Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

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Re: Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 26, 2018 10:11 pm

Mas nós podemos aliviar seu sofrimento fazendo preces e enviando-lhe vibrações de paz.
Vamos fazer isso agora?
Helena aquiesceu e ambas se concentraram.
Leonora fez sentida prece ao Criador pedindo ajuda para aquele espírito atormentado e infeliz, visualizando uma cascata imensa de luz caindo sobre ela.
Mesmo com os olhos fechados, Leonora viu uma mulher radiante, cheia de luz, adentrar o recinto e se aproximar de Cristina:
- Dessa vez vim lhe buscar.
O Plano Superior registrou seu arrependimento sincero e a convida a uma vida em que possa encontrar a paz que você perdeu quando enveredou pelas ilusões do mundo.
Cristina chorava emocionada.
Ela realmente estava arrependida, queria mudar, encontrar a paz, ser feliz.
Seria realmente possível?
Ela se julgava a pior das criaturas.
Durante a vida fora uma criminosa e, quando descoberta e condenada, cometeu o maior dos crimes, que foi tirar a própria vida.
Seria mesmo verdade que Deus estava lhe dando nova chance?
O espírito Estela captando seus pensamentos, falou amável:
- Deus nunca fecha a porta àquele que se arrepende.
Você não é a pior das criaturas.
Pare de se condenar e se julgar desse jeito.
Você é um espírito em busca da evolução que se iludiu com a vida material.
Acreditou que podia burlar as leis humanas e divinas sem que ninguém descobrisse, mas aprendeu que nada fica oculto para sempre, e Deus sempre dá a cada um de acordo com suas obras para que possa evoluir e aprender que só o bem e a honestidade valem a pena.
Cristina ouvia com atenção, e Estela prosseguia:
- Você tirou sua vida num acto de rebeldia e esse realmente foi seu pior erro, mas Deus não a condenou por isso.
Deus entende que você agiu por ignorância das verdades eternas.
É sua consciência que lhe condena.
A partir de hoje, você começará a aprender a se perdoar e a se preparar para nova existência.
Deus é amor e não castiga nenhum de seus filhos.
Nós é que nos castigamos com nossas escolhas erradas.
Vamos, vou lhe apresentar seu novo lar.
Ela resistia.
Estela, por sua vez, abaixou-se, pegou suas mãos com carinho e, só então, Cristina se entregou em pranto sincero e aliviado.
Leonora viu quando as duas, abraçadas, desapareceram em meio à grande luz que foi diminuindo, aos poucos, e logo se apagou de vez.
Percebendo que a amiga estava atenta a algo, Helena nada disse.
Quando Leonora abriu os olhos, contou o que tinha presenciado:
- Cristina foi levada por um espírito de luz, agora encontrará a paz.
- Que alívio!
Não queria que ela continuasse aqui sofrendo.
- Agora ela será levada a rever suas atitudes e mudar, mas nós aqui vamos prosseguir orando por Cristina para que ela encontre cada vez mais força e vença mais rapidamente a si própria.
Helena observou:
- O que aconteceu aqui esta noite foi mágico!
- Foi uma demonstração da bondade e do poder de Deus.
Uma noite que tinha tudo para ser de energias densas e depressivas terminou com muita luz.
Sente a paz que está no ar?
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Re: Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 26, 2018 10:11 pm

Helena realmente sentia que alguma coisa havia mudado no ambiente.
Parecia que tudo ficara mais leve, que o ar estava mais puro e grande sensação de harmonia invadia seu peito.
Vendo que Helena concordava com ela, Leonora disse:
- Esse é o efeito da prece dentro de um lar.
Hoje, nós fizemos uma oração específica para um espírito perturbado, mas para termos sempre essa harmonia em nossas casas, devemos nos reunir diariamente para orar, ler um trecho do Evangelho de Jesus e pedir muitas luzes, bênçãos e sabedoria.
Helena lembrou saudosa:
- Meu pai era evangélico, e todos os dias nos reunia na sala para ouvirmos um trecho da bíblia, depois ele comentava.
Era lindo, nos sentíamos muito bem.
- É que a oração nos eleva, comove e transforma nossas vidas.
Aquele que possui o hábito da prece vive melhor em todos os sentidos.
A prece no lar, junto com todos os seus moradores, modifica tudo.
É uma pena que as pessoas, em sua maioria, não tenham esse hábito tão benéfico.
Preferem se reunir para assistir a programas negativos na televisão, para ver filmes de conteúdo violento ou imoral ou para comentarem sobre a vida alheia.
Se, em vez disso, todos os dias escolhessem um horário para orar e meditar em torno das palavras de Jesus, suas vidas seriam melhores em todos os aspectos.
- É por isso que a maioria dos lares vive em desarmonia? - questionou Helena interessada.
- Sim, pela falta de oração e, principalmente, pela falta de vivência espiritual.
Nós espíritas costumamos fazer o Culto do Evangelho no Lar uma vez por semana, mas sou da opinião que devíamos orar em família todos os dias e não apenas uma só vez na semana.
- Vamos fazer isso aqui? - propôs Helena com alegria.
- Vamos sim.
Essa mansão é o nosso lar, então, vamos nos reunir todos os dias, eu e você, para orarmos. Que acha?
- Eu acho óptimo, Leonora.
Posso sentir até agora os efeitos benéficos que a oração proporciona.
Quero me sentir assim sempre, ainda mais naquele ambiente onde quase todos querem meu mal.
As duas amigas continuaram a conversar em torno do assunto por mais alguns minutos, quando por fim resolveram se recolher.
Naquela noite tudo finalmente estava em paz.
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Re: Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 26, 2018 10:11 pm

Capítulo 15
Na manhã seguinte, ninguém ousava falar nada durante o café da manhã.
Andressa, Fábio e Humberto, estranhando tamanho silêncio e percebendo preocupações profundas nos rostos de cada um, que mal tocavam os alimentos, sentiram-se intrigados:
- O que está acontecendo aqui, papai? - foi Humberto o primeiro a quebrar o silêncio.
Saindo do pequeno torpor que o invadia, Renato se viu forçado a mentir:
- Nossa empresa está passando por problemas sérios.
Tememos que Bruno e Duílio não consigam resolver com os recursos que temos.
- Foi por isso que todos vocês saíram ontem e não quiseram nos dizer aonde iam? - questionou Andressa, não acreditando muito no que o pai dizia.
- Foi sim - disse Celina tentando mostrar-se mais alegre.
Fomos convocados para uma reunião de emergência na empresa e por isso não quisemos dizer a vocês.
São crianças, não devem se preocupar com essas coisas.
- Que mania de nos chamar de crianças! - tornou Fábio.
Já somos todos adultos e devemos saber o que se passa na empresa que um dia será nossa.
Há risco de falência?
- Não. É só um problema momentâneo.
- Mas o senhor teme que o Duílio e o Bruno não resolvam com os recursos financeiros da empresa - replicou Fábio, realmente interessado no assunto.
Como não tinha o hábito de mentir, Renato foi ficando sem saber o que dizer:
- Talvez tenhamos que tomar um empréstimo e...
Bem, isso não é problema de vocês.
- Eu também acho que não devem se preocupar, meus anjinhos - disse Vera, levantando e beijando cada um.
Vocês precisam estudar, namorar, viver a vida.
Não se preocupem que o pai de vocês resolverá a questão.
- Mas, pelos semblantes de vocês, parecem que voltaram de um enterro.
Tem certeza que não é nada grave e que não vai comprometer nosso alto padrão de vida? - preocupou-se Andressa, revelando o grande materialismo que reinava em sua alma.
- Não, minha filha, deixe isso connosco.
- Sempre achei que o senhor foi errado em ter deixado nossa empresa nas mãos daqueles dois.
Tudo bem que são pessoas muito conhecidas, Bruno é o segundo maior accionista, Duílio cresceu nesta casa, mas o senhor confia demais neles.
Diante dessa crise, creio que o senhor deva voltar a assumir a presidência como era na época de vovô.
Renato aproveitou a fala da filha para dizer:
- Gostaria de comunicar a vocês que de agora em diante muita coisa vai mudar, não só na empresa, mas também nesta casa.
- Como assim? - continuou Andressa com seu hábito de dominar uma conversação.
- Conheci numa das reuniões da empresa uma mulher muito importante que me fez querer mudar minha forma de viver.
Resolvi casar de novo e dessa vez é sério.
Os três adolescentes se entreolharam admirados. Fábio perguntou:
- Mas o senhor não é noivo de Letícia?
- Vocês sabem que não sou noivo de ninguém.
Tentei gostar de Letícia, admiro-a como mulher, mas ela não foi suficiente para conquistar meu coração a ponto de colocá-la no lugar da mãe de vocês.
Por isso, nunca levei adiante nenhuma das vezes que resolvi casar com ela.
- Então, quer dizer que uma mulher, em apenas uma reunião, conseguiu fazer o que Letícia tentou durante mais de vinte anos e não conseguiu? - Andressa perguntava em tom de ironia, deixando claro que a ideia do pai se casar com uma desconhecida não a agradava nem um pouco.
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Re: Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 26, 2018 10:12 pm

Celina disse:
- Na verdade, não foi apenas uma reunião, minha querida.
Seu pai já a tinha visto outras vezes.
Laura Miller é filha do terceiro maior accionista da empresa, mas o Dr. Miller faleceu há três meses e ela, como sua única herdeira, é quem está tomando as decisões dele não só em nossa empresa, mas em todos os negócios.
Laura é muito rica e agora precisa assumir o lugar do pai.
A informação de que Laura Miller era rica fez Andressa perder um pouco da grande antipatia que começou a sentir por aquela mulher, mesmo sem conhecê-la.
- Então, se é muito rica, tenho certeza que nossa empresa não irá à falência e nosso luxo e padrão de vida continuarão os mesmos.
Mas ainda estranho o facto do senhor querer se casar com uma mulher que passou a conhecer melhor há tão pouco tempo.
Por que nunca nos disse nada antes?
- Pare com esse interrogatório, Andressa - interveio Humberto irritado com a irmã.
Papai merece refazer a vida e ser feliz.
Se ocultou de nós é porque teve um bom motivo.
Certamente porque ainda não sabia o que queria.
Papai tem todo o meu apoio.
- E o meu também - disse Fábio, levantando-se junto com Humberto e abraçando Renato.
Andressa levantou-se também, mas com raiva e ódio no olhar:
- Vocês homens sempre se apoiam.
Nem sequer estão pensando na memória de mamãe.
Mesmo sendo rica, não aceitarei essa intrusa aqui.
- Deixe de ser criança, Andressa, acaso pensava que papai ficaria solitário a vida toda?
- Ele deveria se casar é com Letícia que o ama e o esperou esses anos todos.
- A quem você pensa que engana? - replicou Fábio.
Se ele resolvesse mesmo casar com Letícia, você também seria contra.
O que você sente é ciúme do papai, como toda filha tem.
Mas sua idade não mais lhe permite uma criancice dessas.
- Façam como quiserem, mas o dia que essa mulher entrar aqui eu saio e saio para nunca mais voltar.
Andressa saiu da sala feito um furacão, e nem os chamados de Vera Lúcia a fizeram retornar.
Renato disse para os filhos:
- Não dêem importância às coisas de Andressa, ela sempre foi mimada e só quer tudo do jeito dela.
Tenho certeza que, passado esse primeiro susto, vai aceitar meu casamento.
Os rapazes estavam animados:
- Conte para nós como começou sua paixão por Laura - pediu Humberto rindo.
Pelo visto foi amor à primeira vista.
Extremamente desconcertado por estar mentindo para os filhos, Renato disse:
- Não desejo conversar sobre esse assunto agora com vocês.
Num outro momento conto como tudo começou.
Agora vamos retomar nosso café em paz.
Os rapazes, vendo que o pai realmente não iria prosseguir respondendo às suas perguntas curiosas, sentaram-se à mesa e recomeçaram a comer.
Estavam realmente felizes porque Renato iria de facto recomeçar a viver.
A mentira a respeito de Laura Miller não havia sido criada naquele momento.
Na noite anterior, depois que chegaram do jantar, Renato, Celina e Vera Lúcia se reuniram no escritório para pensar na melhor forma de introduzir Helena na casa sem causar tanto impacto aos filhos.
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Re: Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 26, 2018 10:12 pm

Após muito pensarem, decidiram dizer que Renato, numa das poucas reuniões de accionistas em que comparecia na empresa, aproximara-se mais de uma mulher milionária que estava representando o pai recentemente falecido.
Resolveram dizer que Helena era muito rica, para facilitar a aceitação principalmente de Andressa, que era muito ligada às regras sociais, valorizando sempre quem tinha mais poder aquisitivo.
Em seguida, chamaram Berenice e Osvaldo e comunicaram os detalhes do combinado.
Quando eles saíram do escritório, um clima ainda mais pesado se fez entre as tias e o sobrinho.
Renato disse com mágoa:
- O facto de todos se calarem e aceitarem o que Helena pediu, demonstra que ela pode estar com a razão, e uma de vocês duas pode ter matado o próprio irmão.
- Nunca pensei que você fosse me ofender dessa maneira, Renato - tornou Celina com feições trémulas.
Essa mulher é um demónio que veio para nos destruir.
Vejo que acabou a confiança que existia entre nós.
- Eu também nunca pensei que você pudesse pensar isso de mim, Renato, mas eu o perdoo, pois está sob a influência da mulher que ama - disse Vera Lúcia mais branda.
- Não estou sob influência alguma, estou falando de factos.
Diante das acusações dela todos se calaram mostrando que têm culpa no cartório.
Agora estou realmente convencido de que Helena é inocente e farei de tudo, junto a ela, para descobrir e punir o verdadeiro assassino.
- Não faça isso jamais!
Foi ela quem matou, foi ela!
Ficou provado - gritou Celina com histeria.
- Todas as evidências foram contra ela, mas Helena nunca assumiu o crime.
E além do mais, eu tenho motivos de sobra para acreditar que não foi ela.
Passei vinte anos sofrendo, me enganando, longe da mulher que amo com todas as forças da minha alma, mas agora será diferente.
Sei que ela é inocente!
Celina não conseguia se conformar:
- Como essa paixão doentia lhe cega!
Que ódio, meu Deus!
Como pode saber que ela é inocente, quando foi julgada e condenada?
Renato olhou para Vera discretamente e de maneira rápida.
Celina não percebeu e ele respondeu:
- Não posso dizer a vocês como sei que ela é inocente, mas se tinha alguma dúvida, a noite de hoje foi decisiva.
Não sei como Helena conseguiu tantas provas contra vocês, mas pude perceber que todos estavam tremendo de medo.
Sei que quem matou meu pai estava connosco agora há pouco e irei descobrir, custe o que custar.
- Você enlouqueceu, enlouqueceu!!! - Celina gritou e saindo do escritório correndo, subiu as escadarias que levavam a seu quarto.
Quando se viu a sós com Vera, Renato disse:
- Tia, agora sei que a senhora falou a verdade no dia que Helena ficou livre.
Ela realmente não é uma assassina.
- Pensou que eu estava tendo mais uma crise nervosa, não foi?
Mas nunca fui tão sincera e lúcida em minha vida e fico muito feliz que você tenha chegado à verdade.
Agora, pode finalmente viver o amor que a vida lhe roubou por tantos anos.
Como será feliz a reconstrução dessa família!
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Re: Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 26, 2018 10:12 pm

- Mas não posso fazer o que a senhora me pediu e deixar o assassino impune.
Preciso encontrar uma forma de descobri-lo e entregá-lo à polícia sem colocar em risco sua vida ou a vida de Fábio.
Juro que encontrarei uma saída.
Vera Lúcia começou a tremer e pegou no braço do sobrinho apertando com força:
- Não faça isso!
Pelo amor que tem a seu filho, esqueça esse assassino.
Não quero mais mortes em nossa vida.
Não temo pela minha, mas pela vida de Fábio, que é jovem e tem tudo pela frente.
Quando imagino essa criança que vi nascer, que ajudei a criar como se fosse meu filho, banhado em sangue e dentro de um caixão, parece que vou enlouquecer.
Pelo desespero da tia, Renato percebeu que estava de mãos atadas.
- Mas por que a senhora não me conta toda a verdade?
Se viu a cena do crime, se sabe quem matou, diga-me.
- Não posso, Renato.
Já lhe disse que esse crime não teve motivos tão simples, do tipo ambição e poder, por exemplo.
É algo que vai além, e se for descoberto eu morro e seu filho morre também, não tenha dúvidas disso.
- Mas como poderei viver de agora em diante vendo em todos um possível inimigo?
- É só esquecer o que aconteceu, e o assassino nada fará.
O que ele queria era matar meu irmão, já conseguiu.
Não o faça cometer mais crimes.
- Mas o que meu filho Fábio tem a ver com isso?
Por mais que pense, não consigo entender.
Vera disse tristemente:
- Quem sabe um dia tudo possa ser revelado sem risco para ninguém...
Nesse dia você verá como tenho razão e como tudo se encaixa perfeitamente.
Agora esqueça isso e vá viver o que uma pessoa cruel e desumana tirou de você:
sua felicidade ao lado da mulher amada.
- Vou tentar, tia, vou tentar.
Mas sei que será muito difícil.
- Eu estarei aqui para ajudá-lo.
- Desculpe-me ter falado daquela forma com a senhora agora há pouco, sei que, de todos, é a única que tenho certeza que não matou meu pai.
Vera deixou uma lágrima de emoção banhar seu rosto:
- Agradeço pela confiança, mas não teria mesmo coragem de matar alguém, muito menos meu irmão tão amado.
E o que fiz em 1974 não é tão grave assim, e Bernardo nunca soube.
- Falando nisso...
Como será que Helena obteve tantas informações?
- É o que também gostaria de saber, mas sei que não é o mais importante.
Ela teve de usar todos aqueles argumentos só para poder viver aqui e com os filhos.
Não é da índole dela chantagear ninguém nem fazer o mal.
Sei que estava encenando o tempo inteiro.
Helena continua a mulher doce, meiga e delicada de sempre.
Aquela dureza foi toda fachada para nos impressionar.
- Sei disso, tia, e como sei!
Amo-a do fundo do meu coração.
Amanhã mesmo vou procurá-la, pedir desculpas, declarar meu amor e dizer que estou do lado dela para o que der e vier.
- Faça isso, meu querido, e seja feliz.
Ambos se abraçaram e Vera se retirou.
Renato, em seguida, ligou para Duílio e Bruno a fim de contar a história inventada para que fosse confirmada a Andressa, Fábio e Humberto.
Dentro do coração de Renato a chama da alegria começou a brotar.
A tia tinha razão.
Por enquanto, esqueceria que estava convivendo com um inimigo oculto e trataria de retomar o amor há tanto tempo desejado e reprimido.
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Re: Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 26, 2018 10:12 pm

Capítulo 16
Passava um pouco das três horas da tarde quando Leonora e Helena, tomando chá na grande sala de estar, comentavam sobre o Culto do Evangelho no Lar que haviam acabado de fazer.
Helena, a cada dia, compreendia mais o que lhe acontecera e se encantava com as verdades espirituais reveladas pela Doutrina Espírita.
Em dado momento, a conversa mudou de foco e ambas começaram a falar acerca da nova vida que teriam na mansão.
Curiosa, Leonora perguntou:
- Como a senhora vai se esconder dos antigos conhecidos?
Com certeza eles a reconhecerão imediatamente e seu plano estará arruinado.
Como nunca pensei nisso antes?
Helena sorriu:
- Mas eu pensei em tudo.
A família de Renato nunca foi dada ao convívio social.
Sempre foram extremamente fechados, limitando o contacto com as pessoas ligadas às actividades comerciais da empresa.
Ao contrário da maioria das famílias ricas de São Paulo, eles nunca tiveram o hábito de abrir as portas da casa para festas ou recepções de qualquer tipo.
O Dr. Bernardo era extremamente reservado, e dizem que muito antes de ficar viúvo já era assim.
Parecia que tinham algo a esconder.
As viagens que fazíamos eram entre os membros da família e sempre para o exterior.
Raras eram as pessoas que frequentavam aquela casa, por isso tenho certeza que nunca serei reconhecida.
- E o seu casamento?
A sociedade não participou?
- Não. Só os amigos íntimos que são os mesmos até hoje:
o Bruno, a Morgana, junto com Vera Lúcia, Celina, Berenice, Gustavo e Duílio.
Minha família também compareceu, mas faz tempo que não temos mais nenhuma ligação.
Foi uma cerimónia íntima e, embora fôssemos uma família bastante rica já naquela época, saíram apenas notas curtas nas colunas sociais de jornais e revistas, mas sem fotos.
- Mas suponho que, com o assassinato do Dr. Bernardo, sua foto fora estampada em todas as manchetes.
- O crime foi muito comentado, mas só me fotografaram durante o julgamento.
Uma vez vi um jornal com a reportagem que uma carcereira me mostrou.
Eu estava feia, desarrumada, nem de longe vão ligar aquela imagem à mulher que sou hoje.
- Mas como conseguiram esconder de seus filhos a verdade sobre você?
O crime foi comentado, muita gente deve falar até hoje.
Os olhos de Helena brilharam de tristeza:
- As crianças pensam que o avô morreu durante um assalto à mansão, e para o mundo eu sou uma mulher morta.
- Como assim, morta?
- O ódio por mim foi tão grande que compraram uma certidão de óbito falsa e apresentaram aos conhecidos mais próximos tendo como causa um ataque cardíaco na prisão, um ano depois que fui condenada.
Leonora abriu a boca e voltou a fechá-la novamente, tamanho o espanto.
- Mas foi muita maldade, Helena.
Como você conseguiu perdoar Renato por uma coisa dessas?
- Já falamos sobre isso.
Eu fui me acomodando com muita serenidade aos factos, embora a dor chagasse meu coração todos os dias pela saudade de meus filhos.
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Re: Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 26, 2018 10:12 pm

No fundo, eu sempre soube que Renato me amava e até entendi a atitude dele.
Que filho perdoaria a mulher que tirara a vida do seu pai?
- Ainda bem que sua alma é grande a ponto de perdoar.
Outra pessoa no seu lugar teria se rebelado e estaria hoje odiando a tudo e a todos.
- O que receio é o dia em que revelar a verdade às crianças.
Não apenas temo a reacção deles, mas também ser presa novamente, afinal, estou cometendo mais um crime, que é a falsidade ideológica.
- Realmente é perigoso.
Como você conseguiu novos documentos?
- Ainda não consegui, farei com que Renato os providencie para mim.
Casaremos no civil com esses documentos falsos.
Temo que um dia tudo seja descoberto.
Pelo que você diz, nada permanece oculto para sempre.
Leonora reflectiu:
- E não fica mesmo.
Vocês, para encobrir um crime, estão cometendo outro.
Não é melhor contar a verdade para seus filhos?
- Não, Leonora!
Celina é minha inimiga, Bruno, Letícia, Morgana e Duílio também.
Se eu aparecer dizendo a verdade, eles dirão aos meninos que fui eu que matei o avô deles.
Entre pessoas tão próximas, apoiadas na justiça, e uma mulher estranha, em quem eles acreditarão?
- Em todo e qualquer caso, a verdade sempre será melhor.
Tenho certeza de que Renato e Vera vão ficar do seu lado, e seus filhos acabarão por acreditar em você.
- Eu não tenho certeza disso e prefiro primeiro entrar naquela casa tal qual uma desconhecida e, aos poucos, ir ganhando a confiança, o carinho e o amor deles, e só depois disso abrir o jogo.
Leonora ia dizer algo, mas preferiu se calar.
Havia coisas que Helena ainda não estava disposta a entender.
Apenas comentou:
- Estarei por perto sempre orando para que tudo se resolva da melhor forma.
Helena abraçou mais uma vez a amiga e depois foram para a cozinha fazer alguns doces a fim de passarem o tempo.
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Re: Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 26, 2018 10:13 pm

Capítulo 17
Helena mal acreditou quando, no final da tarde do mesmo dia, Leonora a chamou no quarto dizendo que Renato estava na sala à sua espera.
Seu coração descompassou e um brilho de amor apareceu em seus bonitos olhos verdes.
- Ele disse o que deseja? - perguntou nervosa.
- Não, disse apenas que quer vê-la e é urgente.
Pediu que não se negue a recebê-lo.
Pela expressão, notei que veio em paz.
Helena apressou-se em se arrumar e logo estava na sala, frente a frente com Renato.
- Vamos nos sentar.
Deseja um café, um suco ou alguma bebida?
- Helena, eu não quero nada, nada além de você!
Ela pareceu estar dentro de um sonho.
- Não brinque comigo, Renato, por favor.
Já bastam os anos que sofri dentro de uma cadeia.
- Não estou brincando, Helena.
Eu quero você.
Quero recuperar todo o tempo perdido na amargura e na solidão.
Ele não esperou mais, puxou a mulher amada para perto de si e deu-lhe um longo beijo apaixonado.
Helena parecia estar nas nuvens.
Amava aquele homem do mesmo modo que no primeiro dia que o viu, e aquele beijo, aquela declaração, pareciam fruto de sua imaginação sofrida e injustiçada querendo recompensá-la.
Mas outro beijo veio em seguida e outro e mais outro.
Nada precisava ser dito.
Eram duas almas afins que se amavam de verdade, reencontrando-se após tanto tempo longe uma da outra.
Após serenar a emoção, ela pediu:
- Vamos nos sentar, temos muito o que conversar.
- Sei que me ama como nunca, pude sentir agora!
Não sei se me perdoou por eu ter acreditado na sua culpa e ter contratado os melhores advogados para mantê-la presa por tanto tempo.
Fui um homem cruel e desumano, mas peço, em nome do nosso amor e dos nossos filhos, que me perdoe e que possamos recomeçar nossa vida em paz.
- Eu realmente o amo, Renato.
Nunca me esqueci de você um dia sequer de minha vida.
Nas noites solitárias na cela, nos momentos difíceis, eu me acalmava pensando em sua imagem, nos momentos bons que vivemos juntos.
Também devo dizer que, embora tenha ficado muito decepcionada e magoada com sua atitude, hora alguma deixei me levar pelo ódio.
Sempre o perdoei.
Sei que é um homem bom e que estava envolvido pelos factos e pelas pessoas que o rodeavam.
Afinal, qual homem neste mundo ficaria ao lado da mulher que assassinara seu pai?
Ele pegou em suas mãos com carinho.
- Mas ainda assim, sinto que devo pedir sinceramente seu perdão.
Eu não podia ter acreditado jamais nisso.
- E como você sabe que não fui eu?
O que lhe fez mudar de opinião?
Só por causa do impacto que causei ontem?
- Tia Vera me contou a verdade no dia em que você ficou livre e foi me pedir para esperá-la na saída da penitenciária, mas eu, covarde e sem ter certeza, não fui.
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Re: Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 26, 2018 10:13 pm

Mas ontem, pela reacção de cada um após cada frase sua, tive certeza que ela falava a verdade.
Sinceramente, a dúvida sempre me assaltou.
Não conseguia acreditar direito que uma mulher tão boa, tão delicada e tão meiga como você pudesse ter matado meu pai.
Mas todas as evidências eram para você.
Mas finalmente descobri a verdade.
Se tia Vera tivesse me contado antes, há muito tempo você teria saído daquela maldita prisão.
- Não se atormente mais com isso, meu amor.
Quero enterrar o passado e recomeçar novamente, beijando seus cabelos com carinho:
- Quanta saudade!
Como pude ter sido tão cego?
- Já disse para parar com isso.
Nós nos amamos e o que importa é que, a partir de agora, nenhuma dúvida mais paira entre nós.
- Quero levá-la agora mesmo para a mansão.
Arrume tudo aí e vamos.
- Calma, não podemos fazer isso assim.
Esqueceu que entrarei lá com outro nome?
Como outra pessoa?
Além de tudo, não é de bom tom que eu vá morar na mansão antes de estar casada com você.
Os meninos não aceitariam.
Renato franziu o cenho:
- Esqueci que para todos você está morta, inclusive para as leis do nosso país.
- É isso que me preocupa.
Estou cometendo falsidade ideológica e poderei ser presa novamente, caso alguém descubra.
Renato assustou-se:
- Presa nunca mais!
Assim como contratei os melhores profissionais para deixá-la presa, contratarei agora outros melhores ainda para que nada nos atinja.
- Mas vamos nos casar com documentos falsos.
Você também poderá se complicar.
- Não vamos pensar nisso agora.
Se algo nos acontecer saberei me defender e a você.
Helena sentiu sua segurança se estabelecer por completo.
Sabia que, ao lado de Renato, conseguiria reconquistar seus filhos e ser feliz novamente.
Mas havia o assassino, e ela tinha que tocar naquele assunto:
- Quero conquistar o amor de meus filhos, mas também desejo que o criminoso seja punido.
Vou descobrir e revelar à polícia.
- Eu sabia que você não havia descoberto quem matou meu pai, mas uma coisa me deixa preocupado.
Pelo que tia Vera me diz, essa pessoa é muito perigosa e, se for descoberta, poderá matá-la e o nosso filho também.
Diante de um perigo desse, não seria melhor deixar para lá?
- É uma questão de justiça, Renato, não posso deixar uma pessoa que matou alguém, tirou minha liberdade, separou-me dos meus filhos e do homem que amo, ficar impune.
Mas terei que fazer de uma forma que ele mesmo se entregue.
Tenho uma amiga que está me ajudando muito e sei que, com as orientações dela, o assassino confessará o crime.
- Quem é essa amiga?
Aliás, preciso saber muitas coisas sobre você.
Como veio parar nesta casa?
Como conseguiu todas aquelas informações?
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Re: Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 27, 2018 9:12 pm

Helena foi contando pausadamente como tudo aconteceu, desde a primeira visita de Ester, até o reencontro no shopping, passando por toda a história de Cristina.
Renato ficou intrigado, pensando como tudo aquilo podia ter acontecido.
Então, comentou:
- Essa mulher é muito estranha.
Pelas características físicas não é ninguém de nossas relações.
- Eu também não me lembro de tê-la visto antes, embora seu rosto me pareça familiar.
- Preciso ver essa mulher, e você vai me mostrar.
- Não posso.
Se fizer isso ela deixa de me ajudar.
Ela sabe muito mais de sua família do que você mesmo.
Não posso prescindir da ajuda dela de jeito algum.
- Nem que eu fique de longe, mas preciso saber de quem se trata.
- Posso fazer isso, mas por enquanto não.
Deixe-a me instruir melhor, tenho medo que algo dê errado e ela desconfie que eu contei a você sobre sua existência.
Renato concordou, e Helena perguntou:
- E os advogados, o juiz que me deu a sentença?
Não me reconhecerão?
- Foram muito bem pagos para calar a boca e hoje quase todos estão aposentados, morando no exterior.
- Fico mais tranquila.
Nada pode dar errado até eu conquistar meus filhos.
Renato, com carinho, deu leve beijo em seus lábios dizendo:
- Vamos falar mais de nós, vamos matar a saudade que nos consome.
Eu te amo, Helena!
Ela retribuiu o beijo com ardor e, com delicadeza, o conduziu ao seu quarto onde se amaram como nunca, matando as saudades e saciando os desejos amorosos que um tinha pelo outro e que estavam guardados há tanto tempo.
Percebendo o que acontecia, Leonora elevou seu pensamento a Deus numa sentida prece de agradecimento.
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Re: Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 27, 2018 9:12 pm

Capítulo 18
Quando Renato chegou a casa, horas mais tarde, encontrou Celina e Vera sentadas no sofá, junta com Fábio e Humberto demonstrando visível preocupação.
- Onde você estava até agora?
Esqueceu que tem filhos para cuidar? - perguntou Celina com agressividade.
- Respeite-me, tia, por favor.
Contenha seu nervosismo.
Sempre fui um pai exemplar, jamais descuidei de meus filhos.
- Aposto que estava com a Laura Miller - continuou com ironia:
- Pois, enquanto você estava com ela, sua filha simplesmente desapareceu.
O celular está desligado, já ligamos para todas as suas amigas e para todos os lugares que ela costuma frequentar.
Simplesmente ninguém a viu.
Estamos todos aflitos, pois ela saiu pela manhã e até agora não deu sinal.
Andressa nunca fez isso antes.
Somente naquele momento é que Renato consultou o relógio e viu que já passava das 10 horas da noite.
Sentiu o coração gelar.
Realmente, Andressa não era dada àquele tipo de atitude.
Sempre dizia para onde ia, a que horas voltaria e se algo a fizesse mudar de planos ligava avisando.
Sua família era muito rica, mas os filhos não gostavam de andar com seguranças, por isso davam satisfações de todos os passos.
A preocupação tomou conta de Renato que sentou no sofá ao lado dos filhos:
- Mas por que não me ligaram antes?
- Nós ligamos, papai, mas seu celular estava desligado.
- Com certeza estava se divertindo com essa tal de Laura, agora veja só sua irresponsabilidade no que deu - continuou Celina provocando.
- Pois eu acho que Andressa quer mesmo é causar preocupação em Renato para que ele não se case - disse Vera.
Ela saiu daqui com muita raiva ao saber da notícia.
- Não posso entender essa minha filha.
Com Letícia ela não implicava tanto.
- Implicava sim, lembro bem que dizia que jamais deixaria o senhor se casar com ela - tornou Humberto.
- Não vamos perder tempo, vou ligar para a polícia.
Renato ligou para a delegacia, mas a resposta foi a de praxe:
só após vinte e quatro horas é que poderiam começar as buscas.
- Vou chamar nossa segurança pessoal - decidiu Renato.
Vinte e quatro horas é muito tempo e minha filha pode estar correndo perigo.
Tem certeza que ela não foi à faculdade hoje?
- Temos sim, já ligamos para lá e também falamos com suas melhores amigas.
Hoje ela não foi às aulas.
Renato começou a ligar para seus seguranças a fim de começarem a procura e todos, tensos, ficaram calados, imersos nos próprios pensamentos.
Em casa, Helena comentava feliz com Leonora sobre tudo que tinha acontecido quando, de repente e sem saber por que, foi acometida por grande angústia.
Leonora notou brusca mudança emocional que se mostrava claramente no rosto e nas mãos trémulas.
- Que está acontecendo?
Está se sentindo mal?
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Re: Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 27, 2018 9:12 pm

- Estou sim.
De repente me bateu grande angústia, uma coisa ruim que não sei explicar.
Estou sentindo grande medo, como se algo muito ruim fosse acontecer.
- Vamos dar as mãos e orar, entregando tudo nas mãos de Deus.
Pode ser um pressentimento ou a aproximação de espírito desequilibrado.
Leonora fez uma prece pedindo ajuda de Deus e dos amigos espirituais.
Sua vidência se abriu e ela viu uma linda senhora de mãos postas orando junto com elas.
Não viu nem sentiu a presença de nenhum espírito em desequilíbrio.
Helena poderia estar tendo realmente um pressentimento.
O espírito Estela olhou fixamente para Leonora e pediu:
- Conforte sua amiga.
Ela vai precisar.
Mentalmente, Leonora perguntou:
- Alguém que ela ama vai desencarnar?
- Não, ninguém por enquanto vai desencarnar, mas haverá um acontecimento não muito agradável e ela precisará da força de Jesus.
Ampare sua amiga e continuem em prece.
Das mãos daquele espírito saíam energias prateadas, e em pouco tempo Helena sentia-se mais calma.
- Estou melhor, mas a sensação de medo continua.
Será que tem algum espírito ruim aqui?
- Não, aqui não tem nenhum espírito desequilibrado.
- Mas por que será que estou assim?
Leonora, com toda discrição de uma boa médium, tornou:
- Não podemos saber ao certo.
Vi um espírito de uma mulher muito evoluída, a mesma que levou Cristina daqui.
Ela pediu para orarmos e termos fé.
- Meu Deus, o que será que vai acontecer?
- Não se desespere.
Todo desespero revela falta de confiança em Deus.
Vamos fazer o que o espírito pediu e continuar orando.
- Quero ligar para Renato.
Temo que tenha acontecido algo a ele no caminho.
Leonora ia contestar, mas Helena foi ao telefone e ligou para a mansão.
Celina atendeu:
- Quem deseja?
- Aqui é Helena, preciso falar com Renato agora.
- Ele está muito ocupado, ligue outra hora.
- Se você não passar o telefone para ele agora, eu apareço aí, o que você quer?
Celina não disse nada e, remoendo o ódio, passou o telefone ao sobrinho:
- É Laura Miller.
- Laura? O que houve?
- Eu é que desejo saber.
Está tudo bem com você?
- Comigo sim.
Mas por que a preocupação?
Helena contou tudo rapidamente e finalizou:
- Está havendo alguma coisa aí?
Está acontecendo algo com meus filhos?
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Re: Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 27, 2018 9:13 pm

Renato, emocionado com a sensibilidade da mulher, tornou, tentando se fazer mais natural possível:
- É minha filha mais velha.
Hoje pela manhã comuniquei da nossa união e ela não aprovou, saindo de casa com muita raiva.
Não foi à faculdade e nenhuma amiga a viu.
Como Andressa não tem costume de fazer isso, estamos todos preocupados.
Mas não se preocupe, nossos seguranças já estão tentando localizá-la.
Helena sentiu todo o corpo tremer:
- Mas por que você não me disse isso quando esteve aqui?
- Achei que fosse só uma implicância boba, mas parece que Andressa não aceita mesmo nossa união.
- Pelo amor de Deus, Renato, ache nossa filhinha.
Se algo de mau acontecer a ela vou me culpar para sempre.
- Acalme-se.
Assim que tiver notícias te ligo.
Assim que colocou o fone na base, Helena olhou para Leonora com lágrimas escorrendo pela face:
- Foi um pressentimento de mãe.
Contou a história a Leonora e por fim disse:
- Acho que vou para a mansão.
Se ficar aqui sem notícia irei enlouquecer.
- Não faça isso, Helena, se você for pra lá nesse estado vão desconfiar e será pior.
Ela pareceu cair em si:
- Você tem razão, então me ajude.
Vamos orar mais.
Vamos pedir a Deus que proteja minha filhinha.
As duas mais uma vez fecharam os olhos e recomeçaram a orar com a protecção abençoada de Estela e de outros amigos espirituais que não podiam ver.
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Re: Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 27, 2018 9:13 pm

Capítulo 19
Andressa saiu de casa dirigindo o próprio carro em alta velocidade.
Rodou muito e, por fim parou perto de um pequeno, mas gracioso jardim.
Sentou-se ali e ficou pensando:
“Nunca vi papai dessa maneira.
Irá levar uma estranha para nossa casa, terá uma nova mulher.
Mamãe deve estar sofrendo muito onde quer que esteja e eu estou muito revoltada.
Não vai adiantar eu fazer nada.
Meus irmãos o apoiam, mas vou dar um baita susto em todos eles, vou desaparecer e só amanhã chegarei em casa”.
Decidida, entrou novamente no carro e dirigiu-se a um bairro no subúrbio.
Procurou por um hotel, mas não encontrou.
Parou o automóvel perto de um bar e, olhando para o homem que estava no balcão, perguntou:
- Onde posso encontrar um hotel por aqui?
O homem respondeu educado:
- Aqui perto não tem hotel, mas tem uma boa pousada.
Você quer passar quantos dias?
- Na verdade, desejo dormir apenas esta noite.
- Então, vá até lá.
É a Pousada Recanto das Árvores do senhor Eduardo.
Não é grã-fina para uma moça feito você, mas é tudo muito limpo, comida de boa qualidade e bom preço.
- Dê-me o endereço.
O homem ensinou a ela como chegar, pois estava próximo e ela seguiu adiante.
Quando chegou na recepção deparou-se com um senhor de meia-idade que a atendeu com educação:
- Quarto para uma ou duas pessoas?
- Só uma.
Vou apenas passar o resto do dia e a noite.
Amanhã irei embora.
Eduardo olhou para a moça desconfiado.
O que uma pessoa como aquela, fina e com carro importado, queria passando uma noite ali?
A curiosidade era grande, mas resolveu não perguntar nada.
- Siga-me, então.
Tenho garagem, mas para usar paga uma taxa a mais.
- Não tem problema.
O senhor trabalha com cartão?
Saí de casa só com meus documentos, não trouxe dinheiro.
- Trabalho sim, felizmente.
Andressa seguiu para o quarto, e Eduardo foi explicando:
- Servimos café da manhã, mas não temos almoço e janta.
Aos meus hóspedes sugiro o restaurante da Dália, que fica aqui em frente.
- Muito obrigado, moço, mas só vou mesmo querer fazer um lanche.
- Lá na Dália também tem lanchonete.
Eduardo girou a chave na fechadura e mostrou o quarto, que era limpo, arrumado e arejado.
- Não temos quarto suíte.
Há o banheiro social que é usado por todos.
Andressa não estava gostando daquela pobreza que ela considerava extrema, mas tinha que aceitar.
Para que ninguém a encontrasse era fundamental estar muito longe de casa.
Ouvira muitas histórias de coisas ruins que aconteciam nas periferias e nos subúrbios, mas coisas igualmente ruins aconteciam em bairros nobres como o de sua família, por isso não sentia medo.
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Re: Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 27, 2018 9:13 pm

Ela não pôde perceber, mas Eduardo, encantado com suas formas físicas, olhava para seu corpo sentindo o desejo a lhe corroer por dentro e queimá-lo como fogo.
Andressa foi ao banheiro, despiu-se e tomou uma longa ducha.
Mesmo sentindo-se tomando banho numa pocilga, a água gelada a fez relaxar.
Não percebeu que estava sendo observada por Eduardo, através de uma pequena fresta que ele havia feito para espiar as clientes nos momentos íntimos do banho.
Depois do banho, vestiu uma roupa que havia comprado numa loja assim que saíra e foi para a lanchonete.
Seu estômago dava sinais de fome e ela nem se importou muito com a simplicidade do restaurante de Dália, até porque o lanche era simples, mas de excelente qualidade.
Dália era uma mulata simpática e logo puxou conversa com ela:
- Está hospedada no Recanto?
- Sim, vou passar essa noite lá.
- Por que não trouxe seus pais para lanchar com você ou tomar alguma coisa?
- Estou sozinha, meus pais não vieram comigo.
Dália assustou-se.
O que uma moça fina daquelas queria hospedada na pensão de Eduardo, sozinha?
Sentiu medo por ela, mas resolveu não dizer nada.
Eduardo era encrenqueiro e violento, e nunca Dália se esqueceu de uma moça que tinha dormido sozinha lá há quase dois anos e que havia sido estuprada por um homem misterioso que arrombou a porta de seu quarto e a violentou.
Todos comentaram à boca pequena que tinha sido o próprio Eduardo o autor do crime, mas nada ficou provado; os pais da moça eram pobres e a menina havia brigado em casa e, com medo de dormir na rua, procurara abrigo lá.
O caso havia sido praticamente esquecido, mas Dália lembrava-se dele muito bem.
Teve uma sensação de medo esquisita e quase ia pedindo para Andressa sair dali o quanto antes, mas não queria encrenca com Eduardo.
Dália calou-se, e como Andressa não gostava muito de conversar com gente pobre e sem nível social, sentiu-se aliviada.
Terminou o lanche, pagou e regressou à pousada.
Passou pela recepção, pegou as chaves, abriu a porta e jogou-se na cama, chorando.
Ao pensar no pai casado novamente e que outra mulher substituiria o lugar de sua mãe, grande raiva e revolta tomaram conta de seu ser.
Depois de chorar muito, abriu a bolsa e pegou um dos livros de sua faculdade que estava lá.
Pensou que não adiantaria chorar o leite derramado, que deveria sim, fortificar-se para infernizar totalmente a vida de Laura Miller desde o dia em que ela pisasse em sua casa.
Começou a ler o livro, mas um sono forte a acometeu e ela acabou por adormecer.
Na recepção, Eduardo, com excitação doentia, maquinava um plano diabólico para possuir Andressa.
Ele era um homem solteiro que, de vez em quando, tinha aqueles desejos estranhos que o dominavam.
Quando viu Andressa surgir, sua mente se descontrolou e ele teve que se conter muito para não pegá-la à força e possuí-la ali mesmo na recepção.
Mas daquela noite não passaria, e Andressa seria sua.
Pensou mais um pouco e, intuído pelo obsessor que o perseguia fazia tempos, traçou todo o plano.
Não poderia falhar.
Quando Andressa acordou passava das sete horas da noite.
Sorriu ao pensar que, provavelmente naquele horário, todos já deviam estar preocupados com ela.
Queria tomar outro banho, mas a água era gelada e havia outro hóspede naquele momento usando o banheiro.
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Re: Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 27, 2018 9:13 pm

Resolveu ir novamente ao restaurante da Dália comer alguma coisa.
Não viu novamente os olhares sensuais que Eduardo lhe passou e, quando estava comendo seu sanduíche, viu Dália aproximar-se:
- Estava pensando: por que você não aluga um quarto na minha casa essa noite?
Posso cobrar mais barato e será melhor para você.
Andressa estranhou:
- Você costuma fazer isso sempre?
- Nem sempre.
Só quando vejo moças como você ficando hospedadas ali, naquele lugar.
- O que tem moças como eu?
Dália viu sua desconfiança e tratou de ser o mais natural que pôde:
- É que percebo que você é rica, fina, educada.
Não combina muito com aquele lugar.
Aposto que nem achou água quente para tomar banho.
- Tem razão, lá não há chuveiro eléctrico.
- Então, por que não vem dormir na minha casa?
Fica em cima do restaurante.
Sou recém-separada, meu filho casou e mora no Rio de Janeiro, e você ficará muito à vontade lá.
O tom de Dália era muito natural para que Andressa desconfiasse de algo.
Bem que podia aceitar, mas Dália era uma pobretona.
A mentora de Andressa estava ali, tentando livrá-la do perigo, intuindo Dália e também Andressa:
- Aceite, minha querida.
Essa mulher só quer seu bem.
Será muito melhor para você que passe a noite na casa dela.
É uma pessoa muito honesta.
Andressa não pôde ouvi-la, mas captou seus pensamentos como se fossem seus:
“Dália parece querer meu bem, talvez seja melhor passar essa noite na casa dela, me pareceu honesta, embora seja pobre”.
Quase ia aceitando o convite quando o obsessor de Eduardo surgiu e aproximou-se dela dizendo com vigor:
- Essa mulher é uma lésbica que quer possuí-la durante a noite, não entre nessa ou se arrependerá da hora que nasceu.
Como Andressa era muito mais voltada para o lado material da vida e pouco cultivava a espiritualidade, aquele pensamento foi captado na íntegra e ela aceitou como se fosse a mais pura realidade.
Tomada de pavor por Dália, disse tentando ser educada:
- Agradeço seu convite, mas vou ficar lá mesmo.
Já paguei a conta antecipadamente, muito obrigada.
Deixou o resto do sanduíche sobre o prato, jogando sobre a mesa uma nota maior do que o lanche valia, e saiu a passos largos, sem nem mesmo esperar o troco.
Dália notou que algo estranho tinha acontecido ali, mas compreendeu que a moça estava assustada e, por isso, preferia dormir num lugar que lhe pareceu mais seguro.
Balançou a cabeça e decidiu que, na hora de dormir, rezaria para que nada de ruim acontecesse àquela garota.
Andressa voltou para a hospedaria e foi para o quarto.
Havia uma pequena televisão e ela a ligou.
Ficou passando de canal em canal, mas nada a agradou.
Resolveu pegar o livro de administração que estava estudando para recomeçar a ler, mas os pensamentos estavam acelerados e ela só pensava em todos preocupados com ela.
Aquilo a divertia muito.
Já passava das dez da noite e ela sabia que, na sua casa, o desespero reinava absoluto.
Pensou:
“É bom para que eles vejam quem sou”.
Continuou pensando em como fazer para infernizar Laura e os planos se avolumavam em sua cabeça.
Não sabia nem por onde começar, mas era certo que aquela mulherzinha jamais seria feliz ao lado de seu pai.
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Re: Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 27, 2018 9:14 pm

Capítulo 20
As horas foram passando e ela adormeceu mais uma vez.
Passava das duas da manhã quando ela ouviu o ruído da fechadura de seu quarto.
Alguém estava abrindo.
Rapidamente, acendeu a luz do abajur e viu Eduardo entrando, com olhos de desejo, com pequeno pano na mão.
- O que o senhor deseja?
Saia daqui agora ou vou gritar.
Mas não deu tempo.
Eduardo lançou-se sobre ela, tapou sua boca e colocou sobre seu nariz um lenço embebido em clorofórmio.
Logo, Andressa estava desmaiada e Eduardo a possuiu muitas vezes, até deixar o quarto e sair rapidamente para a garagem.
Sabia que iria cometer aquela loucura, mas também sabia que teria de fugir rapidamente assim que a fizesse.
Por isso, arrumou todos os seus principais pertences mais cedo, colocou em seu carro e, naquele momento, ganhava a estrada sem destino.
Quase uma hora depois, quando Andressa acordou e percebeu o que havia ocorrido, soltou um grito tão estridente que acordou os demais hóspedes que estavam ali.
Logo, todos estavam dentro de seu quarto, assustados e sem entender ao certo o que havia acontecido.
Uma senhora de meia-idade, vendo-a chorar de maneira descontrolada, cobrindo-se o mais que podia, se aproximou tentando conversar:
- O que houve, menina?
O que aconteceu aqui?
Mas Andressa não conseguiu falar, seu choro aumentou e parecia descontrolado.
Até que um rapaz perguntou:
- Onde está o seu Eduardo?
Ele tem que aparecer.
A moça está desesperada.
Ao ouvir aquele nome, Andressa despertou do transe quase louco que a invadira dizendo:
- Não, esse homem não!
Esse homem é um monstro e tem que ser preso.
- O que houve com você? - perguntou o rapaz, já imaginando o que ocorrera.
- Esse homem asqueroso entrou em meu quarto, colocou um lenço em meu nariz e abusou de mim.
Meu Deus! Que horror!
O que será de minha vida agora por diante?
Andressa voltou a chorar lembrando-se então do pai, das tias e dos irmãos quando soubessem o que tinha acontecido.
Naquele momento, arrependeu-se amargamente de sua rebeldia, mas, ao mesmo tempo, um ódio mortal dominou seu coração pela mulher que iria se casar com seu pai.
Ela era a causadora de tudo o que havia acontecido.
O rapaz disse:
- Você precisa se acalmar.
Tem certeza que foi seu Eduardo quem a atacou?
- Tenho sim. Foi ele.
Chamem a polícia, chamem meu pai.
- Vou fazer as duas coisas.
Me passe o número de seu pai.
Antes de tudo ele precisa saber o que houve.
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Re: Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 27, 2018 9:14 pm

Ninguém estava dormindo quando o celular de Renato tocou, excepto Vera, todos permaneceram na sala na esperança que um dos telefones tocasse ou Andressa surgisse pela porta de repente.
Renato olhou no visor e não reconheceu o número, mas prontamente atendeu:
- Preciso falar com o senhor Renato de Santana.
- Sou eu - disse com voz trémula.
- Senhor, me chamo Ricardo e não tenho boas notícias.
Sua filha Andressa estava passando a noite na Pousada Recanto das Árvores quando foi violentamente estuprada pelo proprietário.
Renato sentiu o coração descompassar, parecendo querer saltar do peito.
Todos estavam ao seu redor e ele nada dizia, paralisado com a notícia.
Ricardo continuou:
- Alô? O senhor está me ouvindo?
- Sim. Pode repetir, por favor.
Ricardo repetiu e finalizou:
- O senhor precisa vir para cá urgentemente.
Iremos chamar a polícia, mas o senhor precisa ajudar sua filha a fazer a queixa.
Parecia um pesadelo.
- E como ela está?
- Agora mais calma, mas todos nós aqui acordamos com seus gritos de desespero.
Por favor, venha logo.
Renato anotou o endereço num bloco e se perguntou por que Andressa fora se atrever a parar num lugar tão longe.
Ansiosos pelas notícias, um a um foi ficando pálido à medida que Renato narrava os factos.
Celina foi a primeira a gritar:
- Maldita Laura Miller, foi por culpa dela que tudo isso aconteceu.
- Pare de falar bobagem, tia.
Andressa foi uma irresponsável, isso sim.
Uma menina mimada e inconsequente.
- E você ainda defende essa mulherzinha?
- Parem com essa discussão, vocês dois - interveio Fábio.
Cada minuto que passa é um tormento para nossa irmã.
Vamos logo buscá-la.
Quando os três estavam saindo, Celina tornou:
- Por favor, não dêem queixa, não deixem abrir inquérito.
- O que? A senhora ficou louca? - questionou Renato, incrédulo.
- Vocês é que estão loucos se fizerem isso.
Nossa família é importante, logo a sociedade vai ficar sabendo e Andressa não vai ter sorte na vida.
Ficará para sempre com o estigma de ter sido estuprada.
Que rapaz de nossa sociedade vai querer um namoro sério com uma garota que foi violada dessa forma por um monstro?
Renato reflectiu que Celina tinha razão, mas por outro lado não deixaria o homem que fez aquilo sair impune.
Fábio tornou:
- Acho que a própria Andressa não vai querer que a polícia saiba de nada.
Tia Celina tem razão.
- Vamos, no caminho decidiremos o que fazer - finalizou Renato saindo com os filhos.
Berenice, que a tudo escutara, pois estava na sala com eles, aproximou-se de Celina dizendo:
- Como sempre querendo abafar as coisas como se assim tudo pudesse ser resolvido.
Não acha que um dia tudo é descoberto?
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Re: Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 27, 2018 9:14 pm

- Quem pediu sua opinião, sua atrevida?
- Ninguém, eu que quero dar e a senhora sabe que tenho autoridade para isso.
Afinal, quantos segredos dessa família eu não guardo, hein?
Se um dia eu resolver falar tudo o que sei, esse estupro que a coitada da Andressa sofreu será café pequeno.
- Cale a boca, maldita - disse Celina levantando a mão para esbofeteá-la.
Berenice enfrentou-a com coragem:
- Pois ouse me bater e assim que seus sobrinhos entrarem por aquela porta, eu conto a sujeira que você foi capaz de fazer com o pai deles.
Ah! E conto à Helena também!
Eu acredito que ela blefou ao dizer que sabe seu segredo, mas se não sabe, farei questão de contar assim que ela entrar aqui como a verdadeira dona da casa.
- Eu mato você antes disso.
- Mata não, conheço você.
E se me matasse teria de matar o meu marido e o Duílio também, pois eles, igualmente, sabem o quanto você é nojenta e doente.
Berenice saiu da sala, deixando mais uma vez Celina ali, sentada na poltrona, vencida e humilhada pelos seus próprios erros do passado.
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Re: Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 27, 2018 9:14 pm

Capítulo 21
Renato e os filhos mal se falaram durante o trajecto, cada um chocado e imerso nos próprios pensamentos de indignação.
Quando chegaram à frente da pousada, havia grande aglomeração de pessoas, e a polícia já estava lá.
Andressa já havia tomado banho e vestido a mesma roupa com a qual saíra de casa.
Ao ver o pai e os irmãos chegarem, correu a abraçá-los chorando novamente:
- Perdão, papai, perdão!
- Calma, filhinha!
Não precisa pedir perdão. Eu a amo.
- Eu não deveria ter saído de casa, como fui burra.
Jamais me perdoarei por isso.
Quero esse homem preso e morto!
Sinto-me suja e doente depois de tudo que ele me fez.
- Calma, minha filha.
Me conte como tudo aconteceu.
Ela levou o pai e os irmãos para uma sala contígua e narrou a situação com voz cheia de soluços.
Renato sentia tanto ódio do homem que fizera aquilo que seria capaz de matá-lo naquele momento se o encontrasse.
Fábio e Humberto aproximaram-se da irmã, abraçaram-na e alisaram seus cabelos.
- Tudo vai passar, Andressa, e você vai esquecer o que houve aqui esta noite.
- Nunca! - gritou ela, olhos injectados de fúria.
Uma mulher jamais esquecerá um facto como esse.
É tudo culpa de Laura.
Agora tenho mais motivos para odiá-la e desejá-la longe do senhor.
- Você está nervosa.
Laura nada tem a ver com isso.
- Tem sim, foi tudo culpa dela.
Renato ia argumentar, mas a um gesto de Humberto, resolveu se calar.
Não adiantaria falar nada a ela naquele momento.
- Fiquem com a irmã de vocês que vou falar com a polícia.
Chegando à recepção, o delegado indagou:
- O senhor sabia que sua filha estava aqui?
- Não, ela saiu de casa desde cedo e não disse aonde ia.
Estávamos preocupados, sem dormir esperando que chegasse.
- Essa vizinha contou que o senhor Eduardo já praticou um acto desse antes, mas ficou impune.
Renato olhou e viu Dália à sua frente.
Deram as mãos e ela tornou:
- Sua filha foi fazer um lanche em meu restaurante.
Quando a vi fiquei com receio do que pudesse acontecer, pois o Eduardo já fez o mesmo com uma moça aqui do bairro, até convidei para que dormisse em minha casa.
Parecia que estava adivinhando.
O delegado voltou a olhar para Renato:
- Por que sua filha estava aqui?
- Ela se desentendeu connosco pela manhã e saiu sem falar nada.
Coisas de menina rebelde.
- Desculpe-nos, senhor, mas sua filha não é mais uma menina, já tem 22 anos.
Ela é, sim, inconsequente e não aprendeu a ter limites.
Mas discutir isso agora não adianta, quero que o senhor venha à delegacia prestar a queixa para que possamos começar a procurar esse marginal.
O senhor soube que ele fugiu em seguida e ninguém sabe o paradeiro?
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Ave sem Ninho

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Re: Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 27, 2018 9:14 pm

Com um gesto, Renato chamou o delegado a um canto:
- Não quero prestar queixa.
- Como? Não entendi.
Sua filha foi estuprada e o senhor não vai prestar queixa?
Estou ouvindo bem?
- Ouviu sim.
Não prestarei queixa e desejo que esse caso seja encerrado aqui.
Minha família faz parte da alta sociedade paulistana.
Se vierem a saber o que ocorreu, minha filha ficará mal vista.
Por isso, exijo que o senhor se cale diante do que viu e vamos fingir que nada aconteceu.
Eu odeio esse Eduardo, mesmo sem o conhecer, mas quero que vá arder nas chamas do inferno.
Basta o que minha filha passou, não desejo sua execração social.
O delegado olhou-o firme:
- É isso mesmo que o senhor deseja?
Prefere que a justiça deixe de ser cumprida em nome dos papéis sociais?
- Sim, é isso mesmo.
- Pois sua filha não pensa assim e está disposta a prestar queixa, vou falar com ela.
O delegado entrou na sala que Andressa estava e a convidou para ir à delegacia.
Renato olhou-a e repetiu tudo o que havia dito ao delegado acrescentando:
- Você vai querer que suas amigas fiquem sabendo o que aconteceu?
Vai querer que o rapaz de quem gosta saiba disso?
Ela olhou para os irmãos que pareciam concordar com o pai e finalizou:
- Não irei prestar queixa.
Pode ir, senhor delegado.
O delegado que havia muito tempo queria pegar Eduardo, irritado pela impotência, deixou o local com a polícia.
Logo, o ambiente foi se tornando vazio, permanecendo somente Dália e Ricardo.
- Se precisarem de mim, estou aqui - disse Dália penalizada, olhando para Andressa.
- Por que não fui dormir com você?
Nada disso teria acontecido.
- Não pense mais nisso agora.
Você é jovem, vai esquecer e superar.
- Nunca vou superar uma coisa dessas.
- Vai sim, o tempo é um santo remédio.
Foi um prazer conhecê-la, embora em situação tão ruim.
- Foi um prazer também.
Ambas se abraçaram e ali pareceu nascer uma sincera amizade.
Renato olhou para Ricardo dizendo:
- Agradeço não só por ter ligado, mas pela forma calma com que me passou tão trágico acontecimento.
Gostaria de recompensá-lo.
- Não precisa, senhor.
- Você está hospedado aí faz tempo?
- Na verdade, sou o único hóspede fixo daqui.
Minha família voltou para o Ceará, mas eu abri uma oficina que conserta veículos e resolvi ficar.
Agora que o estabelecimento será fechado, terei de procurar outro lugar para morar.
Mas agradeço sua intenção.
Meu desejo só foi o de ajudar.
Renato apertou com força a mão de Ricardo, gesto que foi imitado imediatamente por Fábio e Humberto.
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Re: Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 27, 2018 9:15 pm

Andressa fez o mesmo, mas, ao apertar a mão do rapaz e olhar dentro de seus olhos, seu coração disparou.
Parecia estar vendo o mais belo homem que já vira na vida.
Ele pareceu pensar o mesmo dela.
Disse sorrindo:
- Aqui está meu cartão.
É simples, mas se um dia precisar de um conserto num dos carros de vocês, poderei fazer.
Renato recebeu o cartão e só naquele momento lhe veio à memória um facto esquecido:
- O carro de Andressa está aí na garagem, gostaria que você fizesse uma revisão nele e me entregasse assim que terminar.
- Mas eu posso levar o carro de Andressa.
Está bom, não precisa de revisão - disse Humberto.
- Esqueceu que terão de arrombar a porta da garagem ainda?
O tal do Eduardo fugiu levando todas as chaves.
E será boa outra revisão no carro de Andressa.
Será uma forma de pagar o favor que Ricardo nos fez.
Ele corou:
- Farei a revisão com todo prazer.
Se não houver realmente nenhum problema, nem vou cobrar.
Assim acertado, Andressa e os irmãos entraram no carro e voltaram para casa.
Tudo o que mais queriam era esquecer aquela madrugada trágica e triste.
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Re: Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 27, 2018 9:15 pm

Capítulo 22
A notícia do estupro de Andressa chocou tanto Helena que ela queria a todo custo ir até a mansão.
- A senhora não pode fazer isso - aconselhou Leonora.
O que vão dizer?
Pense que seus filhos não podem desconfiar de nada e você, vendo sua filha numa situação dessas, pode se trair.
É preciso cuidado.
- Mas eu preciso ajudar Andressa, ela necessita do apoio de uma mãe numa hora dessas.
- Você terá todo tempo do mundo para isso.
Um facto como esse traumatiza muito uma jovem, ela precisará de muito apoio e, assim que você se casar com Renato, fará isso da melhor forma possível.
- Tem razão, Leonora, mas é muito difícil para mim ficar longe de minha filha numa hora dessas.
- Mas a distância é apenas física, o amor de mãe não tem limites e você pode estar próxima a ela neste momento, em pensamento, ajudando-a com todo seu coração.
Os olhos de Helena encheram-se mais uma vez de lágrimas.
- Como posso fazer isso?
- Vamos orar por Andressa e por toda aquela família.
Enquanto oramos, visualize Andressa envolvida em muita luz.
Imagine toda aquela mansão recebendo muita Luz Divina, e por fim, vamos orar também pelo homem que lhe fez mal.
Helena protestou:
- Como vamos orar por um monstro desses?
- Para que uma oração surta efeito e seja ouvida por Deus, é preciso que ela beneficie a todos e não apenas a quem nos convém.
Quem faz o mal sofre tanto ou mais do que aquele que foi vítima de sua maldade, pois enquanto aquele que foi atingido está harmonizando erros do passado, quem faz o mal está criando sofrimentos para o futuro, dos quais irá demorar muito para se libertar.
Por isso, em nossas orações, devemos sempre pedir a Deus por todos aqueles que praticam a maldade sobre a Terra, pois eles são espíritos muito sofredores e necessitados de ajuda.
Comovida com a explicação de Leonora, as duas entraram no quarto e começaram a orar.
A prece foi tão sincera que podia se perceber as duas mulheres envolvidas por espíritos amigos e energias coloridas de harmonia e paz.
Depois que terminaram, sentiram sono e foram dormir.
Quando Andressa acordou no dia seguinte demorou a reconhecer o próprio quarto.
Quando deu por si e se lembrou de tudo que havia vivenciado, um pranto dolorido prorrompeu de seu peito e Celina, que estava dormindo na poltrona ao lado, acordou e, preocupada, aproximou-se do leito, abraçou a sobrinha e ficou calada alisando seus cabelos.
Quando Andressa ficou mais calma, o sentimento de desespero e ultraje que sentia por ter sido violentada sexualmente deu lugar a um sentimento de ódio descomunal.
Começou a gritar:
- Maldita Laura, mil vezes maldita!
Celina estranhou:
- Por que está falando isso da Laura?
- E a senhora ainda pergunta?
Foi por causa dela, desta maldita mulher, que tudo isso me aconteceu.
Só resolvi sair de casa e dormir fora porque fiquei revoltada com o facto de papai ter anunciado que iria se casar com ela.
Se essa mulher não tivesse aparecido em nossas vidas eu não teria passado por uma coisa tão hedionda como esta.
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Re: Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 27, 2018 9:15 pm

Celina alegrou-se.
Iria aproveitar a fragilidade da sobrinha para jogá-la definitivamente contra Helena.
Destilou seu veneno:
- Tem razão, Andressa, também sinto que essa mulher só veio trazer desgraças para nossa família.
Veja só o que lhe aconteceu.
Se eu fosse você ameaçaria seu pai:
se ele continuar com essa ideia de se casar com Laura você some para sempre desta casa.
Faça tudo, mas não deixe que essa mulher entre aqui.
Andressa pareceu pensar por alguns minutos, depois disse:
- Ao contrário, não vou me opor a este casamento.
Meu ódio por ela é tão grande que o que mais desejo é que se case com meu pai e venha morar aqui.
Juro que Laura não terá um dia sequer de paz nesta casa.
Seria muito bom para ela ficar longe daqui e não pagar pelo mal que me fez, quero que ela fique perto, que sofra muito.
Celina estava feliz em ver o ódio de Andressa por Laura.
Sabia que não teria como impedir aquele casamento, mas naquele momento tinha uma aliada para fazer Laura infeliz a tal ponto de ela mesma desistir e ir embora daquela casa, por livre e espontânea vontade.
- Está certa, minha querida.
E tem aqui em sua tia uma grande aliada.
Agora vá tomar outro banho e trate de se recuperar, em breve essa tal de Laura estará circulando pela mansão e não é bom que ela a veja com ares de moça frágil.
Sei que é difícil superar um acontecimento como esse, mas é preciso que supere, principalmente para se vingar da mulher que foi a causadora de tudo.
Andressa abraçou a tia e dirigiu-se ao banheiro.
Ligou o chuveiro e permitiu que a água morna e leve escorresse pelo seu corpo.
Já havia tomado muitos banhos desde que chegara a casa pela madrugada, mas parecia que, quanto mais se lavava, mais suja ficava.
As cenas degradantes daquele homem nojento a possuindo não paravam de surgir em sua mente e ela parecia que ia enlouquecer.
Sentou-se no chão e, enquanto a água escorria pelo seu corpo, deixou que grossas lágrimas de nojo, desespero, ódio e raiva escorressem juntas.
Dentro de si sentia-se imunda e parecia que nunca mais se livraria daquele sentimento.
Naquele momento, jurou mais uma vez para si que faria Laura sofrer o máximo que pudesse.
Só o pensamento daquela mulher sofrendo era o que aliviava sua dor.
Quando Andressa desceu, encontrou apenas Renato e Vera Lúcia na mesa do café da manhã.
Pelo visto os rapazes haviam saído mais cedo.
Ao vê-la, Renato perguntou:
- Como está, minha filha?
- E como você queria que estivesse?
Mal, muito mal.
Não sei como vou me recuperar desse acontecimento. - retirou-se chorando.
Celina sentou-se à mesa e começou a se servir.
Renato ponderou:
- Acredito que Andressa vai precisar da ajuda de um psicólogo.
Ninguém supera um trauma desses sozinha, sem ajuda de um profissional.
Vera Lúcia concordou:
- Conheço terapeutas óptimos e vou indicar um para minha sobrinha.
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Re: Estava escrito - Hermes / Maurício de Castro

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