Psiquiatria em face da Reencarnação - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

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Psiquiatria em face da Reencarnação - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 16, 2018 10:39 am

Psiquiatria em face da Reencarnação

Ferreira, Inácio (1904-1988).

Dr. Inácio Ferreira
O Dr. Inácio Ferreira foi médico e escritor, exerceu o cargo de director clínico do sanatório Espírita de Uberaba (MG) desde a sua inauguração em 31 de dezembro de 1933.
Através de suas pesquisas nos casos neuro psíquicos, relacionados com os enfermos no sanatório, ele introduziu a terapia espírita, um tratamento complementar às doenças nervosas e mentais.
O seu trabalho obteve excelente resultado nos chamados casos de loucura sem lesão cerebral e doenças mentais provocadas por interferências de entidades espirituais.

Obras editadas resultantes de suas pesquisas nesse campo:
Novos rumos à medicina volume I
Novos rumos à medicina volume II
O Dr. Inácio Ferreira desencarnou em 27 de setembro, na cidade de Uberaba com 84 anos de idade.

A
M. Alves de Lima.
Com admiração,
O autor.

INDÍCE
Prefácio


O lar
Motivos deste livro
Reconhecimento histórico e científico
Exemplos Espíritos que se reencarnam no mesmo lar, com objectivo de se Reconciliarem
Reminiscência do Espírito – Um casal atribulado
Angústia de mãe
Alcoolismo
Consequências do passado
Um lar desfeito
Filho que detesta os pais
Um lar feliz
Recalques do passado
Expiação
O filho repudiado
Soerguimento de um médico
Nascer, morrer e renascer
Vigilância com os vossos lares
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Ave sem Ninho

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Re: Psiquiatria em face da Reencarnação - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 16, 2018 10:39 am

Prefácio
Conheci o Dr. Inácio Ferreira em 1938, quando eu era ainda estudante de medicina e ele já organizara o sanatório espírita de Uberaba, auxiliado pela notável médium D. Maria Modesto Cravo.
Tive a felicidade de ficar hospedado na casa desta e acompanhar de perto suas capacidades mediúnicas.
Eram excelente médium receitista, passando horas, todos os dias psicografando dezenas de dezenas de receitas do Dr. Bezerra de Menezes, muitas delas enviadas pelo correio para vários estados.
Junto às receitas, seguiam orientações e às vezes, diagnósticos, dentro da terminologia médica cuja exactidão pude comprovar algumas vezes.
Além de receitista D. Modesta, como a chamávamos, era médium de incorporação (psicofónica e psicográfica) e tinha excelente vidência.
Dialogava com espíritos cultos como Bezerra e Pierre Janet (psicólogo francês) com a naturalidade de quem conversa com encarnados.
Foi essa médium que possibilitou ao Dr. Inácio fazer as primeiras doutrinações e curas no sanatório espírita de Uberaba. Em pouco tempo esse ficou famoso e a ele acorriam doentes do Triângulo Mineiro e estados vizinhos.
Foi um dos pioneiros na América latina a tratar obsessões.
Dr. Inácio Ferreira, espírito arguto e bom observador, foi seleccionando casos interessantes, publicou, ainda na década de 40, seu livro “Novos rumos à medicina” em dois volumes.
A seguir, “Espiritismo e medicina” e a “Psiquiatria em face da Reencarnação” que a Federação Espírita do estado de São Paulo reedita.
Apesar da sua vasta experiência e longo contacto com casos de obsessões o Dr. Inácio não é fanático.
Ouvi dele, em 43, uma afirmação que provavelmente vai contrariar a teimosia dos espíritas fanáticos que vêm obsessão em toda parte.
Dizia ele que mais de metade dos pacientes encaminhados ao sanatório como obsidiados, nada mais eram do que portadores de doenças orgânicas ou funcionais, mas do âmbito médico.
Jornalista vibrante, publicou artigos em alguns jornais espíritas, principalmente na “Flama Espírita” órgão da mocidade espírita de Uberaba.
Nesse periódico manteve durante longo tempo (década de 40) uma encarniçada polémica com o clero de Uberaba, que atacava violentamente o centro espírita, a mocidade e o sanatório.
Nessa época ser espírita era sinal de loucura.
Mas ter um sanatório para tratar de doenças mentais, era a suprema ousadia.
O livro que estamos prefaciando é muito interessante, pelos casos que apresenta, sendo agradável de ler.
A linguagem é de pessoa entusiasmada pelo que defende, pelo que expõe, de tal forma que amiúde, descamba para tiradas excessivamente emotivas ou até mesmo gongóricas.
Na época em que foi escrito, esse estilo era muito usado.
Vejam-se os livros mediúnicos de Zilda Gama e outros dessa fase.
Os casos apresentados, embora não acompanhados cientificamente como tem feito o Dr. Hernâni Guimarães de Andrade possui um cunho de grande autenticidade, principalmente pelos convincentes resultados obtidos com o tratamento espírita.

Ary Lex
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Re: Psiquiatria em face da Reencarnação - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 16, 2018 10:39 am

O LAR
O lar não é somente o santuário de alvenaria, onde reconfortas o corpo; é, também, o reino das almas, onde o teu coração reclama a bênção da paz e a alegria do viver.
É o templo em cujo altar vivo, o senhor nos situa o Espírito para o aprendizado na escola humana.
Aprende a servir dentro dele, afim de que possas representar dignamente o teu papel que te cabe no mundo.
Semeia, aí dentro, no recinto abençoado que te viu crescer, a bondade e o entendimento.
Quando não fores compreendido por aqueles que te cercam, nos laços da consanguinidade, cultiva o auxílio silencioso, a benefício dos que te rodeiam.
Em casa quase sempre alinham-se a nós os amores mais santos, construindo o paraíso mais doce, e prendem-se ao nosso temporário destino na Terra as aversões mais profundas, em terríveis tempestades de sentimento.
Sob o véu misericordioso da reencarnação, amigos e adversários aí se congregam, disputando o premio do aprimoramento espiritual.
Em razão disso é possível sofras no campo familiar os tormentos mais rudes; entretanto não te desesperes nem te desanimes.
Ilhado pelas incompreensões, perdoa e ajuda sem descansar. Fustigado pela discórdia, não te confies à tristeza destruidora.
Regozija-te pela possibilidade de recapitular pequenas experiências, lutando pela própria regeneração.
Se compulsoriamente a afastados daqueles que amas, em razão da rebeldia deles mesmos, ampara com as vibrações do pensamento amigo àqueles que te expulsam.
Um dia a luz brilhará sobre a mente crepuscular dos nossos companheiros infelizes, assim como o dia volta a raiar fim de cada noite.
Jamais te esqueças que o lar é uma bênção de Deus na Terra.
Não grites nem te revoltes dentro dele.
Não te entregues à crueldade ou ao desalento, entre as suas fronteiras de amor.
Lembras-te que a tua casa é sagrado refúgio do teu pão, do teu sonho e do teu estimulo ao trabalho santificante.
No lar temos o nosso mais valioso curso de abnegação e fraternidade e, quando praticarmos o ensinamento do amor puro, com quem nos partilha a mesa e se entrelaça connosco, através do calor do mesmo sangue, então estaremos inteiramente habilitados para seguir com Jesus no apostolado do bem à humanidade inteira.

NEIO LÚCIO
(Página recebida pelo médium F. C. Xavier, na sessão pública na noite de 14-12-51, em Pedro Leopoldo)
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Re: Psiquiatria em face da Reencarnação - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 16, 2018 10:39 am

MOTIVOS DESTE LIVRO
As criaturas humanas se aproximar entre si por afeições e simpatias espontâneas, advindo em poucos momentos, em um simples olhar, por vezes uma amizade simples e sincera como se fossem conhecidos de longos anos.
Assim como se apresentam essas aproximações que se transformam em uma afeição mutua que resiste a todos os empecilhos e todos os factores de que lançam mãos para destruí-los, sem que jamais consigam abalar os laços afectivos que os ligam, também são bastante comuns essas antipatias instintivas, antipatias que se traduzem em ódios, inimizades, temor, desprezo, delas originando muitas vezes verdadeiras tragédias.
Uma ligeira apresentação, um simples olhar, por vezes, é o bastante para que uma repulsa tão violenta que nem sempre conseguimos dominar nossos gestos e palavras, exteriorizando-os acintosamente, a ponto de chamar a atenção dos circunstantes.
Existem lares onde os seus componentes, pais e filhos, esposas e irmãos, vivem sob o véu de uma amizade e de uma simpatia tão profundos, vivendo em um acordo tão absoluto, que despertam inveja aos que tem a ventura de acompanhar, de perto esse modus vivendi que exterioriza carinho, afeição, confiança e liberdade.
São criaturas que não conhecem barreiras em suas demonstrações de amizade e que dificilmente se magoam por causa dessas trivialidades comuns, desses ditos brejeiros que originam momentos de alegria sã e oportunidades para risos felizes.
Tudo corre às mil maravilhas, e o lar é um paraíso onde se respira a convivência só conhecida e sentida onde existe a perfeita comunhão de sentimentos.
Ao contrário, e em muito maior número existem os lares onde a desconfiança, a mágoa e o ódio imperam, parecendo que os seus componentes são criaturas inimigas e que não suportam a mínima injunção à vida particular de cada um.
O menor gesto, o menor olhar, a mais simples exteriorização se converte em mecha a incendiar o rastilho para a explosão que atinge a todos, dispersando os estilhaços da maldade, das injunções dos vitupérios, provocando verdadeiras tragédias que só servem para manter e estimular, ainda mais essa repulsa mútua e esse ódio incontido Lares em que os filhos guardam ressentimentos dos pais, que por sua vez não toleram as mínimas faltas dos seus rebentos, substituindo os conselhos sãos e criteriosos pelas palavras ásperas, quando não pelos castigos físicos demonstrando rancor, ódio mesmo.
Irmãos que não se toleram; esposas que convivem no mesmo tecto por necessidades impostas pelas obrigações sociais, mas separados intimamente, dominados por verdadeiras repulsas, tão fortes, por vezes, que saem do âmbito familiar para repercutirem no seio da própria sociedade.
São as tragédias surdas que reboam nas alcovas sempre umedecidas pelas lágrimas que ninguém percebe, mas que os corações sentem, pois nada mais representam do que verdadeiras partículas de uma ilusão que se desfaz em gotas.
São esses infortúnios que assolam os lares transformados em redutos de lágrimas e sofrimentos, sofrimentos e mágoas, recalcados no coração, privando-os das bases em que se apoiam a felicidade, as ilusões e as esperanças...
Ilusões que revestem as quadras negras da vida e esperanças que alimentam o almejo para dias melhores!
São essas tragédias traidoras que enlutam milhões de lares, neles sepultando a alegria de viver, a disposição para o trabalho, impedindo o descanso, o repouso e a tranquilidade.
Seus efeitos se fazem sentir cá fora, no redemoinho da colectividade, enchendo de lamúrias os consultórios médicos, abarrotando os hospícios e dando causas às investigações científicas que se processam, continuamente, dando como resultados doenças novas que vem aumentar, ainda mais a conclusão dos quadros das doenças neuropáticas.
Tratados e mais tratados estão aí às centenas, pintando com cores negras o sistema da vida social, mostrando a vertiginosidade da vida, apontando os abismos dos vícios refinados, culpando a desorganização da sociedade, a descrença nas religiões, o nível elevado dos gastos, as dificuldades da vida.
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Re: Psiquiatria em face da Reencarnação - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 16, 2018 10:40 am

Henri Claude – Com a enquete sobre a “Repercussão neuro psíquica da inquietação social e psicopatias emocionais”.
H. Sivodou – Com a “Eflorescência mental” em relação aos acontecimentos da actualidade.
Dupouy & Leconte – Com o “Estado delirante ansioso” motivados pelos acontecimentos sociais atuais.
Gerard – Com “Actualidades e psicoses”.
Toulose – Com os “Conflitos sociais e adaptação mental”.
J. Vié – Com a “Resistência psíquica e as dificuldades da vida”.
Enfim, algumas centenas de obras formidáveis, girando em torno do mesmo assunto, acontecimentos sociais e suas relações com as psicoses, acontecimentos diários que esgotam as resistências da criatura humana colocada em meio dessa agitação que se torna, dia-a-dia, maior, requerendo, esforços inauditos e um trabalho mental contínuo para o estabelecimento de um equilíbrio relativo para o próprio sustento.
Em parte estão com a verdade, pois existem as psicoses emocionais e de fadiga, que explodem com intensidade após essas catástrofes circunscritas ou generalizadas.
As conclusões, todavia, deixam muito a desejar, pois a causa primordial, por eles ainda desconhecida, contínua, na sua faina de destruição, deslizando por centenas de lares, provocando com a sua invisibilidade, efeitos tremendos que não encontram auxilio capaz de lhes atenuar ou impedir os estragos.
Sim, as conclusões obtidas, apesar de serem inúmeras, ainda estão muito aquém da verdadeira realidade, pois são incapazes de explicar fatos que se sucedem, continuamente, a demonstrarem a fragilidade dos conceitos emitidos para a explicação de suas existências.
A todo momento, a todo instante, os acontecimentos decorrentes dessas não-afinidades vêm, por si mesmo, demonstrar a irrealidade e deficiência desses tratados que julgam enfeixar nas suas páginas o produto de longas observações e estudos.
Sim, deficiência, pois que a causa primordial, a base fundamental para esses estudos, ainda continua sendo desprezada pela ciência oficial – A Reencarnação.
Ela encerra em si mesmo, essas explicações para todas essas inquietações da ciência que vê, presencia, estuda, investiga e não encontra uma causa essencial, para qual possa concentrar uma percentagem relativa, capaz de satisfazer o seu anseio e desejo de progresso em minorar o sofrimento humano e amparar a tranquilidade dos lares, cujos componentes a ela recorrem como tábua de salvação!
Incapaz de amparar esses sofrimentos, deixa-se arrastar também no torvelinho dos desesperos quando tem, nesse termo.
– Reencarnação –
A chave que precisa para abrir de par em par as portas do sacrário, onde estão depositados o livro dos destinos humanos.
Repetimos 70% das tragédias humanas, mormente essas angústias, esses desesperos e essas afinidades que separam ou aproximas as criaturas humanas entre si, somente podem ser explicados com a Reencarnação, isto é, com a volta do Espírito ao corpo, na continuação das vidas materiais, para reencetar a sua marcha nesse aprendizado que é a existência terrena.
As criaturas humanas se atraem ou se repelem, instintivamente, momentaneamente, por que em existências passadas, ou foram muito amigas, ou entre elas se deram acontecimentos de tal gravidade que sua lembrança está gravada no Perispírito e de tal maneira que ele se ressente com a aproximação do inimigo.
Daí que, por determinações Divinas, espíritos amigos e inimigos se reencarnam em uma mesma família para estreitarem mais ainda, entre si os laços de uma afeição sincera para finalidades só conhecidas, por vezes por essa Força Superior, Inteligente e Divina; os segundos obrigados a conviver sob o mesmo tecto, aproximados pelos laços consanguíneos, a fim de melhorarem seus sentimentos e dar guarida ao perdão contra ressentimentos ou causas várias que os haviam separados em existências anteriores.
Quando se esforçam para modificar seus sentimentos maus, aos poucos se aproximam entre si mesmos, aprendendo a ser humildes e boas, despojando-se de projectos de maldade e vingança, dois grandes factores a impedir a finalidade do espírito – A Evolução.
Nascer, viver, renascer ainda.
– Eis em que consiste a Reencarnação, única teoria capaz de explicar a vida e o destino.
É o principio aceito e ensinado pelo Espiritismo e a única chave possível para abrir o entendimento da psiquiatria e da psicologia, a fim de livrá-las das teorias infundadas que tem transformado o seu progresso, transformando-as na parte mais fraca e incompreensível dos ramos da medicina.
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Re: Psiquiatria em face da Reencarnação - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 16, 2018 10:40 am

RECONHECIMENTO HISTÓRICO E CIENTÍFICO
O princípio da reencarnação – Representa a bússola que há de guiar a psiquiatria e a psicologia pelo mar tormentoso da dúvida, encaminhando o seu barco para o porto seguro do entendimento.
As procelas do orgulho e os vendavais da materialidade quais furações constantes, tem impedido o amainar das ondas que constantemente fustigam o barco do raciocínio e da razão, impedindo que o leme se conserve firme em direcção ao farol radioso da verdade.
Sim, orgulho e a materialidade anuviam a razão e o raciocínio, pois o principio da Reencarnação, além de ser o mais lógico, justo e consolador para o amparo da humanidade, ainda não tem sido elevado ao lugar que lhe compete, apesar de ser o principio mais velho existente. Os povos antigos nele se baseavam.
Os filósofos de todos os tempos ensinaram.
A própria ciência e a própria religião de todos os povos e tempos nele tem tido a chave para a explicação de tudo aquilo que procuram relegar para os mistérios ou para os fatos sem explicação.
Os incas admitiam a existência de dois seres em um só:
Um de carne, pesado, propenso à fadiga e à dor; o outro, semelhante ao carnal em suas formas, mas que não se fatigava, não sofria e se transportava.
– Era a Alma, e essa seria a sua vida definitiva.
Os Egípcios há mais de 4.000 anos, com os ensinamentos de Hermes Trimegistro, ainda vívidos em nossos dias, atestam essa verdade, através da história e dos monumentos que nos legaram, mormente com suas múmias que procuram conservar á espera do seu nascimento.
O grande valor dos objectos deixados nos sepulcros.
– Colares de ouro, pedras preciosas, abundantes provisões, armas primorosas, atesta a crença da necessidade de uma vida activa além túmulo.
Os Persas com sua religião, o Mazdeísmo, aprenderam e aceitaram a redenção final de todas as criaturas, após as provas sucessivas.
Os Druidas e os Gauleses, com a certeza de achar algures, um corpo moço e forte para continuar a vida que lhes era imposta, não fugiam ante nenhum obstáculo que os ameaçasse com a morte, devendo a essa certeza seus maiores actos de bravura.
Os filósofos de todas as épocas, cujas palavras e lições sábias nunca puderam ser cobertas pelo limo do tempo, afirmaram e ensinaram a Reencarnação.
Pitágoras, devido às suas viagens ao Egipto, ficou conhecendo esses ensinamentos e os introduziu na Grécia, transmitindo aos iniciados o conhecimento da Reencarnação ascensional, e ao povo, devido à sua pouca compreensão, a mesma coisa, porém com regressão às formas inferiores, donde o erro da Metempsicose.
Timeu de Locres, seu discípulo, arraigou ainda mais, no espírito do povo, a transformação das almas, fazendo-lhes crer que passavam dos homens para as mulheres, naquele tempo expostas ao desprezo e à injúria; dos assassinos, para os animais ferozes, dos impudicos para os porcos; dos preguiçosos para os loucos; dos ignorantes para os animais aquáticos.
Heródoto, aceitando também, os ensinamentos dos Egípcios, os espalhou na Grécia, desvirtuando-os com a regressão por penalidade.
Aristófanes e Sófocles, Sob a denominação de As esperanças da morte ensinavam, além das existências sucessivas das almas, a unidade de Deus e a Pluralidade dos mundos.
Sócrates, Apolónio de Thyana, Empedocles, Platão, também acreditava na Reencarnação dizendo este último:
“Aprender é recordar”, baseando-se, assim na reminiscência.
Ensinava, também que a alma, desembaraçada suas imperfeições e envolta na virtude Divina, torna-se de certo modo santa e não volta á Terra; mas, para isso, ficavam mil anos no Hades e quando tivesse que voltar bebia a água do Lethes, que lhes faziam esquecer as lembranças de suas existências passadas.
A tradição Egípcia atestada por Platão, considerava a Atlântida a sede primitiva da raça vermelha, do qual os índios da América do Sul e do Norte representados pelos Aztecas, foram os senhores do México e do Peru.
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Re: Psiquiatria em face da Reencarnação - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 16, 2018 10:40 am

Crêem na imortalidade da alma como acreditam firmemente que na morte, as almas que vivem virtuosamente vão para além das altas montanhas, onde se encontrarão com as almas dos avós.
Admitem a alma do povo errando pelos cemitérios ou junto das habitações, e que a alma das crianças vêm à noite chorar em volta das tendas...
Têm visões, convencidos de que são parentes e amigos mortos que os visitam para os confortarem, ou fazer exprobrações aos ingratos ou maus.
Convictos que os seus maiores voltam a viver e que as almas dos que morrem entram nos corpos dos que nascem.
Também, as diversas religiões guardam, nas páginas dos seus livros sagrados, os ensinamentos sobre a Reencarnação, ensinamentos que atravessam gerações e nem mesmo o tempo consegui destruir-lhes a base, apesar dos choques e lutas, perseguições e cataclismos da natureza e mesmo os cataclismos dos homens, atestados pelas traduções adulteradas e pelas inovações interesseiras!
Quem ignora o Samsara – Roda das Reencarnações, teoria Budística mostrando aos seus crentes a necessidade de passar pelas provações materiais?
E Vyasa, o codificador do Branamismo?
Entre as inúmeras sementes que lançou, ainda vive latente aquela que há de germinar, um dia, para arrefecer as mágoas e desassossegos, cujas causas ignoram.
– Florescer, crescer e amparar sob a suas sombra milhões de peregrinos que reconhecerão as causas e os porquês impostos pela justiça sábia de um Ser Inteligente:
- “A Alma dorme na pedra, sonha no vegetal, move-se no animal e desperta no homem...”
Sim, e desperta, após toda essa fase evolutiva, para se engrandecer a si mesma, amparada pelo próprio esforço, trabalho e compreensão, em cujo âmago repercutem as lembranças e as acções que se exteriorizavam, cada vez mais puras, cada vez mais radiosas.
E a Bíblia, apesar das adulterações de palavras, termos e mesmo frases?
Mostra às centenas as passagens que reflectem este ensinamento!
No seio da própria Igreja com seus dogmas e suas leis, todas elas em contraposição ao Reencarnacionismo, Clemente de Alexandria, Rufino, Gerónimo, Orígenes, Montal, unânimes em reconhecer que, só pela lei da reencarnação, um cérebro mais evoluído poderia explicar muitas desigualdades e muitos acontecimentos entre as criaturas humanas!
E quantos pseudo Orígenes, quantos Clementes e quantos Rufinos ainda existem actualmente que não deixam de ensinar as suas invencionices, obscurecendo com elas a verdade.
– Que conhecem e aceitam – Somente por comodismo, somente para não perder o conforto proporcionado pelas vestes talares?
E os grandes escritores como Lamartine em “Viagens ao oriente”, afirmando a reencarnação devido às reminiscências que o assaltavam; Teófilo Gautier, Alexandre Dumas, Ponson Du Terrail, Walter Scott, e muitos outros confirmando e não divagando?
A Divina comédia não é um repositório de afirmações que o grande e imortal vate italiano espalhou com as luzes da sua inteligência e com a receptividade de seu espírito?
Os grandes luminares da humanidade, cujos livros ainda vivem jorrando a cristalina água, para amortecer a sede dos ávidos de saber, jamais deixaram de afirmar a verdade da reencarnação.
Goethe – Perfeitamente a par deste conhecimento, com as vidas sucessivas, escrevia à Wieland, a respeito de Frau Von Stein:
- “Só por meio da reencarnação, posso explicar a mim mesmo o poder e a influência que essa mulher exerce sobre mim.
Sim, em outro tempo fomos marido e mulher.”
Deixou transparecer a mesma crença em inúmeras outras passagens em cartas à própria Frau, Boissére, Falk, Eckermann.
Foi esta uma época áurea para a humanidade, época em que o homem olhava para as coisas do Espírito, época de altas realizações.
– Tão altas e tão sublimes que ainda pairam, nos tempos de hoje, muito acima de todas as realizações dos homens que não se cansa de admirar o que o tempo conserva e a terra lhes devolve, após estafantes pesquisas!
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Re: Psiquiatria em face da Reencarnação - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 16, 2018 10:40 am

Mas até mesmo da paz e da tranquilidade os homens se cansam, e o relógio do tempo continuando no seu giro constante e eterno, veio trazer as nuvens escuras da idade média, cobrindo os a humanidade com as brumas espessas da superstição, do fanatismo e da maldade...
E entramos, assim, na época dos cientistas, dos grandes homens cujos nomes perduram até nós, envenenando as inteligências com as suas concepções materialistas, completamente esquecidas do Espírito.
Matéria apenas matéria, apenas o visível e o palpável, para a demonstração da obra Divina, indiferente ao poder e às causas em que se apoia a existência desta mesma obra.
“Lamarque, com o “transformismo” e a geração espontânea”.
Claude Bernard – Com o “método experimental” Spencer, Naegeli, Weismann, com seus idioplasmas, miceles, parígenas etc...
Que não correspondem à realidade dos fatos, todos procurando passar do terreno das afirmações demonstráveis, terminando com Darwin, com seus princípios da hereditariedade, com a transmissão dos caracteres anatómicos e fisiológicos entre os parentes e os descendentes, teoria falha, incompleta e muito aquém do valor pretendido e ainda hoje aceito, trazendo como consequências, os livre pensadores como:
Augusto Comte – Na França, com o “Método positivo” e Louis Buchner, na Alemanha.
Pior ainda quando se trata de hereditariedade psicológica, a todo momento vendo os grades homens obscuros elevados às mais altas dignidades!
E é digno de ver como os cientistas, os sábios materialistas se perderam em um mar de conjecturas e teorias as mais disparatadas, para explicar porque um Mozart.
– Compunha apenas com oito anos de idade e tocava qualquer música aos quatro.
Beethoven – Descobria a geometria plana aos 12 anos.
Rembrant - Desenhava como verdadeiro artista antes de aprender a ler.
Miguel Ângelo - Era técnico perfeito aos oito anos.
Henecke – Sabia três línguas aos 12 anos.
Hamilton – Conhecia o hebraico e mais onze línguas aos 13 anos.
Ericsson – Aos 12 anos tinha sob sua responsabilidade 600 homens como inspector do canal marítimo de Sues.
Jaques Chrichton – O génio monstruoso – Discutia em latim, grego, hebraico ou árabe aos 15 anos.
Essas coisas evidentemente foram adquiridas, em existências passadas.
Idealismo, dizem alguns.
Cérebros férteis em imaginação dizem outros!
Tolices dizem os mais sábios e, no entanto, até para os mais sábios, as crianças-prodígios e os filhos destes próprios sábios vêm desmentir as leis da hereditariedade ou, pelo menos reduzi-las a expressão um pouco mais simples, tirando-lhes o carácter de generalidade.
Assim viveu a humanidade e continua vivendo sem se apoiar no Espírito.
Felizmente aos poucos, vêm chegando os tempos enunciados pelo Espiritismo, pois a própria ciência representada por núcleos de investigadores, vem trazendo à baila aquilo que os jornais descreviam e descrevem para despertar a atenção dos seus leitores, levando esses factos para os recessos de seus laboratórios, fazendo-os passar pelo cadinho das suas análises, pesquisas e experiências.
Para que mais comentários.
Livros espíritas, obras de um valor incomensurável, aí estão, por toda parte, à espera de serem manuseados pelos de boa vontade.
É outro o nosso objectivo.
Apresentar casos e observações que tivemos a oportunidade de acompanhar entre os internados do sanatório espírita de Uberaba, observações através das quais tivemos a oportunidade constante de avaliar a verdade dos ensinamentos espirituais que muito auxiliarão a ciência materialista, fazendo com que vislumbre tudo aquilo que persiste em ficar sem explicação.
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Re: Psiquiatria em face da Reencarnação - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 16, 2018 10:41 am

Exemplos:
ESPÍRITOS QUE REENCARNAM NO MESMO LAR, COM O OBJECTIVO DE SE RECONCILIAREM.
J.B. – Criança, ainda, com 12 anos de idade.
No seio de família, composta de pais e irmãos, convive regularmente bem com todos, com excepção de seu pai, contra o qual era manifesta a sua repulsão.
Obediente, trabalhador, tudo para ele estava bom, mas bastava o pai chamar-lhe a atenção para qualquer falta ou ordenar-lhe fazer qualquer serviço, para que se revoltasse com tanta violência que, por quatro vezes, ficou completamente desvairado, sendo preciso interná-lo no sanatório.
De todas as vezes que foi internado, com o espaço de 8, 10 dias, ficava completamente bom.
A última vez que aqui esteve, já restabelecido, aguardávamos uma pessoa da família para entregá-lo, quando chegou, ao sanatório, o seu genitor. Ao vê-lo operou-se no menino, uma mudança radical, denotando temor e receio num misto de ódio, e o vimos correr para o lado de um enfermeiro, exclamando:
“Não, não; pelo amor de Deus, com ele eu não vou!
Vocês não estão vendo a faca com que ele quer matar-me?!
Não, não, eu não vou com ele...”
O pai admirado, demonstrando mesmo afeição pelo filho, procurou agradá-lo e nos perguntou:
“Como será que ele adivinhou que eu estava com um punhal?”
E mostrando-nos um punhal que trazia na cintura, sem que ninguém o tivesse visto, devido a sua localização.
Também não deixamos de nos admirar de semelhante fato e, movido pela curiosidade, em nossos trabalhos costumeiros, tivemos a maravilhosa explicação dado por uma entidade amiga que conhecia todos esses factos passados, dada a convivência espiritual com outra entidade que esteve no sanatório durante todo o tempo de internação do menino, entidade essa que havia sido pai do menino enfermo em uma existência anterior.
Resumimos mais ou menos, as suas palavras:
“De todas as vezes que esse menino esteve internado aqui no sanatório, notamos junto dele uma entidade que o seguia constantemente.
Apresentava-se como um senhor já de idade, alma simples, desses tipos de sertanejo afeito aos trabalhos do campo, resignado com a árdua tarefa de cada dia para o cumprimento de sua obrigação, sustentando uma família numerosa.
A principio, julgamos tratar-se de um obsessor, porém, com o correr dos dias, nos convencemos do contrário, pois notávamos que procurava amparar o enfermo, incutindo-lhe bons conselhos e procurando dar-lhe coragem, humildade de resignação.
Deixamos que permanecesse junto da criança, e movidos pela curiosidade e mesmo por essa atracção que todos nós sentimos.
– Encarnados e desencarnados –
Por todos aqueles que denotam sofrimento e preocupação, procuramo-nos aproximar dele e pudemos assim ficar conhecendo as tragédias das vidas passadas, pois assim contou:
“Na minha última existência terrena fui pai desta criança.
Possuía um pequeno sítio em Caieté, onde, em companhia de numerosa família, dedicava-me aos serviços de lavoura, auxiliado pelos filhos, entre os quais esse menino, que naquela época contava 19 anos de idade.
Era trabalhador, disposto, porém um tanto turbulento, valente, sempre metido em brigas e discussões.
Confrontando com as minhas terras, morava um vizinho, um homem pacato, trabalhador, bom pai de família, como eu lutando pelo sustento da esposa e algumas filhas, uma das quais tornou-se logo namorada do rapaz.
O vizinho, porém não se conformou, proibindo terminantemente, a continuação desse namoro, dizendo mesmo que não permitiria o casamento de sua filha com um rapaz tão turbulento.
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Re: Psiquiatria em face da Reencarnação - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 16, 2018 10:41 am

Por causa disso chegou a vender seu pequeno sítio e mudar-se para um lugar um pouco mais distante, e como o rapaz continuava persistindo em seus propósitos foi mesmo ameaçado.
– Ou deixasse a moça em paz ou encontraria, nas suas terras se nela penetrasse, alguém que lhe atravessasse o coração com um punhal.
No correr desses acontecimentos, o meu antigo vizinho perdeu a esposa e ainda não refeito por aquele choque, passou pelo desgosto de ver a sua filha fugir com o rapaz.
Desvairado, procurou-os algum tempo e os matou a punhaladas.
Por protecção de fazendeiros e autoridades do local não foi preso e não respondeu a processo.
Alguns anos após, contraiu segundas núpcias, procurando uma companheira para auxiliá-lo a criar o resto dos filhos.
Essa segunda esposa ficou louca e uma noite o assassinou a machadadas, fugindo, logo em seguido e nunca sendo encontrada.
Agora é que sei que o rapaz que ele havia assassinado, como espírito consciente de seu estado, não podendo vingar-se directamente do seu assassino, agiu sobre a esposa, obsidiando-a e fazendo com que o matasse.
O rapaz, pouco depois desses acontecimentos, reencarnou-se.
Foi soldado e também assassinado, por um companheiro, durante uma questão qualquer, ainda devido ao seu génio turbulento.
Agora nessa terceira existência, veio encarnado com uma família composta por todos aqueles antigos personagens, pois o pai dele, actual foi o meu antigo vizinho que o assassinou.
Uma das irmãs atuais foi a antiga namorada com quem fugira e também assassinada pelo antigo pai, o mesmo da existência actual.
A mãe actual do menino, foi a segunda esposa do meu vizinho, a mesma que, influenciada pelo seu espírito, matou o antigo esposo o mesmo agora, nessa reencarnação.
Eu os acompanho sempre, procurando incutir-lhes bons sentimentos, amparando e procurando evitar-lhes novas tragédias.”
***********************
Existirão outras causas para explicar os gestos de revolta e repulsa que essa criança manifesta contra o seu pai actual, seu antigo vizinho e assassino?
O temor dessa filha contra o mesmo pai, que, em existência passada, fora o causador de sua infelicidade, embebendo-lhe o coração em um punhal?
A amizade e o atractivo que liga essa criança a uma das suas irmãs com quem fugira, um dia, aproximado por esse amor que liga duas almas?
Existirá outra coisa capaz de explicar a desconfiança e o temor que a mãe actual nutre pelo filho, pressentindo nele o espírito mau e vingativo, que sobre ela agira, fazendo com que assassinasse o antigo esposo e com o qual vem agora reviver.
E o espírito desse pai, como viverá em sobressaltos, pressentindo de um lado o filho e a filha que assassinara, e de outro a esposa que, louca, desvairada, lhe cortara, também o fio da sua existência?
****************
Quanta beleza, quanto deslumbramento serão antevistos, quando a ciência dos homens resolver olhar através dos reposteiros do mundo invisível aos nossos olhos materiais!
Quanta explicação encontrará para firmar a directriz dos ensinamentos e quantos factores, até hoje ocultos, não vislumbrará através dos túmulos, factores capazes de construir o arcabouço da verdadeira ciência futura, já não mais paralisada nos charcos das dúvidas, das incertezas e das concepções erróneas!
Existirá outra causa capaz de explicar a transformação, e as palavras, os gestos dessa criança, quando viu o progenitor á sua frente?
Teorias e concepções existem muitas, porém, tão frágeis que não resistem às aragens desta verdade sublime – Reencarnação.
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Re: Psiquiatria em face da Reencarnação - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 17, 2018 10:42 am

Assassinado em uma existência anterior; guardando no seu psiquismo a lembrança anterior daquele instante supremo que a arma assassina cortava a sua vida material; conservando ainda no seu Perispírito aquela última centelha de dor, de ódio, de mágoa e de vingança que, qual marca de um ferrete em brasa, se estampava em seu espírito, que manifesta, agora, em todo o seu esplendor, para confundir a sabedoria dos homens e apontar-lhe o verdadeiro caminho das perquirições, mostrando que os sentimentos sobrevivem ao corpo, á matéria, que se transforma.
Reencarnou-se tendo por pai o próprio assassino e por mãe a mesma que ele enlouqueceu, a fim de que ligados pelos laços consanguíneos e aproximados durante uma existência inteira, pudesse um como pai, velar pelo prolongamento de uma existência que outrora havia cortado estupidamente, e o outro, como filho, para que aprendesse a perdoar em retribuição aos trabalhos, aos carinhos e ao afecto a quem sempre deseja se vingar.
O pai, o antigo assassino, tem cumprido sua missão velando pela vida material daquele que assassinara, procurando amparar o filho, lançando mãos de todos os recursos materiais ganhos com sacrifício, para criar, educar e repô-lo no caminho de uma nova existência.
O filho por sua vez, menos preparado na sua vida espiritual, ainda não soube perdoar e não soube esquecer, pressente naquele corpo que representa o seu pai o espírito que outrora levantara a mão e empunhara um punhal para assassiná-lo.
A vida em comum dessas criaturas será, quase na certeza, pontilhada de desgostos e temores, pois existe entre elas, bailando entre suas auras, uma mão invisível empunhando uma lâmina tinta de sangue, e cada uma dessas gotas de sangue representa um desgosto, uma contrariedade, que só se transformará em dívidas resgatadas, se tiverem a ampará-las a resignação, a humildade e a grandeza de coração, bálsamos que atenuarão a dor de um e transformarão o ódio e o rancor do outro.
Daqui, de muito longe, só pedimos a essa Sabedoria Divina para que o braço do assassino não se levante, ainda, um dia, contra o assassino, procurando mergulhar no seu coração, a mesma lâmina que ainda baila defronte de seu espírito. Lâminas que as brumas de uma existência espiritual foram incapazes de fazer desaparecer de seu psiquismo.
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Re: Psiquiatria em face da Reencarnação - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 17, 2018 10:42 am

REMINISCÊNCIA DE UM ESPÍRITO
Um casal atribulado
Há pouco, internamos mais um enfermo. Velho, com 64 anos de idade, com pronunciado defeito físico em umas das pernas, que se tornou mais curta do que a outra, em consequência de uma fractura mal consolidada, há mais de 20 anos.
Só caminha amparado a um bordão e é completamente surdo.
Estava nervoso, falando muito, sem cessar, agitado, demonstrando rancor, ódio, inquietação tremenda.
O filho que o acompanhava demonstrando grande carinho para com velho pai, assim nos contou os antecedentes do caso:
“O velho sempre foi muito forte e trabalhador. Família numerosa, toda criada, possuindo mesmo vários netos.
Sempre foi um bom chefe de família, a tudo se sacrificando em benefício dos seus.
De um ano a essa parte começaram a notar certa transformação no seu modo de viver, principalmente no trato com a esposa, a quem atribuía faltas inconcebíveis pela idade que tinha.
Os filhos e demais parentes rodeavam-no e se riam dos absurdos ciúmes de velho em relação à esposa.
Com o tempo, todavia, já não se divertiam mais com essas demonstrações absurdas, porque o doente dava mostras evidentes de perturbação mental, pois se tornava cada vez mais nervoso, a ponto de ser vigiado continuamente. Seu estado de saúde, alterava-se de tal maneira, que tiveram de procurar recursos médicos, uma vez que ele recusava toda e qualquer alimentação e passava noites em seguidas em claro.
Seu estado de animo a principio contra e esposa, se foi estendendo às demais pessoas da família, cuja presença não tolerava.
Resolvendo sua internação, pois os recursos procurados tinham sido improfícuos, trouxeram-no para Uberaba.
************
Esteve no sanatório durante três meses, sem dar o mínimo trabalho, pois, paciente e humilde, apesar da sua surdez, contava em cada um da casa um amigo que se condoía da sua situação.
Sim, sem dar trabalho nenhum, porquanto, após os quatro primeiros dias de inquietação e nervosa, alimentado á força, nada mais demonstrou para que fosse classificado o seu caso como desequilíbrio mental.
Avisamos à família e o filho veio buscá-lo.
Alegre e sorridente, demonstrando visível satisfação por poder abraçar os netinhos, lá foi ele de volta para o lar.
Após dias de viagem, na qual sempre se demonstrou contente, feliz, ao chegar em casa, imediatamente voltaram todos os sintomas.
Ficou como que desvairado, louco, querendo bater na esposa e pouco ligando aos conselhos e carinhos com que procuravam rodeá-lo. Passou o dia e a noite inteira gritando, enraivecido com a companheira.
Temendo maiores consequências resolverem reinterná-lo voltando para isso no dia imediato.
Três dias depois, para nós foi causa de admiração o fato de o vermos de volta, em companhia do filho.
No dia seguinte, nada apresentava de anormal. Dormindo e se alimentando bem, fisionomia alegre, aberta em sorriso de felicidade.
Desequilíbrio mental não era, pois, fomos afastando os diversos sintomas primitivos e nada restou para que pudéssemos conscienciosamente enquadrar o seu quadro na classificação oficial.
Actuações de entidades inimigas, conscientes ou não, também não eram, pois tínhamos a certeza de que nada interferiam em seu estado.
Havia uma explicação qualquer para seu caso, pois o seu procedimento para com a família não era natural, e essas mudanças bruscas e repentinas estavam requerendo uma providência capaz de não nos proporcionar mais uma situação assim tão embaraçosa.
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Re: Psiquiatria em face da Reencarnação - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 17, 2018 10:42 am

Dois meses depois, sem encontrar uma justificativa para o caso e condoído da sua situação, privado da sua liberdade, longe dos filhos e dos netos, recorremos ao auxílio de um amigo espiritual.
A explicação foi dada, e tão razoável, tão nítida, e tão cabível que, mais uma vez, testemunhávamos a grandeza, o esplendor e o fundamento científico do espiritismo.
A explicação foi simples e sucinta:
“O doente, em existência passada, residiu na Espanha. Era rico negociante, forte e conceituado. Perdendo a esposa com a qual havia tido vários filhos, alguns anos depois simpatizou por uma jovem.
Ele era de bastante idade e era rico.
A moça pobre, órfã de pai, muito jovem ainda e muito bonita, trabalhava como bordadeira, principalmente para vestimentas de toureiros, entre os quais convivia e era muito requestada.
Apesar dos conselhos de parentes e amigos, casou-se com ela vivendo bem durante alguns anos, após os quais ela sempre faceira e engolfada em diversões, aos poucos se foi desviando do lar, tanto que o velho por desconfiança, não tinha para com os filhos dessa união o mesmo carinho que demonstrava para com os outros.
Um dia o velho encontrou-a no quarto, em companhia de um jovem que não era senão um de seus filhos com a primeira esposa!
Expulsou a mulher do lar e não quis saber do filho, para o qual até então olhava.
A jovem expulsa da casa, assediada pelos antigos companheiros, continuou na sua vida de perdições e nunca deixou de ferir a honra do antigo esposo, procurando todas as oportunidades para desmoralizá-lo.
De uma feita notando a presença do rapaz, seu antigo amante, em uma reunião alegre, provocou novos comentários desairosos não só para o filho, mas também para desabafar contra seu antigo esposo.
O rapaz sentindo-se ofendido e vendo que o nome do pai estava servindo para chacotas, naquele meio indigno, reagiu na altura da afronta, disso resultando uma briga generalizada, na qual ele ficou muito ferido, machucado.
O pai sabedor desse acontecimento, sentindo orgulhoso com a atitude do filho, perdoou-o, levando-o para sua casa onde faleceu, embora estivesse rodeado de tudo conforto e carinho.
O velho desgostoso com essa série de acontecimentos, suicidou-se e como espírito, durante muito tempo persegui a jovem que ainda continuava naquela vida de orgias.
Ora nessa encarnação, ele tem por esposa, a mesma jovem que, na existência passada fora expulsa do lar com indigna e traidora.
Esse rapaz que veio trazê-lo é o filho antigo da primeira união, o mesmo que se tornara amante da segunda esposa e fora ferido em defesa da sua honra, e a sua esposa na existência passada é uma das suas noras, actualmente casada com um de seus filhos.
Na família ele ainda tem um irmão que o fora, também, em existência passada.
Durante muitos anos, nessa encarnação, ele viveu bem com a esposa, porque o seu espírito embora revoltado, encontrava na matéria sã uma barreira, através da qual não podia se manifestar.
Com a idade e o consequente enfraquecimento do organismo, o espírito mais livre, mais liberto, ainda não esquecido das faltas da esposa naquela existência, revolta-se, conseguindo mostrar os seus sentimentos de ódio e desconfiança, reminiscências da vida passada”.
**********************
Explicação simples, admirável e profunda!
Os acontecimentos básicos da vida do indivíduo; os choques que mais o sensibilizam; as várias fases de maior repercussão, de suas existências se estampam de tal maneira no seu perispírito que se conservam com toda a gama de suas emoções e só se atenuam com o progresso e consequente evolução.
Revestido pela carcaça da matéria, que é o corpo humano, nela encontra uma barreira á sua manifestação espontânea dos seus sentimentos.
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Re: Psiquiatria em face da Reencarnação - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 17, 2018 10:42 am

Enfraquecida essa barreira por qualquer circunstância que desequilibre o organismo, doenças, idades, choques morais, o espírito, mais liberto, livres das peias que o prendem, consegue exteriorizar tudo aquilo que se havia estampado nele mesmo durante as suas existências passadas.
É o caso desse doente que não é doente.
Em existência passada, a traição da esposa e a necessidade consecutiva da sua expulsão do lar constituíram para ele, um choque que não só o abalou profundamente, como também se estampou no seu perispírito, e de tal forma que resistiu longos anos.
Encarnado tomou por companheira a mesma criatura que lhe proporcionou tantos desesperos e desgostos.
Enquanto a saúde e o equilíbrio do organismo foram bastante perfeitos para que o seu espírito não pudesse exteriorizar a sua desconfiança, tudo decorreu bem, em plena harmonia, procurando ambos o perdão mútuo, para que desaparece a mágoa e os tormentos.
Veio a velhice; com ela o enfraquecimento orgânico que facilitou a liberação do espírito, demonstrando este mesma desconfiança que nele estava arraigado.
Da posse dessas revelações, mandamos chamar o seu filho e não ocultamos o nosso parecer.
Era um conselho médico e de irmão, fazendo ver que seu velho pai não era um louco, nem um desequilibrado mental.
Era sim uma vítima de si mesmo, um espírito que ainda não soubera perdoar e esquecer factos passados e, nesta circunstância, jamais poderia viver continuando ao lado da sua companheira, que constituía o único factor para as manifestações de loucura que havia apresentado, a não ser que factores outros viessem aproximá-los de novo.
– Perdão, esquecimento do passado, equilíbrio do organismo etc...
Morando com qualquer um dos demais parentes, longe da presença da esposa, não mais sofreria essas inquietações.
Estava velho, cansado poderia muito bem viver ora com um filho, ora com outro, mudando de ambiente, recebendo os carinhos e o conforto de todos.
Ficou confuso e admirado, pois só então se lembrava de pequenas passagens, pormenores tão insignificantes a que não havia ligado importância.
Só agora ligava uma coisa com a outra, porém não se admirava, porque era espírita e sabia muito bem a realidade desses ensinamentos.
De fato em sua residência, muitas vezes o velho chamava os filhos e lhes falava com convicção:
“Vocês estão muito enganados com essa velha.
Ela não presta, não vale nada!
Ponham-lhe um vestido pelos joelhos, decotado e de sedas e soltem-na em um baile ou uma festa qualquer.
Verão que se transformam e sua preocupação única em dançar e namorar.
Reminiscências do Espírito!
Aceitou o nosso conselho e lá se foi o nosso bom velhinho para casa de um dos filhos, em cujo ambiente, assistindo às travessuras dos netinhos, irá desviando as suas lembranças de um passado infeliz, preparando-se para a libertação integral do espírito que voltaria muito breve, à sua verdadeira pátria, o Universo.
Sempre tivemos suas noticias, e nos alegramo-nos em saber que levava uma vida sossegada, contente, satisfeito, nunca mais atormentado pelas reminiscências dolorosas que se perdia ao longe.
Mais um caso interessante para a pobre ciência dos homens, pois nada mais representam que uma dessas milhares de pequenas tragédias que abalam a humanidade, destroem lares e confundem a sabedoria dos homens.
São tragédias comuns que resistem a todos os recursos materiais da ciência; tragédias para as quais remédios, exames, pesquisas de laboratório e aparelhagem se mostram impotentes, não conseguindo amortecer as agruras, extinguir as lágrimas provocadas, e opor barreiras á sua destruição.
Sim – Insuficientes e incapazes, pois são tragédias comuns e que só se atenuam com uma única terapêutica.
- A terapêutica do perdão, do amor e do esquecimento.
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Re: Psiquiatria em face da Reencarnação - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 17, 2018 10:42 am

ANGUSTIA DE MÃE
Um colega acabara de chegar de uma cidade longínqua, trazendo a sogra para uma consulta.
Sadia, relativamente forte, aos 65 anos de idade, criara 6 filhas, todas casadas.
Trabalhava muito para a educação dos seus, chegando mesmo a costurar, lavar e passar roupas para uma grande freguesia.
Apesar do seu mister humilde, curtindo por vezes, fases de apertura financeiras, educou as filhas, proporcionando-lhes educação esmerada, mostrando-se sempre alegre, satisfeita, sem doenças graves a ensombrarem os seus dias.
Com o aparecimento da netinha, começou a apresentar sintomas de perturbação mental com a coexistência de distúrbios afectivos, ideias delirantes, alucinações, delírio de culpa, alegando que o genro e a filha não mais a estimavam, porque não permitiam grande convivência com a netinha.
Com o casamento seguido das demais filhas e consequente aparecimento dos demais netos e netas, esses sintomas se acentuaram de tal maneira que os filhos se foram afastando de sua casa, mudando-se para outras cidades, a ponto de ficar quase isolada.
Vai visitar as filhas, procurando passar uma temporada em casa de cada uma.
Por maiores demonstrações de carinho que procuram dar-lhe cercando-a de conforto e bem estar sobrevêm as crises de pranto, exclamações, delírio de culpa, de perseguição, incomodando a própria vizinhança.
Diz que ninguém gosta dela, tratando-a como se fosse uma indesejável, mulher perigosa e que bem sabe não prestar mesmo.
Com essas manifestações, genros e filhas envidam esforços para que sua permanência em seus lares seja a mais curta possível, evitando também grande convivência com os netos, ao todo 16.
Com um genro médico e os outros em boas condições financeiras, há anos que procuram proporcionar-lhe todos os recursos preciosos para o seu tratamento e se acham desanimados com a correria por consultórios médicos e laboratórios.
Exames em quantidade e chapas de raio x em número espantoso, contribuindo para o desanimo ante a diversificação dos diagnósticos que variavam ao infinito como:
Involução, senilidade, estado pré-senil, arteriosclerose, sífilis cerebral, lesões vasculares, parafrenia, psicose maníaco-depressiva com intervalos lúcidos, psicose de situação e reacção, personalidade psicopática.
Como médico que poderia pensar da medicina?
Era vitimada, de fato, por ideias delirantes, sistematizadas, insidiosas; excitação psíquica, panfobias, agitação e depressão, delírio de culpa, melancolia, tristeza e depressão.
Não se constava, porém, empobrecimento intelectual; decadência mental própria da velhice.
Não havia manifestações de origem endócrina.
Toda actividade psíquica normal. Memória retentiva e reprodutiva normal.
Pressentimos as tragédias costumeiras – Memória retentiva e reprodutiva do Perispírito.
– Progressivamente liberto dos liames da matéria, no desgaste natural causado pelos anos.
Há anos que o colega, por uma curiosidade natural lia as obras espíritas, porém, jamais assistira a uma reunião, mormente de um trabalho especializado de curas.
Os demais da família eram católicos, excepção da paciente que recusava veementemente, qualquer contacto com as igrejas e padres.
Recorremos às sombras amigas, e, após alguns dias, em nossa companhia, em reunião especializada, assistiu o relado das causas que tanto tempo perturbavam a paz, a tranquilidade daqueles lares e, sobretudo, das Causas que desorientavam a medicina oficial á qual recorrera tantas vezes e com tantas esperanças.
Após demorada e dificultosa incorporação, assim se manifestou a entidade esperada:
“Vivi, até agora, como que envolto em um nevoeiro denso, percebendo ruídos e vozes sem conseguir localizá-los, e, raras vezes, para meu tormento, me sendo possível distinguir suas características.
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Re: Psiquiatria em face da Reencarnação - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 17, 2018 10:43 am

Espécie de sono, um pesadelo eterno, desejando acordar, voltar à realidade da vida, sem o conseguir, debatendo-me contra a tortura, a angústia e o desespero.
Com a minha presença, agora, nessa casa, esse nevoeiro se foi desfazendo e já percebo claro, através dos quais vejo, sinto a realidade do meu estado.
Aos poucos sinto as lembranças do passado e a realidade do presente.
Vivi na capital, época em que, nos meus últimos tempos assisti ao sofrimento do povo, sem leis, sem garantias, chafurdando na miséria, mendigando pão, enquanto as camadas ricas embarcavam para a corte, á procura de orgia, e de luxo, esquecidos do povo escravo, que as olhava com um misto de revolta e de desprezo.
Na verdade falava-se muito em revolta, e as violências se acentuavam dia-a-dia, e as prisões viviam repletas.
Morava em uma travessa próxima do mar em casa de uma fidalga, onde fazia o papel de criado-escravo das suas determinações, subjugado pelo temor devido à influência da qual ela usufruía junto ao clero e da nobreza.
Sua casa era um ponto de reunião onde, a par de uma religiosidade fanática, com capela particular, existiam salas onde se reuniam grandes e poderosas personalidades da época em sumptuosos banquetes regados com vinho fino.
Ela vivia dos favores oficiais que não lhe negavam fartos meios pecuniários em troca de noitadas alegres em companhia de moças.
– Crianças ainda –
Que ela atraia ora com ameaças, ora com dinheiro tão difícil em uma época de misérias, arrebanhando-as até mesmo, em uma casa de recolhimento para órfãs.
Por sua influência e por conveniências de seus comparsas, foi fundada, naquela época, uma casa para os expostos.
Foram inúmeras as vezes que, altas horas da noite, fui buscar, em casas pobres e ricas, o fruto pecaminoso daquelas noitadas alegres e depositá-los naquele nicho disfarçado para ser criado por mãos alheias.
Não avalia senhor, como se impregna nos meus ouvidos o choro daqueles inocentes.
Era com mágoa, revolta e piedade, que atravessava becos e vielas, no silêncio das noites, levando aconchegados ao coração, aqueles fardozinhos para a roda, encobrindo crimes infames.
O medo, o temor de vindictas era maior, todavia.
Era uma época de privações e temores; em que a justiça era o poder do mais forte; que o povo desesperado vivia sobre o chicote e as patas dos cavalos; época em que o ouro falava mais alto que os sentimentos dignos,
– Que poderia eu fazer senão a obediência cega e escrava, cumprindo determinações daquela alma negra escudada na força do clero, na riqueza dos mandatários e na malvadez do coração?
Infelicitou lares, desfez ilusões; provocou lamento, arrancando recém nascidos dos braços das mães.
Um só de seus olhares sufocava qualquer gesto de rebelião e de protesto.
Em uma oportunidade em que ela se achava enferma fugi daquele antro e nunca mais tive noticias.
Após esses acontecimentos tive outra reencarnação e voltei para o “Espaço” segundo me revelaram aqui, vitimado, ainda moço, por um acidente de estrada de ferro nas proximidades do Rio de Janeiro”.
*********************
A médium demonstrava esgotamento, e enquanto outros procuravam ampará-la, nós dois, médicos terrenos, olhamo-nos demoradamente e, através do seu silêncio, pude vislumbrar a tempestade de pensamentos e resoluções que turbilhonavam no seu cérebro.
Ali estava bem patenteado o diagnóstico que a medicina terrena procurava em vão – Lembranças retidas, guardadas em seu perispírito e que se manifestavam tocados pela justiça Divina!
Suas ligeiras leituras a respeito da Doutrina serviram de base para compreender e saber analisar perfeitamente o resultado daquele trabalho de pesquisa.
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Re: Psiquiatria em face da Reencarnação - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 17, 2018 10:43 am

Ela via e sentia, nas filhas actuais, algumas daquelas infelizes que mandara arrancar dos lares humildes para entregá-las à concupiscência dos seus amigos.
Nos genros, pressentia os namorados e os ricos noivos os quais, sob sofrimentos e angústias, viram derruir as suas esperanças.
Nas netinhas, a imagem viva das crianças, enviada à casa dos expostos e sentia todos eles.
– Vítimas passadas -
Se levantarem ante a lembrança de seu espírito verberando a maldade, a hipocrisia e os interesses ignóbeis.
********************
A principio, amparada pela matéria ainda resistente, apenas por espaços de tempo, ligeiramente, sentia laivos das lembranças que dormitavam no perispírito.
Com o decorrer dos anos, matéria enfraquecida pelo natural desgaste do tempo, sensivelmente se foi libertando do presente e, sensivelmente repassando as páginas do passado.
No choramingar de cada netinha sentia aflorar, no perispírito, a lembrança dos instantes durante os quais, indiferente às dores e aos desesperos das mães que a sua maldade conspurcara e, como reflexo, as imprecações daqueles espíritos inocentes, protestando contra a sua retirada do seio das mães, para serem lançados nas voragens de uma vida incerta.
No olhar das filhas
– Se notava o respeito e a gratidão, sentia também lampejo de medo e terror.
– Mesmo terror e mesmo medo que infundia, quando as obrigara a se entregaram para a satisfação de desejos menos dignos.
Quando via suas filhinhas dela se aproximarem, sentia dentro de seus próprios seres os mesmos temores que sentiram naquela época, quando as crianças eram, á força arrancados, dos seus braços e não podiam afastar o gesto denunciador daqueles que depois de muito sofrerem não mais podiam confiar na felicidade, vivendo em contínua expectativa e sobressaltos, á espera de novos acontecimentos desagradáveis.
No gesto de carinho e amparo dos genros.
– Se notava a manifestação de amizade, sentia, também, a emanação das mágoas, dos pesares, e das dores que lhes implantara no perispírito, quando, com frieza e indiferentismo, destruíra as esperanças, Junto das eleitas dos seus corações.
Manejados pelos desígnios Divinos.
– Algoz e vítima do passado, agora reunidos, em novo cenário, se desenrolavam o segundo ato daquele drama tão pontilhado de cenas trágicas, pranto, desespero, temores.
Não existiam espíritos maus e vingativos a serem doutrinados.
Era sim o Tribunal da própria Consciência ante o qual sentia, em todo o terror, o germinar das sementes que semeara e que cresciam, agora, quais espectros a verberarem a sua maldade.
Com imenso sacrifício criara as filhas e, ano a ano, orgulhosa da sua obra no presente, via coroado os seus sacrifícios de mãe, vendo as filhas se dirigirem ao altar, felizes, sorridentes, ao lado daqueles de quem as separara, um dia, ressarcindo-se de mais um erro cometido, mas não podia, agora, na velhice, sentir o calor de seus carinhos.
Uma a uma, sob aflição e esperanças, viu chegar as netinhas para viverem no regaço de suas mães; do mesmo regaço que lhes negara um dia. Mais erros ressarcidos no negror do passado – Mas se via impossibilitada de aconchegá-las ao peito, a fim de receber o calor da inocência, a fim de atenuar o frio da velhice que já se fazia sentir.
**************************
Levaríamos, eu e o colega, ao conhecimento dos seus a tempestade de remorsos que remoíam aquela criatura?
Suas filhas estariam à altura de compreender a sublimidade da Justiça Divina?
Não se envergonhariam da mãe e não se sentiriam humilhadas ente os esposos?
E se esses, por sua vez, como receberiam a verdade da situação das suas esposas em existência passada?
Quantas dúvidas, quantas incertezas!
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Re: Psiquiatria em face da Reencarnação - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 17, 2018 10:43 am

**************************
Destruiu almas e corações e veio, pela reencarnação, arrebanhar aquelas vítimas da sua maldade, agora, como mãe extremosa ressarcir o seu erro e receber, por si mesma, o reflexo e os tormentos que provocou.
Eis as origens das tragédias que se passam nos recessos dos lares e que a Psiquiatria sem a base da Reencarnação, se torna impotente para resolver quando, alicerçada nos fatos de existências passadas, poderia proporcionar tanta paz e felicidade.
***************************
Ele, o colega, compreendeu, que na medicina material, não encontraria os medicamentos precisos para apagar aquelas lembranças do passado.
E na medicina espiritual?
Sim, na medicina espiritual poderia encontrar a terapêutica precisa, procurando reunir vítimas e algoz em torno do evangelho, fazendo que procurassem buscar nutrir-se na Seiva Divina para poderem suportar o fardo da vida terrena.
Com o auxilio do esplendor das Luzes da verdade, ficarão aptos a se libertarem das iniquidades do passado, para, mais facilmente após o descanso, voltarem para novas caminhadas.
Terapêutica?
Sim. Não disse:
Ide – Curai os enfermos e consolai os aflitos?

ALCOOLISMO
O alcoolismo ainda constitui um dos grandes flagelos que assolam a humanidade, desequilibrando as normas de vida, provocando tragédias contínuas e contínuos desassossegos, e enchendo os manicómios de uma percentagem aterradora.
Se para a humanidade, esse mal avassalador, penetrando em todas as camadas e nelas deixando a sua marca de tragédias com consequentes desesperos e lágrimas, para a ciência humana, constitui, também, um mal que não tem encontrado barreiras no seu ímpeto assolador e, pior do que isso, não tem permitido que se lhe anteponha uma terapêutica criteriosa, capaz de, se não anular os seus efeitos, pelo menos atenuar os seus males.
Ainda uma vez, a ciência dos homens, entra com seu contingente de culpa, deixando as células e os neurónios intoxicados sem possibilidade para um tratamento eficiente.
O materialismo da ciência humana continua sendo mesmo nesse sector.
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Re: Psiquiatria em face da Reencarnação - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 17, 2018 10:43 am

– Vícios –
O precipício à borda do qual pára, com seus apetrechos, temeroso de sondar a voragem, onde suas vistas não penetram, e através de cujas trevas não vislumbra um raio de luz ou uma raio de esperança.
Alcoolismo – Espectro horrendo que paira sobre os lares e a sociedade para deles arrancar, com as garras aduncas, os filhos, os esposos, os noivos, fazendo com que venham participar da sua cruzada imensa, que segue para o país da desgraça, por entre lamentações lúgubres, levando pela estrada do desespero os despojos da alegria e da felicidade.
A ciência dos homens, incapaz de um auxilio directo, continua presenciando esse cortejo fúnebre, condoída e desespera por não encontrar um recurso capaz de deter essa marcha ou atenuar as lamentações que se tornam mais sentidas e mais plangentes, quanto maior o número daqueles que reforçam as fileiras de infelizes.
Materialidade! Materialidade!
Filtro que estimula o orgulho do saber, anuviando a razão e entorpecendo o raciocínio, não lhes permite acompanhar pari-passu a evolução que segue, indiferente aos desentendimentos humanos.
Apegado aos males físicos, esquecem-se dos males psíquicos, ignorando a questão da sensibilidade mediúnica dos indivíduos e indiferentes à acção quase avassaladora de entidades desencarnadas e inteligentes.
Apoiados na hereditariedade orgânica com suas consequências naturais ou patológicas, esquecem da hereditariedade psíquica.
– Acervo de vícios e intoxicações que o espírito traz de existências passadas.
Atribuem ao meio ambiente actual e aos arrastamentos dos amigos de agora, e não se lembram da possibilidade e da realidade dos meios e dos arrastamentos produzidos em vidas passadas.
Por vezes, apesar de não encontrar uma base sólida em todas essas conjecturas, digamos mesmo, leis para a maioria, nem assim se desviam da velha rotina, procurando outras bases para se firmarem nos diagnósticos e prognósticos.
É uma dessas leis e bases principais, à quais se agarram para tudo explicar, mesmo compreendendo a fraqueza dos argumentos, é a hereditariedade patológica.
No entanto o papel da hereditariedade psíquica é muito mais importante, pois sua acção se faz sentir em todo o terreno da patologia.
Em referência ao caso de que nos ocupamos, todos os médicos que tratam do enfermo, menos um, atribuem ao arrastamento do meio aliado às condições da vida social, dando o caso como perdido, devido á intoxicação das células e dos neurónios.
Longe de nós querermos negar o legado dos pais e entes passados, através de cujas gerações o mal persiste e os vícios se patenteiam.
Todavia só esse apoio é bastante frágil, ante aquele que arrasta os indivíduos pela intoxicação, pela hereditariedade psíquica, sem o conhecimento do qual é difícil, impossível mesmo, o saneamento e a luta contra a embriaguez, vício que se impregna muito mais no psiquismo do que no terreno material, orgânico.
O alcoólatra, leva consigo a herança mórbida, pois no laboratório da natureza, com a morte, o corpo apodrece e se consome, dispersando-se os elementos com a decomposição.
A lepra, a tuberculose, o câncer, males que se estabelecem no corpo e usufruem dos seus elementos químicos, se dispersam com a transformação, mas os vícios, como o álcool e os entorpecentes, são conservados no perispírito, sofrendo a intoxicação do seu Ego, a intoxicação psíquica.
Os primeiros males desaparecem com o corpo; os segundos persistem, pois o Espírito não morre.
– Continua sua vida como o repositório dos sentimentos, dos desejos.
Morto o alcoólatra, o seu espírito continua intoxicado e enfermo; tanto que em vida humana o seu vício o levou ao manicómio, nos manicómios do “Espaço” continuará, para a desintoxicação Perispiritual.
O medicamento, a vacina propícia para extirpar a tara psíquica da embriaguez é a noção da responsabilidade, a compreensão do dever, o desejo controlado, a boa vontade, escudos que todas as actuações psíquicas são impotentes para atenuar.
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Re: Psiquiatria em face da Reencarnação - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 17, 2018 10:43 am

Desejar e repelir são vontades inerentes ao espírito; são desejos psíquicos que se devem manter em equilíbrio e, principalmente, nas suas origens e nas suas causas, porque poderia fazer muito mais, ainda, aliviando dores e curando enfermos, aliando esse tratamento psíquico baseado ao tratamento orgânico.
No maior número das vezes, esses dois males se reúnem, porque grande parte das criaturas são sensitivas e nos seus leitos de dor atraem entidades que vão aumentar a sua moléstia orgânica.
A assimilação fluídica entre os encarnados e desencarnados é um facto, e os sensitivos os atraem pelo pensamento, exteriorizando os seus males, pensamento e exteriorização que, abrangendo zonas psíquicas, provocam a aproximação de entidades que, junto aos seus leitos, ora aumenta essas dores, ora lhes fazem sentir outros males, ora, ainda, lhes aguçam os vícios para usufruírem dos bons resultados.
Essa assimilação fluídica – Agente invisível –
Não depende de pesquisas de laboratórios e análises.
– Sim, dos trabalhos de investigação, estudando as mediunidades e a alma.
Várias observações enriquecem nosso arquivo, observando que provam o prolongamento ou atenuação dos padecimentos de um enfermo de conformidade com a aproximação de entidades, cuja acção se faz sentir ou não, mormente para o caso de entorpecentes, quando essas entidades atuam mais ainda, provocando oportunidades para a aplicação desses medicamentos, dos quais lançam mão os médicos que visam o sintoma da dor.
Agem para que a dor seja mais intensa, obrigando o médico dar mais entorpecentes, porque o espírito que atua é viciado e sente também o efeito do entorpecente.
O Espírito sobrevive ao corpo, levando consigo todos os sentimentos e todos os desejos, e almas atormentadas pelo vício são verdadeiros tóxicos que se deixam levar para fora da estrada dos bons sentimentos, arrastando também os seus irmãos encarnados, de cujas taras psíquicas se aproveitam em seu benefício.
A verdadeira essência da vida está na vida psíquica.
Para que a medicina não se veja entravada na sua sublime missão, ela precisa ampliar o seu combate às causas orgânicas, atacando também as causas psíquicas.
Para isso precisa investigar e estudar os ensinamentos que lhe oferece o Espiritismo, como as leis da Imortalidade e a Reencarnação, a fim que a sublimidade da sua missão seja ainda mais eficiente.
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Re: Psiquiatria em face da Reencarnação - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 18, 2018 9:59 am

´CONSEQUÊNICAS DO PASSADO
Há tempos por uma colega, nos foi apresentado um senhor já de idade, que viera de uma pequena localidade do estado do Rio, trazendo um filho para se submeter a um tratamento.
Meu filho, dizia o ancião, é um rapaz forte, sadio, com 26 anos de idade.
Possuidor de bons sentimentos, inteligente, ao contrario dos demais irmãos, tem proporcionado à família um desgosto profundo. – O álcool.
De uns 6 anos para cá, apesar de conselhos, rogos, remédios e tratamentos médicos, não tem sido possível livrá-lo desse vício.
Tudo tenho feito por ele e ainda não desisti dos recursos da medicina e do auxilio de Deus, para fazer com que ele deixe esse vício maldito.
******************
Internamos o rapaz e pouco nos demoramos em nos dirigir para o sanatório, ávidos para a observação, de assistir, a qualquer um dos quadros por que passam estes intoxicados, ou a forte reacção, violenta, natural em quase todos os alcoólatras, ou as manifestações do dilirium tremens peculiar nos intoxicados inveterados, ou ainda, pelo menos, o abatimento físico, o estado quase pré-agónico da fase final em que se processa a desintoxicação através dos humores orgânicos.
Nada disto pudemos observar.
Nem a revolta natural por se ver internado, privado de sua liberdade, nem o estado de insensibilidade, nem ainda as desordens de percepção, com ilusões e alucinações.
Nada de incoerência de ideias, nada de actos impulsivos!
O que encontramos foi um rapaz tratável, demonstrando fina educação, amável, obediente, senhor de suas ideias, de seu raciocínio, de todas as percepções, de uma criatura normal.
Nosso desapontamento de observador foi grande e a curiosidade dos olhos materiais foi substituída pela dos olhos espirituais, transformando o desapontamento em compaixão, pois, antevemos logo, uma destas tristes tragédias que salteiam os lares.
“Reconheço que faço mal abrigando esse vício; tudo tenho feito para deixá-lo.
Mas palavra doutor, tem sido impossível.
Ele sobrepuja a minha vontade e me arrasta facilmente...
*************************
Reconhecia o seu mal. Falava sobre o pai, sobre os irmãos e sobre os amigos, envergonhado perante todos eles e, ao mesmo tempo, agradecido pelo esforço que todos faziam para afastá-lo daquele caminho.
Alguns dias após, tivemos o relato de sua vida passada e, com ele a origem e o porquê do vício que sobrepujava a sua vontade.
Resumindo, eis o resultado do que foi e do que teria de arrastar na vida actual:
Em existência passada, muito rico por herança, senhor de vastos latifúndios, ainda moço, foi arrastado por um amigo á casa de uma mundana famosa pela sua beleza.
Admirou-se a princípio desta amizade, pois o amigo que o arrastara era irmão daquela que se tornaria, em pouco, sua amante e, mais tarde, sua esposa, pois soubera, com artimanhas e hipocrisias, arrastá-lo ao casamento.
Efectuado este só então percebeu que nada mais desejavam que usufruir de sua fortuna, mas fascinado pela suas beleza e vencido pela sua habilidade, foi arrastado a todos os antros onde impera o vício, tornando-se em pouco tempo, um alcoólatra inveterado.
Perdeu toda sua fortuna e, com ela, o amigo e a esposa.
Apaixonado, na miséria, sempre alcoolizado, tentou suicídio.
Não morreu logo devido aos cuidados de seu cunhado, que, arrependido, levou-o para uma casa de saúde, postando-se à sua cabeceira e tudo fazendo para salvá-lo.
Durante a sua lenta agonia, presa de sofrimentos horríveis, no seu delírio, não deixava de pronunciar o nome da esposa.
Tudo isso para o cunhado que estava a sua cabeceira, não deixava de ser uma demonstração de verdadeira amizade à sua irmã.
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Re: Psiquiatria em face da Reencarnação - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 18, 2018 9:59 am

Arrependido, mais ainda, pelo seu ato de arrastá-lo para os braços da irmã e aos vícios mais deprimentes, mormente o álcool, sempre alimentou o desejo de levantá-lo moralmente e esse desejo foi tão grande e tão sincero que, desencarnado ainda o conservou e veio, nesta existência como pai do paciente.
Sempre manteve o firme propósito de ampará-lo e tudo tem feito pelo filho; bem caro continua pagando o ato infeliz, que praticou outrora, movido pela ambição do ouro, pois o espírito do rapaz, trazendo consigo a reminiscência daquela vida passada, ante o pai, a lembrança da esposa e da irmã, torna-se mais viva, produzindo-lhe a revolta e, com ela a mágoa, procurando então, esquecimento nos vapores alcoólicos!
Como vemos não se trata de um caso de obsessão; o rapaz é médium sensitivo, e isto contribui para que seu espírito pressinta, na pessoa do pai, o causador de sua felicidade de outrora.
Revolta-se e como filho, respeitando o progenitor, lhe devota ódio sem contudo manifestá-lo, e sem mesmo saber a sua causa e origem.
Trazendo consigo, o psiquismo intoxicado, facilmente é arrastado para a perpetuação do vício.
Ciente dos pormenores de sua vida passada, consequentemente da origem do seu vício e da causa primordial actual, a presença do seu progenitor não nos foi difícil pelos meios apropriados, levar ao ego do paciente o despertar para o perdão, procurando sufocar a recordação daquele amor infeliz, influenciando-o para o desejo de um novo afecto, mais nobre e mais sincero.
E o conseguimos, despertando seu espírito para a luta futura, fazendo com que procurasse, pelo perdão não só esquecer o momento de fraqueza daqueles que o arrastaram para o caminho da amargura, como, também, se sublimasse ante si mesmo e seu progenitor, em compensação pelo arrependimento e desgostos que não conseguiram abater ou atenuar o desejo de ampará-lo no esforço sacrossanto de fazer dele, um homem digno perante a sociedade e um espírito digno perante Deus.
E o conseguimos, porque, passado um ano, tivemos suas noticias, envolta com as novas que estava para construir o seu lar, prova de que seu espírito havia lançado o véu do esquecimento sobre o passado, na intenção de procurar, no futuro, um afecto sincero e digno, no qual pudesse apoiar-se para a continuação da vida material, vida de esperança, luta e sofrimento em prol da própria evolução, do próprio aprimoramento.
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Re: Psiquiatria em face da Reencarnação - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 18, 2018 9:59 am

UM LAR DESFEITO
Após 15 dias de internamento para se submeter à desintoxicação alcoólica.
Delírio e alucinações, já restabelecido assim se expressou:
“Pela primeira vez na vida embriaguei-me e assim procedi por paixão.
Sim, meu senhor.
Sou pai de 6 filhos – Quatro homens e 2 mulheres.
Sou trabalhador, económico, e jamais deixei faltar algo para os meus, inclusive a educação primária, ofício para os rapazes e todas as prendas domesticas para as filhas.
Jamais procurei corrigir os filhos com castigos corporais e não me recordo de ter proporcionado a minha esposa momentos desagradáveis pela minha conduta.
Sou capataz. Viajo muito, curtindo agruras pelos caminhos e saudades do lar, tudo suportando, para proporcionar-lhes conforto de pobre para o presente e, se possível, evitar-lhes preocupações financeiras para o futuro.
No entanto considero-me um infeliz, porque ao chegar a minha casa, ao meu lar, após dias e dias de ausência, procurando sentir a alegria dos filhos e o carinho da esposa, sou recebido como um leproso, de quem todos fogem ou um assassino de quem todos temem.
Noto diferença nos seus gestos, nas suas conversas e nas suas atitudes e, na maior parte das vezes, somem para a rua ou para a vizinhança, como que evitando contacto comigo.
Há uns três anos que noto semelhante fato, procurando enganar a mim próprio, atribuindo tudo isso a factores naturais criados pela minha imaginação, suportando calado, na esperança de dias melhores.
Como a minha frequência em casa agora é mais demorada, pois, tenho pouco viajado, a situação se torna cada vez pior.
Com boas maneiras tenho procurado contornar a situação, inquirindo minha esposa e meus próprios filhos.
Dizem nada haver.
Mas, como?
Eu sinto e vejo a situação anormal do meu lar.
Desejo um exame para mim e meus filhos, esperando que tudo seja superado.
**************************
Ele, nada de anormal. Caboclo forte, disposto, acostumado a enfrentar as intempéries e consequências das viagens longas, conduzindo gado pela estrada.
Uma filha e um filho casados, uma filha solteira e três rapazes e a esposa, nada apresentado de desvio psíquico.
Após várias inquirições e muita diplomacia conseguimos a confissão de sua esposa.
“Se o sofrimento e a mágoa deles são grandes doutor, maiores ainda são as minhas por ser confidente de meus filhos, porque na verdade eles o temem e o detestam, a ponto de desaparecerem de casa, quando ele se acha na cidade.
Razões para isso?
Não as vejo. Tem sido bom, trabalhador, olhando por todos nós, nada deixado faltar, e não me recordo que tenha castigado os filhos, algum dia.
Já me apeguei, e já me aconselhei com todos os santos de minha devoção sem nada conseguir.
Nossa vida em casa se transformou num verdadeiro inferno.
Não querem nem ouvir, e nem falar do pai”
**************************
Medicamentos, análises e pesquisas de laboratórios, exames de raios x.
Tudo aquilo que a psiquiatria lança mão como recurso eficiente em alguns casos, nesse, nenhum proveito poderão oferecer.
Necessita sim, dos medicamentos dos laboratórios do infinito, análises e pesquisas através das obras básicas da doutrina, e exames de consciência, cujas chapas revelarão com mais nitidez as manchas impregnadas no perispírito.
Será um passo enorme para a conquista da paz e da felicidade que serão para todo o sempre, fortalecidos para o trabalho construtivo na seara do Mestre.
***************************
Avaliamos a extensão da sua tortura moral, suportando o desprezo e a indiferença dos filhos, quando o seu coração arrependido tudo tem feito para reconquistar o amor e o carinho daqueles que fizera sofrer.
Acha-se preparado para suportar tudo mesmo porque apoiado no Divino auxílio no qual crê e confia, terá, no factor tempo, o maior aliado para que os seus cheguem, também, à compreensão das Eternas Verdades e as transformem em perdão para recomeçarem nova caminhada.
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Re: Psiquiatria em face da Reencarnação - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 18, 2018 9:59 am

FILHOS QUE DETESTA OS PAIS
A.C – Rapaz forte, compleição robusto, solteiro, 24 anos de idade, filho de pais italianos, gente simples, trabalhadora e honesta, vivendo há vários anos, cercado pela amizade de todos, em uma cidade do Triângulo Mineiro.
Instrução pouca.
Desde pequeno demonstra génio irascível, contra o pai e a mãe, mormente contra o pioneiro com o qual não quer convivência, evitando mesmo a aproximação.
Ao contrário não respeita a velhice do pai, senhor já dos seus 60 anos, cobrindo-o de impropérios e injúrias, tentando mesmo agredi-los fisicamente e, por vezes sem motivo justificados.
Com os amigos e conhecidos demonstra-se um indivíduo perfeito, conversando e tomando parte em suas reuniões, convivendo naturalmente, sem nenhuma demonstração de desequilíbrio mental.
Trabalhador e disposto dedicou-se à carpintaria.
Do pai não tolera a mínima observação, o mínimo conselho, demonstrando revolta imediata, insultando o progenitor, requerendo intervenção de várias pessoas para contê-los nas suas demonstrações de ódio, insultos, pois torna-se furioso, completamente louco, proferindo sem cessar numa algaravia de assuntos, insultos e ameaças, aglutinando lembranças e momentos da política Europeia, coisas que desconhece, pois pouco se importa com jornais e tudo ignora do velho mundo.
Essas crises são constantes e por vezes duram horas e mesmo dias, sendo então constantemente vigiado, amarrado ou posto sob a protecção de entorpecentes, único meio de que lançaram mão médicos que dele trataram.
Diagnósticos e tratamentos tem variado ao infinito, pois a família, sobressaltada, e demonstrando interesse pela saúde e bem estar do filho, não tem medido esforço e sacrifício para manter a convivência e a paz, no lar, paz e convivência apenas perturbada, por essas crises periódicas e irrazoáveis.
Aos conselhos dos amigos e conhecidos, responde com invectivas contra o pai, culpando-o por coisas que todos reconhecem e sabem não serem verdadeiras.
Já esteve internado em um sanatório, onde recebeu alta, como curado, após alguns meses de tratamento.
São as duas únicas pessoas que provocam essas crises de violência.
– A mãe e o pai –
Mormente este último, com seus conselhos ou simplesmente com a sua presença.
Cansados e cientes improficuidade dos recursos, até então procurados, trouxeram-no para esta cidade, recorrendo aos nossos cuidados.
Internado durante 30 dias, em observação, nada demonstrou que exigisse internamento e isolamento.
Tem memória e raciocínio à altura de sua educação e instrução.
Noção de espaço, tempo e lugar.
Nada de anormal pelos exames feitos e nenhuma demonstração de desequilíbrio mental.
Ao contrário vivia pedindo para que lhe déssemos um serviço qualquer a fim de melhor passar o tempo.
Após este período de observação, cuidadosamente procuramos saber de seus projectos futuros, pois pretendíamos mandar chamar a sua família, para que o levasse por não parecer necessário seu isolamento.
Percebendo nosso propósito de fazê-lo voltar para casa, só então, pela primeira vez, no sanatório, demonstrou tremenda revolta contra os pais, dizendo que a tudo se submeteria, menos viver em companhia de seus progenitores.
Queria sair sim, para trabalhar, porém para outras localidades, bem longe daqueles que procuravam cercá-lo de carinhos e cuidados.
Não gostava dos velhos e semente a sua presença era motivo para aborrecê-lo.
Por quê?
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Re: Psiquiatria em face da Reencarnação - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 18, 2018 10:00 am

Ele mesmo não sabia explicar e apresentava motivos fúteis, tão tolos e infantis que não resistiam à menor análise.
Mais uma vez nossa atenção foi despertada pela realidade dessas tragédias presentes, consequências de factores passados.
Pedimos a uma entidade amiga para nos orientar naquela emergência, esperando uma explicação para aquele caso em que a nossa terapêutica material era desnecessária, e em que o nosso raciocínio apenas permitia vislumbrar a causa longínqua.
Prometeu trazer a um de nossos trabalhos, uma entidade que estava à altura de nos revelar algo que motivava aquela tragédia, transformando a tranquilidade de um lar em um ambiente de desassossego e apreensões.
De fato, poucos dias depois, tivemos a oportunidade de conversar com um desencarnado.
“Na minha última existência material, fui pai deste rapaz.
Morávamos em um lugar chamado Malhada, em Portugal.
Ele sempre foi bom filho, disposto, trabalhador, porém muito genioso e dado a valentias, devido mesmo ao seu género de negócios, convivendo com toda classe de pessoas, pois possuía um armazém com grande adega, dedicando-se ao comércio de vinhos, motivo pelo qual fazia constantes viagens á Espanha.
Contrariando a minha opinião e o conselho de vários amigos, casou-se com uma moça cujo conceito não era muito bom.
Após o seu casamento, aceitou um tio por sócio, no seu armazém e, certo tempo depois de volta de uma de suas viagens, teve desconfianças de que o tio tornara-se amante de sua esposa, manchando o seu lar.
Eles de nada desconfiavam, julgando-se únicos senhores deste segredo.
Nos dias de convivência que se seguiram, tudo fez para que as desconfianças que o empolgavam se objectivassem em certezas, e, quando convicto de que tudo era verdade, assassinou o tio na adega; retalhou seu corpo em centenas de pedaços e os lançou em um dos tonéis de vinho, no qual pôs uma boa quantidade de ácido para desfazer e apagar os vestígios de seu crime. Em seguida levou também o corpo de sua esposa à adega, após amarrá-la, abriu-lhe o ventre procurando deformá-la, mostrando-lhe, também o que restava do corpo do amante.
Ela enlouqueceu sob tanta tortura e pouco depois morria vitimada pela infecção que lhe produzira no ventre.
Desassossegado, temendo desconfianças e consequente prisão de meu filho, aconselhei-lhe a venda de seu armazém, com excepção dos tonéis de vinho, e fomos para a Espanha, conseguindo nesta viagem atirar ao mar, aquele que guardava os resquícios de seu crime.
Lá vivemos um certo tempo, sempre inquietos, temendo a descoberta daquele crime que eu como pai do autor do crime e sogro da vítima fora obrigado a tornar-me cúmplice.
Os quadros daquela tragédia havia se estampado tão fortemente em sua imaginação que nunca mais pode ter repouso e tranquilidade.
Parecia mesmo que a sombra do remorso vivia bailando à sua frente e lhe apresentando constante as diversas fases daquele crime horripilante, pois às vezes desvairado, dizia estar vendo tudo o que fizera.
Ficava agitado procurando tapar os olhos para que a sua vista não continuasse vendo o que estava retratado em sua imaginação.
Desgostoso, desorientado, bebendo muito, morreu, aos poucos em estado lastimável.
Pouco depois, também já velho, cansado e torturado com aquele série de acontecimentos que me abalavam os nervos, desencarnei ainda na Espanha.
Decorrido muito tempo que não se marca no relógio da eternidade, vim á procura de minha mãe e irmã que se havia reencarnado neste país, e que as encontrei também e tenho presenciado a tragédia de suas vidas pois o seu pai actual foi o seu tio, e a sua mãe nada menos que a sua esposa, naquela existência.
Tenho pena da tortura que ele sofre e provoca, mas os desígnios Divinos são sábios e justos.
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Re: Psiquiatria em face da Reencarnação - Inácio Ferreira /Carlos A. Baccelli

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