ela quer meu auxílio para separar o casal.
A cafetina pensou um pouco, então respondeu:
— Esse plano não está perdido e podemos ainda fazer com que Humberto saiba a verdade.
Você será a encarregada.
— Como poderei fazer algo, se eles não estão mais unidos?
— Você colocará na mente de Isabela a ideia de que ainda pode se reconciliar com Fernando.
Eles precisam se encontrar, mesmo que seja apenas uma vez, para conversar, e daí você contará a Humberto toda a verdade e indicará o local onde se encontram. Fará mais:
descobrirá o dia que vão se encontrar fará uma cópia da chave do apartamento e dará a Humberto.
Ele ouvirá tudo e a expulsará de casa.
Seja amiga dele, insista em que ele precisa fazer um flagrante de adultério; só assim ela perderá o que adquiriu com o casamento e terminará mais pobre do que nunca.
Luana anuiu:
— Isso mesmo.
Ela jamais desconfiará de você.
As pessoas confiam muito mais nos falsos amigos do que nos amigos verdadeiros, sempre foi assim.
Faça isso e aposto que Humberto ainda a recompensará financeiramente.
Morgana era falsa, mas no íntimo não gostava do que estava fazendo.
Ela não via motivo para tanto ódio por parte de Aurélia e não podia compreender como uma pessoa como Luana praticava o mal somente por inveja.
No fundo, não via a hora de tudo isso acabar para que pudesse voltar ao interior e viver ao lado dos pais.
Morgana ficou pensativa.
Aurélia percebeu.
— Não adianta tentar fugir de nossos planos.
Você quis ser tão vingativa quanto nós duas e agora não poderá voltar atrás.
Já cometeu um crime, matou uma criança e, se não cumprir o que prometeu quem terminará morta é você.
Sentindo-se ameaçada, ela tentou contemporizar:
— Não estou querendo fugir
Apenas pensava no motivo tão pequeno que transformou a mim e a senhora em assassinas cruéis.
— E que você é muito ingénua e não sabe do que o ser humano é capaz.
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Re: NADA É PARA SEMPRE - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Dez 25, 2017 8:00 pm

Todos nós carregamos no íntimo sentimentos que desconhecemos.
Isabela me transformou no que sou hoje.
Morgana não insistiu.
Após ouvir mais uma vez o meticuloso plano, voltou para a mansão.
Ao chegar, foi logo procurar a amiga, que escondia o rosto entre almofadas.
— Como você está?
— Não consigo pensar em outra coisa, a não ser em vingança — falou Isabela demonstrando ódio.
Amo Fernando demais para ter de perdê-lo.
Se ele não for meu, não será de mais ninguém.
— Compreendo que queira se vingar, mas o amor de vocês foi muito grande.
Fernando pode ter feito o que fez movido por alguma pressão.
Nunca lhe ocorreu que ele pode estar arrependido?
Isabela pareceu pensar, depois comentou:
— Não acredito.
Senti muita decisão nas palavras dele.
E ele foi violento, coisa que não costuma ser.
Sei que a situação está perdida, mas não posso deixar esse casamento acontecer, e, se acontecer, tenho de encontrar uma forma de afastá-lo de Patrícia, custe o que custar.
Agora só me resta a vingança.
Mas tenho de tomar cuidado para que Humberto jamais saiba que estou por trás.
Morgana começou a sentir que Isabela estava decidida.
Ela precisaria ser muito persuasiva para tentar fazê-la mudar de ideia.
Resolveu continuar apelando para sua paixão.
Ela conhecia muito bem esse sentimento; sabia que, quando uma mulher se apaixona, se ilude com muita facilidade e qualquer esperança, mesmo falsa, reacende a chama.
Com voz meiga, ela tornou:
— Ainda não acho que você esteja certa.
Movidos pelo ódio podemos cometer actos dos quais vamos nos arrepender futuramente.
Sei que você o ama e também senti que ele ama você; percebi pelos olhares que ele lhe lançava.
Uma paixão assim não termina de uma hora para outra.
Insista; se quer ser feliz, deverá lutar por ele.
O rosto de Isabela se iluminou.
Ela gostou muito de ouvir tudo aquilo.
— O que acha que devo fazer?
Tenho medo até de voltar a me aproximar dele depois de tudo o que me fez.
E se você estiver errada?
E se estiver mesmo disposto a me abandonar?
— Você sabe que não me engano com as pessoas.
A vida num bordel pode nos ensinar muitas coisas, inclusive a perceber quando um homem está apaixonado de verdade.
Acredite, ele está se casando por conveniência, mas ama realmente você.
Vai deixar essa chance escapar?
Procure o Fernando, marque com ele um encontro, fale que será a última vez.
Quando estiverem frente a frente, diga que o ama que o perdoa que deseja um retorno.
Faça alguma coisa, mas lute por esse amor!
Tenho certeza de que ele vai ceder e voltará para você.
Morgana falou com tamanha empolgação que Isabela se convenceu de que era verdade.
Sua vaidade falou mais alto e naquele momento ela realmente acreditou que Fernando a amava e que ambos tornariam a viver a paixão de antes.
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Re: NADA É PARA SEMPRE - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Dez 25, 2017 8:00 pm

Aquela conversa teve o dom de animar Isabela, e ela passou a planear tudo.
Morgana estava muito feliz; sua parte no plano estava sendo perfeitamente desempenhada.
À noite Fernando apareceu, mas Isabela continuou reclusa em seu quarto.
Só queria aparecer quando os hematomas estivessem desaparecidos.
Mesmo assim, foi à sacada e de lá viu Patrícia e ele fazendo planos para o futuro e se beijando apaixonados.
De repente pensou que Morgana estava enganada e que realmente ele havia deixado de amá-la, mas, envolvida pelos seus companheiros espirituais, logo estava pensando nas mesmas ilusões de antes.
Teve de buscar forças ao ver Patrícia e Fernando dirigirem-se ao quarto, mas pensava que logo as coisas estariam como antes.
Os dias foram passando e as marcas no corpo de Isabela já haviam desaparecido então ela começou a sair.
Ao rever Fernando lembrou que fora gravemente violentada, mas também imaginou que ele agira por impulso e imediatamente o perdoou.
Tratou-o como se nada tivesse acontecido e o fez tão bem que o próprio Fernando imaginou que a surra havia servido para que ela o esquecesse de vez.
Mas qual não foi sua surpresa quando, ao se vir a sós com Morgana, ela comentou:
— Fernando, não quero que ache que estou sendo abusada, mas sei tudo que aconteceu entre você e Isabela.
A princípio ela ficou desesperada, porém agora reconhece que foi imprudente envolvendo-se numa relação como essa.
Ela me pediu que conversasse com você e quer que lhe diga que, apesar de tudo, ainda o ama e deseja um último instante com você antes que se case.
Fernando pareceu perceber que se tratava de um jogo e respondeu em voz baixa, com receio de que alguém mais escutasse:
— Não sei o que vocês pretendem, mas diga a sua amiga que nada mais existe entre nós.
Essa relação foi um erro; amo Patrícia e pretendo ser fiel a ela.
Se você realmente sabe o que aconteceu, nem deveria estar aqui falando comigo.
Ele ia se levantando do sofá, mas Morgana segurou em seu braço e pediu súplice:
— Acredite, Isabela está modificada.
Ela não deseja um retorno, apenas quer ter um instante em que possa falar o que sente e dizer pessoalmente que quer sua felicidade e que não está contra seu casamento.
Aceite vê-la uma última vez, só vocês.
E muito importante para ela e é o mínimo que você pode fazer depois do que aconteceu.
— Prometo pensar.
Agora me deixe ir, não quero que minha futura mulher me veja de cochichos com você.
— Prometa me dar a resposta o mais rápido possível.
Faça isso em nome de tudo que a Isabela fez por você.
— Está bem — disse secamente, e saiu.
Morgana puxou Isabela para o quarto e mentiu:
— Ele aceitou rapidamente. Falou que está arrependido pelo que lhe fez e confessou que a ama.
Só lhe pede um tempo, pois ainda está envergonhado pelo que ocorreu.
Isabela parecia flutuar.
Então era verdade:
o homem que ela amava também lhe correspondia.
Fizera aquela desfeita porque se encontrava em um mau momento, e ambos podiam voltar a se amar.
A felicidade era tanta que ela sorria e abraçava Morgana.
— Obrigada pelo que me fez.
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Re: NADA É PARA SEMPRE - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Dez 25, 2017 8:00 pm

Sem seus conselhos talvez agora estivesse perdida numa vingança que só ia me afastar da pessoa que mais amo neste mundo.
Morgana fez um ar de superior e respondeu:
— Sou experiente.
Sei reconhecer quando um homem está amando.
Agora vamos aguardar ele marcar a data.
Muito feliz, sem imaginar a teia que estava sendo tecida, Isabela saiu às compras e só muito tarde retornou ao lar.
Morgana estava preocupada e temerosa; não queria que Fernando marcasse o encontro para um dia que Humberto estivesse em Brasília, contudo tinha algo em mente para usar caso isso acontecesse.
Humberto só chegaria na sexta pela manhã e o esperado aconteceu:
Fernando disse que queria ver Isabela na quinta à tarde.
Morgana fingiu aceitar, no entanto falou à amiga que o encontro seria no sábado.
Quinta-feira, Fernando estava no apartamento esperando quando Morgana apareceu.
— Vim para dizer que Isabela está passando mal em casa, com uma terrível enxaqueca.
Pede que a perdoe e quer remarcar o encontro para o sábado neste horário.
Amanhã Humberto chega e ela não quer sair no primeiro dia em que ele está em casa.
Fernando, nervoso, passou a mão pelos cabelos lisos.
— Não sei o que ela ainda tem para me dizer.
Fui muito claro da última vez que estive com ela.
Diga que não volto mais.
Morgana sentiu-se irritada.
Se o plano saísse errado, madame Aurélia não a perdoaria; tinha de ser rápida.
— Também não concordo com esse encontro, mas ela quer ter a chance de lhe dizer que está arrependida e disposta a levar uma vida de paz com você e Patrícia, afinal todos vão morar na mesma casa.
— Se é só isso que ela quer me dizer, então diga que não precisa.
Já sei do que se trata e estou informado.
Morgana lançou a última cartada:
— É que ela quer lhe dar um presente como lembrança do que viveram.
Ele sorriu.
— E essa agora! Diga que não quero mais nada.
— Trata-se de algo valioso, um presente muito caro para selar a paz!
Fernando pensou:
"Será o relógio de ouro com o qual tanto sonho?"
A esse pensamento, resolveu aceitar.
— Diga-lhe que aceito, mas, se não aparecer no sábado, não voltarei atrás.
Morgana, muito satisfeita, esperou Fernando sair e depois foi fazer uma cópia da chave.
Precisava dela para dar continuidade ao seu plano.
Quando chegou em casa, o jantar estava sendo servido.
Mesmo assim, conseguiu subir e recolocar a chave do apartamento onde Isabela a guardava; só ela sabia o local.
A sexta-feira transcorreu calma.
Apenas Isabela demonstrava uma ansiedade fora do normal.
Humberto chegou e foi recebido com alegria por todos, inclusive por Fernando, que se encontrava na mansão.
Morgana estudava uma maneira de falar com Humberto a sós, mas não via como.
Na medida em que as horas foram avançando e eles foram se recolhendo, ela decidiu ficar acordada.
Sabia que Humberto tinha o costume de acordar à noite para um lanche, e ela o esperaria de vigília.
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Re: NADA É PARA SEMPRE - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Dez 25, 2017 8:00 pm

No quarto de Isabela, mais uma vez Humberto não havia conseguido fazer amor e os dois estavam tensos e nervosos.
Ele resolveu comentar:
— Acho que esse tratamento espiritual não está fazendo efeito.
Estou nele há mais de dois meses, e nenhuma melhora aconteceu.
Isabela fingiu ser compreensiva e se interessar pelo assunto.
— Você sabe que não acredito em nada disso, mas acho que deve ter paciência.
Patrícia fala que esses tratamentos são demorados e não se resolvem de uma hora para outra.
— A Sílvia também diz a mesma coisa.
Mas é que dá uma vergonha...
Sinto-me o pior dos homens!
Ela começou a fazer carinhos forçados nele, enquanto dizia com voz dengosa:
— Não fique assim.
Sou sua mulher e não me importo, portanto não tem com que se preocupar.
A não ser que queira mostrar seu desempenho com outra...
— Nada disso.
Só penso em você.
Acho que traía a Flaviana porque não a amava, mas com você é diferente.
Não penso em ter mais ninguém.
Também não gostaria de ser traído.
A Sílvia sempre diz que recebemos os resultados das nossas atitudes, porém confesso que me é muito penoso pensar em receber a traição de volta.
Isabela não estava gostando do rumo que a aquela conversa tinha tomando e resolveu inverter a situação:
— Jamais trairia você, mas vejo que está muito empolgado com essa Sílvia.
Já falou nela duas vezes.
Vou avisando que não tolero traições; não sou como a mosca morta da sua ex-mulher.
— A Sílvia é uma mulher que muito admiro, é uma das terapeutas do centro que frequento nada de mais.
Está com ciúmes?
— Sim. Nem todas as mulheres têm a chance de estar com um homem como você.
Humberto se sentiu valorizado.
Mesmo estando impotente, sua mulher o amava e o respeitava; até ciúmes estava sentindo.
Os dois resolveram dormir, mas Humberto não conseguiu.
Sentiu a fome costumeira e a vontade de "assaltar a geladeira" o fez levantar e ir até a cozinha.
Isabela dormia profundamente e nem percebeu que ele se levantara.
A casa estava às escuras e ele, mesmo conhecendo o caminho, sentiu certa dificuldade para chegar à cozinha e acender a luz.
Quando conseguiu, levou um verdadeiro susto.
Sentada em uma cadeira que circundava uma mesa pequena estava Morgana, com olhos muito abertos a fitá-lo.
Quando o viu, falou em voz baixa, mas com firmeza:
— Humberto, esperei todo esse tempo porque sei que durante a noite costuma se levantar e vir até a cozinha.
Contive meu sono porque preciso lhe falar com urgência.
Não dá mais para segurar esse segredo, está me fazendo mal.
Humberto coçou o bigode com curiosidade.
Ela estava realmente nervosa, e se o tinha esperado àquela hora era porque deveria ser algo sério. Perguntou:
— Mas o que pode ser tão grave que não pôde me dizer durante o dia?
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Re: NADA É PARA SEMPRE - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Dez 25, 2017 8:01 pm

— Sente-se que a história é um pouco longa e o senhor tem de saber tudo.
Ele puxou a cadeira para ouvi-la, sentindo-se cada vez mais curioso.
— Para iniciar devo lhe dizer que não sou prima da Isabela coisa nenhuma.
Ela não tem parentes no Nordeste, pois, como o senhor mesmo sabe, saiu de uma favela aqui mesmo de São Paulo, directo para a casa de madame Aurélia.
Sou uma das meninas que trabalha na Mansão de Higienópolis, o senhor não me reconheceu porque não frequentava o lugar com assiduidade e as poucas vezes que esteve lá só tinha olhos para Isabela.
Pois bem, madame Aurélia, preocupada com sua vida, pois muito o estima, pediu que eu mentisse para Isabela dizendo que fui expulsa de lá e que não tinha para onde ir.
O plano deu certo e ela me chamou para morar com vocês.
Na verdade, estou aqui como espiã.
A madame achava que Isabela poderia a qualquer momento prejudicá-lo e eu, como melhor amiga dela, saberia de tudo com antecedência e poderia informá-lo.
Mas nunca pensei em descobrir algo tão terrível...
Humberto se impacientou.
Não estava gostando nada daquilo.
Uma espiã em sua casa?
Com que intenção?
— Onde está querendo chegar?
— Não sei como lhe dizer isso, mas há alguns dias descobri que Isabela o trai.
Humberto corou.
— Como?
— Isso mesmo.
Sem querer, acabei sabendo de tudo.
Flagrei Isabela e Fernando se beijando aqui mesmo nesta cozinha.
Pressionei e ela me contou tudo:
são amantes há muito tempo.
Tentei guardar esse segredo, mas vendo o senhor tão justo e bom não consegui me conter.
Fernando, seu futuro genro, tem um relacionamento com sua esposa e, pelo que sei, pretendem continuá-lo mesmo depois que ele se casar com Patrícia.
Humberto sentia a cabeça rodar.
Pensamentos contraditórios passavam por sua mente.
Só podia ser mentira.
Aquela mulher estava ali para fazer intriga, para se vingar por Isabela ter conseguido um bom casamento e ter deixado o bordel.
— Você está mentindo; Isabela é fiel.
Aurélia a mandou aqui apenas para fazer intriga e se vingar de mim e de minha mulher.
Conheço-a bem para saber que jamais se preocuparia comigo a ponto de enviar uma das suas meninas somente para me proteger.
Agora saia daqui e amanhã a quero fora de minha casa.
Além de mentirosa, é falsa; está a todo instante com minha mulher e a trai covardemente inventando uma farsa como esta.
Fernando é um bom rapaz e também não merece o que você está fazendo.
— Ouça-me pela última vez.
Sei que a madame tem o desejo de ver Isabela mal, mas eu jamais inventaria uma trama como essa.
Esta chave abre a porta do apartamento onde eles se encontram.
Tomei a liberdade de tirar uma cópia para que o senhor possa entrar primeiro e se esconder para ouvir o que vão dizer.
Acredite em mim: eles vão se encontrar amanhã às três da tarde, e aqui está o endereço.
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Re: NADA É PARA SEMPRE - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Dez 26, 2017 9:08 pm

Ela pegou um papel e o entregou junto com a chave.
Humberto estava confuso, parecia ser mesmo verdade.
Morgana falava com seriedade e estava tentando mostrar-lhe a prova.
Um grande ódio brotou dentro dele.
Se Isabela o estivesse traindo com Fernando, não saberia qual seria sua reacção.
Pegou a chave da mão dela e a guardou.
— Não vou mandá-la embora enquanto não verificar se o que diz é mesmo verdade.
Agora vá dormir.
Já me disse tudo que tinha para dizer.
— Antes, quero lhe fazer uma sugestão: por que não faz um flagrante de adultério?
Isabela perderia todos os direitos do casamento e voltaria pobre para o olho da rua.
Humberto estava irritado demais para pensar naquilo.
— Vá dormir, é o melhor que tem a fazer.
Ela saiu radiante, deixando Humberto pensativo.
Se Isabela o traísse seria para ele o fim.
Tinha uma arma em casa, e decidiu levá-la.
Como ela poderia ter coragem de traí-lo e, além de tudo, com Fernando?
Era demais para a honra de um homem, e ele resolveu que a lavaria com sangue.
De volta à cama, vendo Isabela ressonar, pensou em matá-la ali mesmo, mas resolveu esperar o outro dia para confirmar a história.
Sabia que as prostitutas eram muito invejosas e gostavam de prejudicar umas às outras.
Poderia ser uma armação para destruir seu casamento.
O resto da noite virou na cama, só conseguindo adormecer quando o dia clareou por completo.
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Re: NADA É PARA SEMPRE - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Dez 26, 2017 9:08 pm

18 - A NOVA REALIDADE
O sábado amanheceu bonito e na mansão tudo corria como sempre.
Humberto não saiu pela manhã e, à tarde, pretextando uma visita a amigos, se ausentou de casa.
Isabela ficou feliz, pois, com o marido fora de casa, não tinha de dar satisfações quando saísse.
Em seu quarto, ela se arrumava com esmero.
Precisava estar o mais bonita possível para Fernando.
Só em pensar que novamente poderiam se encontrar, um arrepio percorria todo o seu corpo.
Ao descer as escadas, Morgana elogiou sua beleza, o que a deixou ainda mais animada.
Assim ela saiu.
Pediu que o motorista a deixasse no lugar de sempre e dali tomou um táxi, indo em direcção ao apartamento.
Enquanto isso, Humberto, de posse da cópia da chave, entrou no apartamento e o que viu foi lhe tirando o fôlego.
Havia fotos de Fernando e Isabela espalhadas pelos aposentos, algumas com cenas de intimidade, mostrando claramente que mantinham um romance.
Ele não conseguia acreditar e pensava:
"Como pude me deixar enganar por uma mulher desse tipo? Depois de tudo que fiz para ela, de ter lhe dado um nome, posição, ela me retribui com uma traição, e com o pulha do meu genro?! Canalhas!
Pagarão caro o que estão fazendo comigo e com minha filha.
Por que não pensei em fazer um flagrante?
No fundo, eu não acreditava que isso fosse verdade, mas agora é tarde. Os dois pagarão com a vida o que estão fazendo".
Ao pensar nisso, sombras escuras se aproximaram e o abraçaram com prazer.
Humberto examinou cada detalhe do apartamento e, ao lembrar que ele era mantido com seu dinheiro, sentiu a raiva aumentar.
De repente, ouviu barulho de fechadura e se escondeu atrás de um móvel.
Do local onde estava percebeu que Fernando havia entrado, ido até o bar e se servido de uma bebida.
Depois o viu se acomodar no sofá e teve gana de matá-lo naquele momento.
Mas tinha de ser os dois.
Humberto sentia tanto ódio que não pensava na sua posição como político, como pai, como homem da sociedade; só a vingança prevalecia.
Ele havia amado Isabela de verdade, mas seu amor era possessivo e não admitia uma traição como aquela.
De repente, a porta se abriu e Isabela entrou.
Vendo-se tão próxima de Fernando, ela não resistiu e correu a abraçá-lo e beijá-lo repetidas vezes.
— Meu amor, eu sabia que você ia me perdoar, que tudo voltaria a ser como antes.
Vem, quero amar você.
Ele não retribuiu e afastou-a bruscamente.
— O que significa isto?
Não vim aqui para fazer as pazes com você.
Já disse que em breve vou me casar e que nosso caso ficou no passado.
O que está armando para mim agora?
Isabela estava sem entender.
— Como? Você não me perdoou e não deseja voltar?
Por favor, não brinque comigo.
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Re: NADA É PARA SEMPRE - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Dez 26, 2017 9:08 pm

Sei que me ama e deseja voltar para mim a fim de vivermos como antes.
Por que está fazendo esse jogo agora?
— Não estou fazendo jogo nenhum.
Sua amiga Morgana me procurou e disse que você estava arrependida, que nosso caso havia sido uma loucura e que queria conversar comigo como uma despedida.
Também falou que me traria um presente, como recordação dos momentos que vivemos juntos.
É você que está fazendo jogo comigo.
Agora entendi tudo.
O que você quer é uma reconciliação e usou essa artimanha para me reconquistar.
Sabe o que você merece?
Outra surra como aquela que lhe dei outro dia.
Isabela estava nervosa.
Algo estava muito errado.
— Fernando, preste atenção, há um complô contra nós.
Morgana disse que você havia me perdoado que me amava e desejava estar novamente comigo.
Foi ela quem marcou nosso encontro para hoje.
Também achei estranho, depois daquela sua atitude, essa mudança tão repentina.
Estava perdendo as esperanças, quando a vida pareceu se iluminar novamente.
— Essa sua amiga vagabunda quer aprontar alguma para nós dois, mas não entendo o quê.
— Eu vou explicar — era a grossa voz de Humberto, que acabava de aparecer, com o revólver em punho e dedo no gatilho.
Chegou o fim de vocês, mas antes quero lhe dizer Isabela, que você é a pior pessoa que conheci nesta vida, uma ingrata.
Depois de tudo que fiz, é assim que me retribui?
Aurélia me avisou que você não prestava, mas envolvido por seus feitiços não ouvi a voz da razão e agora paguei o preço.
Contudo, terá o fim que merece.
Fernando, estupefacto, tentou falar:
— Não tive culpa.
Ela me seduziu, me prometeu muito dinheiro e acabei cedendo por inexperiência.
Mas acordei para o erro que estava cometendo e terminei tudo com ela, como o senhor pôde ouvir.
Poupe minha vida, estou arrependido.
Desejo casar com sua filha e fazê-la feliz.
Humberto gritou com os lábios crispados de raiva:
— Você só serve mesmo para prostitutas como essa mulher aí.
Jamais para uma moça honrada como minha filha.
Agora cale-se; prepare-se para conhecer o inferno.
Humberto mirou a arma na cabeça de Fernando, que não tinha com o que se defender e esperava a hora do tiro.
Isabela chorava, ajoelhada no chão.
De súbito, o espírito de Diana envolveu Humberto com muito amor e lhe sugeriu:
— Lembre-se do que aprendeu com a Sílvia; matar só vai lhe trazer infelicidade.
Humberto atirou uma, duas, três vezes, todas para o tecto.
Fernando e Isabela não entenderam, mas o rapaz aproveitou, abriu a porta e correu em disparada.
Ela continuou chorando e, nesse instante, Humberto bradou:
— Saia da minha frente!
A partir de hoje não colocará mais os pés na minha casa.
Não consegui matar vocês como mereciam, porém nunca mais conte comigo para nada.
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Re: NADA É PARA SEMPRE - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Dez 26, 2017 9:09 pm

Vou pedir o divórcio, e de agora em diante terá de contar apenas com o pouco que conseguiu ao meu lado.
Quando o dinheiro acabar, voltará às ruas para pedir esmola ou para o bordel, de onde jamais deveria ter saído.
Agora saia. — Humberto lhe dava chutes violentamente, até que, vencida pelos pontapés, Isabela saiu porta afora.
Humberto permaneceu ainda no apartamento e atirou em tudo que encontrava pela frente.
Quando deixou o lugar, ele estava destruído.
No carro, guiava sem saber o que fazer.
Rodou por várias ruas até que anoiteceu.
Ele não imaginava como contar a verdade à sua filha.
No íntimo queria que aquilo fosse uma mentira.
Patrícia já havia feito todo o enxoval do casamento, redecorado o quarto onde iam dormir e tecia sonhos de felicidade.
Mesmo assim, tinha de arranjar coragem para falar.
Ao chegar em casa, percebeu que a filha estava com um brilho diferente nos olhos, demonstrando estar muito feliz.
Tanto que nem percebeu a aparência transtornada do pai.
Como sempre fazia, beijou-lhe o rosto e o chamou para conversar.
— Tenho uma notícia para dar que em muito vai agradar-lhe.
Primeiramente quem tinha de saber era o Fernando, mas ele não apareceu aqui esta tarde e estou ansiosa, não posso guardar tanta felicidade só para mim.
Há alguns dias estava me sentindo enjoada, tinha náuseas, tonturas e minhas regras haviam atrasado.
Imaginei que pudesse estar grávida, mas mesmo assim não contei a ninguém; queria a comprovação.
Fiz um exame de laboratório e hoje recebi o resultado:
estou realmente grávida!
Não é uma felicidade muito grande, papai?
Humberto ouvia as palavras da filha sem querer acreditar.
Como iria lhe falar sobre o que tinha acabado de vivenciar?
Sentiu a cabeça rodar e o estômago embrulhar, depois tonteou e caiu desmaiado.
Patrícia tentou fazê-lo reagir ao mesmo tempo em que gritava.
Logo todos estavam ao redor de Humberto.
Eudásia afastou Patrícia enquanto dizia:
— Precisamos chamar uma ambulância.
Ele não está bem.
Alguém tem o telefone?
— Naquela agenda tem o número do hospital onde o doutor Caldas trabalha.
Liguem e peçam que ele venha com a ambulância — explicou Patrícia, que estava nervosa e chorava.
— Será que ele vai morrer?
Não posso aguentar ficar sem meu pai.
O que farei sem ele?
E Fernando, que não aparece?
Eudásia tentava consolá-la:
— Fique calma, menina.
Seu pai ficará bem e as coisas voltarão a ser como antes, tenha fé.
— Não consigo acreditar.
Ele estava bem e sadio.
De repente foi ficando pálido e caiu dessa forma.
O que será que ocorreu?
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Re: NADA É PARA SEMPRE - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Dez 26, 2017 9:09 pm

Morgana e outros empregados da casa também estavam ali ansiosos para saber o que tinha acontecido com Humberto.
Ela tinha a intuição de que a revelação de que Isabela o traía tinha feito Humberto adoecer.
Estava curiosa, será que ele a tinha assassinado?
O tempo passou e logo a ambulância chegou.
O doutor Caldas fez os primeiros socorros e o conduziu ao interior do veículo.
Patrícia e Eudásia seguiram em outro carro em direcção ao hospital.
Quando chegaram, tiveram de aguardar mais de uma hora na sala de espera.
Finalmente o doutor Caldas apareceu.
Patrícia se levantou rapidamente e foi ao seu encontro.
— Como está meu pai? O que aconteceu com ele?
— Fiquem calmos.
Humberto teve um AVC, ou seja, um acidente vascular cerebral, mas foi socorrido a tempo.
Estamos fazendo exames para saber a extensão da área cerebral atingida e se ele ficará com sequelas.
A notícia não muito boa é que ele está em coma profundo e, em casos como este, não podemos prever quando irá acordar, nem como.
Patrícia assustou-se.
— Mas meu pai estava muito bem.
Como isso foi ocorrer de uma hora para outra?
— As causas do AVC são várias e na maioria das vezes ele não apresenta sintomas preliminares.
Seu pai teve alguma contrariedade ultimamente?
— Não, ele estava muito bem.
Ainda hoje passou a manhã inteira em casa conversando como sempre, se bem que notei algo estranho em seu olhar.
Por que essa pergunta?
— É que, como médico, tenho percebido que esse problema tem como causa principal algum desgosto muito profundo.
Contudo, ainda não investiguei melhor o assunto.
No entanto, se Humberto resistir bem às próximas quarenta e oito horas, estará completamente fora de perigo.
O doutor Caldas ainda conversou mais um pouco e depois autorizou uma breve visita de poucos minutos à UTI.
Patrícia estava se sentindo completamente só naquele momento.
Fernando não apareceu e ela só podia contar com o ombro amigo de Eudásia.
Quando aconselhada pelo médico, resolveu voltar para casa. Era madrugada.
Foi ao quarto de Isabela e não a encontrou, o que achou muito estranho.
Chamou Morgana, que fingiu nada saber:
— Ela saiu dizendo que iria às compras e, como faz isso sozinha, não a acompanhei.
Também estou preocupada.
Ela não costuma demorar tanto.
Será que foi novamente assaltada?
— Meu Deus!
Isso não pode ter acontecido justo hoje.
— Mas devemos levantar essa hipótese.
Isabela nunca ficou uma noite fora, já passa das duas, e nem sinal dela.
Patrícia se sentia fraca, não conseguia raciocinar direito.
Resolveu se deitar.
— Não vamos conseguir resolver nada agora.
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Re: NADA É PARA SEMPRE - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Dez 26, 2017 9:09 pm

Só podemos dar queixa à polícia se uma pessoa estiver sumida por mais de quarenta e oito horas.
Se formos lá agora, de nada vai adiantar.
— Temo pela vida de minha amiga.
O motorista a levou para a mesma loja de sempre e a esperou no horário combinado, e ela não apareceu.
Entrou na loja e perguntou se dona Isabela Aguiar tinha estado por lá e todos disseram que ela nem chegou a entrar.
Não acha isso estranho?
— Acho sim e estou preocupada.
Meu pai a ama e ela é fundamental para sua recuperação.
Mas vou descansar, por hoje estou exausta.
Morgana resolveu fazer o mesmo e minutos depois a mansão estava às escuras.
Desde que fora expulsa a chutes do apartamento, Isabela vagou sem rumo pelas ruas de São Paulo, chorando muito.
Seu sonho de amor estava desfeito; seu casamento, arruinado.
O que ela poderia fazer de sua vida?
Tinha uma conta em seu nome na qual pôde economizar algum dinheiro, mas achando que sua situação era boa não se preocupou muito em poupar.
Foi ao banco e retirou uma quantia que dava para hospedá-la num hotel até pensar no que iria resolver.
Depois de instalada, tomou um banho e olhou-se no espelho; achou-se feia e velha.
Deitou-se na cama e pensou em como se vingar de Morgana e de Fernando.
Certamente madame Aurélia estaria por trás daquela situação, elas não perderiam por esperar.
Com o pouco dinheiro que tinha, iria arquitectar uma vingança da qual nenhum dos três escaparia vivo.
Teria de raciocinar muito friamente para que fossem crimes perfeitos.
Jamais ela iria permitir que Fernando vivesse feliz ao lado de alguém.
Rolou na cama e pensou também que poderia ainda reconquistar Humberto, só não sabia como.
Durante toda a noite não conseguiu dormir e os pensamentos fervilhavam em sua mente, parecendo enlouquecê-la.
Pela manhã ligou a TV e, ao ouvir o noticiário, levou grande susto.
O jornalista dizia:
— O senador Humberto Costa Aguiar sofreu um acidente vascular cerebral e se encontra em estado de coma no hospital.
Sua filha informa que tudo aconteceu muito rápido, mas que ele pôde ser atendido a tempo.
Segundo os médicos, seu estado é estável.
A reportagem continuou e mostrou uma entrevista com Patrícia.
Logo após, com seus colegas de partido que mostravam solidariedade.
Isabela deixou o café que estava tomando e pensou em como fazer para voltar para casa.
Não sabia se Humberto havia revelado a verdade à filha, mas precisava tentar.
De repente pensou:
fingiria que tinha sido assaltada novamente e levada para longe, e só então conseguira voltar.
Também ia fingir nada saber sobre a doença do marido.
Sorriu abertamente pensando em como a sorte havia lhe favorecido. Humberto provavelmente morreria e ela poderia tomar conta de toda aquela mansão como sempre sonhara.
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Re: NADA É PARA SEMPRE - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Dez 26, 2017 9:09 pm

Intimamente agradecia a Deus pelo facto de o marido estar em coma numa UTI; tudo lhe seria facilitado.
Pagou a conta do hotel e saiu.
Na rua, ela caprichou no visual:
desfiou suas roupas e sujou-se de terra, sem se importar com os olhares das pessoas que a observavam achando a cena descabida.
Fazendo-se de arfante, ela chegou à mansão.
O hotel não era tão longe e ela conseguiu ir a pé.
Os seguranças quase não a reconheceram e em poucos instantes ela estava na sala da mansão.
Chamou a todos, mas só Eudásia apareceu.
Olhando assustada para sua aparência, perguntou:
— O que aconteceu com você?
Esta casa está cheia de problemas, estávamos preocupados com seu sumiço, principalmente agora que o senhor Humberto adoeceu tão seriamente.
— O que Humberto teve?
Como foi ficar doente?
— Ele estava na sala conversando com Patrícia quando se sentiu mal e desmaiou.
Levamos ele para o hospital e está em estado de coma.
Como você foi desaparecer num momento como este?
Fernando também sumiu e Patrícia está se sentindo muito só.
Não sai do hospital um instante sequer.
Temo pela saúde dela.
— Desapareci porque ontem, quando fazia compras, dois homens me pegaram, colocaram um revólver em minha cabeça e me colocaram dentro de um carro.
Achei que estava sendo sequestrada e chorava muito.
Eles me levaram para um lugar distante e ermo.
Lá chegando tiraram o que eu tinha minha bolsa, minhas jóias, relógio, fiquei sem nada.
Tentaram abusar de mim e nem sei se conseguiram, pois, de tanto medo, acabei desmaiando.
Quando acordei não sabia onde estava.
Vaguei pelas ruas parecendo uma mendiga; nenhum táxi atendia a meu chamado.
Andei bastante até que acabei achando o caminho.
Eudásia estava impressionada com a narrativa.
— Quanta coisa ruim acontecendo nesta casa de uma só vez.
Até a Morgana resolveu ir embora.
— Ir embora? Ela não está mais aqui?
— Está no quarto dela fazendo as malas.
Num momento como esse em que ela deveria estar do seu lado, resolveu partir.
Isabela nem terminou de ouvir o que Eudásia dizia e subiu as escadarias, indo em direcção ao quarto de Morgana.
Invadiu-o com rapidez e Morgana, assustada, começou a tremer.
Isabela a olhou com ódio e esbravejou:
— Como ousou me trair?
Como teve tamanha coragem? Diga-me!
Morgana tremia muito e com voz que o medo abafava balbuciou:
— Não tive culpa.
Ela me obrigou me perdoe!
— Eu sabia.
Tinha certeza de que madame Aurélia estava por trás disso.
Mas nunca esperava uma traição dessas vinda de sua parte.
A partir de agora ganhou uma inimiga para o resto de sua vida.
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Re: NADA É PARA SEMPRE - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Dez 26, 2017 9:09 pm

O plano de vocês deu errado e eu continuo nesta casa, sendo senhora absoluta.
Humberto morrerá e ficarei com o que é meu, e serei muito rica.
Quanto a você, nunca mais terá paz.
Vou cuidar para que sua vida se transforme num inferno, a sua e a daquela mulher infernal.
Avise-a de que ouvirá falar muito de mim.
Agora você vai sair sem nada.
Esqueça suas malas.
Daqui você não levará nada, pois nada lhe pertence.
— Espero um dia conseguir seu perdão — falou Morgana com a voz fraca.
— Nunca, e você saberá agora do que sou capaz!
Acompanhe-me.
Morgana acompanhou Isabela até o jardim sem saber o que ela faria.
Lá chegando, Isabela falou algo com Amaral que ela não entendeu, porém rapidamente percebeu do que se tratava.
Amaral se aproximou e começou a violentá-la com chutes e socos.
Morgana estava sangrando e com manchas arroxeadas no corpo quando Isabela ordenou que parasse.
Amaral pegou o corpo quase inerte de Morgana e jogou na calçada.
Mais tarde, quando Isabela saiu arrumada para o hospital, ela ainda estava lá, desmaiada.
Amaral retornou e, condoído com a situação, levou-a para um pronto-socorro, onde foi atendida e medicada.
Ele não gostava de espancar as pessoas, mas sabia que se não cumprisse as ordens da patroa, perderia o emprego que era o sustento de sua família.
Isabela chegou ao hospital e encontrou Patrícia na recepção.
As duas se abraçaram e Isabela perguntou:
— Como ele está?
— O quadro é estável, mas ele continua em estado de coma profundo.
Temo muito pela vida dele.
Tenho me sentido muito só.
Patrícia começou a chorar e Isabela a abraçou mais fortemente.
Depois que se acalmou ela perguntou:
— Onde você estava?
Já íamos dar queixa à polícia sobre seu desaparecimento.
— É uma longa história.
Ontem, seu pai e eu corremos riscos de vida.
Na sequência, começou a repetir a mesma história que tinha contado a Eudásia.
Patrícia estava tão preocupada com o pai que nem prestou muita atenção, pois, se assim o fizesse, perceberia que se tratava de outra mentira mal contada.
Depois de terminar a história, Isabela quis saber:
— Onde está o Fernando?
A Eudásia me disse que ele não tem estado com você.
— Tenho ligado para a casa da dona Marília e ela me disse que o filho precisou viajar a trabalho, mas que logo estará aqui.
— Estranho Fernando nunca viajou a trabalho... — completou Isabela com maldade.
— Sei disso. Também achei estranho, mas algo deve ter acontecido para ele precisar viajar.
Quando chegar, me explicará tudo, tenho certeza.
Isabela teve de esperar muito até que o médico aparecesse e autorizasse sua entrada na UTI.
Lá chegando, fingiu tristeza e chorou copiosamente.
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Re: NADA É PARA SEMPRE - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Dez 26, 2017 9:09 pm

Patrícia, que a acompanhava, aconselhou:
— Não é bom que tenhamos emoções muito fortes próximos de alguém nesse estado.
Os médicos afirmam que, apesar do coma, a pessoa pode ficar num estado semiconsciente em que pode sentir nossas emoções e até registrar nossas palavras.
Não chore, ele ficará bem.
— Como eu queria acreditar nisso!
Depois que perdi meu filho, achava que Deus não ia me tirar mais ninguém, mas vejo que Ele não é tão bom quanto dizem.
Que vou fazer se Humberto morrer?
Patrícia estava surpresa com tamanho sentimento.
— Não pense assim, vamos acreditar no melhor.
Deus não é ruim e, se meu pai está passando por isso, deve ter um motivo justo.
É um homem bom; depois que minha mãe ficou doente ele tem se esforçado para melhorar.
Creio que terá outra chance, mesmo que fique com sequelas.
— Sequelas? Como assim?
— Segundo o doutor Caldas afirmou, todo acidente vascular cerebral pode deixar alguma sequela no sistema nervoso do paciente, de forma que ele pode ficar sem movimentar alguns membros do corpo, um lado inteiro, ou ficar sem falar.
Mas isso são apenas hipóteses, só quando ele acordar é que saberemos.
As duas saíram da sala porque o tempo havia se esgotado e foram para casa.
Quando chegaram, cada uma foi para o seu quarto.
Isabela estava muito feliz por a vida ter lhe dado uma segunda chance, e pensava:
"Nasci para viver no luxo e na riqueza.
Estou torcendo para que Humberto jamais volte desse coma ou, se voltar, fique paralisado para sempre.
Aí poderei ter minha vida de volta.
Não sei se Fernando vai retornar a esta casa, mas se voltar lutarei para reconquistá-lo e sei que conseguirei.
Depois disso saberei como fazer para me livrar da Patrícia".
Com esses pensamentos, entrou na banheira e permaneceu lá por horas.
Em seu quarto, Patrícia pensava e não conseguia entender por que Fernando havia viajado sem lhe dar explicações e mesmo com o pai doente não aparecia para vê-la.
Novamente ligou para a casa dele e Marília atendeu.
— Ah, sim, querida. Fernando já chegou um momento.
Alguns segundos de espera e logo a voz grave de Fernando se fez ouvir:
— Meu amor, como está?
Não consigo ficar mais um instante sem vê-la.
Assim que fiquei sabendo do que houve com seu pai, voltei imediatamente.
— Oh, Fernando, como pôde ter feito isso comigo?
Estou me sentindo completamente sozinha.
Meu pai está mal e você desaparece assim?
— Não tive culpa, precisei resolver um problema de uma das filiais de nossa empresa.
Mas voltei quando soube o que aconteceu.
Já estava indo até aí quando o telefone tocou.
— Venha logo.
Tenho algo a lhe dizer que é muito importante e não pode ser adiado.
— Uma surpresa?
— Não posso falar pelo telefone.
Ao chegar, ficará sabendo.
Fernando colocou o fone no gancho e percebeu os olhos de sua mãe a mirá-lo ansiosamente.
— O que ela lhe disse?
— Parece não saber de nada.
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Re: NADA É PARA SEMPRE - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Dez 26, 2017 9:10 pm

Isso me dá um alívio muito grande.
Por outro lado, temo que o pai possa melhorar e contar o que descobriu.
Marília olhou-o profundamente e disse:
— Para nossa sorte, Humberto adoeceu antes de ter revelado o que sabia.
Se melhorar, pode não ficar como antes.
Essas pessoas que têm esse problema nunca voltam a ser as mesmas.
Mas, ainda que fique bom, ao ver a filha feliz saberá se conter e nada falará.
Ele passou a mão pelos cabelos, num gesto nervoso.
— A senhora me tranquiliza, mas ela disse que tem algo sério a me dizer.
Será que o pai não deixou escapar nada que a deixou desconfiada?
— Não acredito.
Se desconfiasse de algo, deixaria transparecer pelo telefone.
Vá confiante.
Esta nós não perdemos.
Fernando sorriu, beijou a mãe e saiu.
Marília estava entediada e foi para o quarto.
Deitada em sua cama, ela pensava:
"Meu filho encontrou a mulher ideal e eu farei de tudo para que ele permaneça com ela até o fim.
Desejo ter uma vida melhor e também não criei meu príncipe para se casar com uma mulher qualquer e comum.
Ele merece a melhor".
Continuou a pensar sem perceber que sombras escuras se aproximavam comungando com seus pensamentos e lhe passando energias doentias.
Diana, Gabriel, Flaviana e os filhos estavam ansiosos no quarto esperando que Humberto despertasse.
Dali a poucos instantes ele acordaria.
Permaneceram esperando até que ele se mexeu e lentamente começou a despertar.
A princípio não reconheceu o lugar, mas ao abrir melhor os olhos, disse assustado:
— Flaviana? Meus filhos?
Como pode ser?
Todos estão mortos!
Flaviana, com voz doce, o acalmou:
— Engana-se, querido.
Todos estamos mais vivos do que antes.
Não se sente bem em estar connosco?
Ele parecia confuso, mas falou:
— Não entendo.
Quer dizer então que eu morri também?
Alfredo respondeu:
— Ainda não, pai.
Sua hora não chegou.
Seu corpo de carne está doente num hospital da Terra.
Enquanto os médicos de lá cuidam dele, nós o trouxemos aqui para que seu espírito seja curado também.
Humberto, completamente acordado, começou a entender:
— Como isso é possível?
— Quando nosso corpo de carne dorme ou entra em um estado de coma, como é o seu caso, o espírito fica parcialmente livre e pode visitar o astral, rever amigos, ou entes queridos que ficaram aqui — disse Flaviana sorrindo.
Você talvez nem vá se lembrar disso quando acordar na Terra, mas vamos aproveitar essa oportunidade que Deus nos deu.
Dê-me um abraço.
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Re: NADA É PARA SEMPRE - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Dez 26, 2017 9:10 pm

Humberto, emocionado, levantou e a abraçou fortemente.
Unidos ao abraço, Marcos e Alfredo choravam de emoção.
Diana e Gabriel observavam tudo e em prece agradeciam a Deus aquele momento.
De repente, Humberto começou a chorar.
O choro foi crescendo e aumentou tanto que ele se sentou no chão.
Todos ficaram penalizados.
Flaviana passou a mão sobre sua cabeça.
— Entendo o que sente.
A dor do remorso é muito grande, mas para ela existe o remédio: o auto-perdão.
Diana completou:
— É isso mesmo, Humberto.
O remorso e a culpa são sentimentos que nos colocam em profunda depressão, mas só quando aprendemos a nos perdoar é que nos libertaremos dele.
Ele murmurou entre soluços:
— É que não consigo controlar o sentimento de culpa quando vejo Flaviana e meus filhos.
Lembrar que fui um mau marido e um pai materialista me atormenta muito.
Sinto que falhei gravemente.
Diana foi firme ao dizer:
— Quem de nós nunca errou nessa vida?
Os erros fazem parte da aprendizagem e são naturais.
Você fez o que achou certo no momento, quando não tinha maturidade para agir diferente.
Na vida é preciso aprender que cada pessoa age de acordo com o nível de evolução que lhe é próprio e que só o tempo vai modificar.
O retorno das nossas acções vai fazer com que aprendamos pouco a pouco, e assim chegaremos a Deus.
Mas esse caminho é longo e, como seres humanos, ainda vamos errar outras vezes.
Portanto, não se condene dessa forma para não atrair mais dores em sua vida.
Humberto pareceu se acalmar.
Voltou para a cama e todos se sentaram ao redor em espécies de sofás que havia espalhados pelo quarto.
Flaviana iniciou:
— Trouxemos você aqui para que seu espírito seja curado e para que seu corpo possa despertar na Terra com poucas limitações.
Já se perguntou como atraiu todos esses problemas para sua vida?
— Eu não atraí nada.
Os outros foram os culpados.
Casei-me novamente achando que era amado.
No auge de minha felicidade, fiquei impotente e descobri que era traído.
Minha filha nem desconfia que o noivo dela é um patife que a trai com a própria madrasta.
Como posso ter atraído esses problemas para mim?
Flaviana aproximou-se e explicou com voz doce:
— Quando cheguei aqui também pensava como você.
Achava que eram os outros os culpados pelos meus sofrimentos.
Entrei em confusão, me envolvi com pessoas que queriam meu mal.
Só queria me vingar.
Sofri muito e hoje descobri que nunca fui vítima e que ninguém na Terra o é.
Diana e outros amigos queridos me ensinaram que somos criadores do nosso próprio destino e tudo que nos acontece é responsabilidade nossa.
É duro aceitarmos essa verdade, mas, quando passamos a enxergá-la, as coisas ficam mais fáceis.
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Re: NADA É PARA SEMPRE - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Dez 26, 2017 9:10 pm

Eu mesma há muito o perdoei pelo que me fez.
Hoje sei que, se não precisasse passar por tudo aquilo, Deus teria me poupado.
Humberto estava ouvindo sem querer acreditar:
então Flaviana o havia perdoado?
Ela, lendo seus pensamentos, respondeu:
— Perdoei, mas o perdão dos outros não é tão importante quanto o nosso próprio.
O que lhe aconteceu foi porque você não se perdoou pelos erros do passado.
Humberto estava confuso.
— Como assim?
Diana começou a explicar:
— A culpa é um sentimento aprendido.
Ela não nasce com o nosso espírito.
Já o arrependimento, sim, é parte integrante de nossa alma.
Sempre que agimos contra a nossa natureza, sempre que cometemos os chamados "erros", nossa consciência nos mostra, por meio de sensações desagradáveis, que não estamos no caminho certo.
Uma vez observada, a sensação desaparece.
Aprendemos à lição e passamos a agir diferente.
É o que chamamos de reparação.
Todavia, muitas pessoas aprenderam à filosofia do crime e castigo; acham que têm de pagar pelos erros cometidos durante sua ignorância espiritual e programam o subconsciente para atrair sofrimento quando errarem.
Essas pessoas não acreditam que podem apagar seus erros pelo amor e pelo bem; crêem que só sofrendo é que voltarão ao equilíbrio.
É por isso que há tanta dor na Terra.
Humberto parecia entender, mas ainda assim questionou:
— E o que isso tem a ver comigo?
Diana sorriu.
— Você é assim, é um cobrador inveterado de si mesmo.
Aprendeu que as pessoas devem ser castigadas quando errarem.
Agora está provando do próprio veneno.
É preciso rever suas crenças uma a uma para que mude.
E chegada à hora de você deixar o homem velho morrer para que o homem novo nasça principalmente para que possa perdoar Isabela e ajudá-la a voltar para o caminho do bem.
— Nunca farei isso!
Ela me traiu covardemente, não merece perdão.
— Você atraiu uma mulher como ela porque acreditava que merecia passar pelas mesmas traições que cometeu com sua mulher.
Atraiu a doença porque se culpava pela morte de Flaviana, achando que ela adoecera por sua culpa.
E preciso deixar a vaidade de lado e perceber que você não é tão poderoso assim para fazer os outros sofrerem.
Ninguém tem o poder de ferir uma pessoa; os outros é que se ferem com o que nós fazemos.
— Pelo que você diz, foi até certo o que fiz.
Diana o olhou com seriedade.
— Não foi certo nem errado.
Você agiu como sabia.
Se hoje reconhece que poderia ter feito melhor, não pode se culpar.
Deve se preparar para agir melhor de agora por diante.
Não somos responsáveis pelo sofrimento de ninguém; somos, sim, responsáveis pelas nossas crenças e pelos próprios sofrimentos.
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Re: NADA É PARA SEMPRE - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Dez 26, 2017 9:11 pm

Se sofremos, não foi porque fizemos mal aos outros, mas porque fizemos mal a nós mesmos com nossas crenças inadequadas.
Nunca ouviu dizer que quem faz o mal aos outros prejudica primeiro a si mesmo?
Marcos e Alfredo permanecerem calados o tempo inteiro.
Quando Diana terminou, Marcos disse:
— Vamos levá-lo para participar de um curso no qual é ensinado o poder do bem como fonte de reparação e depois a uma palestra cujo orador explica como nos livrarmos da culpa e reprogramarmos o subconsciente positivamente, para que o senhor aprenda a nunca mais se castigar pelos seus erros.
Humberto estava feliz.
Poder recomeçar, ser um novo homem...
Aquilo estava sendo muito bom.
Indagou:
— Quanto tempo ficarei em estado de coma na Terra?
— Ficará por uma semana; é o tempo que vai estagiar aqui — respondeu Diana amavelmente.
Agora vamos, há muito o que estudar.
Humberto abraçou os filhos e a ex-mulher.
Quando ia saindo, comentou:
— Lembrei que há algum tempo vários homens me amarraram enquanto eu dormia e colaram em meu corpo físico algumas formas arredondadas.
Lembro-me de que eles disseram que elas seriam a causa de minha impotência.
Isso é real?
— Com certeza!
Essas formas que chamamos de ovóides são responsáveis por inúmeras doenças na Terra.
Mas não precisa se preocupar.
Quando se libertar da culpa e se render ao amor, conseguirá se libertar delas.
— Vai demorar muito?
— O tempo suficiente para que você mude interiormente.
Humberto entendeu e seguiu com eles, rumando para um dos pavilhões de cursos daquela colónia.
Em sua mente, a esperança começava a brotar.
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Re: NADA É PARA SEMPRE - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Dez 26, 2017 9:11 pm

19 - CONHECENDO A VERDADE
Isabela havia chegado em casa com Patrícia.
Ficaram no hospital muito tempo, mas por recomendação médica resolveram descansar.
Era noite e, ao entrarem em casa, depararam com Fernando, que as esperava com ansiedade.
Patrícia o abraçou e ambos se beijaram com paixão.
Com muito ódio, Isabela observava a cena.
Ao terminarem de se beijar, Patrícia comentou:
— Não sei como aguentei todo esse tormento sem você.
Nunca mais desapareça assim, sem dizer onde está.
Fernando fuzilou Isabela com o olhar, enquanto respondeu:
— Quando viajei, não imaginava o que vocês todos iriam passar.
Não costumo viajar para as filiais da empresa.
Tive de ir de última hora, mas, assim que soube pelos noticiários o que tinha acontecido, voltei imediatamente.
Sabe como a amo e o que mais quero é vê-la bem e feliz.
Isabela estava se sentindo muito mal com aquela cena.
Ia se retirar, mas Patrícia a chamou:
— Por favor, Isabela, não suba agora.
Tenho uma notícia maravilhosa para dar a vocês, principalmente a Fernando.
Ela ficou ainda mais irritada.
— Não vejo o que pode ser maravilhoso com Humberto entubado numa UTI de hospital.
Patrícia, com semblante alegre, colocando as mãos sobre o ventre e olhando emocionada para Fernando, comunicou:
— Descobri que estou grávida.
Vou ter um filho do homem que amo!
Quer motivo maior para minha felicidade?
Fernando, com os olhos marejados, a abraçou com força e ambos se beijaram novamente.
Muito feliz, ele dizia, beijando a barriga de Patrícia:
— Um filho!
Tudo que mais queria ter na vida.
Meu Deus, quanta felicidade.
Sei que não mereço, mas estou muito feliz.
Além de tudo, a mãe de meu filho é a mulher que mais amo no mundo.
Como posso fazer para agradecer tamanha felicidade?
Isabela sentiu-se tontear e quase foi chão, não fosse o mezanino no qual se amparou.
Patrícia percebeu e correu para socorrê-la.
— O que aconteceu com você?
Parece que vai desmaiar.
Venha, sente-se no sofá.
— Senti-me mal de repente.
Não sei o que me deu.
Não se preocupe, vai passar.
Fernando, com ar de ironia, indagou:
— Por acaso seu desmaio ocorreu por causa da notícia da gravidez de Patrícia?
Ela, mesmo com ódio, fingiu.
— Talvez. Desde que Daniel morreu, fico mal com qualquer assunto ligado a crianças.
Por favor, me perdoem, vou me retirar.
Peçam a Eudásia que me leve um copo com água, preciso tomar um calmante.
— Quer ajuda para subir?
Era a voz irónica de Fernando mais uma vez.
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Re: NADA É PARA SEMPRE - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Dez 26, 2017 9:11 pm

— Oh, sim, ainda estou muito tonta.
Acredito que minha pressão tenha caído.
Ele foi subindo com Isabela lentamente pela longa escada.
Quando se viram a sós, ela falou entre dentes:
— Não pense que isso vai ficar assim.
Nunca será feliz com a Patrícia enquanto eu viver.
Antes, ela ou você terá de morrer.
Fernando sentiu vontade de esbofeteá-la até a morte, porém teve de se conter.
Ainda assim, completou com voz que o ódio enrouquecia:
— Não tente atravessar meu caminho ou quem vai sair morta dessa história será você.
Sabe muito bem do que sou capaz.
Esqueceu as bofetadas que lhe dei?
Usei você até quando foi conveniente, agora acabou.
Amo Patrícia de verdade e é com ela que vou ficar, custe o que custar.
Esqueça que eu existo ou terá sérios problemas.
Se acontecer qualquer coisa com Patrícia, você pagará caro.
— Sabe que posso revelar a ela tudo que tivemos juntos.
Se eu o fizer, você estará perdido.
Patrícia nunca vai perdoá-lo.
Ou volta para mim ou acabo com sua vida — exclamou Isabela transtornada.
— Vai ser sua palavra contra a minha.
Posso dizer que me assediava e que, por não ter sido correspondida, inventou essa história.
Além do mais, você está perdida de qualquer jeito.
Quando Humberto melhorar e voltar para casa, você será expulsa daqui a pontapés.
Eu vou me dar bem, pois quando Humberto vir à filha feliz e grávida jamais terá coragem para revelar o que soube.
Como vê, você é a única perdedora.
O ódio tomava conta de Isabela, e ela rangia os dentes dizendo com voz entrecortada:
— Isso se ele acordar.
Daqui para lá muita coisa pode acontecer.
Tenho como matá-lo no próprio quarto sem que ninguém desconfie.
— Faça isso e eu serei o primeiro a denunciá-la.
Patrícia chamou Fernando e eles deram por encerrada a conversa.
Já no quarto, Isabela teve um acesso de ódio e perdeu a cabeça.
Desarrumou a cama, quebrou arranjos e bibelôs, atirou uma porcelana no espelho.
Quando Eudásia entrou com a água, encontrou-a em um estado deplorável.
— O que aconteceu aqui?
Por que fez tudo isso?
— Estou com ódio, muito ódio.
Eles me pagam, e vão pagar com a vida — dizia ela fora de si.
— Eles quem?
— Os malditos que me roubaram à felicidade.
Mas eu juro que eles nunca serão felizes.
Eudásia não sabia do envolvimento de Isabela com Fernando, por isso não conseguia entender de quem se tratava. Tentou acalmá-la.
— Venha para a cama, deite-se e tome um comprimido.
Vai lhe fazer bem.
Aqui todos estão nervosos com a doença do senhor Humberto.
Quando se acalmar, verá que não há motivo para tanto ódio.
Seu marido vai ficar bem, você está rica e terá condições de ser feliz.
Isabela tentou se acalmar, mas as palavras de Eudásia a irritavam ainda mais.
— Saia daqui e me deixe só! — exclamou num grito.
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Re: NADA É PARA SEMPRE - Hermes / Maurício de Castro

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