Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 10, 2018 8:51 pm

- Você está sendo injusto, meu amor, elas são boas pessoas.
- Desculpe, meu amor, mas você sabe que nunca me agradou gente afectada.
Os ricos com quem gosto de me relacionar são pessoas que trabalharam muito para construir seu património; não saem por aí gastando em futilidades nem querendo aparecer em colunas sociais.
São discretos e têm bom gosto, preocupam-se com os que não tiveram oportunidades e até fazem parte de algum trabalho social.
E algumas de suas amigas nem chegam perto disso.
Laís, entediada com as palavras do marido e querendo mudar o rumo da conversa, chamou Rita; estava precisando se divertir um pouco:
- Traga mais alguns desses canapés, que estão deliciosos.
Quando Rita ia saindo para providenciar, Laís a interrompeu:
- Melhor, mande sua filha vir nos servir.
Quero falar com ela.
Rita ia argumentar alguma coisa, mas calou-se.
Fabiano sentiu um arrepio subir pela sua nuca e ficou tenso.
Apenas Arthur agiu com naturalidade:
- Laís, está havendo algum problema com a filha de Rita?
Eu estranhei ela estar atendendo os convidados.
- Está tudo bem, querido, hoje mesmo eu já expliquei a situação a Fabiano e depois explico para você também.
Apenas estou querendo ajudar essa pobre moça.
Arthur franziu o cenho sem entender, mas deu de ombros e continuou conversando normalmente.
Quando Luciana se aproximou, vinha com uma expressão retesada e olhos sem vida.
Laís estava disposta a representar como nunca:
- E então, minha querida, o que achou do dia de hoje?
Pode falar o que quiser; estou aqui para ensinar-lhe o que eu puder.
É importante saber como realizar da melhor maneira possível seu trabalho.
Sabe que algumas amigas elogiaram sua postura?
Claro, houve aquele pequeno incidente com Vera, mas logo foi esquecido.
Luciana sentia as palavras se acumularem em sua garganta; queria gritar, xingar, mas respondeu baixinho:
- Desculpe, senhora, mas esse não é meu trabalho.
Estou estudando e terei outra profissão.
Laís deu um gole na sua bebida segurando o copo com tanta força que temeu quebrá-lo.
A garota já estava sendo insolente aproveitando-se das presenças de pai e filho.
Mas ela ia se arrepender, senão agora, quando as duas estivessem a sós.
Arthur interveio:
- Luciana, sei que está estudando e com certeza terá um futuro brilhante.
Não se ofenda, eu entendo a boa intenção de minha mulher.
Nada do que aprendemos na vida deve ser considerado descartável.
Um dia, com certeza, teremos oportunidade de utilizar cada um dos ensinamentos que recebemos.
- Que bom que você me apoia e entende meus propósitos - disse Laís para o marido com voz suave.
Ele continuou:
- Por enquanto você apenas estuda, e agora está aprendendo coisas que poderá usar mais tarde em sua própria casa.
Como servir, como receber, a forma correta de dispor uma mesa de refeições, de cuidar de uma casa... enfim, quando você se casar terá condições de se colocar de forma correta em qualquer ambiente e todos a verão como uma moça de classe.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 10, 2018 8:51 pm

Fabiano não tinha coragem de dizer nada e fugia do olhar de Luciana.
Ela ouvia tudo calada, gostava verdadeiramente do patrão, mas ao mesmo tempo pensava:
"Como o sr. Arthur pôde cair nessa armadilha?
Será que não enxerga quem é essa mulher?".
- Obrigada, querido, por me ajudar a fazer Luciana entender que quero apenas o melhor para ela.
Fique aqui mais um pouco, menina.
Podemos precisar de mais alguma coisa.
Aproveite e, por favor, arrume melhor aquela mesinha ali no canto.
Coloque os objectos como achar mais adequado.
Tenho certeza de que acertará direitinho e isso vai lhe dar mais confiança - falou sorrindo, sentindo a mão de Arthur na sua em sinal de concordância.
Virou-se para Fabiano:
- E você, hein, Fabiano?
Todos notaram o clima entre você e Laura.
Arthur, sempre distraído questionou:
- É mesmo? Então a dona de seu coração é Laura?
- falou satisfeito. - É uma linda moça.
A mãe é meio esquisita, mas a filha parece boa pessoa - concluiu recebendo o olhar reprovador de Laís seguido de um sorriso.
Fabiano engasgou, tossiu e falou vacilante:
- Eu não namoro a Laura nem vou namorá-la.
Somos apenas amigos.
- Vera faz muito gosto no casamento de vocês - insistiu Laís.
E Laura me confidenciou esta tarde que está ansiosa para que vocês retomem o namoro.
E disse ainda que o achou muito carinhoso hoje, e isso encheu o coraçãozinho dela de esperanças.
- Ela disse isso? - disse Fabiano surpreso, logo se arrependendo.
Mas Laís não ia deixar passar essa chance:
- Viu como ficou interessado?
Eu não disse, Arthur?
Esses dois se amam, só falta Fabiano abrir a guarda e aceitar seus próprios sentimentos.
O rapaz estava nervoso, tentou olhar para a namorada, mas no local onde ela estava não conseguiria fazê-lo sem chamar a atenção.
Luciana ouvia tudo e tremia de raiva.
A mulher a estava provocando como se soubesse de seu namoro com Fabiano, mas isso era impossível, ela pensava.
Não teria como Laís saber.
- Em breve você e Laura se entenderão, tenho certeza - continuou Laís dirigindo o olhar para Luciana -, e será uma alegria realizarmos o casamento de vocês.
Formarão o casal mais elegante e lindo que já se viu - concluiu Laís triunfante.
Luciana a olhou e desabou no chão, desmaiada, levando com ela a toalha que cobria a mesinha e todos os objectos que estavam sobre ela e que se partiram em ruidosos pedaços por toda a parte.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 10, 2018 8:51 pm

nove - A revolta de Fabiano
Assustados, Fabiano e Arthur levantaram prontamente para socorrer Luciana.
Laís permaneceu sentada sem entender o que havia acontecido.
A moça permanecia desfalecida e Arthur achou melhor pegá-la no colo e levá-la até a sala de visitas, onde a colocou suavemente acomodada em um grande sofá.
Laís acompanhou tudo sem se levantar nem se se dispor a ajudar.
Já estava imaginando o que a empregada estava planejando com aquele "faniquito".
Como o marido e o enteado não retornavam à varanda, ela decidiu verificar o que estava acontecendo.
Encontrou Arthur sentado à beira do sofá, dando leves tapas no rosto de Luciana e esfregando seus pulsos na tentativa de reanimá-la.
Fabiano correra para chamar Rita, que entrou com ele na sala, assustada.
Laís ficou apenas observando a cena que considerou patética.
- Pronto, pai, aqui está Rita.
- Meu Deus, sr. Arthur, o que aconteceu?
- Não sei ao certo. Rita; Luciana estava bem, serviu-nos e foi cuidar de arrumar umas coisas bem ao nosso lado... de repente, desabou no chão.
- Minha Nossa Senhora, será que ela teve um mal súbito?
Ela está respirando, doutor?
- Fique tranquila, não sou médico, mas posso ver que ela está bem, a pulsação está tranquila e a respiração normal.
Fabiano olhava a tudo sem saber o que fazer e, claro, não escapou ao olhar atento de Laís o nervosismo do rapaz.
Instantes depois, após aplicar uma toalha com álcool na testa da moça, Luciana começou a recobrar os sentidos lentamente.
Olhava ao redor desorientada pelas imagens desfocadas que surgiam à sua frente.
Tanto Rita quanto Fabiano e Arthur sentiram-se aliviados ao vê-la se restabelecer.
Apenas Laís se mantinha distante e indiferente, achando a atitude de Luciana de extremo mau gosto e muito teatral.
Mais tarde, tomaria as devidas providências para que algo assim não se repetisse.
Arthur voltou-se para Rita:
- Isso já havia acontecido alguma vez?
- Não, senhor, essa menina sempre teve uma saúde de ferro - respondeu Rita.
- Acho que teremos de marcar um médico para ela; não podemos deixar de investigar a causa desse desmaio.
Ao ouvir isso, Laís bufou em desagrado com a excessiva atenção do marido com o caso, mas ninguém percebeu.
- Nossa, doutor, acha realmente necessário?
Será que é algo grave?
- Não se assuste, Rita.
Não estou dizendo que seja algo grave.
Mas convém fazermos alguns exames só para nos tranquilizarmos.
Na verdade, penso que tenha sido a emoção do dia, com tanta responsabilidade, novas actividades, deve ter ficado um tanto estressada.
Luciana aos poucos foi se levantando, mas ainda se sentia cambaleante.
Fabiano se ofereceu para apoiá-la e acompanhá-la até sua casa onde deveria repousar.
Laís ficou furiosa ao vê-los saírem acompanhados de Rita, mas Arthur se aproximou e ela teve de se conter.
- Que susto, meu amor!
Fiquei realmente preocupado com o que houve, mas não quis transmitir essa preocupação para Rita - falou Arthur se recompondo.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 10, 2018 8:52 pm

- Deixe de bobagem, querido, essa juventude é fraca para o trabalho.
Bastou que precisasse fazer tarefas de maior responsabilidade que desmontou desse jeito.
- Não diga isso, Laís, ela é uma boa menina e muito esforçada.
- Que seja! - disse Laís evitando prolongar a conversa.
- Vamos, meu amor, vamos deitar.
Agora está tudo bem.
Na casa de Rita, Fabiano colocou Luciana na cama e sentou-se ao lado dela enquanto Rita foi preparar um chá.
- Você está bem, amor?
Sente-se melhor?
Luciana começou a chorar.
- Meu dia foi horrível e acho que você na verdade nem se importou com isso.
Fabiano ficou desconcertado:
- Não diga isso; eu estava sofrendo vendo você passar por tudo aquilo, mas não podia intervir.
- E por que não? Pensei que me amasse!
- É claro que eu a amo, mas pense bem, a festa era de Laís, se eu falasse alguma coisa ela poderia se irritar, e eu seria responsável por causar uma situação desagradável.
Ela estava recebendo as amigas, estava feliz, eu não tinha esse direito.
- Mas ela tinha o direito de me humilhar, de ficar jogando aquela Laura em seus braços todo o tempo e me fazendo de empregada de vocês!
Fabiano acariciou os cabelos da namorada e disse com carinho:
- Vou dar um jeito nisso, acredite.
Nunca mais vou deixar que você passe por algo semelhante.
Não sei o que deu na cabeça de Laís, mas prometo que vou falar com ela e ela verá que se excedeu.
- Ela não vai ver nada, fez de propósito!
Você não vê?
- Por que diz isso?
Laís é um tanto esnobe sim, mas por conta da educação que recebeu.
Ela jamais faria algo propositadamente para magoá-la.
Nesse momento, Luciana se deu conta de que a mãe estava certa:
num confronto com Laís, elas fatalmente sairiam derrotadas.
Rita chegou com o chá e falou:
- Amanhã vou marcar uma consulta para você, minha filha.
- Não é necessário, mamãe, já estou bem, deve ter sido só uma queda de pressão.
Já passou.
- De jeito nenhum, nós vamos ao médico e não se fala mais nisso.
Não estou certa, Fabiano?
- Claro que sim, Rita, é preciso saber se foi só o estresse mesmo que a fez se sentir mal.
Se vocês quiserem, eu as levo.
Rita virou-se para ele com seriedade, mas falando com ternura:
- Rapaz, eu praticamente o criei, e só Deus sabe o tamanho do carinho que tenho por você.
Fabiano assentiu com um sorriso e ela continuou:
- Você é um bom menino, só quero o seu bem, mas quero também o bem de minha filha.
Ele olhou para Luciana intrigado e ela fez-lhe um sinal indicando que a mãe já sabia de tudo.
- Luciana já me contou que vocês estão namorando...
- Rita eu queria dizer que...
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 10, 2018 8:52 pm

- Não me interrompa, apenas ouça:
eu quero que vocês dois sejam felizes, mas cada um tem de entender que essa felicidade não se encontra onde vocês a estão buscando.
Pelo contrário, esse caminho que vocês escolheram pode trazer muito sofrimento.
- Porquê, Rita? Meu pai vai nos apoiar quando souber.
- Meu filho, se você tem tanta certeza disso, por que ainda não contou a ele?
Fabiano ficou sem graça, não sabia o que responder.
No íntimo, não tinha tanta certeza se o pai de facto iria apoiá-lo.
- Seu pai é um bom homem, mas também é um homem apaixonado.
Dona Laís jamais vai permitir essa situação e ele com certeza não ficará contra ela, você entende?
- Meu pai não vai escolher ficar ao lado dela e contra mim.
- Fabiano, seu pai o ama muito, mas escolheu viver ao lado dela; que, com certeza, conseguirá convencê-lo a proibir esse namoro.
Ele não fará por mal, mas seguirá com certeza os conselhos dela.
Você não sabe como uma mulher consegue o que quer de um homem apaixonado!
É muito jovem para entender esse lado da vida.
Luciana segurou a mão de Fabiano demonstrando desespero diante das palavras da mãe.
O rapaz levantou-se e disse com firmeza:
- Vou resolver isso, na hora certa eu resolvo, podem estar certas.
Rita conformou-se:
- Faça como quiser.
Mas estejam certos de que estarei aqui para apoiá-los caso precisem.
E obrigada, Fabiano, pela oferta, mas vou sozinha com Luciana ao médico.
Não convém que dona Laís o veja mais envolvido com esse incidente.
Ela não vai gostar.
O casal apaixonado se despediu com um beijo e Fabiano se foi.
Na manhã seguinte, Arthur avisou Laís que Rita e Luciana se ausentariam na parte da tarde para irem ao médico.
Ele mesmo havia tomado a iniciativa de marcar a consulta e isso deixou Laís mais contrariada, mas novamente foi obrigada a conter seus verdadeiros sentimentos.
Logo depois do café, Laís se encontrou com Fabiano que acabara de acordar e estava decidido a acompanhar mãe e filha ao hospital.
Vendo-o, Laís questionou:
- E então, Fabiano, dormiu bem?
Sonhou com Laura? - completou carregando a frase com intencional ar zombeteiro.
O rapaz limitou-se a lançar-lhe um olhar confrontador e passou por ela sem responder.
Denotando estar perdendo o controlo sobre suas acções, Laís o seguiu insistentemente:
- O que há com você?
Esqueceu sua boa educação? - falou mostrando autoridade e segurando o braço de Fabiano.
- Largue meu braço, agora!
Falou asperamente e quase gritando, mas em seguida baixou o tom de voz e continuou:
- acho que está passando de alguns limites, madrasta.
Não tenho gostado nem um pouco da forma como você tem me atirado para cima de Laura e como vem interferindo na minha vida.
Laís, diante da surpresa, ficou totalmente sem acção.
Fabiano continuou:
- Eu nunca tive nada contra seu casamento com meu pai, e até simpatizo com você; mas realmente suas atitudes com relação a mim não estão me agradando.
Deixe-me em paz, entendido?
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 10, 2018 8:52 pm

- Você está realmente sendo grosseiro e estúpido!
Deve ser influência de alguma má companhia, tenho quase certeza.
Eu não admito... - mas foi interrompida novamente por ele:
- Como você não admite?
Eu é que não admito que fale comigo nesse tom.
Você é mulher do meu pai, mas isso não lhe dá esse direito, nem o direito de se intrometer na minha vida.
Laís estava pasma, mas lutou para manter a linha:
- Seu pai ficaria furioso se soubesse a forma como você está me tratando; isso é um desrespeito!
- E o que você vai fazer?
Queixar-se a ele? - e a olhou com ar desafiador.
Laís pensou por alguns instantes.
Não queria brigar com Fabiano.
Ela o amava, desejava-o e agindo assim poderia afastá-lo ainda mais.
- Não, não vou falar com seu pai, não sou mulher de fazer intrigas.
- Então por que você trata tão mal Luciana e Rita?
- Eu as trato mal?
Alguma vez você me viu fazendo isso?
Ou elas é que estão fazendo algum tipo de intriga com você?
- Ninguém me disse nada, apenas vi sua indiferença e desdém ontem quando Luciana passou mal.
Você sequer prestou algum auxílio.
- E por acaso era necessário?
Você e seu pai logo se prontificaram a fazer tudo, ela não precisava de mim.
- Mesmo assim, você poderia ser mais gentil e amável.
- Não estávamos falando delas e sim de você - falou Laís já quase não conseguindo conter a indignação.
Não vamos brigar, Fabiano, não sei o que houve, mas parece que estamos todos com os nervos à flor da pele.
- Também não quero brigar com você, principalmente pelo meu pai.
Mas então, por favor, não se intrometa mais na minha vida, isso eu não vou tolerar.
E pense em tratar com mais delicadeza Rita e Luciana.
Rita me criou e tanto eu como meu pai temos muita consideração e gratidão por ela.
Papai é muito desligado, mas tenho certeza de que se ele perceber que você as trata de forma tão autoritária, também não vai gostar.
Elas são como se fossem da família.
Agora, preciso ir.
Fabiano afastou-se sem dar chance a Laís de retrucar.
Ela estava repleta de ódio e o que pensara antes que seria fácil, mostrava-se agora com uma nova feição.
Era a primeira vez que Fabiano falara com ela naquele tom, e isso só podia ser influência daquela empregadinha.
"Ela está fazendo intrigas, na certa.
Não deve ter falado nada directamente, mas com certeza insinuou alguma coisa para que ele me tratasse dessa forma hoje", pensou Laís articulando um contra-ataque.
"Elas vão me pagar caro!"
Enquanto Laís remoía seu ódio, não sabia que ao seu lado um vulto negro gargalhava e se alimentava de sua negatividade.
Quanto mais ódio ela sentia, mais ele a influenciava enviando energias maléficas e perversas.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 10, 2018 8:52 pm

Laís já tinha essa companhia havia muito tempo e não imaginava o quanto seus sentimentos ruins faziam ambos ficarem cada vez mais unidos.
Na parte da tarde, Rita e Luciana se dirigiram ao hospital, mas Rita, consciente de que agia certo, dispensou a companhia de Fabiano deixando Luciana triste.
Quando o médico as recebeu, não estavam de forma alguma preparadas para o que iriam ouvir e que abalaria irremediavelmente a vida delas.
*
Luciana estava um pouco apreensiva com a consulta, mas Rita mostrava-se mais ansiosa.
Temia pelo bem-estar da filha, da sua saúde, e a ideia de que ela pudesse estar com alguma doença grave deixava a mãe apavorada.
A filha era tudo o que ela tinha na vida, e procurava, em vão, afastar esse temor da mente.
Médico e paciente ainda não se conheciam e como era de praxe na primeira consulta, ele fez um amplo questionário com as duas, querendo saber tudo sobre a saúde de Luciana, sua alimentação, e até seu estilo de vida.
Passada a etapa das perguntas, veio o momento do exame clínico.
Luciana acompanhou a enfermeira para trocar de roupa e colocar o avental, enquanto o médico passava as últimas orientações para Rita, tranquilizando-a de que ele já percebera não ter nenhum mal grave afectando a moça.
Enquanto transcorria o exame, Rita aguardava rezando e pedindo a Deus que tudo estivesse realmente bem com a filha.
Não teve de esperar muito e aproximadamente vinte minutos depois o médico voltou ao seu consultório e deparou com uma mãe aflita:
- E então, doutor, como está minha filha?
- Calma, dona Rita, como eu havia previsto, sua filha não está doente e não há nada de errado com ela.
- Graças a Deus! Então está tudo certo?
Não é necessário nenhum medicamento, nada?
- Ela foi se trocar; tenho algumas recomendações a fazer, mas vamos aguardar que ela retorne.
Rita o olhou cismada, algo lhe dizia que não fora dito tudo.
Quando Luciana entrou, sentou-se ao lado da mãe aparentando tranquilidade.
O médico olhou para as duas e falou com muita calma:
- Como eu disse para sua mãe, sua saúde está óptima e não tem com o que se preocupar.
As duas se olharam, sorriram e respiraram aliviadas.
- Entretanto, preciso que me responda uma coisa:
você é casada?
Luciana franziu a testa e respondeu:
- Não, por quê?
O médico olhou para Rita, que entendeu tudo e mordeu os lábios sem conseguir dizer nada.
Ele olhou novamente para Luciana e falou:
- Você está grávida!
Luciana dirigiu ao médico um olhar surpreso, mas ao mesmo tempo interrogativo, e ele repetiu:
- É isso, moça; você está esperando um filho - enquanto falava o médico observava a reacção de ambas.
Seus anos de experiência lhe permitiam saber quando essa era uma boa notícia ou não.
Diante da confirmação dele, Rita começou a chorar e a murmurar um lamento misturado com uma prece, enquanto Luciana não conseguia saber se estava feliz ou apavorada.
- Você e o pai da criança mantém uma relação estável ao menos?
Ele terá de saber!
Luciana se encarregou de falar porque Rita não conseguia dizer nada:
- Sim, quero dizer, nós somos namorados, isso é uma relação estável, não é?
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 10, 2018 8:53 pm

O médico percebeu que estava diante de uma menina ingénua e despreparada:
- Vocês já namoram há muito tempo, suponho.
A moça meneou a cabeça em negativa, depois disse:
- Bem... não muito tempo, mas também nem tão pouco...
Realmente ali havia um problema, e o médico procurou falar com tranquilidade:
- Bem, vamos lá.
Você é uma moça jovem e saudável e com certeza terá uma gravidez tranquila, sem nenhum problema.
Mas o pai deverá estar ao seu lado, acompanhando cada momento.
Você acha que será assim?
Ele desconfia da gravidez?
- Não, nunca imaginamos que isso pudesse acontecer, pelo menos não agora, mas sei que ficará ao meu lado, nós nos amamos e ele ficará muito feliz com a notícia - dizendo isso, Luciana começou a sentir-se realmente animada.
Rita se limitou a abaixar a cabeça e passar as mãos pelos olhos mostrando que a realidade era muito mais preocupante.
O médico concluiu:
- Que bom que é assim!
Uma gravidez saudável também requer um ambiente tranquilo e feliz.
E mesmo que as coisas sejam um pouco difíceis às vezes, uma vida que está se formando é sempre motivo para muita felicidade.
Agora vou lhe fazer algumas recomendações que você deverá seguir direitinho, principalmente nos três primeiros meses.
Quando estavam se levantando para saírem, Rita falou:
- Doutor, eu sei que o senhor é amigo do sr. Arthur, mas eu gostaria de pedir-lhe que não comente nada com ele por enquanto; ele praticamente viu Luciana nascer, e eu gostaria de dar a notícia pessoalmente.
- Fique tranquila, não comentarei nada.
Quando ele me ligou falou da senhora e de sua filha com muito carinho, e sei da consideração que tem por vocês.
Ele vai ficar feliz!
Rita agradeceu e seguiu Luciana, pensando que não tinha a menor ideia do que faria dali em diante.
- Mãe, isso não é maravilhoso?
Eu, esperando um filho de Fabiano!
Imagino como ele vai ficar feliz.
Diante do silêncio da mãe, ela continuou:
- A senhora não está feliz?
Seu primeiro neto e filho do homem que amo!
- Luciana, eu não posso mentir para você, mesmo correndo o risco de acabar com a felicidade que está sentindo.
Isso não poderia jamais ter acontecido!
- Eu sei, mãe, não era para ser assim, mas aconteceu e vai acabar facilitando as coisas.
Tenho certeza de que o sr. Arthur vai adorar saber que terá um neto, e ficará mais fácil para que todos aceitem meu casamento com Fabiano.
- Alguma vez você e Fabiano falaram em casamento?
Luciana olhou para o lado pensativa:
- Não, quero dizer, assim directamente não.
Mas já fizemos muitos planos, sonhamos com o futuro... - e pela primeira vez ela se deu conta de que nunca haviam falado de futuro quando estavam juntos; mas não diria isso à mãe naquele momento.
- Temo que aconteça uma desgraça!
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 10, 2018 8:53 pm

Essa gravidez não poderia ter acontecido... vocês não deveriam ter se envolvido - disse Rita voltando às lágrimas.
Luciana ficou nervosa ao ver a mãe naquele estado:
- A senhora está sendo pessimista e me deixando com medo!
Nada de ruim vai acontecer.
O bebé vai chegar trazendo felicidade para todos nós, tenho certeza.
Rita tinha certeza de que não seria assim, mas não adiantava falar nada agora.
Só rezaria para que as consequências fossem menos danosas do que as que ela tinha em mente.
Luciana estava agitada e ansiosa para estar com Fabiano.
Quando voltaram para a mansão se dirigiram directo para casa, Rita se trocou e foi cumprir seus afazeres, pois já se ausentara tempo demais e Laís deveria estar impaciente.
A filha foi se deitar um pouco e sonhar com a forma como daria a notícia ao novo papai.
"Ele vai ficar emocionado", pensou fechando os olhos e acariciando o ventre.
Laís, vendo que as duas haviam voltado e que Fabiano estava ansioso só aguardando uma oportunidade para ir ter com Luciana, chamou o enteado simulando aflição:
- Fabiano, acabaram de ligar da Hípica.
Parece que aconteceu algo grave com um de seus cavalos.
O rapaz, que adorava seus animais, olhou-a preocupado:
- Quando ligaram?
O que houve?
- Não sei lhe dizer ao certo.
Quem ligou estava apressado e pediu que lhe passasse o recado.
- Vou ligar para lá e saber o que está havendo.
Laís o deteve:
- Não, Fabiano, não perca tempo.
É melhor ir logo para lá.
Parece que foi coisa séria!
Ele relutou por uns instantes e disse:
- Você está certa; porque perder tempo ligando?
É melhor ir logo.
Enquanto saía, pensou em Luciana, mas sabia que se tivessem alguma má notícia para dar, Rita já o teria chamado.
Depois falaria com ela.
Laís viu o carro do rapaz cruzar o portão e sorriu satisfeita.
Em breve Arthur estaria em casa e seria mais difícil Fabiano procurar por Luciana.
Queria se certificar de que estava certa e que o desmaio da empregada fora apenas uma encenação.
Dirigiu-se à cozinha.
Ao vê-la, Rita estremeceu:
- E então, o que o médico falou?
Que foi apenas um faniquito, não é?
Aposto que sim!
Era preferível que a patroa achasse isso em vez de saber a verdade.
- Foi uma queda de pressão, senhora, apenas isso.
E ela está um pouco anémica, o médico disse que deve se alimentar melhor.
Laís deu de ombros:
- É assim mesmo, pobre faz qualquer coisa para fugir do trabalho.
Onde está agora?
- Foi se deitar, mas só por alguns instantes, senhora; talvez tenha cochilado, o médico lhe deu um remédio e disse que era um relaxante capaz de fazê-la dormir um pouco.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 10, 2018 8:53 pm

Laís ficou olhando para Rita enquanto dedilhava na mesa da cozinha:
- Não estou com vontade de me aborrecer mais por hora!
Deixe que ela descanse, não quero que me acusem de ser perversa; mas vou lhe dar um aviso:
não vou admitir que ela fique fazendo corpo mole, bancando a debilitada, entendeu?
Hoje vou deixar passar, mas amanhã quero que volte ao trabalho normalmente! - dizendo isso, retirou-se friamente, como sempre.
Rita sentiu-se fraca diante do que estava por vir.
Sabia que era impossível as coisas se encaminharem para um final feliz.
Ela não imaginava do que Laís seria capaz se soubesse a verdade.
Previa muito sofrimento, temia pelo futuro, mas o mal estava feito.
Em seu íntimo contava com a compreensão de Arthur, que sempre fora um homem justo.
E Fabiano? Era tão jovem e irresponsável...
será que teria condições de assumir esse filho?
"O que será de nós?", pensou com um grande aperto no coração.
Quando a família se preparava para o jantar, Fabiano foi à procura de Laís, que já estava na sala de jantar com Arthur:
- Laís, o que aconteceu hoje?
Quando cheguei à Hípica nada havia acontecido; todos os cavalos estavam bem, não havia nada de errado.
Ela olhou para o marido que não sabia de nada, voltou-se para Fabiano e, com ar de surpresa, falou:
- Como assim?
Não estou entendendo.
Eu mesma atendi a ligação e a pessoa parecia aflita.
- Mas quem ligou? - perguntou Fabiano.
- Não sei, a pessoa não se identificou e fiquei tão ansiosa para lhe dar o recado que até mesmo esqueci de perguntar; foi um erro meu, desculpe.
Arthur olhava para um e outro sem nada entender.
Fabiano continuou:
- Falei com todos os empregados e nenhum deles ligou para cá.
Tem alguma coisa muito errada.
- Mas o que está acontecendo aqui? - perguntou Arthur intrigado.
Fabiano apressou-se em narrar os factos sob o olhar preocupado de Laís.
Quando acabou de falar, o pai contemporizou:
- Ainda bem que de facto não ocorreu nenhum problema.
Talvez tenha sido brincadeira de algum de seus amigos.
- Se foi isso, foi de muito mau gosto - arrematou o rapaz mal-humorado.
- Tem razão - aquiesceu Laís - pode ter sido isso sim.
Seus amigos devem estar aborrecidos com você; quase não os procura mais.
- Isso não justifica uma atitude tão leviana; mas vou procurar me informar e se foi algum deles, que me aguardem!
- Esqueça isso, meu filho.
Bobagem. E Rita, onde está?
Quero notícias de Luciana.
Muito a contragosto Laís tocou a sineta e Rita atendeu prontamente:
- E então, Rita, como está nossa menina? - perguntou Arthur com sincera preocupação.
Laís olhou para Rita com a expressão dura e severa, e a outra, voltando-se para o patrão apenas disse:
- Não se preocupe, doutor, está realmente tudo bem com ela.
Só precisa se alimentar melhor; sabe como são os jovens...
- Que bom, fico feliz que tudo esteja bem.
Vamos jantar que estou com fome.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 11, 2018 9:42 pm

Fabiano virou-se para Rita:
- Posso ir vê-la mais tarde?
Gostaria de fazer-lhe uma visita.
- Muito bem, meu filho, vai sim, ela ficará feliz - apoiou Arthur.
Antes que Rita pudesse dizer algo, Laís interveio:
- Não acho conveniente!
Ela deve estar precisando descansar, Rita me disse que o médico deu-lhe um tranquilizante.
Você pode vê-la amanhã.
Será melhor.
Fabiano lançou um olhar inquisidor para o pai:
- É verdade, filho, mais uma vez Laís tem razão.
Essa foi uma das razões pelas quais me apaixonei por você, querida, sempre ponderada - disse isso enquanto lhe dava um beijo suave na mão.
Deixe Luciana descansar por hoje, amanhã você fala com ela.
Laís dirigiu um olhar irónico e arrogante para Rita, que teve certeza de que a patroa estava sabendo de mais coisas do que estava demonstrando.
E isso deixou a pobre mãe ainda mais angustiada.
Se Laís estivesse desconfiada de alguma coisa sobre o namoro dos jovens, já teria ido cobrar satisfações.
Mas se desconfiava e nada disse ou fez para repreendê-los era ainda mais perigoso!
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 11, 2018 9:42 pm

dez - Um plano
Laís foi se deitar satisfeita.
Conseguira evitar que os dois namorados estivessem juntos naquela noite.
Agora precisava arquitectar o que faria para afastá--los definitivamente.
Essa seria uma missão mais difícil e teria de analisar muito bem como agir.
Arthur era um bobo sentimental, ela pensava, e era bem capaz de apoiar mesmo aquele namoro, e isso ela não permitiria.
Tinha de fazer com que os dois se separassem sem que mais ninguém viesse um dia a saber que em algum momento eles se relacionaram.
É, claro, ela não poderia se envolver directamente, pois não queria que Fabiano tivesse raiva dela e alguma razão para criticá-la.
A discussão que tiveram mostrou a ela que atacar directamente o namoro não era a melhor estratégia.
Mas Laís era muito ardilosa.
Na manhã seguinte já sabia quais providências tomar.
Logo depois da saída do marido para o trabalho, ela foi para a sala e ordenou que Rita viesse ter com ela trazendo Luciana.
Teriam uma longa conversa.
Fabiano ainda dormia.
Assim, as três puderam conversar sem nenhuma interrupção.
Laís foi directo ao assunto:
- Meu marido ficou bastante preocupado com sua saúde, mocinha.
Acho que houve certo exagero da parte dele, mas, enfim, quero fazer tudo para agradar-lhe e mostrar que também sou compreensiva.
Mãe e filha ouviam atentas, mas muito desconfiadas daquela atitude.
- Vou fazer umas mudanças a partir de hoje e sei que vocês ficarão satisfeitas, o que não me interessa muito na verdade, mas meu Arthur ficará satisfeito, e isso sim me importa.
Laís levantou-se, deu uma volta na sala deixando a expectativa das duas aumentar.
Sabia que elas estavam tensas, sem saber o que aconteceria, e ela só de maldade adiava a conversa.
Isso a divertia muito! Enquanto andava de um lado para o outro em silêncio, era observada por um vulto que se encontrava do outro lado da sala e que vez ou outra se aproximava dela, tão próximo que parecia sussurrar algo em seu ouvido.
Depois de intermináveis minutos, ela continuou:
- Talvez eu tenha cometido um erro de avaliação achando que você daria conta de fazer alguns serviços da casa, Luciana. Rita não tem lá muita competência, mas não posso negar que é forte e aguenta arcar com suas obrigações.
Já você, menina, mostrou que é fraca e despreparada, não tem o mínimo necessário para conviver e atender a alta sociedade que priva da nossa amizade.
Não sei o que você tinha em mente para o futuro, o que esperava alcançar, mas sua pouca inteligência me diz que não vai muito longe, ainda mais possuindo uma saúde frágil, que a faz cair pelos cantos por qualquer coisa.
Luciana queria agarrar aquela mulher pelo pescoço, jogar na cara dela que era muito saudável, tanto que esperava um filho de Fabiano.
Rita, como se pudesse ler os pensamentos da filha fez-lhe um sinal com a cabeça para que ficasse quieta.
Laís continuou:
- Infelizmente, meu marido discorda um pouco da minha opinião e não quero desagradar-lhe.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 11, 2018 9:42 pm

Acho que se você se comportar direito e fizer tudo exactamente como eu mandar, talvez ainda exista uma possibilidade remota de eu conseguir transformá-la numa pessoa um pouco mais decente.
Mas que fique claro que apesar de estar disposta a lhe dar uma chance de melhorar um pouco de vida, você continuará sendo a filha da empregada, minha serviçal, uma pobretona que teve o privilégio e a sorte de encontrar alguém como eu no seu caminho.
Não desperdice a chance que vou lhe dar.
Luciana não se conteve:
- Mas o que a senhora está querendo dizer?
Não a estou entendendo.
Rita a repreendeu com o olhar.
Laís exasperou-se:
- Eu lhe perguntei alguma coisa?
Não abra a boca a menos que eu aguarde alguma resposta sua.
Não se atreva a se manifestar novamente sem que eu lhe ordene!
Luciana sentiu o rosto ficar rubro de raiva, mas pensou que esse sentimento faria mal ao bebé e procurou acalmar-se.
- Como eu ia dizendo antes de ser interrompida, vou lhe dar uma oportunidade:
você vai trabalhar directamente comigo, sendo minha... digamos... assistente pessoal.
Não será minha secretária - falou dando uma risada irónica -, pois lhe falta competência e classe para assumir tal cargo.
Mas será como se dizia antigamente, minha aia.
As duas nada disseram e Laís riu alto:
- Ah, claro, vocês nem sabem o que é aia.
Era como chamavam as serviçais de famílias nobres, que atendiam exclusivamente a dona da casa.
Você, a partir de hoje, vai atender a todas as minhas necessidades e ficar à minha disposição.
Rita perguntou mantendo uma postura de humildade:
- Mas o que exactamente ela terá de fazer, senhora?
- Absolutamente tudo o que eu precisar, desejar e ordenar.
Os horários dela serão determinados pelos meus, assim como suas actividades.
Só vou poupá-la pela manhã para que possa ir à escola.
Luciana estava contrariada e deixou que sua expressão facial a denunciasse sem querer.
Laís estava atenta:
- Ora, ora, ora, vejam só!
Parece que a mocinha não está satisfeita.
Ainda por cima é mal-agradecida.
Saiba que poder me atender pessoalmente chega a ser uma honra e você deveria me agradecer.
E não adianta torcer o nariz; eu já decidi e assim será feito!
Em poucos minutos, Luciana pensou que teria as manhãs livres para encontrar com Fabiano, nem que para isso tivesse de sair mais cedo da aula.
Sempre poderia inventar uma desculpa para eventuais atrasos, como o trânsito por exemplo.
- E tem mais uma coisa - disse Laís com um ar triunfante - hoje mesmo vou contratar um motorista para me atender, e ele vai levá-la e buscá-la diariamente na escola.
Luciana reagiu:
- Senhora, o que é isso?
Não é necessário.
Sempre fui e voltei sozinha de ônibus.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 11, 2018 9:42 pm

Laís a olhou duramente e decidida a colocar um ponto final na conversa que já estava longa demais, apesar de divertida para ela, finalizou:
- É necessário, sim!
Quero me certificar de que você não sairá da escola para nenhum outro lugar antes de vir para casa.
Não vou tolerar atrasos nem que você fique vadiando por aí para fugir às suas responsabilidades.
Nem pense em reclamar; já está bom demais poder ir de automóvel para a escola.
Ainda acha que pode dizer mais alguma coisa?
Luciana começou a sentir o estômago embrulhar e uma náusea incontrolável tomou conta dela.
Sem pedir licença, saiu em disparada para a cozinha.
Rita e Laís a seguiram com o olhar, ambas surpresas, cada uma com suas razões.
Laís esbracejou:
- Mas o que é isso, Rita?
Essa garota perdeu a noção?
- Desculpe, senhora - disse Rita quase desesperada -, deve ser efeito do remédio.
Perdoe-me, por favor, perdoe minha filha.
Vou vê-la! Preciso ir!
- Vá e mande que ela tome um bom banho frio, que cura tudo.
Hoje não vai a escola, eu a quero a minha disposição em trinta minutos.
Quando Rita saiu, Laís voltou ao grande espelho da sala e disse para si mesma:
"Você é fantástica, Laís, um génio!
Agora vou poder ficar de olho nessa empregadinha e ela não conseguirá se aproximar de Fabiano.
Vou ocupá-la tanto que não terá nem tempo para tentar encontrá-lo.
Ele logo ficará saturado dessa situação e vai se cansar dessa menina.
Verá que está perdendo tempo com uma fulaninha de classe inferior.
E, ainda por cima, ele e Arthur acharão muito nobre minha tentativa de ajudá-la.
Vou ficar com créditos de boazinha, e ainda por cima separar esses dois. Perfeito."
Fabiano acordou pouco depois da reunião entre as três mulheres.
Após o café já se preparava para ir ver Luciana quando Laís apareceu perguntando:
- Bom dia! Dormiu bem? - disse de forma amável.
- Bem, obrigado.
Papai já saiu?
- Sim, há bastante tempo.
Tenho novidades hoje quando ele voltar.
Acho que vai apreciar minha iniciativa.
- Do que você está falando?
Laís o pegou pela mão e o conduziu até o sofá:
- Não sei o que aconteceu, mas eu estava muito chateada com algumas situações aqui em casa.
De repente, você começou a me hostilizar sem que eu merecesse.
- Laís, não é bem assim.
Eu apenas estranhei certas atitudes suas.
E fui honesto em dizer-lhe.
- Agradeço sua honestidade, mas de fato acho que você me julgava mal.
E para mostrar que sempre tenho as melhores intenções, tomei algumas medidas hoje.
- Verdade?
- Sim, e tenho certeza de que você vai gostar.
Luciana não terá mais que fazer os serviços domésticos.
Realmente ela tem potencial para muito mais e vou lhe dar essa oportunidade.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 11, 2018 9:43 pm

Enfim, Fabiano distendeu a fisionomia em um franco sorriso:
- Que coisa boa!
Você verá que meu pai tem razão quando diz que ela é uma boa moça.
Ela é muito inteligente e capaz.
- Nossa! Não imaginei que você ficaria assim tão entusiasmado!
Fabiano percebeu que estava se denunciando e falou mais contido:
- Não é entusiasmo.
Gosto de você Laís, e fico feliz que as coisas aqui em casa estejam ficando mais harmoniosas.
Tenho certeza de que papai também ficará feliz.
Agora preciso ir.
Laís olhou para o relógio e viu que estava na hora de Luciana se apresentar a ela.
Conseguira manter Fabiano ocupado de modo que os dois não pudessem ficar sozinhos antes que a menina viesse para atendê-la.
E foi precisa em seu plano.
Antes que Fabiano deixasse a sala, Luciana entrou.
Os jovens se olharam e Luciana disse:
- Bom dia, Fabiano.
- Bom dia, Luciana.
Que bom que chegou.
Eu estava me preparando para ir vê-la.
Você está bem?
Ainda parece um pouco abatida.
Laís, sentada, escutava a conversa fingindo desinteresse, e não queria interromper.
Deliciava-se imaginando o quanto eles deveriam estar loucos para se atirarem nos braços um do outro e o quanto deveriam estar ali, agoniados, tendo de dissimular seus desejos.
- Eu estou bem, Fabiano, obrigada pela preocupação.
- Ah, que bom então!
Podemos aproveitar e dar um passeio no jardim.
O que acha? - disse lançando uma piscadela para ela.
Laís interveio:
- Que pena, Fabiano, não será possível.
Luciana começou agora seu novo trabalho e já temos coisas a providenciar.
Uma das primeiras lições para quem quer subir na vida é deixar a diversão para depois; primeiro vêm as responsabilidades, não acham?
Fabiano ficou contrariado:
- Mas, Laís, é mesmo necessário que ela comece agora?
Ainda está se recuperando.
Poderia deixar para amanhã.
- Imagina!
A mãe dela mesma disse que Luciana não está doente.
E o trabalho vai distraí-la.
Além do que, trabalho nunca fez mal a ninguém.
Fabiano ainda tentou argumentar mais uma vez, mas Laís foi taxativa:
- Sinto muito, rapaz.
Mas já estamos atrasadas para tantas coisas que tenho de passar para Luciana.
Vamos, querida, acompanhe-me até meu quarto.
Fabiano finalmente se rendeu mais uma vez:
- Fico feliz por você, Luciana.
Vai aprender muitas coisas novas.
E obrigado, Laís, por dar essa oportunidade a ela - aproximou-se da madrasta e deu-lhe um beijo no rosto, que ela retribuiu fazendo-lhe um carinho nos cabelos e beijando-o também, enquanto, sem que ele percebesse, lançava um sorriso para Luciana que estava a ponto de explodir de tanta raiva.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 11, 2018 9:43 pm

*
Quando chegaram à suíte, o tom da conversa já se mostrou diferente do utilizado na presença de Fabiano.
Laís abriu as portas dos imensos armários onde ficavam guardadas suas inúmeras roupas, sapatos, bolsas e outros acessórios.
Luciana ficou boquiaberta imaginando que, nem que Laís vivesse cem anos, conseguiria utilizar tudo o que estava guardado ali.
A mulher a olhou com superioridade e disse com autoridade:
- Isso tudo está muito desorganizado.
Às vezes levo muito tempo tentando achar algo para sair.
Vamos começar pelos sapatos.
Retire todas as caixas e acomode-as aqui no chão ao lado da cama.
Uma a uma para que não caiam.
Luciana olhou e viu que eram tantas caixas que nem conseguira contar.
Respirou fundo e começou a tarefa.
Laís sentou-se confortavelmente em uma poltrona e pegou uma revista que folheava displicentemente.
Vez ou outra se certificava de que a moça fazia tudo como ela falara.
Quando todas as caixas já estavam arrumadas.
Laís deu prosseguimento à sua intenção de humilhar e ocupar ao máximo Luciana.
- Agora você vai abrir cada caixa, trazer o par de sapatos aqui e colocá-los nos meus pés para que eu experimente.
Creio que não vou mais querer alguns.
O olhar de Luciana estava carregado de indignação.
Percebendo isso, Laís perguntou:
- Alguma dúvida?
Luciana não respondeu e pegou a primeira caixa.
Ajoelhada diante de Laís, tirava cada par e colocava nos pés da patroa, que avaliava se queria ou não aquele e dizia:
- Que horrível! Como posso ter usado isso um dia!
Lixo. Coloque numa outra pilha ali ao lado.
E sacudia o pé atirando o calçado longe e fazendo Luciana ter de buscá-lo para colocar em ordem.
E continuava:
- Ah, esse eu adoro.
Deixe neste outro canto.
Dessa forma, a manhã passou e Luciana não sabia sequer quantas horas havia ficado repetindo os mesmo gestos: calça, tira, arruma.
O constante movimento de levantar e ajoelhar a deixou com uma dor nas costas e nos joelhos que nunca havia sentido antes.
Ao término da arrumação, e achando que seria liberada para o almoço e poderia descansar um pouco, Laís ordenou:
- Agora vá se lavar e se preparar; vamos sair.
- A senhora não vai almoçar?
- Vou almoçar na Hípica e você vai comigo.
Claro, peça para sua mãe lhe preparar uma marmita e você poderá comer com os cavalariços.
Mas não vá se demorar nem ficar de conversa fiada no clube.
Eu a quero ao meu lado para o caso de precisar de alguma coisa.
Ande, por que me olha assim?
Vá de uma vez - disse, pegando Luciana pelo braço colocando-a para fora do quarto.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 11, 2018 9:43 pm

Os dias se seguiram sem que Laís desse só um momento de sossego à Luciana.
Conseguira manter os namorados afastados porque, à noite, quando ela dispensava a moça, dava um jeito de segurar Fabiano ao lado dela e do pai.
O motorista recebera ordens expressas que jamais deixasse Luciana mudar o caminho de casa ou ir para outro lugar.
Ele só deixava a escola quando se certificava de que ela havia entrado e os portões haviam sido fechado.
Quando ela saía, já o encontrava em pé no portão, aguardando-a.
Não havia a menor possibilidade de Fabiano tentar encontrá-la na escola sem ser visto.
Como Laís previra, Arthur ficou entusiasmado com sua atitude, que agora, levava Luciana a todos os lugares.
Fabiano também apoiava a madrasta, mas estava começando a ficar irritado por não conseguir mais estar sozinho com Luciana.
O que eles não sabiam é que quando saíam, Laís deixava a moça em situações constrangedoras.
Muitas vezes, largava-a em algum canto, mas sempre sob suas vistas.
Ficava sem ter o que fazer, enquanto a patroa se divertia, ia ao salão ou passeava com as amigas.
Em outras ocasiões, Laís a obrigava a carregar sacolas de compras, limpar e arrumar suas coisas e a servir suas amigas quando estavam na rua.
Desde que soubera da gravidez da filha, Rita não teve mais sossego.
Mal dormia, vivia assustada e sem saber como daria a notícia ao patrão.
Ainda tinha de ouvir as reclamações de Luciana que não aguentava mais a patroa e sentia saudades de Fabiano.
Laís, mais de uma vez percebeu que Luciana apresentava algum mal-estar, mas não deixava que a moça voltasse ao médico nem que se queixasse com Arthur, ameaçando-a de todas as formas para contê-la.
Mas ao mesmo tempo, começou a ficar atenta; achava estranho alguém tão jovem estar sempre passando mal.
Muitas vezes, questionou-se se de fato ela poderia estar doente.
Nos poucos momentos durante o dia que conseguia se desvencilhar de Laís, a moça ficava na cozinha ao lado da mãe conversando.
- Não sei mais o que fazer, mãe; essa mulher é insuportável.
Um dia eu disse a ela que talvez não pudesse continuar trabalhando com ela porque havia recebido uma oferta para trabalhar na loja onde uma amiga minha trabalha, e que seria uma óptima oportunidade para mim.
Sabe o que ela disse?
Que eu poderia ir sim, e também poderia começar a arrumar outro lugar para morar.
A nossa casa aqui é para os serviçais da família.
Acredita nisso, mãe?
- Ela estava tentando intimidá-la e testá-la, minha filha.
E parece que conseguiu.
O sr. Arthur não admitiria que você saísse daqui.
- Não sei; não foi a senhora que disse que mulher consegue o que quer?
Já vi tanta coisa que comecei a acreditar.
É impressionante como Fabiano e o pai a admiram, principalmente agora que pensam que está me ajudando.
Eles nem imaginam o que tenho sofrido.
Preciso falar com Fabiano.
Parece até que ela sabe que namoramos.
Não temos mais uma oportunidade de estar juntos.
- Eu já havia pensado nisso, minha filha; será que ela descobriu algo?
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 11, 2018 9:44 pm

Ou ao menos desconfia?
- Não sei, acho muito difícil.
Sempre fomos muito cuidadosos e aqui em casa jamais agimos de forma a levantar suspeitas.
Nesse momento, elas não perceberam que Laís havia chegado próximo à cozinha e que ouvia toda a conversa atentamente.
Rita continuou:
- De qualquer forma, vocês devem tomar cuidado.
Ela não deve saber de nada antes de contarmos ao sr. Arthur, ou de Fabiano fazê-lo.
- Isso me chateia um pouco; achei que logo ele contaria ao pai sobre nós, mas está demorando tanto...
Rita deu um suspiro:
- Acho que ele também está com receio da reacção do pai, nós duas já falamos sobre isso.
Você terá de ter paciência.
- Eu teria, mãe, se não fosse a presença daquela insuportável aqui em casa.
Ouvindo isso, Laís teve ímpeto de entrar e esbofetear a garota pela ousadia de se referir a ela daquela forma, mas estava interessada em ouvir toda a conversa.
- O namoro de vocês não é o pior, Luciana - disse Rita com um ar carregado de angústia - temos um problema muito mais grave para resolver.
Laís franziu o cenho e tentou chegar um pouco para a frente, como se isso apurasse sua audição.
Luciana colocou as mãos no rosto, cotovelos apoiados na mesa, e respondeu:
- Coitado, Fabiano ainda não sabe de nada.
Ele vai ficar tão feliz! Mas a conversa que terá com o pai será mais difícil.
"Mas do que essas duas estão falando?", pensou Laís muito intrigada.
- Minha filha, isso sim será uma bomba!
Vocês terão de se preparar.
Uma tempestade vai assolar essa casa e essa família, você sabe disso.
- Eu preciso falar com Fabiano o mais rápido possível, tenho de dar um jeito de enganar aquela megera.
Ela não me dá paz um só instante.
- Por tudo isso que ela desconfia; você já reparou, filha, que os raros momentos em que ela lhe dá um pouco de descanso, é sempre quando Fabiano não está em casa?
Luciana coçou a cabeça e confirmou:
- É verdade, eu não havia me dado conta.
Sempre que ele sai, ela me dispensa.
Mas logo que ele retorna, antes mesmo de entrar em casa, ela já me chama para fazer algo.
- Eu já havia observado isso há tempos, mas não podemos ter certeza de nada.
Se ela age assim agora, imagina o que será capaz de fazer quando souber toda a verdade?
Do lado de fora da cozinha, Laís quase não se continha mais.
Queria entrar e perguntar de uma vez do que elas estavam falando, que verdade era aquela?
Mas sabia que as duas iriam desconversar e mentir.
Continuaria ali até descobrir.
- Tenho de dar um jeito de me encontrar com Fabiano, mamãe; não aguento mais essa situação!
Tenho certeza de que ele vai achar a melhor solução.
- Deus permita que você esteja certa, minha filha, e que esse rapaz realmente tenha maturidade para enfrentar o que vem por aí.
- Claro que terá, principalmente agora, tenho certeza de que ficaremos juntos para sempre.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 11, 2018 9:44 pm

Nós nos amamos, confio em Fabiano e já posso até ver a felicidade que ele vai sentir quando souber que vamos ter um filho!
Laís sentiu um baque atingir-lhe o peito e apoiou-se na parede para não cair.
Ainda com a alma tomada de assombro, ela se virou e foi caminhando lentamente até sua suíte, tentando digerir o que ouvira.
Sentou-se na cama e ficou remoendo as ideias:
"Não pode ser!
Não posso acreditar que Fabiano tenha chegado a esse ponto!
Quanta irresponsabilidade!
Se queria se divertir levando a coitada para a cama, que o fizesse, pouco me importa.
Mas como não tomou os devidos cuidados?
Fabiano Gouveia Brandão, pai de uma bastardinho, filho de uma empregadinha!"
O horror tomou conta do semblante de Laís, e ela deixou o corpo cair pesadamente na cama.
Ficou deitada por alguns instantes, querendo se refazer e juntar forças, o que logo conseguiu.
Levantou-se, se recompôs e disse para si mesma:
"Vou colocar um fim nessa situação antes que fique incontrolável".
Pela primeira vez em muito tempo, Laís saiu sem falar com ninguém e sem levar Luciana.
Foi até a casa de Vera, que sempre compactuou de seus pensamentos e suas convicções.
Diante da situação, Laís, que sempre fora muito segura de si, sentiu-se confusa sobre que providências tomar sem se indispor com o marido e o enteado.
A amiga a recebeu com surpresa:
- Laís, fiquei ansiosa quando você me ligou avisando que viria.
O que está havendo?
- Estamos sozinhas?
Onde está Laura?
- Ela saiu, podemos ficar a vontade.
Mas diga-me, o que houve?
- Uma tragédia, minha querida, você nem imagina.
- Venha, vamos para o terraço e você me conta tudo.
Ambas se acomodaram em um sofá e foram servidas com um chá.
Quando a empregada se retirou, Laís falou:
- Sabe aquela moça, que fez o serviço no dia da reunião na piscina?
- Como eu poderia me esquecer?
Ela me feriu com aquele copo; desastrada! - respondeu Vera com uma expressão de raiva.
- Pois é, ela mesma; está grávida!
Vera a olhou sem espanto, como se isso não fosse novidade.
- Laís, eu pensei que era outra coisa.
Isso não me surpreende.
Nós sabemos que essas meninas pobres vivem se metendo em enrascadas desse tipo, colocam vários filhos no mundo e depois nem conseguem criá-los.
Essa gente não tem moral.
- Mas não é tão simples, Vera.
- Ah, eu sei o que vai dizer:
que o Arthur tem muita consideração por ela e pela mãe etc.
Mas, paciência, agora ele vai ter de apoiar sua decisão para resolver essa questão.
Era só o que faltava vocês terem de arcar com mais essa responsabilidade.
Arthur já acolheu mãe e filha, e agora terá de acolher mais uma criança?
Você tem duas opções, minha querida, e ambas são bem simples.
Laís a olhava calada, sem coragem de concluir a história.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 11, 2018 9:44 pm

Vera continuou:
- Ou você coloca mãe e filha para fora, ou a obriga a tirar a criança... - e foi interrompida nesse instante por Laís, que falou numa voz baixa e hesitante:
- Essa criança é neta de Arthur!
Vera, que bebia seu chá, derramou todo o conteúdo da xícara em sua própria roupa, mas nem deu importância ao facto, pegou o guardanapo para se secar e falou:
- Neto de Arthur?
Foi isso que você disse?
- Isso mesmo.
Essa criança é filha de Fabiano.
- De Fabiano com a empregada?
Não é possível.
Que tragédia!
- Agora você entende meu problema?
Arthur tem coração mole e é capaz de aceitar a situação, assim como o próprio Fabiano.
Tenho de tomar alguma atitude, mas sem que me comprometa.
- Claro, você tem de fazer algo.
Já imaginou se Fabiano
resolve se casar com "essazinha"?
Que vergonha!
O que diriam na sociedade?
Que você virou avó postiça do filho da empregada!
Isso é inadmissível.
O que vai fazer?
- Não sei, pela primeira vez estou confusa.
Tenho de agir muito bem para não levantar suspeitas sobre mim.
Não quero ficar mal com minha família, entende?
- Claro que sim.
Você não pode se indispor por causa da criadagem.
Deixe-me trocar essa roupa molhada; já volto e acharemos uma solução.
Ela se levantou deixando Laís perdida em seus pensamentos em busca de uma resposta.
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Ave sem Ninho

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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 11, 2018 9:44 pm

onze - A mentira
Laís e a amiga passaram quase duas horas conversando, e quando estava saindo da casa de Vera, já tinha em mente o que faria.
Tinha de dar certo, e começaria a agir imediatamente.
Ligou para Arthur perguntando se poderia ir até a empresa encontrá-lo.
Poderiam voltar juntos para casa.
Ela então seguiu para o escritório do marido, dispensou o motorista e entrou.
Foi recebida calorosamente:
- Minha querida, que surpresa boa.
Você quase não aparece por aqui.
- Fui tomar um chá com Vera e achei que seria uma boa oportunidade vir vê-lo, já que estava na rua.
Atrapalho?
- Claro que não, fico feliz que tenha vindo.
Só preciso assinar alguns papéis e encerro o expediente.
O que acha de sairmos daqui e jantarmos, só nós dois, em algum lugar bem agradável? - dizendo isso e sem esperar a resposta, Arthur chamou a secretária para que ela lhe entregasse os documentos para assinar.
Laís, a princípio, não gostou da ideia.
Fabiano chegaria para o jantar e vendo que o casal não estava, teria muito tempo para ficar com Luciana.
Mas precisava ficar sozinha com o marido.
Enquanto Arthur falava com a secretária, Laís pediu licença e saiu da sala.
Já na ante-sala, pegou o telefone e ligou para Fabiano:
- Oi, meu querido.
Onde você está?
- Na casa de uns amigos que não vejo há tempos.
Estavam insistindo para que eu viesse e resolvi aparecer.
- Estou no escritório do seu pai e ele acabou de me convidar para jantarmos fora.
Avisei a Rita que não preparasse nada, mas só depois me ocorreu de lhe perguntar o que ia fazer esta noite.
Fabiano não viu problema algum:
- Tudo certo, não se preocupe.
Já que estou aqui vou combinar com os rapazes de sairmos para jantar também.
Devo chegar bem tarde.
Avise meu pai, por favor.
- Deu um suspiro e continuou: - você sabe que depois do que aconteceu com minha mãe, ele sempre se preocupa se demoro a chegar.
Laís desligou o telefone e pensou:
"Tudo indo bem!
Ela vai mofar esperando que ele chegue para o jantar!".
Voltou para a sala de Arthur e pouco depois estavam saindo juntos.
Durante todo o percurso falaram sobre amenidades e Arthur sempre aproveitava para fazer alguma crítica a Vera, mas só para mexer com a esposa.
Quando chegaram ao restaurante, Laís começou a simular um ar de preocupação que logo chamou a atenção do marido:
- Meu bem, desde que chegamos aqui estou notando que você se dispersa durante a conversa; parece-me preocupada.
- Não, querido, impressão sua.
Apenas alguns incidentes sem importância... eu espero.
Vamos deixar isso para lá.
- De jeito nenhum; se existe algo a incomodando, gostaria de ajudar.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 11, 2018 9:44 pm

- Meu amor, não é nada que nos diga respeito, eu não deveria nem pensar nisso.
Mas sabe como é, pessoas como nós acabam se importando com tudo e querendo ajudar a todos.
- Ah, eu sabia!
Então de facto existe um problema.
É com Vera?
- Não, não é com ela, nem com Laura.
Mas não vamos estragar nossa noite.
Deixemos essa conversa para outra ocasião - completou Laís na intenção de instigar ao máximo a curiosidade do marido.
Dessa forma, daria a impressão que de facto ela não queria tocar no assunto, só o fazendo por insistência dele.
- Conte-me o que está havendo; talvez eu possa ajudar.
Sei o quanto você é boa, e que seu coração sofre com o sofrimento alheio.
Deixe-me ao menos tentar.
Ela havia conseguido mais uma vez.
Fez um carinho no rosto do marido e um ar amoroso, e finalmente falou:
- Está bem, vou lhe contar.
Mas você vai me prometer que não falará com ninguém até termos certeza do que está acontecendo.
Ele assentiu e ela prosseguiu no seu relato:
- Você sabe que tenho saído sempre com Luciana, inclusive vamos com frequência à Hípica.
Eu insisto para que almocemos juntas, para que ela se sente comigo, inclusive quando estou com minhas amigas, mas ela sempre se nega, acho que se sente constrangida, pobrezinha.
Eu, até certo ponto, a entendo.
Fez uma pausa, bebeu um pouco de água e continuou:
- Ela sempre prefere ir comer na lanchonete ou pegar um lanche para comer perto dos estábulos.
Disse-me que gosta de estar perto dos cavalos.
E eu sempre a deixei à vontade.
- Coitada, naquele ambiente ela devia se sentir deslocada, embora eu ache que ela tem boa educação e não faria feio em nenhum lugar.
- Concordo, querido, mas coloque-se no lugar dela, é compreensível.
Uma vez cheguei a perguntar se não gostaria de levar uma roupa de banho e aproveitar um pouco a piscina, mas ela não aceitou.
Enfim, tenho feito de tudo para integrá-la à nossa sociedade, mas não obtive êxito.
Eu aprendi a gostar dela como se fosse uma filha e queria muito que ela expandisse seus horizontes - enquanto falava se surpreendia com a própria actuação.
- É por tudo isso que está preocupada?
Não fique assim, querida, você está tentando ajudá-la como pode.
Ela é muito jovem, ainda há tempo para que usufrua o que você lhe está oferecendo. Tenha paciência.
Laís juntou as mãos apertando-as como se estivesse aflita com o que diria em seguida:
- Eu sei, querido, e vou continuar fazendo o que estiver ao meu alcance.
Mas ocorreu um fato que está me deixando apreensiva.
Vou lhe contar tudo com calma.
Arthur chamou o garçom e disse que ainda demorariam para fazer o pedido.
Estava ansioso para saber o que se passava.
Ela então começou a contar a história que havia elaborado com a ajuda de Vera.
- Uma tarde, estávamos na Hípica e já se aproximava a hora de voltarmos para casa.
Luciana havia ido, como de costume, almoçar sozinha, mas dessa vez, não veio me procurar depois do almoço.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 11, 2018 9:45 pm

Eu sempre dei liberdade para que ficasse à vontade, mas ela invariavelmente vinha saber se eu estava precisando de algo, sempre muito solícita.
Contudo, nesse dia, ela desapareceu.
Claro que comecei a ficar preocupada, não era costume isso acontecer.
Despedi-me de minhas amigas e saí pelo clube procurando por Luciana.
Andei por todos os lugares e não a encontrei.
Comecei a ficar nervosa e a pensar em Rita.
Afinal, eu havia levado Luciana, e era minha responsabilidade cuidar dela, que é apenas uma menina.
E se algo ruim tivesse acontecido?
Eu jamais iria me perdoar.
- Meu amor, como você é amorosa; eu a admiro tanto e a amo também!
Imagino o que deve ter passado.
Mas, continue...
- Em determinado momento decidi seguir para o lugar mais óbvio, onde ela com certeza estaria:
com os animais.
Já estava quase anoitecendo, e o entardecer deixava as vilas dos estábulos envoltas na penumbra do crepúsculo.
De repente, eu a vi, e estanquei diante da cena que estava diante dos meus olhos - Laís se calou como se fosse difícil continuar.
- O que houve?
O que você viu?
Está me deixando ansioso.
- Querido, eu vi Luciana se... desculpe... não sei se consigo...
- Fale, meu amor...
- Eu vi Luciana aos beijos e abraços com um homem; não consegui identificá-lo a princípio, mas logo depois o reconheci como um dos cavalariços que cuida dos cavalos de Fabiano.
Não é um rapaz, é um homem já maduro, muito mais velho que ela.
Fiquei tão chocada que me escondi atrás de uma árvore para que não me visse.
Sem saber o que fazer, fiquei por ali alguns instantes e decidi retomar parte do caminho.
Quando tive certeza de que não me veria, comecei a chamá-la alto, como se a estivesse procurando.
Em alguns minutos, ela apareceu ofegante e sem graça, pedindo desculpas por ter-se ausentado por tanto tempo, mas justificando que esquecera da hora por estar distraída com os cavalos.
- Ela mentiu para você?
Nunca vi Luciana mentir.
Não é do feitio dela.
- Eu sei, meu querido.
Isso me deixou ainda mais preocupada.
Ela é uma moça, já está na idade de namorar, isso é natural e não tem nenhum problema.
Então, por que razão ela mentiria para mim?
Do jeito que estavam, pareceu-me ser um namoro de algum tempo, talvez desde as primeiras vezes que a levei ao clube.
Por que nunca me disse nada? Não caberia a mim julgá-la ou proibi-la o que quer que fosse.
Rita é que teria de aprovar ou não o namoro.
E foi aí que me perguntei:
será que Rita sabe?
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 11, 2018 9:45 pm

- E descobriu algo?
- O pior! Rita não sabe exactamente quem é.
Luciana mentiu para ela também.
Disse que está namorando, mas que é com um rapaz da escola.
- E como você soube disso?
Laís prosseguia com suas mentiras sem nenhum indício de remorso:
- Um dia percebi que Rita estava um pouco triste, e como sempre fico preocupada, fui ter com ela para saber se precisava de ajuda.
Ela então me contou que andava muito decepcionada com Luciana.
Disse que a filha estava namorando um colega da escola, mas que não devia ser boa pessoa, pois Luciana estava mudada.
Mentia, era muitas vezes malcriada, respondendo à Rita com certa agressividade.
Não queria dar satisfações do que fazia e dizia que os momentos mais felizes que ela passava na vida eram quando estava comigo.
Imagine meu constrangimento ao ouvir isso, querido!
- Como pode ser isso?
Estou estupefacto.
Luciana sempre foi uma moça tão responsável, amável, custa-me acreditar que isso esteja acontecendo.
- Temo, meu amor, que ela esteja deslumbrada com os momentos que passa ao meu lado e com os lugares sofisticados que tem conhecido.
Isso pode explicar o que ela falou para Rita.
Mas acho que esse homem com quem ela está se relacionando não possui bom carácter e deve estar sendo uma péssima influência para ela.
Sabe como é, uma adolescente sem experiência e apaixonada não consegue ter uma visão correta da realidade - disse Laís com os olhos marejados, quase acreditando no que ela própria afirmava.
- Estou muito preocupada com Luciana, com sua integridade e com muita pena de Rita.
Quero ajudar...
Arthur sentiu-se comovido com os sentimentos da mulher e decidiu que teria de fazer alguma coisa:
- Hoje mesmo quando chegarmos a nossa casa, vou falar com Rita.
Sei que não devemos nos envolver além da conta, mas ela realmente pode estar precisando da ajuda de um homem que faça as vezes de pai para colocar um pouco de juízo na cabeça daquela menina.
Que coisa! Uma moça tão boa...
- Não, meu querido, não fale nada com Rita por enquanto.
A maior preocupação dela era que você viesse a saber de alguma coisa.
Sabe o quanto ela é grata e quase endeusa você, e me fez prometer que não comentaria nada por enquanto.
Rita tem pavor de decepcionar você ou lhe causar algum aborrecimento.
Se souber que lhe contei, não confiará mais em mim.
E temos ficado ainda mais amigas depois desse facto.
- Está bem! Mas você me promete que vai me manter informado sobre tudo?
O mal deve ser cortado pela raiz, e se Luciana está indo por um caminho errado, devemos ajudar Rita, que tanto se dedicou a dar uma solidez de carácter à filha.
- Isso mesmo, amor.
Eu sabia que podia contar com seu apoio.
Mas vou conduzir tudo com sabedoria, pode deixar.
Caso eu veja que a situação está se agravando, eu falo com Rita e ela vai entender que só você poderá chamar Luciana à realidade.
Agora, vamos deixar esse assunto um pouco de lado.
Estou faminta e quero aproveitar a noite ao lado do meu amor.
Fizeram um brinde e Arthur conseguiu dar um sorriso diante do jeito dengoso de Laís.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 11, 2018 9:45 pm

doze - Ideias maldosas
Fabiano estava se divertindo com os amigos, e, após o jantar, decidiram dançar e encontrar o restante da turma.
Ele chegou a pensar em voltar para casa para estar com Luciana, mas diante da insistência dos amigos, resolveu acompanhá-los.
Quando chegaram ao local do encontro, várias das amigas de Fabiano que estiveram em sua casa na festa da piscina estavam lá, inclusive Laura, que ao vê-lo correu para abraçá-lo.
Havia muito tempo que ele não saía à noite para a "balada".
Estava gostando mais do que imaginava.
A vida pacata ao lado de Luciana lhe parecia boa e feliz, mas agora ele estava percebendo que esse mundo no qual sempre viveu ainda exercia uma grande atracção sobre ele.
Depois de algumas horas bebendo e dançando, já um pouco cansado, Fabiano foi para o jardim.
Sentou-se em um banco e se lembrou de Luciana.
Já era começo da madrugada e com certeza ela estaria dormindo.
Pensou que no dia seguinte daria um jeito de ficarem juntos, nem que fosse por algumas horas.
Enquanto pensava em Luciana, viu várias moças entrando e saindo do bar, alvoroçadas e felizes.
Todas muito bem arrumadas, boas roupas e elegantes.
Tinham bons modos, eram educadas e sofisticadas.
Todas suas amigas já haviam viajado várias vezes ao exterior por vários países e, assim como ele, falavam pelo menos dois idiomas, além do português.
Sempre tinham assunto para várias horas de conversa, mesmo que muitas vezes o tema fosse um pouco fútil.
Esses pensamentos incomodaram um pouco o rapaz, causando-lhe certo desconforto.
Luciana era uma moça educada, inteligente, mas nem de longe possuía o glamour das moças da sociedade.
Absorto em seus pensamentos, não viu Laura se aproximando:
- Desistiu de dançar?
- Não - respondeu com um sorriso -, apenas queria sentir o frescor da noite.
Estava muito quente lá dentro.
- Então já se refrescou; vamos voltar.
- Estou cansado; acho que logo vou embora!
- De jeito nenhum; você ficou tempo demais sem estar com a gente.
Hoje só vou deixar você ir quando o dia estiver amanhecendo.
Fabiano fez uma careta, mas não insistiu.
Acabou voltando para casa quando o sol já estava querendo nascer.
Quando finalmente se deitou para dormir, ninguém da casa havia se levantado para o café.
A rotina se repetiu naquele dia como em todos os outros.
Logo cedo Laís já avisou Luciana que quando voltasse da aula fosse ter com ela para agendarem a programação da tarde.
Durante o café da manhã, Rita percebeu uma expressão diferente em Arthur ao olhar para ela, mas ele nada disse e ela acabou esquecendo o facto.
Depois de se despedir do marido, Laís ligou para Vera:
- Oi, Vera, comecei a colocar nosso plano em prática ontem mesmo.
- Que óptimo!
É preciso não perder tempo.
E como foi?
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