O AMOR NÃO PODE ESPERAR - Hermes / Maurício de Castro

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Re: O AMOR NÃO PODE ESPERAR - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 09, 2018 9:39 pm

Ele levou-a pela mão ao quarto de Cristiano e qual não foi à surpresa quando Camila percebeu que o cordão energético estava ligado ao ventre de Laura.
Estupefacta, Camila indagou:
- Então seremos primos?
- Isso mesmo.
Os mentores dizem que nos comprometemos mutuamente e como membros da mesma família poderemos desta vez a acertar.
Noel e Carlota apareceram no quarto e disseram:
- É isso mesmo, dessa vez podem vencer.
Muito já sofreram neste mundo por não entenderem que não devemos fazer o mal a ninguém.
Como primos deverão sublimar a antiga paixão que ainda arde entre ambos e fazer dela um sentimento superior.
Rafael mencionou:
- Fui informado por Hilário que viverei na Inglaterra, já Camila viverá aqui no Brasil, dessa forma como iremos conviver?
Noel com olhos perdidos no infinito respondeu:
- A vida tem seus meios e quando ela quer alguma coisa certamente consegue.
A vida é Deus em acção, por acaso estão duvidando do poder de Deus?
Eles se calaram e Camila disse:
- Venha Rafael, desejo mostrar-lhe o porquê das minhas dificuldades reencarnatórias.
Eles voltaram para o quarto onde Anita dormia um sono agitado.
Camila mostrou-lhe a testa e com horror Rafael perguntou:
- O que são essas manchas pretas circulando o cérebro de Anita?
Carlota respondeu:
- São massas de energias negativas que os espíritos plantaram no corpo astral dela, é através dessas massas que eles a controlam a distância.
Note que não há nenhum outro espírito além de nós nesse recinto.
É que a distância eles também enviam pensamentos e conseguem desequilibrá-la.
Rafael assustou-se:
- Eles podem nos ver agora?
- Não - disse Noel.
Estamos numa faixa de energia que eles não conseguem captar.
Eles nem sequer sabem que você será filha dela.
Camila entristeceu-se:
- Estou triste e confusa, em breve entrarei inconsciente na câmara para sofrer a restrição do corpo perispiritual e mesmo assim o medo me domina.
Sinto que amo Flávio com todas as forças do meu coração.
Temo mais uma vez recair no erro.
Talvez isso contribua para que Anita sinta ciúmes injustificados do marido.
Se hoje não desejo prejudicá-la, ainda sinto-me perdedora, afinal ela o tem como marido e esse é o maior sonho de minha vida.
Temo cair em outro deslize.
Carlota a abraçou:
- Não fique assim querida, terá todo apoio do mundo espiritual para sair vitoriosa.
Além disso, ele será seu pai, não haverá mais sentimento de paixão como antes.
Você sublimará esse sentimento, vendo no homem amado de outrora apenas um pai fiel e amoroso.
Os espíritos conversaram mais alguns instantes e logo depois desapareceram rumo às colónias que habitavam.
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Re: O AMOR NÃO PODE ESPERAR - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 09, 2018 9:39 pm

21 - DEZOITO ANOS DEPOIS
- Papai, não deixe ela nos dominar mais uma vez, eu quero minha festa de aniversário! - gritava Maria Antónia aos berros para Flávio.
Paciente ele dizia:
- Filha, pense bem...
Eu e Anita fizemos um maravilhoso baile de 15 anos, nos outros anos também houve festa, este ano deverá se conformar.
Você não precisa mais de tanto luxo, além do que já tem.
Ela irritada e com feições coléricas bradou:
- Foi ela mais uma vez!
Eu juro que ela me paga!
Sempre querendo interferir na minha vida!
Um dia ainda fujo pra sempre desta casa e ninguém mais vai me encontrar.
Dizendo isso subiu feito um furacão as escadarias e trancou-se no quarto.
Francisca que observava tudo a distância, chegou-se perto de Flávio e disse:
- Meu filho, essa menina está sendo educada de forma errada!
Meu Deus, eu não entendo um pai feito você, um sábio, um mestre, educar a filha dessa forma.
Desde que nasceu, você lhe faz todas as vontades.
É por isso que está assim, acha que para ela tudo é sem limites.
- Tia, eu fiz o que pude na educação dela, mas reconheço que Anita não colaborou.
Ela não é ligada à filha, não se preocupa com seu bem-estar, aliás, a senhora que acompanha tudo desde que ela nasceu sabe muito bem disso.
A velha e simpática senhora retorquiu:
- Não sei não...
Detesto ver cenas como esta.
Quando a mãe chegar do shopping vai ser outra briga.
Flávio ficou vermelho:
- Anita novamente no shopping?
Ela não disse que ia cuidar da assistência social do Centro?
- Isto foi o que ela disse a você.
Mas eu vi muito bem ela pegar o cartão de crédito e telefonar para Giulia combinando fazerem compras.
Flávio ficou com raiva; por que Anita mentia tanto para ele?
Amava a esposa, não queria brigar, depois conversaria com ela.
Francisca relatou:
- Não gosto de me meter na vida de ninguém, mas acho que Maria Antónia fica pior sempre que se encontra com o primo Fabrício; aquele doidivanas ainda vai colocar sua filha em maus lençóis.
- Não fale assim do Fabrício, ele é um bom menino, talvez os pais dele também tenham errado um pouco na educação, mas não é um doidivanas como a senhora diz.
Francisca levantou-se e disse:
- Você é quem sabe, agora irei ver se o jantar está pronto.
Na imensa e luxuosa sala de estar Flávio ficou sozinho. Começou a relembrar todos os factos desde o nascimento de Maria Antónia e tentaria ver com a ajuda dos seus amigos espirituais onde realmente tinha errado.
Em seu quarto, Maria Antónia chorava copiosamente.
Detestava quando era contrariada em alguma coisa.
Porque sua mãe não era tão legal como o pai?
Em sua raiva culpava Anita pelo desgosto de não ter sua festa de aniversário.
O que os amigos de cursinho iriam pensar?
A mãe, sempre a mãe!
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Re: O AMOR NÃO PODE ESPERAR - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 09, 2018 9:40 pm

Um dia ela iria ver quem podia mais.
Levantou-se da cama com os olhos inchados e olhou a decoração de seu quarto.
Pensava:
"Não gosto de nada do que ela colocou aqui!
Só gosto das fotos do meu pai que enfeitam minha vida.
Como foi boa essa ideia que tive de colocar posters dele por todo o quarto!
Como ele é lindo!
Nem parece que tem 48 anos!".
Ela continuava com o devaneio:
"Que homem lindo é o meu pai, quando me casar quero que seja com um homem como ele!
Sinto que só com um homem assim, serei feliz".
E olhando as fotos do pai, como se ele fosse um ídolo, ela conseguiu se acalmar.
Foi ao telefone e discou, esperou um tempo e uma voz do outro lado da linha respondeu:
- Maria Antónia, é você?
- Eu mesma, não sabe como já estou com saudades.
Sabe primo, acho que só você me entende.
Se eu pudesse morar aí na Inglaterra, acho que seria muito mais feliz.
Fabrício concordou:
- É verdade, sua mãe concorda de bom grado, já o tio não deixa de jeito nenhum, é muito apegado a você.
- O que me segura ainda é o meu pai, imagine agora que a dona Anita não quer dar minha festa de aniversário.
Estou com vontade de fazer uma besteira daquelas...
Ele pareceu hesitar, mas falou:
- Besteiras nós já fizemos aí no Brasil, meu pai ficou desconfiado que me envolvi com drogas, mas não pôde provar, imagine se tio Flávio descobre que você já experimentou?
Ela corou:
- Nem pensar, jamais quero dar qualquer desgosto ao meu pai.
Ele nunca vai saber, isso não irá se repetir.
- Assim espero.
A conversa durou ainda alguns minutos e logo depois eles desligaram.
Maria Antónia deitou-se na cama e fixando o olhar no rosto expressivo de Flávio numa foto na cabeceira de sua cama, conseguiu adormecer.
Pouco antes da hora do jantar Anita chegou com inúmeras sacolas de compras.
Ela, durante aqueles dezoito anos havia se transformado bastante.
Acostumada com o dinheiro fácil, nunca trabalhara.
Tentava auxiliar no Centro espiritual de Flávio, mas raramente cumpria as obrigações.
Sua diversão era fazer compras, passear pelos melhores shoppings da cidade, frequentar salões de beleza e festas.
Flávio a amava muito, todavia percebia profundamente a sua transformação.
Em comunicação com os espíritos superiores, era sempre orientado a ter paciência e tolerância com a esposa.
Hilário havia lhe dito que no seu caso as brigas e as discussões, além de provocar desarmonia no lar poderiam atrair uma separação, o que não seria nada bom, uma vez que ambos se amavam.
E assim Flávio ia perdoando suas futilidades, tendo paciência com os seus ataques de possessividade, sendo tolerante com suas amigas matronas e fúteis.
Flávio não conseguia entender por que Anita não mais engravidara desde que nasceu Maria Antónia.
A princípio ele achou que era por culpa da última gravidez cheia de problemas.
Anita continuou obsidiada até a hora do parto, só cortando o vínculo quando pegou em seus braços a criaturinha frágil e dependente.
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Re: O AMOR NÃO PODE ESPERAR - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 09, 2018 9:40 pm

Assim, sentindo o amor maternal pôde se livrar do grupo terrível que a subjugava mentalmente.
Percebendo que ela havia se curado da obsessão com auxílio de espíritos abnegados, ele a levou em vários médicos, que não constataram nenhum problema.
Olhando a esposa subir a escadaria cheia de compras sem percebê-lo na sala, ele ficou imaginando porque não pudera ter mais filhos.
Flávio ignorava que a esposa havia procurado há anos um feiticeiro, indicado por sua amiga Giulia, e através dele conseguiu uma beberagem que impedia a gravidez.
No princípio ela ficou incrédula, mas com o passar do tempo pôde perceber que funcionava de verdade.
Durante todos esses anos ela tomava a bebida religiosamente.
Jamais iria querer deformar o corpo outra vez, já bastava à primeira.
Depois, cuidar de crianças não era tão agradável como pensara a princípio.
Havia também o medo sempre presente de ter que dividir Flávio com outras pessoas, já bastava aquele Centro que tomava boa parte das horas de seu marido.
Flávio continuou meditando sem conseguir entender algumas coisas.
Por que o relacionamento entre Anita e Maria Antónia era tão difícil?
Nos primeiros anos Anita parecia amá-la de verdade.
Era cuidadosa, extremada, e nada poderia acontecer à filha sem que a preocupasse profundamente.
Às vezes ela chorava muito e só se aquietava nos braços do pai.
O tempo passou e fatos estranhos começaram a acontecer.
Maria Antónia se apegou muito ao pai e tinha ciúmes de vê-lo com a mãe.
Desde os sete anos ela discutia com Anita como se fosse adulta e só estava bem se estivesse com Flávio.
Talvez por seu temperamento estranho Anita começou a afastar-se da filha, e repente passou a olhá-la com indiferença, pois percebia que de forma indirecta e sem razão sua filha queria afastá-la do seu marido.
Maria Antónia foi crescendo e a situação se complicando.
Tudo o que a mãe dizia ou fazia, ela tinha por gosto ser do contra, e as discussões entre as duas eram inevitáveis.
O clima na casa de Flávio foi ficando permissivo ao contacto com espíritos inferiores, assim os espíritos que já mantinham contacto com Maria Antónia desde a última encarnação como Camila, voltaram a assediá-la.
Dessa forma os obsessores se instalaram naquele lar.
O Centro de desenvolvimento espiritual que Flávio dirigia com dedicação e amor, bafejando protecção espiritual, prosseguiu com seu enorme sucesso.
As sessões de desobsessão curavam muitas pessoas:
loucos irreversíveis pela medicina, neuróticos, sexólatras, violentos, subjugados e fascinados de todos os matizes.
Flávio, com o passar dos anos, sentiu sua frequência mediúnica aumentar a tal ponto que lhe foi possibilitada uma visita a um mundo distante, com uma civilização muito avançada.
Desde então multiplicara seus esforços, fazia muito para que com seus trabalhos pudesse passar tudo o que aprendia com os espíritos evoluídos.
Sabia perfeitamente das entidades negativas que viviam no seu lar com Anita e Maria Antónia, e se conseguia doutrinar muitas delas afastando-as, outras se aproximavam atraídas pelos pensamentos que elas emanavam.
Lembrou da terrível obsessão que sua esposa passou durante os nove meses de gestação.
Parecia haver enlouquecido completamente.
Quando nasceu o bebé, Anita voltou ao normal e lembrando-se perfeitamente de tudo o que havia feito chorou muito, envergonhou-se, porém Flávio com paciência e amor explicou-lhe tudo sobre o processo obsessivo pelo qual ela passara.
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Re: O AMOR NÃO PODE ESPERAR - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 09, 2018 9:40 pm

Anita pareceu ceder à espiritualidade, todavia, anos depois desligou-se completamente, levando vida fútil e vazia.
Quando desceu para jantar, vendo o marido absorto em profundos pensamentos, aproximou-se:
- Meu amor, não sabia que estava aí.
Chegou agora?
Ele beijando-a delicadamente nos lábios respondeu:
- Não, estava muito antes de você chegar, vi quando chegou com as compras.
Porque não foi ao Centro como o combinado?
Ela corou um pouco:
- Deixei a Fátima no meu lugar.
Ela aceitou e então resolvi distrair-me com as vitrines.
Ele procurou mudar de assunto:
- Já viu nossa filha?
- Não... Ela está em casa?
- Está sim e muito magoada com você!
Anita sentou-se no sofá fingindo-se de desentendida:
- Comigo, por quê?
Ah, deve ser pela festa de aniversário.
Se for por isso saiba que este ano não vai haver de jeito nenhum.
Todos os anos ela quer festa, sinto dizer, mas acostumamos mal a nossa filha.
Flávio replicou:
- Acho que devemos ceder desta vez, afinal ela é uma boa filha, merece sua festa.
- Ela é boa filha pra você, não vê como me trata?
Parece até que sou sua inimiga.
A Cleide e a Giulia já perceberam e andam perguntando o porquê desta atitude.
Acho bom que você que é o rei para ela faça alguma coisa.
- Você é que deve conquistar sua filha.
É distante e fria.
Na sociedade em que vivemos actualmente os papéis se inverteram.
Antigamente eram os pais que sofriam com os filhos; a rebeldia, a abertura dos costumes, a droga fizeram muitos pais infelizes e ainda fazem.
Porém hoje o contrário acontece: são os filhos que sofrem amargamente com as atitudes dos pais.
Muitos são autoritários, acham que são os donos absolutos dos filhos, querem dominá-los a todo custo, esquecem-se que os filhos são almas independentes e que têm um programa de reencarnação a cumprir neste mundo.
Outros fazem como você ficam frios e distantes, não dão carinho, não procuram entender o que lhes vai na alma, não são amigos dos filhos.
Se os pais soubessem a responsabilidade que têm com eles, deixariam de lado o papel social e se tornariam os melhores amigos dos filhos.
São os laços de amizade entre pais e filhos que fazem a felicidade de uma família.
Anita discordou:
- O que você diz não é verdade, não sou fria, apenas reajo às atitudes dela.
Essa menina é muito estranha, nunca a vi olhando para mim com amor, já com você, parece até paixão!
Flávio ia retrucar, mas foi interrompido pela voz de Francisca falando que o jantar estava na mesa.
Os três comeram em silêncio e logo depois cada um foi para seu aposento.
Antes de deitar Flávio foi ver a filha:
- Posso entrar? - disse ele colocando a cabeça na porta.
- Claro que sim paizinho, o senhor sempre pode tudo comigo.
Ele entrou e sentou-se na cama, colocando a cabeça de Maria Antónia em seu colo.
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Re: O AMOR NÃO PODE ESPERAR - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 09, 2018 9:40 pm

- Por que você não desceu para o jantar?
Você não comeu nada!
Pode ficar fraca.
Ela encarando-o disse:
- Não quero ver o rosto dela!
- Não fale assim de sua mãe, ela faz o que pode por todos nós, não a recrimine.
Ela não gostou do que ouviu e disse:
- Não quer dar minha festa, sempre encontra uma maneira de me contrariar.
Será que o senhor é cego?
Até tia Francisca concorda comigo.
Flávio contemporizou:
- Ela não quer dar a festa, mas eu posso lhe dar uma boa viagem.
Que tal curtir o fim de suas férias com seu primo Fabrício?
Ela deu vários pulos de alegria.
- Ah, você é o melhor pai do mundo.
Claro que quero, quero muito.
Beijou Flávio repetidas vezes no rosto.
- Agora, prometa ser melhor com sua mãe, seja mais cordata. Compreenda-a melhor.
Ela, movida pela alegria do momento, abraçou o pai e disse:
- Por você eu faço tudo!
Nesse instante havia tanta paixão no olhar da filha que Flávio se incomodou.
Tirou-a de seus braços e após beijá-la na face se retirou.
Em seu quarto Flávio remexia-se na cama inquieto.
Rezou, meditou, mas não conseguiu adormecer.
A sensação que sentiu quando Maria Antónia olhou-o daquela forma foi horrível.
Onde teria visto aquele olhar?
No fundo sentiu uma energia macabra vindo da filha.
Só quando o dia começou a clarear é que conseguiu adormecer.
No outro dia pela manhã, enquanto Flávio havia saído para o Centro, à notícia da viagem de Maria Antónia se espalhou pela mansão.
Ela e Francisca comemoravam, quando Anita chegou de surpresa.
- Quer dizer que minha filhinha vai viajar e nem sequer contou à mãe?
Fingindo não perceber o tom irónico que a mãe colocava na voz, Maria Antónia respondeu contente:
- Sim, o meu paizão me deu de presente de aniversário uma viagem à Inglaterra.
A propósito, ele me pediu que eu esquecesse as mágoas que tenho da senhora e que fiquemos em paz.
Ela correu a abraçar a mãe, que por estar na frente de Francisca retribuiu com fingida alegria.
E Anita disse falsamente:
- Que bom querida, o que eu não queria era mais uma daquelas suas barulhentas festas, porém uma viagem vem até em boa hora.
Eu te ajudo a arrumar a bagagem.
Francisca, alegre com a cena, disse:
- Oh! Que bom que a alegria voltou a reinar aqui!
E você menina, não se cansa de estar com seu primo Fabrício?
Afinal, ele estava aqui há apenas duas semanas.
- Claro que não me canso, Fabrício fala a minha língua, é o meu melhor amigo.
Nunca me dei tão bem com alguém como me dou com ele.
Francisca redarguiu:
- Óptimo! Agora vá tomar o seu café, afinal você não pode ficar fraca senão não poderá viajar.
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Re: O AMOR NÃO PODE ESPERAR - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 09, 2018 9:40 pm

Ela saiu para a cozinha e Anita foi para o telefone, discou um número e esperou:
- Alô, Giulia?
Não sabe a novidade que tenho!
Vou me ver livre da pestinha por mais de duas semanas, não é uma dádiva?
- Como assim? Fale logo!
- Ela vai para a casa dos tios na Inglaterra.
Além de ter me livrado da festa horrível, vou me livrar também de sua presença incómoda.
A amiga gargalhou:
- Sabe que você chega a ser cómica?
Nunca vi uma mãe agir assim com uma filha, você não gosta mesmo dela, não é?
Anita tentou se explicar:
- Não é isso, é que Maria Antónia sufoca muito o pai, não me deixa curtir o maridão, agora ele será só meu!
- Então você tirou a sorte grande mesmo.
E nossa ida ao shopping hoje, ainda está de pé?
- Ah, infelizmente não poderei ir, ontem notei que o Flávio não gostou muito da minha saída, e sabe como é, detesto constrange-lo faço tudo para que ele me admire e me ame.
Aliás, vou aproveitar, à tarde para ir ao cabeleireiro.
- Ah bom, vou ver se a Cleide quer ir comigo...
Ah! Você sabe da última?
A filha da Marisa está de romance com um amigo de meu marido.
- O quê? Não me diga...
Elas continuaram falando da vida alheia sem perceber que espíritos inferiores abraçavam-se a elas prazerosamente.
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Re: O AMOR NÃO PODE ESPERAR - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 09, 2018 9:41 pm

22 - O RECOMEÇO DE UMA HISTÓRIA DE AMOR
Fabrício exultou com a notícia da breve chegada de sua prima a sua casa.
Cristiano e Laura acharam estranha essa súbita viagem, porém calaram-se, a alegria do filho único era tudo para eles.
Desde a mais tenra idade Fabrício apresentava problemas de comportamento, sentia-se rejeitado como se fosse uma pessoa com motivos para esconder-se do preconceito.
Seus pais levaram-no a vários psicólogos, porém não adiantou, sua revolta continuava contra tudo e todos.
Só com a prima é que se dava bem.
Na Inglaterra ele fez diversos cursos, mas não havia ainda ingressado em nenhuma faculdade.
Na bem mobiliada sala do apartamento de seus pais, Fabrício comentava:
- É uma alegria estar com Maria Antónia, é a única que me tende.
Laura lendo uma revista, interrompeu para dizer:
- É que você precisa fazer mais amizades, socializar-se com jovens de sua idade.
Não pode continuar trancado em casa, só saindo com Maria Antónia.
Seu pai disse que quando melhorar seu comportamento vai te dar aquele carro que tanto sonha.
Ele exultou:
- Mesmo? Então juro que vou me esforçar.
Mas é difícil, sinto que as pessoas podem a qualquer momento me rejeitar, me colocar de longe...
Cristiano entrou na sala chegando do trabalho:
- Oi, soube que meu filho está com motivos de sobra para ficar contente, Maria Antónia ficará aqui durante três semanas.
Fabrício estava ainda mais alegre:
- Três semanas? Isso é uma dádiva!
Laura levantou-se indo beijar o marido.
- Hoje vamos ao Centro?
Cristiano respondeu:
- Claro! E Fabrício também deverá ir connosco.
Há tempos que dona Margareth pergunta por você, tem sentido sua falta lá.
Ele já subindo as escadarias disse:
- Não vou hoje, essa notícia me deixou muito feliz, irei me comunicar agora com Maria Antónia pela Internet, temos muito que conversar.
Laura e Cristiano ficaram tristes.
Porque o filho não se interessava pelo lado espiritual?
De repente, eles pensaram que Maria Antónia e Fabrício deveriam ser espíritos endurecidos, que viveram juntos em vidas passadas e que retornavam agora para tentarem melhorar.
Mal sabiam que o filho era a reencarnação de Rafael, que em última existência foi negro e muito discriminado.
Ignoravam também que Maria Antónia era Camila, a antiga namorada de Flávio.
O dia tão esperado chegou.
No aeroporto Laura e Cristiano foram esperar Maria Antónia que não cabia em si de felicidade.
Logo estava abraçada ao primo.
Foram para casa.
Lá chegando, Laura questionou:
- Qual o motivo dessa viagem logo no final de suas férias?
Ela franziu o cenho:
- Mamãe, como sempre!
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Re: O AMOR NÃO PODE ESPERAR - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 09, 2018 9:41 pm

Não sei como duas irmãs podem ser tão diferentes, a senhora é doce, suave, parece um anjo.
Já mamãe é fria, distante, sempre preocupada com o papai.
A senhora sabe que ela nunca me deu atenção.
Laura mordeu os lábios, sabia que era verdade, sua irmã havia se modificado muito depois que a filha nasceu, mas não podia concordar com isso na sua frente.
- Não fale isso da sua mãe, ele faz o que pode por você e seu bem-estar.
Esta viagem, por exemplo, foi por conta dela.
Maria Antónia sentou-se no sofá e com ar de enfado contou:
- A senhora se engana com a dona Anita; se estou agora na Inglaterra, podendo ficar uns dias com meu primo que tanto amo, isso se deve ao meu pai.
A sua querida irmã fez questão de não fazer a minha festa de aniversário este ano, ela sabe que todos os anos no Meu aniversário, papai dá festas.
Mas, para me provocar, como sempre, ela fez questão de dizer que não faria.
Me rebelei, jurei me vingar, e meu pai como sempre, para ajeitar a situação entre nós duas me ofereceu esta viagem.
Laura surpresa, perguntou:
- O que você fez para sua mãe lhe negar essa festa?
Deve ter sido algo muito grave!
- Até a senhora duvida de mim, tia?
Não fiz nada.
O que minha mãe sente é muito ciúme de meu pai, ela tem inveja do relacionamento que tenho com ele desde pequena, só pode ser isso.
Não tem outra explicação.
Laura também suspeitava o mesmo.
Anita, infelizmente, era muito possessiva, será que até da filha ela tinha ciúmes?
Resolveu mudar de assunto:
- Como está à tia Francisca?
- Tem se recuperado bem, eu pensei que ela nunca iria sair daquela crise horrível pela qual passou.
Foi à vez de Cristiano falar:
- Eu também.
Mas ela é uma mulher muito forte, sempre soube que sairia daquele problema.
Maria Antónia disse:
- O bom disso tudo é que ela foi morar em nossa casa, passou a ser nossa governanta e é uma pessoa com quem sempre posso contar.
A conversa continuou fluindo agradável até que Fabrício convidou a prima a irem para o computador.
Havia sites maravilhosos que ele queria lhe mostrar.
Subiram para o quarto e ficaram a sós.
Depois de muito tempo na internet, eles foram lanchar.
A cozinha estava vazia àquela hora da noite, então iniciaram uma conversa.
- Sabe prima, você é a única pessoa que me entende, parece que às vezes o mundo está contra mim.
Não me sinto bem com as pessoas que me circundam.
Ela olhou-o penalizada e disse:
- Enquanto eu estiver por perto nada de mal irá te acontecer, eu juro.
Ele embeveceu-se:
- Como você é linda!
De repente...
- Diga! De repente...
Ele ficou envergonhado, não poderia expor assim o que sentia, resolveu contemporizar:
- De repente me sinto muito bem com você, é só isso.
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Re: O AMOR NÃO PODE ESPERAR - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 09, 2018 9:41 pm

- Isso mesmo?
- É! Agora vamos dormir que já está tarde.
O papai disponibilizou o carro só para nós amanhã.
Ela alegrou-se:
- Mesmo? Que bom, assim poderemos visitar todos aqueles lugares que vimos da última vez.
Aquela turma ainda está unida?
- A turma da pesada?
Está sim, mas só tenho ânimo de estar com eles quando você está aqui.
- No Brasil também é assim.
Só tenho disposição para ir às festas quando você está lá.
E assim os dois jovens foram dormir.
Pela manhã eles foram ao lugar que planearam.
Era um bar bem movimentado apesar da hora matutina.
Vários jovens tatuados, bebendo muito, estavam lá.
Um grupo os avistou e gritou:
- É isso aí manos, quem é vivo um dia aparece!
Um jovem tatuado e fumando uma espécie de cigarro aproximou-se de Maria Antónia.
- E aí boneca, por que sumiu?
E nossa troça, hein?
Fabrício interrompeu:
- É assim que nos recebe?
Cadê o bagulho?
O outro pareceu se lembrar e disse:
- Tem para quem puder pagar, mas você é filhinho de papai, deve ter dinheiro de sobra.
Fabrício retirou alguns dólares da carteira e deu ao jovem:
- Tenho só para me divertir hoje, para mim e para Maria Antónia.
Ela estava assustada, havia experimentado droga no Brasil, mas não havia gostado muito.
Falou ao primo:
- Eu não quero e você também não deveria querer.
Continua usando esse troço?
- Não, mas com você aqui é motivo para comemorar.
Ela retirando-se disse:
- Prefiro comemorar de outra forma, se ficar aqui vou embora.
Outro rapaz já drogado, aproximou-se:
- Não estou te reconhecendo Toninha, da última vez você estava muito mais descolada.
- É que ouvi uma palestra de meu pai em que ele dizia que os espíritos viciados, que já viveram na Terra se drogam, sugando as energias através de nós.
Eles começaram a rir:
- Ah, então seu pai é feiticeiro, se entende com os espíritos?
Ela ficou com raiva, criticar seu pai era seu ponto fraco.
- Não fale assim de meu pai, ele é um Deus para mim e tudo quanto diz é sempre verdade.
Não quero e nem vou mais provar isto.
Vamos embora Fabrício.
Ele obedeceu e já no carro ela disse:
- Nossa, a turma está cada vez pior, nunca mais volto aqui!
- Também não precisa exagerar, quer dar uma de puritana?
Sei muito bem que você é chegada num bagulho, lembra lá em São Paulo?
- Eu não sou chegada, apenas provei uma vez e foi você quem me deu.
Eles discutiram um pouco, mas logo depois estavam às boas.
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Re: O AMOR NÃO PODE ESPERAR - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 10, 2018 9:14 pm

Todas as noites iam para o quarto e ficavam na internet.
Cristiano tinha controle rígido sobre o aparelho e Fabrício não conseguia entrar em sites pornográficos ou de violência.
Uma noite, os olhos de Fabrício e Maria Antónia se cruzaram de forma diferente.
Ambos sentiram um frio no peito.
Ela começou:
- Não sei...
De repente senti algo estranho por você.
Um desejo, uma sensação esquisita, sabia que você é um homem bonito?
Não tão lindo como o meu pai, mas é muito bonito!
Ele sorriu:
- Você e essa sua paixão por tio Flávio.
Ainda não conseguiu se curar?
- Claro que não!
Se ele não fosse meu pai...
Havia de tirá-lo da mamãe.
Ele assustou-se:
- Nem pense nisso!
Que coisa feia!
Ela alisou seus cabelos, dizendo:
- Não penso, sei que é impossível, meu amor pelo seu Flávio é platónico - disse meio sarcástica.
Uma entidade viciada penetrou no recinto e soprou-lhe ao ouvido:
- Não é impossível nada, boba!
Quantas filhas existem nesse mundo que se relacionam com os pais?
Muitas! Faça uma investida, você pode!
Ela sentiu um calor imenso e o rosto de seu pai apareceu-lhe vivo no pensamento.
Pouco depois falou com olhos vidrados:
- Sabe que me veio uma ideia?
Bem que posso investir no papai!
Carlota, que também estava em espírito no quarto, tentou impedir, inspirando Fabrício:
- Diga a ela que semelhante ato é um crime gravíssimo perante as leis de Deus.
Faça-a voltar em si, você pode, ela gosta muito de você.
Fabrício, ao ouvir a barbárie dita pela prima, interviu na hora:
- Isto é um erro muito grande, você é louca?
Pai é pai, respeite-o ou não serei mais seu amigo.
O incesto deve ser um crime terrível!
Ao ouvir estas palavras a entidade despida resolveu investir contra o rapaz, porém Carlota o protegeu, lançando sobre ele uma capa energética azulada.
Quando em contacto com a capa protectora a entidade foi arremessada a metros de distância.
Maria Antónia, ouvindo as palavras do primo, pareceu haver saído de um transe.
Envergonhou-se e começou a chorar:
- Não devia jamais ter dito o que disse, peço-lhe perdão.
Fabrício respondeu:
- Eu a perdoo desta vez, mas se falar de novo isto, não quero mais saber de você.
Ela, já refeita, alisou os cabelos e sem perceber o beijou nos lábios.
A partir daquele dia eles começaram a namorar escondido.
Estavam muito felizes, mais que o habitual e Laura percebeu:
- Nossa, como vocês estão alegres, o que aconteceu para ficarem desse jeito?
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Re: O AMOR NÃO PODE ESPERAR - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 10, 2018 9:15 pm

- Nada mãe - respondia Fabrício.
Talvez as visitas a lugares turísticos tenham deixado eu e Maria Antónia mais felizes.
Ela aproveitou:
- Já que estão tão felizes assim hoje, vou lhes fazer um pedido e não deve ser negado.
Maria Antónia ficou curiosa:
- De que se trata?
Laura respondeu:
- Ir connosco no Centro de dona Margareth.
Hoje à noite teremos uma reunião onde espíritos elevados darão instruções a todos os frequentadores.
Devem ir connosco.
Eles tinham um programa para a noite, mas bem poderia ser depois do Centro.
Fabrício respondeu:
- Iremos sim!
Laura ficou muito feliz:
- Nossa!
Seu pai ficará honrado com a presença de vocês.
A noite finalmente chegou e com Cristiano ao volante todos foram para o Centro.
Cristiano olhou para Maria Antónia e disse emocionado:
- Foi aqui que seu pai estudou quando era mais jovem e pôde se tornar tudo o que é hoje.
Ela respondeu:
- Sei disso, realmente, meu pai é um astro!
Cristiano sorriu:
- Esses adolescentes...
Laura, Maria Antónia e Fabrício sentaram-se com algumas outras pessoas na plateia, enquanto Cristiano foi para a enorme mesa onde outros médiuns já estavam concentrados e em meditação.
Dona Margareth, já muito velha, porém activa, deu início ao trabalho com uma prece.
Logo depois um dos integrantes da mesa abriu ao acaso O Evangelho segundo o Espiritismo e leu uma mensagem sobre os laços de família.
As luzes foram apagadas ficando apenas duas lâmpadas azuis.
Uma mulher de rosto sereno estremeceu levemente e começou a falar:
- Felizes são aqueles que buscam as verdades espirituais.
Neste mundo costuma-se dar mais valor às coisas materiais do que às espirituais.
Para ser feliz, é necessário inverter esses valores, porque o mundo material é passageiro, enquanto o nosso espírito é eterno.
Hoje vim para alertar uma jovem que necessita muito aprender isso.
O fascínio pelas coisas do mundo tomam conta de seu ser ofuscando sua visão, criando ilusões, o que fatalmente a levará à frustração e à desilusão.
É preciso ver as coisas como elas são.
Você tem endeusado pessoas sem perceber que são apenas seres humanos, com qualidades e defeitos.
É hora de sublimar este sentimento que tanto a tem prejudicado.
Essa jovem está presente e deve procurar amar seu pai com os olhos do espírito.
A vida os colocou unidos para que aprendessem a transformar o sentimento que os uniu em vidas passadas em algo divino.
Ele já conseguiu, porém você insiste em permanecer no mesmo erro.
Ouça a voz de sua alma, ela quer lhe oferecer a verdadeira alegria que a levará à felicidade.
Maria Antónia estremecia e chorava agarrada à sua tia.
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Re: O AMOR NÃO PODE ESPERAR - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 10, 2018 9:15 pm

Tudo o que o espírito lhe disse era a realidade.
Amava seu pai de forma exagerada e estranha, seria a hora de mudar tudo aquilo?
O espírito continuou:
- O amor quando vivido de forma verdadeira jamais provoca sofrimentos, muito pelo contrário, é o amor que produz a felicidade, a alegria e o bem-estar.
Maria Antónia continuava chorando sem parar, acolhida por sua tia.
O espírito se despediu e logo depois outros se manifestaram, todos falando do amor e dos laços familiares.
Quando chegaram em casa os jovens não estavam com ânimo para conversar, deixaram o programa para depois e foram para seus quartos, Cristiano, já no leito com a esposa, comentou:
- Querida, veja como a vida faz tudo certo, Maria Antónia ouviu tudo o que precisava, justamente na noite em que foi ao Centro, que bela mensagem!
Ela concordou:
- Isto é verdade, Maria Antónia é muito apegada a Flávio, assim como minha irmã Anita.
Às vezes me pergunto:
por que Flávio atrai tantas pessoas dependentes e apegadas?
Não posso negar que o apego de minha irmã e minha sobrinha é exagerado.
Não sei como ele suporta.
Cristiano sentou-se na cama e ligou o abajur:
- Laura, é fácil entender por que Flávio atrai essas pessoas.
Ele é uma luz, e todos querem ficar em volta de uma luz, às trevas ninguém dá importância.
A natureza nos mostra que a luz produz atracção por onde passa, note como os insectos voam para ela atraídos pelo seu calor e fascínio.
Assim é Flávio:
uma pessoa iluminada, abnegada e feliz.
Ninguém gosta de ficar próximo de quem se queixa ou tem baixas energias.
- Isto é verdade, mas Anita e Maria Antónia se apegam demais, tenho a impressão que o usam como muleta.
Cristiano concordou:
- É verdade, porém Flávio faz sua parte, explica que toda dependência é sinal de imaturidade e atrai sempre o sofrimento.
Elas é que não querem ouvir, neste caso a responsabilidade é toda delas.
Laura concordou e eles continuaram conversando, até que vencidos pelo cansaço, foram forçados a adormecer.
Fabrício e Maria Antónia continuavam namorando escondido sem que ninguém percebesse.
Uma tarde estavam sozinhos no quarto e Fabrício muito arrojado propôs:
- Você é tudo para mim!
Está na hora de ser minha de verdade, tem que ser agora!
Ela meio envergonhada negou:
- Acho que não é ainda a hora, está muito cedo, estamos ficando há apenas duas semanas.
- O tempo suficiente para que eu tenha certeza de que você é a mulher de minha vida.
- Eu também te amo, mas...
Sabe como é, acho que aqui no seu quarto não é lugar.
Ele com voz melíflua disse:
- Por que não? Ninguém vai chegar...
Ela acabou cedendo e já estava seminua quando percebeu uma presença no quarto.
O susto foi grande, Laura estava estática.
Eles começaram a se recompor e, refeita do susto, Laura vociferou:
- Vocês são loucos?
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Re: O AMOR NÃO PODE ESPERAR - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 10, 2018 9:15 pm

Como se atrevem a esse absurdo?
Meu Deus! O que sua mãe vai dizer quando souber? - Olhou para o filho.
- E você? Terá uma séria conversa com seu pai quando ele chegar.
Maria Antónia não pode ficar mais aqui, deverá voltar o mais rápido possível para o Brasil.
Ela, trémula de vergonha e de susto, suplicou:
- Tia, por favor não diga nada à minha mãe, meu pai ficará sabendo e não saberei como agir perante ele.
Laura sentia sua irritação aumentar:
- Ainda pede que eu omita uma situação como esta?
Seu pai será o primeiro a saber, eu mesma ligarei para ele agora e contarei tudo.
Aprendi com seu pai que devemos ser verdadeiros doa a quem doer, pois a verdade nunca é prejudicial. Nunca esconderei isso.
Fabrício gritou:
- A senhora não tem o direito de nos separar dessa forma, nós nos amamos!
Laura estava atordoada:
- Pelo visto isso não começou hoje, a situação é pior do que eu pensava, se descobrir que houve algo mais entre vocês, não saberei qual será minha reacção.
Maria Antónia chorava imaginando como seria a reacção do pai.
Por que cometera aquela loucura?
Amava Fabrício era verdade, mas sentia um pavor ao pensar que o pai pudesse perder a imagem pura que tinha dela.
Mas uma coisa era certa, nada a separaria de Fabrício.
Laura tomou um calmante para esperar o marido chegar, tendo Maria Antónia e Fabrício sentados à sua frente.
Horas mais tarde, quando Cristiano chegou, ela contou tudo nos mínimos detalhes.
Cristiano tentou acalmar-se e fazê-los perceber o erro que estavam cometendo.
Porém, eles não concordaram com nada que ele dizia.
A notícia caiu como uma bomba na casa de Flávio.
Anita rodava de um lado a outro esbravejando contra a filha.
Francisca tentava acalmá-la enquanto Flávio permanecia pensativo no sofá.
Anita vendo-o calado explodiu ainda mais:
- Não vai falar nada?
Veja no que se transformou a nossa filha, numa rameira qualquer.
Algo me dizia que ainda teríamos um sério desgosto com essa menina!
Flávio olhou-a sem se perturbar:
- Nada há de dramático.
É você que exagera as coisas, nossa filha já tem dezoito anos e o aparecimento do sexo é inevitável.
Além disso, Laura garantiu que nada de mais aconteceu, ela chegou e conseguiu impedir.
Anita continuava colérica:
- E se Laura não tivesse chegado?
Tudo estaria consumado uma hora dessa e você ainda encara com naturalidade.
Ele imperturbável continuou:
- O adolescente precisa vivenciar muitas coisas para amadurecer, o sexo e o amor são duas dessas coisas.
O que há de mal nisso?
Os pais não devem estimular a prostituição, porém a vida sexual sadia deve ser discutida com eles dentro do próprio lar.
- Não posso acreditar no que estou ouvindo, não!
Os ouvidos não são meus.
Você está compactuando com uma infâmia dessas?
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Re: O AMOR NÃO PODE ESPERAR - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 10, 2018 9:15 pm

Flávio sempre calmo respondeu:
- Não é questão de compactuar e sim de tentar compreender.
Nossa filha retorna que dia?
- Daqui a dois dias penso que estará aqui.
Francisca se pronunciou:
- Acho que os ânimos estão demais exaltados aqui, que tal fazermos uma oração chamando os guias espirituais?
Precisamos de paz!
Anita sentiu realmente que precisava de orações.
Os três unidos oraram pela família e assim ficaram mais calmos.
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Re: O AMOR NÃO PODE ESPERAR - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 10, 2018 9:15 pm

23 - AUXÍLIO ENTRE A TERRA E O CÉU
Na colónia Campo da Redenção Érica estava aflita na sala de espera de Hilário.
Ao seu lado estavam Marina e Carlota.
- Não fique aflita, Érica, tudo acontece de forma certa e Deus está no comando de tudo, para que temer?
Ela se acalmava sempre que ouvia Carlota, mas mesmo assim não conseguiu parar o turbilhão de pensamentos que lhe invadiam a mente.
A porta se abriu e um casal ainda jovem saiu dela.
Carlota, referindo-se a eles disse:
- Veja, esse casal desencarnou num desastre de carro deixando três filhinhos sobre a Terra.
Estão abalados, porém confiam em Deus.
Hoje eles vieram pedir permissão a Hilário para visitar o lar terreno, onde a prole fica com a avó materna.
Pelos semblantes felizes conseguiram permissão.
Chegou à vez de Érica, que ansiosa, entrou na sala do simpático e sorridente senhor que os convidou a sentar.
Hilário como sempre já sabia o motivo da visita e foi directo ao assunto:
- Sei que está aflita com a família de Flávio, veio pedir para intervir e auxiliar, porém este é um momento delicado, quando as pessoas terão que usar o livre-arbítrio.
Nestes casos nós não podemos interferir, apenas auxiliar aliviando as dores.
Érica começou a chorar:
- Carlota me falou do que pode acontecer e estou apavorada, meu filho não merece passar por uma coisa dessas.
Marina interveio:
- Também acho, ele é muito bom, tirou-me daquele vale onde estava perdendo minhas energias e se estou bem é por causa dele.
É uma injustiça o que ocorrerá.
Hilário olhava profundamente nos olhos da mãe e da filha, pensou por alguns segundos e respondeu:
- Observem com cautela.
Vocês chegaram a esta colónia há pouco tempo, não conseguem entender certas coisas e por isso julgam a vida injusta.
Você, Érica, que passou mais de vinte anos morando naquela organização justiceira, onde a verdade está corrompida por uma moral permissiva e ilusória, ainda tem muitos pensamentos materialistas e grosseiros.
Quando achamos que determinado fato é injusto, estamos vendo com os olhos da matéria.
Só com os olhos da alma conseguimos enxergar a verdade da vida.
Ela jamais erra, e permite que as consequências das nossas atitudes sirvam para aprendermos os valores eternos do espírito.
Marina também não está em condições de ver os factos.
Após tempos de prostituição no Vale do Amor Livre conseguiu ser libertada pela alma elevada de seu irmão e por isso julga que tem o direito de livrá-lo das provas que passará.
Ignora que a Inteligência Divina tem tudo sob controle e age sempre no bem de todos, e o faz do seu jeito, o que nem sempre ocorre da forma como gostaríamos.
Ninguém tem o poder de manipular a vida.
Querer fazer isso é uma ilusão.
Marina e Érica envergonharam-se um pouco, porém não se deram por vencidas.
Érica disse:
- Sei que Flávio me ensinou, me retirou da prisão onde vivia e por isso sou muito grata.
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Re: O AMOR NÃO PODE ESPERAR - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 10, 2018 9:16 pm

Ele é meu filho amado.
Mas será que o destino é assim inexorável e fatal?
Nada há que impeça a tragédia?
Hilário explicou:
- O destino não é inexorável e fatal, uma vez que as coisas mudam conforme as pessoas agem.
No caso da família de Flávio, há Camila que reencarnada não conseguiu vencer sua paixão inferior e seus sentimentos mórbidos.
Estudou connosco, renasceu sob a supervisão de espíritos abnegados, porém o contacto com as energias do mundo físico fez com que todas as tendências más retornassem.
Nisso não há nenhuma fatalidade.
Na Terra há dois tipos de energia predominantes:
a negativa e a positiva.
E o espírito encarnado que faz a opção pela qual vai transitar.
Maria Antónia estará de frente com uma escolha muito importante da vida dela, que vai decidir todo o seu futuro, ela vai optar pelo caminho do amor ou pelo caminho da dor.
Só ela poderá decidir o que fazer.
Marina replicou:
- Não há como Anita evitar a situação?
- Sempre existe um caminho onde se pode inverter as prioridades.
O caminho do amor é mais fácil, é de alegrias e êxitos.
Porém as pessoas estão acostumadas a pensar que o amor pode esperar.
Por isso atraem todo tipo de sofrimento.
O amor a Deus, a si mesmo, ao próximo, à natureza não podem esperar pelo dia de amanhã, deve ser vivido desde já.
Brevemente haverá um grande expurgo no planeta Terra, onde milhares de espíritos desencarnarão compulsoriamente de forma colectiva, e não terão mais a chance de reencarnar lá.
Infelizmente se Maria Antónia fizer o que pretende não poderá mais nascer na Terra.
Já Anita vive pensando que doar-se, amar, ser feliz, libertar-se, pode esperar pelo dia de amanhã.
Pelo que conhecemos da personalidade dela é provável que não consiga evitar a catástrofe.
Érica quis saber mais:
- Você fala em expurgo.
É verdade que isto acontecerá?
Na igreja sempre ouvia falar no fim do mundo, é o que ocorrerá com a Terra?
Hilário sorriu amavelmente:
- Absolutamente não.
Nosso planeta não morrerá por completo, pois está sob a lei Divina de progresso.
Todavia, seu processo de regeneração já está em andamento e certas pessoas que não acompanham a vibração do mundo novo, não poderão mais permanecer nele.
Os violentos, os assaltantes, os assassinos, os viciados em aberrações sexuais e em tóxicos, os egoístas, os orgulhosos, os que guardam ódio e os trapaceiros serão expurgados para aprenderem em um mundo mais condizente com suas vibrações.
A Terra vai entrar em um clima de regeneração e nada poderá perturbar quem permanecer sobre ela.
Marina quis saber:
- Como isso ocorrerá?
Em que data?
- O tempo ainda é uma incógnita para nós.
O que podemos afirmar segundo os espíritos mais elevados é que será em breve.
Essa varredura também se dará em plano astral.
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Re: O AMOR NÃO PODE ESPERAR - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 10, 2018 9:16 pm

O fogo purificador levará os espíritos inferiores para a crosta de outro mundo ainda primitivo e renovará a atmosfera espiritual do planeta.
As colónias e habitações dos espíritos inferiores também serão destruídas pelo fogo purificador.
Érica estava abismada:
- Trata-se de castigo contra os infractores?
A resposta foi clara:
- Castigo é uma palavra que não existe no dicionário divino.
Trata-se do retorno das próprias acções maléficas para quem as produziu.
Na realidade é o caminho da aprendizagem para aqueles que optaram pelo sofrimento.
Vivendo em um mundo primitivo, sem rádio, anestesia, cinema, recursos médicos, eles aprenderão a valorizar o dom da vida e a respeitar o espaço de cada um.
Marina voltou ao assunto anterior:
- Quanto a Flávio nada poderemos fazer?
Ficaremos de braços cruzados?
- Não, doaremos energias revigorantes e saudáveis.
Quanto ao resto pertence apenas ao livre-arbítrio de cada um.
E, mudando de assunto, hoje vocês podem visitar quem desejam.
Érica sentiu-se trémula, finalmente iria rever o seu tão amado esposo.
Marina iria junto.
Carlota que as levaria ao local pediu:
- É necessário que vocês duas estejam bem emocionalmente para fazer a visita que desejam, se forem levar energias depressivas, o melhor é permanecerem por aqui.
Marina garantiu:
- Estou bem, apesar de saudosa, mas pelo que sei saudade não faz mal.
- Eu digo o mesmo - voltou a falar Érica.
Elas despediram-se de Hilário e volitaram até a crosta terrestre.
Entraram numa creche grande e muito bem organizada, foram até uma das salas e perceberam que era a hora do lanche.
De longe avistaram uma assistente dando comida na boca de um garoto que tinha cinco anos.
A criança parecia revoltada por não conseguir comer como os coleguinhas, porém a docilidade da assistente o acalmava.
Érica emocionada dizia:
- É difícil aceitar a situação na qual renasceu meu pobre Ângelo.
Sem as duas mãos, muitas oportunidades lhe serão tiradas.
Marina abraçava-se ao garoto e dizia:
- Ah, paizinho, como te amo, sempre que puder estarei contigo.
Pena que não o valorizei quando estava na Terra, sinto que não fui boa filha.
Carlota interferiu:
- Não tenham sentimentos de pena para com ele.
Dó e piedade destroem o ser humano, pois indicam que ele não tem forças para lutar e vence.
Isso não é verdade, todo ser humano tem muita força e pode vencer esteja onde estiver.
A medicina avança e em breve ele terá mãos artificiais, podendo trabalhar normalmente como qualquer outra pessoa.
Marina perguntou:
- Por que ele escolheu vir desta forma?
- Ele quis se punir pelos actos de roubo que cometeu nas duas últimas encarnações.
Foi orientado de que podia aprender pelo amor, poderia vir com o corpo sadio e utilizar as mãos como médico-cirurgião, dando passes nos centros espíritas, ou como médium escrevendo sobre a espiritualidade e os importantes valores do bem.
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Re: O AMOR NÃO PODE ESPERAR - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 10, 2018 9:16 pm

Porém ele, individualista e egocêntrico como sempre, preferiu sofrer sozinho ao invés de modificar seu carma, trabalhando em favor de si mesmo e do próximo.
- Como é ruim a autopunição!
Por isso em minha próxima encarnação farei de tudo para aprender pela lei do amor - disse Érica.
Sei que me comprometi quando fiz aquele aborto, mas estou disposta a receber aquele espírito novamente e a tratá-lo com amor e dedicação, ensinando-lhe o caminho do bem.
- Eu também - disse Marina.
Desejo fazer algo de útil para mim e para a humanidade.
As pessoas estão sofrendo muito sobre a Terra e necessitam de orientação e consolo.
Se puder contribuirei para acabar com a prostituição e ensinar a viver a sexualidade sadia.
Espero conseguir, pois assim também estarei me auxiliando.
Depois de lançar energias positivas sobre Ângelo, elas se despediram e foram para a casa de Flávio.
Fazia dois dias que Maria Antónia havia retornado da Inglaterra e o clima estava péssimo em todo o ambiente.
Fechada em seu quarto ela dava vazão às lágrimas, enquanto Anita recebia na sala sua amiga Giulia.
- Ai, como me arrependo de não haver dado aquela festa que a pestinha pediu, para mim tudo foi pior, só pode ser castigo.
Giulia mexendo delicadamente no belo arranjo de flores ao lado do sofá concordou:
- Foi mesmo, essa menina merecia uma bela sova, imagine, namorar com um primo!
Se fosse minha filha, mesmo nessa idade apanharia.
- Imagine se o Flávio vai deixar!
Ela nunca apanhou na vida porque o pai não permitiu.
Acho que deixei o Flávio cuidar demais dessa menina, por isso deu no que deu.
Ele prega que os castigos e surras não educam ninguém, imagine só.
Se não fosse ele, Maria Antónia veria o que é uma boa educação.
Giulia com um tom admirado na voz retorquiu:
- Engraçado...
Na sociedade você e o Flávio são admirados como um casal modelo.
Ninguém imagina que você vive nesse clima com sua filha, para todos você é a mãe bondosa e perfeita.
Anita declarou:
- Faço isso para não deixar minha imagem manchada.
Mas entre mim e o Flávio tudo é às mil maravilhas, nisso todos têm razão.
Mas não sei o que acontece entre mim e Maria Antónia, parece que somos completamente estranhas, inimigas, talvez.
Desde que ela nasceu perdi muito espaço junto ao Flávio, ele só dá importância a ela.
Isso me ofende muito.
- Você deve se conformar, afinal filhos são para a vida toda.
Ainda bem que sou feliz com os meus.
Onde está Maria Antónia agora?
- Lá no quarto chorando, fazendo drama para o pai derreter-se todo e liberar o namoro.
Francisca subiu as escadarias com uma bandeja de lanche, olhando de soslaio para as duas.
- Essa velha maluca é outra que perturba a minha vida.
Desde que se mudou pra cá vive se metendo em nossos problemas.
Quanta coisa tenho de aturar pelo meu marido!
Giulia estava curiosa:
- Afinal, por que essa Francisca veio morar aqui?
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Re: O AMOR NÃO PODE ESPERAR - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 10, 2018 9:16 pm

Ela não tinha uma bela casa em bairro elegante?
- Nossa, você está mal informada, parece que nem somos amigas - retorquiu Anita.
Essa velha meteu-se com uma confecção há tempos e não deu certo, não tinha tino para os negócios.
A loja foi endividando-se e ela começou a tomar dinheiro com agiotas.
Como a crise não foi superada, teve que vender a casa e a loja.
Como único parente no Brasil Flávio deu guarida a ela aqui.
Agora está como governanta.
Veja só, não faz nada aqui, mete-se na minha vida e ainda ganha por isso.
Só mesmo nessa família!
Giulia lamentou:
- Avalio sua dor querida, se ao menos seus pais estivessem vivos, você poderia passar uma temporada com eles como fazia antigamente.
- Nem fale Giulia, nunca vou perdoar Deus por ter matado meus pais daquela forma naquele desastre.
E o Flávio ainda garante que a vida faz tudo certo.
A amiga ouvia admirada:
- Quer dizer que você não segue a filosofia dele?
Estou admirada cada vez mais com você.
- É claro que não dá para não acreditar em algumas coisas, porém na maioria das vezes finjo que aceito.
Sabe como é, uma esposa apaixonada faz tudo pelo seu casamento.
Nessa hora Francisca interrompeu:
- Com licença, Anita, mas preciso falar com você seriamente.
- Do que se trata?
Se for sobre Maria Antónia, nem quero saber!
- É sobre ela sim.
Acho bom você fazer alguma coisa antes que ela adoeça.
Levei o lanche e ela não comeu.
Isso já faz dois dias, o que quer?
Que ela seja internada?
- Ora, como se a culpa fosse minha.
O que ela está fazendo é só para chamar a atenção do pai, pensa que não sei?
Francisca pediu:
- Por favor, converse com ela, diga que libera esse namoro.
Você sabe como são essas coisas de adolescente, logo tudo passa.
Anita teve um ataque de fúria:
- Não acredito que ela ainda mantém esse pensamento!
Vou já falar com ela.
Direi umas boas verdades.
Francisca interrompendo a passagem da escada bradou:
- Veja só o que vai fazer para depois não se arrepender.
O Flávio é muito paciente, mas uma hora dessa pode mudar, cuidado!
Encarando-a com rancor Anita vociferou:
- Saia da minha frente, eu sei como educar minha própria filha, afinal eu sou a mãe.
Francisca saiu e sem olhar para Giulia, foi rezar em seu quarto.
Aquela casa precisava muito de boas vibrações.
Anita invadiu o quarto da filha, onde grossas cortinas impediam a luz do sol de penetrar.
Vendo Maria Antónia com a cabeça nos travesseiros, perdeu a paciência.
- Eu pensei que você já havia se conformado, mas não!
Agora está recorrendo à boba de sua tia.
Saiba que aconteça o que acontecer você não irá jamais continuar o namoro com o Fabrício.
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Re: O AMOR NÃO PODE ESPERAR - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 10, 2018 9:17 pm

Eu não permitirei.
Maria Antónia, o poço vivo da obsessão, levantou transtornada, olhos vidrados a encarar a mãe com rancor:
- Miserável, é assim que quer destruir a minha vida?
Saiba que sou mais forte e vencerei.
Tenho condições de tirar o papai de você para sempre!
Anita empalideceu, será que estava ouvindo direito?
- Você disse o quê?
Repete, que eu não entendi bem.
Sem se esquivar, Maria Antónia continuou colérica:
- É isso mesmo dona Anita, você me separa do Fabrício e eu torno sua vida um inferno.
Faço meu pai te abandonar.
Você morrerá sozinha e abandonada.
Anita, sem se conter, desferiu um forte tapa no rosto da filha, que tombou ao chão.
Maria Antónia, de onde estava, repetiu entre dentes:
- Você vai me pagar por isso, eu juro que vai.
Maldita seja você e sua alma!
Primeiro rouba o meu pai, agora rouba o Fabrício.
Um dia ainda sentirá o peso de minha ira.
Anita, olhos desafiadores, respondeu:
- É o que veremos.
Bateu a porta e desceu as escadas deixando para trás todo o ódio e rancor da filha.
Giulia já havia partido e ela resolveu tomar uma ducha e tentar relaxar.
Em seu quarto Maria Antónia estava com ódio triplicado.
Espíritos inferiores já em simbiose intuía-lhe várias ideias.
Ela rodava sem parar, atormentada por tantos pensamentos.
Não saberia viver sem Fabrício, sua mãe haveria de lhe pagar.
Ela precisava pensar numa maneira de neutralizar a atitude da mãe, mas como?
Pensou, pensou e conseguir achar uma saída.
Até que de repente uma ideia veio-lhe a mente e tomou forma.
Era isso que iria fazer!
Como não pensara nisso antes?
Rapidamente consultou a lista telefónica e achando o numero, discou:
- Alô, preciso falar com Janjão, ele está?
Uma grossa voz masculina, sem nenhuma simpatia, perguntou:
- Quem deseja falar?
É que ele está sempre muito ocupado e só fala com pessoas que tenham assunto importante.
- O meu assunto é importante, posso falar com ele amanhã de manhã?
Diga que é a Maria Antónia de Menezes, certamente se lembrará de mim.
O outro demorou alguns instantes, depois respondeu:
- Tudo certo garota, amanhã ele irá recebê-la.
Ela agradeceu e desligou.
Seu plano seria perfeito, ninguém iria desconfiar de nada.
Desceu mais refeita e já encontrou o pai na sala.
Correu a abraçá-lo.
Flávio retribuiu o abraço com prazer, adorava ver a filha feliz.
O que tinha acontecido?
Por que apesar das confusões ela estava feliz?
Vendo a filha abraçada ao marido Anita perguntou:
- Nossa, essa sua filha é uma caixinha de surpresas!
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Re: O AMOR NÃO PODE ESPERAR - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 10, 2018 9:17 pm

Há menos de meia hora estava no quarto, me agredindo e chorando.
Agora já ri e o abraça.
Maria Antónia esclareceu com fingimento:
- É que pensei em tudo o que a senhora me disse e resolvi seguir seus conselhos.
Meu lance com o Fabrício não pode continuar.
A senhora estava coberta de razão.
Flávio sentiu-se mal.
De repente, uma onda de energias pesadas invadiu o ambiente.
Ele não saberia de onde vinham, mas as estava sentindo.
Seria da filha? Algo lhe dizia que ela estava mentindo.
Resolveu arriscar:
- É isso mesmo que quer para sua vida, filha?
Pense direito, sei que sua mãe tem boas intenções, mas só você pode decidir seu destino, sei que é forte e capaz.
Os olhos de Maria Antónia brilharam.
Como o pai era maravilhoso!
Resolveu continuar com a mentira:
- É isso mesmo pai, resolvi pôr um ponto final nessa história maluca.
Desejo toda a felicidade a Fabrício, mas sei que não será comigo.
O meu namorado ainda vai aparecer.
Flávio fingiu acreditar e não perguntou mais nada.
Foram jantar e assim esqueceram os incidentes do dia.
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Re: O AMOR NÃO PODE ESPERAR - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 10, 2018 9:17 pm

24 - A VINGANÇA
No outro dia pela manhã Maria Antónia saiu cedo em direcção a uma rua pobre da Zona Norte de São Paulo.
Tinha certeza de que era ali que Janjão morava.
Pagou o táxi, deu ordem para que esperasse e seguiu andando.
Numa rua de má aparência um sobrado luxuoso se destacava.
Ela se aproximou do portão e falou com o segurança:
- Sou a Maria Antónia, tenho hora marcada com Janjão agora de manhã, gostaria que você fosse avisá-lo.
O segurança, com cara de poucos amigos, avisou por um aparelho de rádio, que havia uma moça querendo falar com o chefe.
Após dar o nome, ele liberou a passagem e ela entrou.
Passou por um jardim bonito e foi conduzida pela empregada ao segundo andar.
Pelo corredor ela passou por várias portas até chegar a uma, repleta de seguranças.
Pouco depois estava frente a frente com o famoso traficante.
Olhando-a intimamente, ele perguntou:
- O que a traz aqui?
Veio buscar o bagulho para alguém?
Até onde eu sei você não é viciada, apenas provou aquele dia com meu filho e seu primo na festa que demos aqui em casa.
Nunca pensei que fosse voltar, afinal, filha de um homem metido a santo, sabe como é.
Ela foi directo ao assunto:
- O senhor sabe que sou amiga de seu filho e sei de muitas coisas sobre você.
Inclusive que mata sem dó nem piedade seus inimigos no tráfico.
Sei também que não faz isso pessoalmente, contrata pistoleiros especializados para esse fim.
Seu filho num "daqueles" momentos me contou tudo.
Ele cocou a barba preocupado:
- O que tem isso a ver com sua visita?
- Tudo a ver!
Quero que um de seus pistoleiros extermine uma pessoa para sempre da face da Terra.
Tem que ser um serviço bem-feito e sem deixar pistas!
Ele se admirou:
- Olha que tenho visto muito bandido por aí, da pior espécie, mas nunca vi nenhum assim com cara de anjo.
Por acaso quer matar a namoradinha de algum garoto por que está apaixonada?
Se for isso, não precisa chegar a tanto, uma crueldade praticada com classe separa qualquer casal, sem precisarmos recorrer ao crime.
Ela foi clara:
- Quero matar a minha mãe, o mais rápido possível!
Janjão abriu a boca e fechou-a rapidamente de tanta surpresa, poderia esperar qualquer maldade, mas uma dessas estava fora de seu pensamento.
- Menina, já pensou bem no que quer fazer?
Isto é muito grave.
Veja, até eu tenho amor à minha mãe, cuido dela com todo carinho.
O que a sua fez de tão sério?
Maria Antónia demorou, mas respondeu:
- Ela existe!
Isto é o que ela fez de mais grave, existir.
Janjão estava cada vez mais admirado e com um tom grave na voz ele argumentou:
- É melhor desistir do que vai fazer, certamente se arrependerá muito e não poderá mais voltar atrás.
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Re: O AMOR NÃO PODE ESPERAR - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 10, 2018 9:17 pm

Um espírito de mulher que acompanhava Maria Antónia, irritada, soprou-lhe ao ouvido:
- Não se deixe levar pela conversa dele, insista, vá até o fim.
Só será realmente feliz quando sua mãe morrer, aí terá o Flávio e o Fabrício só para você.
Não seja fraca!
Ela não registrou suas palavras, mas de repente sentiu aumentar o desejo de ver sua mãe morta:
- Não vou me deixar levar por suas palavras.
Quem é você para me dar lições de moral?
Sei que já tem mais de quarenta mortes nas costas.
O que quero é que você contrate a qualquer preço um de seus pistoleiros para dar cabo de minha mãe o mais urgente possível.
Não posso esperar mais.
Ele coçou a barba indeciso, depois retrucou:
- Está bem, poderei contratar uma pessoa de Goiás que trabalha pra mim.
Mas ela cobra caro e eu também quero minha comissão.
- Já esperava por isso.
Tenho como conseguir esse dinheiro.
Entre em contacto com ela o mais rápido possível.
Desejo saber o valor ainda hoje.
Este aqui é o número de meu celular.
Ela pegou um pedaço de papel com um número anotado e deu para ele.
Logo depois se despediu e foi embora.
No trajecto de volta para casa Maria Antónia sorria satisfeita.
Com esse ato ficaria livre para sempre de sua mãe e teria seu namoro liberado. Depois cuidaria para que Flávio não se casasse novamente, não suportaria vê-lo com outra.
Quem tivesse visão espiritual perceberia vultos negros andando de mãos dadas com Maria Antónia, que estava à beira de cometer mais um crime.
Porém, nada acontece sem que as forças do bem estejam atentas, e em Campo da Redenção os mentores juntamente com Marina e Érica estudavam o caso.
- É triste perceber que apesar de tudo Maria Antónia não conseguiu vencer sua paixão - lamentou-se Carlota.
Tudo fizemos para que ela pudesse crescer sem sofrimento, mas por livre-arbítrio escolheu o caminho da dor.
Às vezes penso que ela está regredindo espiritualmente.
Hilário explicou:
- Isto seria impossível.
Na escala da perfeição ninguém desce, apenas estaciona.
No emaranhado das reencarnações sucessivas podemos perder até mesmo as conquistas intelectuais, porém as morais jamais são perdidas.
Acreditem, Maria Antónia não está madura para agir diferente, além do mais ela encontra reciprocidade.
A energia da mãe está atraindo esse crime.
- Que horror! - bradou Érica sem entender.
Onde está Deus que não impede esse crime?
Estará omisso?
Hilário sorriu:
- Dia chegará em que todos perceberão como Deus age, accionando a evolução.
No movimento de seres que povoam o Universo, os mais inferiores auxiliam o progresso de outros e assim por diante.
Se as pessoas vencessem a violência íntima, lutassem para banir o pessimismo e o medo do coração, ninguém mais seria assassinado ou violentado.
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Re: O AMOR NÃO PODE ESPERAR - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 10, 2018 9:17 pm

Anita não tem a violência estampada no rosto como muitos a tem, porém acredita no mal, teme o mal, acha que ele é mais forte que o bem, vê sua filha como uma rival.
Ao lado de Flávio teve a oportunidade de se modificar, porém a ignorou.
Leva vida fútil onde o materialismo impera.
Se Maria Antónia conseguir o que pretende será porque a mãe necessita desta experiência para evoluir, não como fatalismo, mas por afinidade.
Marina pareceu entender:
- Então é por isso que as pessoas são assassinadas?
Elas atraem o crime para suas vidas?
- Lógico! Não existem vítimas inocentes sobre a Terra.
Num crime, num assassinato, o que há é o encontro de vibrações do assassino com o assassinado.
Na Terra há pessoas "assassináveis" que morrem com facilidade, seja por balas perdidas, crime premeditado, passional, etc.
Essas não estão dando o melhor de si em seu nível de evolução, estão carentes de si mesmas e de Deus.
Em contraposição existem pessoas "não assassináveis"; essas não morrem através da violência, do crime, do roubo e nem são violentadas, isto se dá porque já venceram a violência íntima, acreditam na força do bem, cultivam a espiritualidade, são optimistas, não dramatizam nem invadem a vida alheia.
Infelizmente, se Anita morrer é porque é "assassinável".
Érica em dúvida questionou:
- Então, quer dizer que o acto de Maria Antónia está certo?
Ela não será castigada por Deus?
Hilário delicadamente respondeu:
- Um crime, de qualquer espécie só traz resultados negativos, portanto é sempre um mal.
Deus não castiga ninguém, todavia dirige o Universo através de leis perfeitas e imutáveis que dão sempre a cada um segundo suas obras.
O espírito que hoje chamamos de Maria Antónia, já viveu como Helena; naquela época já acreditava na violência, por isso optou por matar Anete, sua rival no amor por Henrique.
Recebeu a violência de volta quando foi assassinada pelo capanga que virou seu amante.
Em sua penúltima reencarnação continuou acreditando no mal, como solução de problemas e novamente morreu assassinada.
Agora mais uma vez recorre ao crime e desta vez o pior de todos:
contra a sua própria mãe.
Certamente sofrerá muito com essa atitude.
É uma obsidiada em altíssimo grau.
Marina perguntou:
- Será justo Anete morrer assassinada mais uma vez?
E pela mesma pessoa?
- Para Deus ela estará sempre aprendendo ainda que pelo caminho da dor.
Quando viveu como Anete, julgava-se fraca e Indefesa, acreditava na força do mal, temia o mal.
Por isso foi morta tragicamente.
Na presente existência, para fugir da experiência anterior, seu espírito entrou nas ilusões.
Acha-se dona de Flávio, pensa que pode fazer o que quer por causa do dinheiro e da influência do marido.
Prometeu amar, melhorar-se, aproveitar a evolução de Flávio para crescer junto, porém tem invertido todo o processo.
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Re: O AMOR NÃO PODE ESPERAR - Hermes / Maurício de Castro

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