O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 31, 2018 10:55 am

Precisaria acessar os registos akáshicos, e depois fazer um levantamento sobre o seu estado actual:
como estava vivendo, o que estava fazendo, e então verificar o que poderíamos fazer para resgatá-lo daquela situação.
No dia seguinte, fui ao Departamento de Reencarnação da nossa colónia, onde há uma divisão especializada em carmas.
Troquei algumas informações com Alfredo, o dirigente da área, que atenciosamente me permitiu acessar a sala onde há uma central de dados e informações que, por sua vez, está conectada a uma grande rede extrafísica de histórias cármicas de todos os habitantes da Terra, encarnados e desencarnados.
É uma rede conectada por sinais de frequência e alimentada por energia magnética do Sol que gera sons e imagens, podendo apresentar um quadro resumido ou detalhado, conforme a necessidade da informação que se busca.
O acesso é bastante auto-explicativo, com ícones e quadros que podem ser tocados e abertos, e desdobrar-se em subitens tal como se maneja um tablet.
Há uma série de requisitos para acessar essa banco de dados dos registros captados directamente do éter, pois ele está protegido por uma complexa tecnologia astral.
Não pode ser qualquer entidade a manejar esses dados; é preciso que se esteja engajado num programa global denominado Registros Akáshicos e, dependendo do grau de maturidade espiritual, é que se poderá ter ou não acesso a determinadas partes dos dados, o que se expandirá à proporção que amadurecer espiritualmente.
A direcção principal dessa rede está subordinada a Jesus, e daí para baixo há toda uma hierarquia.
No Brasil, a coordenação maior está a cargo de Ismael e abaixo dele há uma entidade que é a gestora específica desses registros.
Nos tempos passados, esse irmão esteve próximo ao discípulo João Evangelista.
J.R.K sabe da responsabilidade actual de seu papel, que exige estudos e meditações profundas sobre cada ser encarnado e desencarnado da Terra, incluindo interacção com as bases de dados de todos os continentes e países do planeta. Especialistas dessa área normalmente são conhecedores de estatística e matemática cósmica; têm sensibilidade para vidência; são experimentados na psicologia humana e dispõem de uma mente extremamente aberta ao universalismo, exigindo habilidade de comunicação e grande interacção com entidades oriundas de todos os países e até de muitos planetas.
Sebastião, profundo e hábil conhecedor do assunto e que foi citado na Apresentação desta obra (em sua última encarnação foi brasileiro), tem elevada posição na coordenação dessa rede em nível mundial, com intervenções transversais, em termos de movimentações na estrutura que organiza e gerencia o tema na Terra, pelo lado extrafísico.
Ele sabe da posição que o Brasil representa nesta actual fase de mudança no campo espiritual e material do planeta, e por isso tem dado atenção especial às equipes de trabalho que atuam no país, com intercessões directas a muitos desses grupos, evidentemente com anuência dos dirigentes maiores.
A transmigração de espíritos entre países é muito grande, e ultimamente tem sido mais intensa ainda, com trânsito de reencarnes de seres entre os cinco continentes da Terra, além da recepção de irmãos de outros orbes planetários.
Há uns cento e cinquenta anos esse processo foi intenso no Brasil, mas nos últimos trinta anos, apesar de o Brasil continuar recebendo espíritos que já viveram nos vários continentes, e até em outros planetas, a Terra toda tem passado por intenso processo transmigratório.
Essa base de dados acessa os registros akáshicos de todos os seres humanos viventes nos planos físico, astral ou mental.
Para acessar dados de entidades de outros planos superiores, somente seres com graus mais elevados.
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Ave sem Ninho

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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 31, 2018 10:55 am

Por exemplo:
para consultar registros de seres do plano intuitivo (mental superior), somente espíritos que estejam no limiar do plano búdico terão maturidade espiritual para fazê-lo, e assim sucessivamente.
Não são todas as colónias espirituais do mundo astral que possuem ligação com essa rede.
É evidente que espíritos muito evoluídos espiritualmente e que transitam pelos vários estágios ou planos evolutivos podem buscar os registros de irmãos que estejam evolutivamente abaixo deles, usando apenas sintonia mental para acessar os acervos que captam os dados do éter; seres angelicais acessam directo os registros akáshicos no éter, sem necessidade de equipamento algum.
Finalmente achei os registros de Agenor e pus-me a observá-los.
Havia dados detalhados, mas fiz apenas uma abordagem sintética.
Aliás, alguns diálogos dos irmãos ainda em estado de desequilíbrio foram captados dos próprios registos akáshicos e inseridos neste livro, apenas para fins de tornar o quadro mais realista e demonstrar que tudo o que fazemos, em qualquer parte do Cosmo, ficará impresso no éter.
É importante sempre lembrar que nada se perde no Universo; tudo fica gravado no espaço invisível para os olhares mais densos.
Entretanto, quanto mais sensível e evoluído for o ser, mais condições terá de acessar tais informações:
actos, palavras, pensamentos e sentimentos expressos, tanto positivos como negativos.
Há equipamentos moderníssimos no Astral superior capazes de colectar esses dados e fazer sua leitura.
Toda a história da humanidade está impressa no éter, incluindo os demais atores não humanos (registos dos animais, vegetais e átomos do reino mineral que viveram no cenário terrestre, por exemplo).
Em sua última encarnação, Agenor nasceu em uma cidade brasileira de médio porte; migrou mais tarde para a capital do seu estado, onde se formou em um curso superior.
Depois de certo tempo, mudou-se para a Capital Federal.
Sempre esteve ligado à doutrina espírita, assumindo importante cargo em instituição espírita.
Pessoa muita bem relacionada com políticos e dirigentes de instituições públicas, afeito às questões de poder e à vaidade inerente aos cargos, apesar de suas mazelas íntimas, naturais a qualquer ser humano, realizou importante trabalho na difusão do espiritismo.
Sua encarnação anterior, no século dezanove, foi como aristocrata inglês, advogado especialista em direito comercial.
Nasceu em família abastada, recebeu boa base de estudos e educação refinada.
Homem orgulhoso e obstinado, também era ligado às ciências, não como pesquisador directamente, mas como financiador de algumas pesquisas nas quais acreditava que poderiam lhe trazer fortuna quando seus resultados alcançassem os estágios comerciais.
Isso numa época de intensa urbanização e de mecanização das oficinas, que dia a dia se transformavam em fábricas.
No fervilhante clima da Revolução Industrial, favoreciam-se as invenções que viessem a melhorar a qualidade de vida das pessoas.
Na época, acompanhou pela imprensa as experiências mediúnicas e os escritos de Allan Kardec, a quem ele via com antipatia.
Condenava veementemente os ingleses que se interessavam pelo assunto, incluindo os frequentadores das sessões de "mesas falantes".
Como assíduo frequentador da igreja anglicana, e aproveitando o acesso que tinha a famosos jornais londrinos da época, costumava assinar matérias combatendo o movimento espírita nascente.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 31, 2018 10:56 am

Não foi por acaso que, por bondade do Pai Celestial, mais tarde teria uma encarnação no Brasil, quando lhe seriam oferecidas oportunidades para realizar importante trabalho de difusão do espiritismo, exactamente para amortizar o carma adquirido no combate à doutrina, o que foi bastante positivo.
No entanto, realizou essas tarefas sem trabalhar seus sentimentos, ainda cheios de vaidade e orgulho, que impermeabilizavam o intercâmbio de sensibilidade com o plano espiritual superior.
Indo mais atrás na história, e trazendo informações sobre uma encarnação anterior, pudemos identificá-lo em um escravo africano que vivia em uma pequena e tranquila comunidade tribal na região central da África, onde actualmente se localiza o Congo.
Inconscientemente, inconformado com sua condição simplória, os fortes impulsos de orgulho não o deixavam em paz naquela encarnação.
Não demorou em resolver, junto com um grupo, a mudar-se para outro local onde havia parentes seus e podia tornar-se um líder tribal, o que não seria possível onde morava por questões de hierarquia familiar.
E assim, foi e tornou-se de facto o líder de um grupo que realizava conquistas à base de guerras.
Logo depois, verificou a constante entrada de missões de brancos europeus que se dirigiam ao continente africano para caçar e negociar escravos.
Assim, não tardou a tornar-se articulador de revoltas e sabotagens contra caçadores estrangeiros de escravos na África.
Foi capturado, torturado e escravizado.
Depois, em meados do século dezoito, foi enviado para a América do Norte, onde foi comprado e adoptado por uma família de imigrantes ingleses, numa região agrícola da Carolina do Norte.
Era um homem forte e trabalhador, mas sempre movido pela revolta por sua situação de submissão; nunca se rendendo à humildade que a encarnação lhe proporcionara vivenciar.
A família que o adoptara era religiosa e o incentivava às práticas cristãs, mas ele resistia à conversão por achar que tudo que se originava dos "brancos" deveria ser rechaçado.
Sentia-se traído por seus guias espirituais africanos, por terem deixado que fosse capturado e escravizado.
Assim, a revolta e o orgulho fervilhavam na intimidade de sua alma.
Mergulhado nesses sentimentos, mobilizou alguns negros conhecidos e organizou uma fuga.
Tinha ouvido falar de algumas ilhas caribenhas onde havia negros livres vivendo nas montanhas.
Contava com a ajuda de um negro migrado do Caribe, mas que o traiu e o delatou.
Ele e seus companheiros foram pegos e torturados até a morte.
Desencarnou em condições penosas e vagou durante décadas pelas zonas inferiores do Astral.
Em função da sua situação como escravo e do seu alto grau de revolta e orgulho, desenvolveu profunda ira contra o protestantismo.
Esse quadro de revolta demonstraria o quanto sua encarnação na época da Reforma da Igreja, como um dos seguidores de Calvino, fora apenas um processo externo e de interesses egoísticos e orgulhosos de sua alma, e não uma vivência interior e religiosa profunda.
Assim, não por acaso, viria mais tarde nascer como assíduo seguidor do anglicanismo, como forma de recuperar seu contacto com a doutrina cristã e com os princípios exemplificados por Jesus.
Buscamos informações sobre sua encarnação anterior e acabamos por encontrar, no século dezassete, uma bela mulher camponesa que vivia nos arredores de uma pequena cidade no norte da Itália.
Era filha de um senhor de posses medianas ligado a um duque que comandava a região de Sabóia.
Nessa vida, recebeu uma boa orientação educativa básica, mesmo vivendo numa casa de campo, onde também aprendeu com a mãe a plantar e colher frutas.
Por influência do pai e interesse próprio (pensava em tornar-se rica, morar na cidade, viver o glamour das moças que frequentavam as casas dos grandes senhores de posses, ligados à nobreza), casou-se cedo com um grande comerciante, amigo dele.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 31, 2018 10:56 am

O marido era farrista, mulherengo, violento e bebia muito.
O sonho de tornar-se rica foi alcançado, mas vivia em plena amargura pelo sofrimento que o esposo lhe causava.
Teve cinco filhos que deram a ela muito trabalho nos cuidados e educação.
Seu rico marido lhe disponibilizou um escravo trazido da África para auxiliar nos afazeres domésticos.
O comércio de escravos africanos na Itália não era uma prática comum, por que era cara.
Havia ainda certo receio por parte da população quanto aos riscos de doenças e misturas étnicas, levando-os a evitar a forte migração deles, ao contrário do que ocorria no novo continente americano.
Apesar disso, desde a Idade Média os comerciantes mais ricos conseguiam comprar alguns poucos escravos que trabalhavam nos serviços mais pesados.
A moça rica fez as piores maldades com o pobre escravo, que gostava dela como mulher, mas jamais poderia expor isso.
Ela, por sua vez, percebia tais sentimentos e reagia com ódio, decorrente do seu orgulho de pertencer a outro nível social e por considerá-lo inferior, humilhando-o especialmente por sua cor.
Ela viria a desencarnar com trinta anos, vitimada pela peste negra.
De facto, o forte orgulho do fundo da alma nunca lhe permitiu aceitar sua posição de mulher submissa, primeiro ao pai e depois ao marido.
Essa encarnação estava destinada a aproveitar a boa educação que recebera, a delicadeza e o carinho da mãe, e exercitar a humildade e a doçura dentro de si.
É evidente que algo de positivo sempre acaba sendo cultivado dentro da alma, embora o orgulho termine bloqueando maiores avanços na evolução espiritual.
Sentimos que precisávamos ir bem mais para trás e verificar outras encarnações de Agenor.
Chegamos então ao século dezasseis, no norte da Europa, na região de Estrasburgo, parte da Alemanha na época e hoje território da França.
Lá, nos deparamos com um homem altivo, participante da Reforma Religiosa Protestante, que era muito próximo de João Calvino.
De origem francesa, foi padre excomungado por Roma e refugiado no sul da Alemanha, face o seu envolvimento com o movimento protestante.
Sofreu perseguição do reinado francês por contrapor-se ao catolicismo romano centralizado na figura do Papa.
Era admirador de Calvino e de seus escritos, tendo-lhe prestado colaboração em vários momentos, mas no fundo sentia certa inveja dele por não dispor dos mesmos atributos e habilidades.
De facto, gostaria de ter tido um papel de maior liderança no movimento separatista da Igreja Católica da época.
Foi um homem de personalidade forte, arrogante e preocupado com as discriminações e centralizações de poder da Igreja, exercidos por Roma.
Pretendia ascender rapidamente na carreira religiosa, mas vinha de origem pobre, de família sem história de boas relações com a Igreja Romana.
Percebendo o forte envolvimento político da Igreja e não conseguindo seus intentes, juntou-se a outros que se revoltavam contra ela.
Desencarnou com idade avançada, pregando nos cultos protestantes dos sábados, no sul da Alemanha, sempre como forte combatente do catolicismo.
Era defensor dos escritos do Evangelho; porém muito mais voltado para o que as palavras diziam do que para o que elas significavam, muito mais pelo orgulho ferido de não ter galgado postos superiores na Igreja Católica do que por convicções cristãs e filosóficas profundas.
De facto, ele gostaria de voltar, naquela época, às mesmas benesses vividas em sua última encarnação, pois seu subconsciente guardava as lembranças (em forma de impulsos) dos tempos em que fora bispo renomado da Igreja Católica e activo comandante de grupos da Inquisição, com riqueza, poder e influência, os quais alimentavam-lhe o orgulho, a vaidade e o egocentrismo.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 31, 2018 10:56 am

Esse bispo impunha seu poder e domínio no sul da França e noroeste da Itália, promovendo perseguições aos que não se submetiam aos seus desmandos e controle, incluindo atrocidades àqueles que não se alinhavam com o pensamento da Igreja naquele período.
Naquela região, era comum a prática escondida da alquimia e de magia (tanto negra quanto branca), em benefício de pessoas ligadas ao poder político e da própria Igreja.
Existia, portanto, um quadro de hipocrisia, pois havia magos e alquimistas que exerciam essas práticas em benefícios de quem estava no poder.
Contudo, se essas práticas eram exercidas por pessoas não ligadas ao poder, então eram perseguidas, inclusive magos que tinham servido a membros das cortes e da Igreja, com fins de disputa de poder, e que mudaram de posição mais tarde.
Assim, o bispo levou muitos à fogueira e comandou diversos grupos de inquisidores naquela região.
Agenor trazia um histórico de encarnações nos tempos medievais, ligadas ao poder e domínio, quando fora comandante de exército francês nos tempos das Cruzadas, como braço direito de bispos católicos da época, e numa encarnação anterior como membro da corte inglesa; outras tantas ligadas à política e a guerras.
Entre essas encarnações em que prevaleceram o poder, o luxo e o comando, recebera oportunidade de reencarnar como pessoa simples no meio rural, ao lado de pais ou irmãos amoráveis, de modo a sensibilizar sua alma.
Contudo, sempre que encarnava em meio simplório, sentia rejeição no fundo de sua alma, com revolta pela condição de submissão à pobreza e às coisas simples da vida.
Depois de farto material pesquisado e de montarmos o que chamamos de estrutura psíquica encarnatória,1 iniciamos uma análise mais profunda do caso, o que significava compreender as oportunidades trazidas pelo Alto para aquele determinado espírito, os cruzamentos de informações sobre débitos cármicos, as combinações que visavam a favorecê-lo para sair de certos aprisionamentos psíquicos, dentre outras análises complexas que exigiam não somente conhecimento, mas também forte dose intuitiva, sintonia e diálogo com aqueles que estão mais à frente na evolução e que nos orientam sobre as decisões encarnatórias, muitas vezes à revelia do próprio espírito reencarnante, especialmente quando ele se encontra cego pelo orgulho e egoísmo, como foi o caso da história de Agenor, em suas várias vidas.
Esse irmão gostava de demonstrar aos outros que possuía poder de comando, influência e inteligência acima da média.
Ainda que, por infinita Bondade Divina, tivesse tido várias oportunidades para cultivar a humildade, a simplicidade, a aceitação a comandos superiores, e de desenvolver a doçura no coração em suas encarnações em ambientes rurais e com familiares amoráveis, as rejeitara por revolta contra as condições que essas vidas físicas lhe impunham.
Como padre ou como pessoa ligada a movimentos religiosos, viveu em ambientes que lhe propiciavam ampliar a sensibilidade e sua aproximação com Deus, imprimindo em sua alma uma ligação psíquica com preceitos ético-espirituais.
As análises psicológicas superiores advindas de entidades orientadoras criaram condições para que, aproveitando suas próprias imperfeições e ímpeto de comando, promovesse, juntamente com outras pessoas, reformas numa Igreja Católica que trazia desde a Idade Média vícios materialistas e apegos ao poder político, aliás aspectos inerentes à própria personalidade de Agenor.
Mas a Reforma religiosa não conseguiu superar as marcas materialistas, orgulhosas e egocêntricas que estavam impregnadas no íntimo das pessoas ligadas à Igreja e aos movimentos protestantes.
Agenor cumprira vivências cármicas decorrentes das responsabilidades pelos actos com que afectara a outros.
Contudo, a bondade superior costuma aproveitar sempre os pagamentos de débitos pretéritos, para, ao mesmo tempo, gerar condições alquímicas interiores que favoreçam a reforma íntima.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 01, 2018 11:10 am

Essa é uma regra máxima nos estudos e preceitos cármicos que orientam reencarnantes para processos de transformação interior, simultaneamente ao cumprimento da Lei de Causa e Efeito.
Mas poucos conseguem aproveitar essa condição de optimização encarnatória.
Como a evolução não dá passos para trás, sempre algo positivo fica marcado no íntimo da criatura.
O sofrimento é uma dádiva para amolecer corações endurecidos no orgulho que, com o tempo, acabam se cansando e deixando brilhar os primeiros raios de humildade.
A vida que Agenor teve no interior de Minas Gerais, com pais dedicados, implantou sementes de simplicidade e humildade em sua alma, além das ligações religiosas com o Evangelho, por meio da doutrina católica.
Mas essas sementes não foram suficientemente cultivadas e ficaram adormecidas no fundo de seu ser, enrijecido pelo orgulho e egoísmo.
Os orientadores espirituais desejavam colocar no caminho de Agenor novo contacto com a doutrina cristã, por meio da fé católica que seus pais traziam.
A química que lhe ocorreu na adolescência, o que é normal a todas as pessoas, com a explosão de hormónios, mexeu profundamente com os mecanismos internos de sua alma, despertando-lhe do subconsciente informações e impressões boas e más, algumas até adormecidas no seu íntimo.
Assim, explodiu e prevaleceu aquela força maior do orgulho, vaidade e egoísmo, que a base ética até então conquistada não teve forças suficientes para domar.
Ao mesmo tempo, e no seu plano reencarnatório previa-se isso, pôde-se perceber que no meio dessa revolta íntima surgiram questionamentos benéficos, a exemplo de questões sobre o catolicismo e análises intelectuais sobre temas espirituais que o desprenderiam de egrégoras do passado, de um tempo religioso atrelado ao poder egocêntrico e materialista, e então surgiram dúvidas no campo espiritual que somente viriam a ser respondidas com a doutrina espírita, que, não por acaso, um amigo lhe apresentara por intermédio de uma obra psicografada pelo médium Chico Xavier.
Com o passar do tempo e a necessidade de expandir seus estudos, com árduo apoio da família migrou para a capital do Estado.
Ao deparar-se com colegas de estudo mais bem aquinhoados em recursos financeiros e bens materiais, sentiu-se profundamente inferiorizado, e a vaidade acentuou-lhe os interesses mundanos, de maneira a impulsioná-lo a conquistas materiais mais arrojadas e, por conseguinte, posições de liderança na área profissional.
Nesse bojo, e com o passar do tempo, foram arrebatadas por ele posições de comando na empresa em que trabalhava e dentro da associação espírita a que se filiara, como um dos membros da directoria, tendo alimentado profunda frustração por nunca ter conseguido ser presidente da instituição.
Os elementos psíquicos que constituem as estruturas de um espírito devem ser acessados via esforço de auto-conhecimento (passo inicial da auto-transformação), sejam virtudes, mazelas adquiridas pelas práticas e reflexos condicionados ao longo das várias encarnações e do tempo que se permaneceu no mundo astral.
Vale dizer que o período imerso na carne tem papel preponderante nessa construção do arcabouço psíquico, porque é nesse período que as marcas se tornam mais acentuadas na alma.
Não podemos nos dar o direito de julgar quem quer que seja, pois a consciência de cada um, quando recebe os sinais da centelha divina, em vários momentos do dia a dia e especialmente nos instantes da prece e da meditação, é que deve exercitar esse papel auto-analisador e auto-julgador na intimidade do ser, seguindo suas idiossincrasias.
O facto de Agenor ter buscado melhorias no campo material e profissional não deve ser visto como algo negativo; ao contrário, é mérito de cada espírito encarnado buscar progresso no mundo onde vive.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 01, 2018 11:10 am

Entretanto, os sentimentos que habitam as zonas conscientes ou subconscientes devem ser acessados e analisados com profunda sinceridade e coragem, porque actos positivos no mundo das formas, ainda que venham a gerar méritos na Contabilidade Cósmica, não necessariamente geram evolução espiritual.
É indispensável o ser humano identificar e separar o joio do trigo, na intimidade da alma.
Por isso, as virtudes precisam ser multiplicadas e os defeitos e vícios educados à luz de princípios universais superiores, como aqueles expostos no Evangelho de Jesus.
Agenor não fora um mau esposo ou pai de família ausente; sempre com o aspecto sisudo e moralista, tentava passar a imagem de homem ético e cumpridor dos deveres.
E em boa parte da vida agiu de fato como tal, ou seja, as coisas materiais nunca faltaram no lar, bem como as orientações de boa conduta, e isso foi mérito dele.
Entretanto, faltava-lhe a doçura no coração, o carinho, a flexibilidade, a tolerância, e em muitos momentos a compreensão com os mais próximos.
Sem dúvida, Agenor ajudou bastante na organização e na divulgação da doutrina espírita em seu estado.
Despertara em sua alma memórias antigas relacionadas aos tempos da Reforma Protestante, e colocara em prática energias que tinham ficado enclausuradas, pois na época conseguira dar início ao movimento expansionista e de divulgação dos argumentos calvinistas, mas logo foi censurado e teve que migrar da França.
Na Alemanha, só conseguiu realizar parte do que pretendia.
Seu espírito manteve escondido no fundo do subconsciente esse sentimento de frustração, o qual começava a ser desperto e descarregado em suas acções de divulgação do espiritismo (mesmo sofrendo alguns preconceitos no meio profissional e na sua vizinhança), em um estado que, por séculos, teve no catolicismo a doutrina predominante.
Juntavam-se a esses impulsos o sentimento de culpa que trazia da encarnação em que, como anglicano, perseguira, principalmente pela imprensa, o nascente espiritismo na Europa do século dezanove.
Passaram-se os anos dessa encarnação como brasileiro, e então seu dever profissional o fez transferir-se para a Capital Federal.
A ânsia pelo comando da instituição espírita que associava todas as demais, em âmbito nacional, o fez iniciar amplo processo de articulação política interna, e até externa a ela.
Nunca chegou a assumir o posto maior, mas teve grande influência no comando dessa instituição, onde viria a realizar amplo processo de divulgação da doutrina espírita, ainda impulsionado pelas frustrações do passado; e de fato fez um bom trabalho nesse sentido.
Entretanto, como desde os velhos tempos o ser humano tende a ficar preso às letras e não à prática e às transformações de sentimentos, Agenor reincidiria no mesmo erro da grande maioria das almas que se propõem a um caminho espiritual:
aprisionamento ao orgulho e à vaidade, ao poder de comando, àqueles que muito bem e com bons argumentos intelectuais ensinam tudo, mas no fundo do coração ainda resistem à verdadeira transformação íntima.
Quando desencarnou, Agenor esperava encontrar no plano astral um recepcionista das altas hierarquias espirituais esperando-o para conduzi-lo a uma cidade espiritual; se não ao Nosso Lar, a lugar semelhante onde pudesse continuar seu trabalho de liderança do movimento espírita, a fim de tornar-se um conselheiro local.
Ele sempre resistira ao contacto com seus sentimentos de orgulho e vaidade, ainda que ministrasse palestras e aconselhamentos sobre a necessária prática do Evangelho de Jesus e dos preceitos trazidos por Kardec.
Procurava ajudar pessoas carentes com mantimentos e presentes, mas no fundo tinha guardados sentimentos de comércio com o mundo espiritual, esperando com as boas acções estar cultivando créditos com o plano invisível.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 01, 2018 11:11 am

Como a mente possui níveis de consciência, há muitos casos como o de Agenor, em que se a pessoa não tiver cuidado cria egrégoras num plano mais superficial para tentar justificar-se como uma pessoa boa, de bons propósitos, íntegra e praticante dos princípios evangélicos; mas nas profundidades do ser permanecem guardadas nódoas que a cada dia se alimentam com doses de vaidade e orgulho suficientes para, aos poucos, manter essas energias fortalecidas como verdadeiros e sorrateiros "lobos", às vezes vestidos com "pele de cordeiro", artifício criado pelo próprio subconsciente.
Essas subtilezas da mente produzem mecanismos capazes de se sustentar por séculos e milénios, até que a criatura enfrente a própria consciência, desbravando-a, reconhecendo sua própria imperfeição, com humildade, e então inicie intenso e persistente processo de educação desses "lobos", o que pode demorar muitas encarnações, dependendo do tipo de mazela a ser trabalhada e do grau de firmeza e resistência de suas raízes.
Não basta ser bom no comportamento e na superficialidade da própria consciência, como num ato de enganar-se a si próprio, pois, na maioria desses casos, quando o corpo encarnado adormece e o espírito se descola dele, normalmente busca satisfazer e atender a essas forças subconscienciais no Umbral e nas zonas inferiores do mundo astral.
Ou seja, é preciso mergulhar na própria intimidade, na essência da alma, no âmago dos níveis profundos da subconsciência, usando técnicas do auto-diálogo, educando o orgulho, a vaidade, o egoísmo e os impulsos inferiores.
É fundamental nesse processo deixar brotar a sensibilidade, a humildade, a auto-aceitação de suas imperfeições e, ao mesmo tempo, a firmeza serena para que essas mazelas íntimas não sufoquem ou "enganem" os bons propósitos.
Quase sempre fortalecidas por entidades do mundo astral que se sintonizam com elas, essas emanações ilusórias buscam formas de sobrevivência dentro do ser.
Por isso, é preciso persistência, humildade, fé e auto-perdão redobrados para casos de reincidências eventuais a erros que as alimentem.
Um aspecto importante a observar diz respeito ao fato de que mergulhar dentro de si não é nada complexo; contudo, exige calma e quietude da mente.
Não é preciso ficar horas meditando (ainda que isso possa ajudar, dependendo do caso, do estágio e do momento evolucionário de cada um), mas observar os pensamentos e sentimentos predominantes na alma, e mesmo aqueles subtis que tentam se esconder no fundo dela e que não condizem com o que a pessoa já estudou ou aprendeu, em termos de princípios espirituais elevados trazidos, por exemplo, no Evangelho de Jesus.
Nos seres que não são tão antigos, é compreensível os erros primários; entretanto, quando o espírito torna-se "velho" na escalada do tempo, ou seja, os que carregam consigo centenas de milhares e milhares de anos de encarnação, alguns até na escala dos milhões de anos, chega certo momento em que a própria consciência profunda do ser, alimentada pela centelha divina (a luz divina que brilha na essência individual), começa a cobrar novas posturas interiores, não bastando mostrar-se bom no mundo das formas, mas tendo que transformar cada sentimento íntimo desajustado em célula espiritual sadia, entendendo que esse processo é longo e certamente permeará várias encarnações (o importante é encontrar-se na estrada do auto-conhecimento e da auto-transformação).
Há espíritos que são antigos, mas que optam "conscientemente" pela crueldade e pelo caminho do mal:
são magos negros, entidades muito inteligentes e participantes das hordas da "esquerda" do Cristo e que atingiram graus elevados de patologia psíquico-espiritual, em que o orgulho, a vaidade, o egoísmo e o apego ao mundo da matéria são tão aguçados que criaram "capas" energético-astrais muito rígidas e se tornaram impermeáveis a absorver o amor divino que cobre a multidão das imperfeições humanas, de modo sereno e como medicamento transformador.
Apesar dessa resistência ao bem, esse amor divino continua actuando sobre eles, inclusive exercendo a natural Lei do Carma.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 01, 2018 11:11 am

Ao mesmo tempo, existem espíritos que, apesar de antigos, optaram pelo caminho do bem há pouco tempo, em encarnações recentes ou mesmo no plano astral, antes de reencarnar.
Existem ainda os que não têm esse tempo milenar na escalada hominal de evolução.
Estes podem receber um tipo de ajuda "extra", com uso de técnicas que os arrebatam para locais de recuperação, caso tragam certo volume de crédito pela prática do bem ao próximo; entretanto, terão de possuir um mínimo de humildade que lhes permita receber as frestas de luz e a ajuda espiritual de que necessitam.
Quando estamos encarnados, possuímos o corpo físico para nos proteger contra certo grau de mazelas espirituais, e aí ele acaba drenando as imperfeições, sofrendo através de dores, doenças e desequilíbrios psicofísicos, ou por meio de acidentes, ou ainda por processos mais lentos de drenagem.
Quando a pessoa dorme ou desencarna, o corpo astral se descola e se depara com o mundo de energias mais livres.
Então, será atraído naturalmente para o ambiente afim ou para perto das entidades com as quais tem similaridade de pensamentos e vibrações no campo do sentimento.
Portanto, ao desencarnar, Agenor foi atraído para o Umbral, onde havia muitos irmãos carregados de orgulho e vaidade, de fortes ligações com o poder político e apego a cargos e imagem da personalidade.
Alguns, quando desencarnam e chegam a locais como esses, se possuírem frestas de humildade, se pedirem perdão sincero por seus equívocos na carne, se abrirem verdadeiramente o coração para o auxílio superior, certamente a Bondade Divina enviará seus servidores do bem para ajudar no momento do desenlace.
Aliás, normalmente, o plano espiritual superior está sempre a postos para servir.
Mas, ressaltamos novamente:
é preciso que haja verdadeira sinceridade.
Há muitos casos, como o de Agenor, em que o desencarnante chega cheio de si, como profundo estudioso do espiritismo, do Evangelho e de outras filosofias religiosas, ou de conhecimentos científicos.
Assim, se não abrir as portas da humildade, certamente será tragado pelas zonas do Umbral sintonizadas com esses padrões de pensamentos e sentimentos arrogantes.
É pura lei da física quântica agindo sobre a matéria subtil e aglomerados de energia.
Agenor deparou-se com o Umbral após lento e longo processo de doença vivida na carne, desencadeada por um câncer no pâncreas.
Foi desencarnando aos poucos; a bondade de Deus lhe permitiu esse processo para que o choque com o mundo dos espíritos não fosse acentuado e, ao mesmo tempo, para que desse tempo de amolecer o coração, deixando brotar um pouco de humildade na alma.
Entretanto, ele teve reacções contrárias ao que pregava nas palestras do centro espírita.
Sentia-se machucado no ego quando percebia que não podia realizar sozinho as mínimas actividades domésticas, os cuidados com o asseio pessoal, a administração dos remédios, especialmente depois que deixou o hospital desenganado pelos médicos, o que o fez ir definhando os poucos, não só física como psiquicamente.
Em sua superficialidade mental, achava o seu quadro vergonhoso para uma alma activa e altiva, trabalhadora, determinada, que mais ajudava do que recebia ajuda, e com profunda índole cristã.
Tinha uma mente forte que se utilizava de mecanismos subtis para encobrir suas fraquezas íntimas, a ponto de acreditar no que ela lhe impunha como verdade.
De facto, Agenor realizou boas obras e procurou ser íntegro em suas acções, o que lhe proporcionou vários méritos.
No entanto, a substância pegajosa gerada em sua aura, em decorrência do elevado grau de orgulho e vaidade, impedia o acesso de seu guia e de amigos do mundo espiritual, que tentavam tocar-lhe os sentimentos e fazer com que ele acessasse nódoas que se escondiam no fundo de seu ser, a fim de desbloqueá-las, já que, quando ocorresse o desenlace do corpo físico, tais imperfeições se tornariam dominantes no seu contexto mental-emocional, envolvendo-lhe o perispírito.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 01, 2018 11:11 am

O espírito encarnado que durante sua existência física não se esforçou para reencontrar-se interiormente, especialmente os espíritos antigos, que já reencarnaram inúmeras vezes e receberam muitas informações sobre temas éticos e espirituais, certamente terão dificuldades de se encontrar no momento do desencarne.
No primeiro contacto com o mundo astral, sentindo-se debilitado fisicamente, Agenor procurou buscar a força da mente para conduzi-lo sem saber para onde, pois estava perdido naquele novo cenário repleto de entidades vagantes, desorientadas, que gritavam revoltadas com a situação em que se encontravam.
Seu ser também gritava, resmungava (exactamente como costumava fazer quando estava sozinho em seu escritório nos tempos de encarnado), e questionava com muita raiva quanto ao belo mundo que deveria ter encontrado.
As criaturas precisam estar atentas aos sentimentos, aos pensamentos mais íntimos, especialmente quando encontram-se sozinhas, sem qualquer pessoa que possa observá-las, pois nesses instantes é que vêm à tona as mazelas que usualmente aprisionam diante dos outros.
As preces dos parentes que haviam ficado na carne derramavam-lhe gotas suaves de esperança sobre o corpo astral, mas logo elas eram absorvidas pelo ambiente hostil e nebuloso e se desfaziam como o gelo ao contacto com o calor.
Logo Agenor avistou João, um velho político que desencanara alguns meses antes dele e que fora simpatizante e frequentador de centro espírita, quando encarnado.
O amigo o recebeu e pediu a alguns ajudantes que o levasse para a Cidade dos Nobres.
- Vamos lá, Agenor! - saudou João.
Seja bem-vindo ao mundo dos espíritos!
Como você sabe, aliás graças às suas prelecções, acabei me tornando espírita, mesmo sendo um frequentador esporádico.
Mas já sabemos que, como nós, você se sentiu um tanto enganado pelas promessas não cumpridas pelo lado invisível.
É, mas você e tantos outros que pregavam o espiritismo ainda tiveram sorte, porque boa parte saiu do corpo e veio para o Vale dos Espíritas, que é o caminho para chegar à nossa cidade, repleta de nobres companheiros de jornada, onde poderá sentir-se mais seguro.
Ao morrer, caí numa cilada e fui levado para uma região umbralina não muito longe daqui, repleta de gente louca, de arruaceiros, espíritos que classifiquei co mo vândalos vagantes.
Alguns tentavam me aterrorizar e até me agrediam.
Pareciam até velhos eleitores me cobrando coisas que eu havia prometido em discursos de campanha só para atrair votos.
Por sinal, apareceram dois velhos correligionários me cobrando dívidas de campanha, me agredindo, dando pontapés; enfim, foi tenebroso.
Você não imagina como sofri por lá; foi quase um ano de terror.
Lembrei-me dos tempos em que ia à igreja católica com meus pais.
Então pedia a Deus para me tirar daquele lugar que estava me enlouquecendo, e nada de ajuda espiritual.
Deus não me ajudava e ninguém aparecia para me socorrer.
Foi quando me lembrei dos tempos em que ia naquele nosso centro espírita.
Recordei-me das leituras que o palestrante fazia, das poucas vezes em que cheguei a ler algumas folhas de O Livro dos Espíritos.
Aí não fiquei perdendo tempo com espíritos de segundo escalão; fui logo pedir ajuda a Allan Kardec, para me tirar daquele lugar e me levar para Nosso Lar, que todo mundo no centro falava como um lugar maravilhoso.
Mas nada acontecia.
Fiquei profundamente revoltado com tudo, pois dei muito dinheiro para o centro espírita, e todas aquelas perspectivas que falavam da existência dos bons lugares no mundo dos espíritos pareciam cada vez mais longe; parecia que aquelas palavras esperançosas eram como os discursos políticos.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 01, 2018 11:11 am

Você sabe, né, apenas palavras!
Cheguei a pensar que estava sendo castigado pelas mentiras que nos acostumamos a dizer, principalmente no meio político, que evidentemente não se concretizam.
Sentia-me arrasado no mundo dos espíritos, decepcionado, derrotado por ter acreditado que tanta ajuda que dei ao centro espírita seria devolvida para mim em forma de créditos divinos.
Aí foi mesmo natural que as avalanches de revolta surgissem dentro de mim, ainda mais quando lembrava que ajudei muita gente sendo político, e de quantas pessoas pobres ajudadas por mim diziam:
"Deus te pague!".
Claro, as coisas erradas que acontecem na política são inerentes à política.
Tudo está podre mesmo e eu não tinha como escapar das armações politiqueiras, dos esquemas para arranjar grana para a campanha, e por aí vai.
Mas de facto ajudei muita gente, e Deus não me deu nada ao chegar no mundo astral.
Até que um dia, um grupo de amigos da Cidade dos Nobres me avistou como um maltrapilho e me reconheceu.
Então pensei:
"Até que enfim surgiram pessoas que me reconheceram pelos belos trabalhos assistenciais que fiz quando era político, pelos discursos inflamados em prol dos mais carentes lá no parlamento..."
Alguns vândalos tentaram impedir que aquele grupo de companheiros me levasse dali, mas um dos nossos tinha uma arma que disparava choque eléctrico contra os espíritos perturbados.
Enfim, me tiraram e caminhamos alguns poucos quilómetros por uma trilha ainda mais escura que a região onde eu estava, cheia de entidades enlouquecidas, e então chegamos a um lugar chamado de Vale dos Espíritas, que é um grande vale que vai dar na Cidade dos Nobres.
Por isso lhe digo, sorte sua de estar connosco.
Aqui tem muita gente perturbada, mas pelo menos boa parte dos que aqui estão foram espíritas na carne, sabem dos nossos lemas e dilemas.
Alguns estão prontos ou podem ser colaboradores fiéis; outros, muito perturbados ou apenas parasitas preguiçosos, deixemos de lado; eles acabam ficando no próprio vale descampado.
Nossa cidade é como se fosse um grande condomínio feito por pessoas com as quais temos algum tipo de ligação política, parentesco, amizade ou que de algum modo possam nos ajudar a melhorar a vida por aqui.
Você entende, né, gente como você, inteligente.
Gente passiva e que só vai pesar no nosso balancete, dando-nos prejuízo sem nada contribuir, é melhor ficar do lado de fora.
Logo estaremos chegando aos portões da Cidade e você vai perceber a diferença.
Vai descobrir que lá existem os mesmos desafios políticos que tínhamos na vida terrena; quer dizer, grupinhos fechados, traições, campanhas.
Mas pelo menos há democracia, tipo aquela que tínhamos lá no mundo físico.
Hoje estou na oposição da direcção administrativa e em breve teremos eleições; por isso preciso de sua ajuda para arrebanhar eleitores.
O pessoal que está na administração é muito fraco.
Precisamos de gente mais ousada.
Um dos pontos mais sérios é a invasão ou a tentativa de invasão da Cidade por parte dos perturbados e até de alguns espíritos muito inteligentes, mas que querem nos usar.
Eles sabem que temos alguns cientistas que têm nos ajudado a construir um eficiente sistema de segurança, como o revólver de choque eléctrico, além de outras inovações interessantes que você vai ver com os seus próprios olhos.
Mas não podemos dispor somente de cientistas e processos de fabricação artesanal; temos de implantar indústrias com produção sistematizada, e em série.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 01, 2018 11:12 am

Usamos matéria-prima astral, que tem substância similar ao material existente na Terra, só que mais subtil, e exige outros tipos de destreza, inclusive precisamos de material energético que só os encarnados possuem:
o ectoplasma e o bioplasma. Há verdadeira guerra aqui no mundo dos espíritos para se ter esses materiais com os quais fabricamos muitas coisas, pois servem como energia para movimentar os motores e equipamentos de fabricação.
Logo você vai descobrir todos esses desafios com que nos defrontamos.
- É, João, tenho agora várias dívidas com você - observou Agenor.
Meu esforço em relação às articulações para elegê-lo novo gestor dessa cidade você pode contabilizar como activo meu nessa conta.
E vai dar certo!
Logo estará assumindo esse posto, e vamos poder ampliar as acções por aqui, sendo mais ousados que o actual gestor.
Passaram-se dois meses, Agenor se restabelecia dos traumas do desencarne, de suas andanças nas Sombras, e aliava-se a João, com o intuito de assumirem a administração da Cidade dos Nobres.
Agenor permanecerá ainda por muito tempo no Umbral, em razão do alto grau de orgulho e da falta de disposição para modificar-se internamente. Junto com alguns membros da Cidade dos Nobres, aos quais se associou, fez incursões em várias localidades do Umbral para resgatar espíritos recém-desencarnados que pudessem tornar-se potenciais colaboradores, dando preferência a egressos de grupos espíritas cheios de revolta, pois neles podiam encontrar material astral indispensável para alimentar interesses menos nobres, apoiados no orgulho que cultuavam.
Pretendiam transformar aquele logradouro astral numa poderosa área de geração de tecnologias de segurança e transporte astral, e de conhecimentos espirituais, modificando e distorcendo o entendimento da doutrina de Kardec, com interesses de poder e controle da vaidade e do egoísmo, que possibilitam a satisfação de apegos às paixões inferiores.
Pretendiam aumentar o número de servidores no local, e por isso resgatavam espíritos nem sempre sintonizados com eles, mas de conhecimentos rudimentares e serviçais, pagando-lhes com "alimentos" astrais diversos.
Seguindo esse rumo, certamente não tardará e a Cidade dos Nobres estará mergulhada num verdadeiro caos, que se acentuará à medida em que o planeta Terra seguir os destinos programados para sua transformação mais profunda e completa, pelos tempos que são chegados.
Quando está protegido pelo corpo físico, o ser humano pode esconder pensamentos e sentimentos, mas no plano espiritual não há essa protecção que muitas pessoas usam como disfarce ou esconderijo da realidade.
Naturalmente, cada um é atraído para o ambiente condizente com o que pensa e sente, bem como o que deseja e vibra na intimidade.
O Vale dos Espíritas nada mais é que um ambiente no Astral, dentre tantos outros, mais precisamente em zona inferior do Umbral, já na fronteira das zonas mais tenebrosas, para onde são atraídos espíritos que vibram na mesma sintonia. Normalmente conhecem a doutrina do espiritismo, frequentaram grupos espíritas quando estavam encarnados e possuem uma característica que lhes é comum: o forte orgulho.
Um orgulho que impede a penetração de vibrações superiores que trazem como base essencial a humildade, a resignação e a disposição em aceitar o cenário interior construído por si próprios e o cenário exterior condizente com seus desejos mais profundos.
Nenhum ser tem o direito de cobrar nada de quem quer que seja, muito menos da Espiritualidade Maior, sob o pretexto de achar que cumpriu os desígnios do Alto, pois Deus sabe o que faz e o que deve dar ao mais simples verme que habita a crosta e ao que deteve o mais alto cargo da hierarquia política ou religiosa.
A Espiritualidade Superior não trata as criaturas como membros de um comércio de "dotes" de "boas obras".
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 01, 2018 11:12 am

Sem dúvida, cada boa obra será contabilizada como mérito naquilo que lhe couber e no momento exacto em que o espírito estiver minimamente maduro para recebê-lo, visando ao seu próprio bem interior e à sua felicidade verdadeira.
Enquanto o orgulho, a revolta e as exigências descabidas vibrarem fortemente na essência do ser, não haverá campo propício para a recepção da infinita Bondade Divina expressa por intermédio dos inúmeros trabalhadores do Cristo que labutam incansavelmente no Umbral e em todas as paragens do mundo astral.
Com o passar dos anos no Vale dos Espíritas, os desencarnados mais intelectualizados, e com a mente mais "forte", resolveram iniciar a construção de um grande condomínio que passou a se chamar Cidade dos Nobres, com a qual se mantêm em sintoma entidades egressas de grupos espíritas, algumas até com largo cabedal de conhecimentos, mas com as mesmas prerrogativas da vaidade, do orgulho, da revolta, da busca pelo poder, do apego egoístico, e ligados a muitos vícios da carne, sem o desejo sincero de mudança.
No fundo, não estavam dispostas a modificar-se quando ainda estagiavam no plano físico, e então, depois do desencarne, preferiram construir um ambiente onde pudessem dar continuidade aos mesmos interesses mesquinhos.
O aspecto natural dessa zona do Umbral é sombrio, escurecendo como um breu, à noite, e com nuvens escuras durante o dia, com alguns raros raios de sol em poucos momentos, especialmente no início da manhã: mecanismo das forças cósmicas que levam um pouco de luz até mesmo a lugares onde a revolta e a indisciplina não a desejam, a fim de tentar arrebatar os espíritos cansados daquele ambiente, saturados pelo veneno do orgulho e da dureza do coração, e já um pouco mais sensíveis à humildade e ao chamamento do Alto.
O nome dado ao lugar foi um reflexo da vaidade do seu primeiro dirigente, que assim o denominou por achar que ali seria o ponto de convergência de criaturas que tinham vivido na nobreza, em encarnações mais antigas, e que mantiveram esse status nos tempos modernos, até pelos cargos que assumiam quando encarnados.
Na verdade, construíram uma vila astral com grande semelhança às vilas do interior do Brasil, com seus problemas estruturais e espirituais, mantendo contudo uma única diferença: a de que numa vila do mundo físico há sempre pessoas de boa e má índole misturadas, seres com e sem fé, humildes e orgulhosos, pacíficos e revoltados, já que o corpo físico serve de anteparo para promover a mistura das almas, independentemente de seu tónus vibratório, fato que não ocorre no plano astral.
Evidentemente, não existe um ser totalmente mau que não tenha algo de bom dentro de si que possa ser cultivado e ampliado, até porque todos temos a centelha de vida ou centelha divina na intimidade da alma.
Além disso, o Mestre dos Mestres não abandonará uma ovelha sequer do seu rebanho, estando os trabalhadores de Sua seara atentos para recolher todos os irmãos que já estiverem prontos para aceitar humildemente sua condição de seres imperfeitos e necessitados de ajuda do Alto.
É importante deixar claro que, mesmo nos locais do plano astral onde predomina o ambiente de harmonia, paz e desejo de crescer espiritualmente, a aplicação da força de vontade faz parte do processo educativo diário, pois até mesmo os bons ainda precisam evoluir, com excepção dos anjos e arcanjos que, embora estejam isentos das rodas das encarnações, por serem totalmente bons, dispõem de um processo evolutivo diferente dos humanos.
É evidente que nem todos os espíritas vão para o Vale ao desencarnar, mesmo aqueles que deixam a carne cheios de imperfeições não superadas ou pouco trabalhadas na intimidade, repletos de traumas, recalques, medos, sentimentos de culpa ou sensação de metas não cumpridas, enquanto estiveram encarnados, pois isso é normal por tratar-se de seres humanos em diversificados estágios de evolução.
Enfim, há casos e casos.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 01, 2018 11:12 am

A senha vibratória que atrai os desencarnados para o mesmo locus astral está atrelada principalmente a quatro factores básicos:
orgulho exacerbado, ou ausência de um mínimo de humildade que lhes permita aceitar que estão errados em seus pontos de vista, e arrogância ou cobranças descabidas (mesmo que esses mecanismos estejam escondidos no seu íntimo e não sejam expressos em gestos e palavras, ou quando o desencarnado se diz humilde e cumpridor do Evangelho de Jesus, mas isso é apenas da boca para fora); vaidade, que é irmã do orgulho e sustenta uma posição interior de superioridade, por acharem-se acima dos que não tiveram acesso aos conhecimentos espirituais, ou de terem assumido postos de comando na vida terrena, seja em ambientes profissionais ou religiosos, achando-se merecedores de uma recepção à altura de suas posições no momento da chegada ao mundo astral; sentimento de comércio com a Espiritualidade, por acharem que, ao ter ajudado muitas pessoas quando estavam encarnados, mereciam um outro tratamento ou recepção diferenciados, o que de certo modo também é uma expressão do orgulho, pois o capitalismo e o comércio existem somente nos mundos inferiores; e finalmente sentimento de culpa, que muitas vezes está atrelado a um sorrateiro grau de orgulho, por não permitirem-se errar, sentirem-se imperfeitos ou sujeitos a equívocos, havendo por trás desse processo muito medo ou auto-cobrança além da capacidade de se superar.
De qualquer modo, esses sentimentos precisam ser trabalhados e não podem ser empurrados para os esconderijos da alma, já que após o desencarne eles explodirão com uma força descomunal dentro do ser.
Um teste importante para cada ser humano submeter-se é observar se o orgulho sobressai dentro de si ao receber uma crítica, estando-se certo ou errado.
E, em seguida, avaliar o grau de intensidade desse orgulho.
De modo geral, o ser humano ainda não aprendeu a ouvir, rebatendo de imediato uma determinada crítica ou consideração a algo que tenha feito ou deixado de fazer.
É preciso que primeiro a pessoa ouça, processe a informação e depois então concorde ou não, e se posicione de forma educada, o que às vezes necessita de firmeza; porém uma firmeza sem violência.
É muito importante encontrar as palavras certas, a forma mais eficaz de se comunicar, com conteúdo claro e educação, exercitando-se a empatia.
É certo que estamos em processo de evolução, e cada um possui um determinado grau de orgulho.
O aspecto crucial a ser observado é se o indivíduo deixou manifestar o bom senso, e o discernimento, avaliando a situação com um mínimo de equilíbrio que permita sobressair um pouco de humildade dentro de si, pois à proporção que essa virtude aparece abrem-se canais de luz que brotam de nossa essência divina e de planos espirituais superiores, permitindo que se amplie o discernimento.
É um largo processo colaborativo entre o indivíduo e a manifestação de Deus por meio de formas diversas, inclusive com a ajuda de seu guia espiritual.
As guerras e discórdias promovidas pelo orgulho e vaidade em ambientes diversos, inclusive em muitos centros espíritas, e que não são identificadas e trabalhadas à luz dos princípios contidos no Evangelho de Jesus, tendem a se cristalizar e a criar mantos impermeabilizantes à penetração das forças superiores, e então sintonizam-se com as zonas inferiores e umbralinas do Astral.
Quando pessoas não se esforçam para melhorar (mesmo tendo quedas sucessivas), dispondo-se íntima e sinceramente a tornar-se mais humildes, certamente serão fortes candidatas a habitar o Umbral após o desencarne.
O Vale dos Espíritas congrega justamente espíritos com certa similaridade de desejos, conhecimentos e exigências descabidas.
É válido esclarecer, entretanto, que ir para esses locais pode significar uma rápida passagem e posterior ascensão para lugares mais equilibrados, ou pode significar um longo estágio, proporcional à abertura do coração para as primeiras luzes de humildade.

l - Uma espécie de relatório, com laudo preliminar, que um computador digital astral produz, a partir de cruzamento de dados e análises da natureza essencial do espírito:
personalidades vividas nas várias encarnações, aspectos marcantes na psique, condicionamentos, boas e más atitudes ao longo de cada vida, dentre outros aspectos que não cabe aqui detalhar.
É evidente que espíritos que atingem certo grau de evolução não necessitam recorrer a esse equipamento, pois acessam directo no éter as informações sobre determinadas criaturas, suas várias encarnações e a resultante psíquico-espiritual de todas as vidas.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 01, 2018 11:12 am

III - Enfrentando a própria consciência
André era dono de livraria, actividade digna e séria que ele conduzia para pagar os estudos na faculdade de economia e ajudar os pais, pois vinha de uma família de classe média baixa do interior de São Paulo.
Batalhador profissional durante o dia e estudante à noite, conseguiu montar sua loja após anos de trabalho em um escritório.
Era contabilista, e com duras economias ajudava os pais, comendo às vezes mal, para minimizar despesas diárias.
A livraria já estava com sete anos de existência, e a cada dia a clientela aumentava mais.
Nas horas em que não estava atendendo ou organizando a loja, voltava-se para os estudos, principalmente dos livros espíritas que vendia.
Era o chamado "rato de livraria", como vulgarmente se diz.
Sempre que precisava sair para resolver assuntos externos, deixava Maria cuidando da livraria.
Além de vendedora, ela era assistente administrativa.
E nessas saídas, ele aproveitava para dar uma rápida passada em outras livrarias e verificar se havia algo novo a aprender em termos de gerenciamento, de novidades nas estantes, inclusive dando uma olhada em livros que lhe chamavam a atenção, especialmente os de cunho espírita, espiritualista e esotérico.
Aos trinta e cinco anos, André já costumava fazer prelecções esclarecedoras aos costumeiros clientes de sua livraria.
Sempre que tinha um tempinho extra, tomava passe num centro espírita perto da faculdade.
Estava para se formar em economia e tinha alguns sonhos profissionais:
trabalhar numa empresa multinacional ou ser comentarista de economia numa revista importante ou jornal de grande circulação, mas isso sem se desfazer de sua livraria, actividade que desempenhava com amor.
A divulgação era algo que o motivava, em especial quando se tratava de temas espirituais.
Apesar dos cuidados que tinha com os conhecimentos espíritas, negligenciava em alguns aspectos importantes, como aprimorar os sentimentos, incluindo o mergulho no subconsciente, através da auto-observação, a meditação para um maior autoconhecimento, dedicação à auto-transformação, e também a atenção para sua saúde física.
Mesmo sabendo que a carne não era um bom alimento, adorava uma picanha gordurosa ou uma carne de porco pingando gordura no prato.
Não fazia exercícios físicos nem costumava ir ao médico para fazer um check-up.
Jamais podia imaginar que um belo dia iria sofrer um acidente cardiovascular fulminante que o levaria para o Além, pegando-o de surpresa.
Sempre afeito a incursões intelectuais no campo da economia, bem como no terreno dos temas espiritualistas e espíritas, tinha uma mente fortalecida intelectualmente e uma enorme fragilidade na área sentimental.
Fugia de si mesmo, do enfrentamento de sua própria consciência.
Seu grande aparato intelectual o fazia uma pessoa muito vaidosa.
Tinha prazer em disseminar os preceitos espíritas e repassar informações esotéricas aos outros.
Por algumas vezes, fora convidado a palestrar no centro espírita que frequentava e adorava quando era elogiado pelos conhecimentos adquiridos.
Seu orgulho ficava inflado quando era ovacionado.
Sempre que algum cliente ou algum assistente de suas palestras o contestava, ele ruborizava e ficava furioso intimamente, mas não expressava raiva nas palavras, embora fervesse por dentro.
No fundo, tinha uma elevada auto-estima e se considerava intelectualmente superior à maioria das pessoas nos assuntos que dominava.
Vez por outra, sentia dores de cabeça intensas, vista turva, tonteira, fraqueza e formigamento nas mãos, nos braços ou nas pernas.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 02, 2018 11:29 am

Quando isso acontecia, sentava-se, tomava água, descansava um pouco e logo voltava ao normal.
Não tinha a mínima ideia de que algumas vezes havia sofrido pequenos acidentes vasculares cerebrais, vulgarmente conhecidos como derrame.
Ensaiava ir procurar um médico, mas usava para si mesmo e para os amigos o argumento de que seus afazeres intensos do dia a dia o impediam de arranjar tempo para cuidar da saúde.
No ano em que acabara de se formar, estava cheio de esperanças profissionais, até que um dia, em pleno horário de trabalho na livraria, sentiu uma fraqueza repentina, perda de visão e desmaio súbito.
Maria correu para socorrê-lo e chamou uma ambulância, mas ele já chegou ao pronto-socorro totalmente desfalecido.
No percurso da loja até o pronto-socorro, André teve uma rápida retrospectiva dos acontecimentos relevantes que o marcaram desde infância até aqueles dias finais.
Seus sentimentos estavam intensamente mobilizados e confusos.
Lembrava com preocupação de seus pais velhinhos e se preocupava com o envio mensal de dinheiro para a manutenção dos dois.
Vinha à sua mente a preocupação com a gestão da loja; sentia uma sensação de perda de oportunidade de ir trabalhar numa revista de economia (ele aguardava um contacto importante que um amigo estava articulando com um dos dirigentes dessa revista).
Tinha a sensação de estarem escapando de suas mãos vários livros e papéis; via-se sendo retirado, carregado, de uma palestra espírita, com um auditório cheio de gente, e sentia vergonha por ver tantas pessoas observando-o naquelas condições de incapacidade.
André tinha uma mente forte e achava que sua saúde era inabalável.
O orgulho e a vaidade o confrontavam intensamente.
Foram vinte e cinco minutos entre a chegada da ambulância e a entrada no pronto-socorro, tempo que lhe pareceu uma eternidade ao reviver situações passadas e conflitos presentes em seu íntimo.
Ao receber os primeiros tratamentos de choque para reactivar o coração, apagou completamente, entrando num processo de inconsciência em razão de seu estado mental sobre-carregado e da hemorragia que tomava conta de seu cérebro.
Essa perda se estendeu ao seu perispírito, sem que ele se desse conta de que havia desencarnado.
Por mais de quarenta e oito horas ficou grudado inconscientemente ao corpo.
Finalmente acordou no momento em que estava sendo sepultado.
Olhou os pais chorando, Maria em estado de choque, Márcia descontrolada (uma ex-namorada que o amava muito e que tinha esperanças de um dia casar-se com ele), alguns amigos mais chegados e vários colegas de faculdade, todos bastante tocados emocionalmente ou chocados pela rapidez do episódio.
Um amigo do centro espírita terminava a prece de despedida e encaminhamento espiritual de André, quando ele se deu conta de que realmente tinha morrido.
Presente ao próprio enterro, em estado de choque, não acreditava no que via.
De súbito, veio-lhe uma revolta com o ocorrido e um misto de sentimento de perda, derrota e injustiça divina para com tudo o que havia vivenciado e com o que estava sendo construído em sua vida material, além das esperanças no campo profissional.
Tinha o sonho de casar-se e ter filhos, de ser rico, famoso, reconhecido na área espiritual e profissional.
Ele, que havia saído do interior de São Paulo, de família simples, tinha conquistado a capital com esforço e dedicação ao trabalho, aguardava perspectivas nobres para o futuro.
Sentia-se arrasado intimamente e, por detrás dessa decepção, escondia-se uma forte revolta, inclusive com Deus, mediante o destino inesperado e a sensação de derrota na vida.
Era final de tarde; as pessoas já haviam saído do cemitério e André continuava sentado numa sepultura vizinha à sua, completamente desolado, quando percebeu que ao seu redor e à distância havia muitas outras entidades que a rigor não tinham nada a ver com ele.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 02, 2018 11:30 am

Uma delas, com ar cadavérico, aproximou-se e puxou conversa, questionando-o sobre seu estado de inércia e motivando-o a juntar-se a ele e ao seu grupo, que denominava de Falange dos Revolucionários.
André ficou assutado; não se simpatizou muito com a criatura e lhe disse que gostaria de ficar ali mais um pouco, sem ser incomodado.
Aos poucos, outros espíritos do mesmo grupo foram se aproximando e lhe cercando, pois percebiam no seu perispírito muitos resíduos de ectoplasma que poderiam ser vampirizados.
Como tinha lido muitos livros sobre conhecimentos esotéricos, espiritualistas e espíritas, sabia que poderia afastar as entidades com sua força mental, aproveitando os restos de material plasmático que trazia do corpo físico e do duplo-etérico para imprimir mais força a esse processo.
Então mentalizou em torno de si uma aura azul intensa e, como a provocar um sopro ou vento astral, fez um movimento empurrando aquelas entidades que se comportavam como urubus em torno da carniça.
De facto, como um tiro de ar comprimido em formato circular e em torno de si, jogou-as para alguns metros de distância.
Todas correram, excepto a que parecia líder do grupo.
Então sentiu um rasgo de medo e correu em direcção à saída principal do cemitério.
O estado de angustia e pavor foi se ampliando, e subitamente André adentrou um caminho paralelo que não estava no desenho geográfico original do campo físico de sua cidade, vendo-se em um local sombrio e repleto de "almas penadas".
Olhava para trás e ainda via o espírito raivoso, com ar cadavérico, a persegui-lo.
André pressentia que não tinha mais ectoplasma disponível, mas de qualquer modo fez uma última tentativa de direccionar um petardo mental, como um raio laser, em direcção ao líder dos Revolucionários.
Deu certo, e a entidade foi parar bem longe, a mais de trezentos metros de distância, o que a fez perdê-lo de vista.
Subitamente ele sentiu-se enfraquecido e teve certeza de que não possuía mais material plasmático.
André trazia uma postura comportamental, desde os tempos da carne, em que lutava sozinho, achava que não precisava de ninguém e que sua força interior era capaz de conduzi-lo pelos caminhos que desejasse.
Não percebia que seu orgulho não era exactamente um alimento de fortaleza interior.
Acabara de chegar ao Além, não conhecia a geografia do lugar, tinha conhecimentos básicos de manipulação de energia, mas desconhecia as regras e mecanismos mais complexos da vida astralina e, principalmente, não percebia que seu orgulho o impediria de acessar planos mais subtis.
Tentava vencer o medo, a angústia e a revolta por ter de passar por aquilo tudo.
No fundo, esperava que anjos e mensageiros do Alto o aguardassem e o conduzissem a regiões superiores.
Sua mente fervilhava, pensando no homem bom que tinha sido, na boa índole que possuía, na sua vida carnal delineada pela seriedade e postura ética.
Pensava, com sentimento de decepção, no quanto divulgara os ensinamentos e conhecimentos espíritas e espiritualistas, fosse por palestras e diálogos esclarecedores, ou por meio dos livros que vendia.
E concluía mentalmente:
"De nada serviu o esforço que empreguei em prol do bem?".
Explodia em xingamentos.
Quantas vezes tivera auto-controle para não usar palavras de baixo calão contra clientes mal-educados que iam à sua loja, ou contra pessoas que furavam a fila do banco ou do cinema...
Mas não possuía mais o corpo físico, não tinha mais a barreira energética densa que o impedia de expressar plenamente seus desejos e impulsos.
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Ave sem Ninho

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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 02, 2018 11:30 am

E então se via mergulhado no mundo astralino, rodeado de desencarnados exactamente iguais a ele, gritando, xingando contra o mundo e a Deus pelas "injustiças" que passavam naqueles momentos.
Reflectia consigo mesmo:
"Sinto muito frio e já estou cansado de andar por este lugar, sem saber que direcção tomar.
Estes seres malucos, gemendo, urrando, esfarrapados, me arrepiam pelo aspecto imundo.
Ah, que vergonha por estar aqui!
Fazem-me sentir no inferno de Dante.
Que bela recepção o plano espiritual me preparou!
Onde está o meu guia espiritual, que os médiuns do centro falavam que eu tinha ao meu lado?
Tudo enganação!
Quantas pessoas ajudei com esclarecimento...
Lembro do caso de uma adolescente que me disseram que não se suicidou porque teria ouvido uma palestra minha, inclusive até perdoou o namorado por tê-la abandonado.
Puxa, naquele dia, quando me deram essa notícia, tinha certeza de que Deus guardaria um lugarzinho especial para mim!
Quer dizer que então de nada vale salvar vidas...
Deus que é tudo, é bondade infinita, que perdoa a todos, cadê?
Onde estão Teus mensageiros de amor que não aparecem para ajudar um trabalhador da Tua seara?
Que raiva de tudo e de todos!
Morrendo de frio, neste lugar horrendo, com cheiro de mofo, cheio de entidades perdidas, e eu com todo o meu cabedal de leituras aqui, junto delas.
Era só o que me faltava!".
Foi quando surgiu alguém ao seu lado.
André não sabia, mas era Samuel, um velho conhecido:
- Puxa, cara, que dificuldade para encontrá-lo!
Vamos nessa, André!
Nossos companheiros vão ajudá-lo; vão cercá-lo para evitar que baderneiros mexam com você ou tentem sequestrá-lo.
Aqui há muita gente inteligente e de má índole, que quer escravizar espíritos recém-chegados e perdidos.
Você daria um bom zumbi para eles manipularem a mente, usando-o como escravo.
Ainda mais desse jeito, enfraquecido e sem saber para onde ir.
Vamos lá, anda mais rápido!
João, que é forte, pode carregá-lo, se não der conta.
André protestou:
- Quem são vocês?
Espera lá, me expliquem melhor de onde vocês são e para onde querem me levar!
Peraí, ninguém vai me carregar, não!
Era só o que me faltava!
Posso estar fraco, mas consigo andar, sim.
Tenho muita força de vontade e esse papo seu, de entidade dominar minha mente...
Você está pensando que eu sou um idiota, leigo das coisas sobre o mundo das energias?
- Não, você está brincando comigo é, André? - tornou Samuel.
Não se lembra de mim?
Amigos de infância... você roubou minha namorada na adolescência, quer dizer, a menina que gostava de mim, no dia da festa do meu aniversário de quinze anos, e acabou transformando-a na sua primeira namorada.
Fiquei de mal com você... e muitos anos depois, nos reencontramos numa palestra espírita sua, já adultos, lá em São Paulo.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 02, 2018 11:30 am

Depois você sumiu, né, ficou cheio de afazeres, de grana...
Talvez sua visão ainda esteja turva, depois do choque no derrame... por isso vou dar esse desconto, e também porque é normal quem perde o corpo físico chegar por aqui meio tonto e desorientado.
Mas tenha calma!
Somos da Cidade dos Nobres.
Depois que descobri que você estava desencarnando e falei com nosso comandante, ele me pediu para vir apanhá-lo, junto com nossa equipe de salvadores de almas.
Vamos resgatá-lo deste lugar, onde você corre riscos.
Mas me surpreende não ter nenhum vampiro atrás de você, ou um grupo querendo sequestrá-lo para colónias das zonas infernais.
Olha só, acalme-se!
Não fique arredio não, que a gente vai ajudar.
Ou você quer ficar aqui, perdido?
Finalmente André se deu conta da situação:
- Não, tudo bem. Vamos lá, Samuca, agora estou lhe reconhecendo!
Desculpe, camarada!
Soube da sua morte numa semana em que eu estava super atrapalhado na faculdade, com provas finais, e para completar com problemas na loja.
Maria tinha ficado doente e eu não tive como ir ao seu enterro.
- É, cara, não esquenta não! - retrucou Samuel.
Eu sei que você queria ter ido e que não deu mesmo.
Depois, eu fui investigar um por um dos meus amigos e parentes; fui ver quem tinha ido ou não no meu enterro e as causas das ausências, quando eu já estava me sentindo recuperado dos efeitos do acidente.
Tinha um senhor, o seu Augusto, chefe do centro que eu passei a frequentar no meu bairro, que veio me buscar quando eu estava mergulhado em zonas muito perigosas no Umbral, sofrendo "pra caramba".
Eu xinguei até a mãe dele, porque nas reuniões do centro seu Augusto repetia milhões de vezes que "sem caridade não há salvação".
Quando cheguei, lembrei que eu dava cestas de alimentos, brinquedos e um montão de coisas no Dia das Crianças, no Natal, na Páscoa, enfim, ajudei gente à beca, para depois da morte encarar um Umbral gelado, cheio de gente maluca, agressiva?!!
Aí não deu outra, a raiva subiu à cabeça.
Eu não sabia para onde ir; via algumas pessoas mais antigas que frequentaram o centro espírita, como eu, e que morreram, até porque já tinham idade avançada, e estavam lá também, vagando às escuras e desesperadas, enlouquecidas de ódio com tudo e todos.
É, André, aqui quando a gente tem sentimentos, bons ou maus, eles explodem com força e aí sai da frente porque não tem quem nos segure.
E o mais engraçado é que mesmo depois de xingar seu Augusto, ele próprio veio me resgatar e me levar para a Cidade dos Nobres.
Não sei se ele ouviu meus xingamentos ou meus desejos de sair dali, mas hoje ele é uma espécie de meu protector.
Mas não pensa que lá é como nas histórias que o livro Nosso Lar contava sobre aquela cidade espiritual:
tudo certinho e bonito, cheio de gente boazinha.
Meu amigo, na Cidade dos Nobres a gente tem que estar esperto.
Deixa a gente chegar e você ficar mais forte; vai descansar na minha casa, vai se recuperar dessa viagem e então vou lhe dar toda a orientação para você não se dar mal.
Escuta uma coisa, André, você teve sorte porque o buscamos só dois dias após o desencarne.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 02, 2018 11:30 am

Tem gente que fica pelo Vale descampado ou em outros lugares piores, como a grota, por até um ano ou mais. Você nem sofreu tanto.
- É, Samuca - suspirou André - obrigado pela ajuda!
Vocês é que são os meus guardiões e não os anjos que só cuidam de anjos.
Chegaram finalmente, e Samuel anunciou:
- Pronto, chegamos à minha casa!
Vou lhe dar água e colocá-lo para descansar.
Não esquenta com nada! Fique a vontade e não se preocupe em acordar logo; descanse o quanto precisar.
Quando estiver bem, vou apresentá-lo ao pessoal da Cidade.
-Tudo bem, Samuca!
Estou surpreso com este lugar.
Parece aquelas cidadezinhas de interior.
Vi até gente puxando carroça, ruas sem pavimento, casebres, gente simples e gente metida andando pelas ruas.
E não tem sol; o lugar é meio sombrio e frio.
Realmente estou me sentindo fraco e sonolento.
Vim me segurando ao longo da caminhada, e ainda bem que seus amigos me deram uma força, porque minhas pernas estão bambas.
Aceito o convite para descansar!
Dias depois, André já estava recuperado.
Mas sua revolta ainda era grande e lhe dominava o coração.
Não conseguia distinguir entre os pensamentos alicerçados em sentimentos de orgulho, que o faziam sentir-se num pedestal de intelectualismo espiritual, e sua real situação, um ser profundamente necessitado de humildade, alojado numa residência do Umbral, em uma colónia não propriamente de aprendizado, ainda que em todo local possam ser criadas oportunidades de crescimento interior; todavia atraído para um ambiente que vibrava em sintonia com ele e vice-versa, sem o aconchego do sentimento fraterno.
Logicamente que nem todos os espíritas vão para lá, assim como nem todos que estão no conhecido Vale dos Espíritas ou na Cidade dos Nobres são necessariamente espíritas, ainda que haja ali uma presença bastante acentuada de irmãos egressos directa ou indirectamente da doutrina.
Podemos verificar, especialmente, que aqueles que estão em postos de comando naquela cidade, ou que compõem o rol dos que são formadores de opinião, ou ainda os que desejam assumir o controle local, frequentaram centros espíritas.
Depois de quase um ano observando, relembrando e aprendendo a lidar com as regras energéticas do plano espiritual, em especial com as turbulências e a densidade pesada do Umbral, e se envolvendo com aqueles que detinham o poder de comando na Cidade dos Nobres, graças aos seus conhecimentos, capacidade de análise comparativa e sensibilidade que adquirira ao longo de muitas encarnações, ao exercer o papel de estudioso em escolas espiritualistas ou ocultistas, certamente chegaria o dia em que André iria cair em si.
Vale salientar a ajuda incondicional que recebera de amigos do plano espiritual superior.
Ele precisava passar por aquelas vivências, antes de adentrar seu mundo interior, e viver uma catarse profunda que o levaria a tomar consciência de seu verdadeiro estado espiritual.
André passara por encarnações que o tinham exercitado na aprendizagem do yoga, do budismo e nas práticas ocultistas, com muitas existências no Oriente:
na Grécia antiga, integrando-se a escolas do conhecimento que ampliaram seu raciocínio, mas também sua vaidade.
Retornou algumas vezes como pessoa pobre, em ambientes afastados do poder, da nobreza e da intelectualidade, com vistas a despertar a simplicidade.
Sofreu e revoltou-se inconscientemente com sua situação, mas sem perder o orgulho forte, mesmo quando encarnara como escravo no Egipto.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 02, 2018 11:31 am

Ao longo dessas vidas, esteve sempre preocupado com o conhecimento.
As oportunidades em que viveu em ambientes menos rústicos o reforçaram na busca do saber e do poder político, e as que se deram em ambientes mais simples despertaram-lhe alguns sentimentos nobres, o que lhe proporcionara alguns rastros de humildade, ainda que seu forte orgulho e vaidade o impedissem de viver verdadeiramente tais sentimentos, gerando-lhe muitas vezes rejeição àquelas vivências encarnatórias com simplicidade.
Achava que não merecia tais situações de inferioridade, especialmente quando se comparava com outras pessoas da época, menos inteligentes, com menor cabedal de conhecimentos e de baixa inspiração criativa, mas repletos de poder e riqueza.
A última encarnação deveria proporcionar-lhe o contacto com a doutrina espírita.
Ainda que pudesse relembrar os conhecimentos espiritualistas do Oriente, daria preferência ao espiritismo, cujo objectivo era mobilizar-lhe o coração pelas práticas cristãs.
Desse modo, pelo conhecimento que dispunha, deveria juntar todo esse acervo e realizar um forte trabalho de auto-conhecimento e auto-renovação.
Não por acaso, um dia fora convidado por um amigo a entrar numa escola de yoga, com ênfase em raja, ou escola da meditação, local onde esteve por poucos anos aprendendo algumas técnicas, que depois abandonou em função de prioridades no campo profissional.
Resumindo: ele teria adquirido base suficiente para imprimir um rumo diferente a sua caminhada, isto é, calcado na busca da transformação íntima de facto, entendendo que os conhecimentos eram importantes e basais para esse encontro consigo mesmo.
André não podia mais adiar o corajoso e sincero trabalho de auto-conhecimento e auto-renovação.
Sendo um espírito antigo, estava prestes a adentrar um universo perigoso para aqueles que já aprenderam muito e que não colocaram em prática as bases espirituais verdadeiras.
O sentimento de superioridade que trazia no íntimo, aliado ao apego à riqueza e ao sucesso, lhe embotaram a percepção verdadeira da vida como um todo, e da sua vida em particular.
Há muitos casos de criaturas que se embebedam pela vaidade e orgulho, muitas vezes maquiadas como conhecimentos espirituais, e então correm o risco de penetrar o campo da auto-suficiência e gradativamente vão endurecendo o coração, tornando-se cada vez mais frios e calculistas, até atingirem estados psicopatológicos.
Quando isso acontece, é preciso muitos séculos para que se retorne ao caminho do equilíbrio e do discernimento, quase sempre à base de encarnações muito sofridas, tal como se dá com a doce e maleável água, que necessita de milhares e milhares de anos para moldar a pedra dura, batendo sempre na mesma "tecla" que precisa moldar.
Cada alma tem que assumir seu estado interior de caminheira da evolução, aceitando-se com suas mazelas interiores como parte da prática de humildade.
Alguns precisam vivenciar de facto o sucesso e a busca da riqueza material, em determinada etapa evolutiva; outros estão na fase de conquistas no campo da instintividade ou do poder; outras tantas, as mais velhas, que já transitaram por diversas posições e experiências no mundo da carne, deverão em algum instante da vida espiritual encontrar-se consigo mesmas.
Chega um tempo em que a maturidade encaminha cada criatura para o desvendar de seu mundo íntimo.
Cada um deve chegar a esse ponto de maturação por esforço próprio, aprendendo, acertando e errando, e a cada nova encarnação recomeçando a escalada num novo patamar.
Cada ser tem uma programação maior que está impressa na centelha divina que o habita, e essa programação contempla um conjunto de vidas e tendências encarnatórias, sujeitas a ajustes de percurso, até porque cada espírito tem seu livre-arbítrio.
Ainda que seja inevitável fazer comparações para quem está no aprendizado encarnatório e evolucionário, isso é o que menos importa, ou seja, é de extrema importância o ser descobrir dentro de si o que deve imprimir seu próprio registro de vida, de espírito, com sua natureza própria, com sua trilha única, antes de ficar fazendo comparações com outros, evidentemente compreendendo que fazem parte da vida a convivência social e o aprendizado pelo intercâmbio inter-pessoal, como parte do caminhar e do crescer.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 02, 2018 11:31 am

Ao longo de sua caminhada evolutiva, André fez boas e sinceras amizades, incluindo almas de elevada estirpe espiritual.
Sempre buscou ser uma criatura justa e ética, o que lhe proporcionou uma base sólida para saltos em direcções mais aprofundadas de evolução.
E alguns desses amigos o orientavam e o seguiam a partir do mundo invisível.
Apesar de, em muitas ocasiões, não sentirem abertura para toques em sua sensibilidade, jamais o abandonaram, fazendo intercessões por ele em vários momentos e em especial após o seu desencarne.
Temos acompanhado muitos irmãos em sua caminhada evolutiva e, mesmo nos egressos de planetas mais evoluídos que a Terra, tanto no campo tecnológico quanto no espiritual, percebemos como muitos deles, de grande conhecimento intelectual, estão presos ao mundo das encarnações expiatórias ou regenerativas, por não terem desenvolvido alguns sentimentos atrofiados, tornando-se pessoas éticas e justas, porém mobilizadas apenas por uma mente elevada e consciente (o que já representa grande avanço; aliás, meritório), mas desprovidas de compaixão, perdão, doação incondicional, renúncia, esperança, alegria, amor que tolera as diferenças e imperfeições das pessoas.
Por isso, voltam diversas vezes e lhes são oferecidas oportunidades reencarnatórias para amolecer o coração e tornarem-se mais humildes, menos arrogantes, mais sensíveis à dor alheia, à sua própria dor e à necessidade de progresso interior.
Muitos desses seres têm profunda consciência do que seja certo ou errado, mas, por sua baixa sensibilidade, acabam atraindo carmas para si e, quando fazem uma boa acção, raramente o fazem por sentirem no fundo da alma o amor pelo próximo. Por esse motivo, a dor ainda é um dos mais nobres instrumentos da evolução, humana.
André começava então a sentir que a Cidade dos Nobres não era o seu lugar, ou que ali não se sentia verdadeiramente feliz.
Seu profundo senso ético começava a despertar.
Seus conhecimentos teóricos da psicologia humana, graças aos inúmeros livros que lera e o impressionaram pela largueza de percepção sobre os seres humanos, faziam-no um bom analista.
Sob a tutela e inspiração do plano espiritual superior, começava a mobilizar-se com o sofrimento de muitos irmãos que habitavam o Umbral e que, pelo elevado grau de orgulho e revolta interior, permaneciam presos a condições de sofrimento criados por si mesmos.
O lugar sombrio onde estava vivendo o enchia de depressão.
A politicagem que tanto criticara na Terra estava fortemente presente ali.
As vaidades, os jogos de interesse, as buscas pelo poder, tudo o que o incomodara no passado recente existia naquele lugar:
presenciava relações de trabalho quase esclavagistas por parte dos "aristocratas" sobre os que detinham menos capacidade intelectual e que se encontravam aprisionados a vícios do mundo material, como fluidos de alimentos animais, sexuais, de bebidas alcoólicas e cigarros, com os quais os senhores pagavam os serviços menores e mais pesados, incluindo os de segurança.
Esses fluidos utilizados para pagamentos pelos gestores da Cidade dos Nobres eram trazidos por aparelhos desenvolvidos por mentes muito inteligentes.
Na verdade, um desses aparelhos fora roubado por vândalos do Umbral, quando de uma incursão de entidades do bem em zonas sombrias.
O grupo que o levava não tinha muita experiência no seu uso e resolveu assumir uma missão de resgate.
Já dentro do Umbral, esse grupo percebeu que o aparelho apresentava algum tipo de problema e, por descuido, em determinado momento de desatenção e ao realizar adensamento energético para adentrar uma área escura do baixo Umbral, foi surpreendido por vândalos que logo se afastaram ao serem inibidos pela presença da luz que os incomodava.
No tumulto, um dos membros de resgate deixou que um vândalo lhe roubasse o aparelho.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 02, 2018 11:31 am

Como esses vândalos não sabiam usá-lo, e não tinham noção do que se tratava aquilo, dias depois, ao se depararem com um grupo da Cidade dos Nobres, resolveram negociá-lo com eles, em troca de favores menores.
De volta ao seu lugar de origem, o equipamento foi entregue aos cientistas, que o recuperaram para colecta de ectoplasma e bioplasma provenientes do mundo físico.
A partir desse protótipo, os cientistas estão desenvolvendo outros aparelhos similares.
No mundo astral, o plasma de origem humana é um produto extremamente nobre e útil para as mais diversas finalidades; muitas vezes é denominado de "ouro astral".
É o grande combustível para os ambientes espirituais menos evoluídos e por meio do qual satisfazem suas necessidades mais grosseiras e apegadas ao mundo da matéria.
André estava impressionado com a cidade espiritual a que estava integrado:
era uma reprodução fiel dos ambientes mais mundanos, corruptos e interesseiros.
Percebera o quanto a força mental dos dirigentes do lugar conseguira, a partir do uso de ectoplasma trazido do mundo material, plasmar os prédios, as ruas, os, utensílios e todos os detalhes da paisagem.
Sabia que para sustentar aquilo tudo era necessário manter o padrão mental do conjunto sustentando aquelas estruturas astrais, ou seja, havia entidades que tinham o papel de mentalizar todos os componentes daquela pequena cidade astral para mantê-la intacta, o que exigia disciplina por parte das entidades de mentes mais fortes.
Em certas regiões do Astral médio e superior, as entidades elevadas conseguem plasmar e manter quadros e coisas astrais apenas com a força da mente e da vontade, cabendo aos seus habitantes vigiarem seus pensamentos e sentimentos (aplicam o "orai e vigiai").
No entanto, nos mundos inferiores do Astral, as imagens são produtos dos pensamentos e sentimentos naturais dos que ali habitam (normalmente sem disciplina no pensamento e sentimento).
Há situações em que seres com mentes mais fortes conseguem também plasmar o que desejam e, não raras vezes, se utilizam de ectoplasma humano de encarnados para tornar essas imagens mais firmes e relativamente perenes, necessitando, inclusive, de periódica renovação.
Isso faz com que eles realizem vampirizações dessas energias dos encarnados, a fim de retroalimentar as estruturas e componentes astrais que não conseguem plasmar e manter por muito tempo somente com a própria vontade, ainda frágil, se comparada com a dos seres espiritualmente mais elevados.
Passaram-se vários meses e, certa vez, num desses momentos de análise sobre a vida naquele lugar, eis que subitamente apareceu para André um ser enviado do Alto.
Para sua surpresa, era seu tio Francisco, com o qual tivera certa convivência até a adolescência e a quem devia muito por ter-lhe aberto portas conscienciais para caminhos da Espiritualidade.
Francisco era uma pessoa muito ligada a temas espíritas e espiritualistas e havia mostrado a André algumas obras que o marcaram significativamente, apesar de terem sido momentos efémeros de convivência.
- Estou aqui, André, em nome de Jesus - disse Francisco.
Vim para ajudá-lo, e propor-lhe uma nova vida; apresentar-lhe novas oportunidades para seu espírito.
Basta que abra uma fresta de humildade dentro de si.
Aceitando do fundo do coração que você é um ser necessitado de ajuda, de amor e de paz interior, Deus, em Sua infinita bondade, estará a postos, por intermédio de entidades bondosas para ajudá-lo, na medida de suas possibilidades de aceitação verdadeira.
Sinta, meu querido sobrinho, a vibração que o Alto está enviando para nós.
Sinta no silêncio a doce melodia que desce dos céus para tocar seu coração, composta por suaves gotas de doçura, bondade, disposição em servir sem nada pedir em troca, em ser instrumento do Pai, como médium incondicional da vontade superior, sem desejo de se mostrar como ser superior, mas apenas de servir anonimamente.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 02, 2018 11:31 am

Essas notas musicais vêm de um grupo de músicos de uma colónia astral onde os seres buscam vivenciar o amor incondicional.
Tocam essas melodias terapêuticas pelo simples prazer de servir às falanges do Cristo.
Essa vibração que chega até nós deverá mobilizar seus sentimentos de humildade e disposição em seguir o caminho do amor do Cristo.
Contudo, é preciso que você deixe penetrar dentro de si essa força de amor infinito, sem interferências do seu intelecto, apenas imerso na fé e humildade no coração e com serenidade e timidez da mente.
Dobre os joelhos diante de nosso Pai Celestial, meu querido, dobre o seu coração, deixe o orgulho e a vaidade se esvaírem neste momento, para que a luz de amor o toque.
Sinta o aconchego que vem do Alto abraçando o seu ser, trazendo-lhe ternura e um cálido "colo".
Sinta aquele amor doce que você sentia quando criança, quando era abraçado por sua avó paterna, e que lhe transmitia protecção e vontade de dormir sem medo.
Sinta aquela sensação inexplicável de amor.
Relaxe e entregue-se à Luz Maior; deixe a fé desabrochar em você.
Sinta que você não é aquela pessoa invencível, poderosa por seus conhecimentos, desejosa de estar no palco, na mira dos holofotes e apoiado por aplausos pelo reconhecimento alheio, ou com seu nome exposto em livros, painéis ou menções honrosas pelos serviços prestados à melhoria das pessoas e do mundo.
Sinta que tudo o que você fez é de grande valia, que você tem de facto seus méritos, mas não apenas por você, que despendeu esforços valiosos enquanto encarnado e durante suas várias encarnações, mas também e principalmente por Deus, que lhe deu um espírito, corpos físicos e outros espíritos que o amam e o ajudaram nessa escalada.
Sinta no fundo do seu coração que somos instrumentos do amor divino, que às vezes estamos encarnados no mundo da matéria e outras vezes vivemos no plano astral, continuando a trabalhar como médiuns da bondade superior, e que todos somos músicos anónimos dessa orquestra maior que engloba muitos outros seres mais evoluídos que nós, ou menos evoluídos que nós, mas importantes também; que há planetas, estrelas, galáxias, universos, e que somos apenas uma pequena gota imersa nesse infinito oceano de amor do Pai Maior.
Observe um detalhe importante:
somos pequenos perante o infinito Universo, mas por nossa importante responsabilidade em conectar outros elos dessa orquestra, tornando-nos grandes também.
Contudo, devemos vigiar a vaidade e o orgulho para que tais aspectos da alma em evolução não nos dominem e não criem artimanhas de sobrevivência e expansão dentro dela.
As energias de vaidade e orgulho não devem ser eliminadas, como nada no Universo é destruído ou sustentado por violência, e sim transformadas, por meio do amor, em energias de simplicidade, renúncia, humildade e serviço incondicional e anónimo, pois todos somos partes do Pai.
Se uma parte tenta aparecer mais que a outra, cria desajustes no conjunto, e todos esses componentes da orquestra, quando deixarem de se preocupar em aparecer, naturalmente despontarão por sua beleza própria.
Essa diversidade ou multiplicidade é que faz a riqueza multiforme e poli-crómica da orquestra universal.
Após meses de catarse e questionamento sobre uma série de aspectos que compunham a vida naquela cidade espiritual, e depois de muito observar a natureza competitiva que predominava no lugar, André começou a criar possibilidades de ascender a outro patamar evolutivo no mundo astral.
Sentia o choque que havia entre seus ideais e a realidade local.
Todavia, a elevada vaidade que o habitava criara barreiras para essa ascensão.
A intervenção de seu tio Francisco, incluindo o pedido de ajuda a seres superiores, em nome de Jesus, proporcionaram a quebra dessas barreiras internas.
Enquanto ele ouvia e sentia as palavras do tio, começavam a penetrar raios de luz em seu coração, endurecido pelo intelectualismo espiritual justo, mas frio.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 02, 2018 11:31 am

Ao ver sua avó e sentir o calor do carinho que ela costumava lhe dar quando criança, caiu em prantos e sua dureza íntima desabou (durante a vida física, só chorou até atingir a adolescência ou quando se machucava fisicamente, porque não queria mostrar-se frágil a ninguém).
Então, a casca do forte orgulho e vaidade começava a rachar e a desmontar-se.
É evidente que ninguém muda rapidamente e que a evolução não dá saltos.
André teria, daí para a frente, sucessivos altos e baixos; porém, repetidas vezes, seria mobilizado em sua sensibilidade cristã.
Com o passar do tempo, a reconstrução do orgulho e vaidade se tornaria cada vez mais difícil e, paralelamente, a humildade e a simplicidade, a ternura, a bondade, a compaixão e a disposição em servir incondicional e anonimamente seriam cada vez maiores, até um dia tomarem conta dele, ao alcançar estágios mais elevados de evolução.
Após aqueles instantes de ternura das falanges de Jesus, que jamais abandona Suas ovelhas, André pôde de facto ser resgatado para a colónia do Grande Coração, onde a partir de então começou uma nova jornada espiritual.
Hoje ele se encontra engajado em serviços de uma escola na Colónia, bem como resgatando irmãos perdidos no Umbral.
Está feliz e tem como uma de suas bases existenciais imprimir o “orai e vigiai", com especial atenção à vaidade e ao orgulho.
Sabe que ainda terá de lutar por muito tempo contra suas próprias imperfeições, fortalecidas por ele mesmo por muitos séculos de vida na Terra e no seu planeta de origem.
Sabe que o trabalho de servir ao próximo, incondicionalmente, será permanente e tão importante quanto o encontro com sua própria consciência e sentimentos mais íntimos.
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Ave sem Ninho

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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

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