O PASSE: SEU ESTUDO, SUAS TÉCNICAS, SUA PRÁTICA / Jacob Melo

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Re: O PASSE: SEU ESTUDO, SUAS TÉCNICAS, SUA PRÁTICA / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 03, 2018 11:00 am

Nós (...) sustentamos que a vontade é uma faculdade do Espírito;
que ela existe positivamente como potência; que sua acção se revela claramente na esfera do corpo e que pode mesmo projectar à distância sua energia.
(...) Esse poder da alma sobre o corpo pode chegar até a vencer a enfermidade.
Muitas vezes, uma vontade enérgica consegue restabelecer a saúde (...)” (Gabriel Delanne)240.
Voltemos a Kardec: “O Sr. Jacob, não tocando no doente, não fazendo mesmo nenhum passe magnético, o fluido não pode ter por motor e propulsor senão a vontade”241.
“Mas se a vontade for ineficaz quanto ao concurso dos Espíritos, é omnipotente para imprimir ao fluido, espiritual ou humano, uma boa direcção e uma energia maior.
No homem mole, distraído, a corrente é mole, a emissão é fraca;
o fluido espiritual pára nele, mas sem que o aproveite;
no homem de vontade enérgica, a corrente produz o efeito de uma duche.
Não se deve confundir vontade enérgica com teimosia, porque esta é sempre resultado do orgulho ou do egoísmo, ao passo que o mais humilde pode ter a vontade do devotamento”242 (grifos originais).
Noutro momento, Kardec transcreve uma mensagem de Mesmer, Espírito:
“Existindo no homem a vontade em diferentes graus de desenvolvimento, em todas as épocas tanto serviu para curar, quanto para aliviar.
(...) A vontade tanto desenvolve o fluido animal quanto o espiritual, porque, todos sabeis agora, há vários géneros de magnetismo. e o magnetismo espiritual que, conforme a ocorrência, pode pedir apoio ao primeiro”243.
Observemos o que diz Paulo, apóstolo, em mensagem psicografada:
“Uma palavra sobre os médiuns curadores...
Que, ao empregarem sua faculdade, a prece, que é a vontade mais forte, seja sempre o seu guia, seu ponto de apoio.
Em toda a sua existência, o Cristo vos deu a mais irrecusável prova da vontade mais firme; mas era a vontade do bem e não a do orgulho.
Quando, por vezes, dizia eu quero, a palavra estava cheia de unção (...)”244 (grifos originais).
É de se admirar e reconhecer toda pujança presente numa vontade pura;
sedimentada no amor vivido e exemplificado, torna-se uma vontade verdadeiramente divina.
Eis o que o Cristo nos ensinou; eis o que Paulo nos lembra!
Léon Denis, com sua síntese, nos concede outra jóia de raciocínio:
“A vontade de aliviar, de curar, comunica ao fluido magnético propriedades curativas”245.
Ao que André Luiz acrescenta:
“Pelo passe magnético (...), notadamente naquele que se baseie no manancial da prece, a vontade fortalecida no bem pode soerguer a vontade enfraquecida de outrem para que essa vontade novamente ajustada à confiança magnetize naturalmente os milhões de agentes microscópicos a seu serviço, a fim de que o Estado Orgânico, nessa ou naquela contingência, se recomponha para o equilíbrio indispensável”246.
E, sendo mais explícito ainda, ratifica dizendo:
“Temos, assim, as variadas províncias celulares sofrendo o impacto constante das radiações mentais, a lhes absorverem os princípios de acção e reacção desse ou daquele teor, pelos quais os processos da saúde e da enfermidade, da harmonia e da desarmonia são associados e desassociados, conforme a direcção que lhes imprima a vontade”247, complementando que “O processo de socorro pelo passe é tanto mais eficiente quanto mais intensa se faça a adesão daquele que lhe recolhe os benefícios, de vez que a vontade do paciente, erguida ao limite máximo de aceitação, determina sobre si mesmo mais elevados potenciais de cura.
“Nesse estado de ambientação, ao influxo dos passes recebidos, as oscilações mentais do enfermo se condensam, mecanicamente, na direcção do trabalho restaurativo, passando a sugeri-lo às entidades celulares do veículo em que se expressam, e os milhões de corpúsculos do organismo fisiopsicossomático tendem a obedecer, instintivamente, às ordens recebidas, sintonizando-se com os propósitos do comando espiritual que os agrega”248.
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Ave sem Ninho

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Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 03, 2018 11:01 am

Em outra oportunidade, este Espírito correlaciona a mente, o corpo, o perispírito e a vontade, numa panorâmica de inexcedível profundidade:
“Tomando (...) o sistema cerebral por gabinete administrativo da mente, reconheceremos sempre que a conduta do corpo espiritual está submetida ao governo da nossa vontade”249.
E não apenas isso;
a “corrente de partículas mentais exterioriza-se de cada Espírito com qualidade de indução mental, tanto maior quanto mais amplos se lhe evidenciem as faculdades de concentração e o teor de persistência no rumo dos objectivos que demande.
“(...) No reino dos poderes mentais (...), a corrente mental é susceptível de reproduzir as suas próprias peculiaridades em outra corrente mental que se lhe sintonize.
(...) O fenómeno obedece à conjugação de ondas, enquanto perdure a sustentação do fluxo energético.
“Compreendemos (...) que a matéria mental é o instrumento subtil da vontade, actuando nas formações da matéria física, gerando as motivações de prazer ou desgosto, alegria ou dor, optimismo ou desespero, que não se reduzem efectivamente a abstracções, por representarem turbilhões de força em que a alma cria os seus próprios estados de mentação indutiva, atraindo para si mesma os agentes (por enquanto, imponderáveis na Terra) de luz ou sombra, vitória ou derrota, infortúnio ou felicidade”250.
Quanto à ausência da vontade, partindo da premissa de que quem não confia no que faz não tem boa vontade sobre o que quer:
“A falta de confiança, diz Aubin Gauthier, faz o timorato;
teme-se o efeito magnético, em vez de o desejar;
ele se apresenta, é recebido com inquietação;
os efeitos imprevistos enchem de pasmo o incrédulo, ou impelem a imprudências e exageros, que não se danam em havendo directrizes a reflexão, o critério e a experiência”251.
Concluímos generalizando, por extensão de tudo o que vimos, que só seremos bons passistas se, além dos caracteres anteriormente já analisados, possuirmos uma vontade firme e activa, a qual é construída com acção e vivência consciente, e não só com palavras.

233 KARDEC, Allan. Do laboratório do mundo invisível. In “O Livro dos Médiuns”, cap. 8, item 131.
234 KARDEC, Allan. Dos médiuns. In “O Livro dos Médiuns”, cap. 14, item 176, questão 2ª.
235 Veja-se “O Livro dos Espíritos”, questão 459, a ser comentada no capítulo VII.
236 MALIK, Malcom. El arte de magnetizar. In “El Art de Magnetizar al Alcance de Todos”, pp. 85 e 86.
237 ROCHAS, Albert De. In “Exteriorização da Sensibilidade”, Nota “L”, p. 206.
238 SHERWOOD, Keith. A enfermidade mental. In “A Arte da Cura Espiritual”, cap. 4, p.41.
239 TURNBULL, V. Lição 18. In “Curso de Magnetismo Pessoal”, p. 85.
240 DELANNE, Gabriel. In “A Alma é Imortal”, Quarta Parte, pp. 289 a 293.
241 O ZUAVO, Jacob. “Revista Espírita”, nov. 1867, p. 346.
242 Da mediunidade curadora. “Revista Espírita”, set. 1865, p. 253.
243 Médiuns curadores. “Revista Espírita”, jan. 1864, p. 7.
244 Médiuns curadores, Ibidem. p. 8.
245 DENIS, Léon. A força psíquica. Os fluidos. O magnetismo. In “No Invisível”, 2ª parte, cap. 15, p. 181.
246 XAVIER, Francisco Cândido e VIEIRA, Waldo. Passe magnético. In “Evolução em Dois Mundos”, 2ª Parte, cap. 15, p. 203.
247 XAVIER, Francisco Cândido e VIEIRA, Waldo. Mediunidade curativa. In “Mecanismos da Mediunidade”, cap. 22, item Mente e psicossoma, p. 144.
248 XAVIER, Francisco Cândido e VIEIRA, Waldo. Mediunidade curativa. In “Mecanismos da Mediunidade”, item Vontade do paciente, p. 148.
249 XAVIER, Francisco Cândido e VIEIRA, Waldo. Mecanismos da mente. In “Evolução em Dois Mundos”, cap. 16, item Secção da medula, pp. 121 e 122.
250 XAVIER, Francisco Cândido e VIEIRA, Waldo. Matéria mental. In “Mecanismos da Mediunidade”, cap. 4, item Indução mental, pp. 43 e 44.
251 MICHAELUS. In “Magnetismo Espiritual”, cap. 10, p. 85.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 03, 2018 11:01 am

2. QUEM RECEBE
Basicamente, dois são os personagens que se interligam no mecanismo do passe: o receptor e o doador.
Por isso, o sucesso ou o insucesso de um tratamento fluidoterápico depende, directamente, do comportamento deles.
Este é, sem dúvida, um raciocínio genérico, haja vista sabermos que vários factores influem no processo, os quais nem ao menos se limitam à esfera material.
Esses outros factores serão objecto de estudo em momento próprio.
No momento, veremos quem recebe.
Sabemos que não apenas nós, os encarnados, recebemos os benefícios do passe.
Quem tenha participado de reunião de desobsessão ou mesmo procedido leitura criteriosa das obras da Codificação e suas subsidiárias, há de ter comprovado que os Espíritos desencarnados igualmente se beneficiam desse bálsamo divino, tanto directamente dos Espíritos quanto com a ajuda dos encarnados.
Contudo, como nos dirigimos precisamente aos encarnados, não consideraremos esta outra evidência neste item, pois a questão que ora nos diz respeito é mais atinente ao nosso plano físico e suas consequências neste.
Como faremos nossas colocações de forma didáctica, ressaltamos que alguns tópicos serão analisados sem levar em consideração outras evidências;
contudo, sempre as mencionaremos pois, de facto, não serão desprezadas, senão destacadas para um melhor entendimento.
Ressalvas à parte, consideremos o paciente, que é nosso primeiro “quem”, um desconhecido.
Não sabemos de onde veio, por que veio, que religião professa, se acredita ou não nos Espíritos, nem que tipo de problemas tem.
Mas, sabemos o essencial: ele é o nosso próximo!
E, se ali está, é porque, querendo ou não, acreditando ou sem acreditar, se dispôs a receber “algo” que, sem dúvida, é para nós, os médiuns, os dirigentes e as Casas Espíritas, um bom caminho para a prática do amor fraternal, desinteressado e cristão.
Portanto. mãos à obra!
Primeiro, nos conscientizemos de que devemos dar ao paciente, além do passe, tudo o mais que é da maior importância: evangelho, orientação, desmistificação do tratamento e desmistificação dos ídolos, concitando-o à reforma interior e a compreensão dos factos para, pelo conhecimento, não ser levado a vícios e equívocos que, embora costumeiros, são injustificáveis.
Depois, não olvidemos que cabe a nós, os passistas, antes que ao paciente, o dever de saber o que fazemos, como fazemos e por que fazemos o passe já que nem sempre aquele outro irá tomá-lo sabendo exactamente o que fazer ou como fazê-lo.
Não podemos cair na desculpa de atribuir responsabilidades aos outros, relegando a nossa a escanteio.
Afinal, assim como certos pacientes criam hábitos e vícios perniciosos por falta de orientação correcta, o médium passista, pela falta de estudo, bom senso, ponderação e assiduidade, pode não apenas adquirir manias ridículas e antidoutrinárias como transmiti-las, inadvertida e perniciosamente, aos pacientes e companheiros desavisados.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 03, 2018 11:01 am

Como homens, sabemos que a administração do património orgânico é tarefa pessoal e intransferível, estando não apenas sua manutenção sob nossa responsabilidade, mas, igualmente sua conservação dentro dos padrões de equilíbrio que a própria Natureza nos indica. “Quando, porém, o homem espiritual dominar o homem físico, os elementos medicamentosos da Terra estarão transformados na excelência dos recursos psíquicos e essa grande oficina achar-se-á elevada a santuário de forças e possibilidades espirituais junto das almas”. Emmanuel252.
Desde então, que evoluamos em moralidade e conhecimentos, pórticos de alcandoradas possibilidades abrir-se-nos-ão, descortinando horizontes de harmonia e equilíbrio, num oceano de boas energias, onde tão acessível nos será receber benesses espirituais quanto transferirmos tais bênçãos aos mais carentes.
Retomando nossa linha de raciocínio inicial para sequenciar o estudo, podemos destacar, entre os que “recebem”:
pacientes com problemas físicos; pacientes com problemas espirituais; e pacientes com ambos problemas.

252 XAVIER, Francisco Cândido. In “O Consolador”, 1ª Parte, cap. 5, questão 97, p. 67.

2.1- Pacientes Com Problemas Físicos
Aqui iremos nos referir apenas a problemas orgânicos, desprezando qualquer factor que não seja puramente físico.
Portanto, estaremos afastando, momentaneamente, as decorrências de factores espirituais e morais.
Subdividiremos este grupo de pacientes em três:

2.1.1 - Portadores de Doenças Contagiosas
Recomendação de André Luiz:
“Interditar, sempre que necessário. a presença de enfermos portadores de moléstias contagiosas nas sessões de assistência em grupo, situando-os em regime de separação para o socorro previsto” pois “A fé não exclui a previdência”253.
É evidente que a medida sugerida tem carácter puramente preventivo e jamais discriminatório como há quem possa querer julgar.
É lógico não devamos expor alguém que venha em busca de um auxílio, ao contágio de um outro, mal, tal como não será cristão dispor o contagiante, que igualmente busca ajuda, ao ridículo da execração de outrem.
O bom senso nos indica que cuidados são necessários e devidos.
A prudência nos sugere discernimento e tacto.
A razão nos solicita não só agir, mas reflexionar.
Sejamos, pois, cristãos.
Afinal, o portador de doença contagiosa já sofre uma espécie de isolamento que, mesmo sendo natural e involuntário, não deixa de ser constrangedor.
E se sua doença for de longo curso, seu estado de ânimo, face essa “solidão”, pode estar bastante abatido.
Não sejamos nós portanto, por imprudência, os agravantes desse estado.
Ajamos com a razão, mas, sem esquecer que ela é má conselheira se desassociada do sentimento.
Até mesmo em nome da prudência e do bom senso, o passe recomendado a esta categoria de doentes deve ser aplicado em carácter individual e reservado, com os cuidados cabíveis e recomendáveis para situações que tais.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 03, 2018 11:02 am

Uma observação importante merece ser destacada:
o passista não deve simplesmente negar atendimento a pacientes dessa categoria por medo de contagio.
Ao lado de certos cuidados que podem e devem ser tomados, uma ponderação do Espírito Manoel Philomeno de Miranda vem a calhar:
“Médicos e enfermeiros, assistentes sociais e voluntários, religiosos dedicados que se entregam às tarefas mais sacrificiais em Sanatórios dos males de Hadsen, de Koch e de outras baciloses violentas sem que o contacto demorado com os pacientes lhes cause qualquer contágio, adquirem resistências imunológicas, enquanto outros, que não convivem com portadores de inumeráveis moléstias, de um para outro momento fazem-se vítimas das vigorosas doenças que lhes exterminam o corpo, em razão de se encontrarem no mapa cármico de cada um as condições propiciatórias para que se lhes manifestem os males que merecem e de que necessitam em razão dos delitos praticados e que são atenuados pela misericórdia do Senhor, já que o amor é mais poderoso do que a justiça, que por aquele se faz comandada”254 (Grifamos a última frase.)

253 VIEIRA, Waldo. Perante o passe. In “Conduta Espírita”, cap. 28, pp. 103 e 104.
254 FRANCO, Divaldo Pereira. Resgate necessário e urgente. In “Painéis da Obsessão”, cap. 4, p. 36.

2.1.2 - Portadores de Doenças não Contagiosas
Como o paciente aqui enquadrado não expõe outros a riscos de contágios, seu atendimento poderá ser feito tanto de forma individualizada quanto em grupo, dependendo do tratamento e das técnicas a serem usadas.
Por ser comum o paciente que busca o tratamento magnético estar passando por acompanhamento médico ou sob medicação indicada por facultativo, convém, nesses casos, manter ficha de acompanhamento contendo informações sobre tipos de tratamento e medicações que esteja fazendo uso255.
A propósito, eis o que nos diz Suely Caldas Schubert:
“Se o doente está fazendo uso de medicação receitada por médico da Terra, esta não deverá ser suspensa. nem sob o pretexto de atrapalhar o tratamento espiritual. Uma atitude dessas traz graves implicações, cujos resultados poderão comprometer seriamente aquele que a recomendou.
Afinal, sabemos à saciedade que existem casos de carácter misto, em que se conjugam o mal espiritual e o físico, exigindo por isso uma terapêutica igualmente mista”256. (Grifos originais.)
Não desconhecemos que a clássica Escola de Mesmer recomendava fossem evitadas certas substâncias no corpo orgânico para um melhor alcance do tratamento magnético.
Mas, como dissemos no capitulo I, não nos propomos a tratar do magnetismo em exclusividade, mas, sim do passe, fazendo mão das técnicas, experiências e conclusões daquele, porém, adaptando-as a nossa realidade.
Ademais, posteriores estudos acerca do magnetismo não deram muita ênfase aquele aspecto restringente, apesar de se comprovar, numa enormidade de casos, que a homeopatia age, quando conjugada ao magnetismo, mais proficuamente que a alopatia, mormente em casos de origem cármica.
Todavia, como o passe espírita actua, primordialmente, a nível de perispírito, não encontramos muita argumentação a favor de que o medicamento humano interfira no paciente a ponto de inutilizar ou anular o efeito magnético.
Modernamente, inclusive, já há consenso quanto à necessidade de tratamentos concomitantes, haja vista o que nos t trazido das avançadas pesquisas verificadas no Leste Europeu.
Contrariamente, temos inúmeras comprovações de que as atitudes mentais perniciosas e as vibrações e mentalizações negativas por parte do paciente são violentos veículos degeneradores do reequilíbrio fluídico adquirido através da fluidoterapia, onde, portanto, nossa redobrada atenção e cuidado são requeridos no intuito de instruir os pacientes a respeito.

255 Vide apêndices I, II e III onde apresentamos modelos de ficha de acompanhamento usado no Grupo Espírita Allan Kardec - GEAK, de Natal-RN.
256 SCHUBERT, Suely Caldas. Os recursos espíritas. In “Obsessão / Desobsessão”, 2ª Parte. cap. 8, p. 112.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 04, 2018 12:52 pm

2.1.3 - Portadores de Doenças Desconhecidas
Para pacientes com esta característica e que venham a tomar passes com acompanhamento (controle por meio de fichas), devemos buscar informações via receituário da Casa Espírita bem como junto ao próprio paciente ou acompanhantes, seguindo-se com o tratamento que for recomendado, ou, ainda, por outros meios confiáveis que são a intuição espiritual e o “tacto-magnético”257.
Dispensado dizer que as observações apresentadas no item anterior são igualmente extensivas a este grupo, assim como, informados da possibilidade de contágio, se interpolarão os cuidados recomendados na matéria do primeiro item (1.1.1) deste capítulo.

257 Vide detalhamento no cap. VIII - “As Técnicas”.

2.2 - Pacientes com Problemas Espirituais
Nesta oportunidade nos deteremos nos problemas eminentemente espirituais, abstraindo-nos, portanto, das injunções orgânicas.
É comum observarmos que parte dos pacientes englobados neste grupo sente uma certa “aproximação ou influência” quando recebe o passe.
O Espírito André Luiz, entrementes, nos recomenda que devemos “Interromper as manifestações mediúnicas no horário de transmissões do passe curativo”258.
Além de ser uma recomendação prudente, é de uma aplicação, diríamos, intransigentemente necessária.
Sem tal cuidado, muito dos melhores esforços fica seriamente comprometido, em especial quando se trata de passes em cabines colectivas ou quando não está a dirigir os trabalhos pessoa de elevada moral e conhecimento doutrinário seguro.
Posteriormente trataremos desse assunto.

Neste grupo faremos igualmente três subdivisões:

2.2. 1 - De Origem Perispirítica (ou Cármica)
Como somos hoje o resultado da autoconstrução promovida nas experiências pretéritas, trazemos para esta vida mazelas que encontram suas origens nos desequilíbrios que patrocinamos alhures.
Sendo nosso perispírito o agente arquivador dos reflexos desses desequilíbrios, é por seu intermédio que se verifica a transposição das chamadas injunções cármicas, fazendo reflectir no corpo orgânico de hoje as consequências dos desvios perpetrados “ontem”.
É a lei de “causa e efeito”.
Exemplificamos:
uma criatura que apresente problemas pulmonares “de nascença” pode ter sido uma alma viciada em fumo em precedente existência;
pessoas com sérios distúrbios intestinais, sem cometerem excessos que favoreçam tal quadro hoje, por certo, encontrarão nas glutonarias do passado justificativas bem lógicas para suas actuais patologias;
indivíduos com dores de cabeça violentas e permanentes, sem qualquer explicação clínica, encontram nas vidas anteriores as causas matrizes;
cânceres, aleijões, demências, lepras, asmas, epilepsias, deformidades congénitas e tantas outras situações que, diversas vezes, não encontram qualquer justificativa em causas presentes, indubitável serão racionalmente explicadas como de origem cármica.
Pela natureza pretérita da doença, fácil se concluir nem sempre ser possível grandes conquistas, inclusive com a fluidoterapia.
Como a origem do mal está, neste caso, directamente ligada a factores morais do passado, é imprescindível uma reestruturação moral e vibratória do paciente.
Sem isso, pouco se pode esperar, salvo os casos em que o paciente já esteja em término de quitação do débito.
Nestes casos, como em especial todos os de origem espiritual, a responsabilidade dos médiuns passistas aumenta, assim como devem aumentar a fé e o interesse do próprio paciente em se curar.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 04, 2018 12:52 pm

Mas nós, os médiuns. devemos “Criar em torno dos doentes uma atmosfera de positiva confiança, através de preces, vibrações e palavras de carinho, fortaleza e bom ânimo”259 (André Luiz) para, dessa forma, contribuirmos mais eficazmente no processo de reparação/recuperação do paciente.
Ademais, conforme nos lembra Manoel Philomeno:
“Na terapia do passe (...) a disposição do paciente exerce papel relevante para os resultados.
A má vontade habitual (...) gera energia de alto teor destrutivo que se irradia do interior da pessoa para o seu exterior, produzindo a anulação da força (...)”260.
Como vimos, a efectiva participação do paciente é fundamental, não apenas nessas, como em outras situações.
Por outro lado, se noutros casos a participação do passista é muito importante, neste é de inegável valor.
Afinal, o perispírito do paciente carece de fluidos tanto do plano espiritual quanto do material, sendo que estes últimos apenas são fornecidos pelos médiuns.
Por serem os fluidos dos médiuns, em termos de vibração, de equivalência igual ao do paciente mas tecnicamente harmoniosos, a renovação fluídica que se verificará pelo passe favorecerá o estabelecimento das condições de cura ou, quando pouco, de manutenção da carga fluídica, então renovada.
Daí, em tais casos, o comum à ver-se a acção fluídica superar a acção oriunda da farmacopeia e dos tratamentos médico-hospitalares pois, via de regra, bom número desses casos só obtêm da medicina tradicional resultados apenas satisfatórios e de forma intermitente.
Uma regra geral, todavia, se sobressai: este tipo de paciente quase sempre requer tratamento de longo prazo;
o que não quer dizer não haja curas quase instantâneas em pacientes tais.
Isto porque nos encontramos em nível de provas e expiações e, muitas vezes, passamos por sofrimentos que são a resposta do preceito evangélico:
“Se a vossa mão ou o vosso pé vos é objecto de escândalo, cortai-os e lançai-os longe de vós;
melhor será para vós que entreis na vida tendo um só pé ou uma só mão, do que terdes dois e serdes lançados no fogo eterno”261.
Lembramos, todavia, que estes pacientes têm de trabalhar seriamente em prol de suas reformas morais, sempre.
Quanto aos passes aqui aplicados, tanto podem ser individuais quanto colectivas, mas existem casos mais graves em que o bom senso recomenda se opte pelos aplicados individualmente.

258 VIEIRA. Waldo. Perante o passe. In “Conduta Espírita”, cap. 28. p. 103.
259 VIEIRA. Waldo. Perante os doentes. In “Conduta Espírita”, cap. 22. p. 84.
260 FRANCO. Divaldo Pereira. Reencontro feliz. In “Nas Fronteiras da Loucura”, cap. 30, pp. 235 e 236.
261 Mateus, Cap. V, v. 29. In “O Evangelho segundo o Espiritismo”, cap. 8, item 11, p. 159.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 04, 2018 12:52 pm

2.2.2 - De origem Obsessiva
Uma grande parte dos espíritas, quando encontra alguém com problemas obsessivos, recomenda-lhe participar de reunião de desobsessão (com frases tipo:
“você precisa ir para a “mesa” desenvolver”;
“ou você dá “passividade” ou vai se dar mal”; ou ainda “lá no Centro tem um médium que “tira” esse Espírito bem “ligeirinho” ”).
Antes que tudo, reunião de desobsessão não é reunião pública nem à sua parte prática devem comparecer os obsediados, conforme recomendam os Espíritos e a experiência o comprova;
reunião de desobsessão é reunião privada, onde médiuns (que devem ser equilibrados) se reúnem no intuito de auxiliarem os Espíritos sofredores, encarnados e desencarnados, orando e vibrando em favor dos mesmos.
O que pode e deve haver é uma parte doutrinária, pública, para levar o Evangelho aos pacientes obsediados, lhes obsequiando o passe ao final.
“Desenvolver” a mediunidade, por sua vez, é educá-la, dirigi-la com sabedoria e consciência e não colocar-se uma pessoa “numa mesa” para “incorporar” o obsessor.
Ora, se alguém está perturbado por obsessão, claro se encontra sob o jugo de Espíritos imperfeitos, dos quais não tem sabido se desenvencilhar.
Como, então, propor a essa criatura a desenvoltura de suas possibilidades medianímicas se elas também estão sob domínio inferior?
Correcto será primeiro sanar o clima espiritual para só depois fazer encaminhamento a educação mediúnica, sob pena de facilitar mais ainda o obsediado ao domínio daquele(s) de quem se está a querer fugir.
Lamentavelmente temos observado que nem sempre se dá a importância devida ao passe na terapia desobsessiva;
de ordinário verificamos que o passe só tem se revestido de seus reais valores quando se trata de atendimento para cura ou alivio de dores e mal-estares físicos.
De outra forma, o que é mais lastimável, tem sido considerado como um mero complemento de reunião doutrinária ou como, pasme-se, criação ritualista do Espiritismo (Doutrina que não tem nem se coaduna com rituais de quaisquer tipos ou natureza) para substituir o sentido atribuído à hóstia católica.
O passe, no tratamento desobsessivo, é de capital importância.
Não apenas o passe colectivo, de cabine, espiritual, como usualmente é chamado, mas, para vários casos, o passe onde o magnetismo do médium, unido aos fluidos dos Espíritos, é aplicado de uma forma bem própria e racional; em suma, o passe misto-magnético ou o misto-misto262.
A doutrinação evangélica, conforme já dito anteriormente, é tão ou mais importante que o passe, pois tem o papel indispensável de renovar as disposições íntimas do obsediado e do obsessor, favorecendo, assim, o rompimento das ligações “mento-magnéticas” estabelecidas entre eles, por meio da elevação do padrão vibratório de ambos.
O passe, em tais casos, fornece fluidos para a renovação do “clima” fluídico do obsediado, predispondo-o a manutenção das bênçãos em si mesmo.
É óbvio que, a depender do caso, o tipo ou a técnica do passe poderá variar263.
Pacientes submetidos a processos de subjugação normalmente terão tratamento mais trabalhoso e prolongado.
Os passes para eles serão bem diversos, com predominância dos fluidos magnéticos.
Porém, como medida complementar, os nomes desses pacientes deverão estar inscritos nos livros de preces das Instituições que fazem reuniões de desobsessão ou de atendimento espiritual a distância, lembrando que, em todo caso, o verdadeiro livro de preces deve ser o coração do médium, pleno de amor e de boas vibrações em favor não só do obsediado como do obsessor.
Factor relevante é que os passes nos pacientes com problemas obsessivos atingem igualmente os obsessores.
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Re: O PASSE: SEU ESTUDO, SUAS TÉCNICAS, SUA PRÁTICA / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 04, 2018 12:52 pm

E como eles são também saturados de bons fluidos, se renovam, se houver predisposição para tal, ou se controlam, como se dominados por uma força estranha, ou, ainda, nalgumas situações, fogem espavoridos, largando “a presa” por momentos, os quais serão valiosíssimos se bem aproveitados pelos doutrinadores, passistas e pacientes264.
Corroborando, nos diz António J. Freire:
“O magnetismo, quando aplicado com proficiência e bondade, pode prestar relevantes serviços a estes Espíritos sofredores;
por vezes, ficam curados numa só sessão.
As preces (...) são de magnífico efeito auxiliar, conjuntamente com as aplicações magnéticas a fim de expurgar o perispírito da parte etérica que ainda lhe esteja agregada, o que se consegue com os passes magnéticos dispersantes”265.
Para facilitar o entendimento, voltamos a buscar a palavra do Espírito Manoel Philomeno, o qual nos apresenta um precioso estudo sobre o tema:
“Nos comportamentos obsessivos, as técnicas de atendimento ao paciente, além de exigirem o conhecimento da enfermidade espiritual, impõem ao atendente outros valores preciosos que noutras áreas da saúde mental não são vitais (...).
São eles: a conduta moral superior do terapeuta - o doutrinador encarregado da desobsessão -, bem como do paciente, quando este não se encontre inconsciente do problema;
a habilidade afectuosa de que se deve revestir, jamais esquecendo do agente desencadeador do distúrbio, que é, igualmente, enfermo, vítima desditosa, que procura tomar a justiça nas mãos;
o contributo das suas forças mentais, dirigidas a ambos litigantes da pugna infeliz;
a aplicação correcta das energias e vibrações difluentes da oração ungida de fé e amor; o preparo emocional para entender e amar tanto o hóspede estranho e invisível quanto o hospedeiro impertinente e desgastante no vaivém das recidivas e desmandos (...)
“A cura das obsessões, conforme ocorre no caso da loucura, é de difícil curso e nem sempre rápida, estando a depender de múltiplos factores, especialmente, da renovação, para melhor, do paciente, que deve envidar esforços máximos para granjear a simpatia daquele que o persegue (...)”266.
A tarefa desobsessiva, portanto, não é eminentemente do passe, mas este entra como reforço de primeira linha.
Observemos a seguinte colocação de Bezerra de Menezes quando comentava sobre um processo desobsessivo com a actuação do plano espiritual:
“Foi muito sábia a Mentora amiga, propondo, em primeiro ato, a desobsessão, para depois serem aplicadas outras fluidoterapias ao lado da medicamentosa e da psicoterapia que a Doutrina Espírita pode propiciar com excelentes resultados, a depender de factores vários como do próprio paciente, quando possa optar pela ocupacional, dedicando-se ao serviço de benemerência e de abnegação, em favor do próximo, através do qual granjeará méritos que influirão na regularização de suas dívidas, pela diminuição dos seus débitos.
Não devemos, como é sabido, agasalhar ideias optimistas exageradas, quanto à recuperação da saúde mental do nosso doente (...)”267.

262 No capítulo VI – “Como - O Impasse do Passe”, apresentamos nossas justificativas para as nomenclaturas que temos utilizado na titulação dos tipos dos passes.
263 Nos capitulo VI e VIII adiante, veremos os tipos e as técnicas do passe.
264 Veja-se, no capítulo VIII adiante, o tem “Choque Anímico”.
265 FREIRE, António J. Do corpo vital ou duplo etérico. In “Da Alma Humana”, cap. 3, p. 50.
266 FRANCO, Divaldo Pereira. Introdução. In “Loucura e Obsessão”, p. 14.
267 FRANCO. Divaldo Pereira. O drama de Carlos. In “Loucura e Obsessão”. cap. 4, p. 52.
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Re: O PASSE: SEU ESTUDO, SUAS TÉCNICAS, SUA PRÁTICA / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 04, 2018 12:52 pm

2.2.3 - Decorrente de Desvios Morais
Como a acção fluídica tem na vontade seu motor e no pensamento seu veiculo, fica evidente que pacientes com tais problemas tornam-se, via de regra, extremamente refractários a fluidoterapia porquanto tal decorrência tem matriz nas desarmonias que são geradas na instabilidade moral do paciente, o que, por sua vez, não lhe favorece uma mentalização equilibrada e constante no bem.
Não queremos com isso dizer que estes pacientes sejam considerados incuráveis ou que não se lhes deva prestar todo o auxílio possível;
ao contrário, lembremo-nos de que “Somos devedores de amor e respeito uns para com os outros e, quanto mais desventurados, de tanto mais auxílio necessitamos.
É indispensável receber nossos irmãos comprometidos com o mal, como enfermos que nos reclamam carinho”268 (André Luiz).
Na espiritualidade, entretanto, existem limites.
Observemos um caso exemplar tratado pelo Espírito Anacleto e narrado por André Luiz:
“Há pessoas que procuram o sofrimento, a perturbação, o desequilíbrio, e à razoável que sejam punidas pelas consequências de seus próprios actos.
Quando encontramos enfermos dessa condição, salvamo-los dos fluidos deletérios em que se envolvem por deliberação própria, por dez vezes consecutivas, a título de benemerência espiritual.
Todavia, se as dez oportunidades voam sem proveito para os interessados, temos instruções superiores para entregá-los a sua própria obra, a fim de que aprendam consigo mesmos.
Poderemos aliviá-los, mas nunca libertá-los” 269 (grifamos).
Pode parecer estranho que a Espiritualidade seja tão rígida para com aqueles que persistem no erro, mas perguntamos: será que nós temos tanta paciência com aqueles que convivem connosco?
Será que represaríamos a oportunidade por dez vezes consecutivas para quem insistisse em continuar cometendo o mesmo erro?
Veja-se bem; não se trata aqui do perdão, que deve ser dado “Não só sete vezes mas setenta vezes sete vezes”270, porém do atendimento repetido ao renitente, ao incorrigível, que persiste em cometer as mesmas faltas, os mesmos delitos, de forma consciente. Para este grupo de pacientes a recomendação do estudo metódico e sistemático da Doutrina, aliada ao hábito de boas leituras, frequência às reuniões evangélico-doutrinárias e a prática do bem, com exercício da paciência, do perdão, da humildade e da resignação, é imperativo.
Mas, bem o sabemos, devido seu estado mental, dificilmente conseguirá ele iniciar-se por aí, sem auxílio.
Para tanto, nossas preces e o passe são contributos valiosíssimos.
Como disseram os Espíritos a Allan Kardec:
“Não basta que um doente diga ao seu médico:
dê-me saúde, quero passar bem.
O médico nada pode, se o doente não faz o que é preciso”271.
Assim nosso paciente;
ele deve ser alertado sobre suas responsabilidades no processo de cura, pois, a fluidoterapia não pode ser vista como transferência ou omissão delas, mas, sim, benesses complementares que são adquiridas e estabilizadas pela sua vivência.

268 XAVIER. Francisco Cândido. Mandato Mediúnico. In “Nos Bastidores da Mediunidade”, cap. 16, p. 150.
269 XAVIER. Francisco Cândido. Os passes. In “Missionários da Luz”, cap. 19, p. 334.
270 Mateus, XVIII, v. 22.
271 KARDEC, Allan. Da obsessão. In “O Livro dos Médiuns”, cap. 23, item 254, questão terceira.
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Re: O PASSE: SEU ESTUDO, SUAS TÉCNICAS, SUA PRÁTICA / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 04, 2018 12:53 pm

2.3 - Paciente Com Ambos os Problemas
Agora, não isolaremos decorrências, pois, este item trata de casos mistos: físicos (orgânicos) e psíquicos (espirituais).
Do ponto de vista material, a acção do passista é quase sempre muito restrita.
Afinal, por mais se tenha estudado e pesquisado, falecem-nos os meios por dominar a “manipulação fluídica”, dom por enquanto apenas acessível a Espiritualidade.
Na realidade, quase sempre nos limitamos a fornecer os fluidos que nos são peculiares, dando-lhes a impulsão benéfica de acordo com nossa vontade firme de fazer o bem.
Ter consciência disso é importante, pois, além de nos fazer reflectir sobre como agir quotidianamente no bem, para podermos fornecer bons fluidos, impõe-nos a necessidade do estudo continuado a fim de melhor contribuirmos no processo fluidoterápico.
Através do estudo, sempre conjugado à intuição espiritual, podemos avaliar a maior valência do problema do paciente para bem direccionar o tratamento.
Caso prevaleça o aspecto físico, recomendam-se os cuidados descritos para pacientes com estes problemas (item 2.1);
do contrário, deve-se observar os descritos no item seguinte (2.2).
Contudo, o bom senso nos recomenda não fazermos distinção tão marcante, notadamente porque os Espíritos serão os verdadeiros “operadores” e, quase sempre, serão eles quem encaminharão todo o processo, abstracção feita à responsabilidade dos médiuns.
Neste grupo de pacientes teremos tratamentos conjugados, os quais só a análise caso a caso poderá determinar o caminho a seguir.
É sempre bom lembrar, todavia, que nada nem nenhum tratamento fluidoterápico pode ser tão técnico que descuide dos princípios básicos do amor cristão e da fé em Deus.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 04, 2018 12:53 pm

3. QUEM DOA
“Na cura, nós somos o aparelho e, falando de forma simples, temos de estar sempre nos esforçando para nos tornarmos melhores receptores.
(...) O poder que traz a cura começa como um Espírito puro, como uma energia pura, que tem de ser reconduzida, enfraquecida, transformada, tornada mais grosseira, num certo sentido, antes que possa ser transmitida para “fulana”, que veio para ser curada (...)”272 (Dudley Blades).
- Ao contrário do que se poderia imaginar, esta citação é de um pastor presbítero inglês e não de algum autor Espírita.
Inclusive, na obra (“A Energia Espiritual e Seu Poder de Cura”) ele comenta sobre reencarnação (é favorável), mundo espiritual, Espíritos, e tem uma visão muito feliz sobre as bênçãos de Deus em relação a nós.
De suas palavras apreendemos a importância de nos melhorarmos como doadores, pois apesar de mostrarmos repetidas vezes que o papel do médium no tratamento do passe é, dentro de certos ângulos, mais de canal que necessariamente de gerência, “Apregoarmos que o resultado do passe independe do médium que o aplica, além de ser um ponto de vista sem base doutrinária, será motivo para que o médium se acomode, não encontrando ele por que se esforçar por melhorar-se.
Ao contrário, que a Doutrina ensina é que ele deve adoptar hábitos salutares, eliminando os vícios, vigiando as emoções e sentimentos, aplicando-se ao estudo, à meditação e a prece, cultivando intenções nobres, enfim, trabalhando pelo seu aperfeiçoamento moral para que possa ser instrumento útil dos companheiros espirituais no amparo as necessidades humanas”273 (Dalva Silva Souza).
Por isso mesmo deve o magnetizador“
(...) Contar com boa saúde, sua vontade deve ser firme; a fé na ciência que professa, absolutamente inquebrantável;
sua conduta deve ser inobjectável, seus costumes moderados e, ademais, ser um ser humano disposto sempre a sacrificar-se por seus semelhantes”274 (Malcolm Malik).
Dentro dessa sequência, Paul-Clément Jagot nos afirma que “O essencial, para magnetizar de uma maneira benéfica, é um equilíbrio moral, intelectual e físico satisfatório.
Se o moral é ao mesmo tempo firme e sensível, se o intelecto é lúcido e culto, se os mecanismos fisiológicos são robustos, profusamente radioactivos, os resultados serão máximos.
Mas, repito, a rectidão da intenção, seu ardor e um estado de saúde normal bastam”275, prosseguindo mais adiante:
“A insónia, a intoxicação alimentar, a insuficiência respiratória enfraquecem consideravelmente a tensão de exteriorização.
A agitação nervosa, as emoções vivas, as paixões obsessivas perturbam a emissividade, que então se torna instável, espasmódica e perde suas propriedades equilibrantes”276.
Como vimos, no final ressurge a tensão que, da parte do passista, implica a qualidade de sua participação no processo fluidoterápico.
Sem dúvida, o passista é peça-chave nos tratamentos fluídicos.
E mesmo sendo aquele que aplica o passe um médium, todos o podem praticar já que as condições para se ser passista não requer se tenha mediunidade ostensiva em qualquer de suas nuances.
Tal nos afirma Léon Denis:
“Como o Cristo e os apóstolos, como os santos, os profetas e os magos, todos nós podemos impor as mãos e curar, se temos amor aos nossos semelhantes e o desejo ardente de os aliviar”277.
Daí, contudo, não se crer seja o passe um brinquedo que a todos é dado direito manusear de maneira irresponsável.
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Re: O PASSE: SEU ESTUDO, SUAS TÉCNICAS, SUA PRÁTICA / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 04, 2018 12:53 pm

Como diz Roque Jacintho, “Ninguém recebe uma graça ou um acréscimo especial da Misericórdia Divina para ser, aqui na Terra, um passista comum.
E no mesmo sentido, ninguém, para essa actividade normal, traz missão especialíssima”278.
Conscientização das responsabilidades, portanto, à tarefa inadiável.
O Espírito André Luiz em diálogo com o mentor Alexandre, examinando a participação dos Espíritos nos processos da fluidoterapia, pergunta:
“Esses trabalhadores apresentam requisitos especiais?”
Ao que Alexandre responde:
“- Sim (...), na execução da tarefa que lhes está subordinada, não basta a boa vontade, como acontece em outros sectores de nossa actuação.
Precisam revelar determinadas qualidades de ordem superior e certos conhecimentos especializados.
O Servidor do bem, mesmo desencarnado, não pode satisfazer em semelhante serviço, se ainda não conseguiu manter um padrão superior de elevação mental contínua, condição indispensável à exteriorização das faculdades radiantes”.
Isto coloca com liminar clareza a posição de conhecimentos e esforços dos Espíritos nesta tarefa que, na nossa óptica puramente material, se nos parece tão simples, tão mecânica.
Para nos posicionar no outro ponto da questão (o do médium passista), André Luiz indaga:
“Os amigos encarnados, de modo geral, poderiam colaborar em semelhantes actividades de auxílio magnético?”
A resposta é primorosa:
“- Todos, com maior ou menor intensidade, poderão prestar concurso fraterno, nesse sentido, porquanto, revelada a disposição fiel de cooperador a serviço do próximo, (...) as autoridades de nosso meio designam entidades sábias e benevolentes que orientam, indirectamente, o neófito, utilizando-lhe a boa vontade e enriquecendo-lhe o próprio valor.
São muito raros, porém, os companheiros que demonstram a vocação de servir espontaneamente.
Muitos, não obstante bondosos e sinceros nas suas convicções, aguardam a mediunidade curadora, como se ela fosse um acontecimento miraculoso em suas vidas e não um serviço do bem, que pede do candidato o esforço laborioso do começo”279 (grifamos).
Se, por um lado, temos de reconhecer a seriedade do trabalho dos passes, que nos requer estudos, tanto da Doutrina quanto especializados, e esforço laborioso para o grande desiderato, podemos estar tranquilos quanto a nos vincularmos nas tarefas do passe, pois “Os orientadores da Espiritualidade procuram companheiros, não escravos.
O médium digno da missão do auxílio não é um animal subjugado à canga, mas sim um Irmão da Humanidade e um aspirante à Sabedoria.
Deve trabalhar e estudar por amor (...)”280 (Áulus).
Portanto, “Todas as pessoas dignas e fervorosas, com o auxílio da prece, podem conquistar a simpatia de veneráveis magnetizadores do Plano Espiritual, que passam, assim, a mobilizá-las na extensão do bem.
(...) É importante não esquecer essa verdade para deixar-mos bem claro que, onde surjam a humildade e o amor, o amparo divino é seguro e imediato”281 (Áulus).
Analisando o papel do doador nas actividades do passe, iremos estudar separadamente os médiuns e os Espíritos.

272 BLADES. Dudley. In “A Energia Espiritual e Seu Poder de Cura”, cap. 2, p. 31.
273 OS EFEITOS do passe. “Reformador”, ago, 1986, p. 254.
274 MALIK. Malcolm. Hipnotismo. In “El Arte de Magnetizar al Alcance de Todos”, p. 23.
275 JAGOT, Paul-Clément. Introdução. In “Iniciação a Arte de Curar pelo Magnetismo Humano”, cap 1, item 5, Toda pessoa equilibrada pode magnetizar, p. 14.
276 JAGOT Paul-Clément. Noções elementares. In “Iniciação a Arte de Curar pelo Magnetismo Humano”, cap. 2, item 4. O magnetizador, p. 17.
277 DENIS, Léon. In “No Invisível”, Parte 2, cap. 15, p. 182.
278 JACINTHO, Roque. Passistas. In “Passe e Passista”, cap. 3, p. 19.
279 XAVIER, Francisco Cândido. Passes. In “Missionários da Luz”, cap. 19, pp. 321 e 322.
280 XAVIER, Francisco Cândido. Mandato mediúnico. In “Nos Domínios da Mediunidade”, cap. 16, p. 156.
281 XAVIER, Francisco Cândido. Serviço de passes. In “Missionários da Luz”, cap. 17, p. 167.
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Re: O PASSE: SEU ESTUDO, SUAS TÉCNICAS, SUA PRÁTICA / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 04, 2018 12:53 pm

3. 1 - Os Médiuns
Com serenidade concluímos que no campo do passe há espaço para todos.
Lembremo-nos, todavia, que “Ser médium é ser ajudante do Mundo Espiritual.
E ser ajudante em determinado trabalho é ser alguém que auxilia espontaneamente, descansando a cabeça dos responsáveis”282 (Emmanuel).
Aos médiuns, portanto, “O estudo da constituição humana lhes é naturalmente aconselhável, tanto quanto ao aluno de enfermagem, embora não seja médico, se recomenda a aquisição de conhecimentos do corpo em si.
E do mesmo modo que esse aprendiz de rudimentos da Medicina precisa atentar para a assepsia do seu quadro de trabalho, o médium passista necessitará vigilância no seu campo de acção, porquanto de sua higiene espiritual resultará o reflexo benfazejo naqueles que se proponha socorrer.
Eis por que se lhe pede a sustentação de hábitos nobres e actividades limpas, com a simplicidade e a humildade por alicerces (...)”283 (André Luiz).
Por outro lado, o receio de se ser visto pelos não espíritas como meros gesticuladores ou magos curandeiros não deverá encontrar respaldo em nossos sentidos, pois o que deveras conta é nossa participação efectiva no socorro aos necessitados.
Ademais, existe a visão espiritual da questão:
“Os passistas afiguravam-se-nos como duas pilhas humanas deitando raios de espécie múltipla, a lhes fluírem das mãos, depois de lhes percorrerem a cabeça (...)”284 (André Luiz).
E, a partir desta visão, não podemos nos deter em raciocínios menores, sem, contudo, açularmos vaidades piegas ou fomentarmos a imaginação com a irrealidade de se possuir poderes miraculosos, daqueles que derrogariam as leis Naturais.
Somos passistas; somos trabalhadores da seara do Cristo. Isto é muito. Isto é tudo!

282 XAVIER, Francisco Cândido. Ser Médium. In “Seara dos Médiuns”, p. 138.
283 XAVIER, Francisco Cândido e VIEIRA, Waldo. Mediunidade curativa. In “Mecanismos da Mediunidade”, cap. 22, item Médium passista, p. 146.
284 XAVIER, Francisco Cândido. Serviço de passes. In “Nos Domínios da Mediunidade”, cap. 17, p. 165.

3.1.1 - Condições Físicas
À primeira vista, poderia parecer que apenas aqueles que têm bom condicionamento físico são passíveis de aplicar passes.
É fora de dúvida que uma saúde perfeita, um corpo sem doenças, favorecerá enormemente na função de uma boa doação fluídica.
Mas, por tudo o que já vimos até aqui, é fácil deduzir que isso não é tudo; afinal, são inumeráveis os casos de pessoas que são socorridas por outras mais débeis e frágeis fisicamente, mas, nem por isso, os alcances são menos expressivos.
Contudo, não estamos com isso querendo menosprezar o valor do equilíbrio orgânico do médium passista, notadamente daquele que doa suas próprias energias:
o passista magnético, o magnetizador propriamente dito.
O cuidado com sua saúde não só é importante como imprescindível.
Vejamos como pensa Michaelus:
“Um corpo sem saúde não pode transmitir aquilo que não possui; a sua irradiação seria fraca, ineficaz e mais nociva do que útil, para si e para o paciente.
“Deve-se, entretanto, distinguir entre uma pessoa incessantemente doente (...) da que é apenas atingida de uma doença local, um mal de estômago, dos rins, etc., embora de carácter crónico”285.
(Este é, inclusive, o pensamento de Aubin Gauthier expresso em seu “Magnétisme et Somnambulisme”.)
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Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 04, 2018 12:53 pm

O mesmo Michaelus, continuando o assunto, traduz a assertiva de Alfonse Bué (do seu “Magnétisme Curatif') que deve ser bem ponderada:
“Não se creia, entretanto, que o poder magnético caminhe de par com a força muscular”.
Apesar de parecer contraditório, a saúde é importante ser velada, mas, de igual modo, não é tudo.
Afinal, como o fluxo magnético provém não só do corpo senão essencialmente da alma, é desta que devemos cuidar em primeiro lugar.
Só que é indissociável o cuidar de uma sem o zelar da outra.
Outrossim, o estado físico, por si só, não diz tudo o que precisa ser observado; já dissemos, alhures, que a mentalização negativa destrói, desintegra, perturba nossas camadas fluídicas equilibradas e equilibrantes, donde fácil concluir que o físico não é sobre valente ao estado mental.
Muitas vezes, não conseguimos evitar o acometimento de certas doenças em nós mesmos, visto podermos ingerir algo deteriorado sem o percebermos e isso nos complicar a saúde, por exemplo.
Ou então, aquelas epidemias que de tempos a tempos aparecem e nos pegam “desprevenidos”.
Até aí está relativamente justificado o problema verificado em nossa saúde, sem, com isso, termos comprometido nossa moral.
Mas, existem outras situações que não nos exime das responsabilidades decorrentes:
“A fiscalização dos elementos destinados aos armazéns celulares é indispensável, por parte do próprio interessado em atender as tarefas do bem.
O excesso de alimentação produz odores fétidos, através dos poros, bem como das saídas dos pulmões e do estômago, prejudicando as faculdades radiantes, porquanto provoca dejecções anormais e desarmonias de vulto no aparelho gastrointestinal, interessando a intimidade das células.
O álcool e outras substâncias tóxicas operam distúrbios nos centros nervosos, modificando certas funções psíquicas e anulando os melhores esforços na transmissão de elementos regeneradores e salutares”.286 (Grifos nossos.)
Esta colocação do Espírito Alexandre nos adverte para algumas das coisas que devemos ter cuidado, a fim de não comprometermos nosso corpo somático nem o trabalho de assistência via passes.
Afinal, se no exemplo anterior poderíamos ser catalogados, de certa forma, como vítimas das circunstâncias, agora somos os agentes dos distúrbios, por não vigiarmos ou por agirmos em desacordo com os cuidados requeridos.
Corroborando com tudo o que foi visto, ampliaremos, aqui, os compromissos que temos com nossa saúde.
Um técnico em planeamento reencarnatório, no plano espiritual, assim se refere a um grupo que prejudicou seus corpos:
“Abusaram eles da magnífica saúde que possuíam. Saúde!
Bem inapreciável de que o homem desdenha, fingindo ignorar que se trata de um auxílio divino que a solicitude do Altíssimo concede as criaturas (...).
Sem a mínima demonstração de respeito à autoridade do Criador, aqueles nossos inditosos irmãos envenenaram os fardos preciosos com excessos de toda a natureza!287”.
Desnecessário dizer que, se para a vida como um todo a falta de cuidados com a saúde tem repercussões que tais, imaginemos o que ocorre a nível das disposições fluídicas em face da urgência de determinados trabalhos fluídicos.
Por tudo isso, existe um coro uníssono e universal a respeito.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 05, 2018 10:37 am

Fred Wachsmann nos sintetiza que, “De um modo geral, deve-se evitar tudo quanto importa no desgaste ou perda de energia:
excessos sexuais, trabalhos demasiados, alimentação imprópria, hiperácida, hipercarnívora, energética, bem como o álcool, a nicotina e os entorpecentes de toda espécie; deve-se, enfim, viver mais naturalmente e adquirir melhores qualidades”288.
Carlos Imbassahy, por sua vez, nos adverte:
“O Espiritismo (...) aconselha que preservemos o nosso corpo dos elementos ou factores que lhe diminuam a capacidade de resistência, e assim teremos que nos alimentar, sóbria, mas suficientemente;
não podemos perder a noite em prazeres inúteis ou os dias em maus contubérnios e em vícios;
não devemos entregar-nos à ociosidade;
não usaremos vestes impróprias ao clima; não procuraremos exagerar o recato até o ridículo;
não sacrificaremos as benesses da Natureza em nome de convenções ou de uma moral movediça, intermitente, errática, oriunda de mitos, das superstições ou da ignorância.
É, enfim, nosso dever, promover a robustez, entreter a saúde, alimentar a existência por meio do exercício físico (...)”289.
Consideraremos, separadamente, as condições para as crianças e para os idosos290.
A questão do deficiente mental, abordaremos no item 3.1.3 adiante.
285 MICHAELUS. In “Magnetismo Espiritual”, cap. 7, pp. 51 e 52.
286 XAVIER, Francisco Cândido. Passes. In “Missionários da Luz”, cap. 19, p. 323.
287 PEREIRA. Yvonne A. In “Memórias de um Suicida”, 2ª Parte, cap. 6, pp. 361 e 362.
288 MICHAELUS. In “Magnetismo Espiritual”, cap. 7, p. 54.
289 MICHAELUS. In “Magnetismo Espiritual”, cap. 7, p. 55.
290 Vide capítulo X.

3.1.2 - Condições Morais
Eis o que o Codificador nos indica a respeito:
“Se o médium, do ponto de vista da execução, não passa de um instrumento, exerce, todavia, influência muito grande, sob o aspecto moral.
(...) A alma exerce sobre o Espírito livre uma espécie de atracção, ou de repulsão, conforme o grau da semelhança existente entre eles.
(...) As qualidades que, de preferência, atraem os bons Espíritos são: a bondade, a benevolência, a simplicidade do coração, o amor ao próximo, o desprendimento das coisas materiais.
Os defeitos que os afastam são: o orgulho, o egoísmo, a inveja, o ciúme, o ódio, a cupidez, a sensualidade e todas as paixões que escravizam o homem a matéria”291.
Além disso, a porta que os espíritos imperfeitos “Exploram com mais habilidade é o orgulho, porque é a que a criatura menos confessa a si mesma.
O orgulho tem perdido muitos médiuns dotados das mais belas faculdades (...)”292.
Na “Revista Espírita” de outubro de 1867 Kardec publicou uma mensagem do Abade Príncipe de Hohenlohe muito interessante:
“(...) Conforme o estado de vossa alma e as aptidões do vosso organismo, podeis, se Deus vo-lo permitir, tanto curar as dores físicas quanto os sofrimentos morais, ou ambos.
Duvidais de ser capaz de fazer uma ou outra coisa, porque conheceis as vossas imperfeições.
Mas Deus não pede a perfeição, a pureza absoluta dos homens da terra.
A esse título, ninguém entre vós seria digno de ser médium curador.
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Re: O PASSE: SEU ESTUDO, SUAS TÉCNICAS, SUA PRÁTICA / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 05, 2018 10:37 am

Deus pede que vos melhoreis, que façais esforços constantes para vos purificar e vos leva em conta a vossa boa vontade.
(...) Melhorai-vos pela prece, pelo amor do Senhor, de vossos irmãos e não duvideis que o Todo-Poderoso não vos dê as ocasiões frequentes de exercer vossa faculdade mediúnica.
(...) Até lá orai, progredi pela caridade moral, pela influência do exemplo (...)”293.
Noutra oportunidade o Codificador indagou ao Espírito Annonay, sonâmbula de uma “lucidez notável”, a qual ele conhecera quando encarnada:
“27 - O poder magnético do magnetizador depende de sua constituição física?
“- Sim; mas muito de seu carácter.
Numa palavra: depende de si próprio.
“30. - Quais as qualidades mais essenciais para o magnetizador?
“- O coração; as boas intenções sempre firmes; o desinteresse.
“31. - Quais os defeitos que mais o prejudicam?
“- As más inclinações, ou melhor, o desejo de prejudicar”294.
É Kardec quem comenta:
“O fluido espiritual será tanto mais depurado e benfazejo quanto mais o Espírito que o fornece for puro e desprendido da matéria.
Compreende-se que o dos Espíritos inferiores deva aproximar-se do homem e possa ter propriedades maléficas, se o Espírito for impuro e animado de más intenções.
“Pela mesma razão, as qualidades do fluido humano apresentam nuances infinitas, conforme as qualidades físicas e morais do individuo.
É evidente que o fluido emanado de um corpo malsão pode inocular princípios mórbidos ao magnetizado.
As qualidades morais do magnetizador, isto é, a pureza de intenção e de sentimento, o desejo ardente e desinteressado de aliviar o seu semelhante, aliados a saúde do corpo, dão ao fluido um poder reparador que pode, em certos indivíduos, aproximar-se das qualidades do fluido espiritual”295. (Grifos originais.)
Reveste-se de fundamental importância o registo acima pelas conclusões que albergam.
Entre outros, Kardec nos confirma o valor da moral ante a qualidade dos fluidos, a qual pode transubstanciar nossos fluidos animais em “quase” espirituais.
A essas alturas, lembramos uma citação que vimos alhures:
“Há mediunidades extraordinárias, mas poucos médiuns extraordinários”296.
Sem dúvida, ela se presta a várias interpretações, mas, uma delas vem a calhar ao nosso caso.
Existem, deveras, mediunidades extraordinárias;
quanto ao sentido, quanto ao alcance e quanto ao espectáculo.
Mas, médiuns extraordinários, anónimos servidores do Cristo, que fazem e cumprem seus deveres sem estardalhaços, sem personalismos, sem vaidades ou outros sentimentos menos nobres, esses são poucos.
Entretanto, não sejamos tão pessimistas; eles existem.
E nós, eu e você, poderemos ser um deles.
Sabe de quem depende isso?
De nós apenas. “- Mas como?”, pode ser perguntado.
“- Com nosso esforço, pela melhora moral nossa”.
“- E os Espíritos Superiores, esses nos ajudarão?” “- Sim, pois que já nos ajudam, mesmo sem nos melhorarmos.
Apenas não os percebemos porque nos sintonizamos em frequências diferentes, por opção própria”.
Eles estão sempre prontos. Infelizmente, nós é que quase nunca estamos a disposição deles.
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Ave sem Ninho

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Re: O PASSE: SEU ESTUDO, SUAS TÉCNICAS, SUA PRÁTICA / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 05, 2018 10:37 am

Como dois só conseguem quando os dois querem, é necessário que queiramos, pois os Espíritos Superiores o querem, com certeza (pelo que fica faltando só a nossa parte).
Vale ser lembrado, contudo, que querer é ter disposição, boa vontade e acção e não apenas dizer “quero”, e cruzar braços.
Observemos, agora, o que nos diz o Espírito Alexandre:
“O servidor do bem, mesmo desencarnado, não pode satisfazer em semelhante serviço (do passe) se ainda não conseguiu manter um padrão superior de elevação mental contínua, condição indispensável à exteriorização das faculdades radiantes.
O missionário do auxilio magnético, na Crosta ou aqui em nossa esfera, necessita ter grande domínio sobre si mesmo, espontâneo equilíbrio de sentimentos, acendrado amor aos semelhantes, alta compreensão da vida, fé vigorosa e profunda confiança no Poder Divino.
(...) Na esfera carnal, a boa vontade sincera, em muitos casos, pode suprir essa ou aquela deficiência, o que se justifica, em virtude da assistência prestada pelos benfeitores de nossos círculos de acção ao servidor humano, ainda incompleto no terreno das qualidades desejáveis”297 (grifamos).
Todavia, não pensemos que isso só se aplica aos médiuns e aos Espíritas.
A moral é chave fundamental para todos.
Observe-se, por exemplo, o que nos diz George W. Meek298:
“Os curandeiros são quase invariavelmente generosos, amáveis, preocupando-se muito com seus pacientes”.
Ou seja, mesmo aqueles que não são necessariamente vistos com os bons olhos da colectividade humana, inclusive uma grande parte Espírita, são portadores de virtudes enobrecedoras e, sem dúvida, isso é fundamental para seus sucessos.
Feita esta constatação, sentimos como o posicionamento moral do médium é muito importante para o sucesso de sua tarefa.
Não esperamos, pois, que os pacientes sejam sempre “bonzinhos” e que os Espíritos estejam sempre “na agulha” para agirem ao nosso “estalar de dedos”, sem que sejamos nós os primeiros a estar prontos, física e, sobretudo, moralmente para o trabalho.
Não seria de se imaginar diferente.
A moral há de ter importância preponderante nos trabalhos fluídicos, já que o meio onde os fluidos são processados é basicamente mental (para não dizer espiritual).
A mente determina a vibração fluídica a partir da vontade e esta libera os fluidos, tonificando-os pelos padrões psíquicos do(s) emissor(es); estes fluidos serão tão melhormente consistentes e harmonizados quanto maior equilíbrio tiver a moral do(s) doador(es).
Assim, deixando de lado as condições do receptor final (paciente), a emissão fluídica assume o cunho de pureza determinada pela moral em que vibra(m) o(s) emissor(es).

291 KARDEC, Allan. In “O Livro dos Médiuns”, cap. 20, item 227.
292 KARDEC, Allan. In “O Livro dos Médiuns”, cap. 20, item 228.
293 “Dissertações Espíritas”, III, pp. 320 e 321.
294 SRA. REYNAUD. “Revista Espírita”, mar, 1859, p. 80.
295 Da mediunidade curadora. Revista Espírita”, set. 1865, item 4, p. 252.
296 TOLEDO, Wenefledo de. In “Passes e Curas Espirituais”, 2ª Parte, lição 6ª, p. 93.
297 XAVIER, Francisco Cândido. Passes. In “Missionários da Luz”, cap. 19, p. 321.
298 MEEK. George W. Observações. In “As Curas Paranormais”, cap. 5, p. 61.

3.1.3 - Condições Mentais (Psíquicas)
Não devemos forçar a prática mediúnica em pessoas débeis, pois a perda de fluidos pode lhes ser danosa.
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Re: O PASSE: SEU ESTUDO, SUAS TÉCNICAS, SUA PRÁTICA / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 05, 2018 10:38 am

Diríamos até que não se deve forçar, no sentido literal da palavra, qualquer prática mediúnica em qualquer criatura.
Mas, seguindo com Kardec, desse exercício “Cumpre afastar, por todos os meios possíveis, as que apresentem sintomas, ainda que mínimos, de excentricidade nas ideias, ou de enfraquecimento das faculdades mentais, porquanto, nessas pessoas, há predisposição evidente para a loucura, que se pode manifestar por efeito de qualquer sobreexcitação.
(...) O que de melhor se tem a fazer com todo indivíduo que mostre tendência a ideia fixa e dar outra directriz as suas preocupações, a fim de lhe proporcionar repouso aos órgãos enfraquecidos”299.
De início, portanto, já concluímos com Allan Kardec que aquelas criaturas com limitações mentais não são indicadas as tarefas mediúnicas.
Entretanto, as implicações não se restringem a esse aspecto.
Voltando à última citação do Espírito Alexandre300, encontramo-lo, um pouco mais adiante, agora sob outro ângulo:
“Falaremos tão-só das conquistas mais simples e imediatas que deve fazer (o médium), dentro de si mesmo.
Antes de tudo, é necessário equilibrar o campo das emoções.
Não é possível fornecer energias construtivas a alguém (...) se fazemos sistemático desperdício das irradiações vitais.
Um sistema nervoso esgotado, oprimido, é um canal que não responde pelas interrupções havidas.
A mágoa excessiva, a paixão desvairada, a inquietude obsidente, constituem barreiras que impedem a passagem das energias auxiliadoras”301.
Uma outra observação de impedimento as práticas da mediunidade nos é colocada pelo Espírito André Luiz quando nos sugere “Interdizer a participação de portadores de mediunidade em desequilíbrio nas tarefas sistematizadas de assistência mediúnica, ajudando-os discretamente no reajuste” posto que “Um doente-médium não pode ser um médium-sadio”302.
Mais claro e objectivo é impossível.
Prossigamos com a literatura de André Luiz, agora na palavra do Espírito Albério: “(...) A
mente permanece na base de todos os fenómenos mediúnicos.
(...) Nossa mente é, dessarte, um núcleo de forças inteligentes, gerando plasma subtil que, a exteriorizar-se incessantemente de nós, oferece recursos de objectividade às figuras de nossa imaginação, sob o comando de nossos próprios desígnios.
(...) Em qualquer posição mediúnica, a inteligência receptiva está sujeita às possibilidades e a coloração dos pensamentos em que vive, e a inteligência emissora jaz submetida aos limites e às interpretações dos pensamentos que é capaz de produzir.
(...) Em mediunidade, portanto, não podemos olvidar o problema da sintonia”303.
Eis aí, claramente estabelecido, por que a mente equilibrada e, em consequência, nossa posição psíquica, é de vital importância para conseguirmos o fruto desejado nas lides fluidoterápicas.
O cultivo de mente pura a nosso dever, já que ela é o filtro por onde passam as benesses que favorecerão nosso próximo e, por conseguinte, a nós mesmos.
Afinal, “A energia transmitida pelos amigos espirituais circula primeiramente na cabeça dos médiuns”304.
(Só para recordar, lembra o leitor onde fica o Centro Coronário e qual a sua importância?)
Poderíamos ainda pensar nas condições psicológicas do médium ante o serviço do passe.
Muitas publicações têm surgido ultimamente enfatizando o poder da mente, com colocações, diríamos, nem sempre bem ponderadas.
Isto porque, na maioria delas, enfatiza-se o “querer é poder”, mas, atribuindo ao querer a simples repetitividade, até meio irracional, de palavras ou frases “chaves”.
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Re: O PASSE: SEU ESTUDO, SUAS TÉCNICAS, SUA PRÁTICA / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 05, 2018 10:38 am

Por exemplo:
“Diga para você, 'tantas' vezes por 'tanto' tempo, que você vai conseguir isso, ou que você terá aquilo ou que você alcançará aquilo outro”.
E depois de você se convencer disso, garante que terá alcançado ou estará por alcançar seu desejo.
É, sem querer menosprezar as obras sérias que tratam do assunto, um simplismo fabricado para atender à comodidade da “lei do menor esforço”.
Querer estabelecer poderes através do simples condicionamento de palavras é, no mínimo, reduzir as maravilhosas potencialidades do ser humano a puro automatismo irracional.
Os médiuns hão de desenvolver condições íntimas de fé e confiança, que se adquirem com muito labor.
“O Evangelho segundo o Espiritismo” muito nos tem ensinado nesse sentido.
E são essas condições, adquiridas e vividas de forma inabalável, que nos favorecerão as condições psicológicas do “eu quero, eu posso”, posto que estabelecidas em vivência, em prática, em Espírito e verdade e não por refracção de palavras.
Nossa posição psicológica para a aplicação do passe deve ser tal qual a assertiva do Mestre Jesus:
“Seja o vosso falar (e agir), sim, sim; não, não.305
Sem espaço para vacilações, sem espaço para descrença, sem espaço para o medo.
A mente tem que estar repleta de pensamentos positivos e o coração emitindo vibrações de um harmónico amor.
Nosso desejo não será o de curar de qualquer maneira mas o de favorecer o paciente, o irmão necessitado, com a “ajuda máxima que possamos dar”, mas, sob os alcances determinados pelo “seja feita a vontade de Deus”, e não necessariamente a nossa.
Podemos concluir com uma síntese de Keith Sherwood:
“O curador busca duas direcções: primeiro Deus, concretizando a afinidade com o Todo, a fonte da cura e depois com seu paciente, tornando-se o canal através do qual a energia fluirá”306.
Isto representa uma imagem ideal para o passista, posto que, buscar a Deus, Jesus já bem ensinou, através do “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”307;
e se buscando-O amamos o semelhante, e vice-versa, alcançamos o ideal da Lei já que ali se encontram “toda a lei e os profetas”308, inclusive a lei das curas.

299 KARDEC, Allan. Inconvenientes e perigos da mediunidade. In “O Livro dos Médiuns”, cap. 18, item 222.
300 XAVIER, Francisco Cândido. Passes. In “Missionários da Luz”, cap. 19, p. 321.
301 XAVIER, Francisco Cândido. Passes. In “Missionários da Luz”, cap. 19, p. 323.
302 VIEIRA, Waldo. Do dirigente de reuniões doutrinárias. In “Conduta Espírita”, cap. 3, p. 24.
303 XAVIER, Francisco Cândido. Estudando a mediunidade. In “Nos Domínios da Mediunidade”, cap. 1, pp. 15, 17 e 18.
304 XAVIER, Francisco Cândido. Serviço de passes. In “Nos Domínios da Mediunidade”, cap. 17, p. 165.
305 Mateus, V, v. 37.
306 SHERWOOD. Keith. O perigo do medo. In “A Arte da Cura Espiritual”, cap. 2, item Confiança e união, p. 36.
307 Mateus, XXII, v. 39.
308 Mateus, XXII, v. 40.
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Re: O PASSE: SEU ESTUDO, SUAS TÉCNICAS, SUA PRÁTICA / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 05, 2018 10:38 am

3.2 - Os Espíritos
Será que já nos demos conta de que, para a realidade da existência do passista, se torna necessária a presença de trabalhadores no plano espiritual nessa mesma área, para secundar (o mais certo seria primar) os trabalhos?
Independentemente do atendimento dos Espíritos aos trabalhos específicos do passe, sabemos, com o Espírito Alexandre, que “Há verdadeiras legiões de trabalhadores de nossa especialidade amparando as criaturas, que através de elevadas aspirações, procuram o caminho certo nas instituições religiosas de todos os matizes”309.
Inclusive, com esta afirmação, fica evidente que o trabalho da Espiritualidade Superior, no atendimento de nossas necessidades, não se vincula a qualquer ordem ou orientação religiosa dessa ou daquela estirpe;
simplesmente atende aos necessitados, na proporção directa de sua fé, de seu merecimento e de sua vinculação com os planos elevados.
Isto ratifica a postulação de Kardec no capítulo XV de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, quando, registando passagens do Cristo e de Paulo neste especial, corporifica o “Fora da caridade não há salvação”.
Os Espíritos, temos certeza, são indispensáveis em nossas actividades fluidoterápicas e sua acção é tão palpável que negá-los se nos apresenta como ignorância ou puro orgulho;
ignorância da parte daquele que não sabe, não conhece, não experimentou; orgulho, naquele que sabe, conhece ou experimentou, mas se acredita insubstituível e fonte natural de todos os recursos que fluem por seu intermédio;
pobre coitado carente de oração e cuidados para não se obsediar em grau mais elevado.

309 XAVIER, Francisco Cândido. Passes. In “Missionários da Luz”, cap. 19, p. 327.

3.2.1 - Nos Passes
“- Mãos à obra!
Distribuamos alguns passes de reconforto!

“(...) Recordei Narcisa (...) Pareceu-me, ainda, ouvir-lhe a voz fraterna e carinhosa - 'André, meu amigo, nunca te negues, quanto possível, a auxiliar os que sofrem.
Ao pé dos enfermos, não olvides que o melhor remédio é a renovação da esperança; se encontrares os falidos e os derrotados da sorte, fala-lhes do divino ensejo do futuro;
se fores procurado, algum dia, pelos Espíritos desviados e criminosos, não profiras palavras de maldição.
Anima, eleva, educa, desperta, sem ferir os que ainda dormem. Deus opera maravilhas por intermédio do trabalho de boa vontade!' (...)
“Aniceto designou-me um grupo de seis enfermos espirituais, acentuando:
“- Aplique seus recursos, André. (...)
“Aproximei-me duma senhora profundamente abatida (...), entendendo que não deveria socorrer utilizando apenas a firmeza e a energia, mas também a ternura e a compreensão. (...)
“Lembrando a influência divina de Jesus, iniciei o passe de alívio sobre os olhos da pobre mulher, reparando que enorme placa de sombra lhe pesava na fronte”310.
Pela exposição, não temos motivos para descrer da acção dos Espíritos, já que a larga maioria dos experimentadores de todas as Escolas, de forma directa ou velada, também se reporta a essa acção, quer por menção à intuição, quer por referência as sensações de “acompanhamentos”.
Chico Xavier perguntou a André Luiz: “Quais os principais métodos usados na Espiritualidade para o tratamento das lesões do corpo espiritual?”
Eis a resposta:
“- Na Espiritualidade, os servidores da Medicina penetram, com mais segurança, na história do enfermo para estudar, com o êxito possível, os mecanismos da doença que lhe são particulares.
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Re: O PASSE: SEU ESTUDO, SUAS TÉCNICAS, SUA PRÁTICA / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 05, 2018 10:39 am

“Aí, os exames nos tecidos psicossomáticos com aparelhos de precisão (...) podem ser enriquecidos com a ficha cármica do paciente a qual determina quanto a reversibilidade ou irreversibilidade da moléstia, antes de nova reencarnação, motivo por que numerosos doentes são tratáveis, mas somente curáveis mediante longas ou curtas internações no campo físico, a fim de que as causas profundas do mal sejam extirpadas da mente pelo contacto directo com as lutas em que se configuraram.
“Crucial, portanto, é que o médico espiritual se utilize ainda, de certa maneira. da medicação que vos é conhecida, no socorro aos desencarnados em sofrimento (...)
“Contudo é imperioso reconhecer que na Espiritualidade Superior o médico (...) se ergue com (...) as qualidades morais que lhe confiram valor e ponderação, humildade e devotamento, visto que a psicoterapia e o magnetismo, largamente usados no plano extra físico, exigem dele grandeza de carácter e pureza de coração”311 (grifamos).
A transcrição dispensa comentários.
Na espiritualidade, é de se notar, também se faz uso da “psicoterapia e do magnetismo”, ficando, assim, definido que não se trata de Ciências eminentemente humanas, mas, sobretudo, Naturais.
Isso é bom ficar bem entendido pois Psicologia é o estudo da alma e Magnetismo à a Ciência do bem em acção;
e por assim serem entendidas, não podem, pura e simplesmente, ser afastadas das Casas Espíritas.
Devemos, isto sim, usar-lhe os benefícios, orientados pela lucidez kardequiana da Codificação Espírita, sem com isso estarmos apregoando devam as Instituições Espíritas ter ou vir a ser clínicas de psicologia ou departamentos de magnetismo aplicado.

310 XAVIER, Francisco Cândido. Assistência. In “Os Mensageiros”, cap. 44, pp. 228 a 231.
311 XAVIER, Francisco Cândido e VIEIRA, Waldo. Predisposições mórbidas. In “Evolução em Dois Mundos”, 2ª Parte, cap. 19, pp. 215 e 216.

3.2.2 - Sua Acção de Maneira Directa no Paciente
Vejamos um caso registado por Allan Kardec que fala por si:
“Tínhamos ocultado a morte do Sr. Demeure à Sra. G..., médium vidente e sonâmbula muito lúcida, para poupar sua extrema sensibilidade.
E o bom doutor (Demeure), percebendo nosso ponto de vista, sem dúvida tinha evitado manifestar-se a ela.
A 10 de fevereiro último, estávamos reunidos a convite de nossos guias que, diziam eles, queriam aliviar a Sra. G... de uma entorse de que sofria cruelmente desde a véspera.
Não sabíamos mais que isto (...).
Apenas caída em sonambulismo, a dama soltou gritos lancinantes, mostrando o pé.
Eis o que se passava:
“A Sra. G... via um Espírito curvado sobre sua perna, mas as suas feições ficavam ocultas;
operava fricções e massagens, fazendo de vez em quando uma fricção longitudinal sobre a parte doente, absolutamente como teria feito um médico.
A operação era tão dolorosa que a paciente por vezes vociferava e fazia movimentos desordenados.
Mas a crise não teve longa duração; ao cabo de dez minutos todo o traço de entorse havia desaparecido; não mais inflamação, o pé tinha tomado sua aparência normal; a Sra. G... estava curada.
“(•••) A cura referida acima é um exemplo da acção do magnetismo espiritual puro, sem qualquer mistura do magnetismo humano”312 (grifamos).
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Re: O PASSE: SEU ESTUDO, SUAS TÉCNICAS, SUA PRÁTICA / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 05, 2018 10:39 am

Eis outro exemplo, agora como testemunho pessoal;
há alguns anos sofríamos de um violento processo alérgico nas fossas nasais, ao ponto de só dormirmos com aplicação local de remédios vasoconstritores.
Como sofremos de hipertensão, a situação ficou muito delicada.
Certa noite, a hora de dormir, pedimos aos Amigos Espirituais que, se possível, “procurassem um jeitinho” para resolver o problema, pois já não conseguíamos dormir direito, em virtude da dificuldade de respiração.
Dias depois, enquanto trabalhávamos ao computador, repentinamente veio um mal-estar na narina mais fortemente afectada e, num espirro, saiu uma carnosidade bastante volumosa dali, envolta de sangue enegrecido.
Ficamos espantados mas, por precaução, guardamos aquela “carne” num vidro com álcool.
Fato é que não nos lembrávamos mais da prece daquela noite e, após uns quatro ou cinco dias deste último facto, percebemos que o nariz não mais ficava obstruído, pelo que voltamos a dormir direito (...)
Só então percebemos que tal se deu depois do desprendimento daquela “coisa”.
Procuramos, então, um médico amigo, contamos-lhe o facto, ele examinou o material e disse se tratar de um “cartucho” (esse é o nome que conhecemos) que tinha sido “cirurgiado”.
Para nós, foram os Espíritos que fizeram a cirurgia, se bem não saibamos como se deu o fenómeno na sua intimidade.
Não há dúvidas:
isto é exemplo de intervenção espiritual!

312 Poder curativo do magnetismo espiritual. In “Revista Espírita”, abr. 1865, pp. 109 a 111.


4. POTENCIAL FLUÍDICO
Como quem doa tem que ter o que doar ou saber o que, e onde conseguir para doá-lo, faremos alguns registos neste sentido.
Allan Kardec nos informa que “São extremamente variados os efeitos da acção fluídica sobre os doentes, de acordo com as circunstâncias.
Algumas vezes é lenta e reclama tratamento prolongado, como no magnetismo ordinário;
doutras vezes é rápida, como uma corrente eléctrica.
Há pessoas dotadas de tal poder, que operam curas instantâneas nalguns doentes, por meio apenas da imposição das mãos, ou, até, exclusivamente por ato da vontade.
Entre os dois pólos extremos dessa faculdade, há infinitos matizes.
Todas as curas desse género são variedades do magnetismo e só diferem pela intensidade e pela rapidez da acção.
O princípio é sempre o mesmo: o fluido, a desempenhar o papel de agente terapêutico, e cujo efeito se acha subordinado à sua qualidade e a circunstâncias especiais”313.
Observemos como o Codificador deixou bem diferenciado o magnetismo ordinário do magnetismo que é levado a efeito pelo Espiritismo e, por conseguinte, nos passes.
Como se infere, tanto da teoria quanto da prática, o magnetismo ordinário é de aplicação bem mais demorada que o espírita, mesmo em se tratando de um idêntico objectivo, um mesmo alcance.
Todavia, para quem não aceita ou não conhece o Espiritismo fica difícil entender o motivo disso tudo.
Para nós, que estudamos a Doutrina dos Espíritos, é fácil esse entendimento;
nossa acção conta com a participação consciente e aceita dos Espíritos e de seu instrumental, que chamaríamos de cósmico, fluido-espirítico ou ainda fluídico-espíritual.
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Re: O PASSE: SEU ESTUDO, SUAS TÉCNICAS, SUA PRÁTICA / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 05, 2018 10:39 am

Allan Kardec nos concede outras observações: “(...) o médium (curador) tem uma acção mais poderosa sobre certos indivíduos do que sobre outros, e não cura todas as doenças.
Compreende-se que assim deva ser, quando se conhece o papel capital que representam as afinidades fluídicas em todos os fenómenos de mediunidade.
Algumas pessoas mesmo só gozam acidentalmente e para um determinado caso.
Seria, pois, um erro crer que, por isso que se obteve uma cura, mesmo difícil, podem ser obtidas todas, pela razão que o fluido próprio de certas doenças é refractário ao fluido do médium; a cura é tanto mais difícil quanto a assimilação dos fluidos se opera naturalmente.
Assim, é surpreendente que algumas pessoas frágeis e delicadas exerçam uma acção poderosa sobre indivíduos fortes e robustos.
Então é que essas pessoas podem ser bons condutores do fluido espiritual, ao passo que homens vigorosos podem ser maus condutores.
Têm seu fluido pessoal, fluido humano, que jamais tem a pureza e o poder reparador do fluido depurado dos bons Espíritos”314 (grifamos).
Acreditamos ser óbvio que um corpo são tem melhores recursos fluídicos, via de regra, que um corpo débil, doente.
Numa obra já mencionada315, há registo das observações do comportamento orgânico em médiuns, onde, pelas perdas de peso, alteração de pulso e pressão e consideráveis modificações nos níveis sanguíneos, fica evidente que é necessário um bom estado orgânico para que se tenha um grande potencial fluídico.
Mas a recíproca não é necessariamente verdadeira.
O animismo (perispiritual) pode fornecer tónus vital próprio que exceda os potenciais orgânicos, assim como as condições nunca desprezíveis, advindas da actuação fluídica decorrente de uma vontade forte e da acção dos Espíritos reforçam esses potenciais.

313 KARDEC, Allan. Os fluidos. In “A Génese”, cap. 14, item 32.
314 Poder curativo do magnetismo espiritual. In “Revista Espírita”, abr. 1865, pp. 111 e 112.
315 KRIPPNER, Stanley (ph.D). Psicocinesia em Leningrado. In “Possibilidades Humanas”, cap. 2.


4.1 - Afinidade x Potencial Fluídico
Na “Revista Espírita” de 1858, Kardec nos diz:
“A emissão do fluido pode ser mais ou menos abundante: daí os médiuns mais ou menos potentes.
E como não é permanente, explica a intermitência daquele poder.
Enfim, se levarmos em conta o grau de afinidade que pode existir entre o fluido do médium e o de tal ou qual Espírito, compreender-se-á que sua acção se possa exercitar sobre uns e não sobre outros”316.
Concluído que a potência fluídica está directamente relacionada com a quantidade e a qualidade da emissão fluídica por parte do médium, localizamos, com Kardec, outra dependência: a da afinidade.
Tanto que ele diz:
“A cura é devida às afinidades fluídicas, que se manifestam instantaneamente, como um choque eléctrico, e que não podem ser prejulgadas”317.
Isso tudo nos induz ao entendimento das muitas vezes em que um determinado tipo de tratamento funciona com um paciente e não com outro;
ou com um, segundo uma extensão temporal mais ou menos longa, que em outros.
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Re: O PASSE: SEU ESTUDO, SUAS TÉCNICAS, SUA PRÁTICA / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 05, 2018 10:40 am

Por isso achamos precipitado acusarmos ineficiência em certos médiuns ou deficiência nalguns pacientes; muitas vezes o médium com maior potencial não consegue grandes coisas com determinado paciente, o qual vem a se curar com outro médium tido como “fraco”, fluidicamente falando.
É que além do potencial fluídico a afinidade é fundamental.
Para se entender como funciona essa afinidade, façamos uma analogia: uma emissora de rádio, por mais forte que seja seu “sinal”, não será receptada por um rádio que esteja sintonizado noutra frequência, ainda que de “sinal” mais fraco.
É que, como nos passes, além da potência do “sinal”, é indispensável a sintonia (afinidade) na mesma frequência.
Por outro lado a afinidade a que nos referimos não deve ser confundida com a simpatia que temos pelas pessoas.
A “afinidade fluídica” depende da vibração do campo fluídico em uma mesma frequência ou onde se instale uma frequência que comporte a outra.
Isto quer dizer que até frequências diferentes podem se combinar, desde que dentro, de determinados padrões e limites.
Reconhecendo o empirismo em que este assunto ainda se encontra, fica a sugestão para que busquemos investigar, pesquisar e aprofundar nossos conhecimentos na área para, de futuro, podermos equacionar melhor nossos padrões de afinidade versus potenciais fluídicos.

316 Teoria das manifestações físicas - 2. In “Revista Espírita”, jun. 1858, p. 156.
317 O ZUAVO Jacob - 2. In “Revista Espírita”, nov. 1867, p. 345.


4.2 - Moral x Potencial Fluídico
Quanto aos valores morais em função do potencial fluídico, já concluímos que seu engrandecimento é marcantemente necessário.
Para não nos alongarmos desnecessariamente, vejamos a analogia feita pelo Espírito Emmanuel:
“(...) Em essência, os olhos de um analfabeto. de um preguiçoso, de um malfeitor e de um missionário do bem não exibem qualquer diferença de histologia da retina(...)
“Imaginemos fosse concedida, aos quatro, determinada máquina com vistas à produção de certos benefícios, acompanhada da respectiva carta de instruções para o necessário aproveitamento.
“O analfabeto teria, debalde, o aparelho, por desconhecer como deletear o processo de utilização.
“O preguiçoso conheceria o engenho, mas deixá-lo-ia na poeira da inércia.
“O malfeitor aproveitá-lo-ia para explorar os semelhantes ou perpetrar algum crime.
“O missionário do bem, contudo, guardá-lo-ia sob a sua responsabilidade, orientando-lhe o funcionamento na utilidade geral.
“Força medianímica, desse modo, quanto acontece a capacidade visual, é dom que a vida outorga a todos.
“O que difere, em cada pessoa, é o problema de rumo”318.
Dispensando outros comentários, podemos concluir com Michaelus:
“(...) Tanto maior será a força do magnetizador quanto mais puro for o seu coração.
Quanto mais o homem se elevar espiritualmente, tanto maior será o poder de sua irradiação”319.
Ou seja: façamos nossa parte;
façamos o melhor possível pois a Espiritualidade faz sua parte, sempre.
E se “A cada um é dado segundo suas obras”, também prevalece o “Faz por ti que o Céu te ajudará” (Jesus).

318 XAVIER, Francisco Cândido. Força mediúnica "Seara dos Médiuns”, pp. 55 e 56.
319 MICHAELUS. In “Magnetismo Espiritual”, cap. 4, p. 36.
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Ave sem Ninho

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Re: O PASSE: SEU ESTUDO, SUAS TÉCNICAS, SUA PRÁTICA / Jacob Melo

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