Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 08, 2018 9:16 pm

Tenho certeza de que se fizermos tudo direitinho como ela quer, uma hora o sr. Arthur ou Fabiano perceberão que algo está errado, e aí sim, a iniciativa de tomar alguma providência será de nosso patrão.
Duvido que ela terá coragem de ir contra ele.
O dinheiro e o luxo que ele proporciona vão fazê-la acatar qualquer decisão dele.
E nada terá sido dito por nós.
As coisas vão se ajeitar, tenha fé!
- É difícil, mãe.
Não sei se conseguirei, mas prometo que vou tentar.
Faço isso pela senhora apenas.
- Essa Laís é muito gananciosa.
Vai acabar metendo os pés pelas mãos, você vai ver.
Acredita que hoje pela manhã ela me humilhou de uma maneira que você nem imagina, e se referiu a todo o património do sr. Arthur como sendo dela também.
Foi horrível!
- Como um homem bom como ele pôde se envolver com uma mulher assim?
- Ela é muito bonita de fato, isso não se pode negar.
Ele estava sozinho havia muitos anos.
A carência diante de tamanha beleza como a dela o transformou em uma presa fácil.
Essa é a verdade.
- Reparou que até Fabiano simpatiza com ela?
Quando cheguei eles estavam se divertindo na piscina.
- Foi exactamente o que lhe falei agora; a beleza dela, o jeito dissimulado que a faz parecer uma mulher doce e alegre enganam facilmente qualquer homem.
Garanto a você que se ela derramar diante deles duas ou três lágrimas conseguirá qualquer coisas dos dois.
Por essa razão, minha filha, vamos ter calma e aguardar os acontecimentos.
Por hora, tome um banho e se vista para me ajudar com o almoço.
Temos de começar a agir conforme ela ordenou.
Arthur ficaria o dia todo no escritório e o almoço foi servido apenas para Laís e Fabiano.
No centro da mesa, um vaso com flores vermelhas.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 08, 2018 9:16 pm

cinco - Felicidade
Os meses foram passando e a normalidade imperava na residência da família Gouveia Brandão.
Luciana continuava seus estudos com muito sacrifício e estava sempre muito cansada porque durante todo o dia Laís tratava de deixar uma lista de funções que ela deveria cumprir.
Rita organizava tudo exactamente como a patroa gostava, e a esposa de Arthur não encontrava motivos para repreender mãe e filha.
Certa de que tudo estava seguindo o rumo determinado por ela e de que as duas não lhe criariam mais nenhum tipo de problema, Laís começou a reactivar sua vida social, saindo bastante ou recebendo as amigas em casa, deixando de dar atenção aos empregados.
Para ela era como se eles não existissem.
Também passou a frequentar a Hípica quase diariamente, e seu maior objectivo era estar próxima o máximo possível de Fabiano.
Arthur fazia dela uma rainha e ela adorava a forma como ele a cobria de carinhos e mimos, mas o marido realmente trabalhava muito, viajava com frequência, e a companhia do enteado era sempre uma alegria.
Mas Laís acabou percebendo que não era apenas isso:
ela desejava Fabiano, desejava seu corpo e sua alma.
Ela havia se apaixonado por ele e não fizera esforço nenhum para combater o sentimento.
Mas não poderia deixar de forma alguma que alguém percebesse o que se passava em seu coração; o casamento com Arthur era muito conveniente e, caso ela se separasse, com certeza nunca mais veria Fabiano.
Pelo menos morando na mesma casa, ela poderia estar com ele sempre que quisesse.
Sabia do amor do filho pelo pai e tinha certeza de que um jamais trairia o outro; portanto, precisava ter muito cuidado com suas atitudes.
Uma tarde na Hípica, Laís estava sentada observando Fabiano, que treinava seu cavalo, quando uma amiga se aproximou:
- Como vai, Laís, estava à sua procura.
Amanhã faremos uma reunião na casa de Maria Clara e sua presença é indispensável.
Você não vai deixar de ir, não é? - falou notando que Laís estava distraída olhando para Fabiano.
- Ah, está no mundo da lua admirando seu enteado!
Não é para menos, esse rapaz é um verdadeiro deus grego - concluiu com uma risadinha maliciosa.
Laís a olhou tentando dissimular a contrariedade e disse:
- Nem pense em tentar chegar perto dele com segundas intenções.
- Ora, até que não seria má ideia; sou uma mulher divorciada, ele é jovem, bonito e descompromissado.
Já pensou você ser minha sogra?
Seria divertido! - e soltou uma sonora gargalhada.
Laís, tomada pelo ciúme e por saber que a outra estava certa, sentiu a raiva crescer em seu peito.
A amiga realmente era livre.
Fabiano, desimpedido e com seu temperamento, com certeza adoraria se envolver com ela, mesmo que só para uma aventura como as outras.
Contendo a irritação que essa possibilidade lhe causou, falou com desdém:
- Não seja tola!
Ele é muito jovem e com certeza prefere estar com as garotas da sua faixa etária.
Você não se enxerga?
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 08, 2018 9:16 pm

Já está coroa para ele.
- Tola está sendo você, Laís.
Hoje em dia são inúmeros os casos de rapazes que namoram mulheres mais velhas.
Além do que, ainda sou jovem e bonita também e tenho certeza de que saberei despertar o interesse dele muito melhor que essas menininhas inexperientes.
A madrasta de Fabiano tinha de manter a calma para não demonstrar seus verdadeiros sentimentos, pois sabia que as mulheres reconhecem fácil o interesse de outras em algum homem.
Procurou desviar os olhos de onde o rapaz estava e desconversou:
- Estou com sede; vamos até o restaurante beber alguma coisa e combinamos o encontro na casa de Maria Clara.
Claro que estarei lá, não perderia essa reunião por nada - e levantou pegando sua bolsa e levando a amiga pelo braço para longe dali.
*
Arthur chegou a casa no meio da tarde para pegar um documento.
Poderia ter pedido ao funcionário da empresa para ir buscar, mas preferiu fazê-lo pessoalmente porque sabia que a mulher e o filho não estavam em casa, então poderia passar alguns momentos relaxando.
Pela primeira vez estava tendo alguns problemas na empresa, nada grave, sabia que iria solucioná-los facilmente, mas estava cansado e ficar um pouco sozinho lhe permitiria repor as energias.
Quando ouviu o barulho do carro passando pelo portão, Rita se surpreendeu.
Não era costume o patrão aparecer em casa no meio da tarde.
Ela se preocupou achando que poderia ter acontecido alguma coisa.
"Será que ele está doente?", pensou Rita indo esperá-lo na porta principal.
- Olá, boa tarde, Rita.
Tudo bem?
Fabiano e Laís não estão em casa, não é? - disse ele aparentando estar bem.
- Boa tarde, senhor.
Realmente, eles não estão em casa.
Ambos foram passar o dia na Hípica e só devem voltar para o jantar - respondeu Rita se tranquilizando por ver que tudo estava bem com o patrão.
- Melhor assim; vou para o escritório olhar uns documentos e devo voltar para a empresa em uma hora aproximadamente.
Por favor, Rita, nesse período não gostaria de ser incomodado; se Laís telefonar nem diga que estou em casa.
Preciso ficar um pouco sozinho.
- Mas está tudo bem?
Percebo que o senhor está um tanto preocupado.
Arthur deu um sorriso amável e respondeu:
- Ah, Rita, você sempre preocupada connosco!
Fique tranquila, está tudo bem.
Apenas tenho algumas questões um pouco desagradáveis para resolver, mas nada que mereça tanta preocupação.
Concluiu, dirigindo-se ao gabinete.
Voltou-se novamente para ela e pediu:
- Você poderia me trazer um copo de suco?
É só do que necessito nesse momento.
Rita assentiu com a cabeça e foi providenciar o que o patrão havia pedido.
Ao entrar no escritório, Arthur já estava arrumando vários papéis e quando pousou o copo em sua mesa, ele a olhou por cima dos óculos e perguntou:
- Rita, sei que pouco tenho participado da rotina da casa, e que com a chegada de Laís me afastei um pouco, ciente de que ela agora cuidaria de tudo.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 08, 2018 9:17 pm

Mas, embora não pareça, eu observo o que acontece e tenho percebido que você e Luciana andam um pouco tristes, distantes e muito reservadas.
Há tantos anos você trabalha aqui e é a primeira vez que as vejo assim.
Está acontecendo alguma coisa que eu não saiba?
Vocês estão com algum problema?
Rita sentiu o coração pulsar mais forte e teve de conter o impulso de falar tudo o que havia acontecido logo que Laís chegou a casa.
Um pouco trémula, ela respirou fundo e respondeu:
- Não, sr. Arthur, está tudo bem.
É que a rotina da casa mudou bastante e agora o trabalho está sendo conduzido de forma diferente; apenas isso.
Ele continuou olhando para ela ainda em dúvida.
- Tem certeza de que não está acontecendo nada?
Por que Luciana também está fazendo serviços domésticos todos os dias?
- Ah, doutor, ela faz isso com muito gosto.
Quer ajudar, não se sentia bem apenas se dedicando aos estudos.
Sabe como é, já é uma moça e quer se sentir mais útil.
Arthur coçou o queixo e finalmente convencido de que tudo estava bem, falou servindo-se do suco:
- Então está bem.
Fico feliz com a atitude dela, embora não fosse necessária.
Mas diga a ela que não deixe o trabalho interferir nos estudos.
Isso é o mais importante.
- Obrigada, doutor, por sua preocupação.
Pode deixar que vou lhe dar o recado.
Precisa de mais alguma coisa?
- Não, obrigado, pode ir.
E, por favor, não esqueça que não atendo ninguém.
Rita saiu e fechou a porta atrás de si suavemente e com o coração apertado por não poder falar com Arthur sobre as ameaças que ela e a filha haviam recebido de Laís.
Suspirou e se retirou para a cozinha certa de que
havia agido sabiamente.
Não podia criar problemas.
Para sua segurança e de Luciana.
Mas não foi apenas Arthur que percebeu a mudança de comportamento das duas.
Fabiano, embora muito desligado de tudo isso, também não pôde deixar de notar que Luciana o evitava com frequência havia algum tempo.
Sempre que ele a procurava na casa para conversar, ela se esquivava argumentando que estava muito atarefada e o deixava praticamente falando sozinho.
Nunca ele havia dado muita atenção e importância para Luciana, mas depois que começaram a conversar mais, antes da chegada de Laís, ele começava a gostar da companhia dela.
Era bom ter em casa uma pessoa da sua geração.
Percebendo que não conseguia a atenção da jovem, um dia ele resolveu esperá-la na porta da escola, coisa que jamais havia feito antes.
Continuava entediado com sua turma de amigos e queria fazer algo diferente.
Quando os portões se abriram para a saída dos alunos e Luciana o viu, mal pôde acreditar.
Em vez de caminhar na direcção dele, ela parou e ficou tentando imaginar o que o rapaz fazia ali.
Teria acontecido alguma coisa com sua mãe?
Quando ele acenou e sorriu, ela concluiu que a expressão dele era de tranquilidade e sua presença não devia estar acompanhada de nenhuma má notícia.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 08, 2018 9:17 pm

Só então foi até o carro.
Foi recebida por Fabiano com um beijo no rosto:
- Finalmente consegui que você me desse atenção - falou Fabiano alegremente.
Ela ainda estava confusa, mas a presença dele enchia seu coração de felicidade.
- Que bobagem, eu sempre lhe dei atenção.
- Negativo.
Ultimamente sempre que tento me aproximar, você foge de mim!
- Eu não fujo; tenho muito trabalho para fazer e ainda dar conta dos estudos.
Não tem sido fácil!
- Nunca entendi por que você começou a fazer serviços em casa; temos outros empregados, e sua mãe sempre administrou tudo muito bem.
Você não precisava...
- Eu sei que não, mas fico mais feliz podendo ajudar.
Seu pai sempre foi muito bom comigo e acho que assim estou retribuindo um pouco por tudo o que ele já me proporcionou.
- Bem, se isso a faz feliz quem sou eu para dizer o contrário - disse dando de ombros.
Venha, entre no carro que vou levá-la para casa.
Ao pensar que Laís poderia vê-los juntos e nas consequências disso, ela entrou quase em pânico.
Mas como poderia evitar que Fabiano fosse com ela sem levantar suspeitas de seu medo?
Pensou rápido e disse:
- Posso lhe pedir uma coisa?
- Claro que sim, hoje estou aqui para servi-la - falou fazendo uma reverência e rindo.
- Vamos tomar um sorvete?
Ele a olhou decepcionado e disse:
- Só isso? Pensei que era algo mais excitante - e piscou o olho para ela.
Ruborizada e com vergonha ela nada disse, e ele continuou:
- Se é só um sorvete, vamos a ele.
Vou levá-la na Hípica. Vamos.
- Não! Na Hípica não - ela se apressou em falar.
- Prefiro um lugar onde ninguém o conheça; afinal, sou apenas a filha da empregada e não fica bem nos verem juntos no seu ambiente - concluiu.
Fabiano parou e ficou alguns instantes pensando nas palavras dela, depois, teve outra ideia:
- Então vamos até a praia.
O que acha?
Ela achou que no fundo ele se envergonhava de tê-la ao seu lado, mas não se deixou abater.
Estava muito feliz naquele momento.
- Óptima ideia.
Vamos tomar um sorvete na praia então, mas não podemos demorar.
Entraram no carro e saíram já conversando animadamente.
Durante o tempo que passaram juntos, Luciana esqueceu todos os problemas e a tristeza que havia rondado sua alma nos últimos meses.
Ela amava Fabiano e agora ele estava tão próximo que ela mal podia acreditar.
O interesse de Luciana começou a ficar mais evidente para Fabiano, e ele sentiu que ela o atraía bastante também.
Já a olhava de forma diferente e estava satisfeito pelos momentos ao lado dela.
Mas havia chegado a hora de voltarem para casa, e Luciana, que temia ser vista com ele, agradeceu a carona e o passeio dizendo:
- Foi muito bom passearmos esta tarde, eu adorei.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 09, 2018 9:14 pm

Mas não vou voltar com você.
Quero aproveitar e passar na casa de uma amiga que não vejo há algum tempo.
Ela passou um período de cama e vou fazer-lhe uma visita.
- Eu a levo até lá e a espero para voltarmos juntos.
- Não é necessário. Depois eu pego um ônibus, não se preocupe.
- Bem, se você insiste está bem.
Ele a olhou profundamente e continuou:
- mas queria que você soubesse que adorei estar com você e quero de verdade que outros momentos assim aconteçam.
O coração de Luciana batia acelerado e ela não sabia o que dizer.
Ele foi se aproximando, segurou suavemente o rosto dela entre suas mãos, e falou baixinho:
- Não sei como não percebi isso antes... mas acho que estou me apaixonando por você.
Assim, ele beijou delicadamente os lábios de Luciana, que não reagiu de imediato.
Depois, sentindo o calor da boca do jovem, ela retribuiu o beijo com toda a força do amor que existia dentro dela havia tantos anos.
- Eu sempre o amei, Fabiano - ela disse com os olhos brilhando de emoção.
- E eu descobri que também a amo - ele respondeu abraçado a ela.
Quando se despediram, o encontro para o dia seguinte já estava marcado.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 09, 2018 9:14 pm

seis - Encontro romântico
Durante todo o mês seguinte, Fabiano e Luciana se encontraram diariamente.
Ele ia buscá-la na escola e sempre passeavam juntos, mas ela conseguia evitar que chegassem juntos a casa.
Estava imensamente feliz e não desejava que nada estragasse aquela felicidade.
Fabiano, mais inconsequente e sem saber do que Laís já havia feito, começou a se mostrar descontente com tantas reservas:
- Eu não entendo, Luciana, vivemos nos escondendo!
Já faz um mês que saímos juntos e sempre tem de ser às escondidas!
Nunca chegamos juntos em casa e quando estamos lá você mal fala comigo.
Acho um exagero da sua parte tantos cuidados.
Meu pai gosta de você e praticamente foi sua mãe quem me criou.
Ela sentiu crescer o desejo de se abrir com ele, mas lembrou das ameaças de Laís e calou-se mais uma vez.
- Eu sei que seu pai gosta de mim, e minha mãe também gosta muito de você, mas, tente entender, nossa situação não é exactamente normal.
Talvez tenhamos de ir com calma para que todos entendam.
- Como assim, não é normal?
Claro que é!
Somos jovens, solteiros e estamos apaixonados.
Mas parece que estamos fazendo algo errado!
- Digamos que não é errado, mas talvez seu pai não veja com bons olhos, mesmo gostando de mim.
Entre gostar de mim e querer que eu seja a namorada do filho dele existe uma grande distância.
Você me entende?
E tem a mulher dele também, que, com certeza, não aprovará nossa relação.
- Laís? Ela não tem de aprovar nada.
Ela é mulher de meu pai, mas não manda em mim nem na minha vida.
Mas meu pai... talvez você esteja certa.
Não gostaria de contrariá-lo.
Vamos combinar uma coisa: eu vou sondar o que ele pensa sobre isso e assim que sentir que está tudo bem, vamos deixar que todos saibam que nos amamos.
Luciana sorriu, abraçou o namorado, e disse:
- Nunca pensei que eu pudesse ser tão feliz!
- Nós somos felizes e tudo o que quero é poder estar ao seu lado.
Sabe que nem sinto falta de minha turma quando estamos juntos?
- E todas aquelas garotas que viviam atrás de você?
Também não sente falta delas? - perguntou Luciana com um ar zombeteiro.
- É verdade... Ah, que belas garotas!
Sabe que sinto saudade de algumas? - e antes que terminasse de falar, levou um dolorido beliscão no braço - falou rindo.
Luciana fingiu estar zangada:
- Doeu? Era para doer mesmo!
- Sua boba. Estou brincando.
Você sabe o quanto a amo e nenhuma garota seria capaz de ocupar minha cabeça e meu coração. Só você!
Beijaram-se novamente e agora os beijos eram mais ardentes, evidenciando a urgência que o corpo de ambos sentia de estar cada vez mais junto, mais íntimo.
O desejo de amar era cada vez maior.
Durante esse tempo, Laís começou a observar que algo estava diferente.
Luciana estava mais tranquila, sempre fazia seu trabalho com alegria, e isso estava deixando-a intrigada.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 09, 2018 9:15 pm

Um dia ela chamou Rita:
- O que está acontecendo com sua filha?
Ela me parece diferente.
Vive sorrindo pelos cantos - afirmou com sarcasmo.
Rita, que não sabia do namoro com Fabiano, também estranhava a felicidade dela, mas não queria incentivar a curiosidade da patroa.
Respondeu friamente:
- Não sei, senhora, acho apenas que ela se acostumou com as novas tarefas e está conseguindo finalmente organizar os estudos.
Isso a deixa feliz!
Laís pegou a revista que estava em seu colo e a jogou displicentemente em cima do sofá, ficou em pé e falou de forma arrogante:
- Você é mesmo muito ignorante e boba.
Isso para mim está cheirando a homem!
- Não, senhora, pelo amor de Deus!
Minha filha nem namorado tem.
Ela só pensa no trabalho e nos estudos.
Laís sacudiu a cabeça em negativa, andou para o outro lado da sala e prosseguiu:
- Você é incompetente até para cuidar da própria filha.
Está na cara que tem homem metido nessa história.
Sabe-se lá que tipo de marginal anda rondando a casa.
Rita ficou tão chocada que não conseguiu dizer nada.
Laís continuou a lançar seu veneno, e isso lhe causou imenso prazer; havia muito tempo que ela não se divertia humilhando a empregada que ela tanto odiava:
- Olhe bem, sua filha deve estar vadiando pela rua com vários homens.
Ou você acredita que ela é uma menina pura e virgem? - falou soltando uma gargalhada.
- Garotas pobres não se preservam como as meninas da minha classe social.
Desde muito cedo já começam a dormir com qualquer um, e antes dos dezoito anos já andam com filhos pendurados no pescoço.
Pela cara da sua filha, ela está indo pelo mesmo caminho.
Mas vou avisá-la apenas uma vez:
se algum dia eu pegar um estranho vagabundo rondando minha casa, eu chamo imediatamente a polícia.
Não quero saber dos namoradinhos bandidinhos dela passando sequer perto do chão que eu piso.
Rita não conseguia acreditar no que estava ouvindo; eram muitos absurdos juntos.
- E outra coisa: se um dia essa vadiazinha aparecer grávida, no dia seguinte vai para a rua.
E se você ficar com pena vai junto!
Era só o que me faltava, um projecto de marginal vivendo sob o mesmo tecto que minha família.
Está avisada.
Agora, fora daqui que não aguento olhar para sua cara por muito tempo.
Rita foi para a cozinha, encostou-se na pia, e começou a orar:
- Meu bom Deus, dê-me forças para continuar seguindo meu caminho como deve ser.
Proteja minha menina da maldade dessa mulher.
Não permita que minha filha sofra nem que dê um mau passo.
No íntimo, Rita já estava desconfiada de que havia algo entre Luciana e Fabiano; ela conhecia muito bem os dois e reparava que eles estavam trocando olhares furtivos.
Olhares que para Rita indicavam uma grande cumplicidade.
*
Certa noite, Luciana disse que recebera um convite para o aniversário de uma amiga.
Iria ajudar a mãe a arrumar a cozinha após o jantar e sairia depois.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 09, 2018 9:15 pm

Rita nunca proibira a filha de sair com as amigas, confiava nela e achava que devia se divertir.
A casa já estava calma quando a menina cruzou os portões e desceu a rua.
Ela andou três quarteirões e parou na calçada, ficando protegida por uma árvore.
Depois de cinco minutos o carro de Fabiano chegou e ela entrou.
Era a primeira vez que saíam à noite.
Foram para um barzinho longe dos lugares que o rapaz costumava frequentar.
Luciana sentia vergonha de estar no mesmo ambiente que os amigos ricos do namorado e ele também achava melhor ficarem distantes da alta sociedade.
Ela estava muito feliz e jamais se importou com isso, preferia estar sempre sozinha com ele.
Já era tarde da noite quando Fabiano, não contendo mais seu desejo pela namorada, falou de forma carinhosa:
- Eu a desejo tanto!
Quero ter você toda para mim... lhe dar todo o amor que você merece.
Você quer ser toda minha esta noite?
Vamos sair daqui?
Luciana sentiu um calafrio percorrer todo seu corpo.
Ela também desejava Fabiano, mas não imaginou que tudo aconteceria tão rápido.
Ele a beijou, acariciou seu pescoço, seus cabelos, e ela não conseguiu pensar em mais nada.
Apenas queria se entregar a ele, ao homem que escolhera para amar por toda a vida.
Ambos deixaram o bar, e Fabiano seguiu até um motel. Luciana sentia medo e excitação.
Quando chegaram à suíte, a moça não conteve a satisfação diante do ambiente fino, decorado com muito bom gosto e, ao mesmo tempo, muito sensual.
Havia uma enorme cama com lençóis macios e grandes travesseiros, uma sala com um sofá e uma TV.
O banheiro, revestido de mármore, tinha uma grande banheira de hidromassagem e a parede era toda de espelhos.
As toalhas eram enormes e felpudas, tudo num ambiente maravilhoso e perfumado.
Fabiano pegou-a pela mão e abriu uma porta de vidro, que ficava escondida pela cortina.
Do lado de fora havia uma piscina com água aquecida e uma cascata, tudo iluminado por poucas luzes que ficavam dentro d'água.
Envolvidos por esse cenário, eles se abraçaram e trocaram muitos beijos.
E, ali, ambos se entregaram a paixão.
Não existia medo nem preocupação com o futuro.
O que existia era apenas o presente.
Ficaram juntos até tarde da madrugada.
Quando voltaram para casa estavam felizes.
Luciana entrou na casa dentro do carro de Fabiano, mas pediu que ele se certificasse de que não havia ninguém por perto para que ela pudesse sair em segurança.
Despediram-se com um beijo e ela se dirigiu sorrateiramente até sua casa, onde Rita dormia tranquila.
Fabiano foi para o quarto e ficou pensando em tudo o que acontecera.
A princípio, queria apenas conquistar Luciana, como fizera com tantas outras, mas naquela noite percebeu que estava realmente apaixonado e que ela havia despertado nele um sentimento totalmente novo e maravilhoso.
Ainda com o perfume de Luciana em seu corpo, ele foi se deitar.
*
Estava cada vez mais difícil para o casal esconder o envolvimento deles.
Fabiano ainda não tivera oportunidade de conversar com o pai e a decisão de contar a todos foi adiada.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 09, 2018 9:15 pm

O rapaz já não saía como antes com os amigos e até diminuíra seus treinos na Hípica.
Gostava de ficar em casa, na piscina ou em seu quarto por horas, sozinho, lembrando sempre dos momentos que conseguia passar ao lado de sua amada.
Luciana continuava seus afazeres e sentia-se feliz como nunca.
As poucas vezes que era obrigada a cruzar com Laís, nem se importava de abaixar a cabeça sem sequer olhar nos olhos da patroa.
Tudo isso não significava nada para ela que estava vivendo o maior sonho de sua vida.
Rita, mãe zelosa, estava cada vez mais preocupada com o que sua intuição lhe dizia e resolveu falar com a filha.
Certa noite, quando estavam se preparando para dormir, Rita foi até o quarto da filha, sentou-se na beirada da cama e falou com uma doçura carregada de inquietação:
- Luciana, precisamos conversar sobre um assunto muito sério.
Tenho notado que algo está acontecendo entre você e Fabiano.
Preciso que me conte a verdade.
A filha a olhou com olhos brilhantes e, cansada por não poder dividir sua felicidade com a mãe, abriu seu coração:
- Mãe, a senhora está certa.
Eu e Fabiano nos amamos e já estamos juntos há algum tempo.
Rita levantou-se colocando as mãos sobre o rosto, como se quisesse esconder sua angústia, e exclamou:
- Meu Deus, não pode ser!
Eu tinha esperança de que você me dissesse que eu estava enganada!
Luciana levantou-se e abraçou a mãe, dizendo:
- Não fique assim, mamãe, está tudo bem.
Por enquanto não vamos falar nada para ninguém.
Tudo será feito no momento certo.
Eu e Fabiano já conversamos muito sobre isso.
Sem conseguir controlar as lágrimas, Rita levou a filha até o sofá, onde ambas se sentaram.
- Você não entende, Luciana?
Essa relação não pode continuar.
- Mas, mãe, nós nos amamos, que mal há nisso? - questionou a moça com a voz começando a ficar embargada pela emoção.
- Será que você está tão cega de amor que não consegue perceber o perigo da situação?
Essa atitude de vocês pode ter consequências muito graves para todos nós.
- Acho que a senhora está exagerando.
O sr. Arthur vai nos apoiar, com certeza, até Fabiano acha isso; ele sempre gostou muito de nós e não é um homem que carregue em si qualquer tipo de preconceito.
Rita sentiu um grande desânimo por não conseguir fazer a filha entender, mas não desistiu:
- Está certo, vamos supor que nosso patrão realmente não se oponha... mas e Laís?
Luciana respondeu com a voz carregada de raiva:
- Essa Laís não tem de se meter na nossa vida!
Fabiano disse que não vai permitir...
- Ela é que não vai permitir que a filha da empregada seja vista como a namorada do seu enteado.
Jamais vai aceitar que a sociedade saiba disso, você não entende?
E como já falamos antes, ela consegue o que quer do marido, não se iluda.
Luciana agitou a cabeça negativamente e começou a andar de um lado a outro da sala, muito nervosa:
- Mãe, eu confio em Fabiano; ele vai me proteger e proteger nosso amor.
Voltou a se sentar próximo à mãe, segurou suas mãos, e suplicou:
- Por favor, fique do nosso lado.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 09, 2018 9:15 pm

Com o seu apoio tenho muito mais forças para lutar caso essa mulher queira nos criar problemas.
Mas isso não vai acontecer; ela está muito ocupada com sua vida social, não vai querer se aborrecer.
Rita deu um profundo suspiro e concluiu que não conseguiria fazer Luciana repensar suas atitudes.
- Vou rezar, minha filha, rezar muito por todos nós.
Quando foi se deitar, Rita sentia o coração carregado de aflição.
O corpo não relaxava, revirava-se na cama repassando mentalmente a conversa que tivera com a filha, as ameaças e humilhações de Laís e as trocas de olhares entre os dois jovens apaixonados.
Pediu a Deus que Luciana mudasse o rumo de sua vida.
Depois de algum tempo, a oração acalentou sua alma e ela conseguiu adormecer.
Durante o descanso de seu exausto corpo carnal, o espírito de Rita, sentindo que os laços que o prendiam à sua forma física estavam mais relaxados, desligou-se da matéria e chegou a um belo jardim, coberto pelas folhas de outono, muito amplo. Parecia infinito e completamente deserto.
Um rio descia suavemente por várias pequenas quedas d'água e era impossível descobrir onde seria seu destino.
O espírito de Rita sentou-se em uma pedra à beira do rio e, em seguida, ela sentiu uma presença se aproximando suavemente e parando à sua frente.
Havia a energia da amizade por toda parte e Rita limitou-se a olhar com ar questionador e cansado.
Júlia era mentora de Rita e estava ali para aliviar seu coração.
Dirigindo-se a ela com muito amor, explicou:
- Rita, você precisará ser forte e confiar na Providência Divina!
Ainda existe um longo caminho a percorrer, e sua alma, possuindo mais sabedoria, terá de amparar os mais fracos.
Sua força será seu alicerce e o bálsamo para as feridas daqueles a quem você ama.
A maldade está sempre à espreita e você terá de confrontá-la com coragem, orando sempre para que os seus sigam o caminho do bem e trabalhem na construção da paz.
As maiores provações ainda estão por vir, mas confie sempre buscando na oração as forças necessárias!
Nunca esqueça de que ninguém é vítima e só passa por aquilo que precisa para aprender a ser melhor e mais feliz.
Fique em paz!
Naquela noite, a mansão da família Gouveia Brandão estava quieta como o ar que antecede uma tormenta.
*
Laís andava inquieta havia algum tempo.
Tudo a irritava profundamente.
Não conseguia mais passar tantos momentos ao lado de Fabiano e Arthur, que teve seu humor alterado por conta dos problemas da empresa.
Apesar disso, ele tentava acalmá-la; porém, ela estava sempre com uma expressão tensa no rosto.
Nada havia abalado a sólida estrutura financeira da família e isso já era razão de certa tranquilidade.
Mas o que a estava incomodando de verdade era a mudança de hábito de Fabiano.
Nos raros encontros que passaram a ter, ele ficava sempre com o pensamento distante e já não era uma companhia divertida.
O rapaz saía bastante, e Laís constatou que ele não estava frequentando a Hípica nem os outros locais onde antes costumava encontrar os amigos.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 09, 2018 9:16 pm

Inclusive, vários deles ligaram para a casa da família querendo notícias do rapaz.
A situação estava deixando Laís muito intrigada.
Dessa forma, ela decidiu averiguar.
Não adiantava fazer uma abordagem directa a Fabiano porque ele não iria se abrir com ela; a intimidade que existia entre eles não chegava a esse ponto.
Contudo, ela estava determinada e, no momento certo, iria agir.
Laís, então, passou a viver em função das acções de Fabiano.
Via sempre a hora em que ele saía, anotava os horários de chegada, tentava identificar qualquer pista nas conversas, principalmente que aconteciam durante as refeições, mas ainda não havia conseguido descobrir nada.
Certa noite, ela e Arthur estavam no jardim se preparando para pegar o carro para se dirigirem a uma grande festa da alta sociedade, quando Laís viu Luciana caminhando em passos apressados pela passagem lateral rumo ao portão que dava para a rua.
A moça seguia rente ao muro, os braços apertadamente cruzados em frente ao corpo e a cabeça baixa.
A pouca luminosidade naquele trecho do terreno fazia com que sua figura fosse quase imperceptível e ela ia se esgueirando por trás das inúmeras árvores.
Laís franziu o cenho achando a atitude da empregadinha estranha.
Ao voltar-se para o marido deparou com Fabiano, que estava ao lado do pai, e que sem notar que a madrasta o observava, também acompanhou a namorada com o olhar e, em seguida, conferiu a hora no relógio de pulso.
Apressou-se em se despedir de ambos e foi para a garagem pegar seu carro.
Arthur abriu a porta para que Laís se acomodasse no banco dianteiro do sedã importado do casal e assim ela fez, mas não tirava os olhos do espelho retrovisor aguardando a saída de Fabiano.
Mas ele não saiu.
Intrigada e já desinteressada da festa, acompanhou o marido, mas passou a noite toda pensando se estava fantasiando a situação.
Não voltaram tarde.
Arthur estava bastante cansado.
Quando ele ia subir para a suíte, a mulher parou no meio da sala.
- Você não vem, querida? - perguntou Arthur.
Ela estava soltando os cabelos que estavam presos em um belo rabo de cavalo e respondeu com indiferença:
- Não, meu querido, não vou agora.
Estava muito barulho naquela festa e quero relaxar um pouco antes de subir e me deitar.
- Por que não vem comigo e toma uma ducha quente, vai lhe fazer bem.
Se quiser, peço para Rita preparar um chá para você.
A simples menção do nome de Rita foi suficiente para deixá-la exasperada.
- Não, por favor, de forma alguma vou incomodar ninguém a esta hora.
Vou lá fora um pouco, o silêncio e o frescor da madrugada serão suficientes.
Pode ir dormir, você precisa descansar.
Realmente, Arthur queria subir o mais rápido possível e não esticou mais a conversa.
A mulher sabia o que fazia e limitou-se a enviar-lhe um beijo de boa-noite, retirando-se.
Logo que se certificou de que o marido realmente havia se recolhido, Laís foi até a garagem e não encontrou o carro de Fabiano.
Deu a volta na casa e se aproximou da casa de Rita.
Tudo estava quieto e escuro.
"Provavelmente as duas preguiçosas aproveitaram nossa ausência e foram dormir mais cedo.
Com certeza deixaram algum trabalho por fazer.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 09, 2018 9:16 pm

Mas amanhã dou um jeito nisso", pensou Laís, afastando-se e voltando para perto da piscina.
Entrou vagarosamente em casa e subiu até o quarto de Fabiano.
Não medindo suas atitudes, entrou no quarto e acendeu apenas uma pequena luminária.
Não queria chamar a atenção de ninguém sobre sua presença ali.
A mulher olhou tudo com atenção, mas o quarto estava impecavelmente arrumado.
Começou a abrir algumas gavetas e a remexer o conteúdo com cuidado, até que encontrou um pequeno pedaço de papel que recendia a alfazema.
Ele estava dobrado e havia uma marca de batom em um dos lados.
Seu coração parecia que havia parado e ela quase não respirava enquanto abria a folha muito devagar.
Era apenas um bilhete manuscrito, onde ela leu:
Meu amor, todos os nossos momentos estarão para sempre em minha alma; você tem feito de mim a mulher mais feliz do mundo.
Seu amor me tornou uma mulher completa.
Mesmo quando não estamos juntos, seu perfume está sempre impregnado em meu corpo, e é essa sensação que me faz ter paciência para aguardar nosso próximo encontro.
Sei do imenso amor que você tem por mim e pode ter certeza de que é igual ao que tenho por você.
Logo estaremos juntos para sempre.
Amo-o demais.
Da sempre sua...
Não estava assinado.
Sentindo um calor de cólera subir-lhe pelo rosto, Laís amassou o papel com tanta força que suas unhas deixaram marcas na palma de sua mão.
"Quem será essa vagabunda que está envolvida com Fabiano?", questionou-se Laís, tendo em fracção de segundos tentado repassar nomes e imagens de todas as garotas da alta sociedade das quais se lembrava.
Mas não conseguiu ligar as saídas dele a nenhuma, pelo menos de imediato.
Caminhou pelo quarto e releu várias vezes o bilhete.
Pensou em colocá-lo novamente na gaveta, mas estava muito danificado e resolveu levá-lo com ela.
Se Fabiano desse por falta com certeza falaria alguma coisa e ela poderia usar isso para tentar saber quem era a mulher.
Dirigiu-se para a sua suíte, onde Arthur já dormia profundamente.
Resolveu tomar uma ducha quente.
E também se serviu de um comprimido calmante.
Estava se sentindo um pouco melhor, mas não conseguia parar de pensar que Fabiano estava envolvido com alguém, e que parecia ser uma relação já de algum tempo.
"Mas porque ele não comentou com ninguém?
Será que Arthur sabe e também não falou nada para mim?
Que motivos teriam para me esconder um facto tão simples?", questionava-se sem cessar.
Ouviu de repente o barulho do carro de Fabiano entrando no jardim.
Ela rapidamente foi até a janela, e, por uma fresta da cortina, ficou observando o carro passar.
Havia muito ódio e ciúme no ar, mas Fabiano nem desconfiava.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 09, 2018 9:16 pm

sete - Uma noite maravilhosa
Depois daquela noite, Laís se tornou uma mulher obcecada.
Não teria sossego enquanto não descobrisse com quem Fabiano estava tendo um caso.
Seu humor ia de mal a pior e quase não conseguia dissimular quando estava ao lado do marido.
Sempre tivera um temperamento intratável quando era ela mesma, mas agora estava se tornando insuportável ao lidar com os empregados... principalmente com Rita.
- Empregada, onde está Fabiano?
Sabe aonde ele foi?
- Não sei não, senhora - respondeu Rita de cabeça baixa.
- Você é uma inútil, mesmo!
Suma da minha frente!
AGORA!
Rita desapareceu num piscar de olhos.
Quanto mais se mantivesse afastada da patroa, melhor - atitude seguida à risca por Luciana.
Laís andava de um lado ao outro da casa impaciente; o tempo estava passando e ela não descobrira nada.
De repente, foi arrebatada de seus pensamentos pela entrada apressada de Fabiano.
Ela se refez rapidamente de sua expressão colérica e foi até ele:
- Oi, Fabiano, que bom que chegou - disse externando toda a simpatia e graça que pôde arrancar do seu íntimo.
- Oi, Laís, tudo bem?
Desculpe mas não podemos conversar agora.
- Ora, por que não?
Vamos tomar um café.
- Sinto muito, mas não vai dar; tenho um compromisso e já estou atrasado.
Ainda tenho de fazer uma ligação.
Atenta a qualquer coisa que pudesse lhe oferecer uma pista, Laís fingiu-se conformada:
- Realmente é uma pena; gostaria muito de conversar um pouco, relaxar...
O rapaz, quase sem olhá-la, e sem lhe dar muita atenção, pegou alguns documentos e disse:
- Preciso ir, depois nos falamos.
E saiu, caminhando em direcção ao escritório onde, deduziu Laís, ele iria fazer a tal ligação com mais privacidade.
Fabiano entrou e fechou a porta atrás de si.
Pensando rapidamente, Laís saiu pela porta principal e foi sorrateiramente até a janela do escritório que dava para o jardim; a cortina agitava-se mostrando que a janela estava entreaberta.
Olhava atenta em volta, pois não queria ser surpreendida naquela situação por nenhum dos empregados, mas logo voltou sua atenção para a voz de Fabiano que chegava nítida até ela.
- Alô, oi meu amor desculpe a demora - falou o rapaz carinhosamente sem sequer supor que estava sendo observado.
Sim, eu sei. Preciso passar na Hípica para pagar o funcionário que cuida dos cavalos, ele me pediu um adiantamento e meu pai já me deu o dinheiro.
Depois poderíamos nos encontrar num lugar muito gostoso que inaugurou há pouco tempo.
Encontro-a lá quando sair do clube.
Anote o endereço.
Laís aguçou a audição para não perder nada, e, mentalmente, foi repetindo o endereço.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 09, 2018 9:16 pm

- Está certo; em uma hora mais ou menos nos encontramos.
Ao ver Fabiano terminar a ligação, Laís correu em direcção à piscina e quando ele estava de saída só a viu caminhando de volta para a porta principal.
Acenou e se despediu.
Assim que o carro cruzou o portão, ela correu e entrou em casa afobada.
Subiu para a suíte, pegou sua bolsa e quando descia as escadas correndo, deparou com Rita chegando à sala de visitas.
- A senhora está de saída?
- Não é da sua conta!
Vá trabalhar que é para isso que é paga!
E passou como um tufão em direcção à garagem.
Pegou o carro e saiu cantando os pneus em direcção ao local citado pelo enteado.
Era um restaurante pequeno, com várias mesas num jardim muito bonito e bastante arborizado.
Já era fim de tarde e as luzes estavam começando a ser acesas.
Eram em tom amarelo e davam uma atmosfera bastante bucólica ao ambiente.
Àquela hora, o local ainda estava relativamente vazio e Laís não identificou ninguém que pudesse ser a companhia de Fabiano.
Esperava que o encontro não fosse nas mesas da parte interna do restaurante, o que iria dificultar seu objectivo.
Um tempo interminável se passou até que Laís reconheceu o carro de Fabiano chegando.
Ela estava estacionada a certa distância, o que lhe permitia ter a visão de toda a área externa, mas estava protegida por outras árvores e alguns carros.
Ele parou na frente do restaurante, entregou as chaves ao manobrista, seguiu até onde ficavam as mesas e deu uma olhada em volta, dirigindo-se para a parte mais distante do jardim, mais ao fundo.
Laís pôde ver quando ele se aproximou de uma moça que estava de costas.
Ele se curvou, deu-lhe um beijo e se sentou.
A mulher não aguentava de tanta curiosidade, mas temia se aproximar e ser vista.
Só lhe restava aguardar para aproveitar alguma oportunidade de ver a cara da moça.
Não tirava os olhos do casal.
Com aquela distância e a pouca luminosidade, por mais que se esforçasse não conseguia ver mais que o vulto do casal.
Ela estava cansada, irritada pela espera, mas ao mesmo tempo determinada a ir até o fim.
Não tinha mais noção de quanto tempo havia se passado.
Arthur já havia ligado para o seu celular, mas ela não o havia atendido.
Depois acabou por desligá-lo.
Mais tarde, pensaria em uma desculpa para dar ao marido.
Virou-se para olhar uma senhora que passeava com um belo cachorro bem ao lado do carro e quando voltou novamente o olhar, viu o casal chegando à calçada, abraçados.
Fabiano fez sinal para que o funcionário fosse buscar seu carro.
Ela chegou o rosto para a frente, quase encostando no pára-brisa.
Viu quando a moça segurou o rosto de Fabiano, e com um grande sorriso deu-lhe um beijo ardente.
Quando ela se virou para olhar algo que o namorado havia apontado, Laís sentiu que ia desfalecer. Luciana!
A madrasta de Fabiano apertou os olhos não querendo acreditar no que via.
Mas estava claro, era ela mesma:
a empregadinha!
O casal entrou no carro e saiu sem perceber a presença dela, que ficou imóvel sem conseguir esboçar nenhuma reacção.
Mas só até passar o impacto do primeiro instante.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 09, 2018 9:17 pm

Logo em seguida, o profundo desprezo que ela já sentia por Rita e pela filha, transformou-se num ódio descontrolado.
A fúria, acompanhada de uma indignação totalmente justificada para ela, enchia seu peito.
"Eu não posso acreditar que isso esteja acontecendo!
Como Fabiano, um rapaz de classe, boa educação, sofisticado, pode se envolver com uma pessoa dessa laia?
Alguma coisa ela deve ter feito para forçá-lo a estar com ela", pensava incessantemente tentando digerir aquela situação estapafúrdia.
"Com certeza Arthur não está sabendo de nada disso.
Ele não admitiria tamanho despropósito; mas não é bom criar uma situação de enfrentamento... se eu falar com meu marido ficarei numa situação delicada e não me convém fazer intrigas... preciso pensar como agir; como descobrir a melhor maneira de colocar um fim nisso sem que Fabiano ou Arthur fiquem contra mim.
Tenho de ter cuidado!"
A muito custo conseguiu se recompor, ligou o carro e foi para casa.
Não viu mais Fabiano naquela noite e conseguiu manter a rotina ao lado de Arthur, que nada percebeu.
Na manhã seguinte, a família estava reunida para o café da manhã.
Arthur havia dormido bem e estava bastante disposto:
- Meu filho, ontem nem nos vimos.
Como foi o seu dia?
- Muito bom, pai.
Fui à Hípica e paguei o cavalariço, à noite fui me divertir com meus amigos.
Aliás, foi uma noite maravilhosa!
Laís estava bebendo seu café e apenas o olhou.
Ela parecia uma figura de pedra, sem expressão alguma, tensa e calada.
Arthur continuou a conversa com o filho:
- Hum... noite maravilhosa... com os amigos ou alguma amiga especial? - disse o pai em um tom malicioso e divertido.
- Hahahaha, papai, você sempre acerta na mosca!
Digamos que estávamos muito bem acompanhados!
Um dia você vai ter uma surpresa - completou piscando para o pai.
- Será que, afinal, meu filho rebelde está apaixonado?
Sem que Fabiano tivesse tempo de responder, Laís tocou a sineta chamando por Rita.
Quando ela chegou, a patroa falou baixo:
- O suco está quente; traga-me mais gelo depressa!
Pai e filho se entreolharam surpresos, pois não tinham a mesma opinião sobre a bebida.
- Querida, o suco está óptimo e na temperatura certa.
Ela engoliu em seco:
- Apenas prefiro mais gelado.
A empregada sabe disso e sempre faz errado.
Estou cansada disso.
Arthur tentou contemporizar:
- Meu amor, não fique tão exacerbada por uma bobagem.
Estou achando-a muito nervosa e diferente.
A mulher se deu conta de que estava perdendo o controlo e tentou restabelecer o equilíbrio:
- Desculpe, querido.
As preocupações normais de todos os dias acabam me cansando, embora pareçam insignificantes.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 09, 2018 9:17 pm

- Noto que você não tem mais se distraído como antes; talvez esteja precisando sair mais, estar com suas amigas.
- Talvez tenha razão... - e como que por encanto, deu um sorriso e pareceu alegre novamente.
- Já sei!
Você me deu uma óptima ideia, querido.
Vou fazer um grande lanche aqui em casa e receber minhas amigas.
- Óptimo, querida, vai ser muito agradável e você vai se distrair bastante.
- Fabiano, quero fazer uma grande reunião; algumas de minhas amigas têm filhas da sua idade, posso pedir que venham também!
E você pode chamar as meninas da sua turma e seus amigos, o que acha?
- Isso, meu filho, Laís teve uma excelente ideia.
Vocês podem organizar esse lanche na piscina.
Faz tempo que não recebemos pessoas para uma tarde descontraída.
Fabiano, que observava toda a conversa calado, não havia gostado muito da proposta, mas para não deixar o clima tenso novamente, acatou:
- Está bem, pode ser divertido.
Quantas pessoas devo chamar?
- Quantas você tiver vontade.
Que tal trazer sua namorada?
Nós gostaríamos de conhecê-la.
Arthur limitou-se a rir.
Fabiano a olhou intrigado:
- Quem disse que eu tenho namorada?
- Você mesmo, agora há pouco falou para seu pai que ele teria uma surpresa!
- Ah - respondeu sorrindo -, eu estava apenas brincando.
Não namoro ninguém nem tenho interesse em me prender agora.
Nesse exacto instante Rita estava entrando na sala de jantar e ouviu o que o rapaz dissera.
Laís olhou para Rita com desdém e falou novamente para Fabiano:
- Você está muito certo agindo assim.
Existem muitas garotas fáceis e volúveis com quem os rapazes da sua idade podem se divertir sem ter de assumir nenhum compromisso - e olhou novamente com discrição para Rita, que sentiu seu rosto ruborizar.
Na mesma hora Laís pensou:
"Ela sabe!
Essa desgraçada sabe de tudo!".
Arthur desaprovou o comentário da mulher:
- O que é isso, Laís?
Você não deveria falar assim, não é certo.
- Ora, querido, que bobagem; somos todos adultos aqui e a verdade é essa mesmo!
Não é, Fabiano?
- Não sei...
Rita colocou o gelo na mesa e já ia se retirar quando Laís falou gentilmente:
- Por favor, Rita, não se retire ainda, podemos precisar de algo.
E a empregada se colocou num canto da sala aguardando alguma nova ordem.
Laís voltou-se novamente para os dois homens:
- Fabiano, deixe de vergonha.
Todos sabemos que existem muitas garotas que só servem como passatempo e na verdade elas nem se importam com isso.
Sempre tiram proveito da situação frequentando bons lugares, passeando muito, algumas até ganham vários presentes e até dinheiro - concluiu soltando uma risada.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 09, 2018 9:17 pm

Arthur estava incomodado com o rumo da conversa:
- Laís!
- Você vai me dizer que não é verdade?
É até bom estarmos tocando nesse assunto com Fabiano; ele precisa estar precavido contra a investida dessas aventureiras - dizendo isso, apenas levantou o copo para que Rita servisse mais suco e sequer lhe dirigiu o olhar.
- Que bobagem, eu sei me cuidar, minha querida madrasta.
E, além disso, não é com esse tipo de garota que eu me envolvo; sou vacinado!
- Cuidado, Fabiano; as mais espertas costumam ter cara de santinhas.
Arthur se levantou:
- Venha, Laís, leve-me até a porta; tenho de ir.
Você vai sair, Fabiano?
- Vou, papai, mas daqui a pouco.
- Está bem.
Tenha um bom dia, filho, e você também, Rita.
Nesse momento os olhares de empregada e patroa se cruzaram, e Rita sentiu que Laís a fulminou, cheia de ódio.
- Vamos, querida; acompanhe-me até o carro - e saiu conversando com a mulher em voz baixa pedindo que não abordasse mais aquele tipo de assunto.
Rita voltou para a cozinha e teve certeza de que uma tempestade se aproximava.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 09, 2018 9:17 pm

oito - Decepção
Os dias que se seguiram foram totalmente voltados aos preparativos da grande reunião em volta da piscina.
Havia muito que Laís não se sentia tão animada.
Queria uma comemoração em alto estilo e fazia questão de cuidar de todos os preparativos pessoalmente.
Ligou para uma fina loja de salgados e doces e encomendou muitas tortas, bombons, canapés e dois bolos da mais delicada massa.
Contratou um serviço só para cuidar das bebidas e um Dj para animar a festa com boa música.
Por ser uma reunião descontraída ela não viu necessidade de contratar um bufê.
Queria que os convidados tivessem liberdade de se servir à vontade.
Na véspera do evento, Laís resolveu ficar ao sol para estar com o bronzeado perfeito e fazer inveja às amigas.
Enquanto se deliciava na piscina, chamou Rita:
- Tenho algumas determinações para amanhã e não vou admitir nenhum tipo de falha, certo?
- Sim, senhora. Tudo sairá como a senhora desejar.
- Óptimo! Como você sabe, não teremos garçons para fazer o serviço, então tudo tem de ser perfeito para que os convidados não sejam privados de conforto.
- Sim, senhora.
- Você terá de ficar atenta aos pratos que ficarem vazios para serem prontamente substituídos.
E não quero nenhum dos pratos quentes esfriando à mesa.
Eles devem ser servidos aos poucos, de modo que se mantenham sempre quentinhos e saborosos.
- Entendi, senhora; farei como quiser.
- Tudo, absolutamente tudo o que meus convidados pedirem terá de ser providenciado imediatamente.
Rita ouvia a tudo resignada e apenas concordava.
- E o mais importante: precisarei de uma pessoa que fique todo o tempo na piscina, de prontidão, para que o que for solicitado não necessite que eu tenha de chamá-la na cozinha.
Rita a olhou com um ar interrogativo:
- E a senhora contratou alguém? Eu precisarei ficar na cozinha organizando tudo.
Laís respondeu de forma displicente, como se sua resposta fosse óbvia:
- Claro que não vou pagar ninguém para isso.
Possuo vários empregados.
Quem vai exercer essa função será sua filha.
Rita arregalou os olhos e falou sem pensar:
- Luciana? Mas, senhora, ela faz outros serviços de limpeza, estuda e nesse dia estará se preparando para adiantar algumas matérias; ela nunca cuidou de servir ninguém, não tem experiência.
Laís estava tão feliz que nem se abalou.
Apenas respondeu com frieza, mas sem se irritar:
- Será uma boa hora para ela aprender.
Afinal, esse é o futuro que a espera, e quem sabe consegue ser melhor serviçal que a mãe.
- Desculpe, senhora, mas minha filha tem mais estudo que eu. Será alguém na vida e terá uma profissão que a honre.
- Doce ilusão a sua; ela vai seguir seus passos e nunca vai deixar de ser uma empregadinha.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 09, 2018 9:17 pm

É bom que se esforce pelo menos para ter alguma noção de como servir aos ricos como nós.
Mas, enfim, ela vai ficar na piscina e terá de atender a todos os pedidos de meus convidados.
Não importa o que ela terá de fazer para atendê-los, eles sairão daqui totalmente satisfeitos com o dia.
Rita não disse mais nada, porém seus olhos estavam marejados.
- Eu a quero com aquele uniforme amarelo-claro, a touca, os cabelos presos e nenhuma, absolutamente nenhuma, maquiagem.
As unhas devem estar curtas, limpas e sem esmaltes. Entendido?
Ela vai servir e não desfilar, e a quero impecavelmente asseada.
Ela só deve se dirigir aos convidados se for solicitada e se limitar a responder às indagações deles.
Não deve puxar conversa nem emitir
opinião sobre nada.
Ela foi mal-acostumada pelo meu marido e pode, por alguns momentos, esquecer qual o lugar dela nesta casa.
É bom que você a lembre antes, e, se necessário, durante a reunião.
Não vou tolerar nenhum abuso da parte dela.
Agora pode ir.
Não quero mais ser incomodada.
Tudo o que havia para ser dito já foi.
No fim do dia, Rita teve a difícil missão de explicar à filha que, como era de se esperar, não reagiu nada bem:
- Mãe, não vou aguentar isso.
Ela está fazendo para me humilhar.
Imagina, eu servindo as amigas e os amigos de Fabiano!
Quando ele souber não vai permitir.
- Luciana, acorde, minha filha!
Ela nem sabe que vocês namoram.
Você acha que ele vai chegar agora e falar com ela sobre isso?
E estragar a festa com a qual até o sr. Arthur está animado?
- Ele pode não falar sobre nosso namoro, mas com certeza vai dar um jeito de evitar essa situação.
Ele me ama e vai me proteger.
- Minha filha, eu mal tenho dormido de tanta preocupação com tudo isso.
Sempre confiei em você e sempre fomos amigas; nunca fui severa e procurei resolver e lhe ensinar tudo nesta vida por meio da compreensão e o do diálogo.
Mas agora estou lhe dando uma ordem e você não vai me desobedecer:
faça como ela quer e ponto final!
Luciana se surpreendeu com a atitude da mãe que nunca falara assim com ela, e ainda tentou argumentar novamente.
Precisou apenas mais um olhar severo da mãe para que ela se calasse definitivamente.
A moça tentou em vão falar com Fabiano ainda antes de ir dormir, mas naquela noite ele ficou reunido com o pai e Laís até muito tarde, todos conversando animadamente sobre assuntos diversos e leves.
Estavam todos felizes... apenas Luciana chorava.
Logo que acordou na manhã seguinte, pulou da cama e sem tomar café, apressou-se em se vestir para tentar falar com o namorado antes que fosse requisitada para algum serviço.
Quando saiu de casa deu de cara com Laís caminhando na sua direcção trazendo algo nos braços.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 10, 2018 8:50 pm

Luciana ficou estática e a patroa se aproximou com um sorriso:
- Que beleza!
Acordou disposta para o trabalho, assim que eu gosto de ver.
Muito bom porque resolvi trazer seu uniforme pessoalmente para me certificar de que você não irá se esquecer de usá-lo.
Assim, estendeu o uniforme impecavelmente passado por Rita na noite anterior e deixado em um cabide na lavandaria.
Quando Luciana, tremendo, preparou-se para pegá-lo, Laís, encarando de modo firme a moça, começou a amassá-lo, esfregando a peça de roupa entre as duas mãos e fazendo dela um pequeno conjunto disforme de tecido.
Luciana a olhava absolutamente chocada.
- Ah, que pena!
Nem reparei que ele não estava em condições de ser usado... mas você dará um jeito nisso com certeza - disse Laís quase não conseguindo conter o prazer daquele momento - volte para casa e passe muito bem esse uniforme e depois se apresente a mim com ele.
Se eu achar que não está bom, vai voltar e passar novamente até que esteja adequado.
Falando isso, atirou a roupa no rosto de Luciana e voltou para casa calmamente.
Luciana entrou em casa, mas desta vez não chorava.
Se Laís a odiava, o ódio que despertou em seu coração não era menor.
Nunca conseguira entender por que aquela mulher tratava a ela e a mãe daquela forma.
Não haviam feito nada contra ela e sempre a respeitaram.
Devia ter inveja da forma como ambas eram queridas por Arthur e Fabiano.
Só podia ser isso.
Mas ela estava saturada.
Assim que estivessem novamente sozinhos ela contaria tudo ao namorado.
Confiava no amor dele e essa perseguição tinha de acabar.
Não diria nada de suas intenções para a mãe evitando que ela interferisse e a impedisse de seguir com suas intenções.
Laís ocupou Fabiano a manhã toda com o pretexto de ajudar o DJ a seleccionar as melhores músicas.
Ele ainda nem sabia que a namorada serviria na festa.
Estava tranquilo e feliz fazendo algo que lhe agradava.
Dessa forma, ela conseguiu evitar que ele e Luciana se encontrassem pelos cantos em algum momento.
Luciana, como havia sido determinado, foi à procura de Laís para apresentar-se com o uniforme passado.
Rita viu e não entendeu o que havia acontecido, mas percebeu que a roupa não estava como ela havia deixado.
- Senhora, já passei o uniforme.
Veja como está - disse Luciana sem abaixar a cabeça.
- Hum, poderia estar melhor!
Você tem muito que aprender.
Mas paciência, os convidados já estão para chegar e não temos mais tempo.
Deixe-me ver essas mãos... ok... o cabelo em ordem e sem maquilhagem.
Tudo certo!
Semana que vem você vai ficar responsável por passar sozinha toda a roupa da casa.
Com certeza vai aprender como se faz.
Agora vá!
Em vinte minutos eu a quero pronta na piscina e com uma cara melhor do que essa que está fazendo agora... achou que eu não perceberia? - e saiu vitoriosa.
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Ave sem Ninho

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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 10, 2018 8:50 pm

Fabiano estava ao lado de Laís recebendo os convidados.
Arthur só poderia chegar mais tarde, pois tinha muitos compromissos no trabalho, mas prometeu que participaria da alegria de todos.
As amigas de Laís chegaram animadas, com grandes chapéus de sol, sandálias altas, roupas de banho elegantes e muitas jóias, tudo um tanto exagerado para a ocasião.
As jovens vinham sorridentes ao encontro de Fabiano, cobrindo-o de abraços e beijos afectados.
Ele se envaidecia com tudo aquilo.
Somente quando todos já haviam chegado é que ele reparou em Luciana.
Estava com um ar triste vestida naquele uniforme amarelo-claro, aquela touca escondendo os cabelos que ele tanto gostava.
Permanecia em pé, os braços esticados e rijos ao lado do corpo, fisionomia contraída e sozinha, perto de uma grande mesa servida com todas as iguarias mais saborosas.
Teve ímpeto de ir até ela, estava chocado, mas Laís estava firme em sua resolução de evitar que os dois se aproximassem e, habilmente, levou-o para perto das meninas, que o conduziram animadamente para dentro d'água.
Algumas amigas de Laís não chegavam a ser cruéis como ela, mas eram igualmente preconceituosas e pedantes, passando conceitos distorcidos também para as filhas.
E era com elas que Laís queria ficar.
Seria perfeito.
Sentaram-se a uma mesa, num grupo de quatro pessoas, e conversavam animadamente quando uma das amigas falou:
- Esse cocktail está divino; acho que vou até o bar pegar outro.
- De jeito nenhum, querida - disse Laís com satisfação -, fique aí confortavelmente sentada que peço para providenciarem para você.
Virou-se para Luciana e fez um discreto sinal que foi imediatamente atendido.
- Providencie outro cocktail para a madame.
Luciana assentiu positivamente com a cabeça e ia saindo quando Laís a chamou de volta:
- Você deve sempre dizer "sim, senhora" esqueceu?
- falou Laís sem disfarçar para as amigas.
- Desculpe, senhora, já vou providenciar - e falando isso, Luciana saiu bufando de raiva.
- Minhas amigas me desculpem, mas essa garota é filha da empregada que trabalha há muitos anos nesta casa.
Estou preparando-a para ocupar o lugar da mãe.
Sabem como é, temos de ensinar tudo, elas não fazem nada direito.
Todas concordaram de forma enfática.
- É verdade, hoje está muito difícil conseguir uma boa empregada - disse uma.
- Temos de ensinar tudo e elas geralmente ainda são mal-agradecidas - disse outra.
Luciana voltava com a bebida quando ouviu de Laís:
- E você, Vera, já desistiu de casar sua filha Laura com Fabiano?
- De jeito nenhum - respondeu a amiga rindo também -, ainda vou conseguir unir esses dois.
Você sabe, eles já tiveram um namorico no passado e tenho certeza de que ainda se gostam.
- É verdade, sabe que também acho?
Olhe como os dois estão se divertindo e são afectuosos um com o outro - provocou Laís sem ainda pegar o copo que Luciana trazia, forçando-a dessa forma a ficar ali em pé ouvindo a conversa.
A moça olhou em direcção à piscina e viu que elas falavam a verdade.
Fabiano e Laura estavam se divertindo de forma carinhosa demais, e isso a magoou profundamente.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 10, 2018 8:50 pm

Parecia que ele nem se lembrava de que ela estava ali.
Laís continuou:
- Nunca lhe falei, mas eu e Arthur fazemos muito gosto nesse namoro.
Laura é uma menina linda, educada nos melhores colégios, tem muito bom gosto e formarão um lindo casal que resultará em belos filhos, com certeza.
Luciana estava a ponto de fugir dali, e o teria feito se não tivesse pensado na mãe e no que essa atitude iria causar.
Tentou interromper a conversa para servir a bebida, mas foi agressivamente mandada aguardar e não interromper.
E Laís continuou:
- Vai ser muito bom para o meu enteado assumir de uma vez esse amor.
Ando preocupada com ele; vocês sabem, o mundo está cheio de garotas sem moral, loucas para darem o golpe num moço bonito e rico como Fabiano.
Às vezes, por ingenuidade, eles acabam se envolvendo com alguma assim.
Mas eu jamais permitirei isso, e Arthur também não.
Esses tipos de garotas além de vulgares, são sempre de classe inferior, e é nosso dever mantê-las longe de quem amamos, não é?
Nesse momento, Luciana deixou a bandeja cair bem aos pés de Vera.
Laís levantou-se num movimento rápido ao ver a cara assustada de sua amiga diante do copo quebrado que lhe cortara um pouco o pé, mas muito de leve, sem gravidade.
Virou-se para Luciana revoltada:
- O que há com você? - falou quase gritando.
Como se atreve a ser tão descuidada?
Vá agora mesmo pegar um pano e volte aqui para limpar tudo isso.
Luciana saiu e voltou correndo.
Laís ainda a esperava de pé:
- Recolha esses cacos e seque os pés de minha amiga com essa toalha!
Vamos, mexa-se.
- Laís, você devia demitir essa criatura - disse Vera indignada estendendo o pé para Luciana.
Menina, cuidado para não me ferir e piorar a besteira que fez.
- É o que estou pensando em fazer; gente assim não tem conserto.
Luciana estava ajoelhada limpando tudo e as lágrimas vieram aos seus olhos, mas eram de revolta.
Todos a olhavam naquela situação humilhante; ela preferia morrer a passar por aquilo.
Quando procurou por Fabiano, percebeu que ele havia visto tudo, mas sequer foi acudi-la.
Ela estava arrasada.
*
Os últimos convidados saíram quando já havia anoitecido.
Laís ainda expôs Luciana a várias situações constrangedoras, inclusive fazendo-a servir Laura por diversas vezes.
Arthur chegou a tempo de participar da confraternização, mas com sua presença, Laís se conteve e preferiu manter distância de Luciana.
Fabiano estava penalizado em ver sua amada naquela situação, mas não poderia tomar partido da empregada ou defendê-la diante de todos.
O que iriam pensar?
E Laís? Na certa ficaria furiosa com ele.
Naquele momento não havia nada que pudesse fazer para ajudar a namorada; depois pensaria em alguma coisa.
Concluiu que só lhe restava aproveitar a festa, e sua forma de evitar a dor que a situação lhe causava foi fingir para si mesmo que nada estava acontecendo.
Dessa forma, desviava o olhar da namorada durante todo o tempo.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 10, 2018 8:51 pm

Ela percebeu que Fabiano estava se divertindo e, embora o percebesse constrangido em alguns momentos, a indiferença dele a feriu como nunca havia imaginado.
Quando todos os convidados se foram, Arthur subiu para tomar um banho.
Vendo-se a sós com a madrasta, Fabiano arriscou:
- Laís, por que você colocou Luciana para fazer o serviço na piscina?
Ela estava recolhendo algumas peças de decoração e respondeu com indiferença:
- Porque ela trabalha na casa e eu precisava que alguém assumisse essa função.
- Mas poderia ter contratado alguém com mais experiência.
- Fabiano, daqui a alguns anos Rita estará mais velha e terá dificuldades de arcar com todo o serviço de forma eficaz.
Apenas a estou treinando para que a substitua.
Melhor que seja alguém que já conhecemos.
- Mas Luciana está estudando, não creio que vai ficar trabalhando como doméstica o resto da vida.
Laís largou o que estava fazendo e o olhou de forma complacente, prosseguindo:
- Fabiano, você realmente acredita que essa moça vai seguir alguma outra profissão de sucesso? Vamos ser realistas!
Por mais que ela estude, sua origem faz dela uma pessoa com muitas limitações, inclusive intelectuais.
O rapaz ficou assombrado com a opinião de Laís, mas nada falou.
Ela continuou:
- Tentamos ser generosos com pessoas de classes sociais inferiores, e devemos mesmo ser assim - falou isso sentindo o estômago embrulhar -, mas temos de estar cientes de que elas estão no mundo para nos servir.
Você consegue imaginar por um minuto essa moça se transformando em uma grande empresária como seu pai?
Ou uma renomada advogada?
Quem sabe uma médica pesquisadora internacionalmente reconhecida? - o olhar de Fabiano deu a ela a certeza de que tinha atingido o alvo.
- Mas existem pessoas de origem humilde que chegam a ficar muito ricas.
- São raríssimas excepções, e geralmente são homens que aprendem na prática a arte de ganhar dinheiro.
Começam muitas vezes como mascates e chegam a grandes comerciantes.
Não perdem tempo com livros e estudos; trabalham duro para juntar fortuna.
O rapaz olhou pensativo para o lado e concluiu que ela tinha certa razão.
- Você há-de convir, Fabiano, que isso não se aplica a essa moça.
E na nossa sociedade existem alguns factores essenciais para que possamos fazer parte dela e construir nossa fortuna:
inteligência e cultura são apenas uma parte; é preciso ter elegância, carisma, classe, traquejo social e saber fazer o dinheiro se multiplicar.
E, seja honesto, ela não tem a menor possibilidade.
Portanto, é melhor que se empenhe em aprender seu ofício para se tornar uma excelente empregada, pois terá trabalho até o fim da vida, como a mãe.
Fabiano estava confuso e chocado, não sabia o que pensar.
Ao mesmo tempo em que concordava em muitos pontos com Laís, amava Luciana e acreditava que com ela seria diferente.
Mas... e se não fosse?
- Preciso subir.
Até mais tarde - ele saiu cabisbaixo em direcção ao seu quarto.
Laís caminhou até um grande espelho que havia na sala e se admirou.
Estava mais bela que nunca.
Talvez fosse a felicidade que sentia.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 10, 2018 8:51 pm

Sorriu para si mesma com ar radiante e pensou:
"Será muito mais fácil do que imaginei!".
Luciana estava sentada sozinha no jardim, exausta de corpo e alma.
Não conseguia mais chorar, apenas sentia um grande vazio dentro do seu coração e a mente cheia de dúvidas.
Nesse momento, Rita se aproximou:
- Minha filha, o que está fazendo aqui sozinha?
O dia ainda não acabou!
Dona Laís dispensou o jantar, mas disse que ela, Arthur e Fabiano ainda farão um lanche juntos mais tarde, provavelmente para fofocar sobre a festa e os convidados.
- Estou muito cansada, mãe; foi tudo tão difícil... a senhora nem imagina as coisas horríveis que ela me fez passar diante de toda aquela gente rica e snobe.
- Nós já sabemos como ela é, parece que não tem coração!
Mas amanhã você já terá esquecido isso.
Minha querida, sei do que estou falando.
Já passei toda sorte de privações e humilhações nesta vida, e não estou aqui?
Sou feliz, tenho meu trabalho e uma filha maravilhosa.
Você vai superar também.
- Deus queira que a senhora esteja certa... porque neste exacto momento, se eu pudesse mataria essa Laís.
Rita estremeceu:
- Nunca mais repita isso, minha filha; você iria acabar com ela, mas destruiria sua vida.
Pelo amor de Deus, prometa que nunca mais pensará numa coisa dessas.
Luciana suspirou, e, querendo tranquilizar a mãe, completou:
- Desculpe, mãe, a senhora sabe que eu não seria capaz.
Falei apenas motivada pela raiva.
Rita se sentiu aliviada:
- Melhor assim, querida.
Agora vamos entrar que logo vão me chamar para servir o lanche.
Uma hora depois, a família estava novamente reunida na varanda.
Procuravam repetir esse ritual todas as noites.
Nem sempre podiam estar juntos em todas as refeições, então Arthur gostava de passar alguns momentos com a esposa e o filho no fim da noite, antes de se recolherem para dormir.
Fabiano já havia esquecido a conversa que tivera com Laís e estava novamente animado.
Começaram, como Rita havia previsto, a falar da festa.
Laís puxou o assunto:
- A reunião foi uma beleza; há tempos não me divertia tanto!
E todos saíram daqui tecendo apenas elogios.
- Realmente estavam alegres, comeram e beberam muito também - interveio Fabiano rindo.
- São pessoas ricas, mas adoram se fartar nas festas, parece até que não têm comida em casa - falou Arthur em tom reprovador.
- O que é isso, querido?
Não é bem assim.
Acontece que nas festas sempre temos oportunidade de experimentar novos sabores, sempre aparece alguma novidade.
E quem não gosta?
- Querida, vamos ser francos: algumas de suas amigas são insuportáveis - falou o marido às gargalhadas - parecem um bando de peruas que economizam na comida para gastar em jóias; por essa razão ficam famintas e aproveitam as festas.
Fabiano e o pai não conseguiam parar de rir e Laís sentiu-se um pouco ofendida.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

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