Tempo - Oportunidade de Evolução - Eça de Queiroz/Wanda A. Canutti

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Re: Tempo - Oportunidade de Evolução - Eça de Queiroz/Wanda A. Canutti

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 25, 2018 8:20 pm

Os esforços unidos dos dois irmãos haviam promovido a remodelação da casa, e, em uma parte dela, ele instalara o seu escritório e florescia na profissão com projectos que tomavam seu nome cada vez mais conhecido, acumulando bastante serviço.
Nem sós, eles se encontravam mais!
Alberto havia contraído matrimónio e já possuía um lindo filhinho que corria pela casa alegrando-lhes a vida.
Sua irmã, em pouco também constituiria a própria família, pois estava com o casamento marcado, e sua própria casa estava sendo preparada com bom gosto e muito amor.
Ela deixaria a companhia do irmão e da cunhada, com quem se relacionava muito bem, como se tivesse em sua companhia uma verdadeira irmã.
Deixaria, sobretudo o sobrinho que adorava, a quem Alberto quisera dar o nome de Geraldo, em homenagem ao pai que não conhecera e que muito havia sofrido.
No entanto ela, a mãe de ambos, que se encontrava só e muito mais infeliz do que ao se isolar na própria dor que cristalizara em seu íntimo, pela opção de vida que escolhera e adoptara, começava a pensar com mais intensidade nos filhos e no lar, desejando estar de volta.
Nada acontecia, porém, que transformasse a sua vida.
Nem sequer uma pequena claridade que lhe trouxesse alguma esperança, encontrava.
Nenhum ponto luminoso, nem que fosse à distância, a fim de que pudesse para ele caminhar, divisava.
Certa vez, tão cansada, tão isolada de tudo se achava, que se arrojou ao chão pedregoso, mesmo sentindo que se feria e chorou muito.
Ah, ela encontrara lágrimas para extravasar seu sofrimento!...
Finalmente seus olhos sentiam-se banhados de lágrimas!
Eles que há muitos e muitos anos, mesmo enquanto encarnada, não sentiam a umidade benfazeja de uma lágrima brotando do seu íntimo, demonstrando que ainda nutria algum outro sentimento que não fosse o orgulho e o egoísmo, nos quais havia se encapsulado.
Ali deitada, chorou muito, pedindo ajuda para sair daquela situação e encontrar um caminho um pouco mais agradável, de menos sofrimento.
Não podia precisar quanto tempo permaneceu naquela atitude.
Quando conseguiu melhorar um pouco, ao erguer a cabeça, avistou um pequeno ponto luminoso bem ao longe, que lhe trouxe esperanças.
Adquirindo energias novas, levantou-se e começou a caminhar em direcção a ele.
Por mais caminhasse, a distância era grande e muito difícil atingi-lo.
Diversas vezes precisou parar para descansar, mas novamente retomava a caminhada, e o pequeno ponto continuava fixo no mesmo lugar.
O que encontraria e o que aconteceria ao atingi-lo?
O que significava ele?
O que lhe revelaria ao se deparar com aquela luminosidade?
A caminhada prosseguiu, muitas paradas de descanso precisou efectuar, até que, depois de muito tempo, ao chegar onde presumia, aquela pequena luz se encontrava, ela nada mais viu senão aquele ponto luminoso bastante próximo, mas bem acima de sua cabeça.
Olhando de um lado e de outro, pois a claridade que reflectia permitia-lhe ver o local com mais nitidez, nada divisou além da mesma paisagem que estava habituada a ver, sem, contudo, as sombras escuras e as presenças assustadoras que lhe punham medo.
O local era ermo, porém, um tanto mais agradável.
Depois de olhar por algum tempo, como que imobilizada, exclamou:
— Meu Deus, caminhei tanto, estou esgotada e nada vejo que possa modificar esta minha situação!
Estou cansada, queria tanto voltar ao meu lar e ter um pouco de paz.
Estou saudosa de meus filhos a quem nunca dei atenção, e não sei onde me encontro.
Estou perdida de todos e de mim mesma!
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Re: Tempo - Oportunidade de Evolução - Eça de Queiroz/Wanda A. Canutti

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 25, 2018 8:20 pm

Mostre-me um caminho onde possa descansar um pouco!
Explique-me o que aconteceu para que esteja sofrendo tanto!
Ajude-me, ajude-me!
Suas últimas palavras, dentre todas as outras expressas em tom súplice, foram pronunciadas entre lágrimas.
Sem nenhuma resposta de imediato, sentou-se no chão, pois não tinha condições nem estímulo para prosseguir.
Quando asserenou o coração, ouviu uma voz que lhe dizia:
— Irmã, temo-la observado há muito tempo, e presenciado o seu desespero e a sua dor.
Os seus caminhos têm sido difíceis, e a solidão, sua companheira constante.
Aqui viemos para ajudá-la, se aceitar a nossa ajuda, mas é necessário que repense a sua vida.
Ela ouvia-o, procurando o ponto de onde vinha aquela voz e, sem nada encontrar, teve a impressão de que partia daquele pequeno ponto luminoso, mas não tinha certeza.
As últimas palavras ouvidas foram repetidas por ela algumas vezes - repense a sua vida, repense a sua vida... — até que ela própria, numa reflexão mais acurada, indagou:
- Por que repensar a minha vida?
Onde estou para que me dêem esta sugestão?
O que aconteceu comigo para que eu esteja me deparando com semelhante situação?
Enquanto assim reflectia e falava consigo mesma, a voz prosseguiu:
— Assim mesmo, irmã!
Pense em tudo o que tem feito, em tudo o que fez quando se encontrava em seu lar, no que fez da vida do companheiro que a amava, e que, num momento difícil de muita dor, foi incompreendido e acusado do que não tinha culpa!
Pense em como considerou os filhos que lhe restaram, fechando-se no que julgou ser a sua dor, esquecendo-se de que se fechava no próprio orgulho e egoísmo.
Não permitia que ninguém participasse da sua vida, alegrando-a, para que a sua alegria se reflectisse nos outros, e eles a sentissem também!
Pense, irmã, pense muito!
— Quem é você que me fala, pretendendo conhecer a minha vida, mas só eu sei o sofrimento pelo qual passei!
— Pense, irmã, pense, mas emergindo desse egoísmo no qual mergulhou, que novos caminhos lhe serão mostrados.
Esta é uma oportunidade ímpar!
Aqui estaremos observando-a e sabemos o que está certo ou não.
Não queira enganar-se como o fez a vida toda, mas enfrente a realidade de facto.
Não aquela que criou para si mesma para dizer-se sofredora, quando causou, por essa razão, muito mais sofrimento aos outros, do qual a senhora é culpada.
— Eu não sou culpada de nada! - gritava, vendo a sua vida, vivida em seu maior tempo, fechada no quarto e em seu próprio eu, totalmente invadida e exposta por alguém que não conseguia precisar quem fosse.
Irritada, prosseguiu gritando:
— Mostre-se! Quem me acusa? Fale comigo frente a frente! Não se esconda!
— Nada mais lhe direi, peço-lhe apenas que pense, pense muito, depois voltarei a lhe falar!
— Eu quero sair daqui!
Preciso voltar ao meu lar!
Pretendendo dar um fim às suas pretensões e fazê-la pensar em toda a sua vida, reconhecendo as atitudes erradas que assumira, com consequências tão avassaladoras para o marido e tristes para os filhos, a voz tomou a falar:
— Aquele lar não lhe pertence mais!
A senhora deixou-o para sempre!
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Re: Tempo - Oportunidade de Evolução - Eça de Queiroz/Wanda A. Canutti

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 25, 2018 8:20 pm

Sua vida agora é outra, é entre aqueles que não têm mais o corpo físico e vivem apenas em Espírito - a vida plena, sem mentiras nem subterfúgios.
A vida ampla e aberta a todos, onde nada adianta esconder de ninguém nem criar desculpas para se justificar.
Por isso recomendo-lhe mais uma vez — pense, pense muito, e o faça, agora que conhece a verdade, com muito mais intensidade e franqueza, pois de tudo sabemos!
Quando conseguir pensar e analisar todos os seus actos, reconhecendo em cada um somente a verdade de facto, estaremos prontos a auxiliá-la e retirá-la dessa vida na qual tem estado mergulhada.
Receber ajuda, mudar para um lugar melhor, vai depender apenas de si mesma.
Nós estaremos aqui dispostos a ajudá-la que para isso viemos.
Diante destas últimas palavras, ela calou-se, mas sua mente passou a trabalhar muito, começando por compreender que não estava vivendo entre os da Terra, e, com certeza, por tudo o que havia passado e visto até então, estaria no inferno.
Não era fácil para quem possuía, arraigados em si, determinados comportamentos e atitudes, resultado de um modo de pensar e agir durante tantos anos - os de encarnada e os de desencarnada que nada mudara - transformar-se de um momento para outro.
É verdade que ela se espojara ao chão e pedira o auxílio de Deus para ser retirada daquela situação, mostrando-lhe um novo caminho onde pudesse ter um pouco de paz.
Todavia, seria suficiente o pedir, conservando no íntimo os mesmos sentimentos de revolta?
Aquela voz que se lhe assemelhava a de um julgador, lhe dissera que não era suficiente, através de tudo o que lhe explicou e do que lhe aconselhou.
Sem a reflexão, sem a conclusão por si mesma de como conduzira sua vida, fazendo sofrer a tantos por convicções equivocadas que cristalizara em seu Espírito, o seu pedido não poderia ser satisfeito.
Levassem-na onde fosse e lhe proporcionassem um ambiente de paz e amor, prosseguiria do mesmo modo, até destratando aqueles que se empenhavam por ela.
Por isso, a reflexão era necessária.
Não era a intransigência devolvida ao seu Espírito, a que ela sempre tivera para com todos, mas um auxílio.
Sim, o auxílio a si mesma, como resultado do desejo de deixar aquele local de sombras assustadoras.
Se ela promovesse, em seu próprio benefício, o que lhe estava sendo aconselhado, com certeza chegaria a conclusões benéficas e, quando fosse levada, o seria modificada.
Ela precisaria pensar em todas as suas atitudes de encarnada, o que fizera com o esposo e o abandono afectivo em que deixara os filhos, para compreender que tudo isso era a causa do que estava passando e do local onde se encontrava.
Deveria pensar que, se estava num lugar tão sombrio, de tanto sofrimento, outros melhores deveriam existir, como lhe fora oferecido.
E se outros melhores havia, os que a eles tinham direito, era porque agiram de modo diferente enquanto na Terra.
Deveria pensar que, enquanto encarnados, escolhemos — é fora de dúvida - o nosso modo de vida e conduzimos nossas acções como melhor nos apraz, pelo uso do livre-arbítrio, mas deveria também, acima de tudo, deduzir que, para cada acção há uma reacção, que isso não foge à regra.
O caminho por onde enveredamos durante a nossa existência terrena, é o que nos leva ao nosso local de direito, ao desencarnarmos.
Durante o transcorrer de nossa vida, as nossas acções são as nossas condutoras, o nosso guia, e assim vamos caminhando, caminhando...
Ao desencarnarmos - o final da caminhada terrena - o nosso ponto de parada está todo à nossa frente, com lugares diversificados, dependendo do ramo que nós mesmos escolhemos.
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Re: Tempo - Oportunidade de Evolução - Eça de Queiroz/Wanda A. Canutti

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 25, 2018 8:20 pm

Se preferimos o caminho do bem e do amor, se colocamos em prática, durante toda a caminhada, os ensinamentos que Jesus nos deixou, somos agraciados com um lugar de paz, onde as claridades que nós próprios espalhamos estarão brilhando em tomo de nós.
Entretanto, podemos preferir outros caminhos, aqueles que levam aos outros o sofrimento pela nossa incompreensão, pelas nossas atitudes radicalizadas, fechando-nos em nós mesmos, como se ninguém mais existisse além de nós.
E, ao terminarmos a caminhada terrena, não poderemos encontrar ninguém nos aguardando para nos amparar, porque não fizemos por merecer.
Não encontraremos claridade porque não
a espalhamos pelos nossos caminhos; nos depararemos com lugares íngremes e sombras escuras que serão nossas companheiras, fazendo-nos sofrer, até que, mesmo mentalmente, com vagar e analisando cada ponto, retomemos pelo mesmo caminho, reconhecendo a quantos deixamos feridos, a quantos ofendemos, prejudicando-os; a quantos deixamos de demonstrar um pouco de afecto, a quantos com os quais fomos intransigentes.
Após, quando todo esse reconhecimento fizer parte do nosso Espírito, e o firme propósito de mudar tomar conta de nós, sentindo até o desejo de pedir perdão aos que ofendemos, seremos ajudados e retirados daquelas sombras assustadoras.
Deus, na sua infinita misericórdia e bondade, sempre nos dá oportunidades, mas a sua lei se cumpre.
Assim, mesmo amparados e reencaminhados, não estaremos isentos de ressarcir os males que fizemos aos outros, até compreendermos que foi a nós mesmos que o fizemos.
Aquela senhora teria ainda algum tempo para a reflexão.
Uma oportunidade lhe estava sendo oferecida e ali, onde se encontrava, ninguém a perturbaria, nenhuma sombra a atemorizaria nem se mostraria sarcástica.
Ela estaria em plena solidão - aquela necessária para que não dispersasse o pensamento com o que estava a seu redor, mas o voltasse todo para si mesma.
Só assim seria possível uma análise bem feita.
Talvez ainda demorasse algum tempo até que reconhecesse suas acções, porque, de início, mesmo pensando cuidadosamente em toda a sua existência, iria dar muitas justificativas a si mesma, para demonstrar que havia agido correctamente.
Aos poucos, porém, à medida que fosse verificando que a sua situação não mudava, e ela continuava no mesmo lugar, refaria mentalmente toda a sua existência terrena, ajustando os seus pensamentos, não com olhos egoístas mas com a realidade, e ela iria compreendendo.
Quando assim tivesse refeito toda a sua vida e entendido, seria levada e tratada, e muitas surpresas ainda encontraria.
Quanto tempo passou naquele lugar isolado, não sabia dizer.
Perdera, desde que deixara a Terra, a noção do tempo.
A noite e o dia se confundiam pelas sombras e ali ela continuava.
As palavras ouvidas, permaneceram em seu Espírito.
A princípio, a sua simples rememoração causava-lhe uma certa cólera.
Por que todas as suas atitudes, tudo o que passara em sua vida era do conhecimento de mais alguém que nem sequer conseguia ver, revelando detalhes dos quais só ela tinha conhecimento?
Por que ela, que se fechara em seu sofrimento e sempre se julgara uma vítima, não da fatalidade mas do próprio marido, era acusada de culpada?
Por que de vítima se transformara em algoz? Quem a julgava?
Por que teria de sofrer ainda se já sofrerá tanto?
A princípio, o entendimento lhe estava sendo difícil.
Mesmo com o passar do tempo, conforme o previsto, nada acontecia de bom e ela estava esquecida no mesmo lugar.
Não estava ela dando um rumo certo aos seus pensamentos?
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Re: Tempo - Oportunidade de Evolução - Eça de Queiroz/Wanda A. Canutti

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Maio 25, 2018 8:21 pm

Aos poucos, com bastante vagar e até um pouco de receio, começou a modificar as suas reflexões, não como convicções adquiridas, mas como indagações.
Teria estado errada durante toda a sua vida?
Teria feito um julgamento erróneo, ao responsabilizar o marido pela morte do seu querido filhinho?
Onde estaria a verdade?
Seria aquela que o marido lhe afirmara, e ela se recusara a aceitar naquele momento de desespero, e nunca a admitira até o final de seus dias?
E o que fizera ao culpá-lo?
Também, como poderia conviver com um assassino sem piedade, que deixara o filho morrer?
Se o expulsara de casa, e ele, submisso, cansado de se justificar, partira sem nem levar suas roupas, onde estaria a verdade?
Ela não queria vê-lo nunca mais, para evitar lembranças daquela hora de dor suprema, mas, mesmo sem a sua presença, o conseguira?
E os filhos que restaram, eram culpados também do que havia acontecido para terem sido tratados com tanta indiferença como o foram a vida toda?
Como fazer, porém, se o outro não estava mais em sua companhia, ele que também poderia ter crescido belo e saudável?
Ah, quantos pensamentos perpassaram-lhe a mente, e quanto tempo levou com tantas indagações!
Se para elas não tinham as respostas, ao menos algum indício de que não havia agido correctamente, começava a adentrar- lhe o coração.
Após muito tempo, ao rogar que desejava a verdade e que, se erros houvera em seu julgamento, ela já os havia saldado por tanto sofrimento experimentado depois que deixara o lar, aquela luz tomou a brilhar.
Esperançosa, mas com mais humildade, ela implorou:
— Se você sabe de todos os acontecimentos, como já o demonstrou, fale-me, prove-me que eu estive errada durante toda a minha vida!
Se sofrimentos deveria passar por isso, já os passei.
Leve-me, indique-me um caminho de paz, ao final do qual eu possa deparar-me com toda a verdade, a mesma que sempre recusei, que quero me redimir!
Ajude-me a sair deste sofrimento, agora muito mais intenso porque não é mais só voltado para os outros, como demonstração de revolta e incompreensão, mas para mim mesma, e as dúvidas e receios fazem-me sofrer mais!
Tome-me pelo tempo em que fui boa e tinha esperanças, lembre-se dessa época e auxilie-me!
Passados alguns instantes, sem que nenhuma palavra lhe fosse dirigida, e ela, que estivera todo aquele tempo da rogativa com os olhos fechados, ao abri-los, teve uma grande surpresa.
Não mais havia aquela paisagem de sombras esfumadas ao seu redor, mas uma outra mais agradável.
Ela mesma, que até então estivera em andrajos, se surpreendeu mais bem composta.
Admirada, exclamou:
— Eu deixei o inferno, meu Deus!
Obrigada por ter me ajudado, por ter ouvido os meus rogos!
Auxilie-me agora, mais uma vez, não me deixe sozinha novamente!
— A senhora não está sozinha!
Era preciso que assim a deixasse por alguns instantes para ver sua manifestação.
Ao mesmo tempo em que ouvia a voz, uma senhora de aspecto bondoso se lhe apresentou à frente e, com as mãos estendidas, continuou a lhe dizer:
— Chegou a hora da senhora ter um pouco de paz, como vem pedindo.
Eu a levarei para um repouso que é o de que mais necessita neste momento.
Depois, muitas surpresas lhe estarão reservadas para um recomeço.
Venha, não tenha receio!
Como se encontravam já nas imediações de um posto socorrista, as duas caminharam um pouco e, ao chegar, foi levada a um quarto, colocada deitada e lhe foi transmitido um passe - primeira providência necessária e urgente - para que dormisse.
Muito tempo ainda estaria dormindo, ausente de si mesma, a fim de que a sua recomposição primeira se fizesse, e pudesse, após, ser levada a uma Colónia, dando continuidade ao tratamento pelo qual todos os que deixam a Terra precisam passar, mais dia menos dia, e sobretudo com muito mais intensidade aqueles que mais transgrediram.
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Re: Tempo - Oportunidade de Evolução - Eça de Queiroz/Wanda A. Canutti

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 26, 2018 8:28 pm

5 MOVAS FASES
Algumas semanas Virgínia passou em repouso absoluto, possível apenas através do sono que lhe fora provocado, para que nenhuma lembrança lhe acudisse à mente revivendo mágoas, amarguras e atitudes passadas decorrentes delas, interferindo no que pretendiam.
Quando aquele período fosse considerado suficiente, a despertariam, e uma nova fase se iniciaria.
Talvez a mais penosa para ela quando se deparasse com os verdadeiros fatos e tomasse consciência, sem que ninguém lhe dissesse ou apontasse o rumo errado que dera à sua vida, impondo atitudes e comportamentos aos outros como resultado das suas convicções erróneas.
Aí começaria o período verdadeiramente difícil para ela, porque todo o julgamento partiria da sua própria consciência, como o mais profundo remorso.
Sua vida toda poderia ter sido diferente junto do marido e dos dois outros filhos, com outros que pudessem ter chegado. Teriam vivido da união familiar, da compreensão, do auxílio mútuo, uma vida mais feliz.
Ela não teria se afastado tanto do que levara como tarefas, provas e resgates, e não teria sido a causa de que outros também, sobretudo o marido, não cumprisse a sua programação de vida, porque, resgates, os realizou mais do que era esperado para aquela encarnação.
E levara, ao partir, um saldo bastante benéfico ao seu Espírito, por tanto sofrer e pela forma como se conduzira, tão arrasado pela vida o fora.
Quando ele tomou conhecimento, no Mundo Espiritual, de que já não pertencia ao orbe terrestre, que já cumprira suas provas, pôde ver e compreender, pelo grande bem-estar que sentia após os primeiros recursos que foram utilizados a seu benefício, o quanto o seu Espírito levara em conquistas.
O quanto era merecedor de todas as atenções de que estava sendo alvo, comuns a todos os que também o são de recebê-las logo que deixam o corpo físico.
O tempo que vivera em solidão, lutando pela sua sobrevivência, com o coração ferido e a alma sangrando, poderia ter sido diferente.
Ele poderia ter retomado à profissão e vivido tão somente do produto do seu trabalho, sem ter se entregado ao sofrimento, mas sentia-se tão abalado que não tivera coragem de reagir.
E, mesmo assim, dentro das condições em que passou a viver, procurou retirar da Terra algum pouco para a sua subsistência.
O que pedia era pouco, apenas o necessário para cobrir o corpo e para não morrer de fome, quando o que plantava não lhe era suficiente.
Nunca aborrecera ninguém, nunca perturbara a ordem nem se imiscuíra em locais degradantes, e sempre se mantivera íntegro, mesmo em meio a tantas dificuldades.
Por isso, tinha os seus méritos.
E hoje, na mesma Colónia para onde sua esposa seria levada, depois de deixar o posto socorrista, gozava de boas condições e realizava o seu trabalho.
Se na Terra, após o acontecido ele se abandonara a si mesmo, hoje era diligente e sentia-se feliz em poder auxiliar os que ainda se encontravam em situação de maior dificuldade.
Em relação à esposa, logo que soubera da sua partida, também se dispusera a ajudá-la, mas não lhe foi permitido.
— Nós sabemos a hora certa de ela receber o auxílio.
De nada adiantaria precipitar o que deve vir a seu tempo, para não perdermos trabalho.
O senhor a conheceu bem, sofreu todas as consequências do que ela lhe imputou e sabe não será trazendo-a para cá, como ainda se encontra, que irá se modificar instantaneamente.
Ela terá que fazê-lo aos poucos e por sua própria vontade, voltando-se a Deus, cujos desígnios sempre desprezou e, arrependida e mais consciente do que fez, pedir ajuda.
Mesmo assim, quando isso acontecer, teremos que ir com cuidado para obtermos êxito.
— Explicou-lhe um seu superior, quando ele o procurou pretendendo ampará-la.
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Re: Tempo - Oportunidade de Evolução - Eça de Queiroz/Wanda A. Canutti

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 26, 2018 8:28 pm

Na verdade, Geraldo lembrou-se destas palavras muitos anos depois, quando soube, chegara o momento de lhe proporcionarem o auxílio, porque ela mesma o pedira, e de ser trazida, no devido tempo, à mesma Colónia onde se encontrava. Quando esse dia chegasse, o sofrimento, tão somente ele, seria o móbil da sua transformação, ninguém mais.
Prosseguindo nas suas recordações, lembrou que o mesmo orientador, na ocasião, falou- lhe:
— Já imaginou se ela o vir a seu lado, querendo ajudá-la?
Recusará toda e qualquer ajuda que parta do senhor e ainda se revoltará, retardando o que esperamos, um dia aconteça.
Depois de algum tempo, quando perceberam, ela teria condições de se defrontar com a verdadeira vida que é a do Espírito, a despertaram.
Quantos dias, quantos meses ficara adormecida, não havia necessidade de lhe dizer que não era importante.
Diante da eternidade do Espírito o que menos conta é o tempo, mas tão somente o que ele representa para que feridas sejam amenizadas, culpas redimidas, aprendizado efectuado, num feixe que leva ao progresso.
Entretanto aquela senhora, ao ser despertada, esquecida do muito que levara, dos sofrimentos pelos quais passara perdida de si mesma, seria trabalhada de tal forma para que cada lembrança retomasse no tempo devido, fazendo-a meditar, até que um dia, teria toda a verdade.
Não que alguém lhe contasse procurando convencê-la, mas, se fosse possível, se depararia com o próprio filho — cuja morte fora causa de toda a sua transformação - e ele próprio a faria ver o quanto estivera errada a vida toda.
Esse momento, porém, ainda não estava tão próximo.
Teria a sua hora certa para que fosse eficaz e alcançassem os objectivos a que se propunham.
Ainda mais, onde ela se encontrava não era o lugar adequado para isso.
O posto socorrista está preparado e equipado para os primeiros socorros, os mais urgentes que podem transmitir um pouco de paz ao Espírito, e o conscientiza da sua verdadeira condição, mas nada lhe revela.
Somente o prepara para as revelações que são realizadas em outro local - nas Colónias para onde são levados quando uma nova fase se inicia na vida do Espírito, e nas quais, quando em condições, também auxiliam e se preparam para nova existência.
Tratada com carinho e ainda trazendo algumas das lembranças do período post-mortem do corpo, mais algum tempo passou até que entenderam, ela poderia ser levada.
Explicado lhe foi o que fariam para que não se surpreendesse e não deixasse perder, talvez, todo aquele tempo de preparação, e novamente a adormeceram para ser transportada.
Não seria conveniente que a levassem desperta porque ainda não tinha condições de conhecer o que estava ao seu redor, evitando perguntas, as mais das vezes de respostas incompreensíveis para o estágio em que se encontrava.
Geraldo tinha conhecimento do que acontecia e ansioso aguardava.
Não se mostrava indiferente mas fazia questão de estar a par de tudo e, pela bondade que expressava em forma de interesse, sabia quando fora despertada e também quando seria trazida.
Entretanto, recomendaram-lhe que se mantivesse à distância.
Ainda não era o momento de se apresentar para que lembranças que ela considerava desagradáveis e causa de todo o seu sofrimento, não retomassem, desajustando novamente a sua constituição espiritual.
Quando soube que ela já se encontrava na mesma Colónia que o abrigava há tantos anos e para a qual ele prestava seus préstimos, mesmo aguardando aquele momento, transtornou-se.
Ele não poderia apresentar-se a ela, mas como ainda dormia, pediu autorização para vê-la.
— O seu trabalho entre nós tem sido importante pela ajuda que presta aos necessitados, e pelas suas tarefas bem cumpridas, mas não deve antecipar momentos.
De nada lhe adiantaria vê-la agora, nem a ela própria. Mesmo dormindo ela poderá captar a sua presença, despertando.
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Re: Tempo - Oportunidade de Evolução - Eça de Queiroz/Wanda A. Canutti

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 26, 2018 8:29 pm

A ocasião adequada e propícia chegará de forma benéfica a ambos, sem desequilíbrios nem ressentimentos.
Portanto, saiba aguardar!
Quando menos esperar, se deparará com ela.
O senhor, sabemos, está equilibrado, mas não podemos prever a reacção que ela terá!
Deixe, pois, os acontecimentos a eles mesmos, que, acima de nós, da nossa vontade, temos o nosso Pai Supremo que rege a nossa vida e sabe o que é melhor para nós e a hora que pode acontecer o que tanto desejamos.
Entregue-se a Deus, cumpra as suas tarefas, instrua-se e ore, para que tudo aconteça conforme desejamos e esperamos, sobretudo a ela que é tão necessitada.
Ela será trabalhada e preparada, sem saber que o senhor aqui se encontra, a fim de que nada interfira na sua recomposição nem o receio de encontrá-lo tome conta de seu Espírito.
— Eu entendo e agradeço as explicações.
Por mais nos preparemos, sempre temos o que aprender, colocando-nos à distância dos sentimentos e emoções, para que nada venha em nosso prejuízo ou daquele que desejamos auxiliar.
— Já que começamos esta conversa, e como conhecedor de tudo o que lhe aconteceu e dos sofrimentos e humilhações por que passou, eu lhe pergunto:
— O senhor ainda a ama?
Um tanto desconcertado, Geraldo abaixou a cabeça mas, sabendo que sentimentos não se ocultam, ainda mais dos que já têm uma certa elevação espiritual, ergueu a cabeça e respondeu:
—Eu a amei muito e a vida em família, dentro da casa que construímos com tanto amor e esperanças, era tudo o que eu possuía e alegrava-me a existência, mas depois...
— É justamente o depois que desejo saber!
— A senhora sabe e não há necessidade de eu revelar!
— Se perguntei é porque quero ouvir de sua própria voz, far-lhe-á bem!
Será como fazer emergir de si mesmo o que traz guardado em seu íntimo.
É bom falar dos nossos sentimentos, sejam eles quais forem.
Se falamos de amor, o nosso entusiasmo, a nossa ternura em relação ao ser, objecto desse amor, parece que o temos aumentado.
Se falamos de mágoas e ressentimentos — pela bondade de Deus - temo-los diminuídos. Fale, pois!
- Foi muito difícil, mas, com o passar do tempo, tendo a solidão como companheira e amiga, às vezes, e meu algoz, outras, procurei compreendê-la e não lhe tinha ressentimento.
A distância faz com que mágoas se amenizem e procuremos analisar os acontecimentos e as pessoas neles envolvidas e compreendê-las.
Sabemos, cada um abriga no Espírito condições diferentes e não sabe suportar a mesma adversidade que outro, com serenidade e equilíbrio.
Entretanto, eu nunca retomei.
Não sabia se ela ainda abrigava aquele mesmo ódio que demonstrou por mim, acusando- me e expulsando-me de casa, ou se o tempo a fizera reflectir e havia modificado o seu modo de pensar.
E eu, sem nunca lhe ter dado notícias nem a procurado mais, não lhe dera chance de me pedir perdão.
Não sabia o que se passava e nunca tive vontade de voltar com receio de ser novamente humilhado.
— Agora, porém, o senhor já sabe, até pelos sofrimentos que ela passou, pelo tempo que deixou seu corpo na Terra, que nada mudou em seu íntimo.
Ao contrário, cristalizou-o na dor, vivendo uma vida de lembranças amargas, fechando-se em si mesma, não aceitando nem o carinho dos outros filhos que cresceram num ambiente de tristezas, amarguras, irritação e azedume.
— Sei de tudo, mas desejo, mesmo assim, se for benéfico a ela, auxiliá-la.
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Ave sem Ninho

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Re: Tempo - Oportunidade de Evolução - Eça de Queiroz/Wanda A. Canutti

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 26, 2018 8:29 pm

— No momento certo vocês se encontrarão e, dependendo da reacção dela, o senhor saberá se poderá ajudá-la ou não.
Algum tempo mais passou.
Geraldo mantinha-se informado de como estava ocorrendo o tratamento da então sua esposa e já sabia, logo ela seria novamente despertada para o início de outra fase, aquela em que se depararia com a própria consciência com toda a carga que trazia.
O receio, porém, era que, ao acontecer, esquecida de tudo o que recebera e do que ela própria implorara, vendo-se num ambiente agradável e bem tratada, retomasse sua mente àquele mesmo ponto em que a cristalizara no passado.
Era uma possibilidade com a qual deveriam contar, mas, após tanto empenho e tantos cuidados, esperavam que ela despertasse diferente e nada ocorresse conforme temiam.
Numa manhã, talvez mais bela para os que trabalhavam com amor e desejavam ver seu trabalho coroado de êxito, uma conversa foi travada entre os que a auxiliavam:
— E hoje, então?
— Sim, hoje teremos a comprovação da eficiência do nosso esforço!
— Não se esqueça de que os resultados não dependem só da nossa capacidade de trabalho, nem do amor que colocamos em nossas tarefas, porque não trabalhamos sozinhos!
— Tem razão! O trabalho, o amor são dirigidos a irmãos nossos necessitados, que nem sempre correspondem à nossa expectativa de bons resultados, ao amor que lhe dedicamos.
— A eficiência do trabalho e a receptividade que teve em seu Espírito, somente depois é que verificaremos!
— Nós o faremos sozinhos ou alguém mais nos auxiliará, diante da delicadeza do caso?
— Irmã Jacobina virá em seguida e estará connosco, não só no despertamento em si, mas no que for necessário após, quando ela fizer indagações.
— Assim me sinto mais seguro e confiante!
Ao final desta conversa que travavam a certa distância do leito de Virgínia, Irmã Jacobina entrou, com o seu sorriso de amor dirigido a todos os que ali se encontravam, dizendo:
— O Pai reservou-nos, nesta manhã, mais uma tarefa de amor, e vamos realizá-la em conjunto com a dedicação que faz parte do nosso modo de trabalho.
Não tenha receio de nada.
— Estamos já habituados à sistemática do trabalho, mas sempre receamos pela surpresa que poderemos ter.
A senhora sabe, irmã Virgínia é muito difícil, trouxe no Espírito muitas marcas, a maior parte delas provocadas por si mesma, e quando assim acontece, o despertar é como abrir uma caixa de surpresas - nunca sabemos o que vamos encontrar!
— Seja como for o seu despertar, confiemos no Pai que nunca nos desamparou!
Encontramos, às vezes, casos mais difíceis que outros, é verdade, mas justamente nesses é que mostramos a eficiência do nosso trabalho e toda a carga de amor que acumulamos em nós para ser distribuído aos que necessitam.
Há irmãos nossos que despertam tranquilamente e, agradecidos, facilitam o nosso trabalho, mas têm do mesmo modo o nosso amor, mas outros precisam tê-lo em muito maior dose, pois são os mais necessitados.
Lembrem-se das palavras do nosso Mestre Jesus - Não são os que gozam saúde que precisam de médico.
Nós nos faremos em médicos espirituais, em irmãos dedicados, em filhos, em pais, o que for mais adequado e requerido a cada caso, para conseguirmos os nossos objectivos que é encaminhá-los para esse mesmo Jesus que ama a todos do mesmo modo - os bons e os maus.
Vamos, pois, ao trabalho.
Oremos a Deus para que Ele nos auxilie, que tudo transcorrerá tranquilamente!
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Re: Tempo - Oportunidade de Evolução - Eça de Queiroz/Wanda A. Canutti

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 26, 2018 8:29 pm

O pequeno grupo comandado por Irmã Jacobina encaminhou-se em direcção ao leito de Virgínia, e, circundando-o aplicaram-lhe um passe, no qual colocaram todo o amor que possuíam, e o faziam em nome de Jesus.
Após, Irmã Jacobina, à cabeceira, colocou as mãos sobre a fronte da paciente e chamou-a com doçura:
— Irmã Virgínia, desperte!
Aqui estamos para recebê-la com muito amor, com todo o amor que o nosso coração abriga, para que o seu despertar seja sereno e perceba esse sentimento que lhe dirigimos.
Que esteja calma, tranquila, para que, com muita paz, possa recomeçar entre nós! Desperte, irmã, desperte!
Após alguns apelos, apoiada nas preces de todos ao redor do leito, ela abriu os olhos, olhou para Irmã Jacobina, olhou para todos os outros, e, num primeiro momento, esquecida de que já possuía o conhecimento de que deixara a Terra, esquecida de tanto sofrimento que enfrentara naquele ambiente sombrio no qual se vira mergulhada, e esquecida até do auxílio que já recebera no posto socorrista, indagou:
— O que aconteceu?
Onde estou?
Irmã Jacobina adiantou-se na resposta e disse-lhe:
— Está entre nós, que a tratamos com amor para que se recuperasse de um período de dificuldades e sofrimentos.
— Estou num hospital?
— Se assim entende melhor, lhe direi que sim, mas um hospital que promove o auxílio ao Espírito a fim de que se refaça e sinta-se em paz!
— O que houve? Não me lembro de nada!
— Aos poucos se lembrará de tudo.
Agora não é conveniente que o faça, mas posso esclarecer-lhe que a senhora vive no Mundo Espiritual, entre os que já deixaram o corpo na Terra.
Ao ouvir estas palavras, ela arregalou os olhos e, de supetão, ergueu o tronco, sentando na cama, olhando todos ao seu redor, bastante espantada:
— Lembrei-me! Lembrei-me!
Eu me senti mal durante a noite, tentei levantar-me mas não consegui, e fiquei ali mesmo, só, sem ninguém.
— Não tenha essas lembranças!
Não deixe que interfiram no seu restabelecimento.
— Que lugar é este?
—Já lhe expliquei, é o lugar para onde são trazidos aqueles que deixaram a Terra!
— Quando a deixei? Não me lembro!
— Não é importante!
Procure ficar em paz, que, aos poucos, todas as lembranças lhe acudirão à mente, até ter toda a totalidade da sua existência na Terra, quanto a do período que enfrentou depois.
— Por que me tratam com carinho?
— Porque a senhora é uma irmã nossa em Jesus, e dispensamos esse tratamento a todos os irmãos trazidos aos nossos cuidados.
Procure descansar e não se preocupe com lembranças.
Cada uma virá a seu tempo!
Com muito cuidado, Irmã Jacobina, tocando os ombros de Virgínia, colocou-a deitada novamente, recomendando-lhe mais uma vez que estivesse serena.
Logo deixaria o leito e poderia realizar passeios pelos parques e jardins daquela Colónia que a abrigava.
Calada, ela permaneceu deitada olhando ao seu redor.
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Re: Tempo - Oportunidade de Evolução - Eça de Queiroz/Wanda A. Canutti

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 26, 2018 8:29 pm

Irmã Jacobina dispensou todos os que ali se encontravam para auxiliá-la, dizendo que logo estaria de volta para vê-la, e retirou-se também.
Uma nova fase iniciava-se para aquele Espírito que muito já sofrerá em densas sombras, mas que soubera, no auge do sofrimento, dirigir-se a Deus em súplica e foi ajudada.
Algum tempo ainda passaria no leito.
Depois, seria levada a pequenos passeios, e, aos poucos, esclarecida de todos os acontecimentos que a envolveram durante a sua existência terrena.
Seria lembrada da postura que mantivera diante da vida e dos familiares, sem que ninguém a julgasse mas apenas a elucidasse, à medida que as lembranças fossem retomando, em forma de ensinamentos e orientações.
Aos poucos também ela iria compreendendo, até que tivesse, ao final de todas as recordações, a verdade plena do acontecimento que fora o marco e a causa da sua transformação em forma de desequilíbrio, e lamentaria o tempo que perdera da convivência dos que lhe foram caros.
Aí nada poderia ser refeito que não se refaz um passado, apenas se aprende para que, num futuro, não se repitam as mesmas acções, os mesmos comportamentos.
E o que ela faria, se realmente cada esclarecimento que recebesse fosse integrado ao seu Espírito como conhecimento adquirido.
Só assim Virgínia se prepararia para uma futura encarnação, para ter condições de enfrentar os problemas e vicissitudes da vida com mais equilíbrio.
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Re: Tempo - Oportunidade de Evolução - Eça de Queiroz/Wanda A. Canutti

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 26, 2018 8:29 pm

6 RENITÊNCIA
A nossa vida de encarnado é plena de momentos que se sucedem - alguns alegres e felizes, mas outros tristes e de muita dor.
Se aqui estamos em caminhada terrena permitida pelo Pai, convivendo com aqueles que foram colocados connosco, seja na condição de parentesco ou de amizade, teremos que saber enfrentar esses momentos com o equilíbrio necessário - nos bons e felizes, com alegria equilibrada, para não os transformarmos em momentos infelizes.
Mas, nos adversos, precisamos também e muito mais da sensatez e do discernimento, para saber enfrentá-los mesmo sofrendo, seja em razão de problemas connosco ou com aqueles que nos são caros e nos afectam, às vezes, muito mais.
Neste orbe todos sofrem porque aqui não viemos a passeio.
A Terra não se faz como um parque de diversões, mas como um verdadeiro campo de lutas, com períodos de batalhas, mas também com os de tréguas.
Se assim não fosse, pelo próprio estágio em que nos encontramos espiritualmente, aqui não estaríamos.
A bondade de Deus, porém, não solta seus filhos nesse campo sem uma protecção e um preparo anterior para que percam todas as batalhas, não!
Esse Pai bondoso quer seus filhos todos vencedores, para poderem comemorar em sua companhia, a vitória alcançada.
Saibamos, pois, lutar e vencer, que esta deve ser a nossa meta como Espíritos imortais e endividados como ainda o somos.
Que em cada batalha aprendamos a lutar cada vez melhor, para que tenhamos somente vitórias.
São das vitórias conquistadas neste campo de lutas que teremos os louros para nosso Espírito, que se desfaz de compromissos, aprende e progride.
E também, não se pode esquecer que, durante as lutas, sempre encontramos companheiros mais inexperientes e que já foram mais atingidos que nós e precisam de auxílio.
Auxiliemo-los, pois, sempre, amparando, esclarecendo, ensinando e estendendo-lhes as mãos para que todos caminhem connosco a fim de que não nos sintamos sós em nossos momentos de dor.
Quanto mais auxílio, compreensão e amor espalharmos, mais os receberemos para nós mesmos.
Daí por diante, aquela que fora trazida para completar o seu refazimento com a plena consciência de toda a sua última experiência terrena, do que havia enfrentado depois, por um tempo que não sabia quanto, e do auxílio que recebera no posto socorrista, passava por períodos de sono e períodos de vigília.
Nessas alternâncias, tanto induzida quanto de modo espontâneo mas permitido porque era necessário, ela foi tendo a totalidade de todas as lembranças.
E, aos poucos, foi parar naquele ponto, causa da sua transformação, aquele no qual se fixara como se após, nada nem ninguém tivesse tido importância nem valor para ela, e inquietou-se bastante, despertando a preocupação dos que dela cuidavam.
Como Irmã Jacobina era uma criatura sempre presente, ninguém se apressou em chamá-la, pois sabiam, logo ali estaria e não havia necessidade de retirá-la de suas actividades.
Por isso apenas transmitiram-lhe passes reconfortantes, acalmando-a um pouco.
Quando ela chegou e aproximou-se do leito, percebeu que algum facto estranho havia ocorrido e, olhando para um auxiliar que acompanhava Virgínia, indagou:
— Como aconteceu?
Ele narrou-lhe o que presenciara, porém, não tinha ainda a habilidade para captar o que estava se passando no íntimo da recuperanda.
Irmã Jacobina, percebendo, logo pensou:
— Era o que esperávamos!
O momento chegou!
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Re: Tempo - Oportunidade de Evolução - Eça de Queiroz/Wanda A. Canutti

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 26, 2018 8:30 pm

Um tanto sonolenta, Virgínia abriu os olhos ao sentir as mãos delicadas da irmã sobre sua cabeça, e indagou:
— Onde ele está?
— A quem se refere?
— Ao meu filhinho! Onde ele está?
Sei que não estou mais na Terra e se continuo vivendo, ele também deve estar vivo!
Onde ele se encontra?
— Agora não é o momento de falarmos sobre isso!
Depois que estiver totalmente restabelecida, conversaremos bastante.
—Eu quero levantar-me! — exclamou ela, mais activa depois que entabulara conversa com a bondosa irmã que a auxiliava.
— Mais tarde, talvez!
Vejo-a um pouco ansiosa, e isso não deve acontecer.
Esteja calma, repouse, por ora, que lhe fará bem!
Agora não é o momento!
—Mas eu quero levantar-me, preciso saber de meu filhinho! - tomou ela demonstrando certa irritação.
Irmã Jacobina não poderia deixá-la desequilibrar-se para não retornar ao que já fora um dia, e precisou usar de energia.
Com o mesmo tom que ela exigira a satisfação da sua vontade, disse-lhe que lá, entre eles, nada acontecia antes do momento certo.
Que se acalmasse e soubesse esperar.
Eles estavam promovendo a sua recuperação para o seu próprio bem e ela não podia exigir nada, mas apenas aceitar.
Ali trabalhavam em nome de Deus e de Jesus, com a melhor das intenções.
Quando chegasse o momento, nada precisaria pedir que permitiriam o que ela já estivesse em condições de enfrentar.
Um tanto envergonhada, reconhecendo que Irmã Jacobina tinha razão por tantas e tantas demonstrações de interesse e bondade, Virgínia acalmou-se e, quando a bondosa irmã completou suas palavras, falou:
— Desculpe-me!
Sei que me excedi e não tinha o direito.
Procurarei ficar calma e esperar.
Mas a dor da saudade é muito grande.
— Nada devo dizer-lhe agora porque já falei o necessário e urgente para o momento, mas voltaremos a conversar sobre esse assunto.
Tenho muito a lhe dizer.
Irmã Jacobina fez menção de sair, mas Virgínia, antes que ela deixasse a sua companhia, indagou:
— Quando poderei deixar o leito?
— Assim que estiver bem para caminhar.
— Eu já me sinto bem para isso!
Estou cansada de ficar nesta cama!
— Amanhã de manhã a senhora se levantará e eu mesma conduzirei seus primeiros passos.
— Por que antes de ser recolhida eu tinha condições de deambular e andei tanto tempo perdida de mim mesma numa região tão feia e sombria?
— Aquela foi uma outra época!
Seu Espírito se encontrava ainda muito apegado, à Terra, como se estivesse encarnado, no que respeita às energias que trazia.
Agora é diferente, está sendo tratada para que, ao readquirir todo o seu equilíbrio, o tenha como um estado permanente em seu Espírito, e não transitório, melhorando sempre cada vez mais, à medida que se aplicar ao estudo e a alguma tarefa, até que precise retomar.
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Re: Tempo - Oportunidade de Evolução - Eça de Queiroz/Wanda A. Canutti

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 26, 2018 8:30 pm

Por isso estamos cuidando da senhora com carinho e queremos vê-la bem, sem recaídas, razão pela qual, às vezes, precisamos usar de energia.
Bem, falei além do que devia, e não sei se a senhora me entendeu, mas, a seu tempo, terá outras explicações.
Conforme o prometido, na manhã seguinte, Irmã Jacobina foi ao leito de Virgínia para fazê-la levantar-se e acompanhá-la a um pequeno passeio.
Com certa dificuldade, ela levantou-se, mas logo, apoiada na bondosa irmã, deu os primeiros passos.
Porém, determinada como o era, e até um pouco obstinada, colocou toda a sua vontade no que realizava e pôde caminhar bem.
Quanto a Geraldo que realizava as suas actividades, foi recomendado que se mantivesse à distância naqueles primeiros dias em que ela deixaria o leito por algumas horas.
Após, quando estivesse bem mais reequilibrada e fortalecida, o encontro se daria, ocasional como se apresentaria à Virgínia, porém, de bastante efeito.
Contudo, antes que acontecesse, esses passeios teriam um outro objectivo que não somente a recuperação total de seu Espírito quanto ao cansaço e a debilidade, mas recuperá-lo em consciência.
Para isso, Irmã Jacobina conduziria algumas conversas, induzindo- a a falar, a fim de que tivesse, de cada fala, de cada momento, a oportunidade de verificar como estava o seu íntimo em relação ao seu passado terreno.
Transmitir-lhe-ia orientações e ensinamentos, para que ela mesma, aos poucos, sem que ninguém a julgasse ou lhe apontasse os erros, pudesse compreendê-los, para arrepender- se e tentar modificar-se.
Depois que o arrependimento começasse a fazer parte do seu Espírito, aí, sim, seria a hora de encontrar-se com Geraldo.
Naquela manhã, após os primeiros passos depois de deixarem o quarto, Irmã Jacobina levou-a a sentar-se em um banco num pequeno jardim.
O sol aquecia o ambiente dando maior brilho ao colorido das flores, proporcionando, também, àqueles que se refaziam, o calor suave da esperança.
— A senhora costumava fazer passeios assim, enquanto encarnada?
Gostava de se dirigir a um jardim, sentar-se, admirar a Natureza que Deus criou para enfeitar a Terra e levar um pouco de beleza a seus filhos?
A princípio Virgínia não respondeu, como se seu pensamento, às palavras da irmã, tivesse se perdido no tempo.
A bondosa irmã perguntou se havia ouvido, e ela, como que retomando, respondeu-lhe:
— A nossa vida, enquanto estamos na Terra, passa por muitas etapas.
— E verdade, irmã!
Mas precisamos saber enfrentar cada uma, conscientes de que somos filhos de Deus que nos ama e faz sempre o melhor para nós.
Por isso, seja em que etapa for, seja qual for o sofrimento ou as alegrias que nos estão sendo reservadas, precisamos saber vivê-las.
Continue, irmã, o que começava a dizer, por favor!
— Lembrava-me do meu tempo de criança depois que me perguntou se gostava de ir aos jardins.
Depois, da minha juventude cheia de sonhos, em que os jardins sempre fizeram parte da minha vida, com tudo o que podiam oferecer-me.
— E depois? Só os frequentou enquanto criança e jovem?
Pelo que sei, a senhora deixou a Terra em idade madura!
—Depois a vida me atraiçoou e eu perdi o encanto de tudo!
— Como? Não entendi, se acabei de dizer que em qualquer situação e circunstância, devemos saber apreciar a beleza da Natureza que nos circunda, e retirar dela o reconforte para o físico e para o Espírito.
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Re: Tempo - Oportunidade de Evolução - Eça de Queiroz/Wanda A. Canutti

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Maio 26, 2018 8:30 pm

Sempre quando somos abatidos por algum acontecimento adverso é que precisamos mais desse conforto que ela nos proporciona.
Parece que ela, ao ver-nos, absorve para si e deixa depois se diluir no ar um pouco do nosso sofrimento, e este último se toma menor.
Se tivermos o hábito de realizar esses passeios diários, a cada dia vamos melhorando e logo nos recomporemos outra vez.
—A senhora não entendeu o que aconteceu comigo!
Como poderia retomar aos jardins sem ele?
—Ele quem, irmã?
A quem se refere? - indagou a paciente irmã, para que ela falasse, dando-lhe a oportunidade de ir lhe transmitindo esclarecimentos.
—Não desejo continuar este assunto!
Ao menos, hoje, não!
Quem sabe algum dia ainda lhe conte toda a minha história e a senhora me dará razão!
— A senhora tem todas as lembranças em sua totalidade?
Lembra-se de tudo o que lhe aconteceu?
—Como se ainda estivesse vivendo aquele momento e todas as consequências dele, depois.
— Se não deseja falar, deixaremos para outra ocasião, amanhã, talvez!
O importante é que retenha toda a nossa conversa que irá auxiliá-la bastante.
Se quiser entrar agora, nós o faremos, mas amanhã irei buscá-la para novo passeio, até que possa fazê-lo sozinha e se alongar mais pelos nossos outros jardins.
Aí a senhora vai sentir, em toda a sua plenitude, os efeitos do que lhe falei.
A nossa Natureza, aqui, é muito bela, muito mais bela que na Terra, e seus efeitos, mais eficazes.
Tudo aqui é puro, ninguém a destrói nem a conspurca, e nós podemos aproveitá-la plenamente, como se tivesse acabado de sair das mãos de Deus.
Alguns dias mais aqueles passeios foram realizados, e Virgínia, sempre que Irmã Jacobina voltava ao assunto que não quisera prosseguir, recusava-se a falar.
— Não quero falar sobre ele.
Recuso-me a reviver, pelas minhas próprias palavras, momentos de tanta dor.
A senhora mesma disse que tem toda a sua vida, com todos os acontecimentos em suas lembranças, como se os tivesse vivendo novamente!
Se isso acontece, melhor será falar!
Aliviará o seu coração e, quem sabe, eu poderei transmitir-lhe um conforto maior.
Creio que a senhora tem me conhecido o suficiente para confiar em mim.
Tem visto e sentido o meu empenho juntamente com todos, para proporcionar-lhes o melhor.
Se insisto que o melhor será abrir o seu coração, mesmo que esteja cheio de mágoas, é para o seu próprio bem.
Quando dividimos com alguém o que nos faz sofrer, nosso sofrimento fica diminuído.
Virgínia ouvia calada, pensativa, quase se rendendo aos apelos da bondosa irmã.
Mas até que se decidisse, Irmã Jacobina continuava:
— Não desejo que exponha as aflições de sua vida por curiosidade, que isso não faz parte de nós.
Falo pela senhora mesma. Entretanto, como vacila, teme e se mantém renitente nesses seus princípios, eu posso afirmar-lhe, para que entenda, que o meu interesse é apenas fazê-la melhorar, livrando-se de tanta carga que retém no coração.
Aqui, nada fica escondido de ninguém, sempre sabemos tudo, principalmente sobre os que estão sob nossos cuidados.
Ao ouvir que ela sabia o que se passava em seu íntimo, Virgínia, encarando-a, indagou:
—Então a senhora sabe que tive razão, que ninguém suporta o que suportei, e que a minha vida não poderia ter sido diferente?
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Re: Tempo - Oportunidade de Evolução - Eça de Queiroz/Wanda A. Canutti

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 27, 2018 7:31 pm

— Pelo facto de saber o ponto de partida, a causa da sua modificação pelo resto da sua vida, as atitudes que tomou, a forma como viveu, não quer dizer que eu concorde com a senhora.
Por isso desejo que fale!
Da nossa conversa, muitos esclarecimentos poderão ser feitos e a senhora compreenderá melhor.
— A senhora já foi mãe, Irmã Jacobina?
— Como deve saber, não vivemos na Terra uma única vez, porque aqui está viva em Espírito e um dia retomará, como para lá já foi e retomou muitas vezes, assim como eu e todos os nossos irmãos, filhos de Deus.
Se assim é, todas as mulheres, em uma ou outra encarnação, são mães.
Todas levam, dentro de si, o instinto da maternidade em alto grau, mesmo que não sejam mães em qualquer uma das suas existências.
Por isso, sua pergunta não tem razão de ser.
Já fui mãe muitas e muitas vezes na Terra, e aqui, procuro ser a mãe mais dedicada e carinhosa de todos aqueles de quem cuido, da senhora também!
— Temos mais ou menos a mesma idade pelo que aparentamos. Não poderia fazer-se minha mãe!
— A senhora não entendeu as minhas palavras, mas não tem importância; a qualquer hora eu a esclarecerei melhor.
Por ora digo-lhe apenas que o que importa, aqui, é o Espírito, com todos os sentimentos e virtudes que acumulou em toda a sua trajectória, e não a sua aparência, que pode modificar-se a qualquer momento!
—Então a senhora sabe que eu perdi o ser que mais amava em minha vida, de uma forma estúpida, por culpa de meu marido?
— Sabia que a senhora havia perdido um filhinho muito querido, como o são todos os filhos para todas as mães.
Não sabia, porém, da causa da sua morte nem do culpado dela, porque aqui sabemos apenas a verdade, pois é ela que importa.
Agora, o que os encarnados supõem, e das suas suposições passam a agir e a sofrer como consequência do que eles mesmos criam, eu não sabia.
— A que verdade a senhora se refere?
— Aquela que promoveu a volta do seu filhinho à Pátria Espiritual!
— O que quer dizer?
Explique-se melhor!
— A senhora deve saber que cada Espírito que vai à Terra para viver uma nova experiência como encarnado, leva consigo uma programação para desenvolver.
Alguns a cumprem num tempo mais longo, mas há outros que devem retomar logo, como foi o caso de seu filho.
Ele nada pôde realizar nesse período, porque a sua permanência lá foi muito pequena, mas fazia parte da sua programação de vida.
Por razões que a senhora ainda não está preparada para saber, seu Espírito levou como prova aquele momento difícil que teria de enfrentar, justamente para que conseguisse transpô-lo da melhor forma possível.
Sabemos o quanto é doloroso, enquanto lá estamos, vermos arrancado de nossos braços um ser tão querido que é parte de nós mesmos.
Todavia Deus, que visa ao Espírito, sempre faz o melhor para nós, não obstante muitas vezes achemos que Ele nos esqueceu.
Se naquele momento o seu sofrimento foi muito atroz, o seu Espírito ressarcia débitos.
E através da forma como a senhora conseguisse suportar o depois, prosseguindo a sua vida sem ele, embora tendo-o sempre no seu coração, que de um filho nunca se esquece, a programação que levou para desenvolver, teria sido cumprida.
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Re: Tempo - Oportunidade de Evolução - Eça de Queiroz/Wanda A. Canutti

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 27, 2018 7:32 pm

Mas, em virtude daquele acontecimento, a senhora não só deixou de cumprir o que lhe faltava, mas malbaratou toda a sua vida, ao ponto de ter assumido compromissos que a levaram àquelas regiões sombrias nas quais esteve por um longo tempo.
Virgínia, atenta, ouvia cada palavra da irmã, e quando as deu por encerradas, falou:
— Parece que a senhora sabe bastante a meu respeito mas ainda não sabe de tudo.
A verdade só eu a tenho e não me arrependo de nada do que fiz, pois todas as minhas atitudes, eu as devia ao meu filhinho.
— Tem certeza do que afirma?
— Se não a tivesse, continuaria calada!
— Então a senhora tem certeza do que não viu, do qual não participou, e ainda culpou o seu marido?
Já imaginou se a sua situação fosse invertida e seu filhinho estivesse com a senhora naquele momento e tivesse acontecido o mesmo?
— Comigo nunca teria acontecido!
— Por quê? A senhora se considera infalível?
Não sabe que as crianças são, às vezes, rebeldes e não atendem aos apelos dos pais, e, de tão imprevidentes, fogem à mais apurada vigilância e o pior acontece sob seus olhos?
— Comigo nunca teria acontecido, repito!
Lá não era lugar para Geraldo ter levado nosso filho!
— A senhora sabe o quanto ele era zeloso da sua profissão e muito competente.
Se saiu para levar seu filho a um passeio enquanto a senhora cuidava dos pequeninos, e resolveu passar pela obra que dirigia, não pode acusá-lo de nada!
Tudo interessa às crianças que são sempre muito activas e curiosas, e o seu filhinho ficou contente de estar com o pai examinando o seu trabalho.
— Se ele não tivesse se descuidado, não teria acontecido!
— Seu filho levava uma programação de vida muito curta,
e, se não tivesse ocorrido lá, teria sido em outras circunstâncias, mas sempre da mesma forma - repentina, chocante e inevitável como o foi!
— Não me conformo até hoje!
— Pois deveria, depois de tudo o que já conversamos!
Deveria, também, começar a reviver mentalmente todos os seus actos, depois daquele acontecimento, para verificar o que a senhora fez da sua vida e da daqueles que lhe eram caros.
— Fiz o que mandava o meu coração!
Com meu marido, não poderia conviver depois do que ele fez e, olhar para meus outros dois filhos, sem ver aquele que mais amava, era-me penoso, eu não conseguia.
— Pois então reconhece o que fez, só não reconhece que estava errada!
A senhora já se encontrou com seu marido, algum dia, depois que também deixou a Terra?
— Nunca o vi nem desejo vê-lo!
— Se ele fosse tão culpado quanto imagina, não estaria nas mesmas regiões sombrias onde a senhora estagiou, uma vez que deixou a Terra um pouco antes da senhora?
Pense nisso!
A senhora o culpou, mas, diante de Deus, teria ele se apresentado como culpado?
Já imaginou como foi a vida dele depois que o expulsou de sua casa?
Privou-o da sua companhia que ele amava e de quem precisava compreensão, e privou-o da companhia dos filhinhos que também amava.
Isto sem falarmos na falta que um pai faz aos filhos.
Se a senhora o tivesse compreendido, o tempo cicatriza ferida e juntos, um apoiando o outro num auxílio mútuo, teriam vivido mais felizes e outros filhos poderiam ter chegado.
A senhora talvez não saiba, mas ele, do momento em que deixou a sua casa, teve a vida completamente transformada.
Nem o nome revelou a ninguém e era chamado de Desconhecido.
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Re: Tempo - Oportunidade de Evolução - Eça de Queiroz/Wanda A. Canutti

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 27, 2018 7:32 pm

Vivia só, numa quase choupana afastada da cidade, pedia o que lhe faltava, tão arrasado ficou, e tão incapaz se sentiu de continuar trabalhando.
A sua vida ficou destruída e se a senhora lhe imputou culpas que ele não teve, certamente Deus, que tudo vê e sabe, lhe imputou as culpas que realmente teve, muitas das quais até já pagou.
Pense, reflicta, analise e deduza por si mesma, tendo por base tudo o que já conversamos.
Depois me procure para continuarmos este assunto.
Sem a reflexão, já vi que não adianta prosseguirmos, pois aqui o nosso tempo é precioso; há muitos que necessitam do nosso auxílio e se esforçam por aceitá-lo, para se sentirem mais felizes.
Nunca mais voltarei a este assunto porque o que me era permitido dizer, já o fiz!
Agora cabe somente a si mesma o trabalho de reflexão e da compreensão!
No dia em que isto acontecer, esteja certa, será muito mais feliz e terá muitas surpresas agradáveis, mas deverá esforçar-se por merecê-las.
Irmã Jacobina convidou Virgínia para se recolher.
Deixou-a em seu leito, em cuja cabeceira recostou e, de olhos abertos, pensou muito.
Não era a primeira vez que realizava aquela actividade.
Antes de ser recolhida à Colónia onde se encontrava, pediram-lhe que pensasse, repensasse, reflectisse, para ter toda a sua vida rememorada e revivida em seus pormenores.
Que pensasse em cada um deles, analisasse e concluísse, modificando as suas atitudes para ter o direito de ser retirada daquele local de abandono e sofrimento.
Agora, tudo se repetia!
Por que lhe pediam para realizar a mesma operação com muito cuidado?
O que teria acontecido?
As conclusões chegadas naquela ocasião teriam se modificado? Teria ela esquecido o que pensara e as suas convicções retomado ao ponto de partida?
Enfim deveria obedecer, se quisesse sentir-se melhor, receber ainda mais do que recebia e do muito que já havia recebido.
Ali quieta em seu leito, trouxe para a memória toda a sua vida, desde os momentos felizes do dia do seu casamento, e toda a trajectória que já conhecemos, acompanhando suas próprias lembranças.
O que não entendera do que Irmã Jacobina lhe dissera?
Não podia imaginar nada diferente do que pensara até então e tinha como convicções adquiridas, por compreendê-las verdadeiras.
O que estaria errado?
Teria que saber, mas, partindo de si mesma, não conseguiria afastar-se do que já cristalizara em sua mente e em seu coração.
Precisava ver para crer!
Desejava ver toda a sua vida como se assistisse a um filme, para não mais duvidar, mas que esse filme fosse de tal forma organizado que não lhe restasse nenhuma dúvida, e não se confundisse com um filme de ficção, cuja história não convence.
Depois de algumas horas nessas reflexões, levantou-se e foi a procura de Irmã Jacobina.
Entretanto ela, ocupada em uma tarefa junto a um interno bastante necessitado, não pôde atendê-la, mas mandou-lhe dizer que, na manhã seguinte, logo cedo, a procuraria e que ela aproveitasse aquele período para pensar, pensar muito.
Um tanto irritada pela resposta, pois estava cansada de tanto a mandarem pensar, ela decidiu dar uma volta pelo jardim, sem Irmã Jacobina.
Não sabia se ela lhe daria permissão de realizá-la sozinha, mas não se preocupou.
A passos lentos andou, andou e afastou-se do local onde costumava permanecer.
Pelo inusitado da hora e do lugar, encontrou pessoas que já podiam afastar-se mais, e outras que já não tinham mais nenhuma barreira que lhes impedisse de caminhar pelo tempo e por onde quisessem, desde que os passeios não interviessem no horário de actividades que desempenhavam, mas os auxiliassem a desempenhá-las cada vez melhor.
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Re: Tempo - Oportunidade de Evolução - Eça de Queiroz/Wanda A. Canutti

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 27, 2018 7:32 pm

Envolta pelos próprios pensamentos e caminhando, ela divisou, ao longe, caminhando também desacompanhado, uma figura que lhe chamou a atenção.
Olhando fixamente, reconheceu, naquele homem, o seu marido Geraldo, com uma aparência bastante jovem, bem disposto e feliz.
Não ia cabisbaixo, mas parecia admirar a Natureza que o circundava, regozijando-se com a sua beleza e retirando dela as energias que lhe proporcionavam tanto bem-estar.
Seu coração sobressaltou-se ante tal visão.
O que fazer?
Voltar correndo para seu quarto?
Sem ter percebido, afastara-se demais e já se encontrava cansada; não teria forças para correr nem para caminhar apressadamente.
Enquanto ela parou para decidir como fazer, deve também ter sido vista por ele que parou, fixando nela o olhar que, mesmo à distância, desconcertou-a.
Sem saber que ela saíra sem permissão, foi ao seu encontro e, aproximando-se, também parou sem nada dizer.
Ele reconheceu-a que os Espíritos se reconhecem, mas ela trazia ainda a aparência envelhecida e sofrida dos últimos anos de vivência na Terra, e sentiu pena.
Mais alguns passos ele achegou- se, indagando:
— Está precisando de ajuda?
— Se estivesse, não seria a você que a pediria!
— Ainda guarda tanto ódio por mim?
Não teve, ainda, neste lugar, consciência de tudo o que aconteceu?
—Não desejo falar com você!
Se soubesse que aqui estava, teria preferido permanecer naquelas regiões sombrias onde estive por muito tempo.
—Você não sabe o que diz!
Quando souber toda a verdade, modificará seu modo de pensar, e queira Deus seu sofrimento não seja maior por verificar o quanto estava errada.
Saiba que, apesar de tudo, não lhe guardo rancor e desejaria ajudá-la.
Tenho muitas coisas para lhe contar, mas só o farei no dia em que você mesma desejar e se encontrar preparada.
Virgínia nada respondeu, tão surpresa estava, e ele prosseguiu, indagando:
— Vejo-a cansada e abatida.
Quer que a acompanhe de volta? Onde está Irmã Jacobina?
— Sei voltar sozinha!
Não preciso da companhia de ninguém!
— Está bem! Vou continuar o meu passeio!
E, antes de se afastar, ainda lhe disse:
— Seja feliz, é o que eu mais desejo para você!
Virgínia começou o seu caminho de volta, cansada, abatida e irritada pelo encontro. Entretanto, um pensamento começou a rondar a sua mente em forma de indagação.
Por que só eu envelheci, só eu trago esta aparência desgastada e sofrida e ele se apresenta jovem e bem disposto?
Não era mais velho que eu e não sofrerá privações, pelo que soube?
Por que o seu Espírito não traz as marcas que o tempo e o sofrimento fazem em nós?
Se assim não estivesse, eu não o teria reconhecido!
Eu o vi como nos velhos tempos de felicidade, antes do acontecimento fatídico ter transformado nossas vidas.
E ele, se estou tão diferente, por que me reconheceu?
Caminhando e pensando, sem encontrar respostas às suas indagações, ela foi se aproximando do edifício onde tinha o seu quarto.
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Re: Tempo - Oportunidade de Evolução - Eça de Queiroz/Wanda A. Canutti

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 27, 2018 7:32 pm

O que Virgínia não sabia era que Geraldo, à distância, seguia-a, com receio de que ela não suportasse a caminhada.
Em seu quarto, novas rememorações cheias de indagações, tomavam-lhe a mente e, àquela noite, ela não conseguiu o repouso necessário.
A nova manhã encontrou-a desassossegada, condição em que Irmã Jacobina também a encontrou.
— Como está? - indagou ela.
Não a vejo bem.
O que houve?
Queria falar comigo, pois serei toda ouvidos, mas não aqui!
Vamos ao nosso passeio!
— Não quero passear, ele está aqui!
— De quem fala?
Quem está aqui? Quem é ele?
— Meu marido!
Eu o vi ontem e ele falou comigo!
- Onde esteve?
Deve ter ido a algum lugar a que não devia!
Vamos, fale!
Por isso se encontra intranquila?
— Não estou bem; não tenho condições de levantar-me!
— Aqui temos regras que devem ser seguidas, porque sabemos o que convém a cada um dos que se encontram em tratamento.
E não devem ser transgredidas para que não tragam consequências desagradáveis como estão lhe trazendo agora.
Por que não fez apenas o que lhe recomendei?
Seu marido encontra- se aqui, sim, entre nós, mas a senhora ainda não estava preparada para encontrá-lo.
Por isso recomendávamos sempre a reflexão, a fim de que pudesse compreender melhor o que houve e desfizesse tanto rancor do seu coração.
Seu marido não é culpado de nada do que lhe atribui.
Se um culpado há em toda essa situação que se criou depois, é somente a senhora, e nada do que temos feito tem adiantado.
Acho que devemos tomar medidas extremas, que esperávamos não fossem necessárias por enquanto, porque podem não trazer tão bons resultados como desejamos.
Mas como se recusa a entender, seremos obrigados a apelar para os recursos externos a si mesma, que podem nos apresentar surpresas.
Se tivesse acontecido como nós aconselhamos, seria muito mais benéfico ao seu Espirito, porque as deduções partiriam das suas próprias reflexões; e o que parte de nós mesmos, sem nos ser imposto, tem muito mais valor diante de Deus.
Entretanto, aos renitentes, recursos outros têm que ser utilizados e nós os utilizaremos.
Só espero que depois não reste mais dúvida de nada, e a senhora encontre um pouco de paz, se os resultados não forem contrários ao que esperamos.
Pelo menos em relação ao seu marido e à forma como conduziu a sua vida, lhe será benéfico!
A medida que Irmã Jacobina falava, Virgínia ia se encolhendo e recebendo suas palavras como a mais profunda advertência, e, pela primeira vez, depois de ter deixado aquele período de sofrimentos intensos em que se sentia ao abandono, sentiu medo.
Se teriam de se utilizar desse recurso para convencê-la, e se assim acontecesse, estaria ela errada em suas convicções?
Todos lhe diziam que sim, e sempre a mandavam pensar, mas, e o seu filho, onde estaria?
Ela o perdera, e se o marido não tivesse culpas, ele teria crescido como as outras crianças, teria estudado e lhe dado muitas alegrias.
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Re: Tempo - Oportunidade de Evolução - Eça de Queiroz/Wanda A. Canutti

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 27, 2018 7:32 pm

No entanto, por culpa do marido, nada disso aconteceu.
Terminadas as suas palavras, Irmã Jacobina, vendo-a encolhida e olhando-a fixamente, indagou:
— O que aconteceu?
Sente algum receio?
Será o da verdade que nunca quis aceitar, mas com a qual terá de se deparar agora?
Teria sido sempre a recusa de entendê-la e aceitá-la, um recurso para continuar a sentir piedade de si mesma e ter alguém para acusar, justificando sua atitude doentia?
A bondosa irmã, que precisava usar de energia como um recurso a mais para que ela se sentisse tocada, falou-lhe em tom de ordem:
— Vamos, levante-se!
Não demore, que não vai ficar aí curtindo a própria piedade!
Caminhar um pouco lhe fará bem!
De início, Virgínia não obedeceu a ela, mas, com a insistência da irmã, foi relaxando a tensão e, vagarosamente, se levantou.
Ao se encontrarem na parte externa, Virgínia apontou para o lado onde fora na véspera, e encontrara Geraldo, exclamando:
— Foi naquela direcção!
É lá que ele está!
— Ele não está lá, apenas esteve naquele local a passeio, como o fazem todos que o podem e descansam das actividades que desempenham, revigorando as energias.
Sentemo-nos! A senhora não tem condições de caminhar muito. Deixou-se desequilibrar e fez perder muito do que já havíamos conseguido, pela própria imprevidência.
— Como poderia imaginar que iria encontrá-lo?
— Por isso deveria ter obedecido!
Nós sabemos tudo com que contamos aqui e o que pode acontecer.
Não que temêssemos esse encontro por ele que o anseia de há muito, mas pela senhora que não sabe ainda aceitar a verdade.
— O que é que prometeu fazer?
— São recursos nossos!
A senhora a eles se submeterá e, se nem assim entender o que aconteceu, restam-nos apenas o tempo e a sua boa vontade!
Todavia, sabemos, não podemos contar com nenhum dos dois.
Boa vontade a senhora não a tem, pois, se a tivesse, já teria entendido; e o tempo, este nada lhe significou enquanto esteve na Terra, pois que o deixou passar, curtindo apenas a sua auto-piedade, sem nenhum esforço para melhorar-se, melhorando o ambiente em que seus outros filhos cresceram.
— O que fará, não vai explicar-me?
— Na hora certa a senhora verá!
Contudo, se continuar a rememorar a sua vida e a pensar no quanto poderia ter sido mais feliz e proporcionado felicidade aos outros, mesmo sem ele, ser-lhe-á mais fácil entender o que verá!
— Então é algo que verei?
— Sim! Se só lhe falar, só apelar para o seu bom-senso, não adiantou, temos que lhe mostrar!
— O que irá mostrar-me?
— No momento certo a senhora verá! Hoje mesmo, depois que a deixar, tomarei as providências necessárias e, se tudo ficar pronto, amanhã de manhã, a levarei para essa realização.
— Tenho medo!
— Medo de quê?
A verdade nunca deve causar medo mas serenidade, porque derruba convicções erróneas e nos faz ver os acontecimentos despidos de qualquer deturpação que queiramos lhes dar.
A senhora sabe que a verdade é uma só; não existem diversas verdades.
Nem a minha verdade nem a sua, mas a única que é a real e deve ser demonstrada e entendida.
Se existissem diversas verdades, nem nela poderíamos confiar.
Porém, atrás de todas aquelas que se possam criar para dar desculpas a nós mesmos, existe a que surge pura e imaculada e que convence, pois é a que deve subsistir sempre, para dirimir enganos que só nos confundem.
A conversa entre ambas prolongou-se ainda por mais um pouco, mas Irmã Jacobina tinha suas obrigações com outros necessitados, além da importante tarefa a que se impusera, e convidou Virgínia para entrar.
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Re: Tempo - Oportunidade de Evolução - Eça de Queiroz/Wanda A. Canutti

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 27, 2018 7:33 pm

7 O PASSADO
Irmã Jacobina ao deixá-la procurou o Mentor da Colónia para levar-lhe notícias de Virgínia, e pedir autorização para realizar o que vira como necessário e urgente.
— Nada que eu diga ou faça para convencê-la tem adiantado!
Ela tem se mantido renitente como se tivesse sido desvinculada de toda a verdade e passasse a viver na que criou e cristalizou em seu Espírito, como forma de autocomiseração.
Já tentei tudo o que podia, esgotei meus recursos e argumentos, e penso que podemos, se me autorizar, entrar com a visualização de tudo o que houve.
Do contrário, é perda de tempo, e o nosso, aqui, é precioso, porque a necessidade é grande.
— Sabíamos que não seria fácil.
Temos conhecimento de tudo o que ela fez com nosso irmão Geraldo e como se manteve depois.
Pode providenciar o que deseja, e queira Deus o consiga com sucesso, porque sabe, poderá ter um efeito contrário ao que esperamos.
— Sei de todas as possibilidades e confio que vá dar certo, senão, nada mais nos resta a fazer, e as dificuldades continuarão até o dia em que ela própria resolver modificar-se.
— Confiemos em Deus, no nosso esforço e no desejo de sempre promovermos o bem!
— Não quero mais ocupar seu tempo!
Vou agora mesmo tomar as providências, e, se for possível como espero, amanhã mesmo realizaremos essa nova e última tentativa.
— Que Deus a proteja e a auxilie a ter bons resultados!
Comunique-me, depois, como transcorreu.
— Com certeza.
Irmã Jacobina fez a solicitação à pessoa encarregada daquele trabalho, e, no fim da tarde, teve notícias de que tudo estava pronto conforme
o seu desejo.
— Conseguimos recompor os fatos da melhor forma, dentro da mais pura veracidade, e nada haverá que a impeça de acreditar.
Entretanto, não sabemos o que ocorrerá depois, diante do que a senhora nos expôs.
Se ela é e sempre foi uma pessoa difícil, como reagirá?
Até aqui viveu dentro da sua própria criação mental e do que lhe convinha, e depois que tiver a verdade, como será?
Se conseguir entender e aceitar, imagino que vá sofrer mais que agora.
— Se assim acontecer, será um sofrimento bendito, como resultado do arrependimento, do remorso, da compreensão da falsidade de suas convicções, e significa que ela não é tão insensível.
Será, também, o ponto de partida para a sua redenção.
— A senhora tem razão!
É melhor sofrer pela verdade do que por uma fantasia que se cria para justificar atitudes!
—Ninguém se modifica partindo de convicções fantasiosas, irreais!
Só quando a verdade plena tomar o seu lugar é que poderemos pensarem modificação.
Confiemos, pois!
Agora vou avisá-la do que faremos e pedir que se prepare, pois, amanhã pela manhã, irei buscá-la!
Virgínia foi avisada, não deu muita importância, pois supunha, nada além do que possuía como verdade, ser-lhe-ia mostrado.
Acontece que os recursos de que o Mundo Espiritual dispõe, são inimagináveis pelos habitantes da Terra, e mesmo por aqueles que dela já se libertaram mas a ela vivem apegados, e Virgínia não tinha condições de supor o que veria.
No dia seguinte, à hora combinada, em companhia de Irmã Jacobina, ela foi colocada diante de um aparelho manejado por um jovem técnico, e veria cenas que esperavam, a convencessem de vez.
Antes do início, pela importância do momento, Irmã Jacobina achou por bem proferir uma prece, dirigindo a Deus suas palavras, pedindo-Lhe protecção e auxílio para que o coração de Virgínia fosse aberto e sensibilizado.
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Re: Tempo - Oportunidade de Evolução - Eça de Queiroz/Wanda A. Canutti

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 27, 2018 7:33 pm

Só assim ela terminaria de vez aquele período de dificuldades, amainando o coração para as verdades eternas, as únicas que levam o progresso ao Espírito, porque do conhecimento delas é que decorrem todas as atitudes, todos os esforços para a modificação.
Quando sentiu ter abordado os pontos necessários para a ocasião e para a situação, a Irmã Jacobina pediu ao jovem que accionasse o aparelho.
De início, Virgínia não estava entendendo bem, e, a certo momento, dirigiu-se à bondosa irmã que a acompanhava, dizendo:
— Não vejo em que essas cenas podem dizer respeito à minha vida na Terra, com tudo o que me aconteceu!
Sem se admirar desse julgamento, Irmã Jacobina pediu ao jovem que fixasse a cena que mostrava uma pequena reunião promovida por uma entidade de grande responsabilidade no meio onde se encontravam — a Colónia de onde ela havia partido para a sua última existência terrena.
Irmã Jacobina, diante da imagem fixa na tela, exclamou:
— Irmã, nada do que vê é estranho à senhora mesma! Preste bastante atenção!
— Vejo uma senhora e dois senhores. Quem são eles?
— Um trio muito importante, entre os quais um assunto de grande relevância é discutido.
— De que se trata?
Não entendo aonde quer chegar!
— Se não compreende, eu lhe direi!
Veja bem a senhora que participa da reunião!
Não a reconhece?
Instantaneamente, como que numa transformação realizada através de alguma mágica, aquela figura foi se modificando, e ela reconheceu-se nela.
Ato contínuo, a mudança foi se desfazendo e ela retomou ao que era antes, acontecendo, depois, com a mesma técnica, a um dos dois senhores, que ela reconheceu ser Geraldo, seu marido.
— E o outro, quem é? - indagou ela.
Ah, a transformação que viu foi assustadora e tão rápida que ela não pôde acompanhar os detalhes.
De repente aquele homem, como se fizesse parte de um filme de ficção científica, foi diminuindo de tamanho, e ela viu, diante de si, aquele menino belo e forte que fez o encanto de sua vida, e cuja morte a desgraçou por completo.
Ao vê-lo, ela não se conteve e gritou:
— Meu filho, meu filho, onde você está?
Antes de mais nada, porém, ele voltou à aparência anterior, a cena foi recomposta, e ela teve, ante seus olhos, aquelas mesmas três pessoas, diante de uma quarta que dirigia a pequena reunião, e ela pôde perceber, depois, que decidiam a sua volta à Terra, juntamente com o marido e o filho.
Faltavam-lhe ainda muitos detalhes, os mais importantes, mas ela, sob o impacto do que presenciava, ainda não se recompusera de todo.
Aguardando alguns instantes, Irmã Jacobina indagou:
—Podemos prosseguir, irmã?
A senhora deverá ver o resto do que temos preparado, para compreender melhor o que se passou com a senhora.
— Não sei se terei condições de suportar, mas desejo ver, preciso ver!
— Prossigamos, então! — exclamou a bondosa senhora.
A imagem, antes imobilizada, não se modificou.
A cena foi a mesma, apenas começou a ter vida e conversas foram entabuladas, às quais Virgínia passou a prestar muita atenção.
O que dirigia a pequena reunião, falou:
—Diante da necessidade redentora de cada um de vocês, a próxima reencarnação, como já conversamos, irá reuni-los na Terra.
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Re: Tempo - Oportunidade de Evolução - Eça de Queiroz/Wanda A. Canutti

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 27, 2018 7:33 pm

A senhora receberá, no devido tempo, este irmão como seu companheiro, pelo longo passado que já tiveram juntos e pelo muito que erraram.
Todavia, pelo progresso que já realizou e pelo grande amor que lhe dedica, ele dispôs-se a ajudá-la na próxima existência terrena, a ressarcir um grande mal que a senhora promoveu em uma das suas vidas passadas.
Ele será o seu alento, a sua força, a sua coragem, num momento em que tiver de enfrentar uma situação de muita dificuldade.
Sem entender bem, Virgínia observava atenta, e Irmã Jacobina a ela, enquanto o senhor prosseguia:
— A senhora deve lembrar-se do fato que a envolveu com este nosso irmão que precisa, juntamente com a senhora, completar alguns anos que lhe faltam daquela existência em que acontecimento tão trágico lhe tirou a vida, pelas suas próprias mãos, lembra-se?
A senhora que estava diante de Virgínia, na tela, e que representava ela mesma, abaixou a cabeça e chorou.
Como que adivinhando em Espírito o que poderia ser, pediu que interrompessem um pouco a demonstração daquelas imagens, dizendo:
— Não sei se irei suportar!
Sinto que meu Espírito vem trazendo, do mais profundo do seu ser, um acontecimento muito trágico, já totalmente esquecido por mim.
Tenho medo dessas lembranças.
^ —Estamos aqui para auxiliá-la!
Não tenha receio de nada!
Seja o que for que irá presenciar, já aconteceu e em nada mudará o rumo do que não tem mais modificação.
As mudanças terão de ser efectuadas daqui para a frente, gostemos ou não!
Se fosse por Virgínia aquelas imagens jamais retomariam e ela deixaria a sala rapidamente para nunca mais voltar.
No entanto, nada disso podia acontecer.
Deveria permanecer e enfrentar o que divisava em seu Espírito como desagradável, terrível e profundamente comprometedor.
Passado algum tempo, como a sua decisão de retomar às imagens tardava, Irmã Jacobina, falou-lhe:
— Irmã, se até aqui chegamos, fomos obrigados pela sua renitência.
Não vimos outra possibilidade de fazê-la compreender, senão mostrando esses factos.
Por isso, não podemos tardar mais.
Se se sente amedrontada, é um bom alvitre.
Significa que estávamos certas em achar que essa era a medida correta e necessária, portanto, continuemos!
Mantenha-se firme e resista, nada poderá ser evitado!
Queira ou não, os fatos já aconteceram.
Tudo o que fazemos e promovemos, aqui, tem finalidades elevadas e visam sempre ao Espírito, como estamos visando ao seu bem- estar pela plena consciência de tudo o que aconteceu.
Enfrente- os, pois, para a sua libertação, a fim de que possa prosseguir a sua caminhada de Espírito liberto, dentro da verdade, tendo ainda a felicidade de poder receber, agora, a ajuda daquele que a senhora recusou, imputando-lhe culpas, quando todas elas cabiam à senhora, não as daquela existência, mas de uma anterior que estava ressarcindo. Levante a cabeça, enfrente, que vamos prosseguir!
Sem ter como responder porque as afirmativas eram verdadeiras, Virgínia colocou-se em posição de visualizar o que lhe seria mostrado, e a bondosa irmã fez um sinal ao jovem técnico que desse movimento às imagens anteriormente imobilizadas.
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Re: Tempo - Oportunidade de Evolução - Eça de Queiroz/Wanda A. Canutti

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Maio 27, 2018 7:33 pm

Logo a seguir, ela pôde ver aquela que era representada por si mesma, em grande pranto, dizendo que aceitaria o que lhe fosse imposto, e tudo faria para ressarcir o grande mal que havia feito àquele que amara tanto e do qual tirara a vida de modo trágico e impiedoso.
Ela voltaria à Terra e ressarciria, juntamente com todo o amor que deveria lhe dedicar, aquela dívida do passado.
Sem que precisassem explicar, Virgínia compreendeu a sua última oportunidade terrena, com o filho tão querido que lhe deram.
Compreendeu o grande amor que lhe dedicara, agora puro e maternal, e compreendera a posição de Geraldo, que, apesar de tudo, se dispusera a ajudá-la naquele resgate e ela o rejeitara, afastando-o da sua companhia, impedindo que ele cumprisse o que lhe havia proposto.
Ao final das suas próprias conclusões, quando uma grande dor tomava o seu peito, ela, em lágrimas, conseguiu dizer:
—Não desejo ver mais nada!
Se o que pretendiam era fazer- me entender, já o conseguiram.
Se antes eu sofria de uma forma, por um motivo, agora terei um outro muito mais grave para o meu sofrimento.
Se antes eu descarregava a minha dor naqueles que me amaram, hoje eu terei de curti-la sozinha.
Ela não partirá mais de mim em direcção a ninguém, mas terei que senti-la em toda a sua intensidade, porque está dentro de mim.
Após ouvir estas considerações, Irmã Jacobina tentou interrompê-la, dizendo-lhe:
— Ainda não terminamos!
A parte mais importante ainda não lhe foi mostrada, mas, se não se sente bem, temos o necessário entendimento e respeito para atendê-la momentaneamente.
Voltaremos aos factos ainda em outra oportunidade, porque fazem parte dos nossos arquivos; porém, muito mais que simples arquivos, fazem parte do Espirito daqueles que os viveram, neste caso, a senhora e seu filhinho querido da sua última existência.
— Eu não quero nem preciso ver mais nada!
— Se não quer, por ora respeitamos a sua decisão, mas, quanto a não precisar, isto compete a nós julgar, e nós sabemos o de quanto a senhora precisa.
Nada disso lhe teria sido trazido se a senhora tivesse sabido se manter mais compreensiva, dócil e submissa, mas fomos obrigados, e, como começamos, iremos até o final.
Esse período entre as imagens e lembranças de hoje, e aquelas que voltaremos a lhe mostrar mas já fazem parte das recordações de seus actos infelizes, a senhora usará para reflectir.
A reflexão é sempre a melhor amiga, quando nós mesmos sabemos dirigi-las dentro da verdade, sem desculpas nem subterfúgios.
Pois que medite, reflicta bastante, e quando desejar falar sobre o assunto, terá uma amiga, uma irmã sempre pronta a ouvi-la e confortá-la, mostrando-lhe novos caminhos que farão a sua redenção e trarão paz ao seu Espírito.
Que Deus, nosso Pai de amor e justiça, possa auxiliá-la nesse novo período que irá iniciar, para que possa lhe ser extremamente salutar!
Irmã Jacobina retirou-se, levando Virgínia abatida e preocupada.
Seu coração fora tocado e, com certeza, não seria mais como antes.
Em nenhum momento ela se referira às suas atitudes, mas sua mente fixava-se nelas.
Um tanto confusa pelas revelações às quais não tivera como contestar, foi acompanhando Irmã Jacobina que a dirigiu a seu quarto.
Quase ao chegar, Virgínia, dando acordo da sua situação daí em diante, exclamou:
— A senhora não vai me deixar sozinha!
— Todos temos nossas obrigações, e irmãos necessitados como a senhora há muitos, esperando também receber um pouco de auxílio.
O que lhe compete fazer agora, não deverá ter a interferência de ninguém, porque só a si mesma pertence. Portanto, deve ficar só e reflectir.
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