Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 12, 2018 9:49 pm

- Por enquanto tudo está saindo como imaginamos.
Arthur ficou bastante chocado com a mudança de atitude da empregadinha.
Acho que sabendo agir, será fácil fazê-los acreditar...
- É importante que você mantenha sempre a postura generosa e preocupada com o bem-estar de todos.
Laís soltou uma sonora gargalhada:
- Vera, você nem imagina como fui convincente; eu devia ser actriz.
Cheguei a ponto de acreditar em toda a história.
A amiga não conteve a gargalhada do outro lado da linha:
- Ah! Eu daria qualquer coisa para presenciar a cena.
O Arthur é tão tolo!
- Não fale assim de meu marido!
Não fica bem.
Ele é um pouco crédulo e realmente uma pessoa boa.
Gosto dele.
- Eu também gosto do meu cachorro, querida - falou Vera rindo -, mas seja franca:
você não o ama!
Foi um bom casamento, adequado e conveniente.
Mas amor, paixão, é coisa bem diferente.
Bem, preciso desligar.
Conte-me tudo o que for acontecendo.
Estou achando essa situação muito excitante.
Até mais tarde.
Laís desligou o telefone pensando nas palavras da amiga.
De facto, ela nunca amou Arthur.
Ele era um homem agradável, educado e bonito, mas nunca o amou.
O casamento foi uma forma que ela encontrou de ter uma vida estável e confortável, sem precisar contar apenas com a mesada dos pais.
Continuaria viajando muito, frequentando a sociedade, teria uma vida rica e atraente e sempre era bom contar com uma protecção masculina.
Mas, ao conhecer Fabiano, descobriu o que era paixão.
Um sentimento que lhe tirava o sono e o sossego, um desejo que lhe ardia na alma, um amor que a estava conduzindo por caminhos escusos e sem volta.
Talvez ela nunca o tivesse nos braços, mas o manteria por perto enquanto pudesse.
"Quem sabe um dia...", pensava frequentemente.
Fabiano acordou tarde, mas ainda a tempo de tomar um banho de piscina.
Laís conhecia os hábitos do enteado, e sempre na manhã seguinte a uma noite de farra, ele gostava de nadar para desintoxicar o organismo.
Premeditadamente, foi esperá-lo para dar andamento ao seu plano.
- Bom dia! Acordou bem disposto para quem chegou com o dia amanhecendo.
- Realmente, dormi muito bem; eu cheguei exausto - respondeu com um sorriso.
- Então a noite foi proveitosa... - disse Laís tentando sondar se ele havia ficado com alguém.
- Ah, foi mesmo!
Diverti-me muito, a turma toda estava lá.
Dancei até não aguentar mais.
Sabe, eu não percebi que sentia falta dos meus amigos.
Cheguei a achar que estava entediado com a companhia deles, mas foi bom revê-los.
Agora que Laís já sabia da relação dele com Luciana, entendia por que ele havia parado de sair à noite e frequentar festas.
Mas tudo estava indicando que ele adorava aquela vida, e ela aproveitaria para estimular que ele continuasse assim.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 12, 2018 9:49 pm

- Sua turma é óptima e, como nós, adora se divertir.
Na sua idade, rapaz, você tem de aproveitar mesmo.
Deixe para levar a vida a sério quando você for mais velho.
Ele torceu o nariz:
- Se meu pai a ouvir falando assim não vai gostar.
- Já falamos sobre isso.
Ele viveu muitos anos quase recluso, mas agora está retomando o gosto pelas coisas boas da vida.
Com certeza, aprovaria minha opinião.
E Laura, também foi?
Diante da expressão de desagrado dele, ela se apressou em esclarecer:
- Calma, Fabiano, não estou insinuando nada.
Apenas queria saber se ela foi.
Você sabe que sou muito amiga de Vera e gosto de Laura.
- Ela estava lá sim, mas, Laís - disse sincera e calmamente - por favor, não tente jogá-la em meus braços.
É apenas uma amiga e vai continuar assim.
- Está certo, embora eu ache uma pena.
Mas, com certeza, existem outras moças que você conhece ou ainda vai conhecer, e uma delas vai acabar conquistando-o.
Ele pensou em Luciana.
Laís continuou:
- Laura lhe contou a tragédia que aconteceu com a prima do pai dela?
Fabiano a olhou intrigado:
- Tragédia? Não, ela não me disse nada.
Estranho, porque ontem ela não aparentava estar com nenhuma tragédia na família.
Estava até muito feliz.
- Talvez seja por não ter muita intimidade com essa prima.
É uma mulher mais velha, regula em idade com a Vera.
- Sim, mas fiquei curioso...
O que aconteceu?
- Vou lhe contar, mas jamais comente com Laura.
A família está muito envergonhada e estão tentando abafar o caso a todo custo.
Fabiano se aproximou para ouvir a narrativa atentamente.
Laís foi em frente:
- Essa prima do pai de Laura é uma mulher muito rica.
Filha única, herdou uma enorme fortuna quando os pais morreram em um acidente.
Após ficar sozinha, passou a levar uma vida, digamos, um tanto desregrada, mas toda a família tinha esperança de que ela se casasse com um homem que lhe colocasse um freio.
Um dia, ela resolveu construir uma mansão em uma bela praia, frequentada pela melhor sociedade, e durante uma de suas visitas à obra, em companhia do arquitecto, o desastre começou a tomar forma.
- Nossa! O que houve?
- Vou tentar resumir.
Ela se apaixonou por um operário.
Um horror. Um sujeito grosseiro, sem a menor educação e sem modos.
Foi uma paixão avassaladora, e ela acabou colocando esse homem dentro da sua própria casa.
Não deixava que ele trabalhasse, e passavam os dias ou enfiados no quarto ou gastando fortunas em viagens e passeios.
Ela o levava a todas as rodas da mais fina sociedade, e ele, que não era bobo nem nada, não se intimidava e fazia de tudo para aparecer.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 12, 2018 9:49 pm

Mas seus péssimos costumes, seu palavreado do mais baixo calão, fizeram com que todas as pessoas que eram obrigadas a estar no mesmo ambiente que ele, sentissem a mais forte repulsa pelo casal.
- Que coisa!
Coitada dessa mulher.
- Que coitada, o quê!
Ela nem ligava e só queria estar com ele, não se importava com o que os outros pensavam.
Mas, aos poucos, os convites foram extinguindo-se, e a presença dela não era mais requisitada.
O homem, que já se acostumara fácil à riqueza, culpava a mulher por não saber manter as amizades.
Ele bebia muito e passou a beber mais.
Ela, desolada, acompanhava-o nas noites de embriaguez.
Mas o fim das bebedeiras era sempre o mesmo:
ele a espancava e depois ainda a levava para a cama; ela ia sem resistir e até gostava.
- Que história horrível!
- Pois é. Depois de um tempo, ele se cansou, roubou o que podia dela e desapareceu levando até as jóias da família.
Envergonhada, ela não prestou queixa à polícia e o covarde partiu livre, sabe-se lá para onde.
Ela teve uma crise nervosa e parece que está internada para tratamento.
Por tudo isso, talvez, Laura não tenha comentado nada.
Deve querer esquecer o facto.
Todos os familiares estão muito abatidos.
- Que situação, Laís! Tenho pena.
Imagine a desilusão que essa pobre mulher sofreu?
Não me admira que tenha ido parar numa clínica.
Laís fez cara de desdém e falou procurando não se exceder:
- Não sei se tenho tanta pena, não.
Ele a olhou surpreso.
Ela explicou:
- Essa mulher devia ter pensado nas consequências de seus actos intempestivos.
Vera concorda comigo.
Uma mulher culta, viajada, de boa educação e que pertencia a uma roda de amigos de alto nível não pode se envolver com qualquer um, um operário, um pobretão de classe infinitamente inferior.
Não era de se esperar um conto de fadas.
Fabiano contemporizou:
- Calma, Laís, não é bem assim.
O problema nesse caso não foi a diferença social e sim de carácter.
Esse homem podia ser rico e não teria escrúpulo do mesmo jeito.
Ela não desistiu:
- Pode ser que ele realmente tivesse índole ruim, mas quando conheceu o lado nobre da vida, a ganância se apoderou dele em definitivo.
Não adianta querer enfeitar os factos:
pessoas de níveis sociais diferentes não podem ter uma boa relação.
A diferença cultural, de educação, a diferença de gostos, vão acabar minando até o maior amor do mundo.
Isso é muito bonito em filmes, mas a realidade é bem diferente.
Mesmo que ela conseguisse ficar ao lado dele, você sabe que nossa sociedade é muito exigente e acaba excluindo o que não lhe convém.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 12, 2018 9:49 pm

Pessoas de classe inferior não são bem-vindas, mesmo que tenham traquejo, coisa que esse homem não tinha.
Fabiano a ouvia novamente calado.
Quando conversavam, ela acabava sempre conseguindo incutir na cabeça dele muitas dúvidas, deixando-o confuso e angustiado.
E era isso mesmo o que queria.
- Não se devem misturar estilos de vida.
É assim há séculos, e ainda será sempre.
Temos costumes, convenções, que devem ser respeitados.
Qualquer pessoa deve se adaptar ao sistema, e não querer que ele se adapte às suas fantasias.
Pobres, por mais que se esforcem, nunca serão bem aceitos entre pessoas como nós.
Fabiano expressou sua discordância e desagrado, e ela deu a cartada final:
- Sei que para pessoas da sua idade, a vida ainda é repleta de sonhos e fantasias.
Tudo é muito bonito e romântico.
Mas veja esse caso: quando eles estavam numa roda de amigos, o tal homem só abria a boca para falar besteira.
Não podia trocar experiências falando de negócios, nem de viagens, nem das coisas mais elementares como gastronomia, artes.
Enfim, não tinha preparo para estar entre os nossos.
O fracasso e a rejeição seriam uma questão de tempo.
Se, além de tudo, ele não fosse um ladrão, talvez pudessem continuar juntos, mas viveriam, com certeza, isolados do nosso meio e ela sofreria da mesma forma.
Por favor, não comente nada com seu pai; ele já implica com Vera e se souber dessa história nem sei qual será sua reacção.
- Laís, tudo isso é repugnante.
Vou dar um mergulho.
Saiu e atirou-se na água.
Precisava pensar, ficou verdadeiramente abalado com a história.
Estava apaixonado por Luciana, a filha da empregada!
O que iria acontecer?
Será que Laís não estava exagerando?
E se a diferença social realmente interferisse no seu romance?
Até agora tudo tinha sido maravilhoso, mas eles namoravam em segredo.
Como seria quando estivessem frequentando a alta sociedade paulistana?
Laís comemorava intimamente mais um passo rumo à vitória.
*
Rita não tinha mais paz nem sossego.
Várias vezes pensava em falar com Arthur sobre a situação da filha, mas detinha-se diante dos pedidos de Luciana, que antes gostaria de conversar com Fabiano.
- Mãe, dê-me só mais alguns dias.
Prometo que darei um jeito de estar sozinha para contar tudo a ele.
Rita ficava contrariada, mas achava que era um direito da filha.
- Mais esta semana.
Esse rapaz não tem feito muito esforço para que vocês se encontrem.
Não vejo empenho da parte dele.
E já deveria ter falado com o pai também.
- Ele vai falar, só que agora também poderá anunciar que vamos ter um filho.
E se ele não tem me procurado é porque aquela bruxa sempre dá um jeito de me manter afastada dele, e até do sr. Arthur.
- Tenho receio por você!
Outro dia Fabiano chegou quando já estava amanhecendo; você estava dormindo e não viu.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 12, 2018 9:50 pm

E ele estava visivelmente embriagado.
Luciana engoliu em seco, mas retomou a segurança em seguida.
- Na nossa situação tenho de ser compreensiva.
Ninguém sabe de nada ainda, e ele tem o direito de se distrair.
Não posso impedi-lo.
E não seria justo.
Eu não tenho visto mais minhas amigas por vontade própria e, também, porque agora me sinto indisposta e fico muito enjoada.
Mamãe, eu gostaria muito que a senhora se sentisse tão confiante no futuro quanto eu.
Mas infelizmente não era assim que Rita se sentia.
Não estava segura com Fabiano, mesmo gostando muito dele.
Não o achava responsável e estava receosa com relação à seriedade que ele dava ao namoro com Luciana.
Mas por estar de mãos atadas, deu um voto de confiança à filha.
Laís continuava a armar sua teia com o apoio de Vera.
- Hoje eu consegui conversar com Fabiano, e acho que ele está começando a se questionar e a abrir os olhos.
Acho que é só uma questão de um pouco mais de tempo - dizia para a amiga, com quem falava quase diariamente contando as novidades.
Vera alimentava o plano de Laís porque também tinha esperança de que Fabiano e Laura se acertassem.
Mas não era só por essa razão.
Ela também tinha exactamente a mesma forma de pensar de Laís.
Passados uns dias, Luciana demonstrou que estava diferente e Laís percebeu.
A moça estava sentindo a pressão da mãe para falar com Fabiano, mas continuava tendo dificuldades para chegar até ele.
Por outro lado, Fabiano não a tinha mais procurado, o que a deixava ansiosa e nervosa.
Laís percebeu a tensão crescer dia a dia, e sentiu que havia um barril prestes a explodir.
Quanto mais tensos estivessem Fabiano e Luciana, mais difícil seria o diálogo.
Desde que tivera a conversa com a madrasta, o rapaz enfrentava um grande embate interior, e, por essa razão, estava evitando encontrar com a namorada.
Precisava colocar as ideias em ordem, pois, no momento, só tinha certeza de que a amava... mas agora, esse sentimento já não lhe parecia o suficiente.
Laís, com sua vivência, sabia que assuntos delicados deviam ser conversados em um ambiente harmónico e tranquilo.
Quando percebeu que o clima na casa estava ficando cada vez mais tenso, resolveu dar continuidade ao que planeara.
Arthur era o único que, apesar da sincera preocupação com o que Laís havia lhe contacto, permanecia alheio ao andamento dos acontecimentos.
A empresa passara por problemas que ele conseguira resolver a contento, mas, depois disso, parecia que nada mais funcionava como antes, e ele estava sempre envolvido em busca de soluções para conseguir evitar novos imprevistos.
Certa tarde, notou que Fabiano estava agitado, andando de um lado a outro sem parar.
Teve certeza de que ele queria falar com Luciana, que ela manteve o dia todo ao seu lado.
Quando eles se cruzavam dentro de casa, ela percebia a troca de olhares e sinais, mas logo dava um jeito de afastá-los novamente.
Em determinado momento pensou com intensa satisfação:
"Estão no ponto!
É hora de soltar as feras e deixar que se matem!".
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 12, 2018 9:50 pm

Aproveitando a proximidade de Fabiano, Laís disse para Luciana:
- Acho que vou para o meu quarto descansar.
Hoje não tenho mais nenhum compromisso e quero relaxar, talvez até dormir um pouco.
Você tem trabalhado e se dedicado muito, minha querida, portanto, pode ter o resto do dia livre.
Só precisarei de você amanhã - e despediu-se com um sorriso.
Luciana ficou absolutamente perplexa com o tom amável utilizado por Laís, mas a possibilidade de estar livre para se encontrar com Fabiano a fez não dar importância ao facto.
Em poucos minutos, ele estava na porta da casa de Luciana, e ambos combinaram de se encontrar no mesmo ponto da rua onde ele sempre a pegava quando saíam.
Iriam para algum lugar longe da mansão, onde pudessem estar juntos sem correr o risco de serem interrompidos.
- Mãe, é hoje!
Vou sair com Fabiano e tudo será resolvido.
Estou tão ansiosa que meu coração parece que vai saltar do peito - falou Luciana enquanto se vestia e rodopiava alegre pelo quarto.
Rita a observava com o semblante fechado.
Apenas rezava pela filha e para que tudo saísse da forma como ela estava sonhando.
Ao se despedirem, Rita beijou-lhe a testa e disse apenas:
- Deus a acompanhe e proteja.
Como sempre faziam, Luciana saiu na frente a passos rápidos, e, em seguida, o carro de Fabiano cruzou o portão em direcção à rua.
Laís, triunfante, seguia os passos do casal escondida por detrás da cortina de seu quarto.
Quando Luciana entrou no carro do namorado, ambos se abraçaram e se beijaram com a intensidade da saudade que sentiam.
Partiram para o restaurante onde Laís os vira juntos pela primeira vez.
Fabiano preferia que ficassem sozinhos em outro lugar, mas Luciana disse que queria conversar com ele primeiro, e depois iriam para onde ele quisesse.
Depois de uma intensa troca de carinhos e palavras amorosas, já instalados à mesa do restaurante, Luciana começou a falar lentamente, procurando reter ao máximo aquele momento que considerava ser um dos mais felizes que teria na vida:
- Meu amor, tudo o que estamos vivendo é tão maravilhoso que jamais imaginaria existir algo ainda maior e que pudesse nos trazer mais felicidade!
- Eu também estou muito feliz.
O que importa é que estejamos juntos e aproveitemos cada minuto.
O que vale é o agora, é viver o que sentimos sem pensar em mais nada.
Luciana sentia seus olhos brilharem:
- Eu também pensava assim, meu amor, mas agora tudo vai mudar.
Vamos pensar no futuro que teremos, no quanto ainda vamos construir e no quanto ainda nos amaremos e seremos felizes.
Ele a beijava sem atentar para o que ela dizia:
- Para que pensar no futuro?
Deixe que as coisas aconteçam sem esse tipo de preocupação.
Temos de usufruir de nossa paixão neste momento!
Ela respirou fundo e finalmente noticiou:
- Fabiano, temos de pensar no nosso futuro sim, a partir de agora.
Eu estou grávida!
Ele a olhou incrédulo:
- O que você disse?
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 12, 2018 9:50 pm

Ela, sorrindo, repetiu:
- Nós vamos ter um filho!
Sentindo-se sufocado, Fabiano deixou o corpo pender para trás e se encostou na cadeira, afastando-se da namorada.
Ela estava tão exultante que não divisou que a expressão dele se anuviara.
Perturbado, sem conseguir assimilar o que ela sentia, ele falou em um tom indolente e apático:
- Nós temos de resolver esse problema!
Ela o olhou insegura.
- Problema?
Que problema?
- Como assim, que problema?
Você só pode estar brincando.
Laís estava certa.
Com a pressão sofrida nos últimos tempos, ambos estavam com os nervos à flor da pele, e a falta de compreensão e entendimento já começava a se fazer presente.
Fabiano continuou:
- Essa gravidez é um problema.
Você não me disse que não tomava nenhuma precaução.
- E você se preocupou com isso quando fomos para a cama na primeira vez?
Não lembro sequer de você ter mencionado algo a esse respeito.
E minha gravidez não é um problema!
- Em que mundo você vive, Luciana?
Já imaginou quando todos souberem?
Luciana estava começando a se irritar:
- Todos quem?
Para nós só importa a reacção de seu pai.
Mas sei que ele ficará feliz.
Minha mãe já sabe.
Fabiano se surpreendeu:
- Rita já sabe?
E não fez nada?
- Ela queria falar com o sr. Arthur, mas eu pedi que esperasse.
Queria antes contar a você.
- Ainda bem que ela não falou nada.
Meu pai nem deve saber disso.
Imagina que choque teria!
- Mas nós vamos ter de acabar contando.
É nosso futuro que está em jogo, o futuro do nosso bebé.
Fabiano calou-se por alguns instantes se dando conta de que a visão da relação que ele tinha era bem diferente da dela.
Sentiu uma pontada de culpa, mas tinha de ser sincero.
- Que futuro?
Nós nunca planeamos futuro nenhum.
Nunca falamos nada a respeito, muito menos sobre bebés!
Luciana achou que ia desfalecer, mas conseguiu manter-se firme:
- Fabiano, não estou entendendo essa sua forma de falar.
Nós nos amamos...
- Sim, estamos apaixonados, mas mesmo assim, falar de futuro é outra coisa.
Ela sentiu-se aliviada ao ouvi-lo falar do amor deles.
- Então, se nos amamos, não existe problema.
Nós vamos nos casar, ter nosso filho e tudo vai ficar bem.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 12, 2018 9:50 pm

Ele foi enfático:
- Não, Luciana, nós não podemos nos casar, entende?
Os olhos da moça imediatamente encheram-se de lágrimas.
Com a voz embargada ela perguntou:
- Como não podemos?
Estou com medo; não acredito que você está dizendo essas coisas.
- Eu não posso me casar com você.
Ficarmos juntos, namorarmos, aproveitarmos a vida lado a lado, sem compromisso, tudo bem.
É o que vínhamos fazendo e estava óptimo.
Mas ninguém falou em casamento.
Sou muito novo para ter um filho.
É muita responsabilidade, não estou preparado.
- Nem eu estava - disse Luciana já não conseguindo conter o pranto -, mas juntos vamos superar tudo.
Você vai ver!
- Você está vivendo uma fantasia, mas a realidade é diferente.
Desculpe, jamais me casaria com alguém que não fosse do meu nível social.
Não daria certo, você sofreria e eu também - concluiu lembrando-se das palavras de Laís.
- Não acredito!
Você não pode pensar assim.
Eu não teria me enganado tanto.
- Desculpe, de coração!
Eu me apaixonei de verdade por você, mas sempre vivi cada instante ao seu lado sem pensar em algo mais para a frente.
Você não vê?
A sociedade jamais veria com bons olhos nosso casamento e ficaríamos sem amigos, sem convites...
Laís disse...
Fabiano não conseguiu completar a frase:
- Eu sabia que tinha o dedo daquela megera nessas suas ideias! - disse Luciana com a voz carregada de rancor.
- Luciana!
Isso é jeito de falar?
Principalmente de alguém que tem feito de tudo para lhe proporcionar boas oportunidades na vida?
- E você acredita nisso?
Ela mente, é falsa, humilha-me, maltrata-me quando vocês não estão por perto.
- Você está se mostrando mal-agradecida e eu estou decepcionado.
- E agora? O que vou fazer?
- Calma, dê-me um tempo para pensar e resolvemos tudo.
Ele acalmou o tom áspero da voz, chegou bem perto dela e disse:
- Hoje estamos muito nervosos para continuar essa conversa.
Vamos para casa.
Falaremos novamente com a cabeça mais fria e acharemos a solução.
Mas, por favor, entenda, não podemos ter esse filho e não vamos nos casar.
Está tão bom como está.
Para que mudar?
Você não estava feliz até esse problema aparecer?
Ele continuava se referindo ao filho como um problema.
Luciana estava destruída, arrasada.
Ambos voltaram sem trocar uma palavra durante todo o trajecto.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 12, 2018 9:50 pm

Ela desceu do carro perto de casa e saiu correndo, passando pelo portão aos prantos, soluçando tão alto que temeu que todos ouvissem.
Fabiano, em vez de entrar em casa, tomou outro rumo, sem vontade de ver ninguém.
Laís, da varanda presenciou a chegada da moça.
Pelo estado dela, constatou que tudo havia ocorrido como esperava.
Era certo que haviam brigado, e seus argumentos unidos à magnífica história que inventara sobre a prima do marido de Vera cumpriram muito bem sua função.
Agora era esperar para ver como Fabiano reagiria nos próximos dias.
Mas Laís daria seu jeito para que ele não aceitasse o filho de forma alguma.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 12, 2018 9:51 pm

treze - Um grande engano
Na casa de Rita o clima era de desespero:
- Minha filha, não adianta chorar.
Temos de pensar na atitude que vamos tomar.
Você é menor de idade e Fabiano terá de arcar com sua responsabilidade!
Mas isso tudo vai criar uma situação terrível com nosso patrão.
Não sei se teremos saída.
Eu bem que os avisei para ficarem longe um do outro.
Desde a noite anterior, quando saíra com Fabiano, Luciana não conseguia parar de chorar:
- Mãe, eu não consigo acreditar que isso esteja acontecendo.
Ele deixou claro que não vai se casar comigo.
Mesmo apaixonado por mim, disse que não podemos ter uma vida juntos, que enquanto estava tudo escondido não tinha problema.
Ele tem vergonha de mim, não quer aparecer comigo na frente de seus amigos pedantes e snobes - falou, atirando-se na cama e sentindo que o mundo estava prestes a acabar.
- Não vou facilitar as coisas para nos iludirmos; a situação é séria e não sei mesmo o que fazer.
Será que agora ele vai contar ao pai?
Luciana a olhou com total descrença e desilusão:
- Acho que não terá coragem.
Ele mesmo disse que foi bom a senhora não falar com o sr. Arthur.
Talvez tenhamos de tomar essa atitude.
Rita contraiu todos os músculos da face.
Isso seria o fim de toda a paz que sempre reinara naquela casa.
Finalmente, teve de admitir para si mesma e para a filha:
- A verdade é que depois que dona Laís apareceu na vida de todos nós, tudo mudou.
Quem determina os rumos da casa e das pessoas que aqui vivem agora é ela, que tem feito de tudo para implantar a discórdia e a desconfiança.
- É verdade, a senhora viu como Fabiano a defendeu?
- Eles estão cegos e envolvidos por ela.
Eu avisei que seria uma luta desigual.
Ela nunca nos suportou e na hora que souber o que está acontecendo, com certeza vai envenenar o sr. Arthur e o Fabiano contra nós.
Mãe e filha ficaram alguns momentos em silêncio, contidas na dor que assolava o coração delas naquele momento.
Foi quando Rita, buscando forças em toda a fé que possuía, falou determinada:
- Estou cansada, filha.
Foram anos de dedicação a esta casa, ao sr. Arthur e ao Fabiano.
Sei que vocês erraram, que o que fizeram trará muitos problemas, mas o sr. Arthur tem de saber.
Ele terá de saber inclusive tudo o que a mulher dele tem feito quando ele não está por perto.
Nós quatro, de certa forma, formávamos uma família, e essa Laís chegou para destruir tudo.
E se ela os engana com relação a nós, sabe-se lá quais são suas reais intenções com esse casamento.
Tenho a sensação de que o sr. Arthur e o Fabiano ainda podem sofrer muito com as artimanhas dela.
É minha obrigação tentar abrir os olhos de nosso patrão.
A situação já é grave, e de qualquer maneira a tempestade vai assolar nossa vida, então, que pelo menos eu tente fazê-los enxergar.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 12, 2018 9:51 pm

Se não der certo, terei ao menos minha consciência tranquila.
Luciana ficou orgulhosa, mas ao mesmo tempo temia pelo que a atitude da mãe pudesse desencadear.
Mas concordou que era o melhor rumo a tomar.
Fabiano era um covarde, e se ele não iria fazer nada, elas fariam.
Nesse dia, Laís acordou muito bem-disposta.
Via o castelo de Luciana ruir bem diante dos seus olhos.
Logo se livraria das duas para sempre.
Mas para dar continuidade ao seu excelente desempenho, manteve uma postura sisuda e discreta quando ligou para o marido convidando-o para almoçar.
Ele se preocupou com o tom de voz da mulher e disse que aguardaria ansioso o horário do encontro para saber o que estava acontecendo.
Na hora marcada, ela já o esperava no restaurante.
- O que aconteceu, minha querida?
Vejo pela sua expressão que tem novidades... e não parecem boas.
- Realmente o problema se agravou muito. Arthur.
Não sei como devemos agir.
Temos de ter calma para não piorarmos a situação.
O marido a olhou com os olhos vidrados de atenção.
Ela prosseguiu:
- É verdade que Luciana se relaciona com aquele homem da Hípica há muito tempo.
Andei sondando e soube que ele é bem rude, e quando deseja algo, não mede esforços para conseguir.
Os outros funcionários do clube dizem que ele é fechado no trabalho e faz sua função correctamente, mas na vida pessoal, é violento e se as coisas não andam como ele quer, é capaz de fazer até ameaças.
- Meu Deus!
Como o clube admite uma pessoa assim?
- Foi o que lhe falei; parece que no trabalho ele é irrepreensível.
O problema é na vida pessoal.
E como nunca criou nenhuma situação desagradável, o clube na verdade não tem motivos para demiti-lo.
- E como Luciana foi se envolver com um tipo assim?
- Disseram que ele, embora já sendo homem maduro, exerce grande atracção sobre as mulheres, e o que é pior, de todas as idades.
Tem fama de amante espectacular, sabe ser gentil na hora da conquista, e isso deve ter fascinado um coração jovem como o de Luciana.
Mas você ainda não sabe o pior: ele a engravidou!
- O quê? Não é possível! - exclamou Arthur com a voz elevada muito acima do que costumava usar.
- Calma, querido, olhe sua saúde.
Não fique assim.
- Como não vou ficar?
Vi essa menina crescer, tenho carinho por ela, não posso ficar indiferente.
E, Rita, está sabendo disso?
- Creio que da gravidez, não.
Soube por outro empregado da Hípica que o tal homem estava cantando aos quatro ventos que Luciana daria um filho a ele.
Mas Rita sabe que o namorado da filha não é da escola, porém não consegue conter Luciana, que está cada dia mais agressiva e rebelde.
- Eu não posso acreditar!
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 12, 2018 9:51 pm

Tenho de tomar uma atitude, preciso ajudar Rita.
Ela vai ficar desnorteada quando souber da gravidez e quem é o pai.
- Eu tive uma conversa franca com Luciana, mas ela não está receptiva a conselhos.
- Ela a destratou? - questionou Arthur muito aborrecido.
- Não, de forma alguma.
Não teria coragem de fazer comigo o que está fazendo com a mãe.
Disse a ela que já sabia de toda a situação e que queria ajudá-la, inclusive contando a você.
Ela disse que não quer que ninguém interfira.
Que vai resolver tudo com a mãe.
Ou seja, é melhor não nos metermos agora.
- Não, de jeito nenhum.
Temos de fazer alguma coisa imediatamente.
Laís sabia conduzi-lo para que fizesse como ela queria:
- Disse para Luciana que se em quinze dias ela não conseguisse resolver, nós entraríamos na história e você daria um jeito de ajeitar tudo.
Arthur concordou, mas ainda se mostrava impaciente.
Mas faria como a esposa lhe pediu.
Ela era prudente e sabia o que estava fazendo.
À noite, reunidos no jantar, Arthur, Laís e Fabiano quase não comiam nem conversavam.
O ar estava pesado, e quando Rita foi servi-los, nenhum do três a olhou ou lhe dirigiu a palavra.
Arthur, porque não conseguia encará-la e ver seu sofrimento; sentia-se impotente.
Fabiano, porque sentia vergonha e sabia que Rita censurava sua atitude, que Luciana com certeza já contara a ela.
E, Laís, apenas pelo prazer de ignorá-la.
Ela retornou à cozinha sentindo-se arrasada, sem saber ao certo o que estava acontecendo, mas nada podia fazer.
Teria de pegar Arthur sozinho.
Só depois de algum tempo, Fabiano se deu conta de que o pai estava cabisbaixo e com ar aborrecido.
Pensou que Rita teria falado com ele, e um frio o atingiu no estômago.
Será que o pai estaria zangado?
Mal se falaram no decorrer da refeição.
Arriscou perguntar ainda vacilante:
- Pai, percebo que o senhor não está bem.
O que o aborrece?
Laís olhou para o marido, que se limitou a dizer:
- Sérios problemas, filho.
- Mas posso ajudá-lo?
Está aborrecido comigo? - soltou buscando uma pista.
O pai virou-se ternamente para ele:
- Você? Claro que não.
Você sempre me dá alegrias.
Fabiano suspirou aliviado.
Arthur ainda não sabia de nada.
- Não há nada que eu possa fazer?
São os negócios?
Novamente Arthur e Laís se entreolharam.
- Meu filho, vamos nos recolher ao meu escritório.
Você saberá cedo ou tarde e prefiro eu mesmo lhe contar.
Vai ser um choque para você também.
Venha comigo.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 12, 2018 9:51 pm

Laís interveio:
- Querido, tenho algumas coisas para acertar com Rita.
Quando pai e filho estavam sozinhos, Fabiano perguntou curioso:
- Realmente parece um problema grave.
O que está havendo?
- Meu filho, não é nada que diga respeito directamente à nossa família, mas é com pessoas por quem temos carinho e consideração, e o problema é realmente sério.
Fabiano estava muito intrigado e ouvia atentamente.
Arthur continuou com expressão desanimada:
- Sempre tive por Luciana admiração e respeito.
Mas essa menina parece que saiu do eixo e anda fazendo coisas que magoaram profundamente Rita, e suas atitudes tiveram consequências muito graves.
Ao ouvir o nome de Luciana seu coração disparou.
Não entendia do que o pai estava falando se o assunto não o envolvia.
- O que ela fez de tão grave?
- Você nem vai acreditar:
ela se envolveu com um dos cavalariços da Hípica, um homem maduro, que se aproveitou da ingenuidade dela e, por causa dele, Luciana mudou totalmente seu comportamento.
Tem sido agressiva e não obedece mais à mãe, faz o que quer e parece até que anda relaxando nos estudos.
Fabiano estava atónito.
Não entendeu nada.
Como Luciana namorava outro homem?
Perguntou-se cercado de dúvidas e confuso.
- Mas como assim?
Nunca soube que Luciana namorasse alguém.
Faz tempo?
- Relativamente algum tempo, não sei ao certo, mas é coisa de meses.
Eles se conheceram quando ela ia para o clube com Laís.
O rapaz precisava controlar suas emoções, mas estava começando a sentir o ciúme lhe corroendo, ao mesmo tempo que seu orgulho ferido o deixava irado.
- Mas isso é verdade, mesmo?
Pode ser alguma intriga ou um mal-entendido...
- Não há mal-entendido, meu filho.
Luciana está grávida desse homem!
Fabiano sentiu o corpo ficar rijo.
Luciana o teria enganado, então?
Será que Laís sempre esteve certa, e a moça só queria dar o golpe nele?
"Por esse motivo ela estava com tanta pressa que meu pai soubesse e nos casássemos..
Tinha medo que a sujeira que estava armando fosse revelada."
- Quem lhe contou tudo isso, papai?
- Uma pessoa da nossa maior confiança: Laís.
Ela os pegou juntos uma tarde na Hípica.
Laís ficou horrorizada com o que viu; Luciana estava se agarrando com esse homem em plena vila dos estábulos, ao anoitecer, se comportando como uma mulherzinha vulgar.
Laís não se refez até agora.
Ela já estava vendo Luciana com muito carinho, e aquele comportamento lhe mostrou um lado da personalidade dela que desconhecíamos.
"Por essa razão Luciana a odiava tanto.
Por medo de que ela a desmascarasse!
Pobre Laís que tanto se empenhou em ajudar", pensou Fabiano com o coração tomado pelo desprezo pela namorada.
"Mas isso não vai ficar assim; não vou ser feito de bobo desse jeito sem dar o troco!"
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 12, 2018 9:51 pm

- Vou falar com Luciana hoje, papai.
Quem sabe posso fazer alguma coisa por ela.
- Não, Fabiano.
Não quero que interfira.
Apenas lhe contei porque sei que vocês estavam mais próximos e você precisava saber.
A sua amizade com ela pode até se tornar perigosa:
soube que esse o homem é agressivo e pode achar que você a está importunando, e sabe-se lá o que poderá fazer!
Não, fique fora disso.
Fabiano concordou e jurou para si mesmo que não tocaria no assunto com Luciana, mas teria uma conversa definitiva com ela.
E seria naquele mesmo dia.
A ideia de que ela o traíra, a imagem de Luciana se agarrando com outro homem, a falsidade dela quando dizia que o amava alimentavam um profundo ódio em seu coração.
Na verdade, o que ela queria era aplicar um golpe dizendo que o filho era dele.
Teria o futuro garantido e ele teria feito papel de tolo.
Quem sabe depois ela não pediria o divórcio, sairia com uma polpuda pensão e iria viver ao lado do amante.
Talvez eles fossem até cúmplices na intenção de fazer o garotinho rico de otário.
O rancor estava perturbando o raciocínio de Fabiano e ele não via a hora de estar diante de Luciana!
Diria a ela que jamais haveria casamento, e que isso era uma decisão definitiva.
Pai e filho não percebiam, mas muito próximo a eles, estavam os espíritos de Olívia, mãe de Fabiano, acompanhada de um irmão que a orientava e instruía.
Ela se sensibilizava vendo o sofrimento do filho e o marido sendo traiçoeiramente enganado.
Rezava por eles, enviando energias de amor e paz.
No momento, apenas isso lhe fora permitido.
*
Laís sabia que havia ganhado e que agora Fabiano não iria mais querer ficar ao lado de Luciana.
Armou a armadilha de tal forma que ele jamais saberia ser pai dessa criança e desprezaria a namorada para sempre.
Como havia planeado, Fabiano procurou por Luciana naquela mesma noite, e não havia mais nada o que esconder.
Conversaram nos jardins da residência da família e Laís já não se importava.
Sem que eles percebessem, ela observava ao longe, na certeza de que a conversa seria decisiva.
- Luciana, acho que não temos muito o que conversar - disse Fabiano friamente.
- Eu não tenho mais lágrimas, você me feriu profundamente.
Por que está fazendo isso?
Por que fala comigo dessa forma?
- Você disse que me amava e me enganou.
Essa gravidez foi planeada, não é?
Era esse seu objectivo desde o início - Fabiano falava, controlando-se para não mencionar que sabia sobre o outro homem.
- Eu não acredito que você está pensando nisso.
Acha que eu engravidei para lhe dar um golpe?
Ele estava desorientado, dividido entre o amor que sentia por ela, as palavras de Laís e as últimas revelações que chegaram até ele.
E tinha a alma corroída pelo ciúme.
- Você é uma moça instruída, bem informada.
Deveria saber que precisava tomar precauções.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 12, 2018 9:52 pm

Se não o fez, não pode ser por ignorância dos factos.
As pessoas estão certas quando dizem que as diferenças sociais deixam evidentes a impossibilidade de uma relação entre nós.
Laura, por exemplo, jamais agiria dessa forma e me colocaria num problema desses.
- Nunca me senti tão ofendida!
E pensar que você sempre foi o grande amor da minha vida, que sonhei durante tantos anos em estar com você.
Como pode?
- Acho que não temos mais que prolongar essa conversa.
Acabou. Deixe-me em paz que farei o mesmo com você.
- Seu pai vai saber de tudo, minha mãe vai contar e conversar com ele.
Você vai ter de assumir nosso filho.
Fabiano a encarou com rancor:
- Sua tola.
Meu pai já sabe de tudo.
Todos aqui já sabem de tudo!
E não se preocupe, ele pediu que Laís tomasse as providências necessárias para resolver esse problema.
Luciana, ao ouvir aquilo, ficou desesperada.
Saiu chorando em busca da mãe.
Fabiano pegou seu carro e foi se encontrar com a antiga vida que levava.
Queria esquecer tudo o que estava acontecendo.
Quando Luciana entrou na cozinha, deparou com Rita e Laís conversando.
A mãe tinha uma expressão transtornada e a dor que sentia era visível.
A patroa tinha um semblante carregado de arrogância e certo vestígio de irónica alegria.
Não aguentando mais tanta pressão e cansada de tudo aquilo, Luciana falou agressivamente dirigindo-se para Laís:
- O que está acontecendo aqui?
O que fez com minha mãe?
Rita nada dizia, sentia-se esgotada com os últimos acontecimentos e com o que Laís acabara de lhe dizer.
Não tinha mais forças para lutar.
Laís tratou de responder com muita calma; nada mais a deixava irritada agora.
Havia vencido!
- Minha cara, não adianta gritar e espernear.
Acabei de conversar com sua mãe e ela entendeu tudo.
Agora falta você.
Minha família já sabe de tudo, que você espera um filho de Fabiano e que vocês estavam namorando.
Luciana percebeu que Fabiano falara a verdade.
Todos já sabiam.
Agora tudo se resolveria.
Arthur não iria desampará-la.
Sentou em uma cadeira e ficou ansiosa para ouvir o que Laís diria a seguir:
- Meu marido ficou muito chocado com a situação e decepcionado com sua atitude.
Ele a criou como uma filha e sente-se apunhalado pelas costas, traído pela confiança que tinha em você e na sua mãe.
Ao ouvir aquilo, Luciana não conseguiu reagir.
Rita, em pé, apenas chorava em silêncio.
Laís continuou:
- Fabiano também está desolado; ele realmente gostava de você e igualmente se sentiu enganado.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 13, 2018 9:17 pm

Você sabia que não deveria engravidar, hoje em dia todas as moças sabem disso, mas nós temos certeza de que você agiu premeditadamente, com a intenção de conseguir um marido rico que a sustentasse para o resto da vida.
Mas seu plano deu errado.
Arthur e Fabiano não são bobos e você não conseguiu ludibriá-los.
- Isso é mentira!
Você fez intrigas e encheu o coração deles de ódio! - gritou Luciana totalmente descontrolada.
Rita se aproximou e tentou acalmar a filha.
Laís sequer se abalou:
- Não vim até aqui para discutir com você nem para ficar ouvindo suas agressões e mentiras.
Sei que deve estar desesperada por ter sido pega em flagrante e não conseguir aplicar seu golpe.
Vim aqui para dizer a você e à sua mãe que meu marido e meu enteado não querem mais vê-las, nunca mais!
Vocês sairão desta casa amanhã e estão proibidas de entrarem nas dependências sociais da mansão até a hora de partirem.
Mãe e filha escutavam tudo absolutamente inertes, em estado de choque, que as impedia de ter qualquer reacção.
- Ainda hoje quero que arrumem tudo o que é de vocês, objectos pessoais, é claro, pois irei averiguar pessoalmente se não estão levando algo que não lhes pertence.
Rita, não a quero mais na cozinha, nem hoje nem amanhã pela manhã.
Você não trabalha mais para esta família, e até deixarem a mansão ficarão restritas ao espaço da casa que ocupam.
Não as quero em hipótese alguma circulando em qualquer outra área.
- Eu gostaria de conversar com o sr. Arthur antes de irmos embora - disse Rita com a voz baixa e embargada.
Laís a olhou com superioridade:
- Você é mais burra do que eu pensava ou está se fazendo de sonsa?
Eu já disse que meu marido está muito desiludido com o que vocês fizeram, e se você tivesse um mínimo de decoro, nem se atreveria a fazer um pedido desses.
Rita calou-se e as lágrimas corriam incontidas pelo seu rosto.
Luciana já não chorava.
Crescia dentro dela o ódio, a revolta e nascia um grande desejo de vingança.
Não dizia uma palavra, mas fulminava Laís com o olhar, remoendo em seu íntimo todas as humilhações que ela a havia feito passar.
Pensava em Fabiano, na forma como ele a desprezara quando ela dedicava a ele o maior amor do mundo.
Pensava na decepção que sentia ao ver a atitude de Arthur, por quem sempre tivera toda a consideração e gratidão.
Laís pôs um ponto final na conversa:
- Não tenho mais nada para falar.
Quero as duas fora daqui ainda antes do almoço.
Arthur e Fabiano vão sair cedo, e não querem encontrá-las mais aqui quando voltarem.
Vocês tiveram um comportamento traiçoeiro com quem sempre lhes estendeu a mão.
E para provar que somos infinitamente superiores, peguem isso - e atirou um maço de dinheiro em cima da mesa.
Apesar de terem agido de forma inaceitável e repulsiva, nós ainda temos a caridade de lhes oferecer esse dinheiro, porque meu marido sabe que vocês não devem ter se precavido fazendo uma poupança para o futuro.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 13, 2018 9:17 pm

Você, Rita, gastava tudo para alimentar a ganância de sua filha, que ambicionava uma posição na sociedade.
Pagava cursos, escola, quando devia tê-la ensinado os serviços domésticos para que fosse uma boa empregada.
Se você lhe tivesse mostrado onde realmente é o lugar de vocês, nada disso teria acontecido.
Continuariam a nos servir e viver aqui em paz, cumprindo a função que lhes cabia.
Luciana, com voz firme, apenas perguntou:
- E o filho de Fabiano?
Ele não vai assumir?
Laís respondeu com raiva:
- Ele nunca quis e não quer esse filho, que até duvida ser dele mesmo.
Luciana teve vontade de partir para cima da mulher, mas conteve-se.
Laís finalizou:
- E se você insistir querendo que ele assuma essa paternidade, se aparecer por aqui com algum processo, pode até ser que ganhe.
Mas tenha certeza de que se fizer isso, esse bastardinho que você espera nunca será reconhecido por nossa família.
Você quer dinheiro?
Pode ser que obtenha, mas continuará sendo desprezada como uma criatura repugnante de quem queremos distância.
Nunca, ouviu bem?
Nunca será uma de nós!
Nunca vocês farão parte da família Gouveia Brandão!
Sua entrada será sempre pela porta dos fundos e o dia em que Fabiano se casar, provavelmente com Laura, que é uma moça fina e de quem ele terá orgulho com certeza, e tiverem filhos, jamais permitiremos que venham a conviver com esse bastardo.
Você tentou dar o golpe, agora que o crie sozinha.
É problema seu! Agora chega!
Amanhã de manhã quero-as fora da nossa casa.
Mas não esqueçam, vou fiscalizar a saída para ver se não roubaram nada.
Se eu der por falta de alguma coisa, imediatamente a polícia sairá no encalço das duas.
Deu as costas e saiu, sentindo-se feliz e realizada.
Acabou! Ela conseguira.
No dia seguinte resolveria o que dizer para o marido e para Fabiano.
Enquanto arrumavam a pequena bagagem que levariam, mãe e filha conversavam com muito esforço sobre o porquê de todos os acontecimentos parecerem ter sugado as energias delas.
- E agora, minha filha?
O que vai ser de nós?
Não temos para onde ir, nenhum parente para nos acolher, estou desesperada...
Luciana pegou o maço de dinheiro que receberam e viu que era uma quantia razoável para, pelo menos, os primeiros tempos.
Tranquilizou a mãe:
- Eu queria atirar esse dinheiro na cara dela, mas o orgulho agora só nos prejudicaria mais.
Temos o suficiente para nos abrigarmos por uns tempos.
Depois, conseguirei um emprego e vamos conseguir nos manter, fique certa disso.
- Vamos ter de sair de São Paulo.
Tudo aqui é muito caro.
- É verdade, mãe.
Em alguma cidade pequena o dinheiro até vai render mais.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 13, 2018 9:17 pm

Mas para onde iremos?
- Vamos para a rodoviária.
Lá Deus há de nos indicar o rumo que devemos tomar.
- Podíamos ir para longe... interior de Minas Gerais, Rio de Janeiro, o que acha?
- Qualquer lugar que seja bem longe de toda essa humilhação, dessa vergonha.
Como o sr. Arthur pôde agir dessa forma connosco?
Eu sabia que talvez ele tivesse dificuldade de aceitar a situação, mas nunca imaginei que ele acharia que tudo foi um golpe, que nos trataria dessa forma!
Não me conformo.
- Isso foi influência dessa mulher, mãe!
Se ela não estivesse aqui, eu iria me casar com Fabiano e todos seríamos felizes.
Mas eles não perdem por esperar.
Rita sentiu um mal-estar com as palavras da filha:
- O que você está dizendo?
- Custe o que custar, eles vão me pagar.
Cada um deles!
- Meu Deus, minha filha, não pense assim.
A vingança destrói e faz as tragédias se perpetuarem.
Você tem meu neto para criar, tem de pensar no futuro e não em vingança.
- Não adianta nem falarmos sobre isso.
Eles vão pagar tudo o que estão fazendo.
Vou destruir essa família.
- Minha filha, o que você pode fazer contra eles?
Não temos nada, e eles têm tudo.
- O mundo dá voltas, mamãe, e o que fizeram não ficará impune.
Nem que eu leve a vida toda, vou destruí-los!
Rita balançou a cabeça em desacordo, mas viu que não adiantava insistir.
Com o tempo faria a filha desistir daquela ideia.
Naquela noite, ninguém conseguiu dormir na residência da família Gouveia Brandão.
Arthur se revirava na cama, pensando nas providências que tomaria no caso de Luciana.
Ele não imaginava que Laís já havia se antecipado e resolvido ao modo dela.
Ele sentia pena de Rita e se preocupava com o destino da moça, e, de certa forma, sentia que era sua obrigação ajudá-la.
Não deixaria que um homem sem carácter e sem escrúpulos destruísse uma vida que ainda estava se formando; a vida de uma jovem que podia ter cometido um erro, mas que sempre havia lutado para manter uma conduta exemplar e esforçada.
Fabiano, em seu quarto, tentava conter a dor que estava sentindo.
Arrependia-se por não ter jogado na cara de Luciana que sabia de toda a verdade sobre o caso que ela mantinha com o outro homem.
Isso faria com que a culpa por tê-la preterido em nome de sua posição social fosse atenuada.
Será que Laís estava certa?
Seu pai sempre o educara para que fosse generoso e tratasse todas as pessoas com a mesma consideração e respeito.
Arthur dizia a ele desde menino, que Olívia, a mãe, também agia assim, que era uma pessoa muito boa e achava que todas as pessoas são iguais aos olhos de Deus.
Mas quando Laís chegou, começou a mostrar que a vida real era diferente.
E ainda tinha aquele caso da prima do pai de Laura, uma história que Fabiano não tirava da cabeça.
É, talvez Laís estivesse mesmo com a razão; não importava o que ele, o pai ou a mãe pensavam.
A sociedade fazia suas cobranças e quem não as aceitasse, não se adequasse, estaria fora dos padrões.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 13, 2018 9:17 pm

E ele não queria isso para sua vida.
Mas o coração do jovem estava partido.
Ele amava profundamente Luciana e pensou no bebé: seria mesmo seu filho?
Estava arrasado!
Mas o pai saberia resolver a situação.
Quem sabe ele ainda pudesse ter mais uma conversa com Luciana...
Virou para o lado e se forçou a dormir.
Precisava descansar e esquecer.
Laís também não conseguia pegar no sono.
Estava exultante e excitada demais para relaxar.
Seu plano foi arriscado porque para cada lado ela criou uma história diferente e se algo desse errado, fatalmente ela estaria em uma grande complicação.
Mas tudo correra como havia planeado.
Foi perfeito.
No dia seguinte, aquelas duas seriam página definitivamente virada em sua vida.
Fabiano estaria livre... quem sabe para ela, um dia!
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 13, 2018 9:18 pm

catorze - Mudanças
O sol não havia nascido quando Rita e Luciana deixaram a mansão da família Gouveia Brandão carregando apenas duas pequenas malas e algumas sacolas, rumo a um futuro desconhecido e incerto.
Rita queria ter aguardado Laís como havia sido determinado, para que ela conferisse que não estavam levando nada que não lhes pertencesse.
Mas Luciana bateu o pé dizendo que não iam se submeter àquela humilhação.
Então saíram sem serem vistas para nunca mais voltar.
Quando Laís acordou e deu por falta das duas, pensou por alguns instantes e voltou para a suíte acordando Arthur com uma atitude agitada e aflita.
- Querido, acorde, por favor!
Preciso falar com você; não imagina o que aconteceu.
Arthur abriu os olhos ainda sonolento, mas assustado.
- O que houve?
- Acabei de encontrar Rita.
Ela estava saindo com uma pequena bagagem e disse que ia embora atrás de Luciana.
- Atrás de Luciana?
Como assim?
Do que você está falando?
Querendo ganhar tempo, Laís sugeriu:
- Vá lavar o rosto enquanto pego um café para você.
Assim contarei tudo com calma.
Ele hesitou por um momento, mas acabou concordando.
Poucos minutos depois, os dois estavam sentados na cama e ele ouvia atentamente a explicação de Laís:
- Eu acordei de repente antes do amanhecer, e como não conseguia dormir, resolvi descer um pouco.
Fui à cozinha e ouvi uma movimentação que vinha da casa de Rita.
Quando fui conferir, eu a vi saindo com a mala.
Eu a interceptei no caminho para saber o que estava acontecendo, e ela me disse que no início da madrugada Luciana fizera as malas dizendo que ia embora morar com o tal sujeito.
Rita tentou dissuadi-la, mas como você sabe Luciana anda inconsequente, e a mãe não obteve êxito.
Desesperada, começou a imaginar o que iria fazer.
Quis em algum momento chamar-nos, mas ficou envergonhada e achando que a filha já estava causando problemas demais.
Então decidiu ir atrás dela.
Não queria deixar a filha à mercê daquele homem e temia que algo ruim lhe acontecesse.
Querido, eu tentei de tudo para fazê-la mudar de ideia, pedi que aguardasse, disse que viria chamá-lo e resolveríamos a questão, mas ela implorou que eu não o fizesse.
Afirmou que depois do que acontecera, não tinha mais condições de trabalhar aqui em casa nem de olhar para você.
Estava se sentindo muito mal, disse que Luciana ia ter o filho ao lado do pai da criança e uma nova vida começaria para elas.
A única coisa que consegui foi que ela aceitasse um dinheiro que peguei apressadamente antes que ela se fosse.
Só aceitou porque eu disse que era justo pelos anos de dedicação.
Arthur estava zonzo; mal conseguia falar:
- Meu Deus! Que loucura é essa?
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 13, 2018 9:18 pm

Como pode estar acontecendo tudo isso?
É inacreditável.
Vou acordar Fabiano.
Quem sabe podemos achá-las ainda?
Não devem estar longe.
- Meu querido, não adianta.
Luciana saiu há muito tempo e Rita disse que, tendo dinheiro, pegaria o primeiro táxi.
Tinha pressa em encontrar a filha.
- Então vou mais tarde até o clube falar com esse homem.
Como é mesmo o nome dele?
Laís deu um pequeno tapa na própria testa e exclamou:
- Pôxa, nessa confusão toda nunca me ocorreu de perguntar o nome dele.
E sinto desapontá-lo, Rita me disse que ele saiu do clube, que vão morar em outra cidade porque ele tem muitos problemas com várias mulheres aqui e quer viver em paz com Luciana.
Pelo menos parece que vai assumir a vida com ela.
O que é bom.
Arthur estava inconformado:
- Não é possível que não possamos fazer nada!
Rita trabalhou tantos anos aqui, era pessoa da mais total confiança, sabia tudo o que eu e Fabiano gostávamos.
E Luciana?
Uma moça que tinha tudo para seguir rumo a um bom futuro...
É lamentável!
- Não há nada a fazer.
Foi uma opção delas, não podemos interferir.
Você, durante todos esses anos, deu toda a assistência que podia, fez tudo por elas, mas agora não lhe cabe intervir na escolha de Rita.
Só nos resta desejar que tudo corra bem para elas e que um dia voltem para nos fazer uma visita.
Acho que depois que esse furacão passar, Rita virá falar com você.
Temos de continuar nossa vida, e agora, ainda tenho de encontrar alguém para substituí-la.
Arthur estava triste, mas teve de admitir que a mulher estava certa.
Já fizera muito, agora precisava cuidar da vida de sua família e dos negócios.
Mas ficou ressentido com a ingratidão de Rita.
Quando Fabiano soube de tudo, ficou arrasado.
Não teria a oportunidade de falar com Luciana.
Mas então era verdade!
O filho não era dele e ela estava mesmo apaixonada pelo tal homem.
Que decepção.
Ela deixou tudo para trás daquela forma, e ainda teve coragem de dizer que o amava e se sentiu ofendida por ele.
Decidiu que não pensaria mais nela.
Ela não merecia seu amor.
Iria esquecê-la o mais rápido possível.
Na rodoviária, Luciana e Rita tentavam decidir o que fazer sem sequer imaginarem as mentiras que Laís armara.
E caíram direitinho na armadilha.
Agora estavam naquela situação, sem saber para onde ir e sem certeza do que as esperava.
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Ave sem Ninho

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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 13, 2018 9:18 pm

Depois de um tempo analisando e discutindo as possibilidades, vendo preços de passagens e pegando informações, escolheram uma cidade no interior de São Paulo, onde souberam que havia muitos fazendeiros ricos, o comércio estava crescendo e a cidade se desenvolvendo rapidamente.
Concluíram que lá deveria existir muitas oportunidades de trabalho, e embarcaram rumo ao desconhecido, munidas de coragem e fé.
Durante toda a viagem, Luciana relembrou tudo o que acontecera e as palavras de Fabiano, e seu sentimento de vingança só aumentava, embora o profundo amor que sentia pelo rapaz ainda estivesse presente.
Quando chegaram à pequena cidade, constataram que o dinheiro que possuíam não seria suficiente para alugarem uma casa.
Precisavam poupá-lo até conseguirem um trabalho que lhes garantisse o sustento.
Ainda na rodoviária, receberam a indicação de uma pensão localizada bem no centro da cidade, boa localização e frequentada por pessoas de bem e trabalhadoras.
Foram conferir e acharam o local até agradável.
Era limpo, a dona muito educada e atenciosa, e o preço adequado ao que podiam dispor.
Foram conduzidas ao quarto e ficaram um pouco decepcionadas ao ver que o banheiro era no corredor.
Mas, paciência, elas se ajeitariam.
Estavam exaustas, a tarde já estava começando, mas nesse primeiro dia elas queriam apenas descansar.
Após um banho, ambas se recolheram às suas camas, arrumadas com lençóis, travesseiros e cobertores de boa qualidade, mas sem nenhum luxo.
Assim, pegaram no sono quase imediatamente.
Só acordaram quando já estava na hora do jantar.
Desceram e as mesas do pequeno salão já estavam quase todas ocupadas.
A comida tinha um aroma agradável e ambas perceberam que estavam famintas.
Enquanto comiam conversavam:
- Sabe que estou me sentindo bem melhor, mamãe!
E animada para recomeçar?
- Fico feliz, filha, que se sinta assim.
Eu também estou mais descansada e bem-disposta.
Vou lhe confessar uma coisa:
só de saber que aquela mulher não está aqui para nos dar ordens e nos humilhar, já me dá outra disposição para o trabalho.
O semblante de Luciana se anuviou:
- Por favor, não vamos mais falar daquela gente.
O que eles nos fizeram foi incompreensível e inaceitável, mas agora devemos esquecer.
- Que bom que pensa assim, filha; é isso mesmo que temos de fazer.
Mas ainda não aceito a atitude do sr. Arthur.
Algo dentro de mim diz que alguma coisa está errada nessa história.
Eu o conheço o suficiente para acreditar que talvez ela o tenha manipulado mais do que imaginamos.
Ele é um homem bom!
Luciana ficou pensativa e falou:
- Pode ser que a senhora esteja certa, mas ele errou de qualquer maneira por ser um fraco e não tomar as rédeas da situação.
E Fabiano eu jamais perdoarei!
- Não fale assim; ele é um bom rapaz, apenas imaturo pelo excesso de mimos que teve a vida toda.
Com a má influência de Laís, ele ficou perdido e acabou agindo de forma mesquinha.
- Não me interessa as razões que o levaram a agir assim.
Ele não podia ter feito isso comigo e com nosso filho.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 13, 2018 9:18 pm

E aquela Laís não perde por esperar.
Ainda vamos nos encontrar - concluiu Luciana com profundo rancor acompanhando suas palavras.
Rita voltou a insistir:
- Esqueça essa vingança, minha filha.
Isso vai acabar destruindo sua vida.
Jesus disse que não devemos alimentar o ódio nem os desejos de vingança:
"Amai vossos inimigos" lembra?
Se não consegue perdoá-los, ao menos não lhes deseje mal.
Um dia tudo vai passar.
Luciana dirigiu um olhar terno para a mãe:
- Admiro sua fé, mas não posso dizer que farei algo que sei jamais conseguir.
Não vou permitir que fiquem impunes depois de todo o mal que nos causaram.
- Essa é uma missão que não lhe cabe, Luciana.
Deus tudo vê, e nenhuma atitude que desvie do caminho dos ensinamentos Dele fica impune.
Nenhuma falta ou infracção cometida contra as suas leis deixam de trazer consequências a quem as praticou.
- Se eles tiverem de acertar contas com Deus, que assim seja.
Mas isso será lá no céu.
Aqui na Terra terão de acertar contas comigo!
- Pense no seu filho; esses sentimentos ruins farão mal à criança.
Até os médicos dizem isso.
Luciana colocou a mão no ventre:
- Meu filho vai ser criado com muito amor, mas saberá um dia toda a verdade, o que a família do pai dele nos fez sofrer.
Ele terá condições de reivindicar tudo a que tem direito.
Crescerá sabendo se defender de pessoas como aquela gente.
Não será iludido como nós fomos.
- Você não quer ensiná-lo a se defender, você quer ensiná-lo a odiar!
- Se para se defender for preciso odiar, que seja.
Tudo o que fiz na vida foi amar.
Fui correta, estudiosa e boa filha.
E o que ganhei com isso?
Eu não conhecia nenhum sentimento ruim.
Mas me ensinaram que eles existem e para o que servem:
para destruir quem causa mal aos outros.
- Você me assusta falando assim - disse Rita com os olhos marejados.
Luciana estava determinada e irredutível.
A mãe tentou alertá-la de outro modo, já que a filha não deu ouvidos aos preceitos religiosos:
- E como você pensa em conseguir levar adiante sua vingança?
- Vou encontrar um jeito.
- Eles são ricos, poderosos, conhecem bons advogados, você pode se meter em uma grande encrenca, isso sim.
Pessoas simples como nós não têm condições de fazer frente a pessoas como eles.
Luciana lançou um sorriso persuasivo:
- Basta que eu seja como eles!
Rita não conseguiu conter o riso amargurado:
- E como você vai conseguir isso?
- Sendo tão rica quanto eles, sendo aceita na sociedade, tendo o poder de contratar advogados tão bons...
- Você está sonhando alto!
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 13, 2018 9:18 pm

Levaria a vida toda para conseguir a fortuna que eles possuem.
Vamos esquecer essa história e jantar em paz.
Luciana acatou, mas as ideias ficaram remoendo em seu pensamento.
As primeiras semanas de Luciana e Rita na nova cidade foram cansativas.
Embora a filha protestasse, Rita saía diariamente em busca de trabalho.
Luciana também passava o dia na rua buscando um emprego, mas não estava tão fácil como elas haviam pensado.
Na pensão não havia a obrigação de cozinhar ou limpar, mas Rita, quando chegava mais cedo da rua, sempre se oferecia para ajudar em alguma coisa, e acabou conquistando a simpatia de todos.
Um dia, por indicação de clientes que só iam até a pensão para almoçar, Rita conseguiu um trabalho como lavadeira na casa de uma família.
Não era um emprego fixo, trabalhava como diarista, mas seu capricho e responsabilidade fizeram com que a fama de sua competência corresse a cidade, e logo ela já estava com todos os dias da semana ocupados.
Luciana não encontrava a mesma facilidade, e o início da gravidez a deixava enjoada e abatida.
Os possíveis empregadores achavam que ela era doente ou desconfiavam de sua gravidez.
Isso era o motivo da dispensa da selecção do emprego.
Cada vez ela ficava mais desanimada, o que fazia com que nem sequer fosse indicada para participar de testes.
Rita, que vira a filha começar a nova etapa da vida tão determinada, ficava aflita ao vê-la agora se entregando à depressão.
Como estava ganhando um dinheiro acima do necessário para as poucas despesas que tinham, de vez em quando chamava Luciana para fazerem um lanche fora da pensão, ou lhe comprava uma pequena lembrança.
Uma vez chegou a levá-la ao cinema.
Tudo com a intenção de deixá-la mais feliz.
A barriga de Luciana já começava a se revelar e sua preocupação aumentava a cada manhã.
- Já se percebe bem minha barriga, mãe.
Agora é que não vou conseguir mesmo um emprego.
Por causa do apoio das leis às gestantes, ninguém contrata uma mulher grávida.
- Não desanime, minha filha.
Eu estou conseguindo ganhar um bom dinheiro, você sabe.
Os convites para trabalhar em outras casas de família continuam aparecendo.
Acho que vou ter de comprar uma agenda - concluiu rindo tentando fazer graça para a filha.
Ela respondeu também com um sorriso:
- Está ficando importante, dona Rita!
Mas não quero que a senhora trabalhe tanto.
Eu é que devia estar ajudando-a.
- Eu gosto de trabalhar.
Não saberia ficar o dia todo em casa.
E você agora tem de se preocupar com meu neto.
Já viu o médico que uma cliente me indicou?
Dizem que é óptimo, e uma vez por semana atende pacientes sem condições de pagar as caras consultas.
Amanhã ele trabalha aqui no bairro.
Nós vamos fazer seu primeiro exame.
É com isso que tem de se preocupar agora.
Luciana estava feliz com a notícia.
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Re: Ninguém Domina o Coração - Saulo / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 13, 2018 9:18 pm

Queria sentir segurança e confiança no médico que a atendesse e parecia que a recomendação era boa.
- Fico preocupada com sua saúde!
A senhora devia descansar depois de tantos anos de trabalho naquela casa.
- Preocupada?
Eu tenho uma saúde de ferro e muita alegria no trabalho.
Essa era uma grande verdade.
Rita ficara doente muito poucas vezes, e sempre foram casos corriqueiros, sem nenhuma gravidade.
O tempo foi passando e ambas começaram a aceitar a ideia de que Luciana não poderia trabalhar até o nascimento do filho.
A gravidez corria muito bem, e todo o pré-natal estava sendo acompanhado pelo médico que lhes fora indicado.
Quando já estava com quatro meses, pôde fazer uma ultra-sonografia que a presenteou com a notícia de que esperava uma menina.
Rita ficou exultante, assim como ela.
As clientes estavam muito satisfeitas com o trabalho de Rita e ela já estava conseguindo juntar um pouco de dinheiro.
Tinha planos de alugar uma pequena casa onde pudesse ter um cantinho para criar a neta e a filha.
Tudo estava indo bem, até que um dia Rita chegou bastante abatida na pensão, após mais um dia de trabalho.
Luciana, quando a viu, ficou bastante surpresa:
- Mãe, o que aconteceu?
Eu a estou achando com umas olheiras profundas.
- Não é nada de mais, filha; acho que estou pegando uma gripe.
Luciana insistiu para que a mãe procurasse um médico, mas ela se recusou.
Nos dias que se seguiram, Rita continuou seu trabalho, mas estava se cansando rapidamente, parecia que suas energias estavam diminuídas pelo excesso de serviço que assumia diariamente.
Luciana, envolvida com a filha que estava para chegar, cuidava de comprar o básico do enxoval do bebé, e a dona da pensão ofereceu um berço para colocar no quarto.
Nas tardes em que Rita passava fora trabalhando, Luciana procurava se ocupar passeando pela cidade, fazendo alguns contactos para que pudesse conseguir um emprego em breve, e arrumando as roupinhas da filha.
Um dia, Rita chegou à pensão no fim da tarde, mais cedo do que de costume.
A dona da pensão se surpreendeu e foi até ela:
- Rita, querida, tão cedo em casa?
- Não estava me sentindo muito bem e achei melhor descansar um pouco.
- Estou notando que você não está bem-disposta como sempre.
Será uma gripe?
O que você está sentindo?
- Não sei, é um cansaço muito grande e não tenho ânimo para fazer nada.
Dizendo isso, Rita dirigiu-se ao sofá com dificuldade, com a respiração arquejante e os passos inseguros, e sentou-se lentamente de forma vacilante.
A dona da pensão se ofereceu prontamente:
- Fique quietinha aí que vou trazer-lhe um pouco de água fresca.
Vai se sentir melhor.
Rita ficou sozinha na sala e começou a sentir tudo girando à sua volta.
Uma dor aguda atingiu-lhe o peito de tal forma que ela tentou gritar, mas a voz perdeu-se em algum lugar, no fundo da sua garganta.
Esforçou-se para se levantar, mas a dor se ramificou para o braço esquerdo, fazendo com que ela deixasse o corpo cair no sofá.
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