O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 06, 2018 11:29 am

Wilhelm optaria por uma vida de noitadas com prostitutas e bebidas para satisfazer seus instintos.
Buscava a disciplina do trabalho no exército, durante o dia, e à noite soltava sua natureza indisciplinada para com os impulsos inferiores.
Antonina, que estudara e se radicara na antiga Prússia, era filha de importante membro do governo austríaco e não podia saber dos planos que envolveriam a invasão de seu país.
Aliás, durante a invasão da Áustria pela Prússia seu pai seria morto, o que provocara a revolta de Antonina, que mais tarde fugiria com o filho para a Áustria, em busca do encontro com sua mãe e outros familiares, abandonando de vez o cruel marido.
Graças ao seu amor por Wilhelm e seu desejo de resgatá-lo dos mundos astralinos inferiores, Antonina aceitaria mais tarde reencarnar no Brasil, entrando na vida dele com a missão de ajudá-lo através do amor.
Seria também uma forma de resgatar a culpa por tê-lo abandonado e nunca mais ter-lhe permitido contacto com o filho, de quem sentia muito orgulho.
Com o passar dos meses de namoro, Melissa habilmente conseguiu convencer Rogério a frequentar o centro espírita a que costumava frequentar aos sábados à tarde.
Emprestou-lhe alguns livros que Rogério lia com certo esforço, desistindo da leitura antes de chegar ao seu final.
A impaciência e dificuldade em absorver conceitos espirituais lhe provocavam certa resistência interior, especialmente naqueles pontos em que se falava de humildade e perdão.
Apesar disso, Melissa não desistia, pois, além de ser um belo rapaz, Rogério demonstrava possuir bom coração em algumas ocasiões, especialmente no trato com as mulheres.
Desde sua encarnação na velha Prússia, ele vinha tendo a graça de ter mães e irmãs bondosas que o enchiam de amor, facto que também ocorrera na presente encarnação; por isso, apesar do ódio que guardara de Antonina, possuía uma forte referência de respeito ao género feminino, ao longo de sua trajectória reencarnatória.
Rogério adorava praticar "pegas", aquelas corridas de carro nas ruas da cidade.
Melissa costumava alertá-lo sobre os riscos dessa prática.
O namoro continuava firme, e Rogério começava a gostar de ir ao centro espírita.
Já entendia muito dos princípios e conceitos que absorvia durante as palestras, as quais assistia com atenção.
Até falara com sua mãe que havia se tornado espírita.
O jeito doce e meigo de Melissa estava domando o coração duro de Rogério, que abria, a cada dia, sua sensibilidade e compreensão sobre as coisas superiores do mundo espiritual.
O amor, de facto, opera verdadeiros milagres.
Contudo, ele continuava com as práticas das noitadas regadas a bebidas e uso de drogas, de vez em quando, além dos "pegas".
Algumas vezes traía a namorada e isso lhe causava remorso, que logo era abafado pelos comentários menos dignos de seus companheiros.
Havia eliminado as drogas pesadas, mas continuava fumando maconha às escondidas, além do consumo de bebidas que passava costumeiramente dos limites.
Rogério pensava intimamente que sua ligação com o espiritismo poderia salvar sua alma, pois sabia que estava no descaminho.
No entanto, ouvia nas palestras do centro que Deus perdoava Seus filhos, e acreditava que os passes semanais resguardariam o seu espírito.
Passou a ajudar financeiramente o centro com despesas para campanhas assistenciais, o que lhe dava mais garantia de que receberia protecção do Alto.
Assim, vivia numa tremenda ambiguidade: buscando um caminho espiritual, em certos momentos, e noutros continuando pelos descaminhos.
Oscilava entre o bem e o mal, mas achava que, de alguma forma, estava seguro espiritualmente por sua ligação com o centro espírita de Melissa.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 06, 2018 11:30 am

Essa aproximação com a doutrina evidentemente ajudou Rogério, porque amenizou seu comportamento derregado, proporcionou-lhe relativo distanciamento de alguns de seus companheiros mais afoitos de noitadas e drogas, abriu-lhe algumas novas brechas na mente para um sentido mais elevado da vida e tornou sua alma um pouco mais sensível.
Esses avanços já poderiam ser considerados vitoriosos, e Melissa poderia sentir-se com o dever cumprido, especialmente porque o amor que ela dedicava a ele funcionava como uma aura protectora contra invasores do mundo invisível negativo e o ajudava a amolecer o coração, tornando-se mais humano e fraterno.
Os avanços conquistados eram consideráveis, em se tratando da natureza fria e calculista de Rogério, do seu passado comprometido com o desenlace de muitas vidas e dos descaminhos que o conectavam com forças negativas e entidades inteligentes do Astral inferior.
Essas mentes do mal não gostavam nem um pouco dos novos caminhos que ele pretendia trilhar e, sempre que deixava brotar impulsos e pensamentos inferiores, as entidades negativas aproveitavam para incutir-lhe ideias e sensações alinhadas com os propósitos mais densos, viciosos e maldosos que os ligavam.
Rogério teve um reencarne compulsório, e ficou sob os "olhos" da Espiritualidade Maior, mesmo sabendo que entidades negativas estariam monitorando seu processo encarnatório com o intuito de utilizá-lo como "ponte" para suas acções menos dignas.
Em muitas ocasiões o plano espiritual superior permite que as entidades do mal pensem que estão planeando e agindo sozinhas, mas fica atento para evitar que elas ultrapassem certos limites, momento em que pode ocorrer a intervenção superior.
Os espíritos benfeitores adoptam o mesmo procedimento em relação aos seus pupilos:
se o reencarnante resiste em mudar de rumo e não busca o caminho do bem, eles respeitam o seu livre-arbítrio e o deixa entregue à própria sorte para que a Lei da Causa e Efeito actue directamente sobre ele, levando-o a vivenciar situações de sofrimento e dor, até que um dia amoleça seu coração endurecido e abra sua mente para novas perspectivas de vida.
O quadro reencarnatório em curso exigia de Rogério uma nova postura de vida, ou seja, ele teria que lutar muito contra suas más tendências.
As entidades superiores, por conhecerem a psicologia cósmica profundamente, sabiam que os avanços de Rogério não seriam significativos, se observados por um óptica humana de curto prazo.
Contudo, analisados sob o prisma da realidade milenar do espírito, já representavam avanços consideráveis, ainda que parecessem insignificantes.
Seu espírito já estava mais sensibilizado e seus novos conhecimentos já o posicionavam num patamar de compreensão espiritual acima daquele em que se encontrava antes da actual reencarnação, apesar de situar-se ainda no mesmo estágio de muitos que negociavam com o mundo espiritual, por ajudarem instituições religiosas.
Trabalhar o orgulho, a vaidade, o egoísmo e o apego aos vícios mundanos são exercícios que exigem persistência, em muitas e muitas vidas.
Há encarnações em que o espírito avança um pouco mais do que em outras; há situações de aparente estacionamento, embora o sofrimento vivido acabe por tornar a alma mais sensível à dor alheia e à própria necessidade de crescimento interior.
Há encarnações-chave, em que a alma iniciará uma caminhada em nova direcção, por sugestão de um amigo espiritual que se alia para ajudá-la, propiciando-lhe a abertura da mente para uma nova perspectiva de vida.
Nesses casos, é quase certo que haverá quedas e aparente estacionamento, pois a alma poderá voltar a trilhar os erróneos caminhos antigos.
Contudo, haverá algum instante em que sentirá necessidade de banhar-se com as águas puras e reconfortadoras do caminho que havia abandonado.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 06, 2018 11:30 am

Observa-se, nesses casos, o quão importante foi conhecer o caminho novo, já que a alma não estará imersa apenas num único sentido, o do mal, passando a oscilar entre o bem e o mal até que reconheça que a verdadeira felicidade está em caminhar no lado do amor e da paz.
Assim é a caminhada evolutiva:
descobrir que o trabalho é fruto de alegria e pacificação da alma e não de sacrifício amargo.
Certo dia, apesar dos insistentes conselhos de Melissa, Rogério saiu para mais um de seus "pegas".
Como costumava fazer, ia sozinho, encontrava os companheiros e, depois das apostas de corrida, saíam juntos para uma noitada de bebidas, drogas e mulheres.
Naquela noite, entretanto, a caminho do encontro com os companheiros, correndo a cento e quarenta por hora, em plena área urbana, um carro repentinamente apareceu à sua frente, numa manobra inesperada, e cruzou-lhe o caminho.
A colisão foi inevitável.
Ele ainda tentou desviar, bateu no fusca e capotou em seguida, sendo imprensado em uma árvore na lateral da via.
Rogério sofreu traumatismo craniano e faleceu no local.
O choque provocou o desligamento abrupto do seu duplo-etérico.
Rogério levantou-se assustado, já em corpo astral, sem perceber que havia desencarnado.
Vendo o corpo caído logo à frente, todo ensanguentado, achou que era uma ilusão de óptica causada pelo choque do acidente.
Correu desesperado na direcção do fusca, para tomar satisfação com o motorista desatento, ficando assustado quando percebeu que um senhor de idade estava desacordado, em estado de choque.
Aos poucos, as pessoas se acumulavam no local e uma delas telefonou para os bombeiros e a polícia, que em alguns minutos chegavam ao local do acidente.
Ao ver o estado do automóvel, as pessoas que se aproximavam não acreditavam que alguém pudesse ter sobrevivido.
Tentavam distorcer as ferragens parar tirar o corpo que ali se encontrava.
Foi quando Rogério se deu conta de que não estava mais no mundo da matéria.
Viu o próprio corpo todo ensanguentado e completamente esfacelado sendo carregado.
Tentava falar com as pessoas, mas ninguém lhe dava atenção, como se não o vissem. Um dos bombeiros encontrara um telefone celular no carro e ligou para o último número que constava no rol de ligações recebidas.
Melissa, com sua sensibilidade aguçada, sentira algo estranho em seu coração, um aperto inesperado na hora do acidente, e havia telefonado várias vezes para Rogério, sem que ele retornasse as ligações.
Ao atender o chamado do policial, ela ficou por segundos em estado de choque, mas respirou fundo, recompôs-se emocionalmente e ligou para os pais de Rogério, deslocando-se em seguida para o local do acidente.
Rogério estava em estado de choque e não acreditava no que presenciava.
Começou então a sentir uma tremenda revolta com a situação.
Pensou no tanto que se esforçava para seguir o caminho do bem, já que frequentava havia mais de um ano o centro espírita.
Já tinha lido livros, assistido palestras, tomado passes, ajudado as campanhas sociais.
Achou que os guias espirituais, tão falados nas palestras do centro espírita, deveriam ajudá-lo naquele momento em que se sentia sozinho e amargurado por ter que romper com toda a sua trajectória de vida no mundo material.
Estava meio tonto, com dores na cabeça, sentia frio, fome, irritação, e não aparecia ninguém para ajudá--lo no mundo astral.
Rogério estava para se formar em direito, e o pai havia lhe prometido um emprego no Senado Federal, com óptimo salário.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 06, 2018 11:30 am

Ele não aceitava aquele rompimento brusco da carreira, e sua confusão mental e revolta aumentavam a cada segundo.
Começou a xingar alto, gritando contra a injustiça de Deus e a farsa dos guias espirituais.
Logo se aproximaram seis entidades agitadas, zombeteiras e viciadas, que aguardavam Rogério e seus companheiros para a sessão de vampirismo da noite de bebidas, drogas e abusos sexuais.
Eram velhos conhecidos; uma delas fora prostituta e sua amante nos velhos tempos da Prússia de Bismarck.
Em seguida, chegou um emissário das Sombras, a serviço de um mago negro que usava Rogério como um de seus soldados no mundo das formas e que oferecia ajuda ao rapaz, prometendo que o levaria para um local seguro.
Mas, num primeiro momento, ele não sabia de quem se tratava.
Já se passavam mais de cinco horas do acidente.
O carro não estava mais no local, seu corpo estava num necrotério, aguardando os trâmites burocráticos, e os familiares dormiam.
Melissa chorava a todo instante, sem sono, e rezava por sua alma, pedindo a Deus que o guiasse para um bom caminho no mundo espiritual.
Quando se deu conta, Rogério percebeu que as entidades zombeteiras o xingavam por sua atitude imprudente ao volante, deixando que o acidente acontecesse.
Ainda tonto com a situação, pensou em aceitar o convite da entidade astuta para segui-la, juntamente com mais oito guardas, rumo a uma colónia astral das Sombras, mas sentiu um arrepio e ficou em dúvida.
Não sabia se pedia ajuda e desculpas a Deus pelos xingamentos ou se seguia o espírito sisudo vestido de preto.
Nesse instante, interpôs-se entre eles uma luz intensa que afastou todos os presentes.
Era um grupo de enviados das zonas superiores do plano astral que tinham ido resgatar Rogério, a pedido de duas entidades-guias ligadas à Melissa e à mãe dele.
Ocorre que o grupo de luz não poderia avançar em sua missão se não houvesse colaboração e interesse de Rogério em segui-los.
Era necessário disposição pessoal e acção do livre-arbítrio, somada à necessidade de reduzir o grau de revolta interior com o fato ocorrido, pois dessa forma as vibrações de humildade desabrochariam aos poucos.
Ainda que fossem alguns sinais apenas de humildade, ele já poderia receber a ajuda superior.
Se Rogério, porém, mantivesse aquela enorme revolta interior com o facto ocorrido, decorrente do seu forte orgulho, ficaria difícil proceder à ajuda superior.
Ele precisaria ter, além de humildade, disposição em aceitar a ajuda das falanges ligadas ao Cristo.
Uma das entidades então reduziu sua vibração, minimizou a luz que a envolvia, e se fez vibratoriamente no mesmo padrão de Rogério para que pudesse falar com ele, dirigindo-lhe a palavra:
— Meu querido filho, estou aqui em nome de Jesus para levá-lo a um local de repouso, a fim de que se recupere dessa passagem traumática e que possa se restabelecer como espírito seguidor do caminho do bem.
Seres queridos que o amam nos enviaram até aqui para ajudá-lo.
Tenho certeza de que não se arrependerá do amor e da felicidade que o aguardam junto aos que seguem o Cristo.
Nesse instante, a entidade astuta das Sombras emitiu ondas mentais de insatisfação e ódio em direcção a Rogério, que, sem amenizar a revolta instalada em seu coração, as captou, expressando-se assim:
— Não sei quem é você e essas suas palavras doces não reduziram nem um pouco a revolta que estou sentindo neste momento, muito menos as dores de cabeça absurdas que sinto, como se uma lança perfurasse meu cérebro.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 06, 2018 11:30 am

Quero saber por que me tiraram a vida!
Ora, eu estava ajudando um centro espírita, várias famílias carentes, assistia às palestras, tomava passes, fazia tudo o que Melissa me pedia, porque sabia que seria protegido.
E ninguém me protegeu.
Deixaram acontecer o acidente, sendo que eu tinha toda uma vida pela frente.
Só tenho vinte e seis anos, ainda sou jovem.
E agora, como fica a minha carreira, a minha curtição com os amigos?
Eu ia me casar com Melissa; ia provar para os meus amigos que seria capaz de ter um relacionamento sério, mesmo tendo as minhas curtições de vez em quando, e estava quase me formando!
Esse negócio de guia espiritual é uma farsa!
Não é justo o que aconteceu comigo.
A entidade bondosa então lhe dirigiu novamente a palavra:
—Meu filho, tire essa revolta do seu coração, pois ela só lhe traz mais angústia e sofrimento, afastando-o da verdadeira felicidade.
Você não ama sua mãe e Melissa?
Pois foram elas quem pediram ajuda a Jesus para que estivéssemos aqui, a fim de resgatá-lo para um local onde reina o amor e a paz.
Nesse momento, criou-se uma crosta negra de energias em torno de Rogério, junto com a gargalhada da entidade astuta das Sombras, que continuava emitindo ondas mentais e sentimentos de revolta em direcção a ele.
Com essas emissões, ela fazia Rogério lembrar-se dos agradáveis momentos de curtição com sexo, bebidas e drogas que tinha perdido e que poderia obter novamente se optasse por segui-la.
Ao mesmo tempo, pegava alguns resíduos de ectoplasma que guardara num recipiente, colocava nas mãos, soprava em direcção a Rogério, envolvendo-o com vibrações relacionadas com essas práticas, e emitia palavras de convite para segui-lo, repetidas vezes, em tom hipnótico.
Rogério virou-se então para o ser superior e disse:
— É o seguinte, minha irmã, me deixa em paz.
Não venha com esse papo de anjo querendo me enganar, pois estou cansado de ouvir essas conversas só para me afastar do que eu gosto.
Vou aceitar o convite do meu irmão ali, que está me esperando.
A partir daí, os amigos da Espiritualidade Superior não puderam fazer mais nada, pois não se pode interferir no livre-arbítrio.
É preciso esperar que o espírito amadureça um mínimo necessário para receber a ajuda de que necessita.
Ninguém pode ajudar quem opta deliberadamente por não ser ajudado. Rogério estava e ainda está muito ligado ao mundo das Sombras, em razão de sua natureza íntima.
Ainda permanece como optante pelos vícios e maldades.
Terá que encarnar ainda algumas vezes em situações de sofrimento intenso para que amoleça o coração e abra a mente de forma sincera e firme para o lado do bem.
Apesar de sua imaturidade espiritual, o plano superior criou situações, em vidas pregressas e na actual, para que Rogério conhecesse novos rumos de vida.
Colocou almas bondosas em seu caminho, deu-lhe "banhos energéticos" de amor, principalmente por meio de sua mãe e da namorada, tentou resgatá-lo quando encarnado e já no pós-desencarne, e chegou ao limite do auxílio.
É parte da Lei Cósmica respeitar o livre-arbítrio, a menos em casos especiais como, por exemplo, quando o espírito está mergulhado em culpa e não consegue sair da sombra criada por si próprio, ainda que tenha boa índole.
Isso mostra o quanto Deus quer resgatar todos os Seus filhos em direcção à Luz Maior, mas ao mesmo tempo Ele tem paciência com o processo de amadurecimento de cada um e não pode recolher o filho ainda necessitado de crescimento em compreensão e amor.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 07, 2018 11:23 am

Rogério transformou-se num perseguidor de trabalhos espíritas no mundo astral, associado a comandantes das zonas sombrias.
Costuma actuar junto com vários comparsas visando a desestruturar e criar descrédito em grupos espíritas.
Costumam ir aos centros para arrebanhar seguidores da doutrina, de modo que possam cair no caminho do erro, seja pelas noitadas, pelo uso de álcool e drogas ou promiscuidade e orgias.
Aproveitam os momentos em que médiuns e trabalhadores de centros se sentem solitários e incutem em suas mentes ideias e impulsos de noitadas, masturbações, busca de companheiros no mundo da prostituição, boates e bares.
Quando não conseguem esse intento, então levam essas pessoas a segui-los em viagem astral, durante o sono físico, a fim de conduzi-las a locais onde haja viciados nessas energias, e ali usam do ectoplasma dos encarnados e fazem verdadeiras magias negras para satisfazer seus desejos rasteiros.
Por isso, há situações em que muitas pessoas acordam cansadas e sem energia, mesmo depois de uma noite de sono.
Há nessas falanges do mal, das quais participa Rogério, entidades treinadas para criar desavenças nos centros espíritas, aproveitando a imperfeição das pessoas e mobilizando sentimentos de ciúme, inveja, maledicência, busca pelo poder, estímulo ao orgulho e vaidade.
Gostam de jogar energias de intriga em cima dos médiuns e dirigentes que detestam ser contrariados, ou que adoram aplausos ou ser enaltecidos em palestras ou consultas de aconselhamento espiritual:
São médiuns e trabalhadores de centros que não gostam de seguir disciplina e ordem, ou que deixam a frieza mental se sobrepor ao sentimento cristão e à verdadeira prática do bem ao próximo.
Quando encontram dificuldades para adentrar o campo áurico de médiuns e trabalhadores de centros, normalmente essas entidades astutas usam da táctica de criar sentimentos de culpa e desânimo.
Feita a conexão, então usam de artimanhas diversas para levar os mais fracos mentalmente aos descaminhos que desejam, não somente nas horas de vigília, mas principalmente durante as horas de sono, quando os desejos subconscientes se soltam e a vontade fica fragilizada.
O ato errado no início, que pode parecer insignificante, com o passar do tempo será cada vez maior, assim como uma recta que se afasta do eixo central à proporção que o tempo passa, sob o argumento:
"Ah, bobagem, isso não é nada, é uma coisinha de nada!
Ah, é só hoje!".
Quando a pessoa menos espera, já está sob o domínio das forças inferiores.
Só a vontade firme e determinada no caminho do bem, da harmonia e equilíbrio interior poderá vencer essas intervenções negativas durante o sono físico.
Outra estratégia que essas entidades infelizes adoptam é a de afastar os membros das casas espíritas do caminho do auto-conhecimento e da auto-renovação.
Estimulam o pensamento de que ajudando o próximo já terão cumprido seu papel espiritual e então poderão seguir seus caminhos em curso, sem que haja necessidade de imprimir esforços para auto-observação e transformação de sentimentos e pensamentos impuros.
É importante estar-se atento a essa postura, pois fugindo do contacto consigo mesma a pessoa estará longe de vencer seus vícios e imperfeições.
Dessa forma, essas entidades infelizes manterão a sintonia de que precisam durante o sono físico, principalmente para continuar com a vampirização de ectoplasma e processos magnéticos de obsessão e domínio, fazendo conexões exactamente sobre os impulsos vivenciados inconscientemente ou sem o propósito de modificá-los através do trabalho de auto-transformação.
É preciso que o ser humano busque ajudar-se, fazendo sua auto-reflexão e auto-educação sobre o que pensa, sente e como age.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 07, 2018 11:23 am

Quando Jesus afirmou que devemos amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos, estava convidando o ser humano a dar prioridade à vida espiritual, ao mesmo tempo amando-se (e para isso é indispensável o auto-conhecimento e a renovação íntima, sob risco do amar a si próprio tornar-se uma postura íntima de egoísmo e egocentrismo) e amando ao próximo (evidentemente que servindo-o incondicionalmente, ajudando-o material e sobretudo espiritualmente, mas também compreendendo-o, tolerando as imperfeições do próximo e perdoando-o quando se sentir agredido).
A luta do bem contra o mal se expande no actual momento planetário; por isso há de se redobrar no "orai e vigiai".
Se por um lado os seguidores do Cristo aumentam em número, ao mesmo tempo as hordas do mal se organizam para ampliar suas acções estratégicas e aumentar seus seguidores.
Não podemos desistir, e, por isso mesmo, temos que nos aprimorar a cada dia, buscando ser mais esclarecidos e firmes no propósito do bem, porque estamos sendo exigidos cada vez mais no serviço abnegado de caridade, sem esquecer do não menos importante trabalho de renovação íntima.
A evolução não dá saltos e por isso não esperamos seres perfeitos e impecáveis, seja no mundo astral ou no físico, mas pelo menos que se apresentem cidadãos do Universo dispostos a recomeçar sempre, a melhorar continuamente e a se reerguer para o Alto, sem culpas e sem apegos a um passado que dia a dia tenta rendê-los.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 07, 2018 11:23 am

VII - Desviando o real sentido da caridade:
o que de facto Kardec intencionou dizer
Jacinto era um menino pobre, morador de um morro da cidade do Rio de Janeiro.
Viveu em condições materiais de muita dificuldade.
Filho mais velho; chegou a passar fome; vendeu doces nas ruas para ajudar a mãe, que sozinha sustentava sete filhos, pois havia se separado do marido beberrão, violento e desinteressado por trabalho.
Vários dos amigos de infância de Jacinto se tornaram assaltantes, assassinos, contrabandistas ou traficantes de drogas.
Era inegável o esforço que fazia para estudar, muitas vezes sentindo fome e desdobrando-se para prestar atenção às aulas.
Uma de suas professoras, Marta, que era umbandista, o admirava pela luta que empreendia para vencer os desafios de sua dura vida na favela.
Certo dia, Marta convidou Jacinto, que já era um adolescente de dezasseis anos, para junto com a mãe, fazer uma consulta num dia de trabalho espiritual.
Maria e Jacinto gostaram muito dos passes de limpeza e dos conselhos recebidos do preto-velho; tomaram os banhos de ervas que lhes foram prescritos e começaram a fazer preces no lar.
Sentiram o quanto melhorou a vida deles.
No entanto, certa vez, Jacinto percebeu que no geral a luta diária continuava a mesma e que a principal mudança que lhe acontecia desde que começara a frequentar o centro de umbanda tinha sido na forma como eles passaram a encarar a vida e a observar que oportunidades surgiam em seus caminhos e que nem sempre eles atentavam para isso.
Eram visíveis os avanços na descoberta do mundo espiritual, com reflexos bastante positivos nos demais membros da família.
Com os estudos atrasados, mas nem por isso desistindo de melhorar de vida, Jacinto atingia os vinte anos ainda no segundo ano do ensino médio.
Trabalhava como office-boy desde os dezasseis anos, num escritório de contabilidade no centro da cidade.
Naquele ano, seria promovido a escriturário, graças ao seu esforço individual e senso de responsabilidade.
Maria continuava vivendo de bicos.
Fazia faxinas, vendia doces e ainda se desdobrava nos afazeres domésticos, sempre contando com a ajuda da segunda filha mais velha, Clara, que cuidava dos meninos mais novos, desde tenra idade.
Por isso, com o que ganhava de salário, Jacinto tinha que contribuir para as despesas do lar e ainda bancar as despesas de seus estudos.
As idas ao centro de umbanda faziam parte da rotina da família, bem como as missas aos domingos.
Jacinto tinha muita força de vontade e um enorme desejo de melhorar de vida, ter um bom emprego, tirar a família da favela, comprar um carro e constituir família.
Desde adolescente paquerava Teresa, uma vizinha com quem construíra uma bela amizade e iniciara namoro aos vinte e um anos.
Passou-se o tempo, ele se formou em técnico de contabilidade e desejava fazer faculdade.
Por isso, começou o cursinho pré-vestibular.
Fizera amizade com Paulo, um colega de trabalho que frequentava um centro kardecista e que lhe emprestara diversos livros espíritas.
Apaixonou-se pela doutrina espírita e começou a frequentar o centro do amigo, mas de vez em quando ia ao centro de umbanda para receber conselhos do preto velho.
Aos vinte e três anos, começou o curso superior e mudou de emprego.
Por indicação de Paulo, passou a trabalhar numa grande empresa de comunicação.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 07, 2018 11:23 am

E, graças ao seu impecável desempenho profissional, um pouco antes de completar vinte e nove anos, além de formar-se em contabilidade, recebeu promoção no emprego e deu um salto acentuado na faixa salarial.
Um ano depois, dava entrada na compra de uma casa simples, em bairro próximo à favela onde morava, e logo mudaria para lá com toda a família.
Foi um verdadeiro pai para os irmãos menores, sempre apoiando a mãe, já com saúde frágil.
Os anos frequentados no centro kardecista e de umbanda despertaram nele fugazes ideais relacionados com a importância de fazer-se caridade.
Sua própria vida de luta, e em torno de pessoas muito necessitadas, o fez perceber que precisava ajudar de alguma forma os mais carentes.
Aos trinta e cinco anos, já com a vida estabilizada, tendo ajudado e encaminhado os irmãos, todos empregados dignamente, Jacinto, que há anos havia terminado o romance com Teresa, iniciou namoro sério com uma colega de trabalho, sete anos mais nova que ele.
Pessoa determinada, inteligente e ambiciosa por ganhar dinheiro, Vânia viria estimular o lado materialista de Jacinto, apesar de ele continuar frequentando o centro espírita, já ministrar passes e apoiar diversas actividades espirituais.
Ele fora um dos precursores das actividades de assistência social aos mais carentes do bairro.
Aos trinta e nove anos, com pós-graduação em contabilidade, profissional respeitado na empresa, Jacinto era muito bem pago e conseguira comprar um apartamento para morar com Vânia, com quem logo se casaria.
Firmes no propósito de crescer materialmente, até por entenderem que para ajudar os mais carentes precisavam ter mais condições financeiras, esse espírito capitalista também seria levado às comunidades carentes com as quais trabalhavam em acções comunitárias.
De facto, realizaram um bom trabalho nesse sentido, com colaboração de vários colegas do centro:
levaram vários cursos profissionalizantes às localidades mais necessitadas, deram palestras, encaminharam muitas pessoas ao caminho do bem e do trabalho profissional digno.
Nesse contexto, entretanto, o casal e os demais colegas do centro se fixaram muito no aspecto material, e vez por outra passavam princípios e conceitos cristãos e da doutrina espírita, o que de certa forma já representava um bom trabalho.
Mas a abordagem que levavam às comunidades estimulava demasiadamente o espírito competitivo e não cooperativo entre todos, que aliás era reflexo do que Vânia e Jacinto pensavam e exemplificavam.
O casal teve dois filhos, João e Cristina, na sequência de dois anos.
Poderíamos afirmar que, do ponto de vista convencional e até materialista, era um casal feliz e de sucesso, especialmente se fosse analisada a origem humilde de ambos, principalmente de Jacinto, que viera de condições bem mais difíceis que Vânia.
Os anos se passaram e Jacinto já ultrapassava a faixa dos cinquenta.
Quando podia encaixar alguma actividade à sua rotina, vendia produtos cosméticos de uma rede estrangeira famosa juntamente com Vânia, como forma de captar mais recursos financeiros para a família.
Essa empresa usava a logística de rede em suas vendas e favorecia aquele que vendesse mais e que multiplicasse o número de novos vendedores.
Graças à boa capacidade de comunicação e vendas de Jacinto e Vânia, ambos amealharam vultosos volumes de dinheiro.
A ocupação maior do tempo com actividades materialistas e certa obsessão por ganhar dinheiro fizeram com que ele não se aprofundasse em suas buscas espirituais e o fizeram acomodar-se às rotinas superficiais do centro.
De facto, ele vinha se empenhando em ajudar o próximo, o que era um bom reflexo de tudo o que passara na vida, em termos de dificuldades, mas esqueceu-se de que nem só de pão vive o ser humano.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 07, 2018 11:24 am

Era necessário que compreendesse profundamente que o caminho espiritual não pode ser trilhado com intentes exclusivos de cunho material.
É válido pensar que a humanidade precisa cada vez mais imprimir um sentido espiritual ao mundo material, porém não se pode dar ênfase quase exclusiva ao lado material da vida, nem esquecer que é indispensável alimentar o espírito com o trabalho de autoconhecimento e auto-renovação, além de procurar ensinar ao próximo por meio dos bons exemplos de humildade, boa vontade, paciência, tolerância, simplicidade, perdão, desapego e fé.
Jacinto tinha bons sentimentos, de altruísmo e compaixão, no aspecto material; todavia, não trabalhava outros aspectos do sentimento e dos impulsos que eram bastante fortes em seu íntimo.
Era muito apegado a coisas materiais e ao dinheiro; havia muita vaidade e orgulho que lhe transbordava da alma; era extremamente impaciente com situações adversas, e intolerante com a lentidão ou forma de ser diferente das pessoas que lhe cruzavam o caminho.
Jacinto precisava não fugir das possibilidades de trabalhar factores inerentes ao seu mundo interior.
Somavam-se a isso os descuidos em relação à sua saúde física. Comia de tudo e de forma compulsiva.
Gostava de tomar cerveja em excesso e de comer churrascos gordurosos nos finais de semana.
Durante a juventude, dava suas saídas à noite com amigos, e só não foi mais farrista porque não dispunha de recursos financeiros, que naturalmente lhe impuseram limites aos desvios das noitadas cariocas durante a juventude.
Após estabilizar-se financeiramente, aproveitava a nova situação económica, de mais abundância, para dar umas escapadinhas de vez em quando para beber com os amigos nos bonecos da cidade, e aproveitava para curtir o restante da noite com mulheres que vendiam o corpo, sempre falando à esposa que estava actualizando as conversas regadas a cerveja com os amigos e parceiros de negócios na área de vendas.
Para compensar as saídas ilícitas com outras mulheres, levava a esposa para noitadas de samba em alguns fins de semana.
O casal, especialmente
Jacinto, levava uma vida intensa, calcada no mundo material.
De vez em quando, retornava ao velho centro de umbanda que frequentara no passado, com o intuito de fazer consultas espirituais sobre suas conquistas profissionais, e não raras vezes recebera conselhos para deixar de lado as escapadas nocturnas e dedicar-se mais à esposa e aos filhos, bem como às buscas espirituais, embora fizesse ouvidos moucos quanto a essas questões.
Jacinto achava que já estava cumprindo seu papel no campo espiritual com tudo o que fazia no centro e nas actividades assistenciais.
Aliás, reduzira substancialmente os encontros para as acções sociais, ao delegar a outros companheiros a maior parte das tarefas que lhe cabiam no que tangia à coordenação de algumas actividades e à realização de palestras, embora continuasse auxiliando nas doações de dinheiro.
A cada dia acentuavam-se os desvios nas noitadas.
Por diversas vezes, recebeu livros interessantes de Paulo e de outros conhecidos que cruzavam o seu caminho.
Não por acaso, eram obras intuídas por amigos do plano espiritual, que deveriam levá-lo ao estudo de temas que o fizessem deixar de lado os excessos do mundo material e começasse a trilhar sua busca interior.
De algumas delas, Jacinto chegou a abrir apenas as primeiras páginas, mas não deu seguimento a leitura.
Apesar da avalanche de livros que a Espiritualidade fazia chegar às suas mãos, ele os colocava numa bela estante para enfeitar a sala e mostrar aos visitantes o quanto apreciava as boas obras, alimentando assim sua vaidade e não absorvendo os ensinamentos que elas continham.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 07, 2018 11:24 am

A consciência superior que habita a intimidade de toda alma certamente cobrará mais daquele que muito recebeu, em termos de oportunidades de informações e conhecimentos, inclusive por recusar-se a aceitar o que lhe foi oferecido.
Não que Jacinto fosse uma má pessoa, longe disso!
Era bom cidadão, responsável no campo profissional, ajudava a família e tinha preocupações sociais que o fizeram realizar boas obras.
Entretanto, durante toda a sua vida fugiu de si mesmo.
Certo dia, já com cinquenta e seis anos, sofreu um princípio de enfarte e foi levado às pressas para o pronto-socorro.
Após ser medicado e um mês depois de ter passado por uma cirurgia de ponte de safena, retomou a sua vida normal, tendo de seguir uma dieta rígida, sem carne vermelha, sem bebidas alcoólicas, com descanso, e fazendo suas caminhadas diárias.
Por força das circunstâncias impostas pela vida desregrada que levara até então, foi forçado a vivenciar situações que favoreceriam a sua busca interior.
Como profissional responsável que era no trabalho, sua dedicação na empresa continuava firme e determinada; todavia, ultrapassava o estágio de equilíbrio não delegando certas tarefas e centralizando tudo sobre si, mais do que poderia executar, o que lhe causava contínuo e intenso estresse.
Além do mais, de vez em quando dava suas escapadinhas às escondidas em busca de mulheres e de umas bebidinhas.
Os momentos de reflexão e o início da busca do autoconhecimento e auto-renovação não viriam a ocorrer.
Ele continuava fugindo de si mesmo e depositava nas zonas subconscientes sentimentos de culpa pelos desvios da vida e grandes doses de vaidade e orgulho, pois não admitia que qualquer amigo ou parente falasse sobre sua conduta.
Continuava sendo mais cómodo para Jacinto jogar seus desvios morais para debaixo do tapete e encobri-los com acções assistenciais e aparentes ou actividades espirituais superficiais no centro espírita.
Dois anos depois, ele seria visitado pelo desencarne, após uma parada cardíaca, chegando ao mundo espiritual em condições lamentáveis.
Quando se perde a protecção física dada pelo corpo, no desencarne, ou até mesmo durante o sono físico (quando o perispírito se descola do corpo material), o espírito vaga por regiões astralinas condizentes com o que pensa e sente, num processo natural e espontâneo de atracção.
Somam-se a isso certos impulsos ou apegos do espírito, que poderão atraí-lo para o convívio de encarnados e desencarnados que adoptam pensamentos e sentimentos similares.
Mas é ao desencarnar que o espírito sentirá os efeitos desses impulsos e sentimentos aumentados muitas vezes, ou seja, a força que virá de dentro de si, sem o amortecimento ou drenagem que o corpo opera, será tremendamente maior, a ponto de o espírito mentalmente mais frágil ter pouco ou quase nenhum controle sobre si mesmo, ficando alvo fácil para a acção de desencarnados inteligentes, com grande poder mental, e mal-intencionados.
No caso daqueles que foram espíritas no mundo físico, poderão ser atraídos para diversas regiões astralinas, superiores, medianas ou até inferiores; e o facto de se juntarem a bons ou maus agrupamentos do Astral vai depender do que há no mundo interior de cada um.
Há várias regiões, especialmente do Astral inferior, a que poderíamos denominar de Vale dos Espíritas, pois são zonas para onde muitos dos praticantes da doutrina espírita são atraídos ao desencarnar ou mesmo quando ainda estão no corpo, nos momentos de sono físico, quando se deslocam em viagem astral.
Há, porém, alguns desses vales que são zonas de maior porte, constituindo-se em verdadeiras cidades ou vilas, para onde se desloca um maior número de espíritos por mera atracção de afinidades, normalmente apoiados no orgulho, vaidade e sentimento de culpa.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 07, 2018 11:24 am

São locais para aqueles que reclamam de tudo, xingam, fazem reivindicações descabidas, adoptam certas posturas de cobrança a Deus e aos trabalhadores do plano espiritual.
Na geografia astralina localizam-se, via de regra, perto de grandes cidades onde há muitos praticantes da doutrina espírita e em zonas de convergência energética do Astral, onde há certos planeamentos de espíritos superiores que escapam ao conhecimento dos que habitam essas zonas.
Esses planos estão relacionados com propostas de resgate de entidades que, após passarem por estágios de drenagem psíquica nessas localidades, alcançam um mínimo de condições mentais-emocionais para serem levadas para locais de recuperação.
Próximo a um desses vales, um grupo de entidades inteligentes, mas ainda movidas por grandes impulsos de orgulho e vaidade, construiu uma pequena vila que aos poucos se transformou em cidade astral, a qual denominaram de Cidade dos Nobres, pensando que ali habitariam espíritos inteligentes, oriundos da nobreza da Terra.
Por trás dessa denominação, há evidente indício de recalque por parte dessas entidades desejosas de viver eternamente mergulhadas na luxúria, nos prazeres, e alimentando a vaidade e orgulho.
No fundo, essa cidade está se tornando um local que atrai desencarnados com certo grau de inteligência, contudo maquiavélicos e extremamente apegados ao poder e à vaidade, orgulhosos em seu desejo de dominar outros espíritos e, em muitos casos, de satisfazer impulsos inferiores do instinto, criando artimanhas, a fim de roubar ectoplasma e realizar actividades diversas para retroalimentar esses desvios morais.
O ambiente por lá está ficando pesado, em termos energético-astrais, e a cada ano se rebaixa mais um pouco em direcção às zonas inferiores do Astral, estando geograficamente próxima à fronteira das zonas infernais.
Os líderes da Cidade dos Nobres ainda não se deram conta de que o local está inserido num grande plano das Sombras para absorvê-lo.
Existem magos extremamente inteligentes que elaboraram planos diabólicos, há milhares de anos, para dominar a Terra.
Eles monitoram os passos de grupos e entidades que lhes interessam como futuros comparsas ou "escravos" astrais.
Todos eles se apoiam nas energias do egoísmo, vaidade e orgulho.
Esse mesmo orgulho que cria artimanhas dentro do mundo interior de cada alma, de modo que essas imperfeições desenvolvam os seus caminhos abismais.
Somente os primeiros sinais de humildade sincera serão capazes de salvar esses espíritos da submissão a tais mentes diabólicas.
Na verdade, a submissão está intimamente atrelada à submissão de cada ser ao seu próprio orgulho.
Relembrando o velho ditado popular de que "Deus escreve certo por linhas tortas", de facto essas zonas, vales ou colónias astrais do Umbral, são paragens intermediárias e de drenagem psíquica de espíritos que chegam ao mundo astral carregados de vícios ou toxinas e que necessitam ser estimulados, pelo sofrimento ou situações incómodas da vida, a descobrir a humildade dentro de si, a desejar sinceramente encontrar Deus e um mundo melhor, onde haja paz, amor e harmonia.
Os dirigentes dessas localidades astralinas geralmente são os mais difíceis de se dobrar no orgulho, e quase sempre acabam se envolvendo com entidades inteligentes e diabólicas que pretendem expandir o domínio no mundo astral e aumentar a influência sobre o mundo material, com projectos que vêm desde os velhos tempos da Atlântida.
Ao chegar ao plano espiritual, Jacinto já era esperado por um grupo de socorristas das regiões superiores que o levariam para uma casa de recuperação próxima ao Vale.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 07, 2018 11:24 am

Entretanto, eles precisavam de condições básicas para fazer o resgate, ou melhor que ele demonstrasse um mínimo de humildade e necessidade de auxílio do Alto, mesmo estando repleto de sentimentos de culpa.
Simultaneamente, havia um grupo da Cidade dos Nobres deslocando-se para o Vale dos Espíritas, a fim de resgatá-lo, pois identificavam nele um espírito com potencial de grande colaborador; aliás, de quem muito haviam “roubado" ectoplasma quando ainda em vida, por meio de alguns "soldados" daquela região astralina.
O desgaste físico durante sua estada na carne, sua luta recente com os problemas renais, hormonais, cardíacos e digestivos, principalmente nos últimos vinte anos, lhe provocara certa debilidade energética.
Desse modo, Jacinto chegara apenas semi-consciente ao mundo astral, sujeito a ser manipulado por entidades maléficas que transitam no Umbral e, como urubus a espera de carniça, ficam à espreita daqueles que estão desencarnando para sequestrá-los, roubar-lhes o resto de ectoplasma de que dispõem e depois escravizá-los nas zonas infernais.
Jacinto corria perigo.
Apesar de, em muitas situações, ter ajudado pessoas no centro espírita, com segundas intenções, possuía sensibilidade humanista, e as ajudas prestadas às comunidades carentes lhe geraram muitos créditos e pedidos de entidades bondosas do mundo astral.
Embora estivesse apenas semiconsciente, tinha no fundo a esperança de ser ajudado por entidades amigas.
Mas, por causa do alto grau de sentimento de culpa que trazia dentro de si, preferiu esconder-se de Deus e de sua consciência, mergulhando num estado de fuga à ajuda externa, por achar-se incapaz e não merecedor do auxílio das falanges do bem.
Essa postura mental se reflectiu no seu perispírito, que assumiu a forma fetal do bebé inseguro, frágil e necessitado de permanecer protegido pela mãe, constituindo-se em alvo muito fácil para os "urubus" do Umbral o sequestrarem.
Aquela que fora sua mãe no mundo físico, já desencarnada havia quase dez anos, estava no grupo de entidades benfeitoras que ali se encontravam para ajudá-lo.
Ao ver sua situação, teve o velho impulso e emoção de mãe e, aos prantos, desejou intervir no processo de Jacinto, mas foi contida pelo guia do grupo, pois havia necessidade de adoptar-se certo procedimento emergencial naquele instante.
Imediatamente Jaime, o líder do grupo socorrista, fez uma prece profundamente sentida e pediu a Jesus que os guiasse e os fortalecesse naquele instante.
Uma luz verde-dourada, com riscos brilhantes de cor lilás, desceu sobre o grupo, que fechou uma corrente em torno de Jacinto, criando um campo magnético protector para seu perispírito, evitando que ele fosse levado pelos malfeitores.
Jaime aplicou-lhe jactos de energia tranquilizadora e ele adormeceu.
Em seguida, o grupo, com a ajuda de dois caboclos fortes, carregou-o até uma casa de recuperação relativamente próxima do local onde se encontravam.
Caminharam por aproximadamente vinte minutos e chegaram até a porta da Casa Luz de Maria, cercada por altos muros e por uma intensa barreira magnética.
Dona Celeste já os esperava na entrada, e, após rápidos e cordiais cumprimentos, surgiu um grupo de auxiliares da Casa para levar Jacinto até um lugar de repouso, no qual ele permaneceu em sono profundo por três dias, após receber várias sessões de passes, um banho magnético para dispersar os miasmas, e muitas preces.
Ao acordar, Jacinto encontrava-se com o coração apertado de saudade, porque tinha sonhado com os familiares, especialmente com a mãe, a esposa e os filhos.
Aquela que foi sua genitora na Terra estava sempre presente no recinto onde ele se recuperava, em atitude de prece e pedindo a Deus que o ajudasse a se recuperar o mais breve.
Os filhos e a esposa, entretanto, não paravam de chorar e chamá-lo mentalmente, num coro de lamentações.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 07, 2018 11:24 am

É compreensível pensar-se na pessoa que se afastou temporariamente e sentir saudade pelos bons momentos de convívio.
Contudo, torna-se patológico manter por muito tempo esse padrão de pensamento e sentimento de apego, a ponto de trazer egoística e mentalmente o recém-desencarnado para perto de si, o que costuma ser prática convencional entre os humanos, principalmente os mais desinformados sobre a vida espiritual.
Tal quadro conectava Jacinto aos seus familiares, provocando-lhe jactos imensos de saudade, o que não era salutar.
Nestor, companheiro de dona Celeste nos cuidados da Casa de Recuperação, percebendo a situação, imediatamente fez uma prece e pediu socorro aos planos superiores para que entidades benfeitoras fossem até a residência da família de Jacinto dar assistência àquelas pessoas em estado de profunda angústia e apego.
Em menos de uma hora chegava um grupo de cinco entidades missionárias à residência da família de Jacinto.
Eram quase onze horas da noite, todos já se preparavam para dormir e, no entanto, não tiravam Jacinto da mente, a cada passo ou movimento que realizavam.
O grupo de missionários então aplicou vários passes sobre eles, fazendo movimentos circulares e certas posturas, como se utilizassem uma tesoura astral de cor lilás que cortava os fluidos de conexão que havia entre cada um deles e Jacinto.
Era impressionante, pois, cada vez que desconectavam um dos cordões magnéticos, a esposa de Jacinto o recriava mentalmente, refazendo a conexão, e ainda falava para os filhos, em plena adolescência e profundamente sensibilizados com a ausência paterna:
— Queridos, não deixem de mandar boa noite para o pai de vocês que só saiu daqui, mas, como vocês sabem, continua vivendo em espírito.
Lembram da mensagem que lemos ontem no livro?
Pois é, durante o sono físico a gente se desprega do corpo e faz viagens astrais, e é nessa hora que a gente vai se encontrar com Jacinto.
Pensem firmes nisso e peçam a Deus que todos nós juntos possamos ir ao encontro dele.
Jacinto estava precisando de descanso nos dias em que permaneceu em estado letárgico, passando por intenso tratamento espiritual, com a ajuda de enfermeiros da Casa de Recuperação.
Já se passavam sete dias do seu desencarne e o processo de desconexão energética ainda não tinha sido concluído.
Assim, essas "puxadas” magnéticas da família dele prejudicavam o trabalho, refazendo conexões já desfeitas.
O grupo de missionários resolveu deixá-los adormecer e mudaram de estratégia.
Esperaram os três na saída de seus corpos astrais, criando uma forte barreira magnética para que fossem impedidos de um desdobramento até o local onde Jacinto se encontrava.
Naquele momento, Francisco António, o guia do grupo, atraiu os três para o centro da corrente daquela pequena falange e lhes falou firmemente, mas cheio de doçura:
— Meus queridos filhos de Deus, é chegada a hora do desligamento total de suas mentes do coração de Jacinto.
Ele precisa seguir seu rumo espiritual e vocês necessitam dar continuidade às suas vidas no mundo terreno.
Tenham fé, pois Deus jamais abandona Seus filhos.
Jacinto está bem, muito bem assistido pelas falanges do Cristo.
Não queiram vocês ir cuidar dele; cuidem de si, pois há muito o que fazer no campo material, como por exemplo buscar melhorar a educação de João e Cristina.
Isso sim, preocuparia Jacinto!
Vocês podem fazer mais por ele, buscando uma escola melhor.
E você, Vânia, dando mais atenção e cobrando mais disciplina dos meninos sobre o tema educação.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 07, 2018 11:25 am

Sabemos que é justo e compreensível sentir saudade dos nossos entes queridos.
O facto de vocês precisarem desligar-se de Jacinto não significa que, de vez em quando, não possam pensar carinhosamente nele e até fazer-lhe visitas durante o sono físico.
Todavia, desencarnar é uma viagem energética longa e por vezes cansativa, exigindo repouso por algum tempo.
Tenham compaixão dele, mostrem o amor de vocês a ele neste momento.
Deixem-no recuperar-se, e quando estiver bem comprometo-me a levá-los até ele, com a graça de Deus e permissão dos nossos mentores.
Agora vamos levá-los para um campo de preces e ligação com as falanges cristãs que vão lhes dar banhos magnéticos para limpar esses miasmas, fortalecer-lhes o espírito e prepará-los mental e emocionalmente para um novo momento na vida.
Que a fé em Deus se fixe no íntimo de cada um e os encha de alegria e paz.
Vânia conhecia bem os princípios e conceitos do espiritismo.
Aliás, lia bem mais que Jacinto e costumava ensinar aos filhos sobre esses conhecimentos do mundo espiritual.
Gostava de ler romances espíritas e, não raras vezes, lia em voz alta para João e Cristina ouvirem.
Esse aprendizado ajudou muito na compreensão e descolamento magnético entre ela e Jacinto, pois as informações estavam armazenadas no seu subconsciente e foram despertas pelas palavras de Francisco António.
Após esse trabalho dos amigos da Espiritualidade, Jacinto se encontrava livre das pressões magnéticas que o atraíam em pensamento, e também do sentimento de saudade dos familiares mais próximos.
Se esse trabalho de desmagnetização não fosse feito logo, o quadro redundaria em deslocamento e encontro astral entre eles, só que em condições não salutares, pois tanto Vânia quanto os meninos seriam naturalmente atraídos a Jacinto, e vice-versa, para um encontro na grota do sofrimento e lamentações no Umbral, nos arredores da Casa de Recuperação, onde está inserido geográfica e energeticamente o maior vale dos espíritas.
Quando pensava-se que tudo estava sob controle e que Jacinto poderia então começar um trabalho mais consciente e profundo de desintoxicação mental-emocional, eis que aconteceu o inesperado para todos na Casa de Recuperação.
Habilmente encontrada no plano astral e mobilizada por um grupo de entidades da Cidade dos Nobres, evidentemente por orientação de mentores daquela zona umbralina que viam em Jacinto um grande colaborador, uma bela jovem desencarnada após um acidente de carro, havia pouco mais de um ano, que durante a vida física fora garota de programa e costumava acompanhá-lo em algumas de suas noitadas regadas a bebida, foi levada até à porta da Casa de Recuperação.
Lá eles fizeram um trabalho de conexão mental com Jacinto, levando a jovem desencarnada a relembrar os bons momentos do passado, as energias de prazer que se desenrolavam entre eles e, em seguida, enviaram a mensagem telepaticamente, com a ajuda do grupo que usava um aparelho de potencialização magnética dessa mensagem, enriquecida com doses de sensualidade intensa, exactamente para atrair o que eles sabiam que era um dos pontos fracos de Jacinto.
Ele estava sentado, pensativo sobre o que poderia esperar no tratamento que iria começar, e eis que lhe veio à mente, aparentemente do nada, a lembrança de Márcia, com quem costumava sair em noitadas, no auge dos seus trinta e poucos anos. Junto com a lembrança, veio uma profunda saudade daqueles momentos de prazer.
A conexão entre eles foi automática, e a garota estava sendo orientada a mentalizar, emanando energias de prazer sexual em direcção à cabeça, às zonas inferiores do corpo perispiritual de Jacinto, e aos vórtices de energia onde se localizavam os chacras frontal, umbilical e básico.
Jacinto ficou tomado por aquelas energias, mas logo em seguida pensou que deveria esquecer aquele passado, deixar de lado tais pensamentos e voltar a concentrar-se no trabalho de desintoxicação magnética e reeducação que estava prestes a ser iniciado.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 08, 2018 10:29 am

Ele estava sendo testado para que decidisse realmente o que queria da nova vida astralina.
Em seguida, um dos membros do grupo iniciou novo bombardeio de ideias em direcção a Jacinto e enviou novas mensagens telepáticas, igualmente usando o aparelho potencializador magnético.
Francelino, um velho primo de Jacinto, que quando em vida física era seu companheiro de noitadas, fazia parte do grupo.
Eles se davam muito bem.
Havia muito carinho entre ambos, pois no passado já tinham sido irmãos consanguíneos.
Francelino então fez ligação afectiva com Jacinto, fazendo-o lembrar-se dos bons momentos de curtição juntos nas noites cariocas.
Fez Jacinto lembrar-se de que fora um profissional de sucesso, na área de contabilidade de uma famosa empresa de comunicações; que tinha saído de baixo e vencera na vida; que era inteligente e vencedor; e que não podia ficar naquele lugar enclausurado como um molambo empobrecido, ligado a entidades fracas, sem orgulho próprio e sem ambição, pois havia um vasto mundo astral a ser conquistado.
Mais uma vez, ele sentiu-se tocado por aqueles pensamentos que imaginava serem seus.
Em seguida, um novo bombardeio de sensações era emanado por Márcia.
Jacinto então ficou indeciso por alguns segundos, entre ficar e construir uma nova vida espiritual ou seguir aquelas entidades apegadas aos vícios e sentimentos mundanos de vaidade, orgulho, paixões inferiores.
Vivia um verdadeiro dilema, e ninguém poderia interferir no seu livre-arbítrio.
Estava sendo bombardeado por pensamentos e magnetismo inferiores, mas, por outro lado, encontrava-se imerso num ambiente de recuperação espiritual protegido.
Ao mesmo tempo, estava em contacto consciente com suas imperfeições íntimas e com seu lado consciente superior.
Esse conflito deveria ter sido vivenciado na carne, em momentos de meditação.
Eram o joio e o trigo dentro de si, expostos:
um quadro do qual sempre fugira, quando encarnado.
Em algum momento de sua existência era preciso tomar consciência de que havia aspectos inferiores que precisavam ser trabalhados internamente, bem como deveria retroalimentar com coragem e firmeza de propósito os aspectos superiores que já habitavam sua intimidade.
Era preferível ter enfrentado isso nos tempos de encarnado, quando as dores psíquicas seriam menores e a pressão vibratória inferior seria amortecida e drenada pelo corpo físico, pois naquele instante, no mundo astral, essa pressão iria dominar-lhe o ser, ainda sem forças superiores necessárias para combater suas próprias mazelas, retroalimentadas por emanações de irmãos desequilibrados.
Como num processo hipnótico, Jacinto levantou-se e seguiu em direcção à porta de saída da Casa de Recuperação para seguir os passos errantes das entidades desequilibradas que o aguardavam do lado de fora, e que não adentraram o local porque havia uma barreira magnética protectora.
Deixara-se tomar pelas energias inferiores que lhe vibravam com mais intensidade no íntimo do ser.
O desencarne era muito recente, as influências vibratórias dos tempos em que habitava um corpo denso ainda eram muito fortes.
O contacto com suas imperfeições, por meio da reflexão, da auto-observação e vigilância, durante o período em que estava encarnado, teriam lhe propiciado o desafogamento da pressão psíquica; teriam lhe permitido avaliar com mais tranquilidade aspectos como vaidade e apegos a vícios inferiores, e direccionado a essas imperfeições banhos de consciência superior que já lhe habitavam o ser e que adquirira com as leituras e ensinamentos durante a vida física.
Sem a protecção do corpo físico para amortecer as densas vibrações daquelas entidades perdidas, o bombardeio energético foi intenso e Jacinto encontrou eco para essas vibrações em sua intimidade.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 08, 2018 10:29 am

É importante salientar, mais uma vez, que o facto de a criatura ter tomado contacto com suas mazelas íntimas não significa que já tenha mudado.
Longe disso!
Contudo, já estará dando os primeiros passos para a autotransformação e iniciando o auto-conhecimento.
Depois virá o segundo passo, que é o de imprimir força interior para gerar conscientização, banho de luz e sensibilização dos aspectos a serem transformados.
Quando esses exercícios são feitos com a pessoa ainda encarnada, é menos doloroso do que quando ela já está no plano espiritual.
Isso não quer dizer que será fácil, em qualquer das situações.
Toda mudança interior exigirá sempre a aplicação da força de vontade.
No Universo, para que ocorra dinamismo, é preciso que haja a força do trabalho.
Isso é princípio científico; é lei da física.
Não há dinamismo, vida e pulsar evolutivo sem movimento, o qual não existe sem a aceleração inicial que exige esforço para passar do estado de inércia ao estado de movimento.
Apesar da ajuda recebida durante o seu desencarne, e dos inúmeros pedidos de auxílio advindos de almas encarnados e de desencarnados, que aconteceram certo momento, não foi possível avançar mais em direcção ao resgate de Jacinto, pois o plano espiritual superior respeita o livre-arbítrio, a vontade e opção de cada um.
No momento, ele se encontra engajado nas falanges apegadas aos impulsos inferiores que servem à Cidade dos Nobres.
Jacinto e outras entidades muito inteligentes ligadas àquela cidade umbralina estão construindo um complexo duto, atrelado a vários aparelhos que sugam ectoplasma de seres encarnados (plasmaduto).1
A cada dia torna-se mais intensa a tentativa das entidades negativas e inteligentes de arquitectar mecanismos e técnicas para dominar o mundo astral e o físico.
Com isso, aprimoram constantemente formas de captar bioplasma, ectoplasma, e de criar processos de conexão mental e de escravização de encarnados e desencarnados.
Tem sido muito comum a instalação de chips em certos chacras (não apenas nos principais, pois existem bem mais que os sete mais importantes), para interceptar a conexão entre os corpos mais subtis e os mais densos, ocasionando aos encarnados muitas doenças ou desequilíbrios orgânicos e mentais-emocionais.
Com essa conexão, criam influências mentais a distância, transformando as pessoas em verdadeiros aparelhos de controle remoto.
Alguns desses chips têm a capacidade de sintonizar a pessoa com os aparelhos que sugam ectoplasma.
A inserção desses pequenos dispositivos pode ser feita nos vários chacras.
Por exemplo:
a entidade mal-intencionada se aproveita de certas tendências da pessoa e a leva a pensar em orgias sexuais, mobilizando o chacra frontal; em seguida, acciona os chacras umbilical e básico, a partir de frequências magnéticas, para que eles fiquem excitados e fechem o circuito de conexão entre os vórtices de energia relacionados com as energias sexuais.
Desse modo, a pessoa estará a serviço de seus próprios vícios, fortalecidos e acentuados por essas entidades.
Jacinto passou os últimos anos de sua existência carnal submetido a esse processo de chipagem e influência sobre seus chacras frontal, umbilical e básico, com o intuito de atender a vampirismos e até a processos simbióticos de energia sexual, sob controle de uma entidade muito inteligente e viciada em orgias.
É evidente que, se ele tivesse iniciado um processo de esforço interior para mudar de atitude mental e de comportamento, certamente teria recebido ajuda superior e tido condições de começar a trabalhar essas tendências de forma mais equilibrada, recebendo a devida protecção.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 08, 2018 10:29 am

Aliás, teria permitido o exercício da protecção espiritual proposta por seu verdadeiro guia, que estava sempre ao seu lado para levar ajuda e protecção, mas respeitando o seu livre-arbítrio.
Mas Jacinto sempre optava por seguir o falso guia, que alimentava suas tendências desequilibradas e antigas.
Esse falso guia já o conhecia de longa data e ambos haviam sido parceiros de muitas noitadas em bordéis, em vida passada recente.
Ainda vai demorar algum tempo para que ele se conscientize de seu verdadeiro estado espiritual e aceite com humildade que é um ser necessitado de ajuda superior e do quanto é preciso mudar de caminho.
O sofrimento, a solidão, a frustração, a depressão e a tristeza ainda proliferarão em eu íntimo e então inevitavelmente terá que enfrentar sua consciência, talvez num momento prestes a reencarnar.
Terá, dessa forma, perdido muitos anos de sua evolução com desvios que poderiam ser tratados.
Mas a bondade e misericórdia de Deus estão sempre presentes e o Bom Pastor jamais abandona Suas ovelhas, mesmo as mais desgarradas e afastadas do verdadeiro caminho.
Jacinto adoptou, durante a maior parte de sua vida carnal, o lema:
"Sem caridade não há salvação".
Mas equivocou-se ao aplicá-lo ao pé da letra.
Em alguns poucos momentos ajudou o próximo apenas por vontade de servir, especialmente na época em que ainda não tinha muitos recursos financeiros, e mais tarde, quando ganhou dinheiro, empurrou para o fundo de sua alma os bons sinais de espírito cristão.
E assim, ajudou a muitos necessitados, mas sem sentimento de serviço desinteressado, e sim com intenção de troca, de comércio com a Espiritualidade.
Achava que ajudando os necessitados na Terra estaria "comprando" seu pedaço de "propriedade astral".
Achava que todos os esforços de doação em direcção às famílias carentes poderiam dar-lhe lastro suficiente para não precisar fazer o trabalho de reforma íntima.
Todavia, no fundo de sua consciência, algo o tocava dizendo que estava equivocado, e o seu lado cognitivo inferior procurava sempre encobrir esses "toques" que vinham da consciência mais profunda e das sugestões de seu verdadeiro guia espiritual.
Assim, alimentava as formas-pensamento com suas atitudes inferiores, e elas se tornavam cada vez mais robustas.
Em muitas situações, recebia sugestões do seu verdadeiro guia espiritual para retomar outro caminho na vida e iniciar sua busca interior, mas as rechaçava de forma contumaz, usando de artifícios mentais como pensamentos do tipo:
"A vida tem que ser vivida com prazer e em toda a sua plenitude.
Amanhã será outro dia e aí a gente pensa no que fazer".
Esse pensamento equivocado, que era reforçado por entidades pervertidas, absorvia alguns conceitos correctos e os distorcia, pois de facto o ser humano, enquanto está encarnado, deve buscar sua felicidade e mesmo depois, desencarnado; porém, o conceito de prazer e felicidade é amplo e pode facilmente ultrapassar a fronteira do que poderia ser relativamente aceito como equilibrado para determinadas almas, e adentrar o campo do desequilíbrio.
Quando Kardec trouxe o lema:
"Sem caridade não há salvação", referia-se à caridade no sentido do amor ao próximo como a si mesmo.
Caridade consigo mesmo, pelo auto-conhecimento e auto-renovação, e caridade ao próximo, servindo-o amorável e incondicionalmente, cada qual de acordo com seu estágio evolutivo, porém no caminho do esforço individual de auto-educação.
Infelizmente muitos espíritas, espiritualistas, umbandistas e seguidores de várias religiões, ainda fogem de si mesmos.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 08, 2018 10:30 am

Evidentemente que os mais ingénuos ou os que detêm menos conhecimentos e experiências reencarnatórias serão menos cobrados pela própria consciência, e, portanto, sujeitos a um tipo de amparo que lhes exija proporcional esforço no estágio em que se encontram.
No caso dos mais calejados pelas experiências de muitas histórias encarnatórias e pelas oportunidades que tiveram de obter mais conhecimentos, o próprio processo natural de auto-cobrança será maior e, em muitas ocasiões, por alimentarem a preguiça mental-espiritual, tenderão a fugir de si mesmos e do caminho do bem por orgulho, às vezes disfarçado de vergonha ou indisposição em imprimir esforços íntimos de auto-transformação, o que chamaríamos de atavismo espiritual (medo de abandonar os velhos vícios ou costumes).2
Ao chegarem no mundo astral, se juntarão a outras entidades igualmente iludidas pelas coisas passageiras e efémeras do mundo material, ou a este ainda presas.
Mais cedo ou mais tarde, o encontro consigo próprio será inevitável.
Poderíamos resumir a morte física como o encontro do ser consigo mesmo.
Todavia, grande parte dos que partem do mundo físico continua fugindo desse encontro, e aí acaba por ficar vagando pelas zonas inferiores e umbralinas até o dia em que decidir por esse auto-encontro, o que significará igualmente o encontro com Deus, exigindo para tanto que deixem brotar sinais de humildade íntima.
Sem frestas de humildade no íntimo do coração, não será possível reconhecer-se um ser imperfeito e necessitado de ajuda superior.
Desse modo, recomendamos que os irmãos encarnados possam aproveitar o tempo na Terra para despertar para esse processo, por meio da meditação e auto-observação, pela vigilância e prece, pela reeducação dos vícios morais que ainda habitam sua intimidade, mas sem autopunição, sem culpas, sem pesadelos, e sim com trabalho contínuo dentro de si, dialogando consigo mesmo, com persistência, fé, amor, gratidão e alegria.
A transformação será lenta e exigirá firmeza de propósito e muita força interior para auto-perdoar-se pelo passado de equívocos e pelas quedas que advirão.
Deus, ao perdoar sempre, ensina-nos que devemos igualmente perdoar sempre, a começar por nós mesmos.
Perdoar, entretanto, não significa conivência com o erro.
Por isso, é importante estar-se atento a certos mecanismos "inteligentes" da alma (e às vezes reforçado por inteligências astrais distorcidas) que podem sancionar certos comportamentos irresponsáveis de reincidência, sob o argumento de que o Universo sempre perdoará, o que lhe garantirá novos erros ou acções equivocadas despreocupadamente.
A consciência mais profunda, a centelha divina que habita a essência do ser, estará a postos para guiar a criatura pelo verdadeiro caminho do bem e da harmonia.
Cada reincidência no erro ou em equívocos, demandará tomada de consciência, meditação ou reflexão envolvendo a consciência activa ou cognitiva com sentimentos superiores, lucidez mental e discernimento.
Assim, vai-se amadurecendo aos poucos e sempre em direcção à luz do equilíbrio, que será proporcional ao estágio em que cada um se encontra na escalada evolutiva.
A centelha divina habitante em cada ser e a consciência de Deus, que habita e permeia todo o Universo, têm plena consciência do que podemos alcançar em cada vida e em cada estada no mundo astral.
Mas caberá a cada um descobrir, por esforço próprio, o ponto em que se encontra e o quanto deverá despender de esforço para melhorar ou para se equilibrar.
Em meio a essa caminhada de luta, porém, se houver "gotas" de humildade na intimidade do ser, certamente receberá a ajuda superior de que necessita, esteja a pessoa encarnada ou desencarnada, pois o amor incondicional "cobre a multidão das imperfeições humanas", seja impulsionando-a para o Alto, seja deixando que a Lei Universal exerça sua acção benfeitora e correctiva.

1 - O plasmaduto é uma obra de engenharia astral que está sendo desenvolvida por entidades ligadas à Cidade dos Nobres, em parceria com entidades inteligentíssimas das zonas umbralinas inferiores e conexão com os chamados seres diabólicos, que atuam desde os tempos da Atlântida na Terra, com o intuito de dominar o planeta com as forças inferiores.
Os dirigentes dessa colónia não têm noção da grande encrenca em que estão se metendo com esses seres diabólicos (que os manipulam inteligentemente), dotados de alta tecnologia, mas ainda pobres em evolução espiritual.
O plano espiritual superior os monitora e sabe que o objectivo dessa grande obra de engenharia é criar tentáculos em forma de pequenos dutos ligados a outros maiores, seguindo em direcção a vários depósitos de ectoplasma.
Pretende-se que esse material seja conservado e utilizado para fins diversos, sempre retro-alimentando os vícios de entidades comandantes dessas zonas astrais.
A Espiritualidade Maior sabe que antes de eles terminarem essa obra o planeta estará iniciando seu saneamento espiritual mais intenso, e tudo isso será banido do mundo astral.
Enquanto isso, essas entidades inferiores continuam seu trabalho convencional de vampirismo ectoplasmático dos encarnados invigilantes do pensamento, das emoções e dos impulsos inferiores.


2 - Segundo conceitos do Yoga, há três formas de manifestação da personalidade ou gunas: temas, rajas e satwa.
Tamas representa a tendência à manutenção das tradições e vícios, também reflectida na preguiça, inércia, fragilidade de vontade, pessimismo, escravidão aos impulsos inferiores, negatividade e tristeza.
Rajas representa a natureza agitada, irascível, ambiciosa, impaciente, fixada em seus propósitos egoísticos.
Satwa denota o equilíbrio, harmonia, solidariedade, busca de propósitos espirituais superiores, o amor incondicional.
Há almas que possuem predominantemente um ou outro aspecto ou que às vezes podem ter um pouco de cada.
A energia essencial que alimenta qualquer uma das duas primeiras (temas e rajas) é única, e é reflectida naquela para onde ambas devem caminhar:
para a terceira, ou seja, satwa.
Isto é, o ser tamásico deverá aproveitar sua tendência para desenvolver dentro de si a natureza pacífica, serena, humilde.
O ser rajásico deverá canalizar sua força interior para o caminho da boa acção, iniciativa construtiva e serviço incondicional.
Assim, a alma que deseja crescer espiritualmente buscará o caminho do equilíbrio entre essas duas naturezas, transformando a tendência negativa em positiva, esforçando-se para crescer em humildade, silêncio interior, pacificação dos sentimentos e pensamentos, serenidade, sabedoria, proactividade para a boa acção, sem segundas intenções, e sim por amor incondicional.
E esse processo de transformação íntima poderá exigir várias vidas.
Nesse caso, o mais importante é sentir-se no caminho, sem culpa por erros passados ou tropeços presentes, levantando-se diante dessas quedas e, com persistência, prosseguindo a caminhada, recorrendo a Deus para alimentar-se de forças interiores, cultivando a fé, gratidão e a alegria.
Cada vez que se medita sobre erros cometidos e se banha os mesmos de consciência superior, eles se enfraquecem gradativamente.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 08, 2018 10:31 am

VIII - Uma falsa e fugaz luz guiada pela vaidade
Adriano era um rapaz inteligente, enérgico e hábil lutador pelos direitos humanos.
Estudioso da filosofia marxista, era ideologicamente de esquerda e acreditava que o mundo capitalista, especialmente o Brasil, só mudaria para melhor quando instituísse o comunismo pela força.
Como muitos que seguem esse raciocínio, achava que um mundo melhor só viria pela revolução e não pela evolução, pois as elites e os detentores do poder não desejam mudanças; lutam apenas para manter seu status quo.
Desde o início dos estudos universitários, em história e depois em direito (este último curso não chegou a terminar), esteve profundamente ligado aos movimentos sociais, aos movimentos grevistas de estudantes, professores ou dos sindicatos de diversas categorias, filiando-se ao sindicato dos professores após tornar-se professor universitário.
Durante o curso de mestrado, em São Paulo, aprofundou-se nos estudos sobre movimentos sindicais.
Nesse período, acompanhou várias paralisações na região do ABC paulista, onde aperfeiçoou suas percepções acerca de organização e prática grevista.
Depois retornou ao Rio Grande do Sul, onde já exercia o cargo de professor em uma universidade importante do interior.
Aguerrido em sua forma de se expressar e conduzir os colegas professores nas reivindicações, não era afeito a temas espirituais, apesar de criado pelos pais na Igreja Católica.
Como era simpatizante dos conceitos da Teologia da Libertação, começou a interessar-se em voltar a frequentar a Igreja Católica, não as missas ou os estudos religiosos, mas exclusivamente os diálogos e reuniões com padres envolvidos com esse movimento social.
Passaram-se os anos e Adriano resolveu fazer o curso de doutorado em Porto Alegre.
As eleições para Presidente da República, que se aproximavam e sinalizavam para uma possível vitória da esquerda, faziam com que muitos ligados a esses movimentos dessem uma amortecida em seus impulsos revolucionários, apesar de continuar em pauta o projecto de ampliação do movimento rural dos Sem-Terra, pelo qual Adriano havia se interessado e estava envolvido, além dos projectos ligados à ascensão ao poder nas três esferas de governo (prefeituras, governos estadual e federal), evidentemente pelos caminhos políticos.
Durante a fase do doutorado, Adriano conheceu Isabel, colega da universidade, que fazia curso de mestrado em psicologia.
Após alguns meses de amizade, começaram a namorar.
Isabel representava uma experiência diferente para Adriano, pois, além de muito bonita, era de uma sensibilidade ímpar, ética, com interesses focados em questões humanistas, mas com abordagens construtivas e evolucionárias, contraria à violência e aos métodos às vezes rudes que Adriano aceitava como meios para levar a esquerda política ao poder.
Ela era espírita, e aos poucos foi convencendo Adriano a frequentar o seu grupo. Com seus argumentos inteligentes, ia mostrando a ele percepções e raciocínios acerca da vida, do carma, da caridade e da renovação íntima, assuntos que Adriano jamais cogitara compreender outrora, a ponto de começar a ler os livros da doutrina.
A busca de conhecimentos nessas dimensões, após custosas discussões, aos poucos foi amolecendo a mente obcecada pelas teorias marxistas e de busca pelo poder, e o coração endurecido ao amor.
Isabel tinha alcançado o fundo do coração de Adriano, e seus nobres atributos internos, bem como sua beleza externa, o haviam sensibilizado para a abertura de novos caminhos de vida.
Certa vez, Adriano sofreu um grave acidente de carro quando retornava de uma reunião do partido político ao qual se filiara.
Seu colega, proprietário e condutor do veículo, tentou fazer uma ultrapassagem arriscada e bateu de frente com um ônibus que vinha em alta velocidade, no sentido contrário.
Não houve tempo suficiente para desviar.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 08, 2018 10:31 am

O colega faleceu na hora e Adriano ficou muito machucado e quase um mês hospitalizado:
quebrou várias costelas, ficou com várias partes do corpo traumatizadas, muito roxas e doloridas, o baço foi retirado e chegou a pensar que ia morrer na hora do desastre e antes de ser resgatado das ferragens pelos enfermeiros da ambulância.
Nesse período em que estava hospitalizado, Isabel aproveitou para lhe dar muita atenção, carinho, e ler livros espíritas.
Foi um tempo de recolhimento e reflexão sobre a vida.
O facto de quase ter desencarnado levou Adriano a ter medo da morte e a dar mais atenção aos estudos espíritas.
Quando saiu do hospital e pôde andar normalmente, passou a frequentar o centro espírita com mais assiduidade, acompanhando Isabel.
Adriano possuía um traço muito intenso em sua personalidade:
a vaidade exacerbada.
Nas aulas, nos palanques durante greves e reuniões do sindicato dos professores, nas oportunidades que tinha de se manifestar em reuniões do seu partido político, enfim, sempre que tinha chance de mostrar sua brilhante inteligência em meio a outras pessoas, o fazia com soberba e subtil impulso de humilhação intelectual sobre os outros, sem perceber tais sentimentos.
Achava que suas opiniões eram as mais inteligentes e se irritava profundamente quando não eram consideradas, e principalmente quando contestadas.
O que fazia Adriano não chegar a se irritar profundamente nas discussões com Isabel era o facto de estar apaixonado por ela e porque ela era a única pessoa que lhe tocara o coração, algo raro para uma alma tão ligada ao aspecto intelectual.
A experiência afectiva com Isabel era inédita, e o facto de ela ter lhe tocado o sentimento o deixava um tanto "hipnotizado".
Quando Adriano terminou o curso de doutorado teve que retornar à sua cidade e às actividades de professor.
Alguns dos seus ditos amigos e colegas de partido e movimentos sociais assumiriam cargos no governo de esquerda.
Prometeram a ele uma colocação no governo federal, o que nunca foi feito.
Depois ofereceram um cargo que, para Adriano, estava muito aquém de sua capacidade intelectual.
Então ele se afastou dos movimentos partidários, por decepções com esses parceiros políticos, como traições e atitudes falsas, mas permaneceu ligado aos movimentos sindicais, ainda que não de forma tão intensa como no passado.
Por causa dessas frustrações, ele começava a frear seu ímpeto revolucionário e a sentir a necessidade de constituir família, até para não se sentir tão solitário.
Adriano continuou seus estudos espíritas, apesar de não frequentar nenhum grupo, e decidiu se casar com Isabel, que já o esperava havia mais de ano.
Alguns líderes intelectuais, como Leonardo Boff, que o mobilizaram internamente desde o início de seu envolvimento com os movimentos sociais, o faziam repensar sobre a vida e amadurecer intelectualmente, já com uma percepção mais ampliada pelo lado ecológico e espiritual, principalmente depois que ele leu as obras de Boff.
Mobilizados por Isabel, começaram a fazer o evangelho no lar semanalmente.
Apesar dos novos estudos e das experiências passadas, Adriano não se dera ao trabalho de mergulhar em sua própria intimidade.
Transitava muito bem pelo campo do intelecto e continuava com a vaidade forte e bem "alimentada" em seu mundo interno.
No período da Revolução Francesa, Adriano estava encarnado como o general francês Charles François, descontente com a monarquia, e por isso tinha ligações com o movimento que surgia nos subterrâneos da sociedade, insatisfeita com o quadro social da época.
Havia insatisfação nos meios intelectualizados quanto à luxúria do rei e dos mais próximos ao poder.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 08, 2018 10:31 am

E assim, Charles fornecia informações privilegiadas aos membros intelectuais ligados ao movimento revolucionário, pois detinha uma posição que o colocava próximo às pessoas atreladas ao poder e ao rei.
Sentia-se injustiçado, porque, apesar da posição de general, não era considerado uma sumidade intelectual pelo rei nem conseguia galgar um cargo público mais relevante no governo monárquico, o que o fez sorrateiramente mudar para o lado dos intelectuais e mais tarde ser sentenciado como traidor, morrendo na guilhotina.
No século quinze, encarnara como um italiano de família pobre que mais tarde se tornaria padre, mas seria perseguido e levado à fogueira por defender ideias revolucionárias para a época que questionavam a forma centralizada de organização da Igreja Católica, com seu papado em Roma, a estrutura de bispados e o afunilamento de todas as rendas e riquezas adquiridas pela Igreja direccionadas a esses líderes, em detrimento de muitos padres em condições económicas difíceis. Tivera algumas encarnações intermediárias, mas uma vida como filho de um duque inglês, na Idade Média, esteve atrelada a actos de tirania e violência contra o povo de seu feudo e contra inimigos, especialmente depois que assumiu o lugar do pai e se ligou mais intimamente ao poder central da coroa inglesa.
Com boa orientação intelectual para a época, sua indomável vaidade e busca pelo poder o fizeram praticar actos de sabotagem, traições, truculências e assassinatos.
Foi morto pela espada de um inimigo, com o qual se manteve em lutas astrais e depois no plano físico, por muito tempo, reencontrando-o no período em que esteve envolvido com política, na encarnação mais recente.
Isabel, que há muito tempo atrás fora sua amante, e depois sua irmã, tinha sido também sua esposa na época da Revolução Francesa.
Contudo, não recebeu a atenção e o amor que esperava, pois ele se envolveu de tal modo com outros afazeres, e principalmente com as questões profissionais e revolucionárias, que não sobrava tempo para cuidar do relacionamento, ficando à deriva a partir de certo momento.
Por todo o sentimento que teve e ainda tem por Adriano, Isabel retornou com a missão de resgatá-lo da vida mundana e dos movimentos estritamente ligados ao intelecto e ao materialismo, sensibilizando-lhe o coração e trazendo-o para o caminho espiritual.
Desde que reencarnou como Adriano, seu espírito trouxe sentimentos de culpa pelas mortes que causara no passado, traumas ligados ao medo de traições, muitas frustrações e recalques por não ter alcançado postos de poder que idealizou em várias vidas, basicamente para satisfazer sua vaidade e atender aos seus impulsos dos prazeres carnais, aliados à luxúria, normalmente saciados pela vasta riqueza material.
Teve várias oportunidades reencarnatórias de viver em ambientes simples, mas abundantes em amor paternal e fraternal, para despertar o seu lado espiritual.
Isabel sempre o reencontrou em vidas passadas.
Na última encarnação, procurou dar-lhe muito amor, não percebido na sua íntegra por Adriano, que estava envolto num manto denso de vaidade, sentimento que costuma "cegar" espiritualmente as pessoas.
Evidentemente ele evoluiu, como todos aqueles que trilham os caminhos do aperfeiçoamento, na longa jornada em direcção ao Pai Maior.
Todavia, a vaidade têm sido persistente e relutado em se transformar, facto que somente ocorrerá quando Adriano deixar brotar sinais mais verdadeiros de humildade interior.
Certo dia, já com quarenta e três anos de idade, voltando sozinho do trabalho dirigindo seu carro em alta velocidade, após desviar abruptamente de uma área em obras, na via pública, acabou batendo contra um caminhão que trafegava no sentido contrário.
Seu carro ficou esmagado e a violência do impacto causou-lhe traumatismo craniano.
Foi levado imediatamente para o hospital, onde permaneceu em coma por seis dias, vindo a falecer no sétimo dia.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 08, 2018 10:31 am

No período do coma, seus parentes e colegas costumavam ir ao hospital, rezavam por ele, o que sem dúvida o ajudava espiritualmente, mas as preces e o amor que Isabel lhe direccionava era o que garantia, em muitos momentos, seu isolamento de inimigos espirituais do passado, que estavam à espreita, próximos à Unidade de Tratamento Intensivo e às vezes junto à cama de Adriano.
Eram desafectos de outras vidas, dois dos quais sedentos por vingança pelos maus tratos e torturas promovidos por Adriano.
Graças às preces de Isabel e à protecção espiritual proporcionada por ela, o período de coma foi importante para a protecção de Adriano contra investidas do tipo "sequestro de alma", se desencarnasse imediatamente ao acidente, pois teria grandes chances de chegar ao mundo astral em estado de quase inconsciência, e esses criaturas vingativas, especialmente os "urubus"1 do Umbral, sempre prontos para sequestrar recém-chegados do mundo físico, estariam a postos para levar Adriano para ser escravizado por algum líder das Sombras.
O estado de coma o ajudou a drenar a contextura perispiritual bastante intoxicada por miasmas e sentimentos de vaidade.
Adriano não era uma criatura má, até porque trazia grande preocupação social que o fazia lutar por igualdade entre as pessoas; respeitava e ajudava os pobres e simples.
Mas equivocava-se quanto aos métodos que achava ideais para construir-se um mundo novo, ou seja, baseados em movimentos revolucionários.
Apesar de seus impulsos de violência, guardados nos esconderijos do seu ser, jamais demonstrou actos de violência física contra Isabel ou seus pais, apesar de ocorrerem momentos de fartas discussões ideológicas, mas sem consequências maiores.
Procurava ser ético em suas atitudes no dia a dia, apesar de, nos tempos em que se envolveu com política partidária, ter acompanhado e participado da elaboração de alguns planos, estratégias e iniciativas que contemplavam o uso indevido de recursos públicos para fins de manutenção e expansão do poder.
O governador da época era ligado ao seu partido político e pretendia que seu grupo partidário mantivesse a gestão governamental do seu estado, assumindo vários cargos federais, haja vista a grande chance de o presidente a ser eleito ser também de seu partido.
Se Adriano tivesse um grau mínimo de humildade que lhe permitisse perceber os sinais e sugestões vindas de seu guia espiritual, e mesmo de sua esposa Isabel, certamente seu caminho espiritual teria tomado outro rumo.
Há certos limites quanto à intervenção do plano espiritual superior sobre a vida dos encarnados, pois respeitar o livre-arbítrio faz parte do conjunto de leis espirituais.
Quando acordou do coma, Adriano levantou-se e tomou um tremendo susto, pois viu seu corpo na cama da do pronto socorro.
Sentiu um arrepio e um medo profundo, pois deu-se conta de que não possuía mais vida física.
Não viu nem percebeu a presença de seu guia espiritual ao seu lado; viu Isabel olhando para seu corpo e chorando; observou o médico plantonista e as enfermeiras, e perguntou-se:
"Onde está a protecção espiritual de que Isabel tanto falava e que eu acabava acreditando, quando lia os livros espíritas?".
Subiu-lhe uma raiva interior.
Olhava para ela, pela primeira vez, e sentia dor no coração por encontrar-se fora do alcance físico dela.
Veio-lhe uma forte amargura e aperto no coração, decorrentes de uma saudade incontrolável, sentimentos que se confundiam com os provenientes de Isabel em sua direcção.
E então resmungou:
"Puxa vida, tá certo que eu aprontei muitas vezes, mas já estava num patamar de equilíbrio.
Li muitos livros de história, outros de cunho filosófico e social, mas nos últimos anos comecei a ler as obras da doutrina espírita e tinha certeza que meus conhecimentos serviriam para me proteger no dia em que passasse para o outro lado da vida.
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 08, 2018 10:31 am

O medo da morte que senti com o acidente de carro, há vários anos atrás, me balançou por dentro.
Sempre busquei ajudar o próximo, enfim, fiz tudo certo.
A conclusão a que chego agora é que nem os guias espirituais me protegeram do acidente, nem me recepcionaram no plano astral.
No fundo, eu merecia um pouco mais de consideração...".
De facto, Adriano estudara bastante e acreditava que o conhecimento era tudo.
Acreditou ilusoriamente que havia realizado o trabalho de renovação íntima, apenas porque lera muitos livros, mas esquecera-se de trabalhar esses sentimentos e de deixar brotar a humildade de dentro de si, que é o primeiro passo para a subida espiritual.
Ao sair pela porta externa do hospital, encontrou um grupo de entidades que o esperavam do lado de fora.
Eram seus cobradores do passado.
Então, começaram a xingá-lo, a usar de palavras pesadas, a chamá-lo de assassino, a afirmar que ele pagaria por cada ato cometido.
Adriano sentia-se ainda fraco, mas estava em plena consciência, apesar de tomado pela vaidade, orgulho e rancor.
Possuía muita força mental e isso fez com que os vândalos espirituais apenas o atormentassem, sem que tivessem a possibilidade de raptá-lo.
Saiu, então, meio sem rumo e, repentinamente, adentrou um caminho paralelo do mundo astral, deixando o meio físico de sua cidade no ponto em que se encontrava, à frente do hospital.
Viu um lugar sombreado, meio escuro.
Via e ouvia entidades gritando, arrastando-se pelo chão, um lugar levemente frio e árido.
Sentiu mais medo ainda.
E os seus desafectos continuavam atrás dele, enviando palavras densas para desequilibrá-lo ainda mais.
Começou então um processo de esforço interior de autocontrole para não perder a cabeça.
Logo chegou um grupo de cinco entidades da Cidade dos Nobres, que o abordaram:
— Meu caro Adriano, não tema!
Fique tranquilo, porque somos do bem.
Fomos enviados para buscá-lo.
Acompanhamos boa parte de sua vida ainda na carne e vimos que você era um bom frequentador de trabalhos espíritas, esposo da Isabel, também grande trabalhadora da doutrina.
Temos um lugar ideal para você, que se sente injustiçado por ter tido de deixar a vida física tão novo e com tantos belos trabalhos em prol do social.
Professor de sucesso, que ensinou e ajudou a abrir a cabeça de muitos jovens para a importância da luta por melhores dias, num país cheio de desníveis sociais e de falta de oportunidades para participar dos destinos democráticos de sua cidade, do seu estado.
Olha meu amigo, nós o convidamos a nos acompanhar até nossa cidade, um lugar de pessoas nobres como você, sem violência, e onde será ajudado a recuperar-se dessa viagem cansativa.
Lá conhecerá o nosso dirigente e verá as muitas oportunidades de contribuição que poderá dar, além de ter a chance de voltar ao convívio de sua esposa e de outras pessoas, mesmo estando aqui deste lado da vida, mas com boas chances de satisfazer muitos dos seus desejos.
Garanto que não haverá arrependimento.
Lembre-se, havia entidades querendo atacá-lo e raptá-lo, e as que ainda estão atrás da gente lhe xingando.
Não deixe que esse tormento atinja a sua mente, enfraquecendo-o, pois é isso que elas querem.
Faço só uma pergunta a você:
onde estão os famosos guias espirituais de que você ouvia falar nas palestras e nos livros espíritas?
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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 08, 2018 10:32 am

Por que não estavam aqui para recebê-lo?
Deixe essa raiva surgir no seu coração, isso é normal!
Teremos um bom caminho para canalizar essa forte energia.
Sou gaúcho como você, e frequentei um grupo lá de Porto Alegre e também me decepcionei quando cheguei deste lado:
ninguém do bem veio me recepcionar.
O comandante do grupo então emitiu um jacto de energias mentais cheias de vaidade, mentalizando simultaneamente uma luz vermelha, com rastros de tonalidades amareladas, de intensidade opaca, sem brilho, que envolveu Adriano e finalizou:
— Meu irmão, você é um cara inteligente, de boas intenções, que merecia ter tido uma oportunidade melhor na Terra.
Você não tem ideia, mas nós temos condições de arquitectar reencarnações e os nossos pupilos reencarnados serão conduzidos para o sucesso que desejarmos e acordarmos, com aval dos dirigentes da nossa cidade astral.
Tem noção do que isso representa?
Não são todos os líderes aqui no Umbral que têm essas condições, não.
Claro, antes disso, terá de mostrar suas habilidades!
E eu sei que as possui e terá um tremendo sucesso.
Assim, as entidades daquela colónia habilmente tocaram na vaidade de Adriano, que se misturava com revolta interior.
Ele pensou rapidamente e percebeu que estava sem opção.
Então, acompanhou as cinco criaturas.
Chegando lá, após alguns dias de recuperação do cansaço e debilidade em que se encontrava, foi apresentado ao dirigente e, depois da etapa de treinamento, logo foi engajado em actividades de obsessão de encarnados e integrantes de determinado grupo espírita, dirigindo um grupo de oito colaboradores-obsessores.
Usava de astúcia e inteligência para contra-argumentar nos trabalhos de desobsessão do referido centro, mas plenamente ciente de que aquilo tudo não o tocaria em nada, já que estava consciente de sua actividade de desestabilizar os trabalhos e os médiuns, além de mentalmente induzi-los a mudar de caminho.
Criava assim condições mentais e vibratórias para que as pessoas do centro pudessem entrar em sintonia e cedessem ectoplasma para sua equipe, num claro e sorrateiro processo de vampirismo.
Já por dois anos ligado à Cidade dos Nobres, Adriano está passando por um processo de mudança interior.
A revolta está crescendo dentro dele, porque se deu conta de que tem sido usado ao longo de todo esse tempo, em que pese ter tido a oportunidade de satisfazer muitos desejos carnais.
Por várias vezes tentou mudar o sistema de eleição da colónia, de modo que fosse mais transparente, menos agressivo e menos repleto de jogadas sujas.
Deu-se conta de que ali se repetia a mesma sujeira política que no mundo físico, nas cidades brasileiras.
Em muitas ocasiões foi vencido em seus posicionamentos.
Estava revoltado com os dirigentes e com muitos dos habitantes.
Só não saiu antes daquele lugar, porque ainda se sentia um pouco protegido e sabia que fora dos muros é cada um por si.
Sempre que saía para incursões no Umbral e nas zonas físicas das cidades passava por aquelas entidades que o perseguiam.
Elas estavam sempre espreitando-o; ele percebia que tão cedo não haveria possibilidade de desistência dessa perseguição.
Às vezes, tinha curiosidade para saber o que havia por trás dessa situação, já que não lembrava de nada que o fizesse sentir-se culpado ou que justificasse a perseguição daqueles espíritos revoltados.
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Ave sem Ninho

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Re: O Vale dos Espíritas - Atanagildo / Sávio Mendonça

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