Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 31, 2018 8:22 pm

- Que se deve pensar da crença no poder, que certas pessoas teriam, de enfeitiçar?
'Algumas pessoas dispõem de grande força magnética, de que podem fazer mau uso, se maus forem seus próprios Espíritos, caso em que possível se torna serem secundados por outros Espíritos maus.
Não creias, porém, num pretenso poder mágico, que só existe na imaginação de criaturas supersticiosas, ignorantes das verdadeiras leis da Natureza.
Os factos que citam, como prova da existência desse poder, são fatos naturais, mal observados e sobretudo mal compreendidos."
- In: O Livro dos Espíritos, questão 552.

Antes de entrar no foco desta abordagem, permita-me fazer-lhe um convite: releia, atentamente, a pergunta formulada por Kardec.

Ei-la:
-Que se deve pensar da crença no poder, que certas pessoas teriam, de enfeitiçar?
Há quem diga que os Espíritos responderam a Allan Kardec dentro do espírito do que ele cria e defendia.
Pergunto: você acha que ele acreditava ou duvidava do poder de enfeitiçar?
O entre vírgulas deixa claro de que ele, no mínimo, duvidava desse poder.
Interessante, não acha?
Mas vamos ao ponto que estamos tratando.
Nas primeiras referências desta abordagem, consideramos a presença ou não dos bons Espíritos nas manifestações magnéticas.
Vimos que não nos é permitido, em sã consciência, dizer que Eles sempre estão presentes.
Nesta referência agora é considerada a possibilidade ou não da presença de Espíritos inferiores.
E, mais uma vez, os Espíritos da Codificação optaram pela forma condicional:
"possível se torna" a influência de Espíritos maus, ou seja, é possível, o que não significa "acontece".
Portanto, contrariamente ao que é usualmente colocado, nem para o bem, nem para o mal podemos afirmar, intempestivamente, que sempre haverá a participação dos Espíritos nas acções magnéticas.
Daí a responsabilidade do magnetizador aumentar consideravelmente, pois a ocorrência depende e dependerá, de forma inarredável, dele, de seus atributos, de seus conhecimentos, de sua condução e de sua moral.

Podem considerar-se as pessoas dotadas de força magnética como formando uma variedade de médiuns?
"Não há que duvidar".

Entretanto, o médium é um intermediário entre os Espíritos e o homem; ora, o magnetizador, haurindo em si mesmo a força de que se utiliza, não parece que seja intermediário de nenhuma potência estranha.
"É um erro; a força magnética reside, sem dúvida, no homem, mas é aumentada pela acção dos Espíritos que ele chama em seu auxílio.
Se magnetizas com o propósito de curar, por exemplo, e invocas um bom Espírito que se interessa por ti e pelo teu doente, ele aumenta a tua força e a tua vontade, dirige o teu fluido e lhe dá as qualidades necessárias".
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 31, 2018 8:22 pm

Há, entretanto, bons magnetizadores que não crêem nos Espíritos?
"Pensas então que os Espíritos só actuam nos que crêem neles?
Os que magnetizam para o bem são auxiliados por bons Espíritos.
Todo homem que nutre o desejo do bem os chama, sem dar por isso, do mesmo modo que, pelo desejo do mal e pelas más intenções, chama os maus".

Agiria com maior eficácia aquele que, tendo a força magnética, acreditasse na intervenção dos Espíritos?
"Faria coisas que consideraríeis milagre".

Há pessoas que verdadeiramente possuem o dom de curar pelo simples contacto, sem o emprego dos passes magnéticos?
"Certamente; não tens disso múltiplos exemplos?"

Nesse caso, há também acção magnética, ou apenas influência dos Espíritos?
"Uma e outra coisa.
Essas pessoas são verdadeiros médiuns, pois que actuam sob a influência dos Espíritos;
isso, porém, não quer dizer que sejam quais médiuns curadores, conforme o entendes".

Pode transmitir-se esse poder?
"O poder, não, mas o conhecimento de que necessita, para exercê-lo, quem o possua.
Não falta quem não suspeite sequer de que tem esse poder, se não acreditar que lhe foi transmitido".
- In: O Livro dos Médiuns - Cap. XIV - "Dos Médiuns" - Item 116.

Esta série de perguntas feitas por Allan Kardec aos Espíritos vai mais longe, mas estas aí são mais do que suficientes para a abordagem que estamos fazendo. Irei analisar as respostas de uma em uma.
Na primeira os Espíritos consideram que as pessoas dotadas de uma força magnética são uma variedade de médiuns, o que reforça o que já vimos analisando.
A segunda resposta novamente contrapõe as suposições iniciais e pessoais do senhor Allan Kardec mostrando a independência dos Espíritos nas abordagens.
Mas o que nos interessa mais directamente é que os Espíritos ratificam o essencial, dizendo, categoricamente, que "a força magnética reside, sem dúvida, no homem, mas é aumentada pela acção dos Espíritos que ele chama em seu auxílio".
Nesse ponto surge mais uma condicionante para a presença dos Espíritos:
o "chamado" em auxílio.
E se o Espírito evocado é um bom Espírito, que se interessa pelo magnetizador e pelo paciente, sua presença é multiplicadora de poderes, compensando, dentro de certos limites, até mesmo eventuais falhas na direcção conveniente das acções magnéticas.
Consecutivamente, Kardec quis saber dos magnetizadores que não acreditam nos Espíritos.
A resposta dada é grandiosa: quando agimos bem intencionados e nutrindo o bem verdadeiro somos auxiliados pelos bons Espíritos, mesmo sem nos darmos conta disso.
Idêntica ocorrência se dá com os que magnetizam para o mal, atraindo Espíritos afins.
Parece não restar dúvidas de que ter a força magnética e crer na actuação espiritual é factor potencializador.
Apenas uma dúvida resta aí: o que seria esse crer na actuação dos Espíritos?
Seria apenas dizer-se espírita ou afirmar que acredita pelo simples facto de temê-los?
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 31, 2018 8:23 pm

Certamente que não.
Crer no Mundo Espiritual é agir de forma consentânea com essa crença, contribuindo para que a boa parceria se estabeleça.
Na questão seguinte, a quinta, volta o toque e seu poder de cura.
Notemos que Kardec faz uma distinção entre o simples contacto e os passes magnéticos, com isso ressaltando que ele considerava, na pergunta, o carácter restritivo, limitado a uma única acção.
Da sexta pergunta Eles ressaltam que, embora os magnetizadores, quando usam o toque curador, sejam considerados actuando sob a influência dos Espíritos, não são médiuns curadores conforme usualmente entendido.
Isto porque há claros sinais indicadores de onde vai a acção de um e onde age a outra.
Veremos isso mais adiante.
Por fim, o poder magnético, humano, portanto, não pode ser transmitido, embora seja educável, passível de ser ensinado.
Mas... Onde anda quem queira aprender?

Médiuns curadores: os que têm o poder de curar ou de aliviar o doente, pela só imposição das mãos, ou pela prece.
"Esta faculdade não é essencialmente mediúnica;
possuem-na todos os verdadeiros crentes, sejam médiuns ou não.
As mais das vezes é apenas uma exaltação do poder magnético, fortalecido, se necessário, pelo concurso de bons Espíritos".
- In: O Livro dos Médiuns - Cap. XVI - "Dos médiuns especiais" - Item 189.

Muito interessante notar a definição dada por Kardec para os médiuns curadores; o poder deles pode ser apresentado pela simples imposição das mãos ou até mesmo pela prece, sem maiores manipulações magnéticas por si mesmo.
Contudo, a colocação pelos Espíritos amplia o tema de forma surpreendente: os verdadeiros crentes, ou seja, os que têm fé, vontade e poder magnético podem operar essas mesmas maravilhas, médiuns ou não, quer dizer, sob a influência dos Espíritos ou sem ela.
Isso fica reforçado pela condicional novamente interposta pelos Espíritos, qual seja, "se necessário".
Seguramente, casos existem em que não se faz necessária a interferência deles.

Médiuns excitadores: pessoas que têm o poder de, por sua influência, desenvolver nas outras a faculdade de escrever.
"Aí há antes um efeito magnético do que um caso de mediunidade propriamente dita, porquanto nada prova a intervenção de um Espírito.
Como quer que seja, pertence à categoria dos efeitos físicos".
- In: O Livro dos Médiuns — Cap. XVI - "Dos médiuns especiais" - Item 189.

Tratando dos excitadores, os Espíritos destacam que em suas actuações ocorrem, sobremodo, efeitos magnéticos.
Interessante que nessa colocação Eles fazem a ligação entre efeitos magnéticos e efeitos físicos.
Apesar desse destaque, alguns estudiosos teimam em dizer que o magnetismo não se englobaria na categoria dos chamados fenómenos de efeitos físicos.
Necessário que repensem.
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 31, 2018 8:23 pm

A acção magnética pode produzir-se de muitas maneiras:
1° pelo próprio fluido do magnetizador;
é o magnetismo propriamente dito, ou magnetismo humano, cuja acção se acha adstrita à força e, sobretudo, à qualidade do fluido;
2° pelo fluido dos Espíritos, actuando directamente e sem intermediário sobre um encarnado, seja para o curar ou acalmar um sofrimento, seja para provocar o sono sonambúlico espontâneo, seja para exercer sobre o indivíduo uma influência física ou moral qualquer.
É o magnetismo espiritual, cuja qualidade está na razão directa das qualidades do Espírito;
3º pelos fluidos que os Espíritos derramam sobre o magnetizador, que serve de veículo para esse derramamento.
É o magnetismo misto, semi-espiritual, ou, se o preferirem, humano-espiritual.
Combinado com o fluido humano, o fluido espiritual lhe imprime qualidades de que ele carece.
Em tais circunstâncias, o concurso dos Espíritos é amiúde espontâneo, porém, as mais das vezes, provocado por um apelo do magnetizador.
- In: A Génese - Cap. XIV - "Curas" - item 33.

Na abertura dessas três frentes de acção do magnetismo, mesmo considerando que, em termos absolutos, se trata de uma classificação didáctica, se se pode considerar o magnetismo humano como sendo isento de uma influência espiritual directa, esta classificação reforça o que definimos nesta abordagem: nem sempre os Espíritos estão presentes na acção magnética.
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 31, 2018 8:23 pm

Abordagem 7
O espírito actuante é o do magnetizador

De certa forma, esta abordagem é consequência ou continuação da anterior.
Considerando-se, como visto, que haveria casos em que o magnetismo — dito humano ou animal — não contaria com a participação espiritual, deduz-se, directamente, que o actuante seria o próprio magnetizador.
Ora, se para um caso como este, a lógica e a prática direccionam todas as conclusões para tal, não seria demais fazer-se a extrapolação de que o espírito actuante e possuidor dos fluidos seja, de verdade, o operador.
Apesar deste raciocínio e de tudo o que já foi apontado e comentado na abordagem 6, vejamos outras implicações que ratificam o tema desta.

Iniciarei repetindo, já pela terceira vez, uma mesma citação:
O poder da fé se demonstra, de modo directo e especial, na acção magnética; por seu intermédio, o homem actua sobre o fluido, agente universal, modifica-lhe as qualidades e lhe dá uma impulsão por assim dizer irresistível.
Daí decorre que aquele que a um grande poder fluídico normal junta ardente fé, pode, só pela força da sua vontade dirigida para o bem, operar esses singulares fenómenos de cura e outros, tidos antigamente por prodígios, mas que não passam de efeito de uma lei natural.
Tal o motivo por que Jesus disse a seus apóstolos:
se não o curastes, foi porque não tínheis fé.
- In: O Evangelho segundo o Espiritismo - Cap. XLX - 'A fé transporta montanhas", item 5.

Aqui encontramos Allan Kardec definindo, claramente, quem actua, onde actua e que resultados obtém de sua acção, movida pela fé e pela vontade.
Não há dúvidas: é o homem.
Mas tem mais.

A cura é obtida sem o emprego de nenhum medicamento, portanto, ela é devida a uma influência oculta; e tendo em vista que se trata de um resultado efectivo, material, e que nada pode produzir alguma coisa, é preciso que essa influência seja alguma coisa de material; isso não pode, pois, ser senão um fluido material, embora impalpável e invisível.
O Sr. Jacob não tocando o doente, não fazendo mesmo nenhum passe magnético, o fluido não pode ter por motor e propulsor senão a vontade; ora, a vontade não sendo um atributo da matéria, não pode emanar senão do espírito; é, pois, o fluido que age sem o impulso do espírito.
A maioria das doenças curadas por esse meio, sendo daquelas contra as quais a ciência é impotente, há, pois, agentes curativos mais poderosos do que aqueles da medicina comum; esses fenómenos são, consequentemente, a revelação de leis desconhecidas da ciência; em presença de factos patentes é mais prudente duvidar do que negar.
Tais são as conclusões às quais chega forçosamente todo observador imparcial.
Qual é a natureza desse fluido? É da electricidade ou do magnetismo?
Provavelmente, há de um e de outro, e talvez alguma coisa a mais; em todos os casos, deles é uma modificação, uma vez que os efeitos são diferentes.
A acção magnética é evidente embora mais poderosa do que a do magnetismo comum, do qual esses fatos são a confirmação, e ao mesmo tempo a prova, de que não disse a sua última palavra.
- In: Revista Espírita, edição novembro-1867, artigo "O zuavo Jacob" - 2º artigo.
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 31, 2018 8:23 pm

Na análise do caso do Zuavo1 Jacob — totalmente descrito nas edições da Revista Espírita de outubro-1866, julho-1867 e novembro-1867 —, Allan Kardec começa ponderando em cima de raciocínio simples e directo:
há ou não há a cura?
Houve ou não a movimentação ostensiva dos fluidos?
Se há a influência então existe um co-partícipe no fenómeno e, pelo caso, há de ser algo material.
De onde viria isso?
Não poderia ser de um Espírito, por ele não dispor daquele elemento material, portanto...
Ademais, no mesmo artigo, Kardec traz à baila uma bem urdida cadeia de elementos afins, entrelaçando-os coerentemente, desde o magnetizador, seguindo pelo médium de cura, da acção da vontade, da existência do Mundo Espiritual, das diferenças de potencial entre os magnetizadores, dos fluidos curativos e sua natureza, da acção magnética e arrematando com notável reflexão acerca da prudência que se deve ter quando se envolverem deduções e conclusões.
Sem dúvida, um trecho que pede uma boa leitura.

1 Zuavo, segundo o Houaiss: - soldado argelino, originário de uma tribo cabilda, pertencente a um corpo de infantaria ligeira da armada francesa, criado na Argélia em 1831 e caracterizado por um uniforme vistoso e colorido;
2 - soldado armado e uniformizado à semelhança dos zuavos.

... Algumas explicações farão facilmente compreender o que se passa nesta circunstância.
Sabe-se que o fluido magnético comum pode dar, a certas substâncias, propriedades particulares activas; neste caso, age de alguma sorte como agente químico, modificando o estado molecular dos corpos; nada há, pois, de espantoso em que possa mesmo modificar o estado de certos órgãos; mas compreende-se, igualmente, que sua acção, mais ou menos salutar, deve depender de sua qualidade;
daí as expressões de "bom ou mau fluido; fluido agradável ou penoso."
Na acção magnética propriamente dita é o fluido pessoal do magnetizador que é transmitido e esse fluido, que não é outro senão o perispírito, sabe-se que participa sempre, mais ou menos, das qualidades materiais do corpo, ao mesmo tempo que sofre a influência moral do Espírito.
É, pois, impossível que o fluido próprio de um encarnado seja de uma pureza absoluta, e é por isso que sua acção curativa é lenta, algumas vezes nula, algumas vezes mesmo nociva, porque pode transmitir ao enfermo princípios mórbidos.
De que um fluido seja bastante abundante e enérgico para produzir efeitos instantâneos de sono, de catalepsia, de atracção ou de repulsão, não se segue, de nenhum modo, que tenha qualidades necessárias para curar;
é a força que abate e não o bálsamo que abranda e repara;
assim ocorre com os Espíritos desencarnados de uma ordem inferior, cujo fluido pode mesmo ser malfazejo, o que os Espíritas têm, a cada instante, a ocasião de constatar.
Só nos Espíritos superiores o fluido perispiritual está despojado de todas as impurezas da matéria;
de alguma sorte, ele é quintessenciado; sua acção, por consequência, deve ser mais salutar e mais pronta; é o fluido benfazejo por excelência.
Uma vez que não se pode encontrá-lo entre os encarnados, nem entre os desencarnados vulgares, é preciso, pois, pedi-lo aos Espíritos elevados, como se vai procurar nas regiões longínquas os remédios que não se encontram na sua.
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 31, 2018 8:23 pm

O médium curador emite pouco de seu próprio fluido;
ele sente a corrente do fluido estranho que o penetra e ao qual serve de condutor;
é com esse fluido que magnetiza, e aí está o que caracteriza o magnetismo espiritual e o distingue do magnetismo animal: um vem do homem, o outro dos Espíritos.
Como se vê, não há aí nada de maravilhoso, mas um fenómeno resultante de uma lei da Natureza que não se conhecia.
(...) Entre o magnetizador e o médium curador há, pois, esta diferença capital, que o primeiro magnetiza com seu próprio fluido e o segundo com o fluido depurado dos Espíritos;
de onde se segue que estes últimos dão seu concurso àqueles que querem e quando querem; que podem recusá-lo, e, por consequência, tirar a faculdade àquele que dela abusasse ou a desviasse de seu objectivo humanitário e caridoso para dela fazer um tráfico.
- Revista Espírita, edição janeiro-1864, artigo "Médiuns curadores".

Primoroso! Nenhum adjectivo define melhor esse trecho escrito por Kardec.
Quanta lucidez! Quanta perspicácia!
Quanta segurança!
Fico receoso até de comentá-lo a fim de não maculá-lo.

Mas precisarei, por dever de atender ao argumento que me propus realizar, fazer ao menos rápidos destaques — se é que os inúmeros negritos feitos já não o são igualmente...

Sendo assim, vamos a eles.

Nesta parte:
"Na acção magnética propriamente dita, é o fluido pessoal do magnetizador que é transmitido, e esse fluido que não é outro senão o perispírito, sabe-se que participa sempre, mais ou menos, das qualidades materiais do corpo, ao mesmo tempo que sofre a influência moral do Espírito" fica ressaltado, com total nitidez, de que o actuante é mesmo o magnetizador, com seus fluidos, potenciais e, inclusive, suas características orgânicas e morais.
Mais adiante, ele constata uma realidade que, por diversas razões — direi algumas delas a seguir —, é muito pouco considerada.
Como o magnetismo depende "mesmo" dos fluidos do magnetizador, "sua acção curativa é lenta, algumas vezes nula, algumas vezes mesmo nociva, porque pode transmitir ao enfermo princípios mórbidos".
A propósito disso, é comum se dizer que os passes não fazem mal.
Ao contrário desta afirmativa, podem fazer mal sim e isto se confirma na constatação acima.
O que leva alguns a afirmarem essa
temeridade é imprudência, desconhecimento das leis do magnetismo, acomodação, falta de bom senso, não causar espanto aos pacientes, não estudar as duas ciências com a lucidez sugerida por Kardec, achar que sabem muito, que sabem tudo, que os guias tudo resolvem...
Espero que um dia todo esse quadro se transforme, para melhor, aí então o Magnetismo desempenhará, em plenitude, o papel que lhe está reservado no grande cenário dos alívios e das curas das dores, dos sofrimentos e das doenças dos seres.
No fim, destaque para a captação e transmissão dos fluidos espirituais, com total definição e diferenciação entre magnetizador e médium de cura.
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 31, 2018 8:24 pm

O médium curador recebe o influxo fluídico do Espírito, ao passo que o magnetizador aure tudo em si mesmo.
Mas os médiuns curadores, na estrita acepção da palavra, quer dizer, aqueles cuja personalidade se apaga completamente diante da acção espiritual, são extremamente raros...
- Revista Espírita, edição setembro-1865, do artigo "Da mediunidade curadora", item 7.

Ao que me parece, atendendo ao que a presente abordagem se propõe, esta afirmação é irretorquível, inquestionável, precisa;
por um lado afirma que o magnetizador aure em si mesmo sua força fluídica e, no outro lado, fala da condição pouco comum, rara mesmo, de se contar com efectivos médiuns curadores.

... A força magnética é puramente orgânica; pode ser, como a força muscular, dada a todo o mundo, mesmo a homens perversos; mas só o homem de bem dela se serve exclusivamente para o bem, sem dissimulação de interesse pessoal, nem satisfação do orgulho ou da vaidade; seu fluido depurado possui propriedades benfazejas e reparadoras que não pode ter aquele do homem vicioso ou interessado.
Todo efeito mediúnico, como foi dito, é o resultado da combinação dos fluidos emitidos por um Espírito e pelo médium: por essa união, esses fluidos adquirem propriedades novas que não teriam separadamente, ou pelo menos não teriam no mesmo grau.
A prece, que é uma verdadeira evocação, atrai os bons Espíritos solícitos em virem secundar os esforços do homem bem intencionado;
seu fluido benfazejo se une facilmente ao dele, ao passo que o fluido do homem vicioso se alia com o dos maus Espíritos que o cercam.
O homem de bem que não tivesse a força fluídica não poderia, pois, senão pouca coisa por si mesmo;
ele não pode senão chamar a assistência dos bons Espíritos, mas a sua acção pessoal é quase nula; uma grande força fluídica, aliada à maior soma possível de qualidades morais, pode operar verdadeiros prodígios de curas.
- In: Obras Póstumas, item 52.

Conclusão desta abordagem: o magnetismo, como energia, é força orgânica, humana, anímica, portanto pedindo bom comportamento, orgânico e moral, para que se realize em nível de alta potência e obtendo resultados de qualidade.
A oração, vigoroso coadjuvante, evocação atractiva de Bons Espíritos, tudo potencializa e refina.
Com a alavanca da vontade, juntando-se essa 'mistura' e pondo-a em acção convenientemente dirigida, prodígios e milagres — como vulgarmente são tratados — dominarão o universo das curas.
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 31, 2018 8:24 pm

Abordagem 8
É cruel, mas nem sempre o Magnetismo funciona

Como passista e estudante do Magnetismo comecei relativamente cedo.
Aos 15 anos de idade já aplicava passes, ainda que de forma não regular, ou seja, só o fazia quando alguma situação extraordinária pedia ou quando alguém precisava e não tinha quem socorresse.
Isto porque na Instituição que frequentava não era permitido jovens adolescentes aplicarem passes — o que tem sua razão de ser, mas, à época, não havia quem explicasse ou discutisse o assunto.
E também comecei a ler, perguntar e pesquisar o tema nesse mesmo período, pelo prosaico motivo de não encontrar quem se dispusesse a me responder acerca de minhas dúvidas — inúmeras — nem sequer usar ilustrações, comparações ou alegorias que pelo menos dessem um sentido lógico para algumas das regras vigentes.
O preço pago para percorrer esse caminho de dúvidas sem respostas satisfatórias foi muito caro.
Paguei com muita insistência e leituras intermináveis e ainda tive que comprar muitos livros, pois nas Casas que frequentava não havia biblioteca à altura — ah!
Como teria sido bom se naquele tempo eu contasse com uma internet como a que dispomos actualmente!
Uma segunda parte foi paga pela constante mania de ouvir me pedirem para eu largar da obsessão de tudo querer saber um porquê.
Inclusive, sempre que me diziam algo parecido eu sorria e, de forma hilária, pedia para que orassem por mim, com fervor, pois assim eu ficaria livre dos obsessores, aí incluídos os encarnados também.
Por fim, uma outra parte do preço foi paga por alguns dos pacientes que, sem saberem, eram peças chaves de meus experimentos.
Naquele tempo eu acreditava que a boa intenção resolvia uma grande parte da prática e a boa vontade complementava o serviço.
Ao lado disso, sempre ouvi dizer que os Espíritos são os que faziam tudo enquanto o passista só precisava orar, impor as mãos e transmitir os fluidos dos Amigos Espirituais — posto que raramente alguém mencionava que havia doação de fluidos humanos, sempre tidos como impuros e impróprios.
Tocar nas pessoas era um sacrilégio e evocar um Espírito para ajudar nos passes era considerado falta gravíssima.
Comecei a ficar preocupado ao notar que alguns pacientes não ficavam bem após o passe, notadamente quando alguns deles haviam recebido por meu intermédio — hoje eu entendo que esse tipo de problema era mais forte e comum sob minhas mãos, pelo fato de eu possuir um vigoroso potencial magnético.
Certa vez, depois de observar e analisar dois casos ocorridos no mesmo dia, sendo um positivamente forte e o outro quase nulo, apesar de minha intencionalidade por ocasião dessas aplicações ter sido a de fazer o máximo e o melhor, resolvi que buscaria explicações as quais me levassem a entender, o mais profundo possível, o que tinha ocorrido de verdade, pois ali já não se sustentavam mais os velhos e genéricos argumentos.
Li muito, estudei bastante, experimentei suficientemente e aprendi coisas lógicas e reais, mas, por incrível que pareça, desconhecidas da maioria, muito embora quase tudo estivesse, como sempre esteve, repousando tranquilo na obra kardequiana, bem como em quase todos os livros clássicos sobre o magnetismo — estranhamente, sem maiores dissertações ou comentários em outras obras espíritas que se proponham a tratar do tema, abstracção feita ao livro Magnetismo Espiritual, de Michaellus.
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 31, 2018 8:24 pm

Muitos anos após sofri uma depressão profunda — relato tudo, de forma pormenorizada, no meu livro "A cura da depressão pelo Magnetismo".
Quando dela me libertei tive que rever uma enormidade de conceitos que eu aprendera, aceitava e divulgava, pois a primeira e mais dolorosa dor que sofri durante o tenebroso evento depressivo foi a constatação de que os passes a mim doados pelos amigos, dedicados e estudiosos companheiros de lutas e tarefas no campo do Magnetismo, só me faziam me sentir pior e pior...
Graças àquela odisseia foi que descobri, a duras penas, que o Magnetismo não pode ser aplicado, em casos como o da depressão, sem se ter uma boa base de como funcionam muitas variáveis na equação dessa doença terrível e de como o campo vital e o corpo do paciente absorvem, ou não, os fluidos doados.
Por incrível que pareça, mesmo com todo esse percurso transcorrido e contando o tempo em mais de oito lustros, quando abordo essa realidade há quem ainda duvide de que o Magnetismo, inconvenientemente aplicado, pode ser danoso, perigoso e até fazer mal.
Em cima disso, analisemos com Kardec alguns tópicos.

Interessam-se os Espíritos pelas nossas desgraças e pela nossa prosperidade?
Afligem-se os que nos querem bem com os males que padecemos durante a vida?

"Os bons Espíritos fazem todo o bem que lhes é possível e se sentem ditosos com as vossas alegrias.
Afligem-se com os vossos males, quando os não suportais com resignação, porque nenhum benefício então tirais deles, assemelhando-vos, em tais casos, ao doente que rejeita a beberagem amarga que o há de curar."
- In: O Livro dos Espíritos, questão 486.

O destaque para essa primeira citação é, digamos, oblíquo:
os Espíritos superiores, é de se notar, se afligem com nossa não-resignação e não necessariamente com o que sofremos.
Resignação, tenhamos isso bem claro, guarda relação com "extrair benefícios" e não com acomodação pura e simples.
Convenhamos: quem de nós não aprende, de forma muito mais eloquente e segura, com as dores da vida?
Indago isso porque há quem pense e até defenda a ideia de que Deus jamais permitiria que uma pessoa bem intencionada fosse "castigada" com alguma consequência negativa enquanto estivesse produzindo para o bem.

Prossigamos...

Podem a bênção e a maldição atrair o bem e o mal para aquele sobre quem são lançados?
"Deus não escuta a maldição injusta e culpado perante Ele se torna o que a profere.
Como temos os dois génios opostos, o bem e o mal, pode a maldição exercer momentaneamente influência, mesmo sobre a matéria.
Tal influência, porém, só se verifica por vontade de Deus como aumento de prova para aquele que é dela objecto.
Demais, o que é comum é serem amaldiçoados os maus e abençoados os bons.
Jamais a bênção e a maldição podem desviar da senda da justiça a Providência, que nunca fere o maldito, senão quando mau, e cuja protecção não acoberta senão aquele que a merece".
- In: O Livro dos Espíritos, questão 557.
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 01, 2018 8:08 pm

Neste ponto, embora exista quem duvide, a assertiva dos Espíritos dá conta de que a contaminação fluídica negativa existe e chega, inclusive, a afectar a matéria.
Como as chamadas maldições são, magneticamente falando, emissões fluídicas, daí deduzimos, sem qualquer sinuosidade, existirem-nas prejudiciais.
A propósito, a célebre passagem em que Jesus teria "amaldiçoado" a figueira estéril é exemplar:
Quando saíam de Betânia, ele teve fome; e, vendo ao longe uma figueira, para ela encaminhou-se, a ver se acharia alguma coisa; tendo-se, porém, aproximado, só achou folhas, visto não ser tempo de figos.
Então, disse Jesus à figueira:
Que ninguém coma de ti fruto algum, - seus discípulos ouviram.
No dia seguinte, ao passarem pela figueira, viram que secara até á raiz.
Pedro, lembrando-se do que dissera Jesus, disse:
Mestre, olha como secou a figueira que tu amaldiçoaste.
Jesus, tomando a palavra, lhes disse: Tende fé em Deus.
- Digo-vos, em verdade, que aquele que disser a esta montanha:
Tira-te daí e lança-te ao mar, mas sem hesitar no seu coração, crente, ao contrário, firmemente, de que tudo o que houver dito acontecerá, verá que, com efeito, acontece.
(S. MARCOS, cap. XI, vv. 12 a 14 e 20 a 23.)

Para explicar o fenómeno aos discípulos, Jesus recorreu à fé, à certeza de se obter o que se pretenda.
Alguém, então, poderia perguntar: teria ele querido mesmo fulminar aquela planta?
Se sim ou se não, o que importa é que o exemplo é forte o suficiente para demonstrar que uma emissão fluídica dirigida de forma não conveniente pode gerar algo desastroso, mesmo que essa carga energética tenha partido do próprio Jesus, o nosso Mestre e Senhor.

Como se há visto, o fluido universal é o elemento primitivo do corpo carnal e do perispírito - os quais são simples transformações dele.
Pela identidade da sua natureza, esse fluido, condensado no perispírito, pode fornecer princípios reparadores ao corpo; o Espírito, encarnado ou desencarnado, é o agente propulsor que infiltra num corpo deteriorado uma parte da substância do seu envoltório fluídico.
A cura se opera mediante a substituição de uma molécula malsã por uma molécula sã.
O poder curativo estará, pois, na razão directa da pureza da substância inoculada; mas, depende também da energia da vontade que, quanto maior for, tanto mais abundante emissão fluídica provocará e tanto maior força de penetração dará ao fluido.
Depende ainda das intenções daquele que deseje realizar a cura, seja homem ou Espírito.
Os fluidos que emanam de uma fonte impura são quais substâncias medicamentosas alteradas.
- In: A Génese - Cap. XIV - Curas, item 31.

Se as curas dependem, de forma directa, da pureza do fluido do magnetizador e se sua acção é proporcional à força de vontade empregada, temos aí dois factores que, em não sendo considerados, podem, por si sós, isolada ou conjuntamente, provocar resultados bem diferentes dos que naturalmente são de se esperar numa acção magnética feliz.
Conjugando-se a essa hipótese a intencionalidade do doador, bem se percebe que pode ocorrer de tudo.
Longe de mim criar suposições de que os pacientes estejam sujeitos a riscos elevados, até porque a grande maioria dos passistas é formada por pessoas de boa índole, sensíveis e que se propõem, de verdade, a fazer o bem.
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 01, 2018 8:08 pm

Todavia, consideremos o final da transcrição:
"Os fluidos que emanam de uma fonte impura são quais substâncias medicamentosas alteradas".
Para não me alongar muito, pergunto: o que ocorre ou o que pode ocorrer quando ingerimos medicamentos ou mesmo alimentos alterados? Pois...

...O pensamento do encarnado actua sobre os fluidos espirituais como o dos desencarnados, e se transmite de Espírito a Espírito pelas mesmas vias e, conforme seja bom ou mau, saneia ou vicia os fluidos ambientes.
Desde que estes se modificam pela projecção dos pensamentos do Espírito, seu invólucro perispirítico, que é parte constituinte do seu ser e que recebe de modo directo e permanente a impressão de seus pensamentos, há de, ainda mais, guardar a de suas qualidades boas ou más.
Os fluidos viciados pelos eflúvios dos maus Espíritos podem depurar-se pelo afastamento destes, cujos perispíritos, porém, serão sempre os mesmos, enquanto o Espírito não se modificar por si próprio.
Sendo o perispírito dos encarnados de natureza idêntica à dos fluidos espirituais, ele os assimila com facilidade, como uma esponja se embebe de um líquido.
Esses fluidos exercem sobre o perispírito uma acção tanto mais directa, quanto, por sua expansão e sua irradiação, o perispírito com eles se confunde.
Actuando esses fluidos sobre o perispírito, este, a seu turno, reage sobre o organismo material com que se acha em contacto molecular.
Se os eflúvios são de boa natureza, o corpo ressente uma impressão salutar; se são maus, a impressão é penosa.
Se são permanentes e enérgicos, os eflúvios maus podem ocasionar desordens físicas; não é outra a causa de certas enfermidades.
Os meios onde superabundam os maus Espíritos são, pois, impregnados de maus fluidos que o encarnado absorve pelos poros perispiríticos, como absorve pelos poros do corpo os miasmas pestilenciais.
- In: A Génese - Cap. XIV - "Qualidade dos fluidos", item 18.

Nesta passagem, Allan Kardec relaciona leis e modos como os fluidos são transmitidos e recebidos além da forma como actuam.
Ora, se os fluidos projectados levam em si as características, boas ou más, dos doadores, no caso, dos magnetizadores, significa dizer que as reacções são e serão diferenciadas.
Por dedução directa, os fluidos maus ou descompensados gerarão desordens, inclusive de grande monta.
Isto destrona uma outra hipótese muito aventada como teoria, a de que "todos os passes são iguais" ou, em outra versão, de que "não existem diferenças entre os passistas".
Mas é claro que essa hipótese não deveria existir sequer no campo da ideia, muito menos alguém pensar que ela possa vir a ser real.
E observemos que Allan Kardec, nesta citação, sequer considerou a posição de receptividade, refratariedade ou indiferença do paciente.

...O magnetismo curará o rei Óscar?
É uma outra questão.
Sem dúvida, ele tem operado curas prodigiosas e inesperadas, mas tem os seus limites, como tudo o que está na Natureza;
e, aliás, é preciso ter em conta esta circunstância que a ele não se recorre, em geral, senão in extremis e em desespero de causa, quando, frequentemente, o mal fez progressos irremediáveis, ou foi agravado por uma medicação contrária.
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 01, 2018 8:08 pm

Para que ele triunfe de tais obstáculos, é preciso que seja bem poderoso'.
- In: Revista Espírita, edição outubro -1858, artigo "Emprego oficial do magnetismo animal - A doença do rei da Suécia".
Tratando de uma proposta de atendimento muito séria, Kardec destaca que o Magnetismo tem seus limites, como tudo na vida o tem igualmente.
Não seria também por isso e, em muitos casos, os limites do próprio magnetismo em acção, seja pela condição do magnetizador, seja pelo paciente, que ele se tornaria ineficiente ou até mesmo danoso?

Um jovem que não conhecia o magnetismo senão de nome, e jamais o praticara, ignorando, consequentemente, as medidas de prudência que a experiência ensina, propôs, um dia, magnetizar o sobrinho do dono do hotel no qual jantava;
depois de alguns passes o menino caiu em sonambulismo, mas o magnetizador improvisado não soube como fazer para tirá-lo desse estado, que se seguiu de crises nervosas persistentes.
Daí uma queixa na justiça feita pelo tio contra o magnetizador.
- In: Revista Espírita, edição outubro-1859, artigo "O magnetismo reconhecido pelo poder judiciário".

Exemplo eloquente do quanto a inexperiência em magnetismo pode produzir de nefasto ou danoso.
No facto parcialmente narrado, vimos uma acção magnética não só levando o paciente a uma situação inesperada e difícil como, pela não experiência do magnetizador, aquele ficou pior, já que o jovem experimentador não soube como fazer para reverter o processo.
E pensar que uma quantidade muito grande de passistas não busca nem realiza uma formação adequada!

"Uma noite em que assistia a uma dessas cenas, havia já cinco horas que o filho R... estava numa grande agitação; tentei acalmá-lo com alguns passes magnéticos, mas logo se tornou furioso e transtornou o seu leito".
(...) Um Espírito relativamente superior pode exercer, sobre um outro Espírito, uma acção magnética e paralisar as suas faculdades?
- R. Um bom Espírito não pode alguma coisa sobre um outro senão moralmente, mas não fisicamente.
Para paralisar pelo fluido magnético, é necessário agir sobre a matéria, e o Espírito não é matéria semelhante a um corpo humano.
- In: Revista Espírita, edição janeiro-1862, artigo "O Espírito batedor do Aube", questão 2.

Ao contrário do caso anterior, aqui o magnetizador tinha experiência, todavia o resultado, conforme o próprio relatou a Kardec, não foi feliz.
São os cuidados especializados que são requeridos, bem se deduz, nos casos das obsessões e como, de ordinário, devem existir para uma infinidade de outros casos, dentre os quais destaco as doenças graves, a depressão, os pacientes excessivamente debilitados, as crianças etc.
A explicação dada ao final, entretanto, repõe uma outra questão bastante delicada.
Digo assim porque, como já disse alhures, novo parâmetro da verdade de alguns teóricos se quebra:
o de que os Espíritos podem tudo.
Não é exactamente isso o que se pode deduzir da frase:
"Para paralisar pelo fluido magnético, é necessário agir sobre a matéria, e o Espírito não é matéria semelhante a um corpo humano".
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 01, 2018 8:09 pm

Para a senhorita Julie, como em todos os casos análogos, o magnetismo simples, embora enérgico que fosse, era, pois, insuficiente; seria preciso agir simultaneamente sobre o Espírito obsessor para domá-lo, e sobre o moral do enfermo enfraquecido por todos esses abalos; o mal físico não era senão consecutivo; era um efeito e não a causa; seria preciso, pois, tratara causa antes do efeito; destruído o mal moral, o mal físico deveria desaparecer por si mesmo.
Mas para isso era preciso se identificar com a causa; estudar com o maior cuidado e em todas suas nuances o curso das ideias, para lhe imprimir tal ou tal direcção mais favorável, porque os sintomas variam segundo o grau de inteligência do sujeito, o carácter do Espírito e os motivos da obsessão, motivos cuja origem remonta, quase sempre, às existências anteriores.
O insucesso do magnetismo sobre a senhorita Julie fez com que várias pessoas tentassem; no número delas achava-se um jovem dotado de uma grande força fluídica, mas a quem, infelizmente, faltava totalmente a experiência, e, sobretudo, conhecimentos necessários em semelhante caso.
Atribuía-se um poder absoluto sobre os Espíritos inferiores que, segundo ele, não podiam resistir à sua vontade; essa pretensão, levada ao excesso e fundada sobre sua força pessoal, e não sobre a assistência dos bons Espíritos, devia lhe atrair mais de uma decepção.
Só isso teria devido bastar para mostrar, aos amigos da jovem, que lhe faltava a primeira das qualidades requeridas para lhe ser um socorro eficaz.
Mas o que, acima de tudo, teria devido esclarecê-los, é que ele professava, sobre os Espíritos em geral, uma opinião completamente falsa.
Segundo ele, os Espíritos superiores são de uma natureza fluídica muito etérea para poderem vir sobre a Terra comunicar-se com os homens e assisti-los; isso não é possível senão aos Espíritos inferiores em razão de sua natureza mais grosseira.
Essa opinião, que não é outra senão a da doutrina da comunicação exclusiva dos demónios, tinha um erro muito grave de sustentá-la diante do enfermo, mesmo nos momentos de crise.
Com esta maneira de ver, devia não contar senão consigo mesmo, e não podia invocar a única assistência que teria podido secundá-lo, assistência da qual, é verdade, acreditava não necessitar; a consequência mais lastimável era para o enfermo que desencorajava, tirando-lhe a esperança da assistência dos bons Espíritos.
No estado de enfraquecimento em que estava seu cérebro, uma tal crença, que dava toda presa ao Espírito obsessor, podia se tornar fatal para a sua razão, podia mesmo matá-la.
Também repetia-lhe, sem cessar, nos momentos de crise:
"Louca... louca... ele me tornará louca... inteiramente louca... não o sou ainda, mas tornar-me-ei."
Falando de seu magnetizador, ela pintava perfeitamente sua acção dizendo:
"Ele me dá a força do corpo, mas não me dá a força do espírito."
Esta palavra era profundamente significativa, e, no entanto, ninguém lhe atribuía importância.
- In: Revista Espírita, edição dezembro-1863, artigo "Um caso de possessão. Senhorita Julie".

Este caso da senhorita Julie é um daqueles de se tirar o chapéu, o capote, o fraque e tudo o mais.
Primeiro porque começa trazendo uma retratação do mestre Allan Kardec acerca do que ele já tinha pronunciado, como opinião bem definida, sobre não concordar com a expressão possessão, mas tão-somente subjugação, tal como está em "O Livro dos Médiuns", cap. XXIII, item 241 — não transcrevi o início do artigo referido porque ficaria muito extenso, mas recomendo sua leitura integral na Revista Espírita.
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 01, 2018 8:09 pm

Ou seja: até nisso o mestre lionês foi exemplar: revê seu posicionamento com humildade e assume seus equívocos, propondo reforma sem sofismas, sem qualquer receio.
Outro facto por demais relevante é que neste caso não foi apenas um magnetizador ou um inexperiente nessa ciência que, embora tendo tentado de tudo, não conseguiu chegar ao objectivo da cura; ao contrário, foram vários, inclusive um jovem, possuidor de grande potencial magnético, mas que nem por isso obteve proveito.
É bem verdade que o mal não era apenas físico e sim um severo problema espiritual, sendo este a causa, com a doença do corpo formando uma consequência.
A recomendação no primeiro momento foi acerca da necessidade de estudar o caso, aprofundar o conhecimento dos mecanismos envolvidos, percebendo as nuances a fim de dar o conveniente tratamento.
Depois, uma anotação muito grave do codificador:
a inexperiência do magnetizador, doando fluidos impróprios, poderia pôr em risco a própria vida da paciente.
Muito grave isso, não acha?
Fica no ar, inclusive, esta questão: será que só naquele caso houve isso ou não estaremos, nós mesmos, incorrendo, quotidianamente, em idênticos erros e perigos?
Embora essa transcrição já tenha sido muito extensa, o texto é tão rico que vou fazer-lhe mais uma extracção.

Com o conhecimento da natureza dos fluidos, pode-se facilmente se dar conta desse fenómeno.
É evidente, primeiro, que absorvendo o fluido para se dar a força em detrimento da enferma, o Espírito queria convencer o magnetizador da impossibilidade com respeito à sua pretensão; se havia malícia de sua parte, era contra o magnetizador, uma vez que se servia da própria arma com a qual este último pretendia derrubá-lo; pode-se dizer que lhe tirava o bastão das mãos.
Era não menos evidente que sua facilidade em se apropriar do fluido do magnetizador denotava uma afinidade entre esse fluido e o seu próprio, ao passo que os fluidos de uma natureza contrária teriam se repelido, como a água e o azeite.
Só esse fato bastaria para demonstrar que havia outras condições a preencher.
É, pois, um erro dos mais graves, e podemos dizer dos mais funestos, o de não ver na acção magnética senão uma simples emissão fluídica, sem ter em conta da qualidade íntima dos fluidos.
Na maioria dos casos, o sucesso repousa inteiramente sobre essas qualidades, como na terapêutica depende da qualidade do medicamento.
Não saberíamos muito chamar a atenção sobre este ponto capital, demonstrado, ao mesmo tempo, pela lógica e pela experiência.
- In: Revista Espírita, edição dezembro - 1863, artigo "Um caso de possessão. Senhorita Julie".

Mais um rigoroso convite ao conhecimento dos fluidos é o início desse trecho.

E a partir dele me questiono:
será que se fôssemos alguns de nós, os passistas actuais, naquela situação, teríamos sido mais felizes na terapia?
Dessa colocação decorre outra: teríamos conhecimento suficiente para não nos levarmos pelo Espírito obsessor e perceberíamos que estávamos fazendo doação imprópria de fluidos à paciente e que nesses fluidos o obsessor se fortalecia?
Complexo isso, não?
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 01, 2018 8:09 pm

Como se não bastassem essas dúvidas, o que foi anotado no prosseguimento é muito forte:
"É, pois, um erro dos mais graves, e podemos dizer dos mais funestos, o de não ver na acção magnética senão uma simples emissão fluídica, sem ter em conta da qualidade íntima dos fluidos". Nossa!!!
Fico espantado como ainda tem gente teimando em dizer que basta ter boa vontade e o resto os Espíritos fazem, pois, como afirmam, o passe nunca dá errado nem faz mal!
Urge buscarmos essa qualidade íntima dos fluidos se quisermos mesmo ser bons e eficientes magnetizadores.

Um jovem cego há doze anos tinha sido recolhido por um Espírita devotado, que havia empreendido curá-lo pelo magnetismo, tendo os Espíritos dito que a coisa era possível.
Mas esse jovem, em lugar de se mostrar reconhecido pelas bondades das quais era objecto, e sem as quais teria se encontrado sem asilo e sem pão, não teve senão a ingratidão e maus procedimentos, e deu prova do pior mau carácter.
O Espírito de São Luís, consultado a seu respeito, respondeu:
"Esse jovem, como muitos outros, é punido por onde pecou, e traz a pena de sua má conduta.
Sua enfermidade não é incurável e uma magnetização espiritual praticada com zelo, devotamento e perseverança, dela triunfaria certamente, com ajuda de um tratamento médico destinado a corrigir seu sangue viciado.
Já haveria uma melhora sensível em sua visão, que não está ainda inteiramente extinta, se os maus fluidos, dos quais está cercado e saturado, não opusessem um obstáculo à penetração dos bons fluidos que são, de alguma forma, repelidos.
No estado em que se encontra, a acção magnética será impotente enquanto não estiver, por sua vontade e sua melhoria, desembaraçado desses fluidos perniciosos.
"É, pois, uma cura moral que é preciso obter, antes de perseguir a cura física.
Só um retorno sério sobre si mesmo pode tornar eficazes os cuidados de seu magnetizador, que os Espíritos se apressarão em secundar; no caso contrário, ele deve esperar perder o pouco de luz que lhe resta, e a novas e bem mais terríveis provas que lhe será preciso suportar.
"Agi, pois, para com ele como o fazeis com respeito aos maus Espíritos desencarnados que quereis conduzir ao bem.
Ele não está sob o golpe de uma obsessão, é sua natureza que é má e que, além disto, se perverteu no meio em que viveu; os maus Espíritos que o assediam não são atraídos senão pela sua semelhança com o seu próprio;
à medida que se melhorar, eles se afastarão.
Só então a acção magnética terá toda a sua força.
Dai-lhe conselhos; explicai-lhe sua posição; que várias pessoas sinceras se unam em pensamento para orarem a fim de atraírem sobre ele influências salutares.
Se disso se aproveita, não tardará a experimentar os bons efeitos, porque nisso será recompensado por uma melhora sensível em sua posição."
Esta instrução nos revela um facto importante, o do obstáculo que o estado moral opõe, em certos casos, à cura dos males físicos.
In: Revista Espírita, edição julho-1865, artigo "Cura moral dos encarnados".

O jovem cego em questão era mau; aí estava o problema.
Mas não só por ser mau, sobretudo porque seus fluidos, seu campo fluídico, tornavam-no inacessível; por fazê-lo impermeável aos fluidos salutares e refazentes, não obtinha a cura desejada.
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 01, 2018 8:09 pm

Temos a observar que antes do início dessa magnetização, que visava à cura do jovem, ela foi referendada pelos Espíritos, ainda assim, não deu resultado positivo.
Em seguida, o Espírito São Luís afirmou que, no estado fluídico em que o jovem se apresentava, era impossível uma acção magnética efectiva, pois ele precisava, antes, obter uma cura moral, precisaria ser levado a mudar seu comportamento perante a vida e o próximo.
Em outras palavras, precisaria ser "doutrinado".
A moral, ou a ausência dela, obstaculava seriamente à obtenção de uma cura física.
Outro destaque: para a cura física o Espírito sugeriu magnetismo e tratamento magnético, daí se ressaltando que as ciências são parceiras e não rivais.

O fluido espiritual é tanto mais depurado e benfazejo quanto o Espírito que o fornece é, ele mesmo, mais puro e mais desligado da matéria.
Concebe-se que o dos Espíritos inferiores deve se aproximar do homem e pode ter propriedades malfazejas, se o Espírito for impuro e animado de más intenções.
Pela mesma razão, as qualidades do fluido humano apresenta nuances infinitas segundo as qualidades físicas e morais do indivíduo é evidente que o fluido saindo de um corpo mal são pode inocular princípios mórbidos no magnetizado.
As qualidades morais do magnetizador, quer dizer, a pureza de intenção e de sentimento, o desejo ardente e desinteressado de aliviar seu semelhante, unido à saúde do corpo, dão ao fluido um poder reparador que pode, em certos indivíduos, se aproximar das qualidades do fluido espiritual.
Seria, pois, um erro considerar o magnetizador como uma simples máquina na transmissão fluídica.
Nisto como em todas as coisas, o produto está em razão do instrumento e do agente produtor.
Por estes motivos, haveria imprudência em se submeter à acção magnética do primeiro desconhecido; abstracção feita dos conhecimentos práticos indispensáveis, o fluido do magnetizador é como o leite de uma nutriz: salutar ou insalubre.
- In: Revista Espírita, edição setembro - 1865, artigo "Da mediunidade curadora", item 4.

Temos aqui mais uma pérola dentro desse artigo importantíssimo da Revista Espírita - Da mediunidade curadora.
Além de tudo o que já observamos nesta abordagem e ao longo do livro, referente à qualidade dos fluidos e de sua origem, Kardec confirma que um fluido malsão, provindo de um magnetizador, pode macular o paciente.
Isto se dá porque o magnetismo aplicado, como já sabemos, é um efeito físico.
Logo, um passista, por exemplo, fumante, viciado ou ainda contaminado por drogas, certas doenças ou comportamentos orgânicos e corporais desarmónicos, seguramente será fonte de graves riscos para os seus pacientes.
O magnetizador não é apenas uma máquina de exteriorizar fluidos; ele precisa possuir potencial fluídico compatível, saber como agir e acoplar a isso uma boa postura moral, para qualificar melhor seus potenciais e suas acções.
Por tudo isso, Kardec fecha a transcrição de forma primorosa — e eu deixo com ele a palavra:
"haveria imprudência em se submeter à acção magnética do primeiro desconhecido; abstracção feita dos conhecimentos práticos indispensáveis, o fluido do magnetizador é como o leite de uma nutriz: salutar ou insalubre1".
Embora outros casos e citações pudessem ser arrolados nessa abordagem, acredito que o principal já está bem destacado.
Cabe, agora, cada um reflectir melhor sobre os riscos que corre ou impõe a com quem se relaciona magneticamente.
Afinal, se nosso propósito é o de fazer ou receber o bem, que ele seja bem feito e bem recebido, sempre.
Se assim não for, algo precisa ser urgentemente reparado.
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 01, 2018 8:09 pm

Abordagem 9
Para ser lido, relido, revisto, repensado e recolocado

Vários assuntos poderiam receber abordagens específicas, mas optei por tratar a maioria nesta última, deixando ao leitor mais interessando em aprofundar os temas, o prazer de recorrer às obras de Kardec a fim de extrair-lhe todo um universo, rico e esplendoroso, de considerações as mais variadas, directas e indirectas, referentes às abordagens tratadas nesta obra, e tantas outras não menos importantes.

Imposição de mãos

Vou começar por um assunto que de há muito deveria receber, de todo estudioso do passe ou do magnetismo assim como de quem se sente autorizado a comentar sobre o tema, melhor análise e não ser tão vulgar e equivocadamente disseminado.
É o caso das imposições de mãos.
Um dos discursos mais frequentes, repetidos e reproduzidos no meio espírita é o de que "o passe só pede imposição de mãos";
"o passe espírita é o da imposição de mãos";
ou "o passe é o que Jesus fazia:
a imposição de mãos".
A insistência num desses refrãos é tamanha que existem verdadeiros movimentos no sentido de se fazer dessa prática o supra-sumo do Magnetismo no movimento espírita.
O argumento usado para tal é que essa técnica é a mais simples, dispensando outros recursos — como se o ser simples fosse, necessariamente, ser fácil e eficiente a um só tempo.
Paradoxalmente, os mesmos que defendem essa argumentação são enfáticos em dizer que os passistas espíritas precisam estudar os fluidos, a mediunidade, as obras espíritas, o magnetismo, fazer cursos preparatórios, educar a mediunidade, participar de ESDE — Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita —, conhecer pelo menos o básico de anatomia e fisiologia, e por aí vai.
Pergunto: para que tanto estudo se na hora do passe o que valerá mesmo será a "simples" imposição de mão(s)?
Vamos às considerações sobre alguns destaques que extraí da obra de Kardec acerca disso.

Médiuns curadores: os que têm o poder de curar ou de aliviar o doente, pela só imposição das mãos, ou pela prece.
- In: O Livro dos Médiuns - Cap. XVI - "Dos médiuns especiais" - Item 189.

Anteriormente, já fiz referência a este item, mas quero destacá-lo outra vez para abrir as abordagens deste item.
E quero abri-lo com uma pergunta: você crê mesmo que as imposições de mãos que já viu, recebeu ou doou tiveram o poder de curar ou aliviar conforme colocado nessa síntese de Kardec?
Se sim, seguramente você é um raro felizardo que conhece um ou alguns médiuns curadores verdadeiros;
se não, surge outra indagação: então Kardec teria se equivocado?
Atentemos, antes de prosseguirmos, que aí o codificador está tratando da mediunidade curadora em si e não do magnetismo propriamente dito.

Prossigamos com outras referências...
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 01, 2018 8:10 pm

Estas palavras: conhecendo em si mesmo a virtude que dele saíra, são significativas.
Exprimem o movimento fluídico que se operara de Jesus para a doente;
ambos experimentaram a acção que acabara de produzir-se.
É de notar-se que o efeito não foi provocado por nenhum acto da vontade de Jesus;
não houve magnetização, nem imposição das mãos.
Bastou a irradiação fluídica normal para realizar a cura.
- In: A Génese - Cap. XV - "Os milagres do Evangelho" - item 11.

Antes já chamei sua atenção para esta passagem, na qual Allan Kardec fez uma distinção entre magnetização e imposição de mãos.
Por tudo o que já tratamos, a mim me parece que seu destaque se deve ao facto de as imposições estarem mais directamente associadas à mediunidade curadora.
Por que afirmo isso?
Porque sua associação à instantaneidade das curas sempre foi direccionada à acção da mediunidade curadora e não do magnetismo ordinário.
Aproveito para destacar que também fica claro, na citação, que ele considerava a existência de um magnetismo natural, espontâneo, que escapa dos indivíduos portadores dele — no caso em tela, Jesus.
E sua acção também pode ser muito rica e poderosa.

São extremamente variados os efeitos da acção fluídica sobre os doentes, de acordo com as circunstâncias.
Algumas vezes é lenta e reclama tratamento prolongado, como no magnetismo ordinário;
d'outras vezes é rápida, como uma corrente eléctrica.
Há pessoas dotadas de tal poder, que operam curas instantâneas nalguns doentes, por meio apenas da imposição das mãos, ou, até, exclusivamente por ato da vontade.
Entre os dois pólos extremos dessa faculdade, há infinitos matizes.
Todas as curas desse género são variedades do magnetismo e só diferem pela intensidade e pela rapidez da acção.
O princípio é sempre o mesmo: o fluido, a desempenhar o papel de agente terapêutico e cujo efeito se acha subordinado à sua qualidade e a circunstâncias especiais.
- In: A Génese - Cap. XIV - "Curas" - item 32.

Esta citação já foi apresentada na abordagem 3, mas ela interessa ao escopo deste item igualmente...
Como mediunidade curadora, as imposições de mãos se caracterizam pela rapidez e instantaneidade com que transmitem os fluidos — espirituais — e como se verifica a cura ou o alívio imediato do mal que esteja sendo tratado.
Só por essa premissa já se percebe que o passe dito "comum" que é aplicado na Casa Espírita, com uso tão-somente da imposição de mãos, está bem distante dessa mediunidade curadora como também de uma prática do magnetismo sabido e consciente.
A imposição de mãos é uma, apenas uma das técnicas do magnetismo e não a única à disposição.
Tampouco, em momento algum da obra do senhor Allan Kardec encontramos qualquer indicação que possa dar aval a essa injustificada restrição — a de que só as imposições de mãos são suficientes —, sob a qual o Magnetismo ficaria literalmente manietado, sem movimento, quase sem acção.
Como bem sinalizado, a imposição é uma das técnicas empregadas, mas o seu uso, de forma muito eficiente e instantânea, é uma excepção da regra.
Infelizmente, tal não é o padrão comum dos magnetizadores ou passistas.
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Ave sem Ninho

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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 01, 2018 8:10 pm

É muito comum a faculdade de curar pela influência fluídica e pode desenvolver-se por meio do exercício;
mas, a de curar instantaneamente, pela imposição das mãos, essa é mais rara e o seu grau máximo se deve considerar excepcional.
No entanto, em épocas diversas e no seio de quase todos os povos, surgiram indivíduos que a possuíam em grau eminente.
Nestes últimos tempos, apareceram muitos exemplos notáveis, cuja autenticidade não sofre contestação.
Uma vez que as curas desse género assentam num princípio natural e que o poder de operá-las não constitui privilégio, o que se segue é que elas não se operam fora da Natureza e que só são miraculosas na aparência.
- In: A Génese - Cap. XIV - "Curas"-item34.

Ratificando o que acabo de escrever no comentário anterior, essa outra transcrição confirma que o verdadeiro exercício da imposição de mãos, como mediunidade curadora, deve ser muito rápido e eficiente, portanto, não se dá de forma comum ou trivial, já que é rara sua realização.
Quanto maior for o grau de efectivação do efeito das imposições, mais excepcional ainda será essa prática.
Isto distancia o pretendente ao aval do mestre Kardec para a pretensa confirmação do uso exclusivo das imposições de mãos como técnica única e sempre eficiente.

Este género de mediunidade (mediunidade curadora) consiste na faculdade, que certas pessoas possuem, de curar pelo simples toque, pela imposição das mãos, o olhar, um gesto mesmo, sem a ajuda de nenhum medicamento.
Esta faculdade, incontestavelmente, tem o seu princípio na força magnética;
dela difere, todavia, pela energia e pela instantaneidade da acção, ao passo que as curas magnéticas exigem um tratamento metódico mais ou menos longo.
Todos os magnetizadores estão quase aptos para curar se sabem a isso se ligar convenientemente;
eles têm a ciência adquirida;
nos médiuns curadores a faculdade é espontânea e alguns a possuem sem jamais terem ouvido falar do magnetismo.
A faculdade de curar pela imposição das mãos tem, evidentemente, o seu princípio numa força excepcional de expansão, mas é aumentada por diversas causas, entre as quais é necessário colocar em primeira linha:
a pureza dos sentimentos, o desinteresse, a benevolência, o ardente desejo de aliviar, a prece fervorosa e a confiança em Deus, em uma palavra, todas as qualidades morais.
- In: Obras Póstumas, item 52 - "Médiuns curadores".

Sei que vai parecer repetitivo, mas é melhor repetir e despertar consciências do que calar e seguir cometendo equívocos.
O que difere a imposição de mãos, enquanto mecanismo usado na mediunidade curadora, dos demais métodos magnéticos é exactamente a instantaneidade do fenómeno.
Por isso mesmo ela é tão rara.
Mas, há de se perguntar, qual a razão dessa raridade?
Exactamente as qualidades requeridas aos médiuns que querem exercê-la.
Estas estão sobejamente detalhadas acima.

... Deus recompensa sempre a humildade sincera elevando-a, ao passo que rebaixa o orgulho.
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 02, 2018 8:01 pm

Esse recurso que envia, são os bons Espíritos que vêm penetrar o médium de seu fluido benfazejo, que este transmite ao enfermo.
Também é por isso que o magnetismo empregado pelos médiuns curadores é tão poderoso e produz essas curas qualificadas de miraculosas e que são devidas simplesmente à natureza do fluido derramado sobre o médium; ao passo que o magnetizador comum se esgota, frequentemente, em vão, em fazer passes, o médium curador infiltra um fluido regenerador pela única imposição das mãos, graças ao concurso dos bons Espíritos; mas esse concurso não é concedido senão à fé sincera e à pureza de intenção.
- In: Revista Espírita, edição Janeiro - 1864, artigo "Médiuns curadores" - Mensagem do Espírito Mesmer, pela psicografia do médium Sr. Albert.

Mais uma confirmação do que venho repetindo:
o carácter especial do médium curador é que possibilita o efectivo resultado numa imposição de mãos.
O simples nisso é o óbvio:
desenvolvem-se as qualidades morais e a fé e não a questão menor, que seria a do não-movimento.

7. O médium curador recebe o influxo fluídico do Espírito, ao passo que o magnetizador aure tudo em si mesmo.
Mas os médiuns curadores, na estrita acepção da palavra, quer dizer, aqueles cuja personalidade se apaga completamente diante da acção espiritual, são extremamente raros, porque esta faculdade, elevada ao seu mais alto grau, requer um conjunto de qualidades morais que raramente se encontra sobre a Terra;
somente eles podem obter, pela imposição das mãos, essas curas instantâneas que nos parecem prodigiosas;
muito poucas pessoas podem pretender este favor.
O orgulho e o egoísmo sendo as principais fontes das imperfeições humanas, disso resulta que aqueles que se gabam de possuir esse dom, que vão por toda a parte enaltecendo as curas maravilhosas que fizeram, ou que dizem ter feito, que procuram a glória, a reputação ou o proveito, estão nas piores condições para obtê-la, porque esta faculdade é o privilégio exclusivo da modéstia, da humildade, do devotamento e do desinteresse.
Jesus dizia àqueles que tinha curado: Ide dar graças a Deus e não o digais a ninguém.

8. A mediunidade curadora pura sendo, pois, uma excepção neste mundo, disso resulta que há quase sempre acção simultânea do fluido espiritual e do fluido humano;
quer dizer, que os médiuns curadores são todos mais ou menos magnetizadores, é por isso que agem segundo os procedimentos magnéticos;
a diferença está na predominância de um ou de outro fluido e na maior ou na menor rapidez da cura.
Todo magnetizador pode se tornar médium curador, se sabe se fazer assistir pelos bons Espíritos;
neste caso os Espíritos lhe vêm em ajuda, derramando sobre ele seu próprio fluido que pode decuplicar ou centuplicar a acção do fluido puramente humano.
- Revista Espírita, edição setembro-1865, do artigo "Da mediunidade curadora", itens 7 e 8.

No item 7 está tudo magistralmente colocado;
basta ter olhos para ver e ali descobrir, de forma tão óbvia como real, o que não dá para ser encoberto:
o carácter excepcional da instantaneidade das curas pela simples imposição, a raridade desse tipo de médium curador e as qualidades morais indispensáveis para que ele actue eficientemente.
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 02, 2018 8:01 pm

No item 8, reafirmado que "A mediunidade curadora pura sendo, pois, uma excepção neste mundo", chegamos à realidade patente de que os médiuns curadores comuns, convencionais, os nossos médiuns passistas, também fazem uso de fluidos próprios, "por isso que agem segundo os procedimentos magnéticos".
Veja bem: procedimentos magnéticos, no plural, e não no singular do "só imposição de mãos".
Não vejo como escapar à realidade de que para se ser passista não se deva fazer uso do magnetismo e de seus procedimentos.
Ao final, o reforço de que a actuação dos Espíritos, evocada e consentida, ampliará enormemente os potenciais fluídicos do magnetizador é alentador e estimulante para que nos esforcemos, sempre mais, por adquirir melhores condições de atraí-los e tê-los em perfeita parceria e não ficarmos imaginando que eles têm a obrigação de estar onde estivermos e, de quebra, fazerem tudo, inclusive o que nos compete.

Se a mediunidade curadora pura é o privilégio das almas de elite, a possibilidade de abrandar certos sofrimentos, de curar mesmo, embora de maneira não instantânea, certas doenças, é dada a todo o mundo, sem que seja necessário ser magnetizador.
O conhecimento dos procedimentos magnéticos é útil em casos complicados, mas não é indispensável.
Como é dado a todo o mundo chamar os bons Espíritos, orar e querer o bem, frequentemente, basta impor as mãos sobre uma dor para acalmá-la; é o que pode fazer todo indivíduo se nisso põe a fé, o fervor, a vontade e a confiança em Deus.
Há a se anotar que a maioria dos médiuns curadores inconscientes, aqueles que não se dão nenhuma conta de sua faculdade, e que se encontram, às vezes, nas condições mais humildes, e entre pessoas privadas de toda instrução, recomendam a prece, e ajudam a si mesmos orando.
Somente sua ignorância faz crer na influência de tal ou tal fórmula; algumas vezes mesmo ali misturam práticas evidentemente supersticiosas, das quais é preciso dar o caso que elas merecem.
- Revista Espírita, edição setembro-1865, do artigo "Da mediunidade curadora", item 12.

Muito interessante tudo isso.
Como a mediunidade curadora pura quase não é encontrada, a possibilidade de aliviar ou mesmo fazer pequenas curas é por demais comum, não precisando sequer que a pessoa seja magnetizadora.
Isto está muito claro e, creio, não há como discordar.
Sendo assim, "o conhecimento dos procedimentos magnéticos é útil em casos complicados, mas não é indispensável", disse Kardec.
Tenho encontrado muito esta frase sendo repetida e tomada como um atestado de dispensa de uso das técnicas do magnetismo.
Mas analisemos tudo com clareza: o texto se refere à mediunidade curadora e não ao magnetismo prático; depois aparece a ênfase de que nem sempre os casos pedem um magnetizador, o que o dispensa; em seguida, o complemento é crucial: os bons Espíritos vêm para resolver o problema, constituindo-se, portanto, numa acção mediúnica e não magnética, motivo pelo qual o conhecimento das técnicas pode até vir a ser dispensado; nisso tudo, as imposições de mãos não entram como técnica magnética e sim como prática mediúnica ou como complemento de um passe espiritual.
O que não me parece lógico é que dessa citação se deduza que só as imposições de mãos resolvem e substituem tudo o que o Magnetismo ensina.
E para que não sobrem dúvidas, ele se refere aos médiuns curadores inconscientes, associando-os à prece, mas se não lhes pede conhecimento nos processos magnéticos, elucida que a fé, o fervor, a vontade e a confiança em Deus são basilares nesses mecanismos de cura.
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 02, 2018 8:01 pm

Espero que as referências indicadas sejam suficientes para que se reveja postura acerca de tão evidente assunto.

Os bons Espíritos precisam

Para poder se fazer ouvir, é preciso que os Espíritos ajam sobre instrumentos que estejam ao nível de sua ressonância fuídica.
Que pode fazer um bom músico com um instrumento detestável?
Nada. Ah! muitos, senão a maioria dos médiuns são para nós instrumentos bem imperfeitos.
Compreendei que em tudo é preciso semelhança, tanto nos fluidos espirituais quanto nos fluidos materiais.
Para que os Espíritos avançados possam se vos manifestar, lhes são necessários médiuns capazes de vibrarem uníssono com eles; do mesmo modo, para as manifestações físicas, é preciso encarnados possuidores dos fluidos materiais da mesma natureza daqueles dos Espíritos errantes, tendo ainda acção sobre a matéria.
(...) Os Espíritos instrutores que vos revelam os segredos da Natureza, segredos pouco conhecidos, ou ainda ignorados, têm necessidade de médiuns compreendendo já certos efeitos magnéticos e tendo bem estudado a mediunidade.
Compreendei isto...
(...) Regra geral: quando quiserdes um calculador, não vos dirijais a um dançarino.
- In: Revista Espírita, edição fevereiro-1865, mensagem do dia 20 de janeiro de 1865, pela médium, senhorita M. C. de Um Espírito Protector.

Relevante estarmos cientes de que, mesmo para os Espíritos, inclusive os superiores, são requeridos, além de tudo o que já foi postulado em termos morais, uma compatibilidade fluídica entre os seus fluidos e os do médium ou magnetizador a fim de que a manifestação física ocorra.
Portanto, convém termos isso em conta quando quisermos generalizar afirmativas que dão conta da presença e da actuação do Mundo Espiritual, de forma tão contundente, em "todos" os eventos magnéticos.

Afora essa pontuação feita no que foi ditado pelo Espírito protector na mensagem acima, a recomendação "têm necessidade de médiuns compreendendo já certos efeitos magnéticos e tendo bem estudado a mediunidade" é um excelente reforço a tudo o que já sabemos quanto ao nosso dever de estudar e aplicar o magnetismo com sapiência.
Afinal, como a recomendação é dirigida mais directamente aos médiuns, a quem se costuma ceder certa condescendência no campo do não-estudo, considerando-se o chamado "dom natural"que muitos trazem, imagine-se o que não se reportar aos magnetizadores, a quem nunca se regateia a imperiosidade do estudo!

Magnetismo e relacionamento

Muito mais do que imaginamos, o magnetismo está presente em quase tudo ao nosso derredor, inclusive no que tange ao mundo emocional e mental.

Os encontros, que costumam dar-se, de algumas pessoas e que comummente se atribuem ao acaso, não serão efeito de uma certa relação de simpatia?
"Entre os seres pensantes há ligação que ainda não conheceis.
O magnetismo é o piloto desta ciência, que mais tarde compreendereis melhor".
- In: O Livro dos Espíritos, questão 388.
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 02, 2018 8:02 pm

Lendo esta questão, logo aparece uma dúvida:
será que o "mais tarde" a que os Espíritos se referiram é muito mais tarde ainda?
Minha dúvida é porque não me parece que estejamos tão preocupados como deveríamos em estudar essa ciência que, seguramente, está na base de todo relacionamento humano.
É! Temos muito material a desvendar ainda!

Suponhamos agora duas pessoas, perto uma da outra, envolvida cada uma de sua atmosfera perispiritual - que se nos permita ainda esse neologismo.
Esses dois fluidos vão se pôr em contacto, penetrar um no outro; se são de natureza antipática, se repelirão, e os dois indivíduos sentirão uma espécie de mal-estar com a aproximação um do outro, sem disso se darem conta;
sendo ao contrário movidos por um sentimento bom e benevolente, levarão consigo um pensamento benevolente que atrai.
Tal é a causa pela qual duas pessoas se compreendem e se adivinham sem se falarem.
Um certo não sei o quê diz frequentemente que a pessoa que se tem diante de si deve estar animada de tal ou tal sentimento;
ora, esse não sei quê é a expansão do fluido perispiritual da pessoa em contacto com o nosso, espécie de fio eléctrico condutor do pensamento...
- In: Revista Espírita, edição dezembro-1862, artigo 'As causas da obsessão e os meios de combatê-la".

Temos aí um detalhamento da recíproca influência entre os campos energéticos dos humanos, o que serve de adendo precioso à citação anterior.
Sabendo-se, de antemão, que o piloto disso tudo é o magnetismo, fácil concluir que o magnetismo que cada ser exala leva consigo o clima mental, moral, orgânico e do humor de seu possuidor, motivo pelo qual nem sempre o ser humano consegue esconder suas reais intenções, seu real proceder emocional e racional.
Não é sem razão que é tão corriqueira a expressão: "eu bem que desconfiava...".

Tratamentos diferenciados

Quem use reflexões de bom senso deduz, com facilidade, que as acções magnéticas, bem como as atinentes à mediunidade curadora, não são iguais em si mesmas, muito menos quando comparadas.
Portanto, aquilo de se dizer que os passes são iguais ou, o que é mais sério ainda, que tanto faz passe magnético ou espiritual, não deveria ter sido considerado por ninguém, a não ser como hipótese de pesquisa.
A despeito disso, de tanto se ouvir essas afirmações, até parece que esta é a regra.

A acção é completamente diferente na obsessão e a faculdade de curar não implica a de libertar os obsedados.
O fluido curador age, de certo modo, materialmente sobre os órgãos afectados, ao passo que na obsessão deve agir moralmente sobre o Espírito obsessor;
é preciso ter autoridade sobre ele, para o fazer largar a presa.
São, pois duas aptidões distintas, que nem sempre se encontram na mesma pessoa.
O concurso do fluido curador torna-se necessário quando, o que é bastante frequente, a obsessão se complica com afecções orgânicas.
Pode, pois, haver médiuns curadores impotentes para a obsessão, e reciprocamente.
(...) Há, pois, para o médium curador a necessidade absoluta de se conciliar o concurso dos Espíritos superiores, se quiser conservar e desenvolver sua faculdade, senão, em vez de crescer ela declina e desaparece pelo afastamento dos bons Espíritos.
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Re: Reavaliando verdades distorcidas / Jacob Melo

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 02, 2018 8:02 pm

A primeira condição para isto é trabalhar em sua própria depuração, a fim de não alterar os fluidos salutares que está encarregado de transmitir.
Esta condição não poderia ser executada sem o mais completo desinteresse material e moral.
O primeiro é o mais fácil;
o segundo é o mais raro, porque o orgulho e o egoísmo são os sentimentos mais difíceis de extirpar e porque várias causas contribuem para os superexcitar nos médiuns.
Desde que um deles se revela com faculdades transcendentes - falamos aqui dos médiuns em geral, escreventes, videntes e outros - é procurado, adulado e mais de um sucumbe a essa tentação da vaidade.
Em breve, esquecendo que sem os Espíritos nada seria, considera-se como indispensável e único intérprete da verdade; deprime os outros médiuns e se julga acima de conselhos.
O médium que assim se acha está perdido, porque os Espíritos se encarregam de lhe provar que podem ser dispensados, fazendo surgir outros médiuns melhor assistidos.
- In: Revista Espírita, edição novembro-1866, artigo "Considerações sobre a mediunidade curadora".

Quando Allan Kardec enfatiza que o tratamento magnético dado ao paciente com problemas orgânicos é diferente, em realização, ao prestado ao obsediado, deixa claro que há mais de um tipo de magnetismo, mais de um tipo de acção, portanto, além de diferentes aptidões mediúnicas e magnéticas, além das formas diferentes como os pacientes absorvem ou se deixam penetrar pelos fluidos das terapias magnéticas, existem características e subtilezas que pedem análise cuidadosa e aplicação criteriosa.
Difícil acreditar que tenha quem acredite mesmo que não haja diferença!
No prosseguimento da transcrição surgem seguras recomendações a todos os que queremos ser realizadores de efectivas curas reais.

Faremos observar que a mediunidade curadora não está ainda apresentada, ao nosso conhecimento, com caracteres de generalidade e de universalidade, mas, ao contrário, restrita como aplicação, quer dizer, que o médium tem uma acção mais poderosa sobre certos indivíduos do que sobre outros, e não cura todas as doenças.
Compreende-se que isso deva ser assim, quando se conhece o papel capital que desempenham as afinidades fluídicas em todos os fenómenos de mediunidade.
Algumas pessoas mesmo dela não gozam senão acidentalmente e para um caso determinado.
Seria, pois, um erro crer que, porque se obteve uma cura, mesmo difícil, podem-se obtê-las todas, pela razão de que o fluido próprio de certos doentes ê refractário ao fluido do médium;
a cura é tanto mais fácil quanto a assimilação dos fluidos se opera naturalmente.
Também se está surpreso de ver, algumas fezes, pessoas frágeis e delicadas exercerem uma acção poderosa sobre indivíduos fortes e robustos.
É que, então, essas pessoas são boas condutoras do fluido espiritual, ao passo que os homens vigorosos podem ser muito maus condutores.
Eles não têm senão seu fluido pessoal, fluido humano, que jamais tem a pureza e o poder reparador do fluido depurado dos bons Espíritos.
(...) Lembraremos aqui que a mediunidade está exclusivamente na acção fluídica mais ou menos instantânea; que não é preciso confundi-la nem com o magnetismo humano, nem com a faculdade que certos médiuns têm de receber dos Espíritos a indicação de remédios; estes últimos são simplesmente médiuns médicos, como outros são médiuns poetas ou desenhistas.
- In: Revista Espírita, edição abril-1865, artigo "Poder curativo do magnetismo espiritual", ditado pelo Espírito do doutor Demeure.
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