Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 28, 2018 7:50 pm

Pois bem, foi exactamente à função de uma alavanca que Allan Kardec comparou a vontade e concluiu que o poder do magnetizador está na razão directa da força de vontade.
Ele, entretanto, não se limitou a essa referência.

... Algumas vezes basta mesmo que o médium magnetize, com essa intenção, a mão e o braço daquele que quer escrever.
Não raro até limitando-se o magnetizador a colocar a mão no ombro daquele, temo-lo visto escrever prontamente sob essa influência.
Idêntico efeito pode também produzir-se sem nenhum contacto, apenas por ato da vontade de auxiliar.
Concebe-se facilmente que a confiança do magnetizador no seu poder, para produzir tal resultado, há de aí desempenhar papel importante e que um magnetizador incrédulo, fraca acção ou nenhuma exercerá.
- In: O Livro dos Médiuns - Cap. XVII - "Da formação dos médiuns" - Item 206

Até mesmo para contribuir no desenvolvimento de faculdades mediúnicas — aqui ele trata das experiências no campo da psicografia — Allan Kardec sugere o apoio ou a interferência de um magnetizador, seja pelo toque directo sobre o membro em acção ou pela simples vontade de ajudar, sem qualquer contacto.
Entretanto, ele adiciona o aspecto da autoconfiança do magnetizador, a qual exerce importante papel no fenómeno.
Significa dizer que uma vontade vacilante, como acontece com a limitada "boa vontade", pouco produzirá ou mesmo nenhuma acção exercerá.
Isso nos entristece muito, pois é tão comum vermos e sabermos passistas que aplicam passes como uma mera obrigação, sem qualquer ânimo ou confiança interior, abstracção feita àqueles que não têm a mínima noção do que, de como ou quando fazer ou usar tal ou qual técnica.

São extremamente variados os efeitos da acção fluídica sobre os doentes, de acordo com as circunstâncias.
Algumas vezes é lenta e reclama tratamento prolongado, como no magnetismo ordinário;
d'outras vezes é rápida, como uma corrente eléctrica.
Há pessoas dotadas de tal poder, que operam curas instantâneas nalguns doentes, por meio apenas da imposição das mãos, ou, até, exclusivamente por ato da vontade.
Entre os dois pólos extremos dessa faculdade, há infinitos matizes.
Todas as curas desse género são variedades do magnetismo e só diferem pela intensidade e pela rapidez da acção.
O princípio é sempre o mesmo:
o fluido, a desempenhar o papel de agente terapêutico e cujo efeito se acha subordinado à sua qualidade e a circunstâncias especiais.
- In: A Génese - Cap. XIV - "CURAS" - item 32.

A força da vontade é tamanha que até mesmo sem uma acção fluídica propriamente dita, e em casos não comuns, porém realizáveis, só sua existência pode chegar a provocar uma cura instantânea.
Perdoe o trocadilho, mas é imperioso que observemos a vontade com vontade e não apenas com boa vontade.

O poder da fé se demonstra, de modo directo e especial, na acção magnética; por seu intermédio, o homem actua sobre o fluido, agente universal, modifica-lhe as qualidades e lhe dá uma impulsão por assim dizer irresistível.
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Ave sem Ninho

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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 28, 2018 7:50 pm

Daí decorre que aquele que a um grande poder fluídico normal junta ardente fé, pode, só pela força da sua vontade dirigida para o bem, operar esses singulares fenómenos de cura e outros, tidos antigamente por prodígios, mas que não passam de efeito de uma lei natural.
Tal o motivo por que Jesus disse a seus apóstolos:
se não o curastes, foi porque não tínheis fé.
- In: O Evangelho segundo o Espiritismo - Cap. XIX - "A fé transporta montanhas", item 5.

Valendo-se agora da fé como potente coadjuvante do magnetismo, Allan Kardec dá, por assim dizer, uma reforçada em tudo o que já vimos, afirmando, enfático:
"aquele que a um grande poder fluídico normal junta ardente fé, pode, só pela força da sua vontade dirigida para o bem, operar esses singulares fenómenos de cura e outros, tidos antigamente por prodígios..." e, praticamente criando embaraços para os que preferem tratar as ocorrências menos comuns da vida como sobrenaturais, acrescentou, não com menos ênfase, que tais eventos "não passam de efeito de uma lei natural".

... O Cristo, que operou milagres materiais, mostrou, por esses milagres mesmos, o que pode o homem, quando tem fé, isto é, a vontade de querer e a certeza de que essa vontade pode obter satisfação...
- In: O Evangelho segundo o Espiritismo - Cap. XIX - "A fé transporta montanhas" - Item 12, "A fé humana e a divina".

Esta citação foi repetida só para lembrar que a fé, em si mesma, é a vontade de querer...
Não é interessante essa ligação feita por um Espírito Protector, referendada por Kardec?
Fé e vontade sempre consorciadas entre si.
E a certeza da vontade pode obter satisfação...
Muito expressivo isso.
Mais interessante ainda foi a conclusão dessa mensagem:

Se todos os encarnados se achassem bem persuadidos da força que em si trazem, e se quisessem pôr a vontade a serviço dessa força, seriam capazes de realizar o que, até hoje, eles chamaram prodígios e que, no entanto, não passa de um desenvolvimento das faculdades humanas.

É isso: o que precisamos mesmo é colocar nossa vontade a serviço da força, do poder que todos temos, pois toda uma sorte de milagres e feitos fantásticos não passam de um desenvolvimento das nossas faculdades — será que você já tinha pensado nisso?
Já teria passado por sua cabeça que esses poderes "maravilhosos", os quais costumam causar espanto na maioria das pessoas, não passam do desenvolvimento de nossas capacidades e que essa mesma maioria, se quisesse, também poderia desenvolvê-los e produzir maravilhas de bênçãos?
Já pensou?

O Espiritismo torna compreensível a acção da prece, explicando o modo de transmissão do pensamento, quer no caso em que o ser a quem oramos acuda ao nosso apelo, quer no em que apenas lhe chegue o nosso pensamento.
Para apreendermos o que ocorre em tal circunstância, precisamos conceber mergulhados no fluido universal, que ocupa o espaço, todos os seres, encarnados e desencarnados, tal qual nos achamos, neste mundo, dentro da atmosfera.
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 28, 2018 7:50 pm

Esse fluido recebe da vontade uma impulsão;
ele é o veículo do pensamento, como o ar o é do som, com a diferença de que as vibrações do ar são circunscritas, ao passo que as do fluido universal se estendem ao infinito.
Dirigido, pois, o pensamento para um ser qualquer, na Terra ou no espaço, de encarnado para desencarnado, ou vice-versa, uma corrente fluídica se estabelece entre um e outro, transmitindo de um ao outro o pensamento, como o ar transmite o som.
A energia da corrente guarda proporção com a do pensamento e da vontade...
- In: O Evangelho segundo o Espiritismo - Cap. XXVII - "Pedi e obtereis" - Item 10, "Transmissão do Pensamento".

Eis aí mais uma ligação do magnetismo com a vontade, elemento que dá toda impulsão ao fluido universal (ou cósmico), inclusive explicando, de forma muita clara, como ocorre a acção da prece — dentro de padrões fluídicos, físicos, portanto.
A corrente fluídica, ou magnética, existe na proporção do pensamento e da vontade.
Isto é muito relevante, pois reforça, mesmo numa oração, o valor de uma pessoa que quer, sabe, procura e usa sua força interior.
Não é por menos que pessoas de fracos desejos, inconsistentes anseios, que só fazem o bem no limite da obrigação ou simplesmente repetem gestos, sem exercerem uma vontade firme e consciente, muito raramente obtêm maiores ou melhores sucessos em seus trabalhos magnéticos, quiçá em suas vidas comuns.

A acção magnética pela qual se dá a uma substância, a água, por exemplo, propriedades especiais, tem relação com a do Espírito que cria uma substância?
R.. O magnetizador não desdobra absolutamente senão a vontade;
é um Espírito que o ajuda, que se encarrega de preparar e de concentrar o remédio.
- In: Revista Espírita, edição agosto-1859, artigo "O guia da senhora Mally", questão 25, feita a São Luís.

Embora trate de questão bastante específica, a magnetização da água, São Luís reforça o quanto a vontade actua na acção magnética.
Só para lembrar, São Luís foi um dos principais Espíritos da Codificação.

O fluido perispiritual do encarnado, portanto, é posto em acção pelo Espírito;
se, pela sua vontade, o Espírito irradia, por assim dizer, seus raios sobre um outro indivíduo, esses raios o penetram; daí a acção magnética mais ou menos possante segundo a vontade, mais ou menos benfazeja segundo esses raios sejam de uma natureza mais ou menos boa, mais ou menos vivificante;
porque, pela sua acção, podem penetrar os órgãos, e, em certos casos, restabelecer o estado normal.
Sabe-se qual é a influência das qualidades morais no magnetizador.
- In: Revista Espírita, edição dezembro - 1862, artigo "Estudo sobre os possessos de Morzine - As causas da obsessão e os meios de combatê-la", escrito pelo próprio Allan Kardec.

Na forma como estou tratando do assunto, nesta citação surgiu um novo elemento para análise.
A vontade, já o sabemos, é factor determinante no processo magnético; ela define a potência da acção magnética.
O elemento novo aqui é a qualidade da emissão.
Esta interfere no maior ou menor benefício alcançado pelo magnetismo.
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 28, 2018 7:50 pm

Como essa qualidade relaciona-se muito directamente com a moral, a harmonia e o equilíbrio das emoções do magnetizador, esta é motivo mais do que suficiente para se buscar, nos anseios das curas, por um bom magnetizador, o qual não se limita a deter poderes excepcionais nem a uma vontade vigorosa;
é preciso que ele também seja detentor de elevada moral, ética, rectidão, equilíbrio.
A essas alturas, julgo que duas mensagens têm um espaço indispensável neste conjunto de citações, tanto pelo teor em si como pelos Espíritos que as transmitiram.

"A vontade, existindo no homem em diferentes graus de desenvolvimento, serviu, em todas as épocas, seja para curar, seja para aliviar.
É lamentável ser obrigado a constatar que ela foi também a fonte de muitos males, mas é uma das consequências do abuso que, frequentemente, o ser faz de seu livre arbítrio.
A vontade desenvolve o fluido, seja animal, seja espiritual, porque, o sabeis todos agora, há vários géneros de magnetismo, entre os quais estão o magnetismo animal e o magnetismo espiritual que pode, segundo a ocorrência, pedir apoio ao primeiro.
Um outro género de magnetismo, muito mais poderoso ainda, é a prece que uma alma pura e desinteressada dirige a Deus.
"A vontade foi, frequentemente, mal compreendida;
em geral aquele que magnetiza não pensa senão em desdobrar sua força fluídica, senão em derramar seu próprio fluido sobre o paciente submetido a seus cuidados, sem se ocupar-se há ou não uma Providência que nisso se interessa tanto e mais do que ele;
agindo só, não pode obter senão o que sua única força pode produzir;
ao passo que nossos médiuns curadores começam por elevar sua alma a Deus, e para reconhecer que, por eles mesmos, não podem nada;
fazem, por isso mesmo, um ato de humildade, de abnegação;
então, confessando-se muito fracos por si mesmos, Deus, em sua solicitude, lhes envia poderosos recursos que não pode obter o primeiro, uma vez que se julga suficiente para a obra empreendida.
Deus recompensa sempre a humildade sincera elevando-a, ao passo que rebaixa o orgulho.
Esse recurso que envia, são os bons Espíritos que vêm penetrar o médium de seu fluido benfazejo, que este transmite ao enfermo.
Também é por isso que o magnetismo empregado pelos médiuns curadores é tão poderoso e produz essas curas qualificadas de miraculosas e que são devidas simplesmente à natureza do fluido derramado sobre o médium;
ao passo que o magnetizador comum se esgota, frequentemente, em vão, em fazer passes, o médium curador infiltra um fluido regenerador pela única imposição das mãos, graças ao concurso dos bons Espíritos;
mas esse concurso não é concedido senão à fé sincera e à pureza de intenção."
- In: Revista Espírita, edição janeiro-1864, artigo "Médiuns Curadores", mensagem ditada por Mesmer, através do médium Sr. Albert.

Se você observou esta citação com cuidado, até o fim, deve ter-se espantado com o nome de seu autor.
É de causar espanto mesmo: foi Mesmer quem ditou estas palavras.
Uma síntese formidável, não é mesmo?
Com sua autoridade, lastreada não apenas na sua própria grandeza, como o mais respeitado de todos os magnetizadores modernos e contemporâneos, como, agora, na condição de Espírito errante, ele afirma ser a vontade que desenvolve o fluido não só animal como também o espiritual e ainda aponta que o magnetismo espiritual pode pedir ajuda ao magnetismo animal.
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 28, 2018 7:51 pm

Notável, não?
Melhor ainda: Allan Kardec não levantou qualquer suspeita que indicasse discordar do teor ou da identidade do autor.
A outra mensagem não é menos relevante:

"Uma palavra sobre os médiuns curadores, dos quais vindes de falar;
estão todos nas disposições mais louváveis;
têm a fé que ergue as montanhas, o desinteresse que purifica os actos da vida, a humildade que os santifica.
Que perseverem na obra de beneficência que empreenderam;
que se recordem bem que aquele que pratica as leis sagradas que o Espiritismo ensina, se aproxima constantemente do Criador.
Que, quando empregam sua faculdade, a prece, que é a vontade mais forte, seja sempre seu guia, seu ponto de apoio.
O Cristo vos deu, em toda a sua existência, a prova mais irrecusável da vontade mais firme, mas era a vontade do bem e não a do orgulho.
Quando dizia às vezes:
Eu quero, essa palavra estava cheia de unção; seus apóstolos, que o cercavam, sentiam seus corações se abrirem a essa santa palavra.
A doçura constante do Cristo, sua submissão à vontade de seu Pai, sua perfeita abnegação, são os mais belos modelos de vontade que se possa propor para exemplo."
- In: Revista Espírita, edição janeiro-1864, artigo "Médiuns Curadores", mensagem ditada por Paulo, o apóstolo, através do médium Sr. Albert.

Singular convite à purificação não apenas de nossos dons, mas de nossa vontade, de nossa acção humana, feito por ninguém menos que o grande Paulo de Tarso.
Convite a ser bem medido e pesado em nossa consciência, em nossa vida.
Que tal se fazer sempre uma prece ao iniciar um passe?
No mínimo, melhorará as condições gerais da acção.
Graças a Deus, a maioria já faz.
Que façamos com alma e coração.
Como, ao longo do estudo do Magnetismo segundo a óptica Espírita, é muito comum o entrelaçamento entre a acção magnética e a mediunidade curadora, pode ser que alguns conceitos sejam embaralhados e, certamente, poderá gerar deduções equivocadas.
Por isso mesmo, após tantas considerações acerca da vontade, de sua força e de seu poder, convém ponderar sobre dois destacados pontos frisados por Kardec:

Os Espíritos vão para onde querem; nenhuma vontade pode constrangê-los;
eles se rendem à prece se é fervorosa, sincera, mas jamais à injunção.
Disso resulta que a vontade não pode dar a mediunidade curadora, e que ninguém pode ser médium curador de desejo premeditado.
Reconhece-se o médium curador pelos resultados que obtém, e não pela sua pretensão de sê-lo.
- In: Revista Espírita, edição setembro-1865, artigo "Mediunidade Curadora", item 9.

Muito relevante isso: a vontade, como elemento propulsor de acções fluídicas, está associada ao magnetismo e não à mediunidade.
Ela, só por si, no sentido humano, exerce influência anímica e não espiritual.
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 29, 2018 7:56 pm

Nesse sentido ele retomou o assunto no item 14 do mesmo artigo:
A mediunidade curadora é uma aptidão, como todos os géneros de mediunidade, inerente ao indivíduo, mas o resultado efectivo dessa aptidão é independente de sua vontade.
Ela se desenvolve, incontestavelmente, pelo exercício, e sobretudo pela prática do bem e da caridade; mas como ela não poderia ter a constância, nem a pontualidade de um talento adquirido pelo estudo, e do qual se é sempre senhor, não poderia tornar-se uma profissão.
Seria, pois, abusivamente que uma pessoa se ostentasse diante do público como médium curador.
Estas reflexões não se aplicam aos magnetizadores, porque a força está neles, e são livres para dela dispor.

A distinção que o mestre lionês estabeleceu aí entre mediunidade curadora e Magnetismo é muito valiosa, notadamente na convergência do ponto comum: vontade.
As duas últimas frases são uma advertência deveras importante a fim, de que não façamos confusão entre as vertentes da cura.
Não se abusar em se dizer ou se apresentar como médium curador, o mesmo não se referindo ao magnetizador.
Para muitos, isso é, no mínimo, inquietante.
Prossigamos com Kardec:

Mas se a vontade é ineficaz quanto ao concurso dos Espíritos, ela é omnipotente para imprimir ao fluido, espiritual ou humano, uma boa direcção e uma energia maior.
No homem débil e distraído, a corrente é débil, a emissão fraca; o fluido espiritual se detém nele, mas sem proveito para ele;
no homem de uma vontade enérgica, a corrente produz o efeito de um duche.
Não é preciso confundir a vontade enérgica com a teimosia, porque a teimosia é sempre uma consequência do orgulho e do egoísmo, ao passo que o mais humilde pode ter a vontade do devotamento.
A vontade é ainda omnipotente para dar aos fluidos as qualidades especiais apropriadas à natureza do mal.
Este ponto, que é capital, se prende a um princípio ainda pouco conhecido, mas que está em estudo, o das criações fluídicas e das modificações que o pensamento pode fazer a matéria suportar.
O pensamento, que provoca uma emissão fluídica, pode operar certas transformações moleculares e atómicas, como se vê isto se produzir sob a influência da electricidade, da luz ou do calor.
- In: Revista Espírita, edição setembro-1865, artigo "Mediunidade Curadora", item 10.

Vontade omnipotente; bela expressão!
Verdadeiramente ricas estas observações de Allan Kardec.
Com elas, não apenas ficam desmistificadas muitas ocorrências tidas à conta de super naturais bem como se destaca a valência da vontade em todos os fenómenos magnéticos, mesmo aqueles que têm suporte ou direcção espiritual.
Em outubro de 1866, na sua Revista Espírita, ele comentou alguns artigos que leu e transcreveu, especialmente sobre o zuavo curador do Campo de Châlons:

... O conhecimento da lei da electricidade reduziu esse pretenso prodígio às proporções dos efeitos naturais.
Assim com uma multidão de outros fenómenos.
As conhecem-se todas as leis da Natureza?
A propriedade de todos os fluidos?
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 29, 2018 7:57 pm

Não se pode crer que um fluido desconhecido, como o foi por muito tempo a electricidade, seja a causa de efeitos inexplicados produzisse sobre a economia resultados impossíveis para a ciência, com a ajuda dos meios limitados dos quais dispõe?
Pois bem! ali está todo o segredo das curas medianímicas; ou melhor, não há segredo, porque o Espiritismo não tem mistérios senão para aqueles que não se dão ao trabalho de estudá-lo.
Essas curas têm muito simplesmente por princípio uma acção fluídica dirigida pelo pensamento e a vontade, em lugar de ser por um fio metálico.
O todo é conhecer as propriedades desse fluido, as condições nas quais ele pode agir, e saber dirigi-lo.
É preciso, além disso, um instrumento humano suficientemente provido desse fluido, e apto a lhe dar a energia suficiente.
Essa faculdade não é um privilégio de um indivíduo; por isto mesmo que ela está na Natureza, muitos a possuem, mas em graus muito diferentes, como todo o mundo há de ver, mas mais ou menos longe.
No número daqueles que dela estão dotados, alguns agem com conhecimento de causa, como do zuavo Jacob;
outros com seu desconhecimento, e sem se darem conta daquilo que se passa neles; sabem que curam, eis tudo;
perguntai-lhes como, disto não sabem nada.
Se são supersticiosos, atribuirão seu poder a uma causa oculta, à virtude de algum talismã ou amuleto que, em realidade, não servem para nada.
Ocorre assim com todos os médiuns inconscientes e o número deles é grande.
Muitas pessoas têm em si mesmas a causa primeira de efeitos que os espantam e que não se explicam.
Entre os negadores mais obstinados, mais de um é médium sem o saber.

De passagem:
"o Espiritismo não tem mistérios senão para aqueles que não se dão ao trabalho de estudá-lo".

Desta frase surge uma bela reflexão:
porque será que para tanta gente o Espiritismo aparenta ser tão misterioso?

Se, por um lado, a vontade não gera mediunidade, seguramente ela favorece à acção fluídica.
Fica restando o campo do conhecimento dos fluidos e suas leis àquele que, de facto, queira ser um curador, na melhor expressão da palavra.
Definitivamente, não devemos nos restringir a uma boa vontade imobilizante, mas desenvolver uma vontade firme, sem mesclas, robustecida pelo direccionamento ao bem, pois só assim ela será frutífera e gerará curas mais próximas da cura real.
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 29, 2018 7:57 pm

Abordagem 4
Preces e orações são formas de magnetismo

Soa sempre muito estranho quando alguém diz algo do tipo:
"No meu Centro não existe magnetismo, pois isso é coisa de pseudo-cientista".
Quando Allan Kardec destaca a prece, a oração, como uma atitude magnética, seguramente expõe opiniões que trazem uma crítica muito severa.
Afinal, não é de bom alvitre se generalizar em cima de comportamentos, muito menos quando não se tem bom conhecimento sobre aquilo que se está generalizando.

Podem-se obter curas unicamente por meio da prece?
"Sim, desde que Deus o permita;
pode dar-se, no entanto, que o bem do doente esteja em sofrer por mais tempo e então julgais que a vossa prece não foi ouvida".
9º Haverá para isso algumas fórmulas de prece mais eficazes do que outras?
"Somente a superstição pode emprestar virtudes quaisquer a certas palavras e somente Espíritos ignorantes ou mentirosos podem alimentar semelhantes ideias, prescrevendo fórmulas.
Pode, entretanto, acontecer que, em se tratando de pessoas pouco esclarecidas e incapazes de compreender as coisas puramente espirituais, o uso de determinada fórmula contribua para lhes infundir confiança.
Neste caso, porém, não é na fórmula que está a eficácia, mas na fé, que aumenta por efeito da ideia ligada ao uso da fórmula".
- In: O Livro dos Médiuns, Cap. XIV - "Dos Médiuns", item 176.

Nessas questões se destaca a forte ligação existente entre a prece e a cura.
O vínculo é directo, não consorciado a fórmulas, senão à fé.
A propósito da primeira resposta, pode intrigar o facto de ser colocado que a cura depende da "permissão de Deus".
O que deve passar despercebido para alguns é que a permissão de Deus não se dá por um ato passional, directo, desconectado de um contexto; essa permissão é o perfeito enquadramento das Leis Naturais, vigentes tanto para o mundo físico como para o espiritual.
Portanto, além de não derrogar as leis da matéria, todos os ditames e repercussões da vida e da acção espiritual são considerados.
É assim que se dá a permissão Divina para tudo.

Com certeza não é só o Espiritismo que nos assegura tão auspicioso resultado, nem ele tem a pretensão de ser o meio exclusivo, a garantia única de salvação para as almas.
Força é confessar, porém, que pelos conhecimentos que fornece, pelos sentimentos que inspira, como pelas disposições em que coloca o Espírito, fazendo-lhe compreender a necessidade de melhorar-se, facilita enormemente a salvação.
Ele dá a mais, e a cada um, os meios de auxiliar o desprendimento d'outros Espíritos ao deixarem o invólucro material, abreviando-lhes a perturbação pela evocação e pela prece.
Pela prece sincera, que é uma magnetização espiritual, provoca-se a desagregação mais rápida do fluido perispiritual;
pela evocação conduzida com sabedoria e prudência, com palavras de benevolência e conforto, combate-se o entorpecimento do Espírito, ajudando-o a reconhecer-se mais cedo e, se é sofredor, incute-se-lhe o arrependimento - único meio de abreviar seus sofrimentos.
- In: O Céu e o Inferno, 2a parte - Cap. I, item 15.
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 29, 2018 7:57 pm

Ressaltando que a acção fluídica apresentada nessa colocação refere-se à ajuda no tratamento de problemas perispirituais, no mundo espiritual, após um processo desencarnatório, nela encontramos uma forte confirmação da acção magnética provocada pela prece sincera, que, no dizer do codificador, é uma magnetização espiritual.
Mas ele ainda acrescenta que uma evocação conduzida com sabedoria e prudência pode ajudar ao sofredor espiritual, abreviando-lhe os sofrimentos.
Evocação, reparemos bem.

Por exercer a prece uma como acção magnética, poder-se-ia supor que o seu efeito depende da força fluídica.
Assim, entretanto, não é.
Exercendo sobre os homens essa acção, os Espíritos, em sendo preciso, suprem a insuficiência daquele que ora, ou agindo directamente em seu nome, ou dando-lhe momentaneamente uma força excepcional, quando o julgam digno dessa graça, ou que ela lhe pode ser proveitosa.
- In: O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. XXVII - "Pedi e Obtereis" - Item 14.

Nesta outra passagem, entretanto, observamos que Kardec sinaliza o poder dos Espíritos em interferirem, inclusive, no campo magnético humano, reforçando-o, suprindo-o, ampliando-o.
Não seria cem por cento correcto, portanto, dizer-se que uma prece apenas actua no campo do magnetismo espiritual, no sentido fluídico da expressão.
Sua acção, como se deduz, vai muito além, é muito mais potente e eficiente do que imaginamos.

... para curar pela acção fluídica, os fluidos mais depurados são os mais saudáveis; uma vez que esses fluidos benfazejos são o próprio dos Espíritos superiores, é, pois, o concurso destes últimos que é necessário obter; é por isso que a prece e a invocação são necessárias.
Mas para orar, e sobretudo orar com fervor, é preciso a fé;
para que a prece seja escutada, é preciso que seja feita com humildade e ditada por um sentimento real de benevolência e de caridade;
ora, não há de verdadeira caridade sem devotamento, e não há de devotamento sem desinteresse;
sem essas condições, o magnetizador, privado da assistência dos bons Espíritos, nisso está reduzido às suas próprias forças, frequentemente insuficientes, ao passo que com seu concurso podem ser centuplicados em poder e em eficácia...
- In: Revista Espírita, edição janeiro 1864, artigo "Médiuns Curadores".

Com esta colocação, o mestre lionês explicita uma outra configuração dos fluidos espirituais, destacando sua pureza e, portanto, sua penetrabilidade.
Mas, há de se repetir, não se trata de uma prece de boca ou palavras soltas e sim de sentimentos puros, apoiados numa vivência harmoniosamente equilibrada, cheia de fé e com evocação de Bons Espíritos.

... Todos os magnetizadores são mais ou menos aptos a curar, desde que saibam conduzir-se convenientemente, ao passo que nos médiuns curadores a faculdade é espontânea e alguns até a possuem sem jamais terem ouvido falar de magnetismo.
A intervenção de uma potência oculta, que é o que constitui a mediunidade, se faz manifesta, em certas circunstâncias, sobretudo se considerarmos que a maioria das pessoas que podem, com razão, ser qualificadas de médiuns curadores recorre à prece, que é uma verdadeira evocação.
- In: O Livro dos Médiuns - Cap. XIV - "Dos Médiuns" - Item 175, "Mediunidade curadora".
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 29, 2018 7:57 pm

A prece, como se vê, desempenha papel fundamental nas terapias fluídicas, notadamente naquelas qualificadas como mediunidade curadora.
Além de subsidiar as potencializações fluídicas decorrentes da acção de harmonia que ela gera ou na qual é gerada, o carácter evocativo de Espíritos superiores atrai a participação de entidades que também contribuem, decisivamente, para o sucesso do empreendimento magnético.
Permita-me destacar mais um ponto nessa citação:
os magnetizadores são mais ou menos aptos a curarem dependendo de saberem se conduzir convenientemente.
Sei que estou repisando um mesmo assunto, mas é bom que fiquemos muito firmes na convicção de que não há como se operar eficientemente sem que haja uma condução conveniente e esta, como já disse anteriormente, só se obtém pela estudo, pelo exercício e pela prática perseverante.
Retomando para a linha dessa abordagem, a citação seguinte confirma a parte material da questão, digamos assim.

Por que é que não vos sinto?
R. Porque os fluidos que compõem o perispírito são muito etéreos, não bastante material para vós; mas pela prece, pela vontade, pela fé, em uma palavra, os fluidos podem se tornar mais ponderáveis, mais materiais, e afectar mesmo o toque, o que ocorre nas manifestações físicas e que é a conclusão desse mistério.
- In: Revista Espírita, edição maio-1861, artigo "O doutor Glas", questão 18.

E há quem diga que o magnetismo está ausente do Espiritismo!
A oração sincera, evocando bons Espíritos, é prova inconteste dessa ciência e seus elementos em nosso meio, ainda mais quando da actuação da Espiritualidade no próprio mundo fluídico, enriquecendo-o, depurando-o, enobrecendo-o, não permite que se duvide dessa realidade.
Senão, veja-se o que vem a seguir, na palavra do próprio Kardec.

A prece não tem, pois, só o efeito de chamar, sobre o paciente, um socorro estranho, mas o de exercer uma acção magnética.
O que não se poderia, pois, pelo magnetismo secundado pela prece!
Infelizmente, certos magnetizadores fazem muito, a exemplo de muitos médicos, abstracção do elemento espiritual;
eles não vêem senão a acção mecânica e se privam assim de um poderoso auxiliar.
Esperamos que os verdadeiros Espíritas verão mais tarde, nesse facto, uma prova a mais do bem que poderão fazer em semelhante circunstância.
- In: Revista Espírita, edição janeiro-1863, artigo "Estudo sobre os possessos de Morzine - As causas da obsessão e os meios de combatê-la" - Segundo artigo.

Aí está mais uma confirmação do poder transformador — magnético e fluídico — da prece.
À época, Kardec lamentava o descrédito dos magnetizadores à prece;
hoje, certamente, ele estaria entristecido por perceber os espíritas, em grande número, refractários aos conhecimentos proporcionados pelo Magnetismo e até mesmo pelo pouco uso da oração sincera.
Lamentavelmente, hoje se ora muito sem maior profundidade e de magnetismo pouco se estuda, menos se conhece e quase nada se aplica.
Quão decepcionante deve ser isso para ele!
Digo isso com tristeza, pois sinto em mim mesmo uma dor imensa por perceber tão pouco caso a tão relevante ciência e suas benéficas repercussões em nosso meio!
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 29, 2018 7:57 pm

Seria de se perguntar sobre as razões da ligação da prece com o magnetismo. Vejamos.

A prece é o veículo dos fluidos espirituais mais poderosos, e que são como um bálsamo salutar para as feridas da alma e do corpo.
Ela atrai todos os seres para Deus, e faz, de alguma sorte, a alma sair da espécie de letargia em que ela é mergulhada quando esquece seus deveres para com o Criador.
Dita com fé, ela provoca naqueles que a ouvem o desejo de imitar aqueles que oram, porque o exemplo e a palavra levam também fluidos magnéticos de uma força muito grande.
- In: Revista Espírita, edição fevereiro - 1866, artigo "O Naufrágio do Borysthène".

É isso mesmo: a prece é o veículo por excelência da parte espiritual dos fluidos, ou seja, da parte mais subtil destes, atingindo, positivamente, tanto as mazelas do corpo como da alma.
A prece é o magnetismo animal que se espiritualiza ou, como também pode ser dito, é a espiritualidade se materializando através do magnetismo.
E tudo isso se dá com vigor, força, poder, não há como duvidar.
As observações nesse sentido, ainda bem, não se limitaram à referência acima. Eis outra.
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 29, 2018 7:58 pm

Abordagem 5
O fluido vital é vida

De que natureza é o agente que se chama fluido magnético?
"Fluido vital, electricidade animalizada, que são modificações do fluido universal."
- In: O Livro dos Espíritos, questão 427

Esse elemento, fluido magnético, é o tal que tem como fonte a mesma de todas as matérias, diferenciado apenas pela frequência em que vibra e sendo referido pela subtileza e por sua contextura diáfana, geralmente pouco perceptível aos sentidos comuns do ser humano encarnado.
Ao que parece, entretanto, ele, por si só, é incapaz de gerar a vida, embora, em si mesmo, seja vida, já que esta não se manifesta sem sua participação.
Embora pareça redundante dizer que o fluido vital é vida, ainda encontro companheiros com dificuldade de aceitarem a ideia de forma tranquila e imediata.
É verdade que a vida, em sua expressão mais profunda e essencial, é a manifestação do princípio espiritual, mas quando esta se dirige à matéria, ao princípio vital está credenciado papel de relevo, sem o qual o espectáculo vital não mantém a cena em plano aberto e real.
Como sempre, o escopo de Allan Kardec, dirigido ao desvendar de muita matéria, inclusive a espiritual, levou-o a tratar, de forma bastante lúcida, mais este assunto.
De início, antes mesmo da questão que abriu esta abordagem, eis o que ele perguntou e recebeu como resposta dos Espíritos:

62. Qual a causa da animalização da matéria?
"Sua união com o princípio vital."
65. O princípio vital reside em alguns dos corpos que conhecemos?
"Ele tem por fonte o fluido universal.
É o que chamais fluido magnético, ou fluido eléctrico animalizado.
É o intermediário, o elo existente entre o Espírito e a matéria."
- In: O Livro dos Espíritos.

Vitalidade!
Princípio vital e vida!
Fluido vital!
Por outro caminho, volta a ficar evidenciada a relação entre os fluidos, o magnetismo e a vida em si. Inarredável!
Esta é a palavra que define bem a ligação entre o magnetismo e nossas vidas, entre ele e o Espiritismo igualmente.
Não é nem mesmo uma questão de ver quem sabe ou quem conhece, mas de ver quem quer ver.
Abrindo um parêntese, a quem tiver dificuldade para entender as nuances entre fluido vital e princípio vital sugiro a leitura desse assunto em meu livro "O Passe", seu estudo, suas técnicas, sua prática. Parêntese fechado.
Na questão 65, o elo entre o fluido vital e a vida em si surge de forma bastante definitiva, o que nos impulsiona para a confirmação de que viver é se ser magnético.

Os órgãos se impregnam, por assim dizer, desse fluido vital e esse fluido dá a todas as partes do organismo uma actividade que as põe em comunicação entre si, nos casos de certas lesões, e normaliza as funções momentaneamente perturbadas.
Mas, quando os elementos essenciais ao funcionamento dos órgãos estão destruídos, ou muito profundamente alterados, o fluido vital se torna impotente para lhes transmitir o movimento da vida, e o ser morre.
- In: O Livro dos Espíritos - parte do comentário de Kardec à questão 70.
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 29, 2018 7:58 pm

Nesta questão, Allan Kardec deixa mais evidente ainda como para vivermos e estarmos encarnados é imprescindível que o fluido vital esteja não só presente no corpo, mas igualmente potente e em quantidade compatível para a "movimentação" dos órgãos.

Por meio de cuidados dispensados a tempo, podem reatar-se laços prestes a se desfazerem e restituir-se à vida um ser que definitivamente morreria se não fosse socorrido?
"Sem dúvida e todos os dias tendes a prova disso.
O magnetismo, em tais casos, constitui, muitas vezes, poderoso meio de acção, porque restitui ao corpo o fluido vital que lhe falta para manter o funcionamento dos órgãos".
- In: O Livro dos Espíritos, questão 424.

De início ressalto que Allan Kardec sempre foi muito zeloso com o uso da palavra, de forma que não podemos esperar dele incrementos desnecessários, adjectivos inapropriados ou supressões decorrentes de descuidos.
Ademais, os Espíritos da Codificação o advertiram quanto ao uso das expressões, deixando enfático que é imperioso convir o que é a forma e o que é o fundo. Senão, vejamos a questão seguinte:

Que se deve pensar da expulsão dos demónios, mencionada no Evangelho?
"Depende da interpretação que se lhe dê.
Se chamais demónio ao mau Espírito que subjugue um indivíduo, desde que se lhe destrua a influência, ele terá sido verdadeiramente expulso.
Se ao demónio atribuirdes a causa de uma enfermidade, quando a houverdes curado direis com acerto que expulsastes o demónio.
Uma coisa pode ser verdadeira ou falsa, conforme o sentido que empresteis às palavras.
As maiores verdades estão sujeitas a parecer absurdos, uma vez que se atenda apenas à forma, ou que se considere como realidade a alegoria. Compreendei bem isto e não o esqueçais nunca, pois que se presta a uma aplicação geral."
- In: O Livro dos Espíritos, questão 480.

Feita esta anotação, retornemos ao que comentava.
Quando, na interrogativa anterior, Kardec usou o advérbio definitivamente, ele quis dar destaque, com total ênfase, à situação proposta, ou seja, ele queria saber se a pessoa desencarnaria mesmo se não fossem tomadas providências nesse sentido.
A resposta dos Espíritos traz de volta a questão do magnetismo, o qual, nesse tipo de situação proposta, costuma ser poderoso meio de acção, já que é dele que o corpo moribundo recebe o tónus fluídico indispensável para a manutenção e o funcionamento dos órgãos.
Se os Espíritos sugerem, também nessa resposta, que o magnetismo é a "vara de toque" para se trabalhar casos desse tipo é justo perguntar:
será que eles, na formulação de suas respostas, quando falavam em acção magnética estavam considerando os magnetizadores da época, os quais se preparavam, através de estudos e treinamentos sérios e constantes, inclusive com responsabilidades bem definidas perante os órgãos da sociedade, ou imaginavam que espíritas do empós, assim como alguns práticos das fluidoterapias ligados a outros métodos de cura, sempre apressados em resolverem milagres, seriam os destinatários dessas observações?
Não creio que os Espíritos da Codificação sugerissem o uso do magnetismo — nitidamente humano — em casos tão sérios e delicados aplicado por magnetizadores inexperientes ou desconhecedores dos princípios que norteiam essa ciência.
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 29, 2018 7:58 pm

Parece-me muito óbvio que a recomendação era destinada ao bom magnetizador.
Este, também é claro, pode — e até deve — ser espírita, ser o nosso conhecido passista.
Só que, para tanto, precisa estar bem preparado para a tarefa, conhecendo, lucidamente, as duas ciências e agindo com uma vontade voltada ao bem, convenientemente dirigida.
No comentário que fez à questão de número 70 de "O Livro dos Espíritos", Allan Kardec, ao final, anotou o seguinte:

Os corpos orgânicos são, assim, uma espécie de pilhas ou aparelhos eléctricos, nos quais a actividade do fluido determina o fenómeno da vida.
A cessação dessa actividade causa a morte.
A quantidade de fluido vital não é absoluta em todos os seres orgânicos.
Varia segundo as espécies e não é constante, quer em cada indivíduo, quer nos indivíduos de uma espécie.
Alguns há, que se acham, por assim dizer saturados desse fluido, enquanto os outros o possuem em quantidade apenas suficiente.
Daí, para, alguns, vida mais activa, mais tenaz e, de certo modo, super-abundante.
A quantidade de fluido vital se esgota.
Pode tornar-se insuficiente para a conservação da vida, se não for renovada pela absorção e assimilação das substâncias que o contêm.
O fluido vital se transmite de um indivíduo a outro.
Aquele que o tiver em maior porção pode dá-lo a um que o tenha de menos e em certos casos prolongar a vida prestes a extinguir-se.

Confirma-se aqui que a vida se dá pela "actividade" do fluido vital e não apenas por ele.
Tal como há a necessidade do fluido vital para que, em existindo, seja movimentado, qual também é imperioso que algo ou alguém propicie esse movimento, essa actividade.
Nessa subtileza e considerando o caso em análise, seguramente, surge a importância do magnetizador.
Além de ele ser necessário, sabendo como agir deve também possuir fluido em saturação para fazer uso e conseguir favorecer a fim de se dar o prolongamento da vida em suas mãos.
Embora não tenha ficado explícito na transcrição, parece estar mais do que evidente que o trabalho com fluidos pede mais do que simplesmente possuí-los.
Até porque o seu uso implicará não apenas no receptor, mas poderá levar seu doador à exaustão.
Aproveitando o ensejo, lembro que, como seria de se imaginar, os fluidos de exteriorização e doação não são constantes, em termos quantitativos — e, pela prática, os passistas magnéticos sabem que qualitativamente também — nos magnetizadores.
Isso convida à reflexão acerca do risco do esgotamento fluídico — tema esse que trato em meus livros sobre passes e magnetismo sob o título de "fadiga fluídica".
Por fim, a possibilidade de transmissão desses fluidos é real, desde que quem precise encontre quem o disponha, queira e saiba transmiti-lo.
Completando este assunto sobre fadiga, vejamos uma rápida referência com Kardec:

O fluido humano sendo menos activo, exige uma magnetização prolongada e um verdadeiro tratamento, às vezes, muito longo;
o magnetizador, dispensando seu próprio fluido, se esgota e se fatiga, porque é de seu próprio elemento vital que ele dá;
é porque deve, de tempos em tempos recuperar suas forças.
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 29, 2018 7:58 pm

O fluido espiritual, mais poderoso em razão de sua pureza, produz efeitos mais rápidos e, frequentemente, quase instantâneos.
Esse fluido não sendo o do magnetizador, disto resulta que a fadiga é quase nula.
- In: Revista Espírita, edição setembro - 1865, artigo "Da mediunidade curadora", item 5.

Aí está Kardec fazendo referência às perdas fluídicas pelo magnetizador em acção, o que pede cuidado no uso e repouso para a recuperação vital. Inclusive, só para destacar, ele não descartou a possibilidade de fadiga fluídica em quem só aplica magnetismo espiritual; é quase nula essa fadiga, mas não é nula.

-Estas palavras: conhecendo em si mesmo a virtude que dele saíra, são significativas.
Exprimem o movimento fluídico que se operara de Jesus para a doente; ambos experimentaram a acção que acabara de produzir-se.
É de notar-se que o efeito não foi provocado por nenhum acto da vontade de Jesus;
não houve magnetização, nem imposição das mãos.
Bastou a irradiação fluídica normal para realizar a cura.
Mas, por que essa irradiação se dirigiu para aquela mulher e não para outras pessoas, uma vez que Jesus não pensava nela e tinha a cercá-lo a multidão?
É bem simples a razão.
Considerado como matéria terapêutica, o fluido tem que atingir a matéria orgânica, afim de repará-la;
pode então ser dirigido sobre o mal pela vontade do curador ou atraído pelo desejo ardente, pela confiança, numa palavra:
pela fé do doente.
Com relação à corrente fluídica, o primeiro age como uma bomba colcante e o segundo como uma bomba aspirante.
Algumas vezes, é necessária a simultaneidade das duas acções; doutras, basta uma só.
O segundo caso foi o que ocorreu na circunstância de que tratamos.
Razão, pois, tinha Jesus para dizer: «Tua fé te salvou.»
Compreende-se que a fé a que ele se referia não é uma virtude mística, qual a entendem muitas pessoas, mas uma verdadeira força atractiva, de sorte que aquele que não a possui opõe à corrente fluídica uma força repulsiva, ou, pelo menos, uma força de inércia, que paralisa a acção.
Assim sendo, também se compreende que, apresentando-se ao curador dois doentes da mesma enfermidade, possa um ser curado e outro não.
É este um dos mais importantes princípios da mediunidade curadora e que explica certas anomalias aparentes, apontando-lhes uma causa muito natural.
- In: A Génese - Cap. XV — "Os milagres do Evangelho" — item II.

Contrariando um pouco do que venho dizendo em termos de necessidade de conhecimento do magnetismo prático, temos aqui um vigoroso exemplo, no qual o magnetizador sequer exprimiu sua vontade na direcção do movimento fluídico.
O magnetizador foi Jesus e a paciente, a mulher hemorroíssa.
Eis o relato, conforme consta no Novo Testamento:

-- Ora, certa mulher, que havia doze anos padecia de uma hemorragia e que tinha sofrido bastante às mãos de muitos médicos, e despendido tudo quanto possuía sem nada aproveitar, antes indo a pior, tendo ouvido falar a respeito de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou-lhe o manto, porque dizia:
Se tão-somente tocar-lhe as vestes, ficaria curada.
E imediatamente cessou a sua hemorragia;
e sentiu no corpo estar já curada do seu mal.
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 30, 2018 7:59 pm

E logo Jesus, percebendo em si mesmo que saíra dele uma virtude, virou-se no meio da multidão e perguntou:
Quem me tocou as vestes?
Responderam-lhe os seus discípulos:
Vês que a multidão te aperta e perguntas:
Quem me tocou?
Mas ele olhava em redor para ver a que isto fizera.
Então a mulher, atemorizada e trémula, cônscia do que nela se havia operado, veio e prostrou-se diante dele e declarou-lhe toda a verdade.
Disse-lhe ele:
Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz, e fica livre desse teu mal.
- In: Marcos, V, 25 a 34.

Naturalmente sabemos do grande poder fluídico de Jesus e do padrão em que suas energias vibravam; parece ser óbvio que sempre estiveram acima dos níveis que conhecemos.
Ainda assim, na mesma circunstância temporal em que aquela mulher o tocou, uma multidão o fazia igualmente, nem por isso conseguia absorver tal "virtude".
Fácil deduzir que um exerceu seu poder atractivo, no caso, a mulher, conseguindo realizar a auto-magnetização, extraindo para si a carga fluídica que necessitava para fazer romper aquele circuito de perdas sanguíneas contínuas;
os outros careciam desse poder.
Destaco, além disso, outros pontos relevantes.
Kardec anotou: não houve magnetização, nem imposição das mãos.
Será que ele quis dizer isso mesmo?
Se sim, parece que há distinção entre os dois.
Mais adiante, em abordagem própria, tratarei desse assunto.
Adiante, ele volta a reunir a questão da vontade e da fé nos processos de terapia magnética, afirmando que os fluidos, necessitando atingir pontos orgânicos para a ocorrência da cura, podem ser dirigidos sobre o mal pela vontade do curador, ou atraídos pelo desejo ardente, pela confiança, numa palavra:
pela fé do doente.
Ao que me permito questionar:
e o que seria um desejo ardente senão a própria vontade?
Se bem que esta, agora, é a vontade do paciente, não vejo como se dar o magnetismo sem sua presença, como não imagino uma fé sem esse querer e essa confiança arrebatadores.
Outra pontuação interessante é a que coloca o possível e o realizável num campo lógico e ajustado.
Para que o fluido vital desempenhe sua função de cura, de vida, portanto, ele pede a presença da fé inabalável.
Quando existente nos envolvidos, o potencial dos efeitos curativos se amplia, mas ficou evidente que se o potencial de um for suficientemente forte e seguro, o fenómeno ocorre de igual maneira.
Todavia, querer que ele se dê sem qualquer atractividade é uma extrapolação que só os acomodados podem esperar.
Se a Natureza não dá saltos e se nada se obtém sem que seja desenvolvido esforço, não seria no Magnetismo que essa regra estaria rompida.
Portanto, quando se recomenda aos pacientes que tenham fé não se está jogando com conceitos meramente religiosos ou místicos, mas postulando-se comportamento coerente com a própria ciência.
Dessa reflexão anterior surge uma outra paralela.
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 30, 2018 7:59 pm

Se Jesus, enquanto magnetizador, podia curar mesmo sem ter, na circunstância, a vontade a isso voltada, além do poder aspirante da paciente em foco, também existia a potência fluídica nele bem como a qualidade intrínseca para que o objectivo fosse atingido.
Bom, Jesus podia isso.
E nós, poderíamos também?
Mesmo com a resposta sendo positiva, para que isto ocorra pelo menos duas premissas precisam existir:
que o magnetizador possua o fluido magnético para exteriorização e que este seja harmónico para o processo terapêutico.
E como se consegue isso?
Aprimorando-o, desde a prática regular, equilibrada, metódica e séria do magnetismo, assim como na melhoria do padrão de frequência em que se vive, ou seja, no estado de elevação moral e justeza ética, de forma a possuir uma consciência tranquila, sem desequilíbrios.
Esse é o componente que melhor refina nossos fluidos e nos dota de potenciais mais intensos de alcance curativos.
Por fim, Allan Kardec, sempre relacionando a aplicação do magnetismo com a mediunidade curadora, conclui que na base das explicações para que algumas curas ocorram com certos pacientes enquanto que em outros não se verifiquem na mesma intensidade, estão a fé e os potenciais fluídicos.
E quero chamar sua atenção para mais este detalhe:
embora incómodo, o argumento do merecimento, ou da falta dele, não foi considerado nessa questão.

XIX. Por que é que nem toda gente pode produzir o mesmo efeito e não têm todos os médiuns o mesmo poder?
"Isto depende da organização e da maior ou menor facilidade com que se pode operar a combinação dos fluidos.
Influi também a maior ou menor simpatia do médium para com os Espíritos que encontram nele a força fluídica necessária.
Dá-se com esta força o que se verifica com a dos magnetizadores, que não é igual em todos.
A esse respeito, há mesmo pessoas que são de todo refractárias; outras com as quais a combinação só se opera por um esforço de vontade da parte delas; outras, finalmente, com quem a combinação dos fluidos se efectua tão natural e facilmente, que elas nem dão por isso e servem de instrumento a seu mau grado, como atrás dissemos."
NOTA: Estes fenómenos têm sem dúvida por princípio o magnetismo, porém, não como geralmente o entendem.
A prova está na existência de poderosos magnetizadores que não conseguiram fazer que uma pequenina mesa se movesse e na de pessoas que não logram magnetizar a ninguém, nem mesmo a uma criança, às quais, no entanto, basta que ponham os dedos sobre uma mesa pesada, para que esta se agite.
Assim, desde que a força mediúnica não guarda proporção com a força magnética, é que outra causa existe.
- In: O Livro dos Médiuns - Cap. IV— "Da teoria das manifestações físicas".

Mais uma vez, Kardec faz referência à organização — organismo, fisiologismo, corpo humano mesmo — e às possibilidades de combinações fluídicas, além da relação entre os médiuns e os Espíritos, deixando de fora o item tão referido por nós, os espíritas: o merecimento.
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 30, 2018 7:59 pm

Esta palavrinha mágica, por sinal, é muito usada para preencher todos os espaços que deveriam ser ocupados pelo conhecimento das leis magnéticas.
Pena que ela sirva tão bem para acobertar justificativas injustificáveis.
Em seguida, ele relaciona a mediunidade com o Magnetismo, muito embora ressalte, com total ênfase, que o potencial magnético de um não o dota de poderes mediúnicos e que nem todo médium possui igualmente grande poder magnético.
Apesar disso, o magnetismo é o princípio de todos esses eventos.
Deduzo que qualquer leitor atento certamente ficaria em dúvida com esse emaranhado — quem ou o quê vem de onde e sobre o que ou quem atinge e afecta —, como, inclusive, nos primeiros passos do conhecimento dessas ciências eu fiquei.
O caso é: o que fazer para dele sair?
Simples; estudar e praticar.
Posso até não ser o melhor exemplo, mas é isso o que eu venho fazendo.

Qual a causa da insensibilidade física que se observa em alguns convulsionários, assim como em outros indivíduos submetidos às mais atrozes torturas?
"Em alguns é, exclusivamente, efeito do magnetismo que actua sobre o sistema nervoso, do mesmo modo que certas substâncias.
Em outros, a exaltação do pensamento embota a sensibilidade.
Dir-se-ia que nestes a vida se retirou do corpo, para se concentrar toda no Espírito.
Não sabeis que, quando o Espírito está vivamente preocupado com uma coisa, o corpo nada sente, nada vê e nada ouve?"
- In: O Livro dos Espíritos, questão 483.

Neste ponto temos uma colocação que eu considero chave: "o magnetismo actua sobre o sistema nervoso".
Se, por um lado, esta informação nos presenteia com um manancial de hipóteses e justificativas para um sem-número de ocorrências tidas, outrora, como sobrenaturais, noutra direcção nos aponta para uma questão dolorosa, que surge apenas no aprofundamento dessa constatação.
Primeiro devemos observar que as causas de arrepios, tremores, abalos, choques e similares, enquanto se está sob os efeitos de uma acção magnética — seja como doador ou receptor —, tem seu entendimento de forma muito rápida quando se sabe da repercussão tão directa do magnetismo sobre o sistema nervoso.
Depois, sendo esse sistema o meio no qual os fluidos se entretecem e estabilizam por ocasião da absorção fluídica, os estados de alta tensão são sempre desaconselháveis a quem pretenda ser atendido ou a atender pelos mecanismos magnéticos.
Também há de ser considerado que com o magnetismo medrando no sistema nervoso, não convém a alguém que o tenha em desalinho ou desarmónico se propor à tarefa de magnetizar, pois lhe faltará um padrão de equilíbrio para uma usinagem eficiente.
Por fim, com os fluidos magnéticos atingindo o sistema nervoso de forma tão objectiva, sempre será de boa medida termos muito cuidado no uso desse mecanismo de ajuda, pois, embora cheios de boa intenção, podemos provocar distúrbios no organismo do paciente, se não soubermos agir de forma conveniente e segura.
A outra vertente do problema, a que incomoda muito, é: com tantas doenças associadas ao sistema nervoso, como Alzheimer, Parkinson, epilepsia, escleroses e AVCs, por exemplo, seria de se esperar que elas recebessem do Magnetismo uma terapia profunda e eficiente, de sorte que a própria Medicina se apoiasse nesse meio terapêutico.
Todavia, tal não se dá.
É, pois, de se questionar: estaria correcta a explicação dos Espíritos?
Seria ela tão geral quanto a entendo?
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 30, 2018 7:59 pm

Se sim, então teremos outras questões a resolver:
por que não conseguimos, ainda, obter, de forma constante e repetida, resultados mais efectivos nas terapias dos males do sistema nervoso?
Por que não há um investimento nessa direcção?
Por que até mesmo em mensagens espirituais temos tão poucas referências a essa abordagem?
Se a própria humanidade já viveu, num passado recente, a década do cérebro, qual a razão para nós, os espíritas e magnetizadores, sermos tão tímidos nesse terreno tão carente de soluções eficientes?
Dentre as respostas prováveis e razoáveis, temos, de partida, que os pacientes acometidos desses males não procuram tanto essa terapia como se observa em outros tipos de patologias;
depois, os magnetizadores espíritas, lidando com essa problemática, costumam fazer referências a questões obsessivas, reencarnatórias ou de falta de merecimento — eis a palavrinha mágica aí — em vez de estudarem e aprofundarem seus conhecimentos e experiências;
existe também um certo receio de um imaginário conflito entre a Medicina e o Magnetismo, como se essas fossem ciências antagónicas inconciliáveis;
a Espiritualidade talvez esteja um tanto quanto silenciosa em torno do assunto esperando o despertamento do homem para a realidade subtil de sua própria natureza;
e o pior: parece que não acreditamos em nós mesmos, em nossos potenciais, do contrário nosso empenho, nossa dedicação e nossos objectivos seriam mais ambiciosos, pois caminhar nessa direcção é buscar desenvolver um bem tão grandioso para a humanidade que não dá mais para se permanecer de braços cruzados.
Nas duas questões que antecedem a transcrita, Allan Kardec tratou, mais detalhadamente, as convulsões e os convulsionários.
Vejamo-las.

Desempenham os Espíritos algum papel nos fenómenos que se dão com os indivíduos chamados convulsionários?
"Sim e muito importante, bem como o magnetismo, que é a causa originária de tais fenómenos.
O charlatanismo, porém, os tem amiúde explorado e exagerado, de sorte a lançá-los ao ridículo".
Como é que sucede estender-se subitamente a toda uma população o estado anormal dos convulsionários e dos que sofrem de crises nervosas?
"Efeito de simpatia.
As disposições morais se comunicam mui facilmente, em certos casos.
Não és tão alheio aos efeitos magnéticos que não compreendas isto e a parte que alguns Espíritos naturalmente tomam no facto, por simpatia com os que os provocam."
Entre as singulares faculdades que se notam nos convulsionários, algumas facilmente se reconhecem, de que numerosos exemplos oferecem o sonambulismo e o magnetismo, tais como, além de outras, a insensibilidade física, a leitura do pensamento, a transmissão das dores, por simpatia, etc.
Não há, pois, duvidar de que aqueles em quem tais crises se manifestam estejam numa espécie de sonambulismo desperto, provocado pela influência que exercem uns sobre os outros.
Eles são ao mesmo tempo magnetizadores e magnetizados, inconscientemente.
- In: O Livro dos Espíritos, questões 481 e 482.
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 30, 2018 7:59 pm

Na resposta à primeira pergunta, os Espíritos ratificam que o magnetismo é a causa matriz do fenómeno das convulsões e na segunda falam da "simpatia" como deflagrador.
Pergunto: a que tipo de simpatia eles se referiam?
Os Espíritos informam ser aquelas referentes às semelhanças morais, as quais tendem a reunir os que se encontram sob idênticos padrões.
Portanto, não se tratava de simpatia pessoal porque, a exemplo do sucedido no famoso caso dos convulsionários de Saint-Médard (ver O Livro dos Médiuns, cap. II, item 11, e Revista Espírita, edições de novembro e dezembro-1859; e maio, julho e setembro - 1860), os que entravam em crises convulsivas muitas vezes sequer se tinham visto antes.
Uma outra dedução pode ser extraída da "reprimenda" dada pelos Espíritos ao codificador, já que ele era conhecedor do magnetismo; ele deveria saber que a simpatia existente ou ausente se dava em relação aos campos fluídicos interagindo uns com os outros.
Ou seja, os fluidos vitais de cada convulsionário se reconheciam e se permutavam, transformando, literalmente, suas vidas, ainda que momentaneamente, donde serem tidos como magnetizadores e magnetizados a um só tempo.
Para não deixar inconclusiva a questão da simpatia, vejamos esta colocação de Kardec.

A força fluídica aplicada à acção recíproca dos homens uns sobre os outros, quer dizer, no magnetismo, pode depender:
1° da soma de fluido que cada um possui;
2° da natureza intrínseca do fluido de cada um, abstracção feita da quantidade;
3o do grau de energia da força impulsora, talvez mesmo dessas três causas reunidas.
Na primeira hipótese, aquele que tem mais fluido dá-lo-ia àquele que o tem menos, mais do que dele receberia;
haveria, nesse caso, analogia perfeita com a permuta de calor que fazem entre eles, dois corpos que se colocam em equilíbrio de temperatura.
Qualquer que seja a causa dessa diferença, podemos nos dar conta do efeito que ela produz, supondo três pessoas das quais nós representaremos a força por três números:
10, 5 e 1.
O 10 agirá sobre o 5 e sobre o 1, mas, mais energicamente sobre o 1 do que sobre o 5;
o 5 agirá sobre o 1, mas será impotente sobre o 10;
enfim, o 1 não agirá nem sobre um, nem sobre o outro.
Tal seria a razão pela qual certas pessoas são sensíveis à acção de tal magnetizador e insensíveis à acção de tal outro.
Pode-se ainda, até um certo ponto, explicar esse fenómeno, reportando-nos às considerações precedentes.
Dissemos, com efeito, que os fluidos individuais são simpáticos ou antipáticos, uns em relação aos outros.
Ora, não poderia se dar que a acção recíproca de dois indivíduos estivesse em razão da simpatia dos fluidos, quer dizer, de sua tendência a se confundir, por uma espécie de harmonia, como as ondas sonoras produzidas pelos corpos vibrantes?
É indubitável que essa harmonia ou simpatia dos fluidos é uma condição, ainda que não absolutamente indispensável, ao menos muito preponderante, e que, quando há desacordo ou simpatia, a acção não pode ser senão fraca, ou mesmo nula.
Esse sistema nos explica bem as condições prévias da acção; mas não nos diz de que lado está a força, e tudo admitindo, somos forçados a recorrer à nossa primeira suposição.
De resto, que o fenómeno haja ocorrido por uma ou por outra dessas causas, isso não tem nenhuma consequência;
o facto existe, é o essencial: os da luz se explicam, igualmente, pela teoria da emissão e das ondulações;
os da electricidade, pelos fluidos positivo e negativo, vítreo e resinoso.
- In: Obras Póstumas, "Introdução ao estudo da fotografia e da telegrafia do pensamento".
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 30, 2018 8:00 pm

Aqui, Allan Kardec apresenta raciocínio bastante simples para explicar a interacção magnética entre duas ou mais pessoas, considerando o potencial fluídico delas.
Em seguida comenta acerca da simpatia, a qual é considerada como uma condição preponderante nas envolvências fluídicas.
Pelos detalhamentos fica bem claro de que tipo de simpatia ele tratava e, por dedução, confirma o que os Espíritos também queriam dizer na transcrição anterior.

24. O fluido magnético emana do sistema nervoso ou está espalhado na massa atmosférica?
R. Do sistema nervoso; mas o sistema nervoso o aure na atmosfera, foco principal.
A atmosfera não o possui por si mesma, ele vem de seres que povoam o Universo:
não é o nada que o produz, ao contrário, é a acumulação da vida e da electricidade que essa multidão de existências libera.

25. O fluido nervoso é um fluido próprio ou seria o resultado de uma combinação de todos os outros fluidos imponderáveis que penetram no corpo, tais como o calor, a luz, a electricidade?
R. Sim e não: não conheceis bastante esses fenómenos para deles falar assim; vossas palavras não exprimem o que quereis dizer.

26. De onde vem o adormecimento produzido pela acção magnética?
R. A agitação produzida pela sobrecarga de fluido que obstrui o magnetizado.

27. A força magnética, no magnetizador, depende de sua constituição física?[i]
R. Sim, mas sempre de seu carácter: em uma palavra, dele mesmo.

28. [i]Quais são as qualidades morais que, num sonâmbulo, podem ajudar o desenvolvimento de suas faculdades?

R. As boas: perguntastes o que pode ajudar.

29. Quais são os defeitos que mais o prejudicam?
R. A má fé.

30. Quais são as qualidades mais essenciais no magnetizador?
R. O coração; as boas intenções sempre firmes; o desinteresse.

31. Quais são os defeitos que mais o prejudicam?
R. Os maus pendores, ou antes, o desejo de prejudicar.
- In: Revista Espírita, edição março -1959, artigo "Senhora Reynaud, sonâmbula".

Ao dispor as questões acima, Allan Kardec antes destaca a seriedade do Espírito comunicante, tanto que ele mesmo fez questão de dirigir algumas das perguntas ao mesmo no intuito de complementar as informações anteriormente obtidas por outro grupo.
De tão concordante com tudo, ele não aditou nenhum outro comentário que servisse de rectificação ou ajuste.
Como podemos observar, na primeira questão ele trata da ligação entre o sistema nervoso e o magnetismo, mas na seguinte evidencia que não se trata de uma percepção tão linear como costumeiramente deduzimos.
Levando para a atmosfera, o campo no qual o sistema nervoso aure sua energética fluídica, destaca que não se trata dos componentes do ar em si e sim das emanações fluídicas vitais aí espalhadas ou concentradas.
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 30, 2018 8:00 pm

Da pergunta 26 podemos fazer uma outra importante dedução.
Está claro que os grandes concentrados fluídicos ou magnéticos, actualmente mais conhecidos como congestões fluídicas, são os responsáveis pelo adormecimento nas acções magnéticas.
Não seriam esses mesmos concentrados, estacionados em locais e de forma imprópria, os responsáveis por uma série sem fim de mal-estares, doenças ou anomalias com as quais nos deparamos quotidianamente?
E quando, operando pelo magnetismo, provocamos esse mesmo tipo de concentrado energético num paciente, não estaremos correndo o risco de patrocinar estados mórbidos ou descompensados em seu psiquismo, em sua estrutura orgânica, em sua vida?
Com isso se sobressai a necessidade de se conhecer as técnicas magnéticas.
Nas perguntas que se seguiram tivemos todo um conjunto de respostas indicando a necessidade de uma boa moral por parte do magnetizador que pretenda ser bom e eficiente no seu labor, inclusive indicando as principais falhas de carácter que comprometem sua acção magnética.

O princípio dos fenómenos psíquicos repousa, como já vimos, nas propriedades do fluido perispiritual, que constitui o agente magnético;
nas manifestações da vida espiritual durante a vida corpórea e depois da morte; e, finalmente, no estado constitutivo dos Espíritos e no papel que eles desempenham como força activa da Natureza.
Conhecidos estes elementos e comprovados os seus efeitos, tem-se, como consequência, de admitir a possibilidade de certos factos que eram rejeitados enquanto se lhes atribuía uma origem sobrenatural.
- In: A Génese — Cap. XV - Os milagres do Evangelho, item 1.

Eis aí uma generalização portentosa: os fenómenos psíquicos repousam no campo fluídico chamado perispírito, o qual é a expressão viva do magnetismo e da melhor realização do fluido vital.
Além disso, estende-se todo esse poder até o reino do Espírito, tudo dentro dos limites da Natureza, tudo de forma majestosa e eloquente.
Na última abordagem deste livro voltarei a comentar sobre a ligação e a influência do magnetismo, através do sonambulismo, no psicologia humana, tudo dentro do que preconizou nosso mestre Allan Kardec.

O fluido é, pois, a própria vida; é o movimento, a energia, a coragem, o progresso; é o bem e o mal.
É essa força que parece animar, por sua vez, pelo sopro de sua vontade, seja a charrua benfazeja que fertiliza a terra e faz de nós os alimentadores do género humano, seja o fuzil maldito que a despovoa e nos transforma em assassinos de nossos irmãos.
O fluido facilita entre o Espírito do inspirador e do inspirado, as relações que, sem ele, seriam impossíveis.
- In: Revista Espírita, edição julho - 1869, 2o artigo "Extracto dos manuscritos de um jovem médium bretão", "Os Alucinados, os Inspirados, os fluídicos e os Sonâmbulos", item III, "Fluídicos".
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 30, 2018 8:00 pm

E aqui chegamos à conclusão dessa abordagem.
A opinião desse jovem médium bretão, devidamente anotada por Allan Kardec em sua Revista Espírita, reforça o que foi dito acima.
Muito embora tenha aproveitado os diversos ensejos de comentar pontos e notas que não estariam inteiramente ligadas ao tema da abordagem desse item, creio que ficou bem evidenciado que a vida e o fluido vital estão em perfeita ressonância, de tal forma que é lícito se dizer que um é o outro, que o movimento do fluido vital corresponderá sempre ao movimento da vida.
E por ele facilitar as relações entre os 'mundos', de maneira que sem ele fica inibida a comunicação, extrapolo e digo que o círculo vital, literalmente, segue actuando vida afora.
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 30, 2018 8:00 pm

Abordagem 6
Nem sempre os Espíritos estão presentes

É verdadeiramente intrigante e instigante o estudo do Magnetismo a partir das obras do senhor Allan Kardec.
Á medida que avançamos em sua leitura e vamos nos infiltrando, de forma percuciente e grave, percebemos que muito se fala em seu nome e de sua Doutrina, mas nem sempre se conhece, de verdade, o que ele disse, o que ele perguntou, o que ele pesquisou, o que ele concluiu.
Acredito que, da mesma forma como aconteceu comigo, quase todos os espíritas ouviram, repetidas vezes, que "tudo depende dos Espíritos", especialmente quando se faz referência aos passes.
"São os Espíritos, e só Eles, que sabem, fazem, manipulam e tudo determinam e realizam".
É o resumo das mais comuns informações ditas e repetidas aos quatro cantos, a mancheias.
E aos passistas e médiuns, por consequência, de forma equivocada, bem se vê, sobra apenas o exercício da "boa vontade", o que, como já vimos na abordagem 3, também distorce o que ele falou e escreveu acerca da virtude activa por excelência, a vontade.
Para desespero de muitos que ainda acreditam e divulgam essas informações, na acção magnética nem sempre se conta com a presença espiritual.

Esta teoria nos fornece a solução de um fato bem conhecido em magnetismo, mas inexplicado até hoje: o da mudança das propriedades da água, por obra da vontade.
O Espírito actuante é o do magnetizador, quase sempre assistido por outro Espírito.
Ele opera uma transmutação por meio do fluido magnético que, como atrás dissemos, é a substância que mais se aproxima da matéria cósmica, ou elemento universal.
Ora, desde que ele pode operar uma modificação nas propriedades da água, pode também produzir um fenómeno análogo com os fluidos do organismo, donde o efeito curativo da acção magnética, convenientemente dirigida.
- In: O Livro dos Médiuns, cap. VIII - "Do laboratório do mundo invisível" - item 131.

Que tal dissecarmos esta citação? Vamos lá!
Ao tempo do início da Codificação Espírita, a questão da mudança das propriedades da água pela acção magnética, embora o fenómeno fosse conhecido por todos os magnetizadores, não tinha recebido uma explicação que estabelecesse, claramente, o que de facto ocorria.
O factor determinante da mudança era e é um subtil e impalpável agente chamado vontade.
Para tanto, interpõe-se a necessidade de um detentor dessa vontade, o qual não é nenhum Espírito estranho ou distante, senão o próprio magnetizador.
Na ampla visão de Kardec, contudo, na realização do fenómeno pode haver a necessidade de mais um elemento no processo, por ele identificado como "um outro Espírito".
Só que esse elemento "quase sempre" assiste, ou seja, "quase sempre" ampara, protege, reforça o "Espírito actuante", que é o próprio magnetizador.
Por que será que o codificador usou a expressão "quase sempre" no lugar de sempre?
Será que ele tinha dúvida ou certeza de que nem todo fenómeno magnético conta, verdadeiramente, com um acompanhamento espiritual directo?
Quero chamar sua atenção para o fato desta citação constar de O Livro dos Médiuns e não de alguma obra complementar.
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 30, 2018 8:01 pm

Não que as obras complementares percam valor por isso, mas apenas para referendar que o dito está, literalmente, na Codificação.
Continuando, Kardec explica que o magnetizador opera uma transmutação nas propriedades da água fazendo uso do fluido magnético, por força de sua vontade dirigida.
Até este ponto alguém poderia advogar que ele apenas se referiu à acção fluídica sobre a água e não sobre os seres humanos, mas ele não se fez esperar e logo aditou que, analogamente, tal procedimento fluídico também se verifica no organismo.
Primeiramente a acção atinge a estrutura fluídica deste para depois produzir a cura.
Entretanto, precisam ser bem enfocadas as palavras finais da transcrição:
"o efeito curativo da acção magnética, convenientemente dirigida".
Aí está um outro ponto crucial: o da acção pedir uma direcção conveniente.
Como se conseguir isso?
Como se ter a segurança de que a acção é convenientemente dirigida?
Apenas acreditando na acção dos Espíritos protectores? Claro que não.
Afinal, o fluido magnético pertence mesmo ao magnetizador, que é quem promove a transmutação referida.
Portanto, cabe a este o cuidado, o saber e a consciência do que fazer e do como fazer.
O magnetizador precisa, como já foi dito e repetido, ter conhecimento lúcido das duas ciências:
magnetismo e espiritismo. Do contrário, fica difícil saber como realizar o indicado por Kardec.

Têm algumas pessoas, verdadeiramente, o poder de curar pelo simples contacto?
"A força magnética pode chegar até aí, quando secundada pela pureza dos sentimentos e por um ardente desejo de fazer o bem, porque então os bons Espíritos lhe vêm em auxílio.
Cumpre, porém, desconfiar da maneira pela qual contam as coisas pessoas muito crédulas e muito entusiastas, sempre dispostas a considerar maravilhoso o que há de mais simples e mais natural. Importa desconfiar também das narrativas interesseiras, que costumam fazer os que exploram, em seu proveito, a credulidade alheia."
- In: O Livro dos Espíritos, questão 556.

Se no comentário anterior descobrimos que nem sempre os Espíritos estão consorciados nas tarefas magnéticas, na questão acima foi apresentada, pelos Espíritos Superiores, as condições básicas para que os bons Espíritos venham em auxílio aos trabalhos magnéticos:
- a pureza dos sentimentos e
- um ardente desejo de fazer o bem.
Ufa! Ainda bem que existem condições que nos assegurem essas presenças.
Mas... será que estamos tão bem preparados?
Será que estamos dispostos a essa preparação?
A pureza de sentimentos é algo amplo a tal ponto que não exclui nenhuma virtude e um ardente desejo de fazer o bem é a melhor expressão da vontade. Já atingimos tais virtudes?
Estaremos, ao menos, nos esforçando para vivenciá-las?
Antes de prosseguirmos, quero pontuar que logo no início da mesma citação existem duas considerações adicionais:
1- Kardec considerava o toque como uma prática natural — esta constatação deve estarrecer muita gente que sempre proibiu tal técnica; e
2- A cura, em seu sentido bem apropriado, quando se dá por um simples toque, não estabelece uma regra simples ou geral;
este facto retrata um ponto limite, que será visto mais adiante.
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