O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 10, 2018 9:56 am

Adriano arquitectou uma revolta na Cidade dos Nobres e mobilizou várias entidades para fazerem um levante e tomarem o poder local.
Os dirigentes ficaram cientes disso e houve um clima de tensão e revolta muito grande, o que provocou desestabilização das amarras energéticas que protegiam as entradas e os muros da cidade, favorecendo a invasão de entidades estranhas.
O grupo dirigente conseguiu tomar o controle local e refazer a segurança, depois de muito tumulto.
Adriano foi isolado e colocado numa prisão astral.
Ele já está por vários meses isolado, num intenso processo de revolta.
Espera-se que, após esses momentos de catarse e profundo sofrimento, possa se dobrar humildemente diante de Deus e pedir ajuda ao Alto.
Há momentos em que ele chega à beira desse processo, de deixar brotar rastros de humildade interior.
E espera-se que muito em breve esteja criando condições vibratórias para ser resgatado e levado para uma colónia espiritual ligada a grupos cristãos.

1 - Urubus do Umbral é um apelido que faz parte do jargão adoptado no Umbral da região geográfica do Brasil.
São espíritos negativos que ficam esperando pessoas que desencarnam perdidas, tontas, sem consciência ou sem protecção, com o intuito de sequestrá-las e levá-las como "escravos" ou ovóides astrais, além de sugar-lhe as últimas "gotas" de ectoplasma.
Esses "urubus do Umbral" normalmente são servidores de grupos comandados por líderes das Sombras.
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Ave sem Ninho

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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 10, 2018 9:56 am

IX - Fugindo de si próprio
Luiza é um senhora recém-desencarnada.
Deixou o marido, três filhos e quatro irmãos, sendo um mais velho que ela e outros três mais novos.
Está sendo analisada há alguns dias por representantes da Cidade dos Nobres, e em breve receberá o laudo que divulgará se a desejam ou não naquela cidade umbralina.1
Sabem que ela é bastante inteligente, mas se encontra em um estado de desequilíbrio muito grande.
Precisam então captar mais informações sobre suas reais potencialidades e tendências.
Ela está em pleno Vale dos Espíritas, na zona descampada, vagando desorientada, mergulhada em profundo estado de medo e elevado grau de revolta, por sentir seu orgulho machucado.
Com os olhos fixos, arregalados, evita tomar contacto consigo mesma e encobre pensamentos e sentimentos que brotam de seu íntimo à medida que caminha, e fica observando o que vê ao seu redor, como gritos de sofrimentos, revolta e amargura, entidades profundamente tristes e inertes por estado de depressão.
Os chamados "urubus" do Umbral já a rodearam para verificar se ela estaria suficientemente fraca, e em estado de torpor acentuado, para que fosse raptada, mas não conseguiram realizar tal intento.
Eles costumam fazer suas incursões no Umbral junto com entidades muito bem preparadas em técnicas de hipnose, que ficam emitindo sons ou sussurrando ao ouvido dos recém-chegados do plano físico, conforme cada caso, falando, por exemplo, palavras monocórdias e de volume linear que as tornem mais fracas mentalmente e susceptíveis ao sequestro, tipo:
"Você é fraca.
Você não tem ninguém que a proteja.
Você é culpada por sua própria morte e por tudo o que fez de errado na vida.
Você será nossa!
Entregue-se a nós e terá uma chance de ter alguma recompensa.
Você está morta e vai dormir agora.
Relaxe, relaxe, relaxe!
Durma e só encontrará a segurança connosco", e assim por diante.
Todos esses seres são comandados por entidades inteligentes e diabólicas das zonas inferiores do Astral.
É importante salientar que essas entidades hipnotizadoras são utilizadas muitas vezes para obsidiar encarnados.
Há muitos obsessores que participam de treinamentos no Astral inferior sobre técnicas de obsessão que envolvem não somente essas práticas de hipnose como outras técnicas sofisticadas de psicologia, voltadas para o domínio de mentes e para ampliar processos de vampirismo, conexão simbiótica de estado vibratório e de possessão (dependendo da falange negativa a que estejam vinculadas, essas entidades costumam adoptar altas tecnologias de electrónica astral desenvolvidas por cientistas das zonas inferiores, como a adopção de chips e artefactos para agregar nos corpos subtis do obsidiado e assim aprimorar o processo de vampirismo e simbiose energética).
Luiza foi, em vida física, assídua frequentadora de determinado centro espírita, em cidade nordestina do Brasil.
De família tradicional de usineiros de açúcar, nasceu e viveu em ambiente farto, do ponto de vista material, e de boas oportunidades de educação.
Mulher refinada, costumava fazer trabalhos de caridade, conforme as tradições católicas de seus pais e avós que sempre buscaram doar roupas, utensílios e até dinheiro para famílias necessitadas, especialmente aquelas que trabalhavam na usina de açúcar da família ou que possuíam parentes que, mesmo não trabalhando directamente na usina, tinham alguma ligação com a cidadezinha ao redor da plantação de cana-de-açúcar, e que viviam em condições materiais difíceis; na maioria das vezes, muitos trabalhavam temporariamente como cortadores de cana, na época da colheita.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 10, 2018 9:56 am

De facto, a família da Luiza tinha bons costumes cristãos; no entanto, ainda estavam ligados ao aspecto puramente externo da atitude cristã.
Por causa de ligações com a política, desejavam costumeiramente mostrar aos outros que eram bondosos e, assim, buscavam ser benquistos na redondeza da cidade onde residiam e nas proximidades da região onde plantavam e processavam cana.
Com o chegar da idade adulta, e após estudar no Rio de Janeiro e passar um ano fora do Brasil, Luiza se engajou nas actividades da empresa da família, gerenciando a área comercial e realizando bom trabalho no campo da exportação de açúcar.
Na capital, onde morava, começou a frequentar um centro espírita por indicação de uma amiga.
Passou a ler os livros da doutrina e durante certo tempo continuava frequentando a Igreja Católica.
Casou-se com Juliano, advogado renomado na cidade, com quem teve três filhos:
Fernando, Gabriel e Alessandra.
Na verdade, encantou-se com o espiritismo porque seus conceitos lhe eram mais sensatos e respondiam a perguntas que sua religião original não conseguira explicar-lhe.
Com o passar dos anos, a actividade açucareira começou a exigir novas tecnologias de plantio e processamento para competir com empresas de São Paulo.
Era necessário uma nova postura gerencial dos negócios, pois as empresas familiares que não estavam se modernizando começaram a entrar em decadência financeira, como a de sua família.
Houve demissões, redução da área plantada e do volume de processamento de açúcar, que passou a atender mais a mercados locais.
E em consequência disso, os lucros da família despencaram.
As despesas com luxo e excessos foram cortadas.
Tal situação, entretanto, não conseguia mudar os hábitos aristocráticos de alguns membros da família, levando dois dos seus irmãos a mergulhar em dívidas enormes.
Os pais de Luiza haviam desencarnado naquele período, já com idade avançada e sérios problemas de saúde, e os irmãos tocavam os negócios.
Luiza passou a ser sustentada exclusivamente pelo marido e tiveram que apertar as despesas dos filhos.
Essa situação levou Luiza a viver certa revolta e a entrar em conflitos, pois esperava mais protecção de Deus nos negócios.
Lembrava-se de que no passado, por várias vezes, seu pai levara um padre amigo a rezar missas dentro da empresa e que isso protegera os negócios por muitos e muitos anos.
Lembrava-se de que por várias ocasiões colocara o nome da empresa e de seus irmãos no caderno de preces do centro espírita que frequentava.
Lembrava-se das ajudas oferecidas a famílias necessitadas, principalmente as ligadas ao pessoal que trabalhava na usina.
Certa vez, Luiza passou por uma crise intensa de vesícula; foi submetida a cirurgia para retirá-la, e quase desencarnara em decorrência de um choque anafiláctico, no momento da anestesia.
O médico teve que suspender o procedimento, deixá-la recuperar-se e fazer testes com outros anestésicos para verificar a qual deles ela não teria reacção alérgica.
Ao viver essa situação, Luiza teve forte medo da morte.
Ficou traumatizada e passou a cair de cabeça na doutrina espírita, convencendo seus filhos e o esposo a frequentar o centro onde costumava ir, havia algum tempo (antes, normalmente, ia apenas para assistir palestras e tomar passes).
Já com mais de dez anos ligada à casa espírita, passou a se integrar às actividades de assistência social e aos trabalhos mediúnicos.
Tinha no fundo da alma um medo que a mobilizava a frequentar os trabalhos espirituais. Já com bastante cabedal intelectual sobre a doutrina e outras obras adjacentes, Luiza estava excessivamente presa aos aspectos intelectuais, e raramente conseguia por em prática o aprendizado em forma de acções, principalmente no trato com seus sentimentos necessitados de transformação.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 10, 2018 9:56 am

Afeita aos bons pratos, aos doces e à pesada culinária nordestina, recusava-se a fazer exercícios físicos, sob o argumento da falta de tempo.
Com o passar dos anos, já com sessenta e nove anos de idade, sofria de problemas crónicos de diabetes e colesterol, além de reumatismo.
Seus desequilíbrios de saúde a levaram ao desencarne.
Luiza sempre ouvia falar no centro sobre renovação íntima e acreditava que seu trabalho espiritual estava cumprido, haja vista tudo o que fazia nas actividades espirituais e tudo o que fizera para sua família, especialmente cumprindo os deveres de esposa e mãe.
Desencarnou cheia de medo, sentimentos de culpa, revolta, e fugindo do contacto com seu mundo interior.
Já no Astral, no Vale dos Espíritas,2 deparava-se com conhecidos que haviam frequentado o mesmo centro espírita que ela e, sem tentar conversar ou questionar nada a quem quer que fosse, seguia sem rumo, desorientada, até sentar-se numa pedra.
Ao desencarnar, é normal que o espírito se defronte consigo mesmo; no entanto, Luiza se acostumara a fugir de sua consciência.
Assim, certamente tenderia a manter-se nesse processo de fuga também no mundo astral.
A diferença é que as sensações e sentimentos viriam com muito mais força, já que no plano astral as energias fluem mais soltas, sem os controles impostos pelas pressões sociais.
No fundo, Luiza não queria mudar certos hábitos.
Reclamava muito de tudo e de todos.
Tudo estava errado e merecia ser corrigido, na percepção dela.
Olhava sempre o defeito dos outros.
A irritação sobrevinha-lhe à tona quando seus desejos ou intentos não eram satisfeitos.
Fora mimada na infância, criada com tudo o que queria, e, dessa forma, desenvolveu uma personalidade egocêntrica, orgulhosa e vaidosa, fortalecendo uma natureza que já trazia de outras vidas.
Achava-se mais inteligente que os outros e tinha dificuldade de ouvir opiniões que a contrariassem ou que lhe tocassem o orgulho.
Quando sofreu perdas financeiras com a crise da empresa familiar, os impulsos de ira, inconformação e elevado estresse vibraram-lhe intensamente na alma.
Com noites de insónia e cada vez mais ansiosa, passou a consumir mais doces, prejudicando sobremaneira sua diabetes.
A frequência ao centro espírita a ajudava; depois que passou a ter problemas constantes de saúde, com fortes dores nas pernas e indisposição, deixou de frequentar os trabalhos mediúnicos.
Assim, adorava tomar passes porque sentia-se melhor, mais tranquila e em condições de fazer suas orações de modo mais sereno.
Sabia que precisava exercitar a humildade e mobilizar a força de vontade em direcção à auto-renovação, que se encontrava adormecida em seu interior.
Sabia que precisava exercitar a empatia, e, assim, procurar sentir mais a dor do próximo como se fosse dela, ao invés de olhar o sofrimento alheio de longe e apenas com a mente, sem qualquer sinal de compaixão ou impulso de ajuda firme, determinada, e cheia de boa vontade em ajudar principalmente os mais simples, do ponto de vista económico e social.
A atitude soberba era muito forte nela.
Ainda que em termos de comportamento respeitasse as pessoas, trazia fortes ranços de preconceito racial, especialmente para com as de pele negra.
Em sua encarnação anterior tinha sido mendiga.
Passara frio e forne, vivia pedindo dinheiro, roupas e alimentos pelas ruas de Nova Iorque.
O pai abandonara a família e a mãe era doente e pedia aos filhos que fossem para as ruas buscar recursos para a sobrevivência.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 10, 2018 9:56 am

Desencarnou ainda adolescente.
Naquela existência, Luiza viveu traumas intensos para pagar seus débitos anteriores, e isso lhe provocava impulsos mentais de fuga que tentavam apagar sensações espontâneas de tudo o que vivera naquele período.
Ao invés de aceitar humildemente a situação, e em consequência amadurecer, optou pela revolta.
No século quinze, e depois novamente no século dezoito, viveu num mundo de riqueza, luxúria e abusos.
Possuía escravos e era servida em tudo.
Mal amada pelo grosseiro marido, membro da corte inglesa (no final do século dezoito), bela mulher infiel e cortejada pelos senhores da realeza e esposa de um velho conde francês (no século quinze), abusava da sua boa vontade.
Luiza precisava passar pela vivência como mendiga para aprender a valorizar os bens materiais e a oportunidade de vida oferecida por Deus.
Como nada no Universo fica impune e imune aos erros e equívocos do passado, a Lei do Carma é um inteligente mecanismo da Justiça Divina para proporcionar a cura dos sentimentos humanos ainda primitivos e necessitados de transformação. Graças a Deus que esses mecanismos se apresentam como infinitas oportunidades dadas pelo Pai para que as criaturas se renovem a cada instante de cada vida no eterno trilhar evolutivo.
Chega um tempo em que o espírito necessita dobrar-se humildemente diante da Lei, diante do Amor Supremo, para começar a aceitar sem revolta o que ele oferece para a própria redenção e para o encontro com a felicidade verdadeira.
Após seu recente desencarne, Luiza não poderia ser ajudada se não deixasse brotar os primeiros sinais de humildade no coração.
O plano espiritual superior não pode ajudar quem não quer ser ajudado.
É preciso respeitar o livre-arbítrio.
Ela se fechava em si mesma para o contacto com o Superior e, ao mesmo tempo, fugia do contacto com seu mundo interior no sentido da auto-análise, do encontro com a verdade, do encontro com seu orgulho, vaidade e egoísmo.
Não se pode tratar as imperfeições íntimas sem contactá-las, sem aceitá-las como parte de si próprio, para em seguida começar o tratamento de renovação dessas energias necessitadas de compreensão e amor.
E o primeiro passo de tudo é a humildade, sem o que nenhuma das fases seguintes se abrirá rumo ao equilíbrio espiritual.
Tudo no Cosmo é energia, que se manifesta de forma primitiva ou superior, e nesse entremeio ocorre o processo de transformação de uma polaridade para outra.
É onde se encontra a maior parte da humanidade, ou seja, no meio do caminho. Uns mais à frente, outros mais atrás.
Para que o trigo prolifere, é necessário deixar aparecer o joio, a fim de que possa ser percebido, descoberto e retirado do sistema produtivo sadio, não com ato de violência, mas de amor, com firme propósito de prosseguir a escalada da expansão consciencial, da caridade para consigo e para com o próximo, incondicionalmente.
Luiza ficou presa ao Vale dos Espíritas por três meses, quando então foi resgatada por membros da Cidade dos Nobres, após os dirigentes concluírem que ela era uma pessoa inteligente, preparada em conhecimentos adquiridos na Terra, especialmente em negociação comercial, o que poderia ajudar nas missões mal-intencionadas ali esposadas.
Sabiam que ela se encontrava em estado de psicopatologia acentuada e com choque emocional pelo desencarne e, portanto, bastante desequilibrada.
Ao chegar àquela cidade, recebeu tratamento de um psicólogo local, que se utilizou de uma espécie de lavagem cerebral; alguns condicionamentos por meio de expressões verbais hipnóticas, como por exemplo:
"Você está livre dos seus pensamentos de culpa.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 10, 2018 9:57 am

Reaja e sinta-se forte!
Pense que você poderá reverter o quadro de insatisfação com a doutrina espírita, que não lhe deu a cobertura espiritual esperada ao chegar aqui.
Sinta-se forte para se vingar de todos aqueles da Terra, que a iludiram.
Reaja, seu orgulho deve ser respeitado".
Essas sessões com o psicólogo foram complementadas com outros clichés que eram repetidos por várias vezes, por vários dias.
Há males que vêm para o bem.
De certo modo, Luiza reagiu bem às suas culpas, deixando-as de lado, mas por outro embarcou num caminho equivocado.
Em estado de medo, passou a colaborar com a Cidade dos Nobres em negociatas com membros de falanges negras do Astral inferior.
Seis meses depois de actuar sob influência das lideranças daquela colónia, Luiza, que era bastante inteligente e perspicaz, começou a sentir-se usada e a ficar insatisfeita com a vida que levava.
Evitava pensar muito em seu mundo interior para conhecê-lo melhor e poder tratar-se.
No entanto, não possuía má índole, apesar do forte orgulho, e isso foi decisivo para tomar consciência de que sofrerá lavagem cerebral e que se encontrava como uma verdadeira escrava daqueles seres mal-intencionados.
A Cidade dos Nobres, assim como os que se encontram no Umbral e nas zonas inferiores do plano astral, está repleta de entidades vaidosas e egoístas.
Entretanto, todos os seres humanos que estão em processo de evolução, aliás a grande maioria terrena, encontra-se ainda imersa num mundo interior repleto dessas imperfeições.
Uns estão mais atrás, outros mais à frente no tratamento dessas patologias humanas.
Para ser resgatado ou sair dessas zonas infelizes do mundo extrafísico, há de ter-se um mínimo de abertura no íntimo capaz de deixar sair um pouco de humildade, capaz de deixar de lado certo grau de dureza do orgulho, a fim de que a pessoa caia em si, sem precisar mergulhar no universo da culpa.
Alguns sinais de remorso são inevitáveis; contudo, que sejam acompanhados pela tomada de consciência de que é um espírito imperfeito, que erra e que errou, mas que está disposto a subir, a melhorar de vida espiritual, a reposicionar sua mente e sua vontade.
Certo dia, Luiza resolveu sair da Cidade dos Nobres.
Vagou por caminhos umbralinos e decidiu não mais voltar para aquele lugar.
Estava muito incomodada com o seu estado de espírito usado por mentes maquiavélicas.
O seu orgulho ferido cobrava-lhe altivez.
Saiu pelos portões da cidade e viu-se rodeada por entidades gritando, desesperadas, com aparência de desequilibrados mentais, seres amargurados, solitários, tristes, alguns raivosos e nervosos; outros, com aspecto dantesco, encontravam-se esfarrapados ou como deficientes físicos, faltando-lhes membros como pernas ou braços, resultante de acidentes recentes no plano físico.
Enfim, era um ambiente de franco sofrimento que incomodava e dava certo medo em Luiza.
Continuou caminhando e se afastando da Cidade dos Nobres.
Repentinamente lembrou-se de seus filhos e do marido, a quem respeitava e considerava muito.
Então bateu-lhe uma saudade atroz, que lhe doía no fundo do ser.
Essa conexão de pensamento e sentimento com a família fez com que ela fosse atraída para o seu antigo mundo físico.
Na medida em que sentia a dor da saudade tomando conta de seu ser, entrava por caminhos e atalhos geográficos das zonas umbralinas, como que guiada intuitiva e energeticamente para o local onde se encontravam seus entes queridos no mundo físico.
A saudade era seu combustível, e Luiza havia perdido a noção de tempo, apesar de sentir certa exaustão pelas muitas horas de caminhada.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 10, 2018 9:57 am

Quando se deu conta, estava em frente à sua antiga casa, na cidade do Recife.
Aos poucos, foi entrando na residência que lhe trazia antigas e saudosas lembranças.
Faltavam dez minutos para as vinte e uma horas.
Era aniversário de setenta anos de Juliano, que fora seu marido na carne.
Seus filhos, com os respectivos cônjuges e netos, se encontravam presentes, além de mais dois casais amigos.
Todos tinham acabado de jantar e estavam na sala de estar, sentados, contando velhas histórias que faziam lembrar os bons tempos em que Luiza vivia entre eles.
O filho Fernando, que desde o passado remoto possuía forte ligação afectiva com ela, sentiu a presença da mãe no ambiente, Ele, que seguira os caminhos de Luiza nas frequências ao centro espírita, então profundo leitor da doutrina e participante de trabalhos mediúnicos, além da alma sensível que possuía, pôde falar a todos naquele instante:
— Pessoal, sinto uma enorme saudade de mamãe; é como se ela estivesse presente aqui connosco.
Sinto uma dor descomunal no coração, um aperto dolorido de saudade; sinto que ela não está bem, apesar desses quase três anos desde que partiu deste mundo.
Acho que poderíamos fazer uma prece para ela, agora.
Juliano então endossou:
— Vá em frente, meu filho, faça a prece e vamos todos nós aqui nos sintonizar com Deus, pedindo a Ele que ajude nossa querida Luiza.
Inspirado por seu guia espiritual, Fernando então começou a prece:
Deus, nosso Pai Amado, perdoa-nos por nossos erros, nós que somos imperfeitos e tão presos às coisas mundanas, ao nosso orgulho, egoísmo e apego a tantas mesquinharias.
Queremos vencer nossas fraquezas e por isso Te pedimos força interior, clareza de consciência e bondade no coração.
Abre, Senhor, nossa mente para que vejamos com clareza nosso mundo íntimo, todo o lixo que precisa ser reciclado.
Sei que não conseguiremos fazer essa reciclagem completa de uma só vez, mas precisamos começar esse trabalho de renovação interior, sem nos preocupar em quando terminaremos esse processo, tendo plena consciência que o importante é estar a caminho da luz.
Dá-nos humildade para nos aceitarmos como somos e para podermos receber Tua ajuda, Tua luz infinita em nós.
Envolve com essa Tua luz de amor infinito nossa querida mãe Luiza, que se encontra no mundo dos espíritos e que sentimos que necessita dessa Tua luz mobilizadora do progresso espiritual.
Recebe o carinho de todos nós aqui presentes, mãe querida!
Realmente queríamos que estivesses connosco, mas Deus te levou antes de nós e por isso temos que respeitar a Sua vontade, pois estamos certos que nosso Pai Celestial sabe o que é melhor para cada um de nós.
Então não devemos alimentar a revolta e sim a resignação, a aceitação dos factos e das situações que são postas em nossas vidas, como dádivas para que sejamos cada vez melhores como pessoas, e mais maduros como espíritos.
Agradecemos a ti, ó mãe querida, pela vida que nos deste e pelo amor sem medida que nos ofereceste.
Esse amor que tu nos deste é como o amor de Deus para com Seus filhos.
Assim, aceita esse amor infinito de Deus, por meio dos servidores de Jesus que trabalham aí no mundo astral.
Que seja feita a Tua vontade, ó Pai; guarda a nossa mãe querida.
Que assim seja!
Nessa hora, mobilizados pela vibração gerada pela oração e pela percepção da presença de Luiza, o que trazia saudade aos familiares, vários dos presentes estavam com os olhos marejados de lágrimas, após a prece de Fernando.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 10, 2018 9:57 am

Luiza também ficara muito emocionada, e então finalmente se dobrava diante de Deus.
Deixava de lado o orgulho e abria o coração para receber ajuda espiritual de três entidades das falanges do Cristo que se encontravam presentes e que foram deslocadas para buscá-la.
Luiza começava a perceber a presença dos amigos espirituais e, com a abertura no seu coração, criou condições para receber a ajuda superior.
Jeová, coordenador daquela missão de resgate, e Francisca, que fora irmã carnal de Luiza em tempo antigo e usava suas vestes de antiga freira carmelita, aproximaram-se e a abraçaram, para em seguida levá-la à Colónia Espiritual Luz de Amor, no limiar superior do Umbral, onde todos vivem protegidos por forte barreira magnética e a serviço do Cristo.
Após seis meses de tratamento e recuperação no Centro de Recuperação e Readaptação Espiritual, ela começou um longo processo de psicoterapia.
Paralelamente, engajou-se em um grupo de resgate de entidades umbralinas, além de participar dos trabalhos de organização e gestão daquele centro, face a sua grande experiência em gerenciamento quando vivia na carne.
Foi-lhe dada permissão para, de vez em quando, visitar os parentes no mundo físico e prestar-lhes ajuda, na medida do possível e do permitido pela Espiritualidade Superior.
O processo psicoterapêutico a que Luiza se submeteu, e que ainda hoje está em curso, está fundamentado na reforma íntima, com o intuito de trabalhar o orgulho, a vaidade e suas diversas formas de manifestação.
É um trabalho lento e muito profundo.
Ela, que sempre fugiu de si mesma quando estava encarnada, permanecendo com essa atitude interior também depois do desencarne, continuou nessa fuga que a deixou num processo patológico de desligamento da realidade.
A realidade de uma pessoa está intimamente atrelada à sua realidade interior.
O mundo à sua volta pode sofrer alterações ou permanecer imutável, mas o que muda de fato são os componentes da vida no universo íntimo.
A vida no ambiente, sem dúvida, afecta as pessoas; no entanto, ela (a vida no ambiente) de fato existe para interagir com o universo interior de cada ser e permitir que os pensamentos e sentimentos individuais, e por conseguinte colectivos, se tornem cada vez mais cristãos e as atitudes condizentes com esses avanços evolutivos.
Há dias na vida em que a pessoa pode acordar alegre, disposta e cheia de boa vontade; há outros em que, sem que haja mudanças no mundo exterior, a mesma pessoa acorda acabrunhada, triste, indisposta e com má vontade, mostrando que o que tem de mudar são as atitudes internas.
Se a criatura passou séculos e séculos, encarnações e encarnações, adquirindo vícios, alimentando pensamentos, sentimentos e atitudes, repetidas vezes, em desacordo com a Lei Universal, certamente criará muitos reflexos condicionados nessa direcção.
Por conseguinte, um dia terá que acordar para a verdadeira caminhada espiritual rumo à sua evolução consciente, imprimindo esforço para a educação desses vícios, a fim de reposicionar-se diante do Universo.
Ocorre que isso demandará muitos dias, meses, anos e séculos, e muitas outras encarnações.
Mas uma coisa é estar mergulhado num padrão consciencial de "cegueira ou miopia espiritual" inundado de orgulho, vaidade e egoísmo tal que o impeça de crescer em espírito, e outra é reconhecer que é imperfeito e necessitado de educação espiritual e então iniciar a longa caminhada de expansão consciencial, transformação de sentimentos pesados e realização de actos condizentes com esse novo patamar, mesmo com quedas ao longo do caminho, porém com disposição de se levantar, espanar a poeira e prosseguir.
Apesar das várias oportunidades que Luiza recebeu para abrir os horizontes espirituais dentro de si mesma, repetidas vezes não conseguia encarar essa situação.
Não poderia aumentar o quantum de humildade interior, se não entrasse em contacto com o orgulho que habitava-lhe a alma para que ele fosse aceito serenamente e transformado em humildade, a partir de vivências com doses de amor, vigilância do pensamento e do sentimento, paralelamente à impressão de vontade direccionada pela mente superior.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 10, 2018 9:57 am

Estava cómodo para ela alimentar a preguiça espiritual, deixando a inércia tomar conta de sua vida e o orgulho, a vaidade e o egoísmo se fortalecerem a cada dia, ao longo de sua última encarnação.
A Bondade Divina, através da manifestação da Lei Universal, então, colocou-lhe em contacto com suas próprias imperfeições por meio das doenças, dos desafectos, das dívidas financeiras e dificuldades na vida, como fruto de um processo cármico (a Lei é perfeita e reflexo de puro amor transformador).
E ofereceu-lhe a oportunidade de conhecimento da doutrina espírita.
A partir dela, conheceu livros que lhe abriram a mente, bem como pessoas que se tornaram amigos e muitos que se posicionaram como inimigos no trabalho profissional.
Contudo, todas eram dádivas para que tomasse consciência de seu estado interior endurecido e doentio.
Orgulho machucado dói, e faltava-lhe coragem para enfrentar essa dor. Então, o orgulho se movimentava do seu campo emocional (corpo astral) para os outros corpos, ou seja, para o duplo-etérico, contaminando energeticamente os chacras, e para o corpo físico, materializando-se em desequilíbrios e estados doentios do fígado, pâncreas, estômago e articulações.
A vaidade se transformava em cegueira espiritual, e, por conseguinte, em cegueira física, com a miopia que já lhe proporcionava o uso de óculos com sete graus.
O egoísmo lhe oferecia um crescente processo de acúmulo de gordura no corpo, aliado ao colesterol e triglicéridos, entupindo-lhe as veias do sistema circulatório.
E assim, a vida de Luiza passava sem que ela percebesse os sinais que seu corpo lhe dava, muito menos o que as pessoas do seu convívio lhe informavam.
Sua dificuldade de ouvir os outros e os sinais da Espiritualidade, dado o seu orgulho endurecido, começava a lhe gerar problemas no ouvido, com constante inflamação, que depois avançou para uma labirintite e perda parcial da audição.
Para amenizar seu estresse e ansiedade, ela costumava fumar cigarros que propiciavam a aproximação de entidades viciadas no fumo para sugar-lhe as energias ectoplásmicas, deixando-a mais debilitada ainda em suas energias vitais, além de comprometer seu sistema pulmonar e cardiovascular.
O seu corpo físico carregado de toxinas, decorrente do peso que elas causavam em seus corpos subtis e que precisavam ser drenadas para a matéria mais densa, fez com que Luiza tomasse vários remédios alopáticos para aliviar dores, processos inflamatórios e desequilíbrios fisiológicos.
A debilidade orgânica geral a levou a um estado de falência e de mais uma possibilidade de encontro consigo mesma: o desencarne.
Porém, nessa hora, ela começou um novo processo de fuga de si mesma, já no Umbral, e não aceitou enxergar o seu mundo interior.
Então o orgulho misturou-se a medos diversos:
de entidades perturbadoras, de si mesma, de contactar as suas imperfeições íntimas, principalmente o orgulho.
Este, mais uma vez, passou a dominá-la e ela deixou-se levar pelas entidades que a colocaram a serviço do fortalecimento de suas falhas morais.
Após o desencarne, o enfrentamento com o mundo interior de cada um é avassalador e a fuga desse processo propicia estados psicopatológicos ainda mais acentuados no mundo astral.
Os "monstros", ou formas-pensamento negativas que viviam na intimidade do ser, tornam-se mais fortes; continuam a persegui-lo e se juntam a entidades perseguidoras do Astral sintonizadas com aqueles tipos de mazelas, em especial os desafectos do passado.
O sofrimento, o orgulho machucado e a sensação de sentir-se usada pelas mentes torpes da Cidade dos Nobres abriu-lhe as feridas internas e permitiram que esse sofrimento a levasse a tal estado de dor, a ponto de não suportar e ajoelhar-se diante de Deus e então pedir-Lhe ajuda.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 10, 2018 9:57 am

Esse acto de humildade foi providencial para seu resgate.
Evidentemente que o plano espiritual criou condições para esse momento e a induziu a caminhar até sua antiga residência, aproximando-se de seus entes queridos para vivenciar uma situação especial, a fim de que sua consciência despertasse verdadeiramente e seus sentimentos fossem tocados para os caminhos da humildade.

l - O dirigente principal e alguns dos outros membros da administração da Cidade dos Nobres são egressos da nobreza medieval de alguns países europeus, alguns dos quais passaram por templos religiosos como arquitectos e comandantes da Inquisição, e mais tarde pela antiga Alemanha nazista.
A maioria deles traz histórias pesadas também dos tempos da Antiguidade e do período atlante.
Ainda que suas mentes não possuam clara consciência daqueles velhos tempos, fazem regressões de memória com psicólogos experientes e acabam acessando muitas informações passadas.
Possuem estados patológicos de orgulho e vaidade, e apego ao poder e à luxúria, impulsos de arrogância, de discriminação dos mais simples e de racismo.
Desejam que aquela colónia seja habitada somente por entidades inteligentes e com mentes cheias de orgulho e vaidade e, assim, dispostas a despender esforços mentais para alcançar metas egocêntricas em prol dos "baixos" interesses daquele lugar.
Adoram posturas aristocráticas e costumam não gostar de quem tem a vontade fraca, e não desejam, dentre o maior número de parceiros, seres com costumes rudimentares ou grosseiros.
Apesar disso, arrebanham seres menos inteligentes ou de mente mais fraca, ou ainda entidades mais rudes, para trabalhos mais grosseiros, que são cooptados e utilizados para fazer uma espécie de escravização "branca", comercializando com eles em forma de troca de satisfação de impulsos inferiores e utilizando-os para serviços mais simples (que eles jamais fariam, por orgulho e vaidade).
Criaram uma hierarquia conhecida somente por eles, dirigentes, que é a de colocar os mais astutos ou de inteligência mórbida e subjugadora perto deles.
Sentem-se mais à vontade nas zonas inferiores e por isso costumam fazer estágios com magos negros nessas zonas.
A Cidade dos Nobres só permanece ainda no Umbral porque está habitada por muitas entidades de boa índole, ainda presas ao orgulho e vaidade, endurecidas ou mergulhadas em profundo estado de culpa.
Esses dirigentes então se aproveitam desses padrões psicológicos para dominá-las.

2 - Como dito anteriormente, existem outros vales umbralinos com as mesmas características de atracção de criaturas oriundas de centros espíritas, mas o Vale dos Espíritas a que nos referimos costumeiramente nesta obra é o maior deles e o que está no entorno da Cidade dos Nobres.
Alguns dos outros vales, e mesmo esse que é o mais populoso, também atraem ex-frequentadores de outras agremiações religiosas ou filosóficas e que se identificavam ou frequentavam centros espíritas e umbandistas.
Desencarnaram mergulhados em culpa ou imersos em padrões mentais equivocados e abarrotados de sentimentos de orgulho e vaidade.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 11, 2018 12:49 pm

X - Idas e vindas:
repelindo as mesmas lições

Fabrícia era uma senhora de setenta e oito anos.
Agonizava no leito de um hospital na cidade de São Paulo, em seus últimos instantes na carne.
As complicações circulatórias, as instabilidades causadas pelo diabetes, além da infecção hospitalar ocorrida após a cirurgia para retirada de parte do pâncreas, debilitavam seu já fragilizado corpo.
Pode-se dizer que, pelos padrões atuais, ela estava desencarnando cedo, pois, se tivesse cuidado melhor de sua alimentação, do seu elevado estado de stress e de posturas mentais-emocionais auto-destrutivas, agressivas e insatisfeitas perante a vida, certamente seu estado fisiológico estaria mais equilibrado e poderia ter levado uma vida mais saudável até os noventa e seis anos, período em que fora programado o seu desencarne.
Entretanto, apesar dessas condições predeterminadas, o plano espiritual já pressentia a sua partida antecipada.
Aliás, dispunha de cálculos estatísticos de probabilidades com base em sua natureza interior e em suas estadas anteriores na carne.
Fabrícia nasceu no Ceará e ainda muito jovem migrou para São Paulo junto com a família, que tinha posses num município sertanejo daquele estado nordestino, mas decidira buscar outros caminhos e desafios económicos.
Nunca chegou a constituir família; vivia sozinha com inúmeros gatos e, de vez em quando, a sobrinha Alice a visitava.
Os parentes a evitavam.
Percebia-se um certo grau de abandono por parte dos familiares, que a consideravam amarga para com a vida, pois ela reclamava de tudo e de todos, além de mostrar-se um tanto agressiva, apesar de ter sido muito bem educada.
Com seu português impecável, costumava criticar os que não se expressavam de maneira correta, e emanava certo desprezo por aqueles que desconheciam arte e cultura, política, enfim conhecimentos gerais.
Realmente, era uma senhora bastante culta, mas cheia de orgulho e vaidade.
Para amigos e amigas que a visitavam, costumava oferecer farta comida de boa culinária, bons doces, bom vinho e bons filmes no videocassete; mais tarde no dvd-player.
Era profunda leitora do espiritismo e de obras esotéricas diversas, passando da teosofia ao rosa-crucianismo, estudiosa da Bíblia e de vasta literatura cristã e espiritualista oriental.
Por influência da mãe, frequentara a Igreja Católica quando criança e adolescente, mas logo que chegou à idade adulta passou a buscar outras fontes de conhecimento espiritual, sendo influenciada por uma colega de faculdade, então espírita, e por outra amiga que frequentava a Sociedade Teosófica, até que descobriu a literatura espiritualista.
Fez curso de graduação e mestrado em Letras, e costumava viajar a passeio para a Europa.
Foi professora universitária, mas também fazia "bicos" como revisora gramatical, inclusive assessorando uma grande editora de livros.
No centro espírita que frequentou por longos anos, costumava realizar palestras, e nos trabalhos mediúnicos dava apoio à segurança da corrente.
Apesar de saber que todo ser humano tem algum grau de mediunidade, rechaçava a possibilidade desse tipo de contacto consciente com a Espiritualidade, sob a alegação de que não possuía mediunidade de incorporação, vidência ou clariaudiência.
Na verdade, Fabrícia fugia de sua sensibilidade, pois qualquer ser humano pode sentir as vibrações do ambiente ou de quem quer que seja, bastando dispor-se a isso, acalmando a mente agitada e deixando aflorar a sensibilidade.
Portanto, ela bloqueava o intercâmbio consciente e intuitivo, apesar de estar sempre ligada inconscientemente a entidades inimigas ou obsessores do passado.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 11, 2018 12:49 pm

Sua conduta irredutível quando se posicionava em discussões, a vaidade demonstrada ao ser elogiada após colocações verbais ou quando era ovacionada em palestras, a deixava cheia de si, fortalecendo suas convicções de que era uma pessoa inteligente, culta e preparada para desempenhar papéis que exigiam alta performance em comunicação.
Ao longo de sua vida, teve sempre a reclamação na ponta da língua, o amargor no coração, a sensação de que tudo estava errado no mundo, a postura egocêntrica de achar-se subconscientemente o centro do mundo.
Com o passar dos anos e a chegada da terceira idade, essas imperfeições ficaram mais acentuadas, porque ela não buscou o tratamento desses desajustes no campo do sentimento.
Nunca é tarde para iniciar o processo do auto-conhecimento.
Apesar de não ter trabalhado sua natureza interior na juventude e na fase adulta, poderia ter priorizado menos o contacto com o mundo externo e ter mergulhado um pouco mais no seu mundo interior, defrontando-se com seu estado de alma necessitada de aprimoramento, inclusive demonstrando um mínimo de humildade para pedir ajuda.
"Um pouco de fermento leveda a massa toda".
Essa máxima é aplicável tanto para quem alimenta os bons propósitos íntimos, como os maus.
Assim, da mesma forma que um pouco de maldade pode multiplicar-se dentro de alguém e contaminar o ambiente, o mesmo ocorre quando se coloca um pouco de bondade nos actos e pensamentos, com efeitos benéficos multiplicadores dentro de si e para o ambiente.
Ou seja, se Fabrícia se dispusesse a fazer uma verdadeira mudança interior, os efeitos alquímicos no íntimo da alma seriam multiplicados e actuariam como reforço motivacional para que persistisse no caminho.
Com toda certeza, estaria iniciando a caminhada evolutiva de forma consciente, pois, apesar de dispor de um amplo espectro de conhecimentos gerais e das coisas espirituais, não os colocou em prática dentro de si mesma.
E não se deu conta de seu endurecido orgulho e elevada vaidade, ou de seu egoísmo acentuado, a ponto de refutar as possibilidades de uma vida a dois e de gerar filhos, sempre identificando problemas nos outros e nunca nela mesma.
Ainda no período da vida adulta, não tardaria para que começasse a somatizar no corpo as doenças do espírito e iniciasse uma longa jornada de idas frequentes a médicos, bem como a fazer tratamentos paliativos.
Sua revolta contra as dietas só contribuía para as mesas fartas em gorduras, massas, carnes assadas, regadas com temperos e molhos sofisticados, ou sobremesas cremosas ricas em açúcares e gorduras.
A revolta, na verdade, decorria do orgulho de não aceitar a opinião dos amigos ou a orientação dos médicos, evidentemente tendo como substrato dessa atitude o desejo de não mudar de hábitos e de manter-se arraigada a posturas antigas, sentindo-se auto-suficiente, autoritária (apesar de negar isso e de não se perceber como tal), e de manter apego aos instintos vorazes, sem direccionar sua vontade para a reeducação (regra geral, seus instintos não eram trabalhados e ela os canalizava para a farta ingestão de comidas e outros desejos mais rasteiros, como por exemplo os relacionados ao sadismo sexual; mantinha-os latentes em pensamento e durante as noites de sono, com as viagens astrais para regiões inferiores).
Contudo, toda essa natureza estava coberta por um manto de vastos conhecimentos adquiridos na presente vida e nas anteriores.
Numa vida passada, Fabrícia fora Heidi, uma linda mulher holandesa, filha de Jan Van der Laan, comerciante com muitas posses.
Sua mãe, Maria, era filha de aristocrata e também possuía bens e boa educação.
Heidi tinha mais três irmãos, e recebera um bom padrão de educação formal dentro de casa.
Graças à proximidade com os líderes da monarquia holandesa, seu pai havia adquirido muitos acres de terras na Guiana Holandesa (conhecida então como parte das antigas índias Ocidentais, por ter sido em tempos anteriores administrada pela Companhia das índias, uma empresa privada composta por mercadores que mais tarde perderiam a gestão dessas terras para o governo holandês), sob a promessa de plantar cana-de-açúcar e café.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 11, 2018 12:49 pm

Com o passar dos anos, e vendo as dificuldades de se produzir naquelas longínquas paragens, de clima muito quente e húmido, solos pobres e falta de mão-de-obra, passou a se integrar num negócio altamente lucrativo para a época:
o comércio de escravos.
Antes de optar por esse caminho, ele se encontrava desesperado, porque investira muitos recursos na Guiana e não obteve o retorno esperado.
Realmente, estava à beira da falência quando desesperadamente optou pelo comércio esclavagista.
Trazia dívidas pesadas do passado encarnatório, relacionadas com a usurpação de bens alheios, e por isso passava por aquela situação.
Tinha recebido uma oportunidade para voltar à Holanda e trabalhar dentro do governo, evidentemente com ganhos financeiros limitados, o que implicaria em baixar o nível de vida, mas a cobiça e o forte egoísmo falaram mais alto, face à possibilidade de ganhar muito dinheiro com o comércio de escravos.
Heidi começou a ajudar o pai na contabilidade dos negócios e, por duas vezes, chegou a visitar a Guiana Holandesa (actual Suriname).
Numa delas aportou em terras brasileiras (no Maranhão) para acompanhar um negócio que envolvia a venda de escravos.
Pôde olhar com os próprios olhos as condições sub-humanas em que eram alojados e tratados os escravos e a forma com que eram comercializados, como se fossem coisas.
Certo dia, uma mãe escrava, originária da região do Congo, na África, grávida de seis meses, aos gritos, choros e desespero, com os dois filhos de três e quatro anos agarrados ao seu colo, e um terceiro de sete anos ao seu lado, aproximou-se de Heidi e pediu-lhe ajuda, para que não os separassem dela, em uma negociação.
Heidi chegou a sentir um baque no coração, mas logo em seguida se recompôs, em sua postura objectiva, fria e calculista, focando a mente no que realmente lhe interessava naqueles momentos:
os negócios da família e a necessidade de dar uma resposta eficiente ao pai, em forma de competência administrativa.
Na verdade, Heidi não era a negociante directa, pois havia um dos auxiliares de Van der Laan que comandava as negociações.
Ela apenas supervisionava a operação com os poderes delegados pelo pai, que ficara na Holanda e não pudera viajar naquela oportunidade.
Assim, teria condições de evitar aquele procedimento comercial.
A escrava, em desespero, apelou para ela na esperança de que, sendo mulher, compreendesse o que significava aquilo para uma mãe.
Após concluída a negociação das crianças, a mãe escrava virou-se para Heidi e gritou que não a perdoaria nunca e que a perseguirá até o inferno.
Heidi passaria ainda por outras oportunidades em que poderia ter perdoado ou amenizado dívidas de parceiros comerciais de seu pai.
Alguns clientes de Van der Laan, que em muitas ocasiões possuíam débitos impagáveis, foram até a presença da tesoureira dos negócios para pedir que amenizasse a dívida ou perdoasse parte dela, e, sob os olhares do pai irredutível, Heidi não flexibilizava as negociações, nem tentava falar com ele, a fim de que lhe desse aval nessas renegociações.
No fundo, Heidi sabia que o pai gostava muito dela e que, se tentasse expor argumentos, certamente ele a ouviria.
Poderia não aceitar todas as tentativas de redução de dívidas ou de novos adiamentos, mas algumas delas certamente seriam aceitas.
Com o passar dos anos, veio a abolição da escravatura na Holanda. Jan Van der Laan desencarnou e os negócios da família faliram.
Já com idade avançada, Heidi passou a viver da renda resultante do aluguel de imóveis, vindo a desencarnar cheia de remorsos pelo passado de coração endurecido.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 11, 2018 12:49 pm

Chegou a casar-se e teve um filho, para o qual não dava a atenção e o amor devidos, em razão do tempo dedicado excessivamente aos negócios da família.
Pagava empregados para cuidar dele e uma governanta para orientar sua educação.
O dedicado marido, advogado reconhecido na cidade de Roterdão, foi para o filho a maior referência no lar.
O casal teve uma relação meramente burocrática, pois Heidi não lhe dava o carinho esperado de uma esposa.
Dessa forma, Fabrícia contabilizou muitos inimigos e desafectos do passado, alguns dos quais viriam a obsidiá-la em sua estada na carne e esperá-la no Além-túmulo.
Enquanto se encontrava em estado terminal, no leito do hospital, sentia medos atrozes, sem saber conscientemente de onde provinham.
Contudo, seu subconsciente lhe enviava sinais da origem de tais sentimentos e então ela tinha sensações e impressões a respeito desse estado, como, por exemplo, medo do desconhecido, apesar de ter lido bastante sobre o outro lado da vida; medo de seres que a perseguiam, os quais pressentia que eram espíritos que havia prejudicado no passado; medo de enfrentar a própria consciência, repleta de orgulho e egoísmo nunca tratados.
Raras vezes sentia a presença de seu guia espiritual, que sempre esteve ao seu lado, especialmente enviando-lhe sugestões de posturas mais sensatas e humildes em situações importantes da vida, inclusive envolvendo-lhe em vibrações de amor.
No momento da partida para o mundo espiritual, ela começava a perceber que estava sozinha.
Advinha insegurança de enfrentar o plano astral.
Mas, ainda assim, tentava buscar no fundo da alma apoio sobre seu próprio ponto de vista espiritual, como última tentativa de garantia de segurança. Até aquele instante, entretanto, ela não se rendia à humildade.
Junto ao leito do hospital, no plano invisível, encontravam-se sua bisavó materna, seu avô paterno, duas amigas de longas caminhadas reencarnatórias, uma das quais fora sua mãe e a outra irmã carnal, e seu guia espiritual.
Todos tinham solicitado ajuda a entidades superiores para recebê-la, mas não podiam ir além de suas possibilidades, ainda mais sem a vontade dela e um mínimo de humildade.
Por outro lado, três entidades carregadas de ódio e sentimento de vingança também esperavam por Fabrícia:
uma trazia dois capatazes, que pretendiam arrastá-la para zonas inferiores, onde ficaria aprisionada.
Uma das entidades revoltadas estava ligada à Fabrícia nesta actual encarnação, pois fora processada pela justiça terrena por indicação dela, além de ter sido despejada e ficado o resto da vida dividindo uma quitinete com uma tia, em local insalubre, o que lhe prejudicara ainda mais a saúde frágil.
Dona Edna tinha alugado, por vários anos, o imóvel que Fabrícia herdara da família, e por haver perdido o emprego deixara de pagar o aluguel por seis meses, sob a promessa de recuperar esses débitos ao longo do tempo.
Vários eram os seus problemas de saúde, além de outras mazelas, mas, mesmo sem o devido esclarecimento espiritual, esforçava-se para ser uma pessoa melhor, até o dia em que foi despejada por Fabrícia, momento em que passou a retroalimentar raiva, insatisfação com a vida e vingança, sentimentos que tinha vivenciado no passado e estavam adormecidos.
Evidentemente Fabrícia apenas exigia seus justos direitos legais; todavia, em nenhum momento sentiu compaixão pela dor e dificuldade da outra, nem tentou dar uma chance ou buscar uma solução plausível para o caso, como forma de ajuda àquela alma sofredora.
Tivera várias vezes chance de convidá-la a frequentar o seu centro espírita, onde encontraria uma oportunidade de emprego na livraria de um membro da directoria.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 11, 2018 12:50 pm

Esse quadro mostra a importância de o ser humano estar atento aos sinais da vida, que a todo instante indica soluções e caminhos mais adequados para serem trilhados; decisões ou sugestões mais cristãs que podem promover a desamarra de nós cármicos do passado entre criaturas em processo de reajustamento.
Outra entidade que se encontrava com ódio de Fabrícia era um velho comerciante dos tempos do cenário da Holanda, que ficara endividado com os negócios da família de Heidi e que não fora perdoado em parte da dívida indevidamente cobrada por ela.
Esse senhor fora preso pela não quitação dessa pendência, tendo em vista o bom relacionamento que Van der Laan tinha com pessoas do governo e da polícia local.
Ele acabou morrendo na cadeia, onde ficou aprisionado astralmente pelo seu ódio, por mais de cinquenta anos, quando então foi retirado por entidades amigas e bondosas.
Contudo, após ser levado para um centro de recuperação no plano astral, o ódio se reinstalou nele e, por atracção magnética, chegou até aquela que o prejudicara:
Heidi, então desencarnada do corpo de Fabrícia.
A terceira entidade era a escrava negra da antiga Guiana Holandesa, que teve seus filhos vendidos e separados dela, mesmo após suas súplicas a Heidi, que optou pelos lucros advindos da comercialização injusta, dolorosa e desumana.
Abeba estava acompanhada de dois espíritos que tinham sido seus irmãos carnais naquela época.
Eles estavam ligados a uma espécie de quilombo astral, onde escondiam sentimentos de ódio e vingança contra aqueles que os tinham prejudicado.
Lá, uniam suas forças mentais negativas e disparavam jactos de vingança, de cobrança astral.
Pretendiam levar Fabrícia para as proximidades do quilombo astral (dentro de uma caverna próxima às zonas inferiores), a fim de prendê-la e torturá-la mentalmente.
Repentinamente chegaram três membros da Cidade dos Nobres para resgatar Fabrícia, os quais encontraram dificuldades para quebrar os laços magnéticos que a ligavam àquelas entidades vingativas, e vice-versa.
O processo de desencarne dela e as lutas astrais entre os envolvidos naquela trama ainda perdurariam por aproximadamente duas semanas, gerando intenso sofrimento e estresse, atrelada que estava às entidades por fortes imantações de orgulho, ódio, egoísmo e sentimento de vingança.
Dado o seu estado de medo extremo, face ao pressentimento do que iria encontrar no mundo astral, Fabrícia sentiu vontade de dormir eternamente, como forma de evitar defrontar-se consigo mesma e com as entidades que a esperavam.
Como no plano astral não existe corpo físico para proteger o desencarnado, então, sem o envoltório carnal e diante de uma nova realidade, o que se pensa e se sente realmente acontece.
A vontade, principalmente quando firme e dirigida, tem uma força estupenda no mundo físico; no mundo astral, ela atua sobre o corpo astral de modo altamente motriz, levando-o inapelavelmente para locais condizentes com seu estado vibratório.
Assim, em coma profundo e segundos antes do colapso final, a vontade de Fabrícia de dormir se fez realidade no instante em que seu coração parou de bater.
Imediatamente, seu duplo-etérico e o perispírito sofreram um leve descolamento do corpo físico, como se estivessem flutuando sobre este.
Mas por causa da barreira vibratória pesada, criada pela própria Fabrícia, imantada de denso orgulho, vaidade, egoísmo, culpas e medos, o corpo astral não possuía leveza suficiente para adentrar os planos mais subtis do Astral, nem abria canal de comunicação directa com as entidades amigas que se encontravam ali.
Sua bisavó, sabendo do risco que ela corria, sussurrou-lhe ao ouvido, como se tentasse falar ao fundo de sua consciência, que acordasse e levantasse.
Graças ao ato de profundo amor emanado naquele momento, várias camadas densas de energia foram rompidas e o clamor chegou ao coração de Fabrícia, que tomou um susto e se levantou.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 11, 2018 12:50 pm

Se permanecesse em estado de sono profundo, seria uma isca fácil para as entidades vingativas, prontas para raptá-la e transformá-la em ovóide, criando-lhe um estado de completa escravização.
Contudo, sua bisavó e os demais amigos espirituais não podiam fazer muito mais por Fabrícia.
Era fundamental que ela acordasse também de seu estado interior ilusório; era essencial que suscitasse nela um estado mínimo de humildade que a fizesse compreender o quanto necessitava de ajuda, em razão de sua imperfeição, e que se mostrasse decidida e disposta a melhorar, a mudar, a crescer como espírito.
Ao se levantar em corpo perispiritual, percebeu o duplo-etérico a descolar-se, momento em que tomou um susto.
Sua avó fez uma prece ardente e todos os amigos espirituais ali presentes emanaram muita luz em direcção a Fabrícia, que não captava nada, apesar de que as vibrações positivas funcionavam como escudo protector, que, de certo modo, não duraria muito.
Havia necessidade de mais ectoplasma ou de vibrações com magnetismo elevado para permitir maior durabilidade daquele escudo energético.
Repentinamente, começaram a chegar magnetismos subtis provenientes de preces que amigos e parentes encarnados produziam, no momento em que o corpo físico de Fabrícia estava sendo velado numa capela.
Ao tomar um pouco de consciência de sua situação de desencarnada, ela levantou os olhos e deparou-se com Abeba.
Ambas já haviam se encontrado em seis encarnações anteriores e, desde a primeira vez que conviveram no mundo físico, desenvolveram um ódio mútuo por competirem pelo mesmo homem rico da corte, no século doze, na Inglaterra.
Ali iniciava-se um longo ciclo de vinganças, traições, assassinatos e ódio dos dois lados, nas idas e vindas encarnatórias. Num desses reencontros, no século dezassete, Fabrícia foi mãe de Abeba e esta a assassinou para ficar com a herança do pai, numa região da velha Rússia.
Mais tarde, na Turquia, Abeba reencarnou como marido de Fabrícia e a tratava como verdadeira escrava, exigindo-lhe submissão e sendo ela a preterida, dentre as outras três esposas.
Os reencontros entre espíritos que se entrelaçam por carmas e ódio só podem ser desamarrados pelo perdão, pela compreensão, pela tolerância, pelo verdadeiro amor fraterno.
Enquanto um dos dois lados não toma a iniciativa, a guerra entre eles continua acorrentando-os um ao outro por séculos e séculos, como mecanismo automático das leis da física de causa e efeito e das leis espirituais que se apoiam no amor.
Ao mirar nos olhos de Fabrícia, Abeba avançou em sua direcção, repleta de ódio e vingança, segurou-lhe o pescoço e esbofeteou-lhe a face por muitas vezes.
Emitiu gritos estridentes, chamando-a de assassina, carrasca, e que ela pagaria por toda a eternidade pelo que tinha feito a ela e a seus filhos, pois poderia tê-la livrado daquela situação, já que se encontrava grávida, ou pelo menos ter ordenado ao negociador de escravos (que era seu empregado) que não a separasse de seus filhos.
Mais de um século depois, o ódio dela não tinha sido eliminado; ao contrário, havia ampliado.
Como se pode perceber, ele não o abandonou, e sua vingança ocorreu ao longo de todo esse tempo, em várias derrotas que promoveu na vida de Fabrícia.
Ela então estava em estado de choque, de olhos arregalados, recordando e vendo todas aquelas cenas passadas que vinham à sua tela mental.
Foi quando se deu conta de sua encarnação como Heidi.
A memória finalmente começava a se clarear (nesse momento, um dos amigos espirituais que se encontrava ali, em um plano mais subtil, tocava a memória espiritual de Fabrícia para que ela visualizasse aquelas cenas passadas, num rápido processo de regressão). Na verdade, o quadro induzido por uma entidade desequilibrada fora permitido e aproveitado pela Espiritualidade Superior, a fim de que Fabrícia mais uma vez tivesse a chance de abrir alguma brecha no orgulho e deixasse fluir a humildade e, em seguida, processasse a situação para pedir perdão a quem prejudicara no passado.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 11, 2018 12:50 pm

Contudo, ela se rendeu à sua dureza interior.
Como numa ardilosa tentativa de confundir Abeba, Fabrícia virou-se para ela e disse que aquilo tudo não passava de uma farsa por parte dela, que não se lembrava de nada que ocorrera no passado; que não tinha consciência de actos errados que a fizessem pagar qualquer dívida; e mesmo que tivesse feito algo errado, a situação decorria de um passado longínquo, sujeito a regras e leis da época, e, considerando que leis devem ser cumpridas, não cabia a ela a culpa, mas sim a todo um conjunto de instituições passadas.
Abeba, entretanto, estava mergulhada num ódio atroz que a tornava cega; então, aquelas palavras não a tocaram nem a fizeram reflectir.
Pediu aos seus acompanhantes (que tinham sido irmãos carnais dela naquela época antiga) que apanhassem Fabrícia na marra e que a levassem para as zonas inferiores, pois lá ela viraria uma prisioneira e pagaria por tudo o que tinha feito de mal a ela e a seus filhos.
Nessa hora, o velho comerciante holandês interveio e disse que Fabrícia era dele, e que deixaria os cobradores negros a maltratarem por mais alguns minutos.
Depois, ele mesmo a levaria embora para que ela fosse sua prisioneira. Disse mais:
que aquela era uma dívida cobrada pelos tempos em que Fabrícia encarnara como Heidi.
Mesmo depois de ter reencarnado em outro corpo, a memória dele estava presa àquela época.
De forma automática, ele mentalmente voltava àquelas lembranças, após sua desencarnação, sendo magneticamente atraído à presença de Heidi, então reencarnada como Fabrícia.
Gritava com ela, lembrando-lhe que a prisão esfacelara a sua saúde, levando-o lentamente à morte, fazendo-o sofrer até aqueles dias, já no início do século vinte e um, mesmo depois de cem anos e com o corpo astral ainda coberto de chagas, cheio de dores articulares.
A energia do ódio e desejo de vingança fizeram o velho comerciante manter-se mentalmente aprisionado como tal.
O mais incrível é que durante a Segunda Guerra Mundial ele teria vivido como o judeu Aaron, desencarnando aos doze anos, num campo de concentração. Vivera o ódio do racismo alemão em seu íntimo.
Também devolvera o ódio contra os alemães, que era potencializado pelas orientações e sentimentos de vingança emanados por seu pai, à época.
Ao desencarnar, descobriria que um oficial alemão teria sido o mesmo espírito de Van der Laan, dos velhos tempos da Holanda, e que aquele oficial tivera a chance de deixá-lo escapar do campo de concentração, mas o impediu, juntamente com seus pais e um amigo adolescente que tinham sido seus filhos na encarnação passada na Holanda.
O oficial Hans, de fato, poderia ter permitido a fuga e recebido o futuro perdão espiritual do comerciante; no entanto, seu ato viria a reforçar o ódio e vingança do passado.
Já no mundo astral, Van der Laan iria se encontrar com o velho comerciante e viveriam momentos de luta astral e mútua perseguição.
Até os dias atuais, ambos se vigiam e emanam ódio um contra o outro, fruto de idas e vindas reencarnatórias repletas de vinganças e traições.
O comerciante, então, tinha no seu íntimo que Van der Laan já havia pago alguma parte de sua dívida, em função de sofrimentos atrozes que provocara nele, no mundo astral, após seu desencarne (depois que vivera como Hans), e que Heidi ainda devia muito; por isso desejava complementar o processo de perseguição e cobrança mental-emocional frente a frente com Fabrícia, pois durante as últimas seis décadas o fizera obsidiando-a, mas entendendo que isso não teria sido o suficiente.
Nesse momento, as três entidades da Cidade dos Nobres se aproximaram e disseram em tom de comando:
— Fabrícia é nossa!
Um deles tomou a dianteira, em meio àquelas discussões, blefando com Abeba e com o comerciante holandês que tinha autorização do mais alto comando do mundo astral para levá-la.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 11, 2018 12:51 pm

Houve luta de força mental entre eles e finalmente o comerciante abriu mão de Fabrícia.
Esta, por sua vez, já se encontrava muito debilitada, face ao natural desgaste do desencarne, ao seu estado físico-emocional desde o momento da partida do corpo, e ainda ao processo de intensa luta mental vivida naqueles instantes, com tantas entidades cobradoras.
Todos se encontravam em pleno Vale dos Espíritas.
José Luiz, um dos membros da falange da Cidade dos Nobres, se aproximou dela e disse:
— Fique tranquila, você está protegida!
Irá connosco e não lhe faremos mal.
Iremos para uma cidade astral de resgate de recém-chegados.
Lá você será tratada e bem-recebida.
E assim, chegando à Cidade dos Nobres, Fabrícia foi atendida e posta em um quarto para recuperação.
Por muito pouco fora salva das garras selvagens de seus malignos cobradores.
Após sua recuperação, seria preparada como uma das líderes nos trabalhos daquela colónia astral.
As lideranças da Cidade dos Nobres sabiam da grande inteligência, aliada ao poder de energia de raiva e orgulho exacerbados de Fabrícia.
E que, portanto, estavam trazendo para suas hordas uma pessoa ardilosa, que seria bastante útil a seus intentes.
Dito e feito!
Após recuperar-se, e em gratidão ao resgate recebido, Fabrícia viria tornar-se uma expert em identificar recém-desencarnados com potencial para serem levados e se integrarem à Cidade dos Nobres, estruturando um organizado trabalho de lavagem cerebral e doutrinação.
Trabalharia, também, nas campanhas políticas para manter os atuais líderes no poder local.
Mas em breve, graças ao seu orgulho próprio, ela começará a perceber que está sendo manipulada e que existem entidades muito poderosas das Trevas manipulando sorrateiramente as lideranças locais, com o intuito de domínio maior nas zonas umbralinas.
Provavelmente, se sentirá ultrajada e entrará em rotas extremamente perigosas.
Espera-se que, ao defrontar-se com o medo e o elevado grau de frustração, depressão e dores, ela possa se redimir.
Está sendo preparado um reencontro com espíritos de seus antepassado que a amam muito e que tentarão resgatá-la dali, após a abertura de alguns canais de humildade no seu coração.
Esses irmãos de falanges cristãs estão organizando uma projecção de imagens em múltiplas dimensões, com som, expressão de odores, pensamentos ocultos e sensações emocionais, reproduzindo cenas de várias encarnações de Fabrícia, com o intuito de mostrar-lhe a quantidade de idas e vindas na carne e o quanto ela repete as mesmas lições apoiadas no orgulho, vaidade e egocentrismo, expressos de variadas formas.
Serão exibidos encarnações passadas como freira, frade, monge budista, ajudante de uma alma elevada espiritualmente, que fora sua mãe, em longínqua encarnação.
Será mostrada uma vida em que foi estudiosa de química e manipuladora de elementos da natureza, além daquelas em que viveu como pessoa ligada ao mundo puramente materialista.
Todas essas encarnações sempre alicerçadas pelo orgulho, usando sua inteligência para interesses egoísticos.
Espera-se que, após essa catarse mental-emocional, Fabrícia seja tocada em sua intimidade e tome consciência, optando por um novo caminho espiritual.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 11, 2018 12:51 pm

XI - Conclusões finais:
por que devemos buscar o auto-conhecimento e a reforma íntima

A mónada, alma, ou centelha divina que dá origem ao espírito, é criada pura, adormecida, necessitando expandir-se em consciência.
As incursões dessa centelha aos reinos mineral, vegetal, animal e hominal, respectivamente, fazem-se necessárias para que ela ganhe experiências e expansão de consciência.
Quando adentra o reino animal, a alma começa suas primeiras experiências de dinamismo e movimento de um lugar para outro, por impulso instintivo, realizando actos que podem causar morte ou ferimento de outros animais, ainda impulsivos, visando a sua sobrevivência ou delimitação de território, mas já com os primeiros traços de inteligência se manifestando, além do seu plano emocional mais acentuado e sujeito ao aprendizado incipiente que advém das acções e suas consequências.
Entretanto, é no reino hominal que de facto sua escalada tem início, cada vez mais consciente da expansão do raciocínio, da ampliação da percepção sobre si, sobre outros seres e coisas, e por conseguinte com a Lei do Carma estabelecendo-se inapelavelmente sobre suas acções, esteja o ser humano encarnado ou desencarnado.
Normalmente, nas primeiras encarnações no reino humano, o espírito adentra o mundo físico em ambientes próximos da natureza e junto a pessoas que possuem bons princípios, de modo a dar uma boa alavancada para o caminho do bem.
Todavia, quanto mais avança, quanto mais encarna e quanto mais aprende, torna-se primordial deixá-lo exercer sua caminhada com seus próprios pés.
A Providência Divina sempre criará oportunidades para que o espírito conheça, desde o início encarnatório como humano, o que é certo e errado, bem como os princípios básicos da vida e da Lei Cósmica.
Saberá, por exemplo, que matar e roubar não será um ato lícito.
Com o passar das idas e vindas encarnatórias, acabará por fazer boas e más acções, ajudando ou prejudicando a si e aos outros.
Esses erros e acertos fazem parte do aprendizado e da conquista da maturidade do ser.
Por sua natureza primária, ainda que pura, nas primeiras encarnações tenderá a se movimentar impulsionado pelos instintos, como fazia nos tempos em que encarnava como animal, pois no DNA perispiritual, que se projectará no duplo-etérico e por conseguinte no corpo físico, estarão impressas informações típicas da natureza animal, onde passarão a se instalar, também, dados impregnados na alma que contenham reflexos condicionados de característica mental-emocional, decorrentes da quantidade de actos praticados nas várias encarnações.
Assim, confundirá o impulso de matar para comer ou de se defender para sobreviver (como fazia nos tempos em que encarnava como um felino selvagem, por exemplo), com o impulso de matar ou ferir quando sentir seu ego ou orgulho agredidos. Como reflexos dos tempos em que era animal selvagem, poderá sentir, também, intenso ciúme ou impulso de posse, já como sintoma de egoísmo, fato que ocorria outrora, nos tempos animalescos, quando sentia seus filhotes como se fossem partes suas (e eram de certo modo, pois tinham vindo de suas células reprodutoras) ou se apossava de suas presas para alimentar a família, a fim de perpetuar a espécie.
E então a Lei do Carma estará cada vez mais actuante como reflexo de actos passados, e os instintos e os sentimentos mais primários estarão incisivamente presentes nessa alma nova no reino humano.
Com o passar do tempo, a consolidação da individuação passará certamente pelo recrudescimento do egoísmo e do orgulho, que tiveram seus primeiros sinais ainda no reino animal e se ampliarão nas primeiras encarnações humanas, podendo se estender por longos milénios nas idas e vindas desse espírito ao mundo físico, aprisionando-o nos charcos da ganância, maledicência, preguiça, avareza, luxúria, apego doentio, inveja, ciúme, traição, vingança e violência, com suas diversas formas de manifestação.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 11, 2018 12:51 pm

Com o passar dos milénios, será preciso mergulhar em ambientes pantanosos da vida, para lá deixar as toxinas mentais-emocionais e densos miasmas causados por actos negativos, a fim de tornar-se cada vez mais leve para ascender a planos mais subtis e encontrar o verdadeiro amor incondicional e uma consciência em estágio mais avançado.
Quando desencarnar, certamente irá para o Umbral ou mesmo para as zonas infernais, purgando sua psique repleta de toxinas energéticas.
Entretanto, não raras vezes, o espírito terá dificuldades de se desvencilhar de impulsos condicionados de ordem animalesca, em suas diversas formas de expressão, desde os relacionados com a alimentação impulsiva e actos sexuais instintivos, até a defesa de território, de seus bens e dos seus familiares, igualmente de modo impulsivo e às vezes violento, como manifestações diversas do orgulho, da vaidade, do egoísmo e de vícios ou condicionamentos negativos.
Existe na escalada evolutiva o que se costuma chamar de encarnações-chave, que são aquelas em que o espírito terá de despertar para um novo caminho ou patamar evolutivo, e então iniciará uma nova jornada no caminho espiralar da subida espiritual, com reencarnações repassando a lição em estágios crescentemente mais avançados; todavia revisitando, em suas diversas formas de manifestação, o orgulho, a vaidade, o egoísmo e os apegos a impulsos animalescos.
Evidentemente, à medida que o ser evolui, essas revisitações vão se tornando cada vez mais subtis.
As encarnações-chave normalmente ocorrem quando há tomada de consciência de algo e de algum contexto que abrirá sua mente para novas perspectivas de vida, olhando o mundo, as coisas e as pessoas de forma cada vez mais diferente, ou simplesmente percebendo que já errou muito e que precisará dominar e educar de forma mais incisiva seus impulsos inferiores e dar uma alavancada em sua trajectória de tantos equívocos, vícios e carmas.
Ou seja, é como se o espírito estivesse ficando cansado de tanto errar.
Faz parte do aprendizado errar; contudo, a Contabilidade Cósmica impõe limites temporais ao ser, afim de que avance para novos degraus evolutivos, sob risco de tornar-se um retardatário e chegar a estados patológicos complexos e aprisionantes, sendo cada vez mais difícil livrar-se dessas mazelas.
Entretanto, vale ressaltar que ele estará cada vez mais sujeito às pressões naturais do carma, e um dia certamente esses estados patológicos e de dor o levará a mudar, evitando que fique estacionado e impulsionando-o a buscar o crescimento espiritual.
Há civilizações planetárias neste imenso Cosmo que avançaram muito no campo mental-intelectual, mas que estão atrasadas no caminho da evolução espiritual.
Essas civilizações desenvolveram estudos e técnicas na área da engenharia genética, e através dela têm tentado contornar as respostas da Lei de Causa e Efeito sobre os corpos físicos encarnados, até com intervenções no duplo-etérico, sem contudo conseguirem alterar as gravações impregnadas no perispírito.
A Lei Cósmica é implacável; possui mecanismos naturais a que não se pode fugir ou evitar, e sempre buscará novos caminhos que façam chegar ao duplo-etérico e ao corpo físico dados que contenham a realidade essencial do ser, para fazer efectivar-se a Justiça Divina que dá equilíbrio e sustentação ao Universo.
A ciência médica e biomédica terrena ultimamente vêm gerando biotecnologias a partir dos estudos da genómica e da proteómica, e estão levando a humanidade a trilhas semelhantes às dessas civilizações tecnologicamente avançadas.
Aliás, muitos dos cientistas terrenos que atuam no campo da engenharia genética são oriundos dessas civilizações extraterrenas.
Pessoas muito inteligentes, mas, regra geral, frágeis no campo da espiritualidade ou da sensibilidade humana, apesar de, em alguns casos, terem certos padrões éticos bem estruturados, em se tratando da lei dos homens, porque são relativamente disciplinadas.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 12, 2018 10:24 am

A transição por que passa a Terra coloca a sua civilização num novo patamar, prestes a grandes mudanças espirituais.
Tais mudanças serão providenciais para que a humanidade não siga por caminhos tortuosos, adoptando práticas científicas encegueiradas pelo materialismo.
É evidente que novos e extraordinários avanços da ciência do porvir (e que de certo modo já mostram seus sinais) serão importantes na nova fase de evolução planetária, quando as entidades maldosas já estiverem em outro planeta e a Terra estiver saneada e apta a utilizar esses conhecimentos para fins sensatamente nobres.
Observem um alerta: as informações expostas nos próximos parágrafos contém dados gerais, e não podem ser levadas ao pé da letra, mas sim como referência geral, já que no Universo existem muitas excepções e medidas adaptadoras, a cargo de seres superiores e angelicais que administram os orbes e a acção da Lei do Carma sobre cada ser existente no Cosmo.
Assim, essa classificação entre estágios primário, intermediário e superior de evolução humana no planeta Terra, e também em outros planetas tidos como mundos expiatórios, denotam uma segmentação geral, pois há subníveis diversos nessa escala.
A Terra tem aproximadamente um terço de sua população (entre encarnados e desencarnados) vivendo a fase evolutiva primária, sendo algumas almas oriundas de outros orbes e muitas delas autóctones ou originárias da própria Terra, ou seja, alcançaram a fase nominal neste planeta.
São seres imersos mentalmente no mundo das formas, aprisionados ao mundo físico e ao próprio orgulho e egoísmo.
Nesse patamar, existem também almas que intelectualmente não são mais primárias, porque já viveram muito, mas se encontram igualmente aprisionadas ao forte orgulho, vaidade e egoísmo que cultivam e, quase sempre, a vícios primários, e usam sua inteligência em favor desses vícios.
Vivem, por opção própria e com firmeza de propósito, esse mundo das imperfeições, em estados psicopatológicos acentuados, pois em termos de tempo são espíritos muito antigos (mentes diabólicas, líderes inteligentes e dominadores das zonas inferiores do Astral) ou espíritos velhos (que, igual aos outros, resistem ao fluxo transformador e evolutivo do Universo e transitam entre as zonas infernais e umbralinas; podem assumir papéis de liderança no Umbral e têm momentos de dúvidas ou oscilam entre posturas maldosas e boas acções eventuais).
Uma encarnação-chave ou um momento-chave de evolução de espíritos que vivem nesse nível primário significa aquele exacto instante em que o ser cansa de sofrer ou viver exclusivamente escravizado por seus vícios e maldades, ou de estar impulsivamente imerso no mundo dos instintos e do apego incondicional ao orgulho e egoísmo, e então abre uma pequena brecha de humildade em seu coração e deixa penetrar na mente algumas gotas de luzes esclarecedoras, abrindo-se para uma nova caminhada em direcção ao bem.
Para o espírito que saiu das fases primárias e adentrou a fase intermediária e, portanto, está espiritualmente em estágio mais avançado na evolução, encontrar-se em encarnação-chave significará sentir, em vários momentos de sua vida, aquele insight de que um novo patamar de consciência lhe surge à visão, exigindo-lhe novas posturas de pensamento e acção, demandando-lhe mais esforço íntimo ao tratar os sentimentos, necessitando tornar-se mais sensível e amorável.
Esses espíritos viverão ainda por certo tempo, e perpassando várias vidas físicas, conflitos inerentes a quem está no meio do caminho evolutivo, entre as fases primárias e as superiores do reino humano:
terão dúvidas e inseguranças, e praticarão o bem e o mal, fora e dentro de si; tenderão a alimentar sentimentos de culpa, medos, frustrações, depressões psicológicas e estados de revolta interior, por não se acharem em condições de vencer suas mazelas, em muitas circunstâncias da vida encarnada ou desencarnada.
O orgulho, a vaidade e o egoísmo ainda estarão presentes, e fortes, mas já sujeitos a ser trabalhados e transformados paulatinamente em humildade, simplicidade e acção benfeitora incondicional.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 12, 2018 10:24 am

Muitas dessas almas podem ter visitado estados conscienciais mais ampliados e, quando desencarnadas, podem ter ido a colónias espirituais do bem, mas podem igualmente sofrer quedas e voltar para locais nas sombras do Umbral ou zonas inferiores, evidentemente condizentes com a sombra do seu mundo íntimo.
Normalmente fogem de si mesmas e descobrem que podem ganhar mérito espiritual praticando o bem.
Contudo, ainda estão presas a uma visão de troca com o mundo espiritual.
Quase sempre se perdem ou se apegam ao Umbral quando desencarnam, ou pelo menos fazem um estágio por lá, antes de serem levadas para planos mais equilibrados.
Como a evolução não dá saltos, o ser terá momentos de maldade e de bondade dentro de si, e em seus actos.
À medida que evolui, que amadurece e se torna mais firme no propósito de optar por viver o bem dentro de si e no ambiente em que atua, ganhará força interior para prosseguir a caminhada em novo padrão evolutivo, mas sujeita a quedas de percurso, e nem por isso fora do caminho de educação e transformação íntima.
Será preciso que deixe surgir mais efectivamente a humildade dentro si, bem como a necessidade de orientar sua vontade para o caminho do bem com mais determinação, iniciando o trabalho do auto-conhecimento e autotransformação, como parte de um processo crucial, esteja encarnado ou desencarnado.
Se estiver encarnado, essa opção de vida terá muito mais força e profundo impacto sobre a solidificação dos padrões ético-espirituais e de equilíbrio na caminhada evolutiva, sem riscos de se enclausurar em culpas, medos e inseguranças (ausência de autoconfiança e fé no Pai Celestial).
É claro que essa decisão por si só não será determinante para a alma mudar do dia para a noite.
Acreditar nisso seria ilusório e de cunho puramente mental.
Pessoas comportadas ou de boas atitudes não significam, necessariamente, pessoas de sentimentos transformados.
Mas, se a boa acção é para o bem-estar geral e de si próprio, isso já será um grande passo; porém apenas o primeiro.
Será preciso mudar padrões de pensamento e orientar sentimentos inferiores para que se transformem aos poucos, com consistência, em direcção a processos mais equilibrados.
A mudança nos sentimentos será longa e demandará da alma que ela cultive a persistência, o auto-perdão contínuo, a fé nos desígnios superiores e no auxílio dos amigos espirituais, além de confiança em si mesma, paciência, serenidade, tolerância para com suas imperfeições e as do próximo, sentimento de gratidão ao Pai, disposição em recomeçar sempre, servir ao seu semelhante sem nada esperar dele, respeitar seu próprio ritmo e o de quem quer que seja, exercitar a alegria, simplesmente por sua existência, suas oportunidades de amadurecimento e por estar no caminho.
Para os que estão evolutivamente mais à frente, já entrando na etapa superior da evolução, encarnação-chave será aquele momento cósmico para utilizar-se da auto-análise e buscar ampla tomada de consciência de que precisa vivenciar situações no mundo físico que lhe proporcionem o exercício do amor incondicional, como teste para sua consciência relativamente amadurecida no bem, mas ainda necessitada de expansão, através de actos amoráveis no mundo das formas, onde o ambiente físico e seus componentes (coisas, animais e principalmente a maioria dos humanos) são mais densos e têm frequências vibratórias mais lentas, e, portanto, necessitados de irmãos dispostos a ajudá-los a evoluir.
Os espíritos que adentraram o estágio superior da evolução serão cada vez mais testados na vivência do amor fraterno incondicional, e mobilizados a mergulhos cada vez mais profundos no universo interior, para avanços no auto-conhecimento e na renovação íntima.
É evidente que também estarão sujeitos a quedas, mas certamente com riscos menores.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 12, 2018 10:24 am

Os chamados "anjos caídos" são espíritos antigos, muito inteligentes, e que certamente não chegaram a esse nível superior de evolução, e sim estiveram presos ao nível intermediário, ou seja, que ainda não consolidaram em patamar básico o tratamento de sentimentos de orgulho, vaidade e egoísmo.
Como vimos, não se pode avançar evolutivamente sem que haja tomada de consciência, e esse processo só ocorre mediante o mergulho no mundo interior, desde os níveis mais superficiais aos mais profundos; desde aquele alerta proveniente de um amigo, até a descoberta da própria pessoa por meio da auto-análise, muitas vezes inspirada por amigos espirituais.
Mesmo aquela observação maldosa, feita por terceiros, necessitará que o agente receptor faça uma auto-análise, avaliando a situação, vivenciando indispensáveis sinais de humildade, que é o primeiro degrau da evolução.
Sem humildade não se avança; sem humildade a criatura não se permite errar; não se permite ser uma alma imperfeita e necessitada de ajuda de quem está. ao lado e das forças superiores.
Nos diversos estágios espirituais a que o espírito está sujeito, em qualquer lugar no Universo, terá que rever a lição de humildade em doses cada vez mais avançadas de teste, a cada subida que der na espiral da evolução.
Em qualquer parte do Universo, estando encarnado ou desencarnado, o ser precisa encontrar o equilíbrio entre viver o mundo interno e externo.
Ou seja, é preciso que haja mergulhos na própria intimidade para que haja evolução, e, ao mesmo tempo, terá que vivenciar o mundo externo a fim de que aprenda a trocar com os outros, a exercer o verdadeiro sentimento fraterno, de amor incondicional, com alegria e gratidão.
Encontrar esse equilíbrio entre o universo exterior e o interior sempre exigirá do ser humano trabalho persistente na escalada evolutiva e expansão consciencial contínua, com discernimento cada vez mais ampliado.
Na maioria das vezes, quando o ser humano se encontra nas fases primárias de evolução, vivenciará a encarnação no mundo físico como uma criança que chega a um parque de diversões moderno, onde nunca esteve antes, e se empolga, fica deslumbrada e curiosamente ávida por conhecer o novo, chegando a tropeçar ou se machucar por sua impulsividade infantil.
Quando o espírito vai envelhecendo e conhecendo a vida física e astral, nas suas ida e vindas, nessas viagens inter-planos, tem que começar a amadurecer, sob o risco de ter que enfrentar processos cármicos acumulados e estados patológicos no mundo interior, além de longas estadas nas zonas inferiores ou umbralinas, toda vez que desencarna.
Para muitos deles, as "visitas" encarnatórias ao "parque de diversões" chamado Terra não podem mais ser encaradas como tal, pois o ser humano não deve querer perpetuar sua vida infantil:
ele crescerá, querendo ou não, pela própria natureza das coisas.
chegará um tempo em que será adolescente, depois adulto e mais tarde velho, não podendo mais se comportar como uma criança, senão ficará como muitos:
mentalmente retardados e/ou com as emoções imaturas e aprisionadas à infância, criando estados patológicos e desconexões entre um mundo real e um mundo de fantasias.
Para sair desse aprisionamento, é preciso mergulhar em si mesma para desbloquear esses nós patológicos e, por meio de esforço próprio, vencer seus apegos às coisas externas, às emoções primárias e aos padrões mentais infantis.
Para sair do aprisionamento cármico, de sofrimento e de reencarnações traumáticas, será indispensável vivenciar suas encarnações-chave com vontade de crescer espiritualmente.
Será necessário o espírito sair do "parque de diversões" e aceitar de coração a Terra-Escola, encarar a vida com maturidade, deixar de lado o deslumbramento com as paixões por coisas e pessoas, por vícios e padrões doentios de orgulho, vaidade e egoísmo.
Vale salientar, porém, que será fundamental exercitar o discernimento, pois a evolução não dá saltos e não poderá haver violência consigo mesmo, a fim de que o sentimento de culpa não aniquile o seu processo de vivências íntimas.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 12, 2018 10:24 am

O facto de não mais encarar a Terra como um parque de diversões, e sim como um cenário de vivências transformadoras, não significa que a alma deva ser sisuda; ao contrário, a caminhada será tanto mais leve quanto mais alegria sincera e bom humor estiverem sendo cultivados internamente.
Será preciso vivenciar estados crescentes de humildade e coragem para que se encontre consigo mesma e tenha noção do estágio evolutivo em que se encontra e saiba aceitar suas imperfeições.
A caminhada será longa, mas deverá ser ascendente, com persistência, alegria e boa vontade.
Quando ocorrerem erros ou equívocos, deverá encará-los com naturalidade.
Poderá e deverá pedir forças ao Alto para erguer-se e prosseguir, sem culpas, meditando sobre seus actos, sentimentos e pensamentos, a fim de reposicionar-se novamente na caminhada.
Quando menos se der conta, os tropeços serão cada vez menores.
Perdoar seus erros não deverá significar conivência com eles, nem regatear esforço em direcção a transformações íntimas.
A caminhada exigirá trabalho contínuo, mas será tanto mais leve quanto maior for a busca de compreensão, tolerância, paciência, boa vontade, disposição em prosseguir, alegria e gratidão interior.
E assim, muitas outras idas e vindas encarnatórias terão retornos cada vez mais gratificantes, fortalecidos pela própria motivação da alma e pelo incentivo dos amigos espirituais que estão mais à frente na evolução e no amor.
Para empreender essa nova caminhada, será preciso parar um pouco no seu contacto com o mundo externo e reservar algum tempo para meditar, conversando consigo mesmo.
Mais importante que a quantidade de tempo será a qualidade do tempo, a profundidade sincera de cada mergulho interior.
Por ter vivido em muitas encarnações voltadas para o mundo externo, fora de si, a alma normalmente demorará para entender que precisa dedicar um tempo mais equilibrado ao mundo exterior e interior.
Durante o sono físico, terá grande oportunidade de lidar com o mundo interno; todavia, necessitará dar combustível para esses momentos, o que pressupõe espaços para meditação, auto-análise e auto-avaliação nos momentos de vigília.
Não se evolui sem auto-avaliação, sem auto-descoberta, sem contacto com as imperfeições íntimas necessitadas de aceitação, amor e educação.
Em algum momento da escalada evolutiva, mais cedo ou mais tarde, o espírito terá de enfrentar a si próprio, e ao seu mundo interior.
Adiamentos significam mais sofrimento, mais tempo vivenciando estados patológicos.
Quanto mais demorar a fazer esse trabalho de reforma íntima, que implicará numa longa caminhada, mais tempo demorará para conhecer a verdadeira felicidade.
Sem contar o facto de que, ao invés de ser um dínamo construtor de sua própria evolução e da evolução do conjunto, será mais um peso na Contabilidade Divina.
Esta obra procurou trazer à tona apenas uma amostra das experiências de almas sofredoras, identificando alguns perfis psicológicos muito comuns no dia a dia.
Espíritos que estiveram essencialmente amarrados ao próprio orgulho, quando sabemos que sem humildade não há evolução.
A vaidade, que é filha do orgulho, será mais dominante na alma quanto mais ela se afastar da humildade.
E a vaidade provoca cegueira, impedindo-a de olhar ao seu redor e identificar o sofrimento alheio, a ponto de dispor-se a estender as mãos.
O orgulho e a vaidade exacerbados predispõem o ser a amplificar o egoísmo, e mesmo que ele resolva ajudar o próximo é muito provável que o faça para ser aceito ou reconhecido no meio social em que circula, e não por espontaneidade.
Há situações em que a expectativa de aceitação ou reconhecimento está muito bem escondida no fundo da alma, a ponto de enganar a própria pessoa que prática o bem.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 12, 2018 10:24 am

É óbvio que é melhor fazer o bem, mesmo com interesses outros, do que fazer o mal; mas é preciso observar-se e ver as subtilezas ou nuances do seu mundo íntimo que precisam ser trabalhadas, sob pena de criar armadilhas mentais para si mesmo, na vida encarnada ou no momento do desencarne.
A medida que a alma deixa brotar os sinais interiores de humildade, sentirá necessidade de expandir o amor-doação, ou seja, deixar de lado o egoísmo e começar a servir.
E se não servir, sofrerá de males relacionados à obesidade, ao colesterol, triglicerídeos, diabetes, problemas cardíacos, entre outras enfermidades.
Se absorve energias somente pelo alimento descontrolado e não gasta, certamente o acúmulo gerará desequilíbrios na intimidade da alma, e por conseguinte no corpo físico.
E evidente que exercícios físicos ajudarão muito, pois haverá desgaste de energia acumulada; entretanto, é crucial que distribua essa energia aos outros, como forma de retroalimentação energética.
Assim, Deus nos propicia a existência corporal pela oportunidade da encarnação; por isso o corpo deverá ser encarado como dádiva a serviço de Deus, ou seja, servir ao próximo com o mesmo padrão de amor que deverá ser vivenciado em relação a si mesmo, de modo incondicional.
E ninguém ama o que não conhece.
Por isso, conhecer-se a si próprio, pela auto-observação e auto-análise, é passo indissociável para a auto-transformação, na longa caminhada em direcção à Luz Maior, onde se imanta a plena e verdadeira felicidade cósmica.
Se uma criatura viveu no mundo físico de certa maneira e com determinados padrões de pensamento e sentimento, ao desencarnar continuará como tal, pois mudar de plano não implicará em mudar a essência do ser.
Isto é, se a pessoa era muito orgulhosa e egoísta na vida física, continuará sendo no mundo extrafísico.
Muito provavelmente não será um espírito trabalhador do bem, e sentirá o peso da irresponsabilidade no seu íntimo.
Esse peso o carregará para zonas inferiores ou umbralinas do Astral, certamente a serviço das forças inferiores, além de sofrer dores atrozes que serão tanto maiores, quanto maiores forem os sentimentos desequilibrados, como revolta, ódio, vingança, apatia, tristeza, depressão, medo, culpa e desespero.
A vida presente é resultante da síntese das vidas passadas e dos padrões de pensar, sentir e agir, somados aos débitos cármicos.
Um novo patamar na evolução do ser surge quando ele passa a mesclar a sua resultante (o que trouxe ou acumulou do passado, mais seu estado mental-emocional e cármico presente) com disposição e vontade de observar e educar sentimentos, pensamentos e atitudes inferiores ainda nele presentes.
E ao falar de vida, nos referimos não somente à vida dos encarnados, mas também à vida no mundo dos desencarnados.
Assim, o espírito desencarnado que ainda carrega muito peso de toxinas mentais-emocionais e de carmas não possui leveza suficiente para habitar planos superiores e, por isso, precisa encarnar novamente, até libertar-se desse volume e peso energéticos.
Então, as reencarnações são uma dádiva extraordinária concedida por Deus, a fim de torná-lo mais leve e purgar na carne as toxinas energéticas.
Por esse motivo, as encarnações merecem ser valorizadas e agradecidas todos os dias.
A melhor forma de agradecer é realizar a reforma íntima e o serviço incondicional em prol dos que vivem ao seu redor, e passam no seu caminho.
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Ave sem Ninho

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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

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