Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 22, 2018 8:48 pm

Mas a senhora vem até a minha casa, pede para ter uma conversa comigo, não expõe com clareza o motivo da visita e agora permanece calada.
Isso está muito desagradável.
Luciana estava à beira do pânico:
- Você vivia na Alemanha, não é?
- Sim, mas qual é o seu interesse?
Luciana respirou fundo e falou a primeira coisa que lhe veio à mente:
- Fui muito amiga de sua mãe!
Leila a olhou desconfiada:
- Minha mãe? Como?
Ela veio apenas uma ou duas vezes ao Brasil; como você a conhecia?
E não me lembro de tê-la visto alguma vez em nossa casa.
Além do que, minha mãe era bem mais velha do que você.
Como poderiam ser amigas?
Luciana não conseguiu responder.
Leila então fechou a cara e disse com ar muito sério:
- Espere, acho que estou entendendo; se você está se referindo à mulher que me deu à luz, saiba que se tem algo dela para me contar não me interessa.
Minha mãe se chamava Erika, era alemã, e cuidou muito bem de mim.
Graças a ela e ao meu pai tive e tenho hoje uma óptima vida.
Luciana sentiu como se uma lança fosse fincada em seu peito.
Mas a dor causada pelas palavras da filha acabaram lhe dando forças para falar a verdade.
Precisava contar à Leila que a mãe e o pai eram boas pessoas e que haviam sido vítimas da maldade de Laís.
Ela iria entender.
Leila falou ainda:
- Bem, se a senhora veio aqui para falar alguma coisa daquela mulher, por favor, pode se retirar.
Nada sobre ela me interessa e não me diz respeito.
Já posso imaginar:
ela me descobriu, está doente ou passando necessidades e, sabendo que sou muito rica, resolveu me procurar.
Só não entendo sua ligação nessa história, uma pessoa tão elegante e famosa!
Por acaso essa mulher trabalha para a senhora?
É sua empregada ou algo assim?
Luciana ficou com os olhos marejados; como a filha estava enganada sobre tudo!
Não era justo.
Ela tinha de saber a verdade.
Eles não podiam ser julgados de forma tão cruel e deturpada.
Encheu-se de coragem e falou:
- Menina, eu não a conheço nem você a mim, mas você já sabe que não era filha legítima do casal que a criou, diga-se de passagem, muito bem pelo visto.
- Isso mesmo.
Meus pais já não eram jovens quando me adoptaram em uma vinda ao Brasil.
Sempre me disseram que se apaixonaram por mim à primeira vista.
E só retornaram à Alemanha quando conseguiram concluir minha adopção.
Tive uma vida maravilhosa e, quando completei dez anos, eles conversaram comigo e me contaram a verdade.
Tiveram tanto carinho e amor por mim, que jamais fiquei magoada por não terem me contado antes, e para mim não interessava mais nada.
Eles eram meus pais, e eu os amava muito.
Sofri demais quando morreram, mas como me deixaram muito bem de vida, para tentar sobreviver sem eles decidi me mudar para o Brasil.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 22, 2018 8:49 pm

Mas a senhora vem até a minha casa, pede para ter uma conversa comigo, não expõe com clareza o motivo da visita e agora permanece calada.
Isso está muito desagradável.
Luciana estava à beira do pânico:
- Você vivia na Alemanha, não é?
- Sim, mas qual é o seu interesse?
Luciana respirou fundo e falou a primeira coisa que lhe veio à mente:
- Fui muito amiga de sua mãe!
Leila a olhou desconfiada:
- Minha mãe? Como?
Ela veio apenas uma ou duas vezes ao Brasil; como você a conhecia?
E não me lembro de tê-la visto alguma vez em nossa casa.
Além do que, minha mãe era bem mais velha do que você.
Como poderiam ser amigas?
Luciana não conseguiu responder.
Leila então fechou a cara e disse com ar muito sério:
- Espere, acho que estou entendendo; se você está se referindo à mulher que me deu à luz, saiba que se tem algo dela para me contar não me interessa.
Minha mãe se chamava Erika, era alemã, e cuidou muito bem de mim.
Graças a ela e ao meu pai tive e tenho hoje uma óptima vida.
Luciana sentiu como se uma lança fosse fincada em seu peito.
Mas a dor causada pelas palavras da filha acabaram lhe dando forças para falar a verdade.
Precisava contar à Leila que a mãe e o pai eram boas pessoas e que haviam sido vítimas da maldade de Laís.
Ela iria entender.
Leila falou ainda:
- Bem, se a senhora veio aqui para falar alguma coisa daquela mulher, por favor, pode se retirar.
Nada sobre ela me interessa e não me diz respeito.
Já posso imaginar:
ela me descobriu, está doente ou passando necessidades e, sabendo que sou muito rica, resolveu me procurar.
Só não entendo sua ligação nessa história, uma pessoa tão elegante e famosa!
Por acaso essa mulher trabalha para a senhora?
É sua empregada ou algo assim?
Luciana ficou com os olhos marejados; como a filha estava enganada sobre tudo!
Não era justo.
Ela tinha de saber a verdade.
Eles não podiam ser julgados de forma tão cruel e deturpada.
Encheu-se de coragem e falou:
- Menina, eu não a conheço nem você a mim, mas você já sabe que não era filha legítima do casal que a criou, diga-se de passagem, muito bem pelo visto.
- Isso mesmo.
Meus pais já não eram jovens quando me adoptaram em uma vinda ao Brasil.
Sempre me disseram que se apaixonaram por mim à primeira vista.
E só retornaram à Alemanha quando conseguiram concluir minha adopção.
Tive uma vida maravilhosa e, quando completei dez anos, eles conversaram comigo e me contaram a verdade.
Tiveram tanto carinho e amor por mim, que jamais fiquei magoada por não terem me contado antes, e para mim não interessava mais nada.
Eles eram meus pais, e eu os amava muito.
Sofri demais quando morreram, mas como me deixaram muito bem de vida, para tentar sobreviver sem eles decidi me mudar para o Brasil.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 22, 2018 8:49 pm

Mas mesmo estando aqui, não tenho interesse nenhum nessa história sobre quem me colocou no mundo.
Essa pessoa me abandonou e não merece nada de mim, nem meu respeito.
- Mas você não sabe nada sobre sua mãe, nem sobre seu pai, como pode julgá-los assim?
- Minha senhora, não estou entendendo sua insistência; e se veio aqui para falar sobre isso, já disse que perdeu seu tempo.
Não sei qual o seu objectivo e interesse, mas não tenho tempo para isso.
Por favor, retire-se!
Já disse que essa gente não me interessa.
Não me obrigue a ser mais indelicada.
Não é do meu feitio destratar ninguém.
Leila já ia se preparando para voltar ao apartamento, quando Luciana falou quase sem respirar:
- Leila, espere, tenho muito interesse sim nesse caso.
Eu sou sua mãe!
Leila estancou, voltou-se para ela e a mediu dos pés à cabeça dizendo:
- O que disse?
Luciana sentiu a coragem esvaindo-se, mas agora era tarde demais:
- Eu disse que sou sua mãe!
Eu a coloquei no mundo, você tem o meu sangue em suas veias.
Leila encheu-se de desprezo e raiva:
- Você não é ninguém.
Minha mãe se chamava Érica, e infelizmente já morreu.
Faça o favor de ir embora agora.
Luciana agora estava se sentindo muito injustiçada, e tinha de fazê-la entender:
- Pare, não fale assim.
Você tem de me ouvir.
Você não pode me julgar sem saber a verdade.
- Que verdade?
O que pode ser tão impressionante que justifique uma mãe abandonar a própria filha?
Vá embora, não quero ouvir mais nada!
Luciana não desistiu:
- Não grite.
Você tem suas razões para reagir assim, mas se foi tão bem educada quanto parece, tem de me dar a chance de me explicar... você precisa me ouvir!
Depois, faça o que quiser, irei respeitar sua decisão, mas antes você tem de conhecer a verdade.
Enquanto as duas discutiam, Laís se aproveitou da chegada do carro de um morador e, sem ser vista, conseguiu entrar na garagem.
Pela escada de serviço chegou ao jardim.
Naquele horário, o prédio não tinha muito movimento, e ela conseguiu se deslocar com facilidade até um ponto onde podia ver e ouvir as duas discutindo.
Quando estava à espreita no prédio de Luciana e viu Fabiano chegar, deduziu que eles a haviam enganado.
E pensou que eles iam pagá-la por tentarem fazê-la de boba.
Ela ia acabar com a vida deles de uma vez por todas.
Mãe e filha baixaram o tom de voz e Laís não conseguiu mais ouvi-las com tanta nitidez.
Mas podia perceber que as duas ainda discutiam.
Luciana falava mais e Leila escutava, demonstrando contrariedade.
Um bom tempo se passou até que Laís viu Luciana chorando e Leila andando de um lado para o outro, nervosa e calada.
"Será que elas vão se entender?
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 22, 2018 8:49 pm

Será que a menina vai perdoar a mãe?
Não vou permitir!
Eles jamais terão um final feliz!
Fizeram-me sofrer, humilharam-me, perdi tudo... vão me pagar caro!
Se eu não tenho Fabiano, ela não o terá.
Jamais serão uma família feliz!
CHEGA!", pensou Laís andando de modo firme e decidido em direcção às duas.
Sua expressão era pura insanidade e ódio, e, conforme caminhava, abriu a bolsa e tirou uma arma, apontando na direcção de Leila, que nada percebia.
Luciana olhou para o lado e, aterrorizada, viu Laís se aproximando com a arma apontada para a filha.
Não teve tempo sequer de raciocinar.
Luciana jogou-se na frente de Leila exactamente na hora em que Laís efectuou o disparo, que a atingiu certeiramente na barriga, fazendo-a cambalear em direcção à filha.
Leila entrou em pânico ao ouvir o tiro e ver Luciana atingida.
Diferente de quando atentou contra a vida de Fabiano, desta vez a arma que Laís havia conseguido não tinha silenciador, e os empregados do condomínio também ouviram o disparo e correram em direcção ao jardim.
Laís começou a correr, ainda com a arma na mão, mas foi alcançada por dois funcionários que, rapidamente, conseguiram jogá-la no chão e tirar a arma de sua mão.
Enquanto isso, Leila olhava repleta de terror o corpo da mãe deitado no chão e sua roupa toda ensanguentada.
O celular de Luciana tocou e Leila completamente trémula o atendeu impulsivamente.
Era Fabiano que ao ouvir a ligação ser atendida, falou:
- Luciana?
Estou apreensivo e não aguentei esperar.
Está tudo bem?
Do outro lado da linha ele ouviu algo que o deixou completamente transtornado:
- Ela está morrendo!
Pelo amor de Deus, chame ajuda!
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 22, 2018 8:50 pm

trinta e dois - Desespero
Quando Fabiano chegou ao prédio de Leila, uma grande confusão já havia se formado no interior do condomínio e na rua.
Ao receber a notícia, ele ficou completamente desorientado e só conseguiu ligar para Suzanne pedindo que o encontrasse no endereço da filha.
Saiu em seguida, desesperado.
A polícia já estava no local, mas, depois de se identificar, Fabiano conseguiu atravessar o cerco que impedia curiosos de se aproximarem.
Ao chegar ao jardim, a cena que viu o atingiu de forma brutal.
Sua mulher, a mulher a quem amava e de quem ficara tantos anos separado, estava ali deitada, banhada em sangue e desacordada.
Não conseguia se aproximar; temia constatar que ela tivesse morrido.
As lágrimas corriam soltas pelo seu rosto.
De repente, despertou do choque e correu até ela.
Tinha de fazer alguma coisa, precisava salvá-la.
Leila estava ajoelhada ao lado de Luciana, e seu estado de pura perplexidade já não permitia que ela chorasse.
Quando Fabiano também se ajoelhou ao lado do corpo, ela simplesmente falou:
- A ambulância já está chegando!
Fabiano mal olhou para ela.
Passava as mãos nos cabelos de Luciana e dizia:
- Meu amor, acorde!
Pelo amor de Deus, resista!
Nós temos muito ainda para viver.
Não é justo que depois de tudo o que passamos, de tantas maldades das quais fomos vítimas, você agora parta me deixando aqui.
Por favor, resista! - e não conseguiu continuar impedido pelo choro convulsivo.
Ao ouvir as palavras dele, Leila o olhou com uma certeza: aquele era seu pai.
Sentiu seu corpo todo arrepiar, e seus olhos ficaram marejados.
Em pé, ao seu lado, Rita, Olívia e Saulo estendiam as mãos sobre sua cabeça, orando e enviando vibrações de amor para o coração da moça, que sentia essa vibração invadindo seu coração.
Olhou novamente para Fabiano, depois para Luciana, e mesmo sem saber detalhes de toda a história da qual era personagem principal, comoveu-se com a dor do casal, com a dor de seus pais.
Olívia aproximou-se do filho, e Rita de Luciana, continuando em suas orações.
A equipe médica de emergência chegou e Fabiano e Leila tiveram de se afastar de Luciana para que ela fosse atendida.
Naquele momento, Fabiano olhou para o outro lado do jardim e viu Laís sentada em um banco, cercada por três policiais e os dois funcionários que conseguiram imobilizá-la.
Movido pelo ódio, ele se dirigiu em direcção a eles com uma fúria descontrolada.
Sem pensar, Leila correu atrás dele, instintivamente tentando impedi-lo de fazer alguma bobagem.
Já estava perto quando começou a gritar:
- Sua louca! Assassina!
Vou acabar com você, miserável!
Antes que ele chegasse mais perto, um policial foi em sua direcção, mas quem conseguiu contê-lo foi Leila, que o pegou pelo braço fazendo-o parar, já com o policial na sua frente:
- Senhor, por favor, acalme-se - disse a autoridade com firmeza.
Fabiano continuou gritando:
- Essa mulher é uma louca, uma criminosa!
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 22, 2018 8:50 pm

Você vai apodrecer na cadeia.
Se algo pior acontecer com minha mulher, vou viver para acabar com você.
Nesse instante, ele tentou desenvencilhar-se de quem o segurava, e estava tão agitado que Leila sentiu que não conseguiria contê-lo por muito tempo.
O policial aproximou-se pronto para ajudá-la e Fabiano gritou:
- Solte-me!
Vou acabar com essa assassina!
Leila falou:
- Controle-se.
A polícia vai cuidar dela!
Ele continuou se debatendo e Leila gritou desesperada e em lágrimas:
- Por favor, acalme-se, pai!
Tudo parou!
O vazio envolveu Fabiano e aquelas palavras ficaram ecoando em sua cabeça.
Em fracção de segundos várias imagens da época de seu namoro com Luciana desfilaram em sua mente.
A mão que segurava seu braço estava ali, firme.
Mal se podia ouvir a respiração de Fabiano.
Ele voltou-se lentamente e, ao deparar com aquele rostinho lindo e assustado encarando-o, o amor se apoderou do lugar que antes abrigava somente ódio, e, sem conseguir dizer nada, ele abraçou a filha com intensidade e ambos choraram juntos num momento em que as palavras eram desnecessárias e o calor dos sentimentos já dizia tudo.
Suzanne chegou perto de Júlia, Augusto e Mário no exacto instante em que Luciana estava sendo levada para a ambulância.
Os amigos se angustiaram com a cena.
Logo saíram Fabiano e Leila abraçados, o que deu um grande alento ao coração de Suzanne e Júlia.
Augusto tomou a iniciativa e falou:
- Fabiano, venha comigo.
Você não está em condições de dirigir.
Mário, leve o carro dele.
Suzanne, quem é essa moça?
Leila respondeu com a cabeça erguida e emocionada:
- Sou Leila, filha de Fabiano e Luciana!
Mário e Augusto olharam para Suzanne espantados, e ela fez um sinal que depois falariam sobre o assunto.
- Leila vai comigo e com Júlia no meu carro.
Tudo bem, Leila?
A moça olhou para o pai.
Ele apenas assentiu com a cabeça e deu-lhe um beijo na testa.
Júlia e Suzanne ficaram comovidas.
Pouco atrás de Fabiano e Leila, saíram os policiais que levavam Laís algemada.
Estava acabado.
Pega em flagrante, ela ficaria detida sem direito a habeas corpus.
Quando ela passou, todos a olharam e ela retribuiu com ódio.
Apesar de sua situação, mantinha a mesma postura arrogante que lhe era peculiar.
Arthur chegou a tempo de presenciar a cena e encarou a mulher com repugnância e desprezo, mas ferido por haver se envolvido com ela.
Os curiosos na rua mal sabiam o que havia acontecido, qual era a história que motivara o crime, mas, levados pelo frenesim colectivo, gritavam:
- Assassina! Assassina!
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 22, 2018 8:50 pm

O ambiente era assustador e Rita, Olívia e Saulo, próximos da família e dos amigos de Luciana, continuavam orando pedindo protecção para eles.
Em meio a multidão eles viram vários espíritos que riam e gritavam como os encarnados, atiçando o coração e a mente deles ao ódio e à agressividade.
Dois desses espíritos cercavam Laís.
Quando se viraram para onde estava Olívia, ela lhes enviou um pensamento:
"Não façam isso!
Deixem-na em paz".
Eles gargalhavam e diziam em tom desafiador:
"Ela não quer!
Ela está nos chamando.
Ela sente o mesmo que nós e fará o que queremos; vamos continuar trabalhando juntos", e riam sem parar.
Saulo interveio:
"Por que tanta raiva?"
"Sofremos e precisamos de alguém que faça com que os outros sofram também.
Ela sente o mesmo que nós.
Roubaram nosso amor, impediram que fôssemos felizes, assim como fizeram com ela.
E todos os que fazem isso merecem sofrer, padecer pelo mal que cometeram".
Só então eles perceberam que os dois espíritos eram um casal também, e entenderam que deviam ter sido separados por alguma razão.
Agora, usavam Laís para extravasar o ódio que sentiam.
Olívia voltou a falar:
"Mas essas pessoas não fizeram nenhum mal a vocês.
Por que querem atingi-los?
Eles não têm relação com a história de vocês".
O homem respondeu com agressividade:
"Isso não importa.
Essa gente fez muita coisa errada, mentiu, desconfiou quando deveria confiar, foi preconceituosa e essa mulher aqui amava e foi impedida de viver seu amor.
Seu ódio foi a afinidade que precisávamos para nos unirmos a ela.
São todos desprotegidos, alvos fáceis, não sabem de nada e não sabem o que é fé", concluiu rindo mais alto.
Rita participou:
"Venham connosco!
Podemos ajudá-los!
Vocês não vão mais sofrer!"
"Não queremos ajuda; logo encontraremos outros parceiros e vamos continuar punindo a todos que nos abrirem as portas.
E os parceiros são muitos, vocês sabem.
O ser humano está envolvido demais pela ganância, pelo preconceito, pela inveja e pela raiva.
Eles só pensam em possuir riquezas materiais e disputar posições de destaque.
Ninguém mais pensa no amor.
Nós nos amávamos, mas pessoas assim, preconceituosas e materialistas destruíram a possibilidade de vivermos nosso amor.
O mundo inteiro vai pagar por isso."
"Mas vocês estão equivocados.
Laís impediu o amor de Luciana e Fabiano.
Eles não deveriam sofrer", disse Rita apoiada por Olívia.
"Eles são culpados também.
Não confiaram no amor, ele agiu com preconceito e ela com desconfiança e covardia.
Foram fracos, não lutaram, e então, não merecem mais viver esse amor.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 22, 2018 8:50 pm

Eu e minha amada morremos por amor.
Odiamos os fracos.
E chega dessa conversa.
Não se aproximem mais de nós."
Assim, eles seguiram Laís, que foi colocada no carro da polícia, e deram um último sorriso em direcção à Olívia, Saulo e Rita, que continuavam orando pedindo a Deus protecção e esclarecimento para aquelas pobres almas.
Fabiano e os amigos seguiram em direcção ao hospital.
A preocupação agora era com a recuperação de Luciana.
Ela não podia morrer, não seria justo, não naquele momento!
Todos estavam extremamente abalados ao chegarem ao hospital.
Luciana foi levada para o centro cirúrgico e não havia nada a fazer a não ser esperar.
Depois, Mário e Augusto juntaram-se a Júlia em um canto, e ela, com Suzanne, explicaram aos dois toda a história de Luciana e Fabiano.
Eles ficaram surpresos com o que ouviram.
Leila estava em pé em um canto da sala de espera, sentindo-se cansada e meio sem jeito diante de todos.
Fabiano aproximou-se, pegou-a pela mão e a levou até o sofá onde se sentaram lado a lado.
Arthur também se aproximou dos dois, feliz por conhecer a neta, e quis falar com ela:
- Minha filha, estou muito emocionado em conhecê-la.
Sou seu avô Arthur, pai de Fabiano.
Posso dar-lhe um abraço?
Leila levantou-se e abraçou o avô sentindo todo o carinho que ele lhe oferecia nesse momento tão difícil.
Desde que os pais adoptivos morreram, ela estava carente de carinho, do calor de uma família, e agora via se abrir diante dela uma nova possibilidade de reaver um convívio familiar.
Arthur falou:
- Com certeza, você e seu pai têm muito a conversar.
Vou deixá-los e juntar-me aos outros.
Se precisarem de algo me chamem.
Fabiano também estava constrangido.
Não sabia o que Luciana tivera tempo de contar, e a experiência de estar diante da filha era algo para o que ele ainda não havia se preparado adequadamente.
A iniciativa de puxar a conversa foi dela:
- Estávamos discutindo quando aquela mulher apareceu e atirou.
Foi horrível.
Eu fui grosseira com Luciana, e em segundos ela estava caída aos meus pés, toda ensanguentada.
Ela salvou minha vida - completou Leila chorando.
- Não se martirize.
Essa mulher é louca.
Ela está infernizando nossa vida há anos.
Foi por causa dela que eu e sua mãe nos separamos.
Ela chegou a lhe contar?
Leila respondeu entre soluços:
- Muito pouco, mas falou sobre essa mulher.
Era casada com seu pai, não é?
Ela me disse que essa tal é apaixonada por você, é verdade?
Fabiano pigarreou:
- Foi a única explicação que encontramos para tantas atitudes insanas da parte dela.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 22, 2018 8:50 pm

Ela odeia sua mãe desde o primeiro dia em que pisou em nossa casa.
Mas não vamos pensar nisso agora.
Ela está presa e, de agora em diante, não poderá nos fazer mais nenhum mal.
- Eu fui tão cruel com... - olhou para Fabiano - com minha mãe, e ela não pensou antes de me proteger daquele tiro.
Estou arrasada!
Ela tem de ficar boa para que eu possa lhe pedir perdão pelas coisas horríveis que lhe disse.
- Ela vai ficar boa.
Ela sempre foi uma mulher de muita fibra, muito forte, e Laís não vai conseguir destruí-la.
Júlia aproximou-se:
- Fabiano, vamos nos unir em uma oração pedindo a Deus e aos espíritos superiores que protejam Luciana e lhe dê forças para se recuperar.
Todos nós, venham - falou dirigindo-se ao marido e aos amigos.
Todos muito comovidos aproximaram-se e Júlia iniciou sentida prece em favor de Luciana e sua saúde, mas também em favor da paz e harmonia para todos os envolvidos na situação que gerou aquela tragédia.
Leila segurou a mão de Fabiano:
- Vamos orar juntos, pai, para que minha mãe fique boa logo.
Fabiano sorriu e acompanhou a oração com fé e esperança em dias melhores.
A noite passou lentamente, cada minuto parecia uma eternidade na espera por notícias de Luciana.
A madrugada já estava chegando quando a enfermeira-chefe apareceu dizendo que o cirurgião viria em seguida.
Leila ficou abraçada ao pai temendo pelas notícias.
Já perdera a mãe adoptiva e, agora, não queria perder a mãe que acabara de conhecer.
O médico chegou com uma expressão tranquila.
Disse:
- Todos podem se acalmar.
A paciente está bem e o ferimento não causou nenhuma lesão grave.
Em pouco tempo, estará totalmente recuperada.
Passará a noite na terapia intensiva, é o procedimento normal nesses casos.
Vocês devem ir para casa descansar e voltar pela manhã.
Ela já deve estar acordada e poderá recebê-los, mas, a princípio, uma pessoa de cada vez e rapidamente.
Todos se abraçaram e Fabiano virou-se para Leila e afirmou:
- Vamos seguir o conselho do doutor.
Vamos para casa; precisamos de um banho, de um pouco de descanso.
- Você me deixa em minha casa, pai?
Fabiano vibrava cada vez que a ouvia chamá-lo de pai:
- Não! Venha passar a noite em minha casa, comigo e com seu avô.
Sei que teremos dificuldade para dormir e poderemos conversar mais.
Assim, logo pela manhã voltamos para cá.
Arthur ficou entusiasmado:
- Isso, minha neta, vamos.
Temos muitas coisas para lhe contar e outras para ouvir de você.
Decidido que assim seria, todos se retiraram com o coração mais aliviado.
*
Na delegacia, Laís dava trabalho aos policiais.
Gritava o tempo todo que era rica, milionária, e que ia acabar com a carreira do delegado com uma simples ligação.
Dizia sem parar que "aquela gente" ia pagar por toda a humilhação que a estavam fazendo passar.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 22, 2018 8:51 pm

Até as outras detentas estavam se irritando com o escândalo.
Gritavam com ela mandando que calasse a boca, e uma das prisioneiras, que era muito respeitada pelas outras, avisou que quando colocasse as mãos nela, iria matá-la sem piedade.
Foi uma noite infernal.
Depois de muito tempo, todos perceberam que Laís se aquietara, dando um pouco de sossego.
Ao amanhecer, o carcereiro levou um choque ao chegar à cela de Laís.
Ela estava pendurada com o lençol em volta do pescoço e a outra ponta amarrada nas grades da alta janela.
Aos seus pés, um banquinho tombado, como única testemunha de seu último acto.
*
Fabiano, Leila e Arthur conversaram muito antes de se deitarem.
A moça finalmente soube em detalhes tudo o que acontecera.
Ainda se culpava por ter sido agressiva com a mãe, e disse que só ficaria tranquila quando ouvisse da própria mãe que a perdoava.
Tomaram o café da manhã felizes por estarem juntos e fazendo muitos planos para quando Luciana voltasse para casa.
A empregada chegou interrompendo a conversa:
- Senhor Arthur, ligação para o senhor.
É da polícia.
Arthur fez um gesto contrariado:
- Preciso providenciar logo o divórcio.
Até na cadeia essa mulher vai me dar trabalho enquanto formos casados.
Dê-me aqui o telefone.
Enquanto escutava atentamente o que o homem lhe dizia do outro lado da linha, Fabiano e Leila perceberam que sua expressão foi ficando tensa, e se preocuparam.
Será que Laís havia fugido?
Quando ele desligou, olhou atónito para o filho e a neta:
- Laís se matou na cadeia!
O espanto foi geral, mas nenhum deles sentiu qualquer comoção pela vida que se perdia.
Já no hospital, encontraram Júlia e Suzanne os aguardando.
Júlia os recebeu muito animada:
- Queridos, bom dia!
Luciana já acordou e a enfermeira nos disse que a primeira coisa que ela perguntou foi por você, Leila.
Queria saber se estava bem.
Disse que não se lembra de nada, apenas de ver Laís se aproximando com a arma na mão.
Fabiano chamou a enfermeira:
- Por favor, minha filha está ansiosa para ver a mãe.
Ela pode entrar agora?
A enfermeira assentiu e conduziu Leila para o interior da Unidade de Terapia Intensiva.
Suzanne estava muito feliz porque no fim tudo acabara bem.
- Tenho certeza de que com Laís presa, vocês finalmente terão paz.
Depois do que ela fez, vai passar anos na cadeia.
Pai e filho se entreolharam e Arthur deu a notícia:
- Laís não fará mal a mais ninguém.
Ela se matou.
As amigas ficaram boquiabertas. Júlia falou:
- Devemos orar para que ela se arrependa de tudo o que fez e aceite a ajuda dos bons espíritos que podem lhe prestar auxílio.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 22, 2018 8:51 pm

Pobre Laís, como deve estar sofrendo!
Fabiano revoltou-se:
- Que é isso, Júlia?
Com pena daquela mulher que quase destruiu nossa vida?
- Fabiano, todos somos irmãos e um dia você entenderá que devemos orar por aqueles que são iludidos, fracos, que se deixam conduzir no caminho do mal.
O bem e a compaixão devem estar sempre em nosso coração, e o sofrimento pelo qual um suicida passa é terrível.
Eu irei fazer preces para que o espírito de Laís encontre a luz e a paz.
Dessa forma, o ciclo entre vocês vai se fechar; para isso devem orar por ela também e perdoar.
Um dia conversaremos com mais calma sobre esse assunto.
Agora, vamos nos preparar para ver Luciana.
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Ave sem Ninho

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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 22, 2018 8:51 pm

trinta e três - Rumo à espiritualidade
Uma semana havia se passado desde o dia do trágico evento.
Luciana estava pronta para ir para casa.
Fabiano e Leila foram buscá-la, depois de terem estado diariamente com ela no hospital.
Enquanto isso, os amigos os aguardavam na casa do casal preparando uma alegre acolhida para ela.
Estavam presentes:
Júlia e Augusto, Mário e Suzanne, que agora haviam assumido o amor que nascera entre eles, e Arthur, que após a morte de Laís e o novo impulso que seus negócios estavam adquirindo, parecia ter remoçado pelo menos dez anos.
Quando a família chegou, foram recebidos com abraços e sorrisos, e a paz reinava no coração de todos.
Um belo almoço havia sido providenciado e todos se reuniram na sala para conversar antes de a refeição ser servida.
Leila era a mais agitada, no auge de sua energia juvenil:
- Mãe, meus pais... - dizendo isso, Leila ficou sem graça e ruborizada, mas Luciana a tranquilizou:
- Filha, não fique assim.
É natural que você esteja confusa - disse rindo.
Que tal assumir seus dois pais e suas duas mães?
A verdade é essa, e você jamais deve esquecer o que eles lhe deram, que foi muito mais do que o conforto e a segurança material que tem hoje.
- Eu os amava muito.
Mas devo admitir que fui mimada demais - confessou rindo.
Sou tão jovem e não fiz uma faculdade, não tenho uma profissão, passei apenas a administrar os bens que me deixaram.
- Se você quiser pode trabalhar connosco lá na empresa.
O que acha? - disse Fabiano empolgado.
Luciana apoiou a ideia entusiasmada também.
Mas Leila foi muito sensata:
- Obrigada, mas não sei se tenho talento para trabalhar com moda.
Talvez a parte administrativa, financeira seja mais o meu estilo.
- Pois que seja - disse Mário - vai ser óptimo ter você como assistente.
Bem mais agradável do que dividir minha sala com Fabiano - todos riram e Fabiano retrucou com uma careta.
Luciana por alguns instantes ficou com o pensamento distante.
Júlia aproximou-se:
- O que houve?
Ficou tão pensativa de repente...
Luciana falou emocionada:
- Quanto sofrimento nesses anos todos, quanto ódio acumulado por todos, desconfianças, tudo isso para quê?
- Infelizmente, Luciana, o ser humano de modo geral age dessa forma.
Precisa passar pelo sofrimento para deixar de "olhar" e começar a "ver".
A vida envia vários avisos; todos os dias, se estivermos atentos, vamos perceber os sinais.
Às vezes, eles vêm em forma de sensação; às vezes, de intuição.
Ou então, algo acontece para nos indicar um caminho, e até mesmo uma pessoa que aparece pode nos mostrar a escolha certa.
Mas quase sempre estamos mais conectados com as ilusões do mundo, a vida material, e por esse motivo não prestamos atenção.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 22, 2018 8:51 pm

A corrida é sempre em busca para o alimento do corpo, para a beleza exterior, mas o alimento da alma e a beleza interior ficam em segundo plano.
Quando acontece uma tragédia ou um grande sofrimento, que sempre vem para acordar nossa consciência, todos se lembram e buscam a espiritualidade, buscam a Deus.
Poderia ser diferente...
- É uma grande verdade.
Aprendi muito com tudo o que aconteceu, mas se eu tivesse dado mais atenção às coisas que você me dizia em nossas conversas, ao que José Américo me disse anos atrás, talvez eu tivesse evitado toda essa dor.
Mas eu estava cega de ódio e só tinha olhos para a vingança.
Essa perturbação acabou adiando muito meu encontro com a felicidade.
Eu gostaria de lhe fazer um pedido.
- Claro, Luciana, peça o que quiser, se eu puder atender...
- Você acha que alguém como eu, que nunca acreditou em nada, que viveu anos e anos com sentimentos tão ruins...
Você acha que posso vir a me tornar uma pessoa como você?
Júlia deu um sorriso e perguntou:
- O que você quer dizer com "uma pessoa como você?"
- Uma pessoa melhor, voltada para o bem, que sabe perdoar e compreende tudo.
- Eu não compreendo tudo, apenas procuro estudar muito e aprender mais sobre esse mundo invisível aos olhos da maioria, mas tão presente e real como esse que habitamos agora.
É por meio desses estudos que compreendo que a vida verdadeira não é essa que passa diante de nossos olhos diariamente.
As causas do muito que vivenciamos não estão, na maioria das vezes, ao nosso alcance, mas nas muitas reencarnações do nosso espírito imortal.
Quando compreendemos isso, essa vida torna-se muito mais leve e feliz, principalmente porque descobrimos que tudo sempre está certo da maneira que está.
- Você não sofre nunca?
Não sente raiva?
- Claro que sim.
Eu sofro quando vejo alguém sofrendo pela ignorância, quando vejo pessoas que se aliam sem saber a outros irmãos que já estão em outra esfera, no plano espiritual, e que permanecem perdidos e desorientados.
- Mas e quando alguém a machuca, a agride?
- Sinceramente, Luciana, há muitos anos que não me sinto agredida por ninguém.
Se alguém o faz, com certeza é alguém que precisa muito mais de ajuda do que eu, que sou incapaz de agredir quem quer que seja.
Somos todos irmãos, todos filhos do mesmo Pai, e como uma família, devemos relevar e ajudar se possível quem ainda tem mais a aprender.
Descobri que toda ofensa vem na medida exacta do nosso orgulho.
O Espiritismo, essa doutrina abençoada e consoladora à qual me dedico, ajudou-me a vencer esse monstro devorador.
Luciana respirou fundo:
- E Laís?
- O que tem ela?
- De acordo com sua crença, ela não está morta.
Onde está?
Júlia colocou as mãos no rosto demonstrando sincero pesar:
- Laís era muito materialista e possuía vícios extremamente arraigados em sua personalidade e carácter, como a vaidade, o orgulho, o preconceito e até a inveja e o egoísmo.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 22, 2018 8:51 pm

Deve estar sofrendo muito em um plano inferior, onde irá vivenciar e se confrontar com seus próprios monstros interiores, aqueles aos quais ela mesma alimentou durante toda sua vida na Terra.
E irá encontrar criaturas terríveis que se encontram na mesma situação que ela, criaturas que parecerão humanas, outras talvez não.
Luciana estava impressionada:
- Que horror!
Deus é impiedoso mesmo com os maus!
- Não Luciana, Deus é pura bondade e amor incondicional por todos os seus filhos.
O que ela está passando não é um castigo divino.
É fruto do seu próprio interior, de suas crenças e atitudes.
- Se é assim, porque Deus não a tira de lá?
- Se você pudesse vê-la, saberia que ela não quer sair.
Ela está ainda com certeza carregando toda a sua personalidade do período da encarnação aqui entre nós.
Todos os vícios que citei fazem parte dela, que, com certeza, uniu-se a outros espíritos que ainda devotam seu tempo planeando vinganças e alimentando rancores.
Alguns de nossos irmãos de planos mais elevados passam por entre esses espíritos sofredores e lhes oferecem ajuda, dispondo-se a cuidar deles.
Mas a maioria não quer ou não tem condições de ser ajudada por não querer se livrar do ódio, acreditando que foram os outros os culpados pelas suas dores.
Se ela quiser e se equilibrar, sairá de onde está e encontrará paz e luz.
Por tudo isso lhe digo que devemos rezar por ela, para que se modifique, aceite ajuda e venha em breve a se transformar em mais uma cooperadora que ajudará outros que passarão pelo mesmo que ela passa agora.
Luciana ficou muito emocionada e concluiu:
- Eu gostaria muito de frequentar o Centro Espírita do qual você faz parte.
Você me ajuda?
- Claro que sim!
E isso me deixa imensamente feliz.
Verá que sua vida ganhará outra cor.
Eu sempre digo que o que faz nossa felicidade não são as circunstâncias nas quais nos encontramos, mas nossas atitudes diante de qualquer circunstância.
- Fabiano, Leila, venham até aqui.
Tenho um convite para fazer.
Quero conhecer o Centro Espírita que Júlia frequenta.
Vocês vêm comigo?
Pai e filha não entenderam o convite, e Luciana apenas disse:
- Vocês me acompanham?
Depois falaremos com calma sobre o assunto.
O que acham?
Ficarei imensamente feliz.
Os dois abraçaram Luciana e disseram:
- Se vai fazê-la feliz, claro que iremos.
Júlia presenciou a cena agradecendo a Deus por aquele momento.
Luciana perguntou para Leila:
- O que você e seu pai estavam conversando de forma tão animada?
Fabiano respondeu:
- Acho que depois de tudo o que passamos, merecemos umas férias.
O que acha, meu amor?
Luciana disse:
- Férias? Sabe que acho uma boa ideia!
Mas para quando?
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 22, 2018 8:52 pm

Leila era a mais animada:
- Para breve; assim que o médico disser que você já pode viajar.
- Nossa, que pressa! - disse Luciana rindo.
Fabiano continuou:
- Precisamos descansar de verdade, e também será uma óptima oportunidade de nos conhecermos mais e melhor, não é, filha?
Temos muitos anos para descobrirmos, nós três.
E, Luciana, nossa filha por enquanto prefere continuar morando no apartamento dela.
Acho que precisamos de um tempo para nos adequarmos à nova realidade, então, essa viagem nos fará muito bem, você não acha?
- Tem razão.
Com o tempo tudo vai se ajeitar.
E para onde vamos?
Posso escolher o roteiro?
Pai e filha negaram com a cabeça:
- Isso não. Já sabemos para onde vamos.
Vamos para a Rússia!
Luciana não escondeu a surpresa?
- Rússia?
Mas por que tão longe?
Fabiano explicou:
- Não sei porquê, mas sempre tive um fascínio pela Rússia, sua cultura e sua gente.
E quando falei isso, Leila disse que sentia o mesmo; nem precisamos pensar muito para decidirmos.
Luciana falou:
- Engraçado, nunca havia pensado nessa possibilidade, mas agora que vocês falaram vejo que a ideia me agrada muito.
Estamos combinados!
Arthur se aproximou com várias taças de vinho e afirmou:
- Eu também estou incluído nesse pacote, claro! - e sorrindo distribuiu os copos para um brinde.
E em total harmonia e felicidade, Fabiano, Luciana e Leila se abraçaram, ergueram as taças e falaram em uníssono:
- Rússia! Aí vamos nós!
Rita, Olívia e Saulo, ao lado deles, ergueram as mãos em prece, agradeceram pelas graças obtidas, sorriram e partiram juntos.
Ninguém pode escolher a quem amar, mas pode, com certeza, escolher o caminho do amor!

Fim

§.§.§- Ave sem Ninho
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