O PASSE: SEU ESTUDO, SUAS TÉCNICAS, SUA PRÁTICA / Jacob Melo

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Re: O PASSE: SEU ESTUDO, SUAS TÉCNICAS, SUA PRÁTICA / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 26, 2018 11:03 am

Chamamos a atenção para o fato de que a Espiritualidade, antes mesmo do início das actividades “materiais” da Casa, já está presente e actuante, pelo que nosso respeito e recto comportamento devem ser uma constante, notadamente nos recintos da Instituição.
Cabe ao Centro Espírita não apenas utilizar-se de seus médiuns para os serviços do passe mas igualmente renovar os conhecimentos dos mesmos através de estudos, simpósios e treinamentos, buscando formar equipes conscientes e responsáveis e se eximindo da limitação tão perniciosa de se ter apenas um médium dito “especial”, ou, o que não é menos grave, contar com pessoas portadoras apenas de boa vontade ao serviço mas sem nenhum interesse em estudar, aprender ou reciclar conhecimentos, limitadas, quase sempre, às práticas do “já faz tanto tempo que ajo assim” ou “meu guia é quem me guia e ele não falha nunca”.
Afinal, já sabemos que tempo de prática, considerado isoladamente, não confere respeitabilidade ao passe, assim como a tarefa, no campo da individualidade, é do médium e não de guias que o isente de participação e responsabilidade.
Conscientizemos nossos passistas de suas imensas e intransferíveis responsabilidades pois se em todas actividades de nossas vidas somos nós, directa e insubstituivelmente, responsáveis por nossos actos, que se há de pensar daquela vinculada a tão nobilitante tarefa!

68 Marcos, V, vv. 23 e 24.
69 Assuntos bem estudados por Albert De Rochas em seus livros (clássicos) “Extériorisation de la Sensibilité” e “L’Extériorisation de la Motricité”.
Apenas o primeiro tem versão brasileira.
70 Assunto igualmente estudado por De Rochas (“Les Viés Successives”, também não versionado).
71 XAVIER. Francisco Cândido, VIEIRA, Waldo. O passe. In “Opinião espírita”, cap. 55, pp. 180 e 181.
72 Compare-se com nosso comentário acerca do equívoco existente entre animismo e mediunismo no passe, destacado no item 4 das “Definições equivocadas”, questão 8, do capítulo anterior.
73 Convencionamos chamar de “paciente” a pessoa ou o Espírito que se submete(rá) ao tratamento fluídico.
74 PERALVA, Martins. Passes. In “Estudando a Mediunidade”, cap. 26, p. 142.
75 Preferimos destacar a condição psíquica para deixar claro estarmos tratando de condições mentais diferentemente de condições espirituais.
76 AGUAROD, Angel. O problema da saúde. In ”Grandes e Pequenos Problemas”, cap. 9, item III, pp. 208 e 209.
77 XAVIER, Francisco Cândido. O passe. In “Segue-me”, p. 100.
78 KARDEC, Allan. Da obsessão. In “O Livro dos Médiuns”, cap. 23, item 251.
79 KARDEC. Allan. In “Revista Espírita”, out. 1867, I Parte.
80 KRIPPNER. Stanley. In “Possibilidades Humanas”, cap. 9, p. 239.
81 KARDEC, Allan. Médiuns curadores. In “Obras Póstumas”, 1ª Parte, cap. 6, item 52.
82 XAVIER, Francisco Cândido. Passes. In “Caminho, Verdade e Vida”, cap. 153, p. 322.
83 XAVIER, Francisco Cândido, VIEIRA, Waldo. O passe. In “Opinião Espírita”, cap. 55, p. 131.
84 LEX, Ary. Dos factos a filosofia. In “Pureza Doutrinária”, cap. 7, pp. 96 e 98.
85 Particularmente tivemos a honra de participar, como assessor da FERN, das duas últimas plenárias que elaboraram o referido documento, na sede do CFN da FEB em Brasília-DF.
86 Conselho Federativo Nacional. In “Orientação ao Centro Espírita”, 1980, p. 11.
87 Idem, p. 12.
88 Ibidem, p.23.
89 XAVIER, Francisco Cândido. Passes. In “Missionários da Luz”, cap. 19, p. 320.
90 FRANCO, Divaldo Pereira. Socorros espirituais relevantes. In “Painéis da Obsessão”, cap. 26, p. 215.
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Re: O PASSE: SEU ESTUDO, SUAS TÉCNICAS, SUA PRÁTICA / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 26, 2018 11:03 am

CAPÍTULO IV - ASSUNTOS COMPLEMENTARES
“Todo fenómeno edifica, se recebido para enriquecer o campo da essência.
“Quanto a nós, porém, estejamos fiéis à instrução, desmaterializando o espírito, quanto possível, para que o Espírito disponha a brilhar”.

(Emmanuel)91

“O poder criador nunca se contradiz e, como todas as coisas, o Universo nasceu criança”.
(Galileu - Espírito)92

A fim de assimilarmos com mais segurança certas técnicas e procedimentos, bem como para melhor compormos raciocínios um tanto quanto mais elaborados, um conhecimento básico de alguns temas se faz imperioso.
Ditos temas, por isso mesmo, servirão como verdadeiras ferramentas, de indispensável “manuseio”, para se obter explicações de várias questões tidas, muitas vezes, como axiomáticas quando, na realidade, são racionalmente demonstráveis.
Estes assuntos, por suas complexidades e extensões, não serão aprofundados senão nos limites das necessidades pertinentes ao bom entendimento dos capítulos seguintes, pelo que nos dispensaremos de fazermos conjecturas e demonstrações eminentemente técnicas93.
Desse modo, elegemos três “assuntos complementares” para nossa análise:
Fluidos, Perispírito e Centros de Força, cuja sequência está calcada na grande interdependência existente entre os mesmos.

91 XAVIER, Francisco Cândido. Dever espírita. In “Seara dos Médiuns”, p. 123.
92 KARDEC, Allan, A criação primária. In “A Génese”, cap. 6, item 15.
93 Estes três assuntos serão aproximadamente merecedores de um estudo mais aprofundando em obra que estamos trabalhando, com o título provisório “Fluidos, Perispírito, Centros de Força e Kundalini; uma abordagem racional”.

1 - FLUIDOS
Fluido (lê-se fluido e não fluído) é um termo genérico empregado pata traduzir a característica “das substâncias líquidas ou gasosas”, ou de substância “que corre ou se expande à maneira de um líquido ou gás; fluente94“.
Por isso, popularmente falando, designamo-lo como sendo a fase não sólida da matéria, a qual pode se apresentar em quatro subfases95:
pastosa, líquida, gasosa e radiante, tendo sido esta última apresentada à Ciência por um dos seus mais eminentes sábios, o inglês Sir William Crookes.
O entendimento espírita atribuído ao termo fluido, tal como criteriosamente assimilado por Allan Kardec, pelos Espíritos e por todos os espíritas, não se limita a tão restrita definição.
Para nós, fluido é tudo quanto importa à matéria, da mais grosseira a mais diáfana, variando em multiplicidade infinita a fim de atender a todas as necessidades físicas, químicas e inclusive vitais daquela, bem como de sua intermediação entre os remos material e espiritual.
É o fluido não apenas algo que se move a exemplo dos líquidos ou gases, mas a essência mesma desses líquidos, gases e de todas as matérias, inclusive aqueles ainda inapreensíveis por nossos instrumentos físicos ou mesmo psíquicos.
Léon Denis, assimilando as teorias dos Espíritos, explicitou que “A matéria, tornada invisível, imponderável, se encontra sob formas cada vez mais subtis, que denominamos fluidos.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 26, 2018 11:04 am

À medida que se rarefaz, adquire novas propriedades e uma capacidade de irradiação sempre crescente; toma-se uma das formas de energia96“.
Com este conceito, remontando das consequências às causas, consorciava ele seu entendimento às teorias einstenianas por surgirem, chamando fluido de “uma das formas de energia”, assim sinalizando o avanço profundo e além-moderno dos conceitos espíritas sobre o fluido.
Na visão do Espírito André Luiz, temos o fluido definido segundo alguns critérios mais extensivos:
assim, o fluido, dessa ou daquela procedência, vem a ser “(...) Um corpo cujas moléculas cedem invariavelmente à mínima pressão, movendo-se entre si, quando retidas por um agente de contenção, ou separando-se, quando entregues a si mesmas97“.
“Mas no plano espiritual - continua ele —, o homem desencarnado vai lidar, mais directamente, com um fluido vivo e multiforme, estuante e inestancável, (...) absorvido pela mente humana, em processo vitalista semelhante à respiração, pelo qual a criatura assimila a força emanente do Criador, esparsa em todo o Cosmo, transubstanciando-a, sob a própria responsabilidade, para influenciar na Criação, a partir de si mesma.
- Esse fluido é seu próprio pensamento contínuo, gerando potenciais energéticos (...)98“.
Partindo-se dessas colocações, fica fácil perceber que o fluido merece uma análise não só profunda como, inclusive, que leve em consideração o plano de observação. Por extensão, convimos que nossos conhecimentos actuais são ainda muito limitados para penetrarmos na essência desta matéria.
A necessidade do entendimento da ''mecânica do pensamento'' (tema actualmente estudado por Espíritos desencarnados possuidores de conhecimentos bem avançados e evoluídos) e da própria absorção do fluido vital pela matéria são indispensáveis para o bom conhecimento de como se processa o domínio gerador do pensamento na criação de “potenciais energéticos” no “campo fluídico” esparso por todo o cosmo.
Disso decorre que muita coisa ainda ficaremos por entender, mas, se por um lado coisas existem completamente ininteligíveis para nós, outro numero satisfatoriamente razoável se nos oferece como elemento elucidativo por suas evidências e comprovações.
No que tange ao nosso entendimento dos conceitos eminentemente espíritas em face dos conceitos académicos observamos que parte de nossas actuais dificuldades se devem às atribuições dadas aos fluidos, tal como foi expandido e apreendido pela Codificação, sem considerar, por desconhecer, as teorias da física moderna, a qual criou termos novos para definir teorias e hipóteses novas, sem falar no próprio advento da Parapsicologia, da Psicotrónica e da Psicobiofísica que, por seus parapsicólogos99 e pesquisadores, abriram campo no seio académico às pesquisas mais aprofundadas sobre tal elemento.
Afinal, quando Albert Einstein trouxe ao mundo suas revolucionárias teorias da relatividade e dos campos unificados das forças, e Plank nos trazia à consideração as teorias quânticas, a Codificação já estava para completar seu primeiro cinquentenário.
Apesar disso, a não ser no que diz respeito a terminologias e nomenclaturas, tudo quanto ali está expresso condiz - e vai mais além - com os mais avançados postulados e conceitos das Ciências Modernas.
Por isso, concordamos que o termo fluido, em sua acepção normal, já não traduz exactamente o que ele representa no texto da Codificação.
Do que assimilamos das modernas teorias físicas, os conceitos de “campos energéticos” e “campos de força” são aqueles que melhor enquadram o sentido que os Espíritos e Kardec quiseram emprestar ao termo fluido (pelo menos no que se refere à sua abrangência), pois por “campo” não se entenderia uma força unilateral, mas, uma dinâmica multidireccional.
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Re: O PASSE: SEU ESTUDO, SUAS TÉCNICAS, SUA PRÁTICA / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 26, 2018 11:04 am

Exemplificando, seria como quando acendemos uma vela numa sala escura; a chama, que tem seu foco restrito e localizado, ilumina uma zona que lhe é o “campo” peculiar, não se restringindo esse “campo” à labareda, mas à sua acção iluminativa ou, ainda, ao alcance calórico de suas irradiações térmicas.
Nosso confrade Mauro Quintella escreveu interessante artigo100 onde expressa idêntico pensamento:
“Modernamente, com base nas teorias quânticas e relativistas (que, como dissemos acima, eram desconhecidas ao tempo de Kardec), a ideia de uma substância a permear o espaço, está voltando a ser reconsiderada.
Se for apressado dizermos que essas novas ideias correspondem inteiramente ao conceito espírita, pelo menos temos certeza de que alguma relação guardam entre si, dada a semelhança entre elas e o postulado kardequiano” (parêntese nosso).
O conceito de “campo”, todavia, também não será perfeito se não buscarmos fazer uma distinção entre causa e efeito;
como, no exemplo da vela, entre a labareda (fonte; causa) e a luminosidade ou o calor (campo; efeito);
sem isso, conforme nos sugere André Luiz, “A proposição de Einstein (...) não resolve o problema, porque a indagação quanto à matéria de base para o campo continua desafiando o raciocínio, motivo pelo qual, escrevendo da esfera extra física (...), definiremos o meio subtil em que o Universo se equilibra como sendo o Fluido Cósmico ou Hálito Divino, a força para nós inabordável que sustenta a Criação101“ (grifos originais).
É uma colocação muito pertinente, pois ela pinça uma situação característica de “fonte” onde temos uma marcante conceituação de “campo”, ou vice-versa.
Pelo exposto, percebemos que para tratar da causa, do fluido universal (a elementaridade, a “fonte” da qual a matéria se origina), o conceito de “campo” se torna insuficiente e ineficiente, mas, para atendermos aos fluidos de uma forma geral, consequência portanto, onde se incluem os fluidos cósmico e vital, “campo” é a teoria mais apropriada.

94 FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. “Novo Dicionário da Língua Portuguesa”, p. 791.
95 Actualmente a Ciência já considera até sete subfases para a matéria.
96 DENIS, Leon. A força psíquica. Os fluidos. O magnetismo. In “No Invisível”, cap. 15, pp. 175 e 176.
97 XAVIER, Francisco Cândido e VIEIRA, Waldo.
Alma e fluidos. In “Evolução em Dois Mundos”, item Fluidos em geral, cap. 13, p. 95.
98 XAVIER, Francisco Cândido e VIEIRA, Waldo. Alma e fluidos. In “Evolução em Dois Mundos”, item Fluido vivo, pp. 95 e 96.
99 Entendemos por “parapsicólogos” os cientistas que estudam com seriedade os fenómenos paranormais, segundo métodos científicos, e não pessoas que se advogam como tais mas não estudam com profundidade e seriedade o assunto, apenas interpondo, empiricamente, suas observações eminentemente pessoais, destituídas de comprovações.
100 Considerações sobre o fluido cósmico universal. Correio Fraterno do ABC, edição sem data.
101 XAVIER, Francisco Cândido e VIEIRA, Waldo.
Fotónios e fluido cósmico. In “Mecanismos da Mediunidade”, item “Campo” de Einstein, cap. 3. p. 39.
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Re: O PASSE: SEU ESTUDO, SUAS TÉCNICAS, SUA PRÁTICA / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 26, 2018 11:04 am

1.1 - O Fluido universal
Kardec perguntou se há dois elementos gerais no Universo:
matéria e Espírito, ao que os Espíritos responderam:
“Sim e acima de tudo Deus, o criador, o pai de todas as coisas.
Deus, espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, a trindade universal.
Mas, ao elemento material se tem que juntar o fluido universal, que desempenha o papel de intermediário entre o Espírito e a matéria propriamente dita, por demais grosseira para que o Espírito possa exercer acção sobre ela.
Embora, de certo ponto de vista, seja lícito classificá-lo como elemento material, ele se distingue deste por propriedades especiais.
Se o fluido universal fosse positivamente matéria, razão não haveria para que também o Espírito não o fosse.
Está colocado entre o Espírito e a matéria; é fluido, como a matéria é matéria, e susceptível, pelas suas inumeráveis combinações com esta e sob a acção do Espírito, de produzir a infinita variedade das coisas de que apenas conheceis uma parte mínima.
Esse fluido Universal, ou primitivo, ou elementar, sendo o agente de que o Espírito se utiliza, é princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá”.
E perguntou mais:
“Esse fluido será o que designamos pelo nome de electricidade?”.
“Dissemos que ele é susceptível de inúmeras combinações.
O que chamais fluido eléctrico, fluido magnético, são modificações do fluido universal, que não é, propriamente falando, senão matéria mais perfeita, mais subtil e que se pode considerar independente102“ (grifamos).
Encontramos aí o fluido universal projectado como se os conceitos de “campo” lhe fossem suficientes.
A perspicácia de Kardec, entretanto, vislumbrou se tratar de algo maior, de uma “fonte” inestancável, verdadeiro “vórtice gerador matriz”, pelo que ele “entrevistou” o Espírito São Luiz103, obtendo deste informações de que o fluido universal é o elemento universal, “o princípio elementar de todas as coisas e que, para o encontrarmos na sua simplicidade absoluta, precisamos ascender aos Espíritos puros”. Fica assim registado que, além de elemento, ele é o princípio, a causa, a “fonte”, o que difere conceitual e estruturalmente das consequências, o “campo”.
Dessa forma confirmamos que o fluido universal não pode ser conhecido totalmente por Espíritos de nosso nível, pois para apreendê-lo em sua intimidade precisaríamos ascender a Espíritos puros;
nem poderemos atribuir-lhe, com segurança, os conceitos de “campo” tal como frisamos, sob pena de restringi-lo em sua verdadeira e maior função; mas podemos assimilá-lo com suficiente segurança, pela exploração e pesquisa do fluido cósmico, até o ponto que as Ciências, espírita e oficial, forem abrindo horizontes para um melhor registo e um mais perfeito entendimento.

Apresentamos, entretanto, uma definição de fluido universal que acreditamos abarca suas mais evidentes características:
O FLUIDO UNIVERSAL, como elemento cosmogónico básico, verdadeira prima-fonte, assomando a característica de matriz funcional do grande campo criador do universo material, com seus universos macros e micros, visíveis e invisíveis, densos e ténues, criados e por criarem-se, irrompe conceitualmente como a unidade criacionista das forças, a síntese das energias, o plano e o antiplano da matéria.

102 KARDEC, Allan. Espírito e matéria. In “O Livro dos Espíritos”, Parte 1ª, cap. 2.
103 KARDEC, Allan. “Da teoria das manifestações físicas. In “O Livro dos Médiuns”, cap. 4.
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Re: O PASSE: SEU ESTUDO, SUAS TÉCNICAS, SUA PRÁTICA / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 27, 2018 11:54 am

1.2 - O Fluido Cósmico (ou a Grande Derivação do Fluido Universal)
A primeira grande derivação do fluido universal é o fluido cósmico, o fluido que enche todos os vazios, “o meio subtil em que o Universo se equilibra” e faz com que a matéria adquira “as qualidades que a gravidade lhe dá”, um verdadeiro “campo energético” pleno de elementos transformáveis, adaptáveis, expansíveis, contrácteis, manipuláveis enfim.
Anotemos as palavras do Espírito André Luiz a respeito: trata-se do “Plasma divino, hausto do Criador ou força nervosa do Todo-Sábio.
Nesse elemento primordial, vibram e vivem constelações e sóis, mundos e seres, como peixes no oceano104“.
“Nessa substância original, ao influxo do próprio Senhor Supremo, operam as Inteligências Divinas a Ele agregadas, em processo de comunhão indescritível, (...) extraindo desse hálito espiritual os celeiros da energia com que constroem os sistemas da Imensidade... 105”.
“Em análogo alicerce, as Inteligências humanas (...) utilizam o mesmo fluido cósmico, em permanente circulação no Universo (...) assimilando os corpúsculos da matéria com a energia espiritual que lhes é própria, formando assim o veículo fisiopsicossomático em que se exprimem ou cunhando as civilizações que abrangem no mundo a Humanidade Encarnada e a Humanidade Desencarnada.
Dentro das mesmas bases, plasmam também os lugares entenebrecidos pela purgação infernal, (...) e que valem por aglutinações de duração breve (...)
Na essência, toda a matéria é energia tornada visível e toda a energia, originariamente, é força divina de que nos apropriamos para interpor os nossos propósitos aos propósitos da Criação..”.106. (Grifamos.)
Rapidamente percebemos que André Luiz se refere, sublinearmente, aos conceitos de “campo”, chamando o fluido cósmico ora de “substância original”, ora de “força divina”.
Deduz-se, por interpolação, que os conceitos de “fonte” não foram ali considerados.
Em “A Génese” encontramos:
“A matéria cósmica primitiva continha os elementos materiais, fluídicos e vitais de todos os universos que estadeiam suas magnificências diante da eternidade.
Ela é a mãe fecunda de todas as coisas, a primeira avó e, sobretudo, a eterna geratriz.
Absolutamente não desapareceu essa substância donde provêm as esferas siderais; não morreu essa potência, pois que ainda, incessantemente, dá à luz novas criações e incessantemente recebe, reconstituídos, os princípios dos mundos que se apagam do livro eterno107. (Grifamos.)
Percebamos como inicialmente foi inserido o termo “matéria cósmica primitiva” num sentido de “campo” e não de “fonte”; considerado foi que ela “continha os elementos materiais, fluídicos e vitais”, e não que os gerou (atente-se que gerar é diferente de criar).
No momento seguinte, quando titulada de “mãe” e “avó” a um só tempo, ficou transparente o reconhecimento de se estar lidando com dois conceitos distintos; enquanto que a “mãe fecunda” é data imagem de “campo energético”, com suas cargas disseminadas e disponíveis à “manipulação”, a “primeira avó”, a “eterna geratriz” robustece a característica de “fonte primacial”, literalmente “a mãe da mãe”.
Observemos que eles retratam o quadro da “geração” do “campo cósmico” na imagem da “avó”, e o painel auto-renovável daquela matéria cósmica quando lembra que ela “recebe, reconstituídos, os princípios dos mundos que se apagam do livro eterno”, alusão directa ao “tudo se transforma”, ao princípio da conservação de energia.
Disso tudo que temos analisado, acreditamos estar visível que fluido - mesmo o universal - não é Espírito nem princípio espiritual pois, em sua natureza, o Espírito é “O princípio inteligente do Universo”108;
e inteligência é atributo que o fluido não possui, além do que “A inteligência e a matéria são independentes, porquanto um corpo pode viver sem a inteligência.
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Re: O PASSE: SEU ESTUDO, SUAS TÉCNICAS, SUA PRÁTICA / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 27, 2018 11:54 am

Mas a inteligência só por meio dos órgãos materiais pode manifestar-se.
Necessário é que o Espírito se una à matéria animalizada para intelectualizá-la”109.
Assim nos dizem os Espíritos da Codificação.
Raciocinando com Kardec, o estado de eterização do fluido é considerado como o estado primitivo, normal, enquanto que o de materialização resulta das transformações daquele, ao ponto de se apresentar como matéria tangível nos seus múltiplos aspectos.
O ponto intermediário é o da transformação do fluido em matéria tangível, sem que se verifique, todavia, transição brusca.
A cada, um tipo de fenómeno especial; ao segundo, os fenómenos do mundo visível; ao primeiro, do invisível.
Na eterização o fluido não é uniforme; suas modificações propiciam o surgimento de fluidos distintos que, se para os homens são invisíveis, para os Espíritos é como se materiais fossem, possibilitando, inclusive, a “manipulação” dos mesmos por Espíritos esclarecidos. Mas, aí remata ele:
“Ainda não conhecemos senão as fronteiras do mundo invisível;
o porvir, sem dúvida, nos reserva o conhecimento de novas leis, que nos permitirão compreender o que se nos conserva em mistério”110.
Sem dúvida alguma as teorias quânticas e relativistas se encontram entre ditas leis.
Uma observação, contudo, merece registo:
Kardec faz referencia ao que usualmente chamamos de fluido espiritual.
Nos adverte ele, com justa razão, que não se trata de uma qualificação exacta pois os fluidos são sempre materiais, entretanto, tal nomenclatura exprime e transmite a ideia de estarmos nos referindo aos “fluidos utilizados pelos Espíritos”, pelo que se torna pertinente o uso.
Não percamos tal observação para não cairmos em desentendimentos.

104 XAVIER, Francisco Cândido e VIEIRA, Waldo. Fluido cósmico. In 'Evolução em Dois Mundos”, cap. I, p. 19.
105 XAVIER, Francisco Cândido e VIEIRA, Waldo. Co-criação em plano maior. In “Evolução em Dois Mundos”, cap. I, p. 19.
106 XAVIER, Francisco Cândido e VIEIRA, Waldo. Co-criacão em plano maior. In “Evolução em Dois Mundos”, cap. I, p. 23.
107 KARDEC, Allan. Uranografia geral. In “A Génese”, cap. 6, item 17.
108 KARDEC, Allan. Espírito e Matéria. In “O Livro dos Espíritos”, Parte 1ª, cap. 2, questão 23.
109 KARDEC, Allan. Inteligência e instinto. In “O Livro dos Espíritos”, Parte 1ª, cap. 4, questão 71.
110 KARDEC, Allan. Os fluidos. In “A Génese”, cap. 14, item 6.

1.2.1 - O Princípio e o Fluido Vital
É o próprio São Luiz111, respondendo a Kardec, quem nos orienta:
“22. Se bem compreendemos o que dissestes, o princípio vital reside no fluido universal;
dele o Espírito extrai o envoltório semi-material que constitui o seu perispírito e é por meio desse fluido que actua sobre a matéria inerte.
É isso mesmo?
“Sim; isto é, ele anima a matéria por uma espécie de vida fictícia; a matéria se anima pela vida animal (...)”.
Pelas colocações do sábio São Luiz, temos confirmado que a vida vem por acção do princípio vital, o qual, por dedução directa, é um “campo”.
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Re: O PASSE: SEU ESTUDO, SUAS TÉCNICAS, SUA PRÁTICA / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 27, 2018 11:55 am

Sendo “princípio” definido como “qualquer das causas naturais que concorrem pata que os corpos se movam, operem e vivam”112, vemos que o princípio vital é o “toque mágico” propiciador da vida, o “interruptor” vital que faz a interligação de um “campo” específico chamado “fluido vital” com elemento(s) proveniente(s) de outro “campo” (Principio Espiritual).
Isto é interessante seja notado pois podemos ter, como temos, fluidos vitais dispersos, latentes, acumulados mesmo, nos grandes campos do fluido cósmico, sem que ali se dê a vida propriamente dita; é que aí ainda estaria faltando a “combinação” ou “interacção” desses dois campos entre si a qual só se dá ante a propiciatura activa do “princípio vital”.
Eis Allan Kardec em “A Génese”113 a respeito:
“(...) Há na matéria orgânica um princípio especial, inapreensível e que ainda não pode ser definido:
o princípio vital.
Activo no ser vivente, esse princípio se acha extinto no ser morto (...)” (grifos originais).
E mais adiante ele afirma: tal princípio é “
(...) Um estado especial, uma das modificações do fluido cósmico, pela qual este se torne princípio de vida (...)”.
A vida, portanto, como “efeito” decorrente de um agente (princípio vital) sobre a matéria (fluido cósmico), tem, por sustentação, a matéria e o princípio vital em estado de interacção activa, de forma continua.
Decorrente da mesma fonte original - pois “reside” no “fluido magnético animal”, que, por sua vez, não é outro senão o fluido vital - tem, contudo, a condição peculiar de veicular o contacto com o princípio espiritual.
Assim estabelecidos, tomemos o Espírito Emmanuel quando nos diz que a força denominada princípio vital é a “(...) essência fundamental que regula a existência das células vivas, e no qual elas se banham constantemente, encontrando assim a sua necessária nutrição, força que se encontra esparsa por todos os escaninhos do universo orgânico, combinada às substâncias minerais, azotadas e ternárias, operando os actos nutritivos de todas as moléculas.
O principio vital é o agente entre o corpo espiritual, fonte da energia e da vontade, e a matéria passiva, inerente às faculdades superiores do Espírito, que o adapta segundo as forças cósmicas que constituem as leis físicas de cada plano de existência, proporcionando essa adaptação às suas necessidades intrínsecas”114 (grifamos).
Acompanhemos agora a resposta dos Espíritos dada à seguinte questão:
“Que é feito da matéria e do princípio vital dos seres orgânicos, quando estes morrem?”
“A matéria inerte se decompõe e vai formar novos organismos. O princípio vital volta à massa donde saiu”115.
Interessante resposta; enquanto a matéria bruta se recomporá através de outros organismos, o princípio vital (matéria subtil) retornará à sua “massa” original (fluido cósmico).
O fluido vital, quando o organismo vive, está activado pelo princípio vital que dá àquele e a todas as suas partes “uma actividade que as põe em comunicação entre si, nos casos de certas lesões, e normaliza as funções momentaneamente perturbadas.
Mas, quando os elementos essenciais ao funcionamento dos órgãos estão destruídos, ou muito profundamente alterados, o fluido vital se torna impotente para lhes transmitir o movimento da vida, e o ser morre.
“(...)A quantidade de fluido vital não é absoluta em todos os seres orgânicos.
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Re: O PASSE: SEU ESTUDO, SUAS TÉCNICAS, SUA PRÁTICA / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 27, 2018 11:55 am

(...) Alguns há, que se acham, por assim dizer, saturados desse fluido, enquanto outros o possuem em quantidade apenas suficiente.
“A quantidade de fluido vital se esgota.
Pode tornar-se insuficiente para a conservação da vida, se não for renovada pela absorção e assimilação das substâncias que o contêm.
“O fluido vital se transmite de um indivíduo a outro”116.
Por força do que vimos dizendo, falar de princípio vital requer abordemos um outro princípio:
o espiritual, a fim de que não façamos confusão entre as duas coisas.

Para elucidar com segurança, busquemos a Codificação:
“5 - São a mesma coisa o princípio espiritual e o princípio vital?
“(...) Ora, desde que a matéria tem uma vitalidade independente do Espírito e que o Espírito tem uma vitalidade independente da matéria, (.,.) essa dupla vitalidade repousa em dois princípios diferentes.
“6 - Terá o princípio espiritual sua fonte de origem no elemento cósmico universal?
(...) “Se fosse assim, o princípio espiritual sofreria as vicissitudes da matéria;
extinguir-se-ia pela desagregação, como o princípio vital; (...)
“7 - Admitindo-se o ser espiritual e não podendo ele proceder da matéria, qual a sua origem?
(...) “Aqui, falecem absolutamente os meios de investigação, como para tudo o que diz respeito à origem das coisas (...)”117 (grifamos).
Com essas seguras respostas, os Espíritos nos informam que ainda não chegamos ao nec plus ultra, ao nada mais além.
No-los afirmam que muito haverá a ser desvendado, investigado, descoberto, trabalhado.
Norteiam nosso entendimento sob vários aspectos, inclusive dando-nos uma pista que nos favorece entendamos por que os materialistas se sentem com razão quando atribuem ávida uma função meramente maquinal, material; mas não remontam à génese.
Partindo daquelas explicações, onde o princípio vital tem um significado ímpar perante a vida, mesmo sendo fruto do fluido cósmico e não do princípio espiritual, fica fácil entendermos “a vida”.
Não poderíamos esperar que o Espírito agisse independente da matéria, quando ele nela se encontra encarnado.
Sendo a matéria (corpo) o meio de expressão do Espírito, terá aquela, forçosamente, que fornecer as condições requeridas para que este se manifeste, qualquer que seja o nível em que isto se dê.
Daí, inclusive, vermos tão profundas e estreitas ligações das potencialidades orgânicas com as manifestações do Espírito.
Mas, apesar disso, não fica nenhuma dúvida quanto à dualidade do princípio criativo pois à essência espiritual a matéria não pode negar existência (...) nem explicar jamais!
E isso aprendemos, de forma veemente, desde o tempo do Cristo:
“O que é nascido da carne, é carne;
e o que é nascido do Espírito, é espírito”118.
Disso tudo, portanto, fica destacado que a Inteligência, o Espírito propriamente dito, se origina de outro princípio que não é o fluido universal mas sim o Princípio Espiritual (ou Princípio Inteligente Universal).

Neste ponto, podemos fazer uma síntese: (FIGURA 1)
DEUS: Pai e criador; “inteligência suprema, causa primária de todas as coisas”.
Dentre essas “todas as coisas” Ele criou:
O FLUIDO UNIVERSAL: “fonte” e princípio básico de todos os fluidos, o qual derivou (e continua a gerar) um grande campo: DEUS
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Re: O PASSE: SEU ESTUDO, SUAS TÉCNICAS, SUA PRÁTICA / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 27, 2018 11:55 am

Lei: 1 g-II: 1/8
g-II:24/25
criação
Le: 38/80/81 g-VI:15
Le: 27 Le: 79/536.b Le: 27
Princípio Inteligente Universal (PIU) ou Princípio Espiritual (PE)
Princípio Material ou Fluido Universal (FU)
Le: 23 g-Xi: 1/2/6/7 Le: 22.a/27.a g-XIV:5
Princípio Inteligente (PI) Le: 86 Fluido Cósmico (FC)
Le: 606 (589/597/597.a) Le: 25 Le: 33/94 g-V:17 e XIV:2/3
Le: 71 Le: 64
Princípio Vital (PV)
(activado)
Fluido Vital (FV)
. . . . . . . .
Matéria e Energia
(passivas)
Le: 64.a/65 g-XI:5 Le; 45/146.a g-VI: 18 e X: 17
Le: 29 a 33
Le:540
Le: 604.a
Le: 607
Le: 607.a
Le: 78
Le: 60
ESPÍRITO Le: 86
Le: 25
Matéria/Energia passivas
+ FV + PVs “inactivos”
Le: 76/77/82/592 Le: 67.a/44/46 g-X: 18
Matéria/Energia passivas
Le: 67 + FV + PVs “activados”
VIDA
Le: 71
Le: 135.a
Le: 136.a
Le: 196.a
g-XI: 13
Le: 49/61/62/63/67/140

Sequência evolutiva resultante dos “elementos gerais do universo”, conforme verificado em “O Livro dos Espíritos” (LE) e “A Génese” (G) de Allan Kardec.
No quadro Fluido Vital (FV), as “partículas” ali disseminadas são, simbolicamente, os PVs “inactivos” (“interruptores” vitais).
Para destacarmos a união dos dois princípios, fizemos ressaltar uma “partícula” de PV “inactivo” a fim de melhor visualizarmos a interacção que resulta na vida (orgânica) em todos os reinos.
O FLUIDO CÓSMICO: primeira (e talvez única) e maior decorrência do fluido universal, o qual, além de gerar todos os universos, macros e micros, tem dentro de si mesmo um outro campo:
O FLUIDO VITAL: que é o responsável, quando “combinado” com o fluido cósmico, ou com outras de suas derivações, através do agente chamado PRINCÍPIO VITAL segundo padrões muito especiais, pela vida.
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Re: O PASSE: SEU ESTUDO, SUAS TÉCNICAS, SUA PRÁTICA / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 27, 2018 11:56 am

Voltando a DEUS, na outra grande vertente da Criação, surge:
PRINCÍPIO INTELIGENTE (UNIVERSAL):
“fonte” do “elemento espiritual” que virá a ser o Espírito Imortal; o “accionador” do P. V.

111 TEORIA DAS Manifestações Físicas - II. “Revista Espírita”, jun. 1858, p. 155.
112 AULETE, Caldas. “Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa”, vol. 4, p. 4.078.
113 KARDEC, Allan. Génese orgânica In “A Génese”, cap. 10, itens 16 e 17.
114 XAVIER, Francisco Cândido. O corpo espiritual. In “Emmanuel”, cap. 24, item “Através dos escaninhos do universo orgânico”, p. 132.
115 KARDEC, Allan. A vida e a morte. XAVIER, Francisco Cândido. In “O Livro dos Espíritos”, Parte 1ª, cap. 4, questão 70.
116 KARDEC, Allan. A vida e a morte. XAVIER, Francisco Cândido. In “O Livro dos Espíritos”, Parte 1ª, cap. 4, questão 70.
117 KARDEC, Allan. Génese espiritual. In “A Génese”, cap. 11, item Princípio espiritual.
118 João, III, v. 6.

1.3 - Conhecendo o Fluido
O fluido cósmico sofre, primordialmente no estado de eterização, inúmeras modificações, podendo ou não deixar de ser etéreo, vindo a formar fluidos diferentes.
Não obstante a mesma origem, tais fluidos adquirem propriedades especiais.
Assim como, num processo chamado alotrópico, a combinação de dois átomos de oxigénio é o que chamamos de oxigénio simples, enquanto a combinação de três desses átomos faz com que se obtenha o ozónio, assimilamos a possibilidade da auto combinação poder produzir um outro elemento de padrão diferente do original sem, contudo, destruir-lhe ou negar-lhe a origem.
O mesmo se dá, em formas e condições bem diversas e mais ricas, com o fluido cósmico, que não apenas se combina de maneira alotrópica mas por uma infinidade de meios, físicos, psíquicos e químicos, que nem sequer vislumbramos a quantidade nem, muito menos, o modus operandi.
“Sabemos que o fluido universal, ou fluido cósmico etéreo, representa o estado mais simples da matéria; sua subtileza é tal que escapa a toda análise.
E, entretanto, desse fluido procedem, mediante condensações graduais, todos os corpos sólidos e pesados que constituem a base da matéria terrestre”119.
“O mundo dos fluidos, mais que qualquer outro, está submetido às leis de atracção.
Pela vontade, atraímos forças boas ou más, em harmonia com os nossos pensamentos e sentimentos”120.
Conhecendo essas informações, podemos assegurar que “A vontade de aliviar, de curar, comunica ao fluido magnético propriedades curativas.
O remédio para nossos males está em nós”121.
“O magnetismo, considerado em seu aspecto geral, é a utilização, sob o nome de fluido, da força psíquica por aqueles que abundantemente a possuem”122. (Citações de Léon Denis.)
Disso ressalta a precisão com que o fluido interfere em nossas vidas.
Sua condição de afinidade, seu atendimento pela vontade, sua harmonização com os pensamentos e sentimentos, fornecem elementos básicos à nossa tarefa de cura, tanto quanto ao alcance como à necessidade de nos posicionarmos moralmente equilibrados para melhor podermos usufruir de suas virtudes.

119 DENIS, Leon. In “No Invisível”, cap. 20, p. 280.
120 DENIS, Leon. In “No Invisível”, cap. 15, p. 184.
121 DENIS, Leon. In “No Invisível”, cap. 15, p. 181.
122 DENIS, Leon. In “No Invisível”, cap. 15, p. 180.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 27, 2018 11:56 am

1.4 - Percepção - Assimilação
“Os elementos fluídicos do mundo espiritual escapam aos nossos instrumentos de análise e à percepção dos nossos sentidos, feitos para perceberem a matéria tangível e não a matéria etérea.
Alguns há, pertencentes a um meio diverso a tal ponto do nosso, que deles só podemos fazer ideia mediante comparações tão imperfeitas como aquelas mediante as quais um cego de nascença procura fazer ideia da teoria das cores.
“Mas, entre tais fluidos, há os tão intimamente ligados à vida corporal, que, de certa forma, pertencem ao meio terreno.
Em falta de comparação directa, seus efeitos podem observar-se, como se observam os fluidos do ímã (..,)”123. (Kardec.)
Dessas palavras deduzimos que muito acerca de fluidos só poderemos alcançar através da percepção sub-reptícia, quer táctil, quer intuitiva, ou então por dedução lógica e filosófica; entretanto, facto é que eles existem e que sua teorização não se estriba apenas em matéria impalpável tal qual eles, em sua maioria, o são. Seus efeitos são sentidos, percebidos, medidos alguns e evidenciados sempre, seja pela pujança do facto, seja pela dedução do mesmo, pelo que nos compete o estudo sério e aprofundado.
O pensar124 metaboliza o fluido cósmico, plasmando as imagens geradas pela mente, sendo, por isso mesmo, uma força criadora.
O fluido vital não é mero produto mental, pois, se assim o fosse, as plantas e os animais não o possuiriam, posto que, não pensam.
Mas, isso não diz que esse fluido não seja afectado pelo impulso mental; é, e não é pouco!
Pela maleabilidade e impressionabilidade dos fluidos, nosso vector moralidade exerce forte ponderação nos destinos que lhes são decorrentes.
Isto podemos confirmar numa colocação do Espírito Aulus quando explanava sobre o sistema de defesa espiritual de um médium moralmente equilibrado:
“Quanto aos fluidos de natureza deletéria, não precisamos temê-los.
Recuam instintivamente ante a luz espiritual que os fustiga ou desintegra.
(...). Os raios luminosos da mente orientada para o bem incidem sobre as construções do mal, à feição de descargas eléctricas”125.
Esta colocação, inclusive, responde às dúvidas muito comuns sobre o destino dos fluidos que são dispersados por ocasião dos passes.
Notemos que a moralidade elevada exerce verdadeira desintegração sobre os fluidos nocivos, não alcançando estes, portanto, aquele que se exercita nas práticas morais do Evangelho de Jesus, inclusive através do passe.
Concluímos, portanto, que podemos perceber os fluidos através de nosso próprio referencial;
nosso ambiente mental definirá a camada fluídica que nos rodeia e que de nós emana, em favor ou contra o próximo.
Como o fluido se comporta segundo a lei de afinidade, fácil percebermos tanto o ambiente fluídico que nos envolve como nos é favorecida sua assimilação, segundo idênticos critérios.

123 KARDEC, Allan. Os fluidos. In “A Génese”, cap. 14, item 4.
124 Pensar (atributo do Espírito), como verbo, traduz acção. Pensamento, substantivo, produto do pensar. Neste sentido é que estamos usando os termos.
125 XAVIER, Francisco Cândido. Psicofonia sonambúlica. In “Nos Domínios da Mediunidade”, cap. 8, p. 49.
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Re: O PASSE: SEU ESTUDO, SUAS TÉCNICAS, SUA PRÁTICA / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 27, 2018 11:56 am

1.5 - Propriedades Físicas
Retomando a “A Génese”, de Allan Kardec, ficamos sabendo que os Espíritos actuam sobre os fluidos espirituais, que são os fluidos etéreos, não manipulando-os como os homens manipulam os gases, mas empregando, sobremaneira, o pensamento e a vontade.
Por estes, e aqui relembramos a plasticidade dos fluidos etéreos, imprimem àqueles fluidos tal ou qual direcção, aglomerando-os, combinando-os, dispersando-os, organizando com eles conjuntos que constituem uma aparência, uma forma, uma coloração determinadas; mudam-lhes as propriedades, como um químico muda a dos gases e de outros corpos e substâncias, fazendo-os agirem e interagirem segundo certas leis.
Os fluidos não possuem qualidades “sui-generis”; as adquirem no meio onde se elaboram; modificam-se pelos eflúvios desse meio.
Portanto, dizendo-se que tal fluido é bom ou mal, nos referimos ao “produto final” e não a sua generalidade.
O fluido cósmico é puro e suas derivações são produto das “manipulações”, em níveis e padrões variados ao infinito.
Os fluidos derivados são mais ou menos úteis, para tais ou quais casos, sendo excelentes para certos usos e sofríveis para outros.
O uso e a assimilação que se tenha dos fluidos é que também podem repercutir.
Podemos ter um fluido “fino”, bastante rarefeito, proveniente de uma fonte “elevada”, mas que, para determinado tratamento, seria preferível um fluido mais material, mais denso, pelo que aquele se tornaria menos eficiente que este.
De outra forma, seríamos levados a crer que os fluidos teriam personalidades próprias;
não as tem, são fluidos, são matéria.
Suas qualidades são produtos das “manipulações” mentais, psíquicas, espirituais, ainda que com profundas repercussões físicas.
Do ponto de vista moral, os fluidos trarão impressos em si mesmos, pelas vibrações especiais que se lhes agregam, o cunho dos sentimentos de ódio, inveja, ciúme, orgulho, egoísmo, violência, hipocrisia, bondade, benevolência, amor, caridade, humildade, doçura, afecto e carinho, com que venham a ser laborados.
No caso do fluido magnético, conforme nos assevera Michaelus, sabemos que ele, “Por si só, não apresenta nenhuma propriedade terapêutica, mas age principalmente como elemento de equilíbrio.
De sorte que o desequilíbrio (...) dos fluidos magnéticos que envolvem todos os órgãos do corpo humano acarreta a desordem nas funções desses órgãos e, daí, a caracterização do que chamamos doença.
Todas as vezes, portanto, que se rompe o equilíbrio, quer por excessiva condensação ou concentração, quer por excessiva dispersão de fluidos, cumpre restabelecê-lo e, daí, a cura”126.
Com esta colocação Michaelus desmistifica o fluído, mesmo o magnético.
Sua propriedade básica no fenómeno das curas é o do restabelecimento do equilíbrio fluídico, através da mudança fluídica que está a gerar o factor doença.

126 MICHAELUS. In “Magnetismo Espiritual”, cap. 10, p. 80.

1.6 - Os Fluidos no Magnetismo
Vamos, sucintamente, registar as observações feitas por Michaelus, a partir de diversos magnetizadores (Deleuze, Aubin Gauthier, Du Potet e Ed. Bertholet, entre outros), e que importam ao magnetismo.
Para não nos estendermos demasiadamente, aditaremos alguns breves comentários, colocando-os entre parênteses.
“1.- O fluido magnético, que se nos escapa continuamente, forma em torno do nosso corpo uma atmosfera.
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Re: O PASSE: SEU ESTUDO, SUAS TÉCNICAS, SUA PRÁTICA / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 27, 2018 11:56 am

Não sendo impulsionado pela nossa vontade, não age sensivelmente sobre os indivíduos que nos cercam (...)
(Observemos como a vontade tem um valor preponderante nas chamadas fluidificações ou influências fluídicas.
Por outro lado, como toda regra tem excepção - diz a regra —, casos há em que pela excessiva sensibilidade alguém pode sentir e registar as emanações fluídicas de uma outra pessoa, sem que seja necessariamente accionado o dispositivo da vontade do emissor; são os sensitivos em acção.)
“2.- O fluido penetra todos os corpos animados e inanimados.
“3.- O fluido possui um odor, que varia segundo o estado de saúde física do indivíduo, dos seus dotes morais e espirituais, e do seu grau de evolução e pureza.
(...) O odor e a coloração do fluido estão na razão directa do estado de evolução da alma ou do Espírito (...)
(Portanto, nada de se pensar que apenas as condições físicas interessam à economia fluídica do indivíduo.)
“4.- O fluido é visto pelos sonâmbulos como um vapor luminoso, mais ou menos brilhante (...)
(Regra geral mas não única.)
“Os meios onde superabundam os maus Espíritos são, pois, impregnados de maus fluidos (...)
“5.- O fluido magnético não é o fluido eléctrico (...)
“6.- O fluido se propaga a grandes distâncias, o que depende, entretanto, da qualidade e da força do magnetizador, e igualmente da maior ou menor sensibilidade magnética do paciente.
(Por “força do magnetizador” entenda-se “força fluídica” e não física.)
“7.- O fluido está também sujeito às leis de atracção, repulsão e afinidade (...)
(Isto explica muitos problemas verificados nas aplicações de passes e nas fluidoterapias em geral.)
“8.- Precisamente porque o fluido varia de indivíduo a indivíduo, é de notar-se que certos magnetizadores têm mais facilidade em curar determinadas moléstias do que outras.
(...) Convém não esquecer que, além do fluido propriamente humano, outros fluidos, dotados de diferentes propriedades, que ainda não conhecemos, poderão intervir na acção magnética (...)
(Parece que os magnetizadores queriam falar na acção dos Espíritos.
Constatamos que certos médiuns não têm grande força ou impulsão magnética de per si, mas, passam a produzir com fartura quando submetidos à assistência Espiritual evocada e consentida, confirmando como a acção da parte dos Espíritos não só é de grande proveito, mas, diríamos, indispensável.)
“9.- O estado atmosférico pode de certo modo aumentar ou diminuir a intensidade do fluido e, portanto, a eficácia da magnetização (...)
(Esta observação não faz muito sentido por dois motivos:
quando lidamos com fluidos espirituais, estes não se comportam exactamente como os magnéticos, nem quando aplicados em sua forma mista;
por outro lado, magnetizadores contemporâneos comprovaram que tais estados atmosféricos não influem no magnetismo animal, como o evidência a acção da fluidoterapia a distância.)
“10.- A quantidade de fluido não é igual em todos os seres orgânicos, variando segundo as espécies, e não é constante, quer em cada indivíduo, quer nos indivíduos de uma espécie (...)
“11.- São extremamente variados os efeitos da acção fluídica sobre os doentes, de acordo com as circunstâncias.
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Re: O PASSE: SEU ESTUDO, SUAS TÉCNICAS, SUA PRÁTICA / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 27, 2018 11:57 am

Algumas vezes é lenta e reclama tratamento prolongado; doutras vezes é rápida, como uma corrente eléctrica.
(...) Os fluidos que emanam de uma fonte impura são quais substâncias medicamentosas alteradas.
“12.- A ligação entre o fluido magnético e os corpos que o recebem é tão íntima que nenhuma força física ou química pode destruí-lo.
Os reactivos químicos e o fogo nenhum efeito têm sobre ele (...)
(Mas o efeito da moralidade ou da falta dela são incontestáveis.)
“Donde se conclui que há muito pouca analogia entre os fluidos imponderáveis que os físicos conhecem e o fluido magnético.
“13.- Por último, não é demais repetir que o magnetismo ensaia os seus primeiros passos e que muito pouco sabemos sobre o seu principal veículo do fluido, e que só o estudo e a experimentação poderão um dia descortinar o vasto e ilimitado caminho a percorrer”127.
(Esta é a parte mais óbvia disso tudo, mas, infelizmente, poucos têm dado a atenção que é devida a tão fascinante estudo.)
Ao final, queremos ressalvar que nem tudo o que é bom e certo para o Magnetismo, como Ciência, o é igualmente para os passes, como prática espírita, pelo que vale termos em mente o cuidado para não tomarmos a especificidade daquele pelo geral das Leis deste, ou a generalidade do Magnetismo pelas particularidades do passe Espírita.

127 MICHAELUS. In “Magnetismo Espiritual”, cap. 6, pp. 46 a 50.


2. PERISPÍRITO
“Envolvendo o gérmen de um fruto, há o perisperma; do mesmo modo, uma substância que, por comparação, se pode chamar perispírito, serve de envoltório ao Espírito propriamente dito”
(Allan Kardec)128.

2.1 - Definição
Por ter sido o termo criado pelo Espiritismo, ninguém melhor que Kardec para o definir: perispírito
“(...) É o traço de união entre a vida corpórea e a vida espiritual.
É por seu intercâmbio que o Espírito encarnado se acha em relação contínua com os desencarnados;
é, em suma, por seu intermédio, que se operam no homem fenómenos especiais, cuja causa fundamental não se encontra na matéria tangível e que, por essa razão, parecem sobrenaturais.
(...) O perispírito é o órgão sensitivo do Espírito, por meio do qual este percebe coisas espirituais que escapam aos sentidos corpóreos.
(...) O Espírito vê, ouve e sente, por todo o seu ser, tudo o que se encontra na esfera de irradiação do seu fluido perispirítico”129 (grifos originais).
Deslindando as palavras de Kardec, Leon Denis nos diz que “O perispírito é, pois, um organismo fluídico;
é a forma preexistente e sobrevivente do ser humano, sobre a qual se modela o envoltório carnal, como uma veste dupla, invisível, constituída de matéria quintessênciada (...)”130
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Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 28, 2018 12:03 pm

Modernamente já existe uma busca de adaptação de termos para aplicar os conceitos espíritas de perispírito aos conhecimentos da Ciência (ou vice-versa) mas, como ocorreu quando estudávamos fluidos, ainda que a necessidade se faça sentida e mesmo reconhecendo que precisamos conhecer os porquês actuais que envolvem a questão, não carece modifiquemos nossa nomenclatura pois ela define para nós, com largueza, tudo aquilo que a Academia Parapsicológica chama de “corpo bioplásmico” (Escola russa) ou “modelo organizador biológico” (Escola brasileira), mesmo porque o corpo espiritual, como convencionou chama-lo André Luiz131, é um corpo maior que esses dois, os quais estão, diríamos, contidos nele.
Este, inclusive, é o raciocínio que inferimos das palavras do eminente Dr. Hernani Guimarães Andrade:
“O corpo bioplásmico dos soviéticos é o constituinte fronteiriço, material, fisiológico, capaz de sofrer a acção dos campos electrodinâmicos do corpo espiritual.
(...) Perispírito e corpo bioplásmico são, portanto, duas entidades distintas, embora conjugadas no processo biológico enquanto dura a vida orgânica”132.
Afinal, sem querermos aqui debater tais pesquisas e reconhecendo a seriedade com que elas se revestem e os frutos já razoavelmente amadurecidos que nos têm dado, a terminologia kardequiana nos soa mais agradável, mais familiar e mais abrangente.

128 KARDEC, Allan. Perispírito. In “O Livro dos Espíritos”, Parte 2ª, cap. 1, questão 93.
129 KARDEC, Allan. Os fluidos. In “A Génese”, cap. 14, item 22.
130 DENIS, Léon. O perispírito ou corpo espiritual. In “Depois da Morte”, cap. 21, pp. 174 e 175.
131 Vide introdução do livro “Evolução em Dois Mundos”.
132 ANDRADE, Hernani Guimarães. Corpo Bioplásmico e Perispírito. In “Espírito, Perispírito e Alma”, cap. 1, item Corpo espiritual, p. 10.

2.2 - O Que É
“135. Há no homem alguma outra coisa além da alma e do corpo?
“Há o laço que liga a alma ao corpo.
“a) De que natureza é esse laço?
“Semi-material, isto é, de natureza intermédia entre o Espírito e o corpo.
É preciso que seja assim para que os dois se possam comunicar um com o outro.
Por meio desse laço é que o Espírito actua sobre a matéria e reciprocamente”133.
Esse “laço” a que os Espíritos se reportam é o perispírito.
Ele, também chamado por Kardec de “corpo fluídico dos Espíritos”, “é um dos mais importantes produtos do fluido cósmico;
é uma condensação desse fluido em torno de um foco de inteligência ou alma”.
E continua:
“Já vimos que também o corpo carnal tem seu princípio de origem nesse mesmo fluido condensado e transformado em matéria tangível.
No perispírito, a transformação molecular se opera diferentemente, porquanto o fluido conserva a sua imponderabilidade e suas características etéreas”134.
No dizer de Jorge Andréa, ele é “um corpo subtil, extremamente poroso e plástico”135 mas, na síntese de Léon Denis, descobrimos mais informações:
“não é imutável; depura-se e enobrece-se com a alma; segue-a através das suas inumeráveis encarnações; com ela sobe os degraus da escada hierárquica, torna-se cada vez mais diáfano e brilhante para, em algum dia, resplandecer com essa luz radiante de que falam as Bíblias (antigas) e os testemunhos da História (...)”136.
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Re: O PASSE: SEU ESTUDO, SUAS TÉCNICAS, SUA PRÁTICA / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 28, 2018 12:03 pm

Tendo bebido parte de seus conhecimentos na mesma fonte, Gabriel Delanne assim se expressa:
“Alma e perispírito formam um todo indivisível, constituindo, no conjunto, as partes activa e passiva, as duas faces do princípio pensante.
O invólucro é a parte material, a que tem por função reter todos os estados de consciência, de sensibilidade ou de vontade; é o reservatório de todos os conhecimentos, e, como nada se perde na natureza, sendo o invólucro indestrutível, a alma tem memória integral quando se encontra no espaço.
“O perispírito é a ideia directora, o plano imponderável da estrutura orgânica.
É ele que armazena, regista, conserva todas as percepções, todas as volições e ideias da alma.
E não somente incrusta na substância todos os estados anímicos determinados pelo mundo exterior, como se constitui a testemunha imutável, o detentor indefectível dos mais fugidios pensamentos, dos sonhos apenas entrenstos e formulados.
“É, enfim, o guardião fiel, o acervo imperecível do nosso passado.
Em sua substância incorruptível, fixaram-se as leis do nosso desenvolvimento.
Tomando-o, por excelência. o conservador de nossa personalidade, por isso que nele é que reside a memória”137.
Bem se percebe que esta visão nada tem de periférica;
vai ao âmago da questão e amplia os campos de entendimento sobre tão fascinante “veículo”
Uma ressalva, contudo, merece ser considerada: existe uma linha de raciocínio que trata o perispírito como um “campo” restrito, uma unidade sem qualquer outra atribuição que não a de apenas e tão-só ligar, literalmente, o Espírito ao corpo.
Quem aprofunde seus estudos em Kardec, todavia, verá que sua síntese perfeita não se contrapõe a uma visão mais ampla do perispírito.
Buscando uma analogia, é vulgar se afirmar que no cérebro estão arquivadas as informações conscientes e inconscientes do homem.
Com isso expressamos uma “meia verdade” que, a nível de estudos e pesquisas científicas, é satisfatoriamente comprovada.
Daí, entretanto, a se querer dizer que é o cérebro que pensa, vai uma larga distância.
Bem se vê que quem assim se reporta está tratando do órgão em sua função intrínseca, pelo que se abstrai a evidência maior do ser pensante, o Espírito.
De outra forma, o perispírito, como o corpo, pertencem ao Espírito, e não este àqueles.
Por isso, mesmo sendo o mais certo se afirmar categoricamente que o Espírito é o único detentor de todas as potencialidades e arquivos de sua individualidade espiritual, não estamos necessariamente errados quando atribuímos ao perispírito - e ao corpo - capacidades e funções que, em essência, são da Matriz, do “gérmen”, do Espírito, pois que são viabilizadas pelas funções destes.
É nesse sentido que entendemos e concordamos com as atribuições essencialmente espirituais designadas ao corpo espiritual.
Exemplificando, tomemos algumas palavras do Espírito Emmanuel em seu livro “Dissertações Mediúnicas”, as quais atribuem certas funções ao perispírito, e que podem ser bem assimiladas dentro, da característica que frisamos:
“O ORGANISMO FLUÍDICO, caracterizado por seus elementos imutáveis, é o assimilador das forças protoplásmicas, o mantenedor da aglutinação molecular que organiza as configurações típicas de cada espécie, incorporando-se, átomo a átomo, à matéria do germe e dirigindo-a, segundo a sua natureza particular”.
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Re: O PASSE: SEU ESTUDO, SUAS TÉCNICAS, SUA PRÁTICA / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 28, 2018 12:03 pm

“O CORPO ESPIRITUAL não retém somente a prerrogativa de constituir a fonte da misteriosa força plástica da vida, a qual opera a oxidação orgânica; é também ele a sede das faculdades, dos sentimentos, da inteligência e, sobretudo, o santuário da memória, em que o ser encontra os elementos comprobatórios da sua identidade, através de todas as mutações e transformações da matéria”.
“É ainda, pois, ao CORPO ESPIRITUAL que se deve a maravilha da memória, misteriosa chapa fotográfica, onde tudo se grava, sem que os menores coloridos das imagens se confundam entre si”.
“É, pois, o CORPO ESPIRITUAL a alma fisiológica, assimilando a matéria ao seu molde, à sua estrutura, afim de materializar-se no mundo palpável”138.

Fazendo rápidos comentários, vimos que:
1. O perispírito é mutável, posto que evolucionário e adaptável a cada orbe; portanto, quando Emmanuel fala de “seus elementos imutáveis”, refere-se ele aos caracteres adquiridos pelo Espírito ao longo de sua evolução, e estabilizados na “forma fluídica” para efeito de plasmagem do corpo psicofísico.

2. O perispírito provém do fluido cósmico, pelo que é material; por ser material, não pode produzir o pensamento, atributo do Espírito.
Pode, todavia, arquivá-lo, assim como uma fita magnética grava vozes, sons, imagens, dados, etc.
Quando, portanto, Emmanuel lhe atribui capacidades de arquivos e sede, com certeza se refere às características do Espírito se reflectindo no perispírito, já que este é o veiculador das actividades e potencialidades daquele outro;
seria o perispírito uma espécie de “videogravador” do Espírito.

3. Não há discordância entre o que Emmanuel e muitos outros dizem do perispírito, com o que registou Kardec na Codificação;
quando Emmanuel se reporta ao corpo espiritual como “a alma fisiológica” do Espírito, deixa claro, seu entendimento funcional do perispírito.

As palavras do assistente Calderaro, na importante obra “No Mundo Maior”, só fazem sentido se observarmos as particularidades do perispírito segundo uma óptica mais rica e pormenorizada:
“Esse organismo, constituído, embora, de elementos mais plásticos e subtis, ainda é edifício material de retenção da consciência”139.

133 KARDEC, Allan. A Alma. In “O Livro dos Espíritos”, Parte 2ª.
134 KARDEC, Allan. Os fluidos. In “A Génese”, cap. 14, item 7.
135 ANDRÉA, Jorge. Perispírito ou Psicossoma. In “Correlação Espírito Matéria”, pp. 19 a 23.
136 DENIS, Leon. O perispírito ou corpo espiritual. In “Depois da Morte”, cap. 21, p. 175.
137 DELANNE, Gabriel. A vida, resumo. In “Evolução Anímica”, cap. 1, p. 55.
138 JORGE, José. In “Antologia do Perispírito”, p. 160.
139 XAVIER, Francisco Cândido. Mediunidade. In “No Mundo Maior”, cap. 9, p. 128.

2.2.1 - Como Tem Sido Conhecido e Chamado
O Espírito Joanna de Ângelis nos apresenta um resumo histórico deste tema, de quem tomaremos nossas informações:
“Conhecido pelos estudiosos, desde a mais remota antiguidade, há sido identificado numa gama de rica nomenclatura, conforme as funções que lhe foram atribuídas, nos diversos períodos que duravam as investigações.
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Re: O PASSE: SEU ESTUDO, SUAS TÉCNICAS, SUA PRÁTICA / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 28, 2018 12:03 pm

“Desde as apreciáveis lições do Vedanta quando apareceu como Manu, maya e Kosha, era conhecido no Budismo esotérico por Kama-rupa, enquanto no Hermetismo egípcio surgiu na qualidade de Kha, para avançar, na Cabala hebraica, como manifestação de Rouach. Chineses, gregos e latinos tinham conhecimento da sua realidade, identificando-o seguramente.
Pitágoras, mais afeiçoado aos estudos metafísicos, nominava-o carne subtil da alma, e Aristóteles, na sua exegese do complexo humano, considerava-o corpo subtil e etéreo.
Os neoplatónicos, de Alexandria, dentre os quais Orígenes, o pai da doutrina dos Princípios, identificava-o como aura;
Tertuliano, o gigante inspirado da Apologética, nele vai o corpo vital da alma, enquanto Proclo o caracterizava como veículo da alma, definindo cada expressão os atributos de que o consideravam investido.
“Na cultura moderna, Paracelso, no século XVI, detectou-o sob a designação de corpo astral, reflectindo as pesquisas realizadas no campo da Química e no estudo paralelo da Medicina com a Filosofia, em que se notabilizou Leibniz, logo depois, substituindo os conceitos panteístas de Spinoza pela teoria dos “átomos espirituais ou mónadas”, surpreendeu-o, dando-lhe a denominação de corpo fluídico.
“(...) Perfeitamente consentâneo aos últimos descobrimentos, nas experiências de detecção por efluvioscopia e efluviografia, denominado corpo bioplásmico, o Apóstolo Paulo já o chamava corpo espiritual, conforme escreveu aos coríntios (I epístola, 15:44), corpo corruptível. logo depois, na mesma Epístola, v. 53, ou alma, na exortação aos companheiros da Tessalónica (I Epístola. 5:23), sobrevivente à morte”140 (grifos originais).

2.2.2 - Sua Formação
“8. - Do meio onde se encontra é que o Espírito extrai o seu perispírito, isto é, esse envoltório ele o forma dos fluidos ambientes. (...)

“9.- A natureza do envoltório fluídico está sempre em relação com o grau de adiantamento moral do Espírito.
Os Espíritos inferiores não podem mudar de envoltório a seu bel-prazer, pelo que não podem passar, à vontade, de um mundo para outro (...).

“10.- A camada de fluidos espirituais que cerca a Terra se pode comparar às camadas inferiores da atmosfera, mais pesadas, mais compactas, menos puras, do que as camadas superiores.
(...) Os efeitos que esses fluidos produzem estarão na razão da soma das partes puras que eles encerram. (...)

“Os Espíritos chamados a viver naquele meio tiram deles seus perispíritos;
porém, conforme seja mais ou menos depurado o Espírito, seu perispírito se formará das partes mais puras ou das mais grosseiras do fluido peculiar ao mundo onde ele encarna.
O Espírito produz aí, sempre por comparação e não por assimilação, o efeito de um reactivo químico que atrai a si as moléculas que a sua natureza pode assimilar.
“Resulta disso este facto capital: a constituição íntima do perispírito não é idêntica em todos os Espíritos encarnados ou desencarnados que povoam a Terra ou o espaço que a circunda.
O mesmo já não se dá com o corpo carnal(...)
“Também resulta que:
o envoltório perispirítico de um Espírito se modifica com o progresso moral que este realiza em cada encarnação, embora ele encarne no mesmo meio;
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Re: O PASSE: SEU ESTUDO, SUAS TÉCNICAS, SUA PRÁTICA / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 28, 2018 12:04 pm

que os Espíritos Superiores, encarnados excepcionalmente em missão, num mundo inferior, têm perispírito menos grosseiro do que o dos indígenas desse mundo”141 (grifos originais).
Estas conclusões de Kardec demonstram a profundidade com que se reveste o assunto.
Vale reflectirmos nas extensões daí decorrentes.

140 FRANCO, Divaldo Pereira. Perispírito. In “Estudos Espíritas”, cap. 4, pp. 40 e 41.
141 KARDEC, Allan. Os fluidos. In “A Génese”, cap. 14, item 7.

2.3 - Três Particularidades
Dentro de um universo de particularidades que envolvem o perispírito, três merecem detenhamos um pouco nossa atenção.

2.3. 1 - O Cordão Fluídico
Toda literatura religiosa de todos os povos tem registos de um “cordão de prata” que liga o Espírito ao corpo, normalmente só visível em ocasião de desprendimentos ou desligamentos.
O que seria então esse cordão, seria uma outra coisa que não o perispírito?
A lógica e as evidências nos têm demonstrado que se trata de uma particularidade do perispírito.
O cordão fluídico funciona, para nos servirmos de uma comparação, como o cordão umbilical para o feto.
É um “laço” prendendo o corpo espiritual ao corpo físico, só que extremamente flexível e expansível, o qual serve para manter o Espírito jungido ao corpo.
Tanto que, dito cordão serve para nos identificar no plano espiritual como encarnados quando para ali vamos em “desprendimento”.
Esta, inclusive, é uma observação do próprio Kardec, que acrescenta:
“Por meio dessa comunicação entre o Espírito e o corpo, é que aquele recebe aviso, qualquer que seja a distância a que se ache do segundo, da necessidade que este possa experimentar da sua presença, caso em que volta ao seu invólucro com a rapidez do relâmpago.
Daí resulta que o corpo não pode morrer durante a ausência do Espírito e que não pode acontecer que este, ao regressar, encontre fechada a porta, conforme hão dito alguns romancistas (...)”142
Kardec faz dois registos bem interessantes:
“Meu Espírito se destaca um pouco de meu corpo, mas é como um balão cativo, preso pelas cordas.
Quando o balão recebe solavancos, produzidos pelo vento, o poste onde está amarrado sente a comoção dos abalos, transmitidos pelas amarras.
Meu corpo representa o poste para o meu Espírito, com a diferença que experimenta sensações desconhecidas do poste e que tais sensações fatigam bastante o cérebro”.
(Resposta dada por um Espírito encarnado evocado, sobre a questão do sofrimento do corpo. )
Depois ele relata que havia na Inglaterra “(...) um médium vidente, dotado de grande força que, toda vez que se apresentava o Espírito de um vivo, notava um fio luminoso, partindo do peito, através do espaço, não interrompido por qualquer obstáculo material, e que ia terminar no corpo; era uma espécie de cordão umbilical, que unia as duas partes momentaneamente separadas do ser vivo.
Nunca o observou quando não havia vida corpórea.
Era assim que reconhecia se o Espírito era de um morto ou de um vivo”143.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 28, 2018 12:04 pm

No Antigo Testamento também temos evidências:
“Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias (...)
“(...) Antes que se rompa o fio de prata. e se despedace o copo de ouro, e se quebre o cântaro, junto à fonte, e se desfaça a toda junto ao poço, “e o pó volte a terra, como o era (...)”144 (grifamos).
Parece muito clara a referência ao cordão fluídico.

142 KARDEC, Allan. Da bicorporeidade e da transfiguração. In “O Livro dos Médiuns”, 2ª Parte, cap. 7, item 118.
143 LIGAÇÃO ENTRE espírito e corpo. “Revista Espírita”, maio 1859, pp. 139 e 140.
144 Eclesiastes, 12, vv. 1, 6 e 7.

2.3.2 - O Duplo Etérico
Quando o Dr. Jorge Andréa estuda o perispírito no seu “Forças Sexuais da Alma”, considera que “Não poderíamos deixar de aventar as possibilidades da existência de um campo energético apropriado.
entre o perispírito e o corpo físico, o duplo etérico.
Seria uma zona vibratória ocupando posição de destaque em face dos fenómenos conhecidos de materialização.
Acreditamos que o campo energético dessa zona, em suas expansões com a do perispírito, se entrelace nas irradiações do campo físico e forneça excelente material na formulação dos fenómenos psicocinéticos e outros tantos dessa esfera parapsicológica.
Com isso, poderíamos explicar muitas das curas que os chamados passes magnéticos podem propiciar, em autênticas transfusões de energias - expansões da aura humana”145.
Concordamos com sua hipótese, aditando que podemos considerar o duplo etérico como uma extensão do perispírito e não necessariamente um agente destacado e independente daquele;
seria como que uma das “capas” do perispírito que, por suas funções de interligação do perispírito propriamente dito com o corpo físico, retém uma maior quantidade fluídica de consistência oganomolecular (fisiológica) que psíquica.
Entretanto, não queiramos inferir daí que ele seja mais corpo que perispírito ou vice-versa;
ele é um campo mais denso que o perispiritual por onde as energias espirituais se “condensam” em direcção ao corpo, e, de forma reversa, recebe os impulsos físicos, processando uma reconversão para os sentidos psíquicos e direccionando-os aos arquivos perispiríticos, mentais, inconscientes e espirituais.
Pela origem esotérica do termo e do facto de Kardec não ter tratado directamente deste “campo”, surgem algumas opiniões refractadas à hipótese, mas, que ela é bem plausível e sinaliza com grandes possibilidades de perquirição e demonstração, isto é inegável.
Tanto que poderíamos inferir que os Espíritos da Codificação a ele se referiam quando afirmaram:
“Acompanha os que da Terra partem, sobretudo os que alimentaram paixões bem acentuadas, uma espécie de atmosfera que os envolve, conservando-lhes o que têm de mau, por não se achar o Espírito inteiramente desprendido da matéria”146 (grifamos), e completam adiante147:
“Pelo simples facto de haver deixado o corpo, o Espírito não se acha completamente desprendido da matéria e continua a pertencer ao mundo onde acabou de viver (...)”.
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Re: O PASSE: SEU ESTUDO, SUAS TÉCNICAS, SUA PRÁTICA / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 28, 2018 12:04 pm

Como se vê, não há aí uma referência directa ao perispírito, senão através de uma de suas particularidades, com uma conotação muito própria.
No nosso entender, o duplo etérico.
A Teosofia atribui ao duplo etérico duas funções principais148:
a de absorver o Prâna (fluido vital), enviando-o a todas as regiões do corpo físico, e a de servir de intermediário entre o corpo físico e o corpo astral (perispírito?).
Seria ainda nele, segundo essa Escola, que se encontraram localizados os “centros de força”
Há quem considere o duplo etérico apenas como uma das expressões da aura.
O Dr. Kilner nos leva a crer que ele seja uma das partes desta, a mais interna, posto que ele subdivide a aura em três partes:
duplo etérico, aura interna e aura externas149, afirmando que o duplo etérico constitui-se de uma camada escura, transparente e uniforme, rodeando o corpo físico, com espessura aproximada de 0,5 1,0 cm.
Já a aura interna é a camada mais densa, com espessura de 10 a 15 cm, enquanto a aura externa começa logo após a interna e estende-se até cerca de 20 a 25 cm a contar da superfície do corpo.
Estas medidas são padrões médios, podendo haver variações, sendo que as duas últimas camadas podem ser fundidas e comporem um único “clarão”.
Alguns também assinalam uma quarta camada áurica, a qual é igualmente externa e muito ténue e difusa, conhecida como a Ultra Exterior150.
Apesar dessas colocações, não iremos considerar o duplo etérico como uma simples emanação áurica ou mero estado profundo daquele campo, mas um verdadeiro campo energético, ao qual a Literatura Espírita tão bem conceituou, na palavra de André Luiz, na figura do “corpo vital”
Presentemente, não investigaremos as particularidades desse campo pois fugiríamos do propósito do presente registo, porém, reconhecemos a necessidade de se aprofundar os conhecimentos sobre tal assunto pois por seu intermédio não apenas elucidaríamos muitas das dúvidas que nos absorvem os questionamentos advindos da própria fluidoterapia, como do fenómeno vital e de certas questões da “morte”, tais como:
como se dá, tecnicamente, o sofrimento dos suicidas, dos que morrem pela eutanásia;
por que pessoas acidentadas não padecem os mesmos sintomas dos suicidas;
o que e como Espíritos inferiores vampirizam nossas energias;
o que se passa com os perispíritos dos abortados; etc.

145 ANDREA, Jorge. Perispírito ou psicossoma. In “Forças Sexuais da Alma”, cap. 1, pp. 36 e 37.
146 KARDEC, Allan. In “O Livro dos Espíritos”, 2ª Parte, cap. 6, questão 229.
147 KARDEC, Allan. In “O Livro dos Espíritos”, 2ª Parte, cap. 6, questão 232.
148 POWELL, Arthur E. Descrição geral. In “O Duplo Etérico”, cap. 1, pp. 13 e 35.
149 POWELL, Arthur E. Descrição geral. A obra do Dr. Walter J. Kilner. In “O Duplo Etérico”, cap. 21, p. 124.
150 Veja-se 'Espírito, Perispírito e Alma', cap. 3, “Perispírito e Alma da Individualidade”, p. 66.

2.3.3 - A Aura
Comecemos com André Luiz:
“(...) É claramente compreensível que todas as agregações celulares emitam radiações e que essas radiações se articulem, através de sinergias funcionais, a se constituírem de recursos que podemos nomear por “tecidos de força”, em torno dos corpos que as exteriorizam.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 28, 2018 12:04 pm

“Todos os seres vivos, por isso, dos mais rudimentares aos mais complexos, se revestem de um “halo energético” que lhes corresponde a natureza.
“No homem, contudo, semelhante projecção surge profundamente enriquecida e modificada pelos factores do pensamento contínuo que, em se ajustando às emanações do campo celular, lhe modelam, em derredor da personalidade, o conhecido corpo vital ou duplo etéreo de algumas escolas espiritualistas, duplicata mais ou menos radiante da criatura.
“(...) Aí temos, nessa conjugação de forças físico-químicas e mentais, a aura humana, peculiar a cada indivíduo, interpenetrando-o, ao mesmo tempo que parece emergir dele, à maneira de campo ovóide, não obstante a feição irregular em que se configura, valendo por espelho sensível em que todos os estados da alma se estampam com sinais característicos e em que todas as ideias se evidenciam, plasmando telas vivas (...)
“Fotosfera psíquica, entretecida em elementos dinâmicos, atende a cromática variada, segundo a onda mental que emitimos, retratando-nos todos os pensamentos em cores e imagens que nos respondem aos objectivos e escolhas, enobrecedores ou deprimentes”.
“(...) A aura é, portanto, a nossa plataforma omnipresente em toda comunicação com as rotas alheias, antecâmara do Espírito, em todas as nossas actividades de intercâmbio com a vida que nos rodeia, através da qual somos vistos e examinados pelas Inteligências Superiores, sentidos e reconhecidos pelos nossos afins, e temidos e hostilizados ou amados e auxiliados pelos irmãos que caminham em posição inferior a nossa.
“Isso porque exteriorizamos (...) o reflexo de nós mesmos, nos contactos do pensamento a pensamento, sem necessidade das palavras para as simpatias ou repulsões fundamentais”151. (Grifamos)

Notemos alguns pontos:
1. André Luiz não classifica as emanações dos seres não humanos como “auras”, mas, de “halo energético”, constituído por “tecidos de força”, assim sinalizando-nos sensível diferença entre as irradiações humanas das dos demais reinos terrenos.

2. No homem, portanto, além das irradiações celulares, vigem as decorrentes do pensamento, da actividade mental contínua do ser, impondo variações tonais e estruturais as mesmas.

3. Por ser nossa irradiação emitida directamente ao meio externo, por nossa aura comunicamos ao mundo, material e espiritual, nossa faixa de vibração; não é ela, contudo, Espírito ou perispírito;
apenas emanação deste último, como ressonância do duplo etérico ou “corpo vital”, com impregnações morais do primeiro, e orgânicas do corpo.

4. Quando ela é detectada, mostramo-nos exactamente como e o que somos - física, psíquica e moralmente —, e não o que queremos ser.
Em face da comunhão entre as projecções físicas e psíquicas registadas na aura, só poderíamos esperar que sua variedade, em todos os sentidos, fosse demasiadamente grande.

Para se ter uma ideia, nos regista Keith Sherwood que “O Conselho Britânico de Cores catalogou as cores da aura e descobriu 1.400 tons de azul; 1.000 matizes de vermelho; mais de 1.400 tons de marrom; mais de 80 tons de verde; 55 laranja; 36 matizes de violeta; e mais 12 tons de branco”, mostrando-nos, assim, a que fascinante variedade de cores está submetida a aura.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 28, 2018 12:05 pm

Continua Sherwood no mesmo texto:
“É aceite entre os pesquisadores que têm estudado a aura que ela tem uma forma mais ou menos oval e segue o perfil do corpo humano, ainda que haja variações.
Pessoas com maior vitalidade terão uma aura mais forte e consequentemente ela se estenderá para o corpo físico.
Assim, a composição da aura varia de pessoa para pessoa.
A textura, bem como a cor e o tamanho, parece indicar a disposição de uma pessoa.
A textura geralmente revela o carácter da pessoa, enquanto a forma e a cor demonstram sua saúde e condições emocionais”152 (Grifamos).

Mas, ao contrário do que possa parecer, a aura não é uma parafernália desorganizada;
seu estudo requer seriedade e profundidade pois, a partir dele, chegaremos a grandes conclusões, como as que foram expressadas acima, ou outras, como as compiladas pelo Dr. Jorge Andréa:
“Os tecidos doentes mostram sempre uma aura turva, como no caso dos tumores degenerativos;
o tecido sadio está sempre Iímpido.
Tem-se observado que nas pequenas modificações, manchas ou turvações, em auras de indivíduos considerados sadios, com o tempo a doença se instala na zona física.
Isto fez que se pensasse que a maioria das doenças físicas teria origem nas desestruturações dos campos perispirituais e, o que é mais importante, poderiam ser anotadas antes de sua instalação nas células da zona material”.

O mesmo Jorge Andréa, do alto de suas conclusões, vaticina:
“Dia haverá em que as biópsias serão coisas do passado (...)153.
Concluindo, além de pesquisas puramente físicas e laboratoriais, outros métodos de estudo da aura são conhecidos, entre os quais destacamos o “tacto-magnético” e a vidência mediúnica.

Quanto ao primeiro. veja-se detalhes adiante no capítulo VIII;
no tocante à vidência, mesmo reconhecendo sua importância nas pesquisas mediúnicas, fazemos uma ressalva, usando as palavras do Prof. Herculano Pires:
“A leitura da aura é uma técnica de avaliação das condições espirituais das pessoas através da vidência.
Mas é ponto pacífico no Espiritismo que a vidência não oferece nenhuma condição de segurança para servir de instrumento de pesquisa.
(...) Não há, até o momento, nenhum meio científico de se verificar objectivamente os graus de percepção mediúnica ou o grau de espiritualidade de uma pessoa.

Além disso, o vidente que examina a aura de alguém sofre as mesmas variações provenientes da instabilidade psi-orgânica e emocionais”154 (grifos originais).
Acrescentamos que, além das observações com fins mediúnicos como foram abordadas, insere-se igual raciocínio sobre as repercussões da saúde orgânica e psíquica do vidente, no fenómeno.

151 XAVIER, Francisco Cândido e VIEIRA, Waldo. Mediunidade e corpo espiritual. In “Evolução em Dois Mundos”, cap. 17, itens Aura humana e Mediunidade inicial, pp. 129 e 130.
152 SHERWOOD, Keith. A diagnose da cura e a aura. In “A arte da cura Espiritual”, cap. 10, item As características da aura, p. 114.
153 ANDRÉA, Jorge. Reflexões sobre o campo organizador da forma. In “Enfoques Científicos na Doutrina Espírita”, p.33.
154 PIRES, Herculano. Grau de mediunidade. In “Mediunidade (vida e comunicação)”, cap. 13, p. 111.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 28, 2018 12:05 pm

2.4 - Propriedades do Perispírito
O perispírito, por sua textura, organização, flexibilidade e expansibilidade, fornece inúmeras condições de acção ao Espírito, mesmo quando encarnado, condições essas que podemos chamar de propriedades do perispírito, sem, com isso, desconhecermos que o propulsor de toda e qualquer acção é o Espírito.
Para que essas propriedades se tornem evidentes, necessário se atenda às leis dos fluidos, no que tange as suas condições de afinidade, quantidade necessária e qualidade dos fluidos, além de, em alguns casos, o conhecimento e a elevação moral da parte do Espírito que “manuseia” tais fluidos.
Sinteticamente, teríamos:
2.4.1 - Aparições
Nos diz Allan Kardec: “Por sua natureza e em seu estado normal, o perispírito é invisível (...).
Pode ele sofrer modificações que o tornem perceptível à vista, quer por meio de uma espécie de condensação, quer por meio de uma mudança na disposição de suas moléculas.
Aparece-nos então sob uma forma vaporosa.
“A condensação (...) pode ser tal que o perispírito adquira as propriedades de um corpo sólido e tangível, conservando, porém, a possibilidade de retomar instantaneamente seu estado etéreo e invisível (...)
“(...) Não basta que o Espírito queira mostrar-se;
não basta tampouco que uma pessoa queira vê-lo;
é necessário que os dois fluidos possam combinar-se, que entre eles haja uma espécie de afinidade e também, porventura, que a emissão do fluido da pessoa seja suficientemente abundante para operar a transformação do perispírito e, provavelmente, que se verifiquem ainda outras condições que desconhecemos”155.

155 KARDEC. Allan. Das manifestações visuais. In “O Livro dos Médiuns”. 2ª Parte. cap. 6, item 105.

2.4.2 - Tangibilidade
Assevera Kardec:
“Conforme o grau de condensação do fluido perispirítico (...) pode, mesmo, chegar, até, à tangibilidade real, ao ponto de o observador se enganar com relação à natureza do ser que tem diante de si”156.

156 KARDEC, Allan. Os fluidos. In “A Génese”, cap. 14, item 35, Aparições, - Transfigurações.

2.4.3 - Transfiguração
“O perispírito das pessoas vivas goza das mesmas propriedades que o dos Espíritos.
(...) O daquelas não se acha confinado no corpo: irradia e forma em torno deste uma espécie de atmosfera fluídica.
Ora, pode suceder que, em certos casos e dadas as mesmas circunstâncias, ele sofra uma transformação (...):
a forma real e material do corpo se desvanece sob aquela camada fluídica, se assim nos podemos exprimir, e toma por momentos uma aparência inteiramente diversa, mesmo a de outra pessoa ou a do Espírito que combina seus fluidos com os do indivíduo (...)
“O fenómeno da transfiguração pode operar-se com intensidades muito diferentes, conforme o grau de depuração do perispírito, grau que sempre corresponde ao da elevação moral do Espírito.
Cinge-se às vezes a uma simples mudança no aspecto geral da fisionomia, enquanto que doutras vezes dá ao perispírito uma aparência luminosa e esplêndida”.157 (Allan Kardec)

157 KARDEC. Allan. Manifestações dos Espíritos. In “Obras Póstumas”, item 22.
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Re: O PASSE: SEU ESTUDO, SUAS TÉCNICAS, SUA PRÁTICA / Jacob Melo

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