O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 04, 2018 12:47 pm

IV - Exigências descabidas:
"Eu era líder espírita"

Fim do dia, Armando chegou em casa depois de uma jornada de trabalho:
- Boa noite!
Mais um dia duro no escritório, muitos processos para analisar e dar parecer.
Coloca minha comida, Filomena, por favor!
Vou tomar um banho e logo estarei na sala de jantar.
Oi, filha!
Fez o dever de casa?
Que é isso, parece que não tomou banho até agora...!
Daqui a pouco vamos para o centro.
Assim é demais, parece que só eu labuto nesta casa, e se não estou aqui falta disciplina no ambiente.
Filomena, assim não dá!
Você precisa ser mais dura com essa menina; ela já é adulta e não aprende!
E não esquece que temos de sair, no máximo, quinze para as oito.
Hoje vou dar palestra e a expectativa é que tenha mais de duzentas pessoas.
A esposa retrucou com serenidade:
- Calma, Armando, tudo será resolvido!
Esse seu estresse vai acabar te matando.
Você não é mais jovem.
Aos sessenta anos, já é hora de levar uma vida mais tranquila.
Delegue tarefas para outros.
Peça para abrirem novo concurso e contratarem auxiliares para você.
Pare de achar que só seus pareceres são os melhores.
E dentro de casa, pare um pouco de só cobrar.
Você não pode querer ser sempre perfeito em tudo.
E ainda quer ser o mandachuva que põe ordem no centro...
Não sei não, mas está na hora de você repensar essa sua vida.
Ponha mais amor nas suas atitudes e seja menos grosseiro com os outros!
E olha só, Clara me ajudou muito em casa hoje; arrumamos a biblioteca, e além disso ela vai ter provas finais na faculdade amanhã e estudou o dia inteiro.
Você sabe... a empregada ajuda, mas só funciona com nossa supervisão directa; senão acaba fazendo besteira, sem falar que mora longe e quando dá quatro horas da tarde tem que ir embora.
Sua comida já está quente; já vou colocá-la na mesa.
Nossa, tem aumentado muito o número de pessoas para assistir suas palestras no centro.
Aliás, sobre isso, eu tenho uma sugestão.
Costumo ficar no meio da plateia e vejo que muita gente não entende algumas palavras que você usa.
Não seria o caso de falar de forma mais simples, para que todos compreendam melhor o conteúdo que deseja transmitir?
Armando retrucou de imediato:
- Filomena, sem disciplina não há evolução.
Não se esqueça que temos pessoas importantes como convidados, inclusive hoje deverá ir um colega meu, juiz lá do Tribunal.
Não posso baixar o nível da minha palestra.
Os outros que não me entendem é que precisam estudar mais, ler mais, melhorar em termos gramaticais.
A gente tem que medir as coisas por cima, não por baixo.
E com relação à empregada, devemos cobrar dela as horas de atraso e os dias em que antecipa a saída.
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Ave sem Ninho

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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 04, 2018 12:48 pm

Cada minuto deve ser anotado.
A Lei do Carma é assim: fez coisa errada, tem que pagar.
Devemos ser justos com os outros, mas os outros precisam ser justos com a gente.
Já que ela diz que precisa sair cedo para pegar o ônibus, acho que tem dias que você deve mostrar que precisamos dela para ficar até mais tarde, apresentando as horas de saldo que temos e os débitos dela.
Mas, vamos lá!
O tempo corre!
- É, Armando - argumentou Filomena -, concordo que disciplina é importante, mas de nada adianta dureza e ordem sem amor.
Tudo fica frio e amargo, e as pessoas acabam se revoltando com você.
E ainda pode adquirir uma úlcera ou cirrose hepática!
Ser organizado e disciplinado não elimina a docilidade na vida.
Além disso, temos de ter flexibilidade e compreensão com a realidade dos outros.
Maria tem cinco filhos, um marido alcoólatra, mora na periferia, enfim, tantos problemas que nem imaginamos.
É só para você reflectir um pouco sobre seu espírito cristão...
Depois desse diálogo, passou-se um ano e cinco meses na vida de Armando e sua família.
A rotina continuava a mesma.
Vez ou outra, ele sentia um mal-estar.
Os exames de sangue para triglicéridos, colesterol e glicose estavam elevados, além da gastrite e complicações no fígado, que se acentuavam em função da intensa raiva contida e que despejava toxinas nesse órgão do corpo que já se encontrava saturado.
O médico lhe recomendara ginástica e caminhadas, além de uma dieta balanceada, que a esposa conseguia organizar em casa, mas que ele não cumpria quando comia em restaurantes e lanchonetes da cidade, exagerando nas frituras de porco, picanha gorda, pastéis e outros alimentos impróprios.
Mal sabia que estava caminhando a passos largos para um sério problema vascular.
Apesar dos inúmeros conselhos de Filomena, sua teimosia e orgulho, que lhe davam uma aparente auto-suficiência, não permitiam que ele procurasse um médico.
Até que certo dia, após uma palestra no centro espírita, quando estava de saída para casa, um derrame fulminante o levou para a uri.
Seu estado enfraquecido impediu que as defesas do organismo superassem o desequilíbrio geral e a situação do estômago se agravou.
Para piorar o quadro, havia já um processo avançado de câncer no fígado, de que ele não sabia e que nunca os seus médicos haviam identificado.
Ficou seis meses no hospital tentando se recuperar das sequelas do derrame, que o deixaram com a face paralisada, período em que os exames trouxeram à tona o câncer em estado avançado.
Então seus pesadelos aumentaram, à proporção que "jactos de toxinas" advindos da raiva que alimentava, em decorrência do seu estado físico, banhavam o fígado já intoxicado.
Durante esse período, Armando foi definhando até parecer uma pessoa desfigurada, só pele e osso.
Muito vaidoso, não aceitava visitas de quem não fosse da família, pois se envergonhava do seu aspecto.
A cada dia a revolta aumentava e lhe apertava o peito; por um lado, porque se auto-acusava por não ter ido mais vezes ao médico e descoberto o câncer ainda no início, por outro porque achava injusto tudo aquilo, pois pensava que havia feito tudo certo, em termos espirituais.
Acreditava que o facto de ser presidente de uma casa espírita, de realizar palestras e aconselhamentos, além de ser um profissional correto no trabalho e bom pai e marido, em família, não lhe propiciariam aquela triste situação.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 04, 2018 12:48 pm

Assim, a raiva que lhe inundava a alma só favorecia o crescimento das células cancerosas.
Após quase seis meses de quimioterapia e radioterapia sem sucesso, seu desencarne foi inevitável.
E já nos últimos momentos, em meio as vibrações de prece de Filomena, Armando fazia comentários mentais, como a enviar recados a Deus:
afirmava em seu íntimo magoado que, após passar por todo aquele sofrimento, esperaria uma recepção espiritual à altura do que doara ao próximo, quando chegasse ao outro lado da vida, já que tinha estado numa casa religiosa prestando serviços espirituais relevantes à sociedade, o que lhe garantiria imediatamente um socorro espiritual dos planos superiores.
Cada alma e cada processo de desencarne é diferente um do outro.
Pode parecer estranho e injusto ver muitas pessoas, até sem prática religiosa, serem socorridas por assistentes das falanges do Cristo durante a passagem do mundo físico para o astral, e outros, tão apegados às rotinas religiosas, serem deixados "aparentemente" à própria sorte.
De facto, Deus não abandona nenhum de Seus filhos, e a velha sentença de que a quem muito foi dado, muito será cobrado, é inevitável.
Essa cobrança certamente ocorrerá na hora dessa passagem, quando alcançará primeiramente a consciência divina que habita o íntimo de toda criatura.
Ainda que a consciência da personalidade relativa àquela vida carnal possa estar enodoada pelo orgulho, vaidade, egoísmo e outras mazelas, como o apego ao mundo das sensações físicas, o espírito sentirá no fundo aquilo que fez de certo ou errado, e o "filme" com imagens e sentimentos passará em sua tela mental e atravessará seu "coração".
Realmente, não há julgamento, mas uma certa avaliação surgida do âmago do ser, que normalmente é realizada por sua própria consciência e não por Deus.
Mesmo aqueles que acreditam estar neutros nesse processo, sentem o pulsar da consciência divina, que na verdade não está julgando, mas trazendo à tona actos, pensamentos e sentimentos que estiveram presentes naquela determinada existência.
Então a maioria das pessoas acaba por se autocondenar (em muitos casos, quase como um processo involuntário, mas proveniente do subconsciente), ou simplesmente se entregam humilde e sinceramente a Deus.
Nesse último caso, quando há verdade íntima, certamente o desencarnante será imediatamente socorrido pelas falanges do Amor Crístico, que encontram canais de conexão e acesso para proceder à ajuda.
Como não existem regras duras, sem flexibilidade ou excepção, como cada processo de desencarne é um caso em particular, evidentemente que há situações em que mesmo a criatura se auto-condenando e, havendo merecimento e postura humilde interior, ela será auxiliada imediatamente.
Quanto às pessoas que muito ajudaram os outros, ou fizeram boa obra no campo religioso e, ao se depararem com o mundo espiritual, acabam se atolando nos charcos do mundo astral inferior ou Umbral, é porque certamente já alcançaram certo nível de evolução ou idade cósmica em que não lhes cabe mais atrasos no mergulho e início da transformação íntima de forma consistente, sem medo, sem preguiça, sem orgulho endurecido e com as primeiras frestas de humildade.
Normalmente essas pessoas se atolam nas próprias culpas, criadas por suas mentes conscientes ou subconscientes.
Ninguém do plano espiritual superior condenará quem quer que seja e, se aparecerem espíritos com esse propósito de juízes, certamente não serão espíritos-guias, mas obsessores.
Recém-desencarnado, Armando pensava consigo:
"Ai, que dor insuportável no peito e na barriga.
Que aperto no coração!
Que sensação de vazio na alma!
Nessa escuridão, só escuto o palavreado e o choro dos meus familiares.
Agora vejo as principais passagens da minha vida, desde quando eu era criança, até detalhes aparentemente simples mas que marcaram a minha vida.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 04, 2018 12:48 pm

Lembro que certa vez vi na televisão uma reportagem falando que se passa isso com as pessoas que estão morrendo.
É, de facto, chegou minha hora!
Estou desencarnando mesmo!
Mas onde estão os espíritos amigos para me receber?
E as entidades que frequentavam os nossos trabalhos no centro e que deixavam belas mensagens?
Será que era animismo dos médiuns?
Não estou entendendo o que está se passando comigo.
Será que fui enganado esse tempo todo?
Que dor insuportável dentro de mim!
Eu era um líder espírita, e não mereço estar passando por essa situação dolorosa.
Que vergonha definhar na frente das pessoas, como se eu fosse um indigente, com um aspecto horripilante.
Onde está a protecção do plano espiritual?".
Apesar de toda a revolta de Armando, um grupo de espíritos bondosos estava aguardando uma fresta na consciência dele, a fim de dar-lhe uma palavra de conforto, e um pouco de humildade em seu coração para que se criassem frequências energético-vibratórias no seu íntimo e no seu entorno e pudesse ser realizada a assistência socorrista.
Nesse grupo havia entidades que muitas vezes tinham sido assistidas por Armando com orientações espirituais, na época em que estavam encarnadas e frequentavam o centro, ou que tinham ouvido suas palestras, as quais ajudaram-nos muito na construção de estruturas de pensamento espiritual e dedicação aos princípios maiores.
Eles então solicitaram autorização aos planos superiores para ajudar Armando no momento do desencarne, mesmo sabendo das dificuldades que teriam, face às crostas energéticas de orgulho e vaidade que encobriam os corpos subtis dele.
Contudo, a cada minuto que passava Armando alimentava mais revolta.
Por um lado, questionava a justiça divina, pois achava que desencarnara fora de hora, uma vez que fazia um bom trabalho no centro espírita; não vira a filha num bom emprego que pudesse enaltecer o nome da família; a esposa ficaria sozinha e sem o apoio financeiro e moral dele; enfim, sentia-se traído por Deus, porque ainda tinha muita coisa a fazer na Terra, inclusive publicar um livro que estava escrevendo.
Sua revolta se multiplicava e explodia dentro de si, até que sentiu um profundo sono e adormeceu.
O desgaste emocional e a dor física que sentira, aliados ao processo íntimo repleto de cobranças descabidas, lhe desgastavam o pouco ectoplasma que ainda dispunha, provocavam-lhe muito cansaço e, assim, o esgotamento foi inevitável.
Armando não abria canais energéticos de contacto astral que pudessem permitir a ajuda espiritual das entidades cristãs.
Somente uma intervenção superior poderia ajudá-lo, o que não foi permitido, em função da necessidade de passar por uma catarse que lhe tocasse profundamente o coração e pudesse então promover a quebra do exacerbado orgulho que lhe endurecia o espírito.
Quando despertou de seu torpor, viu-se carregado por entidades inimigas do passado.
Deu um salto e tentou lutar contra elas, mas estava debilitado e sem forças.
Horas depois, encontrava-se diante de um velho inimigo de outras vidas que fora seu concorrente no ambiente de trabalho, e com quem disputara cargos e posições de destaque.
Certa vez, assumira cargo importante no Tribunal em que trabalhava e seu colega Juvenal, que se achava melhor preparado que ele, sabia (por meio de fofocas) que Armando havia se articulado com políticos para assumir aquela posição.
Existia a suspeita na mente de Juvenal de que Armando se comprometera com políticos para realizar favorecimentos nas ocasiões em que tais políticos necessitassem de alguma ajuda no Tribunal de Justiça.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 04, 2018 12:48 pm

Pensou até em armar uma cilada contra Armando, mas por medo de algo dar errado acabou desistindo.
Juvenal já trazia um ódio espontâneo inconsciente em relação a Armando, em decorrência de desavenças que se repetiam por várias vidas anteriores, sendo a mais recente como filho (Juvenal) e pai (Armando), em que viviam em pé de guerra constante, inclusive com agressões físicas mútuas que acabaram com o afastamento de ambos até o desencarne de Ernst (Armando, numa encarnação na Alemanha).
Já tinham sido padres, lado a lado como colegas de batina, com oportunidades de transformarem o ódio, o impulso de competição e a inveja que os rodeavam em sentimento de amor fraterno, mas a traição, reforçada por inimigos do passado, acabara vencendo, o que ocasionara mais alimento ao sentimento de vingança por parte de Juvenal.
Em vida mais para trás, Armando fora um general romano que preparou Juvenal para ser um grande guerreiro, pois ele era forte, inteligente e hábil no manejo da espada.
Certo dia, Juvenal (que se chamava Agrício) matou seu tutor (que era Armando e que naquela encarnação se chamava Lúcio) num cilada para ficar com sua esposa e assumir posição de destaque junto ao imperador.
Em encarnação anterior, ambos tinham sido inimigos, na Grécia, que lutavam pelas mesmas posições como líderes do exército troiano, época em que havia uma disputa pela mesma mulher.
Lutaram em duelo de espada, mas foram salvos da morte por amigos comuns.
Armando viria a envenenar Juvenal, naqueles velhos tempos.
Um encontro, em pleno século vinte, seria a oportunidade ideal para construírem uma amizade verdadeira, pois na última experiência terrena, ambos se conheceram num cursinho preparatório de concurso, costumavam estudar juntos e saíam algumas vezes para festas e encontros de colegas.
Armando apresentara o espiritismo a Juvenal, levando-o inclusive a várias reuniões do centro e apresentando-lhe vários livros da doutrina espírita.
Passaram juntos no concurso para o Tribunal, e tiveram muitas oportunidades de ajuda mútua.
Mas como o perdão ainda não havia lhes atingido a alma, não suportaram as cargas do antigo ódio decorrente do orgulho ferido que se instalou no coração de cada um.
Evidentemente que algo de positivo fora alimentado em seus espíritos nessas idas e vindas encarnatórias, nos momentos em que construíram boas acções conjuntamente, e até certo ponto cresceu um amor fraterno entre eles, mas em doses muito pequenas.
Contudo, ao se posicionarem em situação de competição profissional, as mágoas ressuscitaram mais intensas que as doses de amor conquistadas.
Vivenciar esse antigo ódio seria inevitável em algum momento da vida deles, não para dominá-los, mas para que fosse domado pelo perdão, compreensão e boa vontade.
Ambos dispunham de muita inteligência e sabiam discernir entre o certo e o errado, e o que era mais sensato e espiritualmente mais equilibrado imprimir em seus mundos íntimos.
Porém, o orgulho e a vaidade endurecidos lhes causaram cegueira, quando precisaram tomar atitudes superiores.
Ao chegar ao plano espiritual, Juvenal foi recepcionado por um experiente agente das Sombras que constantemente visita e se aproxima dos líderes da Cidade dos Nobres com o intuito de fazer parcerias mal-intencionadas.
Dali saem periodicamente espíritos que, após passarem por processo de drenagem psíquica e certo sofrimento, além de tomada de consciência, amadurecem o mínimo necessário para serem resgatados para planos mais acima.
É um lugar onde se sintonizam espíritos ainda impermeáveis à humildade e à simplicidade verdadeira, reflectindo o que ocorre nas cidades terrenas.
Apesar de ser um ambiente energeticamente imerso na depressão, na ira, insatisfação e solidão, não chega a ser tenebroso, como tantos outros no mundo astral, a exemplo das zonas infernais.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 04, 2018 12:48 pm

Contudo, a Cidade dos Nobres está sendo monitorada por entidades muito inteligentes das Sombras, que estão ampliando seus domínios no plano astral.
Desse modo, corre o risco de ser, em futuro breve, dominada por esses seres diabólicos e por magos negros.
De maneira sorrateira, aos poucos eles estão se aproximando e buscando parcerias com as lideranças daquela colónia.
De modo geral, são criaturas que conhecem muito bem a psicologia humana, possuem cientistas inteligentíssimos e desenvolvem tecnologias de ponta em vários campos, desde a nano-electrónica até a biotecnologia, todas com o intuito de dominar e escravizar seres mentalmente mais fracos e afastados do verdadeiro amor crístico.
Se não fosse a cegueira oriunda do orgulho, da vaidade e do egoísmo que sustentam essas entidades maléficas e que as impede de se unirem numa gigantesca falange do mal (pois essas lideranças do mal vivem em constantes disputas e guerras), já teriam dominado totalmente o plano astral inferior e o Umbral, além de controlar grande parte dos habitantes da Terra, apesar de já terem conquistado a mente de boa parte dos encarnados, haja vista suas estratégias psicológicas muito bem planejadas e executadas.
Há, inclusive, contactos, intercâmbios e parcerias com extraterrenos, como os reptilianos, que possuem alta tecnologia e são de baixa evolução espiritual.
O orgulho, a vaidade e o egoísmo são as molas propulsoras desses seres, normalmente apegados aos mais primários instintos.
Juvenal anteriormente fora cooptado por uma dessas entidades maléficas das Sombras que estava monitorando o desencarne de Armando, pois sabia que ele provavelmente seria atraído para o Vale dos Espíritas e que, em seguida, poderia ser resgatado por um habitante da Cidade dos Nobres.
Então, antes que isso ocorresse, foi resgatá-lo.
Então dirigiu-se ao ex-colega e disse:
- Armando, agora você vai ser meu escravo.
Lembro do dia em que você foi ao meu enterro e alimentava no íntimo certo alívio com o facto de eu ter morrido, pois seria menos uma pedra no seu sapato na disputa do cargo de desembargador.
Aliás, sempre fiquei do lado de cá acompanhando suas articulações com políticos para assumir esse cargo.
Você não imagina o quanto lutei por aqui para impedir esse seu intento.
Ninguém luta e perde eternamente.
Você não tem ideia do ódio que me dava.
Ao chegar aqui, descobri o quanto você aprontou para me prejudicar.
No fundo, sabia que eu era mais preparado que você e por isso se utilizou de armações para me vencer.
Agora sou eu quem o controlo.
Já estamos com nossa equipe de técnicos preparada, e olha que tem até psicólogo na jogada.
Vamos aproveitar essa sua fraqueza geral e lhe dar uma lição.
Quando você se recuperar, estará bem condicionado através de uma boa lavagem cerebral que sofrerá a partir de agora.
Vai ouvir todos os dias, durante muitas horas, a frase:
"Eu sou um fraco; eu sou um perdedor; eu sou escravo do meu orgulho e da minha vaidade.
A partir de agora serei servo do Juvenal. Pagarei a ele todas as minhas dívidas por lhe ter roubado as oportunidades".
Vamos lá, pessoal, podem começar o trabalho!
Ele vai aprender a me obedecer.
Há muitos casos como esse, em que a Espiritualidade proporciona o afastamento de espíritos inimigos por certo tempo; propicia encarnações para que cultivem educação, aprimorem a ética, o respeito humano, e exercitem a humildade, a fim de que um dia, em encarnações futuras, possam se reencontrar em bases cristãs mais sólidas, favorecendo o perdão mútuo e a construção do verdadeiro amor fraterno.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 04, 2018 12:49 pm

Mas há o livre-arbítrio, e nem sempre as almas conseguem vencer suas mazelas íntimas.
Ao longo de algumas encarnações, Armando e Juvenal mantiveram-se separados.
Com o passar do tempo, Armando teve um pequeno avanço consciencial em relação a Juvenal; ambos cresceram em conhecimento intelectual, mas no fundo da alma o sincero sentimento cristão ainda estava ausente nos dois, decorrente da pouca humildade.
Apesar das chances que tiveram, especialmente na última encarnação, nascendo em família pobre, cercados por pais amoráveis e cristãos, resistiram a dobrar o orgulho e à aceitação da simplicidade íntima.
Não que devessem permanecer pobres e submissos, pois também faz parte da evolução o emprego do esforço pessoal para melhorar-se de vida em condições materiais, até porque somente espíritos muito elevados conseguem suplantar as dificuldades materiais e viver em meio à pobreza com regozijo espiritual.
Regra geral, as pessoas despendem seu tempo em atender às suas necessidades básicas de alimentação, habitação, vestimenta e segurança material da família, dedicando boa parte dos afazeres ao campo profissional, para depois buscarem o caminho espiritual, o que é justo.
Armando era dirigente de uma grande instituição espírita em sua cidade, que atendia mais de mil pessoas por mês.
Todas as semanas havia actividades de atendimento ao público e trabalhos internos para os médiuns, envolvendo estudos e sessões mediúnicas. Sempre fora pessoa dedicada ao trabalho, à família e às actividades espirituais.
Entretanto, fixado essencialmente no cumprimento rígido das normas, na disciplina implacável, e tendo no fundo a preocupação de ser aplaudido, reconhecido e valorizado por seu desempenho, tentava exercitar processos decisórios participativos, mas raramente conseguia isso.
Preferia tomar decisões centralizadas e rápidas para demonstrar eficiência e ver as acções acontecerem na prática, de modo que os outros pudessem aplaudi-lo, alimentando ainda mais sua vaidade.
Com todas as suas imperfeições e tentativas de acertos, imbuído do propósito de buscar o melhor para o conjunto, no todo, Armando não estava errado, excepto o fato de não trabalhar sua vaidade e seu orgulho exacerbados na intimidade de si mesmo.
Ele não aproveitava os ensinamentos espirituais para exercer o autoconhecimento e a renovação íntima.
Alimentar sua vaidade e seu orgulho era de facto o objectivo maior de suas atitudes, ainda que sem plena consciência.
Na verdade, ele evitava tomar essa consciência, pois na intimidade de sua alma sabia que precisava burilar-se; sabia que estava fugindo de si mesmo, procurando preencher seu tempo com caridade aos outros e actividades que lhe proporcionassem louros e prémios, a fim de que se orgulhasse por ser um grande administrador no campo espiritual e admirado na profissão.
Essas influências subtis exercidas fortemente pelas vibrações do orgulho e da vaidade são decisivas no encaminhamento de almas no desencarne, especialmente quando elas já conhecem muito sobre as leis espirituais e ainda se submetem ao poder íntimo dessas mazelas, por comodismo e resistência em evoluir.
Existe uma Contabilidade Cósmica, e todos os espíritos têm tempo determinado para se engajar voluntariamente no fluxo natural da evolução.
Quando atingem certo número de encarnações, tornam-se espíritos velhos, no ponto de amadurecer.
Contudo, alguns resistem à força propulsora do amor universal e acabam alcançando estados espirituais patológicos.
Assim, ficam fadados ao sofrimento que construíram para si próprios e somente o desabrochar da humildade no seu íntimo lhes permitirá contactarem os primeiros sinais de luz, a fim de descobrirem que há outros caminhos em suas vidas que os levarão de facto à verdadeira felicidade.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 04, 2018 12:49 pm

Deus sabe de nossas imperfeições e limitações, mas também conhece nossos potenciais.
Sabe o quanto já caminhamos e o quanto podemos realizar em termos de acções externas, e de nossa capacidade de mobilização e contacto com imperfeições íntimas visando à autotransformação.
Sabe Ele que a evolução não dá saltos e que cabe a cada um descobrir o estágio em que se encontra e o quanto se deve mobilizar de forças internas em direcção à modificação de hábitos e sentimentos arraigados a vícios diversos, apegos à materialidade, postura interior egocêntrica, orgulhosa e vaidosa.
Deus não cobra, bem como a própria consciência de cada um não deve cobrar por esforços além da capacidade pessoal de vivenciar a transformação, pois no fundo da alma sabe-se o quanto se está exercendo de esforço sincero de transformação interior; esforço que não deve proporcionar estado interior de tristeza, peso e reclamações, mas de serenidade, boa vontade, gratidão, persistência e alegria.
Há várias encarnações Armando vinha evitando o constato consigo mesmo, apesar das oportunidades claras de fazê-lo.
Mas o Universo tem planilhas contábeis sobre a história de cada alma e estas, por sua vez, estão conectadas à história de muitas outras, formando famílias espirituais.
Por conseguinte, essas famílias estão associadas a outras famílias ou grupos maiores de irmãos cósmicos, os quais têm interligações com histórias planetárias e de sistemas solares, e assim sucessivamente.
E toda essa rede gigantesca de interacções exige evolução de todos os seus componentes, sob risco de haver descompasses na evolução do conjunto.
É por isso que muitos que já avançaram na evolução retornam para auxiliar espíritos atrasados nessa caminhada, pois sentem no fundo do coração que não podem abandonar irmãos amados à própria sorte; além do que o Pai Maior espera que Seus "braços e mãos" efectivem realizações de amor universal por meio de Seus filhos encarnados e desencarnados.
A pedagogia espiritual conhece os melhores traçados educativos para os seres, e ajudar também significa deixar que o aprendiz caminhe com seus próprios pés e descubra seus próprios caminhos, atitude que será crescentemente mais exigida à proporção que a criatura amplia os conhecimentos adquiridos em suas inúmeras encarnações e na erraticidade.
A Espiritualidade Maior, como de costume, planeia diversas situações com alternativas de aproximação do aprendiz ao seu "mestre" interior.
Assim, se falhar determinado plano, haverá sempre uma solução alternativa que possa recuperar ou proporcionar o realinhamento do caminheiro.
Mas os planos superiores respeitam o livre-arbítrio.
Há casos de intervenções compulsórias, a depender da situação.
Quanto a Armando, em razão de seus conhecimentos, sua história pregressa, as oportunidades que tivera, precisava passar por situações de sofrimento que o pressionassem e fizessem amolecer os sentimentos mais endurecidos.
Não tardará o dia em que ele se sentirá tão cansado de sofrer, agarrado a suas mazelas, que se derramará em prantos que lavarão essas cascas astrais de orgulho, permitindo-lhe acessar os mais profundos conteúdos patológicos de um espírito que deseja encontrar a paz verdadeira.
Quando isso ocorrer, os assistentes espirituais do Cristo estarão a postos para resgatá-lo, e então estará iniciando de facto o seu mergulho interior de autotransformação do orgulho em humildade.
Vale ressaltar que Juvenal se encontra actualmente numa colónia que está sob domínio de um velho mago egresso da Atlântida.
Ele assumiu papel semelhante ao de um senhor feudal, numa pequena área dentro da colónia, e tem Armando, até hoje, sob sua tutela.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 04, 2018 12:49 pm

V - Amortecimento da subida e drenagem psíquica
Alexandre era funcionário público, político, detentor de cargos públicos importantes e dedicado trabalhador de um centro espírita, numa grande cidade brasileira.
Antes de filiar-se ao espiritismo, frequentara terreiros de umbanda e a Sociedade Teosófica.
Desencarnou sem que houvesse chegado aos cinquenta anos de idade, cheio de energia e planos para o futuro.
Lutara veemente contra um câncer na laringe, mas esqueceu-se de lutar contra algumas de suas mazelas psíquicas, o que o faria passar por dificuldades no desencarne e dores profundas no campo do sentimento e da razão, em seus primeiros meses no mundo astral.
Em sua penúltima encarnação, na Letónia, Europa Oriental, desencarnou em plena agitação da revolução socialista comandada por Lenine e em meio à Primeira Guerra Mundial.
O país, que era estratégica passagem entre a Europa Ocidental e a Oriental, além de tradicional rota comercial entre o norte e o sul do leste europeu, fora, ao longo de sua história, invadido por vários povos, vivendo naquele período um momento de intenso conflito entre a ocupação alemã (havia muitos alemães proprietários de terras e prósperos comerciantes, e quando estourou à Primeira Guerra o exército alemão ocupou o território letão) e russa (fazia mais de cem anos que os russos ocupavam a Letónia e mais de vinte que os letões reivindicavam sua independência; no meio dessa turbulência, o movimento socialista iniciado por Lenine promovia a anexação da Letónia ao regime comunista, o que se efectivaria somente mais tarde, com a ocupação do país pelo regime de Stalin).
Com a ocupação, os russos transmitiram seus costumes, cultura e língua aos letões, que tentavam, em sua maioria, manter seu idioma como uma das marcas da resistência.
Havia aqueles, porém, que se associaram ao domínio russo e usufruíam das benesses de estarem ligados ao poder político dos czares.
A família de Alexander1 estava nesse grupo.
Eram aliados do czar e ele, especificamente, possuía alto cargo no governo.
Vivera seus últimos anos num ambiente de nobreza, luxo e prazeres.
Apesar do seu profundo envolvimento com os detentores do poder russo, tinha um forte sentimento letão, e era bem relacionado com todos, principalmente com seus compatriotas.
Às vezes, achava que tinha muitos amigos, mas, na verdade, possuía apenas colegas e pessoas conhecidas, algumas delas fingiam ser seus amigos.
Alguns desses inimigos disfarçados de amigos alinharam-se aos revolucionários russos, os quais haviam derrubado o regime czarista para implantar o regime comunista na Letónia.
Assim, Alexander viu-se entre a cruz e a espada quando estourou a revolução, mas optou por lutar contra os revolucionários anti Rússia e acabou morrendo em uma cilada arquitectada por um desses seus falsos amigos.
Seus pais eram profundamente ligados à Igreja Católica, tradicional no leste letão, apesar de sustentados por fortes tradições culturais de obediência ao comando russo que dominava a região.
Criaram Alexander para ser um homem disciplinado e de sucesso profissional.
O sonho do casal era ver os filhos Alexander, como advogado famoso, e Anna, como médica de sucesso.
Tinham o costume de ler o Evangelho no lar e iam à igreja todos os domingos.
Os irmãos Alexander e Anna eram muitos ligados um ao outro.
Compartilhavam segredos desde criança.
Alexander sentia um forte impulso protector de Anna e esta, por sua vez, dois anos mais velha, costumava lhe dar conselhos, orientava-o quanto aos estudos e rezava todos os dias por ele, mesmo depois que se casara e fora morar em outra residência.
Após formar-se em direito, Alexander, que era bem relacionado por uma natural habilidade em comunicação e mobilização social, fora convidado por um colega da universidade (então filho do dirigente e representante do czar russo na Letónia) para trabalhar num órgão público.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 04, 2018 12:49 pm

Hábil e inteligente em política, em pouco tempo conquistou espaços importantes dentro do governo e passou a ser uma das pessoas de confiança e conselheiro do governo.
Cobiçado pelas mulheres e dado a oferecer festas para pessoas que estrategicamente seleccionava na comunidade, com o intuito de apoio ao governo russo, tentava sutilmente ir enfraquecendo a resistência dos letões à presença russa sob domínio czarista. Com isso, vivia profundos conflitos psíquicos, pois seus fortes sentimentos letões o faziam oscilar entre o patriotismo e as benesses que o poder russo lhe oferecia.
Machucou muitos corações femininos com promessas de casamento que não cumpria, pois lhe era cómodo viver solteiro, usufruindo do luxo e das noitadas ofertadas pela nobreza, tanto em seu país quanto nos eventos que costumava frequentar na capital russa.
Aos poucos, foi empurrando seus sentimentos patrióticos para os esconderijos da alma, e um véu de vaidade, orgulho e apego às vantagens do poder foram se expandindo e encobrindo sua memória espiritual mais madura.
No campo político, envolveu-se com articulações interesseiras e estratégias sujas para manter-se no poder.
Adentrou caminhos tortuosos em sua vida que culminariam com a morte de muitas pessoas, o que lhe pesaria na consciência, mais tarde.
Sua habilidade de comunicação, seu magnetismo e conquista de pessoas seriam utilizados para garantir a boa vida egoísta que levava, bem como de sua família.
Em alguns momentos, ajudou a destinar investimentos públicos na melhoria de vida das cidades, mas, de maneira geral, ajudou muito mais seus parentes e amigos.
A partir de certa etapa da vida, perdeu-se em farras e noitadas e em acumular bens pessoais.
No fundo, Alexander era uma alma de bom coração e boas intenções, mas estava deslumbrado com o poder e assim perdeu o discernimento.
Em determinado momento, foi "atropelado" pelo desencarne prematuro.
Quando encarnou no Brasil, trazia uma série de compromissos com a própria consciência e deveria ser um agente de transformação social, por meio da política e de cargos no governo que viria a assumir.
Teria de vigiar suas tendências à corrupção, às farras e o descompromisso com as mulheres.
Receberia orientação cristã e, mais tarde, se filiaria ao movimento espírita.
Teria a oportunidade de resgatar débitos dentro da família consanguínea e com Rita, sua esposa, que fora explorada por Alexander em seus tempos de nobreza na Letónia.
Ela (Rita) trazia do passado impulsos (memórias inconscientes) do tempo em que ele abusava de seu corpo e manipulava seus sentimentos, sem assumir compromisso.
Rita, por sua vez (naquele tempo chamava-se Valentina), tivera uma vida de abusos de comida, paixões, sexo, interesse material e poder, mas, de certo modo, fora incentivada por Alexander, que criava condições e ambiente psíquico favorável para que a jovem e desorientada Valentina rumasse por descaminhos.
Nos tempos presentes, no Brasil, os pais de Alexandre eram espíritas e propiciaram a ele uma boa orientação cristã e formação espiritual.
Cresceu como toda criança e adolescente, sadio e cheio de energia.
Desde cedo, ia com os pais às palestras e aos passes do centro espírita em sua cidade natal, Belo Horizonte.
Sua família era de classe média e nada lhe faltava, materialmente falando.
Recebeu muito carinho, atenção e orientação da mãe.
A bem-estruturada formação de base espiritual e psíquica lhe propiciavam um bom alicerce de personalidade.
A Espiritualidade Superior conhece profundamente a psicologia de cada espírito e, a cada encarnação, cria condições para que ele cresça espiritualmente o máximo que puder, dentro de suas potencialidades e limitações interiores.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 05, 2018 10:03 am

Sabiam seus orientadores do plano invisível que, na adolescência, o que é normal a todo ser por influências hormonais naturais, seriam despertados com mais intensidade seus aspectos íntimos e comportamentais de outras vidas, então guardados no universo subconsciente.
Somente para refrescar um pouco a memória dos leitores sobre alguns aspectos muitas vezes abordados por psicólogos holísticos experientes e por mensageiros da Espiritualidade:
na primeira fase da infância, até os sete anos, é normal que estejam fortemente presentes impulsos inerentes à personalidade da vida anterior, o que exige observação e acção educativa por parte dos pais.
Daí para frente, aos poucos, esses impulsos vão se alojando nos esconderijos da alma e reaparecem durante a adolescência, com mais intensidade e diversidade, exigindo muita orientação e amor dos pais, no sentido de promover um encaminhamento adequado à realidade interior do jovem.
Se na infância, os pais necessitam ser mais directivos e condutores da criança, tomando atitudes até impositivas em certas situações (especialmente se estiver diante de uma alma rebelde), durante a adolescência exige-se deles mais discernimento e atitude orientadora, com processo educativo que demanda muito mais diálogo do que na infância, mas, também, podendo exigir certo grau de firmeza condizente com o grau de rebeldia da alma.
A medida que o ser se torna adulto, então se demanda mais diálogo ainda, porque o jovem desperta com mais amplitude seu intelecto e não se conforma apenas com determinações ou orientações directivas.
Frisamos que a abordagem educativo-orientativa também deve existir na infância e adolescência, mas que, de acordo com o perfil da alma em processo de educação, principalmente em se tratando de alma rebelde e imersa no próprio orgulho, é importante tornar-se parte dessa educação amorável certo grau de firmeza directiva, sob risco de essa alma deixar que os impulsos de orgulho dominem os pais.
Não raras vezes, muitos filhos foram obsessores dos pais e cobraram débitos passados quando no plano invisível e, ao reencarnarem, continuam com essa prática de forma inconsciente e às vezes inconsequente.
Quanto mais madura for a alma, mais estará permeável ao diálogo aberto e sensível desde a infância e, quanto mais imatura for, mais exigirá posturas directivas por parte dos tutores ou pais, evidentemente aliando-se ao diálogo esclarecedor e amorável (às vezes, pode até possuir bom grau de desenvolvimento intelectual, mas poderá estar coberta por imaturidade emocional, ou seja, repleta de revolta, orgulho e egoísmo dentro de si, enceguecendo-a para as percepções mais subtis).
Faz parte da educação expressar não apenas doçura, mas orientação firme, por meio de diálogo sincero, evidentemente permeado de amor-educativo.
Apesar de toda a boa fase de repasse de conhecimentos espirituais e acção educativa que recebera, Alexandre, no final de sua adolescência, começou a fazer amizades com pessoas que tinham uma índole libertina.
Ele trazia essa natureza íntima, em que sua vontade estava atrelada a noitadas e descompromisso, aspectos morais que se faziam presentes no seu íntimo e estavam adormecidos, mas logo seriam despertados por identificação inconsciente e atracção vibratória com outros espíritos encarnados e desencarnados, de interesses similares; alguns deles companheiros de vidas passadas.
Alexandre era estudioso e entrou no Colégio Militar, não por acaso, mas também como uma forma de aprimorar o senso de disciplina, o que representava mais um insumo que mais tarde lhe serviria de material psíquico necessário para domar seus impulsos inferiores.
Lá, fez o curso de segundo grau e depois entrou na universidade pública, na faculdade de economia.
Sempre teve bom desempenho como aluno.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 05, 2018 10:03 am

Após terminar a faculdade tornou-se fiscal da Secretaria da Fazenda do Estado de Minas Gerais, recebendo um salário muito bom.
Se, no passado, tinha gasto o dinheiro público de forma perdulária, agora trabalharia para repor esses recursos por meio do seu labor diário no Fisco, actuando na fiscalização daqueles que tentariam burlar as leis e ser inadimplentes para com a receita de impostos, arrecadação crucial para aplicação em obras e serviços públicos necessários à população.
Por ter tido uma boa orientação espírita, durante a vida adulta Alexandre retomou a frequência ao centro espírita ao qual costumava ir com os pais, durante a infância e início da adolescência.
Envolvia-se sempre com actividades de assistência social e costumava dar passes nos frequentadores da casa.
De certo modo, guardava em seu íntimo muito sentimento de culpa por suas atitudes em relação às mulheres, às bebidas e noitadas e, no fundo do pensamento, justificava sua integração aos trabalhos do centro como uma forma de amortizar suas dívidas com o Alto, culpa guardada em níveis da mente subconsciente.
Com o passar do tempo, por ter uma óptima capacidade de comunicação e conhecer razoavelmente bem a doutrina, possuindo uma boa didáctica, era sempre escalado para realizar palestras e cursos.
Como se pode ver, a evolução não dá saltos.
Sem dúvida, foram meritórios e providenciais os esforços de Alexandre nos caminhos da busca espiritual, mas as histórias pregressas traziam material subconsciente muito abundante e carregado de peso energético denso que necessitava ser trabalhado.
Ele já possuía capacidade psicológica e conhecimentos suficientes para começar a depurar suas mazelas íntimas.
Era um espírito antigo e não cabia mais adiamentos para iniciar esse processo; no fundo do seu ser, sabia disso e apenas fugia desse contacto consigo mesmo.
O comportamento de Alexandre reflectia sua natureza predominante na recente encarnação:
mulherengo, amante das farras e noitadas.
Em face disso, por diversas vezes machucou corações e criou animosidade ao terminar relacionamentos, ou simplesmente porque não respeitava o sentimento alheio e usava o corpo das mulheres como se fossem mercadorias, além de atrair inimigos de encarnações anteriores por envolver-se em conflitos amorosos, fossem pessoas magoadas, fossem homens traídos.
Essa característica comportamental de Alexandre já vinha de muitas vidas passadas.
Nas duas últimas encarnações, além de receber uma carga mais intensa de base espiritual, trazia internamente o sofrimento oriundo não só dessas experiências repetitivas, como também dos períodos em que estagiava no plano astral.
Todavia, era inevitável que o reflexo dos actos repetidos por tanto tempo gerassem impulsos na alma para que ele retornasse a atitudes passadas.
Apesar da consciência de que estava errado, a vontade de Alexandre fraquejava diante dos testes.
Esse processo natural da caminhada evolutiva é inerente à alma que pensa, sente e age de forma harmonizada com o Amor Cósmico ou de maneira equivocada ou maldosa, e, neste caso, precisa se redireccionar, não somente resgatando carmas mas principalmente renovando-se (mesmo sabendo que essa caminhada é longa e exigirá determinação, persistência e capacidade para auto-perdoar-se é preciso iniciar o processo, isto é, chega um momento em que não dá mais para adiar o início da trilha).
Como Alexandre era viciado em adrenalina e extremamente ansioso, vivia em constante estado de stress e acção.
Não arranjava tempo na vida para acalmar a mente, meditar e orar com serenidade e profundidade.
Estava sempre ocupado com coisas externas e não parava para analisar o seu comportamento, as mágoas e animosidades que gerava e a necessidade que tinha de sentir-se amado.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 05, 2018 10:03 am

Costumeiramente situava-se longe do sentimento de gratidão.
Além de sua vaidade e orgulho acentuados por ser homem bonito, popular, bem-sucedido e inteligente, possuía um egoísmo igualmente cristalizado (principalmente no que se refere aos aspectos de relação íntima), em que pese seus esforços de ajudar ao próximo, especialmente com coisas materiais - o que de certa forma já fazia de coração, pois trazia dentro
de si os primeiros sinais do cuidado com os menos favorecidos socialmente, já que estava calejado em reencarnar em situações de pobreza e sabia do sofrimento dos menos favorecidos, embora no íntimo tivesse esperança do retorno ou "pagamento" pela ajuda que dava, ou melhor dizendo:
pensava que fazendo o bem amortizaria seus débitos alojados no inconsciente.
É claro que é melhor fazer o bem, mesmo pensando em ser recompensado com protecção e ajuda futura, do que fazer o mal a quem quer que seja.
Entretanto, essa forma de pensar ainda está bem longe do verdadeiro sentimento cristãos, especialmente para um espírito já antigo e que recebeu muito conhecimento espiritual.
Trata-se de uma postura íntima aceitável apenas por espíritos mais novos.
A consciência daquele que muito recebeu certamente cobrará bem mais do que a de espíritos mais novos e mais ignorantes.
Os anos se passaram.
A habilidade política e o carisma na comunicação fizeram de Alexandre um líder estudantil na época da faculdade, e, mais tarde, quando já era funcionário publico, tornou-se vereador de sua cidade.
Depois, foi eleito deputado estadual e em seguida deputado federal.
Era pessoa muito bem relacionada e querida junto ao meio político, pois sua habilidade em dialogar e lidar com conflitos fizera dele um exímio parlamentar.
Foi secretário de Estado, bastante conhecido por suas boas realizações no campo político e nas obras sociais ou investimentos públicos que fez.
Falhou diversas vezes no trato com o dinheiro público, tanto por erros de planeamento, em razão de sua natureza ansiosa, como em actos de corrupção, em certas circunstâncias.
Durante esse intenso período, afastou-se do centro espírita, apesar de nunca ter abandonado as ajudas financeiras e providências políticas que propiciaram a doação de um terreno para a construção da sede definitiva da instituição, a que se filiara desde jovem.
Por problemas de saúde, abandonou a vida parlamentar e se dedicou à função pública, sempre com cargos importantes no governo do estado. Nesse período de maior retraimento à causa pública, voltou a frequentar o centro espírita e a ele se dedicou com mais afinco, principalmente com ajudas materiais.
Trazia problemas nas cordas vocais e sinais que o levariam a um futuro câncer na laringe.
As noitadas, cigarros e beberagens na juventude, o uso da palavra de modo excessivo para alimentar seu orgulho, vaidade e egoísmo, e, em muitos momentos, para locupletar-se por posições públicas assumidas, ou gabar-se pelos casos amorosos que mantinha, propiciaram-lhe plasmar na carne um processo cármico, reforçado por atitudes, pensamentos e sentimentos actuais, ao repetir comportamento de vidas vidas anteriores.
Os cuidados médicos e as dietas nos últimos dois anos de vida (processo iniciado tarde demais e, especialmente, pela demora em abandonar o fumo, prática que tinha desde a adolescência e que se estendera até os trinta e cinco anos, em uso diário, e até os quarenta e três, em uso esporádico, e que lhe deixou fortes danos na laringe e no sistema respiratório) não foram suficientes para conter o avanço do câncer que tinha como principal "alimento" os pensamentos e sentimentos acumulados em seu mundo íntimo e a profunda, culpa pelas atitudes erradas da vida, no campo político e nas relações humanas.
Essa culpa levava Alexandre a um processo de autodestruição, em que ele buscava o cigarro, as comidas gordurosas e pesadas, as bebidas alcoólicas em abundância, além do martírio mental que o perseguia e que ele tentava amenizar fazendo doações ao centro espírita e às famílias carentes.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 05, 2018 10:03 am

A culpa trazida do passado estava muito presente na encarnação actual e se acentuava com a repetição dos mesmos actos, pensamentos e sentimentos, os quais ele mesmo condenava no fundo da alma.
Sem dúvida que qualquer boa acção será sempre compreendida por Deus.
Contudo, é preciso ter-se plena consciência de que ela gera méritos, mas não necessariamente evolução, que somente se dá com a renovação íntima.
E para que ocorra a renovação, é indispensável acessar, conhecer e transformar as mazelas que habitam os escaninhos da alma, pois elas se utilizam do pensar e do sentir como força energética de existência e de acção, através do corpo físico, para materializar-se no mundo das formas.
O mundo das formas tem papel crucial na evolução dos seres, pois, se as experiências podem trazer resultados negativos, são também fontes para conquistas positivas.
Nos mundos astral e mental também ocorre evolução; contudo, no mundo físico, havendo transformação íntima, os mecanismos químico-espirituais desse processo funcionam como fortes catalisadores da evolução e geram avanços bem mais acentuados no espírito do que os vivenciados no plano astral ou mental, além, evidentemente, de cumprir-se processos cármicos (quem fez o mal na carne, pela lei universal, deverá voltar à carne para resgatar esse mal com a boa acção, normalmente no próprio planeta onde viveu.
Todavia, há casos de resgates com encarnações em outros planetas, especialmente quando o planeta não mais existe em forma física.
Há casos ainda em que ocorre migração em massa de espíritos que se enclausuram em carmas colectivos ou interpessoais, passando o resgate cármico a ocorrer no meio sócio espiritual para onde migraram).
Aquele que se encontra em processo de evolução, ainda nas fases primárias e intermediárias, tem dentro de si o bem e o mal em conflituosa disputa interior; o bem que precisa ser expandido e o mal que necessita ser transformado no bem, à medida que se cresce em conhecimento, consciência e amadurecimento interior, graças às vivências, sofrimentos e percepções superiores que surgem na alma e que lapidam os sentimentos.
Entretanto, ao longo da caminhada evolutiva, os mecanismos subconscienciais realizam verdadeiras artimanhas para manter intactas as egrégoras do passado (formas de pensar, sentir e agir que geram costumes), e o lado que representa a consciência do bem (conquistas pelo conhecimento, pelos bons sentimentos e boas acções) tenta a todo instante criar caminhos de retomada do rumo correto, nem sempre com êxito e, em muitos momentos, as criaturas optam por alimentar sentimento de culpa, de modo consciente, subconsciente ou até totalmente inconsciente, como impulso ou mecanismo de compensação pelas atitudes erradas de vidas passadas ou da presente.
Nesse contexto, muitos encarnados costumam adoptar comportamentos de ajuda ao próximo, a entidades religiosas ou assistenciais, com o intuito de amenizar a culpa e reduzir seus débitos para com o Alto, o que não deixa de ser um equivocado pensamento, ato de comércio ou de troca com a Espiritualidade.
No mundo espiritual superior, não existe comércio, mas amor incondicional.
É evidente que os espíritos excelsos sabem das vidas pregressas, limitações e potenciais de cada alma e, por isso, adoptam soluções ou ajudas apropriadas a cada ser, a partir de princípios, conceitos e práticas pedagógico-espirituais específicos e que favoreçam o crescimento, sem causar danos psicológicos.
A própria alma, sim, é que costuma criar danos a si própria, com auto-flagelos, auto-perseguições e auto-fugas.
Ninguém tem o direito de julgar quem quer que seja, mas naturalmente a consciência profunda de cada um é que lhe condena ou eleva no momento de desencarne.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 05, 2018 10:04 am

Assim, é preciso que cada alma tenha consciência lúcida sobre seu estado evolutivo, seus avanços e estacionamentos em costumes do passado, e, ao mesmo tempo, ter sincero diálogo e entendimento consigo e com Deus, no sentido de fortalecer a fé e a vontade de vencer a si mesma, e, por conseguinte, transformar as mazelas que fazem parte de seu mundo interior.
Esse é um processo lento.
Por esse motivo, o ser encarnado tem que construir dentro de si a capacidade de perdoar-se cada vez que tropeça, pois mesmo antes de isso ocorrer Deus já o perdoou.
E aí, torna-se indispensável realizar constantemente esse diálogo e entendimento interior de modo sincero, confiante, motivado e construtivo.
É importante evitar lamentações e sentir-se vítima ou culpado, pois somos caminheiros de uma longa jornada que exige persistência e fé em Deus, que nos conduz e nos dá forças para prosseguir na caminhada.
Alexandre encontrava-se em condições difíceis na hora final.
Seu corpo excessivamente emagrecido e cadavérico, sua fé abalada, o medo de enfrentar a morte e a própria consciência, a vergonha de encontrar seu guia espiritual ou aqueles que ele sabia que tinham lhe ajudado muito em sua vida carnal, enfim, um quadro de definhamento físico, mental e emocional que tenderia a fazê-lo fugir de si e de seus amigos no mundo espiritual.
Para completar, havia os parentes encarnados que, com sofrimento e apego, seguravam-no energeticamente na carne e evitavam a sua libertação, no momento do descolamento do perispírito do corpo.
Havia alguns inimigos desencarnados do passado que estavam à beira de sua cama incutindo-lhe ideias e sentimentos de auto-destruição, cobrança, medo e culpa.
O guia espiritual dele e mais alguns amigos (dentre eles entidades desconhecidas, mas que tinham recebido directa ou indirectamente ajuda de Alexandre) e trabalhadores da seara do Cristo aguardavam-no no momento do desenlace e estavam atentos, inclusive criando condições mentais-emocionais de modo a que ele pudesse receber ajuda espiritual.
Alexandre disse com dificuldade e por meio de sinais, pois já não conseguia mais falar em decorrência dos danos nas cordas vocais, que queria ficar sozinho e descansar um pouco.
Todos então se afastaram e o deixaram no quarto com a mãe, que estava tranquila e fazia orações em silêncio.
Ele havia captado as sugestões dos amigos espirituais, pois precisava que os presentes o deixassem partir em paz, sem apegos que o puxassem energeticamente para o corpo físico já moribundo.
Ao adormecer, ocorreu o desencarne.
Alexandre desejava dormir para sempre e não ver mais nada nem ninguém, fosse do mundo físico ou do espiritual.
E justamente por causa desse seu estado mental-emocional, permaneceu dormindo ao lado de seu corpo, já sem vida.
No dia seguinte, no plano físico, ocorreram as providências para o enterro, que se realizou com uma quantidade enorme de pessoas amigas, colegas de trabalho ou do centro espírita, e a parentela.
Após sete dias, ele abriu os olhos e viu-se na escuridão da pequena capela do cemitério onde estava o gavetão que guardava seus despejos, próximo ao de seu pai e dos avós.
Ficara ali um guardião do bem esperando por aquele momento, a fim de avisar os amigos a hora de prosseguir com o resgate.
Não muito distante, havia dois inimigos do passado, à espreita, aguardando um momento de desatenção do guardião (que sabia da presença deles).
Alexandre sentiu um frio interior, e então concluiu:
"Se já perdi meu corpo, apodrecido pela doença, se já paguei meus pecados, por que então não surge algum guia espiritual para me tirar daqui?".
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 05, 2018 10:04 am

Naquele instante sobreveio do seu íntimo uma raiva terrível.
Ele se deu conta de tudo que fizera nos tempos de encarnado e ao longo de sua vida, e que se sentia injustiçado por Deus.
Deixou escapar toda a inconformação com o processo da doença por dois anos.
Esse estado de insatisfação acentuada estava acumulado no seu íntimo, carregado de revolta por achar que poderia viver pelo menos mais trinta anos e realizar tudo o que gostaria, principalmente no campo político, pois desejava ter saúde para retornar à Câmara Federal e tentar cargos mais importantes no governo.
Aquele quadro interior quebrou a aura protectora que o guardião lhe colocara, permitindo a aproximação dos inimigos políticos desencarnados e também dos desafectos dos tempos da Letónia, que logo o agrediram com palavras de baixo calão, atirando-lhe "bolotas" (termo pejorativo adoptado nas zonas inferiores e umbralinas para um tipo de artefacto astral escuro, em formato de pequenas bolas carregadas de miasmas).
Logo se aproximou um grupo de entidades empedernidas para tentar captar-lhe os últimos resíduos de ectoplasma e escravizá-lo.
Os amigos espirituais que se encontravam próximos pediram apoio superior para tirá-lo daquela situação, e receberam a orientação de deixá-lo passar por aquele processo, necessário para a expurgação de miasmas decorrentes da revolta e orgulho.
Mas, de certo modo, acabaram por ajudá-lo quando, dois dias antes, intuíram algumas entidades da Cidade dos Nobres a se dirigirem ao local e resgatarem um amigo que lhes interessaria.
Sabiam eles que aquela colónia não era o lugar ideal, mas certamente bem melhor de que ser raptado por espíritos empedernidos.
Sabiam também que na Cidade dos Nobres Alexandre poderia estagiar o tempo necessário para cair em si e drenar sua psique ainda carregada de revolta.
E assim, o grupo chegou na hora em que Alexandre estava sendo levado, sob gritos e tentativas de livrar-se do ataque, e como estavam em número maior, direccionaram jactos de bolotas na direcção dos "ladrões de almas", além de emitirem choques magnéticos.
Em seguida, carregaram Alexandre e o levaram embora.
Como ele já estava sendo monitorado por entidades da Cidade dos Nobres, certamente teria sido chipado se a pequena fábrica de chips já estivesse concluída.
Esses dispositivos já haviam sido testados e deram resultados eficazes, mas ainda não estavam disponíveis em estoque.
Sempre que houver desencarnados que lhes interesse, e em situações em que não haja conflito com os magos negros (os dirigentes da Cidade dos Nobres não desejam encrenca com eles), inserirão chips em seus corpos astrais.
Como há limites na produção desse material, escolherão espíritos prioritariamente pelo seguinte critério:
grau de sintonia com os membros daquela colónia, ligações antigas entre eles, nível de inteligência elevado, e pessoas com elevada produção de bioplasma, principalmente ectoplasma.
Esse material astral é necessário para o funcionamento da barreira energética protectora da colónia, e também para uso em outras finalidades.2
Há outras fábricas dessas em alguns outros locais das zonas inferiores do mundo astral.
Eles têm sido produzidos em escalas cada vez maiores.
Foram desenvolvidos por mentes de seres de outros planetas que estão em sintonia com magros negros e entidades mal-intencionadas viventes no Astral, que, embora detenham muita inteligência, possuem baixa moral.
Há uma antiga luta do mal contra o bem, desde os tempos atlantes, para que essas entidades negativas dominem o planeta Terra.
Chegando à Cidade dos Nobres bastante debilitado, Alexandre foi alojado num pequeno hospital para recuperação de recém-chegados do mundo físico.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 05, 2018 10:04 am

Sua inteligência, capacidade de dominação das palavras bem articuladas e com forte magnetismo, proporcionavam-lhe grande interesse para a cúpula daquela colónia, pois futuramente essas suas habilidades seriam muito bem utilizadas em prol de suas artimanhas.
Some-se a isso o facto de um dos membros daquele local, ligado à sua alta direcção, ter sido primo carnal de Alexandre, havendo boa amizade entre ambos.
Passada uma semana, Alexandre tinha uma excelente recuperação.
Já fazia uma branda caminhada, e um mês depois estaria pronto para actividades normais.
As dores na região da garganta ainda persistiam, mas em menor grau.
Vez por outra, sentia fortes dores pontiagudas na cabeça e mal-estar na região abdominal.
Os médicos lhe diziam que aquilo era normal e que, embora ele não possuísse mais um corpo físico, ainda sentiria por muito tempo alguns de seus reflexos, como por exemplo dores advindas do câncer e outros desequilíbrios orgânicos.
Mas o principal, ainda não percebido por todos ali, era que Alexandre precisava contactar seu mundo interior e alcançar as causas de sua doença no corpo e no espírito, ou seja, o orgulho, os apegos diversos, especialmente ao poder e à vida desregrada com mulheres, cigarros e bebidas, o egocentrismo de achar que o mundo deveria tê-lo como um centro de atenções para alimentar sua vaidade.
Aquele lugar no Umbral, com seu peso energético, também lhe gerava um mal-estar inconsciente, ao que muitos acabavam por se acostumar.
Francisco Mário, primo de Alexandre, passaria a ser uma espécie de seu orientador, até que tomasse pé de todas as situações e oportunidades que teria, principalmente no sentido de aliar-se aos dirigentes da Cidade e se tornar membro importante na gestão e na captação de outros membros de elevado poder mental e inteligência, além de ajudar nos trabalhos de articulação e negociações junto a entidades poderosas do mal, de outras localidades astralinas (as negociatas têm sido comuns nas zonas inferiores do Astral:
os jogos de interesse, a busca de ampliação do poder ou de cooptar aliados para alcançar certas conquistas, e satisfazer certos interesses).
Na verdade, a cúpula da Cidade dos Nobres, bem como o próprio Francisco Mário, esperavam grande contribuição de Alexandre para a sua expansão territorial, graças às suas habilidades políticas, de persuasão e de comunicação, pois a intenção era transformar o lugar num grande centro de poder no mundo invisível.
Por ter sido político e assumido vários cargos importantes na Terra, ele conhecia muita gente e poderia trazer, além de pessoas que pudessem agregar ao crescimento local, outras que poderiam servir de bons guardas de segurança e bons "ladrões" de bioplasma e ectoplasma.
A Cidade dos Nobres vivência os reflexos dos meios políticos e do comércio dos municípios terrenos, onde a politicagem, a mentira, a manipulação, a troca de favores e interesses para atender elevados padrões de egoísmo, orgulho e satisfação dos mais baixos e degradantes vícios humanos se encontram presentes.
Deus oferece oportunidades de melhoria interior e resgate cármico a todos os Seus filhos, e mesmo aqueles que foram líderes do mal no passado obviamente também recebem oportunidades reencarnatórias, nascendo em ambientes em que possam desenvolver o espírito cristão.
Assim, muitos espíritos nobres e dispostos a ajudar (incluindo algumas ainda cheias de imperfeições, mas já optantes pelo bem, e que precisam resgatar certos carmas do passado com espíritos com os quais possuem pendências) aceitam ser pais, mães, irmãos e amigos de entidades empedernidas que encarnarão no convívio com elas visando a receber orientação e amor.
O objectivo desse convívio é ajudar a todos e, assim, as empedernidas podem se redimir e se transformar um pouco, caminhando em direcção ao Cristo, e as já redimidas podem ampliar a capacidade de amar e compreender, além de cumprir suas obrigações cármicas.
Por isso, além dos irmãos já compromissados com o lado do bem, que descem ao mundo da carne com missões de continuar o trabalho enobrecedor nos diversos sectores da vida, há os que se tornam buscadores do caminho espiritual, líderes espíritas, políticos e tantos outros profissionais, oriundos de zonas mais densas, mas que vêm tendo a chance de se comprometer a mudar, antes do reencarne, o que nem sempre conseguem levar a termo quando mergulham na carne, embrenhando-se por caminhos tortuosos.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 05, 2018 10:04 am

Quando os espíritos necessitados reencarnam e não acessam suas imperfeições de forma sincera, corajosa e com o intuito de transformar-se verdadeiramente, acabam ficando na superficialidade da vida; por isso se tornam "presas" fáceis do lado negativo que os habita na intimidade do ser, normalmente impulsionados por entidades negativas que tentam desviá-los para os velhos caminhos na erraticidade.
As almas imperfeitas, como a maioria, precisam estar cientes de que optar pelo caminho do bem não significa que terão de se transformar do dia para a noite, mas sim que, mesmo tropeçando e se reerguendo, devem persistir na direcção do bem.
Em certo momento da evolução, especialmente em se tratando da vida terrena actual, há espíritos que oscilam entre o bem e o mal.
Sabem que precisam mudar, mas não conseguem e, ao tomarem certas atitudes negativas durante a vida, seja contra si ou o próximo, dobram-se às hordas do lado negativo, quase sempre estimulados por entidades inteligentes e conhecedoras da psicologia humana e que não desejam que seus comparsas do mal mudem de lado.
Normalmente esses psicólogos do mal adoptam o sentimento de culpa como factor vibratório de conexão com eles.
É muito comum usarem certos pensamentos para incutir na cabeça de encarnados:
"Ora, fiz tudo errado, agora já não tem sentido eu caminhar correctamente.
Sujei-me, agora é terminar de me sujar.
Não teria cara de enfrentar os espíritos superiores.
Que vergonha!
Eu não mereço estar junto de pessoas tão boas, muito menos entrar no céu.
Eu sou um derrotado; meus vícios me dominam.
Para viver neste mundo, tem que ter malandragem, astúcia, senão seremos massacrados.
Aqui em baixo não dá para ser santo.
A regra lá em cima é uma, aqui em baixo é outra.
Agora é tocar a vida do jeito que ela vier, desviando-se dos obstáculos quando der e eliminando quem estiver atrapalhando meu caminho".
Desse modo, quando estão lidando com mentes muito intelectualizadas, esses seres do mal se utilizam de pensamentos e impulsos vibratórios que tocam a vaidade, o orgulho, o egoísmo e a satisfação dos interesses mais grosseiros no campo dos instintos.
Há muitas artimanhas do mundo espiritual inferior para atrair parceiros encarnados e desencarnados.
Há especialistas que conhecem bem as fragilidades humanas, e as mobilizam em prol dos seus interesses obsessivos e de dominação.
Há casos, inclusive, de encarnações providenciadas pelo lado negativo inteligente, que possui conhecimentos e domina técnicas reencarnatórias, providenciando reencarnes sob verdadeiros contractos entre os que "ficam" e os que "descem" para o mundo da carne.
Assim, os reencarnantes servem de canais para intercâmbio entre ambos os mundos.
É evidente que esses processos estão sob a atenção do plano espiritual superior, que pode ou não interferir, deixando muitas vezes o reencarne acontecer porque sabe que todos estão sob os "olhos" de Deus e de uma lei maior, e sujeitos à acção directa dos processos cármicos.
Depois de certo tempo, Alexandre engajou-se em grupos de articulação e negociação no Astral inferior.
Manteve contactos com lideranças negativas e buscou parcerias visando a acordos de delimitação de áreas específicas para domínio de certas zonas do Umbral, além de acertos objectivando a conexão com o mundo das formas físicas no intuito de captarem bioplasma e ectoplasma.
Contudo, continuou sentindo as dores na região da garganta e do abdómen.
Cada vez mais frequentes se tornaram as dores pontiagudas na cabeça, situação que o incomodava muito.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 05, 2018 10:04 am

Então começou a tomar consciência de sua real situação e a sentir-se usado pelas entidades astutas.
Ficou com o orgulho ferido; por isso as dores a cada dia se amplificavam.
Seu guia espiritual costumava visitá-lo de forma invisível a ele, em razão das diferenças vibratórias, incutindo-lhe alguns questionamentos na mente, ao usar o próprio orgulho dele, a fim de levá-lo à conclusão de que aquele lugar não era bom para ele.
Passaram-se quase dois anos sem Alexandre se dar conta do tempo exacto em que estava no plano astral, ainda que lhe parecesse dez anos de vida extrafísica, pelo impacto que o tempo gera nos espíritos recém-oriundos do plano físico.
Aos poucos, ele foi sentindo certa revolta com as entidades daquele lugar.
Suas dores aumentaram e passaram a incomodá-lo mais.
Os médicos locais lhe afirmavam tratar-se de reflexos dos traumas do corpo físico, que persistiriam ainda por algum tempo.
Tal argumento não o satisfazia mais, e ele começou então a entrar num processo de conflito mental.
Aproveitando os momentos em que se encontrava sozinho no quarto, seu guia espiritual passou a estar com mais frequência ao seu lado, juntamente com entidades amigas, dentre as quais a sua avó, realizando intenso trabalho nos vórtices de energia de seu corpo astral, a fim de abrir brechas em sua aura e lhe enviarem sentimentos de humildade e compaixão, ao mesmo tempo em que transmitiam pensamentos de compreensão sobre a Cidade dos Nobres e as entidades que ali residiam.
Então, Alexandre começou a cultivar os primeiros sinais de humildade, que já o habitavam desde outros tempos e estavam adormecidos, e experimentou o que se costuma chamar de insight, passando a perceber que seu lugar não era ali.
Sob influência espiritual superior, começou a substituir os pensamentos e sentimentos de revolta por outros mais leves e de entendimento.
Concluiu que deveria fazer uma prece sentida e consciente a Deus, como no tempo de sua avó materna, pedindo-Lhe ajuda para sair daquele local e mudar-se para onde não houvesse mentira, perseguição, interesses grosseiros e manipulações.
Pedindo principalmente que Deus o perdoasse pelos caminhos tortuosos de sua vida no plano físico e no Astral, e que tirasse aquela dor de cabeça que começava a chegar a estados insuportáveis.
Assim, Alexandre sentiu-se envolto pelas vibrações de carinho da avó e começou a chorar, vivenciando um processo de catarse interior.
Durante esse período no Astral, Alexandre adquiriu mais carmas na contabilidade astralina, porque se envolveu com entidades negativas muito perigosas e astutas, inclusive atrelando-se a compromissos com os dirigentes da Cidade dos Nobres.
Realizou ali bons trabalhos, na visão desses dirigentes, em termos de articulação e consolidação de acordos com entidades nada confiáveis e envolvidas com a maldade.
Foi quando começou a sentir-se usado e seu ego a ser machucado; afinal fora político importante no mundo físico e estava lidando com entidades que, apesar da astúcia, considerava menos inteligentes que ele.
Suas dores alcançavam estágios elevados e, sem saber como lidar com elas, começava a incomodar-se com tudo naquela zona densa do Astral.
Apesar de suas mazelas, trazia certa sensibilidade no seu íntimo, e os primeiros traços de humildade abriam canais de interlocução vibratória com entidades amigas de zonas mais altas.
O trabalho de drenagem psíquico-astralina intensificou-se e Alexandre começou a se desvencilhar de antigos vícios, inclusive o de roubar energias oriundas de práticas sexuais desequilibradas de pessoas encarnadas.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 05, 2018 10:05 am

Entrava, assim, num processo de saturação e insatisfação intensa com as coisas daquele lugar e com as entidades que haviam se tornado companhias dele em actos incorrectos e não dignos de alguém que trazia no íntimo conhecimentos elevados, compromissos com os planos mais altos e certo grau de sentimento de gratidão pela ajuda e amor recebidos dos parentes, da época em que estava encarnado.
Após essa etapa de drenagem, estava pronto para ser resgatado para regiões vibratoriamente mais elevadas.
Sob influência de entidades verdadeiramente amigas, sem que as percebesse, começou a sentir compaixão daquelas entidades que habitavam a colónia; começava a perceber que ali era um lugar sintonizado com o mundo material, muito próximo da vida física, com todas as suas imperfeições e peso de orgulho, vaidade, egoísmo e apego a impulsos inferiores.
Passava a ter menos momentos de revolta e a chorar mais vezes.
Suas lágrimas começavam a lavar-lhe a "alma", e seus sentimentos mais nobres surgiram.
Certo dia, sozinho em seu quarto, Alexandre deixou cair mais um véu do orgulho que o impedia de ver seu verdadeiro estado psíquico.
Nesse instante, ele foi levado, inconsciente, por entidades amigas a um centro espírita que costumava frequentar no passado, e lá foi submetido a um choque anímico.
Aproveitando o ambiente rico em ectoplasma, as entidades cristãs fizeram um trabalho de limpeza sobre seu corpo astral e o levaram para um centro de recuperação de entidades atordoadas e dispostas a mudar de vida interior.
Ele estava levemente entorpecido e só conseguiu ver a avó materna.
Sentiu-se aconchegado por ela e, já sem forças, com o orgulho amenizado, entregou-se aos cuidados das falanges cristãs.
Três semanas depois, Alexandre acordou e viu-se rodeado de entidades amigas, incluindo a sua avó.
Praticamente dois anos após o seu desencarne, o aspecto dele era outro:
agora passaria a receber banhos astrais terapêuticos e em breve teria uma longa conversa com o mentor daquele centro de recuperação.
Seria preparado para, logo, integrar-se à convivência fraterna numa colónia espiritual ali perto, num plano vibratório acima do Umbral.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 06, 2018 11:28 am

Depoimento de Alexandre três anos depois:

Estimados leitores desta obra:
Quando fui convidado a participar deste trabalho, dando permissão para o amigo Atanagildo transmitir-lhes parte da minha história, num primeiro instante fui pego de surpresa e, em seguida, experimentei um sentimento de muito agradecimento a Deus por essa possibilidade.
Se fosse à época em que acabara de chegar a esta colónia, certamente diria que não era merecedor de tal oportunidade, face ao meu estado de profunda amargura e sentimento de culpa para comigo mesmo.
Hoje, graças ao bondoso Mestre Jesus e à ajuda de tantos irmãos amoráveis, sinto-me leve e disposto a servir onde for convocado.
Quando recobrei minha verdadeira consciência e deixei brotar sentimentos de humildade em meu coração, constatei que estava inundado de culpa, desde o fundo até o topo do meu ser.
Essa culpa, que trazia já de muito tempo, principalmente desde a encarnação na Letónia, me chegava em forma de impulsos inconscientes.
Meus pais me deram uma boa base religiosa na infância, que foi crucial para a minha evolução nesta etapa de vida, servindo de conexão para os conhecimentos e vivências do passado no campo espiritual.
Na adolescência, deixei explodir em mim os impulsos da conquista e da descoberta de novas percepções do mundo e das pessoas que, directa ou indirectamente, participavam da minha vida.
Em poucos momentos deixava a minha base espiritual conectar-se com as sugestões que vinham dos amigos da Espiritualidade Superior.
Na maior parte do tempo, deixava-me ocupar pelos interesses mais corriqueiros e mundanos da vida.
Minha caminhada encarnatória vinha sendo programada havia séculos para que eu realizasse trabalhos tão dignos quanto outros no campo da política.
Quem vivência essa provação na área política, necessita despender uma vigilância elevada e constante oração para não se deixar levar pelas forças negativas que cercam a todo instante aqueles que têm papel crucial na gestão pública, na construção de leis e na condução de pessoas, cidades e países a rumos que lhes propiciarão cidadania, educação, dignidade humana e equilíbrio social, sem violência.
Por isso, muitas entidades do mal ficam à espreita e tentam influenciar a todo momento políticos e dirigentes públicos para o caminho da corrupção, desordem, falta de fraternidade e luxúria, pois dessa forma criam sintonia para que atuem e roubem as energias de que necessitam para viver atados aos vícios do mundo físico, no plano astral.
Buscam ampliar domínio do negativo no planeta e tentam evitar que o bem se expanda por meio das decisões e obras de quem dirige a comunidade.
Desde o início da minha vida adulta, senti no fundo do coração que a política me motivava e que por ali seria meu caminho profissional.
Formei-me para melhor me estruturar em conhecimentos e comecei minha caminhada.
Nessa época, me afastei do caminho espiritual e isso foi extremamente negativo, pois me deixava vulnerável à intervenção de entidades inimigas do passado e daquelas que outrora foram comparsas meus nos caminhos do erro.
Durante todo esse período passado da minha vida, o sentimento de culpa estava presente e se manifestava de diversas formas:
por um lado, me causando fobias a ambientes escuros (o que significa dizer medo do desconhecido e perigoso escuro que habitava minha alma e que necessitava ser conhecido, transformado e clareado com a Luz do Cristo); por outro, levando-me a consumir coisas que me destruíam a saúde (uma espécie de autoflagelo' inconsciente e impulsivo), como fumar e beber abundantemente, retroalimentando os mesmos vícios de outros tempos.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 06, 2018 11:28 am

Estava com os caminhos energéticos sintonizados com entidades comparsas (masculinas e femininas) do passado, do leste europeu, e que adoravam meus vícios em noitadas e sexo desregrado, pois realizavam "transfusão", ou vampirismo, de energias com essas vibrações a que estavam submissos.
Graças ao bom Deus, os irmãos da Espiritualidade Superior jamais me abandonaram, apesar de eu ter mentalmente me afastado deles.
E em meio às minhas desordens emocionais, sempre insistiam comigo em retornar ao caminho espiritual nas noites de descanso, durante o sono físico, e com o descolamento do meu espírito para o plano astral.
Mesmo nos momentos de vigília, quando precisava tomar decisões importantes no campo profissional e político, eles me davam boas sugestões (especialmente decisões que geravam reflexos na vida da população e na minha estrada espiritual).
Hoje, sei que há mestres espirituais especialistas em carmas individuais e colectivos, e que muitas vezes uma sociedade sofre por decisões políticas porque possuem carmas colectivos.
Mas há situações em que certas decisões são evitadas ou atingem somente parte da população, porque o plano espiritual superior orienta e toma providências para que se evite que certos grupos sociais, ou mesmo uma população inteira, venha a sofrer com decisões equivocadas do governo ou de políticos.
Os vícios da bebida, do cigarro e das noitadas com mulheres me amplificaram as desordens no campo emocional e sujavam sobremaneira meus corpos subtis, especialmente o corpo astral.
Meus chacras viviam entupidos e impediam uma boa circulação das energias prânicas entre as camadas subtis e mais densas dos meus corpos, principalmente no meu duplo-etérico.
Complicações no corpo físico seriam inevitáveis, com o passar dos anos.
Então comecei a apresentar sérios problemas de saúde.
E aí vai uma dica para os leitores:
desde o momento em que se apresentarem doenças ou desequilíbrios em seus corpos físicos, fiquem alertas.
Busquem imediatamente o acompanhamento e a orientação médica, sem dúvida, mas atentem para os processos mentais e emocionais que se instalam na sua intimidade.
Vejam o que tem sido predominante (e porque não dizer, obsessivo) nos pensamentos e impulsos instintivos e emocionais.
As doenças ou dores físicas são sinais valiosos para que se inicie um sério trabalho no fundo da alma.
Nós, ainda presos aos grilhões de um passado rico em erros, estamos repletos de carmas.
Contudo, mesmo trazendo carma desde a infância, o que normalmente gera reflexos no corpo mais denso: junto com ele advêm padrões de pensar, sentir e agir, reflexos condicionados que nos levam a repetir as mesmas coisas do passado na vida presente.
Não adianta fugir de si mesmo, da possibilidade de contacto com as mazelas íntimas e da necessidade de trabalhá-las, entendendo que não haverá saltos evolutivos, mas o início firme e determinado de uma longa caminhada, composta por erros e acertos, quedas e soerguimentos (é fundamental não deixar a depressão tomar conta de si e impedir-lhe o soerguimento; é preciso humildade para pedir forças a Deus), sem desistência e principalmente com vigilância, para que não haja sentimento de culpa.
Com o passar do tempo, quando menos se espera, a alma vai ganhando força e o que antes era impossível, ou quase impossível de se vencer, vai se tornando administrável e, quem sabe, na mesma, na próxima ou numa encarnação mais à frente, tais mazelas estarão mais brandas, podendo ser transformadas em virtudes espontâneas.
Quando comecei a sentir a morte chegando, ao invés de enfrentar minhas mazelas interiores, comecei e dar alimento ao câncer, ou seja, empurrar "para baixo do tapete" as minhas culpas pelos males que havia feito a outrem e ao erário público.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 06, 2018 11:28 am

Não queria nem chegar perto desses sentimentos de culpa, mas apenas escondê-los no fundo de minha alma, e muito menos desejava enfrentar corajosamente as causas comportamentais e de postura interior que me levaram a tais sentimentos de culpa.
Junto com a culpa, havia também orgulho de minha parte em não querer aceitar que eu era falível, imperfeito e cheio de defeitos.
Precisava de ajuda externa, mas não queria expor minhas fraquezas, meus erros do passado, meus desequilíbrios íntimos.
Um político, um gestor público que fora tão respeitado por suas acções, um conhecido defensor e "praticante" do espiritismo... realmente eu não podia mostrar aos que me rodeavam e ao público as minhas quedas.
Vez ou outra, a imprensa também me visitava e eu não podia nem imaginar vê-la expondo minhas fraquezas.
Em face desse quadro, me restava apenas aumentar as doações de alimentos aos trabalhos assistenciais do centro espírita que frequentava durante anos; restava-me dar mais atenção à minha família; e essa tomada de consciência mais humanista e cristã me tocava o coração, me emocionava e me aliviava o sofrimento.
Entretanto, esses actos nobres encobriam a necessidade do contacto com os defeitos que se alojavam nos esconderijos de minha alma.
É evidente que ajudar ao próximo é fundamental; todavia, tão vital quanto realizar a reforma íntima.
Não se pode fazer um sem o outro, e vice-versa.
Dessa forma, o orgulho e o sentimento de culpa me empurraram para o Umbral, no meu processo de desencarne.
As inimizades do passado torciam por minha derrota e aguardavam a minha chegada ao mundo astral para cobrar-me dívidas passadas.
Ao chegar à Cidade dos Nobres vi a possibilidade de retomar as atitudes que alimentavam minha vaidade e a oportunidade de alimentar meus vícios mundanos.
No fundo, representava mais uma fuga do contacto comigo mesmo, pois era como assumir que eu já estava sujo mesmo, e lá assumiria de vez esse papel.
Quando estamos encarnados, somos protegidos pela matéria densa e, assim, podemos frequentar qualquer ambiente físico, desde os espiritualizados aos mais pesados energeticamente.
Entretanto, sem a vestimenta corpórea, tudo o que sentimos é aumentado várias vezes, e naturalmente o espírito será atraído para o ambiente astral condizente com a sua vibração e o seu peso energético.
Não há para onde fugir ou se proteger.
O primeiro passo para livrar-se dos ambientes densos do Astral é sentir-se humilde diante de Deus, de forma sincera e profunda, e então pedir ajuda ao Pai Celestial.
Como eu havia acumulado estados viciados de pensamento e acção, sem qualquer esforço de disciplinamento dos "lobos selvagens" que me habitavam, que eram alimentados nas noitadas e madrugadas, certamente eles acordariam com força total no mundo astral e reclamariam para serem alimentados.
Naquela colónia, percebi de cara que se eu mostrasse um bom trabalho aos dirigentes, naquilo que eu sabia fazer de melhor, como a política, certamente me arranjariam caminhos seguros para "roubar" energias sexuais, de cigarro e bebida, para me satisfazerem os vícios que haviam aumentado muitas vezes o que sentia quando estava na carne.
Como nada no Universo se perde, seja de bom ou de mau, as coisas nobres que havia adquirido um dia iriam me acenar com possibilidades de encontrar a verdadeira felicidade.
E assim, chegou um tempo em que aquele ambiente umbralino e as ligações com as energias densas do mundo físico me saturariam o espírito.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 06, 2018 11:29 am

Chegaria o momento da minha insatisfação, e o mesmo orgulho e vaidade que me empurravam para o pedestal da aparência, me levavam para estados de revolta íntima por sentir-me usado por mentes "aparentemente" menos inteligentes que a minha.
O ego sentia-se a cada dia mais machucado
Como no sábio princípio da homeopatia, em que se cura determinada mazela com o semelhante, do orgulho se extrairia o aprendizado ou o antídoto para o despertar e, ao me livrar daquele estado mental-emocional de abuso, luxúria e sintonia com os planos densos do espírito, encontraria a minha natureza íntima na "esquina" do orgulho, com a chance de mudança de rumo, mas que exigiria de mim humildade e disposição para pedir a Deus que me tirasse dali, com toda a minha vontade.
Meu espírito trazia memórias passadas de lugares harmoniosos do Astral, e essas lembranças subconscientes criavam-me no íntimo uma polarização entre o bem e o mal.
Surgia então a vontade de mudar da lama para a água pura; brotava-me um largo cansaço daquela vida e a sensação de que eu poderia pedir perdão por meus erros, por meus vícios, e deixar que o meu lado superior dominasse o lado inferior.
Sem dúvida alguma, a ajuda espiritual que recebi, vinda de amigos amoráveis, não tem preço.
A partir dos convites que vinham do Alto, mesclados com os "ventos" magnéticos de boas vibrações do bem, surgia aos poucos em mim uma leve vontade de servir às falanges do Cristo em prol de um mundo mais harmonioso, pacífico e direccionado para o amor cristão.
Lembrava dos estudos espirituais quanto à necessidade de minha verdadeira renovação íntima e da caridade fraterna, que precisava brotar em meu ser, onde já havia certa fertilidade de terreno interior.
Fui salvo pelo amor do Cristo, pela amor dos amigos espirituais e pelas oportunidades que tive no passado e no presente, capazes de alimentar e guardar no espírito bons pensamentos, bons sentimentos e boas atitudes.
Quanto às coisas ruins que fiz ou os vícios adquiridos, não posso me apegar a eles.
Devo deixá-los quietos; não devo excitá-los.
Todavia, não posso ignorá-los, enfrentando-os com coragem, firmeza e amor, e, se eles tentarem me dominar, devo sempre pedir forças a Deus para vencê-los, sem estresse ou auto-perseguição.
Se houver quedas, que a culpa não me domine, mas sim que a força de vontade possa me soerguer para prosseguir, com a ajuda daqueles que estão à minha frente na evolução.
Hoje me sinto bem, graças ao bom Deus e ao amor dos amigos espirituais.
Os defeitos morais continuam dentro de mim e aos poucos vou trabalhando cada uma deles, sem fugir de minha natureza íntima, mas também sem me auto-punir.
Sei que precisarei reencarnar daqui a algum tempo, pois é na carne que essas mazelas são melhor trabalhadas, ou seja, com o corpo físico podemos drenar para a matéria nossas imperfeições e potencializar as coisas boas que a força de vontade e o desejo de evoluir podem nos proporcionar.
Cada passo dado em direcção ao Alto, quando encarnados, representa centenas de passos quando fazemos o mesmo no mundo astral.
Evoluir na carne é o grande desafio e, ao mesmo tempo, a melhor oportunidade para se aproximar do Pai.
Sem contar que carmas adquiridos no mundo físico devem ser resgatados no mundo físico.
Nós, que nos encontramos em estágios muito primários da evolução, precisamos voltar muitas vezes à carne até que estejamos mais leves vibratoriamente, de modo a nos capacitar a viagens mais elevadas e nos tornarmos habilitados para descer a zonas mais densas do Universo, a fim de ajudar fraternalmente os espíritos sofredores e que passaram por situações e dores como as que passamos.

1 - O impulso de informações advindas do subconsciente da mãe de Alexandre levou-a a se inspirar no nome dado em sua última encarnação, Alexander.
Anna, que fora sua irmã adorada, e que numa encarnação antes tinha sido sua esposa, seria sua mãe na encanação em território brasileiro, e a forte ligação afectiva entre eles a faria estar, ainda, com profundas conexões psíquicas ao passado.
2 - Nas zonas astrais intermediárias fronteiriças com o Umbral e em alguns pontos estratégicos que são passagens ou caminhos de conexão entre as diversas zonas astrais, as entidades superiores costumam colocar barreiras energéticas de protecção, mas se utilizam de magnetismo produzido pelas mentes de entidades com certo grau de evolução, capacitadas para tal finalidade, ou seja, não precisam de bioplasma e ectoplasma para tal fim, qual ocorre nas zonas inferiores e umbralinas do Astral.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 06, 2018 11:29 am

VI - Quando os caminhos são descaminhos
Rogério era filho de um senador da República.
Vivia envolvido com drogas, bebidas e relacionamentos descompromissados. Era um verdadeiro perdulário.
Sua mãe, católica, procurou desde cedo ensinar aos filhos os princípios básicos do cristianismo.
O pai tentava não fugir dos compromissos familiares, mas os afazeres e desafios atrelados à política lhe consumiam o tempo.
Dessa forma, os dois filhos, Andréa e Rogério, cresceram sem a referência paterna que lhes transmitiria direcção e amor, a partir do tempo em que o pai iniciou sua carreira política, ainda como vereador.
Dona Ângela é quem assumira o papel duplo de pai e mãe dentro do lar.
Contudo, faltava-lhe pulso em muitas ocasiões para conter o ímpeto do filho irado e afeito aos desregramentos.
Andréa, por possuir uma natureza espiritual mais dócil e aberta à evolução, apesar de todos os seus deslizes na vida, conseguia reflectir sobre seus actos inconsequentes, reajustar-se e prosseguir no caminho do bem.
Certa vez, em uma festa, Rogério conheceu Melissa, uma moça bela e jovem, cheia de energia e de boa índole.
De família espírita, ela também era praticante da doutrina e assídua leitora dos livros que propagavam os ensinamentos espirituais.
Como qualquer ser humano, tinha suas fraquezas; entretanto, a determinação em seguir no caminho do bem lhe fortalecia a fé.
Ela e Rogério começaram a namorar, e, como já estava no script do plano espiritual, não teria sido por acaso esse reencontro.
Melissa teria o papel de resgatar Rogério do mundo das Sombras e levá-lo para o caminho da Espiritualidade.
Numa vida anterior, Rogério desencarnou quando ainda era bebé, em decorrência da explosão de sua casa durante um ataque aéreo de tropas aliadas à Alemanha nazista.
Essa forma abrupta e violenta de desencarne, ainda em tenra idade, fazia parte de seu projecto espiritual, a fim de que ele drenasse um pouco mais seu carma, carregado de comprometimentos com as vidas humanas.
Dando mais um passo no tempo reencarnatório, identificamos Rogério como Wilhelm, um coronel prussiano que viveu durante a guerra de unificação da Alemanha, no século dezanove, liderada por Bismarck.
Wilhelm era valente, destemido e com firme domínio sobre suas tropas, face a sua postura totalitária e profundamente apaixonada pelas tradições germânicas, facto que aproveitava com astúcia para tocar com suas palavras o sentimento patriótico dos soldados.
Homem de confiança do comando militar superior das tropas de Bismarck na frente de batalha, ajudara na conquista da Áustria e de outros estados da região, além de ser um dos comandantes na vitória contra a França, o que resultará na conquista das regiões de Alsácia e Lorena.
Assim, comandara o desencarne de muitas criaturas, providenciando até com as próprias mãos a morte de dezenas delas.
Milhares de inimigos de guerra desencarnaram sob seu comando, alguns dos quais fora dos campos de batalha, nas invasões de vilas e cidades, quando suas tropas trucidavam idosos, crianças e adultos civis.
Quando estourou a guerra entre a Prússia (onde hoje se situa a Alemanha, mas que incluía parte de outros países daquela região) e a Áustria, Wilhelm já era casado com Antonina, dedicada mulher de origem austríaca, e, por questões de dever e fidelidade a Bismarck, preferiu manter-se afastado dela, ainda que vivendo na mesma casa, pois deveria cortar ligações com tudo o que tivesse vínculo com a Áustria, naqueles períodos.
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Ave sem Ninho

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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

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