“ANTE OS QUE PARTIRAM”

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“ANTE OS QUE PARTIRAM”

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 28, 2011 10:26 am

“ANTE OS QUE PARTIRAM”

Nenhum sofrimento, na terra, será talvez comparável ao daquele coração que se debruça sobre outro coração regelado e querido que o ataúde transporta para o grande silêncio.

Ver a névoa da morte estampar-se, inexorável, na fisionomia dos que mais amamos e cerrar-lhes os olhos no adeus indescritível, é como despedaçar a própria alma e prosseguir vivendo.

Digam aqueles que já estreitaram de encontro ao peito um filhinho transfigurado em anjo da agonia;
um esposo que se despede, procurando debalde mover os lábios mudos;
uma companheira cujas mãos consagradas à ternura, pendem extintas;
um amigo que tomba desfalecente para não mais se erguer, ou um semblante materno acostumado a abençoar e que nada mais consegue exprimir, senão a dor da extrema separação, através da última lágrima.


Falem aqueles, que, um dia se inclinaram, esmagados de solidão, à frente de um túmulo;
os que se arrojaram em prece nas cinzas, que recobrem a derradeira recordação dos entes inesquecíveis;
os que caíram varados de saudade, carregando no seio o esquife dos próprios sonhos;
os que tactearam, gemendo a lousa imóvel e os que soluçaram de angústia, no ádito dos próprios pensamentos, perguntando em vão, pela presença dos que partiram.


Todavia, quando semelhante provação te bata à porta, reprime o desespero e dilui, a corrente da mágoa na fonte viva da oração, porque os chamados mortos são apenas ausentes e as gotas de teu pranto lhes fustigam a alma como chuva de fel.

Também eles pensam e lutam, sentem e choram.

Atravessam a faixa do sepulcro como quem se desenvencilha da noite, mas na madrugada do novo dia, inquietam-se pelos que ficaram...

Ouvem-lhes os gritos e as súplicas, na onda mental que rompe a barreira da grande sombra e tremem cada vez que os laços afectivos da rectaguarda se rendem à inconformação ou se voltam para o suicídio.

Lamentam-se quanto aos erros praticados e trabalham, com afinco, na regeneração que lhes diz respeito.

Estimulam-te à prática do bem, partilhando-te as dores e as alegrias.

Rejubilam-se com as tuas vitórias no mundo interior e consolam-te nas horas amargas para que te não percas no frio do desencanto.

Tranquiliza, desse modo, os companheiros que demandam o Além, suportando corajosamente a despedida temporária e honra-lhes a memória, abraçando com nobreza os deveres que te legaram.

Recorda que em futuro mais próximo que imaginas, respirarás entre eles, comungando-lhes as necessidades e os problemas, porquanto terminarás também a própria viagem no mar das provas redentoras.

E, vencendo para sempre o terror da morte, não nos será lícito esquecer que Jesus, o nosso Divino Mestre e Herói do Túmulo Vazio, nasceu em noite escura, viveu entre os infortúnios da terra e expirou na cruz, em tarde pardacenta, sobre o monte empedrado, mas ressuscitou aos cânticos da manhã, no fulgor de um jardim.

EMMANUEL

§.§.§- O-canto-da-ave
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