Estudando "Nosso Lar" - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

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Re: Estudando "Nosso Lar" - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 31, 2018 10:22 am

— A jornada é longa...
— Longuíssima, mas belíssima!
Quem caminha por uma estrada não está impedido de contemplar a paisagem que a emoldura!
A medida que o espírito sobe, maior o horizonte que a sua visão consegue abranger.
Há passagens comovedoras no Evangelho, às quais não damos a importância devida, a fim de mais bem apreciarmos a grandeza do Cristo:
Ele transformava a água em vinho; ordenava ao vento e às tempestades, que lhe obedeciam; fazia tremer de júbilo o chão que pisava quando se punha a orar; multiplicava pães e peixes nos cestos quase vazios...
A jovem que me ouvia enxugou furtiva lágrima.
— Tudo tem o seu encanto, a sua beleza - prossegui.
Não há motivo real para tristeza, cansaço ou desânimo.
Aos olhos de quem ama, tudo é belo e bom!
Agora, sob as lentes do pessimismo...
— Doutor - brincou Domingas, provocando sorrisos -, o senhor está em transe...
— Às vezes, quando o guia encosta, acontece!
A plateia tornou a sorrir.
— Ué! - perguntei -, será que, tendo a obrigação de guiar os homens na Terra, somos nós desprovidos de guias?
É evidente que, ao nosso redor, um Mundo Espiritual palpita...
Se este é o Plano Espiritual dos homens, não é o dos espíritos desencarnados.
O nosso está um pouco mais acima... Espero!
— Porque também pode estar mais abaixo, não é doutor?
— Tomara que não, mas pode!
A Coordenadora não retrucou e, percebendo que o tempo avançava, procurei rematar:
— Qual disse certa vez que, da Reencarnação, a única coisa que sabemos com segurança é que o espírito volta ao corpo, digo com a mesma convicção que, da Desencarnação, a única coisa que os homens sabem é que desencarnam!
Se as surpresas da Vida fora da matéria continuam a ocorrer para nós, todos os dias - para nós, que já nos encontramos neste Outro Lado! -, imaginemos para os que ainda se encontram quase completamente imersos nas ilusões da Vida Material!
Mesmo para os adeptos do Espiritismo, as condições da Vida no Mais Além continuam sendo uma incógnita!
Por mais, digamos, exageradas as informações, há mais para se crer do que para se descrer!
E, sinceramente, não estou advogando em causa própria, como muitos que, sem a menor cerimónia, para atender a caprichos de natureza pessoal, distorcem a Verdade.
Considerando encerrado mais aquele encontro, que, como os demais, havia sido produtivo, principalmente para mim, que estava tendo oportunidade de me reciclar no conhecimento da Vida, entrei em conversação informal com alguns dos presentes, colocando-me à disposição para as dúvidas que, porventura, pudesse esclarecer.
E, rodeando-me, crivaram-me de perguntas...
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Ave sem Ninho

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Re: Estudando "Nosso Lar" - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 31, 2018 10:22 am

CAPÍTULO 34
- Dr. Inácio - perguntou-me um dos participantes, no diálogo activo que se estabeleceu entre nós -, é verdade que estamos no Umbral?
— Antes de tudo - respondi -, precisamos compreender o significado da palavra "umbral", que quer dizer "limiar", "porta", "entrada"...
Neste sentido, estamos, sim, situados numa região umbralina, de vez que todos somos espíritos em evolução, transitando de uma dimensão a outra.
Existem umbrais tanto para cima quanto para baixo...
— Todavia - insistiu - na concepção que os espíritas atribuem à palavra?...
— Mesmo, digamos, em seu sentido figurado, estamos situados no Umbral - aliás, conforme esclarecimentos de André Luiz, a própria cidade de "Nosso Lar" se localiza no Umbral.
— Mas, a rigor, onde começa o Umbral?
- indagou uma jovem.
— Chico Xavier dizia que começa em nós mesmos...
O Umbral, minha filha, é região espiritual que envolve toda a Terra!
Existem planos espirituais em toda parte e não somente no espaço geográfico do Brasil.
Cada região espiritual imediata à morte do corpo se caracteriza pela condição mental de seus habitantes.
Assim, as regiões consideradas umbralinas se diversificam, não sendo todas absolutamente idênticas entre si.
— Muitos não acreditam nisto, não é Doutor?
Afirmam que o Umbral não passa de criação literária de André Luiz...
— Vocês, de experiência própria, podem responder a tal argumento.
O Umbral é ou não real?
A turma sorriu e prossegui:
— Descrer da existência do Umbral é o mesmo que descrer da existência de uma porta separando dois cómodos na mesma casa...
Os limites existem: de uma cidade a outra, de um estado a outro, de um país a outro, de um mundo a outro mundo e sucessivamente.
O Umbral é região espiritual em que voluntariamente nos confinamos!
Com um volume de "Nosso Lar" nas mãos, um senhor pediu permissão para ler:
— O Umbral é região de profundo interesse para quem esteja na Terra.
Concentra-se, aí, tudo que não tem finalidade para a vida superior.
E note você que a Providência Divina agiu sabiamente, permitindo se criasse tal departamento em torno do Planeta.
Há legiões compactas de almas irresolutas e ignorantes, que não são suficientemente perversas para serem enviadas a colónias de reparação mais dolorosa, nem bastante nobres para serem conduzidas a planos de elevação.
Representam fileiras de habitantes do Umbral, companheiros imediatos dos homens encarnados, separados deles apenas por leis vibratórias.
— A cidade de "Nosso Lar" estaria, de facto, também situada no Umbral? - questionou em seguida.
— Sem dúvida.
— Interessante é que muitos espíritas vivem pedindo para, após a desencarnação, morar em "Nosso Lar", mas não querem permanecer no Umbral...
— Pai - gracejei -, perdoa-lhes, porque não sabem o que dizem!...
O que pretendem é impossível.
Como, se a cidade de "Nosso Lar" fica situada em região superior do Umbral?!
Os estudiosos andam certos, quando se referem à existência das chamadas "subdimensões" espirituais.
— O Umbral então?... - solicitou explicações mais detalhadas outra jovem.
— Subdivide-se!
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Re: Estudando "Nosso Lar" - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 31, 2018 10:22 am

Temos, nas vizinhanças mais próximas da Terra, o Umbral Grosso; depois, o Umbral Médio; acima, onde se localiza "Nosso Lar", o Umbral Fino...
Notando que todos se mantinham na expectativa de maior elucidação, emendei:
— O Umbral Grosso começa ao derredor do próprio espírito encarnado, sobre a superfície da Terra; o Umbral Médio é onde nos encontramos agora...
— Quer dizer que nem no Umbral Fino ainda estamos? - interrogou uma senhora.
— A nossa cidade, do ponto de vista geográfico, se localiza abaixo de "Nosso Lar"!
Isto, porém, não nos impede de transitar entre uma subdimensão e outra...
Quem reside numa favela não está impedido de ir ao centro da cidade!
— Como quem mora na zona rural também não está impedido de transferir residência para a cidade!
— Desde que reúna as condições para tanto, não?
— O que temos acima de "Nosso Lar"? - indagou a mesma senhora.
— Outra dimensão espiritual, de natureza superior.
— Deixe-me ver se entendi - falou curiosa e atenta.
Embora seja da natureza superior, essa outra dimensão, que fica acima do Umbral, é também zona de transição...
— O seu raciocínio está perfeitamente correto.
Encarnados e desencarnados, não importa o lugar em que estejamos, até que logremos alcançar a Perfeição, sempre estamos em trânsito para o Mais Alto!
Aliás - aduzi - o espírito superior não ocupa um lugar circunscrito no espaço: o Universo lhe pertence!
Se Deus está em toda parte, o espírito que é um com Ele, igualmente está!
Localizar o espírito é limitá-lo!
O espírito que se localize se limita.
— Então, os espíritos que se localizam nos mundos superiores, fora do nosso Sistema Solar?...
— Em que pese à sua grande evolução, que transcende até a nossa capacidade de compreensão, ainda são espíritos limitados!
— O espírito, quanto mais evoluído?...
— ...mais universal!
— Interessante! Então não devemos nos prender a nada?
— Em nossa actual condição evolutiva, carecemos de certos pontos de referência, pois, caso contrário, nos perderemos.
Fiz diminuto intervalo e observei:
— Por que, por exemplo, necessitamos de corpo? São diversos os corpos que possuímos...
Porque, sem corpo, perderíamos a identidade.
Se eu, Inácio, perder todos os meus corpos, me diluirei!
Estão entendendo?
Eu não estou preparado para ter consciência de mim, sem me ver, sem me tocar, enfim, sem me localizar e localizá-los...
Estando por perto, acompanhando o meu bate-papo informal com alguns dos participantes do estudo, Domingas soltou:
— Cruzes, Doutor!
Eu nunca havia pensado nisto...
— Pois é, minha cara, a coisa é um pouco mais complexa do que pensamos.
De certa forma, o corpo é ainda a nossa cabeça!
— Quer dizer que tenho o meu cérebro nos pés?...
— É mais ou menos por aí!
A gente vai subindo, Domingas:
o cérebro nos pés, nos joelhos, nos quadris, no tórax...
— Até a total emancipação!
— Até que a Vida se nos centralize na • mente, inclusive em nossa capacidade de amar!
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Re: Estudando "Nosso Lar" - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 31, 2018 10:22 am

O resto é apêndice, que nos compete perder através da evolução.
Domingas, você se recorda da questão número 249-a, de "O Livro dos Espíritos"? Kardec perguntou:
— A Faculdade de ouvir, como a de ver, está em todo o seu ser?
A resposta foi a seguinte:
— "Todas as percepções são atributos do espírito e Jazem parte do seu ser; quando ele se reveste de um corpo material, elas não se manifestam senão pelos meios orgânicos; mas, no estado de liberdade, já não estão localizadas".
— Eu soube - comentou a companheira -, conforme alguém já disse aqui, que tem gente escrevendo contra a existência do Umbral e até de "Nosso Lar"...
— Ah!, Domingas, a empáfia desse pessoal...
Eles podem escrever o que quiserem, mas não mudarão a realidade.
O que estão insinuando?
Que Chico Xavier estava fascinado?
— Se Chico estava fascinado, o que sobra para nós!
— Nada vezes nada! - exclamou um rapaz com seriedade.
— Tem espírita que passa a vida inteira sem fazer absolutamente nada; depois, quando está prestes a desencarnar, quer fazer alguma coisa, investindo contra o que outros fizeram ou estão fazendo...
Coitados, são tão infelizes, que só sabem construir, destruindo!
— Doutor, eles dizem se apoiar em Kardec...
— Com todo o respeito ao Codificador, ele não disse a última palavra como Kardec nem como Chico Xavier!
O Espiritismo avançará sempre.
A opinião contraditória desse pessoal é mero acidente de percurso.
Eles têm o direito de pensar de maneira contrária - eles não o têm é de ser agressivos como são!
Quem agride e ofende pode até estar com parcela da Verdade, mas perde a razão por inteiro.
A falta de fraternidade com que agem no que falam ou escrevem já os desautoriza moralmente.
— Dr. Inácio - interrogou a senhora alheia às querelas que imperam no Movimento, distraindo os espíritas de suas obrigações fundamentais -, o que nos diz das dimensões espirituais inferiores?
— As que se situam abaixo da Crosta?
Porque a Crosta, igualmente, não passa de dimensão espiritual...
— Abaixo do Umbral, que é onde nós estamos, fica a Terra...
— E abaixo da Terra, que denominamos Crosta, temos as Trevas e o Abismo!
— As Trevas?...
— André Luiz, no livro "Libertação", forneceu notícias dessa região considerada subcostal, porque fica no interior da Terra.
— Ele descreve a cidade dos "gregorianos", não é, Doutor? - interpelou Domingas ensejando-me novos esclarecimentos.
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Re: Estudando "Nosso Lar" - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 31, 2018 10:23 am

CAPÍTULO 35
O trabalho de André Luiz - dei sequência ao diálogo -, através da mediunidade missionária de Chico Xavier foi inestimável.
Digo-lhes, sem qualquer titubeio, que Emmanuel e André Luiz, representando uma Falange de Espíritos Superiores, enriqueceram sobremodo a Doutrina Espírita.
Nas obras "Nosso Lar" e "Libertação", por exemplo, o notável cientista desencarnado nos fornece, com o detalhamento possível, notícias em torno de uma cidade espiritual situada em dimensão superior e de outra localizada em região inferior.
— Por que o senhor disse "com o detalhamento possível!" - perguntou um dos integrantes do grupo que me sabatinava.
— Não teriam sido viáveis notícias mais amplas e precisas?
— No que tange às possibilidades do instrumento mediúnico, no caso, Chico Xavier, não duvidamos que tais informações pudessem se viabilizar.
Talvez, no entanto, tivessem sido inoportunas à época em que os livros mencionados foram escritos e mesmo agora.
— Agora, em pleno terceiro milénio da Era Cristã, creio que nem tanto, Doutor - redarguiu o interlocutor.
— Eu também acho - argumentou outro -, mormente em face dos avanços da chamada Física Quântica, descortinando universos à mente humana.
— Não tenham assim tanta certeza.
Vocês não estão vendo as reacções contraditórias que "Nosso Lar", escrito em 1943, há quase 70 anos, ainda vem motivando?
— Doutor - interpôs-se Domingas -, se aplicaria, neste caso, a advertência de Jesus, anotada por Mateus, no capítulo 7, versículo 6:
"Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas, para que não as pisem com os pés e, voltando-se, vos dilacerem."?
— Plenamente - respondi.
— Mas como acontece - indagou a desinibida senhora que connosco conversava - essa "regulagem"...
Não sei se estou me expressando bem, porque, para mim, até a terminologia espírita é coisa nova.
— A que "regulagem", minha irmã, você se refere? - perguntei, com o fito de lhe dar oportunidade de maior clareza de raciocínio.
— Talvez a palavra certa seja "controle"!
Como isso se dá?
Por exemplo:
eu, na condição de espírito livre, escrevendo ou simplesmente falando, desejo contar através de um médium tudo que vejo na Vida de além-túmulo...
— Ah, sim! - diversos exclamaram quase ao mesmo tempo. — Interessante pergunta.
— O médium, minha filha - elucidei -, não teria cabeça para tudo, como, na verdade, não tem.
— Não teria cabeça?...
— Não ofereceria sintonia!
E digo-lhes isto de experiência própria, porque, conforme sabem, tanto quanto possível, eu tenho me esforçado a escrever para a Terra...
— Conte-nos, Doutor - solicitou a senhora.
— Por mais que eu queira transmitir, pela via mediúnica, certas notícias de nossa vida aqui, no Plano em que nos encontramos, esbarro com as limitações do medianeiro...
— Seria falta de afinidade entre espírito e médium?
— Em nosso caso, não, posto que, de longa data, somos amigos.
Embora possa, sim, ocorrer, entre mim e ele, o que se dá não é falta de afinidade.
Caso não tivéssemos alguma, nem o pouco que por ele transmito eu conseguiria transmitir.
A questão é de relevância maior.
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Re: Estudando "Nosso Lar" - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 31, 2018 10:23 am

— Qual?! - insistiu.
—Assim como os homens não conseguem vencer a lei da gravidade, que, em condições normais, os impede de se afastar a grandes distâncias da Terra, para o mundo psíquico existem leis com acção semelhante.
O resultado do intercâmbio mediúnico será sempre relativo.
Até em seu vocabulário, o homem se encontra limitado, não dispondo de palavras para todas as ideias que os espíritos desejam expressar.
— Por este motivo, Doutor - voltou a interrogar Domingas -, é que se tem, na Terra, maior volume de informações sobre as regiões espirituais inferiores?
— Exacto, minha cara - concordei.
— Primeiro, porque o que é inferior é com a gente mesmo, não é?
Com a turma sorrindo sem muito entusiasmo, continuei:
— E, depois, porque tudo o que nos foge ao domínio intelectual deriva para a ficção, pois, para expressar a realidade que se coloca acima de sua compreensão habitual, o homem não dispõe de outro recurso que não seja a ficção!
— Há quem alegue que "Nosso Lar", qual os demais livros da série, é obra de ficção...
— Pois é - retruquei, ponderando -, mas, tomado ao pé da letra, não há livro de maior ficção que o Evangelho...
A rigor, o que é mais maravilhoso: os espíritos sobreviverem à morte do corpo e edificarem moradas no Outro Lado da Vida ou um Homem ressuscitar mortos?
E, mais, ressuscitar a si mesmo, ao ponto de deixar o próprio túmulo vazio como um desafio à posteridade?
Por que esse pessoal não discorda da existência de Jesus, que, conforme nos é narrada pelos Evangelistas, foge à lógica racionalista?
Jesus Cristo fez na Terra, entre os homens, o que os espíritos não conseguem fazer no Além!
— Caminhar sobre as águas, transformar água em vinho, multiplicar pães e peixes, curar cegos e leprosos...
— É porque ninguém é louco de contestar o Cristo!
Agora, em André Luiz todo o mundo quer bater...
Na insana concepção de muitos, a crítica a Chico Xavier, Emmanuel e André Luiz, confere certo ar de intelectualidade a quem o faz!
De falsa intelectualidade!...
— É chique, não é, Doutor?
— Até soa com certo arremedo de rima, Domingas:
é chique criticar o Chico!
Em minha opinião sincera, esse pessoal tinha é que procurar serviço!
Eles não sabem o que é suar o colarinho da camisa engomada e sujar os sapatos bem engraxados pisando no pó da periferia!
Olhando de um lado para outro, a ver se Odilon não estava por perto, contive-me, e prossegui:
— Como vínhamos falando, a respeito das revelações do Mundo Espiritual para a Terra, o mesmo acontece com as revelações do Plano Superior em relação ao nosso:
assim como os encarnados sabem relativamente pouco sobre o mundo dos desencarnados, quase nada sabemos sobre o mundo daqueles que, em relação a nós, estão desencarnados duas vezes!
— O senhor acha que, futuramente, o homem encarnado poderá saber mais? - perguntou um amigo de cabelos grisalhos que, até o momento, permanecera calado.
— Sim, daqui a uns 500 anos talvez...
— Isso tudo?!
— A promessa do Consolador demorou, aproximadamente, 1.800 anos para se concretizar!
Ante a reacção de todos à minha resposta, se eu fosse romancista, escreveria agora: silêncio sepulcral pairou no recinto...
— Estou brincando.
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Re: Estudando "Nosso Lar" - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 31, 2018 10:23 am

Vocês sabem que não podemos precisar datas para que os desígnios de Deus se cumpram.
Quem somos nós!
Tenhamos esperança de que as coisas boas aconteçam mais depressa do que as expectativas mais optimistas.
Mas, por outro lado, sejamos realistas:
com a permissão do Criador, somos nós que as faremos acontecer no momento justo de nossos méritos!
E começando a caminhar em direcção à porta de saída, onde Manoel Roberto me aguardava para a nossa rotina de trabalho com os doentes, considerei:
— O importante é que já sabemos o suficiente para sabermos mais com responsabilidade.
— Como assim, Doutor? - interpelou a jovem que seguia ao meu lado.
— Já sabemos que precisamos amar!
Há um texto evangélico sobre o qual sempre medito.
Está inserido no capítulo 6, versículo 33:
"Buscai primeiramente o reino de Deus e a sua justiça, que todas essas coisas vos serão dadas de acréscimo".
Todas as coisas que Jesus afirma nos haverão de ser concedidas por acréscimo, no versículo 33, estão subordinadas às outras 32 listadas por ele, que se resumem numa só: amor ao próximo!
— Como começarmos?
O amor parece tão inacessível à nossa condição humana...
— Através da escola da Caridade!
O bem praticado aos semelhantes é, sobretudo, aprendizado de amor.
Antes de me juntar a Manoel Roberto e tomar a direcção do hospital, detive-me por instantes e recordei:
— Kardec, estudando o problema do egoísmo, fez uma pergunta fantástica aos Espíritos.
É a de número 914, inserida no primeiro volume do Pentateuco:
"— Estando o egoísmo fundado no interesse pessoal, parece difícil extirpá-lo inteiramente do coração do homem.
Chegaremos a isso?"
A resposta é de admirável conteúdo:
"— À medida que os homens se esclarecem sobre as coisas espirituais, dão menos valor às materiais; em seguida, é necessário reformar as instituições humanas, que as entretém e excitam.
Isso depende da educação."
A Caridade, para todos nós, tem uma função pedagógica!
Ninguém desenvolve a própria capacidade de amar sem começar a doar do que possui...
— Para terminar por doar-se!
— Exactamente. Doar do que tem, para doar do que é!
Já a me despedir, rematei:
— É por este motivo que as Trevas têm inspirado a certos adeptos da Doutrina o sofisma de que Caridade é assistencialismo...
O propósito não é o de prejudicar o carente de pão, mas, sim, o necessitado de luz, que somos eu, você e todos eles!
Deixando-os a pensar no que dissera, saí em companhia do devotado Assistente, que me esperava com a solicitude de sempre.
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Re: Estudando "Nosso Lar" - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 31, 2018 10:23 am

CAPÍTULO 36
Doutor - comunicou-me Manoel -, o paciente agendado está à sua espera.
— José de Arimateia? - perguntei.
— Ele mesmo.
— Está prestes a reencarnar, não é?
— Sim, mas continua hesitante.
— Cá entre nós, não é para menos; voltar àquele caldeirão fervente agora...
Com a ambição humana extrapolando, as coisas na Terra nunca estiveram tão complicadas.
Assim falando, cumprimentei o paciente, que, ao me ver chegar, se levantara, respeitoso.
— Já lhe atendo, José.
— Não tenho pressa, Doutor, nenhuma pressa - disse, evidenciando o seu desânimo em retomar o corpo carnal.
Após rápida ajeitada na papelada sobre a mesa do Consultório, pedi a Manoel que fizesse o paciente entrar.
— Sente-se, meu amigo, e não repare na desorganização.
Aqui não está cabendo mais nada - nem a mim!
— Quantas cartas, Doutor!
— Todas elas chegadas da Crosta...
— Não me diga!
— Já o disse.
— O que os remetentes querem com o senhor?
— Muitas são manifestações de carinho...
Em verdade, são palavras de encorajamento e apoio.
Tem muita gente boa para onde você está voltando...
— Não sei, não, Doutor...
Estou com muito medo...
— Eu também teria - falei com sinceridade, abrindo um espaço na mesa.
— Por isto vim conversar...
O senhor não engana a gente.
— Se há uma coisa que eu nunca aprendi, foi mentir.
Mas ainda chego lá...
José de Arimateia sorriu e começou a se abrir.
— Doutor, reencarnar, tudo bem - estou consciente de que, mais cedo ou tarde, todos precisarão voltar -, mas reencarnar na condição de médium?...
— A condição de médium não pressupõe a de santidade.
Todo médium, aliás, todo espírita é devedor...
— Mas eu fui criminoso!
— Óptimo!
— Óptimo, por quê?!
— Você colocou o verbo no passado:
Não é mais e não está inclinado a continuar sendo.
— Eu era uma pessoa muito errada...
— Poderá melhor compreender os que erram!
— Sofri muitas humilhações...
— Sabendo quanto dói ser humilhado, não humilhará ninguém.
— Passei fome...
— Será um excelente fazedor de sopa para os pobres!
— Estive preso...
— Conforme preceitua o Evangelho, terá caridade para com os criminosos.
— Sempre fui muito assediado espiritualmente...
— Bons instrumentos mediúnicos começaram pela obsessão!
— Doutor, eu preciso lhe dizer uma coisa.
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Re: Estudando "Nosso Lar" - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 31, 2018 10:24 am

— Pode dizer.
— Eu era homossexual...
— Era ou é?
— Ainda sou...
— "Atire a primeira pedra aquele que estiver sem pecado"!
— Como há de ser?
— A necessidade de se equilibrar o fará trabalhar dobrado...
— Eu não tenho moral.
— Tem mais do que muita gente, acredite.
— Estive no chão...
— Ninguém se levanta, sem trabalhar.
— Assumi compromisso com muitos espíritos...
— Em vez de um harém, você poderá formar uma creche...
— Sei que serei muito criticado - principalmente pelos espíritas!
— A crítica é vacina contra a vaidade.
— Eu tenho medo de escândalo...
— Se não tivesse, não vigiaria para que não aconteça.
— Sempre tive várias personalidades...
— Dará um excelente médium de incorporação!
— Até no Sanatório do senhor...
— O Sanatório, graças a Deus, não era meu.
— Estive internado lá por diversas vezes!
— Eu era interno em tempo integral; entrei uma vez e nunca mais saí...
José de Arimateia, um homem alto e forte, de mãos enormes, levantou a camisa e argumentou:
— Veja quantas cicatrizes!
Apanhei muito da polícia...
Apanhei e bati também.
— Você tem ódio no coração?
— Não, não tenho.
— Você se recorda do nome de algum agressor?
— De nenhum.
— Doutor, na última encarnação, eu pintei e bordei...
— Agora, você vai bordar e pintar...
— Eu bebia de cair!
— Eu fumava de quase não parar em pé!
Acendia um cigarro no outro...
— Estas mãos que o senhor está vendo já roubaram...
— Devolverão, com juros, o produto do roubo.
Você será o que chamam de homem caridoso!
— Mas ser médium, com esse meu jeito efeminado?...
— O nosso pessoal também precisa aprender...
— A ser efeminado?
Sorrindo do senso de humor de José de Arimateia, respondi:
— A não ser tão preconceituoso como é!
— Certa vez, Doutor, eu procurei Chico Xavier...
Contei a ele parte da minha vida sexual desregrada.
À época, bebendo muito, eu tinha vários parceiros...
O senhor sabe, não é?
— Imagino.
— Ele me disse o seguinte:
— José, meu filho, vá diminuindo, até chegar a um só...
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Re: Estudando "Nosso Lar" - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Maio 31, 2018 10:24 am

— Ele não me recriminou!
— Chico não recriminava ninguém.
— Não me chamou de depravado, sendo que eu tinha consciência de que era!
Não me deu lição de moral...
— E o resultado? - perguntei.
— Eu, que pensava ser um caso perdido, saí de lá mais animado comigo...
Pela primeira vez, me senti valorizado.
— Você fez o que ele sugeriu?
— Não dei conta, mas... melhorei muito!
Eu tenho verdadeira adoração por ele!
Sempre que nele penso, me dá uma vontade de ser melhor do que sou!...
— Isto acontece comigo também.
— Doutor, quer dizer?...
— Está tudo certo: você vai reencarnar e ser médium espírita!
— Não dá para revogar, deixar para depois?...
— É isto ou o Chupão...
— Que Chupão, Doutor?! - perguntou o paciente assustado.
— O planeta que vai levar vocês todos da Terra, deixando-a só para mim e mais meia-dúzia de eleitos...
— Para os espíritas?
— Não! Alguns espíritas que conheço serão os primeiros da fila...
Só que eles ainda não sabem. É surpresa!
— Eu já ouvi falar sobre isto.
Será mesmo verdade?
— Cristalina!
— Para quando será?
— "... a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos Céus, nem o Filho, senão somente o Pai".
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Re: Estudando "Nosso Lar" - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 01, 2018 9:25 am

CAPÍTULO 37
Dr. Inácio - solicitou José -, eu posso deixar com o senhor uma recordação?
— Não se preocupe...
— E de coração!
E, sem que pudesse me esquivar, o paciente levantou-se e osculou-me o rosto dizendo:
— É de filho para pai! - exclamou, enxugando as lágrimas que lhe rolavam nas faces.
— Você me deixa desconcertado...
Eu sou muito tímido para retribuir o seu gesto, José!
— Ore por mim, Doutor, que vou precisar.
Não quero falhar de novo!
— Confie em Jesus!
— E em Nossa Senhora! - emendou com reverência.
Maria de Nazaré há de se compadecer de mim...
— De todos nós!
Deixando-me emocionado, José de Arimateia despediu-se e, quase concomitante, Manoel Roberto anunciava o segundo paciente do dia.
— Trata-se, Doutor, de alguém recomendado pelo Dr. Odilon - esclareceu.
— Por Odilon?! - perguntei intrigado.
— É também candidato a reencarnação próxima.
— Mas eu é que deveria encaminhar pacientes ao Odilon e não ele a mim!
— Posso fazê-lo entrar?
— Sem dúvida.
Logo que adentrou o consultório, o homem, excessivamente formal, cumprimentou-me, declinando o seu nome, que, a fim de respeitar-lhe a memória, traduzo por outro.
— António José da Silva Teodoro e Castro!
— Esteja à vontade e, por favor, não repare a bagunça.
— Isto aqui está mesmo precisando de arrumação, não é? - retrucou, deixando o espírito na mostra.
— Faremos isto, oportunamente - respondi tentando ajeitar uma pilha de cartas prestes a cair.
Então, meu amigo, em que lhe posso ser útil?
— O Dr. Odilon insistiu para que eu viesse...
— Você não queria vir?
— Não, não é bem isto.
Frequento o "Liceu" há mais de dois anos e, de minha parte, supunha desnecessário.
— Eu também acho.
Odilon é Instrutor de todos nós - falei convicto.
— Tem umas coisinhas, mas deixe para lá...
— Você pretende reencarnar? - indaguei cauteloso.
— Não tenho como adiar por mais tempo.
Muita gente minha já foi e preciso ajudá-los.
— Ajudar é sempre uma atitude nobre.
— Sabe, Doutor, serei espírita de novo...
— Que bênção!
— Não sei como é que vai ser, porque o Espiritismo está tomando um rumo com o qual não concordo muito.
Pretendo falar e escrever em defesa da Doutrina.
— Então, você será articulista! Que bom!
— A Codificação acima de tudo, não é, Doutor?
— De fato, sem Jesus e Kardec, não se tem Espiritismo.
— Sem Kardec, Doutor, sem Kardec - disse erguendo o indicador da mão direita.
— Sem Jesus, não?
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Re: Estudando "Nosso Lar" - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 01, 2018 9:26 am

— Nem tanto. O espírita precisa ser mais racional...
As religiões já fizeram muitos estragos no mundo!
— Eu não falei em religião; eu falei em Jesus Cristo!...
— Infelizmente, porém, o nome de Jesus está vinculado à fé religiosa.
O caminho é a Ciência!
— Chico Xavier...
— Doutor, eu tenho profundo respeito pela figura humana de Chico Xavier.
— Ele foi e é um apóstolo da Doutrina!
— Eis uma das coisas com as quais não concordo com o Dr. Odilon e não vou concordar com o senhor.
— Não? - perguntei como a solicitar confirmação.
— Essa história de que Chico foi Kardec é um desserviço à Doutrina.
Kardec é único!
Mente vigorosa, homem de opinião firme, um génio, enfim!
Chico contemporizava muito...
Para mim, estava mais para médium católico do que espírita!
Compreendo. A sua formação, a sua veneração pela figura da mãe, que era católica...
— Então você?...
— O Espiritismo está correndo sério risco.
— Também acho e, cada vez, estou achando mais.
— O senhor insinuou algo?
— Não sou homem de insinuações, António.
— Seja mais claro - pediu, cruzando as mãos sobre o peito e esticando o pescoço para mim.
Não tenha receio, fale que conheço a fama do senhor.
— Fama?! Vamos trocar o f pelo 1...
— Dizem que o senhor é partidário do Espiritismo à moda de Chico Xavier, não?
— Com muita honra.
E quer que lhe diga mais?
Espiritismo sem Jesus, sem Kardec e sem a vivência de Chico Xavier, é perda de tempo...
— Hem?! Vim até aqui, Doutor, com uma derradeira esperança ao seu respeito, pois, afinal, o senhor, como psiquiatra, deve ser homem culto.
— Pois, se era a última, pode perdê-la.
Você sairá daqui sem nenhuma esperança em mim.
— Pelo que estou vendo...
— António, você não considera muita pretensão de sua parte?
— O quê?! Combater os descaminhos da Doutrina?
Creio que todo espírita convicto - e o que não me falta é convicção - tem este dever.
— Permita-me perguntar, pois, afinal, estamos nos conhecendo agora...
— De nome, eu já o conhecia, Doutor.
O senhor nunca ouviu falar de mim?
— Sinceramente, não.
— Estou admirado! António José da Silva Teodoro e Castro?!...
Militei mais de trinta anos na Doutrina...
Percorri muitas cidades fazendo palestras, frequentei diversos centros espíritas.
Sou kardecista genuíno!
Combati a influência da Umbanda, do Esoterismo...
— Umbanda?!
Tenho vários amigos adeptos...
— O senhor?!
— D. Cherubina, muito minha amiga, era médium de terreiro.
Às vezes, quando a coisa apertava, eu ia lá, à sua casa, para ela me benzer...
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Re: Estudando "Nosso Lar" - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 01, 2018 9:26 am

— O quê?!
— Benzer-me, com o seu rosário, com a sua fé e a sua bondade!
— Ah!, não me decepcione, Doutor!
— Decepciono, sim!
— Eu esperava outra coisa do senhor...
— Tonho, você me faria o obséquio de responder algumas perguntas?
O homem, vermelhando o rosto, corrigiu-me:
— Tonho, não, Doutor - António, com acento circunflexo no ô!
— Qual é o seu currículo espiritual?
— Currículo?!...
— E! Nos seus mais de trinta anos de Doutrina, fundou algum centro espírita?
— Não! Como lhe disse, ajudei a fechar os que estavam se desviando...
— Criou algum trabalho assistencial?
— A caridade do esclarecimento é a maior de todas.
Eu sou contra esmola!
A gente não tem que dar o peixe, mas ensinar a pescar...
— Aplicou passes em hospitais, asilos, albergues?
— Nunca exerci qualquer tipo de mediunidade.
Ah!, e outra coisa, passes só no centro...
— Frequentava desobsessão?
— Doutor, tenha paciência, com tanto médium mistificando por aí...
— Visitou a periferia?
— Eu não sei a que vem essa pergunta, mas, não.
— Auxiliou alguma criança ou jovem a estudar?
Comprou-lhe material escolar, uniforme?
— Francamente!
Isto é obrigação do Governo.
A esta altura, enquanto especulava o homem de nome comprido, eu me lembrei de antigo conto de Malba Tahan:
"O Fio da Aranha", um dos meus preferidos.
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Re: Estudando "Nosso Lar" - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 01, 2018 9:26 am

CAPÍTULO 38
António - indaguei -, você conhece a lenda "O Fio da Aranha"?
— Não; o que uma lenda pode ter com o que estamos conversando?...
E, mesmo sem saber se ele queria ouvir ou não, contei:
— Kandata, após a morte do corpo, foi condenado à determinada região purgatorial, a fim de expiar os seus muitos erros.
Sofrendo as consequências de sua desdita, clamava ao Céu por socorro.
Um dia, atendendo os seus lamentos, um Anjo aparece e pergunta se, em toda a sua existência na Terra, ele se recordava de ter praticado o mínimo bem a alguém.
Aquele seu possível gesto de generosidade haveria de resgatá-lo da deplorável situação em que se encontrava. Kandata, então, começa a examinar os actos de sua vida e... nada!
Ele não havia sido útil a quem quer que fosse!
Ao contrário, a consciência o acusava de ter prejudicado a muitos.
O Anjo, esperançoso, insiste e, após inaudito esforço, Kandata, finalmente, se recorda de que, certa vez, poupara a vida de uma simples aranha...
— A vida de uma simples aranha, meu caro! - pausei, enfatizando.
— Satisfeito ante a possibilidade de resgatar mais uma alma daquela região espiritual desoladora - continuei a narrativa -, repleta de malfeitores que, ah, expiavam as suas faltas, o Anjo disse a Kandata que um fio de aranha desceria das Alturas...
Num átimo, o delgado fio começou a descer e, ao vê-lo, Kandata a ele se lança como quem se agarra à derradeira esperança de salvação.
Acontece, porém, que, ao avistar aquele fio, dezenas de outros espíritos correm em sua direcção e nele se dependuram desejosos de se subtraírem ao abismo.
Com receio de que o fio da aranha não suportasse tão grande peso, Kandata passa a desferir socos e pontapés, com o intuito de se livrar dos pobres coitados que subiam por ele...
Nesse exacto momento, ao peso maior do egoísmo de Kandata, o fio se parte e todos caem, condenando-se a indefinido tempo de permanência naquele vale em que sequer a luz do Sol conseguia penetrar!
Ante o silêncio do paciente indicado por Odilon, perguntei:
— Você não se recorda de, pelo menos, em seus mais de trinta anos na condição de espírita, ter poupado a vida de uma aranha?
Compreendendo, por fim, onde eu desejava chegar, António, com a voz mais sumida, explicou-se:
— Também não é assim, Doutor.
— Se não é assim, meu caro, é mais ou menos por aí - redargui com firmeza.
Além de ter sido um teórico da Doutrina, de que mais você se lembra?
— Eu não fiz o mal...
— Apenas não fazer o mal ainda é egoísmo!
— Sempre agi em defesa da Doutrina...
— "Nem todos os que dizem: Senhor!
Senhor! Entrarão no reino dos céus; apenas entrará aquele que Jaz a vontade de meu Pai, que está nos Céus".
— De maneira geral - e o senhor há de concordar comigo -, as pessoas desconhecem Kardec.
Estou me referindo aos próprios espíritas!
— "Aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que construiu sobre a rocha a sua casa".
— Estarei de todo errado?...
— "Muito se pedirá àquele a quem muito se houver dado e maiores contas serão tomadas àquele a quem mais coisas se haja confiado".
— Nunca me senti tão sem argumentos assim...
— "Marta! Marta! andas inquieta e te preocupas com muitas cousas.
Entretanto, pouco é necessário ou mesmo uma só cousa..."
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Re: Estudando "Nosso Lar" - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 01, 2018 9:26 am

— Essa questão de currículo...
— "... cada árvore se conhece pelo seu próprio fruto".
— O senhor há de concordar que o mundo de hoje...
— "... e porque abundará a iniquidade, a caridade de muitos esfriará.
Mas aquele que perseverar até ao fim se salvará".
— Os meus mais de trinta anos de militância na Doutrina...
— "Aprendestes que foi dito:
Amareis o vosso próximo e odiareis os vossos inimigos'.
Eu, porém, vos digo:
Amai os vossos inimigos; fazei o bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem e caluniam, a fim de serdes filhos do vosso Pai que está nos Céus e que faz se levante o Sol para os bons e para os maus e que chova sobre os justos e os injustos.
Porque, se amardes os que vos amam, qual será a vossa recompensa?".
— Confesso que estou desconcertado...
— "Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.
Tomai sobre vós o meu jugo, aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas".
— Sinto-me, agora, sem rumo...
— "Senhor, para quem iremos? tu tens as palavras da vida eterna...".
— Num vazio interior muito grande...
Decidido a tornar o diálogo menos tenso, gracejei:
— Mas nada que um bom prato de arroz com feijão não possa preencher, não é?
Pela primeira vez, António sorriu.
— Doutor, este meu temperamento não agrada nem a mim...
O que devo fazer para dele me livrar?
— Ah!, você não vai gostar da receita.
— Mesmo que não goste, que alternativa me resta?
— Nenhuma!
— Então?...
— Então, meu caro, antes de você reencarnar - adie a sua volta ao corpo, pelo menos, por mais um ou dois anos -, areje os seus pensamentos.
— E como posso fazer isto?
— Com as mãos! Às vezes, o pensamento nos dirige as mãos, mas, às vezes, as mãos nos socorrem o pensamento.
— O senhor me recomenda?...
— Empunhar uma vassoura!
— Uma vassoura?!
— Na condição de psiquiatra, António, no que tange a receituário, trabalho somente com duas opções.
— Qual é a outra?
— Qualquer neuroléptico do grupo das butirofenonas!
— Meu Deus!
— Cá entre nós, a opção da vassoura é mais barata!
A sua única contra-indicação é a formação de calos!
O neuroléptico deixará você com enrije cimento muscular. A vassoura, ao contrário, amolece as fibras...
— Que fibras?
— Principalmente as do coração!
É excelente preventivo contra o infarto do miocárdio! Você está correndo sério risco...
— O senhor acha?
— Tenho absoluta certeza.
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Re: Estudando "Nosso Lar" - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 01, 2018 9:27 am

Eu vou contar a você um segredo de consultório - não deveria, mas vou.
Quase todos os espíritas, aqueles mais ferrenhos defensores de uma suposta pureza doutrinária, morrem do coração!
Veja bem, não estou generalizando.
— É brincadeira, não?
— As estatísticas não mentem!
Esse pessoal que enche a boca para falar de Kardec, sem Jesus no coração, todos caem fulminados!
— Foi assim que eu desencarnei, Doutor!
— Está aí: uma prova viva, ou melhor, morta!
— Desencarnei com 61 de idade...
— Aquela falta de ar e, como a turma jovem costuma dizer, fui...
— Quando acordei, eu já tinha...
— Vindo!
— Exactamente.
Nunca vi nada mais rápido...
— Uma verdadeira rasteirai António - é de se notar pelo desdobramento de nosso diálogo - já havia perdido toda a pose inicial:
descruzara os braços, recolhera o pescoço esticado, estava algo pálido, quase uma miniatura do homem que havia chegado ao meu Consultório...
— Garanto que, até hoje, você não ficou completamente bom do bronze, não é? - perguntei.
— De quando a quando, ele acelera, sim...
Será que?...
— Se não tomar cuidado, é reencarnar e enfartar de novo...
E, desta vez, não chega nem aos 61!
— Não! Abençoada hora em que o Dr. Odilon me aconselhou consultá-lo!
Vou seguir o seu conselho...
— Conselho médico! - exclamei, conferindo o seu extenso nome na ficha.
Como é mesmo o seu nome todo?
Deixe-me ver...
— Tonho, Doutor! - antecipou-se o paciente.
— Toninho! Pronto!
Fica mais simpático e afectuoso.
Nem para você nem para mim...
O homem desatou a chorar e explicou:
— Era como a minha mãe me chamava:
Toninho!
— Jamais deveríamos deixar de ser os meninos que, em nós, as nossas mães sempre amaram!
Deveria existir uma lei, Toninho, que nos impedisse de crescer por fora, antes que houvéssemos crescido por dentro.
Assim, em vez dos meninões que somos, seríamos grandes meninos, concorda?
António José da Silva Teodoro e Castro não estava em condições de responder.
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Re: Estudando "Nosso Lar" - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 01, 2018 9:27 am

CAPÍTULO 39
Novamente, estávamos reunidos para os nossos estudos sobre o livro "Nosso Lar", considerado por todos nós como significativa vitória do Mundo Espiritual na integração dos Dois Planos da Vida.
Antes que as actividades tivessem início, começamos a dialogar a respeito da importância da obra que André Luiz, representando a Falange do Espírito da Verdade, conseguira grafar, com síntese e substância, continuando na tarefa de despertar consciências adormecidas.
— Como é importante para o homem, estando ainda encarnado, saber o que realmente o espera além da morte do corpo! - considerou Domingas.
— Sem dúvida, minha cara - concordei.
— Ter algum conhecimento da Vida, por mínimo que seja, como ela é, nas dimensões espirituais, faz com que o espírito modifique os seus pensamentos e, consequentemente, as suas metas e prioridades.
— E isto é tudo, Doutor - comentou Odilon.
Em tempo algum da Humanidade, foi dado ao homem conhecer tanto a respeito de si mesmo quanto agora!
O que, por outro lado, convenhamos, aumenta enormemente a sua responsabilidade no que tange à própria qualidade existencial.
— Não basta conhecer, não é? - observou Modesta.
É preciso saber o que fazer com o que se conhece.
— Esta é a nossa preocupação - frisei.
— Muitos de nós, adeptos da Doutrina, infelizmente não têm utilizado o que já conhecem em benefício próprio.
Uma vez despertos, outro não deveria ser o nosso objectivo, que não fosse o de concentrar esforços no campo da renovação íntima.
O espírita, em geral, deveria preocupar-se diuturnamente em ser bom!
— Sabe, Doutor - interveio Manoel Roberto -, de certa maneira, eu tinha medo de aumentar os meus conhecimentos...
O pouco que já sabia era mais do que suficiente para que deixasse de me preocupar com a vida alheia.
— A não ser para auxiliar! - exclamou Domingas.
— Exactamente. Simples leitura das páginas de "O Evangelho Segundo o Espiritismo" nos cumula de grandes responsabilidades.
— É por isto que eu não entendo tanta discussão e conflitos em nossos arraiais - considerei.
Com tanto a fazer no mundo de nós mesmos!
— Como Chico nos disse certa ocasião, lá no "Abacateiro", o Espiritismo nos revela na condição de uma casa completamente em ruínas, abandonada há séculos - recordou Domingas.
— Estamos numa doutrina de autoconhecimento! - emendou Modesta.
E o que é mais importante: autoconhecimento à luz do Evangelho do Cristo!
— A fim de que, com conhecimento de nossas imperfeições, sejamos misericordiosos para com o próximo...
— Correto, Domingas - disse eu.
— Porque, em matéria de autoconhecimento, não temos muito a conhecer além de nossos equívocos!
— Primeiro, Doutor - redarguiu Odilon -, a constatação de nossa imortalidade!
— Sim, mas da imortalidade que não temos sabido valer às nossas aspirações de ordem superior.
De que valeria ao homem ser imortal e continuar sempre na mesma?
— Aí é que entra a importância do esclarecimento - elucidou o Instrutor.
O Espiritismo, sem qualquer laivo de fanatismo, é um divisor de águas em nossos destinos!
— Com base nesta conversa preliminar - considerei -, se vocês concordarem, falarei hoje sobre o excepcional conteúdo do capítulo 21 de "Nosso Lar".
— O que ele aborda? Eu não me lembro...
— Em sua segunda parte, fala da experiência de D. Laura e Ricardo que, certa vez, desejaram ter acesso ao património do passado.
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Re: Estudando "Nosso Lar" - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 01, 2018 9:27 am

— Ao conhecimento de suas vidas anteriores?
— Exacto.
— Será óptimo, Doutor - concordou Odilon -, pois, afinal de contas, é muita curiosidade em torno do assunto.
Consultando o relógio, a Coordenadora atalhou:
— E, por sinal, está na hora. Vamos?
Os integrantes do painel se acomodaram, o público presente silenciou e, após breve oração proferida, explicou Domingas.
— Hoje, o nosso caro Dr. Inácio Ferreira, que está conduzindo os estudos em torno de "Nosso Lar", abordará um tema alusivo ao património moral e intelectual do espírito. Entre os espíritas, seja na Terra ou aqui mesmo, impera certo modismo: quase todos querem saber o que foram e o que fizeram em vidas anteriores...
Neste sentido, quase todo o mundo espera uma revelação.
Enganam-se, porém, os que imaginam que, após a desencarnação, terão imediato acesso às suas reminiscências.
Até agora, por exemplo, confesso a vocês que não tive acesso a nada!
Mas, sem maiores delongas, passemos a palavra ao Dr. Inácio.
— Pensei que você fosse fazer a palestra, Domingas! - brinquei.
O pessoal sorriu.
— Não sorriam! - exclamei, procurando fazer cara de sério.
Certa vez, convidado a proferir palestra numa casa espírita, o Presidente, ao me apresentar, só me deixou dez minutos para falar...
Tem disso tudo: alguns fazem a palestra antes do orador, e outros preferem fazê-la depois, às vezes desdizendo tudo o que ficou dito!
— Isto também já aconteceu comigo, Doutor!
— Domingas, aos médiuns como você costuma acontecer de tudo...
É verdade! Eu sou testemunha do tanto que você apanhou para servir como médium.
Sinceramente, não sei como aguentava!
— O Chico dizia que o médium precisava ter pele de rinoceronte...
— Então você tinha... Coitada!
— E ainda tenho!
A turma voltou a sorrir e, abrindo o livro no capítulo 21, comecei a explicar:
— Conforme já tivemos oportunidade de dizer, D. Laura, mãe de Lísias, era uma das servidoras mais eficientes de "Nosso Lar", com milhares e milhares de horas de serviço prestadas, voluntariamente, à comunidade.
Hoje, ela se encontra reencarnada e, ao lado de Ricardo, novamente seu esposo, tornou a constituir linda família na Terra, recebendo por filhos alguns dos espíritos que haviam sido filhos de ambos, em existência anterior.
Apenas a título de registo, Emmanuel que, desde o ano 2000 se encontra reencarnado, renasceu na condição de neto de Laura e Ricardo.
Feito este preâmbulo, vamos lá.
Efectuei necessária pausa e prossegui:
— Ambos, D. Laura e Ricardo, eram, portanto, dos espíritos mais lúcidos em "Nosso Lar".
Este detalhe é importante para melhor entendimento do que pretendemos.
Eram os dois, repito, dos mais lúcidos habitantes da cidade espiritual.
Depreendamos daí o que sobrava para os demais, os quase um milhão de habitantes à época.
— Na década de 40, não é, Doutor?
— Sim - respondi ao aparte de Domingas.
— Hoje "Nosso Lar", em termos demográficos, se compara à cidade de São Paulo. Mas, feitas estas observações, continuemos.
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Re: Estudando "Nosso Lar" - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 01, 2018 9:27 am

Dialogando com André Luiz, que procurava se inteirar das coisas no Mundo Espiritual, D. Laura é interrogada por ele:
— "A senhora recordou o passado, logo após sua vinda ou esperou o concurso do tempo?"
— Doutor - falou Odilon -, o assunto é importante, porque, em "O Livro dos Espíritos", quando trata da "Lembrança da Existência Corpórea", pode-se ficar com a impressão de que todo espírito, pelo simples fato de estar desencarnado, tem livre acesso às suas mais diversificadas experiências no corpo perecível.
E não é assim.
— Bem lembrado - concordei, solicitando.
— Você poderia, para ilustrar, se referir a alguma pergunta neste sentido?
— A de número 308, por exemplo:
"O espírito se lembra de todas as existências que precederam a que acabou de deixar?"
A resposta é a seguinte:
"Todo o seu passado se desenrola diante dele, como as etapas de um caminho que o viajante percorreu.
Mas, como já dissemos, ele não se lembra de uma maneira absoluta de todos os actos, recordando-os apenas na razão da influência que tenham sobre o seu estado presente.
Quanto às primeiras existências, as que se podem considerar como a infância do espírito, perdem-se no vago e desaparecem na noite do esquecimento".
— Excelente - disse.
Permita-me enfatizar o trecho:
"... ele não se lembra de uma maneira absoluta de todos os actos, recordando-os apenas na razão da influência que tenham sobre o seu estado presente.9'.
Mas saliento: tal recordação não pode ser generalizada.
A irmã Domingas acabou de nos dizer que não se lembrou ainda...
André Luiz - uma mente vigorosa, um homem de intelecto avançado! -, justifica a pergunta que fez à D. Laura:
— "Perdoe a curiosidade; no entanto, até agora, ainda não pude conhecer mais detidamente o que se relaciona com o meu passado espiritual.
Não estou isento dos laços físicos?
Não atravessei o rio da morte?"
— Certos esclarecimentos dos Espíritos, mormente os que se referem à reencarnação e à desencarnação, se constituem a regra geral, possuem as suas excepções, e cada caso tem as suas peculiaridades - observou Odilon com precisão.
— Não podemos dizer que, de maneira invariável, tudo se aplique a todos, no mesmo instante.
— Meditemos - interrompi a palavra da Coordenadora -, no que D. Laura diz a André Luiz:
— "Portanto somente a alma, muito segura de si, recebe tais atributos como realização espontânea.
As demais são devidamente controladas no domínio das reminiscências, e, se tentam burlar esse dispositivo da lei, não raro tendem ao desequilíbrio e à loucura".
— Está mais do que claro - endossou Modesta -:
não basta ao espírito desencarnar, para que tenha conhecimento de todas as suas existências pretéritas!
— Ainda mais detalhadamente, como se pensa! - exclamei.
A lembrança invariável e absoluta das vidas passadas, pelo espírito que deixa o corpo, é mito!
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Re: Estudando "Nosso Lar" - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 01, 2018 9:27 am

CAPÍTULO 40
D ando prosseguimento aos comentários em torno do assunto, chegara, finalmente, ao ponto que desejava.
— Em resposta às perquirições de André Luiz, a mãe de Lísias diz que, à determinada altura de suas reminiscências espontâneas, em torno das vivências passadas, começou a experimentar "perturbações de vulto".
Vejamos como, de facto, não estamos preparados para a lembrança integral do que fomos e fizemos!
Então ela e seu esposo, Ricardo, resolveram consultar um Assistente, que os encaminhou aos magnetizadores do Ministério do Esclarecimento.
— Mas convém esclarecer, Doutor - ponderou Odilon -, que, inicialmente, eles não se submeteram às técnicas de regressão da memória, actualmente tão em voga entre os encarnados.
— E claro que não.
Atentemos para o texto de André Luiz:
— "Recebidos com carinho, tivemos acesso em primeiro lugar à Secção do Arquivo, onde todos nós temos anotações particulares.
Aconselharam-nos os técnicos daquele Ministério a ler nossas próprias memórias, durante dois anos, sem prejuízo de nossa tarefa do Auxílio, abrangendo o período de três séculos.
O chefe do serviço de Recordações não nos permitiu a leitura de fases anteriores, declarando-nos incapazes de suportar as lembranças correspondentes a outras épocas".
Temos aqui várias observações a serem feitas.
Vocês - conclamei - poderiam me ajudar!
— Essas "anotações particulares", que podem ser entendidas como espécies de ficha, que registra as actividades do espírito em suas múltiplas existências, existem apenas em cidades que possuem um serviço organizado de tal natureza - considerou Modesta.
"Nosso Lar", uma das cidades espirituais mais antigas sob os céus do Brasil, já possuía semelhante arquivo, com os principais dados de seus habitantes...
— Sim, Modesta, daqueles que de lá partiam, como partem, para nova experiência no corpo material!
— Seria como se fosse um Cartório, não é, Doutor? - indagou Domingas.
— Com os nossos principais dados biográficos, relativos às vivências passadas!
E bom esclarecer que existem cidades por aqui que somente agora estão se organizando neste sentido.
— De qualquer maneira, Doutor - falou Manoel Roberto -, com registo formal ou não, o que fomos e fizemos jamais se perde, porque o principal registro é o efectuado pela memória.
— Sem dúvida.
Com certeza, D. Laura e Ricardo eram habitantes de "Nosso Lar" desde algum tempo.
— Daí terem podido ler as suas próprias memórias, abrangendo um período...
— ...de três séculos, Domingas!
Mas - acrescentei -, enquanto estavam apenas lendo, estava tudo relativamente bem.
O pior foi quando ambos resolveram ser "submetidos a determinadas operações psíquicas"...
— Foi quando deliberaram recorrer às técnicas de regressão! - aparteou Odilon.
E bom lembrar, nem sempre recomendadas.
— Por que, Dr. Odilon? - questionou Domingas.
— A regressão deve ter a sua segura indicação terapêutica; caso contrário, em vez de ser instrumento de auxílio, pode complicar para o espírito.
— E muito! - exclamei.
O espírito, conduzido à lembrança não-natural de suas vidas anteriores, pode deixar de viver o presente.
Como disse Odilon, a regressão tem a sua indicação, não devendo ser feita de maneira aleatória, às vezes por pura curiosidade.
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Ave sem Ninho

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Re: Estudando "Nosso Lar" - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 02, 2018 10:36 am

E outra:
carece de ser orientada por gente competente e responsável e não por especuladores!
— Doutor - perguntou Manoel Roberto -, mas o que fazemos está registado em tudo, não é?
— Sim, a nossa história, sem omissão de um único detalhe, está escrita no grande livro do Universo.
Não somente a nossa, mas a história de todas as coisas e de todos os seres.
— São os que alguns denominam de "registos akáshicos" - explicou o Instrutor.
— Esses "registos", que vibram no éter, guardam a história dos mundos, desde a sua formação.
A Ciência, futuramente, aprenderá a lê-los e, então, a história da Terra poderá ser fielmente reconstituída - o que hoje é relegado ao trabalho árduo de arqueólogos e pesquisadores vários, poderá ser lido nas "vibrações luminosas" do éter.
— Então, os equívocos e distorções poderão ser reparados, não é? Os erros de interpretação dos acontecimentos?...
— Sem dúvida, Manoel.
Por este motivo, as Escrituras dizem que nada há oculto que não seja revelado...
— Retomemos a narrativa de André Luiz - solicitei aos amigos, com o propósito de não nos afastarmos em demasia do conteúdo do texto que desejava colocar em destaque.
— Diz aqui:
"Os espíritos técnicos no assunto nos aplicaram passes no cérebro, despertando certas energias adormecidas...
Ricardo e eu ficamos, então, senhores de trezentos anos de memória integral.
Compreendemos, então, quão grande é ainda o nosso débito para com as organizações do Planeta!..."
Isto, torno a repetir, foi reconhecido por D. Laura, um dos moradores mais abalizados de "Nosso Lar"!
— Como seria connosco, hem, Doutor?
— Não é bom nem imaginar, Domingas - respondi.
Às vezes, fico pensando assim:
os débitos que os homens contraíram, de uns para com outros, nos últimos 100 anos - só nos últimos 100 anos! -, já foram quitados?
— Não! - respondeu o auditório, em sua primeira participação pública na reunião.
— Temo que a maioria de nossos débitos esteja esperando...
Vocês não acham?
Esperando que estejamos mais fortes para eles.
— Doutor, esse raciocínio do senhor é de meter medo na gente...
— Você se recorda, Domingas, de uma página mediúnica assinada por Ramiro Gama, inserida no livro "Lindos Casos de Além-Túmulo"?
— Qual delas?
— Aquela que se refere à ossada dos dinossauros, que está sendo encontrada, principalmente, na região de Peirópolis, a pouco mais de vinte quilómetros de Uberaba?
— Ah, sim!, agora me lembro.
— Conte-nos, Doutor - pediu a turma do auditório.
— Ele faz uma comparação da ossada dos dinossauros com os nossos erros...
Os dinossauros, que desapareceram há milhões de anos, estão mostrando os seus esqueletos agora - nas proximidades de Peirópolis, basta escavar a terra com canivete para se achar um osso de dinossauro!
Segundo Ramiro Gama, muitas imperfeições que, em nós, supomos mortas, podem reaparecer depois de muito tempo...
Vícios e mazelas que imaginávamos completamente desintegrados, de repente podem surgir à tona de nossa personalidade!
E ele conclui pela necessidade de contínua vigilância, a fim de que não venhamos a assombrar as pessoas com o "esqueleto" do que fomos e ainda não deixamos de ser totalmente.
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Re: Estudando "Nosso Lar" - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 02, 2018 10:36 am

— Se saírem da tumba - gracejou a Coordenadora -, tenho "esqueleto" suficiente para assombrar o mundo inteiro!
— Domingas, esta é uma das poucas vezes que você não está exagerando...
— Eu sei disto, Doutor!
O pessoal emitiu um sorriso pensativo.
— Retomando, porém, o fio da meada - disse -, quantas atrocidades teremos cometido, no último século, com os nossos semelhantes?
Em quantas oportunidades teremos sido mais verdugos do que vítimas?
— Sem mencionarmos as duas grandes guerras mundiais - atalhou Domingas -, que aconteceram, praticamente, no decurso de 30 anos, tivemos, no mundo todo, dezenas e dezenas de outras guerras, com milhares e milhares de mortos!
— Simplesmente, mortos?
Não! Além do número de vítimas, é claro, o que impressiona é a requintada crueldade com que o homem, na guerra, se lança sobre o outro - do homem que se diz civilizado!
— Certo ditador na Uganda, durante apenas oito anos em que esteve no poder, ordenou a morte de mais de trezentas mil pessoas - informou Modesta.
— Recentemente, na Bósnia, oito mil muçulmanos foram mortos - lembrou Manoel Roberto.
— Os números são alarmantes. Mais de seis milhões de crianças morrem de fome, anualmente - considerei.
Vocês já imaginaram o tamanho dessa guerra?
As "armas" utilizadas são as da indiferença e do egoísmo!
Será que achamos que tal genocídio ficará sem punição?
E por este motivo que vemos por aí, tanto na Terra quanto no Mundo Espiritual, sofrimentos indescritíveis acometendo as criaturas, que as levam, insensatamente, a questionar a existência de Deus!
Enquanto todos reflectiam, acrescentei:
— Baseados nisto, o que temos para lembrar o passado, hem? Quem se encoraja?
Quem está pronto para facear a si mesmo, nas vidas sucessivas do pretérito?
Nem é preciso recuar muito, não!
D. Laura e Ricardo recuaram trezentos anos e foram aconselhados a parar...
— Inácio, somente na noite de São Bartolomeu, de 23 para 24 de agosto de 1572, cerca de três mil protestantes foram mortos!
Nas ruas de Paris, o sangue escorria como água de chuva...
— Pois é, Modesta!
— As guerras religiosas, ao longo da História, sempre foram as que fizeram mais vítimas.
— Se os espíritas, que se consideram bons, massacram os próprios companheiros, que como eles não pensam! - exclamou Domingas.
— Nem Jesus Cristo aceitou ser chamado de "bom", minha cara!
Os espíritas são os mais devedores, acredite!
— Antes, eu não acreditava, Doutor, mas agora...
O senhor, quando bate na gente, está coberto de razão.
— Eu não bato em ninguém: eu apanho junto!...
E vou dizer a você: uma tunda por dia é pouco!
Tem gente que precisava apanhar de hora em hora...
— Em doses homeopáticas, não é Doutor? - finalizou a confreira, arrancando sorrisos em gotas da plateia.
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Re: Estudando "Nosso Lar" - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 02, 2018 10:37 am

CAPÍTULO 41
Como sempre, ao término do painel sob a coordenação de Domingas, vários participantes vieram conversar connosco mais directamente.
— Que bom seria, Dr. Inácio - disse uma jovem -, se pudéssemos estudar com o senhor toda a colecção de André Luiz!
— Para mim, minha filha - respondi -, se todos dispusessem de tempo para tanto, seria óptimo! Acredite, o aprendizado maior é para mim mesmo...
As intervenções de nossos amigos, junto à participação de vocês, me ensejam muitas e novas ideias.
Estudar é assim: trocar o assunto em miúdos, permutar opiniões, falar e ouvir, procurando manter a mente sempre receptiva.
— Doutor, se me permite, desejo fazer uma observação.
— Pois não, Domingas.
— Posso dizer que vim para este Outro Lado sem saber o "Nosso Lar", e a desencarnação, por si só, não me dispensou de conhecer o conteúdo da obra.
Estou verdadeiramente fascinada!
Estudar o referido livro de André Luiz neste Outro Lado, como nos está sendo dada oportunidade de fazer, equivale ao homem encarnado estudar um compêndio sobre História, por exemplo.
— Concordo com a nossa Coordenadora - aparteou a senhora das mais participativas do grupo.
A maioria das pessoas deixa a Terra sem que, na maioria das vezes, nada conheça além da cidade em que nasceu. Então os "envelopados"...
— Os "envelopados"?! - reagiu a irmã Domingas, revelando-se surpresa.
— É, a turma lá de baixo!
Eles não têm que demonstrar estranheza, se aqui estamos fazendo o que deveríamos ter feito por lá.
Estamos aqui, no Além, mas, a rigor, o conhecemos menos do que conhecemos a própria Terra!
— Interessante! - exclamou um que, abanando a cabeça, só se manifestava deste jeito.
anto, que o apelido dele era justamente este: "Interessante"!
— Estamos neste ponto - reafirmei - sabemos menos do Mundo Espiritual que da Terra!
Agora, vejam: o Planeta é uma circunferência delimitada, com, aproximadamente, 12.750 quilômetros de diâmetro!
— Doutor, qual seria o diâmetro do plano em que nos encontramos? - perguntou um rapaz.
— Interessante!
A turma sorriu do nosso monocórdio amigo e respondi:
— Da chamada Dimensão Umbralina, compreendendo todas as suas subdimensões, seria, aproximadamente, três vezes mais, ou seja, quase 40.000 quilômetros!
— É chão pra burro! - exclamou o autor da pergunta.
— Interessante! - tornamos a ouvir entre discretos sorrisos.
— Mas, mesmo num estudo assim - não é, Doutor? -, muita coisa fica para trás...
— Ah!, perfeitamente - respondi à observação da Coordenadora.
Não dá para esgotar o assunto, não.
— O senhor se recorda de alguma coisa que ficou para trás, num dos capítulos já estudados?
— Sim, de muitos pontos que, evidentemente, poderiam ser mais bem explorados.
— Um deles, Doutor? - solicitou Domingas.
Após pensar rápido, respondi.
— Por exemplo, quando estudamos o capítulo 6...
— Aquele em que André Luiz, estando hospitalizado, recebe a visita do Ministro Clarêncio...
— Exactamente. Ele se queixa e, mesmo sendo médico, como todo paciente, faz uma chantagenzinha emocional...
Terminando de ouvir as suas lamúrias - está lá escrito assim:
— "Clarêncio, contudo, levantou-se sereno e falou sem afectação"...
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Re: Estudando "Nosso Lar" - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 02, 2018 10:37 am

— O que o senhor enxergou nesta frase?
Ela não tem nada! - objectou a senhora de inteligência vivaz.
Olhando de um lado para outro, novamente vigiando os movimentos de Odilon, elucidei:
— Com o perdão da palavra, eu enxerguei as nádegas...
— As nádegas?! - quase que perguntaram em coro.
— É claro! Se Clarêncio se "levantou", é porque ele estava sentado!
E se estava sentado, espírito tem nádegas! Concordam?
— Interessante! - tornou o nosso arranhado e humanizado "disco de vinil"...
— Interessante, o quê?!
As nádegas?! - balbuciou um dos mais moleques, levando todo o mundo a gargalhar.
— O Ministro Clarêncio não estava lá levitando, não! - disse procurando controlar a turma.
Como qualquer mortal, ele estava sentado! Isto nos leva a inferir o quê?
— Que não faltam cadeiras no Mundo Espiritual! - respondeu alguém.
— Nem camas, porque André Luiz estava deitado! - observou outro.
— Que espírito não é uma fumaçazinha, que ande deslizando por aí! - intrometeu-se mais um.
— E que, evidentemente - disse eu -, com todo o respeito, que o Ministro não estava despojado da região glútea!
— Interessante!
E emendei:
— Que ele é humano!
Que somos todos humanos!
A menos que, dentre vocês, haja alguém desprovido dos músculos glúteo máximos, médios e mínimos!
— Doutor - perguntou a Coordenadora, quase não se contendo -, o senhor vai colocar isso em livro?
— O quê?! Os glúteos?!
Vou, sim, por que não?!...
— O pessoal do contra...
— Deixe o povo discutir se espírito tem nádegas ou não, Domingas!
Isto parece não ter importância nenhuma, mas é importantíssimo para a compreensão da anatomia dos defuntos, que somos nós!
Temos ou não temos o direito de manter as nossas nádegas, e tão enrijecidas quanto possível?
— Interessante! - atalhou o boquiaberto companheiro.
— Qualquer coisa, a gente pode organizar uma passeata, Doutor!
— Pronto! Tem gente infiltrada aqui!...
— E com faixas, com dizeres à altura de...
— Alto lá! - aparteei, com a turma a se contorcer.
Reivindico para mim o direito de sugerir os ditos a serem estampados em defesa do bumbum, pois, afinal de contas, estamos desencarnados e não descarnados.
A esta altura, com a aproximação de Odilon e Modesta, atraídos pela nossa algazarra juvenil, entramos em silêncio.
— Sobre o que conversavam - perguntou Modesta -, que sorriam tanto?
— Deixem-nos participar também! - surpreendeu-nos o Instrutor, passando amistosamente o braço sobre o meu pescoço.
— Sabem o que é - tentei explicar, piscando para turma -, nós estávamos a falar sobre a fisiologia complexa de certos músculos esqueléticos que, não pertencendo, propriamente, à região lombar, nem tampouco à parte posterior da coxa...
— Ah, Doutor, simplifique: sobre as nádegas! - exclamou Odilon, a quem positivamente nada escapava.
Entre sorrisos que se multiplicaram, confesso que só pude escutar a fantasmagórica voz, repetindo feito um badalo:
— Interessante!...


CONHEÇA OUTRAS OBRAS DO AUTOR:
- SOB AS CINZAS DO TEMPO (Didier)
- DO OUTRO LADO DO ESPELHO (Didier)
- NA PRÓXIMA DIMENSÃO (Leepp)
- INFINITAS MORADAS (Leepp)
- A ESCADA DE JACÓ (Leepp)
- FALA DR. INÁCIO (Leepp)
- POR AMOR AO IDEAL (Leepp)
- FUNDAÇÃO EMMANUEL (Leepp)
- NO LIMIAR DO ABISMO (Leepp)
- OBSESSÃO E CURA (Didier)
- CARTAS DE DR. INÁCIO AOS ESPÍRITAS (Leepp)
- REENCARNAÇÃO NO MUNDO ESPIRITUAL (Leepp)
- AMAI-VOS E INSTRÍ-VOS (Leepp)
- TERRA PROMETIDA (Didier)

Neste livro, o Dr. Inácio Ferreira estuda alguns dos temas que, de maneira magistral e inédita, são estudados por André Luiz na obra "Nosso Lar" — sem dúvida, depois de "O Livro dos Espíritos", o livro mais importante da bibliografia espírita!
Lendo esta obra, você aprenderá como "Nosso Lar" deve ser estudado, a fim de conseguir atinar com as inúmeras revelações que ela contém sobre a Vida no Plano Espiritual.

§.§.§- Ave sem Ninho
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