Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

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Re: Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 05, 2018 9:50 pm

Osvaldo fez com que ela se sentasse em um dos bancos enquanto Renato e Humberto fizeram o mesmo.
Quando Berenice se acalmou, olhou para Renato e tornou:
- Não sei se deveria contar tudo o que sei na frente de Humberto, mas os acontecimentos estão se precipitando e tenho certeza que logo ele saberá de tudo, então é melhor que saiba por mim.
Renato ficou nervoso, mas confiava em Berenice, e ela, por sua vez, percebendo que todos aguardavam pelas suas explicações começou:
- A senhora Vera Lúcia poucos dias antes de morrer escreveu uma carta e deixou debaixo do fundo falso da última gaveta do seu guarda-roupa.
Com certeza, sabendo que morreria, ela confessou toda a verdade naquela carta e colocou ali, pois tinha ciência de que um dia alguém a encontraria.
Dentre outras coisas que ela revelou está quem é o assassino do Dr. Bernardo.
Eu encontrei a carta quando fui fazer uma faxina em seu quarto e quando a li, vendo a crueldade do que estava exposto, não tive coragem de guardar o segredo só comigo e procurei meu filho Duílio para pedir ajuda.
Zelí ouviu nossa conversa e assim que saímos de casa e ela ficou só no apartamento, procurou a carta e a encontrou.
Na mesma noite fez todas as malas e desapareceu.
Zelí queria fazer chantagem em troca das informações contidas na carta.
Essa noite na festa, assim que a vi entre os convidados a interpelei e ela me disse claramente que estava ali para chantagear alguém.
Tentei demovê-la de todas as maneiras, mas ela estava irredutível.
Foi aí que procurei Duílio mais uma vez e contei o que estava acontecendo.
Ele, então, resolveu procurar Helena para tentarem encontrar a melhor maneira de resolver a situação.
Eu fiquei preocupada, mas não soube o que eles conversaram.
Pelo que aconteceu no quarto, suponho que eles devem ter conseguido tomar a carta das mãos de Zelí e ela, com raiva, atirou neles.
É tudo o que sei.
Notava-se o esforço grande que Berenice fazia para contar tudo aquilo sem perder o equilíbrio.
Assustado, Humberto indagou:
- Então mentiram para nós?
Quer dizer que o vovô não morreu num assalto à nossa casa, mas foi assassinado premeditadamente?
Por que não nos disseram a verdade?
O silêncio se fez e Renato, embora soubesse que este dia chegaria, não sabia o que dizer ao filho.
Havia muita mentira envolvendo todos eles e não sabia se os filhos saberiam perdoá-los.
Fábio havia entendido, mas Andressa e Humberto talvez não compreendessem e se revoltassem quando tudo viesse à tona.
No caso de Humberto havia um agravante.
Além da mentira sobre a morte do avô, ele não era filho de Helena, mas alguém que havia sido deixado à porta da família para adopção.
Ali, frente a frente com o filho, ele ficou mudo, não sabia o que dizer.
Vendo que Renato não tinha coragem de falar, Berenice tomou coragem, aproximou-se de Humberto, pegou em suas mãos com carinho, alisou seus cabelos e começou:
- Seu pai ama muito você, por isso está sem coragem para falar a verdade, mas chegou a hora e eu vou dizer - Berenice fez pequena pausa, suspirou fundo, pediu auxílio espiritual e disse:
- Se você realmente ama seus pais saberá perdoá-los.
Você não é filho legítimo de Renato e Helena, foi adoptado pouco tempo depois de ela ser presa.
Tomado de susto pelo horror da revelação, Humberto levantou-se e gritou:
- Mentira! Isso é mentira!
Sou filho dos meus pais e minha mãe nunca foi presa, morreu doente.
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Re: Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 05, 2018 9:50 pm

- É melhor que aceite a verdade, filho.
Ouça toda a história por Berenice, só peço que não nos condene e que um dia possa nos perdoar.
Humberto deixava que grossas lágrimas descessem em seus olhos enquanto cruzava os braços e esperava que Berenice continuasse:
- O senhor Bernardo foi assassinado friamente em seu escritório.
Ele e dona Helena viviam brigando, pois ele não aceitava sua condição social de moça pobre e humilde do interior.
Nunca aceitou que o filho tivesse casado com ela e vivia para humilhá-la.
Alguém se aproveitou disso e o matou.
Helena entrou no escritório atraída pelo disparo e pegou a arma, encostou o corpo no corpo inerte do senhor Bernardo manchando sua camisola de sangue.
Foi quando Celina e Renato também entraram e concluíram que ela o havia matado.
Mas não foi Helena quem cometeu o crime.
Humberto parecia entender o que acontecera e já presumia o que o pai fizera, mas preferiu ouvir de Berenice:
- Helena foi julgada e condenada, mesmo sendo inocente.
Renato e Celina com muito ódio e acreditando sinceramente que ela era assassina, mobilizaram todos os recursos para que ela ficasse esquecida pela justiça e cumprisse os vinte anos em regime fechado.
Um ano depois que isto aconteceu, numa noite, quando Osvaldo estava no portão ouviu um barulho estranho e o choro de um bebé, foi olhar na calçada e havia uma caixa grande, quando a abriu você estava dentro.
Sua chegada na mansão naquele momento tão triste foi uma alegria para todos.
Não foi difícil para Renato conseguir sua guarda definitiva diante da lei e registá-lo como seu filho e de Helena.
À medida que Andressa e Fábio foram crescendo e amadurecendo, Renato os convenceu a jamais revelar que não eram seus irmãos de sangue.
Berenice fez pequena pausa e concluiu:
- É fácil concluir que Helena não morreu, mas Renato e Celina com o dinheiro que possuíam conseguiram abafar o caso perante a sociedade e resolveram mentir para vocês dizendo que Helena havia morrido e, então, colocaram aquela pintura de uma mulher em cima da lareira dizendo ser a mãe de vocês.
Devo dizer que Vera nunca foi a favor dessa mentira, mas nada pôde fazer contra Renato e Celina.
Helena, a mãe de seus irmãos, está viva, ou melhor, entre a vida e a morte naquela UTI.
Na verdade, Laura Miller nunca existiu, foi um nome inventado por Helena para conseguir voltar a conviver com vocês, enfim, mais uma mentira que agora virá à tona.
A polícia irá investigar e creio que já estão de posse da carta.
Não há mais como esconder a verdade.
Humberto virou-se de costas e debruçou-se sobre o pequeno altar da capela.
Não sabia o que dizer nem o que fazer.
Só sabia que teria que enfrentar aquela dor profunda que rasgava seu peito como se fosse um punhal.
Ele fora adoptado, nunca tinha sido filho de Renato nem irmão de Andressa e Fábio.
Quem o teria rejeitado?
Quem o teria jogado dentro de uma caixa na porta de uma rica mansão?
Ele tinha que saber.
Revoltado, saiu correndo da capela sem olhar para trás.
Renato tentava impedi-lo de sair quando Berenice pediu:
- Não vá, deixe-o só com ele mesmo.
Humberto precisa desse momento.
Foi tudo muito duro para ele.
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Re: Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 05, 2018 9:51 pm

- Temo que faça uma besteira.
- Ele não fará, fique tranquilo.
Humberto é um rapaz ajuizado, tenho certeza que saberá conter a revolta e compreenderá as atitudes de todos.
- Nós nunca devíamos ter mentido.
- É verdade, a mentira é uma erva daninha que, pouco a pouco, vai abafando tudo e todos por onde passa.
Por isso jamais devemos mentir, mesmo que a verdade venha a doer.
Uma mentira nunca se sustenta.
Por mais que dure, um dia é descoberta levando muita dor e sofrimento não só àquele que a criou, mas também a todos a seu redor.
O mentiroso, então, perceberá que toda a dor que a verdade iria causar ainda seria pequena diante do acúmulo de sofrimento que a mentira provoca.
Você hoje está vendo isso.
Renato olhou para Berenice com humildade:
- O que faço?
- Deixe as coisas acontecerem.
A partir de agora acredito que a vida quer mostrar a verdade.
Quando ela decide não há nada que possamos fazer.
Tenho aprendido muito sobre a vida e suas leis com Leonora, ela é espírita e muito sábia.
Assim que tudo isso terminar, vou procurar um Centro Espírita e me tornar trabalhadora, conhecendo mais a fundo o que essa doutrina maravilhosa tem a nos oferecer.
Osvaldo os interrompeu:
- Vamos voltar à recepção do hospital, já devem ter notícias de nosso filho.
- Vamos sim - concordou Berenice.
Os três voltaram à recepção e perguntaram à recepcionista:
- O doutor Paulo nos procurou?
- Sim, senhor, vou chamá-lo.
A cirurgia do senhor Duílio já terminou.
O coração de Berenice quase saltou fora do peito:
- Como ele está?
- A cirurgia foi um sucesso, mas só o doutor Paulo é que pode informar os detalhes.
Poucos minutos depois, o médico chegou e disse:
- Duílio resistiu bem, mas como a bala atingiu parte do cerebelo ele ficará com algumas sequelas.
Osvaldo, lágrimas nos olhos, perguntou:
- Que tipo de sequelas?
- Ainda não podemos saber ao certo, mas acreditamos que terá dificuldades nos movimentos dos membros inferiores.
Contudo, não é hora para tantas preocupações.
Duílio é jovem, forte, existem muitos recursos na fisioterapia que são capazes de devolver uma vida praticamente normal a ele.
O que importa e que devem agradecer a Deus é que o filho de vocês está vivo e fora de perigo.
Berenice caiu num longo pranto, mas, amparada por Osvaldo e Renato, logo foi se acalmando.
Doutor Paulo se despediu e se mostrou disponível para qualquer dúvida, esclarecendo que Duílio só poderia receber visitas na manhã seguinte.
Sem ter mais o que fazer ali, eles resolveram voltar para casa.
Renato estava preocupado com Andressa e queria ver a filha.
Também gostaria de saber aonde Humberto tinha ido.
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Re: Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 05, 2018 9:51 pm

Capítulo 43
Desde que tudo acontecera, Leonora entrara em seu quarto e se recolhera em prece.
Pediu com humildade e muita força a Deus e a Jesus que permitissem que os espíritos iluminados ajudassem Helena e Duílio para que nada de pior acontecesse.
Ela sabia que a morte era apenas uma viagem, mas sentia que tanto Helena quanto Duílio ainda tinham muito o que fazer naquela encarnação, por isso pediu com fervor que Deus pudesse intervir pela vida de ambos.
Foi aí que sentiu leve brisa a envolver.
Em seguida, o espírito luminoso de Esteia apareceu e lhe disse:
- Acalme seu coração, Leonora.
Helena e Duílio ainda vão viver muitos anos sobre a Terra.
Não é a hora deles partirem.
Leonora, emocionada, tornou:
- Enviada do altíssimo, agradeço sua presença confortadora.
É muito bom saber que Deus lhes poupou a vida.
- Deus só faz o que é certo e bom para as pessoas.
Ele nunca erra!
- Por que eles tiveram que passar por isso?
- A alma de Helena não aguentava mais viver na mentira, sem poder expressar o verdadeiro amor de mãe pelos filhos.
Por isso, inconscientemente, atraiu essa situação para que a verdade fosse logo revelada.
Leonora entendeu, mas perguntou novamente:
- E Duílio? Também atraiu isso?
- Tudo que nos acontece é atraído por nossas atitudes e necessidades de aprendizagem.
Duílio estava se sentindo culpado por Zelí ter se apoderado da carta.
A raiva e o ódio que sentia pela sogra, unidos a um compromisso de vidas passadas que ele precisava resgatar, atraíram esse acontecimento.
Mas convém lembrar que, se ele não tivesse cultivado esses sentimentos negativos, não teria sido atingido.
- E Zelí? O que será dela?
- Zelí é um espírito ainda bastante ignorante.
Desconhece as leis de amor e está agindo de acordo com seu nível de evolução.
Só com as dores da vida é que um dia chegará ao caminho do bem.
Vamos nos lembrar dela com compaixão, como uma irmã ainda criança no que diz respeito às leis cósmicas do universo.
Não devemos lhe querer nenhum mal nem desejar que seja punida.
Só Deus sabe o que ela precisa passar para amadurecer e conquistar a sabedoria.
Não existe neste mundo ninguém mal, o que existe são pessoas doentes ou ignorantes.
Deus é amor e todos que aqui estão nasceram Dele, então, como pode existir alguém mau?
O que existe são espíritos que ainda não acordaram para as verdades da vida.
Um dia todos acordarão e como disse o Mestre Jesus:
“Seremos um só rebanho e um só pastor”.
As palavras de Estela calaram fundo o coração de Leonora que, feliz e reconfortada por aquela energia, agradeceu a Deus e encerrou seu momento de prece.
Voltou à sala e encontrou Celina sozinha, chorando.
- Não fique assim, dona Celina.
É preciso se controlar nesses momentos de dor.
O desespero só agrava a situação.
- Eu, que sempre odiei Helena, agora estou desesperada, não quero que ela morra.
Você me fez ver a vida com outros olhos.
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Re: Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 05, 2018 9:51 pm

Eu estava enganada, iludida pelas paixões terrenas.
Como fui e sou infeliz!
Leonora sentou-se com ela e a abraçou:
- Não diga isso.
A senhora pode ter sido infeliz, mas não é mais.
Hoje é uma pessoa renovada e disposta a mudar.
Quer felicidade maior que essa?
Celina calou-se e se deixou ficar nos braços da amiga.
O tempo foi passando e elas ouviram a porta da frente abrir-se com estrondo.
Humberto entrou transtornado e gritando:
- Mentirosos!
Todos vocês são mentirosos! Odeio-os!
Leonora pediu:
- Acalme-se e fale baixo.
Sua irmã está dormindo lá em cima e seu estado é delicado.
Vamos conversar.
Ele baixou o tom de voz e olhou para Celina com extremo rancor:
- Até você, tia?
Em quem sempre confiei a vida inteira?
Por que nunca me disse que era um adoptado?
Que nunca fiz parte desta família?
Celina sobressaltou-se:
- Quem lhe disse isso?
- Papai e Berenice.
Não adianta tentar me enganar, já sei de tudo.
- De tudo o quê?
- Sei que me deixaram aqui numa noite na calçada, dentro de uma caixa.
Uma mulher cruel me rejeitou e vocês fizeram a caridade de me recolher.
Recolheram um enjeitado.
Celina disse nervosa:
- Não pense assim, Humberto.
Você é e sempre foi muito amado por nós.
Nunca fizemos nenhuma distinção entre você e nenhum outro filho do Renato.
- Claro! Vocês tinham que fingir muito bem, para o bobo aqui nunca desconfiar.
Leonora ponderou:
- Não seja injusto.
Você sabe como ninguém que é amado de verdade.
O sangue não importa, o que importa é o verdadeiro amor que temos em nosso coração.
Leonora tinha o dom de tocar o coração das pessoas, principalmente de Humberto.
Havia algum tempo que ele se sentia apaixonado pela moça, mas nunca tivera coragem de se declarar.
O que ela estava dizendo tinha lógica.
Nunca poderia dizer que lhe faltara amor verdadeiro naquela casa.
Sabia, dentro do coração, que era amado por todos e que jamais fizeram diferença entre ele e os outros.
Mesmo assim estava transtornado:
- Mas ainda assim vocês foram muito cruéis.
Nos enganaram sobre a morte de nossa mãe.
Nossa mãe é Laura, ou melhor, Helena, está viva e nunca morreu de nenhuma doença.
Essa aí é uma farsante - disse apontando para o quadro em cima da lareira.
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Re: Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 05, 2018 9:51 pm

Celina estava confusa.
Por que Renato e Berenice resolveram contar a verdade a Humberto?
Ele captou a dúvida em seu olhar e respondeu:
- Quer saber por que me contaram a verdade?
Porque não há mais como encobrir nada.
Detalhadamente, Humberto contou tudo.
Desde que Berenice achara a carta de Vera até os segredos que a tia revelara por meio dela.
Celina tremeu.
O que mais, além daquilo, Vera teria revelado?
Seu segredo também estaria ali?
- Com quem está essa carta?
- Acredito que nas mãos da polícia.
Assim que mamãe se recuperar, todos iremos saber a verdade.
Celina sentiu as pernas tremerem.
Não! Vera não teria coragem de expor sua vida numa carta.
Não seria justo.
Vendo que ela estava muito nervosa, Leonora pediu:
- Humberto, vá para seu quarto, não faça nada por impulso.
Acalme sua mente.
A vida tem solução para todas as coisas.
- Farei isso.
Celina jogou-se no sofá chorando novamente.
Por mais que Leonora tentasse, não conseguia acalmá-la.
Por fim disse:
- Agora minha vida está destruída.
Tenho certeza que Vera contou meu segredo naquela carta.
- Se contou não terá outro jeito a não ser assumir seu erro.
Mas não é apenas aquele erro que eu cometi.
Cometi outro talvez muito pior.
Quero desabafar. Vou lhe contar.
Celina começou a contar a história e Leonora, mesmo surpresa com o que ouvia, não julgava nem emitia opiniões.
Por fim, abraçou Celina e ficaram mudas, cada uma imersa em seus próprios pensamentos.
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Re: Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 05, 2018 9:51 pm

Capítulo 44
Andressa ficou sabendo de tudo pelo próprio pai.
A princípio revoltou-se, mas ao recordar o que sentira por Helena desde a primeira vez que a vira, logo voltou atrás e passou a se sentir muito feliz em saber que ela era sua verdadeira mãe.
A compreensão de Andressa, sua bondade em não julgar ninguém e sua vontade em descobrir quem era o verdadeiro assassino para deixar sua mãe livre, mais uma vez surpreenderam a todos.
A polícia colheu os depoimentos de Berenice, Duílio, Renato e Helena, assim que ela pôde falar.
A recuperação de Helena foi lenta e Renato foi avisado pela polícia que eles iriam responder a um processo por falsidade ideológica.
O investigador Felipe entregou-lhe a carta:
- Acredito que está na hora do senhor saber a verdade. Leia.
Renato sentou-se numa cadeira que ele lhe ofereceu e começou a ler.
Sua única reacção foi chorar muito e sentidamente.
Felipe indagou:
- O que fará com isso?
- Vou esperar minha mulher sair do hospital, reunirei todos em minha casa e a lerei.
Ninguém mais deve ficar sem saber a verdade.
Vai doer muito, poderá arrasar nossa família, mas chegou a hora.
Chega de mentiras.
Felipe deu-lhe um abraço e disse:
- Boa sorte, senhor Renato.
Ao sair da delegacia àquela tarde, Renato resolveu rodar de carro pela cidade sem destino certo.
Não podia acreditar naquilo, era muito cruel, era aterrador!
Mas era a verdade e por mais que ela fosse cruel, todos tinham o direito de saber.
Ele adentrou a casa abatido, semblante fechado, mas não disse nada a ninguém.
Todos perguntavam pela carta, mas ele, combinado com a polícia, dizia que ainda estava nas mãos da justiça.
Finalmente Helena chegou e a casa toda se empolgou para recebê-la.
Berenice mandou providenciar muitas flores e espalhou por todo o ambiente, e uma bela música inundava o ambiente quando Helena entrou de cadeira de rodas, sendo conduzida por Renato.
A emoção fez com que sensíveis lágrimas brotassem de seus olhos quando viu à sua frente Andressa e Humberto, cada um segurando um lindo buquê de dálias amarelas, com terno sorriso no rosto.
Um breve silêncio se fez e Andressa o quebrou com emoção:
- Seja bem-vinda, mamãe!
- Nós te amamos, querida mãe!
Andressa se aproximou de Helena, entregou-lhe os buquês e a abraçou.
Nova emoção tomou conta de todos.
Quando tudo serenou, Helena pediu:
- Desculpem-me por tantas mentiras.
Eu não tinha coragem de aparecer para vocês como uma criminosa.
- Não precisa se desculpar, mamãe - tornou Andressa, amorosa.
Sabemos que a senhora jamais cometeria crime algum.
- Mas queremos ver esse assassino apodrecer na cadeia! - bradou Humberto.
Afinal, ele roubou sua vida por mais de vinte anos, você foi presa injustamente.
Seja quem for, terá que pagar.
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Re: Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 05, 2018 9:52 pm

Renato interveio:
- Não vamos falar de coisas tristes agora.
Vamos comemorar a volta de Helena para casa.
Celina aproximou-se:
- Perdoe-me, Helena, por todo o sofrimento que causei à sua vida.
Hoje percebo o quanto estava errada.
Helena estranhou.
Celina percebeu:
- Você trouxe um anjo para nossa casa: Leonora.
Foi ela quem me ensinou a ver a vida com os olhos da verdade.
Vi o quanto me enganei acumulando o ódio em meu coração.
Só eu que perdi com isso.
Você me perdoa?
Vendo que Celina estava sendo sincera, Helena respondeu:
- Perdoo sim, Celina.
Nunca entendi o motivo de seu ódio e rejeição por mim, mas agora não importa.
Sinto que realmente se modificou e estou disposta a ter, a partir de hoje, uma vida sem brigas com ninguém.
Humberto disse que quer ver o assassino atrás das grades, mas eu não desejo mais nada.
Só quero viver em paz.
- Deixe-me abraçá-la.
Um abraço carinhoso e verdadeiro selou a paz entre aquelas duas mulheres.
A partir dali seriam amigas e terminariam de aparar as arestas que ainda restavam, fruto de um longo período de ódio e rancor.
Berenice e as copeiras foram servindo delicioso lanche a todos quando o telefone tocou.
Era Fábio que queria falar com a mãe.
Helena pegou o telefone com emoção:
- Mãe? Como está?
- Estou bem, meu filho.
Finalmente o pesadelo passou.
- Não sabe o quanto sofri quando soube o que tinha acontecido.
Mas agora sei que tudo seguirá em paz. Te amo!
O coração de Helena estremeceu.
A que tipo de amor ele se referia?
Percebendo que a mãe ficara calada, ele imaginou o que se passava por sua cabeça e disse:
- É amor de filho.
Hoje sei que estava obcecado, com ideia fixa.
Não era normal.
- Ainda bem, meu filho, fico ainda mais feliz por isso!
- Aqui também conheci Kim, uma linda mulher que me fez descobrir o verdadeiro amor.
Papai e meus irmãos já sabem, você está sabendo agora.
Pretendo me casar com ela, ter filhos, fazer uma família digna e feliz como papai sempre me ensinou.
Helena chorava emocionada:
- Ver um filho feliz é o maior sonho de todas as mães.
Deus o abençoe.
- Sei que, com sua bênção, serei muito feliz.
Fábio fez pequena pausa e disse:
- Assim que a polícia entregar a carta quero saber de tudo, principalmente quem matou o vovô.
Essa pessoa terá que pagar por ter roubado nossa felicidade.
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Re: Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 05, 2018 9:52 pm

- Prometo que você ficará informado, mas não guarde rancor ou ódio no coração.
Não faz bem a ninguém.
- Como posso não guardar rancor se até a tia Vera foi morta por esse monstro?
- Ainda assim.
Ore por sua tia e perdoe a todos.
O perdão é o principal caminho para a felicidade.
Ninguém consegue ser feliz sem deixar de perdoar aqueles que os feriram.
Eu perdoei a todos e por isso consegui a felicidade.
Fábio calou-se.
Não conseguia ter o mesmo entendimento da mãe.
Depois que se despediram e ele desligou, Helena voltou para a sala e continuou ali, vivendo aqueles bons momentos ao lado de quem amava.
Tudo parecia um sonho, mas ela sabia que um pesadelo ainda viria, quando a carta de Vera fosse lida.
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Re: Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 05, 2018 9:52 pm

Capítulo 45
As semanas foram passando e Renato resolveu que era a hora de ler a carta e revelar a verdade.
Chamou os filhos, Celina e Helena na sala e comunicou:
- Tenho duas notícias:
Zelí foi encontrada e está presa.
Ninguém fará nada por ela a fim de facilitar sua saída da prisão para esperar o julgamento em liberdade, acabei de saber que o juiz negou o pedido de habeas corpus feito pela defensoria pública.
Terá que aguardar o julgamento na cadeia.
A segunda notícia é que a polícia me entregou a carta e quero ler para vocês.
Chegou o momento.
O coração de Helena estremeceu:
- Não sei se é o certo, não é melhor queimá-la e deixar tudo como está?
- Não, Helena, tia Vera queria muito revelar tudo e é um direito de todos nós sabermos o que realmente aconteceu.
Mas só farei isso com todos reunidos.
Agora mesmo irei ao escritório e telefonarei para Bruno pedindo que ele venha para cá às oito trazendo sua mulher e Letícia.
Também chamarei Duílio para que venha junto com Pamela.
Quero que cada um dos envolvidos nessa história saiba a verdade o quanto antes.
A apreensão tomou conta de todos.
Ninguém sabia o que Vera havia escrito, mas sentiam, até mesmo pela expressão de Renato, que eram coisas desagradáveis demais.
Às 20h todos já se encontravam reunidos na grande mesa da sala de jantar.
Renato, com mãos trémulas, abriu o envelope e começou a ler:
“Querida família que muito amo, apesar das coisas que irei revelar.
Já não aguento conviver com tanta dor dentro de mim e quando vocês lerem esta carta, já estarei morta.
Acredito que a morte seja o único alívio para minha consciência.
Durante vinte anos ocultei um segredo deixando que uma pessoa inocente pagasse por um crime que não cometeu.
Por causa de minha omissão, crianças ficaram órfãs de mãe, Renato conheceu o inferno de estar separado de quem amava e Helena sofreu numa prisão injustamente.
Tudo começou quando Renato tornou-se rapazinho.
Ele tinha 14 anos quando descobri algo sinistro:
minha irmã Celina era apaixonada por ele.
Sei que isso chocará a todos, mas preciso revelar para que saibam de tudo.
Celina o seduziu e chegou a levá-lo para seu quarto onde o forçou a fazer sexo com ela.
Eu os flagrei e, horrorizada, fiz de tudo para que ela parasse com aquilo.
De tanto ameaçar ela resolveu parar, mas nunca deixou de amar Renato.
Contudo, eu havia descoberto algo ainda mais sinistro:
eu também era apaixonada pelo Renato, mas não tinha coragem de fazer as coisas que ela fazia.
Parece uma maldição, mas nós, suas duas tias, éramos apaixonadas por um rapaz que vimos nascer e crescer e, por isso, embora fôssemos muito jovens abdicamos de nossa vida amorosa para vivermos em torno dele.
Cada namorada que Renato trazia para casa era um tormento para nós, que sempre dávamos um jeito de fazer com que o namoro terminasse.
Mas com Helena foi diferente.
Renato a amava de verdade e nada conseguimos fazer para impedi-lo de casar-se com ela e trazê-la para esta casa.
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Re: Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 05, 2018 9:52 pm

O ciúme nos consumia todos os dias, mas Renato amava Helena e não conseguíamos ver um jeito de nos livrarmos dela.
Até que Bernardo começou a discutir com ela, pois nunca aceitou a nora.
Grandes discussões foram travadas nesta casa, até que um dia, na frente de todos, Helena, completamente descontrolada, disse que, se ele a separasse de Renato ela o mataria.
Bernardo havia descoberto nossa paixão por Renato e estava decidido a nos expulsar de casa.
Naquela mesma tarde tive a ideia e quando a noite chegou, entrei calmamente no escritório onde meu irmão fumava e ouvia música e, sem pensar em mais nada, saquei o revólver e o matei.
Eu sabia que, com a discussão entre ele e Helena durante a tarde, todos iriam suspeitar dela.
Mas as coisas ocorreram melhor do que eu imaginava.
Helena que estava no jardim sem conseguir dormir, ouvindo os disparos correu ao escritório, viu o corpo de Bernardo e, além de pegar a arma, sujou sua camisola de sangue.
Eu observava tudo por um pequeno compartimento secreto que existe no escritório e vi quando Renato e Celina chegaram flagrando-a sobre o corpo, com a arma na mão, chorando desesperada.
A felicidade egoísta tomou conta de meu coração quando Helena foi acusada, presa e condenada para sempre.
Jamais teria coragem de declarar o meu amor ao meu sobrinho, mas estaria livre de ver a mulher que ele amava ali.
Dentro do meu egoísmo não pensei na orfandade das crianças, nem no sofrimento de Renato, só minha alegria era o que importava.
Nem me importava também de ter assassinado meu próprio irmão.
A paixão me cegava completamente.
Todos ficaram desolados e a mansão muito triste.
Berenice tinha jeito com as crianças e ficava com elas, mas Celina, não suportando a falta do irmão amado e o clima fúnebre da casa, saía todas as noites chegando só quando o dia estava claro.
Dizia que saía para dançar, mas na verdade tinha encontros fortuitos na boate de Madame Zelí, a mãe de Pamela, no Brás.
Um dia Celina disse-me que estava grávida, mas não sabia quem era o pai.
Ela estava desesperada e aflita, pois seria uma vergonha para a sociedade da época ela, filha de quem era, ser mãe solteira.
Sem revelar nada a Renato, fomos passar uma temporada na Europa e foi lá que Humberto nasceu.
Quando voltamos ao Brasil, fomos à boate de Zelí e pedimos que ela ficasse com a criança por um tempo.
Demos a ela dinheiro para que, depois desse tempo, em determinada noite o colocasse em nosso portão, e assim Humberto foi adoptado por Renato como filho.
Os anos foram passando e Renato, a cada dia mais apaixonado e infeliz pela distância de Helena e acreditando que ela havia matado o próprio pai, entrou em depressão e abandonou a empresa deixando tudo nas mãos de Bruno e Duílio, que na época estava recém-formado e passou a gerir nosso património.
Uma solidão grandiosa começou a me envolver e comecei a sentir remorso.
Quando via Andressa, Fábio e Humberto venerando a pintura de uma desconhecida, meu coração se dilacerava, mas sabia que jamais teria coragem de contar a verdade.
Minha imagem para todos era a da mulher perfeita, virtuosa, caridosa, bondosa, compreensiva.
Ninguém sabia que eu era esse monstro assassino que vocês estão sabendo agora.
Preferia morrer a ter que quebrar essa imagem.
Então, fui arrastando meu remorso até que comecei a ter crises de pânico.
Nesses momentos sentia tanto terror que parecia que ia morrer, mas junto ao terror eu via claramente sombras negras me abraçando, afirmando que eu iria sofrer quando morresse.
As medicações ajudaram a controlar as crises, mas nunca me senti feliz e vivi praticamente todos os últimos anos da minha vida com a dor do remorso.
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Re: Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 05, 2018 9:52 pm

Ah! A dor de uma consciência criminosa!
Ninguém pode avaliar o quanto ela é profunda.
Um assassino pode viver sem remorso por muitos e muitos anos, mas um dia, quando ele chega, é arrasador, enlouquecedor, acaba com nossa paz para sempre.
Não sei se esse remorso um dia terá fim, mas só em estar escrevendo esta carta já me alivia.
Ninguém conseguiu saber de quem foi a arma do crime, não encontraram o registo.
Mas a arma me foi cedida pela minha melhor amiga na época:
Ester Bittencourt.
Ela não vinha à nossa casa, mas eu sempre ia visitá-la.
Ester sempre me incentivou a tirar Helena do meu caminho por meio do crime e quando decidi, naquela mesma tarde fui a sua casa e peguei o revólver.
Tempos depois Ester, com a consciência culpada, procurou-me secretamente dizendo que, ou eu me entregava ou ela o faria.
Prometi uma solução, mas mais uma vez achei que a solução seria matar.
Voltei para casa, peguei a arma de Bernardo, carreguei e marquei novo encontro com ela.
Mas daquele encontro Ester não saiu viva.
Assassinei-a friamente e tirei-lhe todas as jóias para que pensassem ter sido um assalto.
Desconfiaram que havia algo mais, mas ninguém descobriu nada.
Quando Helena finalmente ficou livre, vi nisso uma forma de recuperar o que havia feito de errado.
Menti para ela e para Renato que havia visto a cena do crime, mas não podia revelar o assassino, pois minha vida e a de Fábio corriam perigo.
Claro que coloquei o nome de Fábio de propósito, para amedrontar os corações do pai e da mãe.
O que eu queria era que Helena esquecesse o criminoso e passasse a viver feliz com a família.
Essa minha estratégia deu certo, mesmo quando Helena nos reuniu naquele jantar sinistro, fui tranquila, porque achei que a maioria das coisas que ela falaria seria blefe.
Não sei como ela descobriu minha viagem com Celina naquele ano e também não sei se o que ela disse sobre os outros é verdade, mas sabia que ela jamais descobriria que eu era a assassina.
Mas eu não contava com mais uma artimanha do destino.
Fábio se apaixonou pela própria mãe.
Quando ele me revelou a paixão e que estaria disposto a tudo para conquistá-la, roubando-a do pai, percebi que não tinha mais como ocultar a verdade.
Helena precisava descobrir tudo, antes que um mal maior pudesse acontecer.
Contudo, faltava-me coragem.
Tinha certeza que não aguentaria ver os olhos acusadores de Renato, muito menos das crianças que tanto amo.
Resolvi que iria revelar tudo nesta carta, colocá-la num lugar fácil, mas não ficaria viva para ser acusada por aqueles que mais amo.
A vida numa prisão me parece insuportável.
Então, resolvi morrer.
Chamaria Helena até sua casa e no meio do caminho pistoleiros contratados e pagos por mim mesma dariam cabo de minha vida.
Com certeza tudo sairia como planeei.
Certamente a essa hora, quando estiverem lendo minha carta, já saberão que, além de homicida, sou suicida.
Que Deus tenha pena de minha alma.
Apesar de tudo, amo todos vocês, e é com muito pesar que deixo esta vida.
Espero que um dia possam me perdoar.
Da tia, Vera Lúcia”

Alguns se calaram, outros choravam baixinho.
Ninguém sabia o que dizer, só sabiam que teriam de juntar todos os pedaços do coração e continuar vivendo, mesmo dentro daquela dura e dolorosa realidade.
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Re: Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 05, 2018 9:53 pm

Epílogo
Depois daquela noite cada um resolveu que esqueceria o que tinha descoberto.
Mas estava muito difícil.
Saber que a tia tão amada fora a responsável por toda a infelicidade da família doía no fundo da alma e estava praticamente impossível seguir adiante.
Leonora ia conversando com todos sobre os benefícios do perdão incondicional, mas ninguém estava preparado para dar aquele passo.
O nascimento do bebé de Andressa veio trazer a alegria que havia se perdido naquele ambiente.
O lindo e rosado Augusto era alegre e sorridente.
Aos poucos, à medida que o menino crescia, todos deixaram para trás a mágoa e só, então, a felicidade recomeçou a brotar.
Celina, envergonhada por ter tido sua intimidade revelada daquela forma, resolveu partir.
Foi para um lugar que ninguém conhecia.
Não foi fácil para Humberto e Leonora esconderem que se amavam e que pretendiam ficar juntos.
A notícia foi recebida com muita alegria, principalmente por Helena que acolhera a moça tal qual filha de seu coração.
O amor por Leonora e suas orientações ajudaram Humberto a não odiar Celina e continuar considerando Renato seu pai, aprendendo a amar Helena como mãe.
Graças à Leonora toda a família tornou-se espírita e frequentava reuniões num centro espírita próximo, todas as semanas.
Foi numa dessas sessões que um médium psicógrafo recebeu uma mensagem endereçada a Renato e família.

Foi com emoção que ele abriu e leu para que todos ouvissem:
“Filho do coração,
Perdoe a tudo e a todos indistintamente.
Sem o perdão é impossível encontrar a felicidade verdadeira neste e no outro mundo.
Vera Lúcia muito errou, mas está amargamente arrependida e sofre muito em decorrência de seus actos; e quer reparar todo o mal que fez.
No lugar em que está, ela sente as vibrações de ódio oriundas dos corações de vocês e fica muito mais difícil para ela a recuperação.
Quem de nós nunca errou nesta vida?
Por menores que sejam nossos erros, eles revelam que não podemos nem devemos julgar ninguém, antes de tudo é preciso compreender e aceitar.
As pessoas não fazem o mal em nossas vidas por acaso.
São as atitudes desta e de vidas passadas que atraem as pessoas chamadas más ao nosso convívio e elas acabam nos atingindo.
O drama que todos nós vivemos nesta vida começou na encarnação passada na qual, em vez de vítimas, nós fomos os algozes.
Por que não perdoar, já que a causa do mal está em nós mesmos e não fora?
Eu há muito perdoei e encontrei a paz.
Vejo que estão agora reencontrando o caminho, mas enquanto existir a semente do ódio, da raiva e do julgamento, por menor que seja, dentro do coração de vocês, nunca conseguirão a paz.
O preço da paz é o perdão.
Só quando pagarem esse preço é que serão felizes.
Um dia na eternidade, descobrirão a causa de tudo e compreenderão que nessa vida ninguém é vítima e que não existe nem culpados nem inocentes, só espíritos em aprendizagem, seguindo para Deus.
Enquanto o ser humano não entender essa grande verdade vai continuar sofrendo, culpando os outros, desejando que sejam punidos, enveredando pelos caminhos sofridos da vingança e da crueldade.
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Re: Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 05, 2018 9:53 pm

Pensem nisso e reflictam.
Para que um dia possam ser recebidos nos braços do divino Mestre Jesus, na presença de seus mensageiros, terão de vestir a túnica nupcial, que é ter puro o coração.
E um coração que julga e condena seu semelhante está longe da pureza.
Por agora é o que posso dizer.
Que Deus, o grande arquitecto do Universo, os possa abençoar.
Do seu pai que te ama,
Bernardo.”

Depois que leram e releram aquela carta, brotou no íntimo de cada um a verdadeira vontade de mudar e de ser feliz.
Helena e Renato, sozinhos no quarto aquela noite, ajoelharam e de mãos dadas fizeram sentida prece ao Criador, agradecendo por aquela bênção.
A partir desse momento estariam em paz.

FIM

Maurício de Castro nasceu em riachão do Jacuípe, Bahia, em 30 de março de 1980 e teve seu primeiro contacto com o Espiritismo aos 14 anos através das obras de Alan Cardec, André Luis e Zibia Gasparetto, aprofundando seus conhecimentos espirituais no CENTRO ESPÍRITA JESUS NOSSO MESTRE.
Sua mediunidade despontou logo aos 13 anos quando passou a sentir diversos sintomas físicos e emocionais que aparentavam alguma doença.
Sem saber do que se tratava, sua família procurou vários médicos, que sempre atestavam plena saúde física e mental.
Sua mãe, a professora d’Alva Adelina, resolveu então procurar o auxilio auxílio da Fluidoterapia e da orientação espiritual, encontrando, assim eficientes lenitivos para o problema do filho.
No entanto, foram preciso mais de dez anos de estudo e dedicação para que Maurício conseguisse educar sua sensibilidade a fim de se preparar para a tarefa que lhe cabe neste mundo: a psicografia de livros.
O primeiro contacto com seu mentor, o espírito Hermes, deu-se em janeiro de 2004, quando escreveu seu primeiro romance O Amor Não Pode Esperar.
Hermes é um espírito que desencarnou ainda jovem, aos 25 anos de idade, na década de 30, na cidade de São Paulo, e que encontrou na espiritualidade sua missão:
levar à Terra histórias com ensinamentos espirituais visando ao despertar da consciência para a Nova Era em que vivemos.
Sem saber, desde a infância Maurício já era inspirado por esse espírito amigo a escrever textos, contos, peças teatrais e a amar a literatura.
Além de psicógrafo, é Historiador e Professor de História do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental.

§.§.§- Ave sem Ninho
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Re: Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

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